domingo, 26 de fevereiro de 2017

A ENTIDADE E O INFINITO





Há certos tópicos que não discutimos anteriormente. Vamos, ao nosso próprio jeito considerar alguns deles. O universo físico é real e não é real, conforme vocês sabem. Vocês criam a matéria física e depois percebem-na. Se não houvesse qualquer propósito na criação da matéria física, ela não existiria e vocês não a perceberiam. Quer dizer, não existiria nem mesmo enquanto ilusão. Isto comporta alguns aspectos delicados. Vamos atacar alguns. Para aqueles que lhes pareçam deuses, a matança não constitui crime, por não existir coisa alguma mesmo quanto a ilusão da morte. Num certo patamar, é pois verdade que a morte, conforme a conhecem, é uma ilusão. Vocês não se conseguem livrar por completo da ilusão enquanto estiverem em corpos físicos.
Por isso, neste contexto em que confiam tratem as coisas vivas cuidadosamente, por no vosso sistema constituírem actualidades. Princípios filosóficos no vosso nível precisam ser cuidadosamente preenchidos por emoções construtivas. Existe uma forte realização de sentido de valor a ser obtido onde vós estais. É bom saber onde estão, e conhecer a natureza da vossa realidade. Contudo, ainda precisam operar nesta moldura.
O Eu, a totalidade do Eu, a entidade, o vosso verdadeiro Eu, na verdade já existe. Vós estais na verdade em contacto com Ele agora. É verdade que num sentido vocês nunca abandonaram esse Eu. Mas também é verdade que num outro sentido vocês abandonaram. Vocês exploraram propositadamente outros sistemas conforme vocês exploram este.
A exploração também representa uma criação, e uma criação contínua. Não existe finalidade ou conclusão. Na verdade não há para onde ir, conforme o teu amigo gosta de dizer. Mas a própria palavra “É” produz uma multiplicidade de existências. Elas são bem reais, tanto psicológica quanto fisicamente. A filosofia deveria permitir-lhes lidar com elas e não evitá-las. Num caso evidentemente não há nada a evitar. Pontos do momento, conforme já os discuti, esclarecerão muitos destas questões para vós. Há todas as razões para explorarem a realidade interna, mas essa exploração deveria levá-los igualmente à compreensão da natureza da realidade física. Talvez a vossa existência física pudesse ser comparada a um excelente livro que lhes tenha sido dado por um professor. Vocês acham-se completamente imersos nele. Por perceberem que estão a ler tal livro e a encenar a parte do personagem principal, e estão mergulhados numa existência tridimensional, isso não quer dizer que possam dar-se ao luxo de deitar o livro fora ou recusar-se a lê-lo. Poderão evidentemente perceber a sua natureza, e isso representará um passo em frente. O professor que lhes deu o livro está a ler um outro livro, e está a encenar uma outra parte. Existem certas limitações nas filosofias Zen que iremos debater noutra altura. O sistema é basicamente óptimo mas a falha, uma em particular, é trágica. E no vosso sistema tais falhas podem levar muitos a desviar-se.
SESSÃO 304
Ora bem; os outros planos são tão reais ou irreais quanto o vosso. Eles são todos formados de vitalidade interior, que constitui a realidade básica. Muitos outros sistemas reflectem a realidade interna com uma maior clareza, e com uma menor distorção, mas as próprias distorções são criações. Todos os sistemas são, pois, formados mentalmente, inclusive o vosso próprio.
Isto não quer dizer que sejam imaginativos naqueles termos que geralmente são usados. Na verdade existe uma ligação electromagnética em cada e subjacente a cada sistema, mas isso constitui apenas o resultado de ligações mentais interiores. Em cada sistema vocês testam o conhecimento interior verificando-o contra as regras únicas e particulares desse sistema.
No vosso sistema na verdade a expectativa forma o vosso próprio ambiente físico. O que não quer dizer que os ricos, por exemplo, tenham atingido necessariamente uma posição espiritual. Contudo, o ambiente pessoal considerado no seu todo, com as relações interpessoais, é um indicador da situação interna.
Nas projecções, entendem, precisam dispensar as premissas psicológicas básicas. Precisam entender por momentos que as portas não são sólidas. A premissa não passa de uma premissa conveniente no vosso sistema físico. As portas são sólidas. Isso não constitui uma verdade básica, entendem, mas uma premissa básica conveniente. É uma das mais difíceis de dispensarem. Enquanto auxiliar conveniente, darão por vós a imaginar, por exemplo, janelas abertas por meio das quais parecerão viajar. Isso representa um auxílio apenas para o ego. Electromagneticamente todas as coisas vivas se acham ligadas, no entanto retêm a individualidade. Nesses termos não existe qualquer nirvana em que a individualidade venha a ser subjugada.
Os seres individuais reterão a individualidade. Serão capazes de participar num elevado nível da consciência com o todo de que fazem parte. Esse todo é de longo muito mais infinito do que o que poderão conceber. Num sentido básico, o todo tem consciência de todas as suas partes, e num sentido básico todas as suas partes têm consciência do todo. Mas cada parte do eu precisa percorrer a sua própria senda e desenvolver as suas próprias capacidades e explorar as possibilidades que ela própria cria, caso contrário o todo estagnará.
O todo obtém uma experiência vívida por intermédio da vida das suas partes. O todo necessita dos seus segmentos. A vitalidade precisa criar-se constantemente em novos padrões, e cada padrão novo, é claro, produz novas possibilidades de desenvolvimento.
O infinito nada tem que ver com o espaço conforme vocês o conhecem. O infinito é um estado de vir a ser e jamais poderá ter um fim por nunca se achar completo. O infinito tem que ver com o sentido de realização de sentido valor, e o desdobramento de novas possibilidades sempre novas, a exploração do momento, a viagem por dimensões que sempre criam a ilusão do tempo. Mas como não existe tempo, que haverá que possa terminar?
A experiência da projecção dar-lhes-á um pequeno vislumbre do infinito. Finjam que numa exploração que empreendam durante uma projecção dêem por vós junto a uma árvore. Vocês entraram na árvore e permaneceram aí e acompanharam as estações com ela. Depois sentiram-se inquietos e entraram num pássaro empoleirado nos ramos e voaram vários metros de distância. Uma criança encontrava-se por perto e vocês entraram na criança. Introduziram-se na criança por forma nenhuma. Encontraram-se dentro dela como se fossem ar. Tudo isso parecerá não levar tempo nenhum. A criança envelheceu. Viajaram até um lago perto e tornaram-se num peixe. Sucessivamente entraram em muitas coisas e por fim retornaram ao vosso corpo. Experimentaram séculos, no entanto só se passou uma hora do vosso tempo. A sensação que deveriam ter dentro dessa projecção altamente improvável dar-lhes-ia uma ideia, embora uma muito débil, da sensação do infinito.
Agora, num certo sentido, todas os eus são projecções do todo ou daquilo que é. Novos universos tais como o vosso estão constantemente a vir à existência. Sistemas e planos muito diferentes desenvolvem-se a partir de outros sistemas. O infinito só possui sentido em termos subjectivos e psíquicos. O cérebro físico não pode comportara ideia do infinito. O conceito não se enquadra nos termos tridimensionais. O Eu todo, o ser interno, move-se dentro do conceito do infinito conforme vocês se movem na realidade física por meio do espaço. O infinito contem tudo quanto alguma vez virá a ser conhecido, e, claro está, tudo quanto venha a ser conhecido é conhecido no presente espaço.
No entanto, esses mesmos termos, tudo quanto alguma vez virá a ser conhecido, é distorcivo, por sugerirem um fim do conhecimento e da experiência e não existe algum. Ora bem; “não existe lugar para onde ir,” caso saibam o que se pretende verdadeiramente dizer com tal afirmação. Também é verdade que existem muitos sítios para onde ir se os desejarem descobrir. Vocês sempre criam os lugares e os destinos a que chegam. Não existem locais e existe uma infinidade de locais. O eu interno forma todos os sistemas e todos os locais. Por um lado vocês podem-lhes chamar efectivamente ilusão. Por outro lado, essas ilusões são bastante reais. Elas são o revestimento da realidade básica. A realidade básica situa-se de facto nas ilusões. Olhem por baixo delas e dentro delas e senti-las-ão. Mas elas próprias são compostas dela, e vocês não as podem separar. As palavras não são adequadas para explicar o que aqui quero referir.
A realidade básica não pode conhecer-se sem criar diversidade. A diversidade são as várias formas que a realidade adopta, os diversos sistemas em que se expressa projectando-se numa experiência individualizada infinita. Bom, esta frase é importante.
Cada eu interior é uma porção de uma realidade básica interior. Porém, ela não pode conhecer-se excepto através da experiência, e precisa criar para poder experimentar. A experiência constantemente aprofunda o cumprimento do valor da própria realidade básica. Não existe alternativa entre a diversidade e o nada. Aquilo que é, está constantemente ciente do seu crescimento acentuando a existência, por meio da diversidade da experiência que cria constantemente e em simultâneo. Vocês fazem parte daquilo que é, vocês são aquilo que é. É impossível que qualquer parte daquilo que não é se individualize. Todas as partes daquilo que é, se encontram vivas, e se conhecem.
Existe o que poderão chamar Deus, mas dificilmente nos termos do que poderão conceber. Utilizando os vossos termos, vocês são de facto parte desse Deus. Vocês são efectivamente infinitos. Possuem uma ligação imediata, instantânea pessoal com esse Deus, utilizando os vossos termos. Estão directamente ligados a esse Deus. Não se podem desligar por esse Deus ser aquilo de que são feitos. Isto é posto tão simples quanto possível e altamente simplificado. O conhecimento aqui dá-lhes benefícios por formas altamente significativas; e capacita-os de facto a fazer uso de capacidades que não percebiam possuir.
Agora, isso é um Deus pessoal, nos vossos termos. É um Deus pessoal por esse Deus representar a parte daquilo que é, que sois vós próprios, entendem. Mais ninguém pode falar com essa porção particular desse Deus. Vós sois a vossa própria entidade. A parte de vós que é formada a partir do Tudo O Que É, é esse Deus; ele tem consciência de todas as vossas necessidades, por quanto a isso, Deus ser igualmente, vós próprios. Embora dificilmente o eu que vocês reconhecem ao espelho.
Agora; no vosso esquema do tempo vocês veem-se a vós próprios numa certa idade, num dado conjunto de circunstâncias. Quando percebem que são igualmente uma porção de Tudo Quanto Existe, então verão que tal conceito é erróneo e limitado. Porém, também há porções ligadas à vossa identidade noutros sistemas e essas são mais avançadas do que o vosso ser psicológico. Uma vez mais, estou a falar nos vossos termos. Eles podem ser comparados nesse contexto a deuses menores, e as vossas mitologias estão cheias deles. Eles também estão obviamente em contacto com Tudo Quanto Existe.
Alguns deles estiveram no vosso sistema, nos vossos termos de continuidade e agora encontram-se para além dele. Eles também representam a ligação pessoal que vocês têm com o Tudo O Que É. Por vezes essas personalidades ajudam os seus e dão instruções. Entendam a ligação do Deus menor de forma aligeirada por o termo ser um termo pobre, mas suscita a ideia que pretendo representar, embora um tanto distorcida. A Sua realização de sentido de valor é consideravelmente mais profundo do que o vosso: a sua experiência é mais plena e o conhecimento que têm é de um nível mais elevado. Eu evitei tais debates principalmente no passado, até achar que estavam preparados para eles. E agora estão. Essas personalidades são parte da vossa entidade particular. Entidades são obviamente subdivisões do todo, ou Tudo O Que É. Vós retendes a vossa individualidade enquanto parte de uma entidade, e a entidade retém a sua individualidade como parte de uma gestalt de energia. Uma gestalt de energia mantém a sua individualidade enquanto porção do Tudo O Que É. Não existem formas de energia impessoais. Elas são entidades psicológicas altamente individualizadas. O seu desenvolvimento psicológico, porém, é bastante diferente de qualquer que vocês conheçam.
Existem realidades psicológicas que vocês simplesmente ignoram por completo, e elas acham-se interligadas a estruturas de energia que contêm dimensões que não conseguem entender. Na verdade vocês têm acesso, entendem, e uma linha directa, por assim dizer, com toda a energia e experiência que desejam. Agora; só uma questão, antes de eu fechar. Gostaria de lhes insinuar quanto às realidades psicológicas que formam estruturas da personalidade em níveis mais elevados do que o vosso. Essas personalidades são capazes de aprofundar a realização do sentido de valor de uma forma espantosa por meio da expansão de consciência que lhes permite focar-se em muitas áreas dos sistemas e planos simultâneos.
Quer dizer, não só têm consciência do que lhes parecerá ser o passado, presente e futuro no vosso sistema, como terão consciência de vários outros sistemas e são capazes de funcionar dentro eles em simultâneo, obtendo e gerando experiência em todos esses sistemas, mesmo enquanto mantêm uma identidade generalizada. São conscientes, por exemplo, delas próprias enquanto, digamos, uma entidade, e simultaneamente têm consciência de existências separadas enquanto indivíduos em diversos sistemas. Isto é o que podemos fazer presentemente. Mas há muito mais a dizer. Eu voltarei a este tema.
sessão 305
Ora bem; a consciência jamais poderá expressar-se por completo em termos físicos, como vocês sabem. Por várias reincarnações a entidade tenta expressar-se cada vez mais e de uma forma mais competente no quadro da realidade física. Numa situação como a do teu pai ou da Sra. Callahan, a consciência global não é menos, mas uma porção menor dela se expressa em termos físicos. Ela ou exerce um controlo cada vez menor sobre o organismo, por não ter resolvido os seus problemas suficientemente bem, por em larga medida já ter decidido deixar o sistema, mas fá-lo gradualmente; ou por em certos casos existir um bloqueio psíquico, que impede a plena utilização da energia a este importante respeito.
A personalidade torna-se menos evidente no organismo físico. A própria personalidade não se desintegrou, só que o controlo que exerce sobre o organismo, por várias razões, diminuiu. Nesses casos a personalidade faz gradualmente incursões na realidade seguinte, e reúne a sua energia no sistema seguinte.
Agora, há uma situação comparável que ocorre em determinadas situações num sentido completamente diferente, e por razões completamente diferentes. Ao nascer o eu passado que reincarna pode em certos casos recusar ou ser incapaz de abandonar o controlo que exerce sobre a matéria física. Quando isso acontece há consciência disso por parte da nova personalidade da velha vida, mas mais, uma retenção tenaz, da parte do eu anterior. A consciência da personalidade não terá deixado tão cedo, ou geralmente cedo demais, como no caso do teu pai, mas persiste obstinadamente. É como se um artista visse um quadro a surgir repetidas vezes no quadro seguinte. Em tais casos gera-se uma falta de compreensão. A identidade interior não compreende que está simplesmente a adoptar um disfarce diferente, está a cumprir diferentes obrigações, ou a usar energias insatisfeitas. O ego é de tal modo forte que se agarra mesmo à nova materialização. Existem duas faces de um mesmo problema. Conforme estou seguro que sabes, o teu pai não se sente infeliz. Tu nunca conheceste o teu pai. O homem que estava para ser teu pai partiu. O que não quer dizer que tenhas sido órfão, nem tão pouco ele te abandonou por uma questão de crueldade. Ele abandonou-te e abandonou os teus irmãos, algo que tens em grande estima. Prolongando-se no homem que chamavas teu pai sempre esteve o sentido do inacabado. Havia o sentimento do pesquisador. Havia a necessidade de que brota a criatividade. Em certa medida isso tornou-se no ímpeto que te moveu. Tu pressentiste-o intuitivamente.
Ele deixou-te coisas para fazeres ao teu jeito. Ele trabalhou com fotografia por não saber pintar. Ele não conseguia criar-se. Ele não conseguia vislumbrar-se no ambiente físico. Enquanto fotógrafo ele encontrava-se amiúde fora do retracto. Ele não te deixou de mãos vazias. Ele não conseguia materializar-se. Num certo sentido ele foi mais a tua mãe passiva do que o teu pai. Ele não conseguia comunicar. O amor que sentia pela maquinaria era a tentativa por tornar o seu ser físico. O homem a quem chamas teu pai acha-se mais feliz agora do que alguma vez esteve. A personalidade inteira tem estado há muito tempo à espera num outro sistema da realidade. Não existe nenhuma lei que diga que a personalidade deva materializar-se por inteiro num dado sistema, embora seja geralmente mais sensato fazê-lo.
O teu pai e dois dos teus irmãos eram originalmente parte da mesma entidade. Os teus dois irmãos e Ruth Butts são parte da mesma entidade. Agora ouve o que te vou dizer, por ser difícil. A energia principal do homem a quem chamas teu pai abandonou-o há muito tempo, conforme te disse. Ele reuniu as suas energias e aguarda, mas parte das suas energias foram dadas ao filho da Ruth (Meu primo em primeiro grau). Esse foi um acordo voluntário. O rapaz necessita da energia adicional. Eu não creio que o rapaz venha a viver até ser velho. O pai cedeu-lhe essa vitalidade, e ajuda o rapaz, ao conhecer de antemão as dificuldades do rapaz. O rapaz é incapaz de se relacionar por completo com a realidade física. Quando o homem chamado teu pai morrer, a sua energia regressará ao eu que aguarda. O Eu chamará de volta a energia que foi cedida ao filho da Ruth. Se por essa altura o rapaz tiver aprendido a relacionar-se ele clamará por um reforço da parte da entidade recebê-la-á poderá contrair uma doença temporária, por exemplo, enquanto ocorrem transições. Caso isso não acontece ele morrerá ou ficará amplamente incapacitado. O teu pai ajudou, pois, o rapaz. Ele também te serviu de exemplo, e tu sabes disso; por não teres querido relacionar-te em pleno. Tudo isto não é tão complicado quanto parece. Se dispuseres de tempo de sobra ajudas os outros. Se uma personalidade se encontrar entre sistemas cede a sal energia a outros. A tua mãe enfrenta realidades que não teria enfrentado no passado, e está a ver em termos materiais os resultados das suas próprias acções internas. Não havia outro jeito de ela aprender. Aquilo que a ti poderá parecer um desastre no escrutínio que fazes da vida dela, constitui uma lição bem aprendida em realidade, e uma vitória.
Houve uma altura particular em que o teu pai se despediu de ti. Estavas com dois anos. Estavas a brincar. Encontravas-te no colo da tua mãe no seu quarto, e ele disse simplesmente “adeus” a ambos. E ambos vocês sabiam que ele falava sério. Seguiu-se a uma discussão que teve com a tua mãe. Ele saiu de casa e quando regressou já não era o mesmo homem. Contudo, tu compreendeste-o subconscientemente, e nesse instante ele deixou em ti o desejo de criar.
As personalidades não são coisas estáticas. As entidades são eternas. Elas não são muito bem embaladas, uma a cada corpo, conforme os vossos psicólogos acreditam. Elas mudam constantemente. Crescem. Tomam decisões. Utilizam em pleno o corpo físico, ou partem parcialmente de acordo com as suas necessidades internas e desenvolvimento. Quando as gestalts psíquicas são criadas e formadas elas não são estáticas. Procedem a diferentes alianças até encontrarem o seu lugar em toda uma identidade que serve os seus propósitos, ou que seja forte o suficiente para se tornar indestrutível. Elas estão em constante transformação (vir-a-ser), e não são unidades fechadas.
O teu pai não era simplesmente o teu pai. A identidade que é dele amadureceu, desenvolveu-se, mudou as circunstâncias e os seus componentes físicos muitas vezes, à procura do solo psíquico que melhor seria capaz de desenvolver os seus próprios potenciais.
Isto não é simples de explicar, no entanto, eu deixar-te-ia mal se te deixasse com uma simples explicação. Os sentimentos emocionais são vitais. As identidades emocionais são indestrutíveis. Personalidades que conheceste em vidas passadas conhecer-te-ão após a transição. Isto não quer dizer que em função dos seus próprios propósitos não se tenham fundido em fusões psíquicas que presentemente não consegues entender. Conforme me encontro junto numa fusão psíquica convosco agora, e ainda sou eu próprio, e vós sois vós próprios. Existem pontes espirituais mas elas são formadas por personalidades individuais. O teu pai está a formar uma ponte espiritual. Ele representa um degrau da escada, contudo também é parte do grau seguinte acima dele, e do grau abaixo. Por não poderes colocar o dedo nele não quer dizer que não exista, e que ele não te tenha ajudado a realizar-te a ti próprio, e que ele não tenha ajudado a ensinar a mulher que conheces como tua mãe.
Bom; espero que me venhas a compreender intuitivamente, por aquilo que eu disse confundir o intelecto num grau considerável. Mas eu falo por meio do Ruburt, mas o Ruburt é ele próprio e eu sou eu próprio, contudo sem a ajuda que prestas ao Ruburt eu não poderia falar. Isso por forma nenhuma minimiza a minha realidade, ou a do Ruburt. Assim também, o uso que o teu pai faz das suas energias não minimiza aquilo que ele é, nem o sentido geral de direcção dele. Ele não te deixou sem ideias. Ele deixou-te aquilo que ele achou que era o melhor que tinha a dar-te, uma necessidade de criatividade que ele não podia expressar em termos físicos. Ele deixou ao teu irmão mais novo um sentido de doçura, uma qualidade inocente, intocada que sempre o sustentará. Ele deixou ao teu irmão do meio uma persistência obstinada que o auxiliará caso ele a use correctamente. Ele deixou á tua mãe as questões de que ela necessitava – o que terá ela feito que não devesse ter feito; por essa questão ser importante ao seu desenvolvimento.
Bom; tudo isto diz respeito à nossa discussão principal, por as implicações serem evidentes. Ele, no corpo do velho homem aprecia a solidão que sempre desejou. A tua mãe foi a centelha que o levou a relacionar-se em absoluto com a realidade física, e foi por isso que ele se ressentiu dela, a razão porque a combateu, e porque ela não conseguiu respeitá-lo. Agora ele desfruta do luxo de não reagir, nos seus termos. Dar-se-á uma reunião em júbilo da sua identidade assim que o corpo morrer. Isso assemelha-se à união dos mosaicos, à tecelagem da personalidade por dentro e por fora, e nenhum efeito é insignificante nem desprovido de benefício. Nesta vida estavas destinado a criar e a ensinar. Toda a criação é ensino. A tua entidade é mais velha do que a do teu pai. Tu e o Ruburt e eu estivemos juntos muitas vezes. No passado, a gestalt, as condições, foram benéficas para todos nós. Tu já percorreste a via que indivíduos como a tua presente mãe e pai percorreram. Tudo é, pois um processo de desenvolvimento. Bom; eu encontro-me aqui neste compartimento. Também me encontro num outro lugar e noutro tempo. O teu pai encontra-se em várias dimensões ao mesmo tempo. Tudo isso é realização de sentido de valor. É crescimento.
Sessão 339
Traduzido por Amadeu António