quinta-feira, 20 de abril de 2017

"MEDITAÇÕES DE MASSA," PLANOS DE "SAÚDE" PARA A DOENÇA




 EPIDEMIAS DE CRENÇAS, E INOCULAÇÕES EFECTIVAS CONTRA O DESESPERO.
“Enquanto neste livro pretenda apontar algumas das mais desafortunadas áreas privadas da experiência em massa, também fornecerei algumas sugestões quanto a soluções efectivas. Vocês obtêm aquilo em que se concentram. As imagens mentais que produzem trazem-lhes a sua própria consecução. Estes são ditados antigos, só que precisam entender a forma em que os vossos sistemas de comunicações de massa amplificam os problemas tanto positivos quanto negativos.
“Eu posso por enquanto realçar os meios pelos quais individualmente, e enquanto civilização, vocês debilitaram os vossos próprios sentimentos de insegurança; contudo, também lhes traçarei métodos que reforcem os sentimentos necessários de integridade biológica e de compreensão espiritual necessários que poderão de forma vasta incrementar a vossa existência espiritual e física.
“As crenças que vocês mantêm produziram sentimentos de falta de dignidade. Ao se separarem artificialmente da natureza, vocês deixaram de confiar nela, e frequentemente experimentam-na como um adversário. As vossas religiões concederam uma alma ao homem, enquanto a negavam às outras espécies. Assim, os vossos corpos foram relegados à natureza e as vossas almas a Deus, que permaneceu imaculadamente aparte dos Suas criações.
“As crenças científicas dizem-lhes que o mundo todo sucedeu por acidente. As vossas religiões dizem-lhes que o homem é pecador: que o corpo não merece confiança e que os sentidos os poderão levar a extraviar-se. Num labirinto de crenças destes, vocês perderam amplamente um sentido de dignidade e de propósito, o que gerou um medo generalizado e suspeição, e torna a via frequentemente desprovida das suas qualidades heróicas. O corpo não consegue reagir às ameaças generalizadas que defronta, pelo que é colocado sob tensão em tais circunstâncias, e procura especificar o perigo. Volta-se para acção da vossa própria protecção. Por conseguinte, cria fortes tensões, de modo que em muitas ocasiões uma doença específica ou situação ameaçadora é "fabricada" para livrar o corpo da tensão acumulada além da medida do suportável.
Muitos dos meus leitores estarão familiarizados com a meditação privada, em que a concentração se foca numa área particular. Há muitos métodos e escolas de pensamento a considerar, mas disso resulta um estado de espírito altamente sugestivo, em que se procuram objectivos espirituais, mentais e físicos. É impossível meditar sem um objectivo, por tal intenção em si mesma constituir um propósito.
“Infelizmente, muitos dos vossos programas de saúde públicos e declarações comerciais promulgadas por meio dos diversos instrumentos mediáticos, fornecem-lhes meditações de massa de um tipo deplorável. Refiro-me àqueles em que sintomas específicos das várias doenças são fornecidos, em que mais se sugere ao indivíduo que examine o corpo com tais sintomas em mente. Também me refiro àquelas declarações que de modo igualmente desafortunado especificam doenças em relação às quais o indivíduo poderá sintomas de um tipo observável, mas é prevenido de que tais eventos físicos desastrosos podem ocorrer a despeito dos seus sentimentos de boa saúde.
“Aqui, os receios generalizados fomentados pelas crenças religiosas, culturais e científicas são geralmente apresentadas como modelos de doenças em que uma pessoa pode encontrar um foco específico - e o indivíduo pode dizer: "Claro, sinto-me apático, ou em pânico, ou inseguro, uma vez que me vejo acometido por esta ou aquela doença." As sugestões de cancro da mama associados aos exames que são feitos já causaram mais cancros do que os tratamentos curaram! Envolvem uma intensa meditação do corpo, um imaginário adverso que em si mesmo actua afecta as células corporais. Os anúncios de saúde pública relativos à pressão arterial elevada, por si só elevaram a ressão arterial de milhões de telespectadores!
“As ideias vigentes que definiram de medicina preventiva (profilaxia) gera, pois, o exacto tipo de receio que provoca a doença. Todas enfraquecem a segurança do corpo e aumentam o estresse ao mesmo tempo que propõem ao organismo um plano ou quadro específico e detalhado da doença. Mas acima de tudo, operam no sentido de incrementar o sentido de alienação do corpo, e promovem um sentido de impotência e de dualidade.
“Os vossos anúncios comerciais são igualmente agentes promotores de doença. Muitos, ao pretenderem propor um alívio por meio de um determinado produto, em vez disso promovem a condição por intermédio da sugestão, desse modo produzindo a necessidade do próprio produto.
“Os remédios para as dores de cabeça são um dos casos em questão, aqui. Em parte nenhuma algum anúncio orientado para o serviço público mencionam as defesas naturais do organismo, a sua integridade, vitalidade, ou resistência. Em parte alguma da vossa televisão ou rádio é enfatizada a saúde. As estatísticas médicas lidam com a doença, e não são feitos estudos com base nos indivíduos saudáveis.
“São cada vez mais os alimentos, as drogas, e as condições ambientais naturais que são acrescentadas à lista dos elementos causadores de doença. Diferentes relatórios situam os laticínios, as carnes vermelhas, o café, o chá, os ovos e as gorduras à lista. Mas gerações antes da vossa conseguiram subsistir graças a esses alimentos, e na realidade eles eram promovidos como factores concorrentes para a saúde. Na realidade, o homem quase parece ser alérgico ao seu próprio ambiente natural, uma presa do próprio tempo.
“É verdade que os vossos alimentos contêm químicos que não continham no passado. Contudo, é razoável o homem é biologicamente capaz de assimilar tais materiais, e de os usar em sua vantagem. Quando o homem se sente impotente, porém, e num estado de receio generalizado, ele é capaz mesmo de transformar os ingredientes mais sãos contra ele próprio. A vossa televisão e as vossas artes e ciências também, contribuem para tais meditações de massa. Na vossa cultura, pelo menos, os educados nas artes literárias fornecem-lhe novelas que retractam anti-heróis, e muitas vezes retractam uma existência individual destituída de sentido, em que nenhuma acção se revela suficiente para mitigar a angústia ou perplexidade provadas.
“Muitas - não todas - das novelas ou filmes sem enredo, resultam desta crença na impotência do homem. Nesse contexto nenhuma acção é heróica, e o homem em toda a parte é vítima de um universo estranho. Por outro lado, os vossos dramas televisivos de cariz violenta e sem legendas prestam-se a um serviço, por especificarem imaginativamente um medo generalizado numa dada situação que é por sua vez resolvida através do drama. A acção individual conta. Os enredos poderão ser estereotipados ou a acção horrenda, mas no mais convencional dos termos o "bom" vence.
“Tais programas de facto captam os medos generalizados da nação, mas também representam dramas populares - desdenhados pelo grupo dos intelectuais - em que o homem comum pode retractar aptidões heróicas, agir de forma concisa rumo a um fim desejado, e triunfar. Esses programas muitas vezes retractam o vosso mundo cultural em termos exagerados, e a maior parte da resolução tem lugar de facto através da violência. Contudo, as vossas crenças mais bem formadas conduzem-nos a um quadro ainda mais pessimista, em que até mesmo a acção violenta de homens e mulheres que são impelidos a extremos não serve qualquer propósito. O indivíduo precisa saber que as suas acções contam. Ele é impelido à acção violenta somente em último recurso - e habitualmente uma doença representa um último recurso desses.
“Os vossos dramas televisivos, os espectáculos de polícias e ladrões, de espiões, são simplistas, contudo aliviam tensão de uma forma que os anúncios da vossa saúde pública não conseguem. O espectador poderá dizer: "Claro que me sinto em pânico, inseguro e apavorado, por viver num mundo tão violento." O medo generalizado é capaz de encontrar uma razão para a sua existência. Mas os programas pelo menos fornecem uma resolução dramaticamente definida, enquanto a saúde pública continua a gerar inquietação.
“No geral, pois, os programas violentos fornecem um serviço, pelo facto de geralmente promoverem o sentido do poder individual de um homem ou mulher sobre uma dado conjunto de circunstâncias. Quando muito, o serviço de anúncio público introduzem o médico como intermediário: é suposto levarem o vosso corpo a um médico como levam o carro a uma garagem, para substituírem componentes. O vosso corpo é encarado como um veículo fora de controlo que necessita de constante escrutínio. O médico assemelha-se a um mecânico biológico, que conhece o vosso corpo muito melhor do que vós. Bom, essas crenças médicas acham-se interligadas com as vossas estruturas económicas e culturais, de modo que não podem deitar as culpas nos doutores ou na sua profissão somente. o vosso bem-estar económico também faz parte da vossa realidade pessoal. Muitos médicos dedicados utilizam a tecnologia médica com uma compreensão espiritual, e eles próprios tornam-se vítimas das crenças que abraçam.
“Se não comprarem poções para as dores de cabeça, o vosso tio ou vizinho pode ficar sem emprego e deixar de ser capaz de sustentar a família, e assim carecer de meios para lhes comprar mercadorias. Vocês não podem desassociar uma área da vida das outras. Em massa, as vossas crenças privadas formam a vossa realidade cultural. A vossa sociedade não constitui uma coisa em si mesma separada de vós, mas o resultado das crenças individuais de cada pessoa que inclui. Não existe estrato da sociedade que vocês não afecteis, de uma forma ou de outra. As vossas religiões enfatizam o pecado. Os vossos profissionais da saúde enfatizam a doença. As vossas ciências metódicas realçam as teorias caóticas e acidental da criação. As vossas psicologias realçam o homem enquanto vítima dos seus antecedentes. os vossos pensadores mais avançados enfatizamos estupro provocado pelo homem sobre o planeta, ou focam-se no desastre futuro que atingirá o mundo, ou vêm o homem uma vez mais enquanto vítimas das estrelas.
“Muitas das vossas ressuscitadas escolas do oculto falam de uma morte recomendada do desejo, da aniquilação do ego, para a transmutação dos elementos físicos para níveis mais refinados. Em todos esses casos a clara integridade espiritual e biológica do indivíduo sofre e a preciosa iminência dos vossos momentos é amplamente perdida. A vida terrena é vista como uma coisa tradução obscura, sombria, de uma existência maior, em vez de ser retractada como a experiência única, criativa, viva que devia ser. o corpo fica desorientado, e é sabotado. As linhas claras de comunicação entre espírito e corpo são deixadas em desordem. Resultam doenças e as condições individualmente e em massa, destinadas a outras percepções.”

NOTAS:
1. Quanto o Seth se saiu com aquilo do: “Vocês obtêm aquilo em que se concentram,” lembrei-me de que ele falara nisso pela primeira vez uns anos antes – e que logo após eu fizera um pequeno letreiro em papel com aquelas palavras e colei-o à parede num dos dois apartamentos que ocupáramos em Elmira, Nova Iorque. datara eu o excerto? Eu sabia que anos mais tarde o sinal nos acompanhara na mudança para a casa da colina fora da cidade, onde agora habitamos.  Após a sessão desta noite descobri-o – uma vez mais numa parede – com a data de 26 de Fevereiro de 1972. A partir dos registos que fizemos apurei que anotara aceitação do Seth a partir de uma sessão pessoal que a Jane dera enquanto nos encontrávamos de férias em Marathon, uma instância comunitária situada em Florida Keys.
A sessão tinha sido de improviso, e desenvolveu-se na última noite que passamos em Marathon por termos estado preocupados com os objectivos que tínhamos na vida, e a significante parte que o material de Seth podia desempenhar nos nossos assuntos. Tínhamos sentido uma forte atracção por uma vida mais simples e mais aberta e agradável em Keys, onde o tempo era excelente o ano todo, e onde viver num atrelado constituía modo de vida aceite. No entanto não pensáramos poder permitir-nos tal luxo. O Material Seth tinha sido publicado em meados de 1970, mas as vendas estavam por baixo, e o Seth Fala ainda não tinha sido publicado. Apenas tínhamos terminado de corrigir as provas de página desse trabalho. Ei tinha desistido do meu trabalho de arte comercial antes de irmos de férias, e não sabia o que iria acabar por fazer, para além de ajudar a Jane tanto quanto possível.
Conforme suponho ser quase sempre o caso com os turistas em locais românticos e distantes, sentíamos muitos laços com o lar. Embora o pai de Jane e o meu próprio tivessem morrido no ano anterior (em 1971), as nossas mães ainda estavam com vida: A da Jane num lar a norte do estado de Nova Iorque, e aminha em casa dos Butts, em Sayre, na Pensilvânia, que dista somente 18 milhas de Elmira e fica mesmo a sul da fronteira de Nova Iorque. Enquanto eu e a Jane estivemos ausentes a minha mãe ficara com um dos meus irmãos, que mora 60 ilhas abaixo de Sayre.)
Todas as nossas posses ficaram em Elmira. Converter-se à vida de atrelado significa que tínhamos que dispor da maioria do que dispúnhamos, inclusive quadros e manuscritos, mobília, arquivos, livros, assim como muitos dos registos escritos – algo que possivelmente não poderíamos levar-nos a fazer. E como poderíamos ir até à Flórida e deixar todos os nossos amigos, e o quão inconveniente seria ter que lidar com um editor com sede lá para norte da Nova Jérsia. A Jane estava muito mais disposta a tentar mudar do que eu, mas creio que soubemos o tempo todo que sob as nossas questões e sensações a ideia da mudança se assemelhava mais a um sonho partilhado, ou a uma realidade provável que escolhêramos explorar durante as nossas vidas actuais. A mãe da Jane morreria no prazo dos três meses do nosso retorno a casa, e a minha, passado um ano.
Seth deu-nos uma excelente sessão na última noite cálida que passamos em Marathon. Ele fez o melhor que pode para nos tranquilizar. Os seguintes excertos levam a uma citação que inspiraram essa nota:
“Vós tendes um relacionamento não só único, ambos vós, mas um que serve igualmente como trampolim para a criatividade. Possuem talentos e capacidades que carregam consigo satisfações que ambos muitas vezes alegremente tomam como certas: Elas fazem de tal modo parte das vossas existências que nem sequer têm consciência delas.
“Não confundam a posição conjunta que têm com a mais de ninguém. Ela é única. Por o ser, as possibilidades são infinitas. Se ampliarem as limitações criarão as vossas próprias prisões. Se desfrutarem das liberdades que vos pertencem agora, haverão automaticamente de as incrementar. Neste momento encontram-se numa posição clara. Não podem esperar um período de abençoada inocência isenta de problemas. Essa não é a natureza da vida nem da existência.
“O vosso conjunto de problemas é do tipo mais criativo. São desafios de que grandes potenciais poderão emergir. A plena energia de que dispõe para o trabalho e os impulsos criativos são libertados, e virão a sê-lo, à media que criativamente utilizarem e compreenderem os vossos problemas. Porém, não se concentrem neles, nem permitam que eles lhes fechem os olhos para as alegrias e liberdades de que dispõem. Vocês obtêm aquilo em que se concentram. Não existe outra regra principal.”
2. Ao anotar esta observação, a Jane escreveu: “cremos que o perigo da sugestão negativa é tão real quanto as positivas associadas ao uso excessivo dos raios-X, digamos. Decerto certas mulheres desencantaram cancros com os exames médicos e assim talvez tenham salvo as suas vidas. Porém, não há maneira de o apurarmos, que parte da sugestão negativa poderá ter desempenhado papel na sua doença desde logo.
Com certas mulheres, não fazer exames regulares poderá levantar tantos receios quanto fazê-los – mas como as crenças dessas mulheres acompanham estritamente as médicas oficiais, o melhor é que façam os exames médicos. Neste e em todos os exemplos respeitantes à saúde, cada mulher deveria pesar as evidências, examinar as crenças que tem, e tomar as próprias decisões.”
Recordo ao leitor que após o fim do intervalo feito às 11:35 na última sessão, Seth teve isto a dizer:
“Entregue ao seu cuidado, o corpo é capaz de se defender contra qualquer doença, porém, não poderá defender-se de forma adequada contra um exagerado medo da doença que o indivíduo tenha. Ele precisa reflectir as vossas próprias avaliações. Bom, geralmente os vossos sistemas médicos produzem literalmente tanta doença quanto a que curam – por se verem por toda a parte perseguidos pelos sintomas de várias doenças, e repletos de temor da doença, oprimidos pelo que parece ser uma propensão que o corpo tem para a doença – e em parte nenhuma se realçar a vitalidade do corpo nem o sistema natural de defesa.”
Seth não o mencionou na sessão da noite, mas a Jane e eu achamos extremamente interessante que apenas na semana passada tanta publicidade nacional tenha sido dada à contínua controvérsia de dois anos por entre os especialistas do cancro, com respeito ao facto de saber se as mulheres – em especial aquelas abaixo da faixa dos cinquenta – deveriam fazer mamografias de rotina num esforço por detectar cancros da mama nos seus estágios iniciais. Envolvida na investigação estavam organizações líderes na investigação do cancro de França. Por exemplo, conselheiros científicos do governo do Instituto Nacional do Cancro, que conduziam estudos elaborados de muitos milhares de mulheres de várias fachas etárias, pediram a suspensão dos rastreios de rotina das jovens mulheres. Esses cientistas deixaram registado que os raios-X podiam causar maior risco de cancro do seio do que curar. Vários milhões de dólares, além de muito tempo e esforço, têm sido e estão a ser gastos em tais programas de pesquisa. Será difícil alterar esses estudos devido aos sistemas de crença arraigados. Até mesmo os factores económicos se tornam importantes: Além das enormes somas envolvidas nos programas “oficiais, por exemplo, muitos radiologistas privados descobriram que as mamografias eram bastante rentáveis.
Bom, reina uma enorme confusão da parte das mulheres quanto a dever ou não fazer tais mamografias. Infelizmente, o processo não é infalível; além disso, interpretações deformadas dos resultados já levaram a que uma quantidade de mulheres isentas de cancro se submetessem a mastectomias – e geralmente radicais – quando não precisavam. Além disso, cada um desses indivíduos precisa conviver com a crença que ter contraído cancro, e precisa estar constantemente alerta em relação a qualquer sinal de ressurgimento – sinais esses que não descobre. Ao mesmo tempo, encontram-se ainda mais sujeitas a exames de raios-X na base de uma regularidade. Também podem ter problemas de seguro e de emprego, à semelhança de muitos outros pacientes de cancro.
Uma controvérsia relacionada a essa das mamografias, só que uma que nem de perto foi tão divulgada, diz respeito à “mastectomia subcutânea profilática” – o processo pelo qual certas mulheres foram eleitas para ter os seios removidos antes de efectivamente desenvolverem cancro num ou em ambos s seios. A essas mulheres tinha sido dito que estatisticamente elas representavam perspectivas de “elevado risco” do cancro. Envolvidas aqui encontram-se recentes procedimentos de diagnóstico; o estudo do historial familiar do “paciente”, o estudo da “densidade” e estrutura dos tecidos dos seios conforme determinado pelos padrões das mamografias, e a detecção de possíveis mudanças celulares pré-malignas. Nessa operação preventiva, o cirurgião deixa o mamilo e a pele dos seios, e restaura-lhes o volume com implantes de plástico ou de silicone.
Por esta altura são muitos mais os médicos que discordam do que os que concordam com a necessidade de mastectomias profiláticas. Aqueles que se opõem a tal procedimento citam possíveis erros de diagnóstico, inclusive a má interpretação dos padrões mamográficos. Uma vez mais, as sugestões negativas governam presentemente e são projectadas no futuro, por ser dito ao indivíduo que ela se encontra à mercê dos processos do seu próprio corpo, processos esses que podem dar para o torto a qualquer instante.
Mesmo quando objecto de recurso, as mastectomias profiláticas não são infalíveis, por umas quantas mulheres terem desenvolvido cancro na área do mamilo. Aquilo porque a Jane e eu sentimos muito interesse, porém, é saber quantas mulheres “estatisticamente vulneráveis” se terão submetido a operações de que não necessitavam – por ser certo que um número significativo delas não chegar, desde logo, a desenvolver cancro. Mas claro que a percentagem é desconhecida. Se pudesse ser revelado que a maioria das mulheres de “elevado risco” podiam obter cancro, não haveriam argumentos sobre se tais mastectomias teriam algum valor geral. Mas conforme as coisas estão, devido à controvérsia as mulheres acabam de novo confusas quanto ao que e certo e ao que fazer.
Estudos em ampla escala, inclusive um promovido pelo Instituto Nacional do Cancro, são planeados a fim de explorar toda a questão das mastectomias profiláticas. Concluirei este apontamento fazendo as seguintes observações conclusivas. A primeira é que outros agentes e indivíduos do campo médico e psicológico estão a conduzir estudos dos laços existentes entre os estados emocionais e o cancro. O segundo é que a Jane e eu estamos perfeitamente cientes de todas as boas coisas com que a ciência médica contribuiu para a nossa civilização global; dadas as presentes crenças colectivas que a nossa espécie tem com relação à vulnerabilidade do indivíduo para com as forças externas, a medicina conforme agora é praticada constitui componente vital dessa civilização. O terceiro aspecto é que, com as perspectivas que revela, o Seth está simplesmente a tentar abrir-nos os olhos para uma compreensão mais cabal das capacidades humanas que temos.
A propósito desse aspecto final, a Jane e eu remetemos o leitor para toda a última sessão, já que nela Seth não só discute as defesas naturais do corpo e como ele “se imuniza,” como também examina as crenças culturais negativas que temos com respeito ao corpo e à doença. Pensamos que o seu material é excelente e que merece mais do que uma leitura casual.
“Devido a que os eventos não tenham existência no concreto nem sejam versões acabadas em relação às quais tenham sido ensinados, então a memória precisa ser igualmente uma história completamente diferente.
“Precisam ter em mente a criatividade e a natureza em aberto dos eventos, porquanto até mesmo numa vida uma dada memória raramente constitui uma “versão verdadeira” de um evento passado. A ocorrência original é experimentada a partir de uma perspectiva diferente da parte de cada um dos envolvidos, evidentemente, de modo que as implicações dos eventos e significados básicos poderão diferir de acordo com o enfoque de cada um dos participantes. Esse dado evento, que nos vossos termos sucede pela primeira vez, digamos, começa a operar nos participantes. Cada um contribui para a sua própria experiência, temperamento, e literalmente milhares de diferentes colaborações – de modo que o evento, enquanto partilhado por outros, ainda é primariamente original em relação a cada pessoa.
“No instante em que ocorre, começa a mudar e é filtrado por todos esses ingredientes, até acabar por ser ainda mais minuciosamente alterado por cada um dos sucessivos eventos. A recordação de um acontecimento é, pois, moldada tanto pelo presente como pelo passado. A associação desencadeia lembranças, evidentemente, e organiza a lembrança de acontecimentos. Também tinge e molda esses acontecimentos. Vós estais habituados a uma estrutura de tempo, de modo que recordam alguma coisa que tenha ocorrido numa altura particular do passado. Geralmente podem usar os acontecimentos desse modo. Existem bolsas neurológicas, por assim dizer, de modo que biologicamente o corpo pode arranjar os acontecimentos conforme percebe a actividade.
Essas cadências neurológicas são orientadas para o mundo biológico que conhecem. Nesses termos, recordações passadas e futuras geralmente permanecem como imagens fantasma em contraste. No geral, isso é necessário de modo que uma reacção corporal imediata se possa focar no período de tempo que reconhecem. Outras recordações de vida são carregadas, por assim dizer, de modo subjacente a essas outras cadências – para jamais, em determinados termos, chegarem a repousar de modo a poderem ser examinadas, mas formando, digamos, as correntes subjacentes em que as recordações da vossa vida actual se desenrolam.
Quando essas outras recordações de vida vêm à superfície, elas são evidentemente tingidas por elas, e o seu ritmo não é sincronizado. Elas não se acham atadas ao vosso sistema nervoso com tanta precisão quanto as vossas recordações do costume. O vosso presente obtém a sensação que tem de profundidade devido ao vosso passado conforme o entendem. Em certos termos, porém, o futuro representa, digamos, um outro tipo de profundidade que pertence aos eventos. Uma raiz estende-se em todas as direcções. Os acontecimentos também. Só que as raízes dos eventos passam pelo vosso passado, presente e futuro.
Muitas vezes, ao tentarem propositadamente abrandar o vosso processo do pensar, ou alegremente tentarem acelerá-los, vocês podem tomar consciência de recordações de outras vidas – passadas ou futuras. Em certa medida vocês permitem que outros impulsos neurológicos se façam conhecidos. Poderá resultar muita vez uma sensação de imprecisão, por não disporem de esquema sem originalidade de tempo ou lugar com que estruturar mais recordações. Tais exercícios também os envolvem com os acontecimentos da vossa própria vida, por vocês automaticamente seguirem probabilidades do ponto de vista do vosso próprio enfoque.
Tornar-se-ia imensamente difícil operar na vossa esfera de realidade sem a pretensão de acontecimentos acabados concretos. Vós formais as vossas vidas passadas actualmente nesta vida de forma tão segura quanto formam igualmente as futuras. Em simultâneo, cada um dos vossos passados e futuros existem agora no seu próprio modo, e para elas a última frase também se aplica. Torna-se teoricamente possível compreender muito disso através de um exame em profundidade dos eventos da vossa própria vida. Jogando for a muitos dos conceitos dados como certos, podem captar uma recordação. Mas não tentem estruturá-la – tarefa que se afeiçoa dificílima – porque tal estruturação é agora quase automática.
A memória, por si só, sem ser estruturada, brilhará de forma trêmula, tremerá, assumirá outras formas, e transformar-se-á diante dos vossos olhos mentais, de modo que a sua forma parecerá um caleidoscópio psicológico por intermédio de cujo foco os outros eventos da vossa vida também brilharão e mudarão. Tal exercício da memória poderá igualmente servir para suscitar recordações de outras vidas. Surgirão esquinas, cantos e reflexos, contudo, talvez numa superimposição sobre recordações que reconhecem como pertencentes a esta vida.
As vossas recordações servem para lhes organizar a experiência e, uma vez mais, seguir sequências neurológicas reconhecidas. Outras recordações de vida provenientes do futuro e do passado muitas vezes saltam for a dessas com um movimento demasiado rápido para que o consigam acompanhar.
Num momento de tranquilidade, desprevenidos, poderão recordar um evento desta vida, mas poderá apresentar uma sensação estranha, como se algo dele, alguma sensação não se enquadre na ranhura do tempo a que os acontecimentos pertencem. Em tais casos, essa recordação de vida presente é habitualmente tingida por outra, de modo que uma lembrança do futuro lance o seu aspecto sobre o evento relembrado. Uma certa porção da memória possui uma qualidade livre.
Isso sucede com mais frequência do que é reconhecido, por geralmente simplesmente desconsiderarem a sensação de estranheza, e descartarem a parte da memória que não se enquadra. Contudo, tais casos envolvem vazamentos precisos. Mas permanecendo alerta e captando tais sensações, poderão aprender a usar a parte livre da memória que em caso contrário seria reconhecida como enfoque. Por intermédio da associação esse foco pode despoletar uma lembrança adicional passada ou futura. Pistas surgem igualmente no estado de sonho, e com enorme frequência, por aí já se encontrarem acostumados a esse tipo de sensação de oscilação livre em que os eventos podem parecem suceder no seu próprio contexto relativo independente. Sonhos em que tanto passado como o presente se achem envolvidos constituem um exemplo: também os sonhos em que o futuro e o passado se fundem, e os sonhos cujo tempo parece constituir um ingrediente em mudança.
Ora bem; em certos aspectos o passado, e presente e o futuro (da vossa presente vida) encontram-se todos comprimidos num dado momento da vossa experiência. Qualquer desses instantes é, pois, um portal e acesso a toda a vossa existência. Os eventos que vocês reconhecem agora são simplesmente específicos e objectivos, mas o mais diminuto elemento de um dado momento da experiência é igualmente simbólico de outros acontecimentos e épocas. Cada instante é, pois, como um mosaico, só que a vossa história de vida actual segue apenas um padrão ou cor, e ignora os outros. Eu mencionei (noutros livros) que vocês podem efectivamente alterar o presente até certo ponto propositadamente alterando a recordação de um acontecimento. Esse tipo de síntese pode ser usado em muitos casos e com muita gente.
O seu exercício não é nenhum método esotérico, teórico impraticável, mas uma forma muito precisa, volátil e dinâmica de ajudar o eu actual acalmando os receios do eu passado. O eu passado tão pouco é uma metáfora, sequer, mas existe ainda, e é capaz de ser alcançado e de alterar as reacções que gera. Vocês não necessitam de nenhuma máquina do tempo para mudarem o passado ou o futuro. E uma técnica dessas é altamente válida. Não só as recordações não se encontram “mortas” como estão em permanente mudança. Muitas alteram-se quase por completo sem que dêem por isso. Nas novelas (não publicadas à altura desta observação) de aprendiz a Jane criou duas ou três versões de um episódio com um sacerdote que conheceu na sua juventude. E cada versão na altura que as escreveu representava a recordação sincera e a interpretação de cada versão diferiu de forma tão drástica que tais diferenças superaram as semelhanças.
Por o episódio ter sido usado em duas ou três diferentes ocasiões, a Jane pode ver como a memória que tinha mudou. Na maioria dos casos, porém, as pessoas não têm consciência de que a memória se altere de tal modo, ou que os acontecimentos que pensam recordar sejam diferentes.
A questão está em que os acontecimentos passados geminam. Eles não são um produto acabado. Com isso em mente, poderão ver que as vidas futuras são muito difíceis de explicar a partir do vosso enquadramento. Uma vida completa nos vossos termos não se acha mais completa ou acabada do que qualquer evento. Verifica-se simplesmente um corte no vosso enfoque com o âmbito em que se encontram, mas é tão artificial quanto basicamente a perspectiva em relação à pintura. Não é que o Eu interior não tenha consciência de tudo isso, mas que já escolheu um âmbito, ou um dado contexto de existência, que enfatiza determinados tipos de existência em detrimento de outros.
Por pretendermos seguir a ordem iniciada – as passagens sobre a paranoia virão mais tarde. Enquanto a Jane trabalhava num dos seus livros há uns dias atrás, escutou o anúncio de um serviço público. O funcionário público dizia aos ouvintes que tinha começado a estação da gripe e sugeria em tom grave que os idosos e aqueles portadores de certas doenças procedessem à marcação de vacinas para a gripe. A propósito, o funcionário mencionava não existir nenhum indicador efectivo que associasse as vacinas para a gripe do passado à ocorrência de uma doença bizarra que acometera alguns dos que foram inoculados com a vacina da gripe.* No geral, foi um anúncio interessante, portador de implicações que transpõem a biologia, a religião e a economia. A “estação da gripe” consiste num aspecto um exemplo de um padrão psicologicamente fabricado que pode por vezes suscitar a fabricação de uma epidemia.
Por detrás de tais anúncios está a autoridade da classe médica, assim como a própria autoridade dos vossos sistemas de comunicação. Vocês não podem questionar a voz que escutam na rádio. Ela é uma voz desencarnada e baseia-se na presunção do saber. Uma vez mais, os idosos foram apontados. Parece óbvio que se encontram mais susceptíveis às doenças. Tal susceptibilidade constitui um facto médico da vida. Contudo, é um facto que carece de uma fundação básica na verdade da realidade biológica do homem. É um facto produzido por intermédio da sugestão. Os médicos veem os resultados corporais, que são precisos, e depois esses resultados são considerados como prova.
Em certas áreas isoladas do mundo mesmo hoje, os velhos não são acometidas pela doença, nem os seus sinais vitais enfraquecem, mas permanecem saudáveis até à altura da morte. Por isso, precisam admitir que os seus sistemas de crença são bastante práticos. Tão pouco se encontram rodeados pela classe médica. Mais tarde retomaremos este tema. Contudo, aqui encontram o que quase equivale a um programa social para a doença – a estação da gripe. Uma meditação em massa que posui uma estrutura económica por detrás e envolve as fundações científica e médica. E não só isso, porém, como os interesses económicos, desde as amplas farmacêuticas até às farmácias de dimensão mais reduzida, aos supermercados e às mercearias da esquina – envolve todos esses elementos.
Pastilhas, poções e injecções supostamente destinadas a combater (constipações e gripes) são alvo de exibições proeminentes, e servem para recordar a quantos possam não as ter tomado a iminência de um período de dificuldades. Os anúncios de televisão trazem uma nova barragem, de modo que bem que poderão passar da época da febre dos fenos para a da gripe sem perder nenhum dos remédios pessoais.
Uma tosse contraída em Junho pode ser alvo de riso e rapidamente esquecida. Uma tosse contraída na época da gripe, contudo, torna-se muito mais suspeita – e sob tais condições poder-se-á pensar, em particular em meio a uma semana ruim: “Quem quererá sair amanhã, de qualquer modo?”
É literalmente esperado que contraiam a gripe. Pode servir de desculpa para não enfrentarem muitos problemas. Muita gente encontra-se quase consciente daquilo que está a fazer. Tudo quanto precisam fazer é prestar atenção às sugestões propostas de forma tão gratuita pela sociedade. A temperatura efectivamente aumenta, e a preocupação leva a que a garganta seque. Vírus adormecidos – que até agora não terão causado qualquer dano – são activados.
Os fabricantes de sobretudos, de luvas e de botas todos empurram os seus produtos. Contudo, nessas categorias há uma maior sanidade, por os seus anúncios muitas vezes realçarem actividades salutares e retractarem um esquiador ditoso, o indivíduo que vai à boleia a perambular pelos bosques no Inverno. Por vezes, porém, sugerem que as suas mercadorias protejam contra as gripes e as constipações, e contra a vulnerabilidade da vossa natureza.
Em geral, as próprias inoculações pouco fazem e podem ser potencialmente perigosas, em particular quando são dadas para prevenir uma epidemia que de facto não tenha ocorrido. Poderão ter um valor específico, mas no global são prejudiciais e confundem os mecanismos corporais e desencadeiam reacções biológicas que poderiam não ter lugar, digamos, durante algum tempo. A estação da gripe cruza-se com a época Natalícia, claro está, quando o Natal é celebrado e se fazem votos de regresso às maravilhas naturais da infância, pelo menos em pensamento. Também lhes é dito para homenagearem a Deus. Porém, o Cristianismo num emaranhado de um conto triste cuja coesão amplamente se desvaneceu. Uma religião assim isola-se da vida do dia-a-dia.
Muitas pessoas não conseguem unificar as diversas áreas da sua crença e sentimento, e no Natal reconhecem em parte o vasto foso que se lhes apresenta entre as crenças científicas que têm e as crenças religiosas. Vêem-se incapazes de lidar com dilema mental e espiritual. Muita vez isso resulta numa depressão psíquica, uma que é aprofundada no Natal pela música e pela exibição dos anúncios comerciais, pelas advertências religiosas que proclamam que a espécie foi criada à imagem de Deus, e pelos outros anunciantes que afirmam que o corpo assim criado é aparentemente incapaz de cuidar de si próprio e constitui uma presa natural da doença e do infortúnio.



(continua)

Traduzido por Amadeu António


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