quinta-feira, 23 de março de 2017

VOZES XVIII

O DOUTOR STEPHEN WARD FALA SOBRE A SUA EXPERIÊNCIA E A CONDIÇÃO DE VIDA NO SEU PLANO
Rose Creet: Bom fale lá comigo.
Ward: Bom, eu acho que me tenho interessado por experiências, evidentemente, e tenho assistido a algumas palestras dadas aqui por almas de outras esferas que sabem muito sobre muitos aspectos da vida, embora com toda a franqueza de momento não esteja disposto a proceder a quaisquer alterações e me sentir particularmente feliz com o ambiente, e sempre seja interessante escutar comunicações de outras almas de esferas mais elevadas... E com toda a franqueza por vezes fico perplexo por todo o caleidoscópio da vida aqui ser tão intenso e tão extraordinário, que o tempo não existe no mesmo sentido que existe para vós. Num certo sentido nós medimos a passagem do tempo, só que não pela lua nem pelas estrelas nem pelo sol nem nada disso... Parece que a nossa vida é tão cheia, tão interessante... Além disso tenho conhecido gente tão interessante e tenho escutado alguns oradores notáveis e gente notável de outras esferas, que nos narram vários aspectos das suas vidas que é fascinante. Mas claro que percebo que eu próprio ainda não estou preparado para ir até lá mas também não o desejo, por me encontrar numa condição de vida que para mim é tão normal e tão natural e tão afortunada, tão tranquila e pacífica... E eu estou a assimilar tanto em tantos aspectos, para além de também me estar a expressar no sentido artístico e sentir tanto interesse pelo meu trabalho com respeito à pintura... por sempre ter gozado de aptidão para isso, e desde que aqui tenho estado tenho desenvolvido com uma maior intimidade, de modo que agora creio não estar a conseguir um mero sucesso, quer dizer o sucesso aqui não é como na Terra, no sentido material mas um aspecto estético, mas algo que brota de nós próprios e da realização de sermos criativos.
Mas depois, claro está, também me deixei emergir e interessar pela música e tenho assistido a grandes concertos dados por grandiosos músicos, e tenho escutado novos trabalhos e novas sinfonias, e algumas das orquestrações são de tal modo extraordinárias... Mas claro que o alcance que conseguimos é tão formidável aqui e os instrumentos usados são muito novos na medida em que evidentemente são instrumentos que são concebidos e criados aqui, por não termos as mesmas limitações que vocês têm.
Rose Creet: Que tipo de instrumentos têm aí? Os novos. Têm algum limite?
Ward: Suponho que num certo sentido, obviamente, exista um limite. Presumo que esse limite em certa medida seja condicionado pelo ambiente, pela condição de vida em que existimos, pelo conhecimento e pela experiência das pessoas interessadas, com respeito àqueles que criam os instrumentos e à queles que os tocam, e àqueles que compõem a música, claro está. Suponho que possamos dizer que sim, que existam limites, só que são limites da mente e da imaginação e da capacidade criativa, num certo alcance, se quisermos, da experiência ou num certo nível de consciência e aptidão... Por evidentemente perceber agora que vivemos num mundo ilimitado, e caso exista algum limite de todo, ou assim pareça, deverá ser em nós próprios, e passará por só conseguirmos entender até certo ponto. Mas se concebermos o facto que com efeito percebemos que esta vida é ilimitada, claro que toda a condição da vida e do ambiente em que nos encontrarmos atingimos determinado ponto... Por outras palavras, emergimos ou somos assimilados, ou assimilamos tudo quanto uma particular experiência nos puder dar, evidentemente, e aí o horizonte torna-se mais amplo e mais vasto e gradualmente evoluímos para uma nova condição, depois de termos absorvido tudo quanto a anterior nos tiver dado. Por outras palavras, não existem limites, e tudo quanto num certo sentido possa ter parecido estar limitado a um certo espaço-tempo. Mas tudo isso pode variar de acordo com o indivíduo. Certas pessoas são capazes de assimilar tanto num período de tempo comparativamente curto, enquanto outras precisam de períodos muito mais prolongados.
A condição de vida em que me encontro é de tal modo afortunada, e é um ambiente de tão completa e perfeita alegria que não consigo conceber, embora possa perceber, que possam existir condições tão sem limite muito para além dos meus horizontes. Mas a questão está em que não sinto qualquer necessidade de me expandir de momento para além... bom, do que estou a assimilar e a experimentar, por isto para mim constituir a minha vida. Mas percebo evidentemente que isto é apenas uma faceta, é apenas um pequeno aspecto de nós, da nossa evolução e da nossa existência, só que existe uma coisa extraordinária e maravilhosa com respeito a toda esta coisa aqui que nos deixamos emergir e nos sentido tão felizes com a condição em que nos vemos, em que conhecemos toda a sorte de gente, mentes grandiosas dotadas de interesses e desejos idênticos, assim como conhecendo velhos amigos que conhecemos no passado e fazemos novas amizades...
Gradualmente deixamo-nos apanhar de tal maneira pela forma de vida que em si mesmo se torna uma coisa extraordinariamente feliz que consigamos conceber alguma coisa para além disso, enquanto experimentamos e percebemos o tempo todo que comummente existam... que devam existir muitas outras perspectivas muito mais remotas, que evidentemente alcançaremos na altura devida, que não sentimos necessidade de correr ou de nos tornar exuberantes, o que não corresponde verdadeiramente ao termo, por nos tornarmos extremamente exuberantes. Por exemplo se tivermos assistido a um determinado recital aqui, ou um grandioso trabalho, é claro que somos presos nisso e ficamos exuberantes e vociferantes e reagimos a isso.
Essas são algumas das experiência significativas. É verdade que se diga que vivemos todos, numa certa medida, se quisermos, pela experiência, e isso adequa-se-nos e o seu ideal adapta-se-nos por tanto tempo que se torna em essência necessário. Há aqui tanta gente que também vem de outras esferas ou de outras condições de vida, presumo eu, por ser o que ouço, que de uma maneira ou de outra me dá a ideia, e eu expando a minha experiência e o meu conhecimento em muitos sentidos. Mas claro que tenho vindo a empreender um certo volume de trabalho com outros e nós temos um grupo, conforme vocês lhe chamariam, e nós muita vez vimos até à Terra inclusive, e ajudamos gente menos afortunada, ou aqueles que se encontram apegados à Terra ou os que passam para este lado e precisem de orientação ou de assistência ou de ser elevados, e nós conduzimo-los, se quisermos, a ambientes condicionais que sabemos os deixarão felizes.
Também sintonizamos o cumprimento de onda, se me for permitido usar tal expressão, ou consciência de outras pessoas que aguardam para os receber. Nós aqui temos abrigos ou pensões, locais destinados à recepção das pessoas são estimuladas ou onde recebem auxílio e uma compreensão das coisas que são necessárias ao seu reajustamento, porquanto certas pessoas levam um certo tempo a despertar ou a ajustar-se. Na realidade há quem, durante um certo período de tempo - eu emprego esta expressão do "tempo" mas precisam levar a coisa muito devagar, muito e facilidade, por as circunstâncias da passagem que tenham atravessado terem sido tais que necessitam de um tempo assim. Tudo aqui é empreendido naquilo que vocês chamam de ócio, mas ainda assim, e uma vez mais, depende uma vez mais do indivíduo. Mas suponho que num certo sentido seja verdade dizer que levamos um tipo de existência de lazer.
Não quer dizer que seja (...) ou retrógrada, mas nós assimilamos tanto, que por vezes ficamos o que vocês chamariam, suponho eu, "exaustos." Não se trata de uma exaustão real, que vocês entendem no sentido físico, mas assimilamos e compreendemos tanto e experimentamos tanto que então passamos por um período - não direi que seja um período de tempo, no sentido de... em que relaxarmos e repousamos ou... e de facto algumas pessoas dormem, só que não no sentido do termo que usam, de sono. Reparem, eu preciso empregar por exemplo, se ficarmos terrivelmente imersos em algo e ficarmos como que emocionalmente presos, sentimos um tipo de exaustão mental, suponho, e aí sentimos necessidade de descontrair, e podemos assumir uma forma de sono em que perdemos - ou assim parece - a consciência, depois do qual acordamos revigorados. Embora não tenhamos dia nem noite, nem aquilo que designam por “horas” que determinemos para dormir ou para trabalhar, temos algo que de certo modo é comparável, na nossa existência, na medida em que descobrimos... Se dermos muito de nós mesmos e nos prendermos demasiado em algo que seja considerado entusiasmante e depois forçarmos até determinado ponto, aí uma vez mais temos uma reacção e ficamos a precisar de descontrair e de repousar para voltarmos a erguer-nos em termos de energia.
Sabes, temos uma forma de vida aqui que em alguns aspectos é de tal modo similar à vossa, em que assimilamos tanto a partir da atmosfera. Esta atmosfera em que temos a nossa existência é tanto mais rarefeita. Nós respiramos, e suponho que num certo sentido possuímos pulmões e órgãos internos da mesma forma que vós, embora à medida que progredimos certos aspectos do velho corpo material desaparecem e descobrimos que determinadas coisas não mais são necessárias. Mas até onde posso dizer-lhes, nós possuímos uma atmosfera rarefeita e temos como que consciência de respirar, só que não é idêntica à mesma, por duvidar muito que seja como era na Terra. Mas temos ar, pelo menos o que aparenta ser ar; por outras palavras nós respiramos e exalamos. Quer dizer, isto é algo sobre o que creio que nunca ninguém falou.
Rose Creet: Mas a mim parece-me extraordinário. Porque... A necessidade de respirar... Porque é que isso sucede?



Ward: Bom, quer dizer, só o consigo pôr desta forma, embora possa não soar muito verossímil... Penso que toda a questão está em que vivemos num ambiente que, embora muito afastado da terra, mesmo assim é uma condição muito necessária e natural, e tanto quanto vos posso dizer eu encontro-me muito consciente, por exemplo, daquilo que chamarão de “respirar,” embora possa não ser bem o mesmo que era na Terra, porque tanto quanto me é dado saber pode não ser... Temos esta sensação de um formidável júbilo, sensação de leveza, sensação de substância ao meu redor e em mim, que é muito real e muito sólida, muito concreta. Quer dizer, uma cadeira é uma cadeira, é real e sólida. Um quarto é um quarto, e possui paredes, e possui o que vocês chamam de peças de mobília, e nós possuímos tapetes e coisas desse género. Podem pensar que isto seja muito esquisito, e certas pessoas na terra jamais aceitariam isto, mas a questão está em que tudo aqui é criado, não só pela fantasia nem pela força do pensamento. Há gente aqui que se delicia em executar determinados trabalhos e artes manuais. Mas precisa ter em mente que as pessoas não podiam ser felizes em nenhuma forma de existência se não fosse criativa por qualquer forma. Ter um trabalho qualquer para fazer é essencial e necessário.
E assim, por exemplo, alguém que tenha um jardim e o adore, e o trabalhe, e cuide dele durante horas. Pode não... e invariavelmente, muito poucos, por exemplo, deste lado chegam a experimentar muitos dos problemas decorrentes da experiência e das condições normais da Terra. Mas não se vêem ervas daninhas nestes jardins. Isso, é-me contado, deve-se em parte ao facto de as pessoas aqui pensarem num nível diferente da consciência, e a que visualizem em pensem somente na beleza e a que pensem apenas em coisas criativas que possuem valor, e em alegria para os outros. Consequentemente, em estados de maior progressão do ser, dado que não pensemos num outro estado vibracional e não pensemos o mal nem queiramos mal, nem nos preocupemos com as coisas que são desnecessárias, então gradualmente essas coisas deixam de existir, e nós vivemos num mundo consciente onde assim como pensamos também criamos... Embora ao mesmo tempo – não quero dizer que, se desejarmos alguma coisa ou pensarmos em algo, isso venha necessariamente de forma automática, porque precisamos esforçar-nos e trabalhar para determinado fim, para determinado objectivo; precisamos criar e produzir. E é por isso que aqui este é um mundo real; não é um mundo insípido, não é algo em que simplesmente pensamos e desejamos e aí está - não. Precisam definir objectivos, e trabalhar em prol deles, temos que experimentar muitas coisas, muitas das quais, claro está, nos estágios primários precisam ser erradicados de nós.
Se levarmos connosco perspectivas fortes, ideias fortes, seja o que for, que será prejudicial para o vosso progresso, então precisaremos aprender a pô-las de lado, a jogá-las de lado, e precisamos concentrar-nos nas coisas que realmente são importantes, como que abrir os nossos olhos para as perspectivas com que nos defrontamos e assimilar o conhecimento que nos prepararem ou derem, e a oportunidade de o colher com ambas as mãos e de o usar. E conhecendo gente como a gente faz, todo o tipo de gente, e acolher da sua parte algo que nos tenham a dar por terem estado aqui há mais tempo, uma maior experiência, grandes mestres, grandes filósofos, grandes profetas também, num certo sentido, embora pareça estranho que falemos da existência de profetas e de profecias no nosso mundo, em referência a coisas que ainda se acham por vir, mas isso acontece porque, as almas como eu disse antes, são capazes de se sintonizar com encarnações e o passado, assim como com aquilo que está ainda por vir, que é como se estivesse temporariamente oculto, mas que está em preparação, porque assim como viverem e agirem no vosso mundo actualmente também estão em certa medida a preparar-se para o mundo que está para vir, e estão a criar as condições em que virão a dar por vós. E aqui as pessoas fazem exactamente o mesmo na nossa esfera; criam as condições de vida em que (...) uma afortunada, enquanto ao mesmo tempo que abrem caminho para uma experiência maior numa outra existência mais afastada mesmo e remota, conforme deve ser, temporária. Mas está tudo aí, entendes?
Eu acredito, entendes, aprendi que tudo está aí à espera de ser descoberto; não é necessariamente algo que precise ser criado necessariamente no imediato ou no futuro imediato por assim dizer, mas já se encontra aí, à espera que o vejamos...
Rose Creet: Se já se encontra aí, suponho que os profetas de que falas, nesse lado, os levem a descobrir isso...
Ward: Sim, é um facto, porque na realidade... quer dizer, há muitas coisas que nos deixam perplexos, eu admito-o, mas estou a começar agora a ver que não existe começo nem fim; que a vida é (um processo) contínuo e que tudo (se processa) por diferentes graus da experiência, diferentes encarnações que possamos ter tido em diferentes alturas, que sempre parecem no passado. Essas coisas tornaram-se realidade mas ainda se encontram aí, em segundo plano. Mas aquilo que diz respeito ao futuro é como que, num certo sentido, preparado. O que não quer dizer que só possam evoluir num certo sentido, por evoluirmos em muitos sentidos, de facto tomamos vias diferentes, se quisermos pô-lo assim, para chegar ao mesmo sítio, por vias diferentes, se quisermos, ou diferentes ambientes ou condições ou esferas, que porventura poderão ser muito necessárias, embora esteja certo de que o sejam. Enquanto uma pessoa o consiga por um caminho directo, outras irão por direcções diferentes, mas eventualmente todas convergem num mesmo ponto; só que para algumas torna-se necessário experimentar isto ou aquilo, outros precisarão experimentar algo completamente diferente. Existe toda uma variedade... Existe uma variedade espantosa de experiência a ter aqui, que se estende para além da crença. Quer dizer, no vosso mundo vocês podem ter muitas experiências, podem ter extraordinários exemplos de inspiração e de evolução e de desenvolvimento, de acordo com qualquer coisa que suceda, etc., mas aqui isto aqui é muito mais variado. Quero dizer, uma pessoa não tem necessariamente que permanecer num certo molde, por exemplo. Uma pessoa pode romper esse molde e reformar-se, e tornar-se algo num certo sentido, muito diferente ou mesmo muito distinto. E no entanto não se pode furtar a... Muita gente que anda em fuga sem perceber o seu verdadeiro eu, de facto nem sequer conhece o seu verdadeiro eu, e anda em busca desse eu real. Mas aquilo que vocês não compreendem é que nós somos uma combinação de muitos eus. Quer dizer, por exemplo, é a razão por que na minha última encarnação na Terra eu fui uma certa coisa, e eu tenha dado a aparência... e a minha vida tenha sido... Bom, tenha corrido como correu, e as coisas que aconteceram... Vejo agora que podiam ter sido evitadas, evidentemente, mas no entanto ao mesmo tempo é algo de que não me arrependo por sentir que essas coisas tinham que acontecer.
Realmente eu saí-me muito melhor do que poderíamos pensar. Penso que eu tinha que submergir, num certo sentido eu tinha que ser tipo humilhado, tinha mais ou menos que aprender determinadas coisas que só poderiam ser aprendidas de certa forma. Quer dizer, é óbvio que na vida toda a gente, mais cedo ou mais tarde precisará passar por muitas fases e muitas condições, muitas desilusões, muitos desapontamentos que possam alternar os acontecimentos, assim como experimentar mortes. Todas estas coisas sucedem a muita gente, à maioria das pessoas absolutamente, numa encarnação ou noutra. Mas consigo agora ver que somos muita gente, embora usemos da lisonja e digamos que somos isto ou aquilo numa existência, numa vida, e nos conheçamos a nós próprios enquanto essa pessoa e toda a gente nos conheça, isso será apenas uma pessoa para nosso verdadeiro eu. Nós estamos de tal modo presos uns aos outros que num certo sentido chegamos a estar misturados, embora por vezes não pareçamos misturar-nos ou ajustar-nos a esta ou àquela pessoa.
Mas consigo agora (perceber a existência) de almas-grupo, gente que esteve reunida por diversos graus e modos, em diferentes eras e décadas. A questão está em que a vida constitui um padrão, padrão esse que agora percebo com tal clareza que não tenho quaisquer remorsos com respeito à minha última encarnação ou à minha última condição de vida. Percebo que não poderia ter tido muito mais, e que também representei uma parte que em certa medida influenciou outros, e que aquilo que me aconteceu que envolveu uma certa porção de bem, acabou por se desenvolver, pelo que penso que isto seja verdade e que num certo sentido não foi desperdiçada ou vivida em vão, por muita mais coisas me terem acontecido, coisas que se desenvolveram e que não podiam voltar a acontecer, que penso que não poderiam a voltar a acontecer a ninguém conforme aconteceram comigo. Penso que devia ter-me tornado como que uma chave que destrancasse a porta da experiência, em certa medida, o que teria beneficiado outros, algum tempo mais tarde. Por não ter dúvida alguma agora, ao ver com toda a clareza que, aquilo que fiz ou o que aconteceu comigo em certa medida tinha que acontecer; não quero dar a entender que tenha sido uma marioneta, mas acho e penso que seja verdade dizer que por vezes as pessoas vêm ao vosso mundo com uma certa coisa para fazer; elas poderão não ter consciência disso, e na verdade podem nem ter consciência da coisa toda, mas as suas vidas, de alguma maneira ou feito, são criadas ou trazidas à existência temporariamente no sentido material, de modo que o homem saia beneficiado.
Não penso que realmente o que me aconteceu realmente tenha sido de modo nenhum um desperdício de esforço; creio que até certo ponto isso abriu a porta a outras pessoas que em certa medida beneficiarão. Não creio que aquilo que tenha ocorrido comigo pudesse provavelmente... ou que pudesse alguma vez voltar a ocorrer em Inglaterra, pelo que dizer que eu tenha sido um bode expiatório em certa medida seja verdade, mas penso que num peculiar conjunto de circunstâncias com que me envolvi - que não foram inteiramente causadas por mim, porque na realidade em certa medida houve uma força nisso - mas ao mesmo tempo, não foi nenhum desperdício de tempo, não foi nenhum desperdício de esforço... eu não me arrependo. Quando aqui cheguei vinha cheio de remorsos e terrivelmente propenso à Terra... Na realidade fui conduzido às vossas reuniões e isso ajudou-me de uma forma espantosa a ver-me a mim próprio, a reajustar-me; estou de tal forma reajustado agora que consigo ver tudo no seu verdadeiro sentido (...) e actualmente vejo que a minha vida tinha que acontecer do modo que aconteceu e que não poderia ter acontecido de outra forma. Eu fui como que, mas não exactamente, um peão no jogo, mas ao mesmo tempo percebo que em certa medida, a vida de certas pessoas é deliberadamente trazida à existência, no sentido material, para realizar um certo "algo" que é essencial à edificação do seu bem-estar ou à exploração ou à reeducação, se preferirmos, de outros que virão. Quero dizer que sei que fiz coisas estúpidas mas negá-lo será, de certo modo, estúpido, suponho. Não vi as coisas que estavam diante do meu nariz, mas vejo agora que em muitos aspectos eu estava a esgotar algo, o que em parte era cármico, mas também algo que representaria um benefício numa altura mais tarde - que agora está certamente a tornar-se bastante óbvio - para a geração que veio a seguir, porque o que me aconteceu a mim não podia certamente voltar a acontecer a mais ninguém, a mais nenhuma pessoa. Eu fui apanhado em algo que não era só uma coisa pessoal, mas era algo muito maior, conforme agora o vejo...

Rose Creet: O que acontece àqueles que armaram tudo quanto lhe aconteceu a si?

Ward: Num certo sentido...

Rose Creet: O quê?

Ward: A questão... quero dizer torna-se tão fácil sentar e alegar que isto é negro e aquilo é branco. Mas não existe nada negro nem nada branco e de facto todo ser humano realmente representa uma mistura de muitos tons, e eu creio que precisamos ver isso. Mas por vezes as pessoas são apanhadas num círculo ou numa espécie de posição da qual não conseguem muito bem escapar, e que só conseguem fazer o que conseguem fazer, o que gosta de fazer nos limites desse círculo particular ou espaço particular. Quer dizer, claro que agora não nutro qualquer ressentimento em relação a quem quer que seja...

douglas conchear fala sobre o conceito de alma-grupo e a multidimensionalidade do ser

Eira: Conta-me acerca da encarnação que tiveste no Egipto antigo. A primeira de que te consegues recordar, conforme acho que foi o que disseste que contarias. Quando foi que ficaste a conhecer essas encarnações?

Douglas: Bom, vem muito naturalmente, mas depois depende da pessoa, da ansiedade que ela tenha por identificar e experimentar, do quanto deseje conhecer acerca de si mesma e do passado. As primeiras impressões que se obtém quando para aqui se vem são sempre de um grande entusiasmo e de uma vida nova, e passam por fazer amizades, encontrar-nos com velhos conhecidos, relações, etc., pelo que não se pensa muito sobre nós próprios, no sentido de vidas passadas, presumindo mesmo que se saiba alguma coisa que seja acerca da possibilidade de vidas passadas, por a maioria das pessoas só se interessarem pela vida que tiverem vivido. E muito pouca gente chega a perceber que possa existir coisa tal quanto encarnação ou reincarnação. Por isso, a vasta maioria das pessoas leva imenso tempo, antes de começar a aprofundar ou a compreender as possibilidades do presente e do passado.

De facto, a vasta maioria das pessoas dá-se por satisfeita e contenta-se em... suponho que deva dizer ficar estática. Mas não é senão quando começamos a compreender mais a fundo esta vida que começamos a perceber que o passado tem importância e que provavelmente tivemos muitas existências e assim que começamos a encontrar-nos com gente aqui que reclama conhecer-nos e que recorda experiências passadas que tiveram connosco, e como teremos conhecido esta ou aquela pessoa, e passado por esta ou aquela experiência... De facto, todas as nossas vidas acham-se entrelaçadas, conforme agora percebo, evidentemente. Mas algo que nunca cheguei a perceber é que fazemos todos parte de uma ALMA-GRUPO. Embora sejamos indivíduos, e retenhamos a nossa individualidade e personalidade, é algo por que se evolui, poder-se-á dizer, ao longo de séculos da experiência. Não nos tornamos de repente... tornamo-nos somente por meio da tentativa e do erro, da experiência, etc... e só começamos a assimilar ou a perceber a sua verdadeira potência e aquilo que realmente representa, o que realmente alcançamos, quando formos capazes de nos ver em retrospecto a nós próprios, entendes?

Eu creio que a vasta maioria presume que a nossa vida seja o que se ache circunscrito entre o berço e a sepultura, quando evidentemente é apenas uma vida de uma série de vidas, em que assumimos diferentes corpos e diferentes condições, em diferentes períodos de tempo, em que tivemos oportunidade de experimentarmos muitas coisas, tudo quanto ajuda a edificar a verdadeira personalidade e carácter do indivíduo. Somos todos, obviamente, o produto de experiências, não só das nossas próprias como também dos outros, por nunca podermos viver para nós próprios, e a menos que percebamos isso e que não somos unidades autônomas, como gostamos de pensar que somos, na terra, mas aquilo de que não temos consciência é que somos o produto de todo tipo de mentes e de todo o tipo de influências e de todo tipo de experiências, e que seria impossível assimilar tudo numa vida e num corpo. Por conseguinte, tivemos muitas, muitas vidas em que fomos homem e mulher, ou em que possivelmente teremos sido uma criança que terá morrido em tenra idade...

De facto é altamente importante perceber que é somente quando tivermos obtido inúmeras experiências que realmente poderemos começar a ver-nos como um indivíduo plenamente desenvolvido. Mas a questão está em que a minha anterior encarnação - e isso só me chegou gradualmente, por supor que se ache tão afastado e tão distanciado no tempo, e tanto quanto me é dado saber, essa não terá sido a minha primeira encarnação mas apenas uma que tive muito cedo, num período muito recuado do tempo no Egipto, numa das primeiras dinastias, em que eu era um sacerdote. Eu gostaria de tentar colocar isto numa perspectiva apropriada, por ser tão importante...

Desde o começo, mas certamente tanto quanto o consigo recordar ou trazer à memória, eu sempre fui um buscador da verdade. Sempre fui alguém que tinha ânsia por conhecer e descobrir a realidade da vida, eu sempre quis conhecer os segredos da vida, sempre quis saber o que nos faz mexer. Consigo perceber agora que sempre me senti atraído pela religião, que sempre estive mais ou menos ligado à religião por alguma forma. O que não quer dizer necessariamente que eu tenha sido uma pessoa religiosa, por existir uma vasta diferença entre ser uma pessoa religiosa no pleno sentido do termo e sentir interesse ou mesmo inclinação para a religião. Isto pode parecer paradoxal mas é verdade...

Eira: Eras um sacerdote do culto de Amon-Rá, ou...?

Douglas: Eu era sacerdote no templo de Carnak, e suponho que tenha sido onde fui iniciado, na minha infância - segundo o que me foi dito, não que o recorde por experiência própria - acha-se tão afastado no tempo que nem uma imagem disso tenho, mas corresponde ao que me foi contado. E eu fui um sacerdote no templo de Carnak, o que retrocede no tempo aí uns três ou quatro mil anos antes de Cristo. E eu era na realidade, não sei se irás a entender isto mas tentarei pô-lo pelo melhor que conseguir. Eu era um filho ilegítimo de um dos Faraós, que evidentemente tinha muitas concubinas, o que suponho que na época fosse algo amplamente aceite; de qualquer modo, eu era um dos muitos filhos e fui colocado no templo quando era muito novo, aí por volta dos dez ou doze anos, onde era cantor. Eu possuía voz, uma voz de criança porém uma boa voz, e ensinaram-me as harmonias melódicas da música, e eventualmente tornei-me num serviçal, ou seja alguém que servia no altar, e eu era uma das muitas crianças que presumivelmente iam nas procissões e que contribuía para todas as cerimónias associadas ao templo.

Quando cresci, fui iniciado e conduzido ao sacerdócio, e eventualmente tornei-me num sacerdote. Nessa encarnação vivi até uma idade muito avançada, e também detinha um enorme poder, porquanto tendo estado no sacerdócio durante tanto tempo, e no depósito...

Eira: De que faraó se tratava, querido? Porventura não te lembrarás...

Douglas: Não, eu lembro-me. Pelo menos não me recordo mas foi-me dito (...)

Eira: Ah, esse foi um reinado maravilhoso...

Douglas: Sim, esse foi um reinado interessante, mas um reinado que atravessou muitas guerras. Mas o pior período foi quando... não se pode comparar a um período de paz, mas esse foi um largo período em que se travaram muitas guerras em terras de maior e de menor monta. E parte do meu trabalho passava por visitar os exércitos levando réplicas dos deuses e carregando o séquito de servos e sacerdotes e toda a comitiva de gente ligada aos rituais ou cerimónias, porque embora não fosse propriamente compreendido, o sacerdócio era muito poderoso, muito mais poderoso do que aquilo que as pessoas presentemente percebem, e por necessidade certas secções do sacerdócio estavam ligadas ao que chamam de exércitos. Eles não combatiam necessariamente de jeito nenhum, mas transmitiam força espiritual, a chamada força moral, aos soldados, em especial aqueles que tinham a seu cargo vastos números de homens. E eu visitei muitos lugares, e fui até à Assíria e a muitos outros lugares que os tempos obliteraram por completo.

Existiam muitas raças, raças entrelaçadas. E na raça efectiva dos Egípcios existiam muitas secções e variantes, segundo aquilo que consigo colher, no seu período de infância, era uma raça numérica (...) Mas evidentemente, pelo que consegui colher eu estive quer muito ligado à religião ou muito oposto à religião, o que te poderá soar meio estranho. Aí poderás fazer uma ideia de mim como da oposição, mas a questão está em que eu sempre estive na religião cristã – quer bastante a favor, quer muito contra. Por outras palavras, é suposto eu ter estado nela desde tempos imemoriais desde que fui um indivíduo. Sempre fui muito curioso por conhecer tudo acerca da religião e do que está por detrás dela, e da vida depois da morte e da comunicação, e de facto nos tempos Egípcios era parte muito importante da cerimónia. Não era a cerimónia pública, estou agora a falar da privada e pessoal.

Eira: Faziam sessões, mais ou menos?

Douglas: Um tipo de sessões, sim, em que curiosamente usávamos crianças, jovens garotos, como médiuns, o que se devia quer ao facto da pureza da mente quer à falta de experiência no mundo exterior, assim como por de facto descobrirmos que muitos fenómenos ocorrem que envolvem os catraios, como os fenómenos poltergeist, etc. Os catraios, em especial em determinadas idades, envolvem determinada coisa que é muito propícia a fenómenos físicos. E era coisa comum jovens garotos ser usados enquanto instrumentos. E eu tive algumas experiências nesse sentido. Mas claro que, na Roma antiga, onde eu tive uma outra experiência numa altura posterior, eu fui muito mais o contrário, de facto eu fui muito contra a religião. Isso evidentemente constitui uma guerra constante, se quisermos, ou uma batalha constante em nós próprios numa busca. Mas claro que jamais poderemos assimilar o conhecimento se só conhecermos um dos aspectos da coisa. E o que isso tem de extraordinário é que temos que experimentar coisas diversificadas, por muitas maneiras diferentes. Precisamos estar a toda a hora, não direi em guerra nem com (...) mas precisamos sempre estar a buscar e a pesquisar, por vezes em oposição; porque por vezes a oposição conduz-nos a um novo aspecto do conhecimento. É por isso que digo que é estúpido que as pessoas aceitem algo às cegas de que não têm necessariamente uma prova, ou aceitem literalmente sem procurar dessecá-lo e analisá-lo ou criticá-lo, ou suscitar uma nova ideia. Por a verdade estar constantemente em mudança; com isto não quero dizer que ainda não seja a verdade, mas a questão está em que apresenta sempre um aspecto novo, há sempre algo novo a aprender e a ganhar, alguma nova experiência a descobrir, etc.

Eira: Bom, obviamente que, se foste um sacerdote, eu não estive contigo nessa encarnação particular.

Douglas: Nessa encarnação não estiveste comigo, evidentemente, por os sacerdotes não se casarem. O que não afectava, claro está, o facto de eles terem relações. A questão está em que podemos recuar a outras experiências minhas em que eu estive muito na oposição à religião. Mas de um jeito estranho, embora nesse período de encarnação Romano do tempo de Nero e dos primeiros cristãos, eu não era contra os cristãos, mas não era crente no cristianismo. E decerto que em certa medida me ressentia da infiltração que esse pensamento conseguia nos assuntos de Roma e em particular na política, por ter começado a influenciar a política, por mais que isso agora possa parecer estranho. Havia um vasto número de gente altamente situada que tinha aceite o cristianismo, embora não o declarassem às claras nesse. Eu perdi um ou dois amigos muito chegados, nessa época, por causa das doutrinas cristãs, por eles terem mudado o estilo de vida e a maneira de pensar, o que abriu uma brecha entre nós. Nesse período de tempo eu era uma pessoa muito ligada às artes da guerra nesse período de tempo e de facto tinha um elevado posto nos exércitos de Roma.

Na mudança de que falo, em Roma, eu aposentei-me por estar demasiado velho para ser soldado, e tive uma Vila muito bela que mandei construir que foi o nosso lar, e nessa altura tu eras minha mulher. Tanto quanto sei sempre estivemos juntos e sempre nos conhecemos... E tivemos cinco filhos. Nós presumimos ou pensamos, na Terra, que seja a base do relacionamento. Este negócio do relacionamento é algo que creio precisamos esclarecer. Quer dizer, nós falamos de uma vida em que casamos e tivemos filhos e evidentemente laços de parentesco estreitos. Mas precisamos lembrar-nos que ao longo de um período de dois mil anos deram-se muitas mudanças em nós próprios, e o laço que era tão forte no sentido familiar, no sentido material, mudou. O que não quer dizer que ainda não tenhamos laços e afectos e amor, pois o amor aumenta, só que com o aumento do amor e o aumento dos afectos sobrevém um novo conhecimento e uma nova realização, a de que somos tanto mais parte um do outro que o relacionamento físico ou os aspectos físicos da relação não mais têm o mesmo sentido, como no caso de esposa, filho, filha... Após um tão longo período de tempo aqui não mais ocorrem no mesmo sentido e não têm o mesmo sentido. Eles são importantes, mas temos uma sabedoria maior, uma maior percepção que não tem nada que ver com o relacionamento físico de homem ou mulher ou filho, filha ou marido ou esposa. É uma visão mais vasta da mente e do espírito que nos une.

Eira: Isso é formidável, querido...

Douglas: Há tanta gente... por exemplo, eu conheci gente que me disse: “Eu tive três maridos. Quando passar para o vosso lado, com qual passarei a estar?” É muito provável que venha a ficar com qualquer um deles, ou com nenhum. Ou bem que poderá vir a ficar com um deles, ou venha a viver num sentido comunitário. Mas divorciam-se do aspecto físico do relacionamento e colocam tudo no plano mental e espiritual e aí percebem que as qualidades dos diversos indivíduos são o factor importante, e não o facto de amarem mais este ou aquele. O amor é algo que é fluído. E quanto mais amor tiverem mais ele aumenta, e mais ele distribui e mais abrange, mais aproxima todos os envolvidos. Precisam tentar evitar, tanto quanto possível, nesta grandiosa concepção das coisas, nesta realização maior das coisas, que o amor, que é o factor predominante que se encontra por detrás de toda a vida, e que é de tal modo abrangente que só pode ser verdadeiramente realizado e compreendido quando deixar de ser demasiado pessoal, do ponto de vista da possessividade, etc...

Penso que é importante perceber que, por exemplo, que desde que tu e eu viremos a ficar juntos, quando aqui estivermos, será num muito mais elevado plano mental e espiritual evidentemente, e que em consequência da tua vinda, tu serás apresentada e conhecerás muita gente que está há muito associada a nós; e começarás a visualizar as coisas de uma forma mais clara e a apreciar as coisas de forma mais completa, de modo que te tornarás parte deste grande todo. Por já termos visto anteriormente que todo o espírito é UM só espírito, e que embora existam indivíduos na medida em que temos uma personalidade individual, carácter, etc., que representa um acúmulo ao longo de séculos de aprendizado e de experiência, seja como for, fazemos todos parte uns dos outros. O progresso dos meus amigos é num certo sentido o meu progresso; quanto mais eu progredir mais tu progredirás, por causa do amor e do afecto que tenho por ti e da força que te trago, que te possibilitam que te chegues mais e assimiles, conforme assimilarás assim que aqui chegares, ainda mais do que provavelmente poderias ter assimilado caso não estivéssemos juntos ou, por exemplo, nunca nos tivéssemos conhecido.

Por vezes as vidas das pessoas são unidas ao longo de muitas encarnações, e tornam-se verdadeiramente num espírito no sentido mais completo, entendes?. Assim que nos conseguirmos livrar do EU SOU individual, e em vez disso nos considerarmos parte de um grande todo completo... ou por outras palavras, tomarmos consciência de que somos parte de um plano divino, do Espírito Divino... é sobre essa unidade da mente que muita gente, creio bem, tece inúmeras teses e ideias concernentes a si mesmos e à religião em particular.

Refiro-me a esta ideia da religião que as pessoas têm quando aceitam a religião ou qualquer credo ou dogma que seja, de serem indivíduos e de virem a ser completamente salvos ou a tornar-se íntegros, e que venham de novo a existir numa forma de vida em que venham a representar uma parte muito importante, sem dúvida... mas elas não parecem valorizar que a única maneira de encontrar a verdadeira ideia seja perdendo-a. Por outras palavras, não é ser salvos nesse sentido da matéria, mas que vocês possuem dentro de vós a capacidade de se salvarem por intermédio de um desejo da verdade, de um desejo de conhecimento, por intermédio da aceitação - e contudo ao mesmo tempo, também em certos casos por meio da rejeição.

As pessoas não valorizam nem compreendem plenamente que para se avaliar o branco precisamos do negro e não uma escassa condição de cinzento. Por outras palavras, todas as nossas vidas são unidas na medida em que fazemos todos parte e parcela uns dos outros, e que quando uma pessoa cai, então as outras pessoas envolvidas poderão alçar-se a uma elevada condição. Elas reduzem-se, por assim dizer, de bom grado, para ajudar uma menor. Por outras palavras é somente perdendo-nos que nos encontramos; somente pela percepção de que somos aquilo que somos por causa dos outros, e por causa dos pensamentos e influências dos outros. Por outras palavras, nós não nos podemos elevar ou alcançar ou ser algo até que num certo sentido nos esqueçamos de nós e amemos, e aceitemos que de facto todos fazemos parte da grande Fraternidade do Homem, que fazemos todos parte do Grande Plano, fazemos todos parte do Espírito de Deus.

Somos todos do mesmo espírito que se manifesta sob diferentes aparências, se preferirmos, em diferentes períodos de tempo e em diferentes corpos e em circunstâncias diferentes. Mas é o mesmo espírito que anima toda a vida, e é essa unidade do espírito que torna todas as coisas tangíveis e concebíveis, todas as coisas possíveis. E decerto que é esse Espírito Divino que leva cada um de nós a percebermos um potencial e uma possibilidade. Não devemos perder de vista o facto de que embora sejamos indivíduos, não podemos ascender sem que os outros também ascendam, e que eles nos ajudam e nós a eles, e que nessa ajuda esteja a resposta para todos os problemas e para todas as confusões. Não devemos considerar nunca que possuamos todas as respostas e que, em nós próprios não consigamos fazer nada até que nos esqueçamos de nós próprios por assim dizer, no amor e no verdadeiro eu-próprio.

Eu aprendi tanto durante o tempo em que aqui tenho estado... A religião devidamente compreendida e devidamente aplicada no seu sentido pleno, no sentido correcto, constitui a resposta, mas não no sentido tacanho nem no sentido em que muita gente desejará que enveredem, que muita vez pode acarretar desespero e confusão. Penso que devemos manter a mente sempre livra para aceitar ou rejeitar, e não para ficar atada nem agrilhoada

Toda a minha bênção e amor, e adeus.

Eira: Sim, obrigado, querido.


Leslie Flint
Transcrito e traduzido por Amadeu António 

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