domingo, 12 de fevereiro de 2017

SOBRE A VERDADEIRA NATUREZA DE DEUS



FRÉDÉRIC CHOPIN
Entrevista de Betty Greene e SG Woods
Certas fontes dão a data desta sessão como 19 de dezembro de 1959, mas parece-me ter sido anterior. Não tenho certeza do ano em que a Sra. Greene e o Sr. Woods começaram a fazer estas gravações. O texto indica que a sessão ocorreu perto do Natal. No site de Flint a data é dada como "desconhecida."
Até há uns dois anos atrás, era a única sessão de Chopin disponível para audição pública. É a única da qual possuo uma transcrição completa; A qualidade de gravação foi um pouco melhor do que a das sessões com Rose Creet, na sua maior parte. A voz de Chopin esforça-se um pouco mais com a linguagem, no entanto, especialmente quando se tenta descrever questões que seriam difíceis ou impossíveis de empregar na língua nativa.
Depois de discutir a experiência de encontrar-se no outro mundo, a entidade retoma o assunto que é comum a grande parte do material de Flint, o da preeminência da realidade espiritual, embora apenas por um curto período de tempo. É notável que o grupo Flint tenha estado tão activo durante o auge da Guerra Fria, e as mensagens muitas vezes terem tido que ver com a necessidade de uma maior consciência e compaixão, na esperança de que os seres humanos vivos não rebentem com o planeta.
A data de hoje tem um quê de incerteza. De acordo com a certidão de nascimento de Chopin, o seu aniversário foi a 22 de Fevereiro, o que o levaria a fazer 200 anos hoje. Mas o próprio Chopin pensou em 1 de março como o seu aniversário, assim como os seus pais, que deveriam saber. Assim, a maioria dos estudiosos de Chopin aceita essa data. Mas, que diabos, podemos celebrar mais de uma vez, não? De qualquer forma, depois de dois séculos, o legado deste homem continua tão forte como sempre.
"...mas nesta fase começo a perceber
que uma grande mudança se abateu sobre mim… "
Um especial “Viva”! Para os meus amigos no mundo do Piano.
Entidade: Bom dia!
Woods: Bom dia!
Entidade: Eu não sei se é realmente de tarde ou de manhã, o tempo é sempre uma coisa muito complicada para termos a certeza. Quando chegamos junto das condições terrenas, sentimo-nos sempre inclinados a ficar confusos com certas coisas - o tempo é sempre um problema. Por vezes não sabemos - é muito difícil dizer se é terça-feira, ou segunda-feira, sabem. Nós não sabemos. Isso brota da vossa mente, ou do vosso calendário, e aí nós por vezes ficamos confundidos. Mas isso não é importante. De qualquer forma, eu desejo-lhes um bom dia!
Woods: Bom dia.
Entidade: Estou mais interessado em tudo quanto estão a tentar fazer, sabem. Você têm ambição, como vocês dizem, de propagar esta verdade, sabem. Vocês fizeram essas gravações mecânicas, como vocês lhes chamam - é muito interessante - é uma coisa magnífica, acho eu. Eu só queria que nos meus dias isso fosse possível, termos esses instrumentos. Mas depois, naturalmente que era diferente, não tínhamos nada disso, não. Já faz muito tempo.
Greene: Posso saber o seu nome?
Entidade: O meu nome é Chopin.
Greene: Ah, Chopin! [Emocionado]
Chopin: Frédéric Chopin. [Ele dá um certo assento da pronunciação polonesa usual do seu sobrenome, mas a versão francesa de seu primeiro nome.]
Greene: Ah, que adorável!
Chopin: Que grande coisa isso teria sido para fazer gravação de música. Teria sido um trunfo enorme, sabem. Imaginem tão só! Agora, claro, vocês têm tudo - a ciência fez descobertas maravilhosas. O vosso mundo mudou até se tornar irreconhecível. As pessoas hoje têm tantos benefícios. Muitas vezes vemos pessoas no vosso mundo a reclamar sobre a era moderna, mas gozam de tanta bênção! Oh, tanta bênção! Ah, é verdade que em alguns aspectos você têm muitas coisas que causam alarme e preocupação, e podem, oh, levá-los a sentir-se muito infelizes, mas há tanta compensação.
Greene: Por favor, vai contar-nos tudo sobre si? Mas a pergunta usual que nós fazemos é: como passou desta vida, e como deu por si, e o que você está a fazer agora?
Chopin: Tem perguntas a fazer-me... como foi a minha passagem... a minha passagem… quer dizer, quando morri?
Greene: Sim.
Chopin: Oh, fiquei muito surpreendido. Eu provavelmente tinha muito pouco, como vocês dizem, conhecimento. Eu não tinha qualquer conhecimento. Eu não tinha nenhuma religião em particular. Suponho que realmente fui católico, mas... Não muito bom, receio bem! Eu fui um mau católico. Eu não tinha convicções acerca de sobre coisa nenhuma. Quando aqui cheguei foi surpresa para mim. Encontrei-me com tantos amigos, pessoas que conheci anos atrás, amigos que eu conhecia quando eu era um garotinho, estavam todos lá.
Só me lembro que me encontrava prostrado na minha cama, muito doente. Meus amigos - alguns dos meus amigos - estavam comigo, e gradualmente tudo parecia afastar-se cada vez mais para longe de mim, e então tudo pareceu imóvel. Já não ouvia vozes, já não tinha conhecimento nem me encontrava consciente de nada, era como se eu estivesse à deriva, à deriva e longe de tudo. Nada mais parecia real. As coisas que tinham sido reais já não pareciam reais para mim. Mas então comecei a ver a luz, como se houvesse uma luz enorme. [No início] era como um pequeno vislumbre minúsculo, mas então tornou-se mais brilhante e mais brilhante e mais brilhante, e eu comecei a ouvir sons. Era música.
Começou a inchar e tornar-se mais alta, e foi como se houvesse toda uma... toda uma orquestra - magnífico! Eu tentei ouvir, como é que vocês dizem, eu tentei ouvir essa melodia. Parecia haver um tema que me fascinava, mas eu não podia saber, não reconhecia... não era a música a que eu estava acostumado, estava além da minha compreensão. Era diferente, muito mais magnífica do que qualquer coisa que eu ouvira antes. E então pareceu que de repente eu me tornei consciente de estar num edifício magnífico. Era um lugar tremendo, e todo o auditório, todo o lugar parecia estar cheio de gente.
E havia uma cor magnífica; Todo o lugar parecia achar-se impregnado de cores magníficas, e no entanto era transparente. Eu conseguia ver através daquela cor, e ainda assim parecia que eu a estava a inalar, como se toda aquela cor me estivesse a envolver, e estava a tornar-se, por assim dizer, viva. Eu não sei como explica-lo. Foi tudo uma coisa espantosa. Era... era uma matéria viva, e ainda assim reinava tal beleza, e tudo era... Harmonia. Foi difícil, impossível de descrever.
E eu via aquele edifício magnífico, vivo com cor, vibração e música. Pouco a pouco eu vi pessoas que se destacavam daquela massa de gente - algumas que eu conhecia, algumas que me tinham sido muito próximas a mim, na minha juventude, a minha... gente. Oh, foi maravilhoso! E então a música parou, e a cor começou a ganhar uma maior definição mais, como vocês dizem, por antes ter sido tão suave e tão... maravilhosa. E então as cores pareciam fundir-se e tornar-se numa cor bonita, eu não sei dizer mas era como um azul, mas era um azul diferente de qualquer coisa que eu tenha visto antes. Em vez de ser muitas cores, tudo parecia mudar, e tudo era de um azul perfeito, e tudo parecia achar-se reflectido nessa luz. E as pessoas começaram a vir até mim, e eu senti-me cercado por amor, cordialidade e harmonia. E muitas pessoas que eu conhecera cumprimentaram-me e mostraram-me gradualmente - não sei como o fazem - mas gradualmente puderam iluminar-me a mente, suponho, por eu poder ver além dos muros daquela construção. Parecia que eu saia com eles deste edifício, em massa.
As paredes pareciam desaparecer, e eu encontrava-me num lugar magnífico que se assemelhava ao terreno de uma casa magnífica. E eu podia ver à distância uma casa maravilhosa, bonita, com torres, e belas cores, e um belo lago em frente à casa. Lembrou-me um pouco Versalhes, as fontes, os pássaros e os animais. Eu vi alguns veados. Eu parecia percorrer uma grande avenida de árvores, com todas aquelas pessoas ao meu redor, como se... E durante todo aquele tempo eu senti como se fosse a algum lugar, como se fosse ser recebido, não sei, mas foi essa a impressão que tive, de estar a ser transportado para aquele edifício. E lembro-me que, quando lá cheguei havia muitos degraus. E eu pensei para comigo próprio, que estranho - oh, quantos degraus a subir, sabem. Mas não me lembro de os tocar com os pés - dos pés tocarem os degraus, de qualquer modo. Era como se eu fosse transportado um a um, e ainda assim aquilo não requeria qualquer esforço. Essa foi uma das coisas que mais me impressionou – uma sensação como se nada constituísse mais um esforço, ao passo que anteriormente, quando eu estava na Terra, tudo que eu tinha quanto precisava fazer era um esforço. Foi terrível. Durante muito tempo não conseguia fazer muito, precisava descansar.
Mas aqui sinto-me tão vivo, tão diferente, tão cheio de vitalidade, nada constitui um esforço. No entanto, na minha mente, ao ver aqueles degraus enormes, sabem, eu acho que oh, tanto degrau a subir! Eu suponho que ainda fosse a mentalidade que tivera na Terra... lá, mas eu comecei a perceber que não era mais afectado por doenças nem por problemas, como quando me encontrava no meu corpo. Era um corpo diferente, mas eu não o tinha visto, apenas senti que era diferente, mas estava ansioso por ver como o aspecto que tinha. Estranho como se pensa nessas coisas, mas eu acho, ah, eu sinto-me diferente, não exerço mais qualquer esforço. Interrogo-me se estarei diferente… Mas nesta fase começo a perceber que uma grande mudança se abateu sobre mim.
E quando cheguei àquela escadaria, subi aquela escadaria - como vocês dizem, degraus - e eu cheguei a um prédio grande que eu tinha visto à distância. Na minha frente havia um grande pátio com um enorme… como vocês dizem, arco. E eu passei por ele, e fui em frente neste edifício, e ele era enorme com um tecto abobadado. E o chão assemelhava-se… como é que vocês dizem, a uma pedra bonita, mas altamente polida, de muitas cores. E havia belíssimas fotos por toda parte, de pessoas. E à medida que avançava por ai, era como se eu estivesse a ser dirigido, mas ninguém me mostrava o caminho, mas eu parecia saber que caminho tomar. E à medida que avancei por aquela grande sala, aquela galeria, vi aquelas fotos, e pensei: " Eu acho que conheço essa pessoa," e eu reconheci várias pessoas naquelas fotos que tinham passado há muito tempo, sabem, e pensei: “Que estranho.” Eu ainda não percebia completamente tudo o que me tinha acontecido.
De qualquer forma, eu ando muito, e finalmente chego a um compartimento muito grande, e vejo muita gente, e no final desta sala havia como um trono, sabem, ou uma tribuna como vocês dizem - degraus - e uma magnífica figura de homem que envergava lindos trajes de ouro e com um manto roxo, cabelos lindos, pretos e ondulados, cortados ao ombro, com uns lindos olhos castanhos, grandes e luminosos. E eu senti que estava na presença de alguém muito importante, de pessoa maravilhosa. E eu aproximei-me, e senti como se estivesse a ser recebido, como se pudesse ser recebido por um papa ou algo assim. E aquela pessoa adiantou-se e cumprimentou-me, e deu-me as boas-vindas, e disse-me que eu tinha sido conduzido à esfera da música, e que ele deveria ser o meu, como vocês dizem, anfitrião, que ele estava a receber-me em nome de todos aqueles povos, e que eu iria ser exibido ao redor e apresentado a vários povos, e iria conhecer o meu lar, que estaria por toda a parte neste lugar magnífico, e aí eu continuaria a fazer música e a estudar. Era como se eu estivesse a ser iniciado numa enorme sociedade, o que, naturalmente, de certa forma, era. Era uma sociedade de artistas e músicos. Conheci todas a gente grandiosa - Michelangelo - oh, tantas pessoas que tinham sido excelente - Cellini – muita gente.
Greene: Continue, é muito interessante.
Woods: Muito interessante, sim.
Chopin: Sabem, é extraordinário; Nós não sabemos nada sobre nós mesmos quando nos encontramos na Terra. Nós estamos muito ofuscados, como vocês dizem, muito... talvez em certos aspectos, seja significativo que não estejamos autorizados a saber muito. Talvez seja sensato.
Sabem, conheci gente deste lado... o que me sugere e me dá algumas impressões e ideias que talvez não possam ser colocadas por palavras... sabem que a música às vezes pode dizer mais a uma pessoa do que as palavras. A religião é algo... é algo profundo em si mesmo. Há muita coisa que não pode ser colocada por palavras, que não se pode escrever, sobre o que não podem ler, as pessoas não sabem como escrever sobre isso. A verdadeira religião é algo que vem da alma, do homem interior, que não pode ser descrita ou analisada. É algo que fazem, algo que que expressam. É essa parte de nós que é divina, que é Deus, que é eterna, que não pode ser destruída, que sempre vive ao longo de toda a humanidade, ao longo de todos os tempos. Essa é a verdadeira religião, essa é a verdadeira realização, esse é o verdadeiro desenvolvimento da alma e compreensão dela. Não é algo que certas pessoas achem que podem colocar num livro, que represente o começo ou o fim, e sem o que nada existia antes ou depois. É a ignorância que leva as pessoas a dizer essas coisas.
A verdadeira religião, a verdadeira compreensão da religião, a verdadeira percepção de si mesmo, a verdadeira realização da unidade com o Divino e o propósito e o plano, todas essas coisas estão além do espaço e do tempo, além dos livros, além das coisas que o homem pode dizer por palavras. Isso são coisas que, por si mesmas, se acham profundamente escondidas dentro, mas que com o tempo e a experiência podem chegar a ter expressão. E não podemos fazer isso tudo numa vida ou uma era.
Greene: A música actual por vezes deve causar-lhe um choque desagradável, não?
Chopin: Bem, não aprecio parte dela, já de outra não desgosto! Eu acho que há muitos por aqui e por ali que estejam a tentar sugerir - que estão a tentar reproduzir coisas que provavelmente, e em muitos casos, constituem bastante um... produto da sua era.
Vocês sabem, a música muda. Embora exista um número limitado de notas, é surpreendente o que se pode fazer com elas, e pode-se reproduzir muitos sons e muitas experiências da alma interior. E pode-se reproduzir também muito da condição de uma vida, ou da experiência de uma vida, ou de uma era. Eu não gosto da maioria da vossa música moderna, no entanto respeito alguns que são sinceros e que se esforçam por reproduzir algo que sentem intensamente, e que para eles representa o seu tempo e a sua era.
Mas é claro que a verdadeira música, a música real, a grande música, é algo que está além do vosso mundo, e que brota do aspecto espiritual do homem, da realização da grandeza e da unidade com Deus. A grande música é algo que realmente nasce no espírito, e que é, porventura, muito mal reproduzido no vosso mundo. Os grandes gênios da música, seja de uma ou de outra era, estão a… como que a reproduzir certos aspectos do eu superior através do som, a aspiração do homem. Monsieur, ia dizer alguma coisa?
Woods: Sim, a sua música será muito diferente da música da Terra? Muito mais avançada?
Chopin: Ah, claro que é muito diferente. Por exemplo, temos muitos instrumentos que vocês não possuem. Além disso, nos planos superiores, nos planos altamente evoluídos, podemos criar música sem instrumentos, pelo simples esforço do pensamento, sendo que o pensamento aqui é criativo. Um grande músico, por exemplo, pode compor e conseguir toda uma obra sem o uso de um único instrumento. Ele pode, por assim dizer, em si mesmo, criar todos os sons a partir de si próprio e, em consequência, aqueles que estiverem sintonizados com os seus pensamentos e com ele próprio, ouvirão a reproduzirão aquilo que o compositor tiver criado.
Você entende, vocês tornaram-se, naturalmente, por viverem num mundo material e lhes ser difícil entender de outra forma, vocês acostumaram-se a que tudo tenha que ser material. Vocês precisam ter uma pá para cavar um buraco, vocês precisam ter um violino para tocar um concerto de violino. Mas a questão principal assenta em que esses instrumentos são em si mesmos mecânicos, são coisas que foram construídas e inventadas pelo homem para criar certas coisas, ou com certos fins. Aqui, percebemos que o pensamento é tão predominante e tão forte, que quando você sabe como usá-lo e como controlá-lo, e como criá-lo, por assim dizer, algo que é fundamental, real e poderoso, vocês podem criar som sem o auxílio de qualquer instrumento. Vocês podem criá-lo a partir de do vosso próprio íntimo, vocês podem fazer vibrar a harmonia e a atmosfera, vocês podem criar música sem instrumentos. Afinal, você pensam... vocês pensam antes de falar. O vosso pensamento está presente antes da palavra, antes do som. E aqui os nossos pensamentos são tais que podem ser recebidos por aqueles que estiverem em harmonia connosco, na nossa vibração.
Afinal, vocês podem fechar os olhos, formar uma escuridão, e ainda assim podem ver imagens, podem reconstruir, ou construir coisas na vossa própria imaginação. O que é imaginação? Ninguém respondeu a essa questão: "O que é imaginação?" É uma realidade, muitas vezes. O que vocês imaginam tem muitas vezes mais realidade do que aquilo de que têm consciência.
O homem, no vosso mundo, de certa forma, embora em muitos aspectos tenha avançado tremendamente, ele ainda permanece muito ignorante com relação ao poder do espírito, o poder que se acha profundamente oculto dentro de si. Foi-lhes dito: "Batam e ser-lhes-á aberto." Mas poucas são as pessoas que se interessem por bater! Elas contentam-se com o que lhes foi dado. Muitas vezes aqueles que têm uma maior ânsia por ver e por saber são os mais ignorantes, por não virem a perceber o poder que carregam dentro de si. Sentem-se satisfeitos, em muitos casos, por aceitar o que lhes foi ensinado, ou o que eles aprenderam, e não buscam a si mesmas, não sabem. Há muitos no vosso mundo que são pessoas muito sinceras, muito gentis, muito boas, muito honestas, muito felizes, mas que são muito infantis!
Greene: Você pode pensar que esta pergunta idiota, mas qual foi a sua impressão que colheu do piano, quando você tocou pela primeira vez desse lado?
Chopin: A impressão que tive do piano quando eu o toquei pela primeira vez aqui... foi a de me sentir em casa, suponho, porque sem um piano eu sentia-me perdido. Mas quando encontrei um piano aqui, e pude tocar, eu senti-me feliz.
Greene: Mas foi diferente?
Chopin: Não, parecia exatamente o mesmo, mas ao mesmo tempo parecia ter um tom mais rico e mais bonito, e não parecia tão restrito ou limitado como quando estava na Terra. Mas é claro, tudo isso foi experimentado nos primeiros estágios da minha vinda aqui, para me fazer sentir feliz, para me fazer sentir em casa. Mas gradualmente, quando comecei a perceber as possibilidades e capacidades que aqui existem, então comecei a emergir, poder-se-ia dizer, e a tornar-se mais capaz de fazer coisas maiores.
Você vê, nós limitamo-nos pela falta de conhecimento. Mas à medida que obtemos conhecimento, ficamos menos limitados, e aquilo por que nos esforçamos por fazer torna-se mais possível, e em consequência torna-se muito maior. Oh, é maravilhoso! Vocês não percebem o quão maravilhoso é, neste mundo, onde não existem limitações para além daquelas que impomos a nós próprios? Nada é impossível, e tudo o que é bom é possível, e tornamo-nos maiores pelos esforços que envidamos por isso. O vosso mundo acha-se restrito, mas apenas restrito por o homem o ter feito assim. Na sua ignorância ele não vê, ele não percebe as capacidades, as possibilidades que o vosso mundo comporta. Consequentemente, ele restringe-se pelo pensamento e pela acção material. Mas não existe limite para o que o homem pode alcançar se ele buscar profundamente, com certeza e de facto, o que vem do espírito. O poder do espírito pode superar todas as coisas, como vocês sabem, por meio dos milagres de Jesus e de outras grandes almas. Aquelas coisas que parecem restringir não restringem. Não há nada impossível se o homem tiver fé, fé no criador e fé no poder que Ele nos dá.
Estou muito feliz por poder vir aqui falar convosco. Gostaria muito de voltar.
Woods: Posso fazer uma pergunta?
Chopin: Sim, mousieur.
Woods: Eu adoro tocar um piano, mas não sei tocar uma nota. Mas adoro escolher músicas e tocar. Mas eu nunca toco se alguém estiver por perto porque eu sei que irei fazer rir se eu tocar, mas eu gosto de fazer a minha própria espécie de música no piano. Assim como adoro sentar-me num parque - eu sei que as pessoas ririam de mim por fazer isso - mas ouço o som, e coloco o som em música, em algum tipo de... simplesmente música, e esqueço o barulho. Agora, estarei realmente a fazer música nessa direção?
Chopin: Indiretamente, sim. Mas você vê, como todas as coisas, alcançar implica esforço, o que significa treino. No vosso mundo vocês precisam de treino para tocar piano, precisam conhecer o piano, o que é capaz de fazer, os vossos dedos precisam acostumar-se a ser flexíveis, e assim por diante. Mas você vê, obviamente carrega no íntimo o desejo inato de ser criativo, de... criar e de experimentar, e quando você vem para cá, longe do confinamento e da limitação da carne, então você sem dúvida criará, e comporá música. Por no vosso mundo vocês estarem limitados pela falta de experiência, e por não terem sido treinados em criança, todas estas coisas são limitativas.
Mas, mesmo assim, apesar de todas essas limitações, não é improvável, ou impossível uma pessoa que nunca tenha tocado num piano, sem experiência, desde que tenha fé, possa ser usada e possa ser controlada, de tal forma que ela possa tocar piano como um mestre. Veja bem, embora esses aspectos materiais sejam importantes, eles nem sempre constituem necessariamente a desvantagem que às vezes as pessoas pensam que sejam. Nada é impossível, e se alguém tiver fé, então esse alguém poderá ser usado. Mas talvez não seja exatamente o mesmo, que tocar pelo vosso próprio acordo. Veja bem, existe uma forma de mediunidade, como vocês dizem, em que um médium pode ser controlado e usado, o que muitas vezes pode ocorrer. Você pode ser controlado por alguma forma para tocar o piano, mas ainda não seria por si próprio. Entende o que eu quero dizer?
Woods: Sim.
Chopin: Mas quando você vem aqui, se você tem esse desejo, e eu vejo que você tem, sem dúvida você irá tornar-se músico, mais musical, e ser capaz de tocar. Mas terá... ainda precisará passar pelas diversas fases. Não há nenhuma via rápida, como vocês dizem, para o sucesso. Tudo deve ser feito gradualmente. Tudo deve ser conquistado, sabe. Precisamos sofrer para conquistar.
De qualquer forma, preciso ir, por o poder estar a enfraquecer. Mas foi uma alegria para mim vir até vós. Desejo-lhe feliz Natal. Estendo-lhes o meu au revoir e a minha bênção, madame et monsieur.
Woods, Greene: Muito obrigado.

CHOPIN
Chopin: Viva.
Rose: Sim?
Chopin: Madame e Monsieur, boa noite.
Rose e outros: Boa noite.
Chopin: Bem, vocês não perguntaram, mas eu estou bem.
Rose: Sim, eu sei. É o Frédéric?
Chopin: Sou.
Rose: Sim, Frédéric. Estamos tão felizes que tenha vindo até nós de novo.
Chopin: Eu estava a tentar pensar no que deveria dizer-lhes esta noite, e pensei que a coisa mais adequada seria o que temos em comum no nosso coração, a música.
Rose: Sim, por favor.
Chopin: Tentei muito encontrar um jeito de lhes expressar certas coisas com respeito à música que existe nas esferas do amor, mas não sei se vou encontrar as palavras que possivelmente lhes possam dar o entendimento correcto. Eu acho que a melhor comparação, a melhor maneira de o conseguir, é dizer-lhes que o que para vós na Terra a música representa, conquanto linda, conquanto importante, conquanto essencial para aqueles que sentem e conhecem e compreendem estas coisas, em comparação com as coisas do espírito, onde a música é suprema, revela-se infinitesimal.
Quando penso nas composições, na música que compus durante a minha vida terrena, embora eu esteja de certo modo satisfeito com ela, percebo que é tão insignificante em comparação com o que eu tenho sido capaz de fazer por aqui. Aqui não há limitações. Na Terra, eu costumava debater-me... Ah! As limitações pareciam ser muitas. Coisas que eu tinha no meu coração, na minha cabeça, coisas que me corriam pelo ser – por vezes só descobria que a bússola do instrumento se revelava insuficiente. Havia notas que eu tinha sentido tão fortemente no meu coração, que não podiam ser expressadas, por o instrumento se revelar insuficiente.
Aqui, existe uma vasta gama. Vejam bem, aqui nós não nos encontramos limitados como vocês estão. Vocês só podem ouvir até determinado tom, ou até determinada medida. Além disso, os vossos ouvidos não escutam. Connosco é diferente. Podemos ouvir com um alcance muito maior. Consequentemente, os instrumentos que temos são compostos ou feitos numa escala muito maior. Consequentemente, nós podemos conseguir notas e acordes e criar harmonias que vão muito além da vossa imaginação. Tomem algo que vocês na Terra acham que seja um grande estúdio, ou algo que tenha um grande fluxo de trabalho, com grandes harmonias, que conquanto grandiosas, é demasiado insignificante em comparação. Como o espírito é mais vasto na sua experiência e na sua sabedoria e no seu conhecimento e na sua expressão, quando é libertado do corpo físico e da condição terrena, assim acontece com a música. É apenas a limitação da Terra que limita o coração humano, que limita a capacidade humana de criar.
Todo artista que seja um artista, seja na música ou em qualquer outro campo de actividade, como vocês sabem, muitas vezes irá expressar a mesma coisa. Ele irá dizer: "Ah! Eu simplesmente não entendo. Eu não o sinto, e isso simplesmente não irá acontecer." Ele tem o estado de espírito, quando ele sabe que ele pode fazer um trabalho, e ele vai tratará de o conseguir dia e noite até que que o consiga, e então sem dúvida que se irá sentar e pensar: "Bem, está terminado, mas não é como eu gostaria que tivesse ficado." Por outras palavras, os seus materiais limitam-no, e ainda assim o que ele criou é aceite pelo mundo como uma grande obra, que com efeito o é, no âmbito das limitações da Terra.
Mas aqui, onde não há limitações, onde o poder do espírito é tal que um homem pode tornar-se tão grande quanto desejar no sentido espiritual, onde a sua obra pode tornar igualmente grandiosa, não há limitações para aqueles que se esforçam, para aqueles que buscam, para aqueles que tentam expressar aquela parte de Deus que existe em si mesmos. Pois na música se encontrar Deus, assim como em todas as coisas que são boas. Há o galardão e o âmago e a emoção do Altíssimo. Por olharmos com os olhos que não são os olhos da Terra, e ouvirmos com ouvidos que não são da Terra, e nos expressarmos com volume e intensidade, com coisas que não podem ser confinadas, conforme vocês entendem no sentido material. Todas as limitações do artista são aqui rompidas, e ele ou ela pode realizar coisas grandiosas. E todas essas coisas são uma expressão não só do próprio homem, mas de Deus que opera através do homem. Pois Deus é a perfeição, e todos nós, que somos artistas, estamos buscando a perfeição com a nossa arte. Por outras palavras, todos nós estamos nos tornando cada vez mais idênticos a Deus, parte de Deus, e, consequentemente, o nosso trabalho e arte também crescem.
E, por conseguinte, nas diferentes esferas vocês descobrirão que, como aqueles que passaram de uma esfera para a outra do progresso, eles deixam para trás em sua esfera particular (do mesmo modo que quando uma pessoa deixa o vosso mundo para vir para este), eles deixam para trás alguma expressão de Deus, alguma expressão da emoção do espírito e da beleza do espírito em toda a sua pureza e graça. Na minha vida, tento deixar para trás alguma expressão de Deus no meu trabalho, e os artistas e os poetas, e todos aqueles que se esforçam para se expressar, e por expressar a alma, que é uma parte de Deus, deixaram para trás uma herança para aqueles que se seguem.
E assim, nas esferas, à medida que progredimos de uma esfera para a outra, à medida que aprendemos e assimilamos e utilizamos todas as oportunidades em cada esfera individual particular em que vivemos, criamos e deixamos para trás para aqueles que vêm do vosso mundo, para esta esfera particular, algo de nós mesmos, que deixar para trás com amor para ajudar aqueles que veem depois, do mesmo modo que os músicos do vosso mundo de hoje pegam nas obras dos grandes mestres e descobrem nelas uma grande beleza e reverência e harmonia e um som de… uma música alegre e grandiosa. Eles sentem e sabem que há alguma parte de Deus na alma de um músico que conseguiu progredir além das coisas materiais.
Assim é, pois, que todos nos ajudamos uns aos outros. Somos todos irmãos e irmãs. Vocês ficaram surpreendidos, há muito tempo, quando pela primeira vez vim até vós. Durante muito tempo vocês não conseguiam acreditar nisso. Vocês pensaram: "Ah, não é possível. Por que ele veio a mim? "Por serem humildes de espírito, porque vocês perceberem a grandeza que existe na música, por perceberem a grandeza que se acha na arte, e por perceberem igualmente que existia alguma parte da alma, e terem sentido que vocês possivelmente não poderia alcançá-la. Mas meu filho, isso é exatamente o que nos estamos a esforçar para fazer, tocá-los, para que vocês possam em alguma medida ligar-se a nós na harmonia das esferas. Foi o dom que legamos à humanidade ajudar aqueles que veem depois, para que também possam ser inspirados a expressar e a dar ao mundo na escuridão em que se encontra a harmonia e o amor das esferas que se expressam pela música que fomos capazes de dar através da nossa estada na Terra. Estamos todos amarrados juntos pelos vínculos do amor e do carinho.
A música é a harmonia do amor que flui por todos os seres humanos e nos liga. Quando vocês tocam a minha música, você estão a tocar a minha alma, e eu tenho consciência disso. Quando a amam e quando tentam expressá-la com tudo o que têm para que lhe dar, eu estou consciente disso, e quando descubro a existência de tal amor, então eu sinto-me atraído. E quantas vezes temos lutado deste lado, para estabelecer elos com as pessoas na Terra, que não entendem. Existem por aqui e acolá alguns artistas, algumas pessoas na música que, embora não conheçam o significado do que vocês chamam de espiritualismo, no entanto, no fundo do seu ser têm uma consciência de se acharem ligados através da música com a alma que os criou, e eles tentam expressá-la. E se forem bons artistas, se forem talentosos, se possuírem uma habilidade natural, então poderemos usá-los, como costumamos fazer, ao tentarmos ajudar aqueles que se debatem no vosso mundo, como gostaríamos de ter sido ajudados, e muitas vezes fomos, quando na Terra. Assim, esforçamo-nos por ajudá-los. Há alguns no vosso mundo que eu frequentemente ajudo, alguns que vocês conhecem.
E assim, porque amamos com toda a plenitude do que o amor significa, não vamos necessariamente apenas junto daqueles que podem se tornar músicos consumados na vida terrena, mas daqueles que sentem tão intensamente, que às vezes, de facto, diria até mesmo que é ainda mais importante do que a execução da música, pois onde houver intensidade de amor, ou uma grande compreensão no coração, por expressar (no meu caso) a minha música, então eu torno-me um com essa pessoa, e se eu puder ajudá-lo, e ajudar os seus dedos trêmulos sobre as teclas, isso será minha alegria e privilégio, porque eu venho servir em amor. Pois minha música é para servir a humanidade, a ajudá-la a elevar-se acima das coisas mundanas, nas harmonias do espírito de que agora desfruto.
E assim é que a música nos une, porventura mais do que qualquer outra forma de arte, mas é na música que encontramos tal paz, e é na música que encontramos consolo na nossa alma que se encontra em apuros, como eu sei que estive frequentemente na vida terrena. Por eu me ter chegado muitas vezes ao piano com o coração repleto de desgosto, e ainda assim ter encontrado paz e uma grande harmonia e um grande consolo nele. E algumas das minhas maiores composições foram conseguidas na minha mais terrível das horas, por ser sempre quando Deus clama com mais força ao coração que daí decorre a harmonia do espírito, que nada no mundo pode tirar. Por isso é deixada para trás, por de facto se destinar ao serviço. Pois mesmo na morte, como lhe chamam, nós ainda servimos de várias maneiras. Eu não estou morto; Estou mais vivo do que alguma eu estive na Terra, mais consciente, mais capaz de servir e de ajudar, e posso agora criar maiores harmonias do que alguma vez fui capaz nos confins do corpo terreno material, que foi sempre fonte de pesar para mim, e muitas vezes um incômodo.
Mas isto eu sei, que o seu amor, o vosso desejo de expressar o que vem de dentro de vocês, torna possível a ligação que tenho convosco, e se vocês não executarem o meu trabalho conforme sabem que gostariam de o fazer, é o coração dentro de vós que torna possível a ligação entre nós, o desejo. É sempre o desejo, o desejo sincero no coração e na alma dos que nos evocam, mais do que até mesmo as outras coisas que muitas vezes as pessoas ao vosso redor mais admiram. Eu sei que o artista, a alma que se esforça e que sente tão intensamente, se depara com a decepção e a desilusão, e ainda... cujo corpo físico não tem o poder de fazer o que o coração lhe diz para fazer. Mas, mesmo assim, vocês estão a criar, num certo sentido, uma enorme harmonia, por vocês sentirem.
Quantas vezes não sabemos de pessoas que executam de forma tecnicamente brilhante o trabalho de um grande compositor, mas há algo em falta que o torna aborrecido e desinteressante, por não ter sentimento, não ter alma. Isso não toca a alma do compositor. E a menos que a alma do compositor seja colocada na técnica, se ele não estiver por trás do que estiver a ser feito, apesar do brilho da sua execução, nada será para além de desolação, nada além de decepção. Mas aqueles que sentem com tal intensidade, aqueles que apreciam a música, e ainda assim não conseguem tocá-la, são os maiores músicos, porque eles têm algo que o homem que com toda a técnica do mundo não possui. Ele não tem Deus no seu coração. Ele não tocou o coração de um músico. Ele não sentiu que a maravilhosa união que corre entre os que amam de tal modo o que é criado e tiver sido criado no amor. Pois é no amor que nós que criamos música servimos a humanidade.
Toda a grande obra digna de nota no vosso mundo foi criada de certa forma, por intermédio do instrumento que o músico representa, pela mão de Deus, pois é a mão de Deus que ajuda todos aqueles que se esforçam por enviar beleza e gloriosa harmonia para a Terra. São os dedos de Deus que se movem por trás dos dedos, muitas vezes os dedos de tropeço, do músico humilde.
Porque Deus é conhecer todas as coisas, e Deus expressa-se de todas as maneiras, através do artista que pinta, através do músico que cria e produz, através do cantor que canta as harmonias que outros compuseram, e todas as belezas da Terra. Sempre encontram Deus, e por trás do músico, encontra-se Deus. E quando aqueles que sentem Deus na música, não conseguem tocar as notas, ainda assim há um músico, há harmonia. Há música gloriosa, pois é a música da alma que é insuflada e nas esferas e que é ouvida, e temos consciência disso, e somos atraídos para aqueles que, embora queiram fazer tanto, pouco conseguem fazer por causa das limitações da sua vida terrena.
Mas os seus corações estão repletos de amor, os seus corações são conscientes de todas as harmonias das esferas, e os seus pensamentos estão com os grandes músicos e os grandes compositores que passaram por este mundo, e que deixaram uma herança para os filhos da Terra seguirem. Eu sei como vocês se sentem, e por eu saber como se sentem é para mim uma alegria vir, e servir, e ajudar, e abençoar. Eu nunca sinto que esteja a desperdiçar um momento, se ele for gasto com aqueles que amam, como vocês amam, a música que é de Deus. Preciso ir, mas não me sinto triste, e sinto-me feliz, pois existir uma enorme beleza em todos nós. Por todos nós sermos Deus, em harmonia uns com os outros.
Rose (num tom reverente): Obrigado, Frédéric.
Voz masculina: Obrigado, senhor Chopin. 

IRMÃO BONIFÁCIO
SOBRE A VERDADEIRA NATUREZA DE DEUS
“George Woods pergunta ao irmão Bonifácio a razão porque os jovens não vão à igreja. O irmão Bonifácio responde que, nos últimos tempos, as pessoas recusaram o que a igreja lhes propõe. Os jovens tornaram-se mais analíticos, e reconsideraram as alegações apresentadas pela igreja. Eles estão cheios de dúvidas e de incerteza. Eles não aceitarão mais os ensinamentos da igreja que não apresentem um fundamento e uma realização que suscite convicção.
“Nos velhos tempos, as pessoas aceitavam cegamente, sem questionar, o que a igreja ensinava. Os homens no púlpito eram vistos como os porta-vozes de Deus. Hoje, os jovens encaram-nos a uma luz diferente. Eles os vêem como homens, como eles mesmos, muitas vezes carentes de inspiração. Hoje, os jovens estão a cavar mais fundo. Eles não estão mais a arranhar a superfície, e não se contentam em aceitar sem questionar. No entanto, é para os jovens que nos voltamos em busca da promoção da verdade para as gerações futuras.
“Aqueles que se encontram do outro lado estão à procura de médiuns que possam assumir o trabalho do espírito. Bonifácio explica que nisso eles se deparam com o maior desapontamento, porque muitas vezes os jovens estão desapontados, mesmo com o espiritualismo. Esta é a tragédia que lhes causa grande preocupação, que haja tão poucos médiuns que sejam capazes de expor essas coisas e de suscitar a convicção tão desejada e necessária. Os muito jovens estão decepcionados, porque a evidência nem sempre chega, e muitas vezes aqueles que são médiuns não cumprem as obrigações que são depositadas neles. Eles não aderem à verdade.
Neste momento, o espiritualismo, desenvolve meios que em si mesmos são capazes de demonstrar a realidade destas coisas. Bonifácio diz que há muito poucos que sejam capazes e aqueles que são capazes sobrecarregam-se mental, física, psíquica e espiritualmente. Os espiritualistas têm de proteger os médiuns, mas muitos médiuns não se protegem. Em alguns casos, eles estão ansiosos para servir demasiado para o seu próprio bem e para o bem daqueles que procuram. Um médium, por mais sincero que seja, deve proteger-se a si mesmo e ao poder do espírito. Quando esse poder é manifesto e usado, tudo fica bem.
O irmão Bonifácio continua a explicar que há momentos, muitas vezes além do controle do médium, em que aqueles que se encontram no outro lado são incapazes de se manifestar. Muitos factores devem ser levados em consideração. Há tão poucos médiuns e, com demasiada frequência, os que servem tendem a sobrecarregar os poderes que têm. Os médiuns são por vezes fracos. Os médiuns devem ser espiritualmente propensos a ser bons médiuns.
Existe uma diferença entre o psiquismo e o espiritualismo, entre dons psíquicos e dons espirituais. Eles acham-se entrelaçados. O que precisamos são bons psíquicos e, acima de tudo, bons médiuns espirituais. Precisamos torná-lo assim para que somente o que é bom resulte daí. Muitas vezes, porém, isso não é controlável. Os que se encontram do outro lado só conseguem fazer o melhor que podem de acordo com o poder que for gerado, de acordo com a substância com que têm que trabalhar. Eles muitas vezes lidam com pessoas no plano terrestre que se sentem desapontadas e desiludidas. Ele explica que aqueles que estão do outro lado fazem o melhor que podem para elevar e inspirar, mas eles não podem forçar, e jamais tentariam levar os médiuns a fazer algo contra a sua vontade. Eles desejam o que é bom, mas ainda se acham sujeitos às condições que prevalecem em torno do médium. Eles no outro lado não são melhores do que o seu contato e do meio que usam. No entanto, eles muitas vezes obtêm sucesso.
Na sua mensagem, ele então se voltou para a questão dos jovens na igreja e na espiritualidade. Eles não são fáceis de convencer, diz ele. Eles muitas vezes esperam que tudo seja perfeito, na medida em que isso possa suportar o escrutínio e a análise. Às vezes pode, e outras vezes não. O que eles não percebem é que aqueles que se encontram do outro lado estão limitados pelas condições que prevalecem na altura. Às vezes, uma sessão pode flutuar, dependendo de diversos factores. Mas os jovens não percebem que eles próprios contribuem para as condições que tornam a comunicação possível. Às vezes, a atitude deles não é como deveria ser, apesar da sinceridade que têm. Eles precisam aprender a ser humildes.
A educação deles e as circunstâncias da vida moderna criam barreiras. Todos os que procuram compreender o espírito devem ser como uma criança pequena antes de poderem penetrar na compreensão do espírito. As pessoas devem entrar numa sessão ou numa reunião com uma mente aberta, sem restrições desencadeadas por noções e ideias preconcebidas. Eles devem estar abertos na abordagem que fazem e devem ter os corações cheios de amor para toda a humanidade e por toda a criação. Em muitos casos, eles entram neste "contracto" entre a vida após a morte e o reino terreno, e nesta fundação da bondade do amor e da paz, harmonia, da compreensão e realização espiritual, mas muitas vezes é uma jornada lenta e laboriosa. Quem quer que penetrar nessa verdade não a irá achar fácil. Com isso, ele pretende dar a entender que ter os olhos bem abertos para as coisas do espírito é difícil, por estarem a sair do atoleiro. Precisam adoptar em si próprios um novo valor, uma nova compreensão, novas percepções, um novo propósito e penetrar numa consciência ou estado de afastamento das coisas materiais. Eles precisam aprender em consequência a ajustar-se e a dar a tudo o seu verdadeiro lugar.
Isso não é fácil para os jovens. Exige que eles sacrifiquem coisas que parecem materialmente importantes. Para uma pessoa na velhice, que tenha vivido a sua vida, e cometido erros e avaliado valores, não é tão difícil descartar muitos desejos materiais da carne e coisas que antes pareciam importantes. É muito mais difícil para os jovens reavaliar valores, pôr de lado muitas coisas materiais que são importantes para eles na sua energia e juventude. Portanto, aqueles que se encontram do outro lado acharão os seus esforços insuficientes por os jovens não terem paciência para buscar fundo os valores mais significativos. Eles fazem juízos rápidos e ficam desiludidos com médiuns cuja qualidade não é das mais levadas. Eles não recebem a inspiração que desejavam, e assim eles se afastam.
Alguns estão ansiosos para servir e são espiritualmente conscientes, mas a vida do mundo os impede. As pessoas que muitas vezes se tornam amigáveis ​​ que pensam de forma diferente, levam-nos a deixar-se apanhar em condições materiais que por sua natureza fecham a porta ao espírito. Eles têm grande dificuldade em obter a convicção e a realização para trabalhar nos caminhos da verdade e obedecer às leis do espírito.
Alguns no plano terrestre presumem que os do outro lado se tenham distanciado para longe das coisas materiais da terra. Isso é verdade até certo ponto, mas ele enfatiza que nos encontramos todos no caminho do progresso gradual. Alguns manifestam-se num estado do ser muito distante do mundo material, onde a vida está tão distanciada que seria impossível descrevê-la por palavras que as pessoas na Terra pudessem entender. Há quem se encontre mais próximo que não se distinguem daqueles que se encontram na Terra, não na forma externa, mas na atitude, mente e plano espiritual.
Todos os homens, quaisquer que sejam os seus estratos do ser, carregam dentro de si mesmos desejos profundamente enraizados e latentes de realização espiritual, consciência espiritual, consciência espiritual e desejo de derrubar as obras do ego. Todos nós somos personagens Jekyll e Hyde. Ele diz que está sempre ciente do ensinamento simples que Cristo deu: "Dêem a César o que é de César e a Deus o que é de Deus". Isto, explica ele, é um exemplo do que eles tentam imprimir sobre aqueles que se encontram na Terra, jovens e velhos. As pessoas precisam entender o aspecto espiritual de si mesmas, com todo seu potencial e magnificência e beleza e poder, não necessariamente quando chegam do outro lado, mas enquanto ainda se encontram na Terra. Esta é a grande oportunidade que é tantas vezes perdida por todos, independentemente de credo ou cor. Eles não sugerem que as pessoas na Terra devam abandonar a vida material. Eles dizem que as pessoas deste lado devem aceitá-lo com as mãos abertas e ser felizes, apreciar o que a Terra tem de bom.
Eles compreendem as muitas tentações se colocam no caminho das pessoas. Não consideram que algumas das coisas que são consideradas tentação sejam tal coisa. Elas são muitas vezes oportunidades de reunir conhecimento e experiência.
É preciso cometer erros, mas é preciso aprender e a única maneira de aprender muitas vezes é pelo erro. O erro não é uma coisa boa, mas eles não negam que muitas vezes o erro seja necessário. Uma criança, na sua ignorância e tolice, faz coisas tolas. Mas a criança aprenderá pelo erro, fazendo coisas que são tolas. Muitas das coisas que os homens chamam de males não são vistas por pessoas do outro lado como más.
A igreja está gradualmente a mudar. Embora as igrejas estejam vazias, os que servem a Igreja estão a mudar. O novo pastor está a mudar consideravelmente na atitude e na perspectiva, de há 100 anos para cá. E a esse respeito há esperança para a Igreja. Os jovens da Igreja verão mais claramente os erros do passado e tentarão corrigi-los. Eles demonstrarão as faculdades e os dons espirituais na Igreja e muitos retornarão em resultado. Aqueles que curam os doentes, aqueles que realizam os dons da profecia, aqueles que percebem que é possível voltar aos primórdios da Igreja quando era simples, como filhos em humildade e fé, participam do poder do espírito.
Ele diz que os primeiros cristãos viram e ouviram e souberam que a vida é contínua, e que a morte não é o fim. Foi aí que os primeiros mártires cristãos tiveram sua tremenda esperança e confiança, certeza, alegria nos seus corações. Eles receberam o poder do espírito manifestado por múltiplas maneiras. Eles estavam seguros. Eles não tinham medo da morte. Eles não receavam a libertação do espírito do corpo físico.
Um número incontável de pessoas tem medo da morte, hoje. Eles temem a enfermidade, a doença e a agonia. Outros temem as consequências e o castigo, especialmente aqueles de mentalidade religiosa dada pela igreja. Mas não há julgamento; Ninguém julga ninguém. Todos nós nos julgamos a nós próprios. Todos nos avaliamos. Quando um homem chega ao outro lado, é como se, de alguma maneira estranha, ele tivesse consciência de si mesmo pela primeira vez. O homem é despojado de todas as coisas e já não pode usar uma máscara nem esconder-se atrás da falsa fachada construída ao longo de uma vida. Bonifácio explica que muitos que ele conheceu ficaram horrorizados quando perceberam que no mundo do espírito, não existe julgamento, nem qualquer condenação, qualquer necessidade de medo ou de apreensão. Cada homem encontra o seu próprio nível verdadeiro e realiza por si próprio para a sua própria salvação.
O que se pretende no estilo de vida cristão é que se siga o mestre, Jesus: modelar-se na medida do possível com base nele, tornar-se semelhante a ele, fazer aquelas coisas que são maiores do que nós próprios. O homem carrega dentro de si próprio o poder de se salvar a si próprio, de fazer as coisas de Deus, enquanto se encontra na terra. Ao homem é dado o poder interior de superar as numerosas fraquezas da carne, para perceber que tudo o que sucede, tudo o que acontece na Terra tem o seu lugar, significado e propósito. É preciso aprender o poder do espírito, a força vivificadora, a essência de toda bondade. Deus é poder, Deus é amor, Deus é o aspecto criativo do eu, a energia e a vitalidade, a realização da unidade com toda a criação.
Se o homem pudesse se ver. Se ao menos os jovens pudessem perceber isso por ser na juventude que surgem as grandes oportunidades, e a força da vida para criar a fraternidade do homem, a salvação do mundo, para perceber que o mundo da Terra e a vida após a morte constituem um mundo, e não mundos separados. Os que se encontram do outro lado são desconhecidos, mas fazem parte do nosso espírito na Terra, assim como nós fazemos parte do seu espírito. Ele termina exortando-nos a abrir-nos a essas coisas, a ver e a conhecer o poder divino que se encontra por trás de toda a vida. A verdadeira realização disso, que eles nos dão, é a base sobre a qual se construirá uma compreensão do espírito para as gerações futuras. Nós na Terra vivemos em tempos difíceis. O homem criou estas condições sob as quais se encontra. Torna-se mais difícil e assustador, e pode ser horrível.
O irmão Bonifácio fala sobre a natureza de Deus. Ele descreve como a religião surgiu pela primeira vez. Ele sugere que, numa época precoce, o homem sentiu a necessidade de um grande líder, uma força ou poder supremo, que era chamado de "Deus" ou "Jeová" ou qualquer outra coisa. No entanto, não há nenhum Deus sentado a julgar ou a condenar. Deus encontra-se no homem. É a força vital, elementar, a própria essência ou âmago do homem. Isso é Deus, o poder, a força divina. Deus não julga nem condena.
A missão de Cristo foi mal interpretada. Ele disse: "Eu e o Pai somos um". O homem interpretou mal que significa que Deus é um homem sentado num trono numa forma material. Deus é o poder, a força indestrutível que dá vida. O poder de Deus ou luz de Deus é o que nos dá vida. Em diferentes estratos do ser, uma maior realização vem a ser do poder que está em si mesmo, o poder espiritual.
À medida que progredimos espiritualmente, os termos e expressões que usamos chegam a representar revelações parciais dependendo do crescimento da pessoa. À medida que nos conscientizamos mais do poder do Espírito Santo, tornamo-nos mais capazes de realizar a força potencial. Tornamo-nos cada vez mais capazes de nos tornar espiritualmente alerta e conscientes.
Esta é a descrição que Bonifácio faz de Deus:
Não existe qualquer Deus no sentido em que Deus é geralmente aceito e compreendido. Deus encontra-se dentro mas é uma força; É um poder. Não é uma pessoa; Não é uma forma; Não é um perfil. Deus é a realização do espírito de cada um, uma realização das possibilidades de si mesmo, na medida em que goze de poder e vitalidade, e de uma indestrutibilidade de natureza e género espiritual. E se tem forma, é por termos forma e contornos, na medida em que na terra temos um corpo físico, mas quando nos afastamos do corpo físico pela morte temos um corpo astral, e quando deixamos os planos astrais temos um corpo espiritual e, portanto, temos uma forma e contornos. Mas é o espírito que é Deus.
"Deus" é apenas uma palavra. É apenas um manto que reveste a realidade interior. Portanto, um termo como "Deus" é apenas um termo. Não explica nada nem é nada. É a força vital de toda a vida que é Deus. Mas não é forma. E se ele tem forma é porque nós mesmos lhe damos forma. Uma forma e contornos são necessárias, e enquanto temos forma e contornos, temos em nós mesmos o poder que nos ajuda a criar-nos à medida que evoluímos para uma forma de Deus. Mas não existe nenhum Deus no sentido em que Deus é compreendido e aceite. Isto num certo sentido constitui um mistério que tem existido ao longo dos muitos séculos do tempo. O homem ora a Deus, mas ele realmente está orando para a força divina que é toda a vida que torna todas as coisas possíveis, seja no seu mundo ou nisso. E ele evoca esse poder ou força para o ajudar e lhe acudir, para guiá-lo e elevá-lo. Mas não é uma forma nem contornos; Não é uma pessoa que restringe as bênçãos. É um poder; É a força vital que se encontra em todas as coisas. Encontra-se nas mais humildes coisas ou formas do vosso mundo. Quer se trate de uma árvore ou folha em queda, um ser humano, ou uma nuvem no céu, tudo isso é vida, e isso é Deus. Deus é vida, não forma, nem contornos nem pessoa. Mas é a força que dá vida que se encontra por trás de todas as coisas. Ele emana e traz à existência e torna todas as coisas possíveis, todas as coisas que sejam boas e más. Pois todas as coisas se encontram em Deus e Deus se encontra em todas as coisas. Mas não é uma pessoa.
Essa força é indestrutível. Vocês pode aniquilar o corpo, mas não podem aniquilar o espírito. O próprio âmago do homem, que é invisível, é a coisa mais real de todas. Vemos a forma e os contornos exteriores, mas não vemos a consciência interior. Isso é Deus, quer se encontre na natureza ou nos seres humanos. Tudo isso é Deus. Percebam-no e sintam-no e conheçam-no na vossa alma e vocês irão ficar a saber o que é Deus.
O cérebro é uma estação receptora. A mente é Deus. É o veículo ou a expressão. Possibilita a realização de todas as coisas. Sem consciência, não poderia existir vida. Isso, num certo sentido, é Deus. Esse poder é a parte vital do homem. Temos que nos afastar da ideia pagã de que Deus seja uma pessoa. Deus não pode ser confinado a um espaço. Essa é uma pobre compreensão do poder do Espírito Santo, mas esse termo, como todas as expressões que o homem criou, serve o propósito de dar uma ideia, mas eles não podem dar uma plena expressão ou realização ao que se encontra por trás dessas ideias. À medida que o homem progride, ele consegue a capacidade de ver, de conhecer, de experimentar. Mas devemos primeiro quebrar a expressão estreita do que Deus seja. Deus não é um homem, forma ou contornos. Deus é o poder que está por trás de toda vida, o que torna possível toda a vida.
O homem deve perceber que ele é responsável pelo seu semelhante e por todas as formas de vida que existem. Todos os vários estágios da evolução fazem parte de seu reino, parte de si próprio. Somos todos compostos da mesma substância. Devemos aprender a viver em harmonia e em paz juntos. Devemos apreciar o mais humilde antes que possamos apreciar o mais elevado. Até que conheçamos tudo quanto existe, não podemos nos elevar acima do mundano.
Quando pudermos ver o mundo dos sentidos e tornar-nos parte dele enquanto estivermos na Terra, devemos aprender a viver em paz, tranquilidade, harmonia e amor com todas as coisas. A mesma força vital flui através de todos. Encontramo-nos entrelaçados. É errado fazer guerra entre nós. Há muito que é bom que pode ser produzido e usado para enorme vantagem. Mas precisamos sacrificar-nos. Para nos aproximarmos do estágio superior do ser, precisamos aprender a colocar-nos cada vez mais atrás, harmonizar-se mais com os outros, especialmente com aqueles cujas necessidades são maiores. Devemos esquecer-nos de nós até certo ponto. Só então poderemos crescer mental e espiritualmente.
As pessoas não percebem como é necessário ser humilde. Todos os grandes profetas viram que o segredo está em ser-se humilde para se tornar grande, encontrar o Reino de Deus, encontrar a realização do poder do Espírito Santo. Eles devem tornar-se no mais baixo para se tornarem no mais elevado. Cristo percebeu isso muito mais do que os profetas do passado. Se alguém deve progredir espiritualmente, precisa tornar.se humilde. Somente na humildade podemos perceber a sabedoria que nos libertará dos grilhões do mundano. A maior força reside no que parece ser inútil.
A natureza de Deus é questão frequente, mas há tantas coisas que não podem ser reveladas ou compreendidas. Deus não é um indivíduo; É uma força e poder que se encontra em cada um. Em alguns acha-se mais emerso, mas pode ser evocado a partir do nosso interior para iluminar o nosso caminho para sempre. Tanto tem sido edificado com base no temor de Deus, mas essa é uma coisa cruel criada pelo homem que dá uma impressão errada, que opera contra a nossa natureza. Qualquer coisa que seja feita com base no medo não é boa. Tudo deve ser feito com base no amor. Nada é conseguido por meio do medo: o medo das consequências não é realização verdadeira. Todas as coisas devem ser feitas com sinceridade e fraternidade. Isso é bom. O que é feito por meio do medo é ruim.
Aqueles que não conseguem perceber ou que não vêem, aqueles que se apegam a uma imagem antiga e que aquiescem com um credo ou dogma em função da imagem, precisam aprender a encontrar progresso por si mesmos. Devemos lembrar acima de todas as coisas que a verdade será revelada se o indivíduo o possibilitar. As pessoas podem encontrar a revelação somente encontrando a realização dentro de si mesmos. A porta é destravada e nós podemos gradualmente ver as possibilidades que se encontram dentro de nós próprios. Temos dentro de nós o poder de conhecer muitas coisas. Podemos tornar muitas coisas possíveis. A fé move montanhas. Fé e amor andam de mãos dadas. Enquanto trabalhamos com base no amor e na fé, não devemos permitir que nada se intrometa no caminho do progresso espiritual.
Esse bem-estar é a paz que ultrapassa todo entendimento. Saibam que dentro de vós se encontra a resposta. Existe a possibilidade de grandeza, da verdadeira grandeza. Somos um em espírito e verdade. Grande é o poder do divino, e neste poder somos verdadeiramente irmãos, verdadeiramente eternos. Iremos superar e, assim como nós, a realização tornar-se-á cada vez mais clara. Entenderemos a sabedoria do mais alto. 

MAHATMA GANDHI
Há muito preconceito criado pela tolice e ignorância do homem, por causa do orgulho nacional e da sua obstinação e desejo de posição pessoal. Até que o homem perceba que são todos de uma mesma família, que existe apenas uma religião, uma religião universal, que é a Verdade. O próprio homem criou barreiras com a sua ignorância e desejo de engrandecimento pessoal. Ele considera o seu conhecimento perfeito enquanto o conhecimento das outras pessoas é imperfeito; a sua religião é a única religião verdadeira, enquanto as outras religiões são falsas.
Existe apenas uma verdade que é o fundamento de todas as religiões. Em essência, o homem construiu em torno da religião muitas barreiras, falsidades, credos e dogmas, e consequentemente existem não apenas entre as religiões, mas entre as nações, grandes diferenças de opinião, grandes divergências e caminhos separados que causam grande infelicidade a muitos. Neste mundo reina uma enorme pobreza, e muitas vezes a pobreza não se deve apenas à ignorância, mas também ao orgulho pessoal, ao desejo pessoal do indivíduo que se encontra em condições de suprimir. 


Muitas vezes a religião é a base de grande parte da infelicidade do mundo. As religiões fortalecem-se e grupos de indivíduos criam para si mesmos uma enorme massa de riqueza que não é usada em função dos pobres, nem dos subalternos, nem dos oprimidos, mas do engrandecimento pessoal de alguns, não apenas fora da religião, mas dentro dela. Onde houver uma grande força na religião, muitas vezes há uma fraqueza maior. Aquelas religiões que acumulam grande riqueza estão muitas vezes muito distantes da verdade. Eu vi isso por muitas formas diferentes. 


Quando eu estive no vosso lado e desde que vim para aqui, eu tenho visto nos corações de muitas dessas pessoas que se encontram nos ditos lugares cimeiros e em posições de prestígio, e eles não se preocupam com o bem da humanidade. Eles estão preocupados com o seu orgulho pessoal e a ideia pessoal do que consideram ser a verdade, e muitas vezes estão longe da verdade. É nosso desejo, de todos quantos aqui vêm, que com o tempo, derrubemos essas barreiras que o homem criou na sua tolice. Estou interessado em que vós e outros como vós, sejam os propagadores desta grande revelação tão essencial para a felicidade e o bem-estar do mundo. 


Hoje o vosso mundo encontra-se como que à beira da destruição. A qualquer altura a ponte em que o homem se encontra, que por si só é tão pouco fiável que é duvidoso que sustente o peso que lhe é colocado, por o próprio homem inconscientemente e de certa forma conscientemente ter suscitado essa condição de confusão, essa condição de ódio e de intolerância - há tanta intolerância depositada no mundo por meio da tolice do homem – mas a menos que algo seja feito muito em breve, eu posso constatar que pelo peso da tolice do homem e da ignorância combinada com a falta de espiritualidade de que padece, destruirá a própria ponte que lhe permite alcançar em segurança a margem de paz e da felicidade.
Nós, deste lado, há muito tempo nos esforçamos para construir entre o nosso mundo e o vosso uma ponte onde o homem possa subir às alturas e encontrar aquela paz que o vosso mundo não pode dar. Sabemos que só por esta verdade, somente por esta realização da comunicação entre os chamados mortos e os vivos, assenta a salvação do vosso mundo. Toda a história se repete. A própria história demonstra que o próprio fundamento da felicidade do homem assenta no conhecimento e na realização da vida que está para vir. 


A vida terrena não é senão o campo de treino, a escola em que o homem deve aprender a lição que consequentemente lhe dará a oportunidade de herdar o reino do Pai vivo. Impera tanta ignorância no vosso mundo, são tão poucos os estudantes, tão poucos se encontram preparados para aprender, e são tantos os egoístas e voluntariosos, e tolos ao extremo. Vocês, meus filhos, estão preparados para se tornarem bons estudantes, estão preparados para aprender, mas muitas, muitas são as almas que não estão preparadas para aprender, não estão preparadas por qualquer forma para fazer qualquer sacrifício. Aqueles que quiserem servir a Deus devem estar preparados para sacrificar, se necessário for, mas há poucos que se encontrem preparados para sacrificar. 


Em todas as organizações religiosas, conforme vocês as denominam, em todos os credos que vocês possuem e em todas as diferentes nacionalidades, há por aqui e por ali almas boas e sinceras. Mas, infelizmente, muitos só podem conceber a verdade do ponto de vista do seu próprio estreito aspecto limitado. Eles não estão preparados para ter uma mente aberta e para viver livres e receber inspiração. Eles aceitam apenas aquilo que têm aceitado e em que têm acreditado. Para eles a revelação de Deus é como um livro fechado, o que eles sabem foi-lhes revelado a eles e isso apenas. Eles não percebem que ao longo do tempo existiram grandiosos profetas, grandiosos videntes, grandes mestres, grandes filósofos, grandes almas. E todas essas almas, em muitos casos, embora não em todos, se sacrificaram voluntariamente no altar do amor pelos seres humanos seus companheiros. E há poucos no mundo de hoje que estejam preparados para se sacrificar. 


Para eles a sua religião é algo que lhes dá porventura num sentido exterior, uma espécie de paz, mas não a paz real. Não lhes dá a percepção de que nos esforçamos por lhes transmitir. Eles muitas vezes são falsos mesmo para si mesmos e até mesmo para aquilo que professam acreditar. Dói-nos quando vemos como no vosso mundo existe tanta malícia, tanto ódio, tanta intolerância, tanta infelicidade, tanto medo, tanta dúvida. O vosso mundo está repleto de medo: medo no seu aspecto religioso, medo na percepção da forma como sente as coisas que conhecem. 


Não existe segurança nas mentes das massas de pessoas. Mesmo aqueles que professam a sua religião particular, muitos deles duvidam até do que aceitam ou professam acreditar. Há muito poucas pessoas no vosso mundo que detenham a verdade que possa torná-las livres, porque a primeira coisa que a verdade fará quando você gozarem dessa verdade é que dar-lhes liberdade de espírito. Serão capazes de receber mais e mais verdade, e o cúmulo de verdade traz-lhes uma segurança e uma paz de espírito que transcende todas as coisas. Não tem carregarão medo no coração e então serão capazes de lutar contra o mundo em que vocês precisam existir. Há muito de que queremos libertar o homem, mas acima de tudo do medo. A vida no vosso mundo está repleta de medo. As pessoas temem um imenso número de coisas.
Por há hoje tanto medo sobre o vosso mundo? Por o homem não ter aprendido o caminho. Existe apenas um caminho real. É o caminho do espírito, mas há poucos que sigam esse caminho. Existem alguns que professam isso, outros que se esforçam, mas há poucos que o consigam, por não conseguirem esquecer-se de si próprios. A primeira lição que se deve aprender é esquecer-se de si próprio. Dar em amor tudo o que for possível a partir de dentro de vós próprios, e isso lhes será devolvido. Essas coisas de que Cristo falou e todos os grandes mestres, bem como todos os grandes filósofos, ao longo dos séculos, foi que o próprio homem devia esquecer-se de si próprio e que, em troca, poderia se encontrar-se. 


Quando vocês se perdem a si próprios num mar de amor então certamente vocês descobrem que amam as suas margens. É como se vocês se lançassem no poder de purificação do eterno mar de amor, e não se afogassem, mas se tornassem como que levantados, sustentados por ele, e carregados nele, e por consequência, o vosso trabalho tivesse então começo. E poderão ser lançados em muitas enseadas, que irão permitir que outros encontrem o que vocês tiverem encontrado. Acreditem em mim, meus amigos, por eu saber que só há uma maneira, que é uma maneira do amor. 


Quando o homem se esquece de si próprio em amor e em serviço, então começa a viver, então começa a perceber Deus e propósito que Ele tem para ele. Então Ele mostrar-lhes-á o caminho, e como poderão vivê-lo e o que podem fazer com ele, e como poderão permitir que outros também o encontrem. A primeira lei é amar o próximo mais do que a vós mesmos, que assim começarão a viver pela primeira vez. Vocês começam a respirar o ar da liberdade, e encontram a força que lhes é dada para combater todos os males do vosso mundo. Aqueles a quem foi dada a tarefa de fazer a vontade de Deus, sempre tiveram de aprender a esquecer-se de si mesmos, primeiro. Eu, do mesmo modo que outros, não estava preocupado com a casa, com roupas, com a posição. Eu não estava preocupado com o dinheiro, e no entanto foi-me dado amor por parte dos outros que viram em mim como fizeram em outros discípulos em eras passadas. Eles viram um caminho para Deus, um caminho em que podem ajudar os outros a encontrar paz e felicidade. 


Havia alguns no vosso mundo, como de fato ainda hoje há, que consideram que eu tinha o desejo de poder e ainda assim eu não tinha qualquer poder, somente o do amor pelas outras pessoas. Nada desejava para mim próprio, mas havia quem dissesse que interesse que eu tinha não era pelo bem dos outros, mas por mim mesmo. Havia alguns que diziam que os motivos que eu tinha eram políticos. Todas essas coisas não eram verdadeiras. Eu só estava preocupado com o bem da humanidade. Eu tentei trabalhar não só a favor do meu próprio povo. Claro que eu tinha um dever, conforme eu o vi em erguer o meu próprio povo e levantá-los daquela condição em que se encontrava para tentar melhorá-lo num certo sentido, talvez materialmente, mas seja como for o interesse fundamental que tinha era por melhorá-los espiritualmente. Eu percebo as muitas diferenças existentes no vosso país entre os povos, especialmente no campo da religião. Foi uma grande barreira. Assim, novamente, algumas pessoas consideram que eu tenha vindo para fundar uma espécie de religião nova. Isso não foi verdade. 


Foi somente através da meditação e da oração que fiz, e se me é permitido dizê-lo, da humildade, que eu fui capaz de receber a força e a inspiração para continuar, muitas vezes contra a doença, contra a saúde e as dificuldades de que vocês nada sabem. Mas eu disse-lhes, meus filhos, que se seguirem os passos que os grandes mestres e de mestres que o demostraram no passado, aqueles que sacrificaram muito por amor pelos seus semelhantes, vocês permitir-nos-ão a nós, através de vocês, fazer muito para aliviar o sofrimento nos corações de muitos. Não devemos esperar ver a face do vosso mundo mude por completo tão cedo. Isso eu percebo não ser possível. Ninguém deste lado pode antecipar uma coisa tão maravilhosa. Vai levar muito tempo, mas precisamos de uma cura - discípulos aqui e aí que se unam e se esforcem connosco para tornar isso uma possibilidade. São os poucos que salvarão os muitos, meus amigos. 


Estamos muito preocupados com o seu mundo hoje. Ele não melhora, mas piora, e muito. Só é preciso de um toque que o vosso mundo entre em chamas. Isso eu não acho que precise ser muito sublinhado; É óbvio que existe muito medo no mundo. Qual será a base desse medo? Será para o bem da raça humana? Será por certas pessoas temerem as outras nações? Não. É por eles temerem a falta ou a perda do seu próprio modo de vida, por elas temerem que possam perder o poder e a força que detêm no mundo. Todas essas coisas se baseiam em motivos materiais, não espirituais. Eles dar-lhes-ão uma interpretação superficialmente espiritual, mas quando você chegam bem ao fundo da questão, você descobrem que as raízes estão enterradas profundamente, no material da escória da terra. Eles não se preocupam com os seres humanos enquanto tal. Eles estão preocupados com o poder. Eles estão preocupados com o dinheiro, com investimentos. Eles estão preocupados com a força do aspecto material, não o espiritual. 


Se pudéssemos mudar a perspectiva e os pensamentos dessas pessoas colocadas em lugares cimeiros e fazê-los ver os verdadeiros valores. Mas para haver paz no vosso mundo, precisa haver harmonia, precisa haver equilíbrio. Não esperamos que vocês possam existir no vosso mundo sem coisas materiais. Mas o homem só se preocupa com as coisas materiais. Ele não considera o espiritual. Ninguém se preocupa com as coisas espirituais. É sempre a propriedade, a propriedade, as ações, o dinheiro e todas as coisas que consistem em matéria da Terra. Se é esta nação ou essa nação, eu não diferencio entre elas. Eu não defendo um credo nem, digamos, defendo uma convicção política particular sobre outra. Vejo o bem fundamental em tudo, mas vejo que, na chamada defesa desse credo político particular, milhões de pessoas podem ser conduzidas a uma morte precipitada, despreparadas para uma nova vida, cheias de erros nos seus corações e nos seus caracteres, e isso seria desastroso. 


Ninguém poderia ganhar tal guerra, quer sejam aqueles que vivem na terra ou aqueles que venham a ela. Perspectivamos somente a destruição total, a desolação total, a infelicidade total para aqueles que aqui continuassem e para aqueles que aqui viessem, pois poucos haveria que aqui viessem preparados para a morte. A morte é algo que no vosso mundo é tabu. As pessoas têm medo de mencionar a palavra; não gostam de pensar nisso. Fogem dela. É algo de que têm medo, por saberem bem lá no fundo dos seus corações que é uma realidade que eles eventualmente terão que enfrentar, e eles têm medo dela por saberem em si mesmos que não estão totalmente preparados para isso. Elas sabem muito pouco sobre isso e têm medo de descobrir. O medo domina os corações e as mentes dos homens, e sabemos que, a menos que algo seja feito sobre isso antes que seja tarde demais, as consequências desastrosas são tão tremendas, que quase não nos atrevemos a pensar nisso. 


A vossa responsabilidade é grande. Quanto mais conhecimento recebem, mais compreensão têm dessas coisas, dessas verdades que lhe transmitimos, maior é a vossa responsabilidade. Não é uma tarefa fácil que para vós próprios reservem. Asseguro-lhes, não será fácil fazer este trabalho. Na verdade eu sei que vocês descobrem que implica muitos sacrifícios. Mas, uma vez mais, eu sei que não se importam, porque vocês gostarem de servir. É esse amor pelo servir, é esse desejo de servir que importa. Neste serviço, vocês encontram a vossa própria salvação como aconteceu com milhares no passado. Mas no presente momento a coisa mais imperativa é como salvar o vosso mundo do desastre. Porque eu garanto que há duas grandes nações no vosso mundo que têm imenso medo, e que com esse mesmo medo, elas podem destruir não só a si mesmas, mas ao resto do mundo ou grande parte dele. 


É esse medo terrível, esse sentimento de estarem na borda do precipício, e de que só é preciso o toque de um dedo para os empurrar. Isso é algo terrível; depois que terem tido guerras desastrosas e do homem ter sofrido tão intensamente, vocês terão pensado que tenham aprendido. Mas não, só se torna piores ainda; O homem cria para si um inferno vivo, por pensar o tempo todo exclusivamente em termos materiais. Ele não encara nada no sentido espiritual. Todas as organizações religiosas (nas suas diferentes denominações) pouco fazem para aliviar essa condição. Às vezes falam sobre isso, sobre o "quão é terrível". Mas eles defendem o seu modo de vida conforme o encaram, ou a sua religião particular, a ponto de dizerem, "se vamos de mal a pior então estaremos justificados na defesa do nosso modo de vida", sabendo nos seus corações que o seu modo de vida contem muito mal, no entanto eles dizem: "ah, bom, é o menor dos males", e no entanto têm conhecimento da destruição que pode vir sobre o mundo que se torna terrível só de pensar. 


Existe bem em todos; Isso eu não o nego. Em todos os corações há algum bem, e fundamentalmente, suponho eu, realmente existe bem no coração das massas: eles só desejam a paz. Mas estão tão manipulados por tantas formas distintas, que se assemelham a ovelhas que se deixam levar para o abate. É-lhes incutida a ideia de que estão sempre certos, mas frequentemente estão muitas vezes erradas. Esse medo terrível, a percepção que eventualmente deve vir ao homem de que não pode viver pelo medo, mas somente pelo amor. Esta é a nossa tarefa, a nossa responsabilidade: temos de dar ao mundo a percepção de que o amor vence tudo. É o credo mais antigo, é a verdade mais antiga do mundo: que é pelo amor que conquistamos - não pelo ódio. O poder do amor é tremendo. Este poder de viver torna possível a nossa vinda aqui para conversarmos convosco. Este poder de amor dá-nos a força para combater os males do vosso mundo. Este poder de amor torna-lhes possível uma nova vida. Pois que, quando você se afastam dos vossos, vocês entram no reino do amor, e então, se não estiverem prontos por não terem amor suficiente nos vossos corações, então vocês têm que aprender a ajustar-se e têm que trabalhar muito. É melhor saber destas coisas enquanto estão na Terra. Sejam, pois, de boa-fé, como Cristo disse: "A tua fé te salvará". 


(Gandhi a esta altura fez uma pausa para responder a perguntas, não suficientemente claras, da parte do grupo.) 


O passado é como aquilo que se lhes apresenta no espelho. É o reflexo da realidade. A realidade é o presente e o futuro que está para vir. Quando nos olhamos ao espelho não vemos o nosso verdadeiro eu no momento. As coisas estão invertidas. Muitas vezes não vemos a clareza do coração. O mundo está com grande necessidade de líderes - líderes espirituais. No momento presente está sendo conduzido não por líderes espirituais, mas por materiais. E mesmo alguns deles não se situam fora da igreja, mas dentro. Não desejo ser mal interpretado como tendo no meu coração qualquer inimizade ou qualquer má vontade que presentemente não tem qualquer existência na minha natureza, mas eu digo-o por agora poder falar plenamente com base na verdade, e, portanto, não receio afirmar o que sinto, por saber que, até que muitas pessoas, particularmente aquelas colocadas nos lugares cimeiros da política e da igreja, até que eles mudem as suas índoles e a sua maneira de pensar, eles não poderão salvar o vosso mundo da destruição. 


A igreja tem grande poder e pode fazer muitas coisas, mas deve lembrar-se que a igreja cristã não é a única igreja, nem é a única fé, não é o único caminho. Na verdade, a igreja cristã é pequena em comparação com o enorme número de pessoas que se situam fora dela. Lembrem-se que não é numa igreja, nem é num credo, num dogma, que a verdade é encontrada. A Verdade é encontrada apenas procurando dentro de si mesmos como Cristo disse, e a percepção de que vocês são parte de um plano divino, que vocês fazem parte do propósito de Deus e que devem esquecer-se de si próprios e que então poderão começar a servir. Infelizmente, a maioria daqueles que proclamam ser líderes não se esqueceram de si próprios, mas apenas se lembram de que é por isso que se encontram na posição em que estão - não por causa dos méritos que tenham enquanto seres espirituais, mas por causa de mérito que têm enquanto seres materiais. E essa é a fraqueza de que o vosso mundo padece. É por isso que a força do vosso mundo é sofre uma diminuição. Não é de uma verdadeira força que vocês dispõem no vosso mundo por os vossos líderes serem quem são. 


Os vossos líderes elevaram-se a um lugar cimeiro, não por motivos espirituais ou por amor espiritual pela massa da humanidade, mas apenas por estarem tão só preocupados com a posição material, o poder material e a substância. A força do amor, a força da felicidade, da alegria, a força do conhecimento, da paz, todas as boas qualidades só existem quando vocês se esquece de vós próprios. Essas pessoas não se esqueceram de si próprias. Elas fizeram-se apenas porque se esforçaram materialmente em função dos lugares cimeiros. Elas não se negaram a si próprias. Muitas vezes elas aproximaram-se dos lugares cimeiros por meio da trapaça, como vocês dizem, assim como por métodos dissimulados, situações sem que superam o que eles pensam ser obstáculos não relacionados com as pessoas. Eles estão preocupados consigo próprios. Enquanto houver egoísmo e intolerância, enquanto houver ódio e malícia no íntimo dos homens, esses serão os homens que se alçarão aos lugares cimeiros e que trarão destruição ao vosso mundo. 


Os verdadeiros líderes são os do espírito, os da mente. São esses que vocês devem buscar para salvação do vosso mundo e para a alegria e a felicidade que devem vir. Asseguro-lhes que a vossa salvação não reside na política, nem nos políticos, nem nas pessoas situadas em lugares elevados da igreja, nem nos credos e dogmas, mas em pessoas verdadeiras, sinceras e honestas que não procuram os lugares cimeiros do mundo, mas o reino de Deus e o amor que tem pelos seus filhos. Estas são as pessoas em que vocês devem confiar. Aqueles que não possuem nada, que não lhes podem dar nada de material, mas que lhes dão muito espiritualmente. Aqueles que negarem o mundo salvarão o mundo. Aqueles que não têm, terão muito, porque seu é o reino de Deus, e onde eles acumulam é no céu, e isso é indestrutível. 


Aqueles que acumulam grandes fortunas no vosso mundo, aqueles que acumulam grande poder para si e para os seus amigos trarão destruição e infelicidade ao mundo. Estas são as pessoas que perderão tudo. Não encontreis nada aqui, meus filhos, não vos considerais demasiado como coisas da Terra. Construam, como disse Cristo, os vossos tesouros nos céus pelo vosso coração e pelas boas obras que o vosso coração vos ordenar, e por amor servi aos seus filhos, e encontrareis a paz, e na humildade encontrareis a verdade e a verdade dar-lhes-á liberdade. 


Sejam de boa-fé, meus amigos, sejam de boa-fé. Eu preciso ir, seja de paz para mas que a paz fique convosco. Estendo as minhas bênçãos a todos os povos do mundo.

RABINDRANATH TAGORE
Rabindranath Tagore: Estou muito feliz de vir aqui falar convosco. [Pausa] Estou muito interessado em tudo o que está a acontecer com respeito a este trabalho. Estive um longo tempo a tentar ajudar deste lado. Muitas pessoas vêm, alguns de vocês, é claro, sabem muito bem, mas muitas pessoas não sabem quem vem, muitos que ajudam e prestam assistência. Claro que se for possível algumas das outras almas acabarão por se tornar conhecidas. Mas seria impossível todos falarem, porque se assim fosse, significaria que vocês teriam que vir às sessões todos os dias, e por muitos, muitos dias, por muitos anos por haver tantas pessoas muito interessadas. 


Eu próprio estive interessado nesta matéria por muito tempo antes de eu vir para aqui. Quando eu estava na Índia, escutei muitas das almas que sentiam interesse pelas religiões, pela comunicação, etc. Oh, não era exatamente assim, é claro, mas na Índia há muitos, muitos profetas, muitos videntes, muitas pessoas maravilhosas que estão em contato com o infinito. Embora eu não estivesse tão bem inteirado quanto vocês com respeito exactamente ao como espiritualismo, eu interessava-me pelo ocultismo. Estou interessado em todos os aspectos desta matéria formidável, e oh, se era possível, e eu possuo a experiência possível para estabelecer comunicação, mas a ideia que tínhamos era bastante diferente, no entanto constitui todas a mesma verdade, diferentes aspectos da qual eram visíveis para diversas pessoas por modos diferentes, mas cada um tem o aspecto da verdade peculiar a si mesmo. Vocês têm sido muito afortunados por terem recebido tantos desses conhecimentos.
Eu era um grande seguidor de Gandhi, mas não completamente. Eu tinha grande respeito e admiração por Gandhi. Mas havia outros por quem me interessava, em Benares, onde passei muito do meu tempo, e onde ouvi várias almas. Havia uma pessoa extraordinária lá a quem eu ia, que era um homem notável, mas completamente desconhecido fora da Índia. Apenas algumas pessoas tinham conhecimento dele, por entre o resto da Índia, mas fora da Índia ele não era do conhecimento do homem branco, dos europeus. 


Eu próprio era um ocultista. Eu era capaz em mim próprio de me transportar por milhares de milhas. Nesse estado de transe, eu podia viajar no meu corpo astral e visitar lugares e pessoas, e eu aprendia a fazer uma enorme quantidade de viagens astrais. Também era capaz de usar o poder do pensamento para alcançar resultados que em si mesmos eram muitas vezes impressionantes. Eu não acho que o mundo ocidental conheça o suficiente, e na verdade sabe muito pouco sobre o poder do pensamento da alma interior, ou do poder que pode ser alcançado pela devoção, pela introspecção, sentando calma e placidamente por um período de tempo de contemplação, todos os dias, ser capaz, por assim dizer, de aprender a superar as limitações da carne. O homem tem muito pouca percepção de como superar o eu, de como se libertar, libertar o verdadeiro eu do corpo físico. Pensa muito no corpo físico. Concentra muito a ideia nas coisas materiais. Ao passo que, se o homem aprendesse a usar o poder do eu, do eu interior, e se concentrar nisso, ele aprenderia como superar, como fazer muitas das coisas que se acham registradas nos grandes livros das eras passadas. 


Tanto o grande Buda como Jesus entendiam essas verdades do eu interior, que era como eles conseguiam realizar e fazer as coisas que ficaram registradas na história. Por outras palavras, eles conheciam o poder do eu interior, da alma interior, e sabiam como usar esse poder para superar todas as limitações do corpo. Deixa de haver limitações corporais quando vocês começam a perceber o poder que a alma interior possui. Para usar esse poder e manifestá-lo, e aprender a superar, demasiada restrição é imposta ao homem por ele só pensar materialmente e não pensar em ermos espirituais. Ele não pensa no poder interior da alma, na indestrutibilidade, como superar as limitações da carne. Na verdade, seria uma grande coisa se as pessoas aprendessem essas verdades, porque elas mudariam não só a si mesmas individualmente, mas poderiam mudar, claro, o mundo inteiro e o pensamento do mundo inteiro e, consequentemente, o próprio mundo se tornaria num lugar realmente muito melhor. Mas existe tanta destruição no homem, há tanto pensamento ruim, pensamento errado. Tanto tempo e esforço são dados às coisas que são destituídas de importância, e nenhum tempo é dado às coisas que são coisas duradouras e vitais, as coisas da alma, as coisas indestrutíveis.
Vocês são espiritualistas conforme vocês se dizem, conhecedores de alguns aspectos da verdade, mas mesmo assim, mesmo entre os espiritualistas com os quais tenho estado em contato, em especial desde que aqui estou, estive em vários lugares onde os espiritualistas se reúnem mas muito raramente vejo qualquer realização da verdade no sentido mais elevado. É tudo num nível material muito baixo e, consequentemente, muitos deles atraem a si mesmos almas que fizeram muito pouco progresso. De facto, muitos deles são muito idênticos às próprias pessoas. De facto, eu diria que, no geral, o espiritualismo não é tanto espiritual, é bastante material, e é uma concepção muito material de algo que basicamente é espiritual. Quer dizer, é muito angustiante. 


Estou muito satisfeito quando entro em contacto com algumas pessoas como vocês que estão sinceramente a esforçar-se para estabelecer contato no mais elevado sentido, para que vocês possam não só ser elevados, mas outros também. Mas eu gostaria que vocês fizessem, o que eu acho que seria muito importante para vocês, uma meditação uma vez por dia. Eu acho que se vocês pudessem ter uma meia hora de quietude onde vocês pudessem reunir-se em paz e permitir-se libertar-se das coisas materiais durante esse espaço de tempo. Passado um tempo vocês se tornariam muito mais conscientes não só do poder do espírito dentro de vós, mas daqueles que se encontram ao vosso redor que estão a ajudá-los e a tentar pavimentar-lhes o caminho para que vocês possam continuar este trabalho de uma maneira melhor num sentido mais elevado. Vocês têm feito, eu entendo, muito bom trabalho, mas eu acho que não é nada do que podem conseguir com a cooperação do poder do espírito que se encontra dentro de si mesmos e estabelecer uma ligação mais elevada e mental e espiritual com essas almas que vêm a vós que os ajudam, muitos dos quais vocês conhecem. E como eu digo, há muitos que vocês não conhecem. 


Estou muito ansioso por ajudá-los e por ajudá-los, e fazê-lo só me deixará muito feliz.
Pergunta F: "Por favor, amigo, poderemos conhecer o seu nome?" 


Rabindranath Tagore: Oh, o meu nome: ele é irrelevante para vós. Eu era eu mesmo e, de facto, não tinha senão desejo de permanecer completamente desconhecido. Mas se quiserem, podem chamar-me Tagore. 


Pergunta F: "Tagore?" 


Rabindranath Tagore: Tagore. 


Pergunta F: "Tagore poderei agora, perguntar-lhe outra coisa? Você está a falar sobre o poder do pensamento. Bom, é claro que lemos sobre isso, evidentemente, e foi-nos dito que o poder do pensamento é muito forte. Agora, no mundo espiritual… se quisermos pensar em algo, como uma xícara de chá e tomá-la, como é que esse poder do pensamento realmente funciona?" 


Rabindranath Tagore: Bom, se por exemplo, vocês concentrarem a vossa mente ou os vossos pensamentos numa determinada coisa; vocês têm uma palavra para um objeto, que em si mesmo pode tornar-se uma realidade, por o pensamento ser uma realidade para nós. É algo que pode ser dirigido de tal maneira que a partir dos elementos das condições da vida em que nós existimos, existe uma substância que pelo processo do pensamento pode ser superada e usada mesmo numa fração do que vocês chamariam de segundo na aparência real desse artigo em que vocês se tenham concentrado. Mas, embora em todos os aspectos externos apresente uma qualidade física na medida em que vocês se concentrarem nela, caso seja uma xícara de chá, por exemplo, ela só terá substância para o indivíduo em questão, mas uma vez mais, só na medida em que esse poder permanece na posse do indivíduo o qual, evidentemente, obviamente depois de estar aqui por um tempo muito curto, deixa de desejar coisas mundanas como xícaras de chá. 


Mas no caso de uma mulher de faxina, quem quer que ela seja, quem chegue aqui e deseje a proverbial taça de chá, pelo processo do desejo do vosso pensamento, ela assim o fará, e ela apresentar-se-á a ela, e não será como se fosse por magia. Por outras palavras, o que quero dizer é que a própria composição do indivíduo fornece as condições e o ambiente sob o qual ele passará a existir e a viver e, consequentemente, as coisas que forem naturais e essenciais para ele achar-se-ão presentes. Numa primeira instância, o que é mais natural do que uma pessoa que não tenha tido ambições particulares em nenhum sentido, digamos, na Terra, que tenha vivido uma vida muito ordinária, muito comum, que costumava varrer a casa ou fazer camas, ou cozinhar, o que quer que seja? Essa pessoa encontrará uma condição tão semelhante à sua perspectiva ou pensamento que essas coisas se apresentarão automaticamente; elas achar-se-ão presentes e assim a proverbial taça de chá será feita da proverbial maneira ou na maneira a que tenham sido acostumados. 


Por outras palavras, essas coisas são, num certo sentido, materiais apenas para os indivíduos envolvidos, mas realmente não passam de ilusões. Estas coisas têm lugar numa vibração mundana (ou cerebral), na vibração mental do cérebro, embora eu não me refira ao cérebro físico no mesmo sentido. Vejam bem, uma pessoa não é mais do que aquilo que ela pensa ser. Se uma pessoa que vem aqui pensa que é necessário fazer todas as coisas rotineiras, mundanas, a que ela se tenha acostumado, se ela pensar que o seu corpo é o mesmo que tinha na Terra, então todas as funções do corpo e assim por diante serão os mesmos até que ela comece a perceber que se operou uma mudança que ela não entendera por completo. Ela não a terá aceitado totalmente, mas ela própria estará a limitar-se por meio das suas vibrações do pensamento e, por conseguinte, ela permanecerá nisso até que comece a pensar as condições que ela própria tenha criado de outra forma. 


Por outras palavras, todos nós somos o produto, por assim dizer, do nosso próprio pensamento criativo - nem mais nem menos. Mas, é claro, uma alma mais evoluída… é por isso que eu lhes disse que, se você estiverem chateados e tiverem essa percepção do poder interior, a força vibracional interior da alma, que pode manifestar-se e, com isso, alterar mesmo as circunstâncias em que vocês existem, e em que vivem e trabalham. Assim é que isso se aplica no sentido material no seu lado. Por outras palavras, ele pode mudar mesmo as circunstâncias da vida. As pessoas não percebem: "Oh, isso não é bom para mim; por que essas coisas não mudam?" e assim por diante. Ela não percebe que tem o poder dentro de si para alterar as circunstâncias e as condições da sua vida. Acha-se dentro de si o poder de mudar, mas até que ela perceba esse poder, não haverá mudança. Porque vocês podem mudar não só a vossa própria forma de pensamento e de vida, como também os próximos e os vossos entes queridos. É claro que eles também devem ter um desejo de mudança e eles também devem cooperar, mas o poder está lá. Dentro de toda a vida humana, existe o poder de mudar, de ser diferente, de alterar, de se tornarem diferentes no sentido de que uma pessoa se torna espiritualmente mais consciente e conhecedora, e muitos dos inconvenientes e das complicações da existência material, consequentemente desvanecer-se-á. Tudo depende do processo de pensamento individual. 


Pergunta F: "Quando você passou, com que foi que se deparou? Eu pensei que você...?”


Rabindranath Tagore: Felizmente para mim, eu tinha viajado muitas vezes do corpo da Terra para as esferas. Eu tinha entrado em certas taxas vibracionais do ser, e estava familiarizado com várias almas que estiveram aqui, algumas durante séculos. Não me foi difícil. Quando o meu tempo chegou, e eu me percebi de que estava aproximar-se a altura de deixar o corpo, foi-me simples libertar-me por completo do corpo. Não houve dor, nem sofrimento, não houve qualquer doença no meu caso, por eu finalmente saber como me libertar no final, sem nenhuma das condições que muitas vezes se dão no caso de tantas pessoas. A doença é uma força de pensamento que é tão prevalente no vosso mundo, porque o próprio homem possui uma mente enferma. Quando o homem deixar de pensar de uma forma doentia, ele mudará, ele irá tornar-se saudável. Quando o homem tiver pensamentos saudáveis, quando ele pensar em coisas espirituais, tudo irá desaparecer dele: todas as doenças da Terra, todas as fraquezas da condição da Terra. Todas essas coisas de que vocês padecem, que o homem criou. O vosso mundo era um mundo perfeito. O homem tornou-o imperfeito com a sua loucura e ignorância e o desejo pessoal no sentido errado. O homem pensa no mal e, portanto, atrai sobre si coisas más. Tenham pensamentos puros e vocês terão um corpo são, e toda a vossa vida será transformada. 


Desejo muito poder ajudá-los. 


Pergunta M: "Você foi um iogue quando se encontrou na Terra?" 


Isso poderá ser dito com respeito a alguns, mas é apenas um termo. Há iogas e iogas. Há de todos os tipos. Ah, na Índia, há tantas! 


Pergunta M: "Com que se parecerá o seu mundo? Poderá descrever algo da condição em que se encontra?" 


Rabindranath Tagore: Encontra-se tão distante do vosso mundo, que as palavras não podem descrevê-lo, e, portanto, você não pode concebê-lo nem imaginá-lo por os vossos pensamentos não poderem permitir que vocês entrem nessa condição de vida em que me encontro, por vocês não terem transformado o suficiente os vossos pensamentos ou a vossa perspectiva para poderem atingir qualquer coisa que eu possa transmitir-lhes nesse sentido. Qualquer esforço que eu empreendesse no sentido de lhes transferir imagens ou pensamentos sobre o meu mundo, que é ao que isso equivaleria, não lhes iria dar qualquer indicação, neste momento. Receio que seja impossível. Tudo o que posso dizer-lhes é que o mundo em que eu tenho existência, é tão distante de concepção de vida que vocês têm, que não é possível, a não ser que eu posso dizer-lhes que, tanto quanto me é possível, que se puderem visualizar todas as belezas naturais do vosso mundo sem nenhuma das imperfeições, se puderem perceber todas as belezas que vocês conhecem além até mesmo do que são capazes de descrever, aquilo que vocês sentem na intensidade do ser dentro de vós, mesmo que vocês porventura num certo sentido não consigam vê-lo plenamente com os olhos da carne, se vocês puderem perceber a intensidade do amor e da beleza e da realidade da vida no sentido mais elevado possível, que é a única maneira de transmitir o que me é possível a mim ou qualquer outra pessoa para poder traçar-lhes um quadro de algo sobre a nossa vida. Existe toda a beleza, todo o amor perfeito, existe toda a oportunidade de serviço amoroso no sentido mais elevado, mas as condições em que vivemos, acham-se tão longe da descrição que só se pode sentir isso, mas não descrevê-lo; Eu não sei como seria possível. 


Mas isto eu digo-lhes, eu e outras almas aqui, eu, Tagore irei ajudá-los, e vou, se vocês nos derem oportunidade para tanto, reservando-se pelo menos um pouco de tempo a cada dia para se retirarem da Terra e das suas condições e transferirem os vossos pensamentos no para o mais elevado nível possível, que vocês forem capazes de alcançar, que nós e os outros, muitas almas virão e nós iremos ajudá-los. Vamos ajudá-los tremendamente no trabalho com que se comprometeram. Eu sei que vocês estão a fazer um grande trabalho, mas vocês não percebe a imensidão da tarefa que está diante de vós, especialmente se vocês a levarem para o plano elevado que eu e outros desejamos que você façam. Vocês receberam muita instrução, vocês receberam muita orientação, vocês receberam muita ajuda. Muito conforto tem sido dado, mas há muito ainda que falta ser revelado. Tanto que só pode ser dado gradualmente, passo a passo, mas você irão subir às alturas. Mas quando tiverem atingido as alturas em que pesquisamos e desejamos para vós, vocês vão ver ao olhar para trás, como foram lento os caminhos para subir, mas como valeram a pena, porque vocês terão ganho tão grande e maravilhosa experiência e a visão do espírito que lhes tem sido dada será grande.
Estamos muito felizes e valeu a pena que tudo tenha sido como tem sido. E à medida que vocês iniciam o que vocês chamam de novo ano, que pode parecer tão importante para você e de facto é, mas que não passa da continuação, conforme sabemos, é o tempo todo dentro do tempo, ao mesmo tempo, e no entanto, eu e outros iremos ajudá-los e, você irão ver nos próximos meses, conforme os denominam, irão trazer-lhes uma grande alegria. Ser-lhes-á dada uma grande força, e deverá apresentar-se uma grande oportunidade, mas iremos estar convosco, e não os iremos deixar ficar mal, porquanto aquilo que tanta vez lhes tem sido dito, aquilo que fazemos juntos é muito maior do que nós mesmos. Somos apenas os servos de outras almas superiores a nós. Nós fazemos o trabalho do Grande Espírito. É uma grande alegria vir a vós, meus filhos, e eu dou-lhes a minha bênção. Adeus! 


Auditório: "Muito obrigado!"
 “Os espíritos elevados que veem até à vossa Terra são influências ou emanações. Não são aquilo que descrevem como pessoas, mas emanações das esferas elevadas. Precisam aprender a reconhecer a impessoalidade das mensagens superiores. Quando pela primeira vez aparecemos a este médium ele insistiu em que nos identificássemos. Mas muitas são as influências que veem sob o nosso nome. Dois ou três estágios depois da nossa morte, os espíritos perdem aquilo que consideram individualidade, e tornam-se mais influências. Eu passei para a beira das esferas das quais se torna possível regressar a vós, e posso influenciar sem qualquer consideração de distância. Encontro-me bastante distanciado de vós actualmente.”
William Stainton Moses

DOUTOR CHARLES MARSHALL (Charles Frederick Marshall 1864-1940)
o medo, o dogma e o materialismo mutilam a grande aventura da vida
Dr. Charles Marshall: "É lamentável, é uma pena, quando vocês pensam de volta, sabem quando alguém, nesse sentido, volta a pensar, percebe-se particularmente o quão estúpido é que as pessoas se permitam tornar-se, por assim dizer, tão afectadas por coisas como os credos e o dogma em particular, por isso lhes estreitar a visão, lhes estreitecer o entendimento, e os deixar estáticos."

Rosie Creet: "É isso. É o que eu não consigo entender do todo." [Rosie Creet sobrepõe-se ao Dr. Marshall]

Dr. Charles Marshall: "Vejam bem, acho que a coisa mais terrível que pode acontecer a um indivíduo, mentalmente, num certo sentido, é ficar estático..."

Rosie Creet: "Pois."

Dr. Charles Marshall: "....e ter uma mente fechada, não ser receptivo, nem mesmo aceitar ou ouvir, e a mim parece-me extraordinário que uma pessoa pode permitir-se tornar-se estática. A vida é toda de tal modo vasta na multiplicidade de campos e de aspectos que envolve e a verdade é tão tremendamente ampla no conceito que engloba... Uma pessoa pode ter algum aspecto de verdade, mas é apenas uma partícula diminuta. É como um grão de areia no deserto. Se ao menos as pessoas percebessem as tremendas possibilidades que se avizinham, se ao menos perceberem o que têm, que pode lhes trazer um enorme conforto - ninguém nega isso, mas é apenas uma partícula da realidade; não se pretende ficar tão parado. Por causa dos antecedentes que possa ter e a educação, eles não querem aventurar-se adiante. A vida é uma grande aventura. Muitas experiências que são necessárias e essenciais para a evolução e para o desenvolvimento, não só materialmente, mas mentalmente e espiritualmente."

Rosie Creet: "Sim, eu sei, eu fiquei surpreendida..."

Dr. Charles Marshall: "Uma das piores coisas que pode acontecer a uma pessoa é permitir-se tornar-se como que atada pelos dogmas e credos e todo o resto. A menos que pessoa tenha a mente livre, ela não poderá assimilar a verdade nem o conhecimento nem a experiência. Ela ver-se-á impedida e acorrentada a tal ponto, e eu uso este exemplo como uma das piores coisas, senão a pior mesmo que pode acontecer a uma alma, a uma pessoa. Precisamos libertar-nos, ter liberdade para expressar, liberdade para assimilar a verdade, o conhecimento, e a experiência."

Rosie Creet: "Ela tinha uma grande inteligência, sabe doutor querido, que isso deveria torná-la livre." (Referindo-se a alguém previamente mencionado antes que esta gravação começar)

Dr. Charles Marshall: "Essa é a tragédia, essa é a tragédia".

Rosie Creet: "Eu não consigo entender."

Dr. Charles Marshall: "Acho que muita gente sente medo, acho que o medo está na base, eles receiam que, bom, possa ser uma coisa ruim para eles expandir-se ou abrirem as asas. Gostam de ficar no ninho em vez de abrirem as asas."

Rosie Creet: "Sim, receio, é medo.

Dr. Charles Marshall: "É muito triste."

Rosie Creet: "Sim, do que lhes foi incutido desde a infância."

Dr. Charles Marshall: "Bem, essa é uma das coisas mais importantes que tem que se aprender a jogar ao mar quando vocês vêm para aqui. Para algumas pessoas é muito difícil, e particularmente pessoas que tenham tido fortes convicções religiosas. Creio que sejam os que acham isso mais difícil. Por vezes chego a pensar que seja melhor para as pessoas não terem convicções religiosas. Pelo menos não terão as mentes não estão atravancadas ou fechadas.

Rosie Creet: "Ah, é isso."

Dr. Charles Marshall: "Eu acho que essa é a tragédia que eu já constatei tantas vezes com tantas almas por aqui. Elas não conseguem ajustar-se rapidamente. Estão tão cheias de barreiras que elas criaram, que em certos casos lhes foram criadas provavelmente pela experiência ou conhecimento que tenham tido. Têm dificuldade em livrar-se das velhas crenças. Eles percebem muito rapidamente, alguns pelo menos, que essas coisas não são assim. Você sabe que existem algumas pessoas, graças a Deus, provavelmente a maioria das pessoas na verdade, que em breve começa a se destrinçar. Veem que as coisas não se aplicam. A verdade fundamental que percorre todas as religiões, é como uma veia que todas as religiões têm. Tudo bem, mas lamento dizer que grande parte disso se perde por as pessoas não cavarem mais fundo, por elas não procurarem, eles não procuram. Eles sentem-se receosas.

Eu acho que os credos e os dogmas têm muito por que responder. E eles são, na sua maior parte, se não todos artificiais - que é o que de extraordinário têm. Não são coisas criadas no sentido espiritual pelo poder do espírito, pela manifestação do espírito. Não foram coisas decretadas por nenhuma entidade e, de facto, o extraordinário é que a maioria das religiões baseia as suas verdades na realização espiritual que lhes foi dada pelos chamados "mortos." O extraordinário é que, não fosse, por exemplo, o retorno do Cristo após a sua morte, não poderia ter existido uma religião Cristã. Ele teve que retornar para provar a realidade da sua sobrevivência após a morte, e todas as religiões têm esse mesmo tema: a vida após a morte."

Rosie Creet: "Pois".

Dr. Charles Marshall: "E no entanto, quando vocês falam sobre essas coisas às pessoas, muitas delas esquivam-se delas como se fosse algo que não se deva discutir ou aprofundar. Semelhante ao medo e ainda assim a própria base das coisas que elas aceitam estão baseadas nessas verdades que são trazidas desde tempos imemoriais à Terra por entidades deste mundo."

Rosie Creet: "Mas toda a religião tem essa crença."

Dr. Charles Marshall: "Pelo amor de Deus, desejo que possamos fazer mais do que fazemos. É realmente triste, por vezes, quando olhamos para baixo e vemos o estado de coisas em que o vosso mundo se encontra e quanto poderia ter sido alterado se pelo menos as pessoas percebessem estas coisas de que falamos. O mal do mundo, a enfermidade mental e material de que o mundo padece foi o que o homem trouxe sobre si mesmo. E o que é extraordinário é que, um grande número dessa gente bem intencionada, muitas vezes o que vocês designam "religiosa" por inclinação ou aceitação da religião, pela experiência e pela educação que tiveram, deixa-se apanhar de tal modo pelo materialismo, que a realização espiritual que obtêm por via do pensamento simplesmente não funciona, não parece vir à tona, não lhes vale.

Sabem, muitas vezes, que as coisas que pensam e fazem são nocivas ou ruins, mas ainda assim não têm a coragem da sua convicção. A tragédia do vosso mundo está em que o homem não tenha percebido a realidade desta verdade de que falamos que lhe poderia mudar todo o ser ou o modo de vida. As pessoas falam de forma loquaz sobre coisas, sobre coisas espirituais, mas elas mantêm-nas tão separadas e distanciadas em vez de usarem esses pensamentos e de os colocar em acção nas suas vidas diárias, o que lhes mudará não só as próprias circunstâncias e condições, mas também o mundo inteiro em consequência. Não importa se sejam católicos ou protestantes, que sejam cristãos ou budistas, sejam eles o que forem; a questão está em que é que a humanidade se acha circunscrita na mesma realização do objectivo final que é, naturalmente, a vida após a morte. Quer dizer, ninguém lhe escapa."

Rosie Creet: "Eu creio que a vida na Terra tem arruinado a realidade da espiritualidade. Nós nunca deveriamos ter nascido na Terra. Foi o facto de termos nascido na Terra que estragou a vida por completo..."

Dr. Charles Marshall: "Mas, minha menina, se têm que vir ao vosso mundo: é um campo de treino, é uma sala da aulas, é necessário para a evolução do indivíduo. Isso é da maior importância, e a razão porque muitas vezes numerosas almas retornam uma e outra vez a fim de cumprir algo que é importante e essencial não só para a sua própria evolução e desenvolvimento, como para fazer um gesto qualquer em prol dos outros, ajudando-os na sua evolução e desenvolvimento. O mundo da Terra é importante, mas é claro que a questão está em que o homem não goza de um verdadeiro equilíbrio. Essa é a tragédia, não se espera que todos venham a andar em torno vivenciando uma existência cem por cento espiritual no mundo material. Eu não sugeriria que assim fosse ou que fosse sequer possível. Embora nada seja impossível, mas a questão está em que deviam perceber que poderiam gozar de equilíbrio e viver num sentido espiritual ou deixar-se motivar espiritualmente."

Rosie Creet: "Mas as limitações da própria vida terrena levam-nos a perder o equilíbrio. Não se consegue evitá-lo."

Dr. Charles Marshall: "Bom, tu dizes isso, mas na minha opinião isso não é realmente assim. Parece que o homem goze desta percepção interior, desta consciência interior. Ele possui aquela faculdade espiritual ou capacidade espiritual, se preferires, que está em estado inactivo, latente... O espírito encontra-se no corpo físico material, como que a rebentar pelas costuras, a tentar sair, a tentar expressar-se, a tentar fazer algo a partir do material. A substância do espírito é tal que ele poderia sobrecarregar, e poderia superar todos os aspectos menores e todos os aspectos mais grosseiros do materialismo. Mas o homem, infelizmente na maioria dos casos, não se encontra verdadeiramente ciente disso em qualquer medida que seja, ou se estiver, receia isso, e também encara o mundo material como de vital importância num sentido material e encontra-se mais preocupado com o materialismo do que com qualquer outra coisa, e perde o equilíbrio. Eu acho que seja o equilíbrio entre os dois aspectos. Se a motivação do espírito fosse tal que pudesse ser utilizada em todos os aspectos do material, o vosso mundo inteiro seria mudado. Não há nada de errado com o mundo fundamental em si mesmo. Não há nada de errado com o aspecto materialista da vida na natureza e na beleza do mundo. É o que o homem está a fazer-lhe, foi o que o homem lhe fez no passado.

Você vê que a questão está em que o homem ainda não obteve a plena realização do poder que carrega dentro dele, que é claro que é o que todos os grandes profetas, mestres e videntes têm vindo a falar durante séculos, gerações. O homem tem que chegar a saber o que é capaz de alcançar, o que ele pode operar a partir do seu próprio íntimo. Foi dito que o poder de Deus se encontra dentro de vós, o que é verdade; Deus encontra-se dentro. Quer dizer, quando usamos o termo "Deus," é claro, quando o empregamos, imediatamente muita gente pensa em algum tipo de criatura estranha e peculiar na forma ou nos contornos do homem, mas altamente evoluído e distanciado do homem, em certo sentido, sentado num trono branco. Quer dizer, Deus não é pessoa nenhuma nesse sentido. Deus não tem forma nem contornos. Deus é, por assim dizer, eu uso de novo esta expressão, esta palavra "Deus". Deus é infinito, Deus é um poder que está além da compreensão do homem. Mas é uma realidade ou força viva que anima toda a vida. A vida é animada pelo poder do espírito - pelo poder da divindade, se preferirem, eu não sei como se poderá traduzir isso por palavras, como alguém realmente o entenderá, mas essa é a parte do homem que deveria ser desenvolvida e habilitada, por assim dizer, a superar o material. Se alguém o tiver realizado, nada será realmente impossível.

Quer dizer, considera-te, no teu próprio ser, tu tens dentro de ti uma consciência interior, consciência destas coisas de que falamos. Consequentemente tens uma enorme fé, uma fé que você tem, e consequentemente uma fé que em certa medida, te ajudou a tornar-te inteira. Quero dizer, você tem fé em mim. Tens fé no Stephen. Tens fé em inúmeras
​​almas deste lado. E agora tens uma fé renovada no teu médico. Estás a ver que isso também te ajudou. Foi-te dada confiança, entendes? Aprendeste a ter confiança em todos aqueles que se esforçam por servir e que se esforçam por ajudar. Isso é que é tão importante: o aspecto positivo do pensamento do qual falei no início. Tu tens essa atitude positiva de espírito com respeito a este poder do espírito. Claro que há momentos em que te deixas abater um pouco ou te sentes deprimida, por as circunstâncias serem penosas. Às vezes as coisas materiais parecem opressivas demais, mas ainda gozas da percepção fundamental destas coisas de que temos vindo a falar há tanto tempo que te permitiu continuar, que te permitiram, bom, qualquer que tenham sido as vicissitudes ou as dificuldades ou os problemas, tu sobreviveste-lhes.

Vê bem, se apenas as pessoas percebessem o poder que têm dentro de si mesmas de tal modo que muito pode ser superado, que muito de bom pode ser alcançado, que muito bem pode prosperar em circunstâncias muitas vezes onde vocês acham que seja quase impossível. Não há nada de impossível para o ser humano que tenha fé e percepção do poder do espírito, e tu gozas disso. O Stephen também, é claro. Agora, no início, quando ele veio pela primeira vez, ele encontrava-se deprimido, infeliz, apegado à Terra. Ele sentia-se oprimido, bom, por todos os modos e tipo de pensamento e de sentimento que não eram lá muito inspiradores. Eles eram muito materiais. Ele perdeu tudo isso. E encontrou tanta alegria, tanta felicidade, tanta realização a obter. Ele já conseguiu muito. Entende, isso é o que é importante: que as pessoas devem perceber que o poder que carregam dentro de si é tal que pode superar tudo.

Não há qualquer razão para que alguém não seja capaz de alcançar de alguma forma até mesmo coisas que talvez na superfície parecem ou pareceriam impossíveis de uma realização. Mesmo quando, porventura - quer dizer, vocês podem constar no vosso mundo por várias formas como as pessoas superam grandes desvantagens. Quer dizer, há pessoas que talvez não consigam usar as mãos, especialmente se tiveram tido algum acidente ao nascer ou qualquer outra coisa assim, e que conseguem aprender a pintar com os pés, usando os pés como se fossem mãos. Este é um simples... talvez não seja comparável, mas o que eu estou tentar dizer é: se vocês tiverem fé no vosso ser de que podem conseguir o que querem que quer que pretendam conseguir, se você tiverem um pensamento positivo sobre isso e trabalharem para esse objetivo, para esse fim, vocês irão conseguir. Nada é impossível para aqueles que realmente depositam tudo o que têm nisso. E num sentido espiritual, essa é a parte mais importante, obviamente: a de que a realização que pode ser conduzida à existência pelo poder do espírito, a realização de que vocês podem alcançá-la, vocês podem conseguir, vocês podem superar. O poder do espírito transformará todo o mundo terrestre em algo que se encontra além da vossa imaginação.

O homem cria o caos, o homem cria a miséria ao redor e sobre si próprio no seu mundo por meio da estupidez e da estupidez que plasma pelo pensamento e pela acção. Coisas estúpidas, coisas terríveis acontecem por o homem se deixar, ele próprio, infelizmente e na maioria dos casos, apanhar de tal modo material pelas coisas materiais, ao colocá-las em primeiro lugar. Mas se ao menos todo ser humano tivesse equilíbrio entre o aspecto mental, o espiritual e o material, particularmente aqueles que se encontram em lugares cimeiros, que se encontram em posição de criar, se assim o quiserem, tanto bem para o mundo, quando muitas vezes criam destruição e miséria, mas eles perdem o equilíbrio. Você vê equilíbrio, equilíbrio, equilíbrio hoje é a minha palavra de ordem, poder-se-ia dizer, com respeito a tudo. Nós não esperamos a perfeição das pessoas da Terra, por que deveríamos? Nós próprios não somos perfeitos. Estamos todos a lutar por um pouco mais, por uma sabedoria um pouco melhor, uma sabedoria um pouco maior, um pouco mais de compreensão da verdade. Todos estes passos - e são passos na direção certa - podem às vezes parecer lentos e rebuscados. Não conquistamos muita coisa com muita rapidez. Mas aprendemos lentamente, mas seguramente, e no percurso ganhamos confiança. Eu apenas sinto que a tragédia do vosso esteja no facto de o homem não ter encontrado equilíbrio entre o espírito e a matéria.
A força motriz do espírito deve achar-se presente na matéria e em todos os aspectos da vida, quer seja na política, na religião, nas relações pessoais, no campo das amizades ou das relações, equilíbrio, equilíbrio, a realização de que o poder do amor em particular torna todas as coisas possíveis, vence todas as coisas, pode não parecer achar-se sempre no momento. Mas no final, a longo prazo, isso é o que importa, verão que o próprio amor superará todos os erros do homem, mas têm que dar de si próprios, absolutamente, têm que dar de si próprios em amor e serviço. Esqueçam-se de vós pelo serviço e começarão a encontrar o vosso verdadeiro eu. Esta é outra coisa que as pessoas não percebem; Se vocês se perderem a vós próprios através do amor, do serviço, da ajuda, e pensarem nos outros, e derem de si mesmos o melhor que puderem, vocês poderão por vezes sair magoados no processo (sim, claro) e irão deparar-se com decepções e talvez com algumas desilusões, aqui e ali, em relação a indivíduos fracos, estúpidos e tolos. Mas a questão está em que o amor é a única coisa que realmente importa. É o amor que abre todas as portas do conhecimento e da experiência, e que torna todas as coisas possíveis. Gostaria que às vezes as pessoas percebessem o que o poder do amor pode fazer, o que ele pode alcançar. É preciso que entreguemos por completo e em absoluto através do amor. Isto é o que fazemos, e encontramos grande alegria e felicidade no serviço e na ajuda que levamos aos menos afortunados, levando-lhes iluminação, fortalecendo-os quando se encontram deprimidos, ajudando-os a ver a realidade da verdade e, assim, ajudando-os a sair da lama e a encontrar uma base sólida e sadia de modo que possam seguir em frente e encontrar a alegria e a felicidade como nós encontramos.

Tu, Rosa minha, se as pessoas entendessem este espiritualismo conforme o chamam, se só o compreendessem e praticassem, esse é o problema. Tão poucos compreendem e aqueles que o compreendem frequentemente não o praticam. Veja bem, isso irá mudar as pessoas, isso irá torná-las melhores. Se literalmente as pudermos elevar, tirá-las do lodo do materialismo, com isso podemos torná-las espiritualmente e mentalmente mais fortes, então não teremos conseguido muito. Sabemos como é importante que as pessoas sejam consoladas e tentamos confortá-las. Damos-lhes provas, damos-lhes convicção e, em muitos casos, talvez até as salvemos do suicídio. Mas a questão está em que muito poucas pessoas percebem do que trata tudo. Elas dão-se por muito felizes em arranhar a superfície, e por não cavarem fundo, contanto que elas sejam ajudadas com respeito ao seu estilo, por ora, e então elas lá vão velejar da mesma velha forma material. Queremos tanto levar as pessoas a perceber as implicações do que estamos a referir, mas às vezes eu sinto que falhamos. Bom, eu disse: "falhamos." Elas próprias falham - as pessoas, quero dizer.

Sabe, Rose..."

Rosie Creet: "Sim."

Dr. Charles Marshall: "... embora não tenhamos muita oportunidade por estes dias de conversarmos juntos, fica sempre a saber que estou por perto de ti e que sempre que me  enviares os teus pensamentos, às vezes ouço-te dizer mentalmente: "Onde está você, caro doutor?"

Rosie Creet: [Riso]

Dr. Charles Marshall: "Bom, eu encontro-me muitas vezes aqui."

Rosie Creet: [Mais riso] "Eu acho que consigo sentir isso."

Dr. Charles Marshall: "De qualquer forma, eu falei por muito mais tempo do que o pretendido e queria que o Stephen tivesse uma palavra contigo. Acho que por agora, talvez eu não saiba muito bem se o médium está a reorganizar-se ou o que ele está a fazer, ele parece estar um pouco numa bagunça. Mas ainda assim, espero que sejas capaz de voltar pelo menos uma vez por semana."

Rosie Creet: "Ah, eu contaria com isso, doutor querido."

Dr. Charles Marshall: "Leva-o a arrumar-se. Estás a ouvir?"

Leslie Flint: "Sim!"

Dr. Charles Marshall: "Bom, então Bye-bye!"

Rosie Creet: "Bye-bye doutor querido!"

Leslie Flint: [risos] "Bye-bye... Ah caramba....!"

Rosie Creet: "Obrigado pela palestra que deu!"
Dr. Charles Frederick Marshall 

SOBRE AS ESFERAS
Creet: Do que vamos falar hoje?
Marshall: Eu acho que devíamos debater - ou melhor, falar sobre as esferas.
Creet: Certo.
Marshall: Por haver muito a ser dito com respeito às esferas. Há muitas condições.
Creet: Eu gostaria de as compreender a partir da mais baixa e que subíssemos gradualmente, doutor.
Marshall: Entendo! Bom, eu não me sinto particularmente inclinado a levar-te para as esferas mais baixas pela simples razão de não achar que nenhum bem possa ser alcançado com isso. E desde que eu sei muito bem que não terás qualquer contato que seja com elas quando para aqui vieres; e por ser tudo muito deprimente; e eu não quero que nada te deprima.
Creet: Mas eu acho que eu gostaria de ir até lá quando eu passar, para ver se eu posso ajudar alguém.
Marshall: Bem, minha querida, gozarás de livre arbítrio para escolheres por ti mesma, se assim desejares fazer esse tipo de trabalho, embora uma vez mais um treino especial seja necessário.
Creet: Que quer dizer com treino?
Marshall: Bem, por aqui temos universidades, conforme suponho que possam chamar-lhes, de ciência; Universidades onde as pessoas podem aprender todo o tipo de coisas essenciais para o seu desenvolvimento. E no que diz respeito a entrar nas esferas inferiores precisamos de uma certa instrução quanto ao método de abordagem, por exemplo. Não se pode simplesmente entrar, como um touro em uma loja de porcelana, numa das esferas inferiores. Acredita em mim, pode ser perigoso, mesmo para uma alma altamente evoluída, mesmo para alguém que tenha progredido até certo ponto. Penetrar nas esferas muito baixas, por si só, é uma tarefa e tanto. Eu não digo que esteja exatamente repleta de perigos, mas decerto que se pode incorrer em certa medida...
Creet: (Interrompendo) Podemos ficar contaminados se formos até lá?
Marshall: Bom, até certo ponto. Vê bem, a questão está em que as almas altamente evoluídas não se aventuram, ou muito raramente, a entrar nas esferas muito baixas. Mas existem muitos, muitos estágios de evolução e de desenvolvimento e certas pessoas, não necessariamente altamente desenvolvidas, mas ao mesmo tempo pessoas de óptima índole - espiritualmente evoluídas até certo ponto - que escolhem descer às esferas inferiores para empreenderem um trabalho de ajuda e isso revela-se uma tarefa e tanto. Vocês precisam perceber que nós, deste lado, nos encontramos mais sujeitos às situações do que qualquer coisa que conheçam no vosso mundo. Vocês encontram-se sujeitos a situações, mas a questão está em que aqui nós nos encontramos muito mais sujeitos. Se uma pessoa escolher fazer o que chamamos de trabalho de resgate e ir até às esferas inferiores para prestar ajuda, elas tendem a ser afectadas por - de uma ou de outra maneira, em especial de acordo com o indivíduo, pelas condições com que se deparar. Não quero dizer com isto que a pessoa interessada em agir como ajudante ou líder ou que escolhe servir em alguma capacidade nas esferas inferiores, necessariamente seja necessariamente má ou inferior no seu padrão de espiritualidade para entrar nesse ambiente. Mas isso não altera o facto de poder ser, e  frequentemente é afectado pelas condições mais baixas.
O mesmo, por exemplo, que ocorre convosco, num certo sentido. Supondo que tu, uma mulher detentora de uma certa educação e certamente muito nervosa; alguém que sente intensamente e que é muito musical e que está habituada a um certo padrão de vida, se fosses colocada, digamos, numa favela, ou num lugar deprimente, seria muito afectada por essas condições. Não te desenvolverias necessariamente numa pessoa como as que provavelmente irias encontrar ao teu redor, mas serias afectada mentalmente por essa atmosfera. Bom, o mesmo se aplica às almas que optam por ir às esferas inferiores para servir e para trabalhar. Elas são em certa medida afectadas pelo ambiente em que se encontram e, muitas vezes, quando retornam à sua morada normal, elas precisam de muita atenção. Por outras palavras, eles precisam ser como que revigoradas no sentido espiritual.
Creet: Como será isso feito, doutor?
Marshall: Bom, há certos locais por aqui que são, suponho que vocês os chamariam de clínicas ou hospitais ou lugares onde as pessoas podem se afastar do ambiente, das suas circunstâncias e assim por diante, ou condições, e elas são colocados nestas instituições ou... chama-lhes o que quiseres, onde elas recebem atenção; onde eles recebem um curso, se quisermos, sobre poder. Onde elas são ... Não sei como explicar isto, é muito difícil.
Vê bem, a emanação áurica que elas trazem de volta com elas da esfera inferior é tal que, logo que entram no ambiente a que realmente estão acostumadas, que é a sua condição natural, sofrem um choque. Há um período em que ela precisam gradualmente ser reabilitadas. Elas precisam ser reanimadas e ser colocadas numa posição tal em que possam ser revigoradas com as condições da esfera que elas normalmente habitam e elas precisam...  Oh! Não sei como colocar isto - eles têm que livrar-se da contaminação, por assim dizer, que trouxeram consigo das outras esferas e das esferas inferiores.
Creet: Bom, essas... emanações áuricas devem assemelhar-se a tentáculos.
Marshall: Bom, eu não consigo explicar isso muito bem, é muito difícil. Se conseguires imaginar um ser humano, não tanto uma pessoa, mas a sua condição áurica, ela assemelha-se mais a uma esponja; por absorver tudo o que estiver ao seu redor, e elas têm que dispersar isso ou rejeitá-lo e reanimar-se. Elas precisam ser renovadas com as condições da sua própria esfera e certas pessoas aqui...
(Muda de assunto a meio da frase)
Vê bem, porventura não consegues avaliar o que digo, ou entendê-lo e eu não consigo explicá-lo muito bem. Mas sabemos muito mais cientificamente, e uso o termo "cientificamente" num sentido muito real, por o nosso mundo ser científico, tanto quanto é uma realidade. Ainda há muito a conhecer e a descobrir. Mesmo na própria esfera em que vivemos, ainda há muito a constatar e a descobrir. Além disso precisas perceber que uma esfera - encara qualquer esfera como um lugar, embora na verdade faça parte de muitos - mas a questão está em que uma esfera é uma morada; é um local que foi habitado por incontáveis milhões de almas ao longo de muitas gerações, nas transições que fizeram do vosso mundo para este. Não é uma coisa estática. Com isso eu quero dizer que os indivíduos em questão não ficam nelas. Eles não ficam estáticos nelas. Mas o local em si mesmo é estático, na medida em que as pessoas ficam nele por um período do que eles chamariam de tempo, até que tenham progredido além dessa fase, altura em que passam pela fase do que vocês chamam de "morte," embora não seja nada como a morte física como vocês conhecem...
Creet: (Interrompendo) Não, já explicou isso, obrigado.
Marshall: ...e outras pessoas ocupam-nas. Mas lembra-te de que o lugar em que uma pessoa pode encontrar-se é o que as gerações anteriores tornaram possível e vocês nunca podem reagir ou responder a qualquer coisa para além dessa fase da existência. Vocês podem naturalmente ir até às esferas inferiores ou condições mais baixas e experimentar muita coisa lá, mas se fizerem isso - embora possam fazê-lo no desejo de prestar assistência, ajudar, ao mesmo tempo, é uma missão que vocês assumem. Uma grande responsabilidade. Mas estão sujeitos por alguma forma a ser afectados por outras condições a que não estão acostumados, que não lhes são naturais ou normais, e, consequentemente, quando voltam para o vosso ambiente vocês precisam ser revigorados. Vocês precisam voltar a passar por uma purificação, se preferires. Precisam descartar da sua emanação áurica e do vosso aspecto áurico do ser todas as condições e pensamentos que tiverem captado.
Do mesmo modo que, quando atravessam a vossa vida física, ordinária, material; vocês acumulam e assimilam todo tipo de experiências - muitas das quais não são boas para vós do ponto de vista espiritual. Mas gradualmente, à medida que envelhecem e olham para trás e se tornam mais sábios, vocês percebem o quanto o sucedido foi destituído de importância, não foi essencial e, no entanto, até certo ponto vocês tiveram que o experimentar. Talvez por ser era essencial que conhecessem essas coisas, sem o que não poderiam crescer.
Vê bem, nós temos escolas aqui onde as pessoas aprendem muito sobre a natureza humana e como melhor abordar, por exemplo, um indivíduo num certo grau, ou falta de grau, de desenvolvimento e onde consequentemente se tem um conhecimento prático, se preferirmos, e se me for permitido colocá-lo assim, de uma pessoa e como trabalhar com essa pessoa para a ajudar. Como será, ou seria provavelmente melhor, ajudar essa pessoa a sair do seu ambiente actual. Mas mesmo apesar de tudo isso, não altera o facto de se poderem voltar contra uma pessoa ou pessoas que estejam a tentar ajudar numa esfera inferior, que se revele extremamente difícil. Talvez uma pessoa que, digamos, tenha tido ideias muito fortes e fixas, que não é necessariamente má. Mas, por exemplo, algumas das maiores dificuldades com que nos deparamos é com pessoas que possuem convicções religiosas muito fortes, fixas e firmes. Acho que já lhes dissemos antes que aqueles que são, por assim dizer, pressionados tremendamente pelo dogma e credo - não que se sintam infelizes, em particular no seu ambiente, e não pretendo dar a sugerir nem por um momento que eles se encontrem num ambiente mau ou mesmo num ambiente ruim.
Ao mesmo tempo, esses são muito mais difíceis de abordar, muito mais difíceis de trabalhar, muito mais difíceis de ajudar, do que talvez alguém que tenha sido - conforme o mundo o entende - um personagem muito ruim. No entanto, ao mesmo tempo uma pessoa podia possuir uma mente flexível. Não se encontrava de certa forma, digamos, presa ou firmemente sujeita a credos e a dogmas de forte vinculação. Sempre acho que as pessoas mais difíceis de ajudar sejam aquelas que, por muitos, muitos anos da sua vida terrena, tenham estado ligadas a credos e a dogmas.
Creet: Pois, sabe, há alguns anos atrás, creio bem, o meu irmão, quando eu costumava estar a dormir, ele costumava levar-me pelas esferas inferiores. Havia uma ou duas pessoas, mas uma em especial, de quem eu gostava muito, que era do tempo do reinado de Carlos II. E eu acredito que ele costumava vir conversar comigo e dizer-me o quanto a minha presença representava uma ajuda para ele, e eu acho que ele progrediu bastante depois disso.
Marshall: Posso crer que sim.
Creet: Já o viu?
Marshal: Eu não conheço essa pessoa em questão, mas posso crer. Quer dizer, eu sei que as pessoas na terra são frequentemente usadas para ajudar as pessoas menos afortunadas nas esferas inferiores. Por exemplo, uma coisa que ocorre invariavelmente: o mundo da terra encontra-se muito mais próximo e muito mais em harmonia, se é que o posso colocar assim, com as esferas inferiores porque, afinal, o mundo da terra é muito materialista e a maioria das pessoas que nele se encontram preocupam-se apenas com o materialismo. O que não quer dizer que elas sejam necessariamente más, embora prevaleçam muitas condições malignas no mundo. Mas é bem possível que se tu…
(Interrompe o assunto a meio da frase)
...eu sei que há um longo período de tempo tens sentido interesse nesta grande verdade, neste assunto, em relação ao que tens tido ajuda deste lado, e que foste levada a diversas esferas. E depois eu tenho a certeza absoluta de que já experimentaste muita coisa. E eu sei por causa do que chegaste a aprender e do conhecimento que assimilaste, que não haverá qualquer probabilidade de que venhas a ingressar em qualquer das esferas inferiores. Excepto, como eu digo, por tua própria vontade.
Creet: Pois.
Marshall: É bastante exequível e eu bem percebo que fizeste uma quantidade do que chamamos de trabalho de resgate enquanto ainda no corpo. E que, consequentemente, te ajudará a progredir, quando vieres para aqui, e que provavelmente não terás necessidade nem desejo de entrar em qualquer esfera ou ambiente inferior para fazeres tal serviço ou tal trabalho. A questão está em que muitas pessoas sentem a necessidade, o desejo, de fazer este tipo de trabalho. Mas seja como for, não acho que venhas a sentir esse desejo dentro de ti mesma para fazeres mais disso. Eu acho que, com toda a franqueza, se bem te conheço, (não que eu esteja a sugerir que sejas egoísta por natureza), mas sei que te irás sentir tão feliz quando para aqui vieres para entre os teus amigos musicais e a tua música e a tua mãe, o teu pai e o teu irmão e assim por diante, que eu não penso nem por um segundo que venhas a ter qualquer desejo de descer às esferas inferiores, a menos que seja por pura curiosidade por ver que tipo de música eles têm por lá.
Creet. (Ri)
Marshall: Mas estou seguro de que se fizeres isso, não irás gostar, porque ser algo totalmente diferente de qualquer coisa que admires ou gostes.
Creet: Sim, mas seria interessante, sabe doutor; para perceber o grau de diferença.
Marshall: Bom, minha querida, posso-te garantir que não haveria muito a ganhar com isso, porque se quiseres uma boa ideia do aspecto da música das esferas inferiores, vai ao Albert Hall assistir a um concerto moderno. Não está muito longe.
Creet e Flint: (Riso)
Marshal: Se procuras discórdia e desarmonia; se procuras ruído e barulho; pois então vai ouvir um concerto de um compositor moderno.
Creet: (Riso) Não, eu não quero, muito obrigado.
Marshall: Se quiseres atravessar os infernos Wagnerianos, é inteiramente contigo.
Creet: (Riso) Bem, ele era um maravilhoso… ele era muito descritivo com relação aos infernos e assim por diante, não era?
Marshall: Sim, acho que ele deve ter tido um toque muito pessoal da sua parte.
Creet: Sim, acho que sim. É por isso que eu não gosto dele.
Marshall: Eu acho que ele é bastante típico da nação que o viu nascer, embora isso provavelmente pareça muito cruel, por haver muitos alemães amáveis. Mas o espírito guerreiro da raça alemã foi muito evidenciado na sua música. Mas isso não altera o facto, é claro, de que ele também escreveu melodias muito lindas. E eu sei que ele é uma alma muito avançada por aqui e que a sua música tem uma enorme profundidade e um enorme poder e não devo passar referências indecentes em relação ao seu trabalho, embora às vezes me sinta apenas um pouco em sintonia contigo quando ouço a tua conversa… “Eu nunca consegui suportar o Wagner custasse o que custasse…"
Creet: Não, não o consigo suportar.
Marshall: Mas sabes, tu fazes-me perguntas e eu quero respondê-las, mas eu acho esta escassez de palavras tão… oh minha querida. Como poderá alguém explicar-te algumas destas coisas? As palavras são tão inadequadas.
Creet: Sim, eu sei, mas você não precisa explicá-lo de forma absoluta e explícita, porque eu posso ler por entre as linhas. Tente como puder, embora eu não possa imaginar nada sobre o outro lado, sinceramente.
Marshall: Então, suponho que nunca te causou qualquer impressão... sei que o interesse que sentes pela música traz isto à tona... mas nunca te pareceu estranho que tenhamos músicos que se desenvolveram ou que tenham chegado a afirmar-se, por assim dizer, deste lado, que quando se encontravam na terra não apresentavam qualquer indicação musical em si. Eles talvez nunca tenham tido a oportunidade ou habilidade, mas aqui desenvolveram esses maravilhosos dons de música e são grandes músicos por direito próprio.
Creet: São?
Marshall: Ah, sim.
Creet: Como acontece isso se não tivermos o dom latente? Quer dizer, talvez eles...
Marshall: (Interrompendo) Bom, eu acho que isso acontece... O que quero dizer é que do vosso ponto de vista, já que você – refiro-me não só a ti, mas ao indivíduo comum - só podem conceber, por assim dizer, algo que tenham herdado ou nascido com o indivíduo ou que ele tenha desenvolvendo na vida material. Mas, claro, que essa é realmente apenas uma suposição tola, porque, no final de contas, uma pessoa não tem necessariamente que ser dotada em certos aspectos, do vosso lado, para ser dotada, deste.
Existe algo como uma lei da recompensa. Quero dizer, por exemplo, há muita gente no vosso mundo que tem que se virar e tornar-se limpa chaminés ou algo bastante deprimente, por não ter educação musical, antecedentes musicais, e na medida do que podemos avaliar, não sente apreço. Mas isso é falta, não em si mesmas, em certo sentido, mas falta de oportunidade, falta de ambiente - do ambiente certo - e assim por diante. A questão está em que, por uma pessoa não nascer com apreciação musical ou musicalmente desenvolvida na terra não quer necessariamente dizer que não a desenvolva de alguma forma aqui. Eu já escutei música escrita ou composta por músicos aqui que, quando na terra, não tinham o menor interesse ou conhecimento de música; que lhes dá uma enorme esperança, ao ver o que já sabes sobre isso.
Creet: Meu Deu, se dá. Esse é meu objetivo principal, quando eu chegar aí...
Marshall: (Interrompendo) Você vê, mais uma vez, as pessoas têm a essa impressão errada da sua primeira existência, de que a primeira percepção ou consciência que têm da vida seja na terra, o que naturalmente não é.
Creet: Hmm.
Marshal: Como saberão se não existiram antes de nascerem no mundo terreno? Eu iria a ponto de dizer que a vida sempre existiu, em uma forma ou de outra. Mas nem sempre constou propriamente num corpo material...
Creet: (Interrompendo) Então, não há nenhum começo nem fim, haverá?
Marshall: Bom, é um movimento perpétuo, a vida é perpétua. Eu não creio que... vê bem, só se pode aferir um começo quando podem constatar o seu começo, o que não quer dizer que não existisse antes que de teres consciência do seu começo. A questão é que tu tens consciência de uma Rose Creet, por a tua mãe te ter dito que nasceste num determinado dia, numa determinada hora ou numa certa era, num determinado lugar.
Creet: O que eu digo, doutor, que o que me intriga é o seguinte: agora nesta encarnação eu tenho uma mãe, mas na minha última encarnação devo ter tido outra mãe. O que aconteceu a todas essas outras mães?
Marshall: Ah, sê lá generosa, também deves ter tido um pai!
Creet e Flint: (Riso)
Marshall: Já por duas vezes em duas gerações que dizes que tens uma mãe; não te podias importar menos com o teu pai! Como... achas que foste produto de alguma concepção miraculosa ou algo assim?
Creet e Flint: (Riso)
Creet: Mas isso é o que me está a intrigar: mães e pais. Os pais, por exemplo...
Marshall: Os pais não têm qualquer importância, num certo sentido, e eu não o digo com indelicadeza nem de forma cruel ou hipócrita. Quero dizer, o mero acidente do nascimento é simplesmente um acidente. No final das contas, milhões de pessoas vão para a cama e as crianças nascem. Às vezes elas não são desejados. Às vezes, se fosse possível, não existiriam. A questão está em que muitas vezes o facto de nascer não é desejado.
Creet: Sim, mas se é um acidente, por que as crianças apresentam grande semelhança com os pais?
Marshall: Bom, eu acho que isso não é nada difícil de entender. Acho que nem importa.
Creet: Suponho que sim.
Marshall: Afinal, não é tanto o aspecto que tenham - vocês podiam parecer feios como o diabo - mas é o que vocês têm dentro que importa, o aspecto do vosso espírito.
Creet: É este negócio do interior que não consigo entender...
Marshall: (Interrompendo) Bem, devias entender.
Creet: Ah, bom, eu sinto diferentes coisas no meu íntimo, mas...
Marshall: (Interrompendo) Minha querida menina, há muita gente que anda pelo vosso mundo que externamente não apresenta qualquer mérito; que externamente parece tão embotado quanto água de valeta e tão desinteressante quanto... enfim. Mas por dentro, são uma alma maravilhosa, e possuem um temperamento maravilhoso, apresenta um desenvolvimento maravilhoso de caráter, formado, porventura, ao longo de gerações de tempo por tudo quanto conhecem. O que mostram por fora não tem qualquer consequência.
Creet: Mas, que aspecto teremos quando saímos da nossa concha?
Marshall: Bem, minha querida, muito bonito.
Creet: Temos?
Marshall: Sim.
Creet: O que quer dizer com isso? Teremos a mesma forma...?
Marshall: (Interrompendo) Oh, eu vejo-o. Ou seja, agora queres saber, se viveste várias gerações, por outras palavras, se tiveste várias encarnações ao longo de um período, digamos, de mil anos, qual desses aspectos terás, não?
Creet: Sim! Isso é o que me incomoda.
Marshall: Bem, a questão está em que provavelmente não te parecerás com nenhuma.
Creet: Oh Deus!
Marshal: Oh, não te preocupes, tu será reconhecida.
Creet: Bem... conte-me mais um pouco.
Marshall: Minha querida menina, eu quisera que fosse possível encontrar palavras para explicar essas coisas. Não percebes que temos - pelo menos aqueles de nós que se desenvolveram até certo ponto - algo mais importante para transmitir do que apenas a mera expressão ou forma externa. Temos a consciência e a capacidade de ver e de perceber a alma. E a alma, em si mesma, não é apenas uma forma, um rosto ou uma figura; que pode ser assumida, o que muitas vezes se destina especialmente a fins de reconhecimento quando essencial. Mas à medida que nos desenvolvemos espiritualmente e nos tornamos cada vez mais conscientes dos poderes e da grandeza do espírito, só nos preocupamos com o desenvolvimento do espírito. Somos apenas conscientes, por assim dizer, e só desejamos ser consciente e ter consciência da realidade - que é a alma interior do indivíduo. O espectáculo exterior ou cobertura é meramente uma máscara.
Creet; Eu sei, mas que aspecto terá a alma interior? Você sabe daqueles diversos instantâneos que temos de Chopin ao piano como ele próprio...
Marshall: (Interrompendo) Minha querida menina, se essas fotografias tivesse retractado uma reprodução física perfeita de Chopin, conforme vocês a entendem, vocês teriam ido para as delícias do sétimo céu. Mas a questão está em que, por vocês terem o que pensam que seja ou pareça ser uma figura informe, resulta uma ligeira decepção, num certo sentido. Mas aquilo que quero que saibas é que o poder ardente de uma alma que só vos chega nessa forma como a que viram - sem forma - em si mesmo, em toda a sua verdadeira beleza e toda a sua grandeza, é mais importante e mais maravilhoso do que exterior físico. Tu viste, até certo ponto, e apenas vagamente, parte do homem interior.
Vê bem, no final de contas quando escutam uma grandiosa peça de música vocês não têm consciência da face nem da forma do artista que está executando essa música, embora você possam vê-lo ao piano. No entanto, dentro de vós mesmos, dentro da vossa mente, a vossa verdadeira consciência interior está muito longe do artista que está a tocar a música.
É o que a música significa para a vossa alma, a maneira como ela os eleva, por assim dizer, de vós próprios. A maneira como vocês sentem como se fossem transportados para o céu, o céu dos céus; isso é algo muito mais vital, mais importante. Vocês sentem. Você estão, por assim dizer, a tocar a própria alma do instrumentista ou do músico. Estão, num certo sentido, num contacto divino com ele.
Quisera que fosse possível explicar isso. Vês, só podem avaliar - e suponho que até certo ponto seja natural, enquanto se encontram num mundo material - que devam possuir uma forma. Precisam ter uma forma. Eu não digo que isso não exista aqui, porque existe.
Creet: (Interrompendo) Mas suponhamos, quando eu passar desta vida, por exemplo; Que aspecto irei ter?
Marshall: Por que estás tão preocupada com o aspecto que venhas a ter? Parecer-te-ás com a Rose Creet de 140 Westbourne Terrace, Londres, Inglaterra, Mundo; mas apenas por um tempo, e somente quando necessário. Entende, minha querida menina...
Creet: (Interrompendo) Então, os espíritos têm o poder de assumir formas diferentes?
Marshall: É claro.
Creet: (Interrompendo) Como será isso conseguido?
Marshall: Pela acção da mente; pelo poder do pensamento; pelos profundos sentimentos e emoções e desejos internos e a intensidade de propósito que vem de dentro.
Cret: O que deverá durar pouco tempo, enquanto o pensamento for forte o suficiente?
Marshall: Minha querida menina, se assim o quisesses - e suponho que não o faças nem um instante, mas estou só a presumir - presumindo que o desejasses tanto, quando viesses para aqui, podias sentir-te tão cheia da Rosa Creet, moradora em 140 etc... Londres, Inglaterra e tudo o mais, que quisesses parecer diferente, por estares tão chateada, como vocês dizem, com o teu velho corpo.
Creet: Certamente que sim.
Marshall: Bem, se você quiseres ser bonita e glamorosa, não há nada que to impeça. Mas, uma vez mais, não há nada a alcançar com isso, tanto quanto eu consigo constatar.
Creet: Claro que não... não.
Marshall: Afinal, o importante está, minha querida, em ti própria. Nós não os vemos como vocês se vêm ao espelho, ou muito raramente, a menos que naturalmente tenhamos uma razão especial para os querer ver como vocês são, nesse sentido, fisicamente. Vemos a verdadeira Rose Creet; a alma; a pessoa profunda, permanente, sincera que tu és, com todo o amor e a beleza que tens dentro de ti própria. Vê bem, aqui não nos preocupamos com conchas nem corpos físicos. Eles são materialmente emprestados por um tempo e para determinado propósito. Tu adoptarás o aspecto exterior da Rose Creet inicialmente quando para aqui vieres, é claro, por uma questão de reconhecimento. Mas, uma vez mais, não serás a Rose Creet de 65 anos de idade, ou o que quer que seja é. Serás a Rose Creet de 22 ou algo assim.
Creet: Logo de imediato?
Marshall: Claro que sim.
Creet: Ah!
Marshall: Não necessariamente… Em certos casos, seria assim porque, se a pessoa passasse com uma ideia fixa muito forte de si mesma, de como era quando estivesse a passar, ou quando estivesse a passar tivesse consciência de todas as suas dores e sofrimento (se ela os tivesse) e assim por diante, ela iria manter por um curto espaço de tempo essa forma de pensamento de si própria. Mas tu, com o conhecimento e a experiência que obtiveste, é muito improvável que venhas a trazer esse corpo velho para aqui de todo. Tu não vais pensar em ti mesma nesse sentido ou desse jeito. Espero que não.
Creet: Ah, espero que não. Podemos ver-nos aí?
Marshall: Claro que podem, se quiserem. E não precisam sequer de um espelho.
Creet: Não? Então como é que nos vemos?
Marshall: Reflexão na atmosfera astral, é tão simples quanto isso. Do mesmo modo que podemos ver tudo o que se passou nas nossas próprias vidas ou nas vidas daqueles que nos rodeiam. E assim, podemos atrasar o relógio séculos e séculos e mais séculos no tempo e ver o que se passou antes. Assim, podemos ver na atmosfera não só a nós mesmos, mas toda a gente. Nada é ocultado.
Creet: Isso acontece quando deixamos os nossos corpos, por exemplo, as nossas vidas inteiras serão colocadas à nossa frente?
Marshall: Sim, mas sabes... não sei se já ouviste alguma vez dizer, mas já foi referido que uma pessoa no momento de um afogamento pode passar as suas vidas em revista, já ouviste isso?
Creet: Ah, sim.
Marshall: Vê bem, o que precisas ter em mente, minha filha, é que a tua vida particular ou a minha vida particular ou a vida particular de uma alma, é gravada ao redor e nela, no seu próprio ambiente - e sempre que eu uso o termo ambiente eu não me refiro necessariamente, á habitação em que vivem, mas à sua própria emanação áurica; ao seu próprio ser. Sabes que a Bíblia tem coisas escritas de uma forma muito estranha, provavelmente escritas de uma maneira simples para as mentes simples da época. Mas, sabes, foi dito que tudo é registado…" e que “o livro da vida será aberto..." e assim por diante, "... e vocês serão julgados..."
Creet: Sim.
Marshall: Bom, a questão está em que ninguém te julga. Tu é que te julgas. E encontras-te, pela primeira vez, completamente aberta, por assim dizer, diante de todo mundo. É por isso que não podes vibrar, não podes habitar ou entrar numa condição, para a qual não te encontras preparada. Deve entrar automaticamente na condição de que fizeste parte, ou de que és parte, da própria condição.
Creet: Eu espero que passemos um certo tempo a dormir, não?
Marshall: Bem, isso depende. Você vê, não devemos juntar todas essas coisas. Quero dizer, algumas pessoas acharão essencial e necessário descansar ou relaxar ou dormir por um tempo e, gradualmente ser conduzido, por assim dizer, para o seu novo ambiente. Mas com outras não é necessário.
Creet: Ah.
Marshall: Eu não acho que venhas a dormir muito. Eu acho que contigo venha a ser tão perspicaz, tão desperta que irás andar a correr por aqui e por toda a parte: "Conte-me isto. Conte-me aquilo!"
Creet: (Ri)
Marshall: Além disso, tens tais amigos. O teu irmão, que está sempre ao teu redor, será o primeiro a estar ao teu lado e a guiar-te e a ajudar-te. E eu não estarei tão longe e sei que o meu amigo Chopin terá uma mão nisso, de alguma forma. Não, não, não. Eu sei que é natural que queiras saber tudo quanto possivelmente puderes e isso sempre me trás uma grande felicidade, em particular vir e responder às tuas perguntas. Mas a questão é, minha querida, que as perguntas - algumas delas - não podem ser respondidas no sentido material porque estarem tão distantes das coisas materiais que não há meios materiais, tanto quanto me é dado ver, por que eles possam ser respondidas. Só posso te posso dar um esboço.
Creet: Talvez mais tarde, quando tivermos coisas diferentes, as explicações podem ser mais fáceis... sem necessidade de fala, não?
Marshall: Sim, espero que sim, mas só podemos esperar para ver.
Creet: Seria maravilhoso.
Marshall: A questão está em que... a ciência, por exemplo, no vosso mundo desenvolveu-se de tal forma que, em certa medida, ajuda a provar o que estamos a tentar dizer ou a dar-te. O facto de poderes sentar-te num aposento e ver por ti própria, com os teus próprios olhos, coisas que estão a acontecer a uma centena de milhas ou mais, testemunhando no mesmo momento, em certa medida ajuda a provar, se a prova for necessária, o que estamos a tentar transmitir. Tudo fica registado na atmosfera. O que está a acontecer neste segundo está a ser registado. É como se todo o mundo etérico ou todo o éter ao redor e em torno de vós, em todo o mundo, fosse um instrumento de gravação. E vocês estão a registar os vossos pensamentos e as vossas emoções e as condições ao longo da vida.
Creet: Então não devia existir termo algum como "espaço" no Éter. Não existe espaço.
Marshall: Não, num certo sentido. Há espaço na medida em que vocês podem percorrer o espaço. Por exemplo, vocês podem entrar num avião, podem viajar pelo espaço, mas não é a coisa nebulosa que as pessoas pensam. Não é apenas ar e nuvens e assim por diante. É muito mais do que isso. A questão, entendes, é que se vocês se encontrarem numa vibração muito baixa vocês podem perfurar... (Ele faz uma pausa)
Creet: Hmm.
Marshall: ...dizia eu que, se vocês estiverem numa vibração muito baixa podem ser perfurados por uma muito elevada, sem que a vibração mais baixa tenha consciência disso sequer.
Creet: (Um pouco confusa) Eu... se eu estivesse numa vibração mais baixa eu poderia perfurar uma mais elevada, foi o que disse?
Marshall: Sim, pode funcionar dessa maneira inversa. Também pode funcionar no sentido oposto, mas hmm... oh, como poderei explicar isto? Por exemplo, eu posso atravessar uma porta.
Creet: Pois.
Marshall: Tu precisas abri-la.
Creet: Pois... Ah sim, estou a entender. Compreendo.
Marshall: É apenas uma questão de vibração.
Creet: Pois, pois. Ah, isso é tudo muito interessante.
Marshall: Os “operadores” estão muito calmos, não estão? (Referindo-se ao ajudantes do outro plano)
Creet: Sim, eles estão. Como pode? Alguém deve estar com eles... (Para Leslie Flint) É muito interessante tudo isso.
Flint: É, não é! Eu estava meio adormecido.
Creet: (Para Flint) Oh, santo Deus!
Marshall: Sabes, eu gostaria de poder ilustrar certas coisas. Lembro-me de que em muitas ocasiões, quando os pacientes tiveram uma perna ou um braço removido, muitas vezes eles diziam que podiam sentir os dedos das mãos ou dos pés e no entanto eles já não os tinham. Era apenas o corpo etérico que estavam a sentir. O corpo etérico é o que sente. Vê bem, o corpo físico propriamente dito não tem sensação, é o corpo etérico que é consciente.
Creet; Pois, porque uma vez que o corpo etérico parte, bem, não há nenhum sentimento, há?
Marshall: Quando a morte ocorre. Na verdade, as pessoas dão muita importância ao corpo físico. Percebo, é claro, que deve deva ser cuidado e é um dever muito essencial que se deva cuidar do corpo físico. Mas, na realidade, se as pessoas tivessem tanto interesse pelo corpo etérico e o desenvolvessem na mesma medida e cuidassem dele como cuidam do corpo físico, bem, eu tenho a certeza de que as pessoas teriam um maior conhecimento e uma maior consciência e elas certamente desenvolver-se-iam numa linha muito mais altamente espiritual. Sabes, esta verdade - e trata-se de uma verdade muito grande e maravilhosa e vital para a raça humana - se ao menos fosse ensinada. Se ao menos fizesse parte do currículo, por assim dizer, desde a infância, muito poderia ser feito.
Bom, as religiões, é claro, há séculos têm sido usadas ​​num sentido material. Quer dizer, eu não quero dizer que não haja uma base de verdade, porque há e não há dúvida de que existe uma grande dose de bem na maioria das religiões. Mas a questão está em que há séculos que elas são usadas pelos indivíduos para apoiar as suas próprias ideias, para apoiar a sua própria personalidade ou sustentar os seus próprios bolsos.
Creet: Sim. Para se sustentarem.
Marshall: A questão está em que a religião é um calmante para a raça humana. A questão está em que o homem deve perceber que ele é um ser espiritual que se encontra num processo de desenvolvimento, que ele possui poderes espirituais dentro de si mesmo. Ele não precisa ir a quem quer que seja para saber mais sobre eles ou para os desenvolver - pelo menos ele não deveria. Ele devia ter consciência deles. Ele deve saber sobre eles. Nenhum homem, nenhum sacerdote, nenhum clérigo tem o poder de os absolver, por exemplo, de qualquer pecado ou de qualquer coisa que tenham feito de errado. É algo por que vocês mesmos devem pagar por alguma forma que, acredita no que te digo, pagarão pela própria lei da natureza em si mesma. O que quer que se faça na vida - e isso não se aplica só à vossa vida, mas a todas as vidas, a todas as fases de existência - o que quer que se faça, é um processo gradual de evolução. E se cometerem erros, então aprendem com esses erros e até certo ponto vocês sofrem-nos. Mas a questão está em que, eventualmente, vocês se desenvolvem e crescem além de todo o reconhecimento – lá voltamos novamente ao reconhecimento - além de todo o reconhecimento do aspecto material.
A questão está em que, a vida é assim. A vida é toda é progressiva pela simples razão de fundamentalmente constituir movimento. É movimento. Não fosse pelo atrito, por exemplo, e vocês não estariam no mundo em absoluto. A vida desenvolveu-se a partir de atrito. Toda a natureza é movimento, é atrito. Mas eu posso... oh, há tanta coisa que eu preciso dizer-te. E no devido tempo, eu irei fazê-lo. Tudo o que eu quero é que percebas que estás a ser cuidada da melhor maneira que podemos. Nós fazemos o que está ao nosso alcance por ti, mas, em certa medida, obviamente, precisas fazer algo por ti mesma. É a sua vida que estás a moldar e que em certa medida já moldaste. Mas não desanimes nem te dissuadas, porque até certo ponto poderes sentir que sejas um fracasso. Todos nós sentimos que somos uns fracassos. E acredita em mim, há muitas pessoas que vêm para aqui que sentem ter fracassado e que não conseguiram muito ou que não conseguiram nada.
Eu sei que tu, em particular, sentes que não conseguiste nada no sentido musical. Mas, uma vez mais, não te julgues com severidade. Tu não sabes o que podes ter alcançado num sentido espiritual. Tu não sabes o que podes ter feito, e eu certamente que conheço um pouco mais do que tu, e quando para aqui vieres irás ficar agradavelmente surpreendida, por muita coisa ter tido lugar de que não sabes nada do que, eventualmente, virás a saber alguma coisa. Mas tem boa-fé e bom coração. Há tanta coisa, minha filha, que temos que falar, tu e eu, mas iremos ter muitas oportunidades.
Creet: Oh, eu espero que sim.
Marshall: Eu preciso ir. Eles dizem-me que o poder está a diminuir, mas conseguimos manter aqueles operadores abençoados quietos por uma hora. De qualquer forma, Deus te abençoe, minha querida. Ver-te-emos novamente na quarta-feira à noite.
Creet: Sim, muito obrigado, doutor querido.
Marshall: Adeus
Creet e Flint: Adeus.
Flint: Esta foi uma longa conversa, não? Esse negócio de não ser reconhecido é um pouco intrigante, não é? Quer dizer, eles dizem que se fazem reconhecer uns aos outros e tudo o mais, mas perdemos a nossa forma física. Isso sim, preocupa-me.
Creet: ...pois, perdemos a nossa forma física, mas podemos assumir essa forma; extraordinário! Eu não sei, mas eu gostaria de saber como realmente parecemos sem qualquer suposição.
Flint. Bom, é claro, o tempo nada significa para eles, mas eu suponho que, quando passarmos para lá, obviamente, provavelmente manteremos a nossa aparência física externa, talvez por um longo tempo caso o tempo tenha existência.
Creet: De jovem, de cerca de 20 ou 22 anos de vida.
Flint: Mas eu acho que há algo de intuitivo em relação... Quer dizer, por exemplo, considera uma pessoa que seja completamente cega e que não consiga reconhecer ninguém. Bem, eles possuem um sentido fantástico não é?
Creet: Oh, sim.
Flint: Bom, talvez seja algo parecido. Não que as pessoas do outro lado sejam cegas, eu não quero dizer isso. Não sei. É muito interessante.
Leslie Flint
Tradução: Amadeu António
 


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