sábado, 22 de abril de 2017

AS QUALIDADES DO ESTADO DESPERTO



Para facilitar o despertar é sempre bom conhecer-lhe a face, identificá-la. Mas na verdade, se vencermos os receios - aspecto tão importante! - onde estaremos a tentar chegar? Em que estado de consciência estamos a tentar manter-nos?

O estado desperto compreende certas qualidades. As pessoas que são despertas no geral exibem determinadas qualidades - as mesmas qualidades que hão-de experimentar quando despertarem progressivamente e quando mais passarem a imundície, quando despertarem mais. E essas qualidades, para as cobrirmos um tanto apressadamente...

1. Em primeiro lugar, quando se encontram despertos, exibem aquilo a que chamamos de "paradigma," que basicamente se traduz por uma estrutura, um sistema limitado, um paradigma de motivação positiva. O que quer dizer que as motivações que têm que costumam proceder dos receios e das dúvidas e da insegurança, das compensações e das justificações, mais toda essa coisa... sair desse paradigma e entrar num paradigma de positividade onde ainda se sentem motivados com a mesma agressividade e a mesma febrilidade e a mesma beleza - só que agora com base nas motivações positivas. Motivações positivas que se tornarão vossas.

Ter a intenção de preencher a vida pessoal com tanta extensão, tanta profundidade, tanta largura quanto possível. A razão por detrás dessa motivação está em estender o comprimento disso, ampliar-lhe o alento, aprofundar. O emprego, de que costumavam ocupar-se para satisfazer os compromissos, passar a estendê-lo e a ampliá-lo, querem aprofundá-lo, não só com base no sucesso que possam obter com isso, nem a recreação, a compensação que obtêm junto dos amigos, mas querer obter profundidade, a riqueza, os benefícios, a motivação inerente a tudo quanto fazem. A razão porque fazem isto, aquilo ou aqueloutro, seja significativo ou não, de modo a experimentarem essa amplitude e comprimento e profundidade, por essas serem as dimensões com que precisamos operar nesta ilusão chamada realidade.

Também poderá resultar como motivação procedente da multiplicidade da emoção. Durante vinte, trinta, quarenta ou cinquenta anos terão conhecido a ira, a mágoa, o isolamento, muito medo - conhecem suficientemente bem essas emoções. Agora quererão passar a vossa vida conhecendo a alegria, a felicidade, o portento, o entusiasmo, a exuberância. Quererão sentir todas essas emoções e já se focaram demasiado nesse lado obscuro, pelo que quererão as emoções da vertente luminosa. Já conhecem as desvantagens do amor e do sofrimento, agora querem sentir os aspectos positivos do amor e da liberdade, pelo que transmitem o alento do lado obscuro para o luminoso. Essa é a motivação procedente da multiplicidade das emoções que existem (contrariamente à aglutinação da falta de recursos). Por a vida constituir uma coisa emocionante; por ser entusiasmante estar vivo. Não porque tenham quem espere isso de vós nem porque pretendam justificar-se, mas por absolverem e libertarem os fracassos, que não têm importância, por pretenderem em função da emoção do que pode ser. Por estar aí para ser conseguido - é por isso! E por o quererem fazer com um certo topete, um acerto aprumo, com uma certa elegância, excelência; não perfeição. E por quererem trabalhar com o domínio, viver o domínio de verdade, ter os elementos por parceiros. Não só viver um sonho em função dos filhos e dos filhos destes, por mais belo que tal sonho possa ser, mas por quererem viver um sonho enquanto sonho em função de vós próprios. Quererão viver os sonhos com que sonham e não só saber que mais alguém os venha a viver.

Quererão o esplendor que a sabedoria pode trazer. Querem atingir a idade adulta mas sentir-se na flor da sabedoria, não só por quererem andar por aqui, não só por se agarrarem à vida por terem receio de morrer - por quererem viver e explorar o prodígio, para sentirem o aroma, para desfrutarem do desabrochar que todos aqueles anos de desenvolvimento trouxeram. Ou então em função do término da codependência de que padecem, não só codependência com o ego negativo nem com a vossa vida pessoal mas com a realidade do consensual. Não quererão alinhar pelos receios que lhes acarreta, não querem viver uma vida regidos por esses receios, culpas e dúvidas, mais todas as coisas de que o consensual está repleto.

Não como há duas semanas atrás, na Grã-Bretanha, foi demonstrada a fusão a frio, de forma a que ninguém pudesse negar a possibilidade da fusão. Sim, era fusão a quente e não a frio - porém era fusão! um respeitável cidadão Britânico fez uma demonstração apropriada que todos os cientistas tiveram que aceitar de forma conveniente! E todos quantos diziam ser impossível "Eheheh, bem, achávamos que fosse!" Foi uma libertação do consensual que afirmava ser impossível! Claro que irá levar décadas até se tornar comercialmente acessível - mais um aspecto consensual que precisam transcender!

É em função disso que quererão exercer essa actividade, programar isto, criar aquilo. Saírem do consensual sem precisarem derrotá-lo. Por quererem tornar mais da vossa vida consciente.

2. Para obterem profundidade pessoal. A profundidade da confiança e do amor, essa profundidade da criação contínua do vosso próprio sentido, do vosso próprio destino. Ter uma profundidade que um carácter desses trás - carácter pessoal carácter espiritual. A profundidade de constantemente expandirem as forças - não de se contentarem como que têm mas expandirem as atribuições, as responsabilidades. A profundidade que vem com o pôr em prática o pensar e o sentir, o saber o que pensam e sentem e expressar que pensam e sentem. A profundidade que sobrevém da descoberta do espiritual em meio ao material; não da separação de ambos, nem retirar-se para um mosteiro ou pico montanhoso qualquer. Viver a vossa espiritualidade no mundo material.

É isso que a pessoa desperta apresenta. Quando despertam apresentam intensidade, a intensidade pessoal que muitos receiam que vocês não possuam, por recearem que sejam demasiado frívolos, impostores.

Quererão ser livres dos anestésicos, viver sem a autocomiseração, sem o martírio e sem culpa. Viver sem a classe que os aliena por meio da falta de sinceridade. Viver sem estagnação - sem medo de abanar o vosso próprio barco e alterarem a vossa própria realidade. Ser livres da repressão da hipocrisia e da culpa, ser livres dos vossos anestésicos - é isso que é estar desperto. É viver esse sonho. Capacitar-se continuamente; não apenas obter permissão, mas conceder a vós próprios permissão continuamente para criar, para agir, para manifestar, para se capacitarem. Amar o suficiente para amarem mais alguém, amar o suficiente para amarem mais a alguém; aceitar continuamente o vosso próprio valor. morrer para o vosso passado com consciência de serem amados por Deus, pela Deusa, pela Totalidade. Ter uma capacitação dessas, escolher o vosso próprio destino, renunciar à vossa própria negatividade, abrir mão dela em favor daquele em que poderão tornar-se. É isso que significa estar desperto.

Estar desperto é actualizar, conhecer pensamentos e sentimentos, viver a despeito desses pensamentos e sentimentos que mudam e expandem constantemente. E viver num paradigma, não só de positiva emoção, mas num paradigma de liberdade em que tudo quanto tenha lugar na vossa realidade os leva para mais perto de uma liberdade cada vez maior.

Essas são as qualidades, e quando as experimentam - não a todas em simultâneo - mas esse é o marco que delimita a liberdade. Um paradigma positivo e um paradigma de liberdade. Intensidade pessoal e uma actualização plena.

Transcrito e traduzido por Amadeu António


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