sexta-feira, 21 de abril de 2017

OS COMPONENTES DO GÉNIO


Quais serão os componentes do génio?
O primeiro componente do que se subentende por génio, é feito de discernimento. Não apenas cognição, nem o discernimento académico nem intelectual, nem o conhecimento consciente de informação no sentido de reconhecer, perceber, mas um discernimento mais profundo. 

Já falamos da sabedoria utilizando termos e frases que a descrevam, por variar em relação a cada um de vós e não ter cabimento numa pequena caixa. Discernimento, é – conforme o anunciamos – ver mais além, sem perder de vista a perspectiva actual (a segunda metade dessa afirmação que é esquecida por alguns, e é de importância crítica). Ver o quadro mais vasto sem perder de vista o quadro actual; não perambular por uma fantasia qualquer e perder-se por entre as nuvens ou enterrar a cabeça na areia (dependendo o lado para que apontarem).

Esse discernimento implica mover-se para lá da lógica e da razão sem as abandonar. Não é um ou outro: Vou, ou ser completamente lógico e sensato de uma forma linear, ou vou ser completamente niilista e fazer o que muito bem entender, e deixar de fazer uso da lógica e da razão, qualquer coisa serve, vale tudo. Isso é discernimento.
Sabedoria é ser irracional. Ora bem, o verdadeiro sentido da palavra “irracional” significa fora do racional, além ou aquém, mas fora do racional. Não significa ser doido – pode significar! – mas não quer dizer isso. Ser irracional, sem perder o contacto com o racional.

Muitos são acusados de serem irracionais, como uma forma de juízo, uma forma de rebaixar, uma maneira de terminar a comunicação, como um castigo. Mas esse discernimento passa por serem irracionais sem perderem o contacto, mantendo a ligação, a âncora com o racional. 

O quarto componente ou qualidade condicional do discernimento, que a ênfase seja sempre colocada no rumo (sentido) que tomamos, mais do que de onde vimos, ou onde estivemos. Essas três: para onde me dirijo, de onde venho e onde estive – tudo questões importantes, mas por ordem de prioridade:
Em primeiro lugar, para onde rumo? De onde venho, é a segunda, a menor em termos de importância. E em terceiro lugar, onde tenho estado? A sabedoria ou discernimento mantém essas questões na sua ordem descendente de prioridade.

Quinto: o discernimento tem o cuidado de equacionar: “Que poderei eu aprender?” mais do que: “Que poderei eu reafirmar?” Reafirmar tem valor – é uma avaliação, confirmação, validação – tudo isso tem o seu lugar. Mas cuidar de ver “Que poderei aprender aqui?” mais do que procurar reafirmar algo.

Sexto: É cuidar de apurar: “Onde poderá isto conduzir-me?” mais do que: “Que me poderá isto trazer?” Não há nada de errado em apurar o que algo lhes possa trazer, só que o que tem mais valor é ver onde isso os poderá levar.

O último componente que nós sugerimos fazer parte do entorno do discernimento está em que o discernimento assenta no significado implícito ao símbolo e à metáfora. Cuidar de ver o valor também. Mas também subentende a busca do valor para além do significado. Do valor que não tem qualquer significado.

Estas não são condições, estas são qualidades, componentes, aspectos daquilo que queremos dizer quando referimos o discernimento. E o primeiro componente é a sabedoria. Possui uma frequência de vibração. Emite ondas.

O segundo componente, o segundo ingrediente, a segunda parte daquilo que compreende o génio é, conforme acentuamos tanta vez, a paciência. Mas recordamos-lhes que não nos referimos à paciência parental que quer dizer: “Senta-te, cala-te, sê paciente, não faças perguntas, sê apenas paciente!” Não é essa paciência. Falamos da paciência que cuida de ver mais intensamente no momento, com todo o vosso corpo. Escutar com intensidade. Aquilo que queremos dizer com paciência quer dizer fazer uso dos vossos sentidos mais em pleno. Talvez a metáfora de ver pelos olhos dos vossos olhos e de ouvirem pelo solvidos dos vossos ouvidos, mas o que queremos dizer com isto é usar os olhos para ver, mas também usar os ouvidos para ver, e o vosso corpo a fim de ver, as vossas mãos e dedos e a pele – permitir que o vosso ser veja. Usar os vossos olhos para ver, sem dúvida, mas também usar os vossos olhos para escutar, e as vossas mãos, e o vosso coração. Ouvir com o vosso paladar. E usar os vossos outros sentidos de uma forma mais expansiva – isso é paciência.

(CONTINUA)

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