quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

AS MUDANÇAS QUE ESTÃO A CHEGAR À TERRA


 PRIMEIRA COMUNICAÇÃO
Um controlo de Busiris*, o Ancião dos Dias, anotado por Andrew Thomas Turton Peterson a 14 de Março de 1883
*(NT: Segundo William Oxley, Busiris, o antigo autor do épico Maabarata, que não é termo Sânscrito, mas uma maneira de dizer, um elo entre o antigo sistema Indiano e o Egípcio, a que o grande Osíris presidiu, quer dizer “O Que Dá Luz,” e representa o Anjo da Luz, o arauto da nova dispensação.)
(O médium, que em transe dita estes comunicados, é um jardineiro inculto.)
Este foi um controlo muito interessante, pela razão de ter sido feito na presença do meu amigo William Oxley, que tinha acabado de retornar de uma viagem ao Egipto onde tinha andado a investigar os restos de eras do passado. Como o sensitivo nada conhecia do facto de lá ter estado, o registo por si só deveria convencer qualquer espírito razoável de que era um espírito supra mundano quem estava a operar.
O sensitivo de um lance entrou em transe, e disse o seguinte:
Vejo mudanças por toda a parte ao meu redor; mas Tu grande Deus, que não sofres mudança, fica comigo!
Seria bom que houvesse mais presença do espírito de Deus nas mudanças que estão agora a ocorrer. Elas estão a surgir com um poder esmagador, e nós temos anjos dos mais elevados, para preparar os espíritos dos homens para essas mudanças. Elas estão a chegar, uma após a outra, em tal sucessão rápida, que poucos se acham preparados para elas.
Primeiro, na lista dos condenados, o clericalismo mais a sua astúcia. O mundo está todo admirado, desde o tirano mais alto colocado até ao seu mais baixo súbdito. Os sacerdotes interrogam-se com respeito ao insucesso que conseguiram com os mais poderosos esforços do passado, e estão a levar a sério a ingratidão demonstrada pelas massas pelos seus serviços passados. Elas estão a gora a despertar para o facto sério e inflexível de que nem sequer um oitavo das massas fazem parte ou sentem simpatia pelas suas doutrinas. Aqueles que se mantêm à distância, nomeadamente, os outros sete oitavos da população, a que cuidados se votam? Deus continua com eles; eles estão nas nossas mãos.
O domínio do clericalismo é, pois, a mais proeminente e a mais promissora das mudanças que pode ser instaurada na condição da humanidade. O clericalismo diz respeito a esta terra  e é parte integrante da sua história.
Você (dirigindo-se a W. Oxley) que vem da terra que é fortemente dominada por sacerdotes; terra que ultimamente foi cena da usurpação do despotismo e dos éditos do exército contra uma população aprisionada na detestável escravidão da autoridade; essa nação que, de tempos imemoriais tem sido oprimida, tiranizada, degredada e desonrada pelo tecido base da idolatria, cujos sacerdotes deificaram não só os trabalhos das mãos de Deus, mas as mais baixas espécimes de animais; que fizeram da cebola um Deus, e o adoraram no altar da matéria inerte; essa terra cuja grandeza histórica, à semelhança do senso comum e da razão do seu povo, pertence ao passado; por o pensamento moderno e a emancipação do pensamento não ter interesse algum na razão agrilhoada, nem interesse algum numa fé cega e inflexível.
Podereis vós, pois, sentir-vos desapontados com a mudança que, qual onda que brota das asas do impulso espiritual, varre sem resistência toda a nação desta terra? Em vez disso, deixem que seja motivo de sincera felicitação, uma matéria com a qual poderão sinceramente simpatizar, ou seja, com a extensão do direito que o homem tem de raciocinar, e a destruição do domínio idólatra do clericalismo. Essa é uma nação agora afastada da elevada civilização dos tempos modernos; mas pesquisem a sua história e descobrirão que e posicionou orgulhosamente só entre as nações desta terra; grandiosa no seu conhecimento da ciência matemática; grandiosa no conhecimento que teve das aptidões mecânicas; os seus monumentos hoje parecem tão duradouros quanto o próprio tempo.
E depois questionem a Razão quando à causa da sua degradação; e a resposta será: "Por terem dedicado às bestas a veneração que diz respeito a Deus," e essa veneração profana nos ter mantido afastados do seu meio, a nós que adoramos essa terra;  Por nos terem impedido de dar aquela ajuda tão cara que gostaríamos de ter dado; ao nos apresentarem uma barreira impenetrável e intransponível, pois não os pudemos ajudar, por terem desejado que não o fizéssemos.
(Dirigindo-se a mim, que residi e trabalhei na Índia)
E você, senhor, que foi mais que um visitante nessa terra, igualmente degredada, igualmente humilhada; uma terra cuja história, semelhante à do Egipto, se pode gabar de ter dado à luz almas nobres e grandiosas no passado histórico da Índia, e cujo povo actualmente se curva, escravizada, antes um clericalismo tirânico, presa nas grilhetas da idolatria; que dedica a sua veneração a deuses hipotéticos ou atributos que dizem somente respeito a Deus; os dias actuais veem essas duas grandes nações degredadas, e as seus populações escravizadas. As mesmas causas para ambas. Por os Brâmanes terem encontrado uma vida de ócio nos seus locais devotados à veneração dos seus ídolos, e as sereias terem estado sob a sua tutela e foram dedicadas ao templo e aí treinadas na lascívia para gratificação da sua luxúria; e a descendência dessa concupiscência profana foi dedicada ao serviço do ídolo. Em ambas as nações do mesmo modo, estiveram os sacerdotes e a classe dominante, os soldados ou a classe guerreira a seguir, os nobres e os nascidos em berço de ouro a seguir, e por fim os menos considerados -- as massas -- aqueles vencidos pelo longo sofrimento e os desafios cruéis.
"Mas, tudo isso a respeito do quê?" exclama o pensador. "Tudo isso ocorre muito longe de nós para que nos preocupemos. Não pelejamos com as alegações dos sacerdotes; se interferimos é contra a anarquia; contra todo o poder que se oponha ao poder real. Defendemos com a nossa riqueza e os nossos soldados a Prerrogativa Real; mas não mexeremos uma palha contra o domínio clerical."
Mas existe um poder, a que os governantes mortais deram muito pouca atenção na consideração de uma solução para tal problema. Que problema? perguntais vós. O sofrimento do mundo; o sofrimento do mundo. Eu afirmo que não é o mero clamor de uma nação; todo o género humano está a ser injustiçado. A nossa missão ataca esse problema -- "O sofrimento da humanidade." É por isso que deixamos os nossos céus e vimos visitar a vossa terra; é o sofrimento humano que nos apela, e que forma o laço de simpatia que nos obriga a vir. Temos que vir, onde quer que a angústia humana clame. E o tormento humanos está a chamar-nos, e nós estamos a responder-lhe com mudanças que estão rapidamente a suceder. E que é que encontramos aqui? Uma Igreja do Estado moribunda; sete oitavos da população a recusar-se a submeter-se a ela. Actualmente metade da população dos países da terra encontra-se sem qualquer conhecimento de Deus; uma vasta percentagem da humanidade está inteiramente privada de Deus, e nega-o manifestamente; ao pensar, ou tentar raciocinar contra a Sua existência; a ofertar a mais elevada intenção da alma no altar da descrença; a enganar-se com relação à alegria que se acha empossada da crença na imortalidade.
Não faz parte da nossa missão fortalecer a mão daquele que engorda à custa da prosperidade de uma nação, mas que, à semelhança de todos os outros parasitas, acaba por destruir a nação às custas da qual engorda. Volney escreveu no "Surgimento e Queda das Nações" mas não chega nem perto da verdade, como que eu lhes aponto, quando lhes digo "Que todo Império que se extinguiu, e dinastias que quase caíram no esquecimento tiveram apenas uma causa para o seu declínio e mais nenhuma; a falsa adoração e uma religião idólatra." deus não esteve com eles. A queda do império não é inevitável. É na realidade contra a lei do Deus vivo, por tudo quanto é d'Ele se acha sujeito à Sua lei, que é a Progressão; não o declínio da grandeza que passa para a decadência, mas a passagem de uma altura como a perpétua e inalterável; trepar sempre para cima de uma altura para outra, não com o declínio e o enfraquecimento de cada século que passa, como o Egipto nos dias que passaram; como a raça Helénica; como o poderoso Império Mogol (NT: Ou Mugal; Subcontinente Indiano), que passou da grandeza e foi gradualmente prosseguindo rumo ao esquecimento. Era lei divina que ele devesse ter prosseguido para cima, e enquanto nação, tivesse chegado mais perto d'Ele.
Das Nações modernas da terra, será de surpreender que eu afirme, mas não menos verdade, que a nação mais avançada para a mudança espiritual seja a França Republicana. "O quê?" clama o Legitimista, "O Império formado por Socialistas e Comunistas; que outro dia tive as suas praças sitiadas por aqueles cujos peitos traziam inscrições extremamente anarquistas, e cujos actos de tal descrição que a cavalaria montada os teve que manter nos limites da lei; esse Império que destronou os santos, desmantelou a Igreja nacional, e que agora lhes destrói o Deus." Todas essas coisas duras serão proferidas, quando aquilo que digo chegar aos seus leitores, ou seja, que eu nomeei a França, entre todos os Impérios da terra, como o estado mais adequado para a orientação espiritual. E porquê? Por as messas terem chegado ao extremo de tal degradação e miséria, que se sentem desesperadas na sua decisão de afirmar os seus direitos humanitários e reivindicações humanitárias.
Muito foi já alcançado; a tirania do clericalismo afrouxou o domínio que exercia sobre elas, e sentem-se livres; livres agora enquanto povo, para escolher se um Império potente deve cobri-la no manto do esquecimento enquanto nação, quando o mundo não mais a conhecer como uma nação; ou de escolher continuar e raciocinar neste precipício da mudança em que se encontram agora, e escolher, em vez de algum outro retrocesso, erguer-se passo a passo até à orgulhosa preeminência que sempre assiste àqueles que creem em Deus e em si; que creem ser imortais, e que Deus os tenha colocado além do alcance do tempo. Eles encontram-se preparados para os nossos comunicados; permitem-se um solo virgem amadurecido para a nossa acção. Só precisamos revolver esse solo para colher uma boa sementeira, se eles nos receberem; pois qual é a nossa missão? É conceder Deus de novo ao homem. O HOMEM VIU-SE FURTADO DE DEUS POR PARTE DO HOMEM, e nós dar-lhe-emos Deus de volta uma vez mais. Não temos outra missão, e concedemos de novo Deus ao homem, quando dermos ao homem o conhecimento da sua própria imortalidade.
Mas voltemos a nossa atenção aqui para mais perto de casa; para a terra natal. Aquelas nações a que fiz alusão no começo deste controlo, tiveram uma existência como poderosos Impérios, quando os sacerdotes desta nação (Inglaterra) veneravam e sacrificavam nas clareiras das florestas silenciosas, nos seus círculos de pedras toscas. O poderoso Império da Índia desta nação, assim como aquele do Egipto, a grandeza de ambos encontrava-se em declínio quando os vossos antepassados usavam ao redor do lombo os couros e as peles de animais, e pintavam os seus corpos, Mas esses Impérios, no apogeu da sua grandeza, não foram tão grandiosos quanto o vosso império o é actualmente; por esta ser a era do pensamento emancipado. É a era que responde pela grandiosidade do Império. Quanto maior for o conhecimento da alma, maior será o império. Quanto mais espiritual, maior será a liberdade. Quanto maior for o conhecimento da imortalidade, maior será a felicidade. Existe, pois, um pensamento elaborado nesta era, por lhe pertencer e formar a era. Mas agora é suscitada a questão: "Quem será emancipado?" ao que eu respondo: "Quero com isso referir-me àqueles que pertencem à era e ainda fazem parte dela." Vejamos o trabalho que esperamos do pensamento emancipado. O primeiro e último resultado é o benefício da humanidade. Não há outro resultado que possa brotar do pensamento emancipado. A ciência alega ter feito isso. As suas descobertas aliviaram as angústias do homem; aqueles que estão na química, mecânica, assim como no Espiritualismo; por os maiores pensadores do mundo científico confirmarem e reconhecerem  um Autor, um Governante Divino, um Criador, um Deus.
mas voltemo-nos da ciência, e escutamos as alegações da religião sancionada pelo Estado. Nenhuma ideia pode ser tão perniciosa quanto a que é governada pelo Estado, e protegida pelo Estado; por envolver uma aliança de carácter profano, e a sua história passada ensinar esta lição, de que o Estado promove um partidário ou um participante no seu governo, o que trará uma extinção certa. A religião de Estado, de acordo com a história imita uma humildade que não sente, assume uma docilidade que não possui, e por mais pura e santificada que tenha sido no seu começo, baseada como se acha agora na injustiça e no erro, deverá certamente contaminar-se. É isso que a história ensina.
Não precisamos  referir-nos mais àqueles impérios que caíram no esquecimento; mas continuemos aqui próximo, aqui na sua terra natal; e a referência adicional que fizermos aos tempos do passado será breve. Deixamos à sua imaginação ver a simplicidade dos pescador Galileu da antiguidade, e o Mestre a quem serviram; as vidas piedosas que levaram; a fé simples das suas vidas repletas de bom empenho; o seu sofrimento e provações, até que chegou o dia em que o Estado se uniu a eles, mas eu vou passar sobre esses incidentes tão presentes na lembrança para lhe trazer à atenção as mudanças dos dias de hoje.
O antítipo (contraste) do Galileu constitui um homem muito diferente. Possui desejos diferentes; mais dispendiosos e e ideias mais caras. Ele não pesca pelos peixes, mas pela riqueza. A sua habitação não é a choupana junto ao rio, mas habita um palácio caro dotado de vasto jardim e muros altos para impedir que a curiosidade dos moleques esfomeados vejam os únicos habitantes, que geralmente são um pónei de estimação ou um burro. Pegue numa das paróquias mais sobrelotadas da Metrópole e cruze o rio comigo. Vejamos o Palácio Lambeth, e a vasta área em que se situa; os altos muros que separam daqueles que não veem um jardim tratado faz anos. Um homem bem diferente, de facto; mas, que foi que esse antítipo disse: "Eles possuem o mais pobre clero entre eles."
Eu digo, maior a vergonha então, a do sistema, que observa dois graus extremos, alguns que recebem os seus oito ou dez mil por ano, enquanto outros recebem um salário que mal dá para se manter vestidos decentemente para ir para o trabalho. De facto, não fora por a Sociedade os vestir (Estou a referir-me aos pobres Párocos da Aid Society) e esses indivíduos seriam incapazes de ocupar as suas funções. Eles estão a desonrar-se a eles próprios e a enfrentar diariamente a desonra por estarem a fazer um bem comercializável do viver nas suas terras, e a tornar-se no desprezo e motivo de riso entre os homens que pensam.
Mas estão a fazer pior do que isso, Firmes e Fiéis, estão a deixar os homens ficar sem Deus. Disso os acuso eu; acusá-los-ei sem hesitação, quando o dia chegar, na vossa plataforma sobrelotada, com uma autoridade somente equiparada à simples piedade dos guias tementes a Deus do passado. Eles tornaram-se numa abominação aos olhos do Deus vivo. Estão repletos de alarme ante a vaga do Ateísmo, que varre de lés a lés esta terra. Clamam que é a onda da Democracia que procura varrer a lei e a ordem, mas não estão a falar verdade. Estão a mentir. É o homem ansioso por conhecer o seu Deus. A Igreja não lhes deu Deus a adorar; deu aos homens uma veneração da forma e da cerimónia. Instauraram um sistema de idolatria, que implica num curso de degradação, a menos que a responsabilidade seja ensinada ao homem, a menos que a imortalidade do homem seja conhecida, e Deus seja reconhecido.
Possa Aquele que não sofre mudança ficar consigo. (Dirigindo-se a W. Oxley) Deu-se muito pouca mudança desde que esteve na presença do sensitivo. Uma vez mais peço a bênção de Deus para ambos e todas as Nações, porquanto assim como acontece com um indivíduo, assim sucede com uma nação, por sem Deus nenhum poder prosperar.
Este foi para mim um controlo muito agradável e instrutivo. A longa residência que tive na Índia, e a visita que W. Oxley fez ao Egipto proporcionaram trampolins de pensamento para “Busiris” comparar a sua anterior grandeza com a presente condição baixa. Ambos os Impérios tinham esquecido o seu Deus, e fizeram deuses dos atributos de Deus e de animais, assim como do trabalho prático do homem. O controlador realçou incisivamente que o declínio não é condição necessária de um Império, e que só quando esquecem Deus e as Suas leis, e quando a reverência e adoração do homem é dada aos dogmas e teorias imperfeitas, que eles caem.
As Igrejas estabelecidas pelo Estado, e que só exercem influência sob a força do Estado, não podem durar. Deus concedeu o livre pensamento ao homem, e todas as tentativas por regular esse pensamento por qualquer credo ou dogma fixo, salvo e excepto a crença na existência de um Criador omnipotente, magnânimo, beneficente e imutável, Senhor e Doador de vida, junto com a compreensão da imortalidade do homem, deverão desaparecer. O verdadeiro templo de Deus tem lugar no coração do homem; um templo não criado pelas mãos humanas. Em verdade o controlador diz: “Foi o homem  que furtou Deus ao homem.” Na nossa moderna religião Cristã, na verdade substituímos Deus pelo homem Jesus. A Paulianianismo seria termo mais adequado para a religião moderna.

SEGUNDA COMUNICAÇÃO
15 de Março de 1883
O meu amigo, Wiliam Oxley, uma vez mais participou comigo, e tivemos um novo controlo da parte de Busiris, o “Ancião dos Dias,” que foi não só uma continuidade do controlo do dia anterior mas, de facto, uma continuação de diversos que tinham tido lugar antes, sobre o presente estado do pensamento, e as mudanças que se assomam num futuro não muito distante.
O sensitivo entrou em transe, e disse:
Sim, caros irmãos, Fiéis e Inabaláveis, estão ambos acertados na ideia que têm de que nós mudamos o campo dos nossos labores.
A certa altura foi nossa intenção educar as massas por intermédio daqueles que tínhamos educado anteriormente. Essa era a nossa intenção primordial, que formava parte integral da base do nosso programa; mas, para que não sejamos acusados de inconsistência, é meu dever, a bem do vosso entorno unido, explicar a razão por que nos desviamos do plano inicial, a fim de alcançarmos o mesmo resultado.
É simplesmente o seguinte: Descobrimos que, onde esperávamos uma perfeita unidade e conformidade em trabalho e acção, encontramos desunião; e o nosso campo, o qual, para ser mantido de uma forma bem-sucedida devia ser guiado como um homem, descobrimo-lo cindido em partidos e facções; uma a rejeitar, enquanto a outra a proclamar-se a favor das mesmas recomendações, da mesma doutrina. Essa negação não procedeu somente daqueles originalmente selecionados por nós como líderes, mas são, não obstante, úteis como indivíduos, na propagação das verdades espirituais. Isso, digo eu, aparte as suas extravagâncias. Eles são, caros Fiéis, líderes autoeleitos, que trabalham consistentemente de acordo com as perspectivas que têm, para a honra de Deus e o benefício do homem. Só que ergueram as suas bandas em piedoso horror contra os pareceres que são necessários para tornar o conhecimento da imortalidade universal.
Ataquem a religião do Estado; sussurrem um murmúrio a favor da reforma da religião, e eles revelam o seu horror. Nós fizemos mais do que isso; fizemos mais do que sussurrar, caros Fiéis. Os nossos ensinamentos foram trovejados. Para nós, pois, caros e fiéis servos, só existe um curso a tomar; ou seja, encarar aqueles que não são a nosso favor, ou que não estão connosco, como estando contra nós. Por isso, consequentemente, fomos obrigados a desviar-nos dos planos originais, e a ensinar as massas directamente. Esse curso tem sido necessário, por virmos a ter poucos líderes capazes na carne, e, por isso, é necessário que façamos o que de outro modo o seu diminuto número nos impedirá de fazer – ajudá-los no preparo das massas para os acolher; e nós estamos a fazer isso, Fiéis, em todos os lares. Aos poucos, os nossos líderes na forma passarão uma confirmação de longe mais forte do que a das sagradas escrituras. Os nossos sussurros são escutados directamente pela mãe ansiosa. O marido e o pai negligente é detido no seu caminho da dissipação, e o seu caminho volta-se para o lar.
Nós falamos conforme falamos ao  longo das eras, só que com um poder mais forte agora, e porquê? As nossas mãos são fortalecidas, por o único matrimónio, Fiéis, ter tido lugar; o matrimónio entre o Conhecimento e o Cristianismo. Foi isso que nos tornou em gigantes em força. A ignorância está a desaparecer das massas, como a névoa da manhã, que é clareada pelos raios do sol da verdade educativa, e os homens estão a pensar; os homens estão a raciocinar, e nós estamos a ajudá-los a fazê-lo.
Verdades Espirituais significam verdade na sua forma mais pura. Se não quiser dizer isso, não quer dizer nada. Verdades Espirituais querem dizer liberdade, e o primeiro passo rumo à liberdade das pessoas, seja Deus testemunha por intermédio dos Seus servos aqui reunidos, está a conduzir o mundo daquele pesadelo tirânico que forçou com um peso intenso os povos de todas as nações; um íncubo de que só o conhecimento os pode libertar. Refiro-me àquele íncubo – o execrável clericalismo que esqueceu a Deus. Aquele clericalismo que é usado como agente político; aquilo que muda a natureza de um homem na de um fanático. Vejam a primeira ordem do clericalismo trazida à existência pelo comando dos anjos do céu; sancionada pela vontade do Deus Supremo nas alturas, o clericalismo dos filhos de Israel; uma ordem que acalentamos, que amamos, mas uma ordem que não podíamos amarrar, por Deus ter deixado a vontade do homem livre. Que foi que fez a tribo de Levi, aquela porção da tribo dedicada ao serviço de Deus, e eleita por nós? Encheu os templos de devassos, até as nossas vozes se erguerem contra aqueles que nós próprios aí colocáramos. Eles transformaram os seus templos em enormes armazéns, onde os mercadores faziam comercio, e onde era preciso a voz de um Príncipe entre os homens para os advertir, os descendentes da tribo sacerdotal de Levi, por terem esquecido o seu ofício, e estarem a desonrar a sua natureza, e a propor a blasfémia em vez de venerarem a Deus, ao transformarem aquilo que deveria ser uma casa de oração num covil de ladrões.
Depois disso surgiu um Constantino, que, com o seu consentimento, lhe consagrou a protecção de Estado. E depois? Pois, corações bondosos foram transformados por meio do conselho sacerdotal em corações de feras selvagens e não de homens; que estavam então mais ansiosos por juntar riqueza, maior poder, contribuir com uma maior infelicidade e uma maior degradação para aqueles que já sofriam além do poder da humanidade. Instituíram uma Igreja superior, um Pontífice superior ou dirigente, tão grandioso que reis se sentiam honrados em segurar nos seus estribos, ou por beijarem as solas dos pés. Essa foi a humildade, essa foi a religião, que fora pregada por ele, que não tinha onde reclinar a cabeça., Daquele que advertira os seus seguidores para não se preocuparem com o amanhã, porquanto Deus proveria para eles, caso fossem fiéis; por aquele que aconselhara que se o vosso irmão vos ofendesse repetidas vezes, para o perdoarem tal como vós haveríeis de esperar misericórdia. Não será isso um travesti de toda a doutrina do Cristianismo puro?
Depois eclodiu uma grande mudança de reforma, em que o clericalismo durante um tempo correu perigo de vida.; em que um rei olhou ao redor para o seu povo sofredor, e viu que tinha chegado o tempo em que não podiam suportar mais o erro sacerdotal; porque então, meus Fiéis, os meus olhos testemunharam que eles estiveram mergulhados até aos cotovelos no sangue dos seus colegas; e tudo isso foi feito em nome de um Deus amante da paz. Infelizes foram os lares dos homens; um amado membro da família foi muita vez afastado do seu lar em nome de Deus, e os seus queridos souberam que ele estava a habitar uma cela repugnante em algum masmorra, e que tinha sido torturado até quase morrer, e que ninguém deveria apiedar-se dele; por que o que tinha sido feito, tinha sido feito em nome de Deus.
Bradou o perdulário da casa dos Stuart Carlos II:
“Quem são estes homens que erguem as suas vozes contra o submissão?” E quando veio a resposta de que se chamavam a si próprios “Amigos.”
“Eles não têm sacerdotes,” bradaram os Arcebispos da época: “São rebanhos sem pastor que os conduza.”
“E que forma de adoração é a que usam?” perguntou o monarca de tez morena; e foi-lhe dito – “A oração em silêncio, a menos que sejam movidos a uma oração em voz alta pelo Espírito.”
“Tragam um deles diante de mim,” bradou o Rei; e quando ele foi à presença do rei, respondeu ao rei nos seguintes termos:
“Vejo um mundo inundado por pretensões infames; vejo a ambição sacerdotal e cobiça a encher a terra e não quero ter nada que ver com essa iniquidade; nem serei baptizado nas vossas igrejas, nem os meus; não serei enterrado com os vossos ofícios, mas adorarei a Deus de acordo com a minha razão e consciência.”
“Arrasem as suas igrejas; arrombem as suas casas com qualquer desculpa; multem-nos por não comparecerem; que as multas não sejam inferiores a vinte libras, contudo não tenham margem limite, de acordo com a severidade da transgressão,” bradou o Monarca. Ao que esse amigo respondeu:
“Eu e os meus adoraremos a Deus nas ruínas das nossas capelas, e quando daí formos expulsos, tão grande será a nossa exultação pelo reconhecimento da nossa imortalidade, que havemos de venerar a Deus nas ruas públicas; e se daí formos expulsos, haveremos de O adorar, vivos ou mortos, sem a intervenção dos padres; por o sangue dos seus compatriotas lhes estar nas mãos, e não clamar em vão.” E esses homens foram postos para fora como cães das ruínas das suas capelas; as ruas ficaram inundadas do sangue dos seus velhos e velhas, até que, saciado com essa vingança, o Monarca lhes permitiu, sob a orientação de Penn, (NT:Wiliam Penn, fundador do Estado da Pensilvânia) instalar-se naquela terra que Deus tinha abençoado, que Deus continua a abençoar com paz e fartura. Aí tiveram liberdade para viver, enquanto aqui foram condenados a morrer, sob a presumível sanção de um Deus amável.
Antes disso tinha vindo o tempo em que um Monarca voraz e tirano ousadamente deitou as mãos aos seus mal adquiridos ganhos. Tudo por a Igreja ter atraído a sua própria desonra, por meio dos seus sacerdotes, sempre iguais a si próprios em crueldade. Lutero tinha denunciado a Igreja de forma ousada e sem hesitação. Será que o sacerdócio se deixou dessas práticas vis? Pararam com a sua crueldade, a sua ridícula idolatria? Não; tornaram-se mais ardentes, mais ferozes, mais ansiosos de pegar os hereges e de os condenar à morte. Você, meu caro sensitivo, ouviu o controlo que Erasmus aqui fez. Que atenção deram eles ao trovejar e às denúncias que ele fez na Holanda? Giovani Bocácio no seu bastião riu-se das suas pretensões e não deixou de tornar pública a sua depravação. Ainda assim, não deram atenção. Só que a verdade por fim prevaleceu, as pessoas foram incitadas; as poderosas massas deste país, afundadas na ignorância, mantida dentro dos limites. Ainda assim puderam pensar, mas o seu raciocino não as levou a decisão nenhum, e elas cederam na sua adesão à Igreja. E depois temos o reino da sua filha mais velha; uma que, sob a orientação sacerdotal, inundou esta terra imparcial com o sangue dos seus nobres, em nome de Deus. A sua meia-irmã, rainha por sua vez, mais nobre e mais generosa em tudo o mais, foi igualmente cruel sob o governo sacerdotal. Também ela fez o máximo que pode para provocar um choro amargo por todo o seu vasto domínio, e isso em nome de Deus.
Mas essas eras, esses séculos de trevas, já passaram. Idade das trevas! Sim, mas enegrecidas somente pelo governo dos sacerdotes. Em vão Homero da antiguidade ensinou a verdade, e Sócrates revelou a imortalidade da alma. Em vão Chaucer orou e labutou, em vão Milton dedicou ao altar do serviço de Deus anos da sua vida; em vão surgiu ele da luta um homem cansado e cego. Lindsay, o Chaucer Escocês, fracassou; mas porque fracassaram todos eles? Por uma grande coisa estar em falta, que esta era do pensamento moderno forneceu. E devemos dar graças a Ele, ao Poderoso e Misericordioso, por agora disporem dos meios. O alicerce já está a surgir da fundação justa, fundação essa que é assente pela educação universal.
O conhecimento está para a ignorância como a luz para a escuridão. São termos correlativos, mas não há diferença de significado entre si. A era das trevas passou, ou, por outras palavras, passou o tempo das massas serem, enquanto massa, ignorantes; a idade da luz chegou, ou seja, do conhecimento universal. O mundo nunca viu nada assim. A anarquia não pode brotar do conhecimento. Um povo educado não pode produzir anarquia. E o poder usurpado constitui anarquia. Então apenas aqueles que combatam o conhecimento poderão, nesta era da luz ou conhecimento, ser culpados de anarquia; eles próprios um poder de oposição. Quem poderão eles ser? Os sacerdotes são forçosamente os anarquistas desta era. Quando esta era tiver progredido mais, eles serão os primeiros a lutar contra o conhecimento universal. Os homens nunca até agora gozaram de oportunidade tão favorável. Sei, junto convosco que descobertas em filosofia e ciência tiveram que se curvar quando as massas padeciam da ignorância e os sacerdotes se encontravam no poder; mas a luta terminou favorável para o filósofo e o cientista. Era então uma mera luta para reter o poder, mas esta luta de que agora estou a falar, é a luta dos padres pela existência, uma luta por reter aquilo que foi acumulado durante séculos, uma luta para impedir que isso fosse na direcção do alívio do sofrimento e infelicidade que existiam nesta terra. Eu afirmo que é dificilmente é compreensível a quantia de dinheiro que podia ser consagrada a esse propósito, caso o acúmulo da Igreja do Estado fosse entregue. Eles haviam de dispensar educação livre por toda a terra, para sempre, e ainda assim deixar um imenso resto.
Que venha a ser uma luta contra o conhecimento, e que essa luta esteja a começar é mais do que evidente para qualquer oponente destas perspectivas, que na realidade são as verdades do futuro. Não me refiro a um futuro distante, mas a um futuro próximo e imediato. A Igreja Irlandesa está separada, e a Irlanda é livre. O mesmo acontece com a Escócia; e deverá necessariamente seguir-se que a Inglaterra venha a reivindicar a liberdade religiosa -- liberdade de consciência, e da privação daquilo que, no passado, foi um instrumento de tortura; em todas as eras intolerante, e o mesmo seria hoje, mas que só os nossos esforços o impediram. Vimo-nos obrigados a alterar o nosso plano; sim, caros Irmãos, no mesmo trabalho em que nos encontramos. Sabíamos que só tínhamos um curso a seguir, independente do horror piedoso de experientes Espiritualistas, que ergueram as suas vozes num descontentamento enraivecido quando atacamos, por mais sinceramente que fosse, os costumes religiosos do passado, que formam as instituições religiosas do presente.
Mas, meus caros servos de Deus, que a nossa doutrina seja a verdade, ou abstenhamo-nos por completo da liderança. Amor e obediência são devidas unicamente ao Ser Supremo, o qual é idêntico ao Deus da verdade, além do qual não há outro que se lhe compare em majestade ou poder; que dotou o homem de vida e que ensinou que, desde o começo da sua existência terrena até ao último instante do tempo, a sua vida deveria ser devotada unicamente a duas coisas, Primeira - ao seu Deus; segunda - ao seu semelhante. Ao servir os seus companheiros o homem constrói o seu futuro; ao obedecer a Deus ele educa a sua alma; consequentemente, não pode existir nenhuma outra verdade senão esta; a de que tudo quanto Deus trouxe à existência, tudo quando dotou de forma, é bom, é progressivo; que não há nada que Ele tenha criado senão o que progride, e que o trabalho das Suas mãos dura para sempre. Nenhuma das criações de Deus tinha sido eliminada. Tudo quando Ele fizera foi considerado digno da Sua lei do progresso. A maior das criações foi a Alma dos seus filhos; para além disso, não existe nenhum outro dos seus trabalhos que se lhe possa comparar. Se, pois, toda a criação menor é produzida com base nessa leio do progresso, com certeza que o Seu esforço mais elevado, o Seu maior trabalho, o Seu plano mais nobre deve ter cabimento nessa regra; e não deve estar em conformidade com a doutrina do clericalismo, passível de ser colocada fora dessa lei; passível por actos praticados, de mudar o Deus que é imutável; de tornar a sua misericórdia em crueldade, o Seu amor em crueldade, e o Seu perdão em condenação imutável e interminável. Isso, um corpo de homens, que por meio da sua vontade de o ensinar, ensinam blasfémia; quer esse corpo seja constituído pelos maiores de todas as nações, ou pelos maiores de uma só, não importa. Isso não altera a verdade, por maior que seja a sua autoridade, por maior que seja a protecção que tenham do rei, das Escrituras, ou do pergaminho, não importa; não altera a verdade, que é imutável, nem altera a blasfémia, que é enganosa.
Possa Deus no céu abençoá-los a ambos, e possam vocês permanecer fiéis até ao fim, até poderem regressar e prestar testemunho, colher os frutos dos vossos labores e do vosso bom trabalho na forma.
Autoria: Andrew Thomas Turton Peterson
Tradução: Amadeu António

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

O VERDADEIRO CERNE DO PODER - AMOR E VONTADE



Vamos falar da vontade, da vontade que pode abrir acessos, novos acessos para novas criações e manifestações.
Vamos falar de amor e de vontade, de modo que consigam activar e utilizar o vosso verdadeiro âmago, o vosso poder, de modo que comecem a operar uma magia como nunca antes, e de forma que os milagres abundem na vossa realidade e no vosso mundo.
Temos comummente falado da situação em que se encontram. Em certas alturas falamos das bordas em que cambaleiam; também falamos das bermas, das orlas da felicidade e do sucesso e da realização em que se encontraram. Mais recentemente fizemos menção ao pináculo, ao ápice em que se encontram. Conquanto gostem ou desgostem da posição em que se encontram, isso constitui um pináculo, representa o vosso pináculo. Outros poderão ter ápices mais elevados ou inferiores ao vosso, mas a posição em que se encontram representa o vosso pináculo.
Conquanto tenham sido conscientes, ou tenham fingido ser inconscientes, encontram-se agora no vosso pináculo, e torna-se válido reconhecer e admitir. Torna-se válido quer perdoarem-se ou aceitar a posição em que se encontram. Assim, pois, quer gostem ou desgostem dela, quer sejam conscientes ou finjam não o ser, poderão continuar o vosso crescimento e a vossa mudança e a vossa evolução com uma maior felicidade e com um maior sucesso; poderão prosseguir com uma maior magia e uma maior intenção e uma maior abundância de milagres na vossa realidade.
Encontram-se no vosso pináculo, que poderá não ser um pináculo muito elevado segundo a definição que lhe dão, e que pode não ser o pináculo em que pretendiam permanecer, mas vós estais sobre um pináculo, e reconhecer o facto, conquanto lhes agrade ou não isso; admiti-lo, por mais conscientes que sejam ou inconscientes que queiram ou pretendam ser. E de seguida quer perdoar o facto de não representar o pináculo que gostam, ou aceitar, caso seja ou mais ainda do que gostariam. Porque aí conseguirão avançar, aí poderão avançar com a solidez da intenção, e mudar, crescer, evoluir; mais felicidade, mais sucesso a partir dessa ratificação, desse reconhecimento, e a partir quer desse perdão ou da aceitação.
Por o dizermos frequentemente, e o voltarmos a dizer agora; encontram-se aqui e encontram-se sobre um pináculo, e desse pináculo descortinam-se muitos horizontes que fazem parte da característica do que compõe um pináculo: posicionar-se numa situação em que dispõem de uma vista de 360 graus de horizonte. No que uma borda ou uma berma podem diferenciar-se bastante de um pináculo, que é único por apresentar um horizonte de 360 graus. E agora encontram-se nesse pináculo que é o vosso pináculo, e a partir dele têm 360 graus de horizonte a chamar por vós.
Alguns desses horizontes são chamados de passado, e clamam por vós, porventura com um chamado (canto) de sereia, porventura com o apelo do assombro, e chamam por vós para que voltem, para que retrocedam, para que recuem, para que se retirem para o que foi; para regressarem ao que se perdeu e arruinou. Clamam por vós para que porventura compitam ou aperfeiçoem aquilo que ficou desfeito. Clamam pela repetição dos sucessos e dos fracassos que tiverem tido. Existem também horizontes que são chamados de presente que também têm voz, que também chamam por vós. Esses horizontes clamam por vós porventura por meio da voz do temor ou da voz da ansiedade, ou porventura do pavor e da dívida. Clamam pela vossa segurança, pela vossa satisfação, para que se acomodem na complacência. Chamam por vós e tentam convencê-los de que precisam corrigir todas as fraquezas e sanar todos os males ou não conseguirão, não avançarão em frente. Essas vozes do presente clamam por vós tentando convencê-los de que fazer suficientemente bem é o mesmo que ser suficientemente bom. E parte desses horizontes são horizontes do futuro, e eles também têm voz; têm a voz da imaginação, têm a voz da esperança e da luz; têm a voz do dinamismo, da ressonância, da complexidade, que chamam por vós para o que será, e para o que pode ser.
Não se façam surdos para o chamado do passado ou para o do presente. Não se façam cegos para tais horizontes; jamais lhes encorajaríamos tal cegueira ou surdez. Permitam-se escutar e ver com consciência e compreensão, os horizontes e os chamados do passado, os horizontes e os chamados do presente. Prestem atenção ao passado e ao presente, mas cultivem, gente, aprendam dos horizontes e do chamado do futuro, por aí poderem encontrar o perdão para poderem libertar o passado e as suas exigências de perfeição e de competição. Aí poderão descobrir a confiança que permita a mudança e a cura dos males e das fraquezas.
Aí, nos horizontes do futuro, nos chamados do futuro, aí poderão encontrar o poder e a presença para libertarem o que foi, para renunciarem de forma que consigam avançar, de forma que consigam passar do vosso pináculo com brio para o que vier a ser e para o que pode ser. Vós posicionais-vos nesse pináculo, a e a partir desse pináculo avançareis – AVANÇAREIS!
Ora bem, só é preciso uma decisão e uma ligeira escolha, (riso) para avançarem para o passado… De certeza que o colocarão diante de vós em termos cronológicos, mas para se moverem para o passado precisa-se apenas de uma simples decisão e de uma ligeira escolha de se recuar e de se contrair; retirar-se para o que foi e para o que está desfeito – repetir os vosso sucessos mas também repetir os vossos fracassos. Uma simples decisão e uma ligeira escolha.
Do mesmo modo exige uma decisão bem simples e uma ligeira escolha mover-se na direcção dos horizontes do presente, sim; haverão de os colocar num padrão qualquer repetitivo algures por aí, absolutamente, mas eles nada mais serão do que a repetição daquilo que era – sentir-se seguro, fixar-se, o contentamento que em breve se torna numa complacência, ao tentarem corrigir, curar, corrigir, curar, ao tentarem corrigir e sanar essas fraquezas e esses males. Tentando fazer suficientemente bem, suficientemente bem para de alguma forma serem suficientemente bons; fazer o suficiente para serem suficientes! E perceber que ausência de escolha é uma escolha, e que a indecisão constitui uma decisão.
A simples escolha, a mais ligeira das escolhas pode equivaler a uma atenção e a um olhar consciente, assim como pode parecer inconsciente, cega, surda; e decidir não se mexer do pináculo:
"Afinal, não preciso! Eu consigo aqui mesmo, no meu pináculo.”
Haverão de se mexer, e por conseguinte terão escolhido, com tal desafio, quer os horizontes do passado ou do presente. Haverão de responder às sereias ou aos apelos assombrados, ou aos apelos do medo e da ansiedade. Para responder aos apelos do passado ou do presente precisa-se apenas tomar uma simples decisão e uma ligeira escolha - que a ausência de escolha e a indecisão representam. Para responder aos apelos do futuro, para se moverem por esses horizontes, exige igualmente uma decisão, e também exige uma escolha, só que exige algo mais, algo que tem um quê de misterioso e de místico. Exige algo que pode ser mágico e que pode ser miraculoso.
Bom, o que esse algo mais representa varia para cada um de vós. Pode ter vários nome se descrições, mas exige esse algo mais. O que lhe chamamos é ressonância, uma onda permanente que é mais poderosa dos componentes a partir dos quais emerge. Ressonância! Chamamos-lhe sinergia – um todo que é mais grandioso do que a soma das suas partes. Nós chamamos-lhe o vosso poder central, que é composto de amor e composto de vontade – do vosso amor e da vossa vontade. Ora bem, cada um desses componentes - amor e vontade – são frequentemente vistos como antagónicos um em relação ao outro, como uma contradição um do outro, mas ainda assim, cada um desses componentes trabalho no sentido e contribui para o mesmo fim; cada um deles, embora pareçam estar em oposição, trabalham no sentido de e contribuem para o mesmo fim.
Por amor, por exemplo, anseiam e estendem-se a fim de permitirem que os outros sejam reais, de modo que vós possais descobrir o vosso próprio realismo. Por amor vós ansiais e estendeis-vos a fim de conseguirdes descobrir os segredos de outro, de modo que consigais descobrir e revelar os segredos de vós próprios. Pela vontade, por exemplo, vocês anseiam e estendem-se a fim de conceder um maior realismo a vós e ao vosso mundo, de modo que consigam descobrir uma genuinidade ainda maior em vós próprios, e de forma que possam tornar-se ainda mais reais. Com ambos, amor e vontade, procuram moldar e de seguida reformar a vós próprios e aos outros. Procuram formar e de seguida reformar a vossa realidade e o vosso mundo. Ambos esses componentes trabalham no sentido, e contribuem para o mesmo fim; mas ainda assim, o amor destituído de vontade, corre o risco de ser deformado, e pode deteriorar-se numa fantasia e nos dramas e melodramas que a compõem; pode desintegrar-se na dor mais no seu sadomasoquismo. Ou na apatia, mais a sua violência.
E vós já assististes a isso no vosso mundo; já viram aqueles que amam mas a quem falta vontade, e cujo amor é destituído de vontade, e já viram como esse amor é retorcido, como se terá deteriorado na fantasia, repleto de drama, repleto de melodrama. E como se terá desintegrado em dor, perdidos de amor uma e outra e outra vez. Com o seu sadomasoquismo, a dor que conduz à punição dos (companheiros) ou ao castigo da própria pessoa. Já viram como o amor se pode tornar em apatia, e como ela pode conduzir à violência que se segue.
O amor sem vontade pode tornar-se retorcido. Contudo, a vontade destituída de amor pode ser distorcida, e com as distorções que pode sofrer, pode igualmente deteriorar-se com a manipulação, com uma manipulação teimosa, obstinada e intimidatória. Nessa distorção, pode igualmente desintegrar-se e resultar em controlo, num controlo aprisionante, chocante, destrutivo. E também já assistiram a isso no vosso mundo, onde a vontade, presente e destituída de amor se tornou distorcida e destrutiva, na deterioração ou desintegração que apresenta. E aqui reside o mistério e o aspecto místico, porquanto quando o amor e a vontade, cada um desses aspectos individual e único, cada um com os seus limites e as suas funções; quando o amor e a vontade, cada um ligado e abraçado, ou combinado, uma de várias coisas podem ocorrer.
Quando combinados, podem homogeneizar-se, podem perder os limites e a identidade; podem homogeneizar-se e perder a sua singularidade e particularidade e tornar-se numa gosma insignificante. Conquanto seja esotérico ou amorfo ou cósmico conforme lhe poderão chamar, ainda assim não passará de uma gosma insignificante, quando o amor e a vontade são homogeneizados. Contudo, quando combinados também podem criar uma suspensão, enquanto mantêm os seus limites e funções individuais, enquanto mantêm a singularidade que têm, e nessa suspensão pode emergir um dinamismo de energia e de força.
Quando combinados podem competir de uma forma competitiva, combativa, ao tentarem destruir-se mutuamente. A vontade a tentar esmagar o amor, o amor a tentar sufocar a vontade, enquanto no processo se destroem um ao outro igualmente. Chegando um a tornar-se demasiado eficiente, e a alimentar-se do outro. Assim como poderão competir de uma forma construtiva, ao suscitarem o melhor em cada um. E com a individualidade e singularidade que os caracteriza e com a definição de divisão e de função, criam uma complexidade de que poderá emergir uma ordem superior de criatividade. Quatro opções.
Quando combinam esses dois componentes únicos e particulares, claramente definidos na sua demarcação e função; quando cada um é tocado e abrangido por uma combinação assim, uma de quatro coisas podem ocorrer - ou talvez duas. O que representa o paradoxo que reside no vosso cerne verdadeiro do poder. No vosso verdadeiro cerne, com a concorrência dessa combinação de ingredientes, tanto pode destruir como criar. Tanto pode homogeneizar-se como tornar-se numa suspensão do dinamismo. Tanto podem competir para se destruírem a cada uma como podem competir para darem origem a uma complexidade que possa elevar a uma nova ordem de criação. Esse é o paradoxo que reside na raiz do verdadeiro cerne do poder. E é esse mesmo paradoxo que leva a que muita gente jamais descubra o verdadeiro núcleo do poder; que leva tanta gente se retraia e demita do próprio poder.
Há quem os encoraje a solucionar tal paradoxo pela escolha de um ou do outro:
 “Escolhe o amor, e elimina a vontade.”
Ou então:
 “Escolhe a vontade, e elimina o amor.”
Alguns sugerirão que para resolverem tal paradoxo, devam negar ambos – o amor e a vontade. Mas é por meio das tentativas de solução que sobrevem a recusa e a relutância e a rejeição, a negação, o embotamento ou o desconto, a destruição e a defesa que se tornaram parte integrante do vosso mundo.
Isso constitui um paradoxo no cerne, no verdadeiro cerne. E em todo o paradoxo, existe uma enorme energia e uma enorme força. Enquanto alguns os encorajam a solucionar, a buscar uma solução, nós encorajámo-los a resolver, a buscar uma resolução (determinação). Porque se não solucionarem, e em vez disso resolverem esse paradoxo, poderão desencadear essa energia e essa força e essa energia – essa imensa força bruta pode estar do vosso lado. Encontram-se num culminar – no vosso auge – e hão-de avançar, quer estejam a escutar estas palavras à medida que as proferimos em meados de Janeiro - no mês inicial deste ano estranho e inexplorado, no mês inicial de um ano de emancipação - ou se encontrem posteriormente a escutar esta gravação, muitas semanas ou meses ou mesmo anos depois. Vocês, no próprio acto de darem atenção a estas palavras, situam-se sobre o vosso culminar, e acham-se preparados para avançar – e avançarão!
E ao se situarem nesse auge, quer se trate de Janeiro de 1997 ou semanas, meses após esta data, quando por acaso derem por estas palavras e as escutarem, estarão nesse pináculo e encontrar-se-ão preparados para avançar. E com decisão e escolha só correrão o risco de avançar rumo ao passado, muito embora ele possa situar-se à vossa frente; só correrão o risco de repetir os sucessos e os fracassos que tiverem tido, correm o risco de avançarem para o presente ao tentarem convencer-se continuamente de que são suficientemente bons, precisam desse algo mais, místico, misterioso e que pode ser miraculoso. Não tem que ser o núcleo do vosso poder, mas pode ser. Não tem que ser a complexidade da vontade, mas pode ser. O que quer que for. Acham-se preparados para ir ao encontro e descobrirem a permissão e a autoridade para serem mais poderosos.
Seja quando for, será altura de se tornarem mais poderosos do que alguma vez. É altura de irem ao encontro do vosso verdadeiro núcleo de poder; por uma primeira vez ou de novo. Activá-lo-ão? Utilizá-lo-ão? Seja qual for a altura, será altura de descobrirem mais acerca de vós próprios. Nesse pináculo de uma felicidade e de um sucesso mais significativos, é altura de revelarem mais a fundo aquilo e aquele que são.
Qualquer que seja o espaço, é o espaço que lhes cabe para abrirem a magia que se pode tornar transcendente. Se escutarem estas palavras, terá sido por o vosso Eu Superior os ter levado a escutá-las, por se acharem nesse auge, e precisarem de mais do que alternativa e decisão independentemente do quão premiada seja essa escolha ou brilhante seja essa decisão; precisam desse algo mais que poderá constituir o núcleo do vosso poder, que pode ser o verdadeiro núcleo do vosso poder e que pode ser a complexidade do amor e da vontade - juntos.
O amor! Sabem imenso acerca do amor, não nos vamos repetir acerca do que envolve. Mas antes de nos voltarmos para aquilo com que poderão não estar tão familiarizados, queremos tirar um instante para sugerirmos o que o amor poderá contribuir para a combinação, para o poder que o torna parte desse verdadeiro núcleo. Antes de mais, sugerimos que o amor contribui para um aprofundamento da consciência através da intimidade que lhe assiste. Quando dão amor, quando são amorosos, quando recordam o amor, aprofundam a consciência. Acrescentam-lhe comprimento porventura, ou largura, ou altura mas decerto que lhe acrescentam profundidade. Aprofundam-no por intermédio da intimidade, da proximidade, da ternura, da vulnerabilidade, da confiança; da compreensão e do ser compreendido que tanto traduz aquilo que a intimidade subentende.
Quando suscitam amor aprofundam a consciência por intermédio da intimidade e trabalham no sentido de pôr termo à separação, por ser nisso que o amor consiste – em pôr cobro à separação, ligar-se, ser completo, tornar-se num. O amor contribui igualmente para a afirmação de nós próprios. Quando amam sentem vitalidade, sentem vigor, sentem esplendor, e afirmam-se e reafirmam-se, têm uma noção daquele que são; mesmo que não consigam adicionar-lhe palavras, têm uma noção do que os delimita, uma noção da identidade que têm, um sentido de imagem, e têm presente uma afirmação. No amor há a afirmação de si mesmo, e a partir disso o vigor e a vitalidade, o esplendor de si mesmo.
Em terceiro lugar, o amor contribui para a satisfação ou realização. Quando trazem esta energia a que chamam de amor ao que estiverem a fazer ou a ser – o dar, o responder, o respeitar, o saber, o regozijar-se, o permitir o valor, a concessão da liberdade, tudo isso que traduz o amor – quando suscitam isso ficam com uma sensação de realização. Aqueles de vós que já estiveram com crianças; cuidar delas, zelar pelo seu crescimento pode representar a coisa mais frustrante e irada a fazer e deixá-los exaustos e sem vontade de dormir por dois anos. (Riso) Mas quando suscitam amor, até mesmo mudar esses (…) dá-lhes um sentido de satisfação, olhar por elas.
Qualquer um de vós que tenha feito a mais mundana e aborrecida, entediante e repetitiva das tarefas, mas ainda assim encontra um sentido de satisfação, quando depositam amor no empreendimento, esse amor aprofunda-lhes a consciência ao cerrar a lacuna da separação por intermédio da intimidade. O amor, muitas vezes por meio da afirmação de vós próprios traz-lhes realização.
Em quarto lugar, o amor pode elevar-lhes a dádiva - da dádiva irrisória e do abandono até à dádiva em troca e até às alturas, até à elevação, até à dádiva enquanto expressão do vosso verdadeiro ser, como reflexo do vosso poder e força e talento. O amor pode transmutar, pode transformar, permitir a energia do que quer que for que deem a fim de o elevar ao nível da dádiva transcendente. Dar, não por vire ma obter qualquer coisa em troca, nem por desperdiçarem coisa nenhuma nem abandonarem nada nem desistirem de coisa nenhuma, mas dar pelo simples prazer, pelo simples prazer de dar. É isso que o amor pode trazer.
Em quinto lugar, o amor pode trazer alegria e liberdade. Em sexto lugar, pode trazer individualidade e autoridade - autoria - originalidade, artifício e inovação à actividade. E em sétimo lugar, o amor pode igualmente aprofundar a consciência a ponto do carinho que lhes aguça a determinação e lhes clarifica o propósito. Estas são as coisas que o amor pode trazer à mistura.
Em Novembro falamos acerca da vossa magnanimidade, do que podem trazer à mesa da vida, do que podem trazer à mesa de qualquer actividade nessa vida. Falamos de significado e de dignidade, de graça e de liberdade, da responsabilidade e do poder do suficiente. Que será que o amor trás à mesa da vida; que é que o amor trás à vossa mesa? Por entre a miríade de definições do que o amor pode trazer, pode trazer um aprofundar da consciência por meio da intimidade ou da atenção, no sentido do termo da separação ou do aguçar da determinação e da clarificação do propósito. Pode trazer a afirmação de si mesmo e a individualidade e a autoridade pessoal. Pode suscitar a satisfação e com ela, a alegria e a liberdade. Pode trazer um nível de dádiva que pode ser transcendente. Isso é o que o amor trás.
E vocês sabem tanto acerca do amor e experimentaram tanto e ainda assim há sempre mais a experimentar e sempre mais a conhecer. Mas isto é o que o amor pode contribuir - trabalhando para tal fim.
E que dizer da vontade? Enquanto o amor lhes é familiar a todos, para a maioria a vontade é desconhecida. E assim explorámo-la mais de perto, com mais detalhe do que o fizemos em relação ao amor. Porque razão não saberão mais acerca da vontade? Não é por serem estúpidos nem por não serem evoluídos, nem é por a vossa natureza seja má ou errada. Existem razões bem específicas, muitas das quais supomos, mas não as vamos listar todas, por que enquanto indivíduos ou grupo humano sabem tão pouco acerca da vontade.
A vontade constitui um dos mais profundos factores de atracção, e ainda assim sabem tão pouco acerca dela. É muito importante que a vontade seja misturada com o amor, porque de outro modo o amor pode sair distorcido e deteriorado e desintegrar-se e deixar de fornecer nada do que acima foi referido. Então, porque não sabem acerca da vontade? Antes de mais, queríamos sugerir apenas umas quantas razões. A vontade representa uma energia masculina e como tal, enquanto verdadeira energia masculina que permanece desconhecida para a maioria de vós, também o destino inerente à vontade permanece desconhecido para a maioria de vós.
Há o chauvinismo que declarou que o masculino seja superior ao feminino; que declarou que o masculino seja a única autoridade que precisa lutar para dominar e que precisa lutar para provar a sua virilidade, tirando o que os outros tenham. A única autoridade, a supremacia do chauvinismo masculino decerto que negou o feminino e a mulher -  o feminino em vós e o feminino no homem igualmente.
Mas, conforme também afirmamos, esse chauvinismo de que tanto homem se orgulha, encantados que se sentem por terem calhado no lado certo da moeda, constitui uma energia castradora, porque esse mesmo chauvinismo que define o que os homem ou o homem é, também obscurece erroneamente o que a masculinidade verdadeiramente representa. E por conseguinte, tal como a alegria, que também constitui uma energia masculina e o espírito, que também representa uma energia masculina, têm muita vez sido esmagadas e castradas pelo próprio chauvinismo que é apregoado, ao passo que sempre afirmamos, tanto aos homens quanto às  mulheres, que o chauvinismo constitui o vosso inimigo - ponham-se no meso lado do rochedo. trabalhem em conjunto para se livrarem disso que os impede ao negar um de vocês e castrar o outro.
E assim é que a vontade escapa pelas fendas, por ser uma verdadeira energia masculina, e como tal é obliterada, destruída, distorcida pela falsidade do chauvinismo do macho. A vontade é esmagada, e muitos no vosso mundo olham-na (...) Ouçam as notícias, leiam os cabeçalhos dos jornais, vejam a massiva falta de vontade que impera; vejam como o amor é distorcido e transformado em apatia, o que poderá unicamente conduzir à violência, por nunca ter existido estado de apatia algum que tivesse passado sem atenção que em última análise não tenha irrompido em violência. Prever, com base numa sociedade apática, um futuro de violência não carece de energia psíquica nenhuma. Isso não tem nada de estranho. E o mundo apresenta uma falta de vontade que angaria tanta da sua energia masculina, um chauvinismo que esmagou essa vontade em tantos.
Em segundo lugar, será porventura importante compreender, mas sem culpar, compreender que a maior parte da psicologia convencional, por entre todas as agendas que possa reservar, tem a agenda de negar ou de diminuir a vontade. Não todos os psicólogos, nem em todos os ramos nem por todas as formas, mas os foros tradicionais, as vias tradicionais da psicologia moderna dedicam-se à negação ou à diminuição da vontade como acto de pouca consequência.
Lembrem-se que o Sigmund Freud saiu do século 19, da Era Vitoriana, onde a vontade tinha sido erigida ao estado de divindade acima do que quer que fosse. Recordem a discórdia que Freud criou ao enfatizar que não são motivados pela vontade mas por algo que têm no vosso subconsciente, por algo que têm na vossa cabeça ou na vossa libido, ou no vosso superego; por algo que não vós próprios; por algo que se encontre no vosso subconsciente, por algo que lhes tenha sucedido quando estavam com cinco anos, mas que não se deve à vontade, segundo Freud.
Freud, de quem a maior parte do trabalho se destinou a provar que a vontade não era a resposta que conta,, uma reacção contra uma Era Vitoriana e que conduziu a vontade a um nível em que deixou de funcionar. E a maior parte da psicologia aprendeu, e Jung e outros seguiram-na, entraram na fileira e disseram que não é a vontade mas algo subconsciente, ou algo inconsciente, um complexo qualquer, mas não a vontade.
Não, não é uma nem a outra coisa, mas sugerimos aqui que muito da moderna psicologia, muito da psicologia tradicional e consensual, que porventura nem tem conhecimento disso, constitui uma reacção contra a presença e a influência da vontade. E consequentemente, a maior parte das pessoas "modernas" sabem muitíssimo pouco acerca da vontade, por terem (...) uma nota. O que não quer dizer que o subconsciente e o inconsciente não constituam influências, mas não é de forma condicionada que dita que a vontade não exerça peso.
Em terceiro lugar, entendam não só as influências do chauvinismo mas também as influências da realidade consensual, a realidade consensual que define a vontade com sendo a obstinação, a teimosia, a estreiteza de mentalidade, a frieza, a irritação, a rigidez, a frieza de sentimentos, a falta de interesse, com uma pessoa voluntariosa. As mães comentam amiúde aquelas crianças que são voluntariosas como pobres coitadas que só dão trabalhos, a quem têm que fazer submeter a vontade, como se fossem potros selvagens a quem se precisa quebrar a vontade. A vontade é entorpecente, embotada, coisa própria de bestas. Na maior parte das definições consensuais quer dizer ser voluntarioso, ou então será solícito, o que no mundo consensual é visto como fraco, deixar-se intimidar, ser demasiado propensa, és demasiado fácil, bobalhona:
"Não sejas tão solícita, não te deites no chão para deixar que as pessoas te calcem."
E encaram a questão quer em termos de obstinação ou solícita.
"Ai, coitado de mim..." como uma fraqueza.
E por fim sugeriríamos que sabem muito pouco acerca da vontade devido à falta de mestria que impera no vosso mundo; devido à falta de disciplina e de convicção, devido à falta de concentração e de intensidade. Devido à falta de paciência e de humildade e à falta de prática. E à medida que a mestria diminui, por mais estranho quanto possa parecer, também a vontade diminui.
Agora, não estamos aqui a referir-nos à disciplina severa a que se chama vontade obstinada; nem tampouco estamos a falar da convicção cega e estúpida. Estamos a falar de mestria. Não estamos a falar de concentração irresoluta e inflexível, nem de intensidade que constitui melodrama e descontrolo. Referimo-nos à verdadeira concentração, focalização, objectivo, referimo-nos à verdadeira intensidade do momento, no vosso elemento. A falta de mestria impede a falta de vontade e a falta de conhecimento de tal coisa.
Conforme dissemos poderão existir outras, mas estas são suficientes para aclarar a questão; vocês não são estúpidos, não são subdesenvolvidos, não são retrógrados, não estão a deixar de entender o essencial, não estão a perder de vista a realidade, mas a vontade é algo acerca do qual não sabem muito. Para saberem mais acerca da vossa vontade será porventura importante compreender que existem vários tipos de vontade.
Primeiro, existe a vontade a que chamaremos instintiva ou automática, que é a forma de vontade que responde às necessidades primárias, como a da sobrevivência, ter segurança, sensação de pertença, e que requer muito pouca definição, se alguma é que requeira, quanto à decisão e muito pouco definição quanto à escolha que compreende. Vontade instintiva e automática - é a vontade que quando o alarme do despertador dispara os leva a levantar da cama, é a vontade que os leva a escolher usar esta blusa ou camisola ou saia durante o dia de hoje, é a forma de vontade que os leva a reagir de uma forma bastante automática; as decisões não se acham muito bem definidas, se é que chegam a ser definidas, mas são automáticas. As escolhas não são muito bem definidas, se é que chegam a sê-lo, mas são automáticas. Vocês não usam esta blusa ou saia por amor - isso constitui uma função da vossa vontade, automática, instintiva. E responde às necessidades básicas que têm, às vossas necessidades essenciais da segurança e da pertença. Esse é um tipo de vontade
Um segundo tipo é aquele a que chamaremos anelo, desejo; a vontade inerente ao anelo ou ao desejo. É a vontade que responde às necessidades mais elevadas da estima, do criar e do produzir, do conhecer; assim como aos aspectos esotéricos da beleza, do equilíbrio, da simetria e da assimetria. Tem por necessidades o desejo, o querer, as coisas que querem, as coisas que desejam; a vontade do desejo e dos quereres que responde pelas necessidades mais elevadas e que contém escolha e também decisão, e cujas decisões são definidas e dirigidas, e cujas escolhas são escolhas da primeira e da segunda potências - são escolhas que definem a questão, assim como outras escolhas que circundas e suportam a questão. Essas são o desejo e o querer; essa é a vontade do desejo e do querer: ter estima, criar, produzir, conhecer, buscar o esotérico. Por conseguinte procedem a uma escolha - uma escolha da primeira potência - Que é que se pretende? Qual será o resultado final? Atrás do que é que andam?
E escolha respeitante à segunda potência - Quais serão as outras várias escolhas que se precisa fazer no sentido de acercarmos e apoiarmos a questão? Portanto, as decisões e as escolhas comportam definição, e comportam uma definição clara e precisa e constitui uma resposta às necessidades mais elevadas.
Há um terceiro tipo de vontade a que chamamos vontade reflexa, e que é a vontade que responde não às necessidades mais elevadas nem às necessidades menos elevadas nem às necessidades que têm, mas que em vez disso responde às preferências que têm. A vontade reflexiva responde às preferências que têm para além das necessidades elementares e elevadas que têm e envolve decisões claramente definidas por sonho e visão, e requer uma escolha da terceira potência que é escolha fundamental, mas que reside abaixo e que define o volume de todas as outras alternativas.
Ora bem, se pensarmos bem, há certas trechos do que fazem que são instintivos, muito embora não em termos literais, mas que são instintivos, automáticos, as coisas que fazem por vontade - escolhas e decisões, sem dúvida, só que movidos peça vontade. Por essas escolhas e decisões serem insuficientemente definidas, se é que o chegam a ser, de todo.
Porque é que estás a fazer isso?
"Não sei."
Que escolha definiste?
"Bom, deixa cá ver, eu tenho ideia de ter elegido mas optei por o fazer de olhos fechados. Optei por usar isto ou por fazer aquilo, apertar o cinto de segurança."
 Tão automáticas e instintivas que as escolhas e as decisões se apresentam turvas caso cheguem a ter existência e dizem respeito à sobrevivência, à segurança e à pertença.
Olhem as coisas que desejam e que querem. Que é que desejam, que é que querem na vida? Constituem respostas às necessidades mais elevadas. Desejam ter uma relacionamento amoroso; desejam ganhar mais dinheiro; desejam ter isto, desejo ter saúde ou ser curados em relação a uma coisa qualquer. Desejam isto ou decidem aquilo, talvez em relação à sobrevivência, mas mais àquele sentido de estima e às necessidades mais elevadas. As decisões são definidas; subsiste uma intenção: Porque desejam ter mais dinheiro? A razão poderá ser evidente, mas talvez precise ser mais óbvia. Talvez precisem defini-la com mais clareza. Uma escolha da primeira potência: Qual será a razão? E que alternativas de apoio terão? Entendem?
E depois considerar igualmente as coisas que procedem dos sonhos que têm. Dos sonhos nocturnos que têm, sim, mas de uma variedade de sonhos, do sonho que têm, do vosso sonho, daquilo que querem ser e tornar-se, do sonho do que são e daquilo em que se estão a tornar. Esses são reflexas - é uma vontade reflexa: Eu tenho a intenção, eu estou desejoso, eu estou a operar no sentido de satisfazer um sonho; não uma coisa de que necessite para sobreviver ou para me sentir bem, mas um sonho ou uma visão; decisões. Porque fazem isto? Porque fazem aquilo? Não é por ser nada que façam com base na necessidade mas da preferência, por os levar mais próximo do sonho ou da visão que têm. E neste nível, as escolhas e as decisões são intensamente definidas. Escolha inerente à terceira potência - fundamental. A escolha que não sofre mudança.
Esse é a terceiro mas há um quarto tipo de vontade, a vontade a que chamamos de verdadeira vontade. Não é uma vontade que seja passível de ser definida, como resposta a isto ou àquilo ou aqueloutro. Não é uma vontade que contenha movimento, uma vontade que mova massa alguma. Não possui massa nem move coisa alguma. Ao passo que a vontade instintiva e automática, a vontade do querer e do desejar, e a vontade reflexiva tenderem a ter um sentido de substância e envolverem uma transmutação e uma transformação, e envolverem o movimento de massa, o movimento de matéria.
A verdadeira vontade não possui massa nem move a matéria; a verdadeira vontade não possui uma definição clara. No entanto, essa verdadeira vontade, por mais indefinida que seja, isenta de uma descrição plena e que não possui uma compreensão cabal acha-se na fundação da magia. Magia - alteração da realidade de acordo e em conformidade com a vossa vontade.
A magia de certas pessoas passa pela alteração da sua realidade de acordo e em conformidade com a vontade automática e instintiva; a magia de outros, passa pela alteração da realidade de acordo e em conformidade com o desejo e o querer que têm; a de alguns, é de acordo e em conformidade com a vontade reflexiva e sonho e visão que têm - a escolha fundamental!
Mas depois há a verdadeira vontade, isenta de uma plena definição e de uma descrição cabal, isenta de plena compreensão, mas que se acha na base de toda a vossa magia. Constitui uma fundação do que alteram com base no acordo e em concordância com ela. A verdadeira vontade acha-se igualmente na base da própria estrutura do vosso ser; acha-se por base das lembranças que permitem que se destaquem e passem a existir, dos mitos a que aderem, que por mais conscientes ou inconscientes seja a maneira por que lhes adiram, é a vossa vontade - é a vossa verdadeira vontade - que os liga a esses mitos. Os vossos sonhos e os vossos desejos - a que sonhos e desejos se agarram? Com ou sem razão.
É a vontade que constitui essa cola, e por isso esses sonhos e desejos que em seguida penetram no domínio da vontade reflexiva... é a vossa verdadeira vontade que se acha no cerne dessa estrutura de recordações e de mitos, portadora da sua matriz de sonhos e de visões. É a vontade que se acha no seu núcleo, na sua base. É a verdadeira vontade e não a vontade instintiva, nem a vontade do desejo, nem a vontade reflexiva mas a verdadeira vontade que se acha no cerne de todos os vossos limites, quer esses limites sejam restritivos e formados por bloqueios e enredos, ou esses limites sejam factores de libertação inerentes a princípios e a ideais. Vocês precisam ter limites; vocês precisam ter um sentido de identidade, precisam de um sentido de imagem; vocês possuem um corpo e acham-se imersos numa ilusão; precisam ter um sentido de separação e de aproximação em meio a tal ilusão; precisam ter um sentido da pessoa que são, os limites, as delimitações tipo identidade e imagem. E se não permitirem que essas delimitações constituam os vossos princípios, então passarão representar bloqueios.
A pessoa sem princípios tem muitos bloqueios, e aquela que adopta princípios em cuja base age com carácter e em cuja base pode renunciar e libertar os seus bloqueios, por esses princípios formarem o seu marco, a sua divisão, os princípios a que adere, e o carácter e integridade com que o faz. Mas se não estiverem para se incomodar com o carácter, se não estiverem para se aborrecer com a integridade, se não estiverem para se preocupar com princípios, óptimo, mas o preço que pagam será o de terem bloqueios, estritos, rígidos, debilitantes. Fica ao vosso critério, no que toca ao mundo da ilusão e ao mundo do livre-arbítrio. É convosco!.
E é a vossa verdadeira vontade que se acha no cerne, na base, na fundação não só da magia, não só da estrutura mas também dos vossos limites e por conseguinte da vossa identidade e da vossa imagem. E é a vossa verdadeira vontade que tem assento na fundação do vosso maior desejo de felicidade, da vossa maior necessidade que é de ser amorosos, e do vosso impulso principal de buscar capacidade de decisão e a revelação dos segredos da vida e dos segredos de vós próprios. É a vontade que se acha no cerne dessa energia, dessa necessidade, desse desejo. E por conseguinte a verdadeira vontade que se acha no núcleo de toda e qualquer vontade.
Quatro tipos de vontade. Três deles, conseguem definir, por exigirem uma grau variável que vai da escolha e da decisão turvas à escolha e decisão definidas e à escolha e decisão profundamente definidas.  O quarto não conseguem definir, e por conseguinte não podem "descobrir," em termos de encontrar o termo, ou a  descrição. Não se assemelha ao diagrama da personalidade que é o Eneagrama a que podem aduzir um rótulo e uma descrição; é uma energia que representa um dinamismo, uma energia que representa uma força, uma energia que constitui energia e que não move coisa nenhuma, mas que pode mudar tudo. Não move coisa alguma, mas que pode mudar tudo! não através do movimento da matéria, mas com o dinamismo e a força e a energia que muda a matéria. A verdadeira vontade. Embora não a possam descobrir, onde encontrarão essas vontades? Onde encontrarão esses quatro tipos de vontade, desde a instintiva até à verdadeira?
Falamos sobre isso muito brevemente em Novembro. Poderão encontrá-las, não a elas mas aos seus rastros, o seu rastreio, podem encontrar os seus traços e pistas em vários sítios. É, conforme sugerimos em Novembro, similar às partículas subatómicas que não possuem massa nem matéria, descobrem-lhes as pistas, os rastros. Também em relação à verdadeira vontade, descobrem os seus rastros e pistas e podem e podem buscar em todo o sítio que quiserem que descobrirão muitas vezes resíduos e pistas e traços da vontade reflexiva, da vontade do desejo, assim como da vontade instintiva. Um desses lugares é olhar para o vosso destino, escolhido por mote próprio, mas o vosso destino ainda assim.
"Que terei eu elegido como meu destino, como minha razão, como o destino para que me dirijo nesta vida enquanto consciência?"
Olhando para os enfoques desta vida, as lições com que tiverem vindo trabalhar e aprender, olhando para a identidade que tiverem, para a imagem que tiverem, para a motivação, dotada que se acha das suas dimensionalidade e emotividade múltiplas, do sentido que tem de excitação, com o sentido que tem de domínio, de liberdade, de eternidade, de sabedoria, olhem para aí, dentro do vosso destino, por ser aí que conseguirão encontrar rastros e pistas dos três tipos de vontade; aí poderão os rastros e as pistas da verdadeira vontade.
Outro sítio onde poderão sondar é no resplendor do vosso propósito. Na diversidade do propósito, desde o mais restritivo até ao mais claro, e quanto mais claro for mais brilhante será até alcançarem o mais expansivo, até que alcancem o mais luminoso ou pelo menos o mais resplandecente; no resplendor do vosso propósito poderão encontrar rastros e pistas dos três tipos de vontade, poderão encontrar traços da vossa verdadeira vontade.
Digamos, a título de exemplo, que tenham descoberto e conheçam o vosso propósito mais esplendoroso seja o de dar certo, ou de se bastar, ou de estar interligado. Essa não é a vossa verdadeira vontade, estar ligado, de se bastar, mas é na suficiência e nessa interligação, é nesse "dar certo" que poderão ser tocados pela vossa verdadeira vontade. Não a vão definir, entendem? Não a vão personificar. Mas se penetrarem, por exemplo, no vosso destino, o penetrarem no resplendor do propósito que tenham, aí poderão ser tocados e com isso mudar; aí descobrirão os rastros e as pistas da verdadeira vontade, aí descobrir os traços da vossa vontade reflexiva, da vontade do desejo e da vontade instintiva.
Outro terceiro sítio onde poderão procurar é na extensão da escolha, nessa escolha fundamental elevado à terceira potência - escolha fundamental. A escolha de sempre buscar a verdade mais elevada; a escolha de sempre procurarem tornar-se mais livres, a verdade de sempre procurarem transformar-se no vosso verdadeiro ser, a título de exemplo, com o que queremos dizer com "escolha fundamental." E ao explorarem a vossa própria, então poderão descobrir os vestígios da vossa verdadeira vontade e as pistas e insinuações do outro.
Em quarto lugar, nos domínios secretos que são as vossas prisões ou agendas ocultas, conforme dissemos anteriormente, que o vosso terceiro passo nesse regresso a casa passaria por entrarem na vossa prisão e nas vossas agendas ocultas, a partir do que finalmente encontram a vossa liberdade dentro da prisão da raiva; encontram a criatividade e o poder dentro da prisão do narcisismo; encontram a vossa criatividade e amor na vossa prisão, por exemplo, do pesar, da tristeza; encontram o vosso sentido de paixão dentro da prisão da dor; encontram a convicção da vossa paixão. Nessas agendas ocultas encontram a verdadeira agenda subjacente; encontram, a partir do controlo, o desejo de ser autoconfiante; a partir das vossas agendas da justificação, encontram o desejo de ter, ou a busca da permissão para serem livres da dor. Nas vossas agendas e prisões ocultas poderão encontrar, mesmo nessas prisões constritas, nessas prisões de pesadelo e locais secretos, podem encontrar os traços, os vestígios de uma verdadeira vontade, e os indícios e as pistas da vontade.
Na fortaleza do vosso ponto de partida e dentro dos vossos vícios - aqueles de vós que tiverem vícios, por não estarmos a encorajá-los a arranjarem vícios. Há outros sítios secretos onde procurar, sabem. Vocês têm uma prisão, têm agendas ocultas, uma fortaleza, um ponto de partida; não precisam de vícios, mas aqueles de vós que precisam, nesses sítios -- passados ou presentes -- poderão descobri-lo. Mesmo aí! Além desses, também nos sítios secretos chamados as vossas paixões e as vossas intimidades: A proximidade, a ternura, a vulnerabilidade, a confiança - essas intimidades privadas que, por causa da intimidade não partilham com o mundo. Esse é um domínio secreto, e consequentemente nas paixões e nas intimidades que têm poderão igualmente encontrar também poderão encontrar a vontade - ou as pistas e as insinuações ou traços.
Outro, é nas inspirações, e nos vossos discernimentos. Nas profundezas da vossa inspiração e nas profundezas dos vossos discernimentos aí poderão encontrar. A isso chamamos de "domínios secretos," que frequentemente são férteis de fios e pistas e traços da verdadeira vontade. mas uma vez mais, não é que precisem defini-los nem descrevê-los; apenas precisam estar onde isso se encontrar e deixar que isso os toque.
Outra forma de vontade - refletiva - a do desejar, a instintiva; essas sim, é útil conhecer; dessas torna-se útil ter consciência, no sentido de interagirem com elas. mas a verdadeira vontade, essa atinge-os e altera-os ao mero toque.
Para além desses quatro locais, para além do destino e do objectivo que é resplandecente, para além da escolha que é volumosa, dos domínios secretos, poderão igualmente encontrar isso na elaboração da vossa vida. Falamos da elaboração da vossa própria vida, mas toda a vida é uma vida arquitectada, toda e cada uma constitui uma vida arquitectada. Vocês poderão não ser aquele que a esteja a elaborar, poderão ter permitido que a vossa mãe ou o vosso pai ou os vossos filhos o fizessem. Muitos pais acabam com a vida arquitectada pelos filhos; levantam-se às cinco por ser quando eles têm que se levantar e conduzem o autocarro por causa de todos os filhos do quarteirão, e o vosso horários tem que ser coordenado para terem tudo pronto antes das sete horas, por ser às sete horas que... e a vossa vida é arquitectada pelos vossos filhos. Não faz mal, obtê-lo-ão da parte deles mais tarde, quando lhes controlarem a vida. (Riso) Quando quiserem que cresçam para se tornarem na mulher ou no homem que vocês quiserem que eles sejam, estilo "olho por olho." (Riso) Depois quando crescerem, então eles arquitetam a vossa vida:
"Fica no quarto de hóspedes!"
"Que sorte a tua, teres que ficar a enxugar os pratos!"
Ou então é o asilo, não é? (Riso)
Mas a questão está em que toda a gente tem a vida que arquitectada, sugerindo com isso que podem arquitectar, e ao fazê-lo, arquitectar a vida que querem. Mas muita gente não o faz. Mas mesmo aqueles que não fazem isso vivem uma vida arquitectada e quando essa energia se encontra nos domínios do que tiver sido arquitectado, poderão descobrir a vossa vontade - na criatividade e na imaginação e no caos; na beleza e no êxtase. Poderão encontrá-lo na divindade e na autoridade. Esses são os sítios em que poderão encontrar indícios e pistas, onde poderão encontrar os fios condutores. Outro, no sopro e na luz do espírito, na esperança e na substância da alma. Outro ainda, no relacionamento que têm com a vossa alma. Não na clareza com que a visualizam que possa não personificar mas o modo como se relacionam, como interagem com a vossa alma e com o vosso espírito, por em tal relacionamento e interacção suplicarmos com a vontade.
Por último, poderão buscar os indícios e as pistas, os traços e os vestígios naquilo que chamamos de mestria, ou na poesia, ou na música, ou na filosofia do regresso a casa. Mais do que a percussão que tenha, da sua melodia, ainda é uma empresa a montante, é uma infinidade, como a arte, como a poesia, como a música, como a filosofia.
Ora bem, não irão, cada um de vós, descobri-lo em toda a parte; não tem que ver com reunir tudo e apontar. No caso de alguns de vós poderá ser no destino e não no luminoso nem no volumoso, mas no caso de outros poderá assentar com clareza na elaboração da vida que levam - quer seja a que querem ou não. Para outros poderá suceder que venha até eles com clareza, e pode ser que o descubram na luz e no sopro do espírito, a esperança e a substância da minha alma. Poderá ser que isso não diga nada a outros, mas antes os domínios secretos, por representar um solo fértil à exploração e descoberta da sua vontade - a vontade instintiva e automática do desejar, sim, e mesmo a vontade refletiva. E aí, sem que tenham inicialmente conhecimento e tão surpreendidos quanto possa parecer, poderão ser tocados, e para sempre alterados pela vossa verdadeira vontade, que não conseguem definir e descrever em pleno, que não conseguem nem nunca conseguirão abranger em pleno.
E com que é que a vontade contribui? Que será que a vontade trás a esta mistura? Enquanto o amor trás um aprofundamento da consciência por meio da intimidade. A vontade trás definição e direcção dessa profundidade, com sentido e responsabilidade. O amor aprofundará a vossa consciência, aprofundá-la-á com a ternura, com a vulnerabilidade, com a intimidade. Mas o amor somente não orientará, não definirá. É a vontade, a vossa vontade que dá definição e orientação a essa profundidade. E fá-lo ao dar à profundidade um sentido, e ao dar-lhe responsabilidade. É a vossa vontade – o amor condu-los a essa profundidade, mas é a vontade que define e dirige o que sucede aí. De modo que não a conduzam até à profundidade e se percam na fantasia, para que não a conduzam até à profundidade apenas para ficarem desapontados e regressem em dor ou apáticos. Levá-los à profundidade, é o que o amor faz; acrescentar definição e concepção de sentido e responsabilidade, isso é o que a vontade faz.
Em segundo lugar, enquanto o amor lhes proporciona e trás afirmação pessoal, a vontade trás presença de espírito. É a vontade, com que mais fazem que tornar-se visíveis. É com a vontade que têm presença; decerto vontade dotada de amor. Quando encontram, e nós já falamos disso antes, pessoas que parecem possuir uma aura de presença ao seu redor; podem entrar num local, e sem intimidação emitem uma presença, sem precisar dizer nem fazer o que quer que seja, sem precisarem ser mais altos ou mais baixos que os outros, nem usar um chapéu vistoso. Podem simplesmente entrar numa sala que lhe denotam presença. Porquê? Por conter amor que afirma a pessoa, que a afirma mas não a ponto de a levar a exibir-se. Vocês precisam dessa noção de presença que provém do sentido de despertar e de explorar e de alcançar, de do dar, receber e do ser, do comprometimento e da visão. E do assombro. E é a vontade que trás a presença à afirmação de si, fornecida pelo amor.
Em terceiro lugar, enquanto o amor trás realização, é a vontade que fornece a intenção focalizada.
Em quarto lugar, enquanto o amor trás o dar a novas novos apogeus, é a vontade que acrescenta a diversidade, que contribui para a energia diferenciada e que permite a complexidade que pode revelar-se transcendente. É a vontade que move, que eleva; é a vontade que acrescenta a complexidade ao dar, de modo que possa tornar-se transcendente. Enquanto o amor oferece alegria e liberdade, a vontade oferece a magia e milagres.
Quando falamos do milagroso, falamos da ciência dos milagres; o espírito, a alegria e a vontade são energias masculinas, e juntas operam a produção de milagres; os milagres não são masculinos nem femininos; mas é dessas energias masculinas, que são tão claramente extirpadas e negadas, contraídas e castradas no vosso mundo, que os milagres brotam. E é a revitalização da alegria, a revitalização do espírito, a revitalização da vontade que pode lugar ao surgimento de abundantes e copiosos milagres, de novo. À alegria e à liberdade que alegria produz, a vontade traz magia e milagres.
Em sexto lugar, à individualidade e à autoridade, a vontade traz confiança.
"Sim, possuo autoridade, ou penso que sim; sim, sou um indivíduo, não sou?"
A vontade traz confiança, e com ela a esperança, e a coragem, e o crédito, e a humildade que se traduz pela confiança. É isso que acrescenta à mistura. O amor sem vontade pode produzir uma boa dose de autoridade e de individualidade mas não as tornará confiantes; é a vontade que produz a confiança; ou a confiança que que obtêm através do amor, é muito menor do que seria se lhe aduzissem esse sentido de vontade. A vontade traz a confiança à mistura. E por fim, como o amor traz, uma vez mais, um aprofundamento da consciência através do apreço, também a vontade traz uma maior definição e orientação, uma vez mais, através da identidade e da imagem. A vontade da vossa identidade. A vontade da vossa imagem empresta rumo e definição à vossa capacidade de determinação, à vossa intenção, ao vosso afecto; definição e um rumo ao vosso afecto.
"Ah, eu importo-me com toda a gente. Importo-me com isto, importo-me com aquilo; importo-me com todos..."
Isso é muito bonito e uma maravilha, as se se importa com toda a gente irão ter muito pouco impacto com essa atenção em quem quer que seja.
"Eu importo-me com toda a gente, mas neste instante importo-me em especifico contigo."
Agora a atenção que dedicam possui definição, direcção, e é a vontade que lhes imprime essa direcção e definição à atenção e importância que têm.
"Eu quero trabalhar com crianças..."
Pois bem, então por que não envias o teu donativo de $19,95 à Sally Estrada e tens a certeza de que alguém na Guatemala recebe alimento? Ou então envias $38, ou $80, ou $100 e tens a certeza de que cinco crianças nalguma parte do mundo são alimentadas?
"Não, não, não é desse modo que quero dar atenção às crianças. Quero tocá-las, pegar nelas..."
Muito bem, faz as malas e vai viver para a Guatemala.
"Não... Também não é bem isso que quero fazer."
Então não te importas.
"Importo, sim. Mas o meu interesse carece de direcção e de definição, e com base na minha vontade enviarei os $19, 95, pro ser a forma que me soa correcta a mim interessar-me. Vou viver para a Guatemala, por isso me mover a vontade e desafiar a orientação, ou então descobrirei uma orientação diferente para o interesse que sinto. O amor aprofunda o meu interesse, enquanto a vontade dirige-a. O amor aprofunda o meu interesse enquanto a vontade define-o. E ambos operam em conjunto. Essas são as coisas que o amor e a vontade contribuem."
E disso resulta uma repercussão (ressonância), uma onda estacionária que é mais poderosa do que os componentes de que emergem, uma sinergia, um todo maior do que a soma das suas partes. Disso resulta uma complexidade de amor que traz um aprofundamento, através da intimidade e da atenção, que trazem uma afirmação e uma autoridade e uma individualidade, que trazem uma realização e uma alegria e uma liberdade; que trazem uma entrega como uma expressão do verdadeiro eu, e vontade; que traz definição e direcção à intimidade, definição e direcção à atenção; presença e confiança; uma intenção focada, magia e milagres; a essência da complexidade. E disso emerge o verdadeiro âmago do meu poder.
"O meu poder; sou criativo..."
Que é que está por base da tua criatividade?
"Tenho discernimento; tenho coragem e empenho; sou dado a perdoar."
Sim, esses são os vossos poderes; poderes conscientes; poderes que se encontram nas reservas da humanidade, nas reservas da vossa força; poderes que se encontram nos pulsões da vossa personalidade. Porém, quando chegam ao verdadeiro âmago -- amor e vontade, juntos -- então de repente aqueles poderes que memorizaram e comprometeram com palavras; aqueles poderes que conseguem deitar pela boca, aqueles poderes que utilizam de forma mágica e bonita no dia-a-dia, aqueles poderes podem de repente tornar-se mais intensos e mais profundos, por serem infundidos com o verdadeiro cerne do poder, por vocês serem infundidos e poderem tornar-se muito mais, e activarem e utilizarem o vosso verdadeiro poder nuclear. É assim que começam a sair do pináculo em que se encontram.
Vocês conhecem tanto sobre o amor, e haver tanto ainda por conhecer; e sabem tão pouco acerca da vossa vontade, a vossa verdadeira vontade, e há tanto a saber...
Já começou; encontra-se em movimento dentro de vós, e a vossa realidade pode tornar-se diferente, e vós também podeis ficar diferentes. Trabalhando com a meditação, é directo quanto baste, da segurança além dos vossos limites na névoa, e aí se encontrarem com um estranho que seja poeta ou mago ou um pintor, ou filósofo; não quem gostariam que fosse.
"Ora, eu sou pintor; eu canto; eu penso, por isso... ou divirto-me a pensar que o seja; ou sou mesmo um poeta. Por isso, devia ser isso, não?"
Não; devia ser aquilo que é. Por existirem muitos pintores de vocação que de facto são poetas de passatempo, ou filósofos; ou que criam música na tela. E muitos músicos pintam paisagens gloriosas, portas abertas para uma visão incrível.
(continua)
Tradução: Amadeu António