terça-feira, 4 de abril de 2017

VOZES XXI





STEPHEN WARD E A SUA BOA NOVA:
A VASTIDÃO DA VIDA E DOS SERES NOS PLANOS SEGUINTES 

“...Mais cedo ou mais tarde precisamos perceber, eu percebi-o e talvez todos o percebam, quantos para aqui vêm, que independentemente do quão grandiosos tenham sido, ou do quão humildes, todos temos tanto a aprender uns dos outros. Penso que precisamos perceber, quer dizer quando o percebemos é quando para aqui vimos, o quão infinitésimos num certo sentido somos, assim como a imensidão da vida e a plenitude da vida, e a oportunidade que a vida aqui oferece, que é espantosa!

A vastidão da coisa toda é o que nos deixa estupefacto. O que me tem deixado mais atordoado do que qualquer outra coisa é a vastidão de toda a vida. Está para além da descrição, não poderão possivelmente concebe-lo. Eu mesmo não consigo apurar; quero dizer, vejo aqui tantas facetas diferentes do viver, e gente que, mesmo que vo-lo consiga explicar, parecerá estúpido e tacanho comparado com a realidade da coisa.
Essa imensidão que a vida assume não assusta mas entusiasma. Inicialmente poderá parecer assustadora por ser tudo tão novo e tudo tão estranho, tão vasto, quando se conhece toda a sorte de pessoas de diferentes condições de vida – algumas das quais tão avançadas que somos levados a vê-las como verdadeiros deuses – mas então percebemos (elas levam-nos a perceber, por não sermos nós que chegamos a compreendê-lo, elas levam-nos a perceber) que não são deuses mas gente como nós, só que elas são um pouco mais, são mais humanitárias, mais humanas por causa disso, são mais humanas, mais compreensivas, mais simpáticas, mais tolerantes, e isso constitui uma coisa gloriosa de encontrar.

Quero dizer, as pessoas de quem tenho estado até aqui a falar (terrenas), é, em certos aspectos tão tacanha, tão intolerante e tão envoltas em si mesmas que não conseguem ver coisa nenhuma, embora desejem ver. Mas as pessoas mais avançadas aqui são tão tolerantes, tão abrangentes em visão e experiência, são tão humildes, tão adoráveis e tão prestativas e tão amáveis, tão absolutamente fantásticas que nem consigo descrevê-las.

Eu estive numa esfera – onde fui levado – onde toda a atmosfera é absolutamente luminosa para além de toda a crença. Se formos colocados numa condição de vida onde tudo pareça ter esplendor, e no entanto, a despeito da sua intensidade, da sua beleza e brilho não constitui um tipo de intensidade que nos assuste ou intimide nem nos leve a fechar os olhos por ser demasiado forte ou poderoso. É algo que conseguimos contemplar e de assimilar em nós próprios por nos dar a vivacidade de um crescimento em que nos tornamos quase parte disso. É como se pudéssemos retirar dela tudo quanto nos possa dar – ou pelo menos parte do que nos pode dar, o que nos ajuda a apreciá-lo ainda mais e a querer ser parte dele. É como se fôssemos revitalizados e recebêssemos uma nova dádiva de vida ou recebêssemos algo tão reanimador em si mesmo que não apresenta o menor peso, mas leveza, um frescor do ar, uma beleza além da comparação, é tudo quanto o lho desejaria poder contemplar, é glorioso, é fantástico.

E vemos isso nas pessoas e ao redor em toda a vida, nas suas diferentes formas, e na sua vida como que num estado glorificado, como que as próprias aves, os animais em si mesmos possuem uma vitalidade e um poder que nunca possuíram na terra, que os leve quase a ser capazes de comungar convosco. De facto e num certo sentido será verdade dizer que podem e que o fazem. Não é que escutemos qualquer voz procedente deles, não, é a consciência, uma beleza procedente deles próprios que fala connosco. Em certos aspectos é como se nos harmonizássemos com eles e eles connosco. Claro que este é um estado de existência em que visualizamos principalmente e depois nos é concedido experimentar por um breve permanência, por estar ciente de que não me encontro preparado para ele, e apreciar o facto de não me encontrar preparado para ele e num certo sentido é provável que, se me fosse permitido lá permanecer sentir-me-ia bastante confortado, mas no meu íntimo teria consciência de não ser digno dele.

Mas a questão está em que sei que está por vir, quando estiver preparado para ele. Foi-me dada uma visão dele como um verdadeiro incentivo para tentar e me esforçar de forma mais árdua do que o fiz no passado. A coisa possui uma alegria e uma beleza tal que quando abrimos a mente e estivermos receptivos a ele, então claro que se tornará possível termos pelo menos uma pequena visão de algo que esteja por vir. É a nossa realização seguinte e o incentivo para trabalharmos por isso, entendes. Só que é difícil de explicar, por ser algo que se sente em vez de algo que se possa descrever ou retractar ou expandir.”

Dr. Charles Marshall (Charles Frederick Marshall 1864-1940)
deus e o amor, o medo, o dogma e o materialismo mutilam a grande aventura da vida
Dr. Charles Marshall: "É lamentável, é uma pena, quando vocês pensam de volta, sabem quando alguém, nesse sentido, volta a pensar, percebe-se particularmente o quão estúpido é que as pessoas se permitam tornar-se, por assim dizer, tão afectadas por coisas como os credos e o dogma em particular, por isso lhes estreitar a visão, lhes estreitecer o entendimento, e os deixar estáticos."

Rosie Creet: "É isso. É o que eu não consigo entender do todo." [Rosie Creet sobrepõe-se ao Dr. Marshall]

Dr. Charles Marshall: "Vejam bem, acho que a coisa mais terrível que pode acontecer a um indivíduo, mentalmente, num certo sentido, é ficar estático..."

Rosie Creet: "Pois."

Dr. Charles Marshall: "....e ter uma mente fechada, não ser receptivo, nem mesmo aceitar ou ouvir, e a mim parece-me extraordinário que uma pessoa pode permitir-se tornar-se estática. A vida é toda de tal modo vasta na multiplicidade de campos e de aspectos que envolve e a verdade é tão tremendamente ampla no conceito que engloba... Uma pessoa pode ter algum aspecto de verdade, mas é apenas uma partícula diminuta. É como um grão de areia no deserto. Se ao menos as pessoas percebessem as tremendas possibilidades que se situa pela frente, se ao menos perceberem o que têm, que pode lhes trazer um enorme conforto - ninguém nega isso, mas é apenas uma partícula da realidade; não se tem vontae de ficar parado. Infelizmente muita gente fica tão parada por causa dos antecedentes e da educação que possam ter tido, e não querem aventurar-se adiante. A vida é uma grande aventura - muitas experiências que são necessárias e essenciais para a evolução e para o desenvolvimento, não só materialmente, mas mentalmente e espiritualmente."

Rosie Creet: "Sim, eu sei, eu fiquei surpreendida..."

Dr. Charles Marshall: "Uma das piores coisas que pode acontecer a uma pessoa é permitir-se tornar-se como que atada pelos dogmas e credos e todo o resto. A menos que pessoa tenha a mente livre, ela não poderá assimilar a verdade nem o conhecimento nem a experiência. Ela ver-se-á impedida e acorrentada a tal ponto, e eu uso este exemplo como uma das piores coisas, senão a pior mesmo que pode acontecer a uma alma, a uma pessoa. Precisamos libertar-nos, ter liberdade para expressar, liberdade para assimilar a verdade, o conhecimento, e a experiência."

Rosie Creet: "Ela tinha uma grande inteligência, sabe doutor querido, que isso deveria torná-la livre." (Referindo-se a alguém previamente mencionado antes que esta gravação começar)

Dr. Charles Marshall: "Essa é a tragédia, essa é a tragédia".

Rosie Creet: "Eu não consigo entender."

Dr. Charles Marshall: "Acho que muita gente sente medo, acho que o medo está na base, eles receiam que, bom, possa ser uma coisa ruim para elas expandir-se ou abrir as asas. Gostam de ficar no ninho em vez de abrirem as asas."

Rosie Creet: "Sim, receio, é medo.

Dr. Charles Marshall: "É muito triste."

Rosie Creet: "Sim, do que lhes foi incutido desde a infância."

Dr. Charles Marshall: "Bem, essa é uma das coisas mais importantes que tem que se aprender a jogar borda fora quando para aqui vêm. Para algumas pessoas é muito difícil, e particularmente pessoas que tenham tido fortes convicções religiosas. Creio que sejam os que acham isso mais difícil. Por vezes chego a pensar que seja melhor para as pessoas não terem convicções religiosas. Pelo menos não terão as mentes não estão atravancadas ou fechadas.

Rosie Creet: "Ah, é isso."

Dr. Charles Marshall: "Eu acho que essa é a tragédia que eu já constatei tantas vezes com tantas almas por aqui. Elas não conseguem ajustar-se rapidamente. Estão tão cheias de barreiras que elas próprias criaram, que em certos casos lhes foram criadas provavelmente pela experiência ou conhecimento que tenham recebido. Têm dificuldade em livrar-se das velhas crenças. Elas percebem muito rapidamente, algumas pelo menos, que essas coisas não são assim. Sabes que existem algumas pessoas, graças a Deus, provavelmente a maioria das pessoas na verdade, que em breve começa a se destrinçar. Veem que as coisas não se aplicam. A verdade fundamental que percorre todas as religiões, é como uma veia que todas as religiões têm. Tudo bem, mas lamento dizer que grande parte disso se perde por as pessoas não cavarem mais fundo, por elas não procurarem, por elas não procurarem. Eles sentem-se receosas.

Eu acho que os credos e os dogmas têm muito por que responder. E eles são, na sua maior parte, se não todos artificiais - que é o que de extraordinário têm. Não são coisas criadas no sentido espiritual pelo poder do espírito, pela manifestação do espírito. Não foram coisas decretadas por nenhuma entidade e, de facto, o extraordinário é que a maioria das religiões baseia as suas verdades na realização espiritual que lhes foi dada pelos chamados "mortos." O extraordinário é que, não fosse, por exemplo, o retorno do Cristo após a sua morte, não poderia ter existido uma religião Cristã. Ele teve que retornar para provar a realidade da sua sobrevivência após a morte, e todas as religiões têm esse mesmo tema: a vida após a morte."

Rosie Creet: "Pois".

Dr. Charles Marshall: "E no entanto, quando vocês falam sobre essas coisas às pessoas, muitas delas esquivam-se delas como se fosse algo que não se deva discutir ou aprofundar. Semelhante ao medo e ainda assim a própria base das coisas que elas aceitam estão baseadas nessas verdades que são trazidas desde tempos imemoriais à Terra por entidades deste mundo."

Rosie Creet: "Mas toda a religião tem isso, a crença."

Dr. Charles Marshall: "Desejaria que pudéssemos falar mais do que fazemos. É realmente triste, por vezes, quando olhamos para baixo e vemos o estado de coisas em que o vosso mundo se encontra e o quanto poderia ter sido alterado se pelo menos as pessoas percebessem estas coisas de que falamos. O mal do mundo, a enfermidade mental e material de que o mundo padece foi o que o homem trouxe sobre si mesmo. E o que é extraordinário é que, um vasto número dessa gente bem intencionada, muitas vezes às quais vocês designam "religiosas" por inclinação, ou que aceitam a religião, pela experiência e pela educação que tiveram, deixa-se apanhar de tal modo pelo materialismo, que a realização espiritual que obtêm por via do pensamento simplesmente não funciona, não parece vir à tona, não lhes vale.

Sabem, muitas vezes, que as coisas que pensam e fazem são nocivas ou ruins, mas ainda assim não têm a coragem da sua convicção. A tragédia do vosso mundo está em que o homem não tenha percebido a realidade desta verdade de que falamos que lhes poderia mudar todo o ser ou o modo de vida. As pessoas falam de forma loquaz sobre coisas, sobre coisas espirituais, mas elas mantêm-nas tão separadas e distanciadas em vez de usarem esses pensamentos e de os colocar em acção nas suas vidas diárias, o que lhes mudaria não só as próprias circunstâncias e condições, mas também o mundo inteiro em consequência. Não importa se sejam católicos ou protestantes, que sejam cristãos ou budistas, sejam eles o que forem; a questão está em que a humanidade se acha circunscrita na mesma realização do objectivo final que é, naturalmente, a vida após a morte. Quer dizer, ninguém lhe escapa."

Rosie Creet: "Eu creio que a vida na Terra tem arruinado a realidade da espiritualidade. Nós nunca deveriamos ter nascido na Terra. Foi o facto de termos nascido na Terra que estragou a vida por completo..."

Dr. Charles Marshall: "Mas, minha menina, se têm que vir ao vosso mundo... por ser um campo de treino, uma sala da aulas, épor ser necessário para a evolução do indivíduo. Isso é da maior importância, e a razão porque muitas vezes numerosas almas retornam uma e outra vez a fim de cumprir algo que é importante e essencial não só para a sua própria evolução e desenvolvimento, como para empreenderem um acto qualquer em prol dos outros, o que as ajuda na sua evolução e desenvolvimento. O mundo da Terra é importante, mas é claro que a questão está em que o homem não goza de um verdadeiro equilíbrio. Essa é a tragédia, não se espera que todos venham a andar em torno vivenciando uma existência cem por cento espiritual no mundo material. Eu não sugeriria que assim fosse ou que fosse sequer possível. Embora nada seja impossível, mas a questão está em que deviam perceber que poderiam gozar de equilíbrio e viver num sentido espiritual ou deixar-se motivar espiritualmente."

Rosie Creet: "Mas as limitações da própria vida terrena levam-nos a perder o equilíbrio. Não se consegue evitá-lo."

Dr. Charles Marshall: "Bom, tu dizes isso, mas na minha opinião isso não é realmente assim. Parece que o homem goze desta percepção interior, desta consciência interior. Ele possui aquela faculdade espiritual ou capacidade espiritual, se preferires, que se encontra em estado inactivo, latente... O espírito encontra-se no corpo físico material, como que a rebentar pelas costuras, a tentar sair, a tentar expressar-se, a tentar fazer algo a partir do material. A substância do espírito é tal que ele poderia esmagar, poderia superar todos os aspectos menores e todos os aspectos mais grosseiros do materialismo. Mas o homem, infelizmente, na maioria dos casos, não se encontra verdadeiramente ciente disso em qualquer medida que seja, ou se estiver, receia isso, e também encara o mundo material como de vital importância num sentido material e encontra-se mais preocupado com o materialismo do que com qualquer outra coisa, e perde o equilíbrio. E eu acho que seja o equilíbrio entre os dois aspectos (que importa). Se a motivação do espírito fosse tal que pudesse ser utilizada em todos os aspectos por intermédio do material, o vosso mundo inteiro seria mudado. Não há nada de errado com o mundo fundamental em si mesmo. Não há nada de errado com o aspecto materialista da vida na natureza e na beleza do mundo. É o que o homem está a fazer-lhe, foi o que o homem lhe fez no passado...

Você vê que a questão está em que o homem ainda não conseguiu a plena realização do poder que carrega dentro dele, que é claro que é o que todos os grandes profetas, mestres e videntes têm vindo a falar ao longo de séculos, gerações. O homem tem que chegar a saber o que é capaz de alcançar, o que ele pode operar a partir do seu próprio íntimo. Foi dito que o poder de Deus se encontra dentro de vós, o que é verdade; Deus encontra-se dentro. Quer dizer, quando usamos o termo "Deus," é claro, quando o empregamos, imediatamente muita gente pensa em algum tipo de criatura estranha e peculiar na forma ou com os contornos do homem, mas altamente evoluído e distanciado do homem, em certo sentido, ou sentado num trono branco. Quer dizer, Deus não é pessoa nenhuma nesse sentido. Deus não tem forma nem contornos. Deus é, por assim dizer - eu uso de novo esta expressão, esta palavra "Deus". Deus é infinito, Deus é um poder que está além da compreensão do homem. Mas é uma realidade ou força viva que anima toda a vida. A vida é animada pelo poder do espírito, pelo poder de Deus, se preferirem, eu não sei como se poderá traduzir isso por palavras, como alguém realmente o entenderá, mas essa é a parte do homem que deveria ser desenvolvida e habilitada, por assim dizer, a superar o material. Se alguém o tiver realizado, nada será realmente impossível.

Quer dizer, considera-te a ti própria, no teu próprio ser, tu tens dentro de ti, na tua consciência interior, noção destas coisas de que falamos. Consequentemente tens uma enorme fé, e consequentemente uma fé que em certa medida, te ajudou a tornar-te íntegra. Quero dizer, tens fé em mim, tens fé no Stephen, tens fé em inúmeras
​​almas deste lado. E agora tens uma fé renovada no teu médico. Isso também te ajudou, estás a entender? Deu-te confianç
a. Aprendeste a ter confiança em todos aqueles que se esforçam por servir e que se esforçam por ajudar. Isso é que é tão importante: o aspecto positivo do pensamento do qual falei no início. Tu tens essa atitude positiva de espírito com respeito a este poder do espírito. Claro que há momentos em que te deixas abater um pouco ou te sentes deprimida, por as circunstâncias serem penosas. Às vezes as coisas materiais parecem opressivas demais, mas ainda gozas da percepção fundamental destas coisas de que temos vindo a falar há tanto tempo, que te permitiram a continuar, que te permitiram, bom... qualquer que tenham sido as vicissitudes ou as dificuldades ou os problemas por que passaste tu sobreviveste-lhes.

Vê bem, se apenas as pessoas percebessem o poder que têm dentro de si mesmas que é de tal modo que muito pode ser superado, que muito de bom pode ser alcançado, que muito bem pode prosperar em circunstâncias muitas vezes onde vocês acham que seja quase impossível. Não há nada de impossível para o ser humano que tenha fé e percepção do poder do espírito, e tu gozas disso. O Stephen também, é claro. Agora, no início, quando ele veio pela primeira vez, ele encontrava-se deprimido, infeliz, apegado à Terra. Ele sentia-se oprimido, bom, por todos os modos e tipos de pensamento e de sentimento que não eram lá muito inspiradores. Eles eram muito materiais. Mas ele perdeu tudo isso, e encontrou tanta alegria, tanta felicidade, tanta realização a obter. Ele já conseguiu muito. Entende, isso é o que é importante: que as pessoas devem perceber que o poder que carregam dentro de si é tal que pode superar tudo.

Não há qualquer razão para que alguém não seja capaz de alcançar de alguma forma até mesmo coisas que talvez na superfície parecem ou pareceriam impossíveis de realizar. Mesmo quando, porventura - quer dizer, vocês podem constar no vosso mundo por várias formas como as pessoas superam grandes desvantagens. Quer dizer, há pessoas que talvez não consigam usar as mãos, especialmente se tiveram tido algum acidente ao nascer ou qualquer outra coisa assim, e que conseguem aprender a pintar com os pés, usando os pés como se fossem mãos. Este é um simples... talvez não seja comparável, mas o que eu estou tentar dizer é: se vocês tiverem fé em vós próprios de que podem conseguir o que quer que pretendam conseguir, se você tiverem um pensamento positivo sobre isso e trabalharem para esse objetivo, para esse fim, vocês irão conseguir. Nada é impossível para aqueles que realmente depositam tudo o que têm nisso. E num sentido espiritual, essa é a parte mais importante, obviamente: a de que a realização que pode ser conduzida à existência pelo poder do espírito, a realização de que vocês podem alcançá-la, vocês podem conseguir, vocês podem superar. O poder do espírito transformará todo o mundo terrestre em algo que se encontra além da vossa imaginação.


O homem cria o caos, o homem cria a miséria ao redor e sobre si próprio, no seu mundo por meio da estupidez e da estupidez que plasma pelo pensamento e pela acção. Coisas estúpidas, coisas terríveis acontecem por o homem se deixar, ele próprio, infelizmente e na maioria dos casos, apanhar de tal modo pelas coisas materiais, ao colocá-las em primeiro lugar. Mas se ao menos todo ser humano tivesse equilíbrio entre o aspecto mental, o espiritual e o material, particularmente aqueles que se encontram em lugares cimeiros, que se encontram em posição de criar, se assim o quiserem, tanto bem para o mundo, quando muitas vezes criam destruição e miséria, mas eles perdem o equilíbrio. Você vê equilíbrio, equilíbrio, equilíbrio - hoje é a minha palavra de ordem, poder-se-ia dizer, com respeito a tudo. Nós não esperamos a perfeição das pessoas da Terra - por que deveríamos? Nós próprios não somos perfeitos. Estamos todos a lutar por um pouco mais, por uma sabedoria um pouco melhor, uma sabedoria um pouco maior, um pouco mais de compreensão da verdade. Todos estes passos - e são passos na direção certa - podem às vezes parecer lentos e rebuscados. Não conquistamos muita coisa com muita rapidez. Mas aprendemos lentamente, mas seguramente, e no percurso ganhamos confiança. Eu apenas sinto que a tragédia do vosso mundo esteja no facto de o homem não ter encontrado equilíbrio entre o espírito e os aspectos materiais. 

A força motriz do espírito deve achar-se presente na matéria e em todos os aspectos da vida, quer seja na política, na religião, nas relações pessoais, no campo das amizades ou das relações - equilíbrio, equilíbrio, equilíbrio. Poderá não parecer que a realização do poder do amor, em particular, torna todas as coisas possíveis, e de que vence todas as coisas, poderá parecer a toda a hora. Mas no final, a longo prazo, isso é o que importa, e verão que o próprio amor superará todos os erros do homem. Mas têm que dar de si próprios, absolutamente, têm que dar de si próprios em amor e serviço. Esqueçam-se de vós próprios no serviço e começarão a encontrar o vosso verdadeiro eu. Esta é outra coisa que as pessoas não percebem; Se vocês se perderem a vós próprios através do amor, do serviço, da ajuda, e pensarem nos outros, e derem de si mesmos o melhor que puderem, vocês poderão por vezes sair magoados no processo (sim, claro) e irão deparar-se com decepções e talvez com algumas desilusões, aqui e ali, em relação a indivíduos fracos, estúpidos e tolos. Mas a questão está em que o amor é a única coisa que realmente importa. É o amor que abre todas as portas do conhecimento e da experiência, e que torna todas as coisas possíveis. Gostaria que às vezes as pessoas percebessem o que o poder do amor pode fazer, o que ele pode alcançar. É preciso que nos entreguemos por completo e em absoluto por meio do amor. Isto é o que fazemos, e encontramos grande alegria e felicidade no serviço e na ajuda que levamos aos menos afortunados, levando-lhes esclarecimento, fortalecendo-os quando se encontram deprimidos, ajudando-os a ver a realidade e a verdade e, assim, ajudando-os a sair da lama e a encontrar uma base sólida e sadia de modo que possam seguir em frente e encontrar a alegria e a felicidade como nós encontramos.

Sabes, Rosa, se as pessoas entendessem este espiritualismo, conforme o chamam, se só o compreendessem e praticassem, esse é o problema. Tão poucos compreendem e aqueles que o compreendem frequentemente não o praticam. Vê bem, isso irá mudar as pessoas, isso irá torná-las melhores. Se literalmente as pudermos elevar, tirá-las do lodo do materialismo, com isso podemos torná-las espiritualmente e mentalmente mais fortes, e então não teremos conseguido muito. Sabemos como é importante que as pessoas sejam consoladas e tentamos confortá-las. Damos-lhes provas, damos-lhes convicção e, em muitos casos, talvez até as salvemos do suicídio. Mas a questão está em que muito poucas pessoas percebem do que trata tudo isto. Elas dão-se por muito felizes por arranhar a superfície, e por não cavarem fundo, contanto que elas sejam ajudadas com respeito ao seu estilo de vida que levam, de momento, e então elas lá vão velejar da mesma velha forma material. Queremos tanto levar as pessoas a perceber as implicações do que estamos a referir, mas às vezes eu sinto que falhamos. Bom, eu disse: "falhamos." Elas próprias falham - as pessoas, quero dizer.

Sabe, Rose..."

Rosie Creet: "Sim."

Dr. Charles Marshall: "... embora não tenhamos muita oportunidade por estes dias de conversarmos juntos, fica sempre a saber que estou por perto de ti e que sempre que me enviares os teus pensamentos, às vezes ouço-te dizer mentalmente: "Onde está você, caro doutor?"

Rosie Creet: [Riso]

Dr. Charles Marshall: "Bom, eu encontro-me muitas vezes aqui."

Rosie Creet: [Mais riso] "Eu acho que consigo sentir isso."

Dr. Charles Marshall: "De qualquer forma, eu falei por muito mais tempo do que o pretendido e queria que o Stephen tivesse uma palavra contigo. Acho que por agora, talvez eu não saiba muito bem se o médium está a reorganizar-se ou o que ele está a fazer, ele parece estar um pouco numa bagunça. Mas ainda assim, espero que sejas capaz de voltar pelo menos uma vez por semana."

Rosie Creet: "Ah, eu também espero que sim, prezado doutor."

Dr. Charles Marshall: "Leva-o a arrumar-se. Estás a ouvir?"

Leslie Flint: "Sim!"

Dr. Charles Marshall: "Bom, então Bye-bye!"

Rosie Creet: "Bye-bye prezado doutor!"

Leslie Flint: [risos] "Bye-bye... Ah caramba....!"

Rosie Creet: "Obrigado pela palestra que deu!"

O DOUTOR MARSHALL FALA SOBRE A FUNÇÃO DA ALMA NA ESTRUTURA DA ALMA-GRUPO
 
Charles Marshall foi um médico que pesquisou o cancro, autor e espiritualista. Em 1921 compareceu, junto com sua mulher, pela primeira vez, na Igreja Espiritualista. Subsequentemente juntaram-se a um círculo familiar onde ele recebeu pela primeira vez encorajamento para pesquisar a causa e o tratamento do cancro. Após se retirar do trabalho médico iniciou o trabalho e o livro que lhe fora pedido para escrever. Inicialmente, a escrita foi automática, mas ao estabelecer sintonia com os inspiradores, a escrita tornou-se mais inoperacional. Os que com ele comunicavam foram John Hunter, Pasteur, assim como muitos outros que possuíam conhecimento especial sobre esse tema. O resultado foi “Uma Nova Teoria do Cancro e do Seu Tratamento.” (Os elementos requeridos para a teoria do Dr. Marshall são agora usados na guerra atómica, são controlados pelo governo e não se acham disponíveis)
Marshall: Boa tarde...
Rose: Boa tarde.

Marshall: Aqui quem fala é Marshall.

Rose: Ah, é o doutor!

Marshall: Bom hoje, embora num certo sentido não seja propriamente hoje porque todos temos estado presentes, mas um dos novos amigos quis fazer uma tentativa de falar com outro amigo que não suporta isto, de modo a poder saltar e conversar contigo. Consegues ouvir-me?

Rose: Tudo bem, doutor Marshall. Sim, consigo ouvi-lo bem. 

Marshall: Nunca tenho a certeza de como ouvem realmente, pois por vezes penso que estou a berrar quando provavelmente estou é a sussurrar. Torna-se difícil em termos do efeito, por nunca chegarmos a saber bem. Em certa medida torna-se muito difícil saber se somos escutado ou não. Consegues ouvir-me?

Rose: Sim, consigo ouvi-la na perfeição.

Marshall: Óptimo. 

Rose: Surgiu alguém, mas não sei quem seria.

Marshall: Foi alguém que nunca tinha falado antes a quem chamamos Frances, embora não seja o seu nome real. Chama-se Francesco. É por isso que ocasionalmente ele aqui vem. É alguém que nunca falara antes, mas que queria muito falar contigo em Italiano. Era um artista, ou foi um artista, para mim é isso que importa. Só precisa cultivar a maneira de falar por palavras, para o conseguir.

Bem, minha cara, que tal fazeres parte do grupo? E de um grupo bem vasto, não? Estás em unidade com o todo, não? Um grupo importante, se queres saber.

Rose: Ele faz parte do grupo?

Marshall: O Francesco faz, mas isso não tem importância por haver tantos mais. Esperamos acrescentar mais alguns, e já possui várias centenas. Deves interrogar-te da confusão que esta alma-grupo deve apresentar para os indivíduos na terra, quando preferem pensar que sejam algo completo em si mesmos. Penso que seja por isso que eu penso que as pessoas na sua maioria vivam em certa medida para si próprias e sejam egocêntricas e egoístas, e nem sempre percebam que pensam ser uma pessoa - coisa que até certo ponto são - por o seu corpo físico constituir expressão delas próprias e não percebam que o espírito não se confina a um corpo nem se poderem confinar a uma era nem a um século. O espírito é algo formidável em si mesmo, que se pode expressar em mais do que um corpo ao mesmo tempo.

Rose: Quando fala acerca do espírito... mas enquanto nos encontramos aqui vivos, por exemplo, enquanto nos movemos ao redor, etc., pode o espírito sair do corpo?

Marshall: Pode. Ah, se pode. Mas o que será porventura espantoso é o facto do espírito, digamos, daquilo a que chamas Rose Creet não se manifestar apenas num corpo físico mas presumível e possivelmente se manifestar noutra parte, possivelmente aqui, num outro âmbito do vosso sistema. A questão, entendes, está em que podes designar o teu corpo como Rose Creet, mas não podes nomear o teu espírito Rose Creet, essa parte de ti que é completa e que é parte do Todo, isso que em si mesmo se pode manifestar em diversos corpos ao mesmo tempo. Isto poderá obviamente soar-te terrivelmente confuso, mas a questão está em que a parte de ti que se expressa enquanto Rose Creet é algo que é de importância vital, para todos os envolvidos, em particular para ti. Tu vives num corpo chamado Rose Creet e por vezes tens inclinação para o abatimento, outras vezes tens inclinação para te irritares contigo própria por causa do que achas que não consegues nada, em particular na música, mas não percebes que essa parte mais vasta de ti própria se manifesta noutras partes e que tens diversos Eu a fazer coisas importantes que tu não te vês capacitada a empreender nesta tua presente encarnação na carne.

Percebes que não podes confinar o teu Eu real a esse corpo. Não percebes porque te irritas contigo própria e com o teu corpo e por que te agravas tanto por não te poderes manifestar adequadamente por meio dele, nem percebes que a parte maior do teu ser se manifesta aqui e noutras partes e alcança coisas grandiosas? E essa é também a razão por que essa parte de ti que está associada com a parte de ti que ainda aqui se encontra no espírito é tão agravada, por perceberes que a limitação do corpo físico e que a irritação e os desapontamentos. Mas tu própria, a parte maior de ti própria não só se manifesta na Terra como se manifesta aqui e realiza coisas grandiosas. Que achas tu que o Chopin num certo sentido significa para ti, ao te estares a sair de modo notável, e nos sentirmos muito satisfeitos com o tanto que tens realizado? Ele conta-te coisas sobre isso no teu estado do sono, o que num certo sentido é perfeitamente verdade, porque quando libertas essa parte do teu corpo físico entras na perfeição da tua alma aqui, que se manifesta no mais perfeito dos estados do ser. Claro que consegues todas as coisas que quiseres conseguir; mas só por não o conseguires na terra, do ponto de vista da limitação espacial do teu corpo, não quer dizer que não estejas a alcançar coisas grandiosas aqui.

É claro que fazes parte do Chopin e o Chopin faz parte de ti, e tu manifestas-te num pequeno sentido na terra e tu incluíste a tua alma perceberes que enquanto humano tens aquele tipo de desejo para terminares com a terra, por evidentemente quereres ser completa. Eventualmente serás completa mas precisas cumprir o teu destino, precisas cumprir esta existência terrena durante o resto do tempo terreno que te resta. Quando a deixarás para trás e não mais estiveres limitada ao corpo ver-te-ás completa e serás muito mais feliz e muito mais satisfeita do que enquanto estiveres confinada ao corpo, e manifestar-te-ás na unidade e na perfeição e descobrirás a perfeita alegria em que o teu coração reside no seu desejo e busca.

Certos aspectos físicos da tua existência, a parte confinada de ti, ao te sentires tão irritada e perturbada por causa dessas limitações te prenderem por não perceberes que tu te manifestas aqui o tempo todo. Não te encontras limitada. Porque te interessas tanto pela questão? Porque te esforças por descobrir? Porque estás sempre a pedir-me: “Conte-me, conte-me, conte-me”?

Eu sei que isso se deve às limitações do corpo, o desapontamento que sentes no sentido físico e a quereres libertar-te dele, pelo que te debates a toda a hora por te libertares desse corpo e conseguires e por voltares aqui e te enquadrares na vibração em que nós, que chegamos até ti, nos encontramos. Estamos todos a trabalhar mas tu tens que cumprir um destino; essa parte do teu corpo que ainda se manifesta, a parte de ti que opera através dele, que se debate no sentido desse objectivo. Não sei como colocar isto...

Rose: (Inaudível) 

Marshall: Claro que o teu corpo constitui uma máquina e tu, em certa medida, tu expressas uma parte de ti através dessa máquina tentando desesperadamente, por vezes como se rebentando as cadeias que te prendem, e no entanto não consegues, por precisares satisfazer o destino que te colocou nesse instrumento físico ou o teu corpo. Mas procuras a toda a hora libertar-te dele e estar aqui, para seres perfeita e para seres completa. De momento não és íntegra e percebes ser apenas uma parte. És a Rose Creet de momento, mas se te libertares do corpo eventualmente tornas-te numa alma perfeita.

Rose: Obrigado meu caro doutor.

Marshall: Assim, é muito difícil revelar-te estas coisas sem saber como colocá-las por palavras. Mas não penes que tu – e não me refiro à Rose Creet mas a ti, que és um espírito, uma essência... é apenas uma parte de ti que se encontra confinada. A parte maior de ti encontra-se aqui, ilimitada e irrestrita. Quando essa parte de ti a que chamas Rose Creet não mais se achar confinada, então serás a totalidade que desejas...
Rose: (Inaudível)... parte de mim aqui e parte de mim aí. É extraordinário!

Marshall: Sim, é claro. É extraordinário por o homem com base nas concepções tacanhas que cultiva se confinar a um corpo e a uma era, ao passo que na realidade o espírito num certo sentido não sabe como confinar-se a um espaço ou corpo. A parte íntima de ti nos últimos trinta ou quarenta anos começou a realizar a imensidão da alma e começou a pesquisar e a buscar e a esforçar-se por sair do corpo ao se dar conta do confinamento que implica. Tu esforçaste-te arduamente por descobrires a realidade, a parte mais vasta de ti ou realidade exterior ao teu corpo, e sentes a amargura de te descobrires confinada e em luta mas a Rose Creet está gradualmente a assimilar conhecimento e experiência, e quando se vir livre do corpo unir-se-á com o todo e será um ser perfeito, embora por “perfeito” não queira dizer que conheças tudo. Mas ao mesmo tempo tornar-te-ás num ser mais perfeito e entrarás numa condição mais harmoniosa em que te verás mais completa em ti própria e dotada de um maior conhecimento e sabedoria e trabalharás em harmonia com a alma-grupo de que és parte, e a que pertences. Então, começarás a abrir-te e a expandir-te e a crescer gradualmente e aperfeiçoar-te-ás por formas que a tua imaginação possivelmente não poderá conceber.

Tu não te quererás preocupar até que esta tua existência, que é uma coisa temporária, embora seja restritivo, razão porque te sentes tão irritada contigo própria, devido às restrições desse corpo e desse espaço e tempo em que tens a tua existência. Porém é só uma fase, uma coisa passageira e tu fazes parte de uma formidável organização do espírito, és parte de um enorme grupo, não só tu como também o médium Flint. Ele não é apenas o que parece ser superficialmente mas é exactamente como tu. Não percebes que vocês perfazem uma alma que num certo sentido é quase inquebrantável? Ele sente-se insatisfeito como tu te sentes insatisfeita com a vida e comporta-se na aparência como se não parecesse ter o desejo e os sentimentos que tu tens a atacar; talvez num certo sentido pareça ser um autómato, tal como num certo sentido tu és um autómato. Tu dizes não ser outra coisa senão um autómato e o mesmo faz ele. Não vês que ambos são veículos de expressão do espírito, e ambos têm consciência do Eu maior que reside sem o corpo físico, por outras palavras, no espaço exterior. Estão ambos a esforçar-se por algo que a terra não lhes pode dar, ao mesmo tempo têm existência no mundo em função de um trabalho.

Tu perguntas-me que trabalho será esse, quando não consegues tocar o piano nem ser a música que querias ser; não consegues fazer nada de natureza psíquica, mas eu já te disse que tu és tão psíquica quanto muitos dos presentes que se consideram psíquicos. Tu recebes intuições tais, como lhes chamas, e pressentimentos interiores e tens reacções emocionais a determinadas circunstâncias e pessoas, maiores do que concebes. A questão está em que recebes muito do teu Eu-próprio. E mais uma vez, durante o teu sono viajas para aqui, por assim dizer, e depois de estares um tempo aqui connosco, e não refiro dar sessões e ajudar as pessoas. Isso é um grandioso trabalho e foi em razão disso que voltaste à terra para cumprires esse trabalho, que em parte estava destinado. 

Para que quando te libertares do corpo te tornes numa pessoa mais completa, quando te unires a outras almas, que aqui se encontram. Não vês que não és apenas uma mas muitas pessoas, embora a maioria das pessoas de que fazes parte se encontra aqui? Quando chamas a ti própria isto ou aquilo numa geração numa outra geração, tu não és isso nem aquilo. Tu tiveste corpos terrenos que te serviram para um propósito, corpos esses que há muito foram enterrados e reduzidos a pó, mas tu própria existes, tanto em temperamento como em carácter e personalidade, aqui. E quando te reunires num só organismo e te tornares numa grande alma, aí tornar-te-ás mais perfeita. Não entendes? Todas estas coisas têm um propósito, tu és parte de um plano formidável, és parte de um agrupamento da alma formidável!

Rose: Como é que o médium e eu somos tão parecidos? Qual será a razão disso?

Marshall: Por vocês terem passado por muitas fases na vossa existência conjunta, em muitas épocas diferentes e conheceram muita gente, todos familiares para um e para o outro. Vocês fazem parte de um grupo enorme que teve início no mesmo período.

Rose: E esta gente que vem ocasionalmente, suponho que façam parte do nosso grupo, não?

Marshall: Todos eles pertencem ao mesmo grupo. É por isso que eu tenho a intenção de te tentar transmitir, que há outras almas aqui que se esforçam por te transmitir pouco a pouco, à medida que o tempo passa. Mas há certas coisas que só te posso revelar na hora certa.

Rose: Estou a entender. O Oscar Wilde também faz parte do grupo?

Marshall: Certamente que sim.

Rose: Ai sim? Ah, eu adoro saber disso.

Marshall: O Chopin, o Oscar Wilde, o Valentino, o Mickey, como vocês lhe chamam...

Rose: O Mickey?

Marshall: É claro!

Rose: E a mãe, ela também fará parte?

Marshall: A tua mãe também. Mas depois, uma vez mais, é difícil explicar, (...) mas a ideia de que a nossa mente, por o corpo físico constituir um mero habitáculo por um período de existência em que o espírito flui, e perceber que o espírito flui por muitos corpos, em diferentes alturas. Poderás chamar a cada corpo se o preferires, um nome diferente, já que têm diferentes experiências peculiares a si mesmos e à sua era e época particular em que vivem. Porém, é o mesmo espírito, e quando todas essas entidades, todas essas forças se unirem, então tornar-te-ás numa alma aperfeiçoada, e aí tornar-te-ás parte de um grupo perfeito. E quando atingires o estado de perfeição do ser, numa certa condição de desenvolvimento da alma e da consciência, então vais muito além da existência temporal terrena. Por outras palavras, progrides para uma certa iluminação e verdade e aí regressarás ou contactar-nos-ás de novo.
Rose: Diz que cada um de nós pertence a um grupo, e que fazemos parte do grupo, e que eventualmente nos tornaremos um. Mas certamente que cada um constitui um indivíduo separado...

Marshall: Sim, cada um constitui um indivíduo separado, mas o que estou a tentar explicar é que vós fazeis todos parte de uma alma-grupo, o que constitui algo que não pode ser explicado por palavras, por num certo sentido ser algo que se situa fora do tempo e do espaço e não existirem palavras que o expliquem. Mas se conseguires perceber que todas as existências que tiveste enquanto condições de vida separadas, se unem num todo completo que constitui o desenvolvimento da perfeição da alma, e que essa alma particular que tu constituis e em que te tornaste ao longo de eras por intermédio de diversas experiências tidas em diversos corpos, essa alma agrupa-se com outras almas, embora vós próprios enquanto indivíduos se mantenham como unidades distintas dotadas de um plano completo ou uma coisa completa, não estareis completos até que vos encontreis todos unidos num todo e vivam como um só. Isso é o que é chamado perfeição ou corpo perfeito ou união perfeita. Unissonância, alma...

Rose: Estou a entender (...)

Marshall: Se não consegues aceitar o facto então peço-te que penses em ti como uma nota no piano. Sozinha, embora possas tocar o belo tom, serás inútil e careces das outras notas no piano para criares uma coisa bela, ou harmonia. E assim é que talvez muitas notas em diferentes escalas e em diferentes vibrações do desenvolvimento são tocadas em conjunto para formar uma harmonia completa. Se conseguires imaginar cada nota como uma alma, e cada alma num plano de desenvolvimento diferente, se quisermos, mas em todo o caso, quando são tocadas juntas numa vibração harmoniosa, terás uma unidade completa e a perfeição de tom e harmonia, que te darão uma ideia embora muito, muito vaga do que estou a tentar dizer.

Rose: Sim, creio que o entendo.

Marshall: Não sei como explicá-lo de outra forma, por num certo sentido sermos vibração; todas as almas constituem vibração, e se ao menos escutarem a sintonia que é a música ou o som de harmonia que provém da alma, entenderás (numa menor ou maior medida) como nós vivemos pela vibração musical. É por isso que a música tem a importância vital que tem para ti, e é muito mais importante e vital para nós. Gente como o Chopin, que criou harmonias espantosamente belas é uma alma tão desenvolvida que nem me atrevo a descrever o significado disso por palavras. Mas tu fazes parte desse grupo, e é essa intensidade de desejo e de saudade que sentes na alma em relação à beleza da vibração e da música e da harmonia, que em si mesmo, poder-se-á dizer, constitui prova do facto de te teres desenvolvido ao longo de muitos períodos de tempo. Mas quando tiveres satisfeito as tuas presentes circunstâncias e condições, por saberes que fazes parte da grande alma-grupo aqui que está repleto de harmonia, beleza e amor... por aqui reinar tal glória e beleza e harmonia que se traduz pela perfeição do estado do ser... mas obviamente sentes-te irritada com o corpo físico e a condição física em que vives, que ainda tens que satisfazer, nesse teu corpo parte do desenvolvimento da tua alma que é essencial ao bem-estar e perfeição e amor, e um instrumento na terapia no serviço realizado aqui. Tu passas uma fase e quando essa fase terminar unir-te-ás e reunir-te-ás e serás perfeita com aqueles que também fazem parte de ti. É por isso que o Chopin e outros vêm até ti, por precisarem iluminar-te e abrir-te como que o caminho, de modo a eventualmente poderes sair desse corpo livre para sempre das coisas terrenas e materiais com perfeita sabedoria e conhecimento, com consciência de teres terminado para sempre e todas as coisas que fechadas, todas as coisas que sejam da terra, e não mais têm efeito sobre ti e para ti. Serás livre para te juntares à harmonia vibracional da alegria e do amor, numa condição de simpatia, harmonia, paz e tranquilidade aqui. Todas essas coisas ser-te-ão explicadas, passo a passo, mas precisas ser paciente.

Rose: Obrigado, prezado doutor.

Marshall: Ainda te serão dadas coisas grandiosas, coisas grandiosas. Asseguro-te de que dentro de pouco tempo uma grande iluminação te será dada. Adeus.

CHOPIN FALA SOBRE DIVERSOS TEMAS
Chopin: Boa noite.
Rose: Boa noite.
Chopin: Conseguem escutar-me?
Rose: Sim, consigo ouvi-lo muito bem. Fale lá. Consigo ouvi-lo na perfeição. Fale lá, está bem? Não creio que deva dizer "Quem fala?". Fale lá, amigo, se faz favor.
Chopin: Então, consegues ouvir? Como estás esta noite?
Rose: Pois, estou muito bem, Frédéric.
Chopin: (Pausa prolongada) Bom, que é que estavas a tentar tocar?
Rose: A tocar? Quando?
Chopin: Creio que tenha sido ontem.
Rose: Ah, hoje em dia já não o consigo tocar; ando de um lado para o outro mas falta-me as forças. Não consigo acrescentar-lhe nada. (Nova pausa prolongada) Está aí?
Mickey: Espera lá (...) Não te apoquentes.
Rose: Quem era há pouco, era o Frédéric, Mickey?
Leslie Flint: Não sei o que aconteceu. Pensei que fosse um cientista; o William Crookes.
Chopin: Olá. Ainda aqui estou. Não sei se me conseguem ouvir adequadamente.
Rose: Consigo escutá-lo com toda a clareza agora, Frédéric. Já lho disse. Consegue ouvir-me?
(Nova pausa, seguida de uma troca de diálogo entre duas vozes distintas, nenhuma das quais dos presentes)
Rose: O quê?
Leslie: Alguém respondeu Ruben.
Rose: Que está a tentar dizer, amigo? Não conseguimos ouvir com clareza. (Novo ruído de vozes em sussurro) Tente lá de novo.
Voz: Ruben.
Leslie: Alguém disse Ruben.
Rose: Não conheço nenhum Ruben.
Leslie: Pareceu-me Ruben. Disseste que não é nenhum dos teus clientes do costume, não?
Rose: Ainda está aí, amigo? Sim? Há um murmúrio de vozes, creio que de um homem e de uma mulher...
Chopin: Ainda aqui estou. Vejo que se gerou uma certa interferência, mas creio que agora esteja tudo bem. Estão a ouvir-me bem?
Rose: Sim, consigo ouvi-lo bem. Está bem?
Chopin: Óptimo. Sim, tivemos uma dificuldade mas creio que a teremos resolvido.
Rose: Ah, é por isso que está aí.
Chopin: É claro que estou aqui.
Rose: Adorável!
Chopin: Não estou só aqui para desobstruir mas para falar contigo também, não te quero desapontar. Consegues ouvir-me?
Rose: Consigo, sim; consegue ouvir-me?
Chopin: Eu sei, eu não tenho que te ouvir exactamente, eu sei o que estás a pensar antes que o digas, muita vez, sabes? Por vezes os teus pensamentos vêm ao meu encontro mais depressa do que as tuas palavras. É muito interessante, sabes? Quem dera que conseguisses perceber o que isso significa.
Rose: Quem dera que pudesse, Frédéric.
Chopin: De que queres falar? Pergunta-me alguma coisa; não consigo pensar com clareza, esta noite.
Rose: Não consegue!
Chopin: Momentaneamente não pareço capaz de clarear a mente, o que é uma coisa muito mais triste do que pensas.
Rose: Não o achará difícil, Fréréric? Não se esforce.
Chopin: Ah, não sejas tonta. Só estás a ser gentil. Se pensares que venha a ser difícil volta lá para as tuas queridas. (Rose ri) Não te incomodes. (...) para ti.
Rose: Tudo bem, imagina o quão difícil isso pode ser.
Chopin: Ah! Por vezes torna-se extremamente difícil; por vezes é praticamente impossível. Mas não me agrada desapontar-te...
Rose: Será por causa das vibrações, por as vibrações o impedirem ou algo assim...?
Chopin: Oh, por vezes há demasiada actividade, demasiadas vibrações divergentes, demasiada confusão... Por vezes é assim; noutras alturas é bastante difícil. Parece reunir-se muita gente aqui esta noite. Parecem infringir...
Rose: Ah, estou a entender... E você não quer que infrinjam...
Chopin: Eu gosto de ter o canal desimpedido. É claro que prefiro o canal desimpedido, e tu também gostas assim, sem confusão, sem interferências, sem (...) Estás muito melhor, hoje.
Rose: Estou. Obrigado, Frédéric. Muito melhor.
Chopin: Tens estado constantemente com a tua amiga... Ele (...) está muito preocupado com ela.
Rose: Não sei se ela irá falecer ou se irá melhorar.
Chopin: Ah, eu não sei, mas parece que ela teve uma recaída, mas depois parece continuar (...) Creio que venha a passar muito tempo antes que realmente melhore, a menos que algo aconteça, não sei, é tudo tão incerto.
Rose: Foi tudo tão súbito...
Chopin: Pensamos que tudo tenha ocorrido tão subitamente. Não sei, o doutor Marshall parece pensar que ela tenha tido diversos avisos bons, mas ela não toma conhecimento deles.
Rose: Pois, também creio que sim.
Chopin: Ela ignora-os, e sai-se com aquele: "Ora!" sabes. À semelhança de muito boa gente parece pensar que não seja nada e continua na mesma, sabes.
Rose: Pois.... Bom, não sei o que dizer esta noite.
Chopin: Eu tão pouco sei o que dizer; estamos os dois na mesma. (Riso)
Rose: Falou com o doutor Marshall, aí? (Chopin: Não!) Não vale a pena colocar perguntas que queiramos que os outros tenham que responder nem nada disso. Não quero faze-lo pensar demais. A parte extraordinária do que diz, Frédéric está em que, ao se encontrar aí tanta gente, as pessoas não andam aos encontrões umas com as outras?
Chopin: Não, não nesse sentido (Ambos riem) Ah, minha cara, como tu consegues ser, por vezes... Quando o consideras do ponto de vista material torna-se sobremodo estranho que não nos esbarremos uns com os outros, mas nós não nos intrometemos no caminho. Tu pensas que a sala não seja suficientemente larga, mas a sala em si mesma não tem importância. O seu tamanho, as paredes, que para vocês são sólidas, para nós não o são.
Rose: Mas elas devem ocupar espaço, essas multidões devem ocupar espaço, não?
Chopin: Com que então, as multidões precisam ocupar espaço? Onde, não sei. Já não terás vista bandos de pássaros a voar em migração?
Rose: Já, mas eles migram no espaço.
Chopin: Mas nós encontramo-nos no espaço! O tamanho dos pássaros na atmosfera assemelha-se a grãos de areia no deserto.
Rose: Sim, mas quando vocês entram um compartimento como este, por exemplo...?
Chopin: Nós não entramos nele. Tomamos consciência dele, o que representa uma coisa completamente diferente.
Rose: Está vocês consciente desta sala neste instante, ou encontra-se nela?
Chopin: Ambas as coisas. Encontramo-nos dentro de algo quando temos consciência da coisa e quando estamos inconscientes dela, não.
(Rose: (Rose e Leslie riem) Caramba, eu não passo de uma tola. Quem dera que conseguisse entender...
Chopin: Não entendes aquilo que te estou a tentar transmitir?
Rose: Entendo. (Riso de dúvida)
Chopin: Quando tomamos consciência do vosso desejo de comunicar connosco, nós vimos a vós. Quando vimos a vós através da consciência que vocês têm do aposento, nós temos consciência do aposento.
Rose: Ah, estou a entender. Vocês não se encontram na sala, mas...
Chopin: Através da vossa mentalidade, através dos vossos pensamentos, através da consciência que vocês têm da vossa condição e da vossa sala; temos consciência da vossa sala por intermédio de vós. Mas se perguntares, a sala não existe, por ser sólida e material e ser completamente diferente da nossa atmosfera e condição de vibração. Por outras palavras, nós só temos consciência das coisas por intermédio da consciência que têm, e recebemos a consciência da solidez do vosso mundo por intermédio dos vossos pensamentos. Não o torna necessariamente sólido para nós apesar de ser sólido para vós.
Rose: Bom, neste instante em que fala para mim, Frédéric, tem consciência de onde se encontra?
Chopin: Tenho consciência de estar aqui, nesta casa, e tenho consciência de me encontrar nesta sala por intermédio da tua consciência e da consciência do médium. Bom, isto importa, tens que ser capaz de compreender isto. Eu falo sobre esta consciência minha e do médium, mas claro que na comunicação um dos nossos principais desejos é a de não ter consciência do médium. Por outras palavras, esse é o nosso grande problema. As pessoas costumam dizer: "Ah, mas é claro que os pensamentos do médium por vezes entram na comunicação e perturbam-na e distorcem-na." Isso poderá ser porventura verdade, mas ao mesmo tempo precisamos ter consciência do médium ou dos presentes, e por vezes também do médium, caso contrário não chegaríamos a ter consciência, por assim dizer, das condições, não chegaríamos a ter consciência da comunicação que queremos transmitir-lhes. Por outras palavras, precisamos ter um ponto de convergência, entendes?
Rose: Entendo, mas depois, quando certa vez lhe perguntei: "Consegue ver-me?" Você respondeu-me: "Claro que consigo ver-te!"
Chopin: Claro que consigo ver-te! Ai querida, quão complicada me saíste! Claro que te consigo ver. Mas vejo-te num certo sentido, não tanto em termos físicos mas mentalmente. Lá está, uma vez mais, essa é uma outra discussão. As pessoas falam sobre o contacto consciente, mas nós só podemos ser conscientes na medida através da mente e da condição, do pensamento do médium, só podemos tomar consciência através da mente e da condição da pessoa presente, da pessoa que quer a comunicação. Afinal de contas, por exemplo, se determinada pessoa quiser conseguir uma comunicação, digamos hipoteticamente que envolva uma questão pessoal que não seja do conhecimento do médium. É somente por causa do presente se encontrar ansioso pela comunicação com a mãe que a mão estabelece esse contacto com o presente. Quando a pessoa vai a um médium isso deve-se ao facto da mãe ser capaz de contactar, como que indirectamente, por intermédio do médium. Isso não seria possível, caso não fosse pelo facto da pessoa o tornasse possível através do elo de comunicar.
Por exemplo, poderias dizer-me: "Ah, eu adorava comunicar com fulano de tal." Mas eu não posso necessariamente sair à procura dessa pessoa. Por vezes torna-se possível mas frequentemente não o é. Se essa pessoa neste lado espiritual quiser estabelecer essa comunicação e tomar consciência da vossa força do pensamento, e estiver interessada e ansiar por essa comunicação. O facto de vocês a terem tornado possível por meio do poder do amor e do pensamento que emitirem... é a mesma história que procuramos dizer-lhes o tempo todo - é o poder do amor, é a força do pensamento que torna todas as coisas possíveis. O que constitui uma realidade ou a solidez para vós relativamente ao vosso mundo material para nós é insignificante. O que é uma realidade para nós é pensamento consciente do indivíduo, como no teu caso, ao estabeleceres contacto comigo ou com alguma outra alma. Mas é através da vossa consciência, através da vossa capacidade que, ainda que seja inconsciente, de nos atrair a vós, e depois quando estivermos nas vossas condições tornamo-nos em certa medida conscientes dos vossos pensamentos mais materiais, e consequentemente, por meio da ajuda do instrumento ou médium, capazes de estabelecer contacto.
Mas lá está, mais uma vez estamos limitados, em certa medida, ao que podemos transmitir, pelas próprias condições em que temos que nos esforçar por comunicar, que são as condições que vós e o médium criam pela força do vosso pensamento.
Se a força do vosso pensamento for forte, e se pensarem, digamos, num plano de pensamento que nos capacite uma comunicação, de uma maneira imparcial e desapegada ou de uma maneira complacente ou mesmo de uma maneira espiritual, então poderemos fazê-lo. É por isso que as pessoas não entendem, e as pessoas frequentemente dizem: "Ah, eu não sei. Eu falei com fulano ou beltrano e consegui isto, mas não foi muito bom." Talvez não tenha sido no seu nível material. A crença dessas pessoas, quando vêm a uma sessão, ondula muito na atitude mental direccionada para o assunto e ela não será, digamos, muito compreensiva. Ou talvez procure alguma informação de natureza material, que se situe num nível particular. Tudo isso afectará a sessão e a pessoa receberá, em certa medida, exactamente o que proporcionar através da força desse pensamento. Por outras palavras, é a força dos pensamentos dos presentes que tornam principalmente a sessão, conforme vocês dizem, um sucesso ou um fracasso.
Rose: Mas quando temos uma grandiosa sessão, ou se reúne um grande ajuntamento na sessão, não se tornará demasiado confuso...?
Chopin: Mas é claro que é uma das grandes dificuldades. Quer dizer, há duas formas de encarar a questão. Se tivermos um vasto grupo de pessoas que sejam experientes, que sejam muito compreensivos e harmoniosos, então claro que o poder que é homogeneizado por tanta gente, torna a comunicação mais simples e mais fácil. É uma coisa estupenda. Quando sucede. Mas quando nos deparamos com sete, oito ou nove ou mais pessoas que pensem em termos muito egocêntricos... talvez numa linha material, e que também emitam pensamentos de coisas que digam respeito a elas próprias, não estejam interessadas ou não sintam ânsia por ninguém...
Por outras palavras, se emitirem pensamentos que em si mesmos sejam egoístas, então torna-se tudo muito complicado e difícil. Mas lembra-te igualmente de que ao sermos atraídos para a terra, pelo amor e pelo desejo de comunicação, embora por vezes aqueles que se encontram perto da terra terão mais consciência, digamos, das condições da terra, e consequentemente, quando as condições para uma sessão como esta são estabelecidas pelo poder que é captado pelas vibrações e pelos pensamentos do médium e dos presentes, por vezes atrai indivíduos que não se encontram muito afastados da terra, e que por vezes... num certo sentido...
Rose: Ah, como consegue manter à distância aqueles que possam tornar-se, porventura num perigo...?
Chopin: Ah, isso é muito triste, é claro. Não creio que se deva considerar isso um perigo, no sentido do risco, mas aquilo que precisam ter em mente, e todos deviam lembrar-se disso e saber, é que todo esse negócio deve ser fundamentalmente - e só pode ocorrer - pelo poder do pensamento. Se eu quiser falar contigo, são os meus pensamentos que te são transmitidos. A caixa voz apenas reconstrói, em certa medida, uma parte da minha personalidade através da própria voz, que pode... afinal a própria voz em si mesma não pode ser uma coisa completamente natural e é reproduzida artificialmente. Mas em qualquer dos casos, que é que a poderá danificar? Não existe nada que não esteja em evolução, num certo sentido. É uma vibração da atmosfera.
Rose: Pode ser que sim, mas como será que se reconhece a voz assim que ela chega?
Chopin: Bom, aquilo que reconhecem é, num certo sentido, não tanto a voz, mas a personalidade. É verdade que geralmente a experiência comunica é uma entoação diferente de voz, mas aquilo que estou a tentar transmitir é que precisam ter em mente que a única vez que tal sentido é usado na construção da réplica da laringe e das cordas vocais é retirado principalmente do médium, mas também há uma contribuição de um ou mais dos presentes. Essa é a única vez em que uma coisa leve e vibrante... e muito esforço é empreendido por parte dos cientistas para manter isso em acção. Não esqueças que isso é algo que afecta toda a gente, porque, embora seja um tipo de substância viva retirada principalmente do médium, também é dada uma contribuição por parte dos presentes e uma contribuição dada por pare das pessoas deste lado que a moldam e utilizam e misturam, pelo que se torna ocasionalmente possível que algo de si próprios se misture.
Por outras palavras, digamos que se alguém vier falar, poderão haver outros que se encontrem atrás a assistir com o seu poder e os seus pensamentos, e por vezes terão uma fusão de personalidades, o que é muito subtil.
Rose: Eu notei uma coisa. Se o médium apanhar uma constipação, por exemplo, e ficar com o nariz entupido, as vozes espirituais apresentam o mesmo. A que se deverá isso?
Chopin: Acho que possivelmente isso se poderá explicar pelo facto de... assim que isso é usado... por exemplo, nós chamamos a isso que disseste (...) física. Por outras palavras, é algo que é trazido ao estado físico. Por isso, se usarmos alguma força, algo do médium (o que temos que fazer) então a atmosfera ou condição física precisará estar (...) a emanação ao redor do médium varia e muda e flutua constantemente.
Rose: Pois, mas por vezes também consigo ouvir a respiração; não com frequência, mas por vezes...
Chopin: Bom, isso é natural e compreensível porque para criar som (...) precisa de respiração, principalmente a respiração do médium, razão porque é sempre difícil, suponho, o médium manter a comunicação ao mesmo tempo. É realizado mas é difícil.
Rose: Pois. É interessante.
Chopin: Contudo, de certo modo é tão simples, só que se torna muito complexo pelo que as pessoas simplesmente não compreendam e não conseguem acompanhar os detalhes.
Rose: Ah, eu gosto de saber dos detalhes de tudo, e quem dera que pudesse estar nos bastidores, e ver o que os cientistas estão a fazer, embora não entenda nada.
Chopin: Bom, não sei como se poderá descrever isto exactamente, como se poderá percebê-lo. Se a ciência fosse capaz de o compreender, seríamos capazes de criar sons artificiais no vosso mundo, o que num certo sentido é o que estamos a fazer; estamos a criar sons artificiais, mas na medida em que o conseguimos eles ressoam. É isso que fazemos.
Rose: Creio que haveria mais conhecimento ou uma maior crença nestas coisas se os vossos cientistas desse lado pudessem conceber um instrumento qualquer, como uma televisão. Veja como toda a gente se agarra aos aparelhos de televisão sem o questionar nem nada. Está aí!
Chopin: Pois, eu sei, mas não consegues ver o caos e o quão terrível não seria se todos acorressem para os aparelhos de televisão todas as noites para falar com os amigos? Não teríamos qualquer paz. Tu não me darias nenhum sossego. Graças a Deus que não existe nada assim.
Rose: Ah, eu dão lhe daria sossego?
Chopin: Não.
Rose: Não, eu não lhe causo desassossego, Frédéric.
Chopin: Estou com aquele sentido de humor... (Rose ri) Mas já imaginaste se tivesses o aparelho no quarto, todas as noites estendias-te na cama: "Vamos lá, Frédéric..."
Rose: Não, mas gostava disso porque... para nós seres humanos, aqueles céticos que criticam tudo e mais alguma coisa, não teriam qualquer hipótese nesse caso.
Chopin: Eu sei por que é que dizes que gostavas... Mas não sei, penso que haja muita forma de provar que não é invenção. Afinal de contas, se deixarem o médium no estado de incapacidade de fala, aí como poderão dizer que seja ventriloquismo?
Rose: Só que eles não conseguem ver no escuro. Ah, mas eu adorava que todo o mundo tivesse conhecimento disto sem suspeitas.
Chopin: Eu não creio que pudesses encontrar tal satisfação. Sempre haverá suspeita entre as pessoas, e não só com relação a isto mas a tudo.
Rose: Frédéric, o Valentino disse-me que os cientistas estão tão interessados no trabalho que empreendem desse lado que não se importam muito com o que acontece ao médium.
Chopin: E tu pensas que isso aconteça só com alguns e não com todos...
Rose: Espero que não.
Chopin: Penso que com certos cientistas que se encontram muito próximo à terra seja assim. Mas quanto mais avançados espiritualmente estiverem, quanto mais espiritualmente cientistas forem mais a coisa será diferente, e não farão coisa alguma. Em qualquer dos casos, estou certo de que não desejarão fazer nada que ponha em perigo o médium, por exemplo, ou fazer alguma coisa que seja prejudicial. Em qualquer caso eu não queria...e estou certo de que não pensariam tal coisa.
Rose: Não. Mas aqueles que se encontram próximo da terra não deviam ter permissão para criar caos no mundo nem entreter todo tipo de ideias...
Chopin: Mas é claro que é natural pensar uma coisa dessas, mas isso possivelmente deve-se ao facto de não compreenderes plenamente a lei natural existente por detrás de todas as coisas. Quero dizer, podíamos estar constantemente a dizer: "Isto não pode ser," ou "Aquilo não pode ser..." mas todas as coisas se acham sujeitas à lei natural. Ninguém assume um lugar ditatorial, ninguém está em situação de ordenar ou de exigir... tudo deve obedecer a uma sequência natural, e naturalmente aqueles que não o tenham dominado ou aqueles que não tenham progredido muito ainda pensarão e agirão em concordância, e caso as condições em que se vejam, pela sua própria natureza, as leve a estar próximas à terra, claro que os seus pensamentos poderão afectar as pessoas na terra.
Mas depois, só afectam as pessoas de idêntica mentalidade. É por isso que é importante, sabes, que as pessoas tentem viver para além do mundano e do moderno e que vivam no sentido espiritual. É por isso que é muito importante que quando vocês fazem uma sessão, a abordem no sentido correcto e que só se preocupem com as coisas que tenham importância espiritual. Quer dizer, não devem apenas brincar com isso, e essa gente só está a brincar com isso de forma a conseguir...
Rose: Entusiasmar-se.
Chopin: Sim. É claro que atrairão aqueles que não os ajudarão muito.
Rose: Como é que a mamã e o pai se estão a dar. Estão bem?
Chopin: Ah, param muitas vezes aqui. Eu já os vi. Deves pensar muito neles.
Rose: Penso, sim.
Chopin: Eu sei que eles habitualmente vêm até ti, e estou certo de que tu os procures. Só que ainda não é altura.
Rose: Quanto tempo isso irá levar?
Chopin: Não sei. Não te posso dizer.
Chopin: Não pode dizer...
Chopin: Eu não sei. Não vejo a Possivelmente o tempo estará para breve, para o próximo anos, mas de momento não vejo sinais disso.
Rose: Eu não sei, Frédéric...
Chopin: Que estás para aí a dizer que não sabes, e que não sabes?
Rose: Olhe... É verdade, por eu achar que sabe mas não diz.
Chopin: Que benefício te traria se eu soubesse e to revelasse?
Rose: Não estou certa... Okay, não tem importância.
Chopin: Como saberás que não... Eles já estão a aqui a vir, e tu ainda não estás.
Rose: Não, talvez não esteja a ir e suponho que ficarei por aqui mais um tempo...
Chopin: Creio que ainda irás ter mais umas surpresas antes de para aqui chegares.
Rose: Ai sim?
Chopin: Surpresas em relação às condições do mundo em que te encontras e às pessoas. Não creio que para aqui venhas tão cedo. Além do mais, estás a desfrutar da tua experiência a despeito de tudo o mais.
Rose: (Ri) Sinto-me mais feliz quando me encontro nesta sala.
Chopin: Porquê nesta sala, em particular, por termos reuniões aqui? Bom, aprecio muito isso embora num certo sentido eu sempre tenha dito que não tenha importância para mim, por eu só ter consciência, num certo sentido, através de ti e do médium, mas sei que as condições que crias são importantes, e por isso preocupo-me com a condição da sala, com as condições que são criadas na sala, mas penso que reúne uma atmosfera muito agradável.
Rose: É agradável, não é?
Chopin: É muito prazenteira. Agrada-me pelo facto de aqui vires e agrada-me muito, de forma que te mostrarei como passar uns bons bocados, aqui. (...) num certo sentido seja importante, não sabes disso?
Rose: O quê?
Chopin: Eu disse que embora num certo sentido a sala tenha importância, acho que fomos capazes de te mostrar que não é tanto a sala (Rose ri e interrompe a audição). Pensa bem como vêm contentes até ti.
Rose: Estou tão animada e contente... É claro que acredito nisso, Frédéric, é claro que sim, mas sabe...?
Chopin: Mas agora o que é? Agora puseste-te triste! “Eu acredito no Frédéric pelo que claro que sim, “mas...” Pois bem, a que se refere esse “mas”? Faz favor de me dizer uma coisa: Haverá, pois, alguma coisa que possa fazer por ti que te dê a derradeira convicção? Por eu ainda achar que penses: “Ah, é demasiado bom para ser verdade.”
Rose: Suponho que venha de tenra idade...
Chopin: Mas pensa numa coisa que aches ou algo que me pedisses para fazer, algo porventura especial, que se te der te traga convicção, por ser óbvio que por vezes ainda sinto ser único.
Rose: Claro que se o pudesse ver, mas mesmo assim, não poderia realmente saber o aspecto que tem. Mas agora, tenho aqui agora; onde é que está esse caso amoroso?
Chopin: Bom, isso admito não ter produzido. (Rose ri) Supondo que isso fosse possível; não vou dizer que o vá fazer, mas não sei. Penso que não. A certa altura pensei que pudesse ser possível. Mas supondo que me pudesse materializar e que tu pudesses tirar-me uma madeixa do cabelo, que não desaparecesse após a reunião, e depois?
Rose: Ah bom, guardava-a.
Chopin: Claro. Isso já te convenceria.
Rose: (Ri) Não penso que fosse capaz de se materializar.
Chopin: Ou pensarias que fosse uma alucinação?
Rose: Não, não pensava; se a segurasse na minha mão e a acariciasse e visse que era real, aí sim. É claro que não sou tão tola. Mas acha que fosse possível materializar-se Frédéric?
Chopin: Eu espero que sim, ainda espero poder, mas tenho receio de estar a fazer profecias, por isso ser algo tão... Não sei, é algo que, num certo sentido é de tal modo intangível, sabes, que é impossível. Um dia pensas que seja possível fazer uma coisa, e no dia seguinte já achas que não. E talvez um dia quando menos o esperares isso suceda. É assim. Por vezes não podemos fazer outra coisa. Outras alturas já é diferente e somos capazes de nos sentir preparados. Suponho que seja de esperar que não possa ser sempre igual. Nem sempre podemos esperar manifestar-nos ou estabelecer contacto. Por que deveria ser assim? Afinal, quando vais para a cama pela noite, não sabes se vais dormir. Por vezes não dormes bem, outras vezes dormes. Certas vezes viajas no teu corpo astral até aqui, outras vezes tens sonhos engraçados que não fazem qualquer sentido. Noutras alturas cansaste de tudo e lês um livro para depois o pores de lado e te levantares para tomar uma chávena de chá. Nunca podes saber quando te vais deitar ou dormir ou que tipo de sonhos virás a ter. É sempre tudo diferente, tudo se acha sujeito à mudança.
Olha para ti – num dia sentes-te animada, no dia seguinte já te sentes desanimada; certos dias corres que te fartas e noutros arrastas-te. E noutras alturas deixas-te ficar sentada à espera.
Rose: Sim, é bem verdade.
Chopin: Mas eu espero isso mesmo, assim que te juntares a nós. Todos nós o esperamos. Mas sabemos que ainda demorará um tempo, pelo que deves tentar ser tão feliz quanto possível. Eu penso que te divertes bastante na vida a despeito de tudo o mais. Não me agrada ver-te deprimida.
Rose: Ah, sim. Agora não tenho estado deprimida. Eu aprecio o sossego e o silêncio...
Chopin: Gostava mesmo de fazer algo espectacular para ti. Eu não estou certo, mas acho que te daria cá uma sensação formidável caso pudesse. Aparte de cá vir e falar contigo. Mas quem sabe, quando para aqui vieres, isso não acontece?
Rose: Eu acho que sim. O Mickey disse que as coisas podem acontecer. Mas não só o Michey...
Chopin: Eu creio que sim. Bom, eu preciso ir, peço que me desculpes mas (...) Mas não fiques desapontada comigo. Todos te enviamos o nosso amor. Tu sabes disso.
Rose: Dê o meu amor à mamã...
Chopin: Talvez eles venham conversar contigo de novo. Deviam, sabes.
Rose: E ao querido velho Sam. Diga-lhes que não os esqueci.
Chopin: Ah, todos os teus amigos. Preciso ir.
Rose: Muito bem. Obrigado por vir, Frédéric.
Chopin regressa e pergunta o que é.
Rose. Não é nada. Só estava aqui sentada tranquilamente. Mas tinha receio de que a bobina de gravação terminasse.
Chopin: Ah, acho que não. Acho que dá para mais uns instantes, sabes. Como te sentes esta noite? Pensavas que me tinha esquecido de ti, e que o diabo não vinha mais conversar contigo?
Rose: Não. Obrigado por enviar o Rodolfo Valentino.
Chopin: Ah, o Monsieur Valentino. O Rudolfo é um personagem interessante. Nós somos muito bons amigos. Sabes que se tivermos que continuar com este médium temos que ser bons amigos do Valentino, senão...
Rose: Ai sim?
Chopin: Ora, estou a gracejar contigo. Não de facto estamos bastante associados, sabes. Encontrei-o diversas vezes e acho-o uma pessoa muito interessante. Ele é uma boa alma, sabes. Que mau bocado aquele pobre homem deve ter passado. Só acho que deve ter ficado encantado por se afastar de todas aquelas mulheres. (Riso geral)
Rose: Frédéric, porque é que tantos milhares de pessoas são tomadas por este grande interesse hoje, mesmo por parte daqueles que nuca os viram na tela?
Chopin: Eu não sei, suponho que haja algo a que as pessoas sejam sensíveis mas sem compreenderem muito bem, mas depois claro que se deve a muitas razões, suponho. Há muita gente que busca um escape. O vosso mundo goza de tal infelicidade em tantos aspectos, que muita gente encontra um escape no romantismo. Como na minha música, onde suponho que muita gente encontra um escape na música que compus. De certo modo é o mesmo tipo de coisa. Afinal de contas precisamos ser, de certo modo, gratos por ter quem arranje um tipo qualquer de escape das árduas realidades do mundo material em que vivem. No meu caso, a minha música é caso, suponho eu, de fascínio da sua personalidade (...) Um escape para muita gente sobrecarregada com tantas coisas materiais que carregavam.
Rose: Mas nunca houve tantos e tantos milhares atrás de um homem desses.
Chopin: Bom, não creio que andassem no encalço dele. Era o romantismo. Suponho que ele tenha criado um (...) nas artes, um símbolo de romance. Como a minha música que é romântica e simbólica para muita gente, que encontra nela uma forma de escape das árduas realidades do mundo. Fecham as portas e dissociam-se do mundo, para se perderem na beleza e no som.
Rose: Frédéric, você consegue dissociar-se de quem quiser quando atinge...?
Chopin: Sempre que o desejarmos podemos escapar, se me for permitido usar a expressão, embora não procuremos evadir-nos; de facto não há necessidade disso. Mas podemos por assim dizer retirar-nos e ficar a sós, ou ficar como que inconsciente do resto do mundo em que temos a nossa existência. Se sentirmos necessidade de o fazermos, podemos fazê-lo. Mas a vida aqui é de tal modo diferente, sabes, e é tão serena, tão plácida que não chegamos necessariamente a sentir que os outros se instrumentam. Ninguém aqui se intromete na vida de outra pessoa. A altura adequada ou o momento adequado é algo de que temos consciência em nós próprios, e por forma nenhuma casamos qualquer infelicidade ou qualquer dor, nem nenhum tipo de interferência. Quero dizer, aqui é tudo lei natural e nós somos muito mais sensíveis e temos consciência da necessidade do silêncio, ou da necessidade de retiro caso a sintamos, sem que ninguém se intrometa, por nos apercebermos dessa necessidade de ficarmos a sós connosco próprios.
Rose: Todos vós pareceis saber tudo acerca uns dos outros e sobre todos aqueles com quem comunicam.
Chopin: Bom, não estou certo de sabermos tudo, e suponho que de certo modo não seja bem assim. Temos conhecimento de tudo que seja, digamos, necessário, para a harmonia. Compreendes?
Rose: Sim, mas a julgar pelos comunicados que recebo da parte de diferentes pessoas, uma pessoa pode vir e dizer-me algo com respeito a alguma coisa e ir embora, e após alguns dias, pode chegar-me uma resposta assim: “Ah, ouvi fulano ou beltrano dizê-lo sobre ti.” E também podem conversar entre si.
Chopin: Ah, mas é claro que conversamos. Pelo menos temos contacto uns com os outros, e obviamente por amarmos os nossos amigos e sentirmos interesse por eles. Claro que quando sentimos interesse nas pessoas que se encontram na terra, então precisamos em certa medida adoptar uma certa atitude mental não contrária à atitude mental das pessoas que se encontram na terra. Por outras palavras, se tivermos que discutir as pessoas da terra com s nossos amigos, então precisamos entrar nessas condições e nesses assuntos e situar-nos mais ou menos ao mesmo nível mental para sermos capazes de os discutir. É claro que fazemos isso, por sentirmos interesse, não tanto pelo aspecto material das pessoas da terra, mas pelos aspectos espirituais e por uma melhor forma... quer dizer, isso é necessário, não será? Mas por vezes falamos de coisas materiais ordinárias, porque se tivermos interesse por alguém e amarmos alguém que se encontre na terra, estaremos ansiosos por ajudar a pessoa.
Por vezes sentimo-nos compelidos, poder-se-á dizer, a entrar nessas questões do pensamento e a discuti-las nesse nível. É tão simples! Se ao menos pudesses entender... Mas nós somos capazes de entrar em qualquer condição, ou vibração, em qualquer tipo de estado mental de qualquer indivíduo particular por quem sintamos interesse – caso o desejemos! Não é coisa que nos perturbe necessariamente quando nós estamos aqui no nosso ambiente. Para o fazermos, quer dizer, para entrarmos no estado ou condição da pessoa numa esfera diferente, ou à face da terra, precisamos entrar nessa condição e tornar-nos parte dela e abordá-la por assim dizer a partir desse ponto de vista particular ou condição particular de vida, e isso não é difícil. É apenas uma questão de mudarmos. No momento, pelo menos, a nossa atitude ou condição e de entrarmos na outra.
Leslie Flint
Transcrito e traduzido por Amadeu António


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