terça-feira, 2 de maio de 2017

FREDERIC MYERS




FREDERICK MYERS
O CAMINHO PARA A IMORTALIDADE
(UMA VERSÃO)

Uma descrição do pós-vida alegadamente comunicada por FWH Myers
[Frederic William Henry Myers, 1843-1901]
por inter(médium) de
GERALDINE CUMMINS

"Porquanto tem sido a minha sina empenhar-me num trabalho mais importante e mais bem-sucedido do que qualquer coisa que na minha própria capacidade ou carácter me pudesse levar a a esperar. Tenho sido um do grupo central interessado num grande esforço; o esforço de perfurar, através de métodos científicos, o mundo-velho, o véu nunca-penetrado. O movimento que tomou manifesta forma em 1882, com a formação da Sociedade para a Investigação Psíquica, foi auxiliado na verdade pela ajuda de outras partes, porém, no seu carácter essencial resultou da concepção de algumas mentes, e foi dirigido através de seus perigos iniciais por um pequeno grupo de amigos íntimos. Com este esforço por informar a verdade real quanto ao destino do homem eu tenho, desde o começo, sido identificado e, por assim dizer, utilizado. Edmund Gurney empenhou-se na obra com uma energia mais ciosa; os
Sidgwicks com uma sabedoria mais abnegada; mas ninguém mais sem reservas do que eu próprio apostou tudo naquela esperança distante e crescente."
Frederic Myers

PARTE I
A EXISTÊNCIA PÓS MORTE
COMENTÁRIO

Ao escrever sobre esse mistério que os homens chamam de "O Outro Mundo," "Existência Pós-Morte" ou "As Muitas Mansões do Pai," eu estou, compreenderão, limitado àquilo que conheço, limitado às minhas próprias experiências. Portanto, só posso esforçar-me por escrever a verdade conforme a percebo. Precisam perdoe-me se parecer que eu blasfeme, ou se eu parecer que estou  simplesmente a pisar o caminho que outros pisaram. Estamos a trabalhar, espero eu, para o mesmo fim. Ambos sentimos, porventura, que se pudermos acrescentar qualquer coisa à soma do conhecimento humano, quanto à natureza espiritual do homem, as nossas dores e os nossos esforços valerão a pena. Vocês e eu talvez não tenhamos o poder de produzir acontecimentos sensacionais, mas pelo menos podemos, à nossa maneira, contribuir para o avanço do conhecimento da existência de vastos horizontes muito para além da nossa percepção,  que se estendem  de forma ilimitada até ao infinito.

Essas observações errantes minhas são a expressão do conhecimento "do outro mundo" que eu possuo. Eu só posso narrar-lhes a verdade conforme me é dado conhecer. Muitas e variadas são as condições que prevalecem quando a alma ganha vida neste mundo, ou num dos estados a que ficamos sujeitos depois morte. Eu uso deliberadamente o termo "ganha vida" em conexão com a alma. Pois a alma parece-nos a nós como que morta quando vive no seu corpo de argila conforme nós haveríamos de parecer ao agnóstico comum. É certamente verdade que muitos de nós, sombras, quase duvidamos da existência da alma dos corpos de certos homens e mulheres de baixa estirpe animal, que vivem, no sentido físico, na terra na actualidade.

Capítulo I
PORQUE?
O ENIGMA DA ETERNIDADE

Muitas foram as especulações maravilhosas que foram feitas a respeito dos factores "de onde" e "para onde" do destino do homem. Poucos tentaram directamente discutir a razão porque o homem foi criado, porque o universo material gira aparentemente para todo o sempre através do espaço, enquanto os seus elementos prosseguem sem fim e sem que nada se perca, de aparentemente imortal, mas mude nas imagens que adopta.
"Uma vasta máquina sem propósito." Tal foi o epitáfio que o cientista do século passado escreveu acerca disso, ao fazê-lo, afirmou a fé dos homens pensantes da sua época, ou seja, que não existe qualquer razão. Não existe, pois, realização alguma. A matéria constitui a única realidade. E esse terror, o terror de um drama mecânico destituído de sentido, do drama do movimento e da vida, deve, com sinistra monotonia, andar por aí para todo o sempre.

Bom, a verdade está longe de todos nós; mas ainda está imensamente mais distante daqueles que chegaram a essa melancólica conclusão. No entanto, se aceitarem que a mente existe separada da matéria, coloca-se-lhes a perspectiva definida de descobrir a razão dessa estranha fantasia da existência. Em primeiro lugar, é necessário defini-la, na medida do possível, numa frase. Se o conteúdo do seguintes frases forem tomadas como uma hipótese de trabalho, então poderemos encontrar uma resposta para o enigma da eternidade.

Sombra e Substância:
Matéria, Alma e Espírito:
Manifestação e a sua Fonte:
Deus, o Princípio Unificador:
Desintegração na Matéria, numa substância cada vez mais fina e refinada:
Nova Unificação no Espírito.

PORQUE?

O espírito, ou mente mais profunda, que nutre um número de almas itinerantes com a sua luz é um
pensamento de Deus. Este pensamento é individualizado, só que não no sentido humano. É individual
na medida em que adopta uma certa separação do seu Criador, a separação da coisa criada d'Aquele
que lhe deu vida.

Ora bem, o místico fala do Deus dentro dele. Esta é uma afirmação inteiramente errada. o termo Deus significa a Mente Suprema, a Ideia que se acha por trás de toda a vida, o Todo em termos de puro pensamento, um Todo dentro do qual são embalados o Alfa e Omega da existência enquanto conceito mental. Cada acto, cada pensamento, todo facto da história dos Universos, todas as partes deles, se acham contidos nesse Todo. Aí se encontra o conceito original de todos. Por isso, é uma presunção absurda por parte do místico de chamar ao seu próprio espírito Deus.

Essa miríades de pensamentos, ou espíritos, gerados por essa Poderosa Ideia, diferem uns dos outros; muitos deles, quase todos, antes de se controlarem e de se manifestarem na matéria, não passam de embriões grosseiros, inocentes e incompletos. Precisam reunir em si mesmos inúmeras experiências, manifestar-se e expressar-se por incontáveis formas ​​antes de atingirem a plenitude, antes que poderem conhecer a plena sabedoria, a verdadeira realidade. Uma vez adquiridos, eles poderão adoptar atributos divinos e passar além, penetrar na Ideia Suprema e tornar-se parte do Todo.

A razão, portanto, do universo e de todas as aparências, até mesmo das poucas alegrias pouco e tristezas mundanas dos seres humanos, deve ser encontrada no termo "evolução do espírito," a necessidade de plena realização que pode ser obtida através da limitação, através da expressão do espírito na forma. Pois somente através dessa expressão o espírito poderá crescer, desenvolvendo-se desde o embrião, só através da manifestação na aparência poderá o espírito obter realização. Foi por esse propósito que nascemos, é por esse propósito que nós penetramos e passamos por miríades de mundos ou estados, enquanto o universo material está constantemente a crescer e a expandir-se, dando uma expressão mais e mais completa à mente. O propósito da existência pode ser resumido numa frase - a evolução da mente, variável em grau e tipo, na matéria - de modo que a mente se desenvolva através da manifestação, e num universo cada vez mais crescente em poder, de modo a ganhar assim a verdadeira concepção da realidade. As miríades de pensamentos de Deus, aqueles espíritos que insuflam vida em todas as formas materiais, são as mais baixas manifestações de Deus, e precisam assim aprender a tornar-se Deus - a Tornar-se parte efectiva do Todo.

Capítulo II
O GRÁFICO DE EXISTÊNCIA

Segue-se um índice, ou melhor, um itinerário da jornada da alma.

(1) O Plano da Matéria.
(2) Hades ou o Estado Intermediário.
(3) O Plano da Ilusão.
(4) O plano de Cor.
(5) O Plano da Chama.
(6) O Plano da Luz.
(7) O Além, a Intemporalidade.

Entre cada plano ou novo capítulo da experiência há uma existência no Hades ou num Estado Intermediário, quando a alma revisa as suas experiências passadas e procede à sua escolha, e decide se vai ascender ou descender a escada da consciência.

(1) O Plano de Matéria consiste de todas as experiências tidas na forma física, na matéria, como é do conhecimento do homem. Essas experiências não se limitam à vida terrena. Existem experiências similares em várias regiões estelares. Às vezes, o corpo vibra mais rápido ou mais lento que o corpo de homem em tais lugares estelares. Mas o termo "físico" expressa o seu caráter e natureza.
(2) (NT: Em falta no original)
(3) O Plano da Ilusão é o período de sonho ligado à vida passada no Plano da Matéria.
(4) O Plano da Cor. A existência neste estado não é governada pelos sentidos. É mais directamente controlada pela mente. É ainda uma existência na forma, e por conseguinte, uma existência na substância. Essa substância constitui uma matéria muito rarefeita. Poderia ser chamado de ar da matéria. O Plano da Cor situa-se dentro da zona terrestre ou dentro da zona estelar correspondente em que a alma anteriormente tenha tinha experiência de uma existência física.
(5) O Plano de Chama Pura. Nesse estado, a alma toma consciência do padrão que o seu espírito tece na tapeçaria da eternidade e percebe toda a vida emocional das almas alimentadas pelo mesmo espírito.
(6) O Plano da Luz Pura. Dentro das suas fronteiras, a alma obtém uma concepção intelectual de todas as existências anteriores obtidas dentro da sua alma-grupo. Além disso, ela percebe toda a vida emocional dentro do corpo do mundo ou alma da terra.
(7) Por último, o Sétimo Plano. O espírito e suas várias almas estão agora fundidos e passam para a
Mente Suprema, a Imaginação de Deus, onde reside a concepção do Todo, da Universo atrás de universo, de todos os estados de existência, do passado, presente e futuro, de tudo quanto tiver existido e de tudo o que vier a existir. Aqui tem lugar uma consciência contínua e completa, a verdadeira realidade.

Capítulo III
O PLANO DA ILUSÃO
O TERCEIRO PLANO

A brevidade pode ser a alma da sagacidade, mas também pode ser a alma do erro. Será necessário
que eu criasse um pequeno dicionário se quiser dar-lhes as minhas opiniões, numas quantas páginas, sobre esse tema interessante da vida eterna.
Definirei primeiro a multidão dos recém-falecidos, aquelas ondas tumultuosas de vida que se espraiam, dia e noite, como as marés, nas nossas enseadas. Nascimento e morte são dois termos que contêm o mesmo significado. Quão estranhamente eles me soam agora; por eu ter vivido tanto tempo num estado em que as palavras são obsoletas, e em que os pensamentos reinam supremos.

Grosso modo, os recém-falecidos podem ser divididos em três categorias:
Homem-espírito,
Homem-alma
Homem-animal.

Existem muitas subdivisões desses estados particulares de graça ou desgraça. Mas tenham estes
três termos em mente, porque qualquer que seja aquele a que pertencerem assim o vosso futuro será determinado.

De seguida poderei classificar as condições ou o ambiente.
Em primeiro lugar, há a vida terrena.
Em segundo lugar, o período de transição conhecido como Hades.
Em terceiro lugar, existência dentro da imagem ou reflexo da terra conhecido por alguns como "O Lugar do Eterno Verão"; Eu prefiro chamá-lo de "Terra da Ilusão."
Em quarto lugar, toda aquela vida que é trajada na forma conforme é conhecida do homem, todas aquelas vidas em corpos cada vez mais refinados que estão ligados ao universo material.
Em quinto lugar, uma existência mental ou intelectual dentro da alma-grupo, na qual você defrontam - mas apenas como um acto de pensamento emocional - todos os estágios de existência que pertencem
àquelas várias almas alimentadas pelo mesmo espírito. Já falei antes da alma-grupo e já a defini.

Sexto, uma existência consciente dentro e fora do tempo; a medida do tempo é todas aquelas vidas passadas na forma. Abrange a existência nas formas mais tênues; abrange a experiência na matéria, qualquer que seja o seu carácter ou grau.
Por fim vem o sétimo estado, a fusão da jornada da alma com o seu espírito. Quando vocês alcançam essa beatitude vocês passam para o Além, e percebem o significado do termo "imortalidade." A matéria é transcendida, rejeitada. Vocês entram na intemporalidade e tornam-se um com a Ideia que existe por trás de toda a vida, um com Deus, um com a parte do Seu Espírito que tem estado ligado a vós em todos os planos da existência.

O Mundo da Memória

A Terra é como um reflexo num espelho; Só é real por causa da imagem que é lançada sobre a vidro. A Terra, portanto, depende no reconhecimento da natureza da visão e da percepção individuais. Todos os homens, que se encontram encarnados no barro são irreais, pelo que só têm o poder de perceber essa estranha ilusão de um certo modo, o globo que gira rapidamente. Quando eles se livram do corpo denso, quando numa forma mais fina eles alçam voo dele, frequentemente não percebem a irrealidade fundamental da Terra e anseiam pelo sonho que para eles representava o lar. Então essas almas batem e a porta é aberta, eles penetram num sonho que, nos seus principais elementos, se assemelham à Terra. Mas agora esse sonho é memória e, por um tempo, eles vivem dentro dela. Todas as actividades que constituíram a sua vida anterior são repetidas, isto é, se tal for a sua vontade. Eles podem, a qualquer momento, se quiserem, escapar da espiral das recordações da terra, do que eu poderia chamar de "fraldas" da vida pós-morte. Porque todas essas almas são como bebês, e desconhecessem o mundo real que habitam, e não possuem mais conhecimento do que as crianças do vasto giro da vida que as rodeia, das suas assombrosas actividades, das suas realizações.

Essas almas infantis comunicam-se frequentemente com a terra quando estão num estado quase
análogo ao do sono que tinham na terra. Então esforçar-se-ão por descrever o mundo da sua memória. É quase exatamente semelhante ao que vocês habitam no momento. Alguns chamam esse sonho de memória "Lugar do Eterno Verão" - um termo bastante adequado. Por a alma, livre das limitações da carne, possuir muito maiores poderes mentais, e poder adaptar o mundo da memória a seu gosto. Ele faz isso inconscientemente, ao escolher instintivamente os velhos prazeres, mas cerrar a porta às velhas dores. Ele vive por um tempo nesse estado beatífico e infantil. Mas, à semelhança do bebé, ele habita apenas um sonho, e quase não possui conhecimento e percepção da vida maior em que ele se encontra agora radicado. Claro que a hora do despertar das suas faculdades espirituais chegará, em que ele procurará escapar do sonho-memória, em que, em suma, ele perceberá o incremento dos seus próprios poderes intelectuais e, acima de tudo, a capacidade de viver num plano mais refinado do ser. Depois ele passa do Estado da Ilusão e entra numa existência que poucas inteligências que comunicam nunca tentaram descrever ao homem.

No entanto, para aqueles de nós que viajaram para além do mundo da memória esta alegada região
ou céu dos defuntos é falso porque é irreal, e constitui um reflexo de um outro reflexo, um tênue sonho que se desvanece diante do conhecimento espiritual. Quando o cruzamento da morte é alcançado muitos sentem-se felizes nesse estado de graça; mas a sua é uma felicidade vegetativa, o conteúdo ininteligente de uma criança que pouco ou nada sabe do mundo em que vive.

O Hades

Hades é um termo que corresponde ao plano astral. Imediatamente após a dissolução do corpo lá sucede um breve período de aparente desintegração, um deslocamento temporário daquelas partes que os tornam íntegros. Orem para não evocarem associações desagradáveis ​​em associação com o Hades. Eu morri na Itália, uma terra que eu amava, e encontrava-me muito esgotado no momento da minha passagem. Para mim Hades era um lugar de descanso, um lugar de meias-luzes e de uma paz apática. Tal como um homem ganha força de um prolongado e profundo sono, assim também eu recolhi essa força intelectual e espiritual de que eu necessitei durante o tempo em que permaneci no Hades. De acordo com a sua natureza e composição, todo viajante da terra é afectados de maneira diferente ou variável por este lugar ou estado que se situa nas fronteiras das duas vidas, nas fronteiras de dois mundos.

A Ilusão

Durante o período passado no plano astral a alma livra-se da forma astral e entra no corpo etérico dentro do qual ela reside, conquanto opte por habitar na Terra da Ilusão, nesse Reflexo de outro reflexo, esse sonho da personalidade da terra. Paz e satisfação prevalecem enquanto ela permanecer dentro das suas fronteiras. Mas com o tempo essa paz torna-se cansativa; pois nenhum progresso real, ascendente ou descendente, poderá ser alcançado nessa deliciosa região de sonho. Imaginem-no por um momento: vocês vivem num ambiente que se assemelha àqueles que vocês conheciam na terra. Você estão, é verdade, livres das preocupações como o dinheiro, livres da necessidade de ganhar o vosso pão de cada dia. O vosso corpo etérico é nutrido por uma luz que não é a luz do sol. Possui também de energia e vida. Não sofre dor, nem se vê submetido a qualquer tipo de luta. É como se vocês vivessem numa lagoa, mas em breve vocês cansam-se das limitações daquele lençol calmo e imperturbável de água. Vocês anseiam por luta, esforço, êxtase; vocês desejam amplos horizontes. O chamado do caminho veio vem até vós de novo. Em suma, vocês estão ansiosos por conseguir um maior progresso ascendente ou descendente.

O Homem-animal

Se vocês forem o que eu designo por Animal-homem, por outras palavras, se vocês pertencerem ao tipo primitivo, vocês farão uma escolha correspondente. Vão desejar querer ir para baixo, ou seja, vão optar por se tornar um habitante da matéria tão densa quanto o corpo físico que vocês descartaram quando vocês passaram para o Hades. Geralmente vocês retornam à terra. Mas disseram-me que o Homem-Animal ocasionalmente prefere entrar numa existência material nalgum outro planeta em que a matéria seja ainda mais densa do que qualquer substância terrena.

Os seres humanos existem em diversos planetas, mas os seus corpos materiais encontram-se sujeitos a um tempo diferente do tempo da terra, e viajam, pois, no ritmo desse tempo. Consequentemente as suas partes físicas vibram mais lentamente ou mais rápido do as vossas e podem não ser descobertas por meio dos sentidos do homem. Eu chamo esses seres de seres humanos, por causa das condições das suas vidas, e por a construção das suas partes físicas ser semelhante à do homem.

O Lugar de Repouso no Caminho

Afirmei que nenhum progresso é conseguido na Terra da Ilusão. O que, num certo sentido, é incorreto afirmar. Nenhum progresso aparente é conseguido. A terra da Ilusão constitui o sonho da personalidade da terra. Pouco tempo depois de fazer a sua entrada nesse estado a alma encontra-se em paz, os desejos beligerantes sossegam; mas eles despertam de novo no momento em que o sonho começa a irromper. Na verdade, quando essas fúrias despertam elas rompem e destroem o sonho. Pois na Terra da Ilusão o Homem-Animal pode satisfazer o seu desejo de prazer sem qualquer dificuldade, e sem luta; Assim, rapidamente, lhes chega a saciedade através da plena satisfação dos seus reles ​​apetites: então surge o descontentamento, e ela anseia por uma nova vida; Ela fica completamente entediado com esse lugar de descanso no caminho. Assim, é conseguido um progresso, na medida em que ela chegou a perceber as limitações do sonho da terra. Por outro lado, homem-animal tem muito pouca consciência das alegrias da alma. Geralmente, a essa altura, quando deseja com todo o seu ser uma nova vida, deseja que seja na carne, que seja outro episódio passado nas formas corporais mais grosseiras. Assim, ele desce; mas desce para voltar a ascender. As suas experiências no sonho da personalidade da terra despertam a parte superior do seu ser nela. Durante a sua próxima encarnação, ela provavelmente entrará Para o estado Homem-Alma, ou pelo menos tornar-se-á menos animal, e irá procurar uma existência e seguir uma vida de ordem superior àquela que tenha levado anteriormente na carne.

"O Lugar do Verão Eterno," pois, é o sonho da personalidade da terra, pelo que não deveria ser considerado quer como o Céu, o Hades ou o Inferno, mas apenas como um lugar de repouso no caminho em que a alma volta a sonhar, e assim resume a vida emocional e subconsciente da sua existência. terrena. Mas ela volta a sonhar, a fim de que possa ser capaz de avançar mais uma vez no seu percurso.

A Prisão dos Sentidos

O vosso ambiente actual é, num certo sentido, criação vossa, por serem mentalmente tão emancipados; Os vossos nervos e sentidos transmitem-lhes a percepção que têm da vida. Se fossem capazes de focalizar o vosso ego, ou consciência diária, na vossa mente mais profunda; se, em resumo, vocês se treinassem no sentido de adoptarem uma composição de pensamento que levasse a que a forma, conforme os sentidos vo-lo transmitem, se fizesse ausente, o mundo material desapareceria. Vocês não mais o perceberiam. Se fossem suficientemente desenvolvidos espiritualmente, poderiam ser capazes de escapar à forma por completo, embora na verdade isso não seja possível até que vocês tenham tido inúmeras outras experiências. No entanto, em planos superiores de ser o vosso poder intelectual é tão incrementado que vocês podem controlar a forma; aprendem a atrair-lhe vida. Como um escultor que pega na argila disforme e a molda, também a vossa mente lhe atrai vida e luz e dá forma aos vossos próprios arredores de acordo com a vossa visão. No estado inicial, têm a visão limitada pelas experiências e recordações terrenas, de modo que vocês criam a vossa própria versão das aparências que vocês conheciam na terra.

Contudo, compreendam que na Terra da Ilusão vocês não criam conscientemente o vosso ambiente por intermédio de um acto do pensamento. Os vossos desejos emocionais, a vossa mente mais profunda fabrica-o sem que vocês cheguem realmente a ter consciência do processo. Por ainda serem a alma individualizada que se acha capturada nas limitações do vosso eu terreno e presos igualmente no vosso refinado corpo etérico que agora é o que têm.

O Homem na Rua

Homens e mulheres, ao ascenderem na progressão da sua vida na carne, encontram-se, por assim dizer, suspensos entre a terra e o céu. Situam-se entre dois mistérios, o do nascimento e o da morte. Receiam olhar para baixo, temem olhar para cima: por regra, toda a vossa atenção tem que ser dada a cada degrau da escada em que procuram equilibrar-se. Assim, mesmo o mais hábil entre eles vê-se limitado pela posição que ocupa nessa progressão, e acha difícil, quase impossível, considerar o que vem antes e o que vem depois do pequeno número de anos que compõem a vossa vida no mundo.

A mesma comparação pode ser aplicada a miríades de almas que passaram pelas portões da morte. A vida para eles situa-se certamente numa escala muito mais elevada e mais grandiosa; mas ainda assim habitam entre mistérios. Encontram-se em equilíbrio entre Deus e o vosso próprio mundo das aparências. Assim, muitos dos mortos que se esforçam para enviar mensagens descritivas dos ambientes em que se encontram e da sua vida para os seres humanos vivos só conseguem descrever a aparência real das coisas que os rodeiam; só conseguem escrever a partir daquela personalidade limitada que trouxeram consigo da Terra.

Se eu optar por descrever o pós-vida do ponto de vista de Tom Jones que tenha sido licenciado em direito e tinha vivido em Londres toda a sua vida, a sua mente e o seu espírito limitados pelo trabalho jurídico que tenha exercido e a sua própria personalidade limitada, o provável é que lhes desse o que pareceria uma descrição trivial e materialista da vida futura. Devido a que, por regra, Tom Jones só seja capaz de se comunicar com os seres humanos enquanto ainda se encontrar num estado muito cru de desenvolvimento espiritual. Normalmente ele assemelha-se a uma cria cega após o nascimento. Ele escreveria sobre o que ele não consegue ver. Quando a percepção o acomete, quando a visão é concedida aos olhos de sua alma, tanto quanto me é dado saber, ele não volta a procurar a terra de novo. Ele sente a própria pobreza mental de que padece. Não tem o poder de expressar por palavras, que precisa tomar de empréstimo das mentes da terra, o incrível carácter da vida do estado pós-morte. Então fica em silêncio, e nenhum eco sai de trás da cortina escura que transmite nem que seja ao de leve a melodia da outra vida, que dê a entender o estranho ritmo de um universo dentro de um universo, de uma vida dentro de uma vida, em que todos se encontram como navios no cais, dentro da imaginação infinita de Deus.

Tom Jones representa muitos milhões. Ele é o trabalhador convencional, bastante eficiente em todas as questões relacionadas com a sua profissão específica, mas limitado por ela e pela vida que levou de pequenas diversões, pela falta de lazer que o impede de considerar o derradeiro propósito da vida. Como um cavalo conduzido com arnês e antolhos, também assim se deixou conduzir do berço até o túmulo. A sua vida não foi muito agitada. Contém uma certa dose de tristeza e uma de riso. No que se tornará, pois, esse símbolo da multidão? O que será desse Tom Jones, da Sra. Jones e da Miss Jones? É muito melhor, neste estudo das muitas “Mansões" do Além, que antes de mais consideremos o futuro do homem e da mulher comuns. Transformaram-se num piscar de olhos? Tornaram-se grandes videntes altamente desenvolvidos tanto espiritual como mentalmente? Ou seguem a lei da evolução conforme ela é conhecida pelo homem?

Precisamos primeiro responder a estas duas questões. Se Tom Jones for transformado pela morte num grande vidente ou num gênio espiritual elevado ele não mais será Tom Jones. Não se poderá, pois, dizer que tenha sobrevivido à morte. No entanto, posso garantir-lhes que ele segue o caminho lento da evolução; ele nasce no mundo seguinte com todas as suas limitações, com toda a sua estreiteza de mentalidade, as suas afeições e aversões. Ele será, em suma, completamente humano. Para tal homem uma existência maravilhosa e elevada de caráter espiritual dificilmente será possível. Ele ainda se encontra mentalmente na fase “das fraldas.” Por isso, ele precisa ser tratado como o bebé é tratado no vosso mundo. Precisa receber cuidados e protecção; não deve defrontar nenhuma mudança súbita ou violenta, por não suficiente maturidade espiritual e mental para ser capaz de a suportar.

Ele pertence a uma enorme multidão que precisa, conforme o descrevemos aqui, voltar a sonhar para que possam avançar mais tarde, prosseguir rumo ao objetivo final, rumo a um estado de visão espiritual em que poderá penetrar o estado intemporal, onde possa ultrapassar o grande quadro cósmico e entrar na mente do seu Criador. Mas há muito a ser feito pelo Tom Jones antes que ele possa, se é que alguma vez o venha a conseguir, atingir essa condição. Ele ainda é um bebê que precisa de brinquedos como qualquer criança, que por conseguinte, ainda exige ter ao seu redor um mundo de aparências.

As almas mais avançadas - a quem a Igreja pode chamar anjos e a quem eu chamo “Sábios"- podem existir em formas tênues em vastas panoramas de espaço e levar dentro de si mesmos uma existência de extraordinária vivacidade. Tom Jones é completamente incapaz de enfrentar uma situação ou
estado de ser tão enérgica.

Assim, nós, que somos um pouco mais avançados do que ele, permanecemos de vigia às portas da morte, e conduzimo-lo e aos seus camaradas, depois de certas etapas preparatórias, ao sonho que ele habitará, enquanto ainda vive, de acordo com a crença que tem, no tempo terreno. Ele tem dentro de si a capacidade de recordar toda a sua vida terrena. Ambientes familiares são aquilo de que tem maior necessidade desesperada. Ele não deseja uma cidade de jóias, nem nenhuma visão monstruosa do infinito. Ele anseia apenas pela paisagem caseira que costumava conhecer. Não a irá encontrar aqui no sentido concreto, mas vai encontrar, se assim o desejar, a ilusão. Os sábios, como eu os chamo, podem tirar da sua memória e da grande mente supraconsciente a recordação da terra, as imagens de casas e de ruas, de um país como o conhecido por esses viajantes recém-chegados da terra. Os Espíritos Sábios pensam, e desse modo produzem uma criação que se torna visível ao Tom Jones.

Assim, nos primeiros dias após a sua passagem, ele é não lançado no vazio, no nada. Depois de ele ter dormido na penumbra, e descansado como que numa crisálida enquanto o seu corpo etérico é moldado de novo, ele emerge como a borboleta, e irrompe num mundo por ele formada com base no pensamento concentrado de homens de grande discernimento espiritual, para quem não consigo encontrar termo melhor do que o de "sábio" ou de "vida criativa."

Uma imagem é tirada das recordações da jovem alma. É a de um país consideravelmente mais belo do que - mas não diferente do país que Tom Jones e os seus companheiros conheceram. Esse país não é real. É um sonho. Mas para Tom Jones é tão real como quanto a mesa de escritório e o despertador que o despertava pela manhã, e o convocava para o trabalho. Indubitavelmente apresenta uma aparência mais atraente do que o seu pequeno mundo cinzento de Londres, mas em essência é feito da mesma matéria familiar de a sua Inglaterra é feita.

Nesse sonho ele encontrará os seus amigos, alguns dos seus próprios familiares, e aquelas duas ou três pessoas que ele realmente tenha amado; ou seja, se eles já terão passado antes dele, e sido convocados mais cedo pela Morte.
Imaginemos Tom Jones num ambiente que lhe pareça material e que, portanto, não lhe desperte, por forma nenhuma, a timidez natural. Ele é uma alma simples que terá levou uma vida de asseio e de respeitabilidade, e satisfez os seus desejos com moderação. Passou setenta anos da sua vida num certo ambiente na terra. Por que deveria ele, depois de se separar do seu corpo físico, deparar-se com um ambiente com o qual ele está, em grande medida, familiarizado? Por que ele deveria enfrentar outra existência de carácter similar à última?

Na realidade não é semelhante. É o período da grande e lenta mudança para Tom Jones. A vida que ele levou no mundo, datando, digamos, de 1850 a 1920, corresponde à vida do germinar de uma semente na terra. Quando o seu primeiro rebento verde pressiona para cima em direção à luz, então ele chega ao termo dos seus anos, e passa para outra vida. O jardineiro, que está encarregue dele e de muitos outros pequenas rebentos, coloca-os, caso estejam adequados, numa estufa onde, conforme lhes descrevi, ele os introduz a um mundo de forma e carácter semelhante ao que eles tenham conhecido anteriormente.

Estes viajantes encontram-se num ambiente familiar entre pessoas de mentalidade afim. Mas com muita frequência acham que as suas necessidades reais não são as mesmas. Não estão condenados a nenhuma tarefa de execução mecânica durante a maior parte de sua existência por os seus corpos etéricos não precisarem de alimento. Eles extraem o que é essencial para o seu bem-estar daquela substância invisível que tudo permeia. Na terra, os homens são escravos da corpo e, por conseguinte, escravos das trevas. Na vida futura, poderemos na verdade dizer que, sob certas condições, eles se tornam servos da luz. Como o alimento, ou o seu equivalente, o dinheiro, não representa o principal objeto da sua existência, dispõem por fim de tempo para servir a luz.  Quer dizer, eles estão numa posição em que eles podem reflectir a seu belo prazer e começar a atingir esta estranha e maravilhosa vida da mente.

Agora; com a dissolução do corpo, pelo menos uma das necessidades clamorosas desesperadas deixou-nos. Não precisamos mais das três ou quatro refeições por dia que eram de tão excessiva importância. Um factor primordial da vida terrena é eliminada - a fome. Mas temos outros factores de enorme importância a considerar. Depois da fome vem o sexo. Terá essa necessidade igualmente desaparecido com a dissolução do corpo?

Acho que a resposta que dou, na maioria dos casos, deve ser negativa. Não desapareceu, mas sofre uma alteração. E aqui chegamos frente a frente com um dos grandes problemas deste período de transição. Em primeiro lugar, é necessário tentar alguma definição do desejo sexual, por ele assumir muitas formas, algumas das quais são pervertidas. Vamos lidar com essas perversões, e, ao fazê-lo, trataremos daquilo que o homem chama de pecado. Talvez a crueldade corte mais fundo na natureza humana do que qualquer outra perversão sexual. Ela marca a alma humana, a cicatriza-a de forma mais profunda do que qualquer outro vício.

O homem cruel que mudou o seu anseio natural de afeto por um desejo de infligir dor aos outros encontra-se necessariamente num mundo aqui onde ele não pode satisfazer esse desejo. Ele aventurou-se a isso durante toda a sua vida terrena, e por isso tornou-se parte integrante de sua alma. De qualquer modo, na nova vida, não tem, em tempo algum, o poder de infligir dor a nenhuma coisa viva. Para ele, que tem os seus poderes mentais grandemente aumentados, isso significa uma aflição insuportável. Ele vai em busca quem possa devorar e não encontra ninguém. A infelicidade de tal estado insatisfeito tem em grande parte um carácter mental. Que utilidade terá para ele um mundo de luz e de beleza enquanto este anseio imundo terreno ainda está por satisfazer? Para ele há apenas uma forma de se libertar de seu purgatório mental. E até que possa encontrar uma maneira de escapar, até que se verifique uma mudança real na sua alma fria e cruel, ele permanecerá nas trevas exteriores. Cristo falou dessa escuridão exterior como sendo a sorte dos pecadores. Com isso que proferiu, ele não se referia à escuridão tal como a conhecemos - a escuridão reconhecido pelos sentidos. Ele quis dizer uma escuridão da alma, uma angústia mental, um desejo pervertido que não pode encontrar a sua satisfação.

Eventualmente, uma pessoa assim conseguirá enfrentar a sua própria infelicidade, o seu vício; e em seguida, sucede a grande mudança. Ela é colocada em contacto com uma parte da Grande Memória que São João chamou Livro da Vida. Ela toma consciência de todas as emoções despertadas ou infligidas nas suas vítimas pelos seus actos. Ela penetra numa pequena parte da Memória Supraconsciente poderosa da sua geração que paira perto da terra. Nenhuma dor, nenhuma angústia que tenha causado perecerá. Tudo ficou registado, e tem um tipo de existência que leva a pessoa a tomar consciência disso uma vez que tenha entrado em contato com a rede de recordações que lhe terá revestido a vida e as vidas daqueles que tenham entrado em contato com ele na terra.
A história do homem cruel na outra vida daria um livro que não me é permitido escrever. Posso somente acrescentar brevemente que a sua alma ou mente é gradualmente purificada por meio da sua identificação com o sofrimento das suas vítimas.

Desviei-me do tema da Tom Jones, a fim de explicar o que está implícito à declaração de Cristo quando afirmou que o pecador é lançado nas trevas exteriores onde há choro e ranger de dentes. É uma escuridão mental na qual o pecador mergulha. A sua própria pervertida natureza terá atraído esse sofrimento sobre si próprio. Ele gozava de livre arbítrio, do poder de escolher, mas, em todo caso, escolheu temporariamente essa escuridão mental na vida seguinte.

Agora, vou dar-lhes mais um exemplo. Tomemos por exemplo um homem, ou se preferirem uma mulher, que tenha levado uma vida imoral na terra. Aqui eu posso tomar de empréstimo o dito do anjo que apareceu a João: "Que aquele que pratica a iniquidade, continue a praticá-la." (Rev. xxii. 11) O homem que vem para esta vida com uma história sexual de tipo repreensível defronta-se, ao penetrar entra no Reino da Mente, que, como umas percepções mentais tão refinadas que os seus desejos terrenos predominantes são intensificados, em resultado do seu poder mental ser muito mais considerável. Ele pode, à vontade, invocar para si mesmo quem lhe satisfaça esse lado mais desenvolvido da sua natureza. Outros da sua espécie gravitarão para ele, e por um tempo esses seres viverão num paraíso sexual. Mas tenham em mente que é criado pela sua "constituição" mental, pelas suas memórias e pela sua imaginação.

Eles ainda anseiam pela sensação bruta, e não pela vida mais refinada, que é o espírito do amor sexual,
aquela camaradagem perfeita isenta da gratificação dos sentimentos mais grosseiros. Eles obtêm-nos em abundância, mas segue-se-lhe uma saturação horrível. Eles acabam por sentir aversão por aquilo que conseguem obter em excesso e com facilidade; e, em seguida, acham extraordinariamente difícil escapar daqueles que compartilham desses prazeres com eles. Um assassino enquadra-se na categoria de tais homens. É um desejo pervertido súbita, um desejo de crueldade que leva em muitos casos, à morte.

O último estado na ilusão da terra poderia ser denominado de “estado de purgatório.” Obviamente, é
extremamente doloroso perceber a miséria de saciedade, para chegar ao fim do prazer desejado.
Mas existe um infortúnio maior do que o da não realização da extrema ânsia, que é a sua realização. Por os seres humanos serem constituídos de tal forma que quase invariavelmente buscam um sonho falso, uma vontade quimérica, e nenhum conteúdo permanente poderá ser obtido da sua realização.

É, naturalmente, impossível estabelecer uma regra de ferro. Cada indivíduo tem uma diferente
experiência dos outros no Hades e na terra da Ilusão. Em certos casos, não lhe é dado o poder de satisfazer os seus desejos. Na verdade, ele é capaz de fazê-lo, mas o seu próprio ego não
permite tal satisfação. Por exemplo, o homem egoísta calculista na terra da Ilusão habita na escuridão, por não ter cabimento no poder do seu ego voltar-se para fora, ou expressar-se na fantasia dos desejos satisfeitos. Ele volta-se mais do que nunca para dentro pelo choque da morte. Ele acredita ter perdido tudo e perde o contacto com todos, exceto o sentido da existência do próprio pensar. Durante um tempo prevalece um pesadelo de escuridão, enquanto ele habita dentro do seu mórbido sentido de perda, dentro do seu desejo, simplesmente para se satisfazer a si próprio sem qualquer consideração pelos outros. Pode chegar a existir apenas noite na terra da Ilusão para o homem anormalmente egoísta.

Quase todas as almas vivem por um tempo no estado de ilusão. A grande maioria dos seres humanos, quando morrem são dominados pela concepção de que substância seja a realidade, de que a experiência particular da substância que fazem seja a única realidade. Eles não estão preparados para um mudança imediata e completa de perspectiva e apaixonadamente anseiam por um ambiente familiar embora idealizado. A vontade de viver que têm é meramente de existir, pois, no passado. Assim, entram nesse sonho que eu chamo de terra da Ilusão. Por exemplo, Tom Jones, que representa o homem da rua irrefletido, vai desejar uma casa de tijolos glorificada numa Brighton glorificada. Assim, ele dá por si possuidor orgulhoso dessa atrocidade do século XX. Gravita naturalmente para os seus conhecidos, todos aqueles que tinham uma mente afim. Na terra que ele ansiava por um charuto de marca superior. Aqui ele pode ter a experiência de fumar essa marca ad nauseam. Ele tinha vontade de jogar golfe, de modo que ele joga golfe. Mas ele está apenas a sonhar o tempo todo, ou melhor, a viver a fantasia criada pelos fortes desejos que tinha na terra.

Depois de um tempo esta vida de prazer deixa de o divertir e contentar. Então ele começa a pensar e a ansiar pelo desconhecido, por uma nova vida. Finalmente está preparado para dar o salto na evolução e esse sonho nublado desaparece.

Capítulo IV
CONSCIÊNCIA

Na terra, a consciência é como uma lâmpada acesa a cada manhã quando vocês acordam. Se você estiver com saúde precária a chama é fraca, mas se vocês forem jovens e vigorosos ela reacende-se e parece iluminar cada objeto material que encontrem, conferindo-lhe um brilho especial e ditoso.
Essa consciência diária muda de acordo com a idade e a experiência. De um fim de ano para outro nunca é exactamente a mesma, embora vocês provavelmente não notem a quase imperceptível alteração que sofre. É esse ego que vê, que toca, que ouve e que tem consciência do mundo material. Eu já lhes disse que este ser fantástico constitui uma soma aritmética. Após a morte, e após as fases de transição, esse ego, com certas e importantes mudanças, retoma novamente a sua persuasão.

Seja qual for o plano do ser que ele atinja, é agora um viajante que descartou carne e sangue, as células cerebrais, a intrincada rede de nervos que lhe traziam coesão e proporção ao corpo, que fazia dele um reino. Em seu lugar existe uma forma muito mais refinada. Essa forma também possui os seus meios de comunicação, os quais nutrem toda a nova estrutura de átomos muito subtis. É, como eu disse, uma estrutura tão rara, tão fina, que é invisível ao olho mortal e escapa aos melhores instrumentos dos cientistas.

Dor real não é com efeito sentida em nenhuma das partes desta nova imagem do homem, porquanto agora a mente possui poderes muito maiores, e embora possa experimentar dor no sentido espiritual ou intelectual, tal é o controlo que tem da sua forma externa no Quarto Plano que a forma não lhe pode causar dor no sentido terreno ou físico, nem pode ser, sob todos os aspectos, o governante. Vocês irão perceber, pois, que um importante avanço terá sido conseguido. Por outro lado, o homem ainda precisa passar por muitos estados, e experimentar inúmeras vidas antes que ele se aproxime da meta, antes que se estenda no sentido da realização.

Grosso modo, posso definir a consciência que tem durante a maior parte da sua jornada da seguinte forma: espírito ou alma superior, ego ou alma inferior, e sua manifestação na forma. Há também o que eu poderia chamar de escala de progressão da consciência. Os degraus dessa escada representam as várias vidas vividas desde o alegado começo até à realização final; embora não me caiba a mim dizer que exista qualquer fim. Quando uso o termo "final," apenas desejo indicar os limites da minha visão. Agora; a alma ou ego é o eu real ou a consciência superficial em cada degrau da escada de progressão; o espírito é a luz que vem de cima. Ilumina todos os degraus dessa escada, abrange o todo. A alma, pois, é meramente a parte, é quem reúne a experiência, o representante do mistério que está por trás de toda a vida.

Quanto mais alto o ego sobe na escada da consciência, mais se aproxima de outras almas afins. Já lhes disse que podem existir mil, cem, ou simplesmente vinte almas todas alimentadas por um mesmo espírito. A consciência que têm de serem almas camaradas aumenta nos níveis mais elevados da existência. Com o tempo são capazes de penetrar as memórias das outras almas, perceber as suas experiências e ser sensível a elas como se fossem deles. Nos estágios finais a mente torna-se comunitária (colectiva), pois o espírito, o “princípio unificador,” tende o tempo todo a produzir uma maior harmonia e, por conseguinte, uma maior unidade. Essa gente funde-se mais e mais, e torna-se um em termos de experiência e de mente, e assim alcança níveis de poder intelectual não sonhados.

Nos degraus inferiores dessa escada de consciência habitam aquelas almas que ainda se apegam aos hábitos humanos do pensamento, à personalidade terrena, à sua própria linha de pensar individual.
Na Terra, alguns delas foram extremamente instruídas. Mas o conhecimento não faz do homem um sábio. Um grande iogue indiano, um sábio chinês, um padre cristão santo ou versado poderão habitar durante eternidades no Terceiro e Quarto Estados Supraterrenos. Eles são típicos representantes do homem-alma, embora tenham as suas falhas. Eles agarram-se à linha de raciocínio que conheciam na terra, e assim continuam tristemente individualizados (isolados) nela; eles acham-se presos no seu sonho, e enredados em muitos erros. Por exemplo, o iogue indiano e o sábio chinês ainda podem procurar apenas seguir a aspiração da sua religião particular ou a filosofia, a libertação da alma da matéria, a contemplação extática do universo. Parecem conseguir a sua aspiração; mas, em consequência, permanecem ido Além, entrado no Mistério de Deus. Mas nada fizeram nada do tipo; porquanto eles ainda se encontram individualizados, ainda se apegam ao seu sonho bem-aventurado criado quando eles estavam na terra. Eles vivem na lagoa estagnada. Não estão a progredir nem para cima nem para baixo. Não têm contacto com o aspecto material do universo, e o seu estado de alegada contemplação extática estreita-lhes e delimita-lhes a experiência, confinando-os ainda à prisão do seu próprio ego.

Eu comentei antes que quando as almas alcançaram aos degraus mais elevados da escada elas se fundiram no Espírito unificador e puderam ir Além, entrar no Mistério de Deus. Ao fazê-lo, eles livram-se da forma e deixam de se expressar por meio da aparência externa. Mas aqueles espíritos que passam para o Além não permanecem em contemplação extática como fazem o sábio ou o iogue; estão, embora sem forma, em contacto com o todo o Material, e possuem uma actividade incrível de tipo espiritual e intelectual. Porque agora eles compartilham do Mistério atemporal; agora encontram-se no verdadeiro Nirvana, no mais elevado Céu Cristão; eles conhecem e experimentam o alfa e o ômega do universo material. A crônica de toda a vida planetária, a história da terra desde o início até o fim está à sua disposição. Verdadeiramente eles não são apenas sucessores, eles se tornaram herdeiros, de verdade e de facto, da vida eterna. Ao subirem a longa escada da consciência, vocês são uma soma aritmética. Quando vocês vão Além, você tornam-se no todo.

O espírito, que ilumina a escada, é um pensamento individualizado de Deus, um pensamento que pode residir dentro da sua própria vida, ou que ainda possa estar em intenso e directo contacto com Deus
quando esse pensamento entra em contacto directo com o ego humano. Um homem-espírito é um ser humano - dos que talvez só alguns tenham aparecido na Terra desde que o tempo teve início. Ele difere dos outros na medida em que o seu espírito mantém aquela inspiração intensa e directa de Deus ao penetrar no tempo e comunica com o homem encarnado. Portanto, só o homem-espírito expressou a verdade eterna, seja na sua vida ou nas palavras que profere. Quando o seu corpo físico morre, ele passa ao Hades, porém, não se demora na terra da ilusão e rapidamente galga os degraus da escada; Facilmente se pode tornar um com o Pai. Pois, mesmo na terra, ele terá tido conhecimento da Pai, e tirado a sua inspiração da imaginação de Deus. 
(continua) 
Tradução: Amadeu António

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