sábado, 6 de maio de 2017

VOZES XXV



DOUGLAS CONACHER  
CRISTO FOI UM GRANDE MÉDIUM
Mickey: Eu não sei se vocês vêm aqui conversar connosco ou conversar uns com os outros.
Audiência: Ah, céus! (Riso geral)
Michey: Estava só a entrar convosco...! Mas vocês precisam rir porque as pessoas falam falam, falam e não compreendem. Estive aqui no outro dia uma série de gente mas nunca do jeito que costumava ser... Como se interessasse. Não tem importância. Só queria dizer que precisamente de um certo modo é compreensível, mas até certo ponto não falam mas ficam tensas durante os trabalhos, o que não ajuda. É melhor estar descontraído. Bom, não demasiado concentrados, por isso também não ser propriamente ajuda nenhuma.
Como estás, tia... (Voltando-se para Eira Conacher) por saber que os teus livros vão ser publicados...
Eira: Vai, sim...
Michey: Mas não sairão senão dentro de uns dias, não é?
Eira: Amanhã!
Mickey: Amanhã?! Bem que o tio Conacher foi fiel ao que disse. (Riso geral) Fiquei surpreendido por não teres desenhado a capa do teu livro por seres artista, não és?
Eira: Isso foi interessante, Mickey, por que isso me foi pedido, mas não me ocorreu nada que fosse adequado pelo que...
Mickey: De qualquer forma, estou certo de que ele irá gostar, pois afinal não é ele que diz que é o interior e não o exterior que importa...?
Eira: Claro que sim.
Mickey: Mas claro que eu suponho que o exterior é importante, porque afinal é o que vende o livro. A decoração é feita de linhas retas, não?
Eira: É sim, para dar uma certa ideia de comprimento de ondas. Achei mais do que apropriado, Mickey. Por indicar o que o Douglas irradia a partir do seu cérebro. Ah, ele agora não possui cérebro nenhum, mas mente, não é?
Mickey: É, suponho que sim. Mas muita gente não entende. Quero dizer, acham que não podem pensar a menos que disponham de um cérebro. Bom, precisam ter um cérebro no corpo físico, mas uma vez aqui têm uma... como é que lhe hei–de chamar...? Não é um cérebro conforme vocês entendem o cérebro, mas uma estação receptora, suponho. É como se fosse capazes de ter percepção e consciência das coisas, mas não precisam ter um cérebro para o reter ou usar como instrumento... ora, mas é difícil explicar às pessoas. Há coisas que não chegamos a conseguir explicar adequadamente.
Eira: Pois, mas isso parece-me interessante.
Mickey: Com que então, sempre publicaste aquela foto do homem de negro e sem o chapéu? (Audiência: Ah, não, meu caro...) (Riso geral) Eu vi várias fotos e vi uma em que ele estava de chapéu.
Mickey: Sim, eu disse isso aos editores, mas eles preferiram aquela em que ele está sem chapéu, Mickey. Entende, temos que deixar a definição disso a seu cargo...
Mickey: Suponho que sim, claro. Mas acho que podiam ter usado uma fotografia minha no fundo da capa. (Riso).
Eira: Ah, Mickey não podia estar mais de acordo!
Mickey: É uma pena que seja demasiado tarde, agora. Eles deviam ter colocado a foto um pouco mais abaixo para eu poder entrar nela, não?
Eira:  Não que realmente importe, só estou a dizer, mas teria sido muito mais interessante para as pessoas... mas também poderiam não saber de quem se tratava...
Eira: Pois é, tenho que concordar. Lamento.
Mickey: Mas acho que não faz mal... quero dizer, a foto. Eu pensei que aquela (...) mas não sei...
Eira: Sim, lembro-me de teres dito isso, mas...
Mickey: Sabes, mas tu tens o direito a isso (...) Mas não importa, conquanto o livro saia e as pessoas o leiam e lhes traga um incremento e as oriente e tudo isso. Quero dizer, a ideia passa por lhes elevar o íntimo. Creio que o irá conseguir de forma notável.
Eira: Eu também creio que sim.
Mickey: O Douglas sabia que isso ser publicado, ele mencionou isso.
Eira: Pois, ele não veio uma noite destas e disse: "Aquilo do livro está resolvido!" (Falam ao mesmo tempo) Claro que se visses o Douglas agora, ele tem um aspecto tão novo!
Eira: Estou certa que sim. Ele não tem o cabelo comprido, aos cachos?
Mickey: Não. Não tem o cabelo comprido, mas tem-no mais comprido que o normal.
Eira: Eu só perguntei por andar a ver os espíritos um bocado, e ter pensado que ele estivesse a usar o cabelo comprido.
Mickey: Ele é um caso.
Douglas: Que é que é um caso?
Eira: Tu! (Ri) Olá querido.
Douglas: Olá, minha querida. Bom, finalmente! Por fim conseguimos que o livro fosse publicado. Levou um tempo considerável, mas caramba como me encontro feliz. Estou tão satisfeito por isso, e sei que tu também, naturalmente, e estou certo de que o livro venha a fazer um tremendo de um bem e que venha a despertar um tremendo interesse nas pessoas, por toda a parte. Estou certo de que virá a ser um enorme sucesso e não me surpreenderá se vier a ter várias edições. Tenho muita esperança de que (...)
Eira: Pois, tu disseste isso faz tempo, lembras-te?
Douglas: Agora precisamos acalmar e tentar conseguir dar um seguimento. Levou tempo mas saíste-te às mil maravilhas, ceio que realmente conseguiste um óptimo trabalho.
Eira: Bom, tentei fazer um trabalho de preparação.
Douglas: Bom, tu precisavas de o preparar e de ter tudo em ordem e esquadrinhar tudo para tornar o assunto escorreito de um capítulo para o seguinte. Eu acho que te saíste muito bem. Elogio-te por isso, minha querida.
Eira. Ah, isso é muito agradável, querido. Tu conseguiste alguma cópia desse lado? Ou não lê os nossos livros?
Douglas: Tenho... Não, eu tenho uma cópia. Aqui podemos reproduzir tudo quanto desejemos, ou que sintamos ser necessário ou útil ou importante de uma forma ou de outra, para nós. Creio que te terei dito no passado que dispomos de vastas bibliotecas aqui, com todo o género de livro que diga respeito a todos os aspectos da vida e do empreendimento humano. E decerto que acho que devemos tentar fazer mais, se conseguirmos, juntos, já que temos material suficiente para um outro livro...
Eira: Pois, por vida da voz directa...
Douglas: Ah, sim, acho que sim, porque, com toda a franqueza, e com todo o respeito, estou efectivamente agradecido a ti e a todos quantos ao longo dos anos ajudaram à comunicação. Mas quando chego assim, realmente sinto estar em contacto directo. Outros métodos possuem mérito e valem como uma tremenda ajuda nas fases iniciais da investigação, mas ser capaz de vir e falar directamente deste modo é muito mais satisfatório, por garantir uma maior oportunidade de uma menor interferência, ou de os pensamentos os outros se misturarem, ou da mente subconsciente do médium se intrometer no caminho. Tanto quanto sei, este é o método mais directo, pelo que o considero muito mais satisfatório. E estou certo de que tu também...
Bom, minha querida, tu entendes, outras influências dos velhos tempos, de quando costumava visitar outros médiuns, e só Deus sabe o quanto lhes fiquei grato, e ainda estou, mas tínhamos que tentar o melhor que pudéssemos para lhes transmitir mentalmente os nossos pensamentos, que desejássemos transmitir, e por vezes eles eram captados com razoável fidelidade e transmitidos, mas frequentemente imprimiam-lhes a sua própria interpretação, a ideia que faziam do pensamentos que os penetrava. Por vezes chegavam mesmos a alterar, inconscientemente, o contexto de uma frase, e davam uma interpretação diferente daquilo que eu tentava transmitir-lhes. O problema está nisso. Não acho que alguma vez possamos erradicar por completo o médium da comunicação.
Mas com este método, por nos encontrarmos de fora, pois na medida em que o podemos afirmar o médium exerce muito pouca influência nisso, e não afecta consciente ou inconscientemente o fenómeno. Este é, de longe, o método mais satisfatório. A questão está em que sabem que queremos falar convosco por via desta caixa de voz artificial, o que em si mesmo é algo que leva um certo tempo a habituarem-se, por nos estágios iniciais não ser fácil. Acho que é por isso que quando muita gente aqui vem por uma primeira vez tem uma enorme dificuldade em conseguir enunciar a sua voz com clareza e de forma distinta, além de ser capaz de transmitir um aspecto qualquer da sua personalidade. É como tentar fazer diversas coisas ao mesmo tempo; precisamos ter em mente aquilo que queremos transmitir, e nos estágios iniciais evidentemente precisamos tentar recapturar recordações de eventos passados de quando estávamos na terra, que possamos apresentar como prova da nossa identidade. Temos que manipular este mecanismo e como que entrar nele de tal forma que nos tornamos realmente parte dele.
Se não conhecermos o método, se realmente não conseguirmos assumir o controlo, aí obtemos essa confusão e dificuldade. Mas na realidade é muito difícil, no início. Mas assim que ganhamos mão na coisa, assim que nos familiarizarmos com ela e nos ajustarmos e ela, e assentamos ideias com relação a ela não nos permitimos cair na ansiedade nem presos a emoção. Isso é uma outra coisa que quando as pessoas aqui chegam por uma primeira vez apresentam - muita emoção, muita excitação, mas isso é o que justamente torna mais difícil falar de forma distinta e de nos atermos à maneira de pensar que tínhamos e ao que queremos dizer, etc. Nas fases iniciais é muito complexo.
Eira: Suspeito que isso se deva ao facto de teres sido um bom orador. (A esta altura Leslie começa a tossir, e Douglas deixa de acompanhar o que a viúva diz. Eira dirige uma pergunta a Douglas mas Leslie, pensando que lhe está a ser dirigida, responde que "não" e pede desculpa. Curiosamente Douglas ao mesmo tempo também pede desculpa por ter deixado de acompanhar o que ela perguntava.)
Douglas; Que foi que disseste?
Eira: Dizia que na terra também foste um bom orador e sempre soubeste articular as ideias, pelo que suponho que isso deverá ter contado, não?
Douglas: É claro, estás a entender. É muito difícil pôr em palavras aquilo que desejamos dizer. Quando te falo, é como se por uma forma estranha qualquer não é somente aquilo que te estou a dizer, o que tu estás a receber, todos os outros pensamentos se encontram como que na atmosfera, o que parecerá estranho de dizer, mas quando conversamos e quanto nos esforçamos por vir a vós, toda a atmosfera se encontra prenhe (conforme o termo indicado a empregar) de pensamentos pertencentes a todo o tipo de coisa, em particular coisas que digam respeito ao aspecto particular da vida aqui. Por outras palavras, aquilo que tento fazer é tentar aclarar as ideias, tentar ter tudo como que em ordem, ater-me a uma conversação normal enquanto ao mesmo tempo falo contigo sobre coisas que sinto que de certo modo sejam importantes ou pelo menos reveladoras, na medida em que cabe no meu poder transmitir por palavras coisas que pertencem à vida que aqui levo, que afinal, depois de tudo dito e feito, se acha bastante distanciada no material. Embora em muitos aspectos não tenhamos forma de expressar a vida que aqui levamos.
Eira: (Pergunta sobre o tipo de trabalho com que se ocupa).
Douglas; Bom, faço diversas coisas. Sou um professor. Penso que a melhor maneira de o explicar é dizendo que visito diversos planos, ou esferas, onde milhares de almas vêm viver, em diferentes níveis de consciência, mas quero deixar bem claro que muitas dessas almas se dão por muito contentes com o ambiente em que vivem e se sentem completamente contentes com o seu modo de vida e com o que têm a experimentar nelas e ao seu redor. Muito raramente nos deparamos com gente que se sinta estressada ou profundamente infeliz; isso acontece de longe a longe, embora o tempo não tenha existência da mesma forma para nós. Mas seja como for temos uma certa consciência do tempo, e como que entramos num novo ambiente.
Muita vez, devo dizer, encontro-me num nível inferior ao que mereço, com a ideia de infiltrar nessa gente algo inerente à vida que tenhamos experimentado, que esteja para além do seu conhecimento ou experiência normal. Por outras palavras, como que despertar-lhes o desejo de mais conhecimento ou de mais experiência. Mas que evidentemente também com o intuito de ficar a saber, não só falar (talvez seja o termo adequado) embora quando refiro "o discurso" não me refira ao que tu compreendes ao falar contigo. Nós podemos transmitir, através da força dos nossos pensamentos, por intermédio da reunião da experiência que queremos transmitir às pessoas, fazendo vibrar (suponho que a palavra correcta seja esta) a atmosfera existente aqui - e existe uma atmosfera, embora não idêntica à que vocês aí têm, mas é uma coisa real para nós - e somos capazes de transmitir, por diversos comprimentos de onda (uma vez mais, é a única forma porque o posso pôr) não só aquilo que estamos a pensar, o que estamos a sentir ou a expressar, mas também o podemos expressar por imagens...
Nós somos capazes de transmitir imagens-pensamento, pelo que, quando transmitimos alguma coisa, digamos, quando tento transmitir às pessoas algum aspecto da minha vida e as próprias condições em que nós existimos, as experiências por que passamos, também as podemos retractar por imagens de uma forma que enquanto ouvem as nossas ideias - porque elas ouvem sob a forma de ondas sonoras, elas escutam as nossas vozes, quer tenham consciência ou não das forças do pensamento que tentamos criar ou enunciar, elas também conseguem ver através da forma de imagens, na atmosfera, aquilo que tentamos retractar. E assemelha-se muito - quase - ao aparelho de televisão, embora essa não seja bem uma descrição exacta, mas...
Quando consideramos que se podem sentar numa sala e ligá-lo, e aí à vossa frente no ecrã conseguem visualizar, conseguem ver imagens em cor, de algo que esteja a suceder à distância, tudo isso se encontra na atmosfera; as pessoas não compreendem isso, o que constitui um problema. Se compreendessem mais estas coisas do vosso lado, assim como, em certa medida nos planos próximos da terra onde também não têm consciência de determinadas coisas, entendes. As pessoas não se tornam subitamente conscientes nem têm percepção de muitas das outras coisas que agora são coisa comum, para mim. Para muitos, começar a expandir a visão, o conhecimento e a experiência que têm, e assimilar uma experiência suficiente é "processo" que leva muito tempo, que a torne credível e compreensível... Embora vocês no vosso mundo saibais que isso seja possível, sentar-vos numa sala e assistir ao que sucede a milhares de milhas de distância, tudo isso reside na atmosfera, e manter-se-á, por assim dizer, na atmosfera. E tudo quanto se encontre na atmosfera, poderá, até certa medida, ser captado e assim mesmo transmitido, por intermédio daquilo que poderão chamar de "transmissores."
Poderão dizer, se o preferirem, que nós sejamos, não só "aparelhos receptores," coisa que somos, mas somos igualmente capazes de emitir...
Eira: Pois é, tu não me enviaste aquelas imagens...?
Douglas: Num certo sentido estava a querer chegar a isso, por ser isso que eu tenho estado a fazer, entendes? Tu podes conseguir isso de uma forma bem-sucedido; as pessoas precisam estar em harmonia, ou por assim dizer em ligação, mas é claro que isso é algo que temos vindo a estar há muito tempo - há séculos, na verdade - em comunicação, juntos, pelo que eu sou capaz de "remeter" para ti imagens mentais inerentes a mim e à vida que aqui tenho, assim como a experiências. Quando te encontras em paz e não és perturbada por nada que te rodeie, és capaz de sintonizar, e eu sou capaz de emitir e tu recebes impressões e imagens mentais acerca de toda a sorte de coisas...
Eira: Sim, por vezes vejo-as na parede...
Douglas: É isso! Para mim é uma tragédia que vastos números de pessoas, milhões e millhões, não perceba o poder que as circunda na vida material da terra, que é gerado na atmosfera, por nós emitirmos todo o tipo de coisas, e claro que o mesmo num certo sentido... que verdade será dizer que as coisas estejam a ser emitidas a partir de estações de difusão que emitem ao longo do éter e da atmosfera toda a sorte de sons que podem ser captados por toda a sorte de instrumentos - e agora é claro que a televisão retracta bem isso... (Nesta passagem Leslie, Douglas e Eira voltam a falar ao mesmo tempo)
Eira: ah, e isso (...) pelo mundo todo ao mesmo tempo? Aos Domingos...
Douglas: ...pensar que depois de todos estes anos a minha voz ainda vibre na vossa atmosfera e que as pessoas sejam capazes de escutar aquilo que digo, para alguns parecerá estranho e bizarro; alguns acreditarão enquanto outros não. Eu só acho que  enviamos sementes, e que iremos enviar mais sementes, e que muitos se sentirão muito abençoados com isso, muito abençoados, por em certa medida erradicar muitas das falsidades e da estupidez do passado e as doutrinas que até certo ponto foram alteradas com o tempo. A única verdade fundamental da vida tem vindo a ser objecto de tal bagunça pelas teorias e ideias criadas pelos homens e por toda a sorte de coisas estranhas que têm sido induzidas ao longo dos séculos que... com toda a franqueza reduziram a realidade que está enterrada por baixo.
A verdade na realidade é, e há séculos que tem sido ignorada, poder-se-á quase dizer, é uma tragédia...
Eira: ...por exemplo, eu acredito que a reincarnação fez parte da fé cristã, depois que foi estabelecida em Constantinopla em 556...
Douglas: Sim, a Igreja Primitiva enterrou-a... pois é claro, que não há dúvida quanto a isso. Com a passagem do tempo, surgiram diversos indivíduos que, pelas mais diversificadas razões pertinentes a eles próprios descartaram um monte de coisas e jogaram fora coisas que acharam que podiam vir a representar uma pedra no caminho à criação de uma organização poderosa, pelo que tornaram isso muito numa coisa fabricada pelo homem, receio dizer. A maioria dessa gente porventura terá pensado estar a fazer a coisa adequada que o mundo necessitava mas, se recuarmos no tempo e na história poderemos ver estas mudanças graduais e ocorrer, pelo que muita da evidência do que residia na sua beleza pristina e absoluta certeza e certeza quanto à realidade da vida porvir foi destruída ou submergiu...
Quando se considera o grandioso exemplo do Cristo em particular, percebe-se que aquilo que ele alcançou e fez, e a forma como ele próprio estabeleceu o caminho, que os homens ao longo dos séculos obscureceram até certa medida, a simplicidade, entendes... Toda a verdade é fundamentalmente simples, não é tão complexa quanto as pessoas parecem pensar, ou a tornaram...  A total simplicidade e beleza e realidade do Cristo e da sua doutrina, o cainho que ele palmilhou e a forma como ele... "Eu Sou o caminho, a verdade e a vida..." não resta dúvida de que o Cristo compreendeu que se o seguirmos, se nos esforçarmos por conseguir conforme ele conseguiu, poderemos realizar como ele disse: "Coisas maiores que estas farão porque eu vou para o meu Pai..." que claramente implicam que as coisas que ele fez eram uma coisa normal e natural que qualquer um poderia empreender ou realizar se alcançasse a realização do poder do espírito interior.
Não resta a menor dúvida na minha mente que Cristo compreendeu essas coisas que constituíam funções normais e naturais nele, que ele era capaz de exibir e de demonstrar; não tenho a menor dúvida de que Cristo soube que o homem era fundamentalmente um ser espiritual dotado de poderes espirituais e de faculdades espirituais - em estado dormente, latente dentro de si - que ele poderia utilizar e expressar num sentido material igualmente, a fim de conceder o encorajamento e o esclarecimento e a certeza à humanidade...
São Paulo fala dos dons do espírito, do dom da profecia e da cura... Cristo fez todas essas coisas, e até mesmo à mulher junto ao poço ele revelou o seu passado; ele era capaz de ver no passado e no futuro e de conhecer até mesmo aquilo que estava oculto das pessoas no presente.
Eira: Sim, ele foi um médium maravilhoso...
Douglas: ...ele foi fundamentalmente um grande médium, um grande instrumento, um instrumento por meio do qual a humanidade poderia ver a luz da verdade do espírito. Mas infelizmente, receio ter que dizer que ao longo dos séculos a Igreja obscureceu e ignorou estas coisas. Mas se a Igreja avivasse essas verdades, e demonstrasse - e isto importa realçar - se demonstrasse essas coisas, nas igrejas, as pessoas regressariam e obteriam a compreensão e a verdade de que tão desesperadamente precisam. Ninguém precisa temer a morte - já disse isto anteriormente - a morte é uma porta de acesso à vida, à vida eterna, para uma maior realização e compreensão do propósito e sentido do ser. Nós encontramo-nos o tempo todo mergulhados no Ser; jamais estagnamos ou ficamos inactivos, estamos sempre em movimento; a vida é mudança constante - é disso que se trata...
Eira: Espero que não estejas a trabalhar demasiado, querido, porque por vezes sinto que estás (...) mas quando ocasionalmente te vejo...
Douglas: Quando se está a trabalhar está-se contente, e se estivermos a fazer o tipo de trabalho que nos traga alegria ao coração - a noção de estarmos a servir, de estarmos a ajudar, de estarmos a elevar e a orientar, e em certos sentidos eu tenho estado a inspirar outros no sentido de buscarem e de descobrirem. A questão toda, minha querida, está em que todos nós, mais ou menos, de acordo com a nossa experiência, estamos de uma forma ou de outra a trabalhar pela melhoria da raça humana e da humanidade; cada um está a contribuir com o seu bocado, por assim dizer, de acordo com a luz de que dispõe. Até mesmo aqueles que se encontram nos planos inferiores estão em busca, porventura sem que tenham sempre consciência do facto de estarem a buscar, no entanto têm uma percepção íntima da falta de algo e de que necessita daquela orientação mínima, daquela pequena inspiração, daquela pequena ajuda que nós podemos dar e que se estabelece por entre o caminho do verdadeiro progresso.
A humanidade toda anda à procura e em busca, e assi que começar a encontrar o verdadeiro caminho que começou a trilhar e começar a descobrir por si muitas das coisas que anteriormente se encontravam ocultas – é disso que se trata, e é por isso que eu aqui venho e por que outros vêm igualmente, por querermos guiar o mundo para a percepção do poder do espírito, que se encontra em estado dormente na humanidade. Traze-lo ao de cima, de forma que o homem possa expressar as coisas do espírito, enquanto ainda reside na carne, de modo que possamos mudar o vosso mundo e torna-lo mais ciente d vontade de deus e do propósito dos Seus filhos, e derrubar as barreiras que o homem criou ao longo dos séculos por meio de doutrinas idiotas, por meio do credo e do dogma que separa o homem do seu semelhante.
Nós queremos ver o mundo conduzido à iluminação e à verdade, de modo que o mundo se veja livre da tristeza e do sofrimento, e para que não exista infelicidade nem doença, quer da mente quer do corpo, e para que o homem possa verdadeiramente viver em paz, na tranquilidade, na harmonia e no amor junto, numa verdadeira fraternidade, independentemente da cor, credo ou classe. Estas são as coisas que precisamos derrubar para que descubram o caminho que todos os homens possam trilhar com humildade e alegria, numa verdadeira fraternidade e felicidade, e partilhe e sirva em conjunto, e faça a vontade de Deus enquanto aqui na terra. Esse é o nosso objectivo e tarefa, é por isso que aqui venho e milhares como eu – para prestar assistência e para elevar, para guiar a humanidade de volta ao caminho da verdade. Sabe que assim é. Só posso acrescentar que esse livro constitui um primeiro passo para nós, e que se Deus quiser haverão mais, por podermos e pelo menos devermos publicar um outro livro. Mas sabe que estes livros irão fazer sucesso. Eu sei que vão ser um sucesso, e sei que muitos virão a ser ajudados, pelo que poderemos dizer que teremos feito um excelente trabalho. Mas tu sabes que entre nós já conseguimos um excelente trabalho...
Eu fico-te agradecido, minha querida. Nós somos todos instrumentos, querida, e tu és tanto um instrumento quanto eu sou, e eu sou tanto um instrumento quanto o médium, o Mickey e todos os demais que se acham ligados neste padrão que estamos a criar. Sabes, por vezes assemelha-se a um quebra-cabeças, um bocado aqui, um bocado ali que se encaixa e gradualmente começamos a ver o quadro a tomar forma, e embora tenhamos um pouco mais que fazer entre nós para satisfazermos esse quadro e o tornarmos claro e distinto de forma que todos o consigam ver. Grande parte desse quadro já foi revelado mas muito ainda está por o ser feito para que o consigamos realizar - um outro livro pelo menos, antes que te venhas aqui juntar a mim. Eu sei que já assentaste a ideia disso e que estão determinadas coisas em andamento na tua mente.... mas seja como for, minha querida, preciso retirar-me.
Eira: Viste a minha mãe?
Douglas: Vi, e ela encontra-se bem e feliz.
Eira: E o meu irmão?
Douglas: Sim, e ele envia-te o seu amor e bênçãos. Lamento que quando aqui venho assim, ocupe o tempo todo, mas eles enviam-te o seu amor. Agora preciso ir. O meu amor e bênçãos. Estou encantado, e temos razões para nos sentirmos encantados. Um trabalho foi completado e outro está por vir; porém, no devido tempo será conseguido. Eu sei que te vais sentir muito alegre com o teu desejo. Deus te abençoe. Agora tenho que ir, adeus, querida. Adeus, Sr. Flint.
Eira: Adeus.
Flint: Adeus.
Douglas: Deus o abençoe (peço desculpa).
Flint: O quê? Ah, obrigado (Eira ri).
Mickey: Adeusinho!
Eira e Flint em uníssono: Adeus, Mickey.
Eira: Foi formidável, não?
Flint: Foi, hoje foi maravilhoso...




Tradução: Amadeu António

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