quarta-feira, 19 de abril de 2017

DOUGLAS - CONACHER - PROJECÇÃO FORA DO CORPO E DESENVOLVIMENTO CONSEGUIDO NAS ESFERAS



douglas conacher fala sobre projecção fora do corpo e o desenvolvimento conseguido nas esferas 
Douglas: De que forma se está a sair a presente publicação, está a sair-se bem?
Eira: Imagino que sim, já que estou a receber um volume avultado de cartas da parte de pessoas que escrevem a agradecer-te, que me pedem para te agradecer por tudo quanto revelaste.
Douglas: Óptimo! Se algumas pessoas estiverem a receber ajuda, e de alguma forma estiverem a ser animadas... Depois de tudo quanto foi dito e feito... Afinal existem tantas publicações escritas sobre o tema psíquico e espiritualista que suponho que publicar um outro livro nos dias que correm deve representar qualquer coisa.
Mas suponho que as pessoas leem uns livros e com o tempo sentem-se saturadas. Mas acho que haja lugar para um livro por que choramos baba e ranho, acerca da vida após a morte. Creio que alguns desses livros... não me recordo quanto tempo já têm, talvez uns anos, mas acho que li alguns, mas não fiquei muito impressionado.
A questão está em que acho que temos que nos resumir ao facto básico de que, quando se trata de tentar transmitir a partir deste lado aspectos da vida com que estamos familiarizados mas vocês não, temos de alguma forma que o resumir ao nível material para que possa ser entendido ou compreendido de todo. Por outras palavras, precisamos resumi-lo num sentido a imagens, conforme suponho que seja a expressão que corre, a um sentido material, de modo que possam dispor de um esboço ou de um aspecto qualquer do que procuramos transmitir. Mas existem tantos aspectos da nossa vida que, com toda a franqueza, não consigo possivelmente conceber que possa dar a entender ou transmitir por qualquer modo que possam nem sequer compreendam, entendes? A nossa vida acha-se tão em determinados sentidos remota da vida material, que não temos hipótese de a descrever.
Eira: Pois, eu compreendo isso. Tu já transmites muito. bom, terás algum assunto especial a tratar, querido?
Douglas: Penso que provavelmente seria melhor que me fizesses perguntas cujas respostas, se as puder dar, tragam de volta ao nível material da consciência uma compreensão, perguntas que possivelmente muita gente possa colocar.
Eira: Pois. Estava a pensar nestas experiência de projecção fora do corpo porque passamos. Eu passei algumas ocasiões excitantes em que o meu corpo ficou rígido, e questiono se não poderíamos falar sobre esse aspecto, com é que isso é alcançado.
Douglas: Bom, essa não é uma pergunta de difícil resposta. Claro que acho que muita gente passa por essas experiências de projecção fora do corpo, embora muitas outras pessoas não as tenham; claro que muito depende do indivíduo. Quando uma pessoa em certa medida - tal como no teu próprio caso - progride ao longo do caminho da realização; por outras palavras, tu estudaste o tema e tens estado de forma intermitente comigo, abriste a tua consciência à realidade destas coisas, e por conseguinte, devido à meditação que praticas, devido à consciência que tens de uma força externa, e também à realização que obtiveste de que a vida é um processo contínuo, ao perceberes conforme tu percebes que o espírito do indivíduo se encontra apenas temporariamente alojado no caixão da carne; percebendo conforme tu percebes esses factos, então claro que pela tua própria natureza e inclinação e experiência e conhecimento, libertas-te (conforme suponho que a palavra deva ser) do mundano e do material, não só durante as horas de vigília mas muito mais durante as horas do chamado sono material.
Assim que obtiveres plena consciência e perceberes que tu própria, a realidade, o teu Eu, aquilo que te tornaste ao longo de porventura séculos do tempo terreno da experiência enquanto indivíduo, enquanto personalidade, enquanto ser espiritual - por teres assimilado tanto - isso pela sua própria natureza, é muito mais fácil de fazer no estado de sono, ser capaz de abandonar o corpo material, de se separarem temporariamente e projectar-se nos níveis astrais, nesses outros reinos da realização espiritual, que não se acham tão afastados assim da terra. Não queria que pensasses que com esta observação que fiz do astral esteja a referir estados de existência não evoluídos. O que temos que perceber é que existem muitíssimos estados de existência, muitas condições de vida a que uma pessoa pode aspirar e penetrar. Claro que se estiverem aprisionados - como na realidade devem estar enquanto estiverem na matéria, presos a coisas e problemas materiais, durante a vossa rotina diária da vida - até certo ponto esse será um aspecto inibidor, mas entende, tu tens sido capaz - embora possivelmente não tenhas podido compreendê-lo em pleno - mas tens sido capaz de te libertares o teu verdadeiro Eu, em grande medida, desses aspectos materiais da vida no teu estado de sono, ou seja, quando o teu corpo fica a repousar, tu - o teu verdadeiro Eu, torna-se capaz de se afastar temporariamente da memória, se quisermos, ou dos laços mentais ou contacto com o físico e o cérebro. Habilitas-te a entrar na realização do pensamento de uma nova experiência no que geralmente é designado por planos astrais.
Bom; esses planos, que se acham interligados, se quisermos, pelo menos alguns planos acham-se entrelaçados com a vida material, são habitados por indivíduos que, porventura se terão libertado do corpo físico muito recentemente pela morte. São pessoas que ainda estão por assim dizer mentalmente agarradas, em parte, senão mesmo completamente pelo menos em parte, a velhas recordações de coisas passadas, no sentido material; por vezes vêm do astral em visita à velha morada e vêm visitar os amigos e parentes. Encontram-se, se quisermos, num estado de limbo, embora não esteja certo de ser a melhor palavra a usar. Claro que me estou a referir ao estado mental da existência que se encontra estreitamente entrelaçado com a material. Bom, quando deixam o material, vocês penetram num estado do ser que constitui uma realidade da vida de indivíduos que terão, não porventura completamente abdicado do aspecto material do pensamento e por conseguinte esse mundo em que têm existência é, até certo ponto, criado pelas forças do seu pensamento e devido às perspectivas que tinham, determinados aspectos da vida que de uma forma estranha não constituem exactamente réplicas materiais, mas em determinada medida encontram-se - em certos casos - num estado confuso de existência, que resulta da combinação da nova ideia ou forma de vida produzida pelas acções ou forças do pensamento, mas também se acham entrelaçados com velhas ideias e velhas coisas que não terão sacudido por completo.
Agora; não quero que presumas, com aquilo que te estou a dizer, que quando deixes o corpo físico permaneças o tempo todo, nesses planos particulares de que falo...
Eira: Ah, espero bem que não.
Douglas: Não, quero transmitir-te estas coisas a ver se percebes que todas as condições de vida - quer se trate de condições de vida altamente evoluídas ou de condições de vida próximas à terra, ou que acham-se bastante interligadas, poder-se-á dizer, com a terra – não são locais separados mas encontram-se todos misturados... Isto é uma coisa que muita gente obviamente não compreende. O que precisamos ter em mente é que toda a progressão individual constitui uma condição que, pela sua própria natureza, constitui um processo lento. Uma pessoa não toma subitamente consciência dos domínios elevados da realização ou do conhecimento espiritual; ela não se torna de repente plenamente ciente de quaisquer dos múltiplos aspectos da vida amplamente afastados da vida, nem tão pouco pela sua própria natureza se tornam – como o mundo porventura o refere – perfeitas.
Nós somos uma mistura – todos nós – de tantas experiências, de tantas ideias e pensamentos, nós assumimos toda a sorte de ideias e por vezes de condições de vida que pela sua própria natureza se acham entrelaçadas. Por exemplo, no meu próprio ambiente, a que tu por vezes vens, eu posso atravessar todas as fases diferentes da existência. Posso alcançar, ainda que temporariamente, diversas condições de vida, e tornar-me temporariamente parte, se quisermos, dessa particular condição. E também posso assumir – mas isto deverá chocar-te – posso assumir até certo ponto uma aparência exterior, que não passará de um envoltório temporário.
Vocês, por exemplo, no mundo material, dispõem do vosso corpo físico, e as pessoas reconhecem-nos pelo aspecto físico que exibem. À medida que atingem uma certa idade também o corpo começa a envelhecer e entra em declínio, no entanto vós próprios enquanto indivíduo, ser espiritual que está gradualmente a evoluir, eventualmente obviamente, “batem a bota” e o corpo deixa de existir: mas o que quero dizer é que eu, neste meu lado, e outros como eu, que evoluíram por diversos estágios da existência, conhecemos um corpo espiritual no domínio elevado de que nos tornamos parte, para onde migramos, se quisermos, podemos, ao entrarmos noutras esferas, em particular próximo à terra, assumir temporariamente aspectos dos velhos corpos que tivermos tido.
As pessoas sempre presumem que não passamos de uma pessoa individual – o que num certo sentido não deixa de ser correcto – só que aquilo que torna uma pessoa num indivíduo, passível de ser reconhecível pelos outros, é o conglomerado, se quisermos, toda a sorte de ideias, teorias, condições e experiências e ventos por que passamos em diversas vidas – não só neste mundo material, estou a referir-me igualmente às vidas espirituais, e às experiências astrais. O que podemos enfiar na cabeça é que somos um conglomerado de todo o tipo de pensamentos e ideias, experiências, conhecimento, teorias, algumas das quais gradualmente expandimos ou descartamos por não mais serem de qualquer valia para nós.
Algumas das primeiras coisas que tive que aprender quando passei do vosso mundo para este foram certas ideias e teorias, clichés suponho bem, toda a sorte de coisas que eu me tinha apegado subconsciente ou inconsciente ou mesmo conscientemente, precisamos despir-nos antes de podermos progredir. Toda a sorte de ideias e pensamentos intensos que não têm qualquer peso, qualquer propósito, qualquer sentido aqui. Aquilo que te estou a tentar apresentar em poucas palavras para o efeito é que, quando penetramos nos domínios do espírito, quando o vosso corpo material fica a repousar e vós próprios vos alojais temporariamente no corpo astral ou no vosso corpo psíquico ou corpo espiritual, se preferirem chamar-lhe isso, embora estes termos individuais num certo sentido sejam uma e a mesma coisa, vocês entram num estado temporário de existência da consciência de certas condições da vida, e tomam parte nelas.
Por vezes, sob determinadas condições, tu és capaz de vir directamente até mim na minha própria esfera, mas há outras alturas em eu entro no astral...
Eira: Pois... eu habitualmente volto aqui a cavalo...
Douglas: Bom, isso é compreensível porque... aquilo que não percebes, e não suponho que quem quer que seja... mesmo aqueles que tenham muita experiência e identifiquem essas coisas conseguem perceber que somos nada mais nada menos do que aquilo que pensamos. E assim como pensamos, assim somos, e surpreendemo-nos com as condições de vida em que nos vemos, quer seja na vida material onde nos encontramos na terra, ou nas condições astrais, que até certo ponto reflectem os pensamentos e as acções materiais, ou mesmo nos mais rarefeitos estados de existência. E também precisas ter em mente que podem entrar em toda a sorte de condições e que sereis temporariamente afectados por essas vibrações, por essas condições e por esses pensamentos.
E depois, claro que também precisamos ter em mente conforme eu disse antes que somos um conglomerado de toda sorte e feitio de experiências, o que poderá cobrir muitas, muitas gerações de tempo terreno. Quando aceitamos a teoria, esta teoria moderna da causa e efeito de que alguns de nós – não direi todos – tenhamos vivido na terra antes, e de que teremos tido vidas tão reais e tão naturais para nós quanto a existência material, que no teu caso ainda estás a viver e constitui uma realidade, também podemos temporariamente admitir, ou entrar em recordações passadas de casos e pessoas e coisas, e podemos reencenar se assim o desejarmos, temporariamente, por aquilo que foi ainda existe – nada se perdeu.
Existem registos – não sei como explicar isto, mas existem registos que podemos sintonizar de uma forma mental, pelo que podemos recordar eventos passados e acatar memórias dessas coisas. E se desejarmos podemos tomar parte nelas, assim como podemos representá-las por imagens e ter plena consciência delas. E é mais do que possível (acho que seja verdade dizer isto) mas muita da gente que tem experiências estão apenas a tocar o que suponho possam chamar os registos que se encontram na atmosfera da vida, que pertencem ao próprio, memórias essas em que podem penetrar temporariamente, e fazê-lo de tal forma a poderem reconstruí-las. Nada se perde, entendes? E a questão está em que tu e eu tivemos muitas existências, e eu estou plenamente certo de que embora tu não as possas recapturar ou recordar, estou certo de que tu e eu vivemos na terra não só uma vez mas muitas. E numa ocasião, vivemos no tempo dos cruzados. E nesses tempos, tu e eu estávamos estreitamente ligados e eu era um homem de uma certa substância e posição, e eu fui a cavalo, conforme outros nesse tempo, até à Terra Santa.
Claro que agora em certos casos consigo ver que éramos muito mal orientados, mas mesmo assim temos que aceitar a questão de que por essa ocasião em particular, com o conhecimento ou falta de conhecimento que tínhamos, na maioria dos casos eramos, em grande medida, muito sinceros. A questão está em que porventura tu também recapturaste recordações que por vezes são capazes de infiltrar na tua consciência certas coisas que ocorreram há séculos atrás. Tu tens essa imagem mas quando vieres para aqui tornar-se-te-á possível (e já aconteceu) que pela capacidade que eu tenho de te projectar a recordação e a experiência de coisas, não somente no passado, mas por vezes coisas que ainda estão por vir ou que tu designarias por futuro.
Quando o homem conseguir assimilar a percepção de que o tempo não existe, de que o tempo é a maior ilusão, e de que aquilo que é passado ainda se acha presente, e o que ainda está por vir também existe, embora ainda não tenha atingido o seu tempo, se me for permitido usar essa expressão... e isso não se aplica somente ao material, quero dizer, existe essa teoria que foi avançada com relação ao tempo, com base no que se escreveram muitos livros, num sentido material, mas o tempo constitui uma ilusão, na medida em que realmente não conseguem defini-lo, nem conseguem dizer, o começo está aqui ou isto é o fim. Não existe qualquer começo nem fim, mas uma questão de tomarmos consciência de certos aspectos de nós próprios e da vida e da experiência, num determinado ponto. Não quer dizer que pelo facto de terem nascido não existissem, e certamente não quer dizer que quando morrerem deixem de existir enquanto alma, por existirem. Vocês são como são, e num certo sentido nada alterará isso, porque virão a tornar-se progressivamente mais iluminados, cada vez mais conscientes espiritualmente, alcançarão um progresso cada vez maior, serão mais e mais capazes de alcançar e de fazer coisas que a determinada altura no tempo jamais teriam pensado ser possível...
Eira: Mas, querido, quando todos esses corpos ou humores (...) alcançaremos paz?
Douglas: Poder-se-á dizer, em que consiste a paz? Isso é um termo, e as pessoas gostam de pensar que a paz seja um estado de espírito que de uma forma estranha pode ser de tal modo considerada que há alturas em que poderemos dizer que estejamos em paz; quando nos sentimos tranquilos. Mas geralmente isso representa um momento no tempo ou uma experiência no tempo em que nada de consequente sucede – não realizam coisa nenhuma, nem fazem nada, nem vão ao encontro de coisa nenhuma. Muitas são as expressões que são criadas que de facto não possuem qualquer realidade, e eu estou a tentar falar de coisas factuais. Que será a paz? A ideia que uma pessoa possa ter da paz pode não ser a que outro tenha. Mas a questão está em que “paz” é um termo muito mal aplicado. As pessoas falam de paz de espírito... que será a paz de espírito? Alguém dirá que é quando tudo se afeiçoa de tal modo quiescente, quando tudo se nos afigura conforme desejamos que seja e não temos nada que nos irrite ou incomode, quando não temos pelo que lutar ou nos esforçar e quase se contentam em não existir. A mim isso parece ser a explicação do que seja a paz. Claro que não refiro o significado que certa gente usa, quero dizer, quando se fala das dificuldades do mundo, da guerra e da paz. Daqueles que estejam em guerra, quer seja de palavras ou armamento, quer subentenda destruição e infelicidade, tudo isso é ausência de paz. Mas isso obviamente é algo muito diferente, é algo que desejamos erradicar. Desejamos que o homem compreenda que em si mesmo existe a possibilidade de uma mudança por maio da qual possa viver junto em harmonia.
Mas não me estava a referir que isso seja necessariamente paz. A mim, em certa medida a paz afigura-se-me como uma ilusão. Num certo sentido vocês nunca deixam de desejar algo mais, algo melhor, ou por uma maior percepção do sentido e do propósito...
Eira: Mas, e o Nirvana? Nunca alcançaremos esse estado chamado Nirvana?
Douglas: Sim, mas vês... realmente não sei como explicar isto mas... vejamos, existem milhões de pessoas, por exemplo, em determinadas esferas da existência que habitam juntos em perfeita harmonia, amor e compreensão, que vivem perfeitamente contentes, pelo que vocês dirão que habitam na paz. Não vou discutir isso é claro, eles vivem em paz, mas a questão está em que só atingiram um determinado aspecto ou questão de evolução ou desenvolvimento no tempo. Porque lé chega um tempo, independentemente do quando ou onde, em que o indivíduo, ou o espírito se quisermos, começa a procurar um pouco mais longe, começa a perambular à procura de algo ainda mais elevada que possa atingir.
Assim que uma pessoa, ou um grupo de pessoas se sentir satisfeito, na plena acepção do termo, então fica estagnada. Não sei se isto fará sentido ou se compreenderás isto mas, pela sua própria natureza a vida significa mudança, movimento, acção. Avida jamais pode chegar a ficar completamente imóvel. A vida pela sua própria natureza, a própria força animadora que está por detrás de toda a vida é movimento, mudança, é algo que é vital por detrás de toda a vida. A vida toda é esse tipo de animação. E quando vocês têm animação, então estão constantemente... talvez sem que o entendam em pleno, a tentar alcançar, a esforçar-se, seja onde for... Poderão dizer: “(...) se encontram num grande estado de felicidade.” É claro que se encontram, e permanecerão nesse estado de felicidade até que se sintam instigados ou necessitados ou desejosos de se expandir ou de ir um pouco mais longe na rota do progresso. Por toda a vida precisar ser progressão, precisar ser mudança – porventura muito lenta, muito subtil, e podendo levar eternidades, conforme vocês compreendem o tempo.
Quando falamos de eternidade, um termo que na verdade nos deixa a mente desorientada, por ninguém compreender a eternidade, e eu supor que se tentarem sentar-se e interessar-se pela ideia da eternidade, não o compreendam e provavelmente acabem por sentir assustados e insatisfeitos com a ideia, porque... quero dizer, nos velhos tempos quando costumava-mos ler a Bíblia, e os termos e expressões Bíblicas, e toda a sorte de livros que costumávamos ler, de filosofia e não sei mais o quê, quando topávamos com a ideia de que os bons se reuniriam com Deus e os arcanjos por toda a eternidade... quero dizer, é algo que com toda a franqueza, não se consegue compreender. E eu sei que num certo sentido não é assim. Por outras palavras, a vida eterna, prosseguir para sempre, deve obviamente pela sua própria natureza significar constante revisão, constante mudança, flutuação, movimento, seguir nesta ou naquela direcção, ou o que possa ser, porque... Não podemos estagnar, não podemos ficar estáticos, ou caso contrário não poderíamos existir.
Isto é algo que eu penso que, embora procure desesperadamente explicá-lo, estou consciente de não conseguir ser muito bem-sucedido, porém, sei o seguinte: temos que viver nalguma forma de existência ou em algum estado de espírito onde, por eternidades venhamos a ser identicamente os mesmos e vivamos a mesma rotina - conforme o diria, para o colocar no sentido material – a mesma velha rotina dia-a-dia, deitar-se e acordar, deitar-se e acordar, independentemente do quão possam sentir em intensidade a felicidade que isso traga, deverá chegar uma altura ou um tempo em que começaria a revoltar-nos e sentiríamos que não seríamos tão felizes quanto tivéssemos sido.
Não estou a dizer que seja exactamente assim aqui, por estar a tentar reduzi-lo ao nível material. Quando as pessoas comentam: “Ai, eu receio a morte e não quero morrer e quero ficar indefinidamente na Terra, “quem quereria tal coisa? Poderás imaginar a que se assemelharia uma existência de um milhar de anos num plano material como o vosso, com todas as suas mudanças? A questão está em que precisamos sofrer mudança; não podemos estacionar, precisamos mudar. Esse negócio de renascer na terra, e de entrar num corpo físico novo, que num sentido é somente um caixão destinado à expressão da alma individual, mas a questão está em que é isso que torna a vida uma realidade, e a torna uma coisa que em si mesma é compreensível. Por estarem constantemente a experimentar coisas novas e mudança e a conhecer outras pessoas, por vezes pessoas que conhecemos de uma encarnação anterior, e pessoas que possivelmente não tenhamos conhecido antes mas que também se tenham tornado importantes na nossa vida.
Mas quando as pessoas conseguem ver com a clareza da visão que o corpo físico, e o corpo astral se preferirem, não passam de conchas, envoltórios exteriores, ou mecanismos se quisermos, para a expressão e manifestação do espírito, e que quanto maior avanço tivermos, menos importante (num certo sentido) são esses corpos. São meros instrumentos por intermédio dos quais somos capazes de nos pormos em contacto (até certo ponto) com outros afins, possuidores de perspectivas idênticas. Quero dizer, eu vim até aqui junto a ti, e manifestei-me em grande medida, na medida do possível, percebendo o problema e a dificuldade que isto em grande medida implica, por ter estado em grande medida materialmente...
Eira: Pareces sempre pareceste persuadir os gatos, querido. Eu arranjei um gato preto que parece estar (...) permanentemente...
Douglas: Pois, eu faço isso de vez em quando, mas entendes, eu não quero que te vás embora a achar que, pelo que eu disse, não estejamos a viver num mundo que não seja tão real para nós quanto o vosso o é para vós; e que não tenhamos um corpo igualmente real para nós, porque é evidente que vivemos num mundo real e possuímos corpos que são sólidos – na condição em que vivemos. Mas toda a questão está em que precisam compreender gradualmente, por possivelmente não ser possível nem fácil, nesta altura, compreenderes o facto de que nós somos seres espirituais que utilizam corpos particulares, se quisermos, que temporariamente se prestam ao propósito da vida me que nos encontramos nesta altura – embora possa utilizar o termo “tempo” que todavia acho difícil aplicar, por representar uma expressão confusa aqui, sempre que expressamos o termo tempo aqui, por não estarmos sujeitos ao tempo da mesma forma que vós. Enquanto vocês estão sujeitos aos dias, às semanas, aos meses e aos anos, e às flutuações entre umas e outras coisas, nós só somos influenciados pelas forças do pensamento das experiências que reunimos, que até certo ponto formam a nossa personalidade e o nosso carácter, e evoluímos gradualmente pelo conhecimento das experiências – múltiplas, um incontável número de milhões de experiências, se quisermos, obtidas junto de todo tipo de gente e de fontes.
E conforme disse antes, nós podemos reentrar no velho eu que fomos num certo período, quer seja um certo período no tempo da existência e recordação terrena ou de vidas passadas. Mas também podemos voltar a penetrar em certos aspectos do ser que tenhamos “encarnado” num determinado plano da evolução neste lado...
Eira: Soa terrivelmente complicado.
Douglas: Mas isso deve-se ao facto de não ao conseguir explicar. Isso é o que eu acho que nunca chegamos a conseguir, explicar algo que é puramente espiritual neste contexto numa linguagem material.
Eira: Tenho que pensar nisso...
Douglas: Sabes, o que ninguém parece perceber é que existem milhares – e não só dois ou três. Bem sei que ouvem dizer que existem sete esferas nos planos astrais, a primeira esfera e a segunda esfera... Mas o que não compreendem é que existem milhares de estados de espírito ou condições do ser. De acordo com a evolução gradual do indivíduo e com um certo nível de consciência e de percepção e experiência, e todos esses mundos se encontram entrelaçados ou se misturam, e a evolução gradual do desenvolvimento de uns para os outros é tão subtil que mal chegamos a perceber as mudanças que ocorrem. E é isso que sucede num sentido menor ou num sentido diferente fisicamente quando se encontram num corpo material.
Eira: Poderei perguntar como estará o meu pequeno irmão que passou há uns meses atrás, o Sidney?
Douglas: Claro que ele se encontra num afortunado estado de existência junto dos seus. Eu vejo-o ocasionalmente...
Eira: Eu envio-lhe a ternura que sinto por ele todos os dias.
Douglas. Mas tu sabes... como te hei-de explicar estas coisas? Se tu ao menos pudesses perceber o quão próximo todos nos encontramos de ti, e que penetramos na recordação das coisas passadas, e na recordação de nós próprios conforme tu nos conheceste; somos tão capazes de penetrar nessas experiências e nesses eventos passados... Vê bem, quando venho até ti, volto num certo sentido mentalmente, se quiseres, e volto no velho nível, mas também, esforçando-me ao mesmo tempo por repassar aqui e ali sempre que possível, certas experiências, certas recordações, coisas de que muito pouco ou nenhum conhecimento tens, pertencentes talvez a um passado terreno de há séculos atrás, e também lembranças de coisas inerentes à minha vida aqui. Quando para aqui vieres isto será tão real para ti quanto o era quando vives no estado de vigília do teu corpo material. A tua vida e a minha vida encontram-se entrelaçadas. As pessoas não percebem que existem agrupamentos de alma...
Eira: Sim, tu falaste disso...
Douglas: Um agrupamento-alma pode consistir em centenas e centenas de pessoas, todas entrelaçadas em diferentes períodos do tempo, que se tornam parte do grupo. Elas invariavelmente trabalham em conjunto e vivem juntos e possuem um método de trabalho, em particular quando diz respeito à  tentativa de ajuda um mundo material. Nós vemos as tragédias do mundo material em que vocês vivem, e nós vemos essas coisas com uma clareza que vocês não percebem. Nós vemos tudo o que acontece nele, que é o que o próprio homem produziu. As pessoas nem sempre compreendem isso e frequentemente ouvimos as pessoas no vosso mundo bradar contra Deus quando alguma coisa corre mal: "Porque terá Deus permitido isto? Porque permitirá Deus aquilo?" Mas Deus - para fazer uso do termo - concedeu ao homem livre-arbítrio; o homem cria todas as situações em que se encontra. O homem cria as guerras, cria o ódio, a malícia, a intolerância, a enfermidade e a doença, e ao longo de gerações - e não necessariamente um geração - uma geração pode criar ou semear as sementes que a outra colherá. E infelizmente tem que sofrer.
Eira: Espero que o (...) traga esse avanço científico da... disseste da Rússia?
Douglas: Bom, acreditamos... pelo que consegui apurar, pela gente de mentalidade científica, em particular aquela que trabalha em conjunto com gente do vosso lado onde possível, influenciando-a mentalmente e pela força do pensamento, esperamos que isso venha a passar. E por estranho que pareça, tanto quanto fomos capazes de apurar, no momento os Russos estão muito mais interessados e muito mais à procura e estão a por esse motivo estão a receber ajuda. Mas claro que não aceitam que isto seja uma coisa religiosa, por nada ter que ver com a religião.
eira: No meu estado de sono eu visitei esse local tão ilustre para o mundo, e era tão realista. A URSS durará muito? (40:56)
Douglas: Pois, mas tu possuis, devido à aptidão que tens, a faculdade de num certo período de tempo te libertares. Isso é importante, as pessoas libertarem-se temporariamente, do mundano e do material. Ao se libertarem, em particular no seu estado de sono, são capazes de entrar em horizontes que se encontram amplamente afastadas do material, onde veem e experimentam e encontram toda a sorte de gente que se esforça por trazer alguma ajuda e serviço à humanidade.
Num certo sentido tu representas uma ponte, e este é um importante factor, e não apenas o livro, ou outro qualquer que possa vir a ser escrito entre nós. A questão está em que tu enquanto indivíduo estás a ser usada por formas de que nem tu própria tens plena consciência. Quero dizer, isto sucede; podes pensar que pouco está a ser feito e que muito pouco se tem alcançado, e possivelmente num certo sentido isso poderá ser verdade, mas tu não consegues ver aquilo que nós vemos. E nós vemos-te a ti e a outros como tu, como um elo de importância vital em relação à corrente, corrente essa que estamos a criar ao longo de um período do tempo terreno. E quando esta corrente for fortalecida, chegará a ter uma tal resistência, que as pessoas no vosso mundo serão capazes de compreender um pouco mais, e a resistência da corrente puxá-las-á para mais perto dos domínios do espírito, e então será animada por ela. Não deves (...) nem deves criar essa tensão em ti própria. Alturas haverá em que é compreensível que aches que muito pouco é alcançado, mas muito está a ser feito, e tu também viajas pelo astral e recebes muita ajuda e orientação e distracção; encontramo-nos mais próximo agora do que em alguma outra altura, e gradualmente visualizarás e verás e compreenderás mais do que alguma vez terás pensado ser possível. É tudo um processo gradual. Não te deves deixar deprimir...
Eira: Ah, não, eu não estou deprimida. Só mais uma coisa com respeito à Lucy, querido. Poderás dizer-me aqui onde pensas que ela esteja? Disseste que ela não está morta.
Douglas: Eu estou convencido de que ela se encontra no estrangeiro.
Eira: No estrangeiro?!Queres dizer, neste país ou...?
Douglas. Não. Estou convencido de que ela... penso que...
Eira: Não se encontra em Inglaterra?
Douglas: Estou convencido de que é certo ela não estar aqui. Sabes, não estou certo mas talvez vos esteja no sangue presumir que ela tenha sido assassinada, mas não é assim; estou convencido disso, não que exista alguma prova que o suporte. Creio que ela quis dar o fora, que ela quis desaparecer. E creio que ela teria ideias e ambições que possivelmente nunca discutiu com ninguém.
Eira: Terá alguma coisa que ver com a Igreja de (...)?
Douglas: Não. estou certo de que ela pouco ou nada teve que ver com a Igreja no sentido de ir nalgum retiro nem nada disso.
Eira: Decerto que se deixou enamorar bastante pela Igreja Católica Romana. Bom, seja como for, querido, esta foi uma conversa magnífica...
Douglas: Quando eu souber em definitivo, quando puder apontar, quando te puder dar uma prova evidente, quando puder dar-te detalhes, eu dou-te.
Eira: Sim, escreve. Eu vejo frases e consigo ler...
Douglas: Mas estou convencido de que ela não se encontra deste lado da vida. Estou certo de que não. E ainda acho que não ouvirão notícias dela. Bom, mas preciso ir. Dou-te o meu amor, Adeus querida. Não te preocupes.
Eira: Adeus, querido.
Leslie Flint
Transcrito e traduzido por Amadeu António



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