terça-feira, 11 de abril de 2017

A RESSUREIÇÃO DE CRISTO E O FENÓMENO DA MANIFESTAÇÃO






O OBJECTIVO

Pergunta: "Conforme muitas pessoas nos dizem, 'Qual será o propósito destes fenômenos?' Dá-nos uma pista acerca das razões deste vosso trabalho?"

Peter: "Esse é o único aspecto lógico em relação ao qual podemos influenciar qualquer coisa. Voltem a vossa mente para os primeiros dias: do cristianismo, ou talvez eu deva dizer os primeiros dias pré-cristãos. Cristo mostrou maravilhas e prodígios através do trabalho dos chamados milagres. Nessa medida, vocês assistiram a todas as fases dos fenómenos que foram testemunhados nas salas de sessão actuais.

"Também assistiram ao milagre da cura e à materializada da forma em comparação com a de Cristo.

"Se colocarem a vós próprios a questão do que permaneceu mais tempo na mente do homem e do que tem sido responsável pela influência do pensamento ao longo de linhas espirituais desde os Seus dias? Terá sido o registro dos Seus milagres ou a bela filosofia que Ele pregou? Encontramo-nos hoje quase na mesma posição. Temos de produzir algo de extraordinário para indicar de uma forma objectiva operações que se encontram além do alcance normal da compreensão do homem.

"Talvez seja uma esperança vã que o homem, por sua própria iniciativa, se esforce para seguir a liderança que lhe é dada em todas estas manifestações até que o orientem cada vez mais para longe do reino material. Mas, infelizmente, na grande maioria dos casos, ele enveredou pelo caminho justamente oposto ao reduzi-las aos limites puramente fisiológicos. Nós entendemos que o homem deve seguir o outro caminho, para encontrar o elo existente entre si e o reino do espírito.

"No nosso esquema não pretendíamos que os fenômenos das salas de sessões fossem alvo da importância que foram; mas vemo-nos impotentes, conforme Cristo se viu. Não podemos ir além da compreensão que o homem tem nem dar-lhe um esclarecimento maior do que aquele que pode ser recebido pela mente das pessoas que se reúnem no âmbito da nossa voz e operações. Em si mesmo, o trabalho das salas de sessões não é importante, na medida em que aqueles que o testemunham não conseguem entender ou perceber as imensas possibilidades que engloba.

"É, de facto, o aproveitamento das forças naturais sob a orientação de uma mente ou inteligência que controla. Essas mesmas forças poderiam ser utilizadas pelas mentes dos homens no estabelecimento de condições de grande valor para a família humana; mas também no sentido inverso naturalmente.

"Hoje, é missão e plano das inteligências espirituais superiores criar mais uma vez oportunidades na terra, à semelhança do que fizeram anos atrás, quando o homem pela primeira vez alcançou a liberdade espiritual. Vou dizer-lhes pela primeira vez que irá surgir um outro João Batista - quero dizer, no mesmo sentido. Na verdade, existe no mundo de hoje um homem como ele; E ele clama no deserto.

"Este movimento de forças espirituais que encontram nas manifestações representa uma neutralização das forças do mal que agora galopam por toda a terra e as esferas adjacentes.

"É somente através do poder do espírito, por mais fraco que possa parecer, que um antídoto poderá ser fornecido que salve a rápida dissolução do tecido moral da humanidade.

"Temos de encontrar muitas maneiras de nos manifestarmos a vós; e muitas vezes não temos que ser muito meticulosos com relação aos canais que usamos.

"Logo virá o dia, quero dizer, em breve, em que a nossa voz será ouvida sem qualquer incerteza de tom; e no momento exacto em que a liderança espiritual será necessária.

"Tudo isso teve e terá seu início dentro dos salões de sessões. Já conseguiu obter sucesso na concentração da mente do homem para além do domínio do que é puramente físico e torna-lo mais consciente de alguma força exterior a ele próprio; isso é tudo o que podemos esperar alcançar de momento.

"Naquele cenáculo há 2000 anos, manifestou-se o homem Jesus, à porta fechada. A Sua presença era quase requerida em termos físicos de modo a convencer os membros fundadores do Cristianismo quanto à realidade da vida além da morte: e uma vez que isso lhes foi provado viram-se mais do que dispostos a cumprir as instruções que receberam de Seu Líder ressuscitado. No entanto, instruções de que nenhum homem hoje tem conhecimento. Ele incrementou-lhes de tal forma a consciência espiritual que eles passaram a representar reflexos menores do seu Mestre e Líder. Entendes?"

Pergunta: "Eles não nos delegaram essas instruções?"

Peter: "Não, eles não poderiam fazê-lo da mesma forma que eu não lhes posso dar instruções com respeito a determinadas coisas. Mas se eu conseguisse reunir à minha volta homens do mesmo calibre e dotados da mesma prontidão para prezar o desenvolvimento espiritual, como Cristo fez, então eu poderia conferir (por meio do contacto) os mesmos poderes de consciência Espiritual que ao longo de anos de trabalho paciente conseguimos conferir ao médium; mas, naturalmente, num grau muito menor que aquele desfrutado ou suportado pelo Mestre Jesus. Você entende isso.

"Vocês empregam os mesmos métodos hoje. O médium reúne amigos ao seu redor e, por meio da paciência, desenvolve dons semelhantes. É usando o médium como um ponto de convergência, que esses poderes são acelerados. É semelhante à magnetização de uma peça de aço colocando-a em contacto com um magneto de maior potência. É a mesma lei. Por meio de sinais e de maravilhas tentamos atrair e reter o interesse daqueles que testemunham tais coisas; de modo que alguns, que agora são impressionados para o prosseguir, possam gradualmente ser conduzidos à compreensão do nosso caminho; E para que possamos enviá-los para as autoestradas e atalhos, agindo e vivendo o modo de vida que sempre procuramos inculcar.

"É muito importante: porque consciente ou inconscientemente, encontram-se todos ligados hoje; e disseminam as sementes da espiritualidade pelas almas e mentes daqueles que contactam, tanto subjetiva quanto objetivamente. Assim, o caminho está preparado; e um dia irão ver o crescimento que a pequena planta tenra terá. Então quase antes de vocês perceberem essa planta florescerá e possuirá uma enorme força e uma beleza maravilhosa.

"Não viemos derrubar a antiga estrutura de vosso cristianismo, mas para preenchermos o vazio enquanto a Igreja actual se encontra ofegante por causa da sua antiguidade no sentido espiritual. Viemos impregná-la de uma nova vida e de um novo poder; um poder que é ditado pelos padrões comuns de avaliação espiritual, que é dirigido para a vida de todos e não para a vida de uns poucos. Para substituir dogmas e credos antiquados. Para dar poder de interpretação espiritual aos que estão preparados para dispensá-los. Para afastar a Igreja da rotina tão profundamente gasta e dar-lhe um lugar de novo nas vidas e lares de todas as crianças: para torná-la numa constituição e não numa instituição.

Um Lugar onde todos possam vir a obter o sustento espiritual, ao invés de receber o frio conforto da interpretação literal sobre a vida de um homem; um homem que só pode viver no espírito e que só pode ser interpretado no âmbito da alma. De nenhum outro modo poderá o poder da Sua influência ser sentido nas suas vidas, excepto através do serviço de uma maneira semelhante. Esse será o próximo passo que sairá dos salões de sessão. Esse será o nosso ponto de partida."

Pergunta: "Concorda com a perspectiva que temos de que hoje temos grande necessidade de espiritualizar a humanidade, pelo conhecimento e pela compreensão das coisas sobre as quais nos tem falado?"

Peter: "Sim, isso é verdade; mas o conhecimento e a compreensão não podem vir senão com a realização de tudo o que implicam. Vocês precisam considerá-lo como um poder de fermentação, e não como uma ciência formada de ângulos e pontos de vista; e é apenas por estímulo disso que o propósito poderá ser alcançado. Se for pelo caminho do conhecimento, então por esse caminho deverá ser realizado. Mas será um trabalho lento e doloroso por as mentes de certos indivíduos se acharem de tal modo cegas pela tradição do conhecimento científico que espiritualmente encontram-se surdas.

Ao passo que, um indivíduo mais humilde, que nada saiba sobre a lei nem as matemáticas da ciência, pode alcançar de uma só vez o segredo do conhecimento que tentamos ensinar. Essa é a nossa dificuldade.

Pergunta: "Mantem-se a ideia de que o desenvolvimento espiritual surgirá da demonstração de sobrevivência à morte."

Peter: "Essa é a dificuldade. A demonstração de sobrevivência é a parte menor da dificuldade com que nos deparamos. São as suas implicações que têm importância. Que diferença não poderá fazer, saber de facto que a vida continua ininterrupta; que efeito, igualmente, o acúmulo que a experiência aqui e depois da vida não terá sobre a vossa própria vida e as vidas daqueles por quem são responsáveis. Se pudessem ao menos ver o propósito que existe por trás de todas as coisas. Por exemplo, a produção deste livro... Ele virá a será produzido. Tu encontraste o canal para o lançares, embora possas pensar que tu mesmo o tenhas feito; mas alguma vez terás pensado se era uma ideia tua ou se estarás a ser usado como um instrumento de forças sem teu conhecimento? A mesma ilustração pode ser usada em relação à maioria das coisas na vida do indivíduo comum. Por que deveria alguém dar um passo em frente ou um passo atrás num momento exacto por razão aparentemente nenhuma? No entanto, no instante seguinte a sua vida é salva ou fisicamente destruída por tal ação. Esses são pequenos problemas, pequenos indicadores dignos de consideração."

Pergunta: "É difícil distinguir entre as leis mentais e as leis espirituais?"

Peter: "Tu misturaste um pouco isso tudo. Agora, a questão é: "O que é o espiritual e o que
é o mental? Eu não quero lançar-me esta noite numa discussão sobre os processos mentais do homem por isso nos levar de novo para o domínio dos estratos; e a própria mente tem camadas e determinadas frequências que podem responder apenas a certos estímulos.

Os processos mentais são realizados por outras forças, pelas espirituais, por um lado e pelas etéricas, por outro; ambos irradiam de outras mentes e da própria morada da própria alma. E vocês também precisam entender que a dor e o sofrimento espirituais nada significam. Dor e sofrimento são apenas coisas experimentadas pela alma. Vocês não conseguem avaliar isso. É um factor muito importante por ser parte da vida natural, não da espiritual; e é onde são confundidos ao dizerem que a lei natural seja a lei espiritual. Não é. Uma é reflexo da outra. Ambos operam em harmonia, Embora às vezes aparentem uma aparente desarmonia. E é por isso que o homem hoje constitui um tal enigma para si próprio; porque enquanto o processo evolutivo está em andamento está a ocorrer um processo de enxertia - o espírito do homem está a tentar transplantar-se da carne da besta. Lembram-se de uma foto da figura do 'Centauro,' em que vêem parte homem e parte animal? Há mais nessa figura, a ser interpretado espiritualmente, do que à primeira vista lhes poderá parecer. Há um outro símbolo representado pela antiga pintura de duas crianças a que chamam "Os Gêmeos." Creio que está marcado nos Céus como Gêmeos. Vocês podem considerar isso como uma superstição, mas também isso tem a sua história. Essas imagens são símbolos que contêm dentro nas suas histórias a história e evolução do homem; e ilustra o emergir do estágio animalista e a entrada no estágio espiritual. Tudo tem um significado e um propósito, e o desejo dentro de vós é alcançar a harmonia com o espírito. Se a vossa mente exige, também o espírito poderá satisfazer; mas nós não podemos progredir um passo no nosso ensinamento até que vocês sejam capazes de receber."

Peter prosseguiu: Por que nos incomodamos em falar convosco? Por que o tornamos preocupação nossa, e padecemos dor e ardor por ajudar? Por entendermos o verdadeiro significado da 'Fraternidade.' Muitas vezes vocês me ouviram dizer que "A vida toda constitui uma unidade," portanto sou parte da vossa vida. A vossa vida é a minha vida; E enquanto houver um membro de todo este corpo que sofra, todo o corpo sofrerá com ele."

"Bom, como uma preliminar, penso que nós cobrimos algum bom bocado."


In: "The Mediumship of Arnold Clare"
Traduzido por Amadeu António
 
~~~~~~

“Quando leio o Novo Testamento com o conhecimento que tenho do Espiritualismo, fico profundamente convencido de que os ensinos do Cristo, sob vários pontos de vista muito importantes (a Igreja primitiva os perdeu, de sorte que não chegaram até nós). Todas as alusões, que ele encerra, à possibilidade de se triunfar a morte, nada significam, ao que me parece, na actual filosofia cristã. Entretanto, para os que já viram alguma coisa, ainda que de forma obscura, através do véu que nos encobre o mundo invisível; para os que já tocaram, ainda que ligeiramente, as mãos que se nos estendem do Além, para esses a morte já foi vencida.

Quando ele nos fala de fenômenos que se nos tornaram familiares, tais como as levitações, as línguas de fogo, as ventanias, os dons espirituais – em suma, de milagres –, reconhecemos que o facto capital entre todos, o da continuidade da vida e da comunicação com os “mortos,” era plenamente conhecido naquela época. Lá se nos deparam ditos como: “Aqui ele não fez milagres porque o povo carecia de fé.” Não estará isto em perfeito acordo com a lei psíquica que conhecemos? Noutro ponto lemos que o Cristo, tendo sido tocado pela hemorroíssa, (a mulher com sangue) exclamou: “Quem me tocou? Sinto que de mim saiu uma virtude.” Pudera ele ter dito mais claramente o que um médium curador diria hoje, apenas empregando a palavra “poder” em lugar do termo “virtude.”

Mais ainda. Quando lemos: “Experimentai os espíritos, para saberdes se eles são de Deus”, não encontramos aí o aviso que hoje daríamos ao neófito que quisesse tomar parte numa sessão?~

Excessivamente vasta é essa questão para que me seja possível mais do que aflorá-la. Creio, no entanto, que esse assunto, que as igrejas cristãs mais rigorosas presentemente atacam com tanto furor, constitui realmente o ensino básico do próprio Cristianismo. Aos que quiserem ir mais longe nesta ordem de ideias, recomendo muito a leitura do livro do doutor Abraham Wallace, Jesus de Nazaré, caso não esteja esgotada a edição dessa valiosa obra. Seu autor demonstra, de modo convincente, que os milagres do Cristo se enquadravam todos no campo de ação da lei psíquica, como a compreendemos hoje, e que se conformavam, ainda nas menores das particularidades, com os princípios precisos dessa lei.

Dois exemplos foram já citados. Muitos outros são apontados no opúsculo a que me refiro. O que me convenceu da veracidade da tese sustentada nele foi que, se a apreciarmos em conformidade com essa lei, a história da materialização dos dois profetas, no monte, se nos patenteia extraordinariamente exacta. Há que, antes de mais, notar que Jesus escolheu para o acompanharem Pedro, Tiago e João, os mesmos que formavam o círculo psíquico na ocasião em que o morto foi chamado de novo à vida e que, provavelmente, do grupo dos discípulos, eram os mais apropriados ao fenómeno. Houve depois a preferência pelo ar puro da montanha, a sonolência que atacou os três médiuns, a transfiguração, as vestes resplandecentes, a nuvem, as palavras: “Construamos três tabernáculos,” em que também se poderá interpretar: “Construamos três tendas ou gabinetes,” meio ideal de se produzirem as materializações pela concentração dos poderes psíquicos.

Tudo isso compõe uma teoria muito sólida da natureza dos processos. Quanto ao mais, os dons que S. Paulo indica como necessários que o discípulo cristão reúna em si, são idênticos aos que um médium poderoso deve possuir, que compreendem as faculdades de profetizar, de curar, de operar milagres (ou fenômenos físicos), de clarividência e outros. (I Epístola aos Coríntios, XII, 8, 11.)

A primitiva igreja cristã viveu saturada de Espiritualismo e não parece que tenha atendido às proibições do Velho Testamento, as quais faziam questão de reservar esses poderes para uso e proveito do clero.”

Arthur Connan Doyle
In “Nova Revelação”

Cristo materializou-se em duas ocasiões, quando os discípulos se reuniram num quarto superior, passagem em que é particularmente mencionado que "as portas foram fechadas,” e nessas ocasiões, tocou-os e falou-lhes. Então, os seus seguidores começaram a profetizar e a pregar em diversas línguas, e começaram a atirar os lenços dos seus corpos aos enfermos, e eles foram curados. "O que era essa mediunidade, senão cura, praticada da mesma maneira que hoje?" Recordam o "vento poderoso e impetuoso," que encheu toda a casa, no dia de Pentecostes, em que os apóstolos foram inspirados? Esse "vento" sempre foi o sinal inconfundível de uma sessão de sucesso, quer o Espírito Santo visite os presentes, ou não.

FLORENCE MARRYAT


RED CLOUD* FALA SOBRE CRISTIANISMO E ESPIRITUALISMO
Antes de mais, pedir-lhes-ia que definissem: Que será o verdadeiro Cristianismo e que será o Espiritualismo? O Cristianismo e o Espiritualismo são uma e a mesma coisa. Há muitos caminhos que conduzem à verdade, e essa verdade possui múltiplos aspectos. Há quatro mil anos aquilo que designam por “Espiritualismo” hoje representava nessa altura o Cristianismo, pois tudo quanto existia no princípio existe agora e sempre existirá. Existe apenas uma verdade, e seja qual for o aspecto que o homem tenha, dever-se-á apenas ao facto de ele examinar através da sua própria consciência, assim possuindo esse particular aspecto da verdade. O homem atravessa um processo de evolução, e consequentemente pelo exercício do seu próprio livre-arbítrio ele tanto poderá avançar como poderá estagnar.
Hoje, o homem é arrastado por uma onda de consciência, uma vibração que está a penetrar o mundo da terra, e está a trazer aos homens um enorme desejo de compreender as verdades espirituais; mas também está a provocar algumas dificuldades, por estar a agitar velhas vibrações.
Também percebem que o Cristianismo ortodoxo se opõem a esta grande verdade do Espiritualismo. Voltem a vossa mente de volta ao período em que Jesus de Nazaré começava a sua missão. Os Judeus e os Fariseus encaravam-no como um instigador, um agitador que só arranjava problemas. Chamavam-lhe amigo do diabo, amigo de pecadores e um beberrão; de facto chamavam-lhe de tudo menos o que ele realmente era.
Ao olongo das eras, até ao período de 2000 anos atrás, na contagem que vocês fazem do tempo, ter e controlar um médium como agora fazemos teria significado a morte desse médium. Ou, segundo a vossa Bíblia, onde são mencionadas certas leis respeitantes a questões controversas: “A feiticeira não deixareis viver.” Hoje o homem já evoluiu um pouco mais que há dois mil anos – não muito mas um pouco. Por meio do sacrifício e do serviço que o verdadeiro Cristão, Jesus de Nazaré prestou, somos capazes de penetrar o couro cru da vossa consciência e de lhes lançar um pouco de luz sobre o vosso caminho. Porém, a Ortodoxia ainda se esforça por nos negar o privilégio de virmos até vós. No entanto, os médiuns que constituem os profetas dos dias actuais, deviam estar sob a protecção da Igreja, em vez de terem que andar pelas estradas e pelos becos a pregar o evangelho da verdade. Eles deparam-se com o verdadeiro sofrimento, e digo “verdadeiro sofrimento” porque para estes sensitivos o sofrimento da humanidade é mil vezes intensificado. Aqueles que são profetas, ou médiuns, tiveram naturalmente que renunciar a muitas coisas terrenas que trazem prazer às almas humanas.
Hoje, há muitos homens que secretamente veem até aos médiuns em busca de compreensão, tal como Nicodemus is até Jesus ao anoitecer. Fazem-no por o Cristianismo ortodoxo proibir a doutrina do Espírito nas Igrejas conforme o ensinaremos às pessoas. Qual a razão disto? De nada vale as pessoas acorrerem aos profetas de hoje e escutarem o que digo ou qualquer outro que venha a este mundo da matéria; é inútil ensinar teoria, conforme o fazemos – a menos que se esforcem por a pôr em prática. Que bem poderão os Espiritualistas fazer com a sua grandiosa religião que prove a vida depois da morte a menos que consigam dar o outro lado do rosto, se esforcem por prestar auxílio ao seu semelhante e serem gentis uns para com os outros? Quando olhamos ao redor do vosso mundo hoje verificamos o rápido progresso que o que designam por Espiritualismo, mas vemos igualmente muitos que professam o Espiritualismo e só o fazem na teoria, não na prática.
Mas é o dia de hoje e não o amanhã que importa. É hoje que cada um de vós deve erguer as fundações desse raio de verdade que está a penetrar até vós neste instante. Que estarão a fazer com relação a isso? Pensam que venho para lhes dizer que estou satisfeito com o progresso que foi conseguido? Não, não venho, por constatar a repetição da história que vêem na Bíblia: “Um semeador saiu a semear. Algumas sementes caíram pelo caminho, outras em solo rochoso, outras, em solo fértil.” Glória àquele que se lança ao desafio do serviço, abandonando o medo fútil da ilusão que o cerca, e vê apenas um caminho recto, onde quer que esteja, porque esse é o que escuta a palavra do Espírito e o coloca em prática.
Agora deixem que lhes fale do verdadeiro Espiritualista. É o homem que, independentemente da vida que leve, quer seja médico, doutor ou rei, não importa, mas que pelas suas acções e discurso, pelas amáveis palavras que lhe saem da boca, é proclamado como um verdadeiro Espiritualista. Quando tiverem consciência de terem sido banhados na grandiosa verdade que designam por Espiritualismo, então terão uma missão a conduzir pelo mundo, algo digno. Porque não o proclamam? Até que ponto progrediram? Só chegaram a ponto de acreditar na sobrevivência à morte física. A ortodoxia que mantém o homem na falência espiritual deve desvanecer-se assim que um homem começar a perceber que ele é um indivíduo livre governado pela lei natural. Ninguém tem o direito de lhes dar ordens. Ele ordena-se a si próprio. Se derem um passo adiante no caminho será de acordo com a vossa própria evolução, de acordo com a vossa própria acção, e o vosso próprio carácter. Precisam fugir das ideias da vossa velha ortodoxia de céu e inferno.
O que quero que saibam é o seguinte: a humanidade hoje tem a oportunidade de evitar a carnificina neste mundo. De nada vale apelar a Deus para que detenha a guerra. Que é que estão a fazer? Que terá o Espiritualismo feito por vós? Que terá o Cristianismo ortodoxo feito por vós? Precisam perceber que são quem pode deter a guerra por meio da vossa crença consciente de que o homem não pode matar o seu semelhante, por o homem não poder ser morto! Vós próprios precisais conseguir o melhor da vossa falência. De nada serve evocar a Deus, por vocês representardes o poder no vosso meio. Há quem não acredite nisso. Mas então referir-lhes-ia aquelas palavras proferidas por aquele verdadeiro Cristão, Jesus, que disse: “Eu estou em vós, vós estais em mim, e ambos estamos no Pai.”
Vocês fazeis todos parte dessa grande consciência. Que estarão a fazer com respeito a isso? Pelos pensamentos que têm estão a pôr o reino para trás de vós e uma vez mais viveis no medo dessa crença ortodoxa no céu e no inferno. Deixem que lhes diga que vocês são esse poder, e que a força e a coragem se encontra no meio de vós. É a lei espiritual que os governa, e cada um de vós precisa esforçar-se por compreender o verdadeiro Espiritualismo que prega: “Eu encontro-me em vós e vós em mim, e nós somos o Pai.” É isso que precisam recordar, e não a velha crença de que o sofrimento e a dor representem a vontade do Pai. Vós sois inteligentes e desejais compreender. Dizem: “Deus é amor, Deus é perfeição,” e vocês olham para Ele como um Pai. Algum de vocês olharia para uma criancinha e diria: “O meu filho sofre, mas preciso suportar o sofrimento e a dor por ser bom para ele, e constituir a vontade de deus?” Acreditarão que isso seja de Deus? Ou acreditarão em mim, se lhes trouxer uma criança aflita ou um imbecil e lhes disser: “Olhem aqui; isto não é causado por Deus, mas moldado na matéria pelos pensamentos dos homens, por o homem ser senhor da matéria?” Eu sei que se rebelariam contra a autoridade.
Preferirão crer que Deus, esse Deus Grandioso e Infinito, seja responsável, em vez de acreditarem que vós próprios sejais os responsáveis. Não acham que seja tempo de todas essas ideias ortodoxas serem apagadas e do homem uma vez mais reinar como senhor supremo do seu ser e suprimir toda a sua velha ideia do medo e do sofrimento? Que coisa será o medo? Medo é a crença em algo contrário a Deus. Medo é a crença em algo que Deus não consiga dominar. Contudo foram criados à semelhança e à imagem de Deus. O medo deve-se ao vosso aspecto errado. Vocês foram envoltos por essas velhas ideias da ortodoxia, mas agora é tempo de eu me pronunciar. Bem sei que alguns me terão por um arruaceiro. Contudo, isso importará se eu conseguir instigar nos meus semelhantes a plena compreensão do verdadeiro Cristianismo que Jesus queria que vocês compreendessem?
Vejam a ignorância com que ele teve que enfrentar quando Nicodemus disse: “Precisarei eu voltar a entrar no ventre da minha mãe para renascer de novo?” em vez de perceber que precisava renascer por uma maior compreensão. O vosso problema está em acreditarem que a vida que têm no mundo da matéria represente o princípio e o fim da vossa existência, apesar de também lhes ensinarem que são seres eternos. O vosso raciocínio não é lógico. É-lhes dito no vosso Livro: “é pecado ser ignorante.” Quando vierem para o meu mundo e disserem: “Acredito nisto e acredito naquilo,” isso não lhes valerá de nada. Até mesmo no vosso mundo percebem que de nada serve ir diante de um juiz e desculpar os erros com base no desconhecimento da lei. Todo cidadão é suposto conhecer a lei, e essa lei diz: “Pedi, e recebereis; batam, e a porta abrir-se-vos-á; procurei e encontrareis.” Não há no vosso mundo ninguém que alguma vez tenha ido à procura da verdade das esferas da luz que não tenha visto o seu desejo concedido, por ser o cumprimento da lei que no momento certo na vida de todo homem o mestre lhe apareça.
Ergam-se do sepulcro da ignorância para a alegria do amor de deus e semeai! Não estarão sós. Que sabem vocês dos vastos milhões de anjos que os cercam? Lembrem-se de que Jesus certa vez disse: “Não acham que posso evocar o mau Pai e ele me enviará uma legião de anjos?” Permaneçam firmes diante da verdade e deixem que os grilhões o medo e da ignorância se desprendam de vós ao despertarem. Digam: “Eu tenho resistência e amor, e algo que o mundo jamais me poderá dar, por o mundo não passar de uma ilusão finita, para mim.” Vocês vêm e vocês vão, quais barcos que passam pela noite. Tentam descobrir o Como e o Porquê e no entanto são tão cegos que não conseguem ver a Lei do Grande infinito. Não julguem os céus por aquilo que lhes digo, pois é demasiado vasta para que o entendam. Pretendo limpar a morte da ideia do homem e dar-lhe a liberdade que é sua por direito, a liberdade desse Cristianismo verdadeiro que nenhum homem, nenhum ser e nenhum profeta pode monopolizar.
* Red Cloud foi o guia e controlo da famosa médium Estelle Roberts, no iníco do século XX.




Sem comentários:

Enviar um comentário