quinta-feira, 11 de maio de 2017

A QUESTÃO DAS SUGESTÕES, DA TELEPATIA E DAS COMBINAÇÕES DE CRENÇAS




A Natureza da realidade Pessoal, Capítulo 3

(Alargado)

Tradução: Amadeu António






(Seth regressou de maneira jocosa às 20h37)

As ideias possuem uma realidade eletromagnética. As crenças são fortes ideias tecidas com respeito à natureza da realidade. As ideias geram emoção. O semelhante atrai o semelhante, de modo que ideias semelhantes agrupam-se umas em torno das outras e vocês aceitam aquelas que se ajustam ao vosso "sistema" particular de ideias.

O ego tenta manter um ponto claro de focalização e de estabilidade, de modo que possa dirigir a luz da mente consciente com alguma precisão, e concentrar o seu foco em áreas da actualidade que pareçam permanentes. Conforme mencionado (no Capítulo Um) o ego, enquanto porção do eu total, pode ser definido como uma "estrutura" psicológica composta de características pertencentes à personalidade no seu todo, organizadas conjuntamente de modo a formar uma identidade superficial.
Agora, falando de um modo geral, durante o período de uma vida isso permite o surgimento fácil de diversas tendências e habilidades. Permite a emergência de um numero maior de potenciais do que seria possível de outra forma. Se esse não fosse o caso, os vossos interesses durante a vida, por exemplo, não mudariam.

Embora o ego pareça, pois, ser permanente, acha-se em constante mudança e adapta-se a novas características a partir do eu total,1 e deixa que outras retrocedam. Não fora assim e ele não reagiria às necessidades e desejos da personalidade inteira. Mas por se encontrar intimamente ligado a outras porções do eu, não se sente basicamente alienado ou sozinho, mas age orgulhosamente como orientador do foco da mente consciente. Nesse sentido, funciona como um auxiliar da mente consciente.

(A transmissão de Jane foi muito intensa)

Basicamente, ele compreende a sua fonte e a sua natureza. É a porção da mente, pois, que observa a realidade física e a inspeciona com respeito às características de que é composta, em qualquer altura. Ele faz os seus julgamentos de acordo com a própria ideia que tem de si mesmo.

É a porção mais fisicamente orientada de vosso eu interior; porém, não se acha separado do vosso eu interior. Ele fica sentada no peitoril da janela, por assim dizer, entre vocês e o mundo exterior. (Voz mais forte para dar ênfase:) Pode também olhar em ambas as direcções. Faz julgamentos sobre a natureza da realidade em relação às necessidades dele e às vossas. Aceita ou não crenças. Entretanto, não consegue ocultar informações da vossa mente consciente - mas pode recusar-se a prestar atenção a ela.
O que não significa que as informações se tornem inconscientes. Elas são simplesmente atiradas para um canto de vossa mente, sem ser assimiladas ou organizadas para o fardo de crenças em que vocês estão actualmente a concentrar-se. Mas encontrar-se-á lá se vocês a procurarem. Não se encontram invisíveis, nem vocês precisam saber exatamente do que estão à procura, o que, naturalmente, tornaria a situação quase impossível. Tudo o que precisam fazer é decidir examinar o conteúdo da vossa mente consciente, compreendendo que ela contém tesouros que ignoraram.

Outra maneira de fazer isto é reconhecer, por meio de um exame, que os efeitos físicos com que se deparam existem como informação na vossa mente consciente — e a informação que antes pareciam indisponível tornar-se-á óbvia. As ideias aparentemente invisíveis que lhes causam dificuldades têm aspectos físicos visíveis bem óbvios e esses levá-los-ão automaticamente à área consciente na qual residem as crenças ou ideias iniciais.

Uma vez mais, se vocês perceberem os vossos próprios pensamentos conscientes, eles próprios lhes darão pistas, por enunciarem claramente as crenças que têm. Se, por exemplo, vocês mal tiverem dinheiro para viver e examinarem os vossos pensamentos, poderão perceber que estão constantemente a pensar: "Nunca conseguirei pagar esta conta, nunca tenho uma sorte assim, sempre serei pobre." Ou darão por vós a invejar os que têm mais, e a degradar porventura o valor do dinheiro e a dizer que aqueles que o têm são infelizes, ou quando muito, espiritualmente pobres. Quando descobrirem tais ideias em vós, poderão dizer, um tanto indignados: "Ora, se essas coisas são todas uma verdade! Eu sou pobre. Não consigo pagar as minhas contas," e assim por diante. Mas as fazerem isso, vocês estão a aceitar a crença que têm sobre a realidade como uma característica da própria realidade, e assim, a crença torna-se transparente ou invisível para vós. Mas ela torna-se na causa da vossa experiência física.

Precisam mudar a crença. Vou-lhes traçar métodos para conseguirem isso. Podem seguir as ideias que têm numa outra área e descobrir que pensam estar a ter dificuldades por serem muito sensíveis. Descobrindo a ideia poderão dizer: "Mas é verdade! Sou, sim. Eu reajo com uma emoção desconforme às mais pequenas coisas." Mas isso não passa de uma crença, e uma crença restritiva.

Se acompanharem ainda mais os pensamentos que têm, poderão dar por vós a pensar:
"Tenho orgulho da sensibilidade que tenho. Ela distingue-me das massas," ou, "Eu sou bom demais para este mundo." Essas são crenças restritivas. Elas distorcem a verdadeira realidade — a vossa própria realidade verdadeira. Esses são apenas alguns exemplos de como as vossas próprias ideias bem conscientes podem permanecer invisíveis para vós, embora estejam disponíveis o tempo todo, e limitar-lhes a experiência.

Ora bem, estivemos a falar sobre a mente consciente, pois ela é a orientadora das vossas actividades físicas. Eu disse-te (no início deste capítulo) que era importante compreender a posição do ego como a porção mais exterior do eu interior, não alienado, mas voltado para fora, para a realidade física. Usando esta analogia, porções do eu, no outro lado da mente consciente, recebem constantemente informações telepáticas. Lembrem-se de que não existem divisões, pelo que os termos usados servem meramente para facilitar a discussão.

O ego tenta organizar todo o material que entra na mente consciente, guiado pelos seus próprios propósitos – os do ego – e por aqueles que tiverem eclodido à superfície, num determinado momento, no encontro geral do eu com a realidade física. Como já disse, o ego não consegue manter a informação fora da mente consciente, mas pode recusar- se a focalizá-la diretamente. Agora, essa informação telepática, para usar a nossa analogia, chega-lhes através de porções mais profundas de vós próprios. Essas partes possuem uma capacidade tão incrível de receber, que torna alguma organização necessária, para peneirar a informação. Alguma simplesmente não tem importância para vós, mas tem que ver com pessoas de quem vocês não têm qualquer outro conhecimento.

Vocês são emissores e receptores. Como as ideias possuem uma realidade eletromagnética, as crenças, devido à intensidade que têm, raiam fortemente.
Devido à estrutura organizadora da vossa própria natureza psicológica, crenças semelhantes tendem a congregar-se, e vocês aceitam prontamente aquelas com as quais já concordam.

Ideias limitativas, pois, predispõem-nos à aceitação de outras de natureza semelhante. Ideias exuberantes de liberdade, espontaneidade e alegria, também captam automaticamente outras do seu tipo. Existe uma interação constante entre vocês e os outros na troca de ideias, tanto telepaticamente como ao nível consciente.

Esta interacção segue, repito, as crenças conscientes que têm. É moda em alguns círculos acreditar que vocês reagem fisicamente às mensagens telepaticamente recebidas, a despeito de crenças ou ideias conscientes que tenham. Tal não é o caso, porém.
Vocês reagem apenas às mensagens telepáticas que se ajustam às ideias conscientes que têm sobre vós próprios e a vossa realidade (enfaticamente).
Deixa que acrescente que a mente consciente é, ela própria, espontânea. Ela gosta de brincar com os seus próprios conteúdos, pelo que não estou aqui a recomendar nenhum
tipo de disciplina mental rígida pela qual vocês se examinem a todo o momento. Estou
a falar de encontrar medidas que possam tomar em áreas com que não estejam satisfeitos com a vossa experiência.

Queres fazer uma pausa?

("Sim, acho que sim")

Então vamos fazê-la.

(De modo bem-humorado: "Obrigado")

(Uma vez mais, a Jane estivera mergulhada no seu transe. Não se lembrava do material e ficou admirada por já ter passado uma hora. Eu disse-lhe que decidira fazer um intervalo porque ainda estava preocupado com o gato “Willy.”

(Jane disse que acreditava que "Seth poderia fazer três livros ao mesmo tempo, um capítulo de cada de cada vez, sem qualquer confusão entre si. Neste momento eu sinto que todo este livro já está feito, pronto para ser transcrito. A própria vida onírica activa dela havia evidentemente incluído muita preparação para o livro, acrescentou ela, mas eu não lhe fiz quaisquer perguntas que pudessem abrir mais canais.

("Nunca, desde que iniciamos as sessões [em 1963], sentira eu que o material de Seth estivesse tão ricamente ao dispor. Até então eu não conseguira ser tão aberto — não podia aceitar muitas coisas que estavam bem aí, diante dos meus olhos, porque não se ajustavam às crenças que tinha. "Jane apontou para a esquerda: "Hmmm. Agora eu poderia receber material sobre arqueologia, de entre todas as coisas. Incrível..."

(Ela tinha dúvidas, contudo, sobre a capacidade de captar a informação técnica para o jovem cientista que lhe telefonara antes da última sessão. Sentia- se um tanto "distanciada" das perguntas dele por estar tão envolvida na produção deste livro.)

Dá-nos um tempo, em prol do gato. De uma forma estranha, ele próprio está um tanto assustado com o seu próprio comportamento. A Jane decidiu sair de casa com mais frequência, e ficar livre para sair sempre que desejar — para não passar tanto tempo dentro de casa por causa do seu trabalho. Agora, ela pôs o gato fora de casa como um teste, e o gato não sabe exatamente o que aconteceu.

O gato gosta de sair, mas não está acostumado a ficar tanto tempo fora. De certa forma, sente-se banido. Ele simplesmente captou os sentimentos da Jane, que por sinal são fortes, e a veemência crescente da intenção que definiu. De certo modo, esses sentimentos não foram dirigidos ao gato, mas a Jane sabia que o gato iria captá-los.

O gato sempre foi o gato da casa, e a Jane ficava em casa o dia todo, a escrever.
Assim, foi o gato da casa que mudou de hábitos, e não o Rooney (o nosso outro gato).
De certa forma, vocês dois concordaram, ao deixarem a porta aberta. Obviamente, tudo o que vocês têm a fazer é deixá-la fechada. Estás-me a entender?

("Estou")

(O aquecimento deixou de funcionar com a enchente de junho passado e não foi consertado por falta de profissionais na área. Tudo em casa se encontra húmido e intumescido. As portas, em especial, não funcionam bem, se é que chegam a funcionar, por isso estamos a seguir o caminho mais fácil...)

Bom, só um momento. A Jane está a começar a sentir vontade de sair, mas é o gato que se coça.

("Era nisso que estava a pensar")

O vosso gato não corre perigo, mas mostra-lhe o amor que sentes por ele e regula-lhe as entradas e saídas. Não que a Jane precise regular as dela, mas as distracções e a impaciência que sente fazem com que o gato reaja demais.

A percepção que a Jane tem a respeito dos canais representa um desenvolvimento e tem vindo a ser possível há algum tempo, mas só agora está a ter lugar na experiência dela. Recorda-lhe o sucesso que teve nessa e noutras áreas, por a sensação e a realidade do sucesso poder e vir a continuar. Vamos terminar a nossa sessão. Falarei sobre os teus quadros antes ou depois do ditado do livro. (Mais alto, jovialmente:) Esta noite encontro-me no canal um. As minhas cordiais saudações.

("Obrigado")

Boa noite.

("Boa noite, Seth")

(Terminamos sete minutos depois da meia noite. Depois de sair do transe, a Jane tentou descrever uma manifestação que, embora invisível, estava "pairava agora diante de nós como uma coisa oval. "Era formada por um grupo de energias que podiam representar uma
personalidade como a do Seth, disse ela, contudo não tinha nome. Estava simplesmente
ali e não a levou a sentir que viesse a prestar algum tipo particular de ajuda. A Jane teve
dificuldade em descrever com precisão o efeito daquela manifestação e o que sentia em relação a ela, e eu tive dificuldade em traduzir por palavras  a narrativa que fez. Menciono aqui o facto para o caso de alguma coisa se desenvolver. Ela já teve percepções semelhantes anteriormente.

(Agora os membros das aulas de PES estão a acompanhar de perto o material de cada
sessão do livro, e a pôr em prática o material antes do término dos capítulos. A Jane e eu fazemos a mesma coisa. Parece que todos nós iremos crescer junto com o livro.

(Uma nota acrescentada alguns dias mais tarde: Esta sessão foi realizada na quarta-feira. Na noite da sexta-feira seguinte tivemos visitas e quando a Jane lhes descreveu os efeitos dos canais múltiplos percebeu que estava a sintonizar informação da parte do Seth, a respeito de grupos de pares e a necessidade de se adaptarem. Na verdade o Seth não nos dera o material durante a sessão de quarta-feira, nem o fez agora — em vez disso, a Jane, até certo ponto, verbalizou-o por conta própria. Na manhã seguinte, pedi-lhe que anotasse aquilo de que se lembrava.

("Ao contar ao Rob e aos nossos amigos aquilo dos canais de que tomara consciência na última sessão," escreveu a Jane, "de repente comecei a utilizar aquele que continha informações sobre a conformidade e a necessidade de expressão individual.
("Percebi que Seth tinha muita informação reunida, incluindo as bases biológicas de ambas as características. Tomemos a ameba, um animal microscópico unicelular, por exemplo. Eu sabia que o protoplasma na ameba, a matéria viva essencial, representa a qualidade individual que precisa irromper. Contudo, o protoplasma precisa acomodar-se ao seu ambiente — neste caso, ao "corpo" da ameba, que só pode mover-se apenas como uma unidade quando dirigida pela necessidade individualista de reagir ao estímulo.

("Conquanto o protoplasma reaja 'por conta própria,' precisa considerar a forma da célula; isso assegura a integridade da unidade toda. Para se mover, o protoplasma precisa, necessariamente, mover a coisa toda. Este é apenas um exemplo das implicações mencionadas por Rob ao falar sobre os grupos na sessão de quarta-feira. O material em si tem muito mais aspectos biológicos disponíveis, além de culturais e históricos. Poderia também discutir a mesma questão do ponto de vista do crescimento do corpo humano e do desenvolvimento, digamos, das células cancerígenas que escapam a um padrão de conformidade e impõem um 'novo,’ delas próprias, à estrutura da unidade... Aí — percebi esta última frase ao finalizar o relato. A ideia também é algo nova para mim.")

SESSÃO 617

(Enquanto tomávamos o café da manhã, a Jane e eu ouvimos um grasnar múltiplo peculiar, vindo do céu. Debrucei-me no peitoril da janela a tempo de ver uma formação de gansos em voo, obviamente em direção ao sul, por causa do inverno. Eles voavam baixo, pensei, numa formação desequilibrada — uma ponta do V que formava apresentava-se invertida e muito mais longa do que a outra; dentro do V, como que protegido, voava um pequeno grupo que não apresentava formação.

(Achei o espectáculo estranhamente comovente e a Jane também. Maravilhamo-nos diante da ordem inerente da migração, o grasnar vigoroso que tão orgulhosamente revelava a exatidão. Outros, constatamos, sentiam-se igualmente impressionados: homens que consertavam os estragos da enchente num apartamento do andar térreo, estavam à porta a olhar para o céu. Eu considerei o voo como outro sinal da variedade incrível da natureza e sua vitalidade: — um forte lembrete de valores que, receio bem, os humanos muitas vezes denegriram.

(A transmissão da Jane, enquanto Seth, foi rápida desde o início da sessão)

Boa noite.

("Boa noite, Seth")

Vamos retomar o ditado... Vocês reagirão, pois, a toda a informação que receberem, de acordo com as crenças conscientes que têm a respeito da natureza da realidade. As porções mais profundas do vosso eu não têm que levar em consideração a ideia que o ego tem do tempo, pelo que essas porções do eu também tratam da informação que em geral escaparia à percepção do ego, porventura até que o ego transponha um certo "ponto" no tempo.

O ego, que precisa lidar mais directamente com o mundo do quotidiano, leva muito a sério o tempo, o tempo do relógio. Contudo, até o ego, percebe de certa forma que o tempo do relógio é uma convenção, mas não gosta que essas convenções sejam quebradas.

Geralmente ele negligencia qualquer material clarividente ou precognitivo que venha à mente consciente das mais profundas porções do eu. De vez em quando, ao perceber que tais informações possam ser altamente práticas, o ego torna-se mais liberal no reconhecimento delas — mas somente quando tais informações se ajustam ao conceito que tem do que é possível e impossível. Agora; os conceitos do ego são os conceitos que vocês têm, uma vez que ele faz parte de vós. Se vocês abrigarem ideias de perigo ou de prováveis desastres, se pensarem no mundo especialmente em termos da vossa sobrevivência física e considerarem todas as circunstâncias que possam concorrer contra ela, então vocês irão encontrar-se subitamente conscientes de sonhos precognitivos que preveem acidentes, terremotos, roubos ou assassinatos.

A própria ideia que têm do carácter perigoso da natureza da existência torna-se tão forte que o ego permite que esses dados venham à tona, embora se mostrem "extemporâneos," porque as vossas crenças terríveis os convencem de que vocês precisam ficar de guarda. Os incidentes nem precisam sequer envolvê-los. Contudo, de entre toda a informação inconsciente telepática e clarividente disponível, vocês tomarão consciência desse grupo em particular, mas ele apenas servirá para reforçar a ideia que têm de que a existência seja, acima de tudo, perigosa.

Se esta informação se tornar disponível em sonhos, vocês poderão então dizer: "Tenho medo dos sonhos. Os meus pesadelos com frequência tornam-se realidade." Assim, vocês tentam inibir a recordação dos sonhos. Você deveriam, em vez disso, examinar as crenças conscientes que têm, por elas serem tão fortes que estão a fazer com que vocês não só se foquem nas calamidades do mundo físico, mas com que usem as capacidades interiores que têm com o mesmo fim.

A comunicação telepática é constante. Ela geralmente encontra-se num nível inconsciente, por a vossa mente consciente se encontrar num estado de "vir-a-ser." Ela não pode preservar toda a informação que vocês possuem. Por exemplo: caso as ideias conscientes que têm sejam relativamente positivas, vocês reagirão à informação telepática recebida de carácter similar, mesmo que o façam a um nível inconsciente.

Conforme mencionei antes (na sessão 616), vocês também estão a emitir os seus próprios pensamentos telepáticos. Outros reagirão a eles segundo as próprias ideias que tenham da realidade. Uma família pode reforçar constantemente a sua alegria (mais alto), jovialidade e espontaneidade, se se concentrar em ideias de vitalidade, força e criatividade; assim como  pode deixar que metade da sua energia escape (mais intensamente), se reforçar ressentimentos, raivas e pensamentos de dúvida e de fracasso.

("Entendi")

(As ênfases inteligentes e um tanto bem-humoradas que o Seth fez no parágrafo acima referido destinavam-se a realçar certos pontos dirigidos a mim, pessoalmente, enquanto continuava a trabalhar no seu livro. Envolviam conversas que se deram entre mim e a Jane hoje, e algumas percepções débeis da minha parte)

De qualquer forma, as ideias sobre a realidade são reforçadas tanto consciente como inconscientemente, não apenas no seio da família, como entre todos aqueles com quem a família tenha contacto.

Vocês são aquilo em que se concentram. Não existe nenhuma outra regra primordial.
Talvez seja fácil para vós perceber as crenças nas outras pessoas que para elas próprias permanecem invisíveis. Ao lerem este livro, poderão perceber em amigos ou conhecidos claramente as ideias que têm que são crenças invisíveis que lhes restringem as experiências - e no entanto, continuarem cegos para com as vossas próprias crenças invisíveis, que vocês aceitam tão prontamente como verdadeiras ou características da realidade.

A informação dos vossos sentidos, uma vez mais, irão sem dúvida reforçar as ideias que têm. Vocês também reagirão clarividente e telepaticamente a informações interiores num nível inconsciente que é, mais uma vez, "reunido" e organizado segundo os conceitos que têm a respeito da existência em geral, e da vossa própria em particular. Portanto, vocês encontram-se trancados nas situações físicas que são corroboradas pela grande evidência da informação dos sentidos — e naturalmente que isso é convincente, por refletir na perfeição e de forma tão criativa e tão activa as próprias ideias e crenças que têm, sejam elas positivas ou negativas.

Em termos mais amplos, positivo e negativo têm muito pouco significado, pois a experiência física é uma experiência de aprendizagem. Mas se vocês se sentirem infelizes, então a palavra 'negativo' possuirá um significado. Espero que agora os meus leitores tenham pelo menos começado a examinar as crenças que têm, e talvez obtido um vislumbre de algumas invisíveis que tenham sido aceites antes como aspectos definitivos da realidade.

Bom, se forem honestos, finalmente chegarão ao que chamo de crenças centrais, fortes ideias sobre a vossa própria existência. Muitas outras crenças subsidiárias, que antes pareciam separadas umas das outras, deverão agora parecer, de forma distinta, como ramificações das crenças centrais. Elas parecem lógicas apenas na relação que têm com uma crença central. Assim que a crença central for compreendida como falsa, as crenças subsidiárias a elas ligadas dissipar-se-ão.

É a crença central que é suficientemente forte para focalizar a vossa percepção que têm do mundo físico de tal forma que vocês percebam somente os eventos com ela relacionados. É também a crença central que coma sua força de atração, retira do vasto banco de  conhecimento interior apenas os eventos que parecem ajustar-se à sua organização.

Agora, deixa que dê um breve exemplo de uma crença central. É uma crença generalizada: a natureza humana é implicitamente má. Essa é uma crença central. Dela brotam eventos que servem apenas para a reforçar. À percepção de uma pessoa que tenha essa crença acudirão experiências — tanto pessoais como globais — que só a aprofundarão mais ainda.
De todos a informação física disponível em jornais, televisão, cartas e comunicação particular, a pessoa se concentrará apenas nas questões que "provam" esse aspecto. A suspeição dos outros, para não falar na desconfiança pessoal que tem com respeito a si própria. A crença estender-se-á às áreas mais íntimas da sua vida e, por fim, não parecerá haver qualquer evidência que prove o contrário.
Esse é um exemplo de uma crença central invisível, no seu pior aspecto. Uma pessoa que tenha essa crença jamais confiará no seu cônjuge, na família, nos colegas, no país ou no mundo em geral.

Uma outra crença central de carácter mais pessoal: "A minha vida é inútil. Aquilo que faço não tem significado algum." Ora, uma pessoa que tem uma ideia dessas geralmente não reconhece nela uma crença invisível. Em vez disso poderá sentir que a vida não tem significado, que a acção individual é destituída de sentido, que a morte signifique o aniquilamento total; e, ligado a ela, estará todo um conglomerado de crenças subsidiárias que afectam profundamente a família envolvida e todos aqueles com quem a pessoa entra em contacto.

Ao anotar a sua lista de crenças pessoais, portanto, não deixem nada de fora. Examinem a lista como se ela pertencesse a uma outra pessoa. Não quero dar a entender, todavia, que devam elaborar uma lista de ideias especificamente negativas. É de suprema importância que vocês reconheçam a existência de crenças positivas e levem em consideração os elementos da vossa própria experiência que lhes tenham trazido sucesso.

Desejo que vocês captem o sentimento de realização e o traduzam, ou transfiram, para áreas nas quais tenham tido dificuldades. Lembrem-se, porém, de que as ideias existem primeiro e que a experiência concreta vem depois. Precisas fazer uma pausa.

Você criam a vossa própria realidade. Jamais o conseguirei enfatizar o suficientemente. Terão períodos em que todas as vossas crenças se apresentarão em igualdade de circunstâncias, por assim dizer. Elas apresentar-se-ão em concordância. As ideias podem ser um tanto limitadas. Podem ser falsas. Podem basear-se em premissas falsas. A sua vitalidade e força, porém, serão muito reais e parecer trazer excelentes resultados.
"A riqueza é tudo." Ora, essa ideia está longe de ser verdadeira. Contudo, a pessoa que a aceita por completo, será rica e gozará de excelente saúde, e tudo se enquadrará muito bem com as crenças que tem. Contudo, a ideia, ainda é uma crença sobre a realidade, e assim, apresentar-se-ão abismos invisíveis na sua experiência, de que ela não terá consciência.

Vista de fora, a situação parecerá muito vantajosa, mas embora a pessoa pareça estar muito contente, no fundo terá a percepção atormentadora de uma coisa incompleta. Superficialmente gozará de equilíbrio.

Assim, à medida que as vossas crenças mudarem, ocorrerão alterações na vossa experiência e no vosso comportamento, além de uma elevada tensão, um stress criativo, enquanto vocês estiverem a aprender. O homem rico que acabamos de mencionar pode de repente perceber que a sua crença é restritiva, por ele se ter concentrado em exclusivo nela, de modo que o dinheiro e a saúde se terão tornado as suas únicas metas. O rompimento dessa crença pode deixá-lo exposto a doenças, o que parecerá uma experiência negativa. Contudo, por meio da doença, porém, ele poderá ser conduzido a áreas da percepção que negara anteriormente, e [poderá] assim, sair enriquecido.

A mudança da crença talvez o leve a questionar as outras crenças que tem, e ele perceba que na área da riqueza, por exemplo, se tenha saído muito bem por causa das crenças que abrigara, mas nas outras — experiências porventura mais profundas expostas pela doença - ele aprende que a experiência humana inclui dimensões da realidade que antes lhe estavam barradas e que estas também se encontram facilmente ao seu alcance — e sem a doença que as tenha originalmente despoletado. Um novo conglomerado de crenças pode emergir. Entretanto, terá tido estresse, mas terá sido de um tipo criativo.

Vamos a mais um exemplo. Os pensamentos conscientes que têm regulam-lhes a saúde. A persistente ideia da doença levá-los-á a adoecer. Enquanto acreditarem que ficam doente por causa de vírus, infecções ou acidentes, precisarão ir a médicos que actuam com base nesse sistema de crenças. E por vocês acreditarem nas curas deles, espera-se que sejam aliviados das dificuldades que os acometem.

Por vocês não entenderem que os vossos pensamentos criam a doença, continuarão a tê-las, e novos sintomas aparecerão. Voltarão ao médico. Quando estiverem no processo de mudar as vossas crenças — quando estiverem a começar a perceber que os vossos pensamentos e sentimentos provocam doenças — durante um tempo talvez não saibam o que fazer.

Num contexto mais vasto, vocês percebem que o médico poderá, na melhor das hipóteses, trazer-lhes um alívio temporário, contudo poderão não estar completamente convencido da vossa própria capacidade de mudar as vossas ideias, ou talvez se sintam tão intimidados com a sua eficácia que sintam medo. De modo que passam por um período intermediário de tensão, por assim dizer, enquanto se livram de um conjunto delas e aprendem a usar outro.

Aqui, porém, vocês envolve-se com um dos mais significativos aspectos da natureza da realidade pessoal, ao testarem as ideias que têm contra o que parece ser. Poderão passar por um período de tempo antes que aprendam a mudar as ideias de forma eficaz, mas vocês estarão envolvidos num empreendimento de fundamental importância.

A verdade é que vocês formam a vossa realidade directamente. Vocês reagem consciente e inconscientemente às crenças que têm. Vocês reúnem informação do vosso universo físico e do vosso universo interior, que parece ter uma relação com as crenças que têm.
Acreditem, pois, que vocês são um ser ilimitado por natureza, nascido na carne para materializarem, pelo melhor que conseguirem, a grande alegria e espontaneidade da vossa natureza. Agora podes fazer uma pausa. Este será um capítulo menor, devido ao tamanho do anterior.
(O ritmo da Jane fora consistentemente mais rápido do que em sessões anteriores do livro. O intervalo foi curto. Começando às 22h45, Seth transmitiu-me várias páginas de material, que eu não esperava. Depois ele terminou a sessão às 23h20 com este comentário: "Diz à Jane que virão a existir escolas de pensamento criadas em torno da questão das crenças centrais. Diz-lhe isso")

NOTA PESSOAL

Ora bem; quero falar contigo (referindo-se ao Joseph). Estamos a aproximar-nos do final deste capítulo. Podes agora tomar apontamentos ou não, como preferires. Eu tenho repreendido a Jane muitas vezes. Agora é a tua vez.
Ela encontra-se exausta com a barragem de ideias negativas que tu recentemente activaste em casa. Eu sei que tens andado atarefado, porém não tens examinado as crenças que tens, conforme referido neste texto.
Insistes que as ideias negativas que tens sejam uma realidade. Entre vós corre um amor profundo. Por razões a que chegarei, e que em certa medida te revelei, adquiriste o hábito de inibires a alegria, e de te tornares um estranho para com a diversão.

Bom; esses episódios seguem um padrão rítmico, e a Jane reconhece-o. Começas a concentrar-te nos aspectos negativos das notícias que lês no jornal. Isso dá início a um episódio desses. E passas disso para os vizinhos, e depois para o ambiente, e para o estado em que a Jane se encontra, e para a questão da editora Prentice.
E ao fazeres isso, o teu comportamento altera-se, e a Jane nisso não está a projectar. Tu olhas para ela em certas ocasiões – muito menos do que no passado – com uma grande impaciência e desaprovação, no que toca ao estado físico em que se encontra, pelo que ela sente que sozinha teria uma maior dignidade do que a teu lado com esse olhar que empunhas.

Tu reagiste negativamente à relação com a Prentice. Ela apresenta aspectos negativos, mas tu concentraste-te neles. Acusas a Jane de jamais esquecer uma coisa que tenhas dito de cunho negativo, mas tu manténs todos os erros da Prentice em mente, e até agora recusas-te a concentrar-te em qualquer bem que essa relação tenha apresentado. Tu tens consciência dos aspectos bons, porém, não te concentras neles. Concentras-te nos aspectos negativos.
Bom, A Jane trabalhou contra essa concentração tua durante a produção do seu livro Seven. Ela está muito apaixonada por ti, pelo que se torna difícil fazer parte desta informação. Ela não gosta de te ver criticado. As ideias que tens acerca do artista na sociedade ser pobre, mal tratado e de se encontrar à mercê dos outros – bom, isso é uma crença central que tu tens que consideras uma verdade e a natureza da realidade, que te restringe gravemente. E tu projectaste-a nos contactos que tiveste com as editoras. Bom; não me venhas a mim dizer que é assim que as coisas são. Compreendes?

(Compreendo. Mas também não fazia intenção disso.)

Essa é a natureza de uma crença invisível. Se tivesses estado mais intimamente ligado com as aulas da Jane, o mesmo problema teria resultado. Bom, até recentemente a Jane teve o mesmo tipo de problema com relação ao corpo e às capacidades dele. O artista não era material – para o colocar de maneira simples, numa descrição resumida.

Tu podes reconhecer as limitações. Ela ainda está em processo de tentar conquistar isso. A sua liberdade, ganha, tem vindo a produzir resultados financeiros e criativos em áreas de trabalho. Nas nossas sessões resultou numa maior liberdade por ambos juntos terem discutido as crenças conscientes que têm com respeito às sessões, e a Jane ficou a saber que muitas das crenças anteriores que tinha com respeito a isso eram limitadas.

As tuas eram mais livres, mais construtivas, e por ela compreendeu isso, pelo que a ajudaste. Contudo, não percebeste que também projectavas o facto de, se ela abrigava ressentimentos numa área, tu abrigava-los de forma bastante obstinada noutra.

No verão  passado verificaram-se melhoras físicas significativas, mais um renascimento das capacidades criativas da Jane. A razão devia ser óbvia. Cada um de vós induziu em si mesmo sugestões diárias que nada mais são do que a repetição de novas crenças conscientes. Tu procuraste alterar as crenças que tinhas, e trabalhaste-las.

(Seguiu-se cerca de quatro páginas de material, que achei demasiado rápido para anotar. Considerei-o a melhor parte da sessão, mas agora não disponho dele para o poder ler. Agora, torna-se-me impossível recordar, evidentemente. Tinha que ver com a espontaneidade e a alegria, etc. – coisas verdadeiramente óbvias, que uma vez mencionadas se tornaram evidentes – e como os sintomas da Jane representam as ideias negativas conjuntas que temos. Os meus pais também foram objecto da discussão. O material concernente ao facto do ciclo de negatividade ser alimentado pela leitura dos jornais foi novidade para mim, mas legítima. Em resultado, deixei de ler os jornais, pelo menos o New York City, em resultado do que notei uma definitiva melhoria. A jane e eu estávamos a discutir a sessão quando Seth surgiu de novo, de forma breve.)

Bom; diz à Jane que virão a existir escolas de pensamento edificadas com base em crenças centrais. Diz-lhe isso.


SESSÃO 618

(A sessão foi testemunhada pelo escritor Richard Bach e a sua editora, Eleanor Friede. Eles voaram até Elmira, ontem, depois de se atrasarem para a aula de PES na terça-feira por causa do mau tempo. Richard também nos visitara no final de agosto passado, quando Seth estava a preparar o primeiro capítulo deste livro. A Jane fez uma sessão um tanto longa mas informal, para os nossos visitantes na noite passada, enquanto estávamos à mesa do jantar depois de uma refeição tardia. Richard gravou-a e vai mandar-nos uma transcrição, pelo que mais tarde poderemos acrescentar alguns trechos desse material a esta sessão. Ao início da noite, Jane começara espontaneamente a cantar em sumari, mas a sua atitude tornou-se mais deliberada agora, ao começar a falar pelo Seth.)

Boa noite...

("Boa noite, Seth")

...vamos retomar o ditado. Só um instante. Crenças centrais são aquelas ao redor das quais vocês constroem a vossa vida. Vocês têm percepção consciente delas, embora muitas vezes não foquem nelas a vossa atenção. Elas tornam-se, pois, invisíveis, a menos que vocês tomem consciência dos conteúdos da vossa mente consciente.

Para se familiarizarem com as suas próprias ideias e crenças, vocês precisam acompanhá-las, simbolicamente falando, sem vendas nos olhos. Precisam ver por entre as estruturas que vocês próprios criaram, as ideias organizadas sobre as quais agruparam as vossas experiências. Para verem a vossa própria mente com clareza, vocês precisam antes de mais desestruturar os vossos pensamentos, segui-los sem os condenar e sem os comparar com a estrutura das vossas crenças.

As crenças estruturadas reúnem e guardam as vossas experiências, embalam-nas, por assim dizer, de modo que quando vocês observam uma determinada experiência que se pareça com outra, colocam-na no mesmo pacote estruturado, em geral sem a examinar. Tais crenças podem trazer surpresas: quando vocês erguem a tampa de uma, podem descobrir que ela serviu para esconder informação valiosa que não pertencia aí. Uma disposição artificial de ideias, quais folhas de papéis dispersas pelo ar, pode formar-se ao redor de uma crença central padrão.

Devido à intensidade que apresente e aos vossos hábitos, essa crença central, tende muitas vezes a atrair a si outras de natureza semelhante. Elas agarram-se-lhe. Se vocês não estiverem acostumados a examinar os vossos próprios pensamentos, poderão permitir que excrescências desse tipo se formem ao redor de uma crença, até não mais conseguirem distinguir umas das outras. Isso pode desenvolver-se a tal ponto que toda a vossa experiência seja vista apenas em relação a essa excrescência central ou ideia. A informação que não pareça estar relacionada com essa crença central não é assimilada, mas é atirada para os cantos da vossa mente, não utilizados, e é-lhes rejeitado o valor dessa
informação.

Porções distintas da vossa mente podem conter câmaras de material inactivo dessas. Essa informação não fará parte da estrutura organizada dos vossos pensamentos usuais; e embora a informação esteja conscientemente disponível, vocês podem permanecer, de certa forma, cegos em relação a ela.

Geralmente, quando vocês observam a vossa mente consciente, vocês fazem-no por uma
razão particular, como encontrar uma informação qualquer. Se, entretanto, se tiverem convencido de que tal informação não se encontra conscientemente disponível, não lhe
ocorrerá encontrá-la na vossa mente consciente. Se, além disso, a vossa informação consciente estiver fortemente organizada ao redor de uma crença central, então isso
automaticamente os tornará cegos para com qualquer experiência que não esteja ligada a
ela. Uma crença central é invisível somente quando vocês pensam nela como um facto da
vida, e não como uma crença sobre a vida; somente quando vocês se identificam tão completamente com ela é que focalizam, automaticamente, as vossas percepções ao longo
dessa linha específica.

A título de exemplo, eis uma crença central aparentemente muito inocente: "Eu
sou um progenitor responsável."

Ora, superficialmente essa crença nada terá de errado. Porém, as se vocês se apegarem a ela e não a examinarem, poderão descobrir que o termo "responsável" é um termo que tem uma certa conotação, e poderão reunir outras ideias que passem igualmente, sem ser examinadas por vocês. Que ideia têm do que significa ser responsável? Dependendo da resposta que derem, poderão descobrir se essa crença central funciona em vosso benefício ou não. Se por responsável você entenderem que precisam ser pais vinte e quatro horas por dia, para exclusão de tudo o mais," então talvez estejam em dificuldades, pois essa crença central pode impedi-los de usar outras capacidades que existam separadas do vosso papel de progenitor.

Vocês podem começar a perceber toda a informação física apenas através dos olhos
dessa crença. Vocês não mais olharão a realidade física com o assombro de uma criança, ou com a curiosidade não estruturada de um indivíduo, mas sempre através dos olhos de um pai ou mãe. Dessa forma, irão fechar-se para uma grande parte da experiência física.

Agora, telepaticamente vocês também atrairão informação inconsciente que se ajuste
a esse padrão rígido, de acordo com a força e a obstinação dessa ideia, e se estarão ou não
dispostos a lidar com ela. Vocês poderão restringir ainda mais a vossa vida, e a informação de todo tipo tornar-se finalmente relativamente invisível para vós, a menos que toque na vossa realidade parental.

O exemplo da crença central que demos é apenas um tipo. Vocês também abrigam algumas premissas básicas que também representam crenças centrais. Para vós, elas parecerão definições. Elas fazem de tal modo parte de vocês, que as aceitam como certas. Exemplo: a ideia que têm do tempo. Vocês podem gostar de manipular ideias sobre o tempo, na vossa mente. Podem dar por vós a pensar que o tempo seja basicamente diferente da experiência que vocês dele fazem, mas, fundamentalmente acreditam que existe em horas e anos, que as semanas chegam uma de cada vez, que se encontram presos no decurso das estações.

É óbvio que a vossa experiência física reforça essa crença. Vocês estruturam, pois, a vossa
percepção, em termos de intervalos que parecem ter lugar entre acontecimentos.
Isso, em si mesmo, força-os a concentrar a atenção numa direcção apenas, e
desencoraja-os de perceber os acontecimentos da vossa vida por qualquer outra forma.

Poderão, por vezes, empregar a associação de ideias, um pensamento levando
facilmente a outro. Quando o fazem, em geral têm novas percepções. À medida que os acontecimentos se separam da continuidade do tempo, na vossa mente, eles parecem adquirir uma vitalidade renovada. Vocês tê-los-ão desestruturado, e retirado da sua organização habitual. Ao perceberem-nos por meio da associação, chega bem perto de
examinar o conteúdo da vossa mente de uma forma livre. Se, porém, descartarem o
conceito de tempo e depois examinarem o vosso conteúdo mental consciente por intermédio de outras ideias centrais, vocês ainda estarão a estruturar. Não estou a dizer que vocês
nunca devam organizar esses conteúdos. Estou a dizer que vocês devem tomar
consciência de vossas próprias estruturas. Edifiquem-nas ou destruam-nas, mas não se
permitam ficar cegos para o que tenha existência na vossa própria mente.

Vocês podem tropeçar, com a mesma facilidade, numa ideia mal colocada que numa cadeira velha. Talvez seja útil pensar nas vossas próprias crenças como móveis que podem ser colocados fora do sítio, trocados, reformados, completamente abandonados ou substituídos. As vossas ideias são pertença vossa. Elas não devem controlá-los. Cabe a vocês aceitar aquelas que desejarem aceitar.

Imaginem, pois, que estão a mudar os vossos móveis de lugar. Imagens de peças específicas lhes virão à mente com clareza. Perguntem a si próprios que ideias essas peças representam. Veja como as mesas se ajustam. Abram as gavetas.
Não existirá qualquer mistério. Vocês sabem as vossas próprias crenças. Irão perceber esses agrupamentos, mas cabe a vocês examinar a vossa própria mente e usar as imagens à vossa própria maneira. Joguem fora às ideias que não lhes servirem.
Se lerem isto, descubram essa ideia em si mesmos e depois digam: "Não consigo jogar esta ideia fora," percebendo que essa observação íntima é, em si mesma, uma crença. Vocês na verdade podem jogar a segunda ideia fora, com tanta facilidade quanto a primeira.

Vocês não estão impotentes diante das ideias. Usando esta analogia, certamente encontrarão alguns "móveis" que não esperavam encontrar. Não olhem apenas para a área central da vossa consciência interior, mas fiquem atentos àquela determinada invisibilidade que foi mencionada anteriormente (neste capítulo), em que uma ideia, bastante acessível, parece fazer, em vez disso, uma parte da realidade.

A estruturação de crenças é feita de um modo bastante característico, todavia, individual, de modo que irão descobrir padrões que existem entre vários grupos, e um poderá conduzi-los a outro. A ideia de serem um progenitor responsável, por exemplo, pode levar facilmente a outras estruturas psíquicas que envolvam responsabilidade, de modo que informação seja aceite em função do seu próprio valor. Vocês podem até pensar que seja errado olhar para qualquer situação a não ser através do vosso estatuto parental.

A crença na culpa, portanto, representaria uma estrutura que cementaria e uniria outras crenças centrais semelhantes, acrescentando-lhes força. É preciso compreender que essas não são simplesmente ideias mortas, como entulho dentro da vossa mente. São matéria psíquica. Num certo sentido, pois, elas encontram-se vivas e agrupam-se como células, protegendo a sua própria validade e identidade.

Vocês alimentam-nas, para falar no sentido figurativo, com ideias semelhantes. Quando examinam uma crença dessas, obviamente ameaçam a integridade da estrutura; e, assim, há maneiras de prover novos suportes, por assim dizer - métodos para os ajudar a vencer as dificuldades. A totalidade da crença central não precisa cair sobre vós por lhe examinarem a base.

Pararei aqui para fazermos uma pausa. Logo iremos terminar este capítulo e então iniciaremos o próximo. (Para Eleanor e Richard:) Convosco poderia falar mais depressa, mas precisamos das anotações para o livro.

(O transe de Jane fora bom. Ficamos contentes por outras pessoas se encontrarem presentes durante parte do ditado do livro. Dedicamos o resto da sessão aos nossos hóspedes. Os modos de Seth tornaram-se mais joviais e o seu ritmo acelerou consideravelmente. Terminamos mais ou menos às 0h30.

(Algumas anotações acrescentadas mais tarde: Richard Bach sentia que realmente não fora ele quem escrevera Fernão Capelo Gaivota. Actualmente a história da concepção do livro já é bem conhecida: No meio de uma noite de 1959, Dick ia a caminhar ao longo de um canal perto de uma praia da Costa Oeste quando ouviu uma voz dizer "Jonathan Livingston Seagull" (Fernão Capelo Gaivota). Não havia ninguém por perto. Ele ficou perplexo. E mais ainda quando, ao voltar para casa, a voz deu lugar a imagens que lhe revelaram a estrutura do livro em forma tridimensional. Então parou. À sua conta, Dick procurou, sem sucesso, terminar o manuscrito. Nada aconteceu até numa noite, oito anos mais tarde, ele de repente acordou ao ouvir de novo a voz — e com ela, o resto do livro.

(Quem o escreveu? Dick não reivindicou a sua autoria. Ele entrou em contacto com O Material Seth, percebeu semelhanças entre as experiências dele e as de Jane, e veio aqui para ver se ela ou o Seth podiam explicar o fenómeno. Existem pontos de correspondência, naturalmente, só que a Jane não é presenteada apenas com uma voz, mas com a personalidade inteira de Seth, que dita livros enquanto ela passa para um estado alterado de consciência. Assim, ela e Dick estavam muito interessados no que Seth iria dizer.

(Além disso, o romance de Jane, The Education of Oversoul 7, foi escrito em circunstâncias semelhantes (não obstante, diferentes). Na introdução, ela descreve os processos que envolveu, juntamente com a criação de algumas das suas poesias.1
Para a Jane, esses estados são todos aspectos do mesmo tipo de criatividade altamente acelerada que, finalmente "vai além de si mesma" para níveis — ou aspectos — da realidade que não compreendemos claramente ainda. Toda a questão também é relevante em casos que envolvam escrita, pintura, canto, composição musical e outros, realizados de forma automática.

(Eis aqui algumas citações quase textuais das informações que Seth deu a Richard Bach e companhia na noite de 27 de setembro de 1972.)

"A informação não existe por si mesma. Ligada a ela acha-se a consciência de todos aqueles que a compreendem, a percebem ou lhe dão originam. Portanto, não existem registos em termos de bancos de informação objectivos e permanentemente disponíveis, com os quais possamos sintonizar-nos. Em vez disso, a consciência que continha, ou contém, ou que irá conter a informação, atrai-a como um imã... A própria informação deseja mover-se em direção à consciência. Não se acha morta nem inerte. Não é algo que vocês tentem agarrar, mas também é algo que deseja ser agarrado, e, assim, ela gravita em direcção aos que a procuram.

A vossa consciência atrai a consciência que já acha em contacto com o material. Este é um de meus docinhos para a noite! A informação, pois, torna-se nova e renasce ao ser interpretada por meio de uma nova consciência, como foi Fernão Capelo gaivota.

A porção mais íntima do teu ser, ao usar aquelas habilidades que sempre foram pertença tua, interpretou a informação por intermédio do caleidoscópio do teu próprio ser, usando as melhores porções de ti próprio – ao produzir, pois, uma verdade brilhante numa nova roupagem - mas numa roupagem que ninguém lhe poderia ter dado senão tu próprio. Agora, vou-te dizer: Se tu passares a autoria de Fernão a outro, estarás a negar a singularidade do teu próprio eu interior.

A verdade veio a ti e foi-te dada, mas a originalidade e a singularidade foram fornecidas pelo teu próprio ser interior, que pode agora achar-se tão separado do teu eu consciente que parece não fazer parte dele.

Portanto, outras coisas estiveram igualmente envolvidas - não apenas o surgimento de um livro, mas a emergência do eu interior, através da arte, para o universo físico. Ora bem; parte do foco e da força vem desses dois actos de emergência, e a intensidade que se encontrou por trás deles também traduz a razão pela qual o surgimento do livro atinge o mundo com tanta força. Esses dois aspectos fundiram-se no livro. Estás à procura do autor de Fernão Capelo, mas eu digo-te que estou a olhar para ele. Ele pode não ter o rosto que tu vês quando te olhas ao espelho, simplesmente por tu não poderes ver a tua verdadeira identidade no espelho. Eu, porém, estou a olhar para tudo quanto de visível o autor de Fernão Capelo apresenta, e tu devias conhecê-lo melhor que ninguém. Mas ao longo dos anos dir-te-ei, como familiarizar-te mais com ele, em termos de manteres relações.

A Jane já obteve um adianto nisso, pelo que não lhe vou estragar a diversão. Na verdade, existem 'aspectos' da vossa própria consciência que operam em ambientes completamente diferentes. Ambientes, por exemplo, que não são físicos. Há aspectos vossos, pois, que conhecem muitos outros tipos de informação além do que aquela que se lhe encontra ao dispor actualmente ao nível consciente..."

(De notar que Seth endossou a teoria dos Aspectos, da Jane. Ela iniciou um livro sobre o tema, no qual vai explorar — entre outras coisas — a natureza, a validade e as fontes de personalidades como Seth e a "intromissão" de material intuitivo ou revelador. Mais uma vez, consultem a Introdução)

SESSÃO 619

(A minha mãe vive com o meu irmão e a família dele numa pequena comunidade ao norte de Nova Iorque, perto de Rochester, e a Jane e eu tínhamos lá ido em visita durante o fim de semana. Quando estávamos de volta a Elmira, esta manhã, a Jane comentou: "Alguém está a trabalhar no livro do Seth. Estou a receber insinuações nesse sentido. E sobre a imaginação e as crenças, acho eu, e como elas interagem — só que há mais a respeito disso. Bem, " acrescentou, contente," é bom saber que o trabalho está a ser feito...")

Desejo-lhes uma boa noite...

("Boa noite, Seth")

A menos que desejem que eu fale de algo de específico, retomaremos o ditado.

("Não, continua")

Um momento... A imaginação também desempenha um papel importante na vossa vida subjectiva, pois confere mobilidade às vossas crenças. É um dos agentes que ajudam a transformar as vossas crenças em experiências físicas. É de importância vital, pois, que compreendam a inter-relação que as ideias e a imaginação têm. Precisam aprender a usar a vossa imaginação a fim de desalojar crenças inadequadas e de estabelecer novas, para passarem conceitos para dentro e para fora da vossa mente. O uso apropriado da imaginação pode accionar ideias na direção que vocês desejarem.
Fim do capítulo três.

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