domingo, 15 de janeiro de 2017

A PSIQUE E O CONHECIMENTO DIRECTO



A ASSOCIAÇÃO, AS EMOÇÕES

E TODO UM QUADRO DE REFERÊNCIAS DIVERSO




Vocês normalmente organizam a vossa experiência em termos de tempo. Contudo, o vosso fluxo habitual de consciência é do mesmo modo altamente associativo. Certos eventos presentes recordar-lhes-ão passados, por exemplo, e por vezes as recordações que têm do passado tingem acontecimentos actuais.
Associação ou não, em termos físicos recordarão acontecimentos tidos no tempo, com os instantes presentes a seguir de perto os acontecimentos passados. No entanto, a psique lida em larga escala com processos associativos, ao organizar os acontecimentos por meio da associação. O tempo como tal pouco sentido tem nesse quadro. As associações são ligadas, por assim dizer, pela experiência emocional. Em grande medida as emoções desafiam o tempo.
Quando estão em contacto com a vossa psique experimentam um conhecimento directo. E conhecimento directo é compreensão. Quando sonham, experimentam um conhecimento directo sobre vós próprios e em relação ao mundo. Compreendem o vosso próprio ser de uma forma diferente. Quando leem um livro, experimentam um conhecimento indirecto que tanto poderá ou não conduzir à compreensão. Mas a compreensão existe quer disponham ou não das palavras – ou mesmo das ideias – por que as expressar. Poderão compreender o significado do sonho sem o entenderem em termos verbais. Os vossos pensamentos comuns poderão vacilar, ou escorregar e deslizar ao redor da vossa compreensão íntima e nunca chegarem a conseguir expressá-la.
Os sonhos lidam com associações e com validações emocionais que muita vez não parecem fazer sentido no mundo de todos os dias. Já lhes afirmei antes que ninguém lhes poderá dar uma definição da psique, por precisar ser experimentada. Já que as suas actividades, sabedoria e percepção brotam em larga escala de um outro tipo de referência, então necessitam com frequência interpretar o encontro que fazem com a psique para o vosso eu habitual. Uma das mais significativas dificuldades aqui tem que ver com a questão da organização. Na vida habitual, vós organizais a vossa experiência com muita ordem e forçam-na nos padrões ou canais aceites e nas ideias e crenças preconcebidas. Vocês adaptam-na às consequências do tempo.
Uma vez mais: A organização da psique não obedece a tal predisposição adquirida. O seu produto pode muitas vezes parecer caótico simplesmente por se derramar sobre as ideias aceites que têm com respeito ao que a experiência seja. Já tentei (em Seth Speaks) descrever certas extensões da vossa própria realidade em termos que os meus leitores pudessem entender. No Natureza da Realidade Pessoal procurei alargar os limites práticos da existência individual conforme é geralmente experimentada. Tentei dar ao leitor insinuações que incrementariam o gozo prático, espiritual e físico, assim como a realização, na vida diária. Esses livros foram ditados por mim num estilo narrativo mais ou menos directo. No livro Unknown Reality fui mais longe e mostrei como a experiência da psique se derrama para fora, à luz do dia, por assim dizer. Espero que nesse livro o leitor tenha podido perceber, pelo meu ditado e através das experiências do Ruburt (Jane) e do Joseph as dimensões maiores que tocam o viver comum, e pressentido a magia que a psique possui. O livro requereu muito mais trabalho da parte do Joseph, mas o esforço adicional que fez demonstrou que os eventos da psique são muito difíceis de situar no tempo.
Segundo parece a sua acção estende-se em todas as direcções. Poderá ser mais fácil dizer, por exemplo “Este ou aquele acontecimento teve início em tal data, e terminou mais tarde, em tal data.” Mas com o Joseph adicionou umas notas, tornou-se evidente que certos eventos dificilmente poderiam ser situados e na realidade parecem não ter começo nem fim. Mas por ligarem de forma tão directa a vossa experiência ao tempo, dificilmente se permitem alguma experiência, à excepção dos sonhos, que parecem desafiá-lo. Portanto, as ideias que têm da psique limitam-lhes a experiência que fazem dela. Com respeito a isso o Ruburt é muito mais indulgente do que a maioria dos meus leitores. Mas ainda assim, ele muitas vezes espera que as suas experiências pouco ortodoxas surjam num tipo de roupagem ordenada com que todos estejam familiarizados. Na nossa última sessão (ver a publicação A Psique do Estado de Sono Acha-se Desperta) eu atribuí o título a este capítulo, ao mencionar as emoções e a associação; bem como o facto de a psique precisar ser directamente experimentada. Desde essa altura não ditei qualquer outra sessão, até esta noite. Entretanto, o Ruburt tem vindo a experimentar dimensões da psique novas para ele. Não lhe ocorreu que essas experiências tivessem algo que ver com este livro, ou que ao agir de forma assim tão espontânea ele estivesse a seguir algum tipo de ordem interior. Ele queria que estas páginas seguissem ordenadamente umas às outras. Cada uma das experiências que fez, contudo, demonstraram o modo como as experiências directas da psique desafiam os conceitos prosaicos que têm do tempo, da realidade, e da ordem sequencial dos acontecimentos. Elas também serviram para apontar as diferenças existentes entre o conhecimento e a compreensão, e para enfatizar a importância do desejo e das emoções.
De certo modo, claro está, como a minha própria experiência se acha divorciada da dos meus leitores e esta informação (Material Seth) é peneirada por intermédio da experiência do Ruburt, são capazes de ver o modo como se aplica à existência que presentemente levam. As experiências mais recentes do Ruburt são de particular importância, já que implicitamente vão contra muitas das crenças fundamentais geralmente aceites. Usaremos estes últimos episódios como oportunidade de discutir a presença de um conhecimento que parece ser extra relativamente ao normal – disponível, só que geralmente permanece intocado. Descreveremos o que as despoleta e poderão tornar essa informação prática, ou conduzi-la a um âmbito prático.
Antes de mais, há vários aspectos que quero salientar. Vocês nascem com tendência para a linguagem, e ela é implícita à vossa estrutura física. Nascem com a tendência para aprender e explorar. Quando são concebidos, já trazem um padrão completo do vosso corpo físico desenvolvido – um padrão que é definido o suficiente para lhes dar o tipo reconhecível de forma de adulto, enquanto permanece variável o suficiente para lhes permitir literalmente infinitas variações. Contudo, seria idiotice da vossa parte afirmar que tenham sido forçados a tornar-se adultos. Por um lado, podiam interromper o processo em qualquer altura – e muitos fazem-no. Por outras palavras, por o padrão de desenvolvimento existir, nos vossos termos, isso não quer dizer que cada desenvolvimento desses não seja único. Uma vez mais nos vossos termos, pois, muitos desses padrões existem a qualquer momento. Em aspectos mais significativos, porém, o tempo é todo simultâneo, e tais padrões físicos existem ao mesmo tempo.
Nas áreas físicas, todos os padrões para o conhecimento, as culturas, as civilizações, as conquistas pessoais e de massas, as ciências, as religiões, as tecnologias e as artes têm uma existência idêntica. A psique privada, a parte de vós que vocês não reconhecem, tem consciência desses padrões do mesmo modo que tem consciência dos padrões biológicos físicos com base nos quais formam a vossa imagem. Certas tendências, inclinações e probabilidades, acham-se pois presentes na vossa estrutura biológica, para ser despoletadas ou não, de acordo com os objectivos e intenções que tiverem. Pessoalmente poderão ter a capacidade de ser óptimos atletas, por exemplo, e ainda assim as tendências e intenções que tiverem poderão levá-los em direcções opostas, de modo que os necessários factores de desencadeamento não são accionados. Cada um é dotado de modo variado. Os desejos ou crenças que ele ou ela tenham activam certas capacidades e ignoram outras.
A espécie humana comporta todo o conhecimento, informação e dados que possivelmente possa requerer sob toda e qualquer condição. Contudo, tal herança precisa ser accionada psiquicamente por meio do desejo e da intenção. O que não quer dizer que aprendam o que em termos mais amplos já conheçam, tal como desenvolvem, por exemplo, uma competência. Sem o desejo a desencadeá-la, essa habilidade nunca chega a ser desenvolvida; mas mesmo quando cultivam uma habilidade, vocês utilizam-na no âmbito do vosso modo único. Ainda assim, o conhecimento das matemáticas e das artes acha-se tanto dentro de vós quanto os genes que carregam. Contudo, geralmente acreditam que toda essa informação deva provir de fora. Certas fórmulas matemáticas não se acham impressas no vosso cérebro, no entanto são inerentes à estrutura do cérebro e implícitas à existência. Aquilo em que se concentrarem determina a informação que passará a ficar ao vosso dispor. E aqui vou-lhes traçar um exemplo. Ruburt pinta por passatempo, e por vezes pinta durante longos períodos de tempo, e depois esquece o negócio. Joseph é um artista. Ruburt tem sentido curiosidade em relação aos conteúdos da mente, curiosidade quanto à informação que tem ao seu dispor. As férias de Natal estavam a aproximar-se, e ele perguntou ao Joseph o que gostaria de ter de presente, e o Joseph respondeu mais ou menos: “Um livro sobre o Cézanne.”
O amor que Ruburt sente por Joseph, os seus objectivos, e as suas crescentes interrogações, mais o interesse que sente pela pintura em geral, despoletou justamente o tipo de estímulo que rompeu com as crenças convencionais sobre o tempo e o conhecimento. Ruburt voltou-se para a “mundivisão” de Cézanne. Não entrou propriamente em contacto com Cézanne, mas com a compreensão que Cézanne tinha da pintura enquanto arte. Ruburt não tem suficiente fluência em termos técnicos para seguir as instruções do Cézanne. Já o Joseph tem quanto baste, mas não quereria seguir a visão alheia. Contudo, a informação é extremamente válida, e desse modo dispõe de conhecimento sobre todo o tipo de assuntos – só que é alcançado por meio do desejo e da intenção. Isso não significa que qualquer pessoa, espontaneamente, possa subitamente tornar-se num grande artista, escritor ou cientista. Quer, pelo contrário, dizer que a espécie possui em si mesma aquelas tendências que hão-de florescer. Também quer dizer que limitais o alcance do vosso conhecimento ao não tirar partido de tais métodos. Tão pouco quer dizer que nos vossos termos todo o conhecimento já exista, por o conhecimento automaticamente se tornar individualizado assim que o recebem, e portanto, novo. O vosso desejo automaticamente atrairá o tipo de informação que requerem, embora possam ter ou não consciência disso.
Se forem dotados, e quiserem tornar-se músicos, por exemplo, então poderão literalmente aprender enquanto dormem, ao sintonizarem as mundivisões de outros músicos, tanto vivos quanto mortos, nos vossos termos. Quando se encontram despertos, recebem insinuações íntimas, a incitá-los ou a inspirá-los. Poderão precisar praticar, mas a vossa prática será em grande medida uma prática de alegria, e não durará tanto quanto poderá exigir a outros. A recepção de tal informação propicia a destreza e opera basicamente fora das sequências do tempo.
O material de Cézanne de Ruburt vem, pois, muito rápido, ocupando uma pequena porção do dia. Contudo, a sua qualidade é tal que os críticos profissionais de arte podiam colher benefícios dele, embora algumas das suas produções pudessem exigir períodos mais longos de tempo, e resultar de um conhecimento consciente extenso da arte, coisa de que Ruburt carece por completo. As produções da psique pela sua própria natureza rompem com muitas das mais acalentadas crenças. Parece quase heresia supor que tal conhecimento esteja ao dispor, porque nesse caso para que servirá a educação? No entanto, a educação deveria servir para introduzir o estudante em tantos campos de trabalho quantos possíveis, de modo que ele ou ela reconheça aqueles que sirvam de estímulos naturais, que abram as capacidades ou promovam o desenvolvimento. Então, o estudante escolherá. O material de Cézanne é do passado, no entanto o conhecimento futuro é igualmente acessível. Existem, claro está, futuros prováveis, do ponto de vista do vosso passado. Informação futura encontra-se teoricamente ao dispor, tal como o padrão de desenvolvimento “futuro” do corpo se encontrava quando nasceram – e isso certamente era prático.
Existem, pois, outras formas de receber informação para além daquelas que tomam como certas. Também existem outros tipos de conhecimento, que se prendem com organizações com que geralmente não estão familiarizados. Não se trata, pois, da mera questão de aprender novos métodos de aquisição de conhecimento, mas da situação em que velhos métodos devem momentaneamente ser postos de lado – junto com o tipo de conhecimento que lhes esteja associado. Tão pouco é questão de uma ou de outra categoria de conhecimento, por existirem inúmeras outras categorias, muitas das quais biologicamente ao vosso alcance. Diversas das designadas tradições esotéricas proporcionam-lhes certos métodos que permite que o indivíduo ponha de lado modos de percepção aceites, e oferecem padrões que podem ser usados como receptáculos desses outros tipos de conhecimento. Porém, até esses mesmos receptáculos precisam moldar necessariamente a informação recebida. Certos desses métodos são muito vantajosos, no entanto também se tornaram demasiado rígidos e autocráticos, e deixam muito pouco espaço a divergências. Os dogmas são, pois, estabelecidos em torno deles de modo que somente um certo corpo de dados seja considerado aceitável. Os sistemas não mais têm a flexibilidade que originalmente lhes tenha dado origem.
O tipo de conhecimento de que dependem requer verbalização. Torna-se-lhes muito difícil considerar a acumulação de qualquer tipo de conhecimento sem a utilização da linguagem conforme vocês a entendem. Até mesmo os sonhos que recordam são idealizações muitas vezes verbalizadas. Vocês podem igualmente utilizar imagens, mas essas são imagens familiares, nascidas das percepções qualificadas e por isso preconceituosas. Aqueles sonhos que são recordados possuem sentido e são muito válidos, mas já se foram organizados para vós, até certa medida; e moldados de forma que consigam reconhecer mais ou menos.
Abaixo desses níveis, porém, vocês abrangem eventos de um modo completamente diferente. Todas essas compreensões são então em integradas até mesmo no estado do sonho, e traduzidas nos termos do senso comum. Qualquer informação ou conhecimento precisa ter um padrão se quiserem chegar a compreendê-la. Os próprios quadros do Ruburt, o conhecimento que ele tem das faculdades psíquicas que possui, o amor que nutre pelo Joseph – tudo serviu para formar um padrão que atraiu o material Cézanne. Ele recebeu-o “automaticamente” anotando as palavras que sobrevieram quase demasiado rápido para ele acompanhar. O seu ofício ou arte deram ao material uma ênfase clara. A informação em si mesma, contudo, nada tem que ver com as palavras, mas com uma compreensão global da natureza da pintura, um conhecimento directo.
Ruburt utilizou, pois, os seus dons como um receptáculo. Esse tipo de conhecimento directo acha-se disponível, sob qualquer assunto, a todos quantos estabeleçam um padrão adequado por meio do desejo, do amor, da intenção ou da crença. Mais tarde Ruburt interrogou-se se eu sonharia. O meu estado de consciência habitual é muito diferente do vosso. Eu não alterno entre o estado de vigília e o sono conforme vocês fazem. Ainda assim, tenho estados de consciência que poderiam ser comparados ao vosso estado de sonho, por eu próprio não me achar tão envolvido neles como me encontro com outros. Se eu lhes dissesse: “Eu controlo o meu estado de sonhar,” poderiam ter uma ideia do que eu digo. No entanto, não controlo os sonhos que tenho – eu satisfaço-os. O que poderiam chamar ao meu estado de sonho acha-se envolvido com os níveis que disse que existem abaixo dos sonhos que recordam.
Eu disse anteriormente que há muitos tipos de conhecimento. Pensem neles em vez disso como estados de conhecimento. A percepção de qualquer deles leva a uma sintonia de consciência com cada um. Na minha condição “desperta,” eu opero em muitos níveis de consciência ao mesmo tempo, e consequentemente lido com diferentes sistemas de conhecimento. Na minha condição de “sonho,” ou antes condições, formo elos de consciência que combinam esses diversos sistemas e os molda criativamente em novas versões. No “estado de vigília, uma vez mais, tomo consciência criativamente dessas actividades, e utilizo-as para as adicionar às dimensões do meu estado habitual, enquanto expando criativamente a experiência que faço da realidade. Aquilo que eu aprendo é transmitido automaticamente a outros como eu, e o conhecimento deles é-me transmitido a mim. Cada um de nós é conscientemente conhecedor dessas transmissões. Nos termos habitualmente usuais para vós, pensam em “mente consciente.” Nesses termos, existem muitas mentes conscientes. No entanto, vocês são tão preconceituosos que ignoram informação de que lhes foi dito não poderem ter consciência. Por isso, toda a vossa experiência é organizada de acordo com as crenças que têm.
É muito mais natural recordar os sonhos que têm do que o inverso. Presentemente está em voga dizer que a mente consciente, conforme a consideram, lida com a sobrevivência. Ela só lida com a sobrevivência na medida em que promove a sobrevivência do vosso tipo de sociedade. Nesses termos, se recordassem os sonhos que têm, e se beneficiassem conscientemente desse conhecimento, até mesmo a vossa sobrevivência seria muito melhor assegurada.
Um nível da vida dos sonhos lida em particular com a condição biológica do corpo, e traça-lhes não só insinuações com respeito a dificuldades de saúde como quanto às razões delas e modos de as contornar. Informação sobre o futuro provável é também dada a fim de os ajudar a fazer escolhas conscientes. Porém, vocês condicionaram-se de que não podem ter consciência dos vossos sonhos, por interpretarem o termo “consciente” de modo a indicar-lhes somente o conceito preconcebido que têm. Em resultado, não dispõem de nenhuns padrões culturalmente aceites que lhes permitam fazer uso competente dos sonhos. Estados de transe, sonhar acordado, hipnotismo – tudo isso lhes dá sugestões das diversas diferenças que se podem verificar do ponto de vista da consciência desperta. Em cada um deles, a realidade surge de outra forma, e nesse sentido, são diferentes as regras que se aplicam. No estado de sonho diferentes regras se aplicam. No estado do sonho ocorrem variações bem maiores. A chave para o estado de sono, contudo, reside no estado desperto, no que lhes diz respeito. Precisam mudar as ideias que têm do sonhar, alterar os conceitos que dele fazem, antes de poderem começar a explorá-lo. Caso contrário o preconceito do vosso estado de vigília fechar-lhes-á a porta. Tal como se encontram, vocês expressam muito pouco da vossa pessoa inteira.
A observação que fiz nada tem que ver com os conceitos aceites das porções inconscientes do Eu. As ideias que têm do inconsciente estão tão ligados às ideias limitadas que têm da pessoa que chegam a ser insignificantes para este debate. É como se vocês apenas usassem um dedo na mão, e depois dissessem: “Esta é a expressão apropriada da minha pessoa.” Não é só que a mente possua outras funções, que não usa, mas nesses termos vocês possuem outras mentes. Vocês possuem um cérebro, é verdade, porém, só permitem que ele utilize uma estação, ou identificar-se com apenas uma mente de entre muitas. Parece-lhes evidente que uma pessoa possua uma mente. Vocês identificam-se com a mente que utilizam. Se tivessem outra, então pareceria que se tivessem tornado noutra pessoa. A mente constitui um padrão psíquico por meio do qual vocês interpretam e formam a realidade. Vocês possuem membros físicos que podem ver. Possuem mentes que são invisíveis. Cada uma pode organizar a realidade por diferentes formas. Cada uma lida com o seu próprio tipo de conhecimento.
Essas mentes operam todas juntas para os manter vivos por meio da estrutura física do cérebro. Quando vocês utilizam todas essas mentes, então e somente então se tornam plenamente conscientes do que os rodeia; percebem a realidade de modo mais claro do que actualmente, de modo mais acentuado, brilhante, e de modo mais conciso. Ao mesmo tempo, porém, compreendem-na directamente. Compreendem o que se acha afastado da percepção física que têm dela. Aceitam como vós próprios aqueles outros estados de consciência inerentes às vossas outras mentes. Alcançam uma verdadeira pessoalidade.
Em termos históricos, algumas das raças ancestrais alcançaram tais objectivos, mas nos vossos termos, foi há tanto tempo que não encontram provas do seu conhecimento. Ao longo dos séculos vários foram os indivíduos que surgiram, no entanto não dispunham de veículo de exposição que tivesse habilitado os membros da espécie a compreendê-los. Possuíam métodos, porém esses métodos pressupunham ou necessitavam de um conhecimento que os outros não possuíam.
O sonho que Ruburt teve a noite passada e quase esqueceu representa uma inovação, por ele ter permanecido pelo menos consciente de receber conhecimento por mais uma forma diferente. Ele não o conseguiu verbalizar, nem tão pouco dispunha de um padrão adequado para o conter. No entanto recebeu-o. A última pintura que fez não foi coincidência, por ele estar a lidar com informação não-verbal, e a organizar os dados de outro modo, e assim estar a activar outras “porções” da mente. O material Cézanne, o sonho e a pintura, são tudo expressões de um outro tipo de percepção. As experiências que fizeram juntos na biblioteca (A jane descreve a “Biblioteca Psíquica” no livro Psychic Politics) ajudou a armar o palco, do mesmo modo que tu contribuíste com o teu encorajamento. Tudo isso auxiliará Ruburt rumo a uma compreensão não-verbal que, noutro nível, reorganizará algumas das crenças que tem. Esse tipo de percepção não pode ser descrito até que forme padrões verbais adequados que só podem advir de uma experiência adicional. Nisso, eu represento um critério (padrão). Ele acelera mentalmente até determinado grau e isso coloca-o em contacto comigo – uma fonte adicional de energia. Ele activa determinadas porções do cérebro que o ligam a outra mente, que as pessoas ainda não percebem possuir.
Vocês experimentam a vossa vivência de certo modo pela rama, por assim dizer, de modo que para tirarem partido da informação noutros níveis de consciência, precisam aprender a experimentar esses outros sistemas de organização com que habitualmente não se acham familiarizados. Muita vez a aparente carência de sentido dos sonhos resulta da vossa própria ignorância da simbologia e da organização dos sonhos. Por exemplo: podem igualmente interpretar erradamente material “revelador” por o tentarem estruturar com referência às vossas organizações conscientes comuns. Muitas percepções práticas de cariz intuitivo, que poderiam ser utilizadas, perdem-se. Vou, pois, sugerir, alguns exercícios de carácter simples que lhes permitam experimentar directamente “a sensação do vosso ser” de um modo diferente. Antes de mais, os vários tipos de organização usados pela psique podem ser comparados a um nível, pelo menos, dotado de diferentes artes. A música não é melhor do que as artes visuais, por exemplo. Uma escultura não se compara a uma nota musical. Não estou a querer dizer que um modo de organização seja melhor do que outro. Vocês simplesmente especializaram-se numa de muitas artes da consciência, e essa pode ser muito enriquecida pelo conhecimento e prática das outras.
Em primeiro lugar, esses outros níveis não lidam primordialmente com o tempo em absoluto, mas com as emoções e os processos associativos. Quando compreendem como as vossas associações operam, então encontrar-se-ão em muito melhor posição de interpretar os vossos próprios sonhos, por exemplo, e de finalmente fazer deles uma arte. Estes exercícios têm diversas abordagens. A ideia passa por experimentarem, tanto quanto possível, as emoções e os eventos fora das sequências de tempo.
Conforme eu mencionei diversas vezes, a compreensão celular lida com probabilidades e abrangem o futuro e o passado, pelo que nesse nível de actividade o tempo conforme vocês o entendem, não existe. No entanto, não têm consciência de tal informação. A psique – no outro lado da escala, por assim dizer – também é livre do tempo. Contudo, geralmente a vossa corrente de consciência leva-os a pensar em eventos fora da sua ordem do costume. Poderão receber uma carta da Tia Bessie, por exemplo. Numa questão de momentos ela poderá desencadear em vós memórias da vossa infância, pelo que muitas imagens mentais lhes acodem à mente. A vossa mente imagina se a vossa tia fará uma viagem antecipada à Europa no próximo ano, e tal ideia pode dar lugar a imagens de um futuro imaginável. Todos esses pensamentos e imagens serão coloridos pelas emoções associadas à carta, e a todos os eventos com que vós e a vossa tia estiveram envolvidos. Da próxima vez em que se acharem no meio de uma experiência semelhante, com as associações à rédea solta, deem mais atenção ao que estão a fazer. Procurem aperceber-se da mobilidade que envolve, e verão que os eventos não se estruturarão necessariamente de acordo com o tempo habitual, mas de acordo com o conteúdo emocional.
Ideias sobre o vosso próximo aniversário, por exemplo, poderão levá-los num instante a pensar em aniversários passados, e uma série de retractos de celebração pode trazer-lhes à mente o aniversário dos doze anos, ou dos sete, numa ordem única da vossa autoria. Tal ordem será determinada pelas associações emocionais – do mesmo tipo seguido pelo aspecto do sonho.
Que usaram no trabalho há três dias atrás? Que tomaram ao pequeno-almoço há uma semana? Quem se costumava sentar próximo a vós no jardim-de-infância? Qual foi a última coisa que os deixou assustados? Têm medo de dormir? Os vossos pais batiam-lhes? Que fizeram ontem depois do almoço? Que cor de sapatos usaram há três dias? Só recordam eventos ou detalhes significativos. As emoções desencadeiam-lhes as recordações, e estas organizam-lhes as associações. As vossas emoções são geradas pelas crenças que têm. Elas ligam-se a certas crenças e as emoções parecem quase sinónimos.
Da próxima vez que tiverem oportunidade, e reconhecerem a presença de uma razoavelmente forte emoção em vós, deixem que as vossas associações se escoem. Sobrevir-lhes-ão acontecimentos e imagens à mente num contexto livre de tempo. Alguns desses eventos recordados farão sentido, e perceberão com clareza a conexão existente entre a emoção e o evento, mas outros não se mostrarão tão óbvios. Experimentem os eventos com tanta clareza quanta conseguirem. Quando terminarem, alterem intencionalmente a sequência. Recordem um acontecimento, e a seguir sigam-no com a recordação de outro que na verdade tenha ocorrido antes. Finjam que o acontecimento futuro tenha sucedido antes do passado.
Agora um outro exercício. Imaginem um quadro muito grande, em que os eventos mais importantes da vossa vida sejam claramente retractados. Antes de mais, encarem-nos como uma série de cenas, arranjadas por pequenos quadrados, para serem vistos como, digamos, uma página de um livro de quadradinhos. Os acontecimentos precisam ter significado para vós. Caso a formatura escolar nada signifique, por exemplo, não a retractem. Façam com que o quadro comece pelo canto superior esquerdo e termine no canto inferior direito. Depois alterem-lhe por completo a sequência, de modo que os anteriores acontecimentos se situem no canto inferior direito. Assim que tiverem feito isso, interroguem-se acerca de qual das cenas evoca a reacção emocional mais forte. Digam a vós próprios que se tornará cada vez maior e a seguir vejam-na a alterar-se no tamanho. Isso envolve determinadas dinâmicas, pelo que cada cena atrairá igualmente elementos de outras cenas Permitam, pois, que essas cenas irrompam. O retracto principal atrairá elementos de todos os outros, até que acabem com um quadro completamente diferente – um feito de muitas das pequenas cenas, porém, unido numa forma completamente diferente. Porém, precisam praticar este exercício, porquanto ler simplesmente acerca dele não lhes trará a experiência que sobrevém do exercício efectivo. Façam-no diversas vezes.
Ora bem; concebam conscientemente um sonho. Digam a vós próprios que vão fazer isso, e comecem pelo primeiro pensamento ou imagem que lhes vier à mente. Assim que acabarem de sonhar acordados façam uso da associação livre para o interpretarem por vós próprios. Alguns de vós toparão com uma certa resistência nestes exercícios. Apreciarão a leitura deles, mas deparar-se-ão com todo o tipo de desculpas que os impeçam de os tentar praticar. Se forem sinceros, muitos de vós pressentirão uma relutância, por certas qualidades da consciência serem evocadas que vão contra a vossa experiência consciente do costume. Poderão sentir como se estivessem a fazer cruzamento de linhas, por assim dizer, ou a alongar músculos psíquicos vagamente pressentidos. O objectivo não assenta tanto no aperfeiçoamento da execução de tais exercícios mas em envolve-los num modo diferente de experiência e de consciência que chega a existir ao desempenharem das formas sugeridas. Foi-lhes dito para não misturarem, digamos, estados despertas com estados de sonho, para não sonharem acordados. Foi-lhes dito para focarem toda a vossa atenção com clareza, com ambição de forma energética num determinado modo – de modo que o devaneio, ou a mistura e a correspondência de modos de consciência parecem passivos de uma forma depreciativa, ou não activa, ou ociosa. “Quem nada tem que fazer acaba fazendo besteira” – reza um velho ditado Cristão.
Infelizmente, certos aspectos do Cristianismo foram realçados em vez de outros, e esse ditado baseava-se na crença de um aspecto pervertido do ser que precisava ser disciplinado e desviado para uma actividade construtiva. A crença num tal aspecto repelente impede muita gente de explorar o eu interno – e, por conseguinte, toda a experiencia directa que lhe traga uma evidência do contrário. Se tiverem receio de vós próprios, se recearem as vossas próprias lembranças, bloquearão os vossos processos associativos, temendo por exemplo que eles tragam à luz questões que melhor ficariam esquecidas – e geralmente questões sexuais.
A sexualidade constitui a única área intensa da energia a que algumas pessoas estão ligadas, de modo que se torna num ponto focal para todas as crenças que têm sobre si mesmos no geral. Ao praticarem alguns destes exercícios poderão deparar-se com imagens de masturbação, encontros homossexuais ou lésbicos, ou simples velhas fantasias sexuais e retroceder de imediato, por as vossas crenças poderem dizer-lhes que constituam um mal. Não recordarão, ou não quererão recordar, os vossos próprios sonhos pela mesma razão. Portanto, muita gente diz a si mesma que se encontra impaciente por descobrir a natureza e extensão da psique, e não consegue entender porque encontra tão pouco sucesso. Ao mesmo tempo, tais crenças convencem-nos de que o si mesmo seja um mal. Tais crenças precisam ser extirpadas, porquanto, se não conseguirem sinceramente encontrar as dimensões da natureza da vossa criatura, de certeza não conseguirão explorar as maiores dimensões da psique. Tal bloqueio das associações, contudo, constitui um elemento muito significativo que impede muita gente. As organizações da psique são mais vastas, e ao seu jeito mais racionais do que a maioria das crenças conscientes que têm sobre o si mesmos.
Muitos indivíduos receiam ser varridos por explorações íntimas, ou ser assaltados pela insanidade, quando ao invés a postura do corpo e da personalidade se acham firmemente enraizadas nessas organizações alternadas. Não há nada de errado com a mente consciente. Vocês apenas lhe colocaram uma tampa, permitindo que só seja consciente até determinado grau, e não mais. Vocês disseram: “Aqui é seguro ser consciente, e aqui não.”
Muitos de vocês acreditam que seja seguro armar uma arma nuclear, mas que seja insano usar os vossos sonhos como outro método de manipulação da vida diária; ou que não faz mal ter consciência dos vossos vírus, guerras e desastres, mas que já faz mal ter percepção consciente de outras porções do ser que poderiam resolver esses problemas. A ideia, pois, não assenta em aniquilar a consciência normal, mas em expandi-la literalmente trazendo a um enfoque outros níveis da realidade que possam efectivamente perceber e utilizar intrinsecamente. Eu vou sugerir muitos exercícios ao longo deste livro, alguns dos quais necessitarão de variações da consciência normal. Poderei pedir-lhes que esqueçam os estímulos físicos, ou sugerir que os amplifiquem, mas em parte alguma estou a afirmar que o modo de consciência que usam seja errado. É limitado, não por natureza, mas por força das vossas próprias crenças e práticas. Vocês não a conduziram suficientemente longe.
Uma noite destas, ao adormecerem, procurem dizer a vós próprios que fingirão estar acordados enquanto dormem. Sugiram que em vez de caírem no sono, atingirão um outro tipo de vigília. Procurem imaginar que estão despertos enquanto dormem. Noutras ocasiões quando forem para a cama, deitem-se e acomodem-se, mas ao adormecerem imaginem que estão a despertar na manhã seguinte. Não lhes direi o que procurar. A execução destes exercícios é importante – não os resultados em termos usuais.
Eu afirmei existirem diferentes tipos de conhecimento; assim, estes exercícios levá-los-ão a um contacto com o conhecimento de uma outra forma. Feitos ao longo de um período de tempo, eles abrirão modos alternativos de percepção, de modo a poderem ver a vossa experiência a partir de mais do que um ponto de vista. Isto significa que a vossa experiência mudará em si mesma em termos de qualidade. Por vezes quando estiverem despertos, e se mostrar conveniente, imaginem que a vossa presente experiência do momento constitua um sonho, e que é altamente simbólica. Depois procurem interpretá-la como tal. Que gente será aquela que englobava? Que representam? Caso essa experiência tenha sido um sonho, que significado teria? E em que tipo de vida desperta acordaram pela manhã?
As qualidades da consciência não podem ser elucidadas. Estes exercícios trazer-lhes-ão outros tipos de saber, e familiarizá-los-ão com diferentes sensações de consciência que não lhes são habituais. A vossa própria consciência terá uma sensação diferente à medida que os exercícios forem sendo feitos. Certas questões que vocês possam ter formulado poderão ser respondidas num estado desses, embora não por formas que possam antecipar, e tão pouco poderão traduzir as respostas em termos conhecidos. Contudo, os diferentes modos de consciência com que espero poder familiarizá-los não são estranhos. Eles são bastante nativos, nos estados de sonho, e acham-se sempre presentes enquanto alternativas abaixo da consciência do costume.
Vez por outra, quando forem a percorrer uma estrada qualquer, finjam que veem a mesma cena desde um avião no céu, em que se vejam incluídos. Noutra ocasião, ao se encontrarem sentados dentro da vossa casa, imaginem estar fora, no relvado ou na rua. Todos esses exercícios devem ser seguidos por um retorno ao presente: Foquem a vossa atenção fora no presente instante tão claramente quanto possível, deixando que os sons e vistas da condição física venham à vossa atenção. Os outros exercícios, de facto, resultarão numa imagem clara do mundo, por facilitarem o próprio movimento das vossas percepções, permitindo-lhes perceber nuances na situação física que antes lhes poderão ter escapado à atenção. Estarão a lidar com a experiência prática directa. De nada lhes servirá tomar simples consciência intelectual daquilo que digo, e em termos práticos ignorá-lo. Por isso, os exercícios serão importantes por lhes proporcionarem evidência das vossas capacidades mais significativas de percepção.
Continuem a confiar nos canais conhecidos da informação, porém, implementem-nos e comecem a explorar os que não são reconhecidos, que se encontram igualmente ao dispor. Que informação terá, por exemplo, presentemente passado desconhecida para vós próprios? Experimentem ter mão na previsão de eventos futuros. No começo, não fará mal se as vossas previsões sejam “verdadeiras.” Alongarão a vossa consciência a áreas geralmente não utilizadas. Não elevem essas predições a paradas muito elevadas, porque se o fizerem acabarão desapontados caso não ocorram, e encerrarão todo o processo. Se continuarem, de facto descobrirão que têm consciência de alguns eventos futuros, quando tal conhecimento não estiver disponível em termos habituais. Caso persistam, ao fim de um período de tempo descobrirão que se sairão muito bem em determinadas áreas, ao passo que noutras poderão falhar a valer. Haverão padrões associativos que seguirão com sucesso, que conduzirão a precognições “correctas.” Também descobrirão que as emoções se encontram altamente envolvidas em tais processos: perceberão informação que lhes seja significativa por uma razão qualquer. Tal significado actuará como um magneto, e atrairá essa informação a vós.
Agora, no curso normal dos acontecimentos vocês atraem experiência da mesma forma. Vocês antecipam acontecimentos. Vocês têm consciência deles antes que sucedam, quer tenham ou não alguma vez ter tido sucesso em prever coisas. No entanto vocês formam a vossa vida por meio da interacção íntima dos vossos próprios objectivos e crenças. Conquanto o vosso futuro possa ocasionalmente ser correctamente percebido antes do tempo, por parte de um psíquico dotado, o futuro é demasiado plástico para qualquer tipo de quadro sistematizado. O livre-arbítrio acha-se sempre envolvido. No entanto, muita gente sente-se apavorada com a recordação dos sonhos por recear que um sonho de desastre seja necessariamente seguido de um evento desastroso. A mobilidade da consciência fornece uma liberdade muito maior. De facto, tais sonhos podem em vez disso, ser usados para contornar tal probabilidade.
Apenas se compreenderem a vossa própria liberdade em tais áreas é que se permitirão explorar estados alternados de consciência, ou o ambiente dos sonhos. Tais exercícios não são para ser usados a fim de substituir o mundo que conhecem, mas para o suplementarem, para o completarem, ou para se permitirem perceber as suas verdadeiras dimensões. Não há necessidade de divorciar os estados de vigília do estado dos sonhos da forma particular em que actualmente opera – por eles serem estados complementares, e não opostos. Um bom bocado das dimensões normais da vida dependem da vossa experiência do sonho. Toda a familiaridade que tiverem com o mundo dos símbolos surge directamente do aspecto do ser que sonha.
Em termos mais vastos, a própria linguagem tem as suas raízes na condição do sonhar – e o homem sonhava que falava línguas muito antes da linguagem ter surgido. Ele sonhou em voar, e esse ímpeto conduziu-o às invenções físicas que tornaram o voo mecânico possível. Não falo aqui simbolicamente, mas literalmente. Desde o começo, eu disse que o ser não se confinava ao corpo, o que quer dizer que a consciência possui outros métodos de perceber a informação, que até mesmo na experiência da vida física não se confina ao que é pressentido em termos costumeiros. Porém, isso permanecerá uma excelente teoria, a menos que se permitam suficiente liberdade para experimentar outros modos de percepção.
(Seth – Capítulo 3 - Sessões 762 a 764 In The Nature of the Psyche,)
Traduzido por Amadeu António

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