domingo, 11 de junho de 2017

APOLÓNIO DE TIANA & JESUS



APOLÓNIO DE TIANA & JESUS
COMPREENSÃO E CONHECIMENTO

Irene Probert: A primeira pergunta que a Anita coloca: Será verdade que o Apolónio de Tiana é o mesmo a quem as pessoas atribuíram o nome de "Jesus"? (1)
Yada: Não. Trata-se de uma história que foi roubada aos Ensinamentos Interiores dos Gregos, dos templos místicos Gregos a que Apolónio pertenceu. Ele era um irmão dessa ordem mística.
Irene: A que Aesus pertenceu?
Yada: Sim. Apolónio de Tiana também pertenceu a essa ordem.
Irene: Bom, Anita, sabes que Yada e os membros do Círculo Interior tinha dito que o verdadeiro nome que foi dado ao homem que nós reconhecemos como Mestre é Aesus, e Yada explica que esses dois homens pertenciam à mesma ordem mística. Ao mesmo tempo, não, Yada?
Yada: Sim, só que esse Aesus existiu cem anos antes da história de Jesus. Ainda nem sequer se pensava nesse homem chamado Jesus.
Irene: Não existia homem algum que desse pelo nome de Jesus que tenha passado pela iniciação?
Yada: Não. Foi Aesus. Atribuíram-lhe esse nome. Ele era proveniente da Índia, e era asiático e falava muitas línguas.
Irene: Ele viajou para diversos países diferentes, não? Penso que a Anita gostaria que falasse um pouco sobre os diferentes lugares que ele visitou.
Yada: Muita da iniciação foi-lhe dada na língua Aramaico, assim como em Grego, parte em Hebreu e parte ainda em Sânscrito.
Irene: Que língua era falada quando ele viajou para a Irlanda, a terra dos Druidas?
Yada: Aquela a que chamam Gaélico, a versão antiga do idioma Gaélico. O homem Apolónio andou por muito lado a ensinar e a pregar às pessoas. Esse trabalho foi-lhe dado após ele ter completado a iniciação. Ele era, podemos dizer, um Messias para o povo. Mas melhor será dizer simplesmente que ele era um mestre da Vida Interior, que por vezes é ensinada por parábolas e outras vezes, em diálogos directos com as pessoas, ele era muito claro nas conversas que tinha com elas. Não procurava deixá-las espantadas com doutrinas místicas, mas procurava conduzi-las à compreensão da vida para além do mundo físico. Ele procurava levar-lhes a história do deus interior. (2) Esse homem, à semelhança do homem Aesus, submeteu-se a muitos rituais nos templos Gregos e possuía uma profunda compreensão da Vida Interior.
Irene: Diria que Aesus e Apolónio passaram pela mesma iniciação, que possuíam um nível de conhecimento idêntico?
Yada: Sim, sim.
Irene: Porque será que chegou até nós que Aesus tenha sido reconhecido e ungido em vez de Apolónio?
Yada: Apolónio foi eleito simplesmente para andar por entre as multidões. Aesus, não; essa não era a sua tarefa. Havia alguns nas ordens místicas que eram eleitos para ser o que se poderá chamar de filósofos itinerantes.
Irene: De acordo com a versão da Bíblia, este a quem vieram erroneamente a chamar Jesus, a quem nós chamamos Aesus, ia ao encontro das multidões e de diferentes grupos.
Yada; Pois, entendo isso.
Irene: Terá isso sido verdade ou...?
Yada:  Não, claro que não. Não foi verdade. Foi Apolónio, que era filho de uma família abastada.
Irene: e onde era ele proveniente? Que origem terá tido? Seria Ariano? Terá vindo do Egipto?
Yada: Ele era Egípcio, sim. Já Aesus não; Aesus era proveniente da Índia.
Irene: Aesus era proveniente da Índia e Apolónio do Egipto.
Yada: Aesus foi ao Tibete, e a muitos outros templos místicos inclusive aqueles dos Druidas da Irlanda, e claro, Apolónio também foia esses locais.
Irene: Mas Aesus não pregava?
Yada: Ele não andava por entre as multidões.
Irene: Ele foi a diferentes ordens místicas em busca de diferentes iniciações?
Yada: Assim é.
Irene: Nesse caso, o Tibete já existia no tempo em que Aesus e Apolónio se submetiam às suas iniciações; que interessante.
Yada: Sim, é uma nação muito antiga. Ninguém que tenha sido um Mestre foi dependurado numa cruz, nem se entregou à morte, para salvação da raça humana. Essa é uma história que foi inventada da crucificação usada nos templos, nas ordens místicas (com fins iniciáticos).
Irene: Isso é muito interessante. Sei que a Anita ficaria grata por qualquer coisa que pudesse revelar com respeito às doutrinas verdadeiras desses ilustres personagens.
Yada: As verdadeiras doutrinas eram, no geral, ao invés instruções ministradas aos membros da ordem mística no sentido de os levar a entender que eram O DEUS; que o homem é o criador de tudo, inclusive do seu ser físico no mundo físico. Esses ensinamentos destinavam-se a instruir o homem no método de regressar de volta à sua condição superior.
Irene: À existência toda composta por mente e conscientes disso.
Yada: Sim. Não existe realmente nada de misterioso com relação a isso. Só parece existir por o homem, ao vir ao mundo - o modo pelo qual ele tem que se tornar um com o mundo, o levar a perder a consciência da sua própria natureza divina. Isso é como devia ser porque se o homem mantivesse conhecimento da sua própria divindade ele poderia não ter tolerado o mundo da matéria.
Irene: Ele pediu que este mundo fosse criado, pelo que precisaria fazer uso dele.
Yada: Assim é. Hoje, os vossos templos Cristãos chafurdam numa tremenda massa de ignorância e de arrogância. Tempo virá em que as igrejas e todos os templos se desvanecerão, extinguir-se-ão na sua própria inutilidade. Somente quando o homem se livrar desses templos emocionalmente criados e da adoração desses templos, descobrirá ele a sua própria liberdade. Não sugiro que quem quer que tenha sido condicionado em tais credos religiosos deva abrir mão deles só por eu o sugerir, simplesmente por eu não sugerir tal coisa.
Daquilo a que tivermos sido condicionados, durante tão prolongado período de tempo, não seremos capazes de escapar, e manter um estado de espírito animado, por virmos a ser assediados por toda a sorte de dúvidas e de receios, e eventualmente complexos de culpa. A vida constitui uma busca individual. Ninguém lhes pode dar nada além de conhecimento. Não podemos dar compreensão uns aos outros, por a compreensão ser algo que precisa vir a nós naturalmente, algo que o indivíduo deve alcançar por sua própria iniciativa, não pela meditação mas pela observação.
Irene: Pensar consigo mesmo, por um raciocínio são, condiciona o indivíduo a atingir uma compreensão quanto à sua verdadeira natureza.
Yada: Assim é.
Irene: Isso é algo que mais ninguém pode empreender por nós, raciocinar.
Yada: Podemos transmitir conhecimento com toda a facilidade a outro, isso é coisa que não tem qualquer truque; mas não lhe podemos transmitir compreensão. Posso saber qual é a pergunta seguinte?
Irene: A pergunta seguinte é mais uma afirmação. "É referido que depois de o discípulo passar um certo estágio na evolução, possa atrair a atenção de um Mestre. Pedia que elucidasse esse aspecto."
Yada: Hesito responder a essa pergunta por ser muito mais complexa do que parece superficialmente. Tanto a pergunta quanto a resposta são de uma enorme complexidade. Se esperam que quando estiverem preparados, ao seu encontro venha a ser algum professor terreno ou professor na forma humana, receio que venha a sentir-se desapontado. A nossa experiência é o nosso mestre. Ao termos experiências obtemos aquilo que é designado por conhecimento. Mas não obtemos sabedoria por a sabedoria ser compreensão. A compreensão vem somente depois de termos alcançado conhecimento a partir das nossas experiências. O que quer dizer que um livro, ou um texto, ou uma outra pessoa poderá dizer-nos alguma coisa que subitamente nos suscite compreensão. Mas ela não NOS será dada; De repente vemo-la por nossa livre vontade e iniciativa. Quando refiro "vontade" não quero dizer que seja algo que venha a nós como que pelo desejo.
Irene: Não o podemos forçar.
Yada: Não, não a podemos desejar. Ou ela vem até vós ou não vem. Muitos de nós, no começo do aprendizado sobre a nossa própria natureza, damos por nós em caminhos estranhos e aparentemente fascinantes. Por exemplo, somos levados a participar em toda a sorte de cultos e de ordens místicas. A maioria delas induz em erro e desencaminha aquele que busca a verdade. Enchem-no com muito daquilo a que vós Americanos chamaríeis disparates
Irene: Parece-me que isso apela ao lado emocional do indivíduo.
Yada: Evidentemente. E isso é de esperar porque quando chegamos a conhecer-nos vivemos nas nossas emoções. De facto, poucos de nós podem chegar a ser atraídos por qualquer outra forma.
Irene: Não sei se estarei certa, mas parece-me que temos que passar por todas as emoções para podermos condicionar e sossegar e começarmos a perceber que procedem do nosso íntimo. Tudo isto é um processo do corpo e da mente, não acha que é?
Yada? É, É aquilo que se chama obter compreensão, e compreender-nos não é coisa que se consiga a troco de nada. É como tudo o mais - há um preço a pagar. Os livros os escritos, as palestras de todo o tipo não nos dão outra coisa senão conhecimento, jamais compreensão. Caso o que busca desejar assistir a palestras de qualquer membro de uma chamada escola metafísica, tudo bem. Não tenho objecção a fazer, mas direi o seguinte: ele jamais obterá compreensão de tais palestras, por a compreensão ser algo que temos dentro de nós. É como a felicidade. A felicidade não é conseguida por nenhum tipo de acção ou de obra (esforço); é algo que temos ou não temos.
Irene: Faz-me pensar na rosa que floresce. Ninguém mais consegue abrir o botão numa rosa plenamente desabrochada; isso é obra sua. Se mais alguém o tentar, ela despedaça-se.
Yada: Exactamente. Muita gente pensa que eu lhes esteja a dar compreensão mas não estou, estou a transmitir-lhes conhecimento; elas precisam conquistar a sua própria compreensão. Fico grato por a vida ser assim, e que não nos dê nada que já não tenhamos. A pergunta seguinte, por favor.
Irene: A pergunta seguinte: "É dito que ao planeta Marte demos um nome errado. Qual será o nome próprio desse planeta?"
Yada: Eu não sei se terá o que designam por nome próprio; já lhe chamaram muitas coisas pelas muitas raças de pessoas ao longo das eras. No meu tempo e na civilização em que vivi era chamado "Nari Tardo."
Irene: Nari Tardo - enrola os "rs" ao pronunciá-los. É muito difícil de pronunciar. Quererá isso dizer Marte no seu idioma de antigamente?
Yada: Não. Nari significa vermelho; tardo era a palavra que utilizávamos para terra; terra vermelha. No meu tempo vieram seres até à nossa civilização. Nós dos Tempos encontramo-nos com eles em segredo e eles deram-nos muitos conhecimentos do que é chamado, em Inglês, "corpos planetários."
Irene: As pessoas, de que está a falar, terão vindo do planeta que conhecemos por Marte, ou de outros planetas?
Yada: Não, eles eram o que chamam de "seres espaciais."
Irene: Aquilo que nós chamamos discos voadores são seres espaciais? Serão os Guardiães de todos os diferentes planetas?
Yada: Exactamente.
Irene: Eles vinham e tinham encontros secretos convosco?
Yada: Conversavam connosco, sim.
Irene: Que maravilha!
Yada: Contudo, ninguém no meu tempo era convidado para viajar elo cosmos - nem sequer pelo sistema solar! Marte, ou Nari Tardo, é um planeta moribundo. Certa vez foi habitado por seres; e esses seres que ainda por lá se encontram, actualmente vivem em corpos que eles próprios criaram e colocaram no espaço ao redor de Marte.
Irene: Seroa já Marte um planeta moribundo no seu tempo, há 500 000 anos atrás? Esses corpos satélites...
Yada: Era, estava a morrer como agora, só que não estava tão moribundo quanto agora. O planeta ainda tem muita água, só que perdeu uma tal quantidade de água que as pessoas não mais conseguiam habitá-lo.
Irene: A pergunta seguinte: "Caríssimo Yada, gostaria de me treinar para um trabalho mais vasto. Poderia dar-me alguma luz quanto à necessidade que tenho de modo que possa tratar disso e me torne mais merecedora de uma maior confiança?
Yada: Minha respeitável amiga, digo-te com toda a sinceridade que não há nada especial que devas fazer a fim de te preparares para um trabalho mais expansivo no campo da ajuda para com o teu semelhante e conquistes o conhecimento. Tu estás a empreender o que há a empreender nas tuas acções do dia-a-dia. Não há nenhum serviço especial que tenhas que conquistar, e nenhum que seja melhor do que aquele que estás a empreender. As próprias ideias que tens acerca da matéria expandem o campo de operação no levar a Luz ao teu semelhante.
Irene: Na ajuda que ela nos dá, ela está a prestar um grande serviço.
Yada: Pois, eu sei.
Irene: Eu costumava pensar nesses termos, Yada, que coisa mais importante poderia eu estar a fazer para me tornar mais digna e num ser mais grandioso. Bom, não tinha consciência de que o que estou a fazer é a maior coisa que posso fazer. Mas isso cheguei a saber da vossa parte, membros do Círculo Interior. Para estimar aquilo que estou actualmente a fazer; não há nada mais importante do que o que eu estou agora a fazer.
Yada: É verdade. Há só uma coisa que não deixaria de sugerir a alguém que busque o Conhecimento, a Luz...
Irene: Creio que sei o que vai dizer, mas vá lá diga-o e verei se estava certa.
Yada: ... que é trabalhar com um sentimento de paz de espírito, levantar-se da cama com um sentimento de segurança e preservá-lo ao longo do dia, e a última coisa que fazem ao se retirarem pela noite; ter esse sentimento de segurança. Lembra-te, se fazes favor, que não há pressa nem necessidade de precipitação. O que quer que faças em qualquer altura, deverá merecer TODA a tua atenção, assim como deve ser alvo de uma sensação de afecto. Isso é tudo. Trabalhar pelo prazer de trabalhar (3) e por nenhuma outra razão.
Irene: Conforme assinalou: “Eu estou na Luz e sou da Luz. Este é o meu dia. Tudo neste dia será afortunado e belo.”
Yada: Pois, muita gente incomoda-se com a crença de que o que estão a fazer não tenha importância, que esteja a perder o seu tempo. Parece viver num estado de pânico interno a toda a hora, por aquilo que estiver a fazer, na sua ideia, não ter muita importância. Mas tem, entendem; tem importância. Só que essa importância precisa ser descoberta na pessoa, por não poderem obtê-la por parte de mais ninguém. Ela precisa SENTI-LA, a importância do agora em relação àquilo que estiver a fazer. Isso trará uma boa dose de conhecimento assim como uma oportunidade de compreensão.
Irene: Isso não é bem o que estava a pensar, Yada. Referiu-nos tantas vezes a importância de nos desprendermos emocionalmente. As emoções negativas são danosas. Creio que seja ótimo sentir-se alegre, mostrar esse lado das emoções por fazer vibrar o corpo e nos levar a sentir um maior equilíbrio e satisfação.
Yada: Não é importante mostrar felicidade, mas SENTI-LA.
Irene: Essa é a emoção de que eu estava afalar – senti-lo.
Yada: Pois. Sentir essa felicidade em vós próprios. Agora, poderão atribuir-lhes, ou descobrir que lhes atribuíram um tipo qualquer de trabalho doloroso e pesaroso; pelo que poderão não parecer nada satisfeitos. Mas sentem essa paz interior por saberem que esse instante de infelicidade, ou do que aparentemente os deveria deixar infelizes, é ilusório e passará. Ele passará. Não podemos fazer mais nada pelo próximo senão levar-lhe paz de espírito. Por vezes deparamo-nos com gente que passa por tremendos transtornos emocionais. Se nos lançarmos com as suas reacções emocionais à sua experiência, não lhes poderemos trazer paz de espírito, mas mais agitação. Mas tão pouco precisamos agir com contentamento, por o riso em demasia poder ser tanto um sentido de frustração mental quanto as lágrimas. Estás a entender?
Irene: Bom, não creio que isso seja a verdadeira alegria, um verdadeiro sentimento de felicidade interno. Isso, conforme diz, é mais uma forma histérica de nos expressarmos.
Yada: É. Aqueles que tendem a expressar-se por meio de um riso excessivo estão tão frustradas quanto aqueles que se encontram cheios de pesar.
Irene: Pois, é um tipo de escapismo e de encobrimento com que mascaram o verdadeiro sentimento no seu íntimo. Isso é de lamentar.
Yada: Riam sempre que a necessidade apelar a isso; chorem se for necessário, mas não exagerem nenhuma das duas por revelar frustração, perda, imprudência, incapacidade de estar à altura de enfrentar aquilo que enfrentam.
Irene: Até mesmo nos surtos de riso vindos de outra pessoa, podemos detectar a falsidade.
Yada: Pois, caso façam disso uma coisa contínua é, conforme dizes, uma forma de encobrimento da dor que carregam dentro de si – dor, frustração e ansiedade. Sintam gosto pelo que quer que estiverem a fazer. Mantenham a vossa consciência nisso e não se deixem perturbar. Esse é o caminho do autodomínio.
Irene: Por a Anita adorar tanto o Mark, sinto-me justificada a mencionar aqui desejaria que o Mark pudesse sentir essa paz no seu íntimo. Ele está tão preocupado com a questão de não ter dinheiro suficiente ainda, para imprimirmos The Magic Bag (NT: Título de obra psicografada pelo médium, por método de clariaudiência) e enviá-lo para aqueles que já o pagaram. Mas conforme você disse, podemos disseminar conhecimento mas não podemos transmitir sabedoria. Transmitiu-me conhecimento da parte que me cabia na elaboração do livro. A função que nos cabia era a de redigirmos o livro e prepará-lo para publicação, mas conforme menciona, não nos cabe responder pelo dinheiro. Cabe aos outros fornecer-nos o dinheiro e não temos que nos preocupar com isso. Só que ele anda tão cheio de ansiedade com respeito a isso que não consegue ter paz.
Yada: Isso tem vindo a continuar há algum tempo, e muito pouco tem sido feito por parte daqueles que deveriam ter interesse no livro, pelo que isso o deixa inquieto. Há um limite para a nossa resistência, especialmente para alguém tão sensitivo quanto o Mark.
Irene: Foi por essa razão que eu disse que desejaria que ele conseguisse essa paz de espírito. Concordo que ele tenha amplas razões para se sentir preocupado, contudo, o dinheiro encontra-se todo no banco, caso alguém o queira de volta. Ele encontra-se no fundo fiduciário; o livro jamais irá ser enviado para a impressão até que haja dinheiro suficiente.
Yada. É isso que o preocupa mais do que deixar de ter o livro impresso – ele está aflito com o que aqueles que enviaram o dinheiro possam pensar.
Irene: Não acha que seria sensato enviar uma nota de explicação a explicar o sucedido àqueles que subscreveram? Há por volta de uma centena de pessoas que pagaram para receber uma cópia. E dispomos de cerca de setecentos dólares pelo que se exige cerca de três a quatro vezes esse número de pessoas para que o tipógrafo possa dar início à impressão do livro. Que é que me aconselha a fazer quanto a isso? Eu sei que a Anita estaria interessada, pelo que não faz mal.
Yada. E a impressão de uma nota explicativa dessas, para ser enviada a tanta gente, não requererá dispêndio de dinheiro?
Irene: Penso que conseguiria arranjar alguém que a conseguisse produzir por meio de um processo de mimeografia.
Yada: Bom, acho que isso deveria ser empreendido.
Irene: Talvez eu pudesse escrevê-la no formato de um cartão postal; eu tenho uma dessas máquinas de duplicar.
Yada: Muito bem. Creio que seria útil.
Irene: Vou faze-lo de imediato. Conforme sabe encontro-me terrivelmente ocupada com toda a minha escrita e coisas.
Yada: Claro, claro. Sem pressas. Faz o que tens que fazer de momento e não saltes de uma tarefa para a outra.
Irene: Vou faze-lo sim, Yada. Tenho cá uma sensação de paz com respeito a este trabalho, The Maic Bag, mas desejaria que o Mark pudesse...
Yada: Não podes conduzir a vida por ele. Ele precisa senti-lo ele próprio. Isso não é algo que possas fazer. Suponho que isso te deva consumir, ouvir isso, mas ele não o faz com tanta frequência pelo que não tem importância. Creio que possas assumir essa pressão, não?
Irene: Não é isso que me pressiona mas o facto de, por conhecer o Mark ser sensitivo e de ele ter perdido peso recentemente. Sinto que se ele tivesse mais paz de espírito, todo o seu corpo ganhasse mais compostura. Sabe, ele já tem muito que o atormente. As dores que sente nas pernas incomodam-no. Parece encontrar-se atormentado quanto baste. Gostava de o ver tirar uns dias a relaxar e a libertar-se dessas pressões. É isso que me incomoda.
Yada: É claro. Talvez possa sugerir-lhe que não há muito que possas fazer com respeito a isso, Ele, conforme eu disse, precisa vivenciar as suas experiências, tal como tu deves passar pelas tuas. Posso somente sugerir que ambos tentem não desgastar o outro com ansiedade, ou desgastar-se com isso. É isso que quero dizer, para não te desgastares.
Irene: Para usarmos as nossas energias num trabalho mais construtivo, não?
Yada: Assim é. O livro virá a ser impresso ou não. Não resta outra alternativa, pelo que sentir ansiedade com relação a isso não levará a que seja impresso mais depressa. Não vai mudar as coisas, e nós do Círculo Interno sabemos que o que tiver que ser, será.
Irene: Eu também estou ciente de que, conforme diz, o conhecimento e a sabedoria são duas coias distintas, e que a sabedoria é um sentimento de algo que se sente ser certo e sinto em definitivo que as energias do Mark não se terão esvaído com a produção deste livro, caso não fosse para ser impresso e que o devido tempo disso não podem ser forçado.
Yada: Assim é. Tão pouco o que quer que seja na vida pode ser pressionado, porque aí é que a pessoa se mete num grande sarilho Temos o hábito irreflectido de tentarmos FORÇAR a vida. Não podemos, e precisamos afiançar o facto de não o podermos fazer. Tudo quanto podemos fazer é dar o nosso melhor na realização de alguma coisa; aplicar toda a energia necessária mas nada mais se faz necessário.
Irene: Ou estaremos a prostituir a nossa energia.
Yada: E a preocupar-vos com a coisa é dar-lhe mais energia do que necessita.
Irene: Devo admitir que me inquieto um tanto com a situação do Mark. Parece que os médicos não lhe podem trazer qualquer alívio, e simplesmente não se pode ter amor por uma pessoa sem nos preocuparmos minimamente com a sua felicidade. Não passa um só dia em que ele se veja livre das dores nas pernas. E para mim é doloroso vê-lo a dar uns passos e ter que se encostar à parede e passar por aquelas dores agonizantes antes de poder dar outro passo. E isso tem lugar dia sim, dia não, e sabe que não posso senão sentir por ele.
Yada: Eu compreendo, eu compreendo e agradeço profundamente aquilo que sentes, por nós do Círculo Interior também sentirmos por ele. Nós vemos isso; observámo-lo.
Irene: Até mesmo o Dr. D diz que não sugere uma operação por ora. Ele concorda com aquilo que o Yada diz. Ele diz que eles estão a descobrir tanta coisa nova, pelo que me leva a inferir que refira venha a aparecer alguma coisa perfeita que possa vir a ser de grande ajuda para o Mark, sem operações.
Yada: Sim, bem que pode acontecer. Estás a ver, isso mostra-te que com toda o nosso conhecimento que não passa de bazófia há coisas que não podemos fazer.
Irene: Eu sei. Só que sinto muita compaixão por ele e fico impaciente com isso e não entendo a justificação disso.
Yada: E ele sente o mesmo com relação à situação em que te encontras.
Irene: Sim, eu sei.
Yada: Já passaste por muito, muito...
Irene: Mas sinto-me óptima. Creio quem e sinto melhor do que a média das pessoas que nunca tenham feito nada à sua...
Yada: Fico muito satisfeito por saber disso. É um enorme prazer.
Irene: Bom, creio que a dor transparece no rosto de uma pessoa, e o meu rosto certamente não reflecte dor.
Yada: Não, não, e não precisas preocupar-te contigo no que te diz respeito. Tu estás muito bem.
Irene: Fico contente por dizer isso. Tenho vindo a acumular um certo peso, mas vou perde-lo muito em breve. Para voltarmos de novo aos nossos caros amigos. A Anite e o Alfred são pessoas maravilhosas. Ela diz para utilizar o resto da fita (bobine) dirigindo-se aos dois - coisa que temos vindo a fazer. Também menciona aqui: "Eu devia gravar uma pequena bobine a dirigir-me a si Yada. Eu amo-o tanto."
Yada: Isso é o que eu sugeri. Seria encantador.
Irene: Ela diz: "Mas antes de mais gostaria de lhe agradecer por todos estes anos em que tão paciente e amavelmente partilhou o conhecimento e a sabedoria connosco. Obrigado." E também diz "Faz favor de dizer ao Yada para nos vir visitar de tempos a tempos."
Yada: Deixa que lhes dirija umas palavras, por favor. Ela (A Anita) honrou-nos ao partilhar o seu bom ouvido connosco. Ao dar de si ela tornou-se num objectivo o qual não poderíamos dispensar. Podemos gozar de todos os atributos artísticos, digamos, como o da pintura. Mas sem a tela, onde estará o artista? Sem ela, o interesse por nós, o interesse que ela sente pelo trabalho e pela sua própria vida, não seríamos nada. Assim, já vês que ela amizade e filiação, a sua generosidade, o trabalho que nos tem dispensado, fez-nos a vida por nós.
Irene: Ela subestima aquilo que faz.
Yada: Evidentemente. Mas essa é a natureza daquele que tem compreensão, daquele que nutre um grande sentimento pela vida, um sincero e profundo...
Irene: Pois, ela é tão abnegada.
Yada: Pois, ao longo de todo o universo todos precisamos uns dos outros. Onde o homem estiver, precisamos uns dos outros. Ninguém percorre a vida sozinho. Sinto-me fatigado no corpo do Mark; preciso ir embora.
Irene: Ainda disponho de alguma fita - cerca de meia hora, de modo que, se preferir regressar de novo antes de lhe remetermos a bobine, creio que a preencheremos. Não é da mesma opinião? A menos que porventura eu devesse correr outra bobine que tenho. Gostaria que fizesse isso?
Yada: Por não desejar mantê-la à espera e não sabermos quando viremos de novo a controlar o corpo do Mark, talvez devas deixá-la assim por um tempo a ver, certo?
Irene: Certo. Anita, caso não seja possível conseguir ter a minha outra máquina a funcionar adequadamente e o Yada não conseguir vir a utilizar o corpo do Mark dentro de três ou quatro dias, enviar-te-ei esta bobine tal como está.
Mark Probert
21-03-60
NOTAS DO TRADUTOR
1 A respeito desta temática, e sem querer procurar convencer o leitor, resta-me elucidar este equívoco de Apolónio ter sido o Jesus histórico. Não é isso que creio, mas cabe-me referir que talvez tenha sido um daqueles personagens (que múltiplos terão sido) em quem os criadores da Bíblia se inspiraram para descrever o retracto do Jesus conforme nos chega, já que sabemos por fontes alheias que não foi um só personagem a vivenciar tudo o que é narrado nos Evangelhos. Não procuro convencer do que quer que seja, mas crendo que o meu leitor é perspicaz e se interessa pelo desvendar da verdade concernente a tal temática, endereço-o para a obra “Antiquity Unveiled” onde poderá constatar o que o Próprio Apolónio descreve em primeira mão.
2 Aspecto curioso este que aqui é realçado, por nos depararmos frequentemente com a referência de que "Deus está dentro de nós" e muita vez não compreendermos que refere e engloba justamente dimensões do ser que suscitamos pela abertura e pela entrega interior. Mas, dirá o leitor, e não inusitadamente: "Que terá a compreensão que ver com o Deus que supostamente se encontra dentro de nós?!"
Ora bem, questão de difícil resposta essa, mas refira-se de passagem que o pilar da compreensão pode alcançar dimensões do ser e levar-nos a perceber o que de divino temos, que escapa por inteiro à percepção dos sentidos externos e à identificação que aferimos por intermédio deles com os objectos e a forma. A compreensão pode abrir as portas da entrega que por sua vez pode revelar-nos todo o potencial insuspeitado de uma dinâmica do ser que abarca dimensões nunca antes imaginadas, por que nos perfilhamos com uma integridade de um cunho que ultrapassa a esfera da identidade que os sentidos inferem e nos abrem as portas da percepção da nossa verdadeira grandeza, em razão da natureza ímpar daquilo que essa compreensão suscita. É essa dimensão de Deus em nós que essa compreensão despoleta - não instaura nem cria, mas desencadeia!
Aliás, encoraja-se o leitor, enquanto buscador da verdade que é, a não começar por encontrar respostas para os grandes enigmas como a existência de Deus, a realidade do Cristo, a verdade da sobrevivência da alma, etc., porque não é nesse labirinto que encontrará as respostas para a compreensão de si e da vida. Deve, ao invés, começar por se interessar por si, por se compreender, por ser na base do autoconhecimento que encontra as respostas fundamentais da realidade. Aquelas questões são subjectivas e só o indivíduo é real.
Precisa, emancipar-se e aprender a pensar, a indagar fundo, para poder chegar a distinguir o verdadeiro do falso, por a verdade estar enterrada sob o pesado manto do passado. Não me refiro, desde logo às imagens deístas defendidas pela Igreja Católica, uma organização que de espiritual nada tem, mas poder, um poder incomensurável que conquistou empobrecendo os seus fiéis por toda a Europa que se curvou – e continua a curvar – a ela. Em absoluto. Não subscrevo essas figuras tutelares defendidas pelo “negócio” que a Igreja realmente é, por simplesmente não existirem (nesses termo, note-se) Mas existem, garanto ao meu leitor que existem, e que a sua verdadeira dimensão passa pela grandeza daquilo que nós reunimos no nosso ser – nós, humanos! (E garanto-o, de forma sincera, por o ter experimentado em primeira mão, coisa que nenhum deles poderá fazer com o mesmo à-vontade. E agora, eh? Como hão-de descalçar esta bota?)
Por a Igreja ter deixado o homem Europeu morrer à fome de uma verdadeira espiritualidade é que me voltei para a busca da verdade e a aprendizagem de um pensar racional e objectivo. Veja-se como uma Inglaterra prosperou depois de ter rompido com o Papado, e como de um modo geral a Europa Luterana saiu da Idade Média e se modernizou ao se rebelar contra essa ignomínia do Catolicismo dogmático. E como os Estados Unidos chegaram a tornar-se no Berço da Luz e no último bastião da liberdade em todo o mundo, sem a opressão continuada ao longo da história, do Catolicismo, que onde entrar, deixa os povos mais pobres. Apesar de actualmente se ter tornado mais militante que nunca, com a luta feérica que os Jesuítas movem me prol do chamado Ecumenismo cujo verdadeiro móvel é o domínio do mundo pelo domínio que conseguiu dos governos – mesmo nos EUA.
3 Algo que se perdeu e que está na base de tanto conflito e instabilidade social, por se ter passado a valorizar o produto do trabalho na sua expressão simbólica, e se ter passado a esgrimir a justiça com base nos resultados ou fins, em vez dos meios, que são incomparavelmente mais significativos e importantes. A compreensão disso é o que se procura restaurar na mente de todo quanto busca a felicidade e a realização, e não tanto as noções relativas de "justiça" aferidas na clivagem de "trabalhadores" e "empregadores." Ambos foram comprometidos por perspectivas separatistas, e não é agora com base nessas perspectivas separatistas que conduzem ao confronto social que poderão ser colmatadas - só para me distanciar aqui das perspectivas liberais.
Tradução e comentários da autoria de Amadeu António






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