segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

IMAGINAÇÃO E FACTO INERENTES À CRUCIFICAÇÃO E À TEORIA DA EVOLUÇÃO




Estão já próximo à Páscoa e a comemoração anual do que é considerado facto histórico: a ressurreição a ascensão de Cristo aos céus. Um incontável número de milhões de pessoas comemoraram de uma forma ou de outra essa ocasião ao longo dos séculos. Vidas privadas misturaram-se com comoção pública e fervor religioso. Existiram incontáveis festivais de aldeia, ou reuniões familiares íntimas, e serviços religiosos realizados aos Domingos de Páscoa agora esquecidos. Travaram-se guerras sangrentas pela mesma razão, e fizeram-se perseguições privadas em que aqueles que não concordavam com os dogmas de uma ou de outra religião eram simplesmente eliminados “pelo bem das suas almas.”

Deram-se renascimentos e regenerações espirituais – assim como matanças medonhas, em resultado do significado da Páscoa. Com respeito a isso o sangue e a carne foram come feito tocados, e vidas mudadas. Todas essas religiões e estruturas políticas que certamente reconhecem como válidas, que decorreram do “evento da ascensão de Cristo,” existiram - e ainda existem – por causa de uma ideia. Tal ideia resultar de um acto espectacular da imaginação que então saltou para o panorama histórico, realçando todos os eventos do tempo, de modo que foram realmente iluminados com uma luz abençoada e sobrenatural.

A ideia da sobrevivência à morte não era nova. A ideia de um deus que “descesse” à terra era antiga. Porém, os velhos mitos religiosos adaptaram-se a um tipo de gente diferente e duraram tantos séculos no passado quanto o Cristianismo atingiu no futuro. A fusão miraculosa de imaginação e tempo histórico, contudo, tornou-se cada vez menos sincronizada, de forma que apenas os mitos permaneceram e os velhos deuses deixaram de captar a imaginação. O tempo estava maduro para o Cristianismo. Por o homem não ter compreendido as características do mundo da imaginação ele sempre tinha insistido até então em transformar os seus mitos em factos históricos, por considerar que só o mundo dos factos era real. Um homem literalmente de carne e osso, precisa assim provar para além de toda a dúvida que todo ser humano sobrevive à morte – morrendo, evidentemente, e depois elevando-se, de modo a ser fisicamente percebido, aos céus. Mas todo homem sobrevive à morte, assim como toda mulher, porém, só uma espécie de mentalidade literal insistiria na morte física de um homem-deus como “prova do pudim.”

Uma vez mais, o Cristo não foi crucificado. O Cristo histórico conforme o concebem, foi um homem iluminado por realidades psíquicas, tocado pela compreensão infinita de que todo indivíduo era, em virtude da sua própria existência, um contacto entre Tudo Quanto Existe e o género humano. Cristo viu que em cada pessoa se reunia o divino e o humano – e que o homem sobrevivia à morte em virtude da existência que tinha no divino. Sem excepção, todos os horrores ligados ao nome do Cristianismo resultaram de terem seguido a letra em vez do espírito da lei, ou de terem insistido nas interpretações literais – enquanto os conceitos espirituais e imaginativos subjacentes foram ignorados.

De novo, o homem dirige a sua existência pelo uso da imaginação – um feito que não o distingue dos animais. Aquilo que reúne os homens ou os separa é o poder da ideia e a força da imaginação. Patriotismo, lealdade à família, afiliação política – as ideias que repousam por trás possuem as maiores aplicações práticas no vosso mundo. Vocês projectam-se no tempo qual crianças ao imaginarem livremente o seu crescimento, e tingem de imediato a experiência física e a própria natureza com os matizes dos vossos próprios processos imaginativos. A menos que pensem de forma consistente – e com profundidade – a importância da imaginação escapar-lhes-á, mas ainda assim ela forma o mundo que vocês experimentam e o mundo da massa em que vivem.

A teoria da evolução, por exemplo, constitui uma idealização imaginativa, no entanto pela sua luz agora certas gerações passaram a encarar o seu mundo. Não é somente que pensem em vós próprios de forma diferente, mas que na verdade experimentam um tipo de eu diferente. As vossas instituições alteram os seus aspectos de acordo, de modo a que a experiência se encaixe nas crenças que têm acerca dela. Vocês comportam-se de determinados modos. Encaram todo o universo de um modo que não existia antes, de modo que a imaginação e a crença lhes estruturam, de forma intangível, a experiência subjectiva e as circunstâncias objectivas.

Em todas as outras elaborações imaginativas, por exemplo, quaisquer que fossem os méritos e desvantagens que tenham tido, o homem sentia ser parte de um plano. O planificador poderia ser Deus, ou a própria natureza, ou o homem inserido na natureza ou a natureza inserida no homem. Tanto poderiam existir múltiplos deuses como um só, mas o universo tinha um sentido. Até mesmo a ideia do destino dava ao homem algo contra o que agir, e despertava-o para a acção.

A ideia de um universo sem sentido, contudo, constitui em si mesma um acto imaginativo altamente criativo. Os animais, por exemplo, não poderiam imaginar tal idiotice, pelo que a teoria revela a incrível realização de uma mente e de um intelecto obviamente ordenados que se consegue imaginar como o resultado da ausência de ordem, ou caos – têm uma criatura que é capaz de “mapear” o seu próprio cérebro, e de imaginar que a fantástica ordem regulada do cérebro pudesse emergir de uma realidade que em si mesma não possuísse sentido. Na realidade a teoria diz que o universo ordenado emergiu coo que por magia – e os evolucionistas precisam certamente crer num Deus do Acaso algures, ou na Coincidência, porque caso contrário as suas teorias não fariam qualquer sentido.

O mundo da imaginação constitui realmente o contacto que estabelecem com a vossa própria fonte. As características que possui são as que mais se aproximam daquelas do Subliminal (Framework 2) a que presentemente podem fazer face. A experiência que fazem da história, dos dias da vossa vida, é invisivelmente formada por aquelas ideias que só têm existência na imaginação, que subsequentemente são projectadas no mundo físico. Isso aplica-se às crenças individuais que têm sobre vós próprios do mesmo modo que à maneira como se veem a vós próprios na vossa imaginação. Vocês estão a travar guerras entre Judeus, Árabes e Cristãos, uma vez mais, por darem ênfase às interpretações literais das verdades espirituais.

Em cada pessoa, o mundo imaginativo, a sua força e o seu poder, funde-se com a realidade histórica. Em cada um, o derradeiro, inatacável e inextinguível poder do Tudo Quanto Existe é individualizado e habita no tempo. A imaginação do homem pode transportá-lo a outros reinos – mas quando ele procura espremer essas verdades em enquadramentos demasiado estreitos, ele distorce e desvia as realidades interiores de modo que acabam por se tornar dogmas recortados.

O último surto fundamentalista da religião surgiu como réplica violenta contra as teorias da evolução, pelo que dispõem de um excesso de compensação, por no mundo de Darwin não existirem sentido nem leis. Não existiam padrões de bem certo nem de errado de modo que vastas porções da população se sentirem desenraizadas.

Os fundamentalistas regressaram a uma religião autoritária em que até o menor acto deve ser regulado. Eles deram liberdade, e estão a dar liberdade, às emoções, e assim estão a rebelar-se contra o intelectualismo científico. Eles voltarão a ver o mundo em termos de preto e branco, dotado de bem e de mal claramente delineados no mais simplista dos termos e assim escaparão a um universo escorregadio e temático, em que os sentimentos do homem parecem não lhe dar qualquer apoio.

Infelizmente, os fundamentalistas aceitaram as interpretações literais de realidades intuitivas de tal modo que mais Estreiteceram os canais através dos quais as suas faculdades psíquicas podiam florescer. A estrutura fundamentalista, neste período actual de tempo, não possui a riqueza, a despeito do fervor que denuncie – como, por exemplo, o Cristianismo teve no passado, com os seus inúmeros santos. Possui, ao invés, uma veia puritana e fanática, de carácter peculiar Americano, e restritivo em vez de expansivo, por os surtos de emoção serem altamente estruturados – ou seja, as emoções acham-se limitadas na maioria das áreas da vida, e permitiram apenas uma explosão religiosa sob determinadas condições, quando não se revelam tão espontaneamente expressas quanto subitamente libertas da represa da repressão do costume.

A imaginação sempre busca a expressão. É sempre criativa, e sob as estruturas da sociedade fornece frescos incentivos e novas vias para a realização, que podem ser aproveitadas or meio da crença fanática. Quando isso sucede as vossas instituições tornam-se mais repressivas e a violência muita vez emerge em resultado. Se buscam sinais da vingança de Deus encontrá-la-ão por toda a parte. Uma avalanche ou uma inundação ou um terramoto não será visto como um acto da criatividade natural da terra, mas em vez disso como uma punição de Deus, devida ao pecado.

Na evolução a natureza do homem é amoral, e tudo vale em função da sobrevivência. Não há qualquer possibilidade de sobrevivência espiritual na medida do que diz respeito à maioria dos evolucionistas. Os fundamentalistas preferirão acreditar na natureza inata de pecado do homem, por pelo menos a sua crença lhes fornecer uma estrutura em que ele pode ser salvo. A mensagem de Cristo foi a de que cada indivíduo era inerentemente bom, e constitui uma porção individualizada do divino – no entanto uma civilização baseada nesse preceito nunca foi tentada. As vastas estruturas sociais do Cristianismo basearam-se em vez disso na natureza “pecaminosa” do homem – não nas organizações nem nas estruturas que lhe possam permitir tornar-se bom, ou obter o bem que Cristo claramente percebeu que o homem já possuía.

Parece quase um sacrilégio dizer que o homem seja bom, onde por toda a parte se deparam com contradições, por muitas vezes o homem parecer certamente que age como se os seus motivos fossem os de um assassino nato. Foi-lhes incutido que não devem acreditar no próprio tecido do vosso ser. Não podem esperar agir racionalmente ou de forma altruísta por forma consistente nenhuma se acreditarem que sejam automaticamente degradados, ou que a vossa natureza seja tão falha que tal desempenho seja pouco característico.

Vocês são parte da natureza que aprendeu a fazer escolhas, uma parte da natureza que natural e automaticamente produz sonhos e crenças em relação às quais vocês então organizam a vossa realidade. Há muitos resultados de que não gostam, mas vocês possuem um tipo de consciência único, em que cada indivíduo tem mão na formação geral de uma realidade mundial, e vocês participam a um nível da existência em que estão a aprender como transformar o domínio imaginativo das probabilidades num mais ou menos mundo específico, fisicamente experimentado.

De certo modo vocês escolhem de entre uma infinidade, um interminável número incalculável de ideias, e esculpem-nas nos fragmentos físicos que compõem a experiência normal. Vocês fazem isso de tal modo que os eventos intemporais são experimentados no tempo, de modo que se misturam e fundem a fim de se conformarem às dimensões da vossa realidade. Ao longo do caminho, há realizações que são tão preciosas quanto quaisquer criaturas de qualquer tipo poderiam produzir. Há igualmente enormes falhas – só que essas são falhas somente em comparação com o resplendor do conhecimento interior da imaginação que lhes reserva aqueles ideais contra os quais vocês julgam os vossos actos. Tais ideais acham-se presentes em todo indivíduo. São inclinações naturais para o crescimento e a realização.


Seth, sessão 829

Traduzido por Amadeu António


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