sábado, 4 de março de 2017

DOUGLAS CONACHER FALA SOBRE CRISTO ENQUANTO SÍMBOLO

DOUGLAS CONACHER FALA SOBRE O CRISTO
Douglas Conacher: O tempo na verdade não é nada mais do que uma ilusão...
Eira Conacher: (Comentário da esposa relacionado com o sétimo aniversário da passagem do marido para o mundo espiritual)
Douglas: Pois, a minha chamada "passagem"... Muito pouca gente chega a perceber que a morte em si mesma representa um termo impróprio por não existir tal coisa. A morte representa uma passagem para a vida, mas poucos o percebem. É altamente extraordinário que as pessoas... quando pensam na morte de uma pessoa... para elas as recordações continuam e muitas vezes os seus pensamentos permanecem com essa pessoa mas elas consideram que isso represente uma separação, caso a pessoa falecida chegue a existir de todo, num tipo completamente estranho de mundo em que um dia possivelmente entrarão... mas que receiam sequer pensar seriamente e muito menos tentar estabelecer contacto. A vasta maioria das pessoas acha que seja uma coisa pavorosa. O que para mim é uma coisa extraordinária.
Afinal de contas, se pensarem em viajar para o estrangeiro, para outro pais em que nunca tenham estado, procurarão encontrar tudo quanto lhes possa dar a conhecer, comprarão livros se tal tiver cabimento no vosso orçamento, ou irão a uma biblioteca e trarão livros emprestados para descobrir tudo o que conseguirem, ou contactarão alguém que lá tenha estado a fim de descobrirem... É uma coisa estranha que achem pensem que seja errado estabelecer comunicação com os chamados "mortos..." como se uma pessoa que esteja morta de repente seja algo que deva ser posto de lado. Isso a mim soa tão estranho!
Eu por vezes penso em mim próprio como se só existisse para falar contigo na forma natural a que estávamos acostumados na Terra, eu sinto que, embora num sentido seja natural, do vosso ponto de vista não acho que seja compreensível ou valorizável, não acho que alguém do vosso lado se importe por perceber as muitas dificuldades de modo que não nos sintamos atados com aquilo que te quero dizer e daquilo em relação ao que preciso decidir-me quanto a dizer-te isto ou aquilo, de modo que, assim que a oportunidade surgir decerto possa dar o melhor de que for capaz. Mas nunca chego a sentir que tenha dito mais do que um por cento do que esperava ou tinha intenção de te dizer (...)
Este é um processo de palavras, de transmissão do pensamento por meio do som, tentar descobrir maneiras de explicar algo que em certos aspectos é tão diferente e tão contrário ao mundo material em que vocês ainda existem. É verdade que o nosso mundo em determinados sentidos não difere muito da Terra; de facto há muitos aspectos da vida aqui que são tão parecidos... de facto acho que seja necessário e essencial que assim seja, em particular relativamente às pessoas que para aqui vêm por uma primeira vez, caso contrário acharão tudo tão estranho que se sentirão perdidos... A realidade da vida é tão tremenda e sentimo-nos de tal modo vivos, como que pela primeira vez... tudo é novo e viçoso que nos sentimos cheios de vitalidade e de vida e de energia. Se pudessem perceber que tal sensação existe aqui, mas tanto mais que é como se sentíssemos como se tivéssemos sido iluminados... é algo que não consigo nem explicar, ao passo que quando somos jovens na Terra cansamo-nos e perdemos energia e precisamos de... aqui sentimos o tempo todo como se estivéssemos revitalizados, e tudo é de tal modo notável que temos vontade de experimentar tanto e tão rápido quanto pudermos, mas é claro que até aqui precisamos aprender a ser pacientes por não podermos assimilar demasiado em tão pouco tempo, caso contrário contrai-se um tipo de indigestão mental ou espiritual.
Mas penso que a maioria sente fortemente, em grande parte, quando aqui chega é uma tremenda vitalidade, esta sensação de benevolência, esta sensação de leveza, esta sensação de liberdade, esta sensação de ausência de preocupação ou de aflição indevida, tempo ilimitado para fazer ou experimentar tudo, tudo ao nosso redor é feito de beleza, cor na vida e na atmosfera uma tal sensação de estarmos vivos... É por isso que quando se fala das pessoas estarem mortas, é tão estúpido e tão contrário à realidade, por nunca nos termos sentido tão vivos como quando aqui nos encontramos. É fantástico, sabes. Quando examino a minha própria vida e penso nos múltiplos aspectos da minha vida, em particular da minha vida de negócios, na minha atitude mental, em particular a religião e o tipo de gente com quem me associava, os meus amigos, e as conversas que tínhamos sobre religião... para mim tudo isso parece de tal modo afastado da realidade conforme agora a conheço...
É por isso que estou perfeitamente certo de que, se certas pessoas me ouvissem agora ou lessem o livro que vais publicar, achariam muito difícil acreditar que sou eu, por todo o meu ser estar completamente diferente. Achar-me-iam a mesma pessoa, com respeito ao carácter e à personalidade, no entanto há tantos aspectos do meu ser que estão diferentes; certamente que o meu aspecto mental está diferente, do ponto de vista do que se designa geralmente por religião, por aqui se viver a religião e se respirar religião no mais elevado dos sentidos - é a vida! As pessoas geralmente associam a religião à vida quando de facto pensam que seja uma coisa aparte, algo a que se presta um serviço - receio até dizer figura de retórica ao invés de uma coisa prática. Mas a questão está em que se trata de uma religião viva, algo para que se deveria estar alerta caso se vivesse pela religião e se associassem às coisas que são de importância vital, por a maioria das pessoas andar ao redor das coisas triviais, algumas das quais sabem no seu íntimo serem destituídas de valor, mas atêm-se a valores errados e a velhos credos e dogmas e não percebem as verdades fundamentais das únicas coisas que importam, das únicas coisas que efectivamente perduram. Muitas das coisas que se associam à vida na Terra são as que, em si mesmas, são as que têm menos valor. Para nós é apavorante, sabes, nós vemos o mundo do vosso lado a uma luz diferente, vemos as pessoas de uma maneira diferente e vemos a forma como levam vidas embotadas, vidas vãs, vidas depressivas; na verdade toda a sombra que envolve a Terra é uma coisa real para nós, como se por vezes se movessem numa espécie de nevoeiro, e esse nevoeiro é algo que o género humano criou pelo processo mental do pensamento, e consequentemente por o viverem, evidentemente, o que criou essa barreira. É dessa barreira que o próprio homem é feito, o que torna difícil nós estabelecermos contacto.
As pessoas não parecem perceber que todo o tempo, por meio de tais acções... elas estabelecem uma espécie de véu entre o nosso mundo e o vosso, que se torna difícil de penetrar essa barreira.
(Fala de Jesus) ...a sua própria vida foi uma vida de completa simplicidade. Um homem de origem humilde e de uma natureza humilde que não tinha qualquer desejo de posição nem de autoengrandecimento, na realidade ele permitiu-se livremente ser sacrificado, como de facto todos os verdadeiros cristãos, e há verdadeiros cristãos que seguiram o Cristo... devem ser o contrário do que são pela sua própria natureza se revelam por esta posição e grandeza. Por outras palavras, o Cristo era um homem de origens humildes, que nasceu em humildes circunstâncias; ...apreciar o facto de ter nascido no sentido normal e de forma normal e em condições normais, e que foi verdadeiramente um homem a esse respeito, porque quando perceberem que foi verdadeiramente um homem então vocês tornam-se numa realidade, e poderão dizer a vós próprios: "Eis aqui um homem que realmente se realizou, que na realidade se tornou num verdadeiro filho de Deus, O Filho de Deus, e eu posso segui-lo. E por causa disso Eu Sou. Eu posso por conseguinte ser luz e um homem, conforme ele disse que se podia tornar."
Foi por causa disso, é claro, que se gerou desmembramento por entre os seus discípulos, enquanto em si mesmos eram homens rudes nos objectivos e propósitos, mas seja como for, que olhavam para Jesus como um indivíduo que detinha poder que eles não compreendiam por completo e que pensavam podia ser usado de uma forma material a fim de produzir - conforme a ideia que tinham - a salvação do povo Judeu, ou seja, olhavam-no tanto no sentido político quanto no sentido espiritual, tentaram usá-lo em benefício material, e embora fossem homens de boa índole, conforme alguns que depois de Jesus procederam conforme ele tinha dito para procederem, mesmo assim, pela sua própria natureza, vacilavam muito; e em determinadas alturas causaram sem dúvida a Jesus uma enorme aflição e angústia, por ele lhes tentar transmitir o seu espírito e a sua maneira de pensar e a sua maneira de viver, mas a despeito da adoração do Cristo, eles ainda estavam muitos homens, ainda estavam muito mutilados, sem rutilo.
Creio que, se a Igreja pudesse rever a sua maneira de pensar acerca de Jesus e dos seus discípulos e do ministério e vida de Jesus, se conseguissem abordar isso de um aspecto diferente. Ela criou em torno da figura de Jesus algo com que ele próprio não se interessava, criaram um religião em torno dele, e Jesus não tinha literalmente tempo nenhum para a religião e na verdade combatia a religião como poderão ver pelo caso do templo e dos cambistas, conforme sabem que ele era muito, em diversos os mais díspares, contra o pensamento ortodoxo e contra os que ocupavam os lugares cimeiros, os sacerdotes por exemplo. Ele não tinha tempo para o poder nem para a posição. Em certo sentido respeitava aqueles a quem enquanto autoridades tinha que obedecer, mas ao mesmo tempo era um homem de uma imensa sabedoria e de uma grande perspicácia. Ele percebia que certos aspectos do viver material precisavam ser considerados e seguidos e aceites, mas ao mesmo tempo percebia as coisas fundamentais que realmente importam, as coisas da mente e do espírito, as coisas que não podiam sofrer decadência, conforme habitualmente dizia: "Na casa de meu pai há muitas mansões."
Por outras palavras, que existem muitas classes de existência nas esferas do chamado "céu." Ou seja, existem muitos planos para que o homem pode avançar de acordo com o seu desenvolvimento ou evolução. Cristo não pretendia ser Deus, Cristo não pretendia tornar-se num líder no sentido que o homem criou tal liderança pela sua imaginação. Vocês aprendem a adorar a Jesus quando Jesus era a última pessoa a desejar tal adoração. Jesus não esperava nem desejava que o colocassem num pedestal; de facto era exactamente aquilo que ele mais abominava; ele não desejava qualquer posição, mas desejava apenas que as pessoas vissem a simplicidade da maneira de viver que lhes traria libertação das dores e do sofrimento que os assediava, ao mesmo tempo que sabia que examinando a via da correcção e da verdade no mundo material, pelo menos por um tempo, criaria alguns estragos que não se podia evitar, por a questão toda assentar no facto de Cristo saber que, até certo ponto se superarem terão que sofrer, mas é quando se percebe a imensidão da vida eterna que se torna insignificante o que o homem tem que sofrer na curta duração do tempo da existência terrena.
Cristo não entendia, como muitas pessoas parecem pensar que tenha entendido, da forma estreita ou confinada, como a sua doutrina foi desenvolvida, ou deverei dizer, veio a ser posta em conformidade. A Igreja sempre restringiu a verdade, sempre se opôs à verdade, sempre se esforçou por sufocar aqueles que pensavam pela própria cabeça ou que iniciavam um novo caminho ou uma nova linha de pensamento. Cristo sabia que aquilo que ensinava era o começo e chegou a dizer: "Isto e coisas mais grandiosas fareis vocês, porquanto eu vou para o meu Pai," querendo dizer que o homem possuía dentro de si o poder e a capacidade de realizar e de fazer o que ele realizou e fez. Toda a questão assenta no facto de que durante séculos se esforçou por confundir Cristo na sua estreita concepção; não só ele e a sua riqueza como também tentaram fazer de Cristo algo que se acha de longe afastado da realidade. Cristo foi uma expressão da vontade e do propósito de Deus mas não passou do começo do que poderia ter representado uma tremenda busca externa da verdade e da iluminação.
O homem presume que Cristo seja, não só Deus na Terra, mas que seja o poder omnipotente que torna todas as coisas possíveis; por outras palavras aqueles dotados de uma atitude mental confinada precisem ser adaptados com respeito a Cristo. Cristo não foi o princípio do fim, Cristo foi um seguidor de outros grandes profetas e videntes. Cristo pavimentou o caminho no seu próprio tempo, mas eventualmente sabemos que os seus ensinamentos tiveram efeito noutros lados, de facto tiveram um grandioso efeito até mesmo hoje no vosso mundo. Mas a tragédia está em que ao longo dos anos e das eras foram de tal modo restringidos, quando deviam ser amplos e libérrimos e abertos e votados à expansão. O poder do pensamento de Cristo emanaria por toda a parte se as pessoas os percebessem e os aceitassem e lhes abrissem as suas mentes. Não são um livro fechado que a Igreja prega os ensinamentos de Cristo em nome do Cristianismo num sentido fechado, de modo a poderem dizer que o capítulo começa aqui e o livro acaba ali, e isso é tudo quanto compreende, e nada mais além disso, o que evidentemente é estúpido. Cristo foi uma grande mestre, um grande profeta, um grande homem, um grande realizador da verdade da vida eterna, verdade essa que transmitiu aos discípulos, que eles interpretaram a seu modo e no seu próprio tempo a fim de seguir o seu exemplo e sofreram em consequência.
Mas a questão está em que a Igreja permanece estacionária, estagnou, e parece não compreender que Cristo era a favor do progresso. E em vez da Igreja ter progredido conforme deveria ter feito e devia ter a mente em sintonia e em contacto como uma só mente com Cristo e aqueles seres angélicos que sempre referem o Cristo; não só de expulsar o mal mas gerar muito do domínio do espírito. Ele estava em constante comunicação com os chamados "mortos." Na realidade todo o trabalho e doutrina do Cristo prova ou devia provar àqueles que deviam assinalar e estudar e buscar e descobrir que Cristo foi um grande instrumento, um grande médium que esteve permanentemente em comunicação. E quando ele realizava um milagre ou tornava possível a realização do que parecia a ocorrência de um milagre, ele usava as forças psíquicas e espirituais que emanavam dos domínios do espírito. Ele encontrava-se em constante comunicação com diversas entidades e almas. De facto é provável que Cristo tenha sido o maior dos instrumentos ou médiuns. Ele usou da mediunidade por muitas e muitas maneiras, que a Igreja negou e que a Igreja passou a recear. Na verdade a Igreja, segundo me parece, tem pavor de fazer as coisas que Cristo disse que deviam fazer a fim de aceder às autoestradas e aos atalhos para curar os doentes e os sofredores, e o próprio Cristo muitas vezes preferia fazer as coisas que o homem devia fazer: o dom de falar por línguas, Cristo conhecia todas essas coisas; na verdade aquelas coisas que nós referimos em linguagem moderna como "psíquico," Cristo tinha conhecimento dos planos elevados que evidentemente eles experimentaram. Cristo veio para mostrar o caminho, caminho esse que infelizmente foi quebrado em diferentes estados, diferentes credos e organizações, todas quantas se encontram perdidas; de facto, olha para a Igreja Cristã cujas suas diferentes denominações refiro como um enorme labirinto, elas entram nelas mas muito poucas sabem como encontrar o caminho de saída.
Eira: (Ri) O teu senso de humor está na mesma, querido.
Douglas: É verdade! Eles fabricaram a verdade do Cristo, a verdade cristã, a doutrina do Cristo. Eles criaram um edifício que num certo sentido serve como um enorme labirinto em que uns veem aos outros em busca de uma saída e sem que ninguém encontre o caminho de saída para campo aberto e claro onde possam encontrar uma experiência fresca. Andam todos ao redor do labirinto que eles próprios criaram na sua ignorância ao longo dos séculos. E não precisamos que nos recordam das coisas terríveis que sucederam em nome do Cristianismo, em que sucederam acontecimentos terríveis (...)
Minha querida, não estou a sugerir nem por um instante que não sejam pessoas sinceras que se esforçam por fazer aquilo que em certos casos fazem extremamente bem, e que em si mesmas são sinceras, mas o que penso ser assustador é a forma como limitam o Cristo, o limitam a tal ponto que se torna inacessível e incomparável; colocam-no num pedestal e pintam um retracto que com toda a franqueza constitui um conto de fadas que leva as pessoas a sentir que não podem chegar a ter qualquer ligação alguma, que possivelmente não podem ter qualquer comunicação com ele...
Eira: Posso só perguntar se Jesus terá parecido um Judeu na aparência?
Douglas: Essa é uma outra falácia. Vocês têm esta figura de um cavalheiro dotado de uma cabeça bem proporcionada e de um rosto comprido, que anda de vestes brancas e que supostamente seja Jesus. Claro que essa é a interpretação que o homem branco faz, e não vejo razão para que o homem de pele escura ou o negro não deva ter adoptado o retracto de um cavalheiro de cor. Mas a coisa é toda de tal modo estúpida... É claro que Jesus nasceu no seio do povo Judeu, e em certa medida obviamente tinha um aspecto Judeu, mas a questão está em que, aqui, embora até certo ponto retenhamos a aparência externa conforme a que conhecemos na terra durante incontáveis séculos de evolução no tempo, nós passamos por uma transição e mudamos, mas claro que tudo quanto de íntimo temos de bom sobressai e fisicamente tem a capacidade de nos transformar a aparência. Por exemplo, uma pessoa que na Terra tenha tido uma certa aparência que tenha levado uma vida muito material, que se evidenciasse muito no rosto e nas características, não se transformará de repente em algo de aspecto muito belo, mas a questão está em que o Cristo teve aquela esplêndida realização da verdade quando esteve na Terra; ele quase lutava pela verdade e por expressar a verdade e por expressar vontade e propósito entre os homens; ele era realmente um ser espiritual e em consequência foi um homem de respeito e de estima, belo de contemplar, mas suponho que quanto às características, nesse sentido, tinha a aparência Judia.
Eira: Pois, mas é estupendo querido, e um dia destes posso acabar por fazer parte da associação dos estudos psíquicos ou espirituais e eles vão gostar de saber disso, não?
Douglas: Gostaria de pensar que lhes agradaria pensar que sim. (Falam ambos ao mesmo tempo) Mas quão preparados estarão eles para o aceitar? Entende, a questão que coloco é a seguinte - e talvez esteja a ser descortês, mas não posso evitar dizer o que sinto e penso. A maioria das pessoas aceitará, quer dizer, se sentir interesse por estas coisas, aceitará o que é referido pelo espírito caso esteja de acordo com o predeterminado e esteja em conformidade com as ideias desejadas.
Eira: Estou a entender. Da próxima vez gostava de saber se poderás contar-me sobre as encarnações, por eu acreditar que tenha sido irmã (...) de alguém em espírito, antes...
Douglas: Bom, isso é uma coisa que frequentemente gostaria de discutir. Espero que numa data posterior possamos discutir em profundidade as encarnações. Penso que é muito importante compreender que não há dúvida de que o próprio Cristo esteve encarnado e que reencarnou em diversas ocasiões. Entende, em todas as eras... e o homem (e utilizo o termo "homem" do ponto de vista da aparência física, mas alguém assim dotado de inclinação espiritual e assim espiritualmente inspirado que carrega aos seus ombros o resto das pessoas. Por outras palavras, cada era produz grandiosos profetas e mestres na linha do Cristo ou na tradição e na forma de pensar do Cristo. Essa é a tragédia que sinto tão fortemente, entendes, que os cristãos presumam que Cristo tenha sido o grande e único mestre. Quer dizer, eles têm a ideia de que Cristo veio pela religião e de que a religião deles é a única religião que importa. A sua é a Religião e de que as dos outros é insignificante em comparação, o que é um erro crasso, por não ter nada que ver com a raça, nada que ver com nações ou classes. Mas o que tem importância é que o poder do espírito santo se manifestou através da humanidade por múltiplas formas e por múltiplas maneiras. Assim que se perde a ideia da concepção estreita de Deus; por outras palavras, de que Deus tenha criado o seu único filho e o tenha enviado para o mundo a fim de pregar o evangelho aos povos... Essa é a grande falácia. Cristo não pode ser diminuído no sentido em que habitualmente é diminuído. Mas uma vez mais não devemos referir-nos a ele como uma pessoa.
Deus e Cristo para o efeito perfazem um, mas no sentido espiritual. A coisa toda resume-se no facto das pessoas se confundirem devido ao facto de lhe atribuírem forma e feitio, nome, por lhe atribuírem tanto da natureza e concepção material que toda a abordagem acaba errada. Precisam largar essa atitude e pensar num sentido mais amplo no poder do espírito que se manifesta a si mesmo por múltiplos e diferentes valores. E é esse poder do espírito santo que é a própria vida, é esse poder que gera em nós, por nós e ao nosso redor. É isso que faz de nós parte de um plano divino; é isso que nos dá vida eterna; nós realmente somos seres espirituais, mas por termos formas e contornos externos pensamos em nós como pessoas, o que num certo sentido é exacto, só que não devemos pensar somente na figura e na forma e no tamanho e aparência e nomes e títulos, devemos pensar no espírito santo, aquela parte eterna que se traduz pela própria vida e que produz todas as coisas. Existe vida e existe a vida eterna; não só nos humanos mas em todos os diversos reinos.
O reino animal, por exemplo, as pessoas pensam que os animais não possuem vida para além da material. Não é assim; existe uma centelha vital de vida em todas as coisas que possuem ser e que respiram e que são dotadas da própria vida. Isso é o espírito eterno que a toda a hora motiva nova vida. Desejaria encontrar maneira e palavras de... Não te peço que aceites o que te digo; devemos tentar sempre ter uma mente completamente livre, completamente desembaraçada, completamente aberta. Não devemos ser dogmáticos e dizer: "Eu acredito nisto e isso para mim é sagrado, e não aceitarei mais nada," conforme tanta gente faz na Terra com a religião que segue, quer seja cristã ou maometana. As pessoas parecem presumir que a sua religião seja a única coisa que importa, e que tudo o mais seja falso. Existe verdade em todas as coisas; se ao menos procurassem aquele pequeno grão e o plantassem, ele cresceria e desabrocharia, e vocês veriam que existem muitas nuanças e muitas classes e graus, que existe beleza, verdade e vida em todas as coisas. Mas nunca devemos presumir que conhecemos todas as respostas; nunca devemos presumir que a nossa religião seja a única religião, ou que o nosso Deus seja o único Deus. 
Não devemos pensar de forma tão estreita. Nisso reside a tragédia que o homem criou destruição e infelicidade durante um incontável número de anos por causa da sua mentalidade estreita, por ele achar que aquilo em que acredita seja a única verdade. A verdade precisa ser livre, precisa ser abrangente, precisa estar permanentemente aberta à mudança, sempre aberta a novas ideias, a novos pensamentos, a novas verdades. Por outras palavras, a verdade é de tal modo vasta que se pode obter uma enorme sabedoria a partir da verdade. Quando estamos na Terra em particular, que só precisamos que se nos apresente um pequeno grão dela. Mas devemos naturalmente cuidar dela e desenvolvê-la para que ela se espalhe a si mesma e cresça. Mas por termos uma flor bela num pote não devemos presumir que ela seja tudo quanto existe, quando por todo o lado ao nosso redor existe um incontável número de flores, grandes jardins floridos, tudo florações da verdade. Podemos entrar nesse jardim e sentir-nos livres e partilhar da sua beleza e desfrutá-lo e valorizá-lo e começar a compreendê-lo e começar a tornar-se parte dele, porque então poderemos ver as vastas vistas que se nos apresentam pela frente. Mas um homem enfia uma planta num pote, e depois rega-a ocasionalmente para que não morra, e essa passa a ser a única verdade, a única planta, a única verdadeira religião. Essa é a insensatez do homem. Seja como for, devemos falar de outras coisas, encarnações, mais sobre o Cristo.
O CRISTO ENQUANTO SÍMBOLO
Douglas: Segundo sua senhoria (Referindo-se a Mickey) eu sou o transmissor principal. (Riso) Na verdade tem toda a razão. É claro que tenho por aqui muita gente mas raramente têm oportunidade de falar.
Eira: Suponho que estejam num cumprimento de onda diferente...
Douglas: Na realidade, a questão toda está em que, numa ocasião como esta, invariavelmente são diversos os tipos de pessoas que são atraídas, pessoas que naturalmente, caso pudessem, entrariam em contacto com os seus, mas sempre estão a par de quem tem todo o negócio a seu cargo e mantêm a casa em segundo lugar. Por afinal de contas ser justo.
Se ao menos as pessoas do teu lado pudessem perceber o número de almas que se esforça e tem ânsia por estabelecer contacto e com os amigos na Terra; se ao menos elas percebessem o quão próximo por vezes os entes queridos estão delas, se entendessem esta verdade isso faria toda a diferença. Mas quanto mais penso nisso, quanto mais sei e percebo que apenas essa verdade do universo fosse aceite, se todas as pessoas o compreendessem, estou bem certo de que o mundo alterar-se-ia mais.
Penso que gostarás de saber que a tua mãe aqui se encontra hoje...
Eira: Ah, fico tão satisfeita...
Douglas: ...e que te envia todo o afecto e bênçãos. Creio que está para se celebrar um aniversário qualquer.
Eira: Há um que se está a aproximar e outro que passou...
Douglas: Há um em Março e outro em Maio, e outro em Junho e outro ainda em Agosto...
Eira: Querido, tens o teu pai aí contigo, não?
Douglas: Porque dizes isso?
Eira: Por apresentares o teu ligeiro sotaque Escocês.
Douglas: É uma coisa extraordinária, essa. Perguntava-me se o não terias notado antes...
Eira: Notei...
Douglas: Quanto pela primeira vez te falei não tinha consciência de qualquer sotaque, mas agora que o meu pai aqui se encontra aqui bem ao meu lado a dar-me aquela força de que precisei ao comunicar contigo, tomo consciência de estar a tomar da sua parte algo que que sem dúvida vai até ti, em certa medida, na minha voz.
Eira: Pois foi, notei em duas ocasiões...
Douglas: É extraordinário como... pois é, mas entendes, toda a questão está em que, e as pessoas no teu lado jamais compreenderão isto, pelo menos duvido que percebam, que toda a vida é, num certo sentido, fluída. Com isso quero dizer que o mundo mental em que nós existimos e vós existis constitui uma coisa fluída. Vocês falam dos vossos corpos físicos e falam sobre a vossa independência, falam de ser entidades separadas e tudo isso, o que até certo ponto é verdadeiro. Mas vocês estão unicamente a arranhar o verniz. O ser real e a personalidade real é a mental. E isso em si mesmo, embora até certo ponto apresente a sua individualidade separada, e se reproduza por meio do corpo físico quando estão na Terra, não altera o facto de num certo sentido ser uma coisa fluída na medida em que todos nos achamos abertos a receber: impressões, pensamentos, da parte daqueles que nos rodeiam... Por outras palavras, em essência (e num certo sentido) somos fluídos, dado que os nossos pensamentos não são exactamente um só, exactamente, por diferirmos obviamente no pensar e na interpretação que fazemos das coisas, mas a questão está em que recebemos a toda a hora como um aparelho sem fios. O indivíduo é uma estação receptora, e captamos aqui e acolá toda a sorte de coisa na atmosfera. Somos todos parte integrante uns dos outros. Quando as pessoas, a humanidade perceber que somos parte uns dos outros, que fazemos todos parte de um universo formidável no verdadeiro sentido do termo ou palavra, que somos todos independentes e dependentes uns dos outros, é uma coisa extraordinária.
Por exemplo, estou a falar contigo, à medida que falo contigo por intermédio da minha voz chegam-te toda a sorte de pensamentos, não só sobre mim próprio e a minha própria experiência, mas de outras almas que se encontram por aqui a impingir-se e a interpretar toda a sorte de coisas. Eu não passo por assim dizer, do padrinho, apenas a estação receptora para muita gente.
Se as pessoas ao menos percebessem que ao comunicarmos não transmitimos unicamente os nossos próprios pensamentos, ideias e experiências, e nem sequer só a nossa própria evidência, mas que ao mesmo tempo podemos e fazemo-lo de forma plena e consciente, e outras vezes quase inconscientemente, e recebemos e emitimos tal como um sinal que é emitido a toda a hora.
Quando a humanidade perceber o quanto são dependentes uns dos outros, como... embora possam reter ou desenvolver o carácter e a personalidade de um indivíduo, o que é óptimo e claro é a razão para estarmos na Terra, ao mesmo tempo somos todos parte e parcela uns dos outros, todos nos desenvolvemos num certo sentido a partir das experiências das outras pessoas - não só das nossas mas das dos outros. É por isso que importa tanto enquanto estamos na Terra perceber que somos, em todos os sentidos, parte da raça humana, no sentido de recebermos e emitirmos o tempo todo.
É por isso, por exemplo, que não obstante uma pessoa poder ser apavorante, precisam recordar que de alguma forma fazem parte dessa pessoa e que essa pessoa faz parte de vós. Independentemente do quão grande possa ser vista ou do quão baixo ela tenha descido. Cabe efectivamente a todo indivíduo esforçar-se por fazer e por tornar possível, caso o consiga, a redenção do indivíduo, por sermos responsáveis uns pelos outros.
Eira: Gostaria de saber se poderias fazer algum comentário acerca da mensagem de Istar, conforme o entendes com a vantagem do ponto de vista de que gozas.
Douglas: Obviamente, as vitais e muito importantes, e na verdade poder-se-á dizer, as verdadeiras mensagens de Istar constam da ressurreição...
Eira: Ai sim?
Douglas: Obviamente! Vocês encontram isso simbolizado em Cristo, e eu enfatizaria o termo "simbolizado," o que poderá não agradar a muita gente mas é verdade. O símbolo da ressurreição é muito mais importante do que qualquer outro aspecto da vida do Cristo. Se ele não tivesse regressado dos mortos e não tivesse surgido aos seus discípulos e a outros, poderia não ter existido nenhuma fé cristã, poderia não ter resultado qualquer realização da sua mensagem e da intenção da sua existência e vida. De facto tudo se resume ao facto da ressurreição. Esse é o ponto crucial e vital de toda a sua doutrina, de toda a sua vida.

Eira: Sim, e o facto de consistir numa lei natural, por evidentemente passarmos todos por isso.

Douglas: Claro que é uma lei natural. Mas ao mesmo tempo, embora seja uma lei natural, o facto de ele ser capaz de... o que o mundo terreno imagina ou concebe... que ele ser capaz de cancelar ou ultrapassar a lei natural. A questão, entendes, está em que nós sabemos e vós sabeis que o que o santo Cristo alcançou se circunscrevia à lei natural, e que é por causa da lei natural que... a vasta maioria das pessoas na terra, até mesmo as de inclinação religiosa, presumem que Cristo tenha ultrapassado e superado a lei natural, e consequentemente o que não entendem ou referem é o milagre - que evidentemente não é milagre algum, por não existir coisa alguma quanto milagre. Milagre é somente algo que não entendem ou não compreendem e a que por conseguinte chamam de milagre. Mas o que não entendem é que os círculos dos milagres se circunscrevem aos limites, ao alcance, da lei natural. Isso, creio eu, é de importância vital que seja compreendido. Que o Cristo não foi exclusivo nisso. Muitos pensam que ele tenha sido único e tenha superado a morte... Mas todo ser humano que alguma vez tenha existido sempre supera a morte. Não há nada de único nisso. Um número incontável de milhões de pessoas, e não necessariamente gente do círculo espiritualista, ou seja aqueles que tenham comunicado com outros por intermédio de médiuns, por não me estar propriamente a referir a isso. O que estou a tentar transmitir é que um número incontável de gente que regressou dos mortos, foi vista por pessoas que não são espiritualistas, não têm inclinação espiritualista e que de facto aborreceriam toda a ideia. Por outras palavras, milhares de pessoas foram vistas em diferentes alturas e em diferentes locais, antes e de pois da passagem do Cristo. O regresso de Cristo não foi de jeito nenhum único - facto que a Igreja, claro está, se esforça por endossar como exclusivo.
Tu sabes e eu sei e a maioria das pessoas sabe, embora descartem a teoria e a ideia de que muito outros casos foram tão bem autenticados, as chamadas aparições de fantasmas em diferentes locais e em diferentes alturas, vistas não por uma só pessoas mas por vezes por diversas pessoas ao mesmo tempo, por pessoas íntegras, pessoas sem qualquer motivo pessoal, pessoas que nem sequer acreditavam nesse tipo de coisa, e que constataram e que experimentaram essas coisas. Não tem nada de singular e não subentende a subjugação da lei natural, mas tem lugar no quadro da lei natural.
Entende... quando as pessoas conseguirem perceber e aceitar o Cristo no verdadeiro sentido, e livrar-se de todo esse "mistério," dessa pompa mitológica colocada ao seu redor que o obscureceram... Cristo foi humano, entendes? Cristo foi uma realidade no sentido de que todo ser humano constitui uma realidade. Ele nasceu de uma maneira natural e esteve, desde a infância, (não resta dúvida) muito em harmonia e sintonia com as coisas do espírito; ele foi muito conduzido e persuadido pelo espírito. E ele era demasiado consciente do poder do espírito e possuía todas as faculdades e dons espirituais. Não existe nada de anormal nem nada de miraculoso. Quando se conseguirem livrar dessa concepção miraculosa, dessa ideia miraculosa do Cristo e perceber o quão humano e real ele era, o maravilhoso personagem que ele constituía - no sentido material assim como no espiritual... Quando conseguirem ver o Cristo de modo apropriado e com clareza, sem todo o contrassenso, muito do qual tem sido erigido (escrito) ao redor dele... Ele tornar-se-á numa realidade e tornar-se-á alguém que se poderá ver e entender e sentir uma relação, e ver que ele é humano. E poder-se-á então esforçar por ser como ele, e eventualmente fazer as coisas que ele dizia que devíamos fazer.
Todo este negócio de o colocar nesse pedestal peculiar - e não desejo que pensem que o esteja a rebaixar seja de que forma for - mas o que estou a tentar referir é que, quando aceitarem a humanidade e a realidade do Cristo, no sentido material assim como no sentido espiritual, ele tornar-se-á numa realidade e poderão segui-lo e poderão tornar-se como ele, pelo menos. Ele disse que maiores coisas fariam e se tornariam se obedecessem ao seu Pai. Se ele fosse Deus encarnado acham ainda que por um instante que ele faria coisas mais grandiosas do que Deus? Por que é isso que isso implica.
Eira: Poderemos usar o nome de Jesus de Nazaré para designar o Cristo? Não fará mal? Porque existiram tantos Cristos...
Douglas: Não acho que realmente tenha importância, não acho que importe nem uma vírgula que se refiram a Cristo como Jesus Cristo ou Jesus de Nazaré.
Eira: Isso não nos levará a concentrar nos horrores da cruz, como na Sexta-feira Santa.
Douglas: Não, não. Claro que não. Tanto disso... Em qualquer dos casos, certamente, o senso comum diz-nos que toda a vida do Cristo seguiu a lei natural. Quer dizer, se uma pessoa realmente se constitui num Cristo, não quero dizer que ele se tenha definido como tal, mas que se ajustem num certo sentido... mas em certa medida claro que contribuiria para o que se seguiu, e obviamente foi um homem de uma enorme coragem e de uma grande integridade, um homem que acreditava na missão que tinha, um homem que pouco se importava com as coisas materiais e que por conseguinte menosprezou a sua vida... Consequentemente, aquilo que se seguiu à crucificação estava destinado a suceder. Se não tivesse havido a crucificação ter-se-ia dado por uma morte por outra via qualquer, mas como essa forma correspondia à prática desses tempos, por razões políticas... Eles encaravam o Cristo como uma espécie de prisioneiro político... mas poucas são as pessoas que percebem isso. Toda a situação que envolveu o Cristo foi uma situação que se opunha à autoridade. Ele não poderia agir de forma contrária na missão que tinha, e as coisas que proferiu... Qualquer um que se defina ou seja criado pelos seus seguidores estaria destinado a chegar a esse tipo de final. Foi tudo dentro da lei natural, entendes? Todo o seu trabalho foi enquadrado na lei natural.
Cristo não veio formar qualquer religião. Acho que as pessoas precisam ter isso firmemente implantado na mente. É óbvio que Cristo não veio para formar qualquer religião. É o homem quem a cria, embora conheçamos o resultado que teve ao longo dos séculos, embora tenha que dizer que muito bem também resultou dela...
Eira: Pois, por podermos perder Jesus de vista, de outra forma, sem a Igreja e o seu exemplo...
Douglas: Eu sei que isto poderá soar temível mas muita, muita gente foi foi apreendida, e Cristo não foi de forma nenhuma o único. Não quero dizer que Cristo não fosse o maior, na medida em que alcançou mais, por ser óbvio que ele estava mais em sintonia, mais em harmonia com o caminho do espírito, e foi inclusive capaz de demonstrar o caminho do espírito. E claro que teve almas que o seguiram e que deram continuidade ao passos dados por ele. Creio que seja o facto dos seus discípulos, e outros, o terem seguido e tenham dado continuidade a isso, e tenham sofrido em consequência - o que estava destinado a acontecer... todo esse... corpo religioso está repleto... os primeiros discípulos eram completa e absolutamente diferentes dos cristãos dos vossos dias. Eram gente que possuía uma fé espantosa, e que se empenhava, com todas as fibras do seu ser, por se tornar como Cristo, conforme ele disse que eles deveriam tornar-se. E eles realizavam o que o mundo hoje designa como “milagres.” Isso não se encontra registado mas os primeiros cristãos organizavam o que vocês chamam de “sessões” em comunicação...
As igrejas que se perderam há séculos, quando a Igreja se tornou poderosa, materialista - de facto houve um período em que se tornou mais materialista do que espiritual, quando aqueles que presidiam ao poder da Igreja exigiam e taxavam as pessoas e se apossava de dinheiros e de propriedades – e hoje vocês encontram remanescentes disso, evidentemente. A Igreja é poderosa no sentido material, de facto a Igreja no passado deteve poder advindo de títulos e de acções, em particular a Igreja Católica, que detém muito mais poder material do que espiritual.
Mas o Cristo, entendes, não se interessava pelo poder material, nem com prédio nem propriedades, nem com o acúmulo de riquezas e de vastos tesouros. Isso é tão contrário ao que Cristo pregou, entendes?!
Eira: O teu guia, querido, esse homem maravilhoso, estará solidário com tudo...?
Douglas: Claro que ele sabe disso. Entende minha querida, o senso comum... seja por onde for que queiras examinar isto, decerto... mesmo aqueles que se acham imiscuídos na Igreja, se eles pensarem bem e com sinceridade nestas questões, deverão chegar à conclusão de que é errado acumular e amontoar riquezas materiais, por ser de tal modo contrário ao Cristo e à sua doutrina. Podíamos prosseguir sem parar, só nesta questão.
SOBRE O REINO ANIMAL
Quanto aos animais; não queremos dar a entender que os animais, ou qualquer forma de vida sequer, se encontrem num plano de vida inferior, mas precisamos declarar o facto de que um certo aspecto do reino animal decerto ainda não atingiu o nível da raça humana, mas os animais que temos connosco são os animais de estimação. Ao longo de gerações eles foram muito mais humanizados, embora este não seja o melhor termo a empregar. Os animais são de longe muito mais inteligentes do que aquilo que lhes creditamos; embora não sejam capazes de falar connosco, eles têm consciência do que pensamos. Mais uma vez entra aqui o aspecto da fluidez do aspecto mental da vida, que o mundo tanto ignora... A questão está em que o animal, o cão ou o gato de estimação, até mesmo o canário, eles têm consciência dos nossos pensamentos. Não quero dizer que tenham consciência no sentido de entenderem o que tentamos transmitir, mas sabem instintivamente, se quisermos (mais uma vez emprego o termo "instintivamente," embora não seja o termo que pretendo empregar). Eles têm consciência de nós, do nosso pensar e do nosso sentir... e estão solidários, e muito mais desenvolvidos, digamos, do que por exemplo uma vaca ou um búfalo ou leão. Esses em grande medida vivem afastados do género humano, e mais na selva e em ambientes naturais, sem contacto com os seres humanos, e de facto no temor dos seres humanos. Consequentemente eles não progrediram no mesmo sentido, pelo que tais animais não sobrevivem enquanto animais mas como algo, como aquele algo dinâmico que tem lugar, uma vez mais, no plano mental, durante um certo tempo existe, e torna-se possível, e na realidade é assim, que esses animais vivam no seu plano mental durante um tempo, que forma um domínio inteiramente à parte.
Eira: Os animais que são abatidos em função da sua carne, que é que acontece ao seu corpo etéreo?
Douglas: O seu corpo etéreo desintegra-se. Eles não assumem qualquer forma de vida conforme nós a entendemos. Mas a questão está em que essa coisa chamada "vida" por falta de um termo melhor, é algo que é indestrutível. Mas que é que como corpo psíquico ou espiritual, não tem existência no domínio animal inferior, mas a vida, a vitalidade, ainda tem existência, numa outra forma. A energia, digamos, da primavera, o botão de rosa que floresce, só é influenciada pelo tempo no sentido material. A questão está em que a essência da árvore, mesmo quando a árvore murcha e morre, ou assim parece, ainda, numa medida qualquer, contribui para a vida, numa outra forma. Nada se perde, entendes? Tudo quanto palpita de vida jamais se pode perder mas prossegue; retorna porventura numa outra forma, no sentido material, e subsequentemente fenece e retorna de novo numa outra forma, e talvez eventualmente venha a emergir numa outra forma de vida que venha a perpetuar-se ao longo do tempo.
É difícil de explicar isto, mas a pessoa humana atravessou muitíssimos estágios da evolução. A certa altura não adoptava qualquer forma, mas naturalmente começou por assumir essa forma gradualmente; gradualmente começou a assumir forma e contornos, e começou a adoptar para si algo que poderão agora reconhecer como humano. Mas isso levou milhões e milhões e milhões de anos. Quando as pessoas falam do fim do mundo, em particular essa porção da população de tendência religiosa, e referem que o fim venha em determinada data - tudo isso é de tal modo fantástico e ridículo, por nós sabermos que o mundo, não só este mundo em que vocês vivem, mas outros mundos de que vocês desenvolveram o vosso conhecimento, situados fora do vosso mundo, eles são indestrutíveis, por não se poder destruir algo que é impossível destruir e é imutável e deve prosseguir. Essa é a verdadeira lei do universo.
Eira: Voltando à questão dos animais, querido; tu encontras esses mesmos animais domésticos na mesma terceira e quarta esferas ou mesmo próximo à Terra?
Douglas: Eu acho que essas terceira e quarta esferas o que suponho deva ser... preciso dizer que seja dum tipo de natureza similar, caso contrário não compreenderão nada do que estou a dizer, mas as linhas de demarcação dessas esferas misturam-se. Mas o reino animal, dependendo do individuo evidentemente... bom, depende desse animal ser velho... não quero dizer uma alma antiga, mas o que estou a tentar transmitir é que até mesmo os animais podem ser muito velhos na medida de ter muitas encarnações. E alguns podem ser de tal modo humanizados - é dessa forma que o posso colocar, embora pareça muito bizarro, que prosseguem (me bora na forma animal). A questão está (quem dera que conseguisse transmitir a ideia) em que nós vivemos num mundo mental espiritual em que os animais de linhagem, o cão por exemplo, vem para aqui, e devido a que nós, enquanto indivíduos, não mais nos vejamos restritos pelas condições materiais, e começamos a perceber mais esta força do pensamento e este poder do pensamento e esta transferência do pensamento e este mundo da mente e do espírito, o animal ele simplesmente tem conhecimento disso quando o ser humano não - o que é uma coisa extraordinária... Apesar do homem ter progredido em muitos aspectos, o animal em certos sentidos tem mais consciência da realidade do mundo mental e do mundo espiritual do que o ser humano. Por exemplo, um animal, um cão ou um gato, é capaz de ver por meios clarividentes (conforme vocês dizem) os espíritos. Esse animal é mais sensitivo e conseguem escutar sons além do vosso alcance. O animal em muitos aspectos é mais consciente, entendes, do que o ser humano. Por conseguinte, quando um animal para aqui vem, esse animal vem assumir um estado do ser que em certa medida não lhe é tão estranho, e ele é capaz de transmitir pensamentos de modo que consigamos saber o que o animal está a pensar. E o animal sabe ainda com uma maior clareza o que pensamos, por aqui vivermos num mundo do pensamento em que as palavras não são necessárias e somos capazes de comunicar pelo pensamento; por conseguinte, encontramo-nos muito mais em sintonia com o animal e eles estão mais em sintonia connosco de modo que podemos conversar. Que tal achas isto? É uma condição mental.

SOBRE A MORTE E OS PLANOS DE EXISTÊNCIA
Eira: Estávamos a falar do teu sorriso, querido. 

Douglas: Ah! És clarividente?

Eira. Não, (ri) não. Mas o guia costuma chamar-te o homem do grandioso sorriso.

Douglas: Pois bem, eu aprendi a sorrir há pouco. Sinto-me extremamente feliz, tanto que por vezes penso que te deverá parecer o velho ditado: "quão felizes estamos." É claro que nos sentimos extremamente felizes mas de um modo que não chega verdadeiramente a explicar plenamente; tanto mais que não conseguimos explicar relativamente à vida que aqui levamos, que induz em nós tanta alegria e felicidade. 

Quer dizer, eu sinto-me simplesmente muito contente; é evidente que a maioria diz que se sente feliz, mas a questão está em que nunca parecemos ser capazes... Decididamente eu sinto ser capaz... eu sou capaz de dizer exactamente porque me sinto tão contente. Há tantas razões para nos sentirmos tão contentes! Se ao menos encontrássemos maneira de o descrever de modo a conseguirem compreender completamente como a vida aqui é... por ser tão vasta na concepção e tão formidável na oportunidade que estende, e por haver tanto que nos apela ao interesse que jamais nos sentimos em baixo... por não existir aqui qualquer razão para nos sentirmos em baixo, ou deprimidos ou infelizes ou o que quer que seja, que não seja agradável por ter lugar em nós próprios. Muita gente encontra uma enorme dificuldade em se ajustar e em mudar o seu pensar e as perspectivas que tem. 

Uma pessoa não é mais nem menos aquilo que é em função do seu pensar, e infelizmente há quem ainda pense de modo material, e por vezes, é claro, como muito bem sabem disso, encontram-se muito perto, encontram-se muito apegadas à Terra e fazem toda a sorte de coisas materiais, porquanto muito embora tenham deixado o corpo ainda se apegam às coisas que recordam, às coisas que ainda consideram importantes. E por ainda pensarem dentro dessa linha, apegam-se às ideias que têm e em consequência não são felizes, por se encontrarem como que entre dois mundos, e nem estarem num nem no outro. Encontram-se numa espécie de estado mental que francamente constitui um estado bastante infeliz, por não se conseguirem libertar das velhas ideias, dos velhos pensamentos que tinham. E é por isso que sempre repetem uma e outra vez a percepção que têm dos ensinamentos da Igreja, que são contrários à realidade efectiva. Algumas pessoas ainda se agarram às velhas ideias e dogmas e assim; por uma ou outra razão ainda acham que seja o melhor por possuírem mais conhecimento ou percepção, mas não se sentem felizes com tal conhecimento ou com a chamada percepção que têm relativamente àquilo que consideram ser as realidades.

De facto elas próprias tornam-se extremamente infelizes, e insatisfeitas, vivem em comunidades onde vivem exactamente na mesma, conforme faziam na Terra, com os seus serviços religiosos e hinos e orações e mais não sei o que mais, e muitas delas creem sinceramente que voltarão à Terra para aí viver; que renascerão. Não direi que no caso da maioria das pessoas isso perdure por muito tempo, por muita gente breve perceber a futilidade disso, e por começarem a pesquisar e a buscar; só que essa busca e pesquisa deveria ter início do vosso lado. Esta é a maior reivindicação que oponho à Igreja, por manter as pessoas na ignorância relativamente a essas ideias e credos superficiais que impedem as pessoas de pensar adequadamente e com clareza com respeito a essas coisas.

Quando vocês cegamente aceitam uma coisa dizendo: “Ah, pois, eu aceito que assim seja,” e o aceitam sem qualquer reflexão mais acentuada, e se sobrecarregam e ficam atados a essas ideias, e há milhares e milhares de pessoas que ainda se agarram a essa ideia de estarem de retorno à Terra em corpos materiais no grandioso dia da ressurreição; elas acreditam sinceramente na ressurreição do corpo físico. A simples doutrina disso implanta nas pessoas a ideia de que o corpo físico e de que o mundo físico sejam aquilo que possui importância. Em vez de ensinarem com respeito ao corpo espiritual e ao mundo espiritual, e com respeito a deixar para trás as coisas terrenas e as ideias terrenas, e a livrar-se dessa ideia de reis e de pessoas de posição e em lugares cimeiros. Por outras palavras, a vasta maioria da mentalidade dos cristãos, do chamado pensamento e acção cristã, essa ideia de um Deus externo situado num trono imaculado à espera de julgar os actos dos mortos, etc., embora não (...) inferno enquanto que tal, ou no sentido de um céu absoluto, mas a questão está em que essas ideias como as do acto da prestação de contas ainda se mantêm – o que obviamente, e num certo sentido é verídico, por prestarmos essas contas no nosso próprio íntimo – mas existe um “Livro da Vida,” embora não seja nenhum livro da vida que seja lido por o tal homem de branco sentado no trono, mas é algo que contemos em nós próprios; nós carregamos esse registo connosco, e é quando percebemos que somos conforme somos, que somos conhecidos como somos por todos - por esse registo se achar aberto para todos quantos o queiram ver e ser algo que comportamos de forma tangível connosco. Ou seja, assim que percebemos a realidade de tudo isso e começamos a pensar de modo diferente – razão porque continuamente repito a importância de mudarem a vossa forma de pensar e consequentemente de mudarem a vossa acção, que é o que tem importância, na Terra, desse vosso lado - mas se derem uma enorme importância a isso conseguirão, isso é que importa, afastar-se dessas ideias externas, livrar-se desses pensamentos estúpidos e dogmáticos, e tentar perceber que são um ser espiritual enquanto se encontram na Terra, que possuem faculdades espirituais e poderes espirituais que podem desenvolver e manifestar, e que podem em grande medida trazer à existência, e num certo sentido pelo menos utilizar esses poderes para o bem não só de vós próprios mas dos outros. 

Por outras palavras, há tanto que foi tão mal-interpretado e incompreendido que as pessoas parecem não perceber o poder que contêm nelas próprias, que deviam manifestar-se enquanto estão na terra, e não esperar até aqui chegarem.

Eira: Querido, tenho estado ultimamente a revisar o teu livro e acho que o início não é tão bom quanto o resto. Gostaria de saber se poderás dizer algumas palavras para um preâmbulo sobre como realmente é a morte e como as pessoas dão por si e quais as reacções iniciais que têm para com o mundo espiritual. Será pedir demais? (Douglas: Não, não é.) É porque é algo que me apoquenta em relação ao livro; o começo não é suficientemente pessoal.

Douglas: Nesse caso preciso pensar. Eu tinha composto na minha mente, nas minhas ideias, para ser capaz de...
Eira: Na semana passada disseste-me o que a morte realmente representa, mas não gostava de o aceitar fora de contexto; poderias de novo dizer-mo, de modo a poder ser explicado a todos nós?

Douglas: Bom, penso que todo o conceito que o homem faz da morte, no geral, se acha obviamente completamente errado, e é óbvio que é o medo que predomina na mente do homem com respeito à morte. O homem teme a morte, ela é algo que normalmente nem sequer deseja discutir ou mencionar, é algo de que ele sente pavor ao envelhecer e ao perceber que se está a aproximar dela. E consequentemente, por vezes é evidente que ele começa a pensar de uma forma mais séria e aprofundada sobre a religião, mas claro que, conforme bem sabem, é sobre a religião ortodoxa que começam a pensar. Invariavelmente, caso se atrevam a ir além na busca ou consideração que fazem, aceitam a bem ou a mal sem reflectir em profundidade no que realmente se acha por detrás do dogma da Igreja. E infelizmente, conforme vocês bem sabem, a Igreja em si mesma não ensina - não no verdadeiro sentido conforme me é dado entendê-lo – sobre a realidade do pós-morte. Ela pouca fala acerca da vida posterior à morte e refere mais ou menos que se aceitarem ou acreditarem na doutrina do Cristo, se acreditarem que Cristo tenha sido o Filho de Deus, se aceitarem plenamente o Cristo então estarão automaticamente salvos, o que realmente não... não digo que não faça sentido, ou que não contenha um certo sentido, só que da forma que é pregado constitui mais uma barreira do que uma ajuda para o indivíduo que aqui chega por uma primeira vez. 

Eu acho que é essencial que aqueles que buscam a verdade devam ter uma mente absoluta e completamente aberta, e que percebam que durante gerações muitos aspectos da verdade foram filtrados deste para o vosso mundo e que todos esses aspectos da verdade têm relação com o facto. Mas embora Cristo tenha sido um grande mestre, um grande profeta, um grande vidente, o homem que trouxe a verdade ao mundo, precisamos lembrar e perceber que Cristo demonstrou plenamente por mais do que um modo a realidade da vida pós-morte ao aparecer aos seus discípulos e a outros, ao aparecer no cenáculo quando eles duvidaram e ao se materializar o suficiente para que pudesse ser visto e sentido... Por outras palavras, Cristo demonstrou por todas as formas possíveis ao seu alcance a realidade da vida eterna, só que a Igreja parece aceitar a ideia de que com Cristo tenha sido diferente, e de que nem antes nem depois tal coisa terá sucedido, o que possivelmente é a pior coisa que poderia ter acontecido (enfaticamente). Por Cristo ter dito que se quisermos seguir o testamento, grandes coisas chegaremos a fazer. Por outras palavras, sugeriu de uma forma distinta que o que conseguiu e fez é literalmente o que pode ser conseguido e feito, e de facto não resta dúvida de que as coisas que Cristo demonstrou ainda ocorrem, e essas ocorrências prestam-se a comprovar à humanidade a realidade da vida do espírito, a comprovar que a morte não é o fim mas apenas o começo, num certo sentido de uma realização mais grandiosa e de uma maior sabedoria. 

O homem não deveria temer a morte mas acolhê-la; ele devia perceber que a morte é a porta por que todos devemos passar para uma vida maior e mais completa. Não é algo que se deva por de parte, afastar de si, e recusar pensar e discutir, ou desinteressar-se até que o tempo chegue. Tanta gente já se afirmou: “Ah, quando o tempo vier será suficientemente.” Não é; sempre se deveriam interessar pela morte, percebendo que a morte é vida, vida eterna, vida plena, uma vida maravilhosa e detentora de uma maior realização e oportunidade, de uma maior possibilidades e de uma maior alegria e felicidade em que renovamos os conhecimentos e onde revemos os entes queridos que tenham partido antes de vós. Por outras palavras, é um tempo de reunião e de regozijo, um tempo de alegria e de libertação da dor e do sofrimento, da depressão e da infelicidade; um tempo de entrada num mundo da realidade afastado de um mundo que em grande medida, para muitos, tem sido um mundo de irrealidade. Por a pessoa dotada de sensibilidade, a pessoa que esteja em harmonia com as coisas da mente e do espírito dever perceber que de todas as coisas relativas a nós e de que nos cercamos, muitas das coisas que parecem ser importantes são, em si mesmas, as que menos importância têm. As coisas importantes são as coisas da mente e do espírito; essas são as coisas que perduram e que são eternas, as coisas que são divinas, as coisas por que vivemos, e em função do que continuaremos a viver. E o pior de nós mesmos, são os aspectos da vida material que causam o maior índice de estresse e que muitas vezes levam algumas pessoas a gerar o estado mais infeliz do ser. Essas são as coisas que gradualmente devíamos largar à medida que elevamos as ideias para as esferas superiores e percebemos a imensidão e as tremendas possibilidades que se nos estendem por altura da morte. Assim, devíamos regozijar-nos e não nos deixar abater pela tristeza nem pela depressão; devemos ansiar por ela. Não devemos, conforme frequentemente fazemos na Terra, duvidar dela...

Eira: Certa vez afirmaste que se assemelha a uma viagem que empreendemos.

Douglas: Pois, num certo sentido representa uma viagem, uma viagem de descoberta, uma viagem para a qual há muito nos preparamos, embora a questão efectivamente esteja no facto de que muitos não se preparam, tanto nos seus pensamentos como nas acções. Mas isso são as coisas que importam, os pensamentos e as acções que têm do vosso lado - desenvolver-se e evoluir, e fazer aquilo que em vós próprios sabem ser bom. Isso contribui para uma boa jornada pelos domínios do espírito. Num certo sentido isso constitui a única bagagem que vocês trazem convosco, aquilo de bom com que tenham feito "as malas" em vós próprios - isso é o que tem importância, essas coisas são as verdadeiras coisas de Deus, do mais elevado no homem. São as coisas que o homem devia cultivar por ser a única bagagem que pode trazer consigo. Essa é a única parte dele que sobrevive e que possui algum sentido real. 

É tanta a bagagem a descartar que as pessoas trazem consigo que precisa ser esquecida. Por outras palavras, o homem carrega uma carga tão grande; ele sobrecarrega-se de todo o tipo de pensamentos e ideias e responsabilidades que em si mesmas constituem um inconveniente, um obstáculo. O homem precisa aprender os verdadeiros valores e se só carregar consigo aquilo que for bom e que permanece descobrirá aquela paz que há tanto tempo deseja. O homem não deveria duvidar nem temer a morte, por ser algo para que devíamos romper e ansiar com antecipação, percebendo que é o alívio de todos os males do mundo material, que nós como que resguardamos, muito à semelhança da crisálida e da borboleta. O homem assemelha-se à crisálida, não plenamente consciente nem liberto ainda da prisão do seu pensar. Quando o homem se libertar das algemas que o prendem, quando se libertar e num certo sentido se tornar numa criatura embelezada, quando se tornar efectivamente na realização da vontade e propósito de Deus; quando ele tirar proveito disso, e o conhecer e compreender e se desenvolver em conformidade... quando, por outras palavras ele for capaz de se afastar da ideia e do pensamento material e se voltar para o espiritual então tornar-se-á verdadeiramente, ou virá a tornar, num ser espiritual e encontrará felicidade nos domínios espirituais, que são muito mais reais do que alguma coisa que consigam visualizar do vosso lado. Não há necessidade de temerem a morte; a morte é algo de que devem regozijar-se e porque devem ansiar.

Eira: Pois, foi adorável querido. Poderias dizer-me qual o ponto de vista da passagem que têm do vosso lado? Como o espírito tanta vez vê a passagem que as pessoas fazem?

Douglas: Bom, quanto à passagem, em particular as passagens motivadas por causas materiais, invariavelmente são pacíficas e tranquilas e a pessoa em questão gradualmente deixa para trás o corpo e rompe o elo existente entre o eu real e o físico. Claro que se faz presente uma certa dose de angústia e de tristeza, e suponho mesmo que isso seja de esperar porque, ao voltar a despertar para a percepção desta vida, conquanto encerre muita causa de rejubilo, devemos em certa medida sentir que se deixa para trás entes amados que não sabem nem compreendem... Creio que a grande causa de tristeza para qualquer alma que passe pelo estágio da morte seja a percepção que tem de que as pessoas amadas que tenha tido junto a si na Terra não compreendam que se encontra bem e feliz. Creio que seja olhar para o vosso mundo e ver a tristeza e o sofrimento, o sentimento de separação e tantas mentes a recear que seja o fim quando evidentemente não é, e num certo sentido representa mesmo um começo. Se ao menos as pessoas no vosso mundo conseguissem compreender isso, então a morte poderia ser muito mais afortunada para ambos os lados, dependendo do indivíduo que esteja de passagem e daqueles que são deixados para trás a prantear. Esse luto seria mudado e feito de forma apropriada, e descobririam uma felicidade... É claro que sentirão a falta da presença física da pessoa mas perceberão a mente e o espírito do indivíduo próximo a elas e a percepção da comunicação por um processo mental. Porque assim que as pessoas perceberem a possibilidade de comunicação num plano elevado do pensar então perceberão existir apenas uma separação física, o que afinal de contas não passa de coisa temporária.

É esta maravilhosa verdade, esta percepção da vida eterna e da comunicação entre os chamados "vivos" e os "mortos," é tudo isso que conta; o resto é material.

Eira: Poderás falar da estrutura da esfera em que te encontras?

Douglas: Bom, para responder a isso precisaria mencionar que não é outra coisa que não entusiasmante; o problema é sempre como expressar isso por palavras, explicar ou retractar, por haver tanta coisa que não se consegue descrever, por ser impossível. Há tantas coisas que não temos nem palavras que o descrevam. Há tantos graus de existência, tantos estágios de evolução, tantos tipos diferentes, tantas pessoas que se conhece e por quem nos interessamos e que sente interesse por nós que chegamos a ter dificuldade em saber por onde começar, pois quando se considera a imensidão da coisa toda, sobrevém a percepção da consideração de incontáveis milhões e milhões de pessoas que para aqui vieram durante gerações e gerações do tempo em diferentes graus de evolução e diferentes tipos de indivíduos educados e sem educação, todas as nacionalidades e pontos de vista, diferentes ângulos e com diferentes abordagens à vida. De facto toda essa imensidão é de tal ordem que temos dificuldade em descrever ou retractar a parte mais diminuta. Simplesmente não sabemos por onde começar.

Quer dizer, se te traçar, conforme fiz no passado, um determinado aspecto da vida aqui numa determinada esfera, isso em si mesmo não passa de um mero grão, conforme se poderá dizer, na totalidade incomensurável de esferas da actividade. Eu traço-te um quadro de uma enorme cidade e descrevo-ta, descrevo-te a vida nessa cidade, mas isso representará apenas uma parte diminuta.

Na nossa esfera eu próprio tenho despendido muito tempo no que designarias por uma enorme cidade, onde existem muitos tipos de edifícios criados por indivíduos arquitectos e desenhistas, que as pessoas têm a capacidade de edificar por diversos modos. Na aparência parecem ter sido construídos em madrepérola, por exemplo. A beleza dos edifícios é tal que, se pudesses visualizar essa cidade Grega, os belíssimos edifícios e os tectos abobadados construídos em madrepérola mais a luz que se difunde, que não se parece com a do sol, uma luz de uma intensa incandescência e de um brilho suave a iluminar esses edifícios, e de cores suaves pastel que captam a luz e a reflectem e a produzem quase como num mundo de fadas como se poderá dizer, do ponto de vista do efeitos dos próprios edifícios, que parecem estar quase suspensos. E alguns desses edifícios armazenam grandes bibliotecas repletas de livros, por exemplo, onde se pode ir e onde nos podemos encontrar e onde se pode estudar e voltar para as vidas passadas e histórias e povos e raças, alguns livros dos quais são ilustrados, e os acabamentos são tais que uma vez mais trai a descrição. As cores são tão magníficas, mesmo as das ilustrações dos livros.

Depois há grandiosos edifícios votados à música onde milhares de pessoas se concentram em auditórios a ouvir música grandiosa criada por grandes músicos, com muitos instrumentos que vocês desconhecem na terra. Conduzida por grandes compositores como Chopin e outros. Mas depois, encontra-se toda a sorte de trajes, de acordo com o indivíduo, claro está. A maior parte das pessoas usa o tipo de mantos flutuantes não muito diferentes das togas Romanas em variadas cores e tons; geralmente as pessoas usam cores de acordo com o seu estado de humor, por exemplo, e vocês vêem muitas, muitas cores, malva, roxo e azuis, rosa, todo o género de materiais que usam, que os deixariam surpreendidos. Aqui parece que tudo quanto o homem queira para formar uma existência bela em que a beleza com efeito seja o factor supremo, é possível. Mas também parece que o que quer que possam usar, o que quer que possam experimentar, ou o estado de espírito em que se encontrem, depende inteiramente da mente do indivíduo, o que vale dizer, da realização ou do conhecimento espiritual que o indivíduo tenha conseguido. De acordo com o nosso progresso rodeamo-nos de tal beleza ou de tais condições de vida que nós próprios tornamos possíveis, por meio de uma espécie de desejo, aumentando-o em nós próprios; é uma coisa pessoal. O que quer que possamos descobrir connosco próprios, onde quer que possamos viver, é tudo uma questão de nós próprios e dentro de nós próprios.

Conforme já vi, existem aqui grandiosas cidades, assim como toda a forma da natureza, aves belíssimas de vários tons e cores belíssimas. Se pudessem ir, como por vezes nós vamos, até ao que vocês designam por "zonas rurais," às florestas e aos campos, descobririam que a natureza em si mesma comporta tal beleza, a cor da relva, por exemplo, e o colorido das árvores e das flores. Por vezes as próprias flores são mais altas que o homem e parecem crescer ao extremo aqui como se por vezes se pareçam com florestas de flores, embora nunca tenham visto florestas de flores. Por vezes as flores são muito diferentes do que conhecem na Terra embora existam muitas das flores que associam à Terra. 

Aqui podem ter todas as coisas que são necessárias quando vós próprios as merecerem. Verão que há por aqui pessoas que encontram uma enorme satisfação e um grande deleite em desenvolver e cuidar de um jardim, e as quais, pela sua própria natureza ajudam a trazer à existência muita beleza que habitualmente se desenvolve de forma indirecta através delas próprias. E os indivíduos que podem sentir um grande interesse pelos seus jardins na medida em que se tornam num espelho e reflectem neles o que é da natureza e o que têm enquanto pessoas. Tudo aqui reflecte as pessoas, e em troca as pessoas reflectem as condições em que existem. Existem grandiosos lagos e montanhas, o que em si mesmo lhes poderá sugerir que porventura não sejam necessárias, mas existe uma grande beleza e um grande encanto nas montanhas, e não existe a menor sensação de depressão associada às montanhas, conforme a maioria das pessoas pode achar, e se quiserem, claro que poderão escalá-las, mas é claro que ninguém sente necessidade de o fazer. A questão aqui está em que, ao caminharmos e tocarmos o solo com os pés também sabemos que se o desejarmos também nos podemos fazer transportar pelo próprio desejo de o fazermos através de vastas extensões para outros aspectos diferentes da vida e entrar numa nova condição da vida com outras almas numa esfera diferente da existência, desde que, evidentemente, tenhamos atingido esse estado em nós próprios que o possibilite. 

Mas habitualmente também visitamos outras esferas próximas à Terra onde as condições de vida são, obviamente muito diferentes. Mas seja como for temos necessidade de penetrar nelas, às vezes, talvez a fim de ajudarmos um indivíduo ou uma pessoa aqui ou ali, cujas necessidades sejam muitas e grandes, e aí descobrimos que retornamos a um estado de vida completamente diferente, evidentemente produzidas pelas próprias pessoas que as habitam. E descobrimos o que provavelmente para mim e provavelmente para vós serão estados deprimentes de existência, onde tudo parece bastante deprimente do ponto de vista da existência de muito pouca cor. Da facto poder-se-á quase dizer que o mundo que algumas pessoas habitam é absolutamente monocromático e não comporta cor, e seja quase preto e branco e onde a cor parece não exercer qualquer papel, mas isso deve-se ao facto das pessoas dessas esferas em si mesmas  não terem progredido e a que não tenham desenvolvido nem evoluído em si mesmas; por outras palavras, elas próprias criam essa condição que para a vasta maioria das pessoas que se tenha desenvolvido e evoluído são do mais deprimente, e que para elas será natural. Elas não compreendem ou porventura terão atingido um ponto em que não queiram compreender que existem outras condições de vida onde a evolução é muito mais bela.

Tudo traduz um estado de espírito e o homem vive em conformidade. À medida que o homem progride também alcança maiores alturas e experiências grandiosas, um vasto conhecimento e uma grandiosa beleza. A beleza é algo que o homem, porventura inconscientemente, mas muitas vezes cria conscientemente pelos seus esforços. Quando o homem tem desejo de beleza e trabalha em função da beleza e sente apreço pela beleza, então gradualmente ele cerca-se de beleza e entra num estado de vida em que a beleza é tal que se torna quase impossível descrever, condições que grandes artistas e grandes inteligências evoluídas criaram. Tudo é um estado de espírito.

Eira: Muito interessante. Mas e que é que se verificará nessa cidade ideal, assim como bibliotecas, suponho que também galerias de arte?

Douglas: Assim como grandes pintores ainda a pintar, por sentirem a necessidade de se expressarem por meio da cor, da figura e dos contornos, e que criam grandiosos trabalhos de arte que circundam muitas das paredes destes grandes edifícios. Grandes artistas por vezes num edifício novo dão uma ajuda e pintam vários temas nas paredes a título de decoração. É claro que dispomos de locais que vocês designariam como dedicados à religião, templos que de jeito nenhum limitados nem circunscritos na perspectiva ou no pensamento; são templos da mente, locais onde o próprio homem pode entrar e pelo seu próprio processo do pensar aspirar de tal modo que todo o local pode ser arrebatado por música e cor, locais onde se sente e se chega a alcançar até mesmo outras esferas muito mais afastadas daquela em que estiverem, que por sua vez respondem e reagem aos pensamentos e às músicas. Locais em que se verifica um tipo do que vocês chamariam de transporte pelo som (arrebatamento). Dá-se um alcance de tal ordem que nos misturamos com almas de uma natureza muito elevada de outras esferas, que entram nessa condição connosco e que são capazes de se fazer ver e escutadas e na realidade nesses locais aprendemos muito, aprendemos com a vida e as experiências dessas outras almas noutras esferas, almas que nos guiam e orientam, e que connosco partilham o seu percurso de vida.

A vida é toda movimento e mudança, entendes? Toda a vida é evolução de uma esfera para outra. E por vezes fazemos isso e fazemo-lo de forma tão gradual que dificilmente temos consciência disso, mas seja como for essas mudanças verificam-se; podem ser muito subtis conforme de facto muitas vezes são na terra. Passamos por algumas mudanças; não necessariamente toda a gente mas algumas pessoas, em especial quando têm percepção e conhecimento da verdade que tu, por exemplo, descobriste. Isso por si só dá-nos a oportunidade e torna possível que nos abramos a pensamentos elevados e a uma compreensão elevada, e a comunicação que tem lugar ocorre como que por intermédio de símbolos. Nós temos o que vós designais por "médiuns," porventura não no mesmo sentido em que vocês compreendem o termo, mas seja como for, uma forma de mediunidade em que almas que tenham alcançado um elevado grau de evolução ou de desenvolvimento são capazes de sintonizar ou de entrar em harmonia com esferas elevadas e de receber e de transmitir mensagens e até mesmo de dar outras coisas de interesse que beneficiarão o resto da comunidade. 

Nós vivemos num género de estado de comunidade, mas que constitui uma comunidade perfeita, por toda a gente que aqui vive viver em comunidade e se amar mutuamente como irmãos e irmãs. Não há ninguém que imponha qualquer autoridade e no entanto autoridade é coisa que existe, embora seja um tipo de autoridade em que de boa-vontade sempre subscrevemos. Não existem líderes no sentido que vocês entendem, mas seja como for há gente que sabemos ser mais evoluída a quem nós respeitamos e consideramos e que aceitamos nesse sentido de liderança; porém líder algum, ou pessoa que tenha alcançado algum progresso alguma vez tenta forçar os outros por qualquer forma que seja, ou que leve alguma outra pessoa a ajustar-se. Nós, num certo sentido, somos não-conformistas, no sentido de percebermos que, para que o homem progrida precisa ser livre. 

A única forma real de progresso que tem importância é a liberdade de espírito que nos capacite a expressar-nos e que gradualmente nos possibilite evoluir de acordo com as instruções e orientação que recebemos. Ninguém pode ser coagido ao que quer que seja. Uma pessoa não se torna num atropelo; é algo que vem automaticamente de dentro de nós próprios. Pode-nos ser revelado o caminho, e de facto nisso reside toda a questão - do caminho nos poder ser revelado - mas ninguém no-lo pode forçar, por precisarmos segui-lo e conseguir o que pudermos disso e conformar-nos a ele, e consequentemente transformar-nos em algo que expresse o que tivermos descoberto. É por isso que a religião, quando correctamente compreendida e aplicada no vosso mundo, pode representar uma coisa grandiosa e maravilhosa, caso a expressemos no sentido correcto, caso a assimilemos e nos tornemos parte dela, porque então poderemos expressá-la, conforme o próprio Cristo referiu, ao dizer que nos podíamos tornar como ele, e que quando o fizermos teremos verdadeiramente descoberto o caminho real e a realização verdadeira do que pode ser alcançado. Por outras palavras, precisamos fazer (e não só pensar) para nos transformamos; e quando nos tivermos tornado nisso devemos expô-lo, e tendo-o exposto precisamos demonstrá-lo. 

Por outras palavras, precisamos tornar-nos numa coisa viva. Toda a vida precisa ser uma coisa viva, precisa ser uma realidade, precisa ser algo que não sem energia e inactiva, não tem que ser uma coisa que tenha ocorrido e que desde então tenha morrido. Este é um mundo real, um mundo de uma grandiosa realidade e de uma grandiosa promessa, onde sabemos que todas as coisas são possíveis. Mas só nós poderemos fazer o esforço, por ninguém o poder fazer por nós. Podem-nos mostrar e ajudar e orientar, mas nós próprios somos quem precisa fazê-lo. Esse é o verdadeiro sentido que se encontra por detrás das palavras do Cristo. Ele próprio percebeu que se seguirmos os seus passos e se tencionarmos fazer as coisas que Ele fez, então poderemos verdadeiramente descobrir o caminho, ou a salvação se quisermos. Ou seja, nós salvámo-nos, e ninguém nos pode salvar. Mas só nos poderemos salvar quando fizermos a tentativa, o esforço. Podemos salvar-nos de todas as consequências e apertos do mal e do pensamento errado, mas nós próprios precisamos fazê-lo por mais ninguém o fazer por nós. Por outras palavras, a vida constitui um contínuo estado de espírito que sofre flutuações e mudanças à medida que experimentamos o tempo todo; e na medida em que experimentamos também evoluímos e nos desenvolvemos mais. A vida é movimento e mudança; não é estática nem algo que tenha ocorrido enquanto nos encontrávamos na Terra durante um breve período de tempo, e que represente o fim. A vida terrena em si mesma não passa de uma mancha no tempo; é necessária e tem importância para aprendermos as nossas lições, e é essencial para que possamos mais tarde evoluir. Mas precisamos perceber que numa altura particular, independentemente do número de anos que leve, quer seja do vosso ou do nosso lado, ela possa ser completa. Na realidade não existe coisa alguma como "completo," porque se nos tornássemos completos deixaríamos de existir por não restar nada a experimentar.

A vida é mudança e movimento, experiência constante e novas ideias e pensamentos, evolução. Caso contrário, se conhecermos todas as coisas aborrecemo-nos e desinteressamo-nos, por não termos nada em função do que viver. Toda a vida precisa ser assim, constante mudança, conhecimento constante, consciência constante; coisas novas, novas aventuras, novos desejos, novas percepções. A vida é isso e o que representa a vida eterna...
Não existe instigação aqui; tudo leva, num certo sentido, tempo, por não sermos forçados a nada. É o desejo dentro de nós que nos conduz e não o que quer que seja. Não deves alimentar a ideia de que te aconteça a toda a hora.

sobre as actividades, interesses e características da vida no seu plano

Bom, até que enfim. Deus meu, há quanto tempo... Tenho tanto que te contar, e fiquei tão desapontado no outro dia (dia em que supostamente não se verificou qualquer sessão, por falta das condições requeridas) em que o nosso amigo claramente não ficou muito satisfeito, mas acabou por preferir nós os dois. Consegues ouvir-me?

Eira: Com, clareza.

Douglas: Não me cabe a mim avaliar se me conseguem ouvir ou não correctamente. Por vezes queremos saber com certeza de que modo o mundo se está a restabelecer, sabes. Pois bem, estou tão entusiasmado e feliz com o livro. Até que enfim! Talvez devessem publicar o primeiro...

Eira: Pois é, talvez devessem. Se este se sair bem, sem dúvida faremos um segundo. Estou extremamente feliz, evidentemente. E muito, muito ocupado. Por acaso tenho estado (4:30) embora eu não pense bem assim, discussões com outros, a ajudar aqueles que aqui chegam. Nesse sentido temos aulas, conforme suponho que vocês lhes chamam, com grupos de almas noutras esferas onde elas necessitam de ajuda e de esclarecimento. Juntamos um grupo de almas cuja tarefa é ir até outras condições de vida menos avançadas onde realmente estão a começar como que a abrir-se a algo que lhes conseguimos proporcionar, alguns dos quais ainda se sentem felizes... Sabes que há muita gente que num certo sentido ainda se encontra mentalmente mais associada com a Terra do que com o ambiente exterior de uma certa evolução, e que ainda se agarra a todo o género de velhas ideias e de velhas recordações, e muita dessa gente à sua maneira não se sente satisfeita, mas certamente está a começar a pesquisar, está a começar a pensar, está a começar a ponderar nas coisas, e essa é a maneira com que nós "entramos," por assim dizer, e somos capazes de conversar com elas e de as aconselhar, e em certos casos somos capazes de lhes mudar a atitude do pensar.

A questão toda resume-se ao facto de que a pessoa neste mundo, e num certo sentido é o mesmo no vosso mundo, não é mais do que possa pensar ser, pois conforme pensam assim são. E por aqui esta gente agarra-se a velhas ideias e pensamentos, teorias e sei lá que mais, que não passam de abstracções, quando a primeira coisa que têm que aprender praticamente quando aqui chegam é descartar velhas ideias, teorias, credos e dogmas e coisas que num certo sentido separam os seres humanos e compõem os maus relacionamentos e causam problemas, senão mais que os problemas do vosso mundo, devidos àqueles cuja atitude mental é tão estreita e restrita. E tanta gente possui tão fortes convicções dessas, muitas vezes com relação a coisas sem qualquer ônus ou relevância e validade, e essas coisas separam e levam a que vivam num estado estressante devido ao estado em que o vosso mundo se encontra. E nós de tempos em tempos vamos a vários lugares tentar prestar assistência e auxílio. Por exemplo, recentemente estive um bocado na Irlanda do Norte, que se encontra num péssimo estado de coisas que se revelam bastante à parte dos aspectos políticos; mais profundamente enraizados no aspecto religioso. Mas não devo começar a falar disso por saber que ficas muito preocupada com isso, quando o faço. Só que não consigo jamais afastar-me disso, no sentido de eu ter visto claramente, no passado, o modo como a religião separou os seres humanos e contribuiu para o mau relacionamento, e instaurou certas cenas que, com toda a franqueza nos estressam.

Porque, até que o homem perceba a fraternidade universal que precisa instaurar-se e que precisa brotar da percepção de que tudo faz parte do mesmo espírito, em que somos todos animados pela mesma força dada por Deus, que constitui dádiva de vida para todos os seres humanos e na verdade para todas as formas de vida. O homem sempre se divorcia, em certa medida e de certo modo, do reino animal. Mas é toda a mesma força a que anima toda a vida, quer seja humana ou animal; é tudo a mesma força revitalizadora que é criada. Nada se perde, sabes, as pessoas não percebem isso, mas aqui possuímos o reino animal, temos a natureza, temos pássaros, árvores, lagos. Todas essas coisas que possam pensar existem; tudo que num certo sentido existe no vosso mundo também existem fundamentalmente espiritualmente na medida em que é a força espiritual que está por detrás de toda a vida. Tudo isso existe aqui numa maior abundância e numa expressão mais plena. Todas os encantos do vosso mundo existem aqui, sem toda a matéria ou aspectos depressivos que o homem trouxe à existência ao longo de séculos de pensar errado e acção errada.

O homem criou no vosso mundo uma tal devastação; porém aqui, devido a que o homem esteja a começar a abrir-se e a compreender e a expressar-se, e a entender plenamente o poder e o potencial do espírito, está a alterar todo o aspectos e atitude que tem para com a vida, por aqui dispormos de todos os encantos, conforme se poderá dizer e todas as realidades do mundo natural, sem muitas das coisas que no vosso mundo se evidenciam como estressantes e causa de infelicidade. Todos os aspectos agravantes do homem são gradualmente atenuados. O homem desprende o seu ser, por assim dizer, dos grilhões a que se prendeu; é por isso que não gostas que eu fale muito com base em temas religiosos. Mas é muito importante que compreendam que até que o homem se liberte dos grilhões que o prendem, ele não poderá esperar ser livre e começar a compreender tudo em profundidade e compreender estas coisas de que falo. Isto não é ser anti-religião, poder-se-ia num certo sentido dizer, por o verdadeiro fundamento da religião de toda a vida ser algo que evidentemente se aplica a todos nós. Mas o homem ergue barreiras e cria dogmas e credos que separam o homem do seu semelhante. É isso que provoca toda a devastação e infelicidade lá na Irlanda do Norte.

Eira: Suponho que em alguma altura devas repousar de todo esse trabalho...

Douglas: Ora bem, tu falas de repouso, de precisarmos de repouso, mas a questão está em que não nos cansamos, conforme vocês entendem o sentido do termo. Quer dizer não sofremos de cansaço no sentido físico. Poder-se-á dizer, num tipo de maneira estranha, que sim, sofremos um cansaço mental. Talvez o devesse dizer de forma mais clara, dizendo que emergimos naquilo em que tivermos estado interessados, a seguir ao que temos um tipo de reacção mental em que sentimos a necessidade de nos retirar; acho que se poderá dizer que, pelo menos temporariamente, deixamos de nos interessar mentalmente ou de estar activos em alguma coisa particular em que tenhamos estado ocupados ou interessados, estado em que ficamos "inconscientes," que suponho que no sentido do vosso idioma ou experiência ou terminologia referirão como "sono". Nós não vamos para a cama, no entanto, ao mesmo tempo, somos capazes de nos afastar mentalmente de algo em que tenhamos estado imersos, e gozar de um período de tempo, suponho, embora o tempo não seja o mesmo e num certo sentido não tenha existência, mas suponho que essa "inconsciência" não seja nada de misterioso. Creio que aqui a vida é tão cheia e repleta de interesses e comportar tanta coisa em que nos podemos envolver que nunca podemos chegar a esgotar esses interesses, do mesmo modo que, num certo sentido, não nos conseguimos exaurir. Esse é um aspecto subjacente de todo este negócio, poderíamos dizer, que aqui é mais esclarecido devido ao conhecimento que possuímos, porquanto, quando pensamos na imensidão da vida e quando pensamos no facto do tempo não ter existência para nós, então começamos a compreender que todo este negócio da vida eterna se torna, em certa medida, compreensível.

Quer dizer, quando no vosso lado pensam, por exemplo, naqueles que chegam a pensar que a vida eterna soa a algo assustador, no sentido de prosseguirem sem parar. Mas é claro que se aceitássemos isso nos velhos moldes, então a ideia afeiçoar-se-á intolerável e não quereriam viver indefinidamente. E por poderem cair numa maçada. Mas aqui, por se verificar sempre algo novo e entusiasmante a experimentar, e novos rostos e gente a conhecer, e almas mais avançadas, ao passarmos, poder-se-á dizer, se preferirem tal terminologia, de um país para um outro, há sempre uma experiência nova...

Eira: Ouvi-te dizer, outro dia, que estiveste com alguém que não vias desde 1625.

Douglas: Pois foi, mas é claro que entendes, por muita vez to ter dito no passado, aqui encontramo-nos com gente que conhecemos numa vida passada ou numa encarnação prévia... por exemplo, eu estive com Shakespeare e estive com Bacon, e sou capaz de resolver o problema que envolve a sua vida, e dizer que não foi Bacon quem escreveu as peças, e que foi definitivamente Shakespeare quem as escreveu . Mas precisas recordar que com efeito Shakespeare as escreveu e captou um monte de velhas tramas, e escreveu muito; mas parte das verdadeiras posições ou verdadeiras palavras foram alteradas por ele (Bacon?) Na verdade ele foi, o que num certo sentido se poderá chamar de pirata, mas ao mesmo tempo ele trouxe-lhes frescura e originalidade, e desenvolveu personagens nas suas peças que tinham sido criadas previamente, em certos casos cem anos antes ou isso...

Eira: Pois... eram obras mediúnicas...

Douglas: Ele era extremamente sensitivo e claro que recebia inspiração. Mas na minha ideia não resta dúvida - e estou seguro que isso está cem por cento correcto - que ele escreveu essas peças só que muitas delas eram antigas peças de teatro, muitas das quais na verdade eram provenientes de fontes estrangeiras, que presumivelmente lhe terão chegado por via de viajantes provenientes de França e de Itália. Claro que a sua lenda não é lá muito boa, mas ele teve alguém que em certa medida colaborou com ele nas traduções. Mas essa é uma longa história que um dia destes se tivermos oportunidade...

Eira: Tu tiveste alguma conversa com ele, não?

Douglas: Ah, tive; mais uma vez, as pessoas dirão: “O teu marido diz que teve uma conversa com o Shakespeare, é formidável, mas como haveremos de o saber; como poderá ele prová-lo?” Pois bem, suponho que de certa forma não possamos prová-lo no vosso lado plenamente e de modo satisfatório às pessoas, mas todo este tema tenha um aspecto que eu acho fascinante, porquanto se tivessem a oportunidade de aqui vir com mais frequência e debater as coisas, e não só comigo mas conversar com outros... Tanto quanto me é dado entender não há razão para que o Shakespeare ou o Bacon ou seja quem for – quer dizer, se quiserem, e não se esquecerem de o fazer – poderão vir aqui e conversar e debater toda a sorte de coisas... As pessoas não entendem as formidáveis oportunidades que este tema proporciona. Na verdade poder-se-ia dizer que só se arranhará a superfície...

Eira: Sim, consigo entender...

Douglas: Voltando ao... mundano, embora num certo sentido se possa dizer que seja mundano, mas sinto-me tão entusiasmado com relação ao livro. Quando foi que disseste que o publicariam?

Eira: Lá para a Primavera.

Douglas: Do ano que vem? Gosh, falta tanto...

Eira: Mas por fim acetaram o título, e tu tinhas dito que num livro, um bom título e uma boa capa são importantes. O título de que actualmente disponho é “Capítulos da Experiência,” mas lá a senhora não pareceu ficar particularmente...

Douglas: Que é que sentes em relação a isso?

Eira: Eu pensei em “Além da Escola da Terra,” mas soa tão longo, não? Se tiveres alguma ideia simplesmente usa-se...

Douglas: Que tal “Os Muitos Capítulos da Vida”? Acho que andamos a arrastar o título, e no entanto...

Eira: Às vezes vejo que as coisas se embrulham; não és tu o responsável por isso?

Douglas: Sim, sou...

Eira: Eu vi-o, quando aqui estive na sessão, vi um laço de luz com algo escrito, só que não consigo apanhá-lo. É tão aborrecido...

Douglas: Bom, acho que por vezes vês com uma maior clareza embora possas admitir que por vezes seja o teu subconsciente, mas é claro que aqui vens muito durante o teu sono. Gostaria de saber se te recordas muito disso.

Eira: Não muito, mas por vezes sim. Decerto que na manhã seguinte me sinto muito mais em forma se sentir que estive contigo, e suponho que trago algum poder do teu lado...

Douglas: Com certeza que sim. Sabes, tu estás ainda mais próximo do que chegas a perceber. Não sei o que sentes, se queres fazer um outro livro ou se te sentes inclinada a esperar, por ainda restar espaço, ainda há mais que te tenho a dar, mas claro que o problema agora está em chegares a Londres para...

Eira: Pois, eu pensei que seria suposto fazer alguma coisa por via de inspiração, no campo da escrita...

Douglas: Não vejo razão para que não o faças por estar certo de o podermos fazer nessa direcção. Porque não? Tu recebes muito da minha parte. A questão está em que tu continuas a duvidar da coisa toda.

Eira: Sim, sim, mas tenho muito a fazer em relação a este livro, assim que o tiverem aceite, o que não quer dizer (...)

Douglas: Pela experiência que tive, assim que o livro é aceite será inteiramente com os editores. Não te estás a referir a ler as provas... Eles têm quem o faça. Todo editor tem revisores.

Eira: Ah, têm? Eu pensava que tinha que fazer isso.

Douglas: Têm, sim. Penso que se quiseres fazer um exame, caso tenhas interesse nisso...

Eira: Ou proceder a algumas alterações.

Douglas: Tais como?

Eira: Bom, evitar que se torne repetitivo. Mas talvez tu enfatizes...

Douglas: Bom, por vezes preciso enfatizar, porque como sabes algumas pessoas...

Eira: Sim... por ser um assunto muito verídico; é o que se sente depois de lermos o livro. É absolutamente verdade. Soa familiar.

Douglas: Eu acho que vai vender bem, não vejo por que não venha. Quando regressas a Londres?

Eira: Ah-ah. Não sei, Devia partir...

Douglas: Devias voltar a Londres pouco tempo após o livro ser publicado, porque isso irá acontecer no ano que vem, estás a ver?

Eira: Ainda assim é uma pena, não? Eu adoro o País de Gales, mas devo dizer essa é uma bela indiciação. Gostas do meu quarto, não? Tem um panorama espectacular...

Douglas: Muito. É muito sossegado e silencioso. Tem, sim. Mas isso em si mesmo é muita (...) e na essência são muito boas condições. Mas devias manter a tua escrita e não deixar que desapareça... Suponho que nem sempre seja possível definir a melhor altura, mas é o melhor a fazer.

Eira: Pois, em que altura do dia que tu gostarias...?

Douglas: A altura do dia que me melhor se te adequar. Quer dizer, se me fosse dado saber quando fosse, claro que eu saberia quando vir junto a ti. Mas se combinássemos uma hora qualquer em que te sentasses, uma vez por dia, ou uma vez de três em três dias, poderia vir trazer-te impressões e inspirar-te. Embora uma vez mais, sabendo o que a inspiração representa, bem que poderia acontecer que viesse a trabalhar contigo (...) e o mais provável fosse que, o mais certo seria que nesse instante eu te estivesse a passar impressões. Talvez por uma altura fixa não ser sempre a coisa mais sensata a fazer, por te levar a sentir “Eu tenho eu fazer isto,” e depois inconscientemente poderes ser afectada.

Eira: Como estará o meu irmão a dar-se aí? Está a dar-se bem?

Douglas: Está, está a dar-se bem.

Eira: Ele foi o último a chegar ao teu lado.

Douglas: Isso foi bem verdade...

Eira: Bem, ele esteve doente durante muito tempo em resultado da guerra...

Douglas: Sim, eu sei, mas eu disse-te que vi o teu irmão (...) no fim. Mas ele falou contigo, não? Claro que ele gostava que te transmitisse que te ama (...) e à tua mãe e pai também...

Eira: Muito obrigado.

Douglas: Encontrei-me com tanta gente aqui, mas é uma coisa extraordinária, sabes, quer por me encontrar tão imerso naquilo que estou a fazer, que embora ocasionalmente veja pessoas que tenha conhecido ao longo dos anos, acho que estou rodeado de tanta gente associada ao passado, a um passado de encarnações em séculos anteriores, gente que esteva bastante ligada e envolvida com as nossas vidas... Essa é uma coisa que as pessoas em sempre percebem. Por vezes assumimos relações pessoais e falamos sobre a importância da família. Materialmente é importante, enquanto vivemos num mundo material de facto devem ser; mas uma vez aqui os relacionamentos mais profundos não são necessariamente os relacionamentos subordinados à família mas relacionamentos de realização e consecução mental e espiritual, sabes. É uma coisa extraordinária, e no entanto o nosso nascimento num mundo material e num corpo material em qualquer dos casos é num certo sentido mais um acidente do que um desígnio de qualquer modo. E não importa tanto quem nos tenha parido, mas a evolução e o desenvolvimento do espírito que importa. Isto é tão verdadeiro mas muita gente não o percebe. Claro que se tivermos algum envolvimento profundo ou apego a um membro da família (...) então permanecerá assim, invariavelmente devido a serem almas antigas e terem estado muito associados numa encarnação ou encarnações anteriores. Isto é tão importante... as pessoas não percebem que vocês não escolhem as relações, vocês não escolhem quem venha a ser os vossos pais ou raramente o fazem de qualquer modo. Importa compreender isso, creio eu. O nascimento num certo sentido e na maioria dos casos não constitui mais que um acidente, embora haja almas que optam por retornar e por entrar em e através de um certo canal, por causa do elo do passado. Mas isto comporta muitas facetas e todo este assunto constitui tema concreto e entusiasmante.

Há tanto por dizer ou que podia ser dito acerca da comunicação e de encarnações anteriores, tanto que com franqueza jamais podemos esperar conseguir tudo, e tenho tanto mais a aprender, sabes, o que cede muito mais material; parece que passaram eras e eras do vosso tempo desde a última vez que falei. Não parece possível.

Eira: Pois, cinco anos, querido. Mas eu pressinto-te, às vezes, ao acordar.

Douglas: Eu quero que percebas que cada dia que passa eu estou muito próximo de ti, e que estou muito entusiasmado, evidentemente, com o livro, e sem dúvida que quando chegares a saber conforme certamente chegarás durante o ano que vem, terás maiores despertares...

Eira: (Ri) Sim, isso seria adorável querido.

Douglas: Preciso ir. Mas tem sido...

Eira: Maravilhoso!

Douglas: ...numa palavra (...) dar-te um enorme abraço e um beijo com todo o meu amor, por estar mais que feliz com o livro. Eu sei, eu sei que irá ser um sucesso. Quanto ao título, bom isso será algo que deverá resultar de um acordo com...

Eira: Eu acho que te saíste na perfeição, querido...

Douglas: "Os Muitos Capítulos da Vida."

Eira: Esse título soa bem.

Douglas: É bom, soa bem; é um bom título e soa intrigante. "Os Muitos Capítulos da Vida." Adeus, querida.


SOBRE ENCARNAÇÕES ANTERIORES

Douglas: É verdade que num certo sentido me tornei um pouco mais... digamos, num espírito aberto, mais compreensivo nos últimos dias da minha vida, mas ainda me apeguei à fé Cristã, por pensar que a fé Cristã... o conhecimento cristão (conforme prefiro chamar-lhe) quando correctamente compreendido e aplicado seja uma coisa estupenda, seja a verdadeira coisa. Não tenho a concepção tacanha que muita gente tem; alterei as perspectivas que tinha sobre determinados aspectos mas é à verdade fundamental do cristianismo que me agarro.

Eira: Pois, pois, naturalmente. Terás descoberto algum novo elo nas encarnações que tiveste, querido?

Douglas: Ah, certamente que descobri. Onde me encontro, suponho que isso sempre esteve tudo aqui, mas precisamos recapturar muito disso. Mas não resta dúvida de que tive uma encarnação no tempo de Cristo... Eu era um simples... o que chamariam de camponês, e encontrava-me envelhecido por essa altura. E eu fui um dos muitos milhares de pessoas que testemunharam a crucificação, e devo admitir... mas precisas ter em mente, evidentemente, que a crucificação, e muitas outras coisas eram bastante comuns, pelo que talvez não o tenha aceite exactamente da mesma maneira... mas porque não haveria eu de o aceitar se o testemunhei? Quando se nasce e se é criado numa certa condição de vida na realidade é-se condicionado na aceitação de muitas coisas como mais válidas. Preciso concordar que é uma coisa assustadora só de pensar, mas eu fui um dos muitos que se intrigava, com respeito ao Cristo.

Toda a gente que esteve interessada... por outras palavras, que tenha sentido interesse, em certa medida, com respeito ao Cristo, nunca esteve convencida nessa era, no seu tempo, de que ele fosse Deus... quer dizer, era aceite pelo que ele alegava ser, ou pelo que outros alegavam que ele fosse, por sua vez, mais correctamente dito. Não foi tanto o que ele alegava ser mas o que os outros alegavam que ele fosse que o levou...

Eira: Sim, isso é bem verdade, querido.

Douglas: ...Mas para nós ele era um homem comum, embora um homem esclarecido e um homem extraordinário, e de certa forma um homem... não a temer porventura, mas quando não se compreende uma pessoa criam-se certos preconceitos e alimenta-se certos receios. E algumas das coisas que se diz que ele alcançou, na realidade algumas pessoas diziam que ele era uma espécie de mago; era extraordinário o efeito que por diferentes vias ele exercia nas pessoas. Eu não era contra nem a favor, mas achava todo aquele negócio da crucificação, que no seu caso foi temível...

Eira: A que nacionalidade pertencias, querido? A uma árabe, suponho, não?

Douglas: Bom... Árabe? Não, eu não era árabe. Eu era Judeu.

Eira: Ah, Judeu, entendo. Mas é claro...

Douglas: Eu era apenas um camponês comum, na medida em que naquele local... suponho, era um homem que, nas crenças religiosas que tinha era tão estrito quanto qualquer um e aceitava sem questionar, conforme todos fazíamos, mais ou menos, e esse Cristo era um homem que com toda a franqueza, embora não compreendêssemos inteiramente, porquanto havia certas coisas que eram ditas, certas alegações que eram feitas pelos seus discípulos...

De facto, o homem em si mesmo era bastante diferente, creio bem, do que é habitualmente retractado... Quer dizer, do que me foi contado e daquilo de que eu próprio me lembro, ele era um homem de comportamento e aparência impressionantes, certamente nada dos retractos que se vê tão comummente na Terra, retractos de uma espécie de homem fraco, tipo de pessoa quase efeminado. Era de facto uma pessoa vigoroso, (...) de aparência judia; nem um bocado idêntico à descrição das imagens dos livros ilustrados. Era em definitivo, do meu ponto de vista, um homem de profundas convicções religiosas e dotado de uma forte e poderosa personalidade, e com toda a franqueza era um homem que num certo sentido... não direi que fosse de temer, por ser estúpido que se tema um homem, mas que tinha algo de atraente em si por possuir uma personalidade forte.

Creio que toda a questão está em que grande parte a distorção era política, tanto quanto religiosa, razão por que acho que parte do povo judeu o seguia (...) não para se redimir no sentido espiritual (...) mas para conseguir liberdade do jugo Romano (...) Para a época ele representava um líder, e creio que seja bastante óbvio que os Romanos o temiam e o viam como um homem que estava a criar uma perturbação política. Não pensem nem por um instante que fosse pelo aspecto religioso (...) mas por pensarem que as pessoas que se amontoavam ao seu redor pudessem vir a formar alguma organização política poderosa, e se continuassem a permiti-lo acreditavam que os pudesse vir a arruinar.

Eira: (...) Alguém afirmou que com o tempo poderemos vir a ter provas mais positivas acerca da reincarnação; achas que seja possível?

Douglas: Acho que seja exequível. Claro que acho que sempre venha a ser muito difícil de provar. Por exemplo, poder-se-á usar a minha comunicação como prova da minha identidade, mas se perguntarem por referências e eventos passados que nos tenham pertencido ou à nossa família poder-se-á provar que se sobreviveu à chamada morte, mas provar uma vida que tenhamos tido na terra há séculos atrás, não se consegue realmente provar isso.

Eira: Eu sei; quando foi que aqueles livros que tu escreveste foram queimados, querido, no mosteiro? Poderemos ser capazes de encontrar vestígios disso? Bom, se o conseguires algures no futuro, querido, dar-mo-ás a saber?

Douglas: É possível, embora não saiba bem como... Suponho que se se puder provar que certos manuscritos que possamos ter escrito, por exemplo, ainda existam, e que ninguém tenha descoberto, poderemos apontar essa descoberta como uma prova, não? Não sei. No meu caso não consigo (...) existência de tal coisa. No mosteiro em que me encontrava deu-se um grande incêndio, e muita coisa foi destruída.

Eira: Pois foi. Essa foi uma encarnação interessante. Eu quero ler sobre isso. Bom, querido, poderás revelar-me mais alguma coisa acerca do teu presente, do teu lar e arredores, mais em detalhe? Do teu modo de vida? Do teu dia-a-dia, embora evidentemente saiba que não tens dias. Gostava tanto de apurar isso com maior detalhe.

Douglas: Tens que perceber que este nosso mundo é um mundo muito real; não pensem que seja um mundo etéreo ou uma coisa insípida, mas é um mundo sólido por tudo nele e ao nosso redor ser sólido e real, e o nosso corpo, para todos os efeitos ser sólido, assim como as condições em que vivemos. Não existe nada de etéreo na medida em que sejamos transparentes ou algo do género. Nós somos bastante sólidos e o corpo espiritual, ou físico ou como quiseres, é igualmente físico na medida em que, conforme te revelei, com respeito a isso existem edifícios. E estas coisas não surgem por pensarmos nelas, por as desejarmos.

É verdade que fundamentalmente tudo é criado pelo poder do pensamento e pelo desejo das coisas necessárias, mas estas coisas não sucedem simplesmente por pensarmos nelas, temos gente habilitada para os desenhar e construir, existem substâncias derivadas da “matéria da terra,” eu emprego o termo “matéria da terra” ou condição em que vivemos. Nós temos solidez, entendes, temos substâncias que são usadas para a construção dos edifícios que os arquitectos concebem, que apresentam variadíssimos estilos, de acordo com as perspectivas e ideais dos indivíduos. É por isso que em determinadas esferas temos uma arquitectura muito típica (...) muito de aparência muito gracioso.

Com efeito, nos estágios mais evoluídos da existência provavelmente os edifícios são todos possivelmente do tipo Grego. Vastos edifícios, vastos salões, vastas bibliotecas que albergam enormes quantidades de livros, por exemplo, embora uma vez mais, à medida que progredimos descobrimos que não é necessário ler. Por exemplo, aqui podemos ler, caso o queiramos, mas a questão está em que se progredirmos descobrimos que num certo sentido não necessitamos ler; podemos reaver, em especial no caso da música, da atmosfera, toda a espécie de pensamentos. E se na Terra tivermos sido um autor, teremos tido oportunidade de ler muitos e bons livros. Livros que em si mesmo se tornam clássicos, cujos personagens, em virtude da infusão, poderemos dizer, proporcionada não só pela personalidade dos autores e pela imaginação, como os personagens por si sós adquirem uma forma - não direi que se tornem criaturas vivas - não me interpretes mal - mas adquirem uma forma de vida, devido à espantosa força do pensamento que é depositada neles por parte de milhares e milhares de leitores (...) força do pensamento que lhes dá vida e os anima. E conseguimos visualizar grande parte... Entende, quando lemos aqui ou quando nos familiarizamos com um trabalho, quer seja uma peça de música ou um livro, damos-lhe uma forma de vida própria, que num certo sentido é nossa, por a depositarmos nele, do mesmo modo que colhemos algo dele.

E torna-se-nos possível expor num vasto auditório aqui, e isso integra trabalhos de grandes compositores, no entanto no caso dos músicos torna-se necessário que sejam vistos, embora haja grandes orquestras em certas esferas ou planos, que (...) grandes trabalhos orquestrais. E torna-se possível, pelo próprio poder da força do pensamento do indivíduo que compõem a música fazer a atmosfera vibrar por essas forças do pensamento. E nós podemos tomar entrar nisso e tomar parte disso e tomar consciência disso, e ouvir o seu som sem necessidade de orquestra ou de músicos e de instrumentos.

Eira: Pois é, difere muito de nós, evidentemente. Que arquitectura arranjaste para a tua casa?

Douglas: Bom, a minha é bastante pequena, pelo que suponho que se poderá chamar-lhe mais um tipo de casa Georgiana. O jardim é pequeno mas agradável. Possui muitas flores, e há um homem, por quem tenho a maior consideração, que cuida do jardim, e que se encanta com o jardim. Mas claro que, uma vez mais, não envolve o mesmo tipo de trabalho que é necessário num jardim na Terra. Não existem as estações do ano no mesmo sentido que estão habituados a conceber, e as flores desabrocham continuamente, e isso envolve muitas das flores e evidentemente muitas que vocês nunca viram na Terra. Mas uma pessoa não cuida do mesmo modo do jardim. Não é o caso de, por não envolver o trabalho que concebeis no sentido material, elas não dêem nada que fazer. As coisas não crescem inteiramente sem esforço.

Por outras palavras, é preciso dedicar-lhe tempo e mentalidade, por parte do indivíduo que o adora e zela por ele. Mas não é uma coisa física mas mental. E não existem ervas daninhas, embora haja jardins que têm ervas daninhas, mas essas ervas daninhas são causadas pelas próprias pessoas. Por exemplo, um dos sinais seguros de uma alma não evoluída aqui, é o facto de viver num ambiente limitado, o que não é necessariamente desagradável entendes? E que até pode ser bastante rústico... A pessoa até pode ter um jardim só que cheio de ervas, mas essas ervas são, num certo sentido, os pensamentos que nunca tenham chegado a evoluir ou a desenvolver-se nas linhas adequadas. Uma pessoa que não progrida embora se rodeie de um lar milenar poderá porventura rodear-se de um jardim que não tenha beleza, por ela própria não ter beleza.

Assim como vivemos e assim como pensamos assim somos - e assim criamos, e num certo sentido criamos uma condição no jardim, por exemplo, que não corresponde ao que bem poderia ser; e na realidade muitas flores, que por vezes são os pensamentos das pessoas que se esforçam, poder-se-á mesmo dizer, por ser belos, mas que por causa de uma certa falta de beleza na sua natureza ou de um certo defeito, poder-se-á dizer, gera-se uma certa quantidade de ervas ou mato, muito do que que iniba a beleza que possa existir. Por outras palavras, isso é um indicador seguro do carácter e natureza de uma pessoa. Uma das condições em que isso pode revelar-se em particular é num jardim. Mas é um estado condicional.

Eira: Estarás próximo da cidade ou estarás mais numa parte do campo?

Douglas: Não de nenhuma cidade enquanto tal, mas suponho que se lhe poderá chamar um género de aldeia. Mas uma vez mais voltamos a esta coisa da comparação da Terra. Existem comunidades de almas, e houve uma altura em que vivi num edifício da comunidade, num vasto edifício, em que existiam muitos povos e em que todos vivíamos numa espécie de estado comunal que até era agradável, mas agora tenho esta pequena mas agradável... que suponho acharás que seja um tipo de réplica de uma casa de tamanho médio no estilo georgiano. É muito atraente e agradável e estou certo de que gostarias dela, embora eu saiba que gostes por aqui teres estado embora infelizmente não te recordes no estado de vigília.

...Quando falamos de cidades e de aldeias, naturalmente pensamos nas cidades e aldeias da Inglaterra ou de outro sítio qualquer, e há cidades, claro está, que se encontram mais próximas nos planos junto à terra, e que em todos os sentidos são similares, que na verdade se poderá dizer que possuem muita vida. Mas à medida que progredimos e entramos numa esfera diferente da progressão, por cuja criação somos em parte responsáveis, embora os outros também possam representar essa parte, entendes; mas a questão está em que vivemos numa comunidade que constitui uma cidade, ou que pode constituir, se quisermos, uma cidade. Mas todos os ornamentos da vida de uma cidade, como transportes, não temos necessidade disso (...) é o pensamento.

E não temos tempo... O tempo é permanentemente agradável, e no entanto não se vê qualquer sol. Encontramo-nos na luz e existe luz, e uma luz belíssima, só que suave e agradável, e pouca ou nenhuma sombra existe. Isto poderás achar que seja muito difícil de apreciar um mundo em que não existam sombras, e na realidade alguns comentaram que sem sombras não se pode ter beleza, e que se precisa ter sombra. Só que não existe qualquer sombra no mesmo sentido em que vocês a entendem do mesmo modo que não existe sol algum que se erga e se ponha, etc. No entanto existe um género de visão crepuscular que nos provoca uma espécie de mudança, se quisermos, que condiz com o período de tempo em que podemos repousar, coisa que por vezes fazemos. Mas sombras enquanto tal é coisa que não existe. Mas (...) resoluta, brilhante, existe a suavidade e a beleza da luz, que é tão encantadora e agradável. Mas não existe nenhuma obscuridade nem da opressão com que vocês se deparam, nem mudanças da atmosfera, do modo que o entendem. No entanto nunca nos cansamos disso por ser sempre agradável e sentirmos calidez; no entanto não existe calor enquanto tal.

Torna-se difícil explicar como vivemos num mundo, que em muitos aspectos é tão inteiramente diferente do vosso, e em alguns aspectos, de acordo com o padrão com que vivem, evidentemente, é tão parecido... Entende, os planos próximos à Terra podem estar, sem dúvida nenhuma, sujeitos às influências da atmosfera que circunda a Terra, do mesmo modo que vocês são influenciados pela atmosfera. Assim, se estivermos em certas esferas próximo à Terra, e eu já estive em certas esferas que têm dia e noite, por estarem sujeitas à lua e às estrelas. Mas essas são esferas que se acham realmente tão próximo da Terra que podem mesmo ser comparadas à Terra. E na realidade, em alguns aspectos constituem mesmo réplicas da Terra e onde vemos gente de todas as nacionalidades a viver em comunidades sob condições bastante vulgares, não diferentes das da Terra.

Mas essas são esferas que são o mesmo que a Terra, porque se não formos mais longe, e não evoluirmos, se não nos espiritualizarmos mais, digamos, então evidentemente nós próprios contribuímos para o nosso ambiente e descobrimos estar num ambiente alterado, mas é claro que tenho problemas em descreve-lo, por as palavras não conseguirem...

Mas precisas ter em mente que, assim como temos uma natureza humana também temos aves e muitos animais que vocês associam à vida, no vosso lado, embora evidentemente certas formas animais não mais existam aqui, por se encontrarem na infância, por não serem como que desenvolvidos, pelo que não têm vida no mesmo sentido aqui, e praticamente deixam de existir. Os animais que mais se tiverem aproximado dos humanos e que tenham tomado parte no esforço ou vida humana, esses existem. Por exemplo, os animais de estimação; mas uma vez mais não são só os animais domésticos que existem, de jeito nenhum, por haver muitos animais que à sua maneira são muito desenvolvidos e que têm grandes sentimentos e emoção, e uma grande compreensão mesmo quando na Terra. Por vezes não creditamos ao mundo animal (...)

Eira: Claro. Que animais tens presentemente? Sei que tinhas referido dois ou três cães.

Douglas: Sim, e vários gatos e papagaios, pássaros (...) no estado natural. Mas constitui verdadeiramente uma grande alegria ter pássaros isso aqui, e é maravilhoso. Claro que também o pode ser na terra. Mas eu adoro cor... cheios de cor, cores magníficas, muitas das quais nem existem na Terra. Por vezes deveria tentar fazer uma descrição mais detalhada, mas torna-se extremamente difícil.

Eira: Uma descrição da cor ou da natureza?

Douglas: De tudo. Mas gostaria de ter oportunidade, embora soe muito mundano, de te desejar um ano novo muito feliz e cheio de paz...

Eira: Obrigado, querido.

Transcrito e traduzido por Amadeu Duarte
Leslie Flint
                      










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