segunda-feira, 17 de abril de 2017

VOZES XXII



Douglas Conacher
Ecumenismo (nova ordem mundial) ou liberdade da crença?
A Religião é necessária, mas o homem precisa espiritualizar-se
Eira: Bom, deixa cá ver... Achas que em alguma data futura todas as religiões do mundo se venham, porventura, a reunir, e venham a abraçar mais ou menos o que cada uma tem de básico?
Douglas: Francamente, não. Esta poderá parecer uma resposta muito estranha, mas não creio que as religiões enquanto tais se possam unir mas acho que as pessoas podem unir-se, e que venham a descartar uma enorme quantidade da experiência e conhecimento de crenças, por o senso comum, a experiência e o conhecimento com que se depararão, as forçarão a dar esse passo.
Eu acho que quanto mais cedo se tornarem sábios espiritualmente, mais descartarão, automaticamente, muitos dos velhos credos e dogmas e ideias e conceitos esgotados. Acho que é isso que se deve esperar.
Quando mencionas isso das religiões e dos credos se reunirem... Não! As pessoas? Sim! E consequentemente, à medida que se tornarem mais num só, e o seu conhecimento aumentar, e o seu empreendimento espiritual produzir todo um estado de espírito completamente diferente, claro que elas se livrarão de todo...
Eira: Obrigado, querido, essa é uma perspectiva muito melhor, não? Porém, um tipo de contacto científico entre os dois mundos...
Douglas: Isso, claro está, há-de chegar. Eu estou absolutamente convencido que aquilo que venha a unir as pessoas é o facto da própria ciência eventualmente venha a tornar possível a comunicação entre o nosso mundo e o vosso. Tropeçará de forma acidental com algo, estou certo, algo de que não estarão à espera nem a antecipar, que abrirá a porta, em termos científicos, para o nosso mundo. Toda esta ânsia que têm pelo espaço exterior, que possivelmente muita gente pensa ser um perda absoluta de dinheiro e de tempo, na verdade não o é. Embora as pessoas possam envolvidas não o antecipem, eu acho que ao irem ao espaço exterior eles vão descobrir tantas coisas - que então sucederão, que é o que temos tentado dizer-lhes há tanto tempo - e gradualmente surgirá prova de tal natureza que se tornará geralmente aceite, compreendido e aplicado na vida, além de eu também achar que as investigações que empreendem no espaço venham as pessoas da terra a unir-se por meio da percepção da futilidade da guerra, penso que venham a dispensar o armamento e que as nações venham a unir-se mais e as barreiras venham a ser derrubadas.
Por isso, acho que esta era do espaço vem abrir oportunidades fabulosas, e penso que eventualmente se tornará na salvação do mundo. Não quero dizer que seja coisa que venha a ocorrer nas próximas semanas ou meses, por poder levar outros vinte ou trinta anos. É difícil dizer quanto tempo isso possivelmente venha a levar, mas o que isso tem de espantoso é que já - embora possivelmente ainda não tenham saído disso com uma compreensão total - já obtiveram indicações claras no espaço exterior ed algo que poderia ser semelhante àquilo que vocês designam por "espiritualismo," embora não queira dizer que tenham visto entidades nem que tenham estado em contacto com elas, mas eles começaram a perceber que muito do que tem sido ensinado nesta matéria é aplicável, e muito mais cientificamente compreensível.
Não acho que médiuns venham a ser completamente postos de parte... lá por a ciência abrir mais amplamente a porta, os instrumentos que vocês conhecem como médiuns se venham a tornar fora de moda ou desnecessários, por o elemento humano, a mente, o indivíduo, sempre estará em jogo, quer sejam os cientistas com as suas investigações ou no sentido mais espiritual. O que estou a tentar dizer é que da ciência virá uma ciência espiritual e não tanto uma ciência material. Dar-se-á um grande alargamento dos horizontes, e aqueles que actualmente aplicam a ciência no sentido mais materialista, tornar-se-ão em consequência do conhecimento e do alargamento do conhecimento, espiritualmente votados à ciência. E é disso que vocês necessitam no vosso mundo; necessitam unir as raças humanas, precisam de uma ciência espiritual, por na minha opinião, a maioria das religiões são religiões que, embora englobem verdades básicas, infelizmente na sua maioria (não são todas) em maior ou menor grau são materialistas.
O homem é uma construção de si próprio; ele criou por assim dizer a sua própria ideia em relação a estas coisas e consequentemente o homem tornou-se bastante materialista naquilo que passou a aceitar religiosamente. Embora aceite coisas de natureza espiritual, ele pouca ou nenhuma tem da prova dessas coisas; ele cria crenças e dogmas que confundem até mesmo a pequena quantidade de verdade que tenha chegado à terra. Por outras palavras, o próprio homem tornou a verdade espiritual numa coisa material, por a concepção estar completamente errada.
O homem precisa da religião. Mas parece-me que sem ela o homem ver-se-á perdido. Existe um incontável número de pessoas que não seguem a religião no sentido de uma determinada igreja, embora possam ler a Bíblia, etc., mas em si mesmo a coisa é de tal modo inerente que particularmente em tempos de dificuldades e de aflição, mesmo que não seja particularmente religioso (nesses moldes) ele começará a pensar em maior profundidade em relação a ela. A verdade fundamental sai incólume, mas as concepções e as ideias que o homem tem se acham todas erradas. Essa ideia da religião servir quase como uma espécie de apólice de seguro, e de que se contribuírem para ela retirarão dividendos é completamente errada. Por outras palavras, se forem regularmente à Igreja e aceitarem determinadas coisas que se espere aceitem, ou uma igreja qualquer, quando para aqui vierem fiquem bem não passa de uma enorme falácia.
Eira: Pois, acho que pouca gente acreditaria nisso hoje em dia.
Douglas: Sabes, eu cheguei à conclusão de que o homem poderá estar certo num sentido; se lhe for dado um caminho ele poderá ser ajudado ao longo desse caminho. E é-nos permitido, e naturalmente que adoramos ajudar as pessoas, mas a questão toda está em que o homem ainda precisará firmar-se nos seus próprios pés; ninguém o poderá fazer por ele; ninguém os poderá salvar. O caminho da salvação está em vós próprios. Além disso, de que tipo de salvação se trataria, se tivessem que depender de mais alguém? precisar sofrer e desistir de tudo em função de... as pessoas não o admitem, sentem-se entediadas.
Com isto não pretendo negar a questão fundamental da verdade, mas afasto-me e tenho todos os motivos para perceber que o homem fez do que foi verdadeiramente uma revelação espiritual pura uma concepção tão material. Vocês precisam perceber que a vida tem sido dada a experimentar ao homem, a fim de se desenvolver, para obter conhecimento e experiência por que desenvolva as suas faculdades espirituais. Mas a maioria das pessoas no vosso mundo desenvolvem os dons materiais mas nada fazem com relação aos seus dons espirituais, que possui de forma inerente em si mesmo. Vocês nascem com um corpo físico, que cresce e se desenvolve, assim como o conhecimento. Mas a questão está em que muito poucos chegam a perceber que possuem um corpo espiritual, que possuem faculdades espirituais e possibilidades espirituais. E a maioria das pessoas, desde o berço até à sepultura, nada sabem acerca do seu ser espiritual. E a Igreja tão pouco o ensina.
Douglas Conacher fala sobre uma encarnação anterior
Claro que achamos que a maioria das pessoas percebe que, quando nos afastamos da terra, progredimos, aprendemos bastante, temos a mente mais aberta e consequentemente somos influenciados por todo o tipo de pensamentos, acções, condições, ambientes, em consequência do que evoluímos mais. E claro que em muitos aspectos mudamos de uma forma vasta e tornámo-nos diferentes do velho Eu que assumíamos na terra.
Penso que muita gente terá inclinação, mesmos os espiritualistas que professam entender esta verdade, têm inclinação para esquecer que com a passagem do tempo, e a mudança da experiência, nós devemos sofrer uma alteração. Por exemplo, as pessoas voltam aqui e comunicam e esforçam-se por dar provas disso com base em memórias e experiências passadas, mas com frequência isso representa um esforço – e na realidade por vezes pode ser, por vezes poderá não ser uma experiência agradável, por terem deixado tanto no passado - que sem dúvida alguma certa vez foi importante – mas que não mais tem o mesmo sentido, e decerto não é grande valia.
A única coisa que realmente conta, para nós, com respeito ao passado, às nossas vidas terrenas, são os momentos de afecto, de amor e de encarecimento que tivemos pelas pessoas, e claro, pelos melhores aspectos da nossa natureza, que ocasionalmente saem da escuridão do materialismo, conforme vocês poderão dizer, em que mergulhamos, mas em meio às muitas coias que dizem respeito à velha forma de vida, que temos todo o prazer em esquecer. Por vezes, essas coisas materiais são necessárias para revivermos as memórias temporariamente como meios evidenciais (prova) da comunicação.
Mas tu sabes que por vezes regresso a ti e examino de volta a minha própria vida, e vejo-a, porventura num certo sentido, como um padrão, mais como uma tapeçaria a que, na altura aplicava pontos (de cozer), e consigo obter uma imagem mais completa. Aqui olhamos para trás e vemos a coisa toda; as glórias, os diversos matizes, as sombras e os momentos mais brilhantes. Por outras palavras, não resta dúvida, e creio que deva ser necessário e essencial passar pela multiplicidade de experiências por que passamos – boas, más e indiferentes – mas claro que me congratulo demais pelo facto de não podermos ter luz sem sombra, por não podermos apreciar a luz a menos que gozemos das porções mais enegrecidas que se evidenciem como relevo, porquanto toda a luz seria, até certo ponto, de pouco valor, poder-se-á dizer. E nós precisamos avaliá-la... na verdade poderia acontecer que não passasse de um nada.
Penso que as pessoas na terra tenham a tendência para esquecer que é importante e necessário sofrer. Bem sei que grande parte do sofrimento é desnecessário e que deveria e poderia ser erradicado das vidas das pessoas, da vida em geral, e do mundo. Há muitos males significativos que não têm razão de ser e que na realidade não trazem fundamentalmente qualquer bem. Mas depois há determinadas coisas que sucedem e que precisam suceder, sem dúvida, porque se não ocorressem, sem dúvida que não conseguiríamos evoluir.
Sabes, acho que algumas pessoas pensam ter na composição do que é geralmente designado por “mal,” embora este seja um termo que está mais em vigor do que aquilo que descreve, mas há certos aspectos do oposto do bem, digamos, que me parecem ser essenciais. Sim, embora não vivesse num mundo perfeito, de qualquer modo levei uma certa forma de vida que foi perfeita, na medida em que podemos compreender o significado do termo “perfeito.” Podia ser, e deve ser, pela sua própria natureza da coisa, num certo sentido, uma existência inútil, sem sentido, amorfa, obscura, por assim dizer. Bom, isto poderá chocar certas pessoas, em particular aquelas de mentalidade religiosa, ou mesmo aqueles que gostam de se considerar como com inclinação espiritual. Mas penso que se conseguirmos analisar isso a fundo, creio que seja vital e importante que as pessoas percebem que precisam ter, em certa medida, luz e sombra, como numa foto, ainda que seja lisa. Se não tivesse destaque, se não tivesse profundidade nem sentido, se não possuísse forma nem contornos, também não o teria a vida humana.
Eu acho que devemos ver-nos como um produto da mente infinita, e ao mesmo tempo são-nos dadas, à semelhança de um artista, se quisermos, uma série de cores, são-nos dados os pinceis, são-nos dadas as telas e somos deixados entregues a nós, à nossa intuição, à nossa inclinação, à nossa própria habilidade - e mesmo quando possuímos essa habilidade fica a nosso cargo superar, alcançar, produzir algo nesse aspecto mais recôndito do ser.
Ser criativo, mas a coisa passa por ser criativo com a nossa própria alma, ser criativo com o nosso próprio ardor, perceber que em nós reside a possibilidade de um poder e uma capacidade espantosa, de uma conquista formidável. Penso que Cristo tenha tido conhecimento disso; penso que todos os grandes profetas e os grandes mestres devem ter tido conhecimento do facto de que dentro de nós residia a grande possibilidade de superar e de realizar.
Estou certo de que o verdadeiro significado da vida do Cristo está no exemplo que ele estabeleceu; a realização que ele próprio conseguiu foi o facto dele próprio perceber o que era possível para toda a vida humana. Por outras palavras, que nós próprios, se me for permitido usar a expressão, somos os salvadores de nós próprios.
Eira: Querido, poderei interromper-te um pouco? Vais contar-me mais acerca daquela encarnação em que és um monge? Disseste que gostarias de me contar mais sobre isso. Tu estavas de volta a Inglaterra, para Glastonbury. Eu fiquei tão empolgada...
Douglas: É verdade, eu desviei-me mas...
Eira: Pois é, foi muito interessante, mas tu disseste que gostarias de terminar essa história da vida que tiveste no início do período do renascimento.
Douglas: Eu vim para Glastonbury e aí fiquei por um tempo, por duas razões: Uma, que se deveu ao interesse que tinha por visitar outros países. Queria ver como os irmãos passavam, não só em Inglaterra mas noutros locais, em dois outros países. Mas também... eu mencionei que tinha interesse por aquilo a que chamam "química." Na realidade tinha interesse por muitas coisas, tinha muito interesse pela medicina...
Eira: Pois. Fala-me lá sobre isso...
Douglas: Tinha interesse em ver e em descobrir os novos processos por que poderíamos ser capazes de curar, e tinha ouvido falar em determinadas ervas, certos produtos que estavam a ser produzidos pelos monges de Glastonbury. Eu entendi que existiam outras fontes naturais em que podíamos confinar para produzir várias... penso que na gíria moderna se poderá chamar de drogas na vossa terminologia, e tinha interesse em encontrar-me com outros afins que também tivessem interesse pela astrologia. Eu sei que pode soar estranho mas eu tinha interesse por coisas tão diversas, e tinha ânsia por descobrir mais acerca da vida e sobre as pessoas dos diferentes países e vim até Glastonbury por diferentes razões.
Eira: Como foi que aqui chegaste? Atravessaste...? Deve ter sido uma viagem cheia de acontecimentos.
Douglas: Por água. Bem, foi e não foi. Suponho que em comparação com os meios de comunicação e de transporte de hoje, na Inglaterra e no mundo ao redor, chegar a Inglaterra nesses tempos era no mínimo acidental, mas de qualquer modo eu sempre gostara de peregrinar e de viajar, e caminhar fora coisa que nunca me preocupou, de modo que lá percorri o meu caminho a pé até França, até Callais.
Eira: Oh, não sabias andar a cavalo?
Douglas: Não digo que não tenha sabido andar a cavalo, embora fosse verdade que na altura em que lá fui. Porque mencionaste o cavalo?
Eira: Por pensar que nesse tempo andavam muito a cavalo.
Douglas: É verdade. Mas isso também dependia das circunstâncias e da situação, e eu não acho que seja fácil explicar, ou sequer fácil de compreender, mas a questão está em que um só cavalo não chegava para se empreender uma viagem dessas era coisa comum mudar de cavalo e deixar o cavalo e usar outra muda de cavalos, mas para percorrer distâncias muito longas habitualmente eu caminhava. Isso poderá parecer-te excêntrico, mas ao mesmo tempo, dependendo das circunstâncias, eu caminhava, ou cavalgava e por vezes percorria longas distâncias a cavalo, que talvez levassem semanas. Mas eu viajei até Inglaterra e eventualmente fiquei algum... penso que foi na Salisbúria... e aí por volta de um ano ou dois em Glastonbury, (...) e fiz muita coisa pelos monges de lá, além de lá haver uma estranha forma de impressão que jamais fora conhecida antes.
Claro que sabes que nesses dias os manuscritos eram todos feitos à mão, mas havia lá um monge que tinha produzido uma forma de impressão - evidentemente que não era como a impressão que vocês entendem existir hoje, mas era um indivíduo dotado de mentalidade científica que procurava produzir um tipo de método que foi, em certa medida usado... mas eu não tinha nenhum desses manuscritos ou livros que existiam soba a forma de livros, por os livros não abundarem, mas quando existiam a sua edição original era preservada e reimpressa...
Eira: Pois: Quererás lançar alguma luz acerca da lenda do Santo Graal, querido? terás ouvido alguma coisa acerca disso quando lá estiveste?
Douglas: Claro que essas coisas brotam de verdades, mas à semelhança de todas as verdades, após a passagem dos séculos, muito lhes é acrescentado e subtraído e de facto acaba por se tornar como as histórias que andam na boca de todos, e pela altura em que voltar às vossas mãos, terá mudado muito do original. Mas existem verdades fundamentais nessa lenda espiritual do Santo Graal, só que receio que seja muito diferente da história geral...
Eira: Não pensas que (...) tenham trazido o Cálice em que Cristo tenha bebido na última ceia?
Douglas: Não, não.
Eira: É muito anterior a tudo isso, não é? É muito antiga, mística.
Douglas: Não resta dúvida de que existiram muitas, nos primeiros anos de formação da religião e Igreja Cristã, existiram muitas almas que viajaram por todo o mundo então conhecido, que se estabeleceram e que criaram grupos e igrejas. Mas é claro, muito disso foi tornado lenda e foi mais ou menos aceite como facto. Mas existiram homens notáveis que eram o que se consideraria... nesses tempos e nesses locais a vida de um homem atingia a duração de uns quarenta ou quarenta e cinco anos, talvez cinquenta anos, embora em circunstâncias excepcionais houvesse quem atingisse os oitenta, mas isso era muito excepcional. Grassava tanta doença e tanta enfermidade em grau variado, muito do que era devido evidentemente à falta de condições de higiene vigente e à falta de conhecimento, e eu tinha um enorme interesse pela medicina. Eu estudei e fiz experiências e realmente percebi que à minha maneira atingira, sem dúvida, bastante, e muito do que os vossos cientistas descobriram foi deixado para trás foi usado durante séculos, e sem dúvida que ainda é usado em certos casos...
Eira: Pois... disseste que os teus livros foram queimados (falam ao mesmo tempo)
Douglas: ...mas não obstante muitos doesses remédios e dessas coisas eram memorizadas pelos monges, e como eu viajei muito, muitas das minhas ideias foram copiadas noutros mosteiros por outros monges que estudavam medicina e que trabalhavam as minhas teorias e que conheciam alguns dos meus produtos. A questão está em que muitas das coisas que eu descobrira foram guardadas durante séculos, e estou certo de que ainda estejam.
Eira: A que ordem pertencias? Lembras-te da ordem de que fazias parte? Quem era o vosso abade ou prior...?
Douglas: Era um trabalho de irmãos, mas eventualmente tornou-se no que vocês chamam de priorado.
Eira: Não era beneditina? (...)
Douglas: Qual delas?
Eira: Nós temos uma numa pequena aldeia próximo de Eastbourn... Mas tu disseste que te encontraste com um Francis, mas não te referias ao Francisco, referias?
Douglas: Não, mas ainda assim tinha uma enorme simpatia pelo Francisco e grandes problemas sem dúvida por causa dos pontos de vista anteriores, passei muito para o transmitir e em certos casos, certas ordens... não diria que não gostassem deles, mas não se regozijavam com ele. O São Francisco, no seu tempo, embora fosse amado pelos seus próprios irmãos, tinha muita... não vou usar a palavra "oposição" mas não era inteiramente da confiança de muitas das outras facções Sabes, suponho que...
Eira: Ele não era ortodoxo...
Douglas: Não" E a questão está nisso... detesto ter que o dizer, para não fugir à verdade, mas as "guerras" que se travavam entre as ordens tinham uma certa dose de mesquinhez e de inveja, por estranho que pareça. Mas lá está, isso remonta a séculos atrás. Ninguém percebe que a natureza humana não mudou muito. Uma pessoa pode ser muito sincera na sua crença e na sua religião e esforçar-se por a seguir à letra, mas isso não altera o facto do elemento humano se achar presente e de nos depararmos com a mesquinhez e o desagrado associado, pelo que as pessoas desistem.
Eira: Pois. Voltaste para Itália?
Douglas: Voltei. Fui por Espanha a caminho de Itália, fui à Alemanha (...) e a muitos países.
Eira: É uma questão meio interessante, não?
Douglas: Penso que esteja entre as mais úteis e proveitosas. Também acho que nesse período de tempo talvez tenha alcançado porventura mais do que até então ou depois. Eu vi-me com toda a clareza como se... eu sei que não me posso comparar a um diamante, mas o diamante tem facetas e toda uma variedade de ângulos que constituem a totalidade. Penso que todas as vidas humanas (...) mas em toda a vida humana (...) percebe-se as encarnações que tivemos e que cada encarnação constitui uma faceta, e que somos compostos por muitas facetas até nos tornamos mais ou menos completos, por supor que nunca possamos atingir isso, por existir sempre alguma coisa nova e adicional a compreender porque lutar e a que nos ligarmos um pouco mais.
Eu vejo-te a uma luz tão diferente, sabes, sem com isso querer dizer que tenhas mudado - que num certo sentido é evidente que mudaste - mas vejo-te de forma diferente daquela com que te recordo desta presente encarnação que tivemos, mas em outras. Vejo-te como uma alma muito mais completa, não sei como... De uma coisa estou certo, que sempre estivemos reunidos com um objectivo real, e que sempre estaremos juntos e que haveremos de desenvolver juntos, mental e espiritualmente, tornar-nos mais um só, embora retenhamos até certo ponto o nosso carácter e personalidade individual em todo o processo. Consigo ver o quadro mais completo do que alguma vez antes. Também senti que, independentemente do desenvolvimento mental e espiritual que alcancei, independentemente das experiências que tinha tido e ainda tenho, a despeito de toda a evolução que deve ter lugar em todo ser humano e em mim próprio, em particular nestes exemplos, que não nos separam, quanto mais conhecimento tenho mais percebo da lei que te auxilia e nos aproxima um do outro.
Eira: É encantador, querido. De que encarnação me irás falar a seguir? Eu tive conhecimento do sacerdote que foste no Egipto antigo...
Douglas: Vou-te contar, prometo-to, ao meu próprio jeito, obviamente, e estou a tentar recapturar. É sempre difícil, entendes, e nem sempre é possível voltar a contar algo no calor do momento o que me foi contato por fulano ou beltrano. Preciso voltar a pensar. O melhor é dar-to a conhecer como me foi dado a mim, o que sinto as impressões que tenho conforme a memória me ajuda. (...) Em breve, muito em breve. Adeus.
Eira: Adeus, querido.

Transcrito e traduzido por Amadeu António



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