domingo, 16 de julho de 2017

A DESTREZA E A ARTE DE AMAR

A DESTREZA E A ARTE DE AMAR

O amor é uma acção e um estado de espírito. Há certas coisas específicas a fazer para poderem amar quer a si mesmos quer aos outros. A acção é a mesma. A direcção muda, é tudo.
Por detrás da máscara do ego negativo, querem tornar a amabilidade difícil de modo a poderem justificar e racionalizar a falta dela que sentem na vossa vida. Afinal, na relação Faustiniana que têm com o vosso ego negativo, convenceram-se de que, se deixarem que lhes governe a vida, ele venha a fornecer-lhes tudo. Mas o ego negativo jamais propicia o amor. A única coisa que pode fornecer são promessas não cumpridas e rompidas. Jamais disponibiliza amor.
“Onde reside o amor?” Perguntam, e o vosso ego diz-lhes o quão difícil – impossível – é. O vosso ego negativo dá-lhes conta do quanto o amor fere. Quando descobrem o quanto o amor realmente se encontra ao dispor, ou tratam de o negar por completo enquanto protegem a posição do vosso ego negativo – “Evita a humilhação a todo o custo!” diz o vosso ego negativo – ou se sentem de tal modo estúpidos por terem fechado a porta a esse amor durante tanto tempo que agora não acham merecê-lo. De qualquer maneira, vocês (e não o vosso ego negativo) perdem. Quando descobrirem o quão fácil é, não fujam. Não se castiguem. Não adiem mais. Comecem a amar!

As coisas que cumpre fazer em benefício do amor: 

1 Dar. Comecem a dar a vós próprios e aos outros por tantas formas quantas forem capazes. Partilhem física, emocional, intelectual e intuitivamente. Não se preocupem com a obtenção... Comecem realmente a desenvolver a capacidade que têm de dar.

2 Responder. Permitam a vós próprios a capacidade e a disposição para dar uma resposta. Sejam responsáveis por vós e a seguir, pelos outros.

3 RESPEITAR. Honrem as vossas emoções e as emoções dos outros, a quem desejarem amar. Respeitar não é uma questão de fazer, mas uma questão de honrar. 

Frequentemente, quando as pessoas tentam ganhar respeito da sua parte ou da parte dos outros voltam-se em busca de algo a fazer. De seguida passam a trabalhar arduamente para fazer o que quer que tenham decidido que lhes traga respeito só para descobrirem que o próprio nível de respeito delas permanece inalterável. Sentem ter fracassado. Respeitar-se é honrar as emoções que têm. Vocês honram as emoções ao expressá-las e libertá-las de modo apropriado. Honram as emoções dos outros dando-lhes permissão e um lugar seguro para expressarem e libertarem aquilo que com toda a honestidade sentem. Para amarem, honrem os sentimentos que tenham. Honrem os sentimentos dos outros.

4 CONHECER. Há dois modos de conhecer alguém – através do acto de infligir dor, ou por intermédio da compreensão. Por tantos temerem amar, infligem dor – neles próprios e nos outros. Os vossos terapeutas, por meio de estudos psicológicos feitos junto dos prisioneiros sobreviventes da guerra, sabem que uma relação interessante, se não bizarra, se desenvolvia entre o cativo e o captor. Por meio da dor, chegaram a conhecer-se um ao outro de uma maneira mais profunda do que tinha sido antecipado.
Sim, uma das vias do conhecimento é através da dor, mas existe uma outra. A busca da compreensão tem início com o desejo consciente e termina com um comprometimento consciente. Envolve reservar um tempo para realmente estender a mão – estender a mão carinhosamente... Desenvolver a capacidade de amar, e de buscar a compreensão de vós e dos outros. Não vos encontrais neste mundo para serem compreendidos. Estão aqui para serem compreensivos.

5 TER A HUMILDADE DE SER ÍNTIMO. A humildade é a disposição de ver cada dia como completamente novo. É a disposição de deixar que as pessoas mudem ao invés de insistirem em que jamais chegam a mudar. Vocês criam a vossa realidade primordialmente a partir da escolha e da crença. Se optarem de uma forma consistente por ver as pessoas no que têm de pior e acreditarem nisso, então essa será a maneira por que elas se revelarão. Ficareis com razão, mas infelizes. Ser humilde é dizer: “É assim que sempre foi, mas agora pode ser diferente.” Sejam suficientemente humildes para chegar perto, ser afetuosos, e vulneráveis em relação a si mesmos e àqueles por quem se interessam.

6 TER A CORAGEM DE SE COMPROMETER. O comprometimento soa verdadeiramente assustador para muitos. O medo da rejeição e da humilhação são os culpados principais. O medo da responsabilidade – “Serei capaz de lidar com ela?” – contribui de uma forma massiva para a recusa de compromissos. Para muitos, o comprometimento assemelha-se a uma prisão. Confundem a obrigação com a responsabilidade. Quando consideram a possibilidade de se comprometerem com alguém, frequentemente o vosso ego negativo salta para a frente com a interrogação: “Se és capaz de criar isso assim tão bem, não poderias conseguir melhor? Não te comprometas. Espera! Ele admoesta-os no sentido de não se comprometerem, apelando que alguém ou alguma coisa melhor poderá surgir. Se o melhor acabar por surgir, esperem ainda. Entretanto, o comprometimento jamais chega. É preciso coragem para amar.

7 SOLICITUDE. Comecem honestamente a interessar-se por vós próprios e pelo modo como a vossa vida decorre. Não dissemos, “sentir pena de si mesmos”. O amor nada tem que ver com a autocomiseração. Mencionamos interesse. Não precisam de razão nenhuma para se importarem. Abri simplesmente o vosso coração e a vossa mente e comecem. Permiti-vos cuidar de vós próprios. Permiti-vos cuidar dos outros.
Estas são as sete acções a empreender para poderem amar. Conhecem cada uma delas, e puseram-nas em prática vez por outra. De facto sabem como amar. Apenas julgam não saber. Todavia, envolve mais do que isto. Empreendem essas sete coisas para poderem realizar alguma coisa. Mas é a dinâmica que resulta da prática dessas sete acções com o objectivo expresso de fornecer o que se segue, que dá lugar ao amor: 

1 SEGURANÇA. Física, emocional, intelectual, e protecção intuitiva para vós próprios e para o próximo. É aí que tem início o amor.

2 PRAZER. Compartilhar, ser responsável, respeitador, ou conhecer-vos ou a mais alguém de modo a proporcionarem a vós ou aos outros termos prazenteiros de curto e longo alcance, intimidade, comprometimento, e cuidar de vós próprios ou do semelhante de modo a que vocês ou ele/a sintam prazer.

3 HONESTIDADE E VULNERABILIDADE. Aceitar baixar as muralhas de defesa. Aceitar permanecer completamente aberto e honesto. Proporcionar o espaço para exporem as vossas ansiedades, dúvidas e temores.

4 CONFIANÇA. A energia mais poderosa que podeis dar a vós próprios. A maior dádiva que poderão estender aos outros.

5 MEDO REDUZIDO DE PERDA. Se tivessem um anel de ouro deslumbrante que pensassem não passar de uma simples liga barata dourada, haveriam de o usar em qualquer lugar e por toda a parte sem temor. Agora, imaginai que descobrem que o anel é de ouro puro, e de um ouro bastante raro por sinal, e que não pode ser substituído. De repente sentem vontade de trancar o anel a sete chaves. Passam a temer usa-lo em toda a parte. O medo de perder coisa tão valiosa torna-se aterrador. Quando amam alguém todo o temor se evapora, á excepção de um: o medo da perda é o único temor que aumenta à medida que o amor aumenta. Quando amam de verdade, o valor aumenta. Se fossem perder esse amor agora... seria devastador! Quanto mais amarem, mais o valor aumenta e o medo de perder só cresce. É por isso que muitos de vocês fogem do amor e alguns chegam a deixar de amar. Ironicamente, o antídoto para esse medo de perda é inspirar fundo e amar mais. A resposta está em inspirarem fundo e dar, responder, respeitar... e interessar-se! Para que o amor seja mais do que uma palavra, devia operar pela redução do próprio medo que produz.

1 INTIMIDADE E SOLICITUDE. Actuem de tal modo que criem uma repercussão em termos de proximidade e de sensibilidade, e uma ressonância de liberdade e de segurança.

2 CONHECIMENTO. Comunicar – ter empatia. Deixem que o outro tenha conhecimento de que o conhecem. Deixem que saiba que percebem a sua beleza, e o lado menos belo, e que de qualquer maneira o/a amais. Com base no amor-próprio admitam a poder que têm e amem-no. Admitam a fraqueza que sentem. Admitam a fealdade, e amem-na. É perfeitamente fácil amar a beleza, mas é a fealdade que também carece de amor. Vejam bem, não respondem, ou respeitam simplesmente por uma questão de o fazer. Fazem essas coisas a fim de proporcionarem segurança e prazer, ou honestidade e vulnerabilidade.

Pela compreensão dessas sete acções a pôr em prática e dos estados potenciais de existência a proporcionar poderão saber se se amam e aos outros. Poderão saber se os outros os amam.
Sentem-se amados? Estarão eles a fazer essas coisas de modo a produzirem os estados de existência chamados amor? Comecem sempre por si próprios. Comecem a pôr em prática em vós a actuação e a existência do amor. A seguir expandam isso de modo a incluir os outros – não simplesmente outros quais queres, mas alguém em específico que tenha significado. Assim que tiverem desenvolvido a perícia, assim que forem realmente bons a amar, então expandam o amor ainda mais. Ao expandirem o círculo do amor, intensifiquem sempre o amor-próprio e o amor que sentem por esse alguém especial.
O começo: Amor. O primeiro passo na Jornada do Sagrado, e a primeira qualidade inerente à jornada, tem início no Amor, com o alcançar e o espalhar desse amor... por uma questão de AMOR.

Excerto de “Jornada do Sagrado,” aqui igualmente publicado,
traduzido por Amadeu Duarte

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