sábado, 6 de maio de 2017

VOZES XXVII - T E LAWRENCE



Diário PÓs-Morte DE LAWRENCE DA ARÁBIA
Comunicações de T.E. Lawrence

Através da mediunidade de Jane Sherwood.
Escrito por Jane Sherwood

Prefácio
Nenhum outro livro mais estranho e mais controverso apareceu durante muito tempo do que o relatório de Jane Sherwood, através de escrita automática, sobre a identidade de um comunicador do outro lado da sepultura que preferiu dar-se a conhecer por "Scott". Agora, depois muitos anos de silêncio forçado, em resultado da solene promessa dada a Scott, Sherwood revela a sua verdadeira identidade, a saber, a do Coronel TE Lawrence.

O Diário Pós-morte tem início no momento da morte de Lawrence, quando ele se encontra deitado à beira da estrada com a mota despedaçada, sem saber que está realmente 'morto.' Prolonga-se ao longo dos anos e mostra-nos o desenvolvimento e a salvação de um homem torturado e culpado que, pela primeira vez, é forçado a admitir as próprias fraquezas e vaidades que alimentou durante a vida terrena e só agora é capaz de chegar a um acordo consigo mesmo. Tais revelações são ao mesmo tempo angustiantes e magníficas.

"Quanto à validade," diz a Sra. Sherwood, "das informações contidas no" diário de Scott eu só posso atestar a minha própria honestidade; o que eu recebi é aqui apresentado sem acréscimo ou modificação alguma. O leitor deve julgar a sua verosimilhança para si mesmo.

Introdução

Este livro representa a última fase de uma longa série de comunicações que começou em 1938. A escrita automática tem sido para mim um meio de adquirir informações na busca de toda uma vida pela luz, sobre os problemas intrigantes da nossa existência. Pois é somente quando fechamos os nossos olhos para o mistério que envolve a nossa vida que esses problemas podem ser ignorados. Que uma hora de solidão, um humor de introspecção nos apanhem e nos encontraremos na terra desolada que Keats conheceu quando escreveu:

"Então, nas margens deste vasto mundo eu fico a pensar até que o amor e a fama a nada se reduzam."

As nossas pequenas ilhas de existência encontram-se, de facto, cercadas por um oceano de mistério - um oceano que a religião atribui ao som, que a filosofia tenta traçar, e que a ciência decidiu ignorar - mas sobre o qual cada um de nós eventualmente deve lançar nosso navio solitário.

Nos primeiros dias do meu trabalho, três comunicadores usaram minha caneta e desses 'Scott' foi um. Ele ajudou a traçar um quadro das condições do pós-morte e a relacioná-las com a vida que levamos aqui e agora. As contribuições de Scott foram sempre reconhecidas pelas suas qualidades vivas e tônicas e, às vezes, pela arrogância inconsciente com que eram apresentadas. O seu sentido de diversão muitas vezes iluminava intercâmbios de pensamento graves e tornavam o trabalho com ele um deleite.

Eu fico grata por essa longa associação com uma mente sagaz e pouco ortodoxa. Desde que em 1959 concluímos este relato íntimo das suas experiências, que por sua própria sugestão foi chamado de Diário Pós-morte, ele deixou de se comunicar. A razão pode ser encontrada na natureza das condições do pós-morte que ele descreve e no próprio desenvolvimento por que passou até um estágio em que a comunicação se torna mais difícil, ou então por o abrandamento dos seus rápidos processos para se poder sincronizar a nossa taxa de pensamento lento se tenha torno então intolerável. Nunca foi fácil para ele; retenho a imagem irrequieta de si mesmo que ele uma vez me passou ao correr freneticamente em círculos ao meu redor e até mesmo a dar cambalhotas na impaciência que sentia diante de lentidão que eu estava apresentar. Seja qual for a razão disso, isso parece ser tudo o que poderei transmitir da continuidade da sua vida e pensamento.

O método de trabalhar por intermédio da escrita automática em pleno estado de consciência está sujeito a muitas objeções. Pode ser descartado como uma simples efusão da mente inconsciente e, de facto, onde degenera em divagações incoerentes e fantasias imitativas, esta interpretação parece ser verdadeira. Mas ainda estão muito longe da compreensão do processo e podem muito bem suspender o julgamento até que saibamos mais sobre a psique humana e suas muitas maneiras de adquirir conhecimento. Não poderá ser que, para além do inconsciente freudiano - uma espécie de ferro-velho de memórias e de impulsos indesejáveis​​, possa igualmente intervir uma parte da mente, que normalmente se acha efectivamente inacessível à consciência, mas que seja um canal por meio do qual o conhecimento espiritual se filtre através da consciência? Não será concebível que essa parte superior da mente inconsciente, quando em estado de activação, possa ser usada pela inteligência desencarnada para transmitir informações significativas? Até que tenhamos mais compreensão dos poderes e do alcance da mente humana o nosso único critério será o da a qualidade das próprias comunicações e no nosso estado actual de ignorância essa é a única maneira pela qual a obra pode ser julgada.

O enigma da identidade de 'Scott' não é difícil de tentar resolver. Ele é o Coronel T E Lawrence. Ele dirigiu-se a mim em 1938 e desde o início usou o seu próprio nome. Mas assim que surgiu a questão da publicação, ele exigiu que lhe prometesse que respeitaria o seu anonimato. Essa promessa eu fiz. Encontrei nele sempre uma atitude ambivalente em relação à sua imagem pública. Sem dúvida, angariava-lhe uma forte atração e qualquer referência ao seu nome na imprensa produzia uma forte agitação que, reflectida como tinha que estar na minha própria mente muitas vezes me deixou agitada. Tivesse sido uma franca alegria ou mesmo um genuíno aborrecimento e teria sido mais fácil de suportar. Com o decorrer do tempo, essa reação diminuiu em potência e quase desapareceu como se ele se tivesse finalmente tornado indiferente à sua fama. Sem dúvida que a mudança sem dúvida marcou o seu progresso. No diário Pós-morte, ele se preocupou muito pouco por ocultar a sua identidade e acho que podemos concluir que não mais constitui uma questão de preocupação para ele.

Neste relato da sua vida e condições, "Scott" usa termos que foram empregados pelo grupo quando ele tomou parte na redacção de escritos (livros) anteriores.* Não são termos ideais e acho que todos os usamos com relutância. Palavras como 'astral,' por exemplo, usada para descrever não só os planos do ser, mas também o tipo de corpo que substitui o físico na morte, são convenientes, mas suspeitas. Por derivação, 'astral, dos começos' é irrelevante e pelo uso comum é manchado pela associação com as práticas menos respeitáveis ​​das salas de sessões. Mas algum termo precisa ser usado e torna-se confuso para o leitor caso ele tenha que se acostumar a um conjunto de termos desconhecidos e arbitrariamente inventados. Assim os tradicionais foram retidos como o menor de dois males.

Quanto ao relato das experiências reais de "Scott", suspeito que às vezes elas são expressadas em termos mais concretos do que seria pretendido. Afinal, a sua tradução nas nossas palavras foi feita, através da mente condicionada apenas pela experiência terrena. A nossa linguagem nunca esteve destinada a transmitir os matizes e as sutilezas da verdade de outro mundo com exactidão, e o escritor muitas vezes tem tido consciência dos significados que tantas vezes irrompem na linguagem e escapam à compreensão." Se o que eu escrevi fica aquém da verdade, o leitor pode ter conhecimento de que que a verdade é algo maior. Não consigo expressar o sentimento de frustração e de desespero com o qual eu percebi a minha própria inadequação.

A esta altura a fiabilidade do médium torna-se importante. Inadequação eu admito; mas eu posso e garanto a minha própria honestidade. O que recebi é aqui registado e o leitor deve julgar quanto à sua probabilidade por si mesmo.
JANE SHERWOOD.

* A Ponte Psíquica e o País Além

(continua)
Tradução: Amadeu A. 

Sem comentários:

Enviar um comentário