quarta-feira, 19 de abril de 2017

OS EVENTOS DA NATUREZA, EPIDEMIAS e DESASTRES NATURAIS



O CORPO NATURAL E AS SUAS DEFESAS
Não podeis começar a entender a natureza dos eventos de massas, sejam de que tipo for, a menos que considereis o contexto mais vasto em que eles ocorrem.
A experiência privada de uma pessoa tem lugar no contexto da sua condição psicológica e biológica, e basicamente não pode ser separada das suas crenças e sentimentos religiosos e filosóficos nem do seu ambiente cultural e contexto político.
Todos os problemas se formam em conjunto a fim de compor uma rede de comportamentos em que tanto podem medrar rosas como espinhos. Ou seja, o indivíduo crescerá para o mundo ao encontrar e formar uma experiência prática, ao se estender para o exterior a partir do seu centro quase como uma videira, moldando a partir do tecido da realidade física um conglomerado de acontecimentos agradáveis ou estéticos, e desagradáveis ou espinhosos.
A videira da experiência empregue nesta analogia, é formada de um modo bastante natural a partir de elementos “psíquicos” que se fazem tão necessários à experiência quanto o sol, o ar, e a água para as plantas. Contudo, não quero ficar demasiado arraigado nesta analogia; mas com a experiência pessoal do indivíduo precisa ser vista à luz de todas estas questões, também os eventos de massas não poderão ser entendidos a menos que sejam considerados num contexto mais vasto do que o habitual.
A questão das epidemias, por exemplo, não pode ser respondida do ponto de vista biológico apenas, por envolver atitudes psicológicas mais radicais da parte de muitos e ir ao encontro das necessidades e dos desejos daqueles que se acham envolvidos – necessidades essas que, nos vossos termos, têm origem num quadro de realidades religiosas, psicológicas e culturais que não podem ser isoladas dos resultados biológicos.
Eu até agora deixei claro muitos dos assuntos importantes e vitais que envolvem realidades das massas, porque antes de mais, devia ser realçada a importância do indivíduo, assim como o poder que tem de formar eventos privados. Somente quando a natureza privada da realidade fosse suficientemente enfatizada, estaria eu preparado para demonstrar o quanto a ampliação da realidade do indivíduo se combina e alarga para formar vastas reacções de massas – tais como, digamos, o início de um novo período histórico e cultural, a ascensão ou o derrube de governos, o começo de uma nova religião que varra todas as outras anteriores, conversões de massas, assassínios de massas sob a forma de guerras, o súbito assolar de epidemias mortais, o flagelo de terramotos, de inundações, ou de outros desastres; o surgimento inexplicável de períodos de arte, arquitetura ou tecnologia grandiosos.
Eu afirmei que não existem sistemas estanques. Isso quer realmente dizer que nos termos do mundo, os acontecimentos rodopiam como electrões, afectando todos os sistemas psicológicos e psíquicos, assim como biológicos. É realista afirmar que cada indivíduo morre só, por mais ninguém poder morrer por ele. Mas também é verdade que parte da espécie morre com cada falecimento, e que renasce com cada nascimento, e que cada morte privada tem lugar no contexto mais alargado da existência da espécie inteira. A morte presta-se a um propósito em termos da espécie ao mesmo tempo que também serve os propósitos do indivíduo, por nenhuma morte sobrevir sem ser chamada.
Uma epidemia, por exemplo, presta-se aos propósitos de cada indivíduo envolvido, ao mesmo tempo que também serve as próprias funções da espécie, no contexto mais alargado.
Quando considerais as epidemias como o resultado de vírus, e enfatizais as suas circunstâncias biológicas, então parece que a solução seja muito óbvia: Passais a aprender a natureza de cada vírus e desenvolveis uma inoculação, ministrando a cada membro da população uma pequena dose da doença de modo a que o próprio corpo do hospedeiro a combata, e se torne imune.
A miopia de tais procedimentos é geralmente negligenciada devido às vantagens óbvias obtidas a curto prazo. Por regra, por exemplo, aquelas pessoas que são inoculadas contra a poliomielite não desenvolvem essa doença. Utilizando esses procedimentos, a tuberculose foi amplamente conquistada. Existem variantes insidiosas em operação, contudo, e elas são causadas precisamente pelo estreito âmbito em que tais epidemias de massas são consideradas.
Em primeiro lugar, as causas não são de natureza biológica. A biologia é simplesmente o veículo de uma “intenção mortal”. Em segundo lugar, existe uma diferença entre um vírus produzido no laboratório e aquele que habita um organismo – diferença essa que é pelo corpo mas não pelos vossos instrumentos de laboratório.
De certo modo, o corpo produz anticorpos, e estabelece uma imunização natural em resultado, digamos, da inoculação. Mas a química do organismo também é confundida, por ter “consciência” de estar a reagir a uma doença que não representa uma “verdadeira doença”, mas um intruso biologicamente falsificado. Nessa medida – e não pretendo exagerar o caso – a integridade biológica do corpo é contaminada. Pode igualmente produzir ao mesmo tempo anticorpos, por exemplo, para outras doenças “similares”, e assim sobrecarregar as suas defesas de modo a que mais tarde o indivíduo acabe por contrair uma outra doença.
Ora bem, ninguém contrai uma doença a menos que essa doença sirva uma razão psíquica ou psicológica, pelo que muitos escapam a tais complicações. Entretanto, todavia, os cientistas e as equipes médicas descobrem cada vez mais vírus contra os quais a população “precisa” ser inoculada. Cada um é considerado separadamente. Dá-se uma corrida para desenvolver uma nova vacina contra o mais recente vírus. Grande parte disso assenta na base da predição: os cientistas “predizem” quantas pessoas poderão ser “atacadas” por, digamos, um vírus que tenha causado um dado número de vítimas.
A seguir, a título de medida preventiva, a população é convidada para tomar a nova vacina. Muitos que em qualquer caso não contrairiam a doença são, pois, religiosamente inoculados com ela. Passa a ser exigido ao organismo que use o próprio sistema imunitário ao máximo, e por vezes, de acordo com a inoculação, além do limite, sob tais condições. Aqueles que se tiverem psicologicamente decidido pela morte, morrerão em qualquer caso, seja vítimas dessa como de outra doença, ou dos efeitos colaterais da inoculação.
A realidade interior e a experiência privada dão lugar a todos os eventos de massas. O homem não se consegue desenredar do contexto natural da sua vida física. A sua cultura, a sua religião, as suas psicologias e a sua natureza psicológica tudo junto formam o contexto em que tanto os eventos de massas como os privados ocorrem. Este livro será, pois, devotado à natureza dos eventos extensos e significativos emocionais, religiosos ou biológicos que frequentemente parecem engolfar o indivíduo ou elevá-lo, a bem ou a mal, no poder que exercem.
Qual será o relacionamento que tem existência entre o indivíduo e os gigantescos movimentos massivos da natureza, do governo, ou mesmo da religião? Que dizer das conversões de massas? E da histeria de massas? Das curas de massas, e dos assassínios de massas ou do indivíduo? Essas são as questões a que nos devotamos neste livro. Poderás dizer que a pergunta que lançaste sobre as epidemias se tenha prestado a um estímulo conveniente; por tal pergunta ao ter procedido da tua parte mas também proceder da parte dos leitores dos nossos livros.
A morte constitui uma necessidade biológica, não somente para o indivíduo, como para assegurar a contínua vitalidade da espécie. Morrer constitui uma necessidade espiritual e psicológica, porque após algum tempo as energias exuberantes e constantemente renovadas do espírito não mais conseguem traduzir-se na carne.
Cada um sabe inerentemente que ele ou ela precisa morrer fisicamente para poder sobreviver espiritualmente e psiquicamente. O Eu vence a carne. Particularmente desde o advento das teorias de Charles Darwin, a aceitação do facto da morte chegou a implicar um certo tipo de fraqueza, pois não é referido que somente os mais fortes sobrevivem?
Num certo grau, as epidemias e doenças reconhecidas prestam-se ao propósito sociológico ao fornecerem uma razão aceitável para a morte – um dispositivo destinado a salvar as aparências daqueles que já tenham decidido morrer. Isso não quer dizer que tais indivíduos tomem a decisão consciente de morrer, nos termos do vosso entendimento: mas tais decisões são muitas vezes semiconscientes. Pode ser que tais indivíduos sintam ter realizado os propósitos que tinham – mas tais decisões podem igualmente ser construídas sobre um tipo diferente de desejo de sobrevivência do que aquele compreendidos nos termos Darwinianos.
Não é compreendido que antes de nascer um indivíduo decide viver. Um ser não constitui a personificação acidental do mecanismo biológico do corpo. Cada pessoa via deseja nascer. E morre quando esse desejo deixa de operar. Nenhuma epidemia ou doença ou desastre natural – ou bala perdida proveniente da arma de um assassino – matará uma pessoa que não queira morrer.
O desejo por vida tem sido muito ostentado, porém, a psicologia humana raras vezes tratou do desejo bastante activo de morte. Na sua forma natural, essa não constitui uma maneira mórbida, receosa, neurótica ou covardes de escapar à vida, mas uma aceleração definida, positiva, “saudável” do desejo de sobrevivência, em que o indivíduo fortemente tem vontade de deixar a vida física tal como certa vez a criança teve vontade de abandonar a casa paterna.
Não estou aqui a referir-me ao desejo de suicídio, que envolve uma morte definida do corpo por meios deliberados – muitas vezes de uma natureza violenta. Idealmente, este desejo de morte, todavia, envolveria o simples abrandamento dos processos corporais, o desenredar da psique da carne; em outros exemplos, de acordo com as características do indivíduo, uma pararem súbita e natural dos processos do organismo.
Por si só, o Eu e o corpo acham-se de tal modo entrelaçados que a separação teria que ser suave. O corpo haveria automaticamente de seguir os desejos do eu interior. Em caso de suicídio, por exemplo, o Eu actua em certa medida a partir do contexto do corpo, que ainda possui a sua própria vontade de viver (o corpo, subentenda-se).
Terei mais a dizer sobre o suicídio, mas não quero para aqui pôr-me a implicar nenhuma culpa à pessoa que ceifa a própria vida. Em muitos casos, uma morte mais natural deveria seguir-se por um acontecimento qualquer resultante de “doenças”. Ponto final. Frequentemente, por exemplo, uma pessoa que tenha vontade de morrer terá pretendido originalmente experimentar apenas uma porção da vida terrestre, como a infância, digamos. Tal propósito haveria de estar entrelaçado ao intuito que os pais tivessem. Um filho ou filha assim poderá nascer, por exemplo, por intermédio de uma mulher que pretendesse experimentar o parto mas que não quisesse necessariamente enfrentar o período de educação do filho, fossem quais fossem as razões que tivesse.
Uma mãe assim haveria de atrair uma consciência que desejasse, porventura experimentar de novo a infância sem ter que atingir o período adulto, ou que pudesse ensinar lições à mãe extremamente necessárias. Uma criança assim pode naturalmente morrer aos 10 ou aos 12 ou até mesmo antes. Contudo, as ministrações da ciência poderiam manter a criança viva por mais tempo, até que tal pessoa comece a fazer face à maioridade que lhe seria imposta, por assim dizer.
Um acidente de automóvel, um suicídio, ou um outro tipo de acidente poderia resultar. Ninguém se poderá tornar vítima de uma epidemia excepto se a lisura da moção biológica ou da moção psicológica tiver sido perdida. Não estou com isto a fazer a apologia do suicídio, por muitas vezes na vossa sociedade representar o desafortunado resultado de crenças conflituosas – mas ainda assim é verdadeiro afirmar que todas as mortes constituam um suicídio, e que todo o nascimento sejam um acto deliberado da parte da criança e da mãe ou pai. Nessa medida, não podeis separar problemas como o da explosão demográfica existente em certas porções do mundo, das epidemias, dos terramotos, e de outros desastres.
Nas guerras, as pessoas produzem automaticamente o seu tipo de compensação para aqueles que são abatidos, e quando a raça produz em excesso serão estabelecidos certos controlos automáticos sobre a população. Contudo isso irá sob todas as formas enquadrar-se nos propósitos dos indivíduos envolvidos.
Bom; num certo aspecto, as epidemias constituem o resultado de um fenómeno de suicídio de massas da parte de quantos estejam envolvidos. Factores biológicos, sociológicos ou mesmo económicos podem estar envolvidos nisso por diversas razões, e em níveis diferentes, por grupos inteiros de indivíduos desejarem morrer numa dada altura – mas de tal forma que as mortes individuais que morrem equivalem a um manifesto de massas.
A um certo nível as mortes constituem o protesto contra o tempo em que ocorrem. Aqueles que estiverem envolvidos, terão razões privadas para tanto, contudo. As razões, é claro, variam de indivíduo para indivíduo, porém, todas envolvem “ a pretensão de que a sua morte se preste a um propósito” para além das preocupações de cariz privada. Em parte, pois, tais mortes destinam-se a levar os sobreviventes a questionarem as condições – por a espécie saber muito bem inconscientemente existirem razões para tais mortes que vão além das crenças convencionais.
Em certos períodos históricos a situação dos pobres era de tal modo horrível, tão insuportável, que originavam surtos de epidemias, que resultavam literalmente na completa destruição de vastas áreas do meio ambiente em que tais condições sociais, políticas e económicas tinham lugar. Essas pragas atingiam ricos e pobres igualmente, contudo, de modo que os afortunados que se mantinham na complacência podiam perceber com toda a clareza, por exemplo, que em certa medida as condições sanitárias, de privacidade, de paz de espírito, tinham igualmente que ser asseguradas aos pobres, por os resultados da sua insatisfação poderem alcançar resultados bastante práticos. Essas eram mortes de protesto. Individualmente, cada “vítima” era, de uma forma ou de outra, uma “vítima” da apatia, do desespero e falta de esperança, que automaticamente lhes diminuía as defesas corporais.
Não só esses estados de espírito diminuem as defesas, todavia, como activam e alteram a química do organismo, os equilíbrios, e dão início a condições de doença. Muitos vírus intrinsecamente capazes de causar a morte, em condições normais contribuem para a saúde generalizada do corpo, e existem como que lado-a-lado com outros vírus, cada um dos quais contribui para actividades bastante necessárias ao mantimento do equilíbrio corporal. Todavia, se certos vírus forem accionados para uma actividade mais acentuada ou uma produção exagerada de estados mentais, então passam a tornar-se “mortais”. Fisicamente, eles poderão ser transmitidos por qualquer forma peculiar a uma determinada tensão. Literalmente, problemas mentais individuais dotados de uma gravidade suficiente emergem como doenças sociais e das massas.
O ambiente em que um surto ocorre aponta as condições políticas, sociológicas e económicas que se tenham desenvolvido, para chegarem a provocar tal desordem. Frequentemente, tais surtos têm lugar após uma acção política ou social ineficaz – ou seja, após um protesto unificado das massas qualquer - ter falhado, ou ser considerado irremediável. Também acontecem nas épocas de guerra da parte das populações que se aponham a uma dada guerra em que a sua nação se encontre envolvida. Inicialmente dá-se um contágio psíquico: o desespero passa a mover-se mais rapidamente do que um mosquito, ou qualquer outro veículo de transmissão de uma dada doença. A condição mental gera a activação de um vírus que é, nesses termos, passivo.
O desespero pode parecer passivo somente por sentir que a acção externa se revele irremediável – mas a ira que o motiva lavra interiormente, e esse tipo de contágio é capaz de saltar de uma parta outra cama ou de coração para coração. Porém, vai tocar apenas aqueles que se encontram no mesmo estado, e em certa medida, produz uma aceleração em que de facto alguma coisa poderá ser feita em termos de acção de grupo. Ora bem, se acreditardes unicamente em uma vida, então tais condições parecerão enormemente desastrosas, e nos vossos termos não se mostram lá muito bonitas. Contudo, muito embora cada vítima de uma epidemia possa morrer a sua própria morte, essa morte torna-se parte do protesto da massa social. As vidas dos sobreviventes íntimos são abaladas, e consoante a extensão da epidemia os vários elementos da própria vida social serão perturbados, alterados, reordenados. Por vezes, tais epidemias são eventualmente responsáveis pelo derrube de governos, e pela perda das guerras.
Existem mesmo e de igual modo profundos laços como coração da natureza. Vós sois criaturas biológicas. A vossa orgulhosa consciência humana repousa na vasta integridade “inconsciente” do vosso ser físico. Com respeito a isso, a vossa consciência é tão natural quanto o vosso dedo do pé. Nos termos da integridade da espécie, os vossos estados de espírito são, pois, altamente importantes. O desespero ou a apatia constitui uma “inimigo” biológico. As condições sociais, políticas, as políticas económicas, e mesmo os enquadramentos religiosos e filosóficos que alimentam tais estados de espírito, produzem uma retaliação biológica. Actuam como fogo atiçado a uma planta.
As epidemias podem servir muitos propósitos – avisos de que certas condições não serão toleradas. Gera-se uma indignação biológica que será continuamente expressada até que as condições sejam alteradas.
Até mesmo nos dias das grandes pragas, em Inglaterra, havia quem fosse atingido e não morresse, e os que não eram afectados pela doença ao lidar com os doentes e os moribundos.
Porém, esses sobreviventes que estavam directamente envolvidos, encaravam-se a eles próprios de uma forma completamente diferente da dos que sucumbiam: Eram os que não eram afectados pelo desespero, e que se encaravam como eficientes, em vez de ineficientes.
Frequentemente mobilizavam-se a eles próprios a partir de situações anteriores de vida destituídas de heroísmo, para passarem a desempenhar uma enorme bravura. O horror das condições oprimia-os quando antes não se envolviam.
A visão da mortandade conferia-lhes visões sobre o significado da vida e agitavam novas ideias de carácter sociológico, político e espiritual, de modo que nos vossos termos, os mortos não morriam em vão. As epidemias pela sua natureza pública faziam referência a problemas públicos – problemas que sociologicamente ameaçavam varrer com o indivíduo para desastres psíquicos conforme a materialização física o faz biologicamente.
Essas são também as razões para o alcance das várias epidemias – por que assolam uma área e deixam outra intacta. Por que um membro da família chega a morrer e outro sobrevive – por nessa aventura de massas, o indivíduo ainda formar a sua realidade privada.
Na vossa sociedade prevalecem as crenças médicas científicas, e um tipo de medicina preventiva, mencionado anteriormente, em que são tomadas medidas de inoculação, produzindo uma diminuta doença em indivíduos saudáveis que a seguir lhes vai criar imunidade contra uma invasão mais massiva. No caso de determinada doença, tal procedimento pode funcionar muito bem para aqueles que acreditarem nele. Mas é, porém, a crença, e não a medida ou procedimento, que opera.
Não estou a recomendar-vos para abandonardes tal procedimento quando obviamente funciona para tanta gente – no entanto devíeis entender a razão por que surte os efeitos desejados.
Tal tecnologia médica, é todavia altamente específica. Não podeis ser inoculados com o desejo de viver, nem com o gosto, o deleite, nem com o contentamento do animal saudável. Se tiverdes decidido morrer, protegidos desse modo de uma doença, acabareis prontamente por contrair uma outra, ou por ter um acidente. A imunidade, conquanto especificamente eficaz, só poderá reforçar crenças prévias relativas à ineficácia do organismo. Poderá parecer que por si só, o corpo devesse seguramente desenvolver qualquer doença que estivesse na moda, de modo que a vitória específica pudesse resultar na derrota definitiva na medida em que as vossas crenças estiverem em causa.
Contudo possuís os vossos sistemas médicos. Não quero estar a comprometê-los, já que eles se comprometem a eles próprios. Algumas das afirmações que faço evidentemente não podem ser objecto de prova, nos vossos termos, e quase parecem um sacrilégio. Contudo, ao longo da vossa história nenhum homem ou mulher terá morrido que não tivesse querido morrer, independentemente do estado da tecnologia médica. Certas doenças específicas possuem certos significados simbólicos, que variam com as épocas e os locais.
Gerou-se um enorme debate em anos transatos subordinado à sobrevivência dos mais aptos, nos termos de Darwin, mas pouco ênfase foi atribuída à qualidade da vida, ou à própria sobrevivência; nos vossos termos humanos, foi feita muito pouca sondagem sobre a questão do que torna a vida valorosa. Muito simplesmente, se a vida não tiver valor, nenhuma espécie terá qualquer razão para continuar.
As civilizações constituem espécies literais, que morrem quando não percebem razão para viver, contudo semeiam outras civilizações. Os estados mentais privados que tendes em massa produzem a postura cultural das massas da vossa civilização. Em certa medida, pois, a sobrevivência da vossa civilização depende literalmente da condição de cada indivíduo; e essa condição começa por ser um estado espiritual e psíquico que dá origem ao organismo físico. O organismo acha-se intimamente ligado ao estado biológico natural de cada uma das outras pessoas, e com cada das outras coisas vivas, ou entidades, por mais diminutas que sejam.
Novo parágrafo: Apesar de todos os contos de um “realismo” pragmático em contrário, o estado natural da própria vida é um estado de alegria, e de condescendência com ela própria – um estado em que a acção é eficiente, e o poder de agir constitui um direito natural. Haveríeis de ver isso com toda a clareza no caso das plantas, dos animais, e toda a outra forma de vida se não estivésseis tão cegos pelas crenças em contrário. Haveríeis de o ver na actividade dos vossos corpos, em que a afirmação vital individual das vossas células produz a massa, façanha imensamente complicada do vosso ser físico. Tal actividade promove naturalmente a saúde e a vitalidade. Não estou a falar nenhum mundo espiritual romântico, “passivo”, frouxo, mas de uma realidade clara e destituída de impedimentos, em que o oposto do desespero e da apatia reine.
Este livro será, pois, devotado àquelas condições que melhor promoverem o gosto pela vida espiritual, psíquica, e física, os componentes biológicos e psíquicos que levam uma espécie a desejar dar continuidade ao seu género. Tais aspectos promovem a cooperação de todo o tipo de vida, um com o outro, em todos os níveis. Nenhuma espécie compete com outra, mas coopera para formar um ambiente em que todos os tipos possam existir criativamente.
Vós viveis numa comunidade física, mas viveis antes de mais numa comunidade de pensamentos e de sentimentos. Esses desencadeiam-vos as acções físicas. Eles afectam-vos directamente o comportamento do vosso corpo. A experiência dos animais é diferente, porém ao seu modo, os animais possuem tanto intenção individual como propósito. Os sentimentos deles são certamente tão pertinentes quantos os vossos. Eles sonham, e à sua maneira, raciocinam.
Eles não se “preocupam”. Não antecipam desastres quando nenhum sinal deles é evidente no seu meio imediato. À sua própria maneira não carecem de medicina preventiva. Contudo, os animais de estimação são inoculados contra as doenças. Isso, na vossa sociedade quase se torna uma necessidade. Num cenário “puramente natural” não disporíeis de tantos cachorrinhos e de tantos gatinhos. Existem estágios da existência física, e nesses termos a natureza sabe o que está a fazer. Quando uma espécie produz em demasia, os incidentes de, digamos, epidemias, aumenta. Isso aplica-se às populações humanas tanto quanto aos animais.
Acima de tudo a qualidade de vida é importante. Os animais recém-nascidos ou morrem rápida e naturalmente, e sem dor, antes da sua consciência se achar plenamente focada aqui, ou são mortos pelas suas progenitoras – não por que sejam fracos ou inaptos para poderem sobreviver, mas porque as condições físicas não são as que produzem a qualidade de vida que torna a sobrevivência “viável”. A consciência que se tornou física por tão pouco tempo não é aniquilada, porém, mas nos vossos termos aguarda por melhores condições.
Também se dão “ensaios” tanto na espécie humana quanto na animal em que são feitas espreitas, ou vislumbres obtidos, da vida física, e isso é tudo. As epidemias que varrem populações animais também representam, pois, manifestos psíquicos, em que cada indivíduo sabe que apenas a sua máxima realização poderá satisfazer a qualidade de vida numa base individual, e desse modo contribuir para a sobrevivência de massa da espécie.~
O sofrimento não é necessariamente bom para a alma de todo, e por si só as criaturas naturais não o buscam. Existe uma compaixão natural, um conhecimento biológico, de modo que a mãe do animal sabe se as condições existentes irão apoiar a descendência. Os animais percebem instintivamente a relação que têm com as grandes forças da vida. Eles levarão instintivamente uma cria a morrer de fome enquanto a sua consciência ainda não se acha focada, em vez de a enviar para condições adversas.
Num estado natural, muitas crianças seriam consideradas nado-mortas pelas mesmas razões, ou seriam naturalmente abortadas. Dá-se uma permuta entre todos os elementos da natureza, de modo que tais indivíduos poderão escolher mães, por exemplo, que talvez quisessem experimentar a gravidez mas não o parto – em que elegem passar pela experiência do feto mas não pela da criança. Somente nesses casos se geram “fragmentos da personalidade” que desejam experimentar o gosto da realidade física, sem estarem preparados para lidar com ela. Cada caso é individual, contudo, de modo que estas declarações generalizadas.
Muitas crianças que, assim parece, deviam ter morrido de doença, vitimadas por “epidemias características da infância”, sobrevivem não obstante, devido aos diferentes propósitos. O mundo do pensamento e do sentimento pode ser invisível, todavia activa todos os sistemas físicos com que estais familiarizados.
Os animais, do mesmo modo que os homens podem na verdade proceder a manifestos sociais, que se tornam evidentes num contexto biológico. Os animais que são atingidos pelas doenças dos gatos e dos cachorros, por exemplo, escolhem morrer, apontando o facto de que a qualidade das suas vidas individualmente e em massa se acha amplamente carente. O relacionamento que têm com a própria espécie não mais se encontra em equilíbrio. Não mais conseguem utilizar as capacidades ou os poderes plenos de que gozam e tampouco são dados a muitos deles elementos de compensação em termos de uma relação psíquica benéfica com o homem – mas ao invés são postas de lado, indesejados e não amados. Um animal que não é amado não sente vontade de viver. O amor envolve o respeito-próprio, o entusiasmo biológico individual e integridade. Nessa medida, à sua maneira, as epidemias animais têm causas idênticas às humanas. Um animal pode de facto cometer suicídio. Também o pode uma raça ou espécie. A dignidade de uma vida animada exige que uma certa qualidade de experiência seja mantida.
Os vossos cientistas estão a começar a compreender o relacionamento que o homem tem com a natureza. A espécie faz, obviamente, parte da natureza e não está apartada adela.
Estão a ser suscitadas interrogações sobre os efeitos que o homem exerce sobre o mundo que habita. Existe, porém, um ambiente interno que liga toda a consciência que existe no vosso planeta, seja de que forma for. Esse ambiente mental ou psíquico – ou em todo o caso não físico – permanece num estado de constante fluxo e de movimento. A actividade providencia-vos toda a sorte de fenómenos exteriores.
A percepção que obtendes através dos sentidos, falando em termos físicos, resulta do comportamento da parte dos órgãos que vos parecem não ter qualquer realidade fora da relação que têm convosco. Esses órgãos em si mesmo são compostos por átomos e moléculas que possuem a sua própria consciência. Eles têm, pois, os seus próprios estados de sensação e de cognição. Eles operam por vós, ao vos permitir perceber a realidade física.
As vossas orelhas parecerão ser apêndices permanentes, assim como os vossos olhos. Dizeis que tendes olhos azuis, ou que as vossas orelhas são pequenas. A matéria física desses órgãos dos sentidos muda constantemente convosco todavia, sem que tenhais consciência disso.
Conquanto o vosso corpo pareça bastante fiável, sólido e estável, não tendes consciência das permutas constantes que ocorrem entre ele e o vosso ambiente físico. Não vos incomoda nem um pouco que a substância física do vosso corpo seja composta de átomos e moléculas completamente diferentes daqueles que os compunham há sete anos atrás, digamos, ou que as mãos com que estais familiarizados estejam na verdade inocentes quanto à mais diminuta partícula de matéria que as compunham até mesmo em tempos passados recentes.
Vós percebeis o vosso corpo como sólido. Uma vez mais, os próprios sentidos que vos levam a tal dedução constituem o resultado do comportamento de átomos e de moléculas que se reúnem literalmente a fim de formarem os órgãos, preenchendo um padrão de carne. Todos os outros objectos que percebeis são formadas à sua própria maneira e do mesmo modo.
O mundo físico que reconheceis é composto de padrões invisíveis. Esses padrões são “plásticos” devido a que, conquanto existam, a sua forma final consiste numa questão de probabilidades dirigidas pela consciência.
Os vossos sentidos percebem esses padrões ao seu próprio modo. Os próprios padrões podem ser “activados” por incontáveis formas. Existe alguma coisa fora a observar.
Os instrumentos dos vossos sentidos determinam a forma que esse algo assumirá, todavia. O mundo das massas surge diante dos vossos olhos, mas os vossos olhos fazem parte do mundo das massas. Não conseguis ver os vossos pensamentos, pelo que não percebeis que consistem em forma e conteúdo, tal como, digamos, as nuvens. Existem correntes de pensamentos tal como existem correntes de ar, mas os padrões mentais dos sentimentos do homem e pensamentos erguem-se como as chamas de um fogo, ou vapor da água quente, para cair como cinzas ou como chuva.
Todos os elementos do ambiente interior invisível funcionam em conjunto, e moldam os padrões temporais climáticos que representam estados mentais exteriorizados, apresentando-vos localmente e em massa, pois, uma versão física dos estados emocionais do homem.
Bom; o planeta material também está obviamente em constante mudança enquanto se mantém em termos operacionais ou realistas ou pragmáticos relativamente estável. A matéria física do planeta acha-se igualmente literalmente composta de um número infinito de multitudes de consciência – cada uma a experimentar a sua própria realidade enquanto contribuem para a aventura generalizada de cooperação.
Os desastres naturais representam um conceito preconceituoso compreensível, em que os vastos elementos criativos e rejuvenescedores importantes relativamente à vida do planeta, e logo à humanidade, são ignorados. A estabilidade do planeta repousa em tais mudanças e alterações, do mesmo modo que a estabilidade do corpo depende, digamos, do nascimento e da morte das células. É bastante óbvio que as pessoas devem morrer – não porque de outro modo viésseis a superpovoar o vosso mundo até à extinção, mas porque a natureza da consciência exige uma nova experiência, desafio, e consumação. Isso torna-se evidente na própria natureza. Se não existisse morte, teríeis que a inventar – por o contexto dessa individualidade seria tão limitado quanto a experiência de uma grande escultor que possuísse apenas um pedaço de pedra.
A criação do escultor é realista de uma forma pragmática, devido a existir enquanto um objecto e poder ser legitimamente percebido, conforme podeis percebeis o vosso mundo. A estátua do escultor, contudo, procede do ambiente interior, dos padrões das probabilidades. Esses padrões em si mesmo não se encontram inactivos. Eles acham-se imbuídos do desejo de se actualizarem. Por trás de todas as realidades existem os estados mentais. Esses sempre buscam a forma, muito embora, uma vez mais, existam outras formas para além daquelas que reconheceis.
Uma cadeira é uma cadeira segundo os vossos desígnios. Ao falar por mim, o Ruburt senta-se numa. Ao lerdes este livro o mais provável é encontrar-vos recostados numa cadeira ou num sofá ou num assento, tudo muito robusto e real. Os átomos e moléculas nessas cadeiras e sofás acham-se bastante alerta, embora não lhes concedais a qualidade de vida. Quando as crianças brincam à roda, formam círculos vivos no ar. Nesse jogo desfrutam do movimento dos seus corpos, mas não se identificam com esses círculos rodopiantes. Os átomos e moléculas que compõem uma cadeira desempenham um outro tipo de jogo da roda, e acham-se envoltas num constante movimento, formando um certo padrão que percebeis como cadeira.
As diferenças no movimento são de tal modo divergentes que para vós a cadeira, à semelhança do vosso corpo, parece permanente. Os átomos e moléculas, à semelhança das crianças, apreciam o seu movimento – solidamente esboçado no espaço a partir da vossa perspectiva, porém, sem “ideia” nenhuma de que considereis esse movimento como uma cadeira, ou que o useis como tal.
Vós percebeis a actividade dos átomos desse modo. Contudo, o acordo tem lugar em níveis mentais, e jamais é completamente “estabelecido”, embora pareça que seja. Ninguém percebe a mesma cadeira, o tempo todo, muito embora talvez determinada cadeira pareça a “mesma” que é vista de diferentes ângulos.
A dança dos átomos e das moléculas é contínuo na vossa área. Em termos mais vastos, qualquer cadeira jamais chega a ser a mesma cadeira. Tudo isso precisa ser levado em consideração quando debatemos os eventos de massas.
O cientista que sonda o cérebro de um idiota ou de um génio só descobrirá a matéria física do próprio cérebro. Nenhuma ideia será descoberta como residindo nas células do cérebro. Podeis tentar transmitir uma ideia, podeis sentir os efeitos que provoca, mas não a podereis ver conforme percebeis a cadeia. Porém, somente um tolo diria que as ideias não tenham existência, ou negaria a sua importância.
Não podereis descobrir um dado local de sonho sequer, no próprio cérebro. A matéria sólida do vosso mundo constitui o resultado do desempenho que os vossos sentidos exercem numa dimensão interior de actividade que existe de forma tão legítima, e ainda assim tão surpreendentemente oculto, quanto uma ideia ou local de sonho. É fácil para vós ver que as sementes produzem o fruto da terra, cada um no seu género. Nenhuma semente se assemelha a outra, no entanto, geralmente existem espécies que servem para as unir. Não tomais uma laranja erradamente por uma uva. Do mesmo modo, as ideias ou pensamentos formam padrões gerais, produzindo no vosso mundo certos tipos de eventos. Com respeito a isso as ideias e os sentimentos que tendes “semeiam” a realidade física, produzindo materializações.
Politicamente, vós operais muito bem, ao viverdes em aldeias, municípios, países, estados, e por aí fora, cada uma com determinados costumes e regulamentos locais. Isso de forma nenhuma afecta a própria terra. Constituem designações com propósitos práticos, e sugerem organização de propósito ou de afiliação a determinado nível. São padrões políticos, invisíveis mas altamente eficazes. Existem, todavia, padrões mentais invisíveis muito mais vigorosos, em que as ideias e os sentimentos do género humano são organizados – ou onde se organizam a eles próprios com naturalidade.
Os pensamentos de cada pessoa fluem para essa formação, passando a fazer parte da atmosfera psíquica da terra. A partir dessa atmosfera fluem os padrões naturais terrenos de onde brotam as vossas estações com toda a variedade e efeitos que apresentam. Não sois jamais vítimas de desastres naturais, embora pareça que possais ser, por terdes mão na sua formação. Achais-vos criativamente envolvidos nos círculos terrenos. Ninguém poderá nascer por vós, ou morrer por vós, no entanto nenhum nascimento nem morte constitui um evento verdadeiramente isolado, mas um em que todo o planeta participa. Em termos pessoais, uma vez mais, cada espécie preocupa-se não só com a sobrevivência mas com a qualidade da sua vida e experiência.
Nesses termos, os desastres naturais essencialmente acabam por corrigir uma condição anteriormente arruinava a qualidade de vida desejada, de modo a proceder-se a ajustamentos.
As vítimas optam por participar nessas condições a níveis espirituais, psicológicos e biológicos. Muitos daqueles que são considerados por entre as fatalidades poderiam de outro modo morrer vitimados de doenças prolongadas, por exemplo. Tal conhecimento acha-se disponível a níveis celulares, e de uma forma ou de outra transmitido ao indivíduo, muitas vezes através de sonhos. A compreensão consciente não precisa de seguir-se, por muita gente saber de tais coisas, e finge não as conhecer ao mesmo tempo.
Outros terão finalizado os seus desafios; têm vontade de morrer e procuram uma desculpa – um expediente destinado a salvar a cara. Contudo, aqueles que optam por tais mortes pretendem morrer em termos dramáticos, em meio às actividades que exercem, e acham-se de uma forma estranha repletos com o conhecimento exultante interior do vigor da vida mesmo por altura da morte.
Por fim identificam-se com o poder da natureza que aparentemente os destrói. Tal identificação muitas vezes produz na morte – mas nem sempre – uma aceleração suplementar da consciência, e envolve tais indivíduos num tipo de “experiência grupal de morte”, em que todas as vítimas embarcam mais ou menos num outro nível de realidade “ao mesmo tempo”. Essa gente tinha consciência de uma forma subjacente das possibilidades de tal ocorrência muito antes o desastre se dar, e até ao último momento pode optar evitar o encontro. Os animais conhecem as condições atmosféricas antes do tempo, conforme as velhas histórias narram. Essa percepção constitui igualmente uma parte biológica da vossa herança. O corpo acha-se preparado, embora conscientemente pareça ignorar.
Existem incontáveis relações entre o ambiente interior do corpo e os padrões atmosféricos. Os ancestrais sentimentos e ações de identificação com as tempestades é muito válida, e com respeito a isso o “realismo” dos sentimentos são, de longe, superiores do realismo da lógica. Quando uma pessoa sente ser parte da tempestade, tais sentimentos falam por uma verdade literal. A lógica trata das condições exteriores, que se prendem com as relações existentes entre causa e efeito. As intuições lidam com a experiência imediata da natureza mais íntima, que compreendem movimentos subjectivos e actividades que nos vossos termos se movem muito mais rápido do que a velocidade da luz, e com eventos simultâneos em relação aos quais o vosso nível de causa e efeito é demasiado lento para perceber.
Além disso, com respeito a isso, as actividades do ambiente interior são demasiado rápidos para os seguirdes intelectualmente. As vossas intuições, contudo, podem dar-vos pistas quanto a um comportamento desses. Uma nação é responsável pelas próprias secas, terramotos, inundações, e furacões que sofre – assim como pelas próprias colheitas e rica exibição de produtos, a sua indústria e realizações culturais, e cada um desses elementos está relacionado a cada um dos outros. Se a qualidade de vida que for espiritualmente e biologicamente considerada necessária falhar, então dão-se ajustamentos. Um problema político pode ser alterado por um desastre natural caso os meios políticos falhem. Por outro lado, emerge um estímulo das energias criativas das pessoas.
A excelência revelar-se-á por intermédio das artes, da criatividade cultural e das conquistas sociológicas e tecnológicas. A espécie tenta satisfazer as suas maiores capacidades. Cada corpo físico à sua própria maneira assemelha-se ao mundo. Possui as suas próprias defesas e capacidades, e cada porção disso luta por uma qualidade de existência que traga às suas partes mais diminutas a satisfação espiritual e biológica da sua própria natureza.
O corpo constitui um manifesto espiritual psíquico e social que se pronuncia biologicamente. É obviamente privado, todavia não pode ser ocultado, por ser “onde vos situais”, nos termos habituais. O corpo individual é aquilo que é, devido a existir no contexto de outros semelhantes a ele. Com isso pretendo referir-me a que um determinado corpo presente pressupõe um passado biológico de criaturas semelhantes. Pressupõe a existência de contemporâneos. Caso, por exemplo, um ser humano adulto fosse percebido por um alienígena proveniente de um outro mundo, certos factos haviam de se tornar evidentes. Mesmo que tal alienígena se deparasse com um membro isolado da vossa espécie numa outra terra inabitada, esse alienígena poderia fazer certas suposições quanto à aparência e comportamento do indivíduo.
Se o “terráqueo” falasse, o alienígena haveria instantaneamente de ficar a saber que seríeis criaturas que comunicam, e de reconhecer nos sons vocais padrões que comportavam propósito e intenção. De uma forma ou de outra, todas as criaturas utilizam linguagem, que implica um relacionamento sociobiológico que normalmente é suposto. Do aspecto do terráqueo, o alienígena seria capaz de deduzir – se já não soubesse – as proporções dos vários elementos existentes à face do vosso planeta; sendo isso suposto com base no vosso método de locomoção, apêndices, e na natureza da vossa visão física.
Conquanto cada indivíduo venha, pois, individualmente ao mundo ao nascer, cada nascença também representa igualmente um esforço bastante literal – e um esforço triunfante – da parte de cada membro de cada espécie, devido a que o delicado equilíbrio da vida exija de cada nascimento condições bastante precisas que mais nenhuma espécie por si só pode garantir, mesmo em relação ao próprio género. Os grãos precisam germinar. Os animais precisam reproduzir-se. As plantas precisam cumprir com a parte que lhes cabe. A fotossíntese, nos vossos termos, reina, pois.
As estações precisam reter uma certa estabilidade. As chuvas devem cair, mas não em demasia. As tempestades precisam assolar, mas não de uma forma demasiado devastadora. Por detrás de tudo isso reside um empreendimento arriscado de cooperação biológica e psíquica. Tudo isso poderia ser percebido pelo nosso alienígena hipotético com base num único indivíduo humano; mais tarde retornaremos ao nosso alienígena.
As células possuem características “sociais”, e têm a tendência de se unir às outras. Elas comunicam de uma forma natural. Têm uma vontade natural de se mover. Com tais afirmações não quero estar a personificar a célula, por o desejo de comunicação e de movimento não serem exclusivo do homem, nem mesmo dos animais, unicamente. O desejo que o homem tem de viajar para outros mundos é a seu modo tão natural quanto o impulso que as plantas sentem de voltar as suas folhas na direcção do sol.
O mundo físico do homem, com todas as suas civilizações e aspectos culturais, e mesmo com as suas tecnologias e ciências, basicamente representa o impulso inato que a espécie tem de comunicar, de se voltar para fora, de criar, e de objectivar realidades percebidas internamente. A vida dotada do carácter mais privado imaginável constitui um caso bastante sociável. O recluso mais isolado ainda precisa depender da sociabilidade biológica não só das células do seu corpo como do mundo natural e de todas as suas criaturas. O corpo, pois, não importa o quão privado seja, também representa um manifesto público, social e biológico. Uma frase expressada, seja em que língua for, possui uma certa estrutura, e pressupõe a existência de uma boca e de uma língua, e o tipo de organização física necessária; uma mente, um certo tipo de mundo em que os sons façam sentido; e um conhecimento bastante exacto e bastante prático sobre a natureza dos sons, e da combinação dos seus padrões, do uso da repetição, assim como um conhecimento do sistema nervoso. Poucos dos meus leitores possuem tal conhecimento consciente, no entanto a maioria pronuncia-se muito bem.
Assim, de um ou de outro modo, decerto que parece que o vosso corpo possua um tipo de informação bastante pragmático, e que actue sobre essa informação. Podeis expressar quase qualquer ideia que queirais em termos vocais, ainda que dificilmente tenhais qualquer concepção do modo através pelo qual o vosso discurso é desempenhado.
O corpo é, pois, orientado para a acção. É pragmaticamente prático e acima de tudo sente vontade de explorar e de comunicar. A comunhão (comunicação) implica uma natureza social. O organismo possui em si de uma forma inerente tudo quanto é necessário à sua própria defesa. O próprio corpo levará a criança a falar, a gatinhar, a caminhar, a procurar os companheiros. Por intermédio da comunicação biológica, as células da criança tomam consciência do seu ambiente físico, da temperatura, da pressão do ar, das condições atmosféricas, procedendo a certos ajustamentos com grande celeridade.
O mundo tem existência ao nível celular num tipo de intercâmbio, em que o nascimento e morte das células são do conhecimento de todas as demais, e em que a morte de uma rã ou de uma estrela adquirem igual impacto. Mas no vosso nível de actividade os pensamentos, sentimentos e intenções que tendes, por mais privados que sejam, formam parte do ambiente interno da comunicação. Esse ambiente interno é tão pertinente e vital ao bem-estar das espécies quanto o físico. Representa o banco psíquico potencial das massas, do mesmo modo que o planeta providencia um banco potencial físico. Quando se dá um terramoto numa outra parte do mundo, a massa de terra da vossa própria nação é de uma maneira ou outra afectada. Quando se dão terramotos psíquicos em outras áreas do mundo, também sois nesse caso afectados, e geralmente no mesmo grau.
Do mesmo modo, se uma porção do vosso corpo sofrer um ferimento, então as outras porções sentirão os efeitos da ferida. Um terramoto pode representar um desastre na área em que se dá, ainda que a sua ocorrência corrija desequilíbrios, e assim promova a vida do planeta. As acções de emergência são bastante rigorosas na área imediata de um terramoto, e ajuda é enviada de outras nações. Quando uma área do corpo entra em "erupção", também se instauram medidas de emergência que são tomadas localmente, e ajuda enviada de outras porções do organismo às partes afligidas do mesmo.
A erupção física, conquanto possa parecer constituir um desastre na área da doença, é, contudo, igualmente, uma parte do sistema de defesa do organismo, tomada a fim de assegurar o equilíbrio completo do organismo. Em termos biológicos, a doença representa pois, um sistema global de defesa do organismo, em operação.
Estou a tentar colocar isto em termos simples - mas sem uma doença qualquer o corpo não poderia aguentar. Antes de mais, o corpo precisa achar-se num estado de constante mudança, e tomar decisões demasiado rápidas para poderdes seguir-lhes o rasto, ajustando níveis hormonais e mantendo o equilíbrio entre todos os seus sistemas; não só num relacionamento consigo próprio - o corpo - mas com um ambiente que também se acha em constante mudança. Aos níveis biológicos o corpo geralmente produz a sua própria "medicação preventiva", ou "inoculações" ao buscar, por exemplo, substâncias novas ou estranhas no seu ambiente que se devam à natureza, ciência e à tecnologia; assimila essas propriedades em pequenas doses, acabando com uma "doença" que, por si só, em breve se desvaneceria se o corpo utilizasse o que pudesse ou socializasse "um invasor aparente".
A pessoa pode sentir-se indisposta, mas nesses casos o organismo assimila e utiliza propriedades que de outro modo seriam apelidadas de estranhas. Imuniza-se a ele próprio por intermédio de tais métodos. O corpo, todavia, tem uma existência (conjunta) com a mente para poder lidar com ela - e a mente produz um ambiente interno de conceitos. As células que compõem o corpo não procuram apurar o sentido do mundo cultural. Dependem da interpretação que fazeis, portanto, para a existência de ameaças de natureza não biológica. Por isso, dependem da avaliação que fizerdes.
Se essa avaliação encontrar relação com as avaliações biológicas, tereis uma óptima relação de trabalho com o organismo. Ele poderá reagir prontamente e com clareza. Quando pressentis ameaça ou perigo para que o organismo não consiga encontrar uma relação biológica, mesmo por meio  da comunicação celular ele  perscruta  o ambiente físico, e a seguir precisa confiar na avaliação que fizerdes e reagir às condições de perigo. O organismo irá, pois, reagir a perigos imaginários num grau qualquer, assim como àqueles que sejam biologicamente pertinentes. O seu sistema de defesa muitas vezes esforça-se demasiado em resultado disso.
O organismo acha-se, pois, bastante bem equipado para lidar com a posição física que assume no mundo e os sistemas de segurança que possui são infalíveis com respeito a isso. A vossa mente consciente, contudo, guia-vos a percepção temporal e interpreta essa percepção, organizando-a por padrões mentais. O organismo, uma vez mais, precisa depender dessas interpretações. A base biológica de toda a vida é adorável, divina e assente na cooperação, e pressupõe uma postura física segura de que todo membro de uma espécie se sinta activamente livre para buscar as necessidades que tenha e para comunicar com outros do seu género.
É de bom tom crer que os animais não possuam imaginação, mas essa é uma crença bastante errônea. Eles antecipam o acasalamento, por exemplo, antes do tempo. Todos eles aprendem por meio da experiência, e independentemente de todos os conceitos que tenhais, a aprendizagem é impossível sem imaginação seja a que nível for.
Nos vossos termos, a imaginação dos animais é limitada. A sua imaginação não se acha simplesmente confinada aos elementos da existência prévia, todavia. Podem imaginar acontecimentos que jamais se tenham dado com eles. As capacidades do homem com respeito a isso são muito mais complicadas, por na sua imaginação lidar com probabilidades. Num dado período de tempo, no caso de um corpo físico, ele pode antecipar ou desempenhar um número infinitamente vasto de eventos - cada um dos quais permanece provável até que o active.
O organismo, ao responder às ideias, sentimentos e crenças que tendes, possui, pois,  muito mais informação com que lidar, e precisa ter uma área em que a acção concisa se torne possível.
O sistema de defesa do organismo é automático, e no entanto, até certo ponto, constitui um sistema secundário em vez de primário, atingindo a mobilização enquanto tal somente quando o corpo se vê ameaçado.
O propósito principal do organismo é não só o de sobreviver mas o de manter uma qualidade de existência a certos níveis, e essa própria qualidade promove a saúde e o desempenho. Um temor definido e pertinente alerta o organismo, e permite que reaja de um modo completo e natural. Podeis estar a ler os cabeçalhos de um jornal, por exemplo, ao atravessardes uma rua apinhada de tráfego. Muito antes de terdes noção das circunstâncias, o vosso corpo pode pular do caminho à aproximação de um carro. O corpo faz o que é suposto fazer. Embora conscientemente não tenhais medo, ter-se-á apresentado um medo biológico pertinente em cuja base se dá uma acção.
Se, todavia, permanecerdes mentalmente num ambiente de medo generalizado, não concedereis ao corpo nenhuma orientação inequívoca de acção nem uma resposta apropriada. Considerai a questão da seguinte forma: Um animal, sem ser necessariamente um animal selvagem na sua floresta nativa, mas um cão ou gato comum, reagem de certo modo. Permanece alerta em relação a tudo o que se situe no seu ambiente. Um gato não antecipa o perigo em relação a um cão amarrado quatro quarteirões mais à frente; contudo, não queirais saber o que aconteceria caso esse cão escapasse para dar de caras com o quintal reconfortante do gato!
Muita gente, porém, não presta atenção a tudo o que ocorre no seu ambiente, e por intermédio das crenças que tem concentra-se apenas no "cão feroz uns quarteirões mais à frente". Quer dizer, não respondem ao que se lhes apresenta em termos físicos, ou à percepção que têm, quer do tempo quer do espaço, mas em vês disso demoram-se nas ameaças que possam ou não apresentar-se, ignorando ao mesmo tempo informação pertinente que se encontre no imediato.
A mente passa, pois, a assinalar a ameaça - só que uma ameaça que se situa fisicamente em parte nenhuma, pelo que o corpo não é capaz de responder com clareza. Em razão disso, passa a reagir a uma pseudo ameaça, e vê-se dividido na acção, por assim dizer, com a confusão biológica resultante. As respostas do corpo precisam ser específicas.
O sentido generalizado de saúde, vitalidade e resistência consiste numa condição generalizada de satisfação - produzido, entretanto, por uma multiplicidade de respostas específicas. Por si só, o corpo é capaz de se defender contra qualquer doença, mas não é capaz de se defender adequadamente contra um medo generalizado exagerado da doença da parte do indivíduo. Esse sentido de saúde deve reflectir os vossos próprios sentimentos e avaliações. Geralmente todo o vosso sistema médico produz literalmente tantas doenças quantas as curas que proporciona - por vos encontrardes acossados por toda a parte pelos sintomas das várias doenças, e cheios de receio em relação à doença, e dominados pelo que parece ser uma propensão que o organismo tenha para a doença - e por em parte alguma se enfatizar a vitalidade do sistema natural de defesa do organismo.
Assim, a doença privada também tem lugar num contexto social. Esse contexto resulta de crenças pessoais e de crenças de massas que se entrelaçam a todos os níveis culturais, e que em certa medida se prestam a propósitos públicos e privados. As doenças geralmente atribuídas às diferentes fachas etárias acham-se envolvidas. Aquelas dos idosos, uma vez mais, têm cabimento no quadro das crenças sociais e culturais, na estrutura da vossa vida familiar. Os animais velhos possuem a sua própria dignidade, e assim também os homens e as mulheres idosas. A senilidade constitui uma epidemia mental e física - uma epidemia desnecessária. Vocês "contraem-na" por acreditarem, enquanto são novos, que os velhos não consigam o mesmo desempenho. Não existem vacinas contra as crenças, pelo que quando os jovens envelhecem com crenças dessas, eles tornam-se vítimas.
Os tipos de doenças sofrem alterações ao longo dos períodos da história. Algumas tornam-se moda enquanto outras passam de moda. No entanto, todas as epidemias constituem manifestos de massas, tanto biológicos quanto físicos. São indicadores de crenças de massas que terão produzido certas condições físicas que são repugnantes a todos os níveis. Muitas vezes andam de mãos dadas com a guerra, e representam protestos biológicos.
Sempre que as condições de vida se apresentam de tal modo que a sua qualidade se vê ameaçada, gera-se um manifesto de massas desses. A qualidade de vida precisa encontrar-se em determinado nível de modo a que os indivíduos de uma determinada espécie - e de toda e qualquer espécie - possam desenvolver-se. Na vossa espécie, as capacidades mentais, espirituais e psíquicas acrescentam uma dimensão que é biologicamente pertinente.
Simplesmente tem que existir, por exemplo, liberdade para expressarem ideias, uma tendência individual, um contexto social e político global em que cada indivíduo possa desenvolver as capacidades que tem e contribuir para a espécie no seu todo. Um ambiente assim depende, todavia, de muitas ideias que não são universalmente aceites - e no entanto a espécie é formada de tal forma que a importância biológica das ideias não pode ser suficientemente realçada.
Cada vez mais a qualidade colectiva das vossas vidas é formada por meio de realidades subjectivas e pelos sentimentos e construções mentais que criais. Uma vez mais, as crenças que nutrem o desespero são biologicamente destrutivas. Levam ao rompimento do sistema físico. Se a acção das massas gerada contra as condições sociais ou políticas pavorosas não se revelar eficaz, então outros meios são tomados, e muitas vezes assumem o aspecto de epidemias ou de desastres naturais. O flagelo é eliminado de uma forma ou de outra forma.
Tais condições, porém, resultam de crenças, que têm uma origem mental, e assim o trabalho mais vital precisa sempre ser levado a cabo nessa área.
Um animal tem sentido da sua própria integridade biológica. O mesmo se passa com a criança. Em todas as formas de vida cada indivíduo nasce num mundo que já lhe é providenciado, dotado de circunstâncias favoráveis ao seu crescimento e desenvolvimento; um mundo em que a sua própria existência tem assento na existência igualmente válida de todos os outros indivíduos e espécies, de modo que cada um contribui para o todo da natureza.

Nesse ambiente gera-se uma sociabilidade e uma cooperação de natureza biológica, que é compreendida a seu modo pelos animais, e tida como garantida pelos juvenis da vossa espécie. Meios são providos de modo a que as necessidades do indivíduo possam ser satisfeitas. A concessão dessas necessidades fomenta o desenvolvimento do indivíduo, da espécie a que pertence, e por inferência todos os outros na estrutura da natureza.
A sobrevivência, é claro, é importante, mas não representa o propósito primordial de uma espécie, na medida em que representa um meio necessário pelo qual essa espécie pode atingir os seus objectivos principais. É claro que a espécie precisa sobreviver para tal fim, porém, evitará propositadamente a sobrevivência caso as condições não sejam praticamente favoráveis para manter a qualidade de vida ou uma existência considerada básica.
Uma espécie que sinta carência quanto a essa qualidade, pode de um modo ou de outro destruir a sua prole – não por que não consigam sobreviver de outro modo, mas por a qualidade dessa sobrevivência poder produzir um vasto sofrimento, por exemplo, e distorcer de tal modo a natureza da vida a ponto de quase fazer dela uma farsa. Cada espécie segue o desenvolvimento das próprias capacidades e habilidades num contexto em que a segurança represente um meio para a acção. O perigo nesse contexto existe claramente definido no contexto de determinadas condições claramente do conhecimento dos animais: A presa é definida, por exemplo, tal como é conhecido o caçador. Mas mesmo a presa natural de um outro animal não teme o “caçador” quando esse animal caçador tem a barriga cheia, nem esse caçador atacará numa altura dessas.
Também se geram, entre os animais, interacções de natureza emocional e mecanismos biológicos que vos escapam por completo à percepção, de modo que os animais abatidos como presas naturais por parte de outros animais “compreendem” a parte que lhes cabe na natureza. Contudo, não antecipam a morte antes desta ocorrer. O acto fatal impele a consciência para fora da carne, de modo que nesses termos é misericordiosa.
Durante o seu tempo de vida os animais no seu estado natural gozam do vigor que possuem e aceitam o valor que têm. Regulam a sua própria taxa de natalidade – e a de mortalidade. A qualidade das suas vidas é tal que as capacidades que têm são desafiadas. Apreciam os contrastes: como aquele entre descanso e o movimento, o calor e o frio, e estão em contacto directo com os fenómenos que por todo o lado lhes acelera a experiência. Se necessário for migrarão a fim de encontrarem condições mais auspiciosas. Têm consciência de desastres naturais iminentes, e sempre que possível abandonarão essas áreas. Protegem os seus, e de acordo com as circunstâncias e as condições cuidam dos seus próprios elementos feridos. Mesmo nos desafios que se dão entre os machos jovens e velhos pelo controlo do grupo, sob condições naturais o perdedor raramente é morto. Os perigos são localizados com clareza de modo a que as reacções corporais possam ser concisas.
O animal tem consciência de ter o direito de existir, e um lugar no tecido da existência. Essa sensação de integridade biológica apoia-o. O homem, por outro lado, tem mais que enfrentar. Precisa lidar com crenças e sentimentos muitas vezes tão ambíguos que nenhuma linha clara de acção aparentemente parece possível. Frequentemente o corpo não sabe como reagir. Se acreditardes que o corpo seja pecaminoso, por exemplo, não podeis esperar sentir-vos felizes e a saúde provavelmente ira vos iludir, por as crenças escuras mancharem a integridade psicológica e biológica com que nascestes.
A espécie acha-se num estado de transição, um de muitos. Este, teve início, para o referir em termos gerais, quando a espécie tentou dar um passo para longe da natureza de forma a desenvolver um tipo de consciência único que é a que presentemente tendes. Essa consciência não representa um produto acabado, porém, mas um destinado à mudança, a evoluir e a desenvolver-se. Certas divisões artificiais foram estabelecidas ao longo do percurso que agora precisam ser dispensadas.
Deveis voltar, criaturas mais sábias, à natureza que vos gerou – não apenas como zeladores carinhosos mas como companheiros das outras espécies da terra. Precisais descobrir de novo a espiritualidade da vossa herança biológica. A maioria das crenças aceites – religiosas, científicas, e culturais – tenderam a enfatizar um sentido de impotência, incapacidade, e de desgraça iminente – um retracto em que homem e o seu mundo constitui um produto acidental dotado de muito pouco sentido, isolado, porém, aparentemente regido por um Deus caprichoso. A vida é encarada como um “vale de lágrimas” – quase como uma infecção de baixo grau de que a alma poder ser curada apenas pela morte.
As comunicações de cunho religioso, científico, médico e cultural realçam a existência de perigo, minimizam o propósito da espécie ou de qualquer membro individual dela, ou vêm o género humano como errático, meio doido membro de um reino de outra forma ordenado da natureza. Qualquer uma ou todas essas crenças mencionadas são mantidas por vários sistemas de pensamento. Todas elas, contudo, retesam o sentido biológico da integridade individual, reforçam as ideias do perigo, e encolhem a área da segurança psicológica necessária para manter a qualidade possível na vida. Os sistemas de defesa corporais tornam-se confusos a diversos graus.
Não pretendo ditar um tratado sobre as estruturas biológicas do organismo e dos seus interfuncionamentos, mas apenas acrescentar uma informação nessa linha que não é actualmente conhecida, e que por outro lao é importante para as ideias que tenho em mente. Estou muito mais preocupado com as questões de natureza mais básica. As defesas do organismo tomarão conta de si próprias, caso tal lhes seja permitido, e se do ambiente psicológico forem apagados os verdadeiros “portadores” de doença.
 Traduzido por Amadeu António
 (THe Individual and the Nature of Mass Events) SETH





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