domingo, 14 de julho de 2019

BUSÍRIS -- SOBRE A ORIGEM DE CERTOS SÍMBOLOS



BUSIRIS, O ANCIÃO DOS DIAS
a origem da cruz e DO LOGOS
O SURGIMENTO Da noçÃO da existência de deus
o surgimento de Chrissen

quanto ao retracto

Para avaliarem devidamente a representação do desenho precisam ter em mente que a cabeça se encontra numa posição muito pouco vulgar para ser retractada. O queixo, que se encontra demasiado elevado, leva à ideia de uma proeminência, a menos que as leis da perspectiva sejam consideradas. Por razões similares, a cabeça aparece comparativamente mais pequena no desenvolvimento, ou mais pequena na parte posterior, e os traços apresentam-se obtusos e desajeitados. Contudo, supondo que a cabeça pendesse para o lado contrário, com a testa a projectar-se para aquele que o contemplasse; aí o rosto haveria de se mostrar afunilado e formar um ângulo agudo no queixo, e a proeminência do semblante seria invertida, ficaria tudo frouxo e harmonioso. Mas apesar da estranheza da posição, as finas linhas convergentes das bochechas dão uma verdadeira ideia da delicadeza e refinamento, contudo robustez, do rosto no seu todo.

Foi feito num breve espaço de tempo, e por um médium que se encontrava em estado de transe, que não era experimentado em arte. As linhas do original sou parcas e fortes, pelo que o detalhe do acabamento resultaram naturalmente ruins. A arte não consiste na formusura superficial, e para se descrever o verdadeiro e aprazível aspecto de alguém nessa atitude haveria de deixar muito boa gente intrigada, que se considera mais esperta, em especial no caso de terem que o fazerem às pressas sem qualquer hipótese de emenda. Aqui está um retracto que carrega todas as marcas evidentes de uma individualidade feito sem a ajuda de qualquer modelo. Certamente um produto da inspiração; pois, de onde veio tal ideia distinta?
Só o rosto e a barba são representados, por o hábito generalizado do artista ser o de esbater num nimbo de tonalidade, as partes que não requerem expressão. Através da mediunidade de William Lawrence, ele produziu uma vasta galeria de retractos extraordinários que seria extremamente difícil de reproduzir fielmente por gravura em madeira. O marcado sucesso do presente caso é mais do que se poderia esperar. Esses retractos encontram-se na minha posse.
Andrew Thomas Thurton Peterson
 

22, Julho de 1882
O sensitivo, em transe, disse o seguinte:

Há muitos que duvidam destas coisas, e as revelações que procedem do Oriente são apresentadas num espírito de sátira e ridículo. Aquilo que é conhecido do mundo ‘oculto’ é muito pouco, entre os homens cujos dias são passados a travar a luta da vida por si próprios e para aqueles que veem depois deles. Tais ideias, tais declarações, do que o espírito do homem é capaz de realizar constituem, para mentes pragmáticas dessas, um profundo absurdo. Elas não acreditam que a abstracção constitui uma arte; tampouco conseguem elas compreender o poder da vontade. O homem atarefado do mundo deseja ser rico e respeitado. A sua vontade obedece na perfeição ao espírito, e o resultado é obtido: mas esse não é o limite do poder da vontade; e se não tiverem estudado o tema, menos necessidade terão de jogar a acusação do absurdo contra as alegações daqueles que estudaram.

Eu Busiris, o Ancião, vi a Vontade sob todos os aspectos, e assevero que no Oriente há, e sempre houve, milhares que Desejam a abstracção; que conseguem governar os seus pensamentos, e pô-los a dormir. Essa gente não se submete ao impulso rígido do ganho de dinheiro. Eu testemunhei, e testemunho ainda, uma classe mental que reflecte. Essa classe mental percebe o que os que buscam as riquezas e posição dificilmente alguma vez percebem: ou seja, que o homem na terra se acha sujeito a forças superiores, que actuam de forma totalmente independente da sua vontade. Eu testemunhei a primeira alvorada de luz que irrompeu entre os homens, e vi os meus semelhantes falar de oração ao Sol que governa o dia, e da luz menor que governa a terra desde o anoitecer até ao raiar do dia. Eu próprio, na vida do espírito, vi homens destituídos de recursos espirituais, que padeciam todos os inconvenientes de uma vida terrena mal condicionada, e assisti ao desdobrar gradual da aptidão imortal do homem. Testemunhei, desde um estado de barbárie selvagem, o estabelecimento de uma hierarquia metódica de graduação de classes, tendo sido a primeira formação do homem em sociedades. 

Naquela terra que se encontra actualmente sob a excomunhão e o desagrado deste império; naquela terra que me viu nascer, vi a sociedade formar-se a partir da relativa barbárie. Naquela terra que Deus fertiliza quase sem ter trabalho; a terra cujas facilidades para o comércio a elevaram ao poder, e a levaram a ser respeitada enquanto nação; aquela terra em que o homem pela primeira vez percebeu a sua natureza dual; a terra por que lágrimas são vertidas; a terra actualmente governada -- eu não deveria dizer governada, mas ameaçada -- por uma tropa rebelde e subversiva -- eu vi em meio à sua prosperidade, a terra toda a entregar-se à mais grosseira idolatria, os homens a adorar inúmeras formações físicas a que chamavam Deuses.
Não consegue conceber homens em tais condições. Capazes e dissimulados orientavam os seus conselhos, e as trevas e o horror era o resultado das suas doutrinas; as hostes do mundo do espírito testemunharam os seus semelhantes na terra a venerar os peixes no rio, os animais terrestres -- a penetrar em toda a extensão no labirinto do absurdo e da idolatria.

Foi dessa terra infeliz que toda a Etiópia foi iniciada na veneração de animais, peixes, frangos, seixos e pedaços de pau. Foi a partir dessa, da mais antiga das terras, que a veneração de ídolos brotou e foi levada a todas as raças de homens na terra. Embora isso ainda esteja aberto a disputas entre os letrados, o Egipto sem dúvida permanece para a posteridade como a Mãe das Nações. Raças especiais aceitaram a sua porção na veneração de ídolos; porém, a veneração em si, assim como a primeira alvorada da imortalidade, teve a sua ascensão a partir dos filos do Egipto original, e mesmo hoje alguns dos seus ensinamentos são ainda evidentes.

Actualmente as vossas raparigas usam, a título de adorno, a Cruz; hoje o mesmo símbolo é reverenciado, ou melhor, quase adorado; hoje, essa porção da crença idólatra encontra-se espalhada por quase todo o mundo -- e a cruz teve a sua origem no Egipto, milhares de anos antes de reunir ao seu redor um sacerdócio. Nos primeiros dias do Egipto representava a cruz de Serápis, e significava um espírito, ou um outro mundo. Era então considerada um emblema da imortalidade, após o ressuscitar do espírito. Actualmente tornou-se num tipo de sofrimento; era um modo de sofrimento popular entre os influentes de uma república então em decadência. Era o seu modo de punição, do mesmo modo que ser condenado à forca é agora, que se tornou no modo alterado, e que ainda ceifa as suas vítimas.

Eu testemunhei a alvorada dessa natureza dual, quando os homens inicialmente despertaram para a necessidade de viverem por algo melhor. Foi quando Deus lhes despertou a compreensão; quando foram capazes de olhar ao redor para o trabalho das Suas mãos sem temor nem estremecimento.

Testemunhei o advento de grandes líderes, aqueles gigantes entre os homens que auxiliaram os seus semelhantes a compreender que existia um novo céu para a alma, e um outro mundo para ela. Inicialmente, os homens voltaram costas a esses líderes astrológicos e filosóficos; o efeito disso foi a diminuição da anarquia, e a ordem e ausência de egoísmo começaram a tornar a Mãe das Nações respeitada entre os homens.

A mente do homem então abriu-se para o estudo dos céus. Os homens começaram a debruçar-se sobre o facto de que ao longo de toda a natureza não existia desperdício; de que nada era destruído; de que a aniquilação constituía uma impossibilidade; de que a vida e a morte não passavam de termos destituídos de significado; de que a matéria, à semelhança do espírito, era co-eterna do que resultou o surgimento do sistema do Panteísmo, ou de um Deus no Universo; e a seguir o “GRANDE EU SOU” respondeu a partir dos céus e dirigiu-se aos Seus servos, aos Seus filhos ainda na forma; e aqueles que receberam mais comunicações do que qualquer outra raça foram os antigos povos cujo Dirigente e Chefe (Xá da Pérsia) recentemente visitou a capital deste império; aquela nação que, à semelhança do Egipto é tosquiada -- toda a sua glória é cedida à tirania e ao despotismo.

Embora ainda os tenha conhecido como um povo poderoso, agora são servis, e encontram-se muito atrás na corrida para a civilização. Mas eu conheci-o no auge do seu poder e da sua glória -- quero dizer, aqueles devotos do espírito que eram representados pelo símbolo do Fogo -- eu estive diante deles em espírito juntamente com muitos outros, durante a sua devoção, e eles denominaram-nos, seus visitantes, como partes de Deus. Sabiam que tinham diante deles formas imortais, de uma imortalidade que durava por toda a eternidade.

A seguir surgiram os grandes filósofos da antiguidade; então essas comunicações trouxeram à terra uma ideia mais exacta do Supremo Governante, e, no despertar da energia da sua mente, eles delegaram ao mundo um governante, e aos céus um Criador. Eles reuniram os ditos desses visitantes, a que chamaram o “Logos.” Eu reparei nessa graduação ascendente da mente: Testemunhei o progresso dos homens, e cada era sucessiva deixava a alma mais grata. Sim, aquele Rio que se eleva como se tem elevado há milhares de anos, testemunhou a alvorada da imortalidade na mente dos homens, que outorgou o seu Fiat (decreto) a todos os homens, e aconselhou os homens de todas as outras nações -- por vezes com maus conselhos, mas outras vezes com conselhos que jamais perecerão.

Lembre-se que o fundador de uma seita, que ao longo de todos os séculos sucessivos perdeu os mais bravos e os melhores através da perseguição fanática; lembra-se que o líder, o chefe fundador dessa seita, recebeu a sua educação (refiro-me a Moisés) na corte do Faraó, misturando-se com as melhores e as mais proeminentes mentes do Egipto. Aquele que proclamou que Deus era Tudo, que Ele tinha existido desde o início; aquele que ensinou, não a pluralidade de Deuses, por se ter destacado a fim de poder destruir tais doutrinas; e quando ele faleceu, Deus declarou através dele e outros dos seus servos espirituais, que ele jamais iria deixar a terra sem uma testemunha de Si próprio.

Deus chamou Zoroastro para lhe suceder numa esfera diferente ao fundador da Unidade da Divindade, e ele, assim como outros, exerceu a sua parte com bravura sobre a terra. Depois surgiu um outro cujo nome é ainda reverenciado, e que, de igual modo, disseminou pelo exterior o conhecimento do Verdadeiro Deus Uno, e o qual, na sua doutrina original negou aquilo que é me geral aceite hoje -- a Trindade na Unidade.

Testemunhei a alvorada do Cristianismo, e os primeiros ataques sérios contra o que era conhecido entre as nações como o Deus Vivo Uno. A ascensão de um que levava a representação do Sol no seu nome, Chrissen; que chamava a si próprio o Sol, por ter vindo para dar luz; um que conseguia ver com uma visão clara e destemida o futuro; que conseguia perceber avanços mais rápidos de um povo mais civilizado, e por isso, com maior perspicácia conseguia prever a destruição do povo do Deus Uno. Ele veio como os outros tinham vindo antes dele.

A esta altura eu perguntei de quem ele estava a falar, ao que me respondeu:

Estou a falar de Chrissen, e não Cristna, um nome Cabalista dado ao Sol. O significado de Chris é “conservador,” e, como está bem ciente, conservador significa -- Um que preserva. O caos e a anarquia reinavam durante o seu advento na terra, mas desde que estabeleceu a doutrina da superioridade do homem sobre todas as coisas; desde a sua doutrina da igualdade dos homens, e do seu eterno progresso, e do seu poder, igualado somente pelo Uno Imortal -- desde então, o mundo manifestou-se gradualmente e o homem, ao criar uma terra bela, também se conduziu a uma belíssima perfeição.

Poderá ser questionado -- Qual a necessidade deste controlo? Poderão perguntar -- Porque referimos eventos que sucederam há milhares de anos atrás? Eu responderei: Por aqueles que não acreditam possam ser levados a crer. É para provar que o homem acalentou a esperança da imortalidade milhares de anos antes da Era Cristã. É para provar que a ideia que o homem tem do certo e do errado foi reunida mesmo então, a partir do nosso mundo; porém, os homens na sua presunção afirmaram que Deus lhes tinha falado, e que isso constituía a sua autoridade para se tornarem líderes entre os homens. Isso não passa de mera suposição; fomos nós deste lado que nos dirigimos aos homens, tal como você, caro Anotador, por sua vez, se dirigirá aos homens que vierem a seguir; e anunciará aos homens para exercitarem aquilo que esses pretensiosos governantes receiam, e cujo exercício proibirão aos homens -- o uso da sua razão.

A justiça de Deus é justo (dotada de razão); mas também a Sua misericórdia o é; o Seu amor é justo. Esses governantes sacerdotes dizem: “Que os Seus juízos são misteriosos;” porém, isso não é verdade. N’Ele, que é todo perfeição, não pode subsistir justiça caprichosa alguma, e cujos decretos são medidos pela largura de um cabelo.

Ai daquele que dissemina desolação e carnificina por toda a terra antiga. Ai daquele que profanar a sepultura com o sangue das suas vítimas. Ele professa seguir um que, como um instrutor entre os homens, no seu tempo, era ímpar; porém, a sua religião era agora composta por um fanatismo egoísta, e ele, Arabi Pasha (Ahmed Urabi) destaca-se como um dos mais proeminentes canalhas entre os seus ignorantes seguidores.

Eu testemunhei na vida do espírito o advento deste seu império, e servi o Anjo desta Dispensação (Thomas Paine). Esta era que irá indeferir todos os credos contraditórios, e que irá reunir ao contrato universal da fraternidade Cristãos, maometanos, Budistas, Hindus, e de facto, todas as raças da terra. Nessa mudança, isenta de todo espírito consagrado pelo uso, todos são bem-vindos a crer; todos dos que hoje são crentes, são convidados, todos são forçados ao serviço. Essa mudança destina-se a restaurar a unidade; esta mudança possui um verdadeiro objectivo, a orientação da vontade de homem, e rogar a consideração do homem por uma breve hora a cada vinte e quatro do mundo para que certamente se apressa; atrair a atenção do homem para essa mudança, que habilitará o homem a pensar, a raciocinar, e a julgar, o que constitui a única via para o estabelecimento da unidade da opinião entre todos os homens.
Primeiro, pois, caro Anotador, pregamos uma doutrina que poderá ser fundamentar-se -- uma que pode ser provada por meio de uma prova acessível; e nós ensinamos, acima de todas as coisas, que todo fenómeno declarado do nosso lado pode ser submetida à barra da Razão, e que o que quer que não seja passível de ser trazido ao tribunal da Razão deve ser rejeitado. Os homens poderão pensar que está a trazer um mundo de seres fantásticos a invadir um mundo de realidade; mas deixe que assim pensem, o fim irá provar todas as coisas. Eles poderão crer com uma fatalidade cega, que o fim esteja na sepultura; mas vocês que carrega essa certeza na sua alma, você que é chamado a proferir doutrinas complacentes aos seus semelhantes, você que é chamado a proclamar a verdade; você que se vê a gritar aos homens a justiça de Deus por todos; os homens poderão voltar-lhes costas, e agora dos seus ensinamentos, e poderão esforçar-se por o esquecer e aos seus labores, mas há muito a quem compensou de uma forma rica, por ter oferecido aos pobres um lar final e inviolável.

Expôs a muitos a ciência da vida, que é imortal, e ao fazê-lo prepara-se para o dia em que a sua riqueza será inútil; livrando a sua alma do governo das paixões inconscientes; alçando-se acima dos pequenos interesses da vida. Você é sábio, porquanto eventualmente de que valerão os ânimos atarefados e as paixões da vida a menos que tenham deixado “pegadas nas areias do tempo”? Viva -- uma vida activa -- ainda tem você na sua posse: a vida de um espírito que pensa; possa esse espírito mesmo diante do término do corpo empregar-se de forma activa na promoção da felicidade, e na construção de futuras esperanças entre os seus semelhantes; assim merecerá as suas bênçãos aqui na terra, e a aprovação de Deus no seu lar futuro.

O mais sincero, Ó Egipto, entre os teus enlutados espirituais, é o filho, Busiris, o Ancião do Tempo. Eu abençoei os vossos monumentos, aqueles austeros registos do passado distante; admirei o amor que impulsionou os seus conterrâneos, Sir, no sentido de trazer aquela relíquia da grandeza do Egipto (Agulha de Cleópatra situada no terreno do Tamisa) e coloca-la naquela formosa avenida que vós arrancastes ao rio.

De novo vejo o fanatismo Maometano a destruir as vossas cidades e a assassinar mentes avançadas, que, enquanto governavam, eram ciosas da honra da sua nação. Testemunhei o Egipto a tornar-se na via pública das nações, porém, agora, Arabi Pasha, um chefe rebelde, votou-o ao desdém das nações; porém, tão certo quanto a justiça se seguiu ao erro por entre os seus camaradas Maometanos da Índia, assim também a severa justiça retributiva seguirá os teus erros; e vós (i.e., tu, na forma coloquial) ireis seguramente ser levados às lágrimas que fizestes derramar; e ireis certamente levados às lágrimas amargas de arrependimento pelo sangue que fizestes verter. À semelhança do sangue do primeiro assassinado na terra entre os homens, ela clama em voz alta por justiça. Acautela-te desse dia, rebelde Pasha. Acautelai-vos desse dia seguidores cosmopolitas que, sem nacionalidade própria, desempenham a parte traidora onde quer que as vossas espadas de traidores são necessárias.

A esta altura perguntei ao que ou a quem se referia; e o controlador respondeu:

Estou a referir-me a um ou a dois dos seus seguidores que detêm a Suíça e a Alemanha como locais de nascimento, cujos actos desonrosos e de traidores levaram os próprios países deles a recusar a admiti-los; contudo, esses indivíduos receiam o que virá a suceder no futuro, mais do que os homens lhes possam fazer; porquanto descobrirão que a justiça de Deus não é “misteriosa,” mas seguramente conforme à razão. Deus apresse a expedição da vingança, para que o derramamento de sangue dos inocentes possa cessar.

Agora com respeito a si, Senhor, possam as bênçãos divinas tomar a forma de saúde corporal. Ó Trabalhador Inabalável! possa a sua mente permanecer desanuviada até ao derradeiro momento do tempo, para que possa dar um testemunho infalível e uma carinhosa dedicação que lhe concederemos. Estes anos do seu labor jamais passarão da ideia dos homens, e por toda a eternidade serão as melhores mais soberbas recordações do seu espírito imortal.
Possa Deus, o Pai, abençoá-lo!

Este foi um Controlo deveras curioso. Os curiosos verão nele uma certa explicação da forma como o “Logos” que é dito referir-se tanto ao Targum Caldeu como às Escrituras Hebraicas, e que foi convertido pelos Cristãos no Espírito Santo, teve origem; por não ser nada mais nem menos do que os ditos dos espíritos controladores na antiguidade, que foram aceites como procedentes directamente do Altíssimo Omnipotente para o homem. Isso fornece um indício quanto ao: “Assim disse o Senhor.”

Os meus leitores deverão, por si próprios, decidir aceitar ou não tal explicação. Se o Espiritualismo para outra coisa não servir, dará, em todo o caso, uma explicação inteligível quanto a muito que permanece misterioso e contraditório nos credos de quase todas as raças, cada uma das quais fantasiam as que elas próprias favorecem.

Autoria: Andrew Thomas Thurton Peterson
Médium: William Peterson
Tradução: Amadeu António




sexta-feira, 12 de julho de 2019

RALPH WALDO EMERSON -- CESAR BÓRGIA

RALPH WALDO EMERSON

Um controlo feito trinta e seis horas após a passagem do seu espírito.
O sensitivo, em transe, disse o seguinte:

Setenta e nove anos-- uma idade bem madura. Na minha solidão, uma solidão por opção, tive notícias contínuas da sua parte, por vezes de forma directa, outras indirectamente. Talvez isso me tenha sido concedido por conta daquele conhecimento mútuo das nossas próprias naturezas e destino. Houve uma época em que eu encarei a punição eterna com agonia e medo; mas, o mesmo amigo amável que o orientou, apossou-se da minha mão trêmula, e com clareza me explicou que de tais horrores nada havia a recear, e que eles não passavam de criações da imaginação do homem. Então respondi-lhe: “Se me tirares a veneração que sinto pelo saber sagrado, aí precisarás responder (porquanto outra autoridade não terei) com respeito a saber de onde venho e a que sistema da criação pertenço.

Serei o produto de uma evolução em permanente mutação? Ou terei eu sido trazido à existência por parte de um Poder omnipotente e inteligente? Se negares o saber sagrado em especial, enfraquecemos o todo; por isso, responde-me, ó ser invisível, porque se puder crer em ti, deverá ser da tua parte que deverei conhecer o meu destino; esse terrível mas verídico fim de todos os homens; esse amante sem escrúpulos que reduz o mais poderoso assim como o mais fraco, e os deita lado a lado. Anseio por penetrar na verdade; e sou suficientemente corajoso para meditar no inevitável. Admito que o Cristianismo, ou a Nova Revelação, colocou uma barreira negra impenetrável entre a consciência do homem e o seu futuro; fez da morte lúgubre e misterioso prospecto, deixou os homens a pensar em oposição uns aos outros, e chegou mesmo a dividir membros da família em seitas.

Mas então chegou-me a prova através dos seus esforços, e através das próprias comunicações que recebi pessoalmente, quanto à identidade consciente do futuro. Possa Deus habilitar todo homem a admitir com calma e clareza a bênção da razão. Que as suas mentes revertam para o passado, em que gigantes intelectuais, muito antes do Cristianismo, tornaram o solene mistério da imortalidade claro e simples; muitos já lastimaram as revelações mais recentes, que com efeito provaram ser um credor problemático do tempo e da atenção de milhões.
Sei que percebe que na feliz e tranquila aposentadoria dos meus últimos dias, eu de entre todos os homens, pude apossar-me da inestimável verdade, que se tornou seu dever disseminar. 

Nesse instante eu disse: “Não tenho dificuldade em reconhecer o espirito controlador: É Ralph Waldo Emerson.” Ao que o controlador respondeu:

Intuitivamente reconheceu-me de imediato; garanto-lhe que os seus esforços concederam a Emerson algum do maior consolo que ele já sentiu. É verdade que me ajudou em muitas coisas, mais em especial em algumas das séries de últimos esforços que empreendi, e de novo posso afirmar ter simpatia por si por eu ter tido o seu espírito guardião (Thomas Paine) na minha ideia quando redigo o “Homem o Reformador.” 

Todos felizes vieram à minha terra natal, Concord, Massachusets; a concórdia reinou no meu lar; será porventura fantasia, mas um suspiro mexe com o íntimo de muitos que não conhecem essa concórdia, e que carecem dos confortos do seu lar, ao ser levados a procurá-los noutras paragens, porém, jamais no decurso da minha longa vida eu alguma vez me satisfiz com personalidades, ou qualquer tentativa de descrever a infelicidade dos outros: suficiente se me mostrava a infelicidade que reinava ao meu redor.

Tive conhecimento das opiniões que emitiu e ouvi as que se reportavam à Bíblia, e repetisse eu as palavras que empregou, e elas haveriam de querer dizer o seguinte: A opinião que emitiu é que a Bíblia constitui a reunião de controlos sem relação entre si; de volumes de histórias espirituais ancestrais; que encerram muitas partes dignas da mais viva atenção por parte da mente intelectual, mas que encerra porções que deviam ser obliteradas e esquecidas; porções que enchem o coração de horror ante a depravação de alguns dos escritos, e outras porções que haviam de fazer com que as faces da matrona corassem de vergonha.

Há muito que obteve dos antigos Filósofos aquilo que o Cristão neles receia -- o conhecimento da informação pura que a Bíblia encerra. A forma altiva de Sócrates esteve presente na sala à sua direita, e repetiu ed forma literal aquilo que redigiu nos seus trabalhos (Andrew Peterson: Deve estar a referir-se aos Escritos de Platão, já que Sócrates não deixou nada escrito) e aquilo que disse então é literalmente verdadeiro hoje e inalterado no sentido justo que encerrava: “Embora Deus seja invisível, é óbvio que Ele existe.” Ora bem, aqui está um reconhecimento absoluto muito anterior à Nova Revelação. Eis o que ele reconhece a seguir: “Ele é digno de veneração; Ele concede-nos a razão; porquanto o homem é a sua particular preocupação.”

Bom, há três afirmações avançadas com base no verdadeiro espírito da filosofia, enquanto tudo quanto o rodeava era dado à adoração de ídolos. Quando os seus amigos mais íntimos, alunos, e outros, desejaram saber e perguntaram: “Que forma terá Deus?” para poderem venerá-lo na forma, ele disse: “Poderá a vista do homem traçar o curso do vendaval?” Essa foi a pronta resposta que deu: “Que haverá que o homem deva conhecer tão bem quanto à sua própria alma, que anima e move o corpo à vontade? Pedis-me que vos indique uma forma de Deus assim, que pela Sua própria vontade formou todos os mundos; Ele deu-Se a conhecer por intermédio de uma série de maravilhas sem fim tal como a visão do homem não O conseguiu divisar, pelo que a imaginação O concebeu.

Ainda assim escutei os meus confrades colegiais da Universidade de Harvard solenemente proclamar que para eles a vida de Sócrates constituía um problema, e a morte uma fonte de permanente ansiedade e perplexidade, e de futuro um enigma indecifrável. Sócrates morreu com uma jura nos lábios, ao dizer aos seus amigos: “Adeus, porém, não por uma longa separação; apenas por uma ausência temporária após a qual voltaremos a ser amigos de novo.”

Parecerá isso viver na dúvida ou seguir o caminho intrínseco de um caminho insolúvel? O nome dele que optei por citar, é equiparado pelos seus predecessores assim como pelos seus sucessores; no entanto, é-nos solenemente assegurado que o conhecimento que esses filósofos da antiguidade possuíam é ultrapassado pelo do simples Cristão, que é íntimo da justificação pela fé, e que tendo isso diante de si, terá penetrado mais fundo nos mistérios de Deus; mais fundo do que qualquer filósofo de entre todos; contudo, graças a Deus que existiram homens de pensamento no passado que encontraram profundidade na religião e em segredos muito para lá da penetração da alma humana aqui na terra. Os mais elevados anjos nos céus não conhecem o sentido derradeiro da vida.

Uma vez mais, muito foi dito com respeito à eficácia da fé Cristã no leito de morte. Esse é sem dúvida o caso entre a classe média e a alta; porém, ao mesmo tempo, dirá o Cristão ao sábio que não há conquista do temor da morte fora do âmbito da crença, pela justificação das almas que Deus instituiu através do sangue do inocente? Eu digo que existem milhões que creem num grande Poder Indivisível, e que são conhecidos como Unitaristas, de quem certa vez eu fui pastor, e vós certa vez crente; de entre eles diria o Cristão que não há nenhum que enfrente a morte tranquila e corajosamente? Deus não permita que tal afirmação deva ser alguma vez feita; porquanto o conhecimento da imortalidade é o grande segredo que Deus revela. Somente isso pode afastar o temor da morte. Toda a natureza proclama a própria imortalidade; todas as coisas fenecem no seu devido tempo para voltarem a viver cobertas por uma folhagem bela e renovada; isso é para confortar o homem naquela hora em que mais necessita de conforto; por inútil ser dizer que até mesmo o mais audaz dos homens ante a sua aproximação, treme diante do grande abismo da mudança que a morte apresenta.

Os homens não trazem essas coisas cautelosamente para perto de si; a tira no braço ou no chapéu não passa de uma exibição externa. É o preparo pessoal que se faz necessário; nada mais responderá. Certas mentes grandiosas tentaram trazer para perto de si o pensamento sobre a sua morte. A doença numa vasta Metrópole como esta, reina por toda a parte, e a morte e o médico tornam-se amigos íntimos, e os mortos são sepultados longe da vista dos vivos; no entanto não existe impressão distinta no seu espírito, de que em breve o mundo nada será também para eles; e de que a vista, o som, a ocupação e o prazer ainda dirão respeito aos demais, porém não a eles.

Agora você é o detentor efectivo de uma luz e conhecimento infalíveis respeitantes à alma; estará a fazer tudo quanto poderá para despertar os seus compatriotas? Eu fui um escritor de ensaios, e do meu lar em Concord, no Massachusets, remeti para muitos estados distantes as minhas ideias e opiniões, por vezes às minhas próprias custas (com maior frequência do que o mundo imagina). A publicação desses seus ensaios não lhe será possível? Considerando haver muitos apelos em prol de assistência a Espiritualistas pobres, creio que a venda dos seus ensaios a um preço risível possa tornar-se num meio de disseminação das suas opiniões, e eles haveriam de ver assegurado, quer pela venda quer por si próprio, por uma pequena retribuição semanal, que lhes possibilitaria deixar de buscar o auxílio de quem quer que fosse. Claro que estou a penas a emitir uma sugestão; mas lembre-se de que arque com a tarefa de disseminar os esforços que você empreende estará a semear a difusão de um consolo no coração de milhares, estará a coloca-lo no coração daqueles que, com lágrimas escaldantes de angústia, pensam estar para sempre afastados daqueles que lhes foram mais próximos e queridos; enquanto os seus mais prezados amados durante o seu luto, poderão seriamente ter tentado dar a conhecer a sua presença sobre os seus ombros.

O Cristianismo faz da memória um mero sonho dos mortos; porém, a imortalidade consciente leva aqueles que ainda estão na terra a antecipar o reencontro com os que partiram mesmo até aqui na terra. Não lhes concede qualquer sonho quanto ao futuro mas uma certeza imutável e um conhecimento inexpugnável. Contar-se-ão entre aqueles que formam a massa dos crentes Cristãos aqueles que nunca tiveram meia-dúzia de ideias originais em todas as suas vidas; que jamais alteraram os cursos das ocorrências do dia-a-dia, que vivem na mesma casa, arrendada pelo amo; e que sempre actuam como os seus pais agiram; vivendo contentes e morrendo contentes. Decerto que alguém assim jamais foi feito para liderar; o mundo haveria de ser um local muito enfadonho, desprovido de conforto. Têm existido e existem pensadores que não acreditam que ao nascer tenham sido alienados do seu Deus; homens ousados que advogam a própria probidade e não a de outrem; homens que encaram o advento da morte com calma, sem aversão pela vida nem temor em relação à morte. Alguns, em momentos de raiva, desejariam que a morte os acometesse e deixasse inanimados; esses são os que menos preparados se encontram para enfrentar a terrível mudança.

Eu defendo o direito de todos preservarem os agrados da vida, que não interferem com o consolo da morte. Com o tempo, desfrutei de todas as bênçãos oferecidas, que não me aniquilaram as esperanças que tinha com respeito à eternidade. Testemunhei, antes do meu final, muitas cenas de leito de morte. Estava eu a ficar muito velho, e descobri que a garra que exercia sobre o meu mundo não afrouxara; que me agarrara tenazmente à esperança de viver, mas essa esperança de viver desvaneceu-se por completo quando por fim fiquei certo de que a minha alma não conseguiria expressar-se pela minha boca; quando percebi que o propósito por que o meu Deus tinha encerrado a minha alma neste corpo perecível tinha sido respondido. Sim, quando percebi que a vida para mim tinha acabado; então veio a mim a paz produzida pela ausência de todo temor da morte, que na realidade foi uma continuidade da vida, mas apesar de estar na posse do conhecimento da continuidade desse estado, a morte exerceu um temor sobre mim, até Deus o ter afastado.

Setenta e nove anos fora suficiente para me levar a pensar que o tempo me havia esquecido; o facto de que uma eternidade me aguardava foi o maior consolo que tive, e por si só suficiente para me levar a enfrentar a morte com firmeza, ainda que trêmulo. Digo que, de todas as mensagens a ser dadas ao homem, não há nenhuma de importância maior do que a mensagem que lhe foi confiada. A Natureza auxilia-o na sua empreitada; tudo está a ajudá-lo a recordar ao homem que este mundo muda, tal como nós próprios mudamos; que nada permanece inalterado; que nada de permanente fica excepto a esperança. Cabe no seu poder tornar essa esperança forte e universal. Cabe-lhe a si corroborar um mandamento do próprio Deus: “Eu sou o Deus além do qual não há outro. Pelas suas obras julgarei Eu os homens. Assim como tiverem feito em relação ao mais pequeno dos vossos irmãos, meus filhos, também Eu vos farei a vós. Se os tiverdes poupado, de certeza que vos pouparei; se os tiverdes oprimido com zelo de oprimir o mais pobre e necessitado, também Eu vos golpearei como à massa, na minha vingança -- um outro nome para justiça.” Por isso, proclamará o amor fraterno e o apoio, e a religião de uma vida de excelência; o fim, o “Cui Bono?” da matéria está em conceder paz e não em infundir dúvida.

Sentei-me frequentemente em silêncio e no escuro e em indescritível tristeza a observar a respiração fugaz de um ente querido; que melhor consolo do que estender as minhas mãos e pegar num dos seus registos, e nele ler que a morte, embora representada com a noite negra, constitui o mais brilhante amanhecer. Deus lhe permita descobrir algum meio por que os seus registos alcancem as partes mais distantes do mundo; ajude o pensamento a perceber com firmeza o conceito da morte e da imortalidade. Você pode fazer isso; Deus o ajude. Milhares foram surpreendidos à medida que a morte os assolou lenta mas seguramente, e clamaram em meio ao assombro que os acometia: “Percebo que começo a viver de novo.”

Prepare os homens para esse viver de novo; prepare-os para esse despertar do dia seguinte, mas acima de tudo prepare-se a si próprio. Não esqueça que a responsabilidade da preservação de si próprio se acha em todos os homens; o convite à imortalidade é dado pela morte. Prepare-se para esse momento e não terá qualquer outra ansiedade para além da do favor de Deus. A fé que possui, que se tornou uma forma de conhecimento, não provou ser um talismã sagrado nem o tornou intimamente perfeito nem à vida, mas eu vou-lhe dizer o que fez: fez aquilo que fez por mim com respeito à morte; a ideia permaneceu fria e inanimada na minha ideia até o espírito de Deus me ter despertado para o facto de que a vida do homem na terra não durou mais do que o mais breve instante de um dia de verão. Você anseia por transmitir e tornar conhecido por via da publicação verdades eternas e inalteráveis. Vive você com base numa crença inabalável nelas? Deus ajudou-me. Ele há de ajudá-lo. Lembre-se que a maior parte dos potentados terrenos olhou em volta para a própria grandeza com um sorriso de desdém e disse: “Nada existe de real;” e eles despediram todos os clérigos que dessem paz e esperança por meio de uma religião de dependência, e decidiram-se a enfrentar o seu Deus com base no próprio mérito.

A dedução lógica que disto se pode inferir é: “Façam dos vossos méritos aqueles que se tornem numa recompensa eterna.” O vosso maior consolo serão os vossos actos mais honrados e justos. Lembre-se que gerações do passado o observam; aguardam a altura em que você por sua vez dará lugar aos seus semelhantes; aguardam a altura em que se lhes vá juntar. Cada pensamento íntimo que tem é lido pelo seu entorno, e eles sentem sempre que os molesta com o pesar. Você está agora como eu estive afastado das cenas activas do mundo; um observador -- um observador desgastado pelo tempo -- no jogo da vida com que batalhou na terra, de forma bem-sucedida. Testemunha os erros das almas mais jovens, em relação a algumas das quais sente o mais profundo interesse. Essa é a posição de todo aquele que viveu até ao cabo do tempo atribuído de setenta anos. Embora tenha carregado consideráveis capacidades, essas capacidades estão agora um tanto debilitadas. Lembre-se de que eu falo com confiança de um velho para outro. Você, à semelhança de muitos outros, será reverenciado por capacidades que certa vez estiveram no maior florescimento, no seu melhor, quando obtinha a preferência para o serviço à frente de muitos outros, porém, quantos amigos e a recordação deles não são alterados por uma biografia; além disso adequa-se muito mais à posição de observador do que a maioria.

O futuro do êxito do mundo não lhe reclama agora a atenção. No alvorecer da vida esteve na sua posse, mas aí veio a meia-idade da competência e do trabalho, em que a ânsia e a irreflexão da juventude foram vencidas e em que o envelhecimento não trouxe consigo qualquer enfermidade. Porém, a juventude e a meia-idade passaram; o tempo atribuído foi alcançado e passado, e você vive num tempo em que todos esqueceram os êxitos resplandecentes que conquistou entre aqueles que não sentiam qualquer simpatia pelas lutas pela independência que desde cedo travou, e que não têm qualquer simpatia pela afeição que sente pela pontualidade, pelos princípios que defende de justiça, e pelo triunfo da rectidão. A esperança que um homem de idade nutre pelo sucesso mundano não passa de um sonho, seja qual for a posição que ocupe. Reconheço que existem mentes notáveis avançadas nos anos que governam os homens da actualidade. Temos um legislador envelhecido, porém competente, ao leme dos assuntos do Império. Temos um Imperador Teutónico, vigoroso ainda na forma mas avançado na idade, que ainda confia no Chanceler cujos anos correm pelo espaço, e ambos estendem as suas mãos em amizade e cordialidade a um que, apesar dos muitos e honrados dias vividos, se encontra entre os primeiros dos oficiais no comando geral do exército. E depois, neste movimento em que a fé se torna conhecimento, os mais diligentes e mais zelosos são aqueles que estão avançados nos anos.

Possa Deus auxilia-lo nos seus labores; possa Deus influenciar-lhe a mente de modo a poder fazer o melhor dos usos desses anos extra que Ele deseja conceder-lhe; possa Ele guiá-lo pelo seu próprio bem, e pelo amor da Sua honra.

CESAR BORGIA
fala do viver para o presente
No dia 13 de Janeiro tive uma sessão em que o controlador disse o seguinte:
“O mundo não se encontra iluminado, mas ainda assim os homens hoje vivem num avançado estado de civilização -- a filosofia aprofunda-se e a doutrina enfraquece; no entanto o mundo não está mais iluminado e os homens de profundo pensamento captam o sombrio e falham a substância. A sua filosofia tem-nos liderado, tem-lhes ensinado a viver a vida do presente e a ignorar a possibilidade de uma vida futura. Quando um homem ascende pela força consciente da sua razão, livrando-o dos grilhões da doutrina, ele descura dar atenção ao perigo que tem defronte de si. Liberdade da doutrina é a liberdade de um prisioneiro subitamente liberto, ofuscado, desorientado, e durante um tempo feliz detentor da sua liberdade, ele permanece ímpio e sem objectivos. O maior cuidado é necessário quando é liberto da doutrina; a mente busca caminhos mais nobres, objectivos superiores.”
A esta altura eu interrompi o controlo, já que numa ocasião prévia o célebre Emmanuel Kant me tinha informado da intenção de controlar, eu perguntei: “Será o Emmanuel Kant?”
O controlador prosseguiu:
“Não sou; quem dera que fosse. Sou alguém cujo nome foi estigmatizado pela infâmia; foi alvo da acusação de incesto, e manchado pelo crime do fratricídio. Mas, para voltar àquilo de que estava a falar antes da observação que me fez fazer mudar de assunto. Os caminhos são iluminados pela mente iluminada que seriam marcados pelos ditos seguidores do dogma, negando a inspiração livre, como de origem Satánica. Que caminhos serão esses que a alma liberta da doutrina elege? Eles devem seguir os trabalhos de Deus; porém se, no orgulho das suas almas redespertadas eles virem esses trabalhos e ignorarem a sua contínua presença criativa então incorrerão na falta de atenção pelo perigo à frente. Os seus estudos basear-se-ão nas leis fixas e nas leis secundárias, factos, e a causa última. Os segredos da natureza, desde as suas próprias fundações que perseguem de uma forma para a outra, até perderem a sua solidez, e pensam ter chegado à sua base na mistura de gases, que formam a sua fundação. Então começam a falar descontroladamente acerca de Deus, preferindo falar nele como destituído de personalidade e de qualquer ideias acerca da humanidade; dando-lhe o nome da Causa Original.
“Há muitos que acham que isso seja um bastião de perigo uma vez libertos do clericalismo. Há mais mentes dessas entre os homens actualmente do que havia no meu tempo quando estive na terra. Se lhes dissessem que nos seus aposentos, lado a lado com o terreno comum inconsciente, recebeu comunicações da parte de alguém que deixou as cenas da terra há alguns 400 anos, no orgulho e robustez da sua filosofia, e diriam, em abono da verdade (e abonar a verdade, equivaleria a pedir muito), mas mesmo em abono da sua verdade, haveriam de perguntar: “Ah, que vantagem nos trazem tais comunicações?” Eles vivem a vida do presente, e há milhares de almas que se satisfazem com isso. A recordação do passado, ainda que suscitada por alguém que tenha passado pela diversidade das suas cenas, não interessaria nem poderia interessar àquelas almas que vivem apenas no presente.
“Quando estive na terra vivi apenas para o presente. Embora as filosofias tenham mudado, descubro que durante a minha ausência de 400 anos, muito pouca mudança no campo da teologia. Vejo os dignitários da Igreja igualmente ciosos de poder e igualmente ambiciosos como eram no meu tempo; vejo que o poder, que foi forte e sôfrego, cruel e avarento na minha carreira terrena, ainda prevalece, embora as suas glórias tenham efectivamente esmaecido; contudo, a detenção dessa posição é igualmente cobiçada com ânsia hoje, e a ocupação da cadeira de São Pedro possui tanto poder espiritual como quando estava na terra. Temporariamente o seu poder desapareceu, contudo, a superstição e o medo, inculcado pelas doutrinas da Igreja Católica Romana verão a estranha visão neste século iluminado, do rei da Itália a ajoelhar-se para receber bênção de um homem moribundo nas exéquias do seu pai.
“Volto a ver, como no meu tempo, o mesmo conclave voraz de Cardeais, ávido e sôfrego em torno do homem moribundo, quais bandos de abutres ao redor da carcaça -- não por compaixão pelo Pontífice que está a morrer, mas como parte daqueles que vivem para o presente; e apesar dos remanescentes da cadeira e do seu entorno de ouro puro passarem agora de um mero dourado, vejo que o seu vazio é, e continuará a ser, igualmente disputado hoje. A especulação abunda por entre todo o mundo Católico se pela primeira vez um Cardinal Inglês se sentará como sucessor de São Pedro. Poder, nada além de poder é o que eles buscam. O lugar tem sido ocupado, não por fanáticos infantis, nem por homens que foram escravos da doutrina; por regra, tem sido preenchido por homens de ideias que só se encontrarão nas crianças -- homens que se libertaram da doutrina são aqueles que ocuparam as vagas
“O camponês Italiano, o camponês Irlandês, homens da classe média de ambos esses países, assim como da Espanha, da França e da Alemanha, são Católicos Romanos que seguem fielmente as leis da doutrina, alguns escassamente ortodoxos. Governar homens desses ainda constitui um poder; mas nos meus dias, quando quase todos obedeciam à doutrina -- quando havia mais Cristãos ortodoxos e poucos filósofos -- então era com efeito um lugar a ser envejado -- a ser cobiçado.
“O meu pai preencheu a cadeira vaga de São Pedro; astuto, matreiro -- de facto ele possuía todas as características da terra que o viu nascer: amante do prazer, contudo cioso pelo poder, esmagando toda tendência para a heresia; mantendo uma posição inflexível contra a heresia. Ele amava as mulheres, o meu pai, embora a sua posição de viceregente de Cristo na terra o impedisse de se ajoelhar ao altar e de tornar o seu amor legar aos olhos dos homens. Tivesse visto a minha mãe, tão bela quanto uma Vénus; Vannozza de nome -- a patroa do meu pai; ele, Alexandre VI. Dois filhos e uma filha foram os frutos dessa respeitável ligação do meu pai, e no entanto amava-nos a todos. Eles sobrecarregaram-no a ele e a mim; mas a História aplicou a calúnia vil a alguma demonstração de autoridade, ao citar, deveras, tratar-se de um amor por algo abaixo do amor de uma besta pelos seus filhos aquele com que amara a minha irmã, querendo com isso taxa-lo do crime de incesto com a sua própria filha.
Um dos autores desse escândalo ilícito foi o Duque de Gandin, meu irmão. Eu matei-o. O mundo então acusou-me do mesmo crime -- não de assassinar o meu irmão, mas de incesto com a minha irmã.
“Como pai e filho, ele costumava conversar comigo sobre a possibilidade de eu vir a ocupar o seu lugar. Excitado por tal ambição, eu preenchi qual criança o lugar de Arcebispo de Pampelona, com então apenas treze anos de idade. Posteriormente tornei-me Cardeal de Valentino, e depois arrependi-me de alguma vez ter tido algo a ver com os políticos da Igreja, por os ter achado homens sem escrúpulos ante qualquer acto que fosse, por mais elevado ou ousado ou baixo, ou desprezível, para obter os seus fins. Conseguiam mentir com tal aparência de verdade de modo a enganar o mais atento; as mentiras tão astuciosamente cercadas e guardadas por uma aparente verdade de tal modo que tornava impossível a detecção da mentira -- homens sem escrúpulos me relação a escândalos, por mais impossíveis, improváveis ou condenáveis que fossem; e esses sussurros começavam de uma fonte cuja proveniência desconhecíamos, e acabavam nos palácios dos poderosos. Eu determinei tornar-me secularizado de novo. Eu, que possuía temperamento devido à grande ambição que possuía, tinha muito poucos escrúpulos. Não temia aqueles ministros da religião de Deus. Precisava punir os instigadores de um grave escândalo, embora não impedisse de ser registado. Eu estrangulei quando se sentaram à minha hospitaleira mesa -- quatro deles: eles tinham atingido a dignidade da ralé -- quero dizer, três deles. Apliquei-lhes igualmente a dignidade de um rosto rubro e negro (NT: Símbolos da fama e da morte). Esboçando sorrisos nos lábios, com um aspecto frio a transparecer, voltaram para as casas dos seus grandes penitentes, carregando o nefasto escândalo do amor incestuoso de um irmão e irmã. Deus sabe que ambos nós, o meu senhor, assim como eu próprio, já tínhamos muito por que responder antes o Seu Trono sem precisarmos dar-nos à maçada de carregar tal acusação infame da parte daqueles que, até isso ter sucedido, nunca tínhamos prejudicado.
“Com o crime eu marquei oito dos polidos homens da igreja que formavam parte da corte do meu pai: a sorrir e a esfaquear ao mesmo tempo. O meu próprio irmão eu liquidei com a minha própria mão, conforme já lhe disse; três foram estrangulados na minha própria casa, e quatro beberam pela última vez à mesa do meu pai na qualidade de seus convidados
“Fazer uma limpeza por atacado dessas devemos criar milhares de inimigos -- contrair muitas armas e estiletes apontadas a mim próprio. Busquei então a protecção do rei da França, e recebi da sua parte, em consideração pela piedosa bênção do meu pai, a sua real protecção. Foi-me dado o comendo de uma tropa de cavalaria, para além de uma avultada pensão, e as mais belas das filhas da França cortejou-me. Eu casei com uma, a filha de Jean D’Albrecht, Rei de Navarra. Sou Cesar Bórgia. Penso naqueles dias de altas expectativas que brotaram desse casamento; como, assistido por companheiros de armas, por tropas que me tinham sido dadas, eu conquistei a Romagna (NT: Província Italiana) e província após província caíram ante as minhas armas, tomei de assalto e tomei Valencia, de que fui feito Duque -- até por fim os governos da Itália, despertando da apatia em que se encontravam, formaram uma confederação contra mim.
“O meu pai tinha, por essa altura, falecido. Com todas as faltas que tinha cometido para com os outros, para mim ele fora um pai adorável, senhor. O segundo Júlio preenchei o lugar em vez dele, e era detentor da acção comum da subtileza que os ministros piedosos que aspiram aos mais elevados postos geralmente possuem.
“Eu encetei caminho de regresso a Roma com o propósito de obter protecção da sua parte. Um tirano -- que jogava coração contra coração, direito contra direito, esse novo pontífice. Eu tinha vindo de uma família célebre pela subtil traição. Dei por mim uma criança nas mãos de Júlio (NT: Refere-se a Júlio II, não o sucessor directo do falecido pai) e descobri estar prisioneiro, e a condição de libertação que me foi estendida era em troca da restauração de todas as províncias conquistadas, condição a que eu aquiesci. Não tivera sido por um mal-entendido afortunado que se gerou entre Júlio e o seu subordinado, e eu deveria ter sido aprisionado pelo resto da minha vida; porém, eu fui libertado, muito para decepção do sucessor do meu pai. Joguei-me sob a protecção e reuni-me ao partido da Espanha, onde conheci o corajoso e ousado general espanhol Gonzalves de Córdova (NT: Gonzalo Fernández de Córdoba) que me encontrou na mais amistosa e promissora, e me ofereceu uma protecção não solicitada. Por esses meios pensei em reaver os territórios que me tinham sido arrancados, porém chegou uma ordem vinda da parte do Rei Fernando. Ele era um Católico cioso, igual ao rei Italiano que tinha vindo então para o nosso lado; refiro-me a Victor Emmanuel, rei na altura.
“Ao anexar o território pertencente ao Soberano Pontífice, ele foi contra os seus escrúpulos religiosos com a intenção de assegurar as espectativas da facção que lhe tinha dado o trono. Assim, esse Fernando, que não passava de um instrumento do pontífice e um escravo da doutrina, deu ordens ao general Gonzales de Córdova para me transferir para Bel Campo e para ser preso pelo resto da minha vida. Vocês nunca terá, porventura, tido um cadeado entre si e a liberdade, nem terá tido chave eu lhe tenha fechado esse cadeado, a impedi-lo de escutar o menor ruído que fosse; passado a sua vida num isolamento tão completo, tão total que gradualmente me impressionou na mente forte e vigorosa o facto de me encontrar na minha sepultura, porém, estranhamente alimentado, qual mecanismo de relojoaria, à hora esperada; o meu alimento aparecia por uma abertura que existia no canto da minha cela; o meu leito era mudado colocando-o numa cavidade dessa abertura e fechando uma pequena porta; era então ruidosamente afastada e uma nova posta no seu lugar. Se eu deixasse de fazer a minha cama, ninguém mo exigiria. Durante dois anos nunca escutei o ruído de passadas nem a voz de um ser humano. Quão facilmente se deixa a língua em dois anos! Quão assustadoramente o tempo voa” Quão diferente da descrição! A partir de alguma parte da cela eles podiam ver-me: disse me convenci após paciente observação. Fingi estar doente; apareceram dois carcereiros e um médico. Matei os três e escapei. Podia ter aberto caminho por entre um exército de carcereiros; jurei que as odiosas quatro paredes da cela não mais me poderiam barrar. Com as mãos rasgadas e as roupas em farrapos abri caminho me busca da protecção do meu cunhado, Jean D’Albrecht, Rei de Navarra. Ele recebeu-me com amabilidade, acolhei-me com carinho. Eu, na minha curta vida, senhor, preenchi os índices da experiência de uns setenta anos de certas almas. E eu só tinha vinte e nove quando a morte me veio ao encontro. Eu estava a ajudar o meu cunhado a sufocar uma rebelião mesquinha que se tinha dado num dos castelos dos seus nobres, chamado Viana. Aí levei com uma seta de uma besta, que supurou no meu ombro; e eu passei adiante para a vida superior no outono do ano de 1507, mas em que anos estamos?” (Eu disse-lhe) “Já é 1878; obrigado senhor. Mas quando os homens falarem do Cesar Bórgia, diga-lhes que o principal e superior crime de que a sua memória foi acusada constitui uma mentira falsa e miserável mentira, que, às custas de uma imensa expiação espiritual, ele se esforçou por vingar enquanto viveu. Pense igualmente, você próprio, não nos crimes que me foram imputados, mas pense no amor que os meus soldados me dedicaram; pense no amor que o meu pai tinha por mim; pense no amor que a minha esposa tinha por mim; mas por fim e não menos importante, em Jean d’Albrecht, rei de Navarra: pense no seu amor e protecção quando fui perseguido pelos mais poderosos inimigos. Eu não podia ter sido monstro imundo que a história de mim fez, ou então porque deveriam ter arremessado o seu amor ao meu redor? Não sou isento de culpa; cometi pecados sobre pecados por que tenho que responder; tive a justiça de Deus atribuída a mim -- não ousarei dizer pesadamente, mas a Sua justiça é atribuída por igual a todos. Só que a Sua justiça quase representou a minha aniquilação -- não o sentimento de estar a ser punido por Deus, mas a sensação de não merecer ser visto pelas almas imortais; procurar os mais sombrios recessos em meio a este mundo de profunda obscuridade; de tremura caso os olhos dos homens se possam fixar sobre mim; sabedor de ter recebido a infinita misericórdia de Deus como posse da individualidade pessoal; sentindo no mais recôndito da minha natureza que tinha ainda a Sua justiça a enfrentar. Mas sintam-Se-lhe gratas todas as almas que despertem para a Sua majestade, que a Sua justiça e misericórdia andam lado a lado, e uma visita a uma alma no desespero é uma convidada; caso contrário, a par da consciência da individualidade sobreviria um intenso desejo e sensação de aniquilação. Senhor, eu venho em função da luz, Ore você e todos, por mim.”
A esta altura perguntei-lhe o que o tinha aqui trazido a mim.
“Existe uma aura espiritual a cercar não só este aposento, não só esta casa, mas uma aura que se estende por 30 a 50 metros ao redor da casa -- a sua aura. Possui a organização mais adequada por intermédio da qual os espíritos podem vir e ver aqueles que estão a comunicar consigo, que apresentam o amor de Deus, e que estão a alçar-se à luz de Deus. Os espíritos resplandecentes e piedosos que o cercam, quando vêm estabelecer comunicação consigo, assumem, durante esse instante, a sua aura, que os habilita, aos que se encontram em baixa na escala, mas são despertados para vir à sua presença, e atendem às nossas orações, e por seu intermédio; caso contrário não conseguiríamos suportar a sua presença a menos que envergassem a sua aura. O seu brilho deveria ser o do sol do meio-dia para a vista desarmada -- não poderíamos estar na sua presença e ver a chamada glória desvelada. Então, quando a sua glória é velada, eles falam connosco. Está recordado da razão porque vimos? É para podermos escutá-los. Esta foi a primeira vez que pude ver esses espíritos esplendorosos. Eu tinha escutado vozes nas sombras, a dizer-nos que existe uma esfera mais elevada reservada a nós -- eu digo que o regresso à terra constitui um avanço para mim; eu venho de baixo da esfera terrestre, não tenho esfera, e sou um proscrito da misericórdia de Deus. Tenho uma aparente confiança de que sou ainda cuidado, embora sempre na profunda tristeza e trevas. Não há estrela que ilumine o nosso mundo. Mas hei de improvisar o meu caminho de volta de novo para a esfera que o preconceito da minha mente reclamar para mim. Sei que você viveu uma vida votada ao presente. Sei que você, em diferentes circunstâncias, deveria ter passado por crimes igualmente grandes para alcançar os seus fins. Sei que agora tem sementes no seu íntimo que, se permitir que se enraizassem e estendessem folhas e ramos, o teriam encorajado a um compromisso com o crime. Agora não passam de sementes, mas ore a Deus para que não se estendam. Poderá ter uma vida inteira entre si e os seus objectivos, como muita vez tive uma vida entre mim e os meus. Tal como você, fui detentor de uma vontade de ferro -- não, mais forte que a sua. Quatrocentos anos de expiação, em comparação com a eternidade, não passa de um grão de areia na enseada; e a estrela da liberdade revelou a meus olhos o seu caminho esplendoroso após quatrocentos anos de expiação. Não necessitarei agradecer a Deus pela Sua misericórdia? Ore por mim. Possa Deus abençoá-lo.”
Quando ao tema deste controlo, tudo quanto posso adiantar é -- quase nada conheci sobre Cesar Bórgia até onde o registo histórico vai. Segundo referência da Enciclopédia, descubro que os incidentes relatados são quase literalmente verídicos. Com respeito às observações que fez aos eventos passados, estes são certamente originais, e na minha ideia, dignos de nota; durante todo o controlo, toda a palavra que saiu da boca do médium, mostrou-se muito além do poder que o médium apresenta no estado normal, tal como a mente de um filósofo haveria de se mostrar muito além da de um catraio de um ano. Com respeito a mim próprio, sinto a força assim como a verdade do que foi dito, e só posso dizer que antes de me convencer da sobrevivência da alma e do poder que tem, sob determinadas condições, de comunicar com o homem vivo, eu vivi para o presente. Agora sinto ter um fruto em cuja função viver; e confio de verdade que, com a misericórdia a de Deus, dispor de um pequeno tempo antes de falecer por que possa habilitar-me a compensar os defeitos. A ciência poderá escarnecer e sugerir a ilusão -- a religião poderá lastimar e sugerir influência Satânica. Posso dar-lhe ao luxo de rir do escárnio da ciência e das sugestões de lástima. Estou perfeitamente convencido na minha ideia que estas comunicações são realmente aquilo que apresentam ser, e que ei, à semelhança do médium, não passo de um instrumento nas mãos de um poder superior destinado a um propósito previsto qualquer.

Autoria: Andrew Thomas Thurton Peterson
Médium: William Lawrence
Tradução: Amadeu António