terça-feira, 25 de abril de 2017

O RENASCER DA ALMA, A TRANSIÇÃO E O ETÉREO (EXCERTOS)



PETER*
O NASCIMENTO DA ALMA
O homem possui o seu corpo físico, o seu corpo da alma e o seu espírito.
Na transição física dispensa o seu corpo físico, enquanto o corpo da alma motivado pelo espírito prossegue.

O corpo da alma acha-se mais intimamente ligado ao nosso estado actual do ser. Peter explicou várias vezes as suas funções e a relação que tem com o corpo físico.
No passado surgiu muita confusão entre o significado da alma e do espírito, mas se aceitamos a definição de Peter, ela certamente colocará a relação que um tem com outros em ordem. As denominações religiosas de todos os tipos falharam ao não fornecerem uma explicação razoável do que o corpo da alma realmente seja. Referem-se a ele no mais ambíguo dos termos e nunca foram capazes de defini-lo.

De acordo com o raciocínio espiritualista em geral, e de Peter em particular, o corpo da alma é um organismo funcional, o repositório da experiência, o propulsor do físico.
Que todas as pessoas possuem um corpo da alma é provado através pelo acto da comunicação com o espírito - não pode haver outra, não existe outra alternativa.

Sabemos como todas as coisas no universo estão sujeitas a determinadas leis; e claro que isso se aplica igualmente ao corpo da alma. Não pode ser uma força intangível, incompreensível, forma ou coisa abstrata, mas é definitivamente positivo. Cada lição que temos aprendido da natureza fala-nos de um processo de evolução; e o corpo da alma também está sujeito à ordem governada pela lei da mudança.

Essa visão não é uma concepção, mas uma razão fria, concreta, materialista. A infinita maravilha da evolução da alma individual proporciona uma visão muito mais espiritual do que as visões cegas, irracionais e supersticiosas do passado.

Ao considerarmos assim o nosso próprio corpo da alma, também devemos dar-lhe o seu devido lugar no nosso esquema individual. A sua cultura e desenvolvimento deviam tornar-se no nosso principal incentivo. É imensamente mais importante do que adquirir bens, riqueza ou poder.

Uma filosofia duradoura para o governo correcto da conduta humana, individual e comunitário, deve repousar sobre verdades estabelecidas e demonstráveis. As implicações que seguem o facto comprovado da sobrevivência fornecem isso. Nos capítulos seguintes, Peter não só satisfaz a mente racional quanto às funções do corpo da alma, como se envolve num esforço para nos dar uma maior compreensão das leis que o governam.

Sabemos que o corpo da alma deixa o físico durante a transição - Peter diz-nos como. Ele também descreve a relação que tem com o espírito e a maneira como ele entra em contacto com a sua contrapartida.

As explicações de Peter surgiram na sequência da nossa pergunta sobre o modo como o espírito entra em contacto com o corpo físico. Disse ele:

Peter: "Acho que vamos começar por chamar a isso o nascimento da alma, por não podermos lidar com alma e omitir o espírito, nem podemos omitir o espírito e lidar inteiramente com a alma.

"Eu não pretendo entrar nos estágios iniciais onde são criadas as condições para o formação da parte física. Pode ser pouco compreendido que a ordem de nascimento a ordem do nascimento no domínio físico, do espírito de um indivíduo é estritamente controlada. Além disso, pode não ser do conhecimento geral que, embora o espírito tenha uma escolha com relação ao parentesco, não tem escolha quanto ao tempo desse nascimento. Isso é fixo e irrevogável.

"Irás perguntar, por que terá o espírito escolha quanto ao parentesco? A resposta é que desse modo fica capacitado a escolher o ambiente correcto para funcionar que lhe forneça a experiência necessária para o seu próprio desenvolvimento.
"Não estamos aqui a considerar o percurso terrestre que o espírito fez através dos diversos planos da sua existência anterior, mas apenas a sua última fase, a do nascimento físico.

"O espírito em si distingue-se do desenvolvimento actual da forma que subsequentemente activará. A alma tem controlo completo na formação e no desenvolvimento da criança dentro do ventre da sua mãe... O acúmulo feito a partir dos materiais fornecidos pelo primeiro acto... O moldar e o formar de acordo com a sua própria sabedoria, produzida por uma longa experiência.

"Quando atingiu um certo grau de desenvolvimento, tem início uma associação mais positiva entre a alma e o corpo. Esse é o período chamado de "aceleração." Um período subsequente de desenvolvimento a partir de uma estreita associação com o corpo dá-se ante da criança nascer.
Por altura do período inicial, a alma da criança encontra-se intimamente ligada à da mãe. É por isso que mudanças da sua perspectiva, gostos e, muitas vezes de temperamento se evidenciam tanto; por ser através do corpo da alma da mãe que a alma trabalha até que decorra um período de quatro meses e meio. Então possui uma alma pequena. Acha-se repleta de sabedoria, como está hoje. A alma acha-se intimamente associada ao desenvolvimento e crescimento da criança durante o período pós-natal até aproximadamente aos sete anos de idade.

"Durante esse período pouca ou nenhuma estreita associação tem com o seu espírito. É por isso que uma criança até essa idade nada mais é do que um animal saudável, dirigida apenas pelos seu desejos primitivos.

"Tendo atingido a idade aproximada dos sete, ocorre uma mudança. O espírito, em vez de meditar, poder-se-á dizer, na forma jovem, agora liga-se positiva e definitivamente e positivamente por meio da alma ao corpo.

"E quando a criança muda do querer do "mim" para a fase "eu quero." Terá percebido intuitivamente a sua própria individualidade conforme expressa na palavra "eu." Não é resultado da educação, por suceder naturalmente e como coisa natural. Esse período é às vezes acelerado - pode durar de cinco anos - ou pode ser retardado de acordo com a condição do indivíduo.

"Bom; acho que esta breve descrição será suficiente para criar uma certa controvérsia; mas se considerado com razoabilidade, não podem existir espíritos jovens, porquanto o espírito não pode ser criado; e a bigorna universal da qual as centelhas foram dispersas originalmente não pode ser golpeada senão uma vez, apenas.

"O espírito, a propósito, detém um controle dominante sobre o corpo através do contato directo que tem com a corrente sanguínea. Requer sabedoria para controlar o batimento rítmico do coração para que o espírito que o anima se sintonize com ele. Agora vês os processos pelos quais o conhecimento do mérito espiritual e do valor são transferidos quase sem impedimento ou obstáculo. Agora podes entender por que enfatizamos a importância do sistema rítmico da respiração, de modo a levar o coração do indivíduo ao ritmo e pulsação do seu universo.

"Todo o espírito é o mesmo, seja polarizado, conforme se encontra no ser humano, ou contido na vastidão que preenche a eternidade - se fores capaz de avaliar essa expressão.
"O espírito do homem é parte desse universo, impecável, cheio de beleza, cheio de poder ilimitado; mas é a alma que se interpõe entre o homem enquanto espírito e o homem enquanto contrapartida física.

"A alma carrega consigo as características apresentadas pela jovem vida no período que vai dos seus quatro anos iniciais aos sete anos de vida terrestre. Esse período é activado por três coisas - comer, viver e possuir todas as coisas que ela vê, às custas de qualquer coisa que se lhe oponha.
"Não posso dizer mais nada nas vossas escassas palavras, mas é assim que, a breve trecho sucede. A alma é a tela que passa sobre os raios profundos do eterno sol do espírito."

Pergunta: "Então o espírito ligado a uma pessoa não está individualizado?"

Peter: "Sim, está. Através da sua associação com a alma e o corpo, possui naturalmente uma individualidade, cuja totalidade provém das reações entre os três.
"É o mesmo que acontece com o éter, o éter livre, e o que é ligado nem individualizado.
A sua natureza é essencialmente a mesma. É o seu desempenho que faz a diferença. Tem os mesmos potenciais, mais a sua individualidade.

"Até tu és capaz de concordar que, se todas as coisas forem perfeitas, não poderá atingir-se uma maior perfeição; E a perfeição, num sentido, pode não ser perfeição noutro. Nós estamos falando no sentido do espírito universal; precisas lembrar-te que vós, que sois parte do universo propriamente dito, ainda estais confinados a uma órbita espiritual dentro de um sistema solar que também possui a sua própria individualidade."

Pergunta: "Se a alma que chega a um novo ser se encontra cheia de sabedoria, devemos entender que já existe há muito tempo?

Peter: "Correcto. Eu disse que a alma estava cheia de sabedoria, tendo por certo que aquele que ler essas palavras também se lembre que eu disse que a alma pertence ao mundo natural, tendo, assim, apenas instintos primitivos. A sabedoria que possui, é, pois relativa apenas às suas experiências que tenha tido através do seu próprio desenvolvimento a partir do reino mineral, do reino vegetal e do reino animal.

"Todas as formas e processos de crescimento e de desenvolvimento tê-la-ão adaptado ao seu desenvolvimento e evolução até à condição de homem.
"Quando chegares a ponderar nesse aspecto poder-me-ás dizer - que isso diga respeito ao nascimento de uma alma, mas que acontece quando ela deixa de animar o corpo por altura da sua separação física, chamada morte? Sem o corpo, essa alma poderá permanecer individualizada? A resposta é pode, sim.' Enquanto o espírito animar a alma para colher experiências tidas durante a sua permanência na terra; assim como para a continuação da resolução dos múltiplos problemas que não pôde completar durante as horas escolares da vida terrena.
"Estás a pensar, o que acontece quando os problemas são resolvidos? A morte - assim chamada - ocorre novamente... Há uma separação, ou uma ruptura, dos pontos de contacto entre o que é chamado corpo da alma e o espírito. À semelhança do corpo físico, também o corpo da alma, gradualmente se decompõem. É reabsorvido no fluxo da substância de que é feito, da mesma forma que o seu corpo físico se decompõe nas suas condições terrenas.

"Um interpelante diria: 'Como é que a alma de um homem que passou desta vida há um imenso número de anos atrás ainda se manifesta?
"O espírito, se desejar dar a conhecer a sua presença a um homem ainda na terra, pode, com facilidade, reunir em torno de si partículas dos vários reinos através dos quais ela pode ter que passar para voltar às condições de terra, até que finalmente se reveste, temporariamente, com um éter. Ela se materializará até o reino etéreo e se dissolverá quando o pensamento que lhe tenha dado origem, ou o espírito que a anima, não tiver outro uso a dar-lhe.

"Lembra-te de que toda a consciência do espírito é focada e contida no seu membro inferior (o corpo da alma). É preciso morrer, permanentemente ou de forma temporária, assim como o homem morre agora diante do conhecido superior (novamente o corpo da alma). Nenhum dos dois pode ter um pleno domínio.

"É como acontece com o teu próprio corpo, cuja totalidade da tua consciência se concentra num membro dolorido, seja num dente ou num pé; por ser onde a maior acção está a ter lugar. O corpo físico é apenas um membro do espírito. Não é porventura mais do que um pequeno dedo ou um dedo do pé, mas é infinitamente importante. Podes dizer que fazes parte da unidade universal a que chamam Deus. A dificuldade está em que, aquilo que vocês consideram agora ser a realidade é apenas a sombra. O que vocês consideram ser a causa é tão só o efeito. Essa é a dificuldade. É uma inversão. Isso explica-se por si próprio no que eu disse. O plano inferior é sempre a sede da consciência e actividade, e é por isso que o reino em que vivem tem a aparência de ser único.
"Não existe passado, nem presente nem futuro. A vida é um desdobramento lento do plano.
"É a definição dos detalhes, que crescem e se expandem o tempo todo, apenas para vocês retornarem ao espírito, não achas? Não. Por um tempo sim, enquanto houver trabalho a fazer; mas não trabalho para enchê-lo de pavor por causa da existência monótona da vida terrena. Um homem certa vez deu-lhes a seguinte resposta: "Eu preciso tratar dos assuntos do meu Pai," e essa é uma resposta tão boa quanto qualquer um pode dar." 

TRANSIÇÃO

Na ocasião seguinte em que nos reunimos, pedimos a Peter que prosseguisse, desde "O Nascimento da Alma" para o estágio seguinte. Peter começou dizendo:

Peter: "Um dos vossos dramaturgos disse: 'Todo o mundo é um palco,' e é através do palco que vocês representam a vossa parte e depois saem de cena e são aplaudidos ou vaiados conforme agradar ao público. A vida é muito semelhante a isso.

"As minhas primeiras palavras nesta fase da relação são as seguintes: A vida não começa onde vocês da terra a apreendem, nem pode cessar quando ela passa do alcance da vossa vista. A vida é como um fluxo misterioso que sempre flui em frente, e suporta toda a criação com ela. A vida, conforme manifestada no homem, representa o avanço da evolução. É, em termos gerais, a experiência cósmica em que o espírito é polarizado e tem permissão para funcionar, possuindo, em certa medida, a qualidade do livre-arbítrio.

"É somente no homem que vocês encontram o espírito segregado e individualizado relativamente ao resto da vida que é espírito. Quando o homem começa a sua vida terrena, é como se o homem, que significa espírito (esse é o significado do termo), começa a descida de uma escada, cujos degraus representam uma fase diferente da existência; até finalmente ele emergir no reino físico - neste caso – na vossa terra.

"Depois de completar esta vida, o espírito do homem sai pela mesma escada à qual
Terá sido adicionado um outro degrau. Essa é uma ilustração grosseira que apelará a qualquer leitor comum. Com a morte do físico, o primeiro a deixar a associação do corpo é o espírito; é como a extinção de uma chama. A alma, no entanto, tem muito a fazer e não se dissocia por completo do corpo até de um lapso posterior de dois a três dias, raramente mais. O espírito exerce controlo directo apenas na questão e da vida e da morte. Nota isso, por ser importante. Em nenhuma outra função corporal exerce o espírito qualquer autoridade, mas o nascimento e o segundo preciso da morte física são factores diretamente controlados pelo espírito. Agora você dir-me-á: 'Mas como isso será realizado?'
"Foi-lhes ensinado que o espírito, através da alma, se encontra ligado ao corpo físico por um cordão de prata. Isso é verdade. Temos tentado distinguir (embora erradamente no sentido da palavra "separação") o espírito da alma. Há, porém, uma diferença distinta; mas depois, vocês não podem entender a diferença sem presumir uma separação. Mas lembra-te que de momento estou a discutir o espírito.

"O controlo que o espírito exerce sobre a vida e morte está ligado ao coração.
A associação que o sangue tem com o espírito pode ser facilmente vista como algo que tem em comum; porquanto, conforme a corrente sanguínea está para o corpo, assim também o espírito (a corrente da vida) está para o corpo universal. Para permitir que o espírito escape facilmente, só é necessário elevar a temperatura corporal, por meio da acção do coração, para encontrar um meio fácil de saída. Um homem é designado como "sangue na guelra" quando ele não é controlado pelo espírito da razão. É por isso que a criança é tão irracional, pois a criança vive do sangue emprestado até que atinja entre cinco e os sete anos de idade. O espírito entra na corrente sanguínea da criança quando ela percebe a sua própria individualidade e usa a palavra "eu" em vez de "mim."

"Já falei sobre o espírito e a alma da criança. Agora temos que o ver pela ordem inversa por estarmos a falar da saída. Quando o espírito retira o seu controlo da corrente sanguínea, a alma não pode por muito mais tempo manter-se no corpo físico. É como um motor sem o condutor, que acelera e abranda, e se dilacera por fim em pedaços. O corpo da alma encontra-se acima de todas as coisas instintivas; o desejo que tem de se manifestar no mundo dos factos - o mundo físico - é de tal modo forte, que aderirá ao corpo durante dois ou três dias. É esse poder, ou falta de poder, de Controlo da acção do sangue, a acção do coração, que posteriormente o derrota. Então vocês têm a separação do cordão de prata que é o ponto de contato entre o físico e o corpo da alma.

"Agora uma palavra sobre o corpo etérico! Vou lembrar-te que o corpo etérico não possui características - isto é, personalidade ou temperamento. Não tem reacções semelhantes às
da alma. É um éter puramente delimitado que pode ser comparado a um saco em expansão "balão de borracha" e que adopta o contorno do corpo físico. Parece ser o mesmo visto de qualquer ângulo, nunca chegando além de cerca de três polegadas do corpo, quando a pessoa goza de saúde e é bem alimentada e goza de repouso. Varia de acordo com a vitalidade do indivíduo; a aura vai além disso. O corpo etérico não sofre qualquer mudança de cor. É sempre o mesmo - e apresenta uma névoa de cor mais ou menos prateada. Nós iremos falando sobre a aura aos poucos.

"O corpo etérico gradualmente perde a sua forma, que é a única característica que tem
(o esboço do físico), à medida que a decomposição se instala, e sempre permanece associado ao corpo até que a decomposição esteja completa. É por isso que a ideia moderna de destruição pelo fogo é excelente, desde que tenham decorrido três dias. Se vocês pudessem testemunhar o lugar onde enterram esses corpos, vocês veriam aí uma névoa etérica composta pelos odores etéreos dos corpos decadentes. É tão perigoso quanto se vocês deixarem os corpos onde tenham caído. Um dia falarei sobre a destruição pelo fogo. Agora, esse é brevemente o procedimento da saída."

SOBRE O ETÉREO
À medida que estudamos a história da mediunidade de materialização física, torna-se claro que, com cada médium sucedâneo são conseguidos progressos no carácter e qualidade do fenómeno; tal progresso é ilustrado nos registos fotográficos. Assim sucedeu com Arnold Clare, que hoje foi capaz de ter manifestado por intermédio da sua mediunidade fenómenos de elevada ordem.

No passado diversas frases foram utilizadas pelos Guias do falecido Arnold Clare (Peter utiliza novas) para designar determinadas estruturas ou processos. Walter utilizava o termo "aparato de fala"; D'Angelo falava de "fluído magnético" e de "poder vital"; o Professor Castellani falava em "força X," "potências radioactivas," e na força psíquica que mantém coesas as moléculas do corpo astral; Muldoon falava em "princípio magnético" etc. O Sir William Crookes, ao resumir algumas dessas referências, atribui o fenómeno a uma certa extensão no espaço da força nervosa do médium, tal como o poder de um magneto ou de uma corrente eléctrica se estende para além de si própria e influencia e move certos corpos distantes que se encontram no campo magnético ou força eléctrica.

Em si mesmas tais frases e deduções significam pouco, e na realidade, podem induzir em erro, e dar lugar à criação de teorias com base em referências abstractas pelos Guias que, quando confrontados com o pedido de uma explicação, simplesmente forneciam as melhores frases susceptíveis de se enquadrar no campo da compreensão do presente que a recebia. Porém, agora, em vista das explicações que Peter fornecia, tais termos aparentemente ambíguos assumem um novo significado; ganham vida e podemos começar a perceber inteligentemente e de forma mais pormenorizada a intenção existente por detrás das referências. Elas estabelecem um quadro composto que fornece uma hipótese sustentável que cobre todo o campo da manifestação.

Assim, Peter diz, por exemplo que a pressão do éter pode ser tão grande que nenhuma concepção adequada poderá ser dada em termos compreensíveis. Pode chegar a assomar milhões de toneladas sobre uma área de um pé quadrado (trinta centímetros quadrados)...

Peter diz que a manipulação do éter grosseiro constitui a matéria-prima das gentes do espírito, do mesmo modo que a madeira, o barro são para nós, de modo que esse éter deve ser o elo de ligação existente entre o domínio físico, o domínio da energia e o domínio do espírito. No nosso mundo, os nossos sentidos permitem-nos somente uma gama muito limitada de vibração etérea. Que existam vibrações etéreas sabemos, pelo alcance limitado das ondes de luz que os nossos olhos nos permitem ver, ou a gama limitada de sons que são audíveis aos nossos ouvidos. Temos conhecimento da presença de raios ultravioleta, infravermelhos e raios-X, que os nossos olhos não conseguem receber. Sabemos que são uma extensão das vibrações sonoras de ambos os terminais da escala que os nossos ouvidos não conseguem registar.

Peter referia muita vez que, quando o éter delimitado, ou seja, éter associado a uma determinada condição, perde essa coesão de carácter, instala-se a decadência. O que representa um argumento sólido, porque se compararmos um tronco de carvalho com um outro em que a substância vital tenha sofrido uma transformação numa condição de desagregação sob a forma de pó, e verificaremos que uma certa qualidade terá abandonado o carvalho original. O seu carácter, a sua personalidade terão desaparecido e não terá deixado qualquer organização interior. Tal mudança mostra-se consistente com a explicação de Peter, porquanto, se tivermos presente o conhecimento que temos da constituição da matéria e da importância que o veículo etéreo tem no seu ser e motivação, deparamo-nos com a tese segundo a qual, à medida que as forças existente no átomo se disseminam, também esse éter perde o seu carácter ou delimitação; e assim a massa organizada e vibrante que compunha o carvalho perde o carácter que tinha e a sua organização. O éter individualizado na plenitude do tempo muda da condição de éter delimitado e torna-se éter livre, de modo que esse pedaço de carvalho entra em decadência.

A vida plena que se encontra ao dispor das gentes do espírito poderá ser visualizada com uma maior clareza se empregarmos o argumento de que, quando o nosso corpo da alma e da mente abandona a prisão da célula do corpo físico, um campo sensorial extenso de percepção segue-se naturalmente. Tal argumento é suportado pelo conhecimento que temos do espectro que nos diz que, fora da percepção limitada existe um vasto campo de frequências ordenadas dotadas de potencialidades que nos permitem uma outra forma de existência em sintonia, que nos permitem receber e usar tais potencialidades.

Este conhecimento moderno apresenta um quadro que deveria representar uma fantasia inconcebível para os cientistas de há um século atrás. Talvez não seja por este vislumbre que estamos a ter do reino etérico fornecer um postulado definitivo por a maioria dos guias espirituais só o ter podido insinuar de forma obscura no passado.

Toda a matéria se encontra num estado de vibração formado por potenciais etéricos, e cada componente da matéria possui a sua própria vibração individual, sem no entanto deixar de permitir a cooperação e a associação com os outros componentes, pelo que não pode existir nenhuma linha de divisão rígida que separe um pedaço de matéria de outro, o sólido do fluído, o fluído do gaz, ou a substância física criada por acção do espírito, tal como o ectoplasma.

(NT: Termo cunhado por Richet, para designar uma substância moldável gerada pelos médiuns de manifestação física. Vale a pena referir que este domínio foi e continua a ser responsável pela transmissão de muita inspiração inovadora ao campo da ciência, que na verdade se revela praticamente a base do progresso material)

Estamos continuamente a descobrir vibrações ou frequências tanto mais lentas como mais rápidas do que aquelas que previamente conhecíamos. Estamos a obter conhecimento de como, por intermédio de diferentes fusões de electrões, protões e das suas formas associadas, somos capazes de obter substâncias dotadas de novos potenciais. Que será, pois, que existe que impeça a probabilidade da existência de uma fronteira entre a matéria conforme a conhecemos e o éter denso e grosseiro? Se admitirmos tal probabilidade, daremos um passo para mais perto da percepção de como as inteligências desencarnadas são capazes de manipular o éter denso para diversos tipos de manifestação, ou seja, ectoplasma, materializações, instrumentos de voz, varas de força, etc. Tal como o homem é capaz, por intermédio do conhecimento que tem das estruturas atómicas, de formar novos agentes, também as gentes do espírito, dotadas da sua enorme sabedoria e estreita afinidade que tem em relação ao reino etérico, capazes de criar, durante um período de tempo, uma forma materializada ou uma estrutura etérica a fim de executar o propósito do momento.

Como a energia constitui a fundação da matéria, e o homem é capaz de dirigir essa energia e realizar os objectivos que estabeleceu, também se torna defensável que as gentes do espírito consiga dirigir uma energia similar ou outras qualidades dessa energia para o potencial etérico.

No sistema solar ainda estão a ser formados mundos; e conforme sabemos, também eles se encontram imersos num entorno etérico - caso contrário não seríamos capazes de os ver - o que torna convincente a presunção de que se achem sujeitos a actividades etéricas e a influências semelhantes. Se tivermos em mente que cada sistema solar constituir uma revolução ordenada de corpos em torno de um núcleo, isso fornece-nos um exemplo alargado do movimento atómico, pois que, como o mesmo princípio de movimento ordenado se aplica aos componentes de um sistema solar, será certamente pertinente pensar que os seus potenciais constituam as fundações de ambos. Assim também poderemos melhor perceber e de maneira pronta as explicações que Peter nos dá, que permitem que a cortina seja erguida um pouco e deixe entrever um vislumbre daquilo que tem sido há muito um mistério impenetrável, envolto na obscuridade pelo vago termos "astral," ou química "cósmica."

Pergunta: "Tens falado muito acerca do éter, de modo que seria imensamente prestativo se nos pudesses dizer mais sobre ele. Reconhecemos o vasto alcance do tema, mas talvez esclarecesse um pouco se se nos pudesses dar uma definição clara do que é "éter delimitado" e "éter grosseiro."

Peter: "Excepto numa ou noutra questão, é coisa que representa uma tarefa e tanto. Referindo-me ao "éter delimitado" e ao "éter denso," creio que ambos esses termos sejam sinónimos - e podem ser intercambiáveis.

"Se nos referíssemos ao Éter Delimitado com relação à forma do médium deveríamos estar a referir-nos àquela parte que constitui o corpo etérico, que representa oque se poderá designar por éter diferenciado. Possui carácter por se encontrar num estado diferente de movimento ou vibração diferente daquele do éter livre. O Éter Delimitado pode ser considerado como o ar que é colocado dentro de uma garrafa, e aí fica confinado, ao passo que o éter libre poderia ser comparado à atmosfera exterior. Não possui carácter próprio, aparte da composição essencial, à excepção dos casos em que está relacionado com determinadas áreas tais como distritos montanhosos, zonas altamente urbanas e os lugares belos ou sórdidos, em cujo caso o ar e o éter serão afectados.

"O éter delimitado mantém a vida do seu homólogo por tanto tempo quanto essa vida servir um propósito útil. Quando esse éter afrouxar instala-se a decadência. Reduz a sua vibração, e como ela abranda é gradualmente absorvida pelo éter livre, muito à semelhança da gradual abertura da rolha da garrafa do ar. À medida que esse éter delimitado se desintegra, também a sua contraparte física se decompõe.

"Isso é éter delimitado - éter dotado de carácter - do carácter do objecto que lhe está associado. É o ovo do pudim - a liga, compreendes? O éter no seu todo preenche todo o espaço. Se fosse possível preenche-lo, quer dizer, no sentido em que usarão o termo. O espaço é ilimitado, conforme sabem, só que eu preciso utilizar termos que sejam prontamente compreendidos por vós. Não é bem o mesmo éter que conhecem na terra, por a terra em si mesma carregar um éter dotado de carácter. Para vós, assim como para todas as coisas sobre a terra, não possui carácter, do mesmo modo que a polaridade negativa da vossa electricidade é da mesma polaridade da terra.

"O éter, ao ser destituído de carácter, pode ser impresso pela mente do homem, e ele adoptará, quase de forma permanente, as condições do seu ambiente; lembrem-se de que o éter é ponderável pelo facto de não se mexer nem mover. Podem compará-lo a uma gelatina. Se lhe tocarem de um lado, a vibração será sentido no outro - e o todo oscilará. De momento não conseguem medir o éter. Os cientistas tentaram medir a flutuação do éter, a flutuação do mar do éter pretérito da terra; estavam no caminho certo, de certo modo, quando se depararam com os pontos mais elevados, só que não foram suficientemente alto. Precisariam ter ascendido a uma altura de pelo menos oitenta milhas acima da superfície da terra, que então talvez fosse impossível medi-lo com os vossos instrumentos do presente. A terra carrega o seu próprio éter, mas em breve se torna isolado do mar de éter. Excelente termo - " o mar do éter." Ele preenche todo o espaço. Interpenetra tudo. É mais denso que o material por não conter aberturas ou espaços. Não possui composição química. É mais sólido do que a terra - com referência ao seu próprio ambiente e não ao vosso.

"Sabem como caminham através da água. Ao caminharem na água mergulhados até à cintura, empurram-na para o lado. Pois bem, vocês fazem quase o mesmo em relação ao éter; só que não criam um espaço por trás de vós. A água e vocês não podem ocupar o mesmo espaço ao mesmo tempo mas o éter pode, e fá-lo. Mas entendem o que quero dizer É igualmente tão sólido e real quanto os vossos tijolos e pedras."

Pergunta: "Um copo de água é permeado por éter. Concluímos que o conteúdo de éter existente no copo de água difira daquele do exterior."

Peter: "Mas claro que sim. Foi por isso que me referi a ele como éter delimitado."

Pergunta: "Possuirá ele peso?"

Peter: "O seu peso é tão grade que não o conseguem medir, por todos os vossos padrões e medidas serem absorvidas pela massa etérica. Vejam bem, é de tal modo vasto e preenche de tal modo o espaço todo que não o conseguem nem podem compreendê-lo. Não podemos sair dele a fim de o medirmos. O éter possui uma frequência, e quando uma mudança é observada nesse éter, são formados corpos materiais. O que tem lugar é uma mudança de frequência no ambiente imediato do corpo material de tal modo que se diferencia da sua aparente fonte.

"É actuado pela mente inteligente no caso de utilização dos processos naturais pela mente altamente desenvolvida. Um homem actua sobre ele por intermédio do pensamento; e o nível desses pensamentos é determinado pela qualidade em que irradiam. Assim têm, por assim dizer, etérico por intermédio de estratos - os estratos ou camadas de diferentes combinações ou taxas de vibração. Se cotarem através da superfície da terra, veriam um tipo de granulação que marcam os diferentes períodos que decorreram durante a formação da terra. Seria precisamente o mesmo que pegarem numa enorme faca e retelhar os estratos inferiores do éter, ou seja, os estratos associados e delimitados pela área de influência da terra.

"Vocês podem sintonizar esses estratos de acordo com os vossos próprios processos mentais. Eles são, por assim dizer, registos mentais em que se encontram armazenados os pensamentos das eras. São a própria fonte do conhecimento - da memória, da experiência, que todos os processos evolutivos do homem e da natureza subscreveram.

"Se pensarem na água e nas suas características naturais, ficarão com uma ideia do éter. Entendem? Embora não seja bem a mesma coisa. Preenche tudo por onde corre, embora, evidentemente, apresente vastas diferenças. Considerem-no como estando num constante estado de movimento sem que o seu todo se mova; o movimento que se verifica em todo o seu ser é auxiliado como que flutuando, de acordo com os puxões que recebe da parte da força do pensamento de modo a arranjar o seu nível ou estrato que mais se harmonizar com ele, para o bem ou para o mal."

Pergunta: "Com respeito ao éter e à saúde! Creio que podemos fazer muito por nós próprios se conscientemente tirarmos proveito da vitalidade etérica. Poderás dar-nos alguma ideia disso?"

Peter: "Sim, claro que podem. Exactamente: mas antes de mais, precisam convencer-se de que tal coisa seja possível. Precisam ter sempre em mente a trindade que representa a composição do homem, trindade essa que é constituída pelo seu corpo físico, o corpo da sua alma, e o seu espírito. Já lhes tinha falado sobre o corpo da alma, que se encarrega de determinados processos do controlo da mente, e que opera com relação a todas as coisas concernentes ao domínio do natural, em cujo domínio tem entrada o domínio do éter.

"Se houver uma completa compreensão entre a mente - que pertence à alma, neste exemplo - e o cérebro, seremos capazes (referindo-se à alma) de reclamar a necessária saúde e poder, que com efeito constitui uma vibração simpática; e desse modo incorporá-la em nós próprios e por fim no corpo. Lembrem-se que antes que uma alma se manifeste fisicamente ela existe em termos etéricos, ou seja, na alma. Deus ama o homem que, quando a fortuna concorre contra ele, mantém a sua própria fortaleza ilesa, ou seja, retém todas as suas potencialidades físicas. Deus não deixará tal homem desamparado. Uma falha física humano constitui uma desarmonia na alma ou falta da sua sabedoria. Parece-se muito diferente do éter, mas não é. Não é nem sequer na porta do vizinho - mas partilha do mesmo espaço."

Pergunta: "Disseste que a saúde e a doença são inicialmente criadas no corpo da alma. Poderás explicar-nos como poderá ser que, digamos, um corpo físico saudável acuse uma reclamação como uma dor de cabeça ou um problema nervoso?"

Peter: "É tão simples e no entanto não posso dizer que sim nem que não. O provável é que penses que eu esteja, como vocês dizem, a contornar a questão. Se puderes fixar na mente a ideia de que a alma existia antes do corpo (caso não o contestes) aí encontrarás a resposta para a tua questão. A alma não é de jeito nenhum perfeita, na medida do que diz respeito ao desejo que tem de vida; e tem prazer em desfrutar dos desejos da carne, quaisquer que possam ser. Se sentirem dores de cabeça, isso poderá dever-se a diversas coisas. Uma, poderá dever-se a um excesso de indulgência, que representa uma forma de insensatez ou, se se achar mais profundamente alojada, uma deficiência nos poderes construtivos da alma para completar a construção no físico de um sensório durável, com respeito a essa parte particular. Agora, queres saber que relação terá com a cura.

(NT: O autor da presente obra foi um curador notável que deu pelo nome de Harry Edwards)

"Antes de mais, precisas ter fé no poder de cura. Precisas ter consciência da existência desse poder. Tudo aquilo que contribui para a vida acha-se tão intimamente ligado, entendes, que quando começas a falar de uma coisa, não estás muito longe de teres passado para o domínio seguinte. Torna-se difícil a menos que consigas considerar a coisa toda por completo."

Pergunta: "Isso implica que sejam criadas antes de mais harmonias e desarmonias no corpo da alma, de modo que a alma domina o corpo físico?"

Peter: "Aí o tens na perfeição."

Pergunta: "O que me intriga é, como é que essas condições podem ser geradas no corpo da alma, antes de mais."

Peter: "Voltamos às primeiras palavras que usamos, que te referi com respeito à respiração - à respiração rítmica - não só com relação ao equilíbrio do ar mas primordialmente ao fornecimento do éter delimitado que se acha associado a esse ar para a manutenção do corpo etérico por meio do qual a alma opera. Vós podeis, através do controlo do pensamento, controlar a temperatura do corpo; porém, no geral, devido à forma como vivem, o corpo é mais susceptível de mudanças de temperatura do que seria caso vivessem de forma mais natural. Eu disse-te que estão a remar junto à margem que lhes separa o conhecido do desconhecido. Dizem que a terra é real e concreta. Ela é concreta, porém, não é real. Apenas aquelas coisas que são permanentes são reais. Somos nós que nos encontramos à beira da realidade que os contemplamos; e vocês estão diante da realidade, só que as distâncias são de tal modo vastas, que não o conseguem assimilar num piscar de olhos. Mas estamos a falar do éter - o denominador comum que separa o visível do invisível (invisível para vós), que separa o perceptível do imperceptível."

*Peter era o guia controlador do médium Arnold Clare
Traduzido por Amadeu António
 (continua)







Sem comentários:

Enviar um comentário