quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

A NATUREZA DA MATÉRIA. DA GRAVIDADE E O SONHO DO HOMEM




A NATUREZA DA MATÉRIA E O SONHO DO HOMEM
Ramon Natalli
Eu sou Ramon Natalli, antigo servidor da Casa Real de Astronomia de Itália, Roma. Vou tentar fazer uma pequena preleção sobre o que é chamado a Natureza da Matéria. Não é de modo nenhum problemático que eu diga alguma coisa de novo.
Quando vivia na terra, no século 16, eu pensava conhecer um bocado de coisas com respeito à matéria. Mas desde que para aqui vim para o mundo astral, as descobertas que fiz mudaram toda a opinião que tinha com respeito ao universo físico em que vós viveis.
Durante muitos anos pensei em manter-me afastado da metafísica, e de trazer a metafísica para o domínio da física, ou a abordagem material. No vosso mundo, esse grande homem que não há muito passou para o meu mundo - o Sr. Albert Einstein - pela compreensão que tinha, ele trouxe para o mundo a ideia de que a energia equivale à matéria e a matéria à energia.
Trata-se de uma simples acção recíproca que se dá entre - não duas coisas diferentes, mas duas formas distintas de acção, da mesma coisa una. A energia, durante muitos anos, não era considerada como formada por partículas, mas por intermédio dos estudes desse grande homem, Einstein, foi agora descoberto ser.
Energia formada de partículas. Como poderia ser de outro modo? De nada serve falar de energia enquanto ondas; porque, para se ter uma onda, precisam ter pedaços de partículas ou partes em movimento, a fim de criar uma forma de movimento.
A energia não possui uma natureza homogénea. Por outras palavras, não é toda do mesmo género. À semelhança da matéria, é constituída por muitos tipos ou partes. Sem a teoria particular, todas as teorias sobre o movimento, sobre a lei do movimento, seriam impossíveis.
Foi pensado que os éteres devam ser o corpo em que a energia opera. E assim, muitos estudos experimentais e exames foram feitos sobre os éteres a fim de tentar descobrir alguma verdade acerca de constituir um corpo em que a energia se move ou tem a sua existência. Mas todos os experimentos deviam - contrariamente a essa ideia -  responder a isso, e actualmente acredita-se que a energia não necessita de um corpo para além de si própria para poder operar.
Contudo, os meus estudos mostram algo um pouco diferente do que tinha sido descoberto pelos vossos cientistas modernos; que é a de que os éteres são feitos de - ou o que é chamado o próprio espaço - é feito de electrões frios, ou corpos electrónicos que sofreram um enorme estado de inércia, e que se movem agora numa relativamente lenta velocidade ou movimento.
Depois, à medida que nova matéria se decompõe em nova energia, essa nova energia excita a velha matéria dissipada - chamada electrões frios. Mas, poderemos ficar por aqui? Creio que não, porque irão perguntar já: "Qual será a natureza de um electrão frio?
Bom, meus amigos, para se poder formar alguma compreensão do que é chamado 'espaço' não devemos pensar nele como completamente vazio ou como uma condição de vácuo. Não existe nenhum estado assim. O próprio átomo é espaço Poder-se-á dizer um fotão - que não passa de um feixe de energia - constitui a própria natureza do espaço. Depois, a natureza do universo em que vocês vivem, constitui um universo esférico: o que quer dizer que toda a matéria se move por arcos - pulsações periódicas que se movem por arcos ou numa série de arcos, significando isso que toda a matéria se move sobre si própria ou volta a si mesma, a fim de formar a matéria, o tipo ou a forma.
Um átomo não pode ser sentido nem visto, nem provado, nem escutado. Contudo, pode ser todas essas coisas assim que cria uma superfície. Porém, gostaria de saber se tudo isso não passará de consciência - uma condição chamada mente. É lamentável que tão pouco possa ser entendido pela palavra, ou por intermédio das palavras. Se toda a matéria não passa de consciência, então deve ser a consciência do indivíduo. E se se trata da consciência do indivíduo, então isso suscita a ideia de que toda a vida, toda a acção constitui uma experiência individual. Não dirão que sim?
Um feixe de energia - um fotão, que se move naquilo a que vocês hoje chamam de 'acção quântica', o que simplesmente quer dizer pulsações periódicas. A ideia das pulsações periódicas não nos levará a postular a teoria de que não existe matéria numa fracção de tempo, e na fracção seguinte já existe? O que quer dizer que a matéria ou a energia vem do nada. Esperem lá - nada; no instante seguinte - algo. Será essa uma suposição razoável, meus amigos? Não creio que seja. Não tem cabimento na natureza das coisas obter algo a partir de coisa nenhuma. Levando isso um pouco mais longe, é igualmente impossível pensar em matéria sem um começo e sem um fim.
Não creio que até esta altura - ao vosso presente - um estado tal como 'zero inércia' tenha sido criado em matéria ou em energia. Zero energia significaria ausência de matéria - nenhuma; por tudo ser constituído, tudo ser criado a partir do movimento. O movimento, poderemos dizer, constitui a natureza última da matéria. Travem um pedaço de matéria no seu movimento e, dependendo da força que a tenha travado, mais energia ou matéria será criada.
Podemos deixar a energia em paz, não a submeter a qualquer pressão, e ela dissipará a sua energia cinética um bom bocado até atingir um estado do que poderá ser chamado 'corpos frios', ou partículas de movimento lento. Mas jamais ela atingirá um estado de completa dissipação ou completa desintegração.
Podemos dizer que o homem teve origem no calor. Há uma crença nesse sentido, a ser encontrada nas antigas doutrinas que postulam que o homem é um ser ígneo - o que quer simplesmente dizer que tenha tido origem no 'calor', ou em elevados pontos de energia. Eu não gosto de falar sobre a origem de coisa nenhuma, porquanto postular uma origem equivale a postular um término ou fim. Não será assim? Assim, precisamos de uma outra alternativa, que é a de dizer que o homem e o seu universo sempre existiram, e sempre existirão.
As palavras não trazem resposta alguma ao problema O termo 'sempre' constitui um termo relativo ao tempo; por conseguinte deve ter um princípio e um fim. Começos e fins têm lugar porém, manifestam-se no que poderá ser chamado 'prazos' - em que toda a acção tem lugar num momento específico desse prazo ou período. O que quer dizer, uma vez mais, que a matéria - conforme vocês a veem e a conhecem - se acha num tipo particular de movimento, pelo que pode ser chamada matéria. Permanece nesse tipo de movimento durante um período que muita vez parece prolongado, por o homem estar a observar a sua acção apenas enquanto acção superficial.
Pudesse ele observá-lo a olho nu - ou com um sentido muito mais apurado - por acção de um movimento vibratório dos nervos, e ele imediatamente veria que a matéria está constantemente a desintegrar-se em energia. A partir da altura em que uma forma ou superfície for formada, ela estará a dissipar-se de volta para o estado de que procedeu - chamado energia.
Tudo ao longo de todo o vosso universo se está a decompor, e a desenvolver-se. Pensar, considerar um universo que apenas se dissipa a si mesmo num estado de nada, ou de matéria de baixo grau, afigura-se-nos uma ideia impossível. Porquanto, digo eu de novo, suscitaria a ideia de que o universo, o universo de matéria, se teria originado do nada.
Agora, muita gente, de educação, altamente inteligente, ao se concentrar em tais situações, ficam receosos, são assaltados por uma sensação de insegurança, nada sobre o que se possam apoiar. Tudo quanto o homem se deve sentir seguro com e em, está lentamente a decompor-se ao seu redor e a dissipar-se em coisa nenhuma. Tais indivíduos, no seu receio,, procuram criar uma mente superior, um ser superior, um 'Deus' enquanto causa do mundo da matéria ou da existência de qualquer tipo. O filósofo poderá dizer: "Toda a existência é resultante do pensamento de um ser superior."
Ao não descobrirem nenhuma resposta para a natureza do seu mundo de matéria, acabam por chegar a esse tipo de conclusão. Essa conclusão ajuda-nos a libertar-nos do pavor terrível de uma condição de vazio que parece aguardar-nos. A mente pessimista, material, científica pode afirmar que o homem tenha vindo do nada e esteja a endereçar-se para o nada. Porém, o termo 'movimento' implica algo; e a implicação da existência de algo impede que postulemos um estado de coisa nenhuma. Contudo, podemos dizer - aqueles de nós que pretenderem uma resposta imediata para a questão - podemos dizer que nós próprios somos o sonhador. Isso será melhor, mais compreensível, mais razoável que o postulado de um ser alheio chamado 'Deus', ou uma divindade de algum tipo. Por devolver ao indivíduo a sua coragem, e um estado mais intenso de segurança; por lhe forçar a responsabilidade pessoal pela criação do seu próprio sonho.
Após muito estudo feito ao longo desta linha, descobrirmos constituir a melhor abordagem à resposta sobre a natureza da matéria e da energia; além disso responde a muitos dos problemas do campo da psicologia individual.

SOBRE A GRAVIDADE
RAMON NATALLI
08 de Maio, de 1960
Eu sou Ramon Natalli.
Grupo: Seja bem-vindo, Ramon
Não creio que alguns de vós me tenham escutado, terão?
Irene: Estou plenamente certa de que há uns quantos que não, Ramon.
Como estás, querida?
Irene: Bom, sinto-me simplesmente óptima, e dizem que quando nos sentimos assim não sentimos coisa nenhuma.
Isso é um facto.
Irene: Não, mas sinto-me óptima, grata pelo interesse.
Meus amigos, eu vim num esforço por lhes responder às perguntas respeitantes à natureza da gravidade.
Irene: Obrigado, senhor. Ramon, a fita (bobina de gravação) está no final deste lado, de modo que a vou voltar antes de começar a falar. Que idade tem, Ramon?
Sessenta e quatro.
Irene: Só estava com sessenta e quatro anos de idade quando passou desta terra.
Um simples bebé!
Irene: Não passava de um catraio. (Riso) Em que ano passou? Viveu no século 16. Será isso demasiado confuso para si de momento?
Jamais pensei nisso.
Irene: Então, não pense nisso agora. Poderá vir-lhe à ideia. Não tem problema colocar perguntas destas, mas recordar isso por esta altura já é uma outra questão. Lembram-se de que ele nos tinha dito que vivera no século 16 e que fora astrónomo? Lembra-se bem disso, não, Ramon?
Por volta de 1640. Tive alguma parceria com Galileu, Na minha ideia, ele foi um grande homem, um homem de uma elevada estatura. Padeceu bastante com a ignorância da época. Eu não quis entrar em querelas com a Igreja. Aceitou-a, por ser a coisa mais fácil de fazer. Mas não fui de forma nenhuma religioso. Usar a Igreja foi interessante. Manteve-me numa boa situação com aqueles que achavam que eram alguém e eu pensei que a melhor maneira de levar uma vida confortável estava em não me opor às condições que me cercavam. Ficar de bem.
Irene: Viveu em Florença, na Itália, não foi?
Foi.
Irene: A pergunta tinha que ver com a natureza da gravidade, ou o que a gera?
Pelos estudos que fiz à matéria, acho que a gravidade era e é criada pelo simples movimento do corpo no espaço livre. Mas depois, é claro, vocês têm um corpo que pode estar adjacente àquele que produz a pressão sobre ele e sem dúvida que todo corpo produz pressão sobre todos os corpos que o circundam. Fiz-me entender? Agora, de que forma será possível criar pressões a tais distâncias já é uma questão diferente. É dito que um corpo gera pressão sobre o outro e leva-o a diferentes tipos de movimento. No entanto acho que os vários movimentos que um corpo possa adoptar, são simplesmente criados no próprio centro desse corpo no movimento que descreve no espaço.
A gravidade é um tipo de um termo ruim entre os cientistas, por muito poucos deles parecerem pensar que seja algo em si mesmo. Por vezes eu acho que a gravidade seja uma pressão ascendente ou uma pressão sobre algum corpo que funcione como atracção, mas parece que ninguém sabe verdadeiramente o que seja. Mas pelas observações que tenho feito, é uma condição criada por esse corpo a mover-se pelo espaço. Tem alguma coisa a dizer a respeito, senhor?
Homem: Não, creio que não. Essa questão foi-me colocada por um cientista e eu...
Em que termos é que ele lhe fez a pergunta, senhor?
Homem: Ele simplesmente pediu-me para perguntar em que consistia a gravidade, o que é que mantém o corpo junto, a terra ou qualquer sólido.
Vou repetir uma vez mais: É a natureza do próprio corpo ao se mover no espaço. Senhor, sabe alguma coisa sobre o assunto?
Um outro interveniente: A partir desse ângulo, não muito. Parece ser um fenómeno que se manifesta tão logo alguma coisa começa a manifestar-se no mundo físico.
Pois, concordo com isso. Mas peguemos num objecto, uma bola digamos, e façamos aqui um buraco, e a bola fica assente na borda do buraco e começa a mover-se para dentro do buraco. Agora passamos a ter uma condição que é formada no objecto à medida que ele desce na direcção do buraco ou adopta um plano, um movimento descendente, toda a força é acumulada sobre esse objecto nesse tipo particular de movimento. Tal movimento diminuirá à medida que a coisa vem acima e começa a nivelar. O movimento altera-se, as pressões alteram-se no objecto à medida que se move num nível plano.
Homem: Será uma polaridade magnética que se conforma ao movimento? Basicamente tudo é consciência e à medida que um objecto tende a objectivar-se no físico, precisa ter uma polaridade magnética que efectivamente gere a substância. Por conseguinte, será toda a criação governada por forças magnéticas?
Eu estou de acordo com isso. Sei actualmente que o vosso mundo da ciência está a debater-se por descobrir a origem do mundo tridimensional. Bom, alguns creem que o universo e universos tenham tido origem num átomo enorme. Bem, isso a mim não me parece muito inteligente, por a questão resultar do seguinte: ""Quão grande precisaria ser esse átomo?" Mas, a menos que tenhamos algum outro objecto com que o comparar, não o podemos dizer. Eu diria que o mundo material surgiu de uma outra dimensão do tempo, de uma outra frequência. E creio que isso terá sido iniciado por alguma forma de som. Ele gerou um outro tipo de movimento nessa outra dimensão ou frequência, o qual, ao surgir, se expandiu.
Bom, há muito falatório sobre a questão de se chegar a saber se o universo se está a expandir ou a contrair. Nós do Círculo dizemos que se encontra em expansão e numa expansão constante. Mas, a partir de que centro? Não será essa a ideia? A partir de que centro? Como irão descobrir um centro no espaço, quando de facto não existe espaço algum apartado da matéria? A matéria é espaço, o espaço é matéria. Por isso isto parece pelo menos pender para a teoria de que o universo sempre tenha existido. A matéria sempre existiu. Não teve qualquer começo, muito embora eu possa dizer-lhes que surgiu de uma outra dimensão de tempo, ou de uma outra frequência, ainda assim é válido, não acha, senhor?
Homem: Pois. Eu diria que o primeiro princípio tenha sido a consciência e que a consciência seja a causa de todo movimento, ou pensamento, o qual basicamente é de natureza vibratória, o que responde por uma polaridade magnética, o que por sua vez também responde por uma ilusão que conhecemos como matéria.
Sim, mas essa mesma coisa da matéria, sabe, há alturas em que penso que seja muito real, muito mesmo, mas foi-me dito por alguns dos meus colegas que a sua realidade é sensorial e pura e simplesmente isso.
Homem: A gravidade será anulada em certas dimensões da consciência?
É. O que creio que estejamos a tentar fazer, ao procedermos a cálculos acerca dos universos, é medir-nos a nós próprios.
Homem. Certo.
Bom, é um trabalho interessante mas na realidade nunca chegamos a parte nenhuma com ele. Mas também não é suposto que cheguemos por na realidade não passar de uma conversa. Mantém-nos nisso e isso é coisa importante. A resolução dos enigmas da vida são extremamente interessantes e necessários. Creio que o esforço faça parte da nossa existência e seja uma parte necessária, não concorda, senhor?
Homem: Para se criar conhecimento, consequentemente, uma maior consciência.
Outro interlocutor: Essa quarta dimensão, ou a dimensão em que tem existência terá alguma coisa que ver com a terceira dimensão do mundo material?
Tem, diria que é aparentada. A dificuldade que estou a ter, entendem, em tentar responder a essa pergunta deve-se a que seja uma questão muito maior do que parece superficialmente. Há certas questão que não têm resposta. Por exemplo, quão alto dira que seja acima, senhor? É isso que eu quero dizer ao afirmar que perguntas há que não têm resposta. mas quando falamos sobre isso, menciono o termo quarta e terceira dimensões e emprego tais expressões como se fossem algo separado da consciência, algo em si mesmas. Mas a matéria constitui uma actividade da consciência, é a mecânica da consciência.
Pensei que sabia alguma coisa sobre a matéria quando viva no mundo físico. Não sabia nada acerca da sobrevivência. É claro que tinha ouvido pelas auscultações que fiz, que havia uma parte do homem que sobrevivia à morte do corpo físico a que se chamava alma, ou espírito. Não podia, pela minha saúde, imaginar o que isso fosse, de modo que não acreditava na sobrevivência ou na continuidade da vida para além do mundo da matéria, e creio que em certos aspectos estaria certo. Mas é claro que, depois de ter perdido o meu corpo físico pelo que é chamado morte, dei por mim ainda consciente, o que por um instante me deixou muito chocado, muito perturbado. Não sabia o que fazer com respeito a isso. Mas após um instante acostumei-me àquilo e prossegui com os meus estudos sobre astronomia, como se nada tivesse acontecido. Nem sempre é fácil fazer isso. Pensem em dar por vós numa condição em cuja existência não acreditassem em absoluto. Não é coisa com que nos confrontemos, que nos acalme o espírito. Mas conforme eu dizia, prossegui com os meus estudos após ter sofrido aquele choque inicial.
O tempo não é para o homem. Os tempos são. A criação compreende tempos. O tempo, diremos nós, é consciência. Não sei se para vós isso fará sentido ou não.
Homem: O tempo é uma dimensão da consciência
O tempo é uma dimensão da consciência. Porém a criação são tempos. A cruz cristã que temos possui essa divisão do tempo. A linha vertical representa tempo mas depois têm os tempos na barra transversal. A morte na cruz de uma homem chamado Jesus representa uma ascensão no tempo e uma perda da consciência do tempo. A consciência física possui a propriedade de ser capaz de fragmentar a sua existência em pedaços, tal como haver algo chamado eu e algo chamado vós. Tal condição no tempo não existe, entende? Apenas existe nos tempos, mas é um estado ilusório. Haverá mais alguém que tenha mais alguma coisa a dizer-me? Estou a achar difícil permanecer.
Homem: Por altura da sua morte, que matérias em particular estava a estudar?
Astronomia.
Homem: Ao prosseguir esses estudos no seu plano de existência, consegue explicar a que grau eles tenham consubstanciado o seu conhecimento físico?
Não sei se deva dizer muito pouco ou nada de todo, por neste outro estado de consciência (as palavras são uma coisa muito difícil, não são, por quase nos deixarem sem razão) quando vim para este outro estado adoptei uma abordagem completamente diferente. As coisas pareciam diferentes. Não havia sólidos designados tridimensionais com que lidar. O tipo de movimento com que me deparava agora revelava-se completamente diferente daquele do tipo de movimento tridimensional. Alterei toda a perspectiva que tinha sobre a natureza do Universo. A única forma porque era capaz de lidar com o mundo material era voltar de novo a ele por um tipo qualquer de forma materializada. Fiz isso algumas vezes e com essa forma materializada passei muitas horas e noites sem dormir, periodicamente, é claro, por não me conseguir segurar ao meu corpo materializado durante períodos de tempo prolongados. Mas precisava descobrir a diferença entre as vibrações físicas e as mentais (que deverei dizer) astrais, espirituais, não sei que diga. Onde param as palavras?
Homem: As vibrações subjectivas. A dimensão mental constitui o lado subjectivo da vida. Nós encontramo-nos no lado objectivo.
Emprega o termo subjectivo, mas, conforme diz, ainda não traçou um quadro da tremenda mudança. Você aqui sentado não pode ter consciência das condições que existem para além do estado de consciência tridimensional. Por isso não há como, por palavras, lhe possa dizer o que sejam as condições do meu mundo. A única coisa que posso fazer, quando começo a falar sobre o meu mundo, é dar-lhes umas ideias sobre como seja caso conheçam as palavras.
Haverá comida que se coma? Continuará a existir sexo? Envergaremos vestuário e todo esse tipo de coisa? Eu responderia pela afirmativa a todas essas coisas, mas os olhos precisam estar habilitados e eu não tenho palavras com que o classifique. Está a ver como isso seria?
Homem: Sim, nós criamo-lo mais ou menos com as nossas qualidades mentais.
Pois. Foi-me perguntado se nós sobrevivemos. Nós, enquanto espírito, enquanto seres humanos, somos capazes de sobreviver à morte física do corpo. Mas, e se o espírito surgir vestido. Isso significará as vestes da alma ou do espírito? Significa sim, de certo modo, por as roupas existirem na consciência da pessoa, na mente da pessoa. É aí que elas têm origem.
É dito que quando Adão e Eva tomaram consciência de se encontrarem nus, tentaram vestir alguma coisa. Creio que tenha sido uma enorme folha. Mas isso era é ideia, entendem? Originalmente era suposto que a ideia representasse um pecado, mas na história real creio que teria sido algo muito diferente da folha enorme. Não sei muito acerca disso, por não ter estudado esse tipo de filosofia. Mas vou ter que partir.
Senhora: Vai, sim.
Estou a achar demasiado difícil continuar por muito mais tempo com este homem.
Irene: Pois. Gostaria de o ter mais vezes por aqui, se achar conveniente aparecer de modo que talvez se torne um pouco mais fácil comunicar.
Sim, eu costumava ser muito bom nisto
Irene: Ah, era sim. Lembro-me de quando falava durante uma hora inteira com alguns dos nossos amigos mais instruídos. Lembra-se de quando esteve em Pacific Palisades, Ramon?
Lembro-me, sim. Acho que preciso praticar um pouco vir aqui. Sinto-me meio entorpecido e não posso continuar muito bem.
Irene: Bom, continue a vir até aqui. Ficaremos muito encantados por o receber de novo.

ABDUÇÕES E DESAPARECIMENTOS MISTERIOSOS
RAMON NATALLI
Aquelas histórias que ouvem contar sobre raptos perpetrados pelos seres etéreos - bastante plausíveis - tais coisas têm ocorrido. Grupos inteiros de pessoas, passageiros de aviões, mais do que isso, raças inteiras têm sido transferidas para o etérico, em épocas há muito passadas, quando alguma grande acção reguladora se tenha tornado necessária em questões humanas. Aqueles indivíduos ou grupos que são transferidos são providos e instruídos; frequentemente é uma boa coisa para eles, pelo menos para uns quantos, mas os outros progridem igualmente. Eles vivem e morrem no plano etérico e voltam a encarnar quer na terra ou noutros níveis; não entram necessariamente nas regiões astrais em absoluto. Os 'desaparecimentos misteriosos' nem sempre se devem à acção etérica. As pessoas por vezes tropeçam em vórtices atómicos em que o corpo se desintegra instantaneamente.
Há uma boa maneira de racionalizar esse novo 'dogma' do deslocamento corporal da Virgem. Ela foi levada por um ser Etéreo e entrou num turbilhão de éter.
Meade: Com respeito a essas abduções de raças inteiras, existirá alguma coisa nas Escolas e Ordens?
Creio que há alguma coisa dessa natureza nas doutrinas internas dos Berberes.
Prof. Luntz
3 Dezembro de 1950
A condição neste lado das vítimas das bombas atómicas é muito grave. Todas as explosões exercem um efeito sobre a mente das vítimas, mas essas explosões atómicas parecem ter um impacto mais fundo. A consciência das pessoas acostumou-se ao longo dos anos, num certo sentido, ao efeito das explosões vulgares, porém, com a bomba A gera-se um tipo especial de radiação, o que exerce um efeito mental sobre e além da própria explosão. A mecânica envolvida é muito alarmante para o indivíduo médio.
Ramon Natalli
Assim como em cima também em baixo. Existe muita perturbação por entre os corpos celestes e os seus campos etéricos. O universo parece estar a chegar a algum tipo de acção vibratória. E muitas coisas estranhas virão dos céus durante os próximos seis meses. Terão lugar mudanças violentas no nosso sistema solar. Os discos (voadores) e muitas outras coisas virão dos céus. Não terá sido proclamado: "Guardem-se de sinais dos céus"? As quedas de gelo actuam a partir do éter em conjugação com a vossa atmosfera. O tijolo de que falava não era gelo; era muito macio mas não frio. Por vezes, conforme no caso dos discos, ambos os mundos caem um no outro. Essas coisas vêm do vosso baixo etérico; é o local de onde se pode dizer que as três dimensões da matéria têm origem... Sim, essas quedas são acidentais, por não terem qualquer propósito ou plano especial; têm-se dado desde o começo dos tempos.
YADA DI SHI’ITE
No espaço de uns meses, amigo, estará a resposta que viabilizará ou inviabilizará a civilização deste mundo. Isso envolve tanta coisa que nem sonham. Se tivessem conhecimento disso, ele deixá-los-ia doentes para além dos limites. Não imaginam a ganância purulenta que se encontra por trás disso. Neste momento devem todos manter-se seguros e não permitir que o medo penetre nas vossas mentes; por o mundo constituir uma massa viva de temor actualmente. O homem, em geral sabe, se não conscientemente, subconscientemente, que a sua civilização está a chegar ao fim. O mundo físico-químico constitui um mundo de violência. A própria natureza da química é violenta. É vosso dever ajudar aqueles que os rodeiam que nada sabem dos mecanismos internos da vida; Porque eles serão apossados pelo medo da morte. Contudo, em cinco diferentes períodos a humanidade, enquanto raça foi completamente varrida do plano terreno – destruída – e no entanto ela continua a vir aqui; por não poderem destruir a vida. Quando passam do corpo físico, prosseguem para a maior aventura que alguma vez poderão imaginar.
PROF. LUNTZ
Pergunta: Poderia comentar o tratamento de Koch pata a poliomielite?
Sim, o tratamento de Koch é muito bom em casos de poliomielite, só que o vosso mundo médico prefere ver as pessoas a morrer a ministrar qualquer cura que não autorize. A polio tem início na boca, ou por via da boca. O tratamento de Koch é como um estimulante – como o disparo de uma metralhadora. Apimenta os resíduos na corrente sanguínea e leva-a a explodir. É uma combustão ou oxidação, e isso gera calor.
Quanto à ingestão de carne; apenas aqueles que saciam a ingestão constante de carne são seriamente afectados pelas vibrações do medo do animal. Um pouco de tudo e nada em demasia contribui para um equilíbrio. Os meus colegas asiáticos opõem-se bastante à ingestão de carne, e se sentirem o mesmo, nesse caso não dêem importância ao que eu disse. Se acharem que estão a cometer um erro – em qualquer acto – então sofrerão as consequências. Isso infundir-lhes-á um complexo de culpa e certamente que os ajudará a abandonar o corpo físico.
Em 12 de Dezembro de 1950, os controladores do médium Mark Probert afirmaram que o alívio das tensões que se verificava nas questões internacionais e que a erupção definitiva das hostilidades poderia ser atrasada até à Primavera seguinte – embora ainda considerassem que a guerra seria inevitável e que de facto já estaria em marcha conforme a maioria de nós concordou. Todas as previsões do tempo feitas por eles foram experimentais, conforme eles repetidamente tinham indicado. Do ponto de vista da vantagem de Março de 1962, quando as chapas de estampar para o MPST Nº 5 estavam a ser recortadas, podemos facilmente ver que as nuvens de guerra que enegreciam o horizonte mundial em Dezembro de 1950, não precipitaram o conflito à escala mundial esperado pelo Círculo interno. Isso aparentemente foi impedido pela acção dos Americanos manterem a linha se separação na Coreia, e mais importante ainda, por não termos levado a guerra para o continente Asiático com as nossas bombas atómicas.
Há duas semanas atrás tivemos uma sessão privada em casa do Bryant e da Helen Reeve, em San Diego. Mark Probert esteve lá e o Yada veio e fez alguns comentários. Entre outras coisas fez a afirmação categórica: “Não irá verificar-se nenhuma guerra atómica!” Isso foi deveras bastante encorajador e permite-nos esperar que as mudanças necessárias para a Nova Era possam ser realizadas com um mínimo de destruição e de derrame de sangue.
YADA
#152, 23 Dez. 1959
Yada: Bom, estou de volta. Dirigindo-me a si, Sr S. sugiro que voltemos à questão da vinda do homem ao mundo físico – comecemos por onde ele ‘plantou a muda’ na terra ou mundo material, enquanto esporo. A partir desse momento a vida tornou-se numa luta, numa luta violenta pela sobrevivência no mundo físico-químico. Essa luta violenta prosseguiu por muitos milhões de anos. Encontrou-se em todas as formas dotadas de vida. Quando a substância protoplásmica por fim adquiriu o que é chamado ‘forma humana’, a consciência de si começou a manifestar-se. Esse novo sentido de estado de vigília ou de consciência não alterou a necessidade da luta pela sobrevivência. O mundo material no seu todo constitui um mundo parasita. Tudo vive às custas de mais alguma coisa. Quando o homem começou a racionalizar-se e ao seu mundo material, começou a perguntar-se se não seria possível sobreviver sem tanta luta. Contudo, todos esses esforços até ao presente, por compreender o seu ambiente e arredores e por lidar com eles ed uma forma inteligente falharam. No entanto está a chegar ao homem aquilo que ele anteviu num passado muito obscuro – a possibilidade ed viver em paz e no conforto no seu ambiente.
Até este momento existem somente uns quantos seres humanos que compreendem a NECESSIDADE de uma acção inteligente, e de depor o emocionalismo humano. Agora, não irá verificar-se uma guerra generalizada na terra de novo – e decerto não uma guerra atómica ou uma guerra do hidrogénio nem guerras em que as armas mais devastadoras de destruição venham a ser usadas.
O grande problema do homem, actualmente, o seu maior problema, não passa por nenhuma ideologia política nem ideologia religiosa. O seu grande problema reside nas massas que não têm educação e que passam fome. E nenhuma religião, nenhuma política irá alterar esse mal. Apenas uma coisa o irá fazer, que é chamado amor, a compreensão do próximo, compreensão pelas suas necessidades, tanto mentais quanto físicas. Se as suas necessidades mentais e físicas sorem tratadas, as suas necessidades espirituais tratarão de si próprias. E o homem precisa de compreender o seu mundo, o mundo material – a sua natureza, a capacidade que tem de prover em abundância para todos que venham à terra.
Acredita-se que a explosão demográfica em breve venha a esgotar a terra na sua capacidade de produzir suficiente substância para que o homem se alimente e vista. Mas não é assim, por existirem muitas formas na natureza – na natureza do mundo, na natureza da química, por que o homem poderá produzir substâncias para sobreviver e tanto quanto necessite.
No devido tempo o homem aprenderá a fazer florescer substâncias na própria atmosfera que o rodeia. Ele conseguirá grandes e vastas quantidades de energia do sol e da água, como nunca foi capaz de extrair antes, o conhecimento que obterá em química, quanto à estrutura atómica fornecer-lhe-á um tipo de suprimento infindável de todo o género de novos materiais. Não deverá haver qualquer preocupação com a fome, mas a ganância do homem – a ganância individual que corre no íntimo das pessoas – afasta-lhes a capacidade de dizer que toda a gente deve dispor de tudo quanto é necessário para o seu sustento material. Isso trouxe o poder e o controlo sobre todas as coisas do mundo a uns quantos, e a escravidão a muitos. Se pensássemos o suficiente em dar e em partilhar, não teríamos problemas no mundo. Só que a maioria do pensar é canalizado para o controlo, para tirar, para colher para si próprio, pelo que a grande maioria passa sem isso. Independentemente do que as autoridades de quaisquer nacionalidades aleguem quanto à necessidade de guerra, elas mentem, por todas as alegações que fazem serem quer políticas quer religiosas. A preocupação que o homem deveria ter devia ser com o homem – não com deus nem com as armas. Assim como o homem viver e pensar, também Deus deverá pensar e viver.
Eu não creio que qualquer poder que o homem possa usar para deter a guerra possa fazer alguma coisa excepto violência. Quer seja por controlo mental ou físico, é uma forma de oposição, e a oposição só cria mais e maior oposição. O homem só pode aprender pela experiência – refiro-me às massas, porque os indivíduos evidentemente podem aprender por via intuitiva. Aprender por via intuitiva exige que se pense, requer compaixão, compreensão e amor; e as massas não dispõem dessa capacidade. Elas vivem no sonho ilusório de modo que nele morrem.
A guerra deve esgotar-se. As guerras têm início numa ideia. O pensamento pronuncia a necessidade de violência, de controlo, controlo pelo ganho pessoal. Isso constitui um retrocesso aos tempos das trevas da raça humana. Podereis mentalmente destruir m certo número de armas de destruição, mas isso não destruirá a luta que o homem empreende pela guerra, por ser medo e ódio que provém dele. Ele precisa tratar disso sozinho, ele precisa sofrer por essa ser a única forma porque poderá despertar. Quando descobrir que não suporta mais a dor, ENTÃO travará a guerra, mas não antes. Então, ele procurará na sua mente por um meio de viver inteligentemente. Por essa altura, religião e política não terão mais que ver com o homem.
Irene: Yada, gostaria de saber o que pensa sobre a viagem que o nosso presidente, o Sr Eisenhower, anda a fazer com respeito à boa vontade e à influência que poderá ter tido com respeito à ausência de estresse que uma nação pode exercer sobre outra e à paz ou seja o que for.
Esse homem ao fazer a sua ronda pelos países, assumiu um carácter que não tinha antes; as pessoas atribuíram-lho, ao fazerem dele um símbolo da abundância. As massas analfabetas do mundo viram-no como um símbolo do alívio dos seus sofrimentos e das terríveis carências. Ele passará à história como o pombo da paz e o deus do progresso. Lembra-te das minhas palavras. Mas os poderes do mal instalados dominam as massas - esses poderes secretos que se encontram por detrás dos bastidores.
Irene: Por detrás mesmo dos governantes de todos os governos.
Sim. Eles vão deixar que isso se produza facilmente. Vão mover uma tremenda oposição e em breve será visto por todos os jornais de todos os diversos países e dos diferentes estados do vosso pais, rumores que farão com que o vosso Presidente (Kennedy) pareça um anjo das trevas. Essas ideias subtis de domínio do mundo.
Irene: isso será e esperar?
Isso virá a suceder. Esperem e verão. Mas ele (Ike) ainda ficará na história por as pessoas fazerem isso dele, independentemente dos terríveis anjos das trevas.
Irene: Creio que o presidente tenha sido muito sincero quanto ao desejo que formulou de aliviar essa gente, e sinto que o amor suplantará no final o lado negativo da vida. Não crê isso?
No devido tempo, sim. Mas deixa que me volte aqui para o vosso país. Como já dissemos muita vez antes, o vosso país constitui o berço da luz, da luz da compreensão, da luz da paz, da luz da abundância para todo o mundo. Se o vosso país não for destruído por nenhuma força exterior, ele poderá – caso não se resguarde – ser levada a pôr-se de joelhos por as forças das trevas interiores dentro das suas próprias fronteiras. Disso deverá ela resguardar-se, muito mais do que das hienas risonhas do exterior.
Irene: Estará a referir-se à possibilidade de nos comerem por parte dos nossos inimigos que se encontram instalados em altas posições que poderão produzir desarmonia?
Assim é.
Irene: Creio que a hierarquia do nosso governo está ciente dessas coisas e suponho que sintam que enquanto os tiverem em posição de poderem observar o que estão a fazer, melhor será aí do que nalgum outro lugar onde não os possam ter debaixo de olho. Não crê que seja essa a sua atitude?
Não, não. Eles não sabem o que deveriam saber. Há muito que está a ser feito no campo do enfraquecimento das vossas forças de governo por todo o mundo. Estão a sabotá-los.
Irene: Vocês do Círculo interior estarão em posição de saber dessa sabotagem
Estamos, mas não iremos falar nisso, eh?
Irene: Seja como for, creio que esteja nas mãos da luz.
Sim, aquilo que tiver que ser terá que ser. Se for para o desenvolvimento do homem, quer individual quer ao nível nacional, sê-lo-á.
Mas, para voltar à questão que o Sr. S. colocou, sobre os foguetes e os instrumentos de guerra, conquanto esses foguetões tenham sido concebidos para a guerra, AGORA não irão ser usados com esse propósito Não se irá verificar uma guerra generalizada na terra durante talvez uns cem anos e pessoalmente acho que a terra jamais virá a sofrer outra guerra mais significativa porque à medida que o tempo passa, os instrumentos que o homem virá a ser capaz de criar para guerrear tornar-se-ão ainda mais devastadores na sua capacidade de destruir, do que actualmente são. Todos os cientistas de todas as nações, assim como os chefes de estado dessas nações sabem que outra guerra não lhes traria nenhum ganho excepto a completa aniquilação de todo o mundo.
Por isso, acho que antes que seja necessário que seja permitido que esses foguetes tenham permissão para prosseguir, que operem conforme deverão operar, sem interferência – mental ou física. Eles virão a ser usados para explorar o espaço (Será curioso reparar que isto foi proferido em 23 Dezembro de 1959). Eu encareço a capacidade que tenham de mentalmente destruir o delicado mecanismo desses instrumentos, porém, conforme eu disse, devido a que não venham a ser usados para fins de guerra creio que não seja muito boa ideia impedir que cumpram aquilo para que foram criados.
Bom, falarei sobre a ida do homem ao espaço e sobre a razão básica dos seus esforços para sair da terra. Presentemente, muito poucos cientistas têm consciência da razão porque vão para o espaço, porque estão a proceder a esse esforço frenético. Creem que seja com o fim de explorar o espaço e ver se conseguem descobrir se existem formas de matéria diferentes nas regiões exteriores do espaço, da das regiões internas. Podem pensar que seja a fim de explorar os diversos corpos, tanto no interior coo no exterior do vosso sistema solar, mas essa não é a razão básica.
Nós do Círculo, dizemos que sem que o homem o saiba, ele está a dirigir-se para o espaço por vir a precisar abandonar a Terra enquanto habitat no devido curso do tempo; ele virá a precisar encontrar outro planeta onde viver. É extremamente duvidoso que existam alguns planetas assim no vosso sistema solar. Isso implica que venham a ter que ir até ao exterior do vosso sistema solar, muito longe na Via Láctea, que é o que chamais ao vosso sistema galáctico. É sabido, creio bem, pelos vossos cientistas, que existem milhões de planetas para além do vosso sistema solar. Uma vasta quantidade deles é capaz de suster vida humana. Não só são capazes como alguns deles TÊM seres humanos muito semelhantes a vós.
Irene: As condições atmosféricas são muito semelhantes?
Tudo é muito semelhante. A devida distância do sol; o tamanho do sol e as devidas propriedades da sua composição. Sim, existem muitos planetas assim, muito embora os vossos cientistas jamais tenham feito tal descoberta. Pela lei do que chamais de ‘probabilidade’ poderia acontecer que esses corpos existam na vastidão do espaço e por entre um infindável número de corpos no espaço.
Irene. Que coisa nos levaria ao abandono deste planeta, e poderia apontar um tempo aproximado – na escala das centenas ou dos milhares de anos?
Ah, não creio que faça tal coisa. Não daria um momento aproximado por haver muita coisa a considerar.
Irene: Mas não virá a suceder dentro de 50 ou 60 anos?
Ah não, não. Pode não vir a suceder durante milhares de anos, ou milhões, mesmo. Para conhecer esse tempo, em que o homem virá a precisar desistir do seu planeta, precisariam compreender a natureza da substância que compõe cada planeta e o seu grau de deterioração. Alguns planetas são mais velhos em anos, pela passagem do tempo, do que outros. Contudo, há planetas que são muito mais velhos que isso por causa do grau maior que têm de deterioração. É como alguns seres humanos – alguns são muito velhos aos 40, e outros, aos 80 ainda são muito jovens. Por vezes depende do tempo, e outras vezes da natureza química.
Irene: Será possível que o nosso planeta possa ser realimentado o tempo todo a partir do espaço exterior, os químicos no que chamamos atmosfera?
Não, virá um tempo em que um planeta começa a perder a água que contém a uma maior velocidade do que é capaz de sustentar, de modo que envelhece.
Irene: Fica desidratado e encolhe?
Exactamente. Essa perda de água, que se dissipa pelo espaço, com o tempo destrói a vossa atmosfera. A vossa atmosfera é composta em grande parte por água, e quanto menos água se achar presente no corpo de um planeta, mais rapidamente esse planeta envelhecerá.
Irene: O homem virá a acelerar esse processo enxertando nuvens de modo que façam com que chova em certos locais? Isso irá interferir?
Não, não. Todos os planetas, por processos naturais, com o tempo, perdem a sua água. Ela é esvaziada deles pelo seu movimento de rotação. Foi isso que sucedeu em Marte; possui muito pouco conteúdo de água deixada.
Irene: Diria que o planeta Terra seja um planeta comparativamente aquoso?
Sim, ainda é um planeta muito aquoso. Isso quer dizer que possuem uma atmosfera muito densa. Há alturas em que, se pudessem colocar-se a uma distância considerável e voltar-vos para o contemplar, não conseguiriam ver o planeta em si, devido à densidade generalizada da atmosfera.
Irene: Devido à grande humidade presente na atmosfera? Marte construiu satélites, não?
Sim. Alguns dos vossos cientistas duvidam que os satélites de Marte tenham sido criados pela inteligência humana. Acreditam que sejam uma criação rochosa natural mas tal não é o caso. Agora, com o tempo, a Terra secará. E nesse processo, perderá a sua atmosfera o que o deixará exposto à radiação proveniente do sol na sua mais pura forma, mais potente. Porque, quando a atmosfera é naturalmente destruída, a ionosfera é destruída por a atmosfera ser uma camada ionizada. A ionização é devida precisamente à mesma radiação proveniente do sol, que atravessa a atmosfera. Hoje os vossos cientistas estão a aprender como construir naves que consigam suportar enormes velocidades. Tempo virá em que passarão a existir naves que muito se assemelharão ao que chegaram a chamar de ‘discos voadores’ – em especial do tipo que é liso em toda a superfície, liso como vidro.
Irene: Como se fossem feitos num molde em vez conjuntados com costuras? É isso que quer dizer?
Sim. Serão construídos em duas secções, mas, para conseguirem fazer isso sem qualquer possibilidade de causar qualquer desarranjo no metal, precisarão conhecer mais do que chamam tensões e pressões do metal. Uma superfície perfeitamente lisa proporciona total ausência, ou quase nenhuma resistência. Isso automaticamente tornará esse tipo de nave capaz de se deslocar a tremendas velocidades sem gerar calor. Esse é um dos vossos problemas actuais, no envio do homem para o espaço. Superaram-no de forma considerável, mas precisam conseguir superar isso ainda mais.
Irene: Acredita que o homem venha a tentar construir esse tipo de nave semelhante a um disco a partir da cerâmica tal como estão a usar nos cones do nariz de alguns desses foguetes que estão a lançar?
Pode muito bem vir a ser.
Irene: Diz-nos se isso possui uma maior resistência à expansão e à contração, assim como à fricção? Será isso verdade?
Sim, mas virão a ser capazes de criar alterações moleculares em alguns dos vossos metais que lhes permitirão usá-los igualmente. Creio que por ora já disse o suficiente.

PERGUNTAS E RESPOSTAS SOBRE FENÓMENOS INEXPLICÁVELS
ALFRED LUNTZ
#152, 23 Dez 1959
Como estão!
Irene: Boa noite, Professor.
Quanta alegria poder estar aqui esta noite!
Irene: Obrigado, Professor.
Agradeço à nossa adorada amiga Anita Ganschow a consideração que mostrou ao estender-nos a oportunidade de comunicar com eles. Poderá ser que nalgum futuro próximo venhamos a ter um trabalho considerável deste género de conversar com amplas massas de pessoas.
Irene: Fiquei deveras surpreendida ao receber a sugestão da parte do Sr. C. de Vista. Justamente algumas noites anteriores a essa, Yada disse que gostaria de dar início a algo por meio do uso de cassetes. Lembra-se?
Lembro, sim.
Irene: Mas quando isso veio eu fiquei tão satisfeita. Há um quiropata em Buffalo que eu acho que teria interesse nestas sessões privadas, e que teria interesse porventura em enviar algumas perguntas por cassete.
Isso seria excelente, não? Adoraria começar esse tipo de coisa.
Irene: O Dr. V., o quiropata, enviou uma pergunta que estou certa de interessar aos professores. Talvez se a Anita permitir que ele escute algumas das cassetes, isso lhe dê uma ideia quanto ao que pode ser feito. Ele gostaria de participar neste pequeno projecto.
Poderá vir a acontecer que venhamos a ter muitos mais, com o tempo.
Irene: Um homem que está interessado, disse que está disposto a difundir no seu rádio de onda curta tudo quanto gostássemos de promover. Ele situa-se no Texas, e pensei que podia escrever-lhe sobre isso.
Bom, se não arriscarem não terão nada a ganhar. Mas por ora prossigamos com as perguntas.
Irene: Pergunta 1 da parte da Anita - Que efeito terá sobre o indivíduo, para o bem ou para o mal, chegar ao mundo astral após um falecimento sob a influência de uma profunda anestesia?
Suponho que queiras dizer durante uma operação.
Irene: Suponho que sim, a pergunta não é minha.
Bom, nada demais; nada de natureza perniciosa. A morte, seja por que motivo for, simplesmente liberta a alma ou o espírito, da consciência do corpo. Dependendo da forma como a pessoa tenha despendido os seus anos aqui na terra, ele ver-se-á afectado de um modo dado às acções e pensamentos que tiver tido Dará por si numa condição idêntica aos pensamentos que tenha tido. É aí que o “inferno” da pessoa tem lugar. Se a pessoa tiver achado esta vida um inferno, ela poderá levar isso consigo para esse outro estado, e continuar a acreditar que a vida seja um inferno. Não á tanto aquilo que faz que a afecta, quer na vida depois da morte quer na vida presente. São as atitudes que tomamos para com o que fazemos que provocam os efeitos e a torna quer prejudicial para nós ou uma alegria, um prazer. Muitos pensam que vivendo de um modo especial venham a evitar dificuldades. Isso é verdade em determinados aspectos porém, aquilo que é chamado natureza não tem qualquer atitude emotiva para com aquilo que fazemos. A pessoa é quem toma as atitudes. A natureza é Deus; Deus é a natureza. E por si só não tem forma de julgar.
É o fazer. Nós colhemos as nossas próprias recompensas das próprias atitudes que temos em relação àquilo que fazemos. Creio que isso ainda prevalecerá na medida da ajuda à criação de um ambiente agradável para nós próprios, que possamos considerar celestiais, ou um ambiente desagradável que sem dúvida consideraremos um inferno. Mas há muita gente que leva uma vida tipo favela, que não tem qualquer estrutura moral por natureza, e que é completamente carente em termos éticos, e que se tenha entregue quase por completo às diversas formas de gratificação física.
Irene: Quando refere isso, leva-me a pensar no lodo de que a maravilhosa flor do lótus sai. Não será tudo a mesma coisa, apenas um movimento ou vibração diferente?
Em certa medida é. Mas, aparte isso, nós criamos para nós próprios as nossas condições em qualquer momento. O astral - digamos, a vida que se segue à material, quer lhe chamemos céu ou inferno, é composta pelos pensamentos e sentimentos e atitudes generalizadas que temos, nem mais nem menos. Se nos tivermos acostumados a viver em favelas e dermos por nós – coisa que naturalmente daremos - nas favelas de novo no mundo astral, não ficaremos tão desconcertados, por nos depararmos de novo com o nosso próprio nível. É tudo. Encontraremos a mesma imundície em que tivermos mergulhado, enquanto no físico, e acostumamo-nos a isso. Assim, não sofreremos, por não conhecermos nada melhor.
Irene: Nesse caso isso representará o céu para nós, não?
Exactamente.
Irene: Isso equivalerá ao nosso céu, não?
Exactamente. Agora, no decurso do que é chamado "tempo" que na realidade equivale ao crescimento, começaremos a ver que existe um tipo melhor de vida, fisicamente. E quando começamos a perceber isso, pouco a pouco começamos a afastar-nos da mente de favela e a crescer na luz da compreensão, na luz do amor, que é Deus. Se percebermos essa situação, não creio que venha a ser necessário dar continuidade a complexos de ansiedade sobre o que virá a suceder-nos nalgum tempo futuro. Se conseguíssemos verdadeiramente captar a bela natureza básica da vida que é luz e amor, não teríamos nada a recear. Mas essa é uma condição para na qual precisamos crescer, entendes?
Ao virmos ao mundo físico ficamos perdidos. Esse estado de perdição constitui uma situação natural que resulta na mente ou no espírito ou alma, ao se enredar na matéria. Ao se tornar consciente de se encontrar NA matéria, ela perde noção da sua condição Edénica, pelo que continua a chafurdar NO lamaçal da matéria e a debater-se à procura de uma saída - nem sempre consciente de qualquer modo, mas sempre à procura de uma saída. Na parte mais profunda de nós próprios, chamada inconsciente, andamos todos a tatear para encontrar a luz pela qual viemos. Mas prossegue, se fazes favor.
Irene: Pergunta 2 – Que papel terá a cor, o som e o aroma no viver do mundo físico? E poderão ser usados de modo a ajudar o avanço da nossa evolução?
É claro. É através dos nossos sentidos que chegamos a conhecer melhor o mundo físico. Sem esses sentidos, bem que podemos não estar no que é chamado mundo físico. O único modo porque poderemos chegar a conhecer ou ter consciência do mundo físico é através dos sentidos. Isso é um pouco da ordem de, digamos, alguém que se encontre numa sala acima desta em que nos encontramos sentados e que, jamais tendo estado nesta sala, queira saber como é. Ao não descobrir nenhuma outra forma de entrar nela, usa uma série de varas de medição e calibres que faz passar por um bocado a fim de medir a natureza da sala abaixo. Sem esses calibres, ele não pode chegar a saber ao que essa sala abaixo – ou digamos, esse mundo por baixo – se assemelha. O olfato é um calibre aferidor; a audição é outro. Nós encontramo-nos todos – não apenas os seres humanos, mas toda a criatura que tem o sentido do olfato, do ouvido, do paladar – a instruir-nos acerca do nosso mundo por intermédio desses sentidos.
Irene: Que coisa é a cor? Será um calibre tão forte quanto o olfato e o som?
Eles encontram-se todos calibrados de acordo com o uso particular que têm. A cor, para os olhos, não exerce um choque mais forte sobre a consciência do que o olfato. Todos nós somos afectados por diversas formas por diversos odores e ruídos. Ninguém é afectado da mesma forma. Aquilo que pode cheirar bem a um, poderá levar outro a tentar fugir do mesmo odor, ou a esquivar-se. O mesmo acontece com a cor; certas cores são extremamente fascinantes para muitas pessoas e podem ser terapêuticos para o corpo. Já para uma outra pessoa, a mesma cor pode deixá-las doentes, e a ponto de morrerem, caso se vejam forçados a enfrentá-la mais do que consigam tolerar.
Irene: A criança que conhecemos na noite passada em casa do irmão do Mark nasceu cega. Ela não sabe o que significam as cores. As hipóteses que ela tem de evoluir são igualmente grandes independentemente disso?
Evidentemente. Vejamos isso a partir de um outro ponto de vista. Na realidade não existe coisa alguma como cor. A cor é uma vibração que afecta o nervo óptico. Nós não vemos o mundo físico; não temos contacto nenhum com o mundo físico. Aquilo com que entramos em contacto é com o mundo dos sentidos, entendes? O mundo físico não possui as propriedades do som nem da cor. O homem, por intermédio dos seus sentidos cria as cores e os ruídos a partir da ausência de cor, e das vibrações isentas de som. Ele cria-as. Elas não têm existência em si mesmas no mundo físico.
Irene: Então, não existe o vermelho por si só para cada pessoa? Cada um tem o seu próprio conceito do que seja o vermelho?
De acordo com as capacidades dos nervos ópticos. Possuem uma quantidade do que é chamado cones da cor. Alguns desses cones da cor em certas pessoas não são capazes de captar certas linhas de vibração. Por isso o vermelho poderá parecer verde – a cor complementar. Mas também pode assumir o aspecto de qualquer outra cor, dependendo do relativo equilíbrio desses cones da cor nos olhos. O mesmo acontece com os odores. Certas pessoas ficam deliciadas, muito excitadas e emocionadas com certos odores; outros sentem-se repelidos por eles. Assim, quem poderá dizer o que a cor realmente seja, ou o som, e falar do modo como afectam a mente humana? Unicamente a pessoa o poderá dizer. A crença que temos quanto às coisas que nos influenciam não passa de uma crença pura, por podermos ser mentalmente sugestionados na crença de algo completamente diferente com respeito à cor do que se fossemos deixados a pensar nela por nós próprios. Pela sugestão hipnótica toda a nossa abordagem e sentimento que temos para com a vida podem ser alterados.
Irene: Isso afectar-nos-á a evolução?
Isso depende do que queres dizer com ‘afectar a evolução’. Tudo o faz – toda ideia e todas as ciosas que fazemos, por os nossos pensamentos serem coisas. Uma ideia pode pôr-nos em movimento. O pensamento cria o nosso mundo – quer seja chamado físico ou mental, é o nosso mundo. O facto de eu poder acreditar numa dada ideia não me liberta necessariamente da responsabilidade que me cabe enquanto criador. A maior parte de nós não sabe que somos criadores; é-nos dito qual alguma outra pessoa cria no nosso lugar e essa outra pessoa é por vezes chamada Deus e por vezes Natureza.
Irene: Essa outra pessoa procede à criação pela nossa vez e nós só experimentamos depois de ele ter criado!
Pois. Mas isso não é factual; NÓS criamos. Isto, o que é chamado mundo físico constitui uma verdadeira criação só que o homem não tem contacto com ela. Se tivesse, ou se pudesse, ele seria uma pessoa bem diferente do que é, por o mundo físico não conter som, cor, tipo ou forma.
Peguemos num objecto – esta mesa ou qualquer outro objecto – uma outra pessoa como vós. Nós pensamos que vemos objectos; pensamos que vemos outras pessoas, mas não vemos. Jamais podemos ver outra pessoa; jamais conseguimos ver uma coisa. Nós criamos a pessoa; nós criamos a coisa, por intermédio dos sentidos.
Irene: Qualquer pessoa que olhe para o objecto ou coisa cria a sua própria impressão do que pensa que seja. Assim, pode ser um milhar de diferentes coisas dependendo de quantas pessoas a vejam. Não será isso correcto?
Exactamente. Mas vou voltar ao que afirmei anteriormente; Só existe uma coisa, e não é coisa nenhuma, é um estado que é designado por muitos nomes, dois dos quais são ‘Deus’ e ‘Luz’. O terceiro é ‘Amor’. O amor é tudo quanto existe – caso desejemos empregar o termo do Inglês e chamar-lhe Deus, então em verdade poderemos dizer que tudo quanto existe, é Deus.
Irene: Tudo quanto existe é luz; tudo quanto existe é natureza, ou assim.
Mas quando usam o termo ‘Deus’, uma grande parte do mundo é povoada por Cristãos e eles imediatamente captam a imagem de algum ser, alguma forma parecida com o homem. Na maior das vezes é um deus desagradável – um deus de ira, de vingança ou ódio, e ocasionalmente um deus de amor. Assim, andamos às voltas e não chegamos a parte nenhuma. Acho que será melhor dizer simplesmente tudo é amor. Isso impede-nos de tentar idolatrar e adorar. De tanto se curvar o homem fica perdido na abordagem da glorificação de algo de que não faz a menor ideia do que seja.
Irene. Se ele começasse a glorificar-se a si faria um óptimo trabalho
Exactamente. Contanto que existe um deus tal qual ele imagina ou lhe incutiram na ideia, esse deus ficaria mais feliz; poderia voltar de novo para o seu céu. Se o homem aprendesse ao menos a amar-se, e com isto de amar-se refiro o seu semelhante, deus ficaria livre. Deus por fim afastar-se-ia da maldita confusão dos seres humanos estúpidos, emotivos e cegos.
Irene: A maioria desses pseudocristãos torna-se de tal modo pia que nem chegam a perceber ou a reconhecer quem tenha avançado para a compreensão da glorificação de nós próprios a ponto de entendermos um deus como sendo EU.
Mas, estás a ver, isso é impossível de compreender pelas massas. E é impossível por não lhes terem ensinado isso. Vocês não têm Cristianismo; têm a adulação da Igreja – adoradores de templos. Têm a adoração do altar mas não têm Cristianismo. Cristianismo é a doutrina da luz, da luz que é o deus uno, o qual é amor. Isso é Cristianismo – e não necessita de templos nem de altares. O corpo é o templo vivo do deus vivo e é o único templo digno desse nome.
Irene: Pergunta 3 - Quando um médium de elevada classe, tal como a Madame Helena Roerich, devota os seus poderes mediúnicos ao serviço da humanidade – que efeito terá isso na vida do médium depois de ele passar do físico para o mundo astral?
Se algum de nós viver uma verdadeira vida, vivermos o tipo de vida que nascemos para viver, será uma vida de serviço. Serviço é verdade. Servir uns aos outros pelo amor compreende toda a lei. E se vós o viverdes aqui com sinceridade, descobrirão que serão servidos enquanto aqui estiverem, e em qualquer além a partir daqui. O amor cresce; dissemina-se e lança a sua luz por todo o tempo e todos os estados por todo o nosso ser inteiro. O amor não pode perder, nem pode ser esquecido, não pode ser satisfeito e nada se lhe pode opor.
Irene: Pergunta 4 – Yada ou o Círculo Interno conhecerá os escritos inspirados da Madame Helena Roerich (que passou deste mundo material)? E poderá ser apurado se ela terá ou não reincarnado de novo no físico? É dito que a Madame Blavatsky reincarnou e que está a viver no Tibete no presente. Será isso verdade?
Eu não posso falar pelo meu colega, Yada, mas posso falar por mim próprio, e não tenho qualquer conhecimento – pelo menos no presente, de ninguém chamado Madame Roerich (soa Alemão). Não sei nada sobre ela mas sei sobre a Madame Blavatsky e sei que ela não reincorporou no Tibete nem em parte alguma – não nesta Terra. Ela ainda permanece no lado mais vasto da vida, na luz maior. Mas, conquanto não conheça a Madame Roerich, estou plenamente certo de que ela não reincarnou.
Se essas duas personalidades alcançaram alguma verdadeira compreensão, entendes, quanto à natureza do seu próprio ser, o qual é a luz, não se apressarão a correr para o mundo físico assim tão rapidamente. E porquê? Por virem a ser testadas? Ou por serem demasiado boas para ele, ou algo do género? Não, mas por saberem o que o mundo da matéria é. No curto período de vida que aqui tiveram – digamos, na sua última vida - sem dúvida que terão aprendido algo de valor, e esse algo foi o conhecimento de que não teriam que retornar a mais nenhuma vida excepto se o quiserem. E elas não o quereriam, a menos que fosse ao serviço dos seus semelhantes. Não precisamos morrer para nos elevarmos acima do mundo físico. De facto, o melhor será que não esperemos morrer para tentar fazer isso. É algo que precisamos aprender a fazer enquanto estivermos aqui; caso contrário, é bem provável que nos precipitemos de volta para aqui.
Irene: Não será verdade que haja bastantes pessoas que possuam essa capacidade particular – ou seja, de serem médiuns, ou devo dizer sensitiva a ponto de permitir que outros indivíduos usem o seu corpo – que não fazem a menor ideia quanto às verdades interiores da vida? É meu entendimento que não abandonamos a roda da vida até que aprendamos a controlar a matéria de que tenham feito o seu corpo, o que nos capacitaria e reduzi-lo a um raio de luz e levá-lo connosco.
O mero acto de deixar que uma outra mente use o vosso corpo para qualquer fim, não confere a essa pessoa qualquer vantagem. Não faz a menor diferença se essa mente se encontra no plano astral ou num dos planos superiores ou no plano terreno. O próprio acto de deixar que o faça, não confere à pessoa qualquer vantagem.
Irene: Não a tornará mais ciente daquilo que é?
Não, aqui o ‘rapaz’, o Mark – como tu muito bem sabes – ao longo de anos de experiência chegou a deixar que usássemos o seu corpo para estabelecermos comunicação convosco no mundo físico. Agora, isso fez muito pouco por ele para além de lhe ministrar uma educação material mais ampla. Fez muito pouco no sentido de lhe dar qualquer vantagem espiritual sobre qualquer outra pessoa. É verdade que o amamos mas, por o amarmos, não colocamos as nossas mãos sobre ele; não o procuramos elevar.
Irene: Não interferem com o seu caminho da vida?
Não.
Irene: Há certas coisas que um indivíduo precisa aprender por experiência própria a fim de obter a graduação, digamos?
Exactamente. A vida é uma coisa Faça-Você-Mesmo como vocês Americanos diriam. Ninguém vo-lo irá fazer por vós. Outros poderão ser muito capazes de indicar isto ou aquilo como o melhor a fazer, mas não os podem levar a fazê-lo. E tão pouco os podem levar a compreender a necessidade de o fazerem a menos que possuam uma compreensão básica do que estão a dizer.
Irene: Espero que compreenda que não estou à espera de que confirme o que vou a dizer mas tenho um pressentimento de que o Mark sabe muito sobre a verdade da vida. Talvez não tenha consciência de tudo quanto conhece, mas acho que ele terá tido uma quantidade de experiências diferentes em diferentes vidas que tenham tido que ver com o caminho do aprendizado desses ensinamentos interiores.
Creio que tens toda a razão e pelo que conhecemos dele classificá-lo-íamos como um místico. Ora bem, precisamos ter cuidado...
Irene: Que é que quer dizer com isso, ou que irá o outro fulano pensar que isso signifique?
Pois, é por isso que não gostamos de usar estes termos com respeito a ninguém e a coisa nenhuma
Irene: É quase como ‘médium’, Professor.
É. Quando lhe chamamos místico, queremos simplesmente dizer que ele tem um sentimento interior pela vida, um alcance interno, um tatear interno. Ele passou por muito tatear externo no passado e nos últimos anos da sua vida ele começou a regressar ao que certa vez fora numa vida anterior. A consciência dele está a começar a tornar-se consciente.
Irene: Bem, uma outra coisa que me leva a inclinar-me para isso com respeito ao Mark é observar como as outras pessoas gravitam para ele com amor. Todos sentem o amor que o Mark irradia. É notável. Não conheço mais ninguém, homem ou mulher, que produza um amor desses por ambos os sexos. Refiro-me a um amor verdadeiro que nada tem que ver com as emoções. Isso tanto é pelas crianças como pelos adultos. Já vi homens enormes e rudes lançar os braços em volta do Mark com um profundo afecto, e o mesmo com mulheres. Para uma mulher torna-se natural ter esse amor maternal por uma pessoa amável, mas que os homens também o sintam é uma coisa que considero excepcional, mas essa é a luz interior que o Mark irradia que não se consegue fingir. É algo de que nem mesmo ele tem consciência.
Pois, nós estamos muito conscientes disso, evidentemente. Estávamos já no começo, e isso fez parte da razão por que o escolhemos e o aceitamos como um auxiliar no trabalho que desejáramos fazer.
Irene: Você também desejou fazer isto?
Ah, sim. É por nós...
Irene: Foi antes de ele aqui vir?
Tens razão.
Irene: Parece-me a mim que vocês têm todos tiveram uma ‘mesa redonda’ antes de ele nascer, sobre esta coisa em particular.
Algo desse género. Todos estamos destinados a fazer o que fazemos por ser nesse tipo de acção que eventualmente encontramos o nosso próprio caminho secreto para a luz. Por vezes também a expressão porque passamos pode levar aqueles que nos rodeiam a supor que sejamos porventura o ‘mal’, ou às vezes mais do que isso; mas esse é o caminho da pessoa que o vê (projecta); ela não pode acatar nenhum outro.
Consideremos o caso do Adolf Hitler como exemplo. Para o mundo em geral ele representou a personificação do mal. No entanto, esse homem estava destinado a fazer aquilo que fez. Alexandre o Grande. Napoleão. Genghis Khan e muito outros antes deles que debandaram pelo mundo a derramar sangue por toda a parte que passavam na sua conquista por dominar a vida. Poderemos dizer que tudo quanto tenham feito tenha produzido apenas condições más ou ruins ou negativas? Certamente que não!
Irene: Não creio que isso seja possível em nenhuma experiência da vida.
Claro que não, minha querida. Nenhum homem é tão mau que não possua algum bem em si, nem tão bom que não tenha algum mal. Se pudéssemos estar presentes e cercar-nos e a todos com amor, não faríamos qualquer acção física, quer por pensamento quer por acções que detivesse a vida em nenhum dos seus percursos; e tudo se resolveria de uma maneira apropriada e bem equilibrada no devido curso.
Mas, voltemos ao que foi chamado Jardim do Éden e às duas almas do Adão e da Eva. Diz-se que Deus proclamara a existência de uma abundância para prover às suas necessidades em todos aqueles belos arredores. Mas Deus colocou uma árvore no jardim e disse: “Olhem aqui, vocês têm tudo quanto precisam. Mas não aquela árvore – vocês não precisam dela, por isso não lhe toquem porque no dia em que o fizerem morrerão.” Claro que, ao serem humanos, quiseram aquilo que lhes fora proibido, muito mais do que queriam aquilo que tinham em abundância. Conseguem imaginar que esse deus não tenha percebido isso antecipadamente? Se não o percebeu não poderá ter sido lá muito deus, por ele ter dito que conhecia todas as coisas!
Conquanto ele tenha sido o criador, digamos, tornou-se certamente numa confusão. Mas conseguirão supor que ele não soubesse que essas duas pequenas almas, esses dois pastéis de lama, não fossem tentados por aquilo que lhes dissera para não fazerem? É claro que ele sabia, mas à semelhança de qualquer outro ser inteligente, não interferiu. Ele sabia que apenas se eles comessem dessa árvore se poderiam talvez perder o seu estado Paradisíaco e continuar a actuar como seus auxiliares na criação do mundo das ilusões chamado mundo da matéria. Se eles não tivessem feito, o mundo físico enquanto tal jamais teria sido trazido à existência.
Uma vez mais, voltamos à Bíblia e à história do homem chamado Jesus e do seu traidor Judas Iscariote. Não creio que pudesse ter sido possível o homem Jesus morrer, caso não tivesse sido por causa daquele que o traiu. O facto de existir alguém assim já era conhecido; sem a sua traição, Jesus não poderia ter realizado a sua missão. Ele precisava ser desafiado a essa altura. Muita gente ainda sente muito ódio pelo homem Judas Iscariote; contudo, ele foi uma parte necessária do plano para fazer de Jesus um mártir. Creio que Judas desempenhou uma parte espectacular pelo que realmente não o podemos detestar nem condenar. Ele fez aquilo que nasceu para fazer. É verdade que sem Judas não poderia ter existido morte na cruz, nem sacrifício, pelo que acho que deveria ser igualmente adorado como adoram o homem Jesus. Só que a maioria das pessoas foi doutrinada na crença de deverem odiar Judas. Não creio que o homem Jesus o tenha odiado. É dito que ele lhe perdoou; e ele devia faze-lo porque Judas ajudou Jesus a fazer aquilo para que nascera.
Irene: Não acho que alguém, que atinja o estado de consciência do homem Jesus perdoasse o que quer que seja, por perceber que tudo é conforme deveria ser, e não pode ser outra coisa.
Muito bem, mas se recusarmos na história do verdadeiro Cristianismo descobriremos que começou por ser uma ordem mística que nada tinha que ver com religião conforme a conhecemos hoje. Por conseguinte, a crucificação não foi um assassinato mas um ritual executado no templo místico. Torna-se difícil contar esta história a muita gente que crer ser Cristã. Isso ofende-lhes o sentimento por recearem que isso lhes tire a oportunidade de salvar as suas almas. Elas não sabem que elas próprias devem salvar as suas almas e ao trabalho da salvação da própria alma é chamado Desenvolvimento Pessoal, Crescimento Pessoal. A crucificação representa o sofrimento por que passamos na nossa ignorância à medida que procuramos o nosso próprio caminho na vida. Contudo, isso não é suficiente simplesmente por a maioria das pessoas ter sido condicionada na crença de que alguém tenha de facto sido assassinado em seu próprio benefício – bom, terão que continuar a crer nisso já que não me encontro em posição de lhes alterar a ideia. Além disso, não me cabe a mim, não me diz respeito.
Costumava dizer-me respeito, ou assim achava; e eu vivi uma vida de conforto a fazê-lo – não que todo sacerdote leve uma vida de conforto, de longe! A maior parte dos clérigos protestantes passam um mau bocado e o seu trabalho envolve muito sacrifício pessoal. Mas eu acho que falei demais sobre mim, de modo que faz o favor de colocares a pergunta seguinte.
Irene: Pergunta 5 – Quedas de gelo do céu (granizo, ou mais comummente, saraiva) não constituem evidentemente fenómeno novo, no entanto, esse gelo ultimamente parece estar a aumentar conforme é noticiado pelos jornais, etc. Qual será a verdadeira origem desse gelo que cai dos céus e que significado tem o recente aumento de tais ‘chuvas’?
Pelo melhor que consigo apurar, há períodos em que a humidade se acumula em determinadas áreas nas regiões superiores do espaço e se condensa sob a forma de gelo para se precipitar de encontro à terra; Isso ocorre periodicamente em diferentes partes da terra. Contudo, há uma substância que cai dos espaços acima da terra que não é gelo; tem o aspecto de gelo mas decerto que não se sente que seja gelo. Sente-se mais como um tipo de plástico e tem caído periodicamente em diferentes partes do mundo. Há alguns anos atrás, grandes pedaços dessa substância caíram sobre uma quinta em Inglaterra e mataram diversas ovelhas. Nós do Círculo cremos que existam condições chamadas Espaços Intermediários ou diferentes dimensões – dimensões no tempo – tempo esse que é a matéria em movimento. Por vezes essas outras dimensões ficam numa mistura com as dimensões da terra e soltam alguma da sua substancia sobre a terra. Muitas vezes essa substância não é inanimada mas sim animada e traz um anel de coisas vivas à terra.
Em Itália, não há muitos anos, sucedeu uma chuva de sangue. De onde veio ela? De algum outro planeta, ou existirá algum oceano de sangue algures aí pela terra que o vent0 varra ocasionalmente e faça com que comece a invadir algum outro local na terra? Alguns que não têm conhecimento acreditam que não seja sangue mas apenas poeira avermelhada diluída na água. Porém, foi provado de modo conclusivo por exames que essa substância, que caiu na Itália, continha corpúsculos de sangue, pelo que era sangue. Para muitos é pó. Nós, do Círculo dizemos que vem de uma outra dimensão no espaço. Além disso tem havido chuvas de carne, de peixe – enormes pedaços de carne com pelos no couro. De forma bem-humorada podemos dizer que mesmo acima da terra, numa outra dimensão do tempo, haja um vasto rebanho do que se poderá chamar gado etérico, que algum indivíduo etérico tenha decidido sair em debandada por entre ele de cutelo na mão; mas isso soaria ridículo. Assim, de onde vieram esses enormes nacos de carne com pelos agarrados?
O conhecimento que tenho é deficiente e a imaginação ainda mais carente; porém, somos de opinião de que existem mundos dentro de mundos e de que poderá estar a travar-se, nesses outros mundos, guerras ferozes, tremendas matanças; E por vezes esses... discos voadores... não vêm de outro planetas mas dos espaços intermédios do tempo e da causação. Esses seres que vêm nesses discos, conquanto possam parecer-se com seres humanos materiais, realmente não o são. São habitantes do espaço. Isto torna-se de difícil compreensão para o homem comum, de modo que o melhor que conseguem imaginar é que venham de outros planetas. Aquilo que surge no mundo tridimensional em si mesmo não é necessariamente tridimensional, mas ao se projectar no mundo de três dimensões vocês veem-no como tridimensional – exactamente do mesmo modo que se um objecto tridimensional fosse projectado num mundo bidimensional, seria vista com forma bidimensional. Não o poderiam compreender de outro modo. Se um ser da quinta dimensão se projectasse no mundo tridimensional, ele pareceria tridimensional.
Há muitos anos atrás, em Inglaterra, uma criatura dotada de aparência de variedade desconhecida e estranha percorreu uma pequena vila durante a noite de um nevão, ou logo a seguir um forte nevão, porventura às primeiras horas da manhã, e deixou rasto na neve. Esses rastos apresentavam três dedos, porém, não de variedade nenhuma humana. Eles foram seguidos e revelaram que treparam paredes (de 4 metros) e telhados de casas para descerem pelo lado contrário, e assim, durante milhas por toda a região (NT: Terá sido o que é chamado ‘Rastos do Diabo’, que sucedeu em Devon, em 1855, numa extensão de 160 Km?). Nunca ninguém descobriu o que terá causado esses enormes rastos.
E por aí vai, um mistério após outro para atormentar a imaginação do homem. Penso que seríamos menos inclinados a crer no maravilhoso e sobrenatural se ao menos pudéssemos a natureza dessas coisas. O desconhecimento que temos de uma coisa torna-o sobrenatural para nós.
Foi um prazer aqui vir esta noite e conversar directamente consigo, Anita. Nós, do Círculo, estendemos o nosso profundo afecto e carinho pelos esforços que tem empreendido, e o tempo que nos tem dedicado. Também gostaríamos de estender o nosso amor ao seu marido Alfred. Haverá mais alguma coisa?
Irene: Essa foi a última pergunta que enviou.
Nesse caso creio que me vou.
ALFRED LUNTZ
8 de Maio de 1960
Pergunta: Com tem passado?
Maravilhosamente, não me podia sentir melhor caso tivesse um corpo, estou certo disso. Como estão todos por aqui?
Grupo: Muito bem.
Onde têm estado todos estes meses?
Senhora: Faz muito tempo. É encantador ouvir a sua voz.
Bem, obrigado, minha cara. Como tem passado aquele seu amigo?
Senhora: Eu perguntava-me se não me poderia dizer alguma coisa sobre ele. Ouvi da parte dele que se encontra bem.
Ele ainda se encontra metido naquilo até ao pescoço, eh?
Senhora: Sim, creio que ainda mais!
Receio que ele venha a ter que se salvar. Não há muito que possamos fazer quanto a isso.
Senhora: Eu não estou a tentá-lo.
Mais, eu não ficaria furioso tampouco. Ele é um bom tipo. Nós, do Círculo pensamos muito bem dele, mas ele está metido numa alhada, sabe.
Irene: Está metido na cilada do medo, não é?
Está, deveras. Não creio que o deva aguardar hoje, você tem uma vida a viver.
Senhora: Sim, creio que vou prosseguir.
Estupendo. Por favor, estenda-lhe os meus sinceros respeitos
Senhora: Com certeza.
Obrigado.
Senhora: Fico agradecida.
Sei que sim.
Senhora: Espero que ande por perto dele.
Eu fui vê-lo diversas vezes este mês passado, mas aparentemente ele não está a sair da condição mas a afundar-se um pouco mais nela. Creio que ele se sinta um tanto receoso.
Para a Irene: Eu estou bem, minha querida. Não vou desprender-me de repente.
Irene: Bem, é um consolo saber disso.
Perdoem-me mas parece que eu os vi a ambos aqui (peço que me desculpem por apontar) o cavalheiro alto e a sua esposa, eh?
Homem: Sim, chamo-me (...)
Peço desculpa.
Homem: Raulston
Raulston.
Homem: (...)
Ah, sim, é verdade (...) Como estão eles? Tem-nos visto?
Homem: Não, foi-me dito por um outro amigo que os vê ocasionalmente.
Caso os veja, faça o favor de lhes remeter o nosso amor e respeito.
Homem: Com certeza, obrigado.
Eles são um óptimo casal, o Sr. e a Srª Raulston. É bem verdade. Passamos uma quantidade de tempo em casa deles a desfrutar das suas conversas.
Gostaria de dizer alguma coisa, senhor?
Homem: De momento, acho que já falei tudo o que tinha a falar.
Há aqui um par que não esteve aqui antes, as duas senhoras aqui.
Irene: Eu tive o prazer de conhecer esta jovem pela primeira vez enquanto estive no centro comercial, ontem. Ela trouxe a sua mãe com ela. Ela é amiga de um velho amigo nosso, Jack Adamson. De modo que lá estivemos na tagarelice, conforme a maioria das mulheres fazem, em resultado do que aqui se encontram ambas esta noite.
Maravilha. Gostaria de lhe perguntar, minha querida, ela é sua mãe?
Irene: Ela parece muito mais minha irmã, Bernice, parece irmã gémea, não é?
Parece sim. Actualmente torna-se difícil distinguir as mães das filhas. Havia um ditado que dizia que, antes de uma senhora atingir a idade dos quarenta, digamos, ela parecia terrivelmente velha e começava a usar xales e a vergar um pouco os ombros, e a olhar por entre os olhos. Elas não queriam que isso acontecesse, mas era-lhes imposto. Hoje as mães e as filhas assemelham-se bastante, e estão aí ‘para as curvas’. De facto, muitas vezes as mães estão aí mais para as curvas do que as filhas. Bom, é prazer conhecê-las aqui e espero que venhamos a ter uma oportunidade de comunicarmos as nossas ideias uns aos outros futuramente. Gostaria de dizer algo agora? Está a ver, eu sou um ex clérigo da Alta Igreja Episcopal de Inglaterra, de modo que precisa ter cuidado com a forma como me fala! (RISO) Acabei de vir do céu. (RISO)
Homem: Creio, Professor, que há algum tempo tivemos um debate e creio que tenha sido sobre objectos extraterrestres.
Ah, sim objectos voadores.
Homem: A questão, de momento, não assenta tanto nos objectos voadores. Esses foram relegados para segundo plano. Neste momento é a política.
Ah, talvez esteja a querer sondar a opinião que tenho quanto ao...
Homem: Creio que o Prof. Brown em Seattle fez uma previsão e creio que a ideia razoável que tem nesses ovnis estabeleceu uma previsão. Gostaria de saber o que terá a dizer.
Previsões são coisa perigosa (RISO) A natureza humana, entende, é uma coisa quase imprevisível – impossível de prever. Que havemos de fazer! Os seres humanos nunca estão certos de si mesmos. O indivíduo nunca está certo de si. Olhem os casados. Quando dois se conhecem, se se estabelecer uma química em harmonia, deixam-se atrair um para o outro quais magnetos e tudo passa a correr às mil maravilhas durante um tempo, mas depois talvez a química proporcione uns quantos deslizes aqui ou ali e eles fazem tudo para se afastarem um do outro. Começam a fazer política. O que tiver maior probabilidade de entrar será o melhor gabarola. Ele pode não saber mais, nem ser melhor do que o oponente, mas é mais gabarola, ou devo dizer, fala mais rápido. Mas eu prevejo que o homem Nixon (NT: Que de facto em 1960 perdeu contra Kennedy, e só veio a ser eleito nove anos depois) pode estar à altura. Não vejo que o Kennedy, que, enquanto homem é um óptimo sujeito, mas vejo que o Nixon venha a ganhar. Que é que os outros que prevêem dizem?
Homem: Que eles são todos iguais.
Nós do Círculo, se entrarmos no debate político, achamos que seja melhor que o Sr. Nixon chegue à Casa Branca. Não me agrada dize-lo por soar como um ataque a um grupo minoritário, mas quando se é Católico, chega uma altura...
Irene: Quando a verdadeira pressão é colocada sobre os seus ombros pelos superiores hierárquicos.
É bem verdade. Eles são devotos da Igreja, membros da Igreja. Digamos que sois Maçons e que vão para um trabalho em que um Maçon não pode ser titular do cargo por causa da vossa maneira de pensar. Honesta e sinceramente não podiam ocupar o cargo nem empreender esse tipo de trabalho.
Homem: Essa é a questão principal, creio bem.
É sim senhor.
Homem: A única coisa com respeito a Nixon que ponho em questão prende-se com os nossos vizinhos latinos pensam dele e não o Nixon em si mesmo. Parece que eles não aceitam o Nixon de forma muito favorável. É por isso que questiono as hipóteses que ele tenha de chegar a ganhar, e não por pensar que ele não seja boa pessoa. Que acha disso?
Bem, é uma forma de ver a coisa, mas podemos ver que o Kennedy, sendo Católico e como a maioria dos países Cristãos se encontram sob o domínio cristão, deverão supor que seja o melhor candidato. Mas a questão dos países latinos o aceitarem na realidade é de menor monta.
Irene: Presentemente, com o tumulto que está a ocorrer, eu nem penso nele. Por qualquer razão pareço ter um pressentimento de que o Rockefeller pudesse ganhar mesmo apesar de não ter feito campanha, por não deter acções nos países da América Latina. Acho que talvez haja uma hipótese dele entrar...
Desculpa-me minha querida, isso pesaria contra ele, não a seu favor. Em grande parte aqueles que não têm posses detestam aqueles que têm.
Irene: Isso é verdade, mas tanto quanto me é dado ver, ele ainda não está na corrida.
Ele não fez nada para estar na corrida! Mais, os Católicos farão o que os Arcebispos e os Bispos lhes disserem para fazer. Afirmamos que o Comunismo não podia implantar-se em Cuba pela simples razão da Igreja Católica deter o controlo lá.
Irene: Neste momento eles colocariam uma pastilha (NT: Subentenda-se veneno) no café de alguém.
Mas é claro que sim. E o mesmo sucedeu nos outros países latinos onde o ditador tenha ido contra a igreja. Esse seria o seu último dia na sua existência de ditador. Foi isso que sucedeu a Peron. Ele foi contra a igreja e assim que ele atacou a igreja, ele acabou (NT: Foi excomungado na decorrência da expulsão de dois bispos do país). Creio que a maior parte de vós tem conhecimento disso, não? Agora a igreja Católica declara abertamente que estão dispostos a viver sob qualquer governo que lhes mover o menor tipo de oposição.
Irene: Mas foi-lhe movida oposição quando começou a aceitar o comunismo na...
Claro. É mais do que eles podem admitir, porque enquanto o Comunismo existir, o Catolicismo estará sob ameaça. Enquanto o Catolicismo existirem o Comunismo estará sob ameaça. Esse é o maior poder que se opõe à igreja Católica, ou a igreja que se opõe ao Comunismo, seja como for que queiram colocar a questão.
Irene: O irmão, foi por essa razão que o irmão não teve qualquer pretensão de tomar o poder.
Essa situação vai terminar lá, vai terminar.
Irene: Eu acho que seja melhor para as pessoas, não?
Acho que sim. Creio que por esta altura seria melhor erradicar o Comunismo da América Latina por não se achar preparada para se governar a si mesma. Essas nações não estão preparadas para se governarem a si próprias. E enquanto o vosso país conceder liberdade para toda religião e toda crença, isso será como será de esperar. Creio que assim que alguém começar a dar ordens a outro sobre como deve viver, ele deveria ser derrubado, quer seja Comunista ou Católico ou se basear apenas numa crença pessoal. É por isso que gostamos de jogar pelo seguro ao não impormos qualquer crença. Em que querem acreditar? Será nisso em que acreditarão. Se for o Catolicismo, sejam bons Católicos. Lancem-se a isso. Tirem o máximo partido disso que puderem. Abraçam-no da alma e coração. Se for o Comunismo, vivam-no de alma e coração. Mas lembrem-se de que nada é de graça. Lá chegará o dia do cômputo final, lá virá o dia em que a vida dirá: “Está bem rapaz, dá lá o fora,” e não aceita ninharias.
Irene: Nem está para o ouvir.
Eu queria dirigir-me de novo àquelas senhoras acolá. Importam-se de me dizer alguma coisa?
Senhora: Poderá responder a uma pergunta pessoal?
Posso muito bem, minha querida. Não estou certo até que a faça. Mas se puder fá-lo-ei e se não puder direi simplesmente que não, está bem?
Senhora: Gostava de saber se sabe quando o meu marido volta para casa.
Ele está de serviço?
Senhora: Está.
Ele partiu faz um bom bocado de tempo, não?
Senhora: Foi.
Talvez no próximo mês. Não o vejo regressar antes disso, mas parece andar à volta de um mês. Há quanto tempo tem ele estado fora?
Senhora: Faz um ano em Agosto. Era suposto regressar em Maio ou em Junho.
Pois bem, minha querida, as circunstâncias sofreram uma alteração e ele ainda poderá ficar retido por mais um mês. Supõe que consiga aguentar tanto tempo? (RISO)
Senhora: Vou tentar.
Bem sei que gostamos de ter aquele que amamos junto a nós e decerto não gostamos que andem a vaguear pelos quatro cantos do mundo. Mas estou certo de que seja isso que tenha que esperar, aproximadamente mais um mês. Foi a Marinha, o Exército ou os Marines que o recrutaram?
Senhora: O exército.
Parece que a Marinha não o faz, não é? A maior parte dos Serviços move um bocado os seus operacionais por todo o mundo
Senhora: Eu gostava de saber qual a razão por que ele não me escreveu a informar-me que não vinha quando era suposto vir.
Acho que isso seja do foro pessoal, minha querida. Vocês têm algum problema, ou tiveram antes de ele partir?
Senhora: Ah, sim, há muitos anos atrás. As coisas estiveram mal.
Não supõe, minha querida, que ele esteja a tentar esquecer voltar atrás por causa da mulher?
Senhora: É o que estou a tentar descobrir.
Não o quero dizer por não gostar de dizer estas coisas, mas receio que esse seja o caso. Ao mesmo tempo, acho que ele sente que não quer pagar tanto pata fugir. Isso fará sentido para si?
Senhora: Faz.
Não gosto de dizer estas coisas. Sou uma alma muito sensível, mas é isso, o problema está nisso.
Senhora: Posso fazer uma pergunta pessoal?
Pode, mas posso dizer antes de mais, que ele esteve aqui e andou por aí mas não deixou que soubesse? Sabia disso?
Senhora: Creio que sim.
Lamento. Se assim é, minha querida, creia-me que fica melhor e se ele vier e acabar com tudo, ficará mais livre e mais satisfeita. Nós não queremos quem não nos quer, eh? Quando fazemos esse tipo de coisa passamos a viver as nossas vidas na escravidão. Creia-me, você enquanto alma livre, personalidade livre, terá uma vida melhor do que amarrada a quem na realidade não a quer. Desejá-lo-ia? Decerto que não. Que é que ia dizer, minha querida?
Senhora: Eu ia perguntar-lhe como poderei convencer-me da situação mental em que me meti?
Meteu-se? Quanto tempo lhe levou a meter-se nela? (RISO) Entende, essa é a pergunta que precisamos colocar a nós próprios, quanto tempo levamos a meter-nos na situação.
Senhora: Bem, a mim creio que tenha levado (...) Agora que cheguei a ponto de o perceber, gostava de saber quando poderei ver-me livre dela.
Pois, por estar a tornar-se mais doloroso a cada hora que passa, eh? Tem algum negócio, minha querida?
Senhora: Não.
Está casada.
Senhora: Estou.
Nesse caso isso significa que ambos, você e o seu marido, encontram-se nessa cilada financeira, por assim dizer.
Senhora: É verdade.
Suponho que lhe levasse um bocado a dizer-me como chegou a isso. (RISO) Está a ver, se percebermos de que forma entramos no laço ele também há de ser o caminho para sairmos dele.
Senhora: Bem, só gostava de saber se conseguirei manter a cabeça fora de água até sair.
Ah, sim.
Senhora: Claro que isso me deixa infeliz, mas não tanto quanto me faria...
Os homens sempre têm mais tendência para a infelicidade do que as mulheres, As mulheres não se preocupam tanto no sentido tão sério quanto os homens. É por isso que os homens sofrem úlceras mais frequentemente do que as mulheres. Elas abordam as coisas com mais leveza. À superfície parece que elas estejam a sofrer assustadoramente com as suas preocupações, mas na realidade não sofrem. Elas tomam as coisas com mais leveza.
Mark Probert
Traduzido por Amadeu António