terça-feira, 30 de agosto de 2016

HARMONIA


(continua)

Esta noite vamos falar de harmonia. E, vamos falar de poder em particular, de um poder que reside num vórtice da energia, num vórtice formado pela energia, de uma energia rotativa e espiralada, e através da harmonia ajudá-los a descobrir ajudá-los a começar a explorar, começar a compreender aquilo a que esse vórtice de poder se poderá assemelhar.

Foi-lhes dito que possuem um poder em vós. Muitos terão referido tratar-se de um poder enorme e grandioso, poder esse que reside dentro. Quer por intermédio das religiões tradicionais ou fundamentalistas ou das psicologias tradicionais, ou das filosofias, foi-lhes referenciado um poder e dito que esse poder reside dentro de vós. E uma das poucas áreas em que essas fontes tradicionais estão em acordo com as alternativas, com as filosofias alternativas, com as religiões alternativas através do sentido metafísico e da espiritualidade e das filosofias alternativas, que do mesmo modo são transmitidas quer pelos desajustados como pelos místicos, dá conta, de facto, de um poder que reside no vosso íntimo.

De facto alguns tê-lo-ão dito que estaja na cabeça e dito que se situa aí, enquanto outros vos dirão: “Não, não, é no vosso coração que reside.” Ao passo que outros, quantos porventura procuram estar em harmonia e ser equilibrados dirão situar-se na vossa imaginação, algures dentro de vós; algures desde a ponta dos vossos dedos dos pés, desde a ponta dos dedos das mãos até à ponta do vosso nariz, algures por aí.

Muitos apressam-se a dar-lhes conta de possuirem tal poder no interior e dizem-lhes situar-se aqui ou ali ou acolá, procurando apontar uma localização qualquer no corpo, mas muito poucos sentirão vontade ou sequer capacidade de os levar efectivamente a contactar esse poder, mas mesmo que sintam vontade, não parecem ser capazes ou ter vontade de o fazer. Mas, mais particularmente se não procurarem localizá-lo, nem ajudá-los a utilizá-lo, tão pouco lhes fornecerão a chave, a chave para destravar esse poder, para dar início a tal poder, para dar início a esse motor de energia que pode tornar-se tão poderosa e bela dentro de vós.

Neste ano da descoberta, que iniciamos com a consideração do medo e do modo como conquistá-lo, e da autopunição e como pôr-lhe termo, e em que também lidamos, junto com muitos de vós, com a cura, a fim de expandirem a imagem e a consciência que têm da cura e da doença, e a fim de expandirem as fronteiras para além das quais se deixaram penetrar previamente, a fim de trabalharem com a cura do corpo e do corpo e do espírito, e conforme trabalhamos com essas coisas neste ano de descoberta, é agora altura, de lhes fornecer a chave desse poder e de os auxiliar a aceder a esse poder e de começarem a compreender a beleza e o mistério inerente à chave desse vórtice de poder. Ajudá-los a começar a entender o mistério da harmonia, a fim de lhes expor a verosímil beleza e o convincente assombro que a harmonia possui.

A harmonia, é um termo que no vosso vernáculo, adquiriu um significado bastante passivo; é uma evasiva:

“Precisas de mais harmonia na tua vida,” não é?

Uma frase habitualmente proferida com um inclinar de cabeça e um certo sorriso e com um olhar distante:

“Precisas de harmonia.” (Proferido em tom de ironia)

Ao que respondem com um aceno afirmativo e um suspiro: "Claro..." Aceno afirmativo esse que de facto encobre um desconhecimento total daquilo de que esteja a falar, e um suspiro de alívio, por outra conversa sem sentido estar prestes a terminar. (Riso generalizado).

Vejam bem, existem certas palavras no vosso vocabulário metafísico, na vossa consciência social e na vossa realidade consensual que foram enganosamente neutralizadas, enganosamente tornadas nestes termos débeis e passivos que são para despistar. Uma, por exemplo, é a confiança. Já falamos disso antes, a confiança é um desses termos:

“Quando te encontras em dúvida, precisas confiar em ti, e isso não pode resultar mal porque toda a gente precisa confiar um pouco mais em si mesmo, e toda a gente beneficiará de um sentido mais grandioso de confiança.”

Só que isso tornou-se numa evasiva.

Agora, se realmente tiverem prestado atenção, já falei com alguns de vós que se interessam por aprender a confiar, alguns que têm bloqueios em torno da incapacidade ou da relutância ou do medo de confiar, e nesse sentido, sempre que ouvem proferir essa palavra a rejeitam com um:

“Oh, pois é, essa coisa da confiança de novo, não é? Pois é, eu não confio o suficiente em mim próprio, certamente...”

Só que jamais se detêm para olhar efectivamente a coisa, jamais chegam a fazer seja o que for com ela por ter sido tão diluída, tão desbastada e neutralizada e diluída que deixou de fazer sentido para a maioria de vós. Bom, se pudéssem deter-se por um momento, neste instante, e considerar tão só, ao que se haveria de assemelhar a vossa vida se confiássem completamente em vós... Se tivéssem inteira confiança em vós, e no que fazem e naquilo em que se estão a tornar; se tivéssem uma confiança completa em tudo o que ocorre na vossa vida neste instante e em tudo o que antecipam, se confiássem em todos os sonhos futuros, em todos os planos futuros, em todas as esperanças que tiveram e soubéssem que estavam a fazer a coisa acertada, e tivéssem esse sentido de compreensão – mesmo que não fossem perfeitos (o que nada tem que ver com a confiança) - saberíam que se cometêssem uma falta, se cometêssem um erro, se fracassássem de algum modo, haveriam de cair de pés juntos, e de tornar essa adversidade numa vantagem pessoal. Imaginem, ainda que por um instante, no que a vossa vida se tornaria; como se haveriam de sentir, como haveriam de agir, o que fariam, quanto da vossa vida é desperdiçada a encobrir e a defender-se e a negar, quanto da vossa energia é desperdiçada a fingir que confiam quando na realidade não confiam, quantas emoções e sentimentos e actos desperdiçam com tentativas de tornar-se perfeitos. A que se assemelharia a vossa vida?

Imaginem, ainda que por este instante:

“Como viria a minha vida a ser se confiasse em mim próprio cem por cento?”

E se considerassem isso veriam que a vossa vida viria a sofrer uma melhoria dramática, por se tornarem poderosos e centrados e por entrarem num estado de funcionamento de completo êxito. Haveriam de se amar por inteiro, haveriam de utilizar a vossa energia de modo elegante e eficaz e teriam uma relação bastante activa e dinâmica convosco próprios, com a vossa alma, com Deus e com a Deusa e com o Todo, seja qual for o nome que chamem ao supremo amor e à luz primordial, a essa Talidade ou Existência. 

Mas apesar disso a confiança é desvalorizada e diluída e tornada numa frase destinada a mudar de assunto. Bom, com a harmonia acontece o mesmo. A harmonia é uma frase que é proferida com demasiado à-vontade:

“Precisas tornar o teu viver mais harmonioso. Precisas ter mais paz e harmonia dentro de ti, necessitas de um sentido mais digno de harmonia.”

Isso soa meio desbotado, porque na verdade a harmonia, tal como a confiança, consiste numa das mais poderosas técnicas de que dispõem, numa das mais vigorosas técnicas que têm para manifestar a vossa realidade. Dispõem das “matérias-primas,” já as mencionamos muitas vezes, as matérias-primas compostas pelas vossas escolhas e decisões, os vossos pensamentos e sentimentos, as vossas atitudes e crenças. Têm as ferramentas da manifestação, de que similarmente falamos com frequência: A capacidade de sonhar a forma desejada ou a expectativa e a imaginação, as ferramentas com que cinzelam e esculpem a vossa realidade. A técnica é o modo com que utilizam essas ferramentas, para esculpir e cinzelar, moldar, formar a vossa realidade a partir dessas matérias-primas.

Na criação desta ilusão colectam essas matérias-primas e purificam-nas, de modo tão harmonioso e desafectado quanto possível, aprimoram os vossos utensílios e tornam-se hábeis no seu manuseio, e utilizam-nos de um modo particular, de um modo particular ou método de utilização dessas ferramentas e matérias-primas, modo esse que se chama técnica, e uma dessas técnicas consiste na confiança, enquanto a outra traduz-se pela harmonia.

Uma outra técnica consiste em funcionar em harmonia, em utilizar a chave, harmonia essa que consiste na chave que abre o poder. É um poder assombroso, o da harmonia; activo, dinâmico e vivo, e não um tipo qualquer plástico passivo e fracote; é vivo e vibrante. Possui força e energia, possui definição, que passa pela criação de harmonia, pelo funcionamento com base na harmonia; abrir-se para com os poderes básicos - e só existem quatro poderes básicos: O poder da liberdade, o poder da liberdade para descobrir na vossa realidade as fronteiras dentro dos quais possam funcionar com liberdade.

E descobrir, destrancar, utilizar, montar, edificar com base nesse poder da liberdade, requer harmonia. O poder de dar, o poder de ser capaz de dar, e com efeito o poder subjacente de receber, colateral, decorrente, mas poder de dar, é esse poder. E o poder de agir. E o poder da alegria e do contentamento, outro termo comummente desvalorizado e diluído na vossa realidade juntamente com a confiança e a harmonia: alegria.

Existem basicamente estes quatro poderes; não importa o que façam na vossa realidade, não importa o quanto demonstrem o poder que possuem, ele há-de encontrar enquadramento numa dessas quatro categorias: ou irá tornar-se num poder magnífico que lhes garanta liberdade, um poder que lhes permita dar mais ou agir, de modo mais definitivo ou decidido, ou de satisfazer um grandioso sentido de alegria. Não se importam com o modo como manifestam esse poder nem com a forma ou os moldes por que ele venha a enquadrar-se numa dessas categorias. Mas a chave para todos esses quatro poderes reside na harmonia.

De que modo descobrem a liberdade? De que modo descobrem essa acção, de que modo descobrirão a dádiva e a alegria? É através da harmonia. Por intermédio da harmonia que reside dentro de vós. Mas, a harmonia de quê? Para haver harmonia tem que existir algo com o que algo mais se harmonize, não é? Precisam existir pelo menos dois componentes. Não podemos alcançar a harmonia de forma isolada. Precisamos chegar à harmonia através da interacção. 

Vejam bem, é aqui que aqueles que se apressam a dizer-lhes que são Tudo O Que Existe, e que não existe mais nada, nenhuma outra força maior ou menor do que vós - de facto vós criais tudo, não discutimos isso, e até temos vindo a declarar exactamente isso, que vós criais tudo – mas na criação que geram enunciaram as regras que dizem que existem outros factores; vocês criaram-nos só que eles são reais. Existe uma força que é superior a vós, uma qualidade de ser que é mais do que o que vós próprios conheceis. Existe um eu próprio que é mais grandioso do que poderão apurar. Vocês não são tudo o que aparentam, porquanto além disso existe mais de vós do que podem compreender neste particular momento – o que de facto é estupendo. É reconfortante, não? (Riso) Vós criastes a vossa realidade mesmo que isso não soe lógico, e vocês exercem impacto. Vocês afectam. Vocês influenciam: uns aos outros, e no mundo ao vosso redor.

A vossa ilusão esbarra de encontro à outra ilusão, e as duas ilusões esbarram uma na outra; e o impacto liberta energia. Tal como no caso de dois átomos, tal como no caso de duas vibrações, em que se gera um impacto. Consequentemente, tanto poderão obter harmonia como dissonância. Podem obter harmonia por comportar mais do que o eu próprio apenas; se forem uma nota isolada como haverão de criar uma harmonia?

“Criamos harmonia com esse eu próprio que somos.”

Exactamente! É verdade. O que implica a existência de mais do que um, não será? Mas logicamente isso parece não fazer sentido:

“De que modo poderei criar tudo se existe mais do que eu?”

Por vocês terem criado com base num sistema ilógico. Criaram com base num sistema que não é lógico, que possibilita a existência do amor. Porque, vejam bem, caso se tratasse unicamente de vós, e vocês fossem as árvores e a terra e o céu, e fossem a pessoa que se situa atrás de vós e diante de vós e ao vosso lado, e fossem aquele que amam e aquele que odeiam, e fossem todas as coisas e nada além nem aquém disso, aí não existiria espaço para o amor. Mas se vocês, em meio a essa lógica admitirem o impacto do que não obedece à lógica, e admitirem:

Eu criei tudo e como tal concebi as regras, e uma dessas regras refere que eu exerço impacto sobre esta ilusão que criei do mesmo modo que ela exerce impacto em mim, e isso não me deixa receoso, não sinto receio em admitir que exerço impacto sobre o meu mundo e que ele exerce impacto sobre mim. Eu posso criá-lo, o que significa que isso pode exercer impacto sobre o mundo. Mas se exerço impacto então nesse caso existem um interior e um exterior, e existirão diferentes aspectos de mim, e eu posso criar uma harmonia - harmonia entre o quê? Entre a minha mente e o meu coração. Harmonia entre o que penso e o que sinto. Harmonia entre a minha mente e a minha alma. Harmonia entre aquilo em que me manifesto e o que realmente sou. Harmonia entre a minha mente e a minha alma.
Uma harmonia entre a natureza que accionam e a natureza que são. Harmonia entre o homem que todos são e a mulher, que todos são; entre a energia masculina que os compõem a todos e a energia feminina que os caracteriza a todos.

Agora, conforme debatemos esta tarde, torna-se fácil cair numa armadilha própria da adolescência, numa armadilha de adolescente: Quando mencionamos “feminino” subentendem que isso queira dizer que estamos a fazer menção à mulher – uma armadilha que subentenda peitos e vaginas, maquilhagens e perfumes. E quando mencionamos “masculino” subentendem que nos estejamos a referir ao homem, ao macho e aos músculos, e desse modo ao referimos os atributos da energia masculina, alguns de vós homens, pavoneiam-se imenso, orgulhosos:

“Pois é, somos nós; eu sou um deles.”

E quando falamos das virtudes e da beleza e das necessidades da energia feminina e das mulheres:

“Ah-ah. Bem te tinha dito. Eu sempre soube disso” (Riso)

E algumas de vós mulheres, quando faço menção à energia masculina, ficam todas zangadas:

“Pois é, não faz tanta falta, não é tão boa, etc.”

Sentindo-vos como se eu os estivesse a menosprezar, e a favorecer os homens. Mas de modo semelhante, quando falamos da energia feminina, alguns dos homens dão por si inquietos e numa posição um tanto desconfortável, como que atacados por um catarro súbito, e tossem, ao pensarem que estejamos a dizer que as mulheres sejam melhores que vós. Não, não estamos a referir-nos ao género. Mas é aí que o adolescente comete o erro; o adolescente comete o erro de presumir que o masculino e o feminino se orientem em termos de sexo: que o macho tenha uma orientação sexual e que a fêmea tenha uma orientação sexual, pensando:

“Como poderá uma pessoa ser demasiado masculina ou demasiado feminina?”

De facto não é assim, por vocês serem tão masculinos ou femininos quanto o são, mas isso é determinado pelo vosso sexo. Mas uma pessoa pode ser demasiado masculina ou demasiado feminina ou ter muito pouco feminilidade ou muito pouca masculinidade, e nós não estamos a falar de estimativas elaboradas com base em tais parâmetros ou bitolas. Quando falamos sobre a energia masculina não estamos a referir-nos aos órgãos sexuais. Mas o adolescente pensa que estejamos. Quando falamos da energia feminina não nos estamos a referir aos órgãos sexuais, mas o adolescente pensa que sim.

O que sugerimos é que dentro de cada um de vós existe uma energia masculina e uma energia feminina; que são tanto masculinos quanto femininos, o que não quer dizer que tenham ambos os órgãos sexuais. Vós sabeis bem disso. Tampouco estamos a sugerir que devam desenvolver o sexo contrário. (Riso) Nem sugerimos que devam alterar o modo de vestir que adoptam, nem a rigidez ou a falta de rigidez que apresentam nos pulsos ou em qualquer outro aspecto de firmeza que presumam (riso) enquanto símbolos da energia da masculinidade e da feminilidade. Não estamos a referir-nos ao sexo mas à energia. Mas cada um de vocês, diante da simples menção das virtudes e do valor da energia masculina, e das virtudes e do valor da energia feminina é capaz de se sentir tanto orgulhoso como amesquinhado na exacta proporção de terem ou não desenvolvido cada uma dessas energias. Harmonia entre a energia masculina e a energia feminina que se acha dentro de cada um de vós.

Vejam bem, Jung falou dessas duas formas em termos de “Animus” e “Anima”; O “Animus” representando a energia masculina, e a “Anima” que representa a feminina. Mas Jung erroneamente referenciou-as como tendo lugar no íntimo de cada homem, como uma energia extra, que representa a mulher, e que necessita ser desenvolvida. E que em cada mulher existe essa energia extra que representa o homem, e que necessita ser reduzida. Quando lêem Jung, ou outro semelhante, percebem tratar-se de uma forma incrível de chauvinismo, em absoluto! (Riso) E dificilmente o acharão amigo da energia feminina, ou dificilmente amigo do movimento feminino. Ele sugeriu que toda mulher possui o “outro” e que todo homem possui o “outro,” só que também deixou de sugerir que cada pessoa possui ambos esses aspectos.

Nós sugerimos que cada um de vós representa apenas um veículo que elegeu um plano, e que na escolha subjacente a esse plano, escolheram desenvolver harmonia entre a masculinidade e a feminilidade, o masculino e o feminino; o “Animus” e o “Anima” que são, se o preferirem. Devido ao apego que o adolescente desenvolve pela forma, tanto ele como ela tenderão a ver aquilo que estamos a referir em termos de diferenças genitais; diferenças inerentes à forma do corpo físico, ao contrário das diferenças mentais emocionais e intuitivas.
 
Assim, para começarem a compreender a harmonia, precisamos antes de mais começar pelo princípio masculino. Existem vários elementos que compõem a masculinidade, o primeiro, dos quais corresponde irónica e obviamente ao primeiro centro de energia subtil ou chakra. O primeiro componente da energia masculina é a energia da disposição, da actuação e da manifestação. A energia em cada um de vós que é capaz de desejar algo e que possui o sentido da determinação, que possui um sentido de persistência, que possui um sentido de auto-confiança, que possui o sentido de enfoque naquilo de que passarão a dispor na vossa realidade; e em seguida complementar essa energia com a acção. Não apenas sentar-se de um modo passivo a desejar, mas agir abertamente e, com base nessa acção e vontade passar à manifestação, manifestar, gerar, criar algo. Isso traduz a energia masculina, a energia masculina da segurança, da vontade, da actuação, da manifestação. Essa vontade, essa actuação e essa manifestação constituem a fundação, a sede da vossa segurança; mas inicialmente constitui uma energia masculina.

A segunda forma de energia que faz parte do que subentende o princípio masculino é a energia que cria a forma de modo a forçar o conteúdo, para poder satisfazer o contexto da vossa realidade - um amontoado de palavras caras, não? O que se pretende transmitir com estes termos é o seguinte: A energia masculina gera a forma:

“Eu vou-me tornar espiritual, certo? O que deve querer dizer que eu passe a meditar três vezes ao dia. Vou criar um altar num canto afastado do meu quarto e vou-me sentar lá a meditar vinte minutos por cada uma das três vezes por dia (ou das quatro ou cinco, ou seja o que for) e vou começar um diário utilizando para esse fim uma caneta e este papel e vou usar toda esta forma, e vou-me levantar da cama e empregar esta ou aquela técnica.”

Tudo quanto subentende uma forma!

Mas o objectivo que assiste à criação de toda essa forma assenta na criação de conteúdo, em forçar um conteúdo - o que resulta! Podem criar uma forma a fim de forçar um certo conteúdo na vossa vida. De facto, se se sentarem três vezes ao dia em meditação, essa forma irá forçar o conteúdo; não se sentarão apenas para se distrairem nem com a mente vazia a fixar o vazio; subitamente hão-de, porventura, não logo no primeiro dia nem no segundo, mas hão-de de começar a sentir algo na vossa meditação. A forma passará a forçar o conteúdo. Se todas as manhãs dispuserem de algum tempo a rodear-se de uma energia de positividade, essa forma acabará forçando a mudança no conteúdo da vossa vida; a forma é capaz de forçar o conteúdo. A energia masculina produz a forma a fim de forçar o conteúdo, e de satisfazer o contexto ou espaço. O conjunto e o ajuste assenta no contexto da vossa vida, para satisfazer o espaço.

Por conseguinte, a energia masculina gera a forma a fim de preencher o espaço; cria a forma a fim de forçar o conteúdo a preencher o espaço. É isso o que a coisa toda envolve. E todos vocês são capazes de o ver em vós próprios. Empregam-se, e por constituir um emprego completamente novo não lhe conhecem as regras, não é? Não sabem como se espera que actuem e precisam receber um treino; quando começam a obter esse treino, eles exemplificam-lhes a forma:

“Sentas-te aqui e colocas o papel ali, e a seguir dás um primeiro, um segundo e um terceiro passo e a seguir voltas-te para ali e cumpres os passos quatro, cinco e seis, e pegas nisto e coloca-lo acolá e fazes assim... Compreendes porque estás a fazer isto? Não? Faz lá isso! Fá-lo tal como te é dito; segue as regras, trata de chegar ao trabalho às oito ou oito e um quarto; trata de andar asseado e faz um intervalo a tal ou tal hora...”

Tudo isso é forma!

“Por que razão devo fazer um intervalo às dez e um quarto? Por que razão não poderei deixar de fazer o intervalo?”

Precisas fazer um intervalo!

“Mas, porquê?”

Eles não explicam necessariamente isso direito; afortunadamente acabarão eventualmente por o fazer, mas sugerimos que aqui se trata da forma. A ideia aqui é a seguinte: Querem aprender um novo trabalho, uma nova tarefa de algum género? Eis a forma a seguir. Ao obedecerem à forma, estarão a forçar o conteúdo. A forma consiste em fazer o trabalho e a seguir verificar esse trabalho. E ao faze-lo, uma e outra vez, o conteúdo do vosso trabalho sofrerá uma melhoria. E podem criar forma a fim de forçar o conteúdo, para satisfazer tempo:

Que vais fazer das oito às cinco? Que vais fazer enquanto estiveres a trabalhar?

“Vou satisfazer o espaço que o trabalho envolve.”

Isso representa o contexto.

“Vou satisfazer esse espaço de tempo.”

Com o quê? Com o conteúdo que foi forçado pela forma – essa é a masculina. É a masculina!

A terceira qualidade - uma energia masculina: A modelagem, a moldagem e a focalização da energia. Modelagem, moldagem e focalização de energia de modo a criar uma nova forma ou uma nova estrutura. Sempre que se sentarem e moldarem energia, ou derem forma a pensamentos e a ideias, sempre que derem forma àquilo com que estiverem a trabalhar no abstracto, moldem-no, formem-no e foquem-se nisso com a ideia de querer criar uma outra maneira de criar algo.

“Deixa-me sentar aqui a ver se descubro uma forma de construir uma cilada melhor. Deixa-me aqui sentar a ver se descubro um modo mais eficaz, mais eficiente de fazer o que estou aqui a fazer. Ora vejamos, seguimos as regras e tudo o mais, mas não existirá uma ordem mais vantajosa, não existirá uma estrutura melhor, não existirá um modo melhor de fazer isto?”

Isso é moldar, modelar e focalizar a energia com a intenção de criar uma nova forma ou de criar uma nova estrutura. Por isso:

“Não estou para aqui a tentar alterar o conteúdo do que estou a fazer; estou a tentar alterar o modo como o faço, a forma daquilo que faço.”

Isso é uma energia masculina. Ela forma e foca, molda a energia com o propósito de criar uma nova forma e uma nova estrutura. E todos vocês fazem isso. Todos vós fazeis isso na vossa vida.

A quarta qualidade que constitui uma energia masculina assenta na criação dinâmica; consiste em pôr tudo em acção aquela parte de vós que aceita as ideias e que passa a agir com base nelas; aquela parte que diz:

“Muito bem, já dispomos da forma, já sabemos o que fazer, já sabemos aquilo que vamos produzir; agora toca lá a mexer, vamos fazer algo com isso.”

A energia de colocar isso em acção, essa criação dinâmica de energia. Isso é a masculinidade, a energia masculina que corre no sangue de toda a gente, e não só em metade de vós! Criar com dinamismo, pôr em acção, pôr o motor em marcha, fazer com que as coisas se mexam, fazer com que as coisas avancem – fazer algo com relação a isso:

“Vamos pegar neste plano de piquenique e vamos lá faze-lo. Peguemos no vinho e nas sanduíches e vamos lá! (Riso) Já chega desta conversa sobre o valor dos piqueniques e da maravilha que é. Vamos lá pegar na lancheira e pôr-nos daqui para fora. Alguém coloque o carro em funcionamento!” (Riso)

Isso é energia masculina. A criação dinâmica de pôr isso em acção, compõe a energia masculina.

E a quinta qualidade, que acompanha aquilo que colocam em acção, é a motivação. A busca e a procura do sentido, do significado entendem? A energia masculina não é só a energia de responsabilização, de obstinação e de imbecilidade que muitos pretendem pensar que seja; é a procura de algo, é a pesquisa de algo que possua uma motivação, motivação essa que assenta na busca de sentido – o significado da vida, o sentido da existência, o significado daquele que são e daquilo que são, assim como da razão de serem isso.

Tem, pois, início na vontade, na acção e na manifestação, e a seguir na criação da forma a fim de forçar uma substância qualquer que preencha essa coisa a que chamamos vida. Depois molda e remodela, focaliza-se e altera a focalização, forma e reforma essa energia de maneira a gerar uma nova estrutura, uma nova actividade, uma nova forma. A seguir coloca tudo isso em acção:

"Vamos colocar isso no mastro e assistir à saudação; vamos pôr isto em curso, vamos ver o que acontece com isto, a ver se a armadilha apanha algum rato; se funciona."

Com base numa busca de compreensão do sentido, do intelecto, do conhecimento, a ver se chegam a essa energia da compreensão, a essa noção de sentido, por querer conhecer.

A sexta. A energia masculina é uma energia instintiva que protege; a parte de vós que sempre os protege da agressão física, a parte que sempre determina responder ou voltar costas; a parte de vós que determina como se devem defender e proteger, de forma certa ou errada, adequada ou inadequada. Essa é a energia masculina. O instinto de protecção e a natureza instintiva de suprir, de proteger e de suprir em termos intuitivos e instintivos. Não a energia que diz:

"Suponho que tenho que ganhar alguma coisa, sem dúvida, pelo que precisarei arranjar um emprego para ganhar algum dinheiro. Bom, tudo bem..."

Isso não é instintivo, certo?

Tão pouco representa lá muita espontaneidade! (Riso) Não é energia masculina. Mas também não é feminina, mas não lhes vamos dizer o que é... (Riso geral) É chamado indolência, não é? (A rir) A energia masculina procura instintivamente proteger e suprir – a energia masculina, e não todos os homens! Tão pouco quer dizer que a mulher não possua o instinto de proteger e de suprir, por ser claro que possui. Isso representa a energia masculina na mulher – a energia que tanto corre no sangue das mulheres como dos homens, e que visa suprir e proteger instintivamente, de forma espontânea, intuitiva, e sem precisar reflectir, a parte que o faz, pura e simplesmente; aquela parte de vós que atinge e que alcança, que defende e que protege, que acorre ao acidente e que levanta o automóvel de cima de alguém que tenha ficado por baixo, ou que agarra na criança que foi machucada e corre para o hospital, etc. Energia masculina, entendem? Não restrita àqueles que têm empregos, (riso) mas a qualquer um de vós que protege e supre de uma forma instintiva - essa é a energia masculina existente em vós! E por último, e em sétimo lugar, a energia masculina é aquela que se revê na acção.

Essas são as qualidades, as sete qualidades que provêm; o princípio que é um princípio masculino. Todas as acções, todos os pensamentos, todas as manifestações que constituam uma resposta a isso são pensamentos e energias e manifestações masculinas. A energia masculina que se acha dentro de cada um de vós, e não somente aqueles de vós que são designados de masculinos por uma questão do género. Ao olharem para si mesmos e pensarem na consciência que têm, naquele que são, em que medida se dispõem, ou têm vontade? Em que medida agem a partir dessa vontade? Empreenderão coisas devido a essa vontade? Em que medida, a partir dessa disposição chegam a manifestar alguma coisa? Seguirão em frente?

Estou disposto a ser feliz, e vou dar os passos iniciais para chegar efectivamente a manifestar algo a partir disso; Prosseguirei, seguirei em frente? E nessa medida, qual será a forma que passarei a criar com o objectivo de forçar o conteúdo? Ou será com um outro propósito? Podem forçar a forma de modo a deixar as pessoas mal:

"Está bem, eu segui as regras, eu fiz o que disseste - mas não resultou. Estavas errado! Vês? Eu fiz tudo exactamente da forma que me disseste para fazer, e segui o primeiro e o segundo passo, etc. E não resultou, não funcionou. Estavas errado."

Isso não é criar forma de modo a forçar o conteúdo, entendem? É criar forma de modo a deixar alguém mal. E nada tem que ver com o que representa a energia masculina. Forçar a forma para poder proceder a um conteúdo e satisfazer o contexto ou preencher o espaço, na vossa vida. No trabalho - que representa um contexto - forçam a forma de modo a criar conteúdo. Em casa - que representa um contexto diferente - muitas serão as energias masculinas que forçarão a forma para produzir conteúdo. Já se serão bem-sucedidos ou não é uma outra questão, mas a energia masculina representa a imposição dessa forma a fim de criar conteúdo e satisfazer contexto.

E em que medida estarão vocês à procura das energias da vossa vida e em busca de uma armadilha melhor? Em que medida estarão a modelar, a formar e a reformar, a focar e a reorientar essa energia, a fim de criarem algo de novo ou alguma maneira nova de fazer algo, uma nova maneira de operar? Além disso, estarão a criar de uma forma dinâmica e a pôr as coisas em acção? Ou estarão à espera que toda a gente faça isso por vós? E andarão em busca de um sentido? Quando fazem alguma coisa, quando actuam, fá-lo-ão por uma questão de exibicionismo, para impressionar, ou será com base na busca de um significado? Buscar sentido para a vossa vida? Fará parte da vossa natureza proteger ou defender e negar? Fará parte da vossa natureza prover ou tirar (proveito, inclusive)? E como estão a sair-se com a vossa vida? Encontram-se na corrente dominante da vossa energia ou serão um espectador que assiste à vida e ao que sucede? Cada um de vós possui uma energia masculina. Cada um de vós precisa de uma energia masculina. A energia masculina é uma energia bela. É tocante, pungente, buscar essa parte do vosso ser que constitui o lado masculino. Constitui uma energia bela e maravilhosa; porém, se operar de forma isolada, não se achará em harmonia nem será poderosa e é quando essa energia que é tão bela se pode tornar numa fonte de tristeza e de depressão, uma fonte de vazio e de falsidade. Essa é a energia masculina. Mas em vez de a associarem à política, e a buscarem ao lerem acerca disso, busquem-na em vós próprios, tão feministas quanto sejam - e sugerimos aqui que felizmente todos vocês o são – busquem-na. 

A vós mulheres - para se deterem e a buscarem e poderem lidar com o facto de que existe energia masculina aqui (aponta para dentro). Não precisam de a procurar no exterior – nos homens! É onde tantas de vós se deixam escravizarpelos homens, por buscarem a energia masculina – que na verdade se acha dentro de vós. Mas por o não saberem, por a sociedade lhes ter dito o contrário, por a realidade consensual indicar que é nos outros que devem buscá-la, continuam em busca dela fora, e conseguem funcionar na perfeição, até que uma dessas criaturas que pensam ter essa energia masculina entre na vossa vida. Aí subitamente algumas de vós tornam-se idiotas balbuciantes. (Riso) Outras tornam-se cabras manipuladoras, que se pegam umas com as outras e que se rebaixam umas às outras e que se magoam umas às outras. Magoam as irmãs, por ter surgido um homem nas vossas vidas. Subentende-se entre as mulheres, que se tiverem um almoço marcado entre elas, se um homem lhes pedir para sair possam cancelá-lo:

“Tu hás-de compreender. Um homem convidou-me para sair!”

Mas infelizmente muitas vezes ela compreende, por poder fazer o mesmo.

Muitas de vós, que possuem empregos maravilhosos, vidas pessoais maravilhosas, que se encontram em completo estado de boa-saúde mental e física, que têm um futuro dinâmico, não atribuem qualquer crédito a si próprias por isso, por não existir um homem com quem partilhem isso:

“Seja quem for, não importa o aspecto que tenha, não importa o comportamento que apresente nem se é velho ou jovem. Não quero saber do que faz conquanto possa ter um homem.”

Por terem sido condicionadas na ideia de que o único sítio onde encontrar energia masculina seja fora, a única forma de ter intelecto e de dar um sentido à vossa vida, e a única forma de ter algum sentido de realização passa por ter um homem, e por pensarem que um homem possua automaticamente uma energia masculina. E que de alguma maneira vo-la possam dar. 

De modo que podem gozar de todo aquele assombro na vossa vida e jogar tudo fora e repudiar tudo como se nada fosse, sentir-se péssimas e em baixo e correr convosco para inúmeras coisas dessas. E dizer, palavra por palavra:

“Eu tenho um óptimo emprego, tenho isto de e aquilo de bom, vivo num sítio espantoso, estou radiante com a vida que levo, tenho amigas maravilhosas, e isto e mais aquilo. Estou a crescer espiritualmente, estou a entender os meus focos, estou a limpar os bloqueios… Mas, que significado terá tudo isso? De que me servirá? Porque precisarei faze-lo? Quando irei alguma vez conhecê-lo?” (Riso) “Porque isso é tudo quanto importa; desisto do resto. De boa vontade desistiria do resto se ao menos tivesse um homem.”

Por pensarem que se existir alguém, não seja pela proximidade nem pela ternura, porque quando conseguem um homem muitas vezes não se importam com isso. Apenas desejam ter um homem (riso) por pensarem que ele lhes dê essa energia masculina em vez de perceberem que se encontra dentro de vós. E voltam-se para fora em busca da energia masculina quando, quer tenham ou não um homem, podem querê-lo e agir com base nele e manifestá-lo; podem criar a forma a fim de forçar o conteúdo e satisfazer o contexto. Podem modelar e remodelar a forma, também podem focar e reorientar a energia a fim de, num certo sentido, criar uma nova estrutura. Podem pôr em acção um plano dinâmico para criar um homem, podem buscar sentido e compreensão, e certamente que podem prover para vós próprias e proteger-se de forma instintiva e fazer o que quer que precisem fazer para criar um homem ou um relacionamento com um homem, caso isso realmente seja de uma importância crítica para vós.

Mas ironicamente, é conduzindo essa energia masculina que se encontra dentro de vós à harmonia que produzirão a manifestação do que querem - seja o que for que queiram na vossa realidade. Essa é a energia masculina. Mas vós mulheres, precisais de chegarem às pazes e de começar a olhar para dentro de vós, e há uma maneira de conseguirem isso, de olharem para dentro de vós, em busca disso. Mas homens, vós também precisais chegar às pazes com a vossa energia masculina. Muitos de vós jogam em dois campos em que por um lado, defendem a sua masculinidade:

“Que achas tu que isso seja? Eu não preciso que ninguém me diga o que é ser homem, entendes? A propósito, pelo facto de existirmos já sabemos o que significa ser um homem, não?” (Riso)

De modo que não estão dispostos a ouvi-lo da parte de ninguém, não irão escutar nem aprender nada:

“Ah, não, eu já fisguei isso tudo. Eu sou um homem, e que tens tu que ver com isso? Se não gostas, então… sabes? Alguém deu cabo do relacionamento que tinhas com o teu pai, não foi?” (Riso) “Terás alguma coisa de perverso na tua mentalidade, ou terás alguma coisa de errado para não me aceitares por aquilo que eu sou, pelo homem que sou!” (Riso)

Ou então desculpam-se por isso, e passam ao extremo oposto, e apontam os horrores e as injustiças do machismo, da imagem e do chauvinismo, e muito apologeticamente, desculpam-se por terem decidido ter nascido homens. E desculpam-se, e desculpam-se, e lamentam o que de terrível isso representa. A vossa mãe disse-lhes para nunca virem a ser iguais ao vosso pai, ao que terão respondido que sim, sem perceber o quanto isso envolvia de puberdade, de modo que têm que passar a vida a pedir desculpa:

“Os homens são terríveis, horrorosos, nojentos, etc… Ah, ser forte, ser poderoso, suprir, proteger - que coisa medonha. Eu não vou ser nada disso.”

E tornam-se homens meninos, tornam-se fracotes, não é? Constantemente a desculpar-se:

“Ah, lamento, olhe, peço desculpa por ter ocupado espaço. Desculpa por ter que respirar.”

Como pequenas flores à espera, com vontade de serem arrancadas, não é? (Riso) Mas vocês enquadram-se demasiadas vezes nessas categorias, e muito poucos de vós chegam realmente a deter-se e a olhar o que a energia masculina realmente representa, e começam a apossar-se dela. Não como algo que lhes pertença por direito, nem como algo que seja ditado pelo género em que se enquadram – por esse ser o erro que cometem, entendem? Pensam que por causa do sexo em que se enquadram automaticamente saibam, ou que por causa do sexo precisem desculpar-se por serem tão terríveis - em vêz de se dever ao facto de serem seres humanos, por existir energia aqui (aponta o peito) com que precisam ter que se entender e com que precisam fazer as pazes, e que precisam começar a compreender.

Um erro que as mulheres cometem, é o de presumirem que por poderem terem bebés, saibam o que é ser mãe. E muitas de vós que cometeram esse erro, sabem exactamente do que é que estamos a falar. Engravidaram, o que não foi muito difícil (riso), e de repente tornaram-se mães e passaram por aquilo que muitas mulheres atravessam como depressões pós-parto, porquanto:

“Pelos céus, eu devia saber como se faz isto, agora. Por eu ser mulher e ter dado à luz e me ter tornado automaticamente numa mãe. Devia conhecer as respostas todas de como criar as crianças de modo completo e perfeito? Filhos e filhas - e nada sei sobre isso!

Mas os homens cometem o erro de, por causa de terem algo entre as pernas, pensarem que isso automaticamente os torne peritos no que significa ser homem, o que é triste, por perderem tanto com o mal-entendido que formam em relação à energia masculina. E se parassem e analisassem isso, e realmente começassem a valorizar essa energia, não pelo facto de serem homens mas por causa de se achar presente em vós, por ter esse toque, esse sentido masculino. Muitas vezes procuram essas energias nas mulheres da vossa vida. Primeiro, enquanto catraios, buscam essa energia por intermédio da mãe, e depois enquanto adolescentes, buscam-na nas namoradas, ou em quem quer que venham a convidar para o baile do colégio. E depois enquanto jovens adultos procuram-na na tentativa da busca de sentido, na tentativa da busca de compreensão, na tentativa que fazem de todas aquelas coisas inerentes à energia masculina, por intermédio de uma mulher, ao se defenderem ou negarem constantemente a si próprios e àquele poder que reside em vós. E por conseguinte, cada um e todos, independentemente do género a que pertençam, precisam começar a compreender o que essa energia masculina é, e começar a ver a beleza, a vulnerabilidade, o poder que possui.

O outro lado, claro está, assenta na energia feminina.

A energia feminina possui qualidades que de modo similar têm início no primeiro chakra (ou centro subtil de energia) e que têm início na segurança. A primeira energia que possui características femininas – em todos vós - é a energia do imaginar, do sentir e do desejar. Aquela parte de vós que deseja, independentemente do género a que pertençam, é feminina. Aquela parte de vós que é capaz de inclinar a cabeça e de olhar como que em ângulo, que é capaz de imaginar, que é capaz de imaginar um mundo diferente daquele que têm; a parte de vós que é capaz de sentir sempre que quiser, que é capaz de sentir por meio do pensar – que é capaz de sentir – esse é o vosso lado feminino. A base da vossa segurança física provém desse imaginar, desse sentir e desse desejar. Essa é a primeira energia e o primeiro chakra – o da segurança.

A segunda energia que é feminina, lida de forma similar com a forma e o contexto mas difere pelo facto da energia feminina reunir conteúdo a fim de forçar a forma e criar o contexto. A energia feminina reúne o conteúdo - as parcelas de informação significativa e importante, o resultado do surgimento de novas ideias com o propósito de forçar a forma – a ver se, ao reunirem todo o conteúdo, a forma de algum modo evolui daí. Como no exemplo em que dão a volta e se dirigem de novo ao escritório, em que a energia masculina lhes diz:

“Redige isto, monitoriza aquilo, e depois entrega isso a fulano ou a beltrano. Ou cumpre a função A e depois verifica a função B e depois a função C.”

Forma que força o conteúdo. Conteúdo que diz:

“Olha, queremos chegar daqui acolá. Ora bem, qual será a melhor forma de o conseguir? Vamos reunir o conteúdo, vamos descobrir aquilo que queremos realizar, vamos ver em que posição nos encontramos, e onde queremos chegar. De algum modo, isso acabará por forçar uma maneira de lá chegarmos.” 

Trata-se do conteúdo a forçar a forma ao invés de ser a forma a forçar o conteúdo! Mas ambas as proposições funcionam. Alturas há na vossa vida em que de facto, criarão uma forma em que funcionem, e isso força o conteúdo da vossa vida. Outras alturas terão, em que reúnem o conteúdo da vossa vida, e isso retracta ou dita a forma que lhe tiverem adicionado. Uma destina-se a preencher o contexto, enquanto a outra, a última, destina-se à criação do espaço. A energia feminina cria esse “espaço” reunindo conteúdo, de modo a forçar a forma, dando, desse modo, lugar à criação desse “espaço.”

A terceira energia é a energia da dádiva e da aceitação – a energia de ambas essas atitudes. A energia da criação e da permissão para serem criados, o que representa uma posição extremamente vulnerável! Acarinhar e ser acarinhado. Estimular e ser estimulado. A energia do cultivo e da criação. “Pensamos em acarinhar, e imaginamos dar de comer a uma criança; isso é acarinhar.” Não, não necessariamente. Podem alimentar a criança, nutri-la e prover instintivamente:

“Aqui tens a tua manteiga de amendoim e a tua geleia, miúdo.” (Riso)

Isso é prover. Até mesmo nesse sentido, mães que tenham dado à luz recentemente, e que se encontrem na fase da amamentação; tratar de uma criança quer dizer dar-lhe alimento. Faze-lo com carinho, com afecto, com conteúdo emocional, significa nutrir. Atirar-lhe com uma sanduiche de manteiga de amendoim para a mesa, constitui um acto de provisão de alimento. Fazer essa sanduiche e apresentá-la num prato com sentimento de amor e com uma sensação de gosto, e um sentido carinho:

“Espero que gostes disto, e que fiques satisfeito.”

Isso é acarinhar!

Mas igualmente, ser acarinhado - ser acarinhado - constitui um poder vulnerável e feminino. Deixar que alguém mais tome conta de vós; não confundir com a intenção de que os outros cuidem de vós, o que representa a intenção de manipular e de controlar, de ser vítima ou mártir ou de se tornarem numa pessoa apiedada de si mesma, uma pessoa presunçosa, uma pessoa superior. Isso não significa ser acarinhado. E aí reside a diferença, por numa situação, o homem ou a mulher se poder sentar a lamentar-se, à beira do caminho, à espera que surja um Godot e faça com que a sua vida resulte. O que nada tem que ver com ser acarinhado e tem tudo a ver com ser manipulador, controlador, e mandar nos outros. Vítimas nunca são os fracos! Assim como de facto, na vossa vida podem prendar as pessoas com o dom supremo de deixar que cuidem de vós. De deixarem que os acarinhem, tal como cuidam delas. Pela vossa parte, deixar que cuidem de vós.

Pensem de novo nos termos, das crianças, em que muitas vezes a situação é passível de ser encarada com uma maior clareza, embora não seja necessariamente mais clara. Quando eram catraios, e a vossa mãe se encontrava adoentada, isso por vezes deixava-os amedrontados:

“Ela irá morrer?”

Os catraios pensam em termos absolutos.

“Agora tu tens que preparar o jantar no lugar da mãe, não é?”

“Ela está constantemente doente e eu é que tenho que fazer isso por ela. Não não importa quanta confusão façam, sempre há alguma coisa maravilhosa nisso. Que dom maravilhoso ser capaz de dar, não?”

Dar, acarinhar, deixar que alguém cuide de vós é a coisa mais maravilhosa; deixar que alguém o faça por vós – não a toda a hora – mas deixar que o façam por vós. E isso de permitirem que alguém cuide de vós, é uma energia feminina, do mesmo modo que cuidar. De notar que não dissemos que a energia feminina seja receber e ser criado e ser acarinhado - ponto final! É a combinação dinâmica do dar e do receber, do criar e do ser criado, do acarinhar e do ser acarinhado - na plenitude do sentido disso e não do sentido limitado.

A quarta qualidade consiste na capacidade de criar, na capacidade de agir, na habilidade de manifestar. Não na acção, nem na criação nem na manifestação, mas na faculdade de fazer essas coisas sem precisarem demonstrar tal capacidade. Essa é uma energia feminina. A demonstração é masculina. A feminina é o poder, a aptidão para agir. A criatividade – a destreza de criar, a capacidade de manifestar – é uma energia feminina; ser capaz. Essa é a origem de toda a existência, não? Antes de podem agir, precisam dispor da capacidade de agir; antes de criarem precisam ter a capacidade de criar; antes de poderem manifestar precisam ser capazes de manifestar. A energia feminina é a energia original. E por intermédio da sua destreza produz a energia masculina que por sua vez passa a criar-se a si própria, de uma forma dinâmica.

Quinta, a energia mais delicada e poderosa – permitir a percepção; não criá-la nem forçá-la, mas deixar que ocorra. A sexta é o equilíbrio entre todas as coisas. E por fim o ser, o estado de ser, a existência que se traduz por uma energia feminina – não pela mulher - mas por uma energia feminina. E aqui, uma vez mais, em que medida é que na vossa própria vibração terão tempo para sentir e imaginar e para desejar, e para deixar que constitua uma parte válida do vosso processo, e não simplesmente descartá-lo como um passo preliminar para chegar à coisa real, mas para realmente validarem o facto de poderem imaginar, de possuírem um cérebro que é capaz de imaginar?
Considerarão sequer o facto de parar para pensar no quão milagroso isso seja? E que as energias reptilianas inferiores e as energias mamíferas não possuem essa capacidade? Não conseguem imaginar a que se assemelhará um ser desses destituído de imaginação – essa é a forma integrante como faz parte de vós. Não conseguem nem sequer imaginar como seria a realidade sem a imaginação. É impossível imaginá-lo. (Riso) Mas vocês possuem a função da imaginação, que constitui a sinergia holográfica do vosso cérebro – o todo que é maior do que a soma das partes componentes, maior do que os lobos e o córtex cerebral e o lobo reticular e o lobo límbico, que compõem o cérebro.
Que os cientistas a certa altura pretenderam dividir pelo facto de precisarem de o segmentar, mas agora percebem que compõem um todo holográfico, em que cada pedaço executa todas as coisas, caso seja necessário; e agora percebem que o vosso cérebro não se acha segmentado mas que compõem um todo maior do que a soma das suas partes. Agora percebem que o vosso cérebro constitui a função sinérgica dos seus componentes, e que é a partir dessa sinergia que surge essa função da imaginação em vós - as únicas criaturas que realmente conseguem isso, e que realmente o conseguem por acção da vontade.

Depreciam o facto de poderem funcionar desse modo, e de poderem imaginar, e de, com base nessa imaginação poderem surgir sentimentos, mas se parassem para pensar nisso, veriam que podem imaginar alguma coisa e sentir-se tristes ou sentir-se felizes, e que a vossa adrenalina pode começar a correr, ou que começam a ficar com calor ou com frio; o vosso corpo reagirá, a vossa frequência cardíaca, a respiração, todas as funções autónomas do vosso organismo responderão àquilo que imaginarem que sentem. Perceberão o quão incrível isso é? E a partir disso podem desejar, reunir a vossa imaginação e os vossos sentimentos a fim de criar um desejo – o âmago da criação que fazem da vossa realidade! E tudo isso compõe o vosso lado feminino. Não a vossa qualidade de mulher:

“Ah ah! Nós estamos à vossa frente, homens; já sabíamos disso!”

A vossa feminilidade.

E similarmente, se observarem isso, em termos da capacidade de reunir conteúdo, numa chuva de ideias, e reuni-las:

“Ora vejamos, isto, e mais isto, e mais isto; não sei como isso se irá enquadrar, isto e mais aquilo e aquele outro…”

A parte de vós que constantemente se detém:
“Não, não, não, precisamos ter uma forma, precisamos ter uma forma. Não, esqueçamos a forma por enquanto, vamos debater e fazer que surjam novas ideias. Esqueçam a lógica, que é forma.”

A lógica é forma.

“Vamos ser ilógicos, vamos fazer tudo o que quisermos. Vamos dizer que podemos fazer tudo quanto quisermos. Vamos dizer que criamos tudo e ver onde isso nos conduzirá.” (Riso)

Esse é o vosso lado feminino, que reúne conteúdo e que a partir disso cria forma, de modo a criar o espaço – a criar o espaço - em que funciona.

Mas depois a parte de vós que é capaz de dar (assim como de receber); de amar e de ser amada. Mas aí, se não amarem, por se sentirem aterrorizados ao se verem amadas; e se não derem por se sentirem aterrorizados com a possibilidade de receber; e se não cuidarem por se sentirem aterrorizados com a possibilidade de que cuidem de vós, essas qualidades em vós, esse poder, essa força que é tão subtilmente indicada nessa declaração – cuidar e estar disposto a ser cuidado; ter alguém e estar na disposição de deixar que alguém os tenham a vós. 

Quantos de vós, nesta promoção do sentimento de abraço, (riso) abraçam, mas não deixam que os abracem? Quantos de vós abraçam mas não se deixam abraçar? Quantos não suportam uma, dez ou vinte pessoas que conhecem (ou que nem sequer conhecem) mas que não deixam que ninguém os suporte a vós, e não se permitem verdadeiramente ser suportados? Nós sentimos isso no fim-de-semana… Aqueles de vós que se permitiram ser abraçados e aqueles de vós que não deixaram entrar o amor, que não deixaram entrar o sentimento comum de deixar que braços os envolvessem, e que não se permitiram ser abraçados. Abraçam, mas que não se permitem ser abraçados. Não por que se possam rebaixar. Esse é um acto belo e poderoso e aquelas de vós que distribuem abraços são fantásticas, mas deixar-se-ão ser abraçadas ainda que por uma vez? Isso também constitui uma beleza e um poder e uma bela resistência poderosa em vós, e faz parte do vosso lado feminino.

Investiguem essa energia feminina em vós, sintam essas qualidades particulares, à medida que permitem que a percepção tenha lugar. Quantas vezes param para pensar, e se detêm em busca de significado, e fazem o que estão a fazer a fim de permitirem que a percepção ocorra? Mas em que proporção instauraremos equilíbrio? É claro que pensam logo em termos de moderação, em termos de “equilibrar” as coisas em questão, mas com que frequência se permitem ser naturais? Alguém nos contou certa vez:

“Estou a tratar da existência.”

Ao que nós respondemos: Óptimo!

“Uma vez por semana sento-me em meditação, a permitir a fluência natural do existir.”

Isso não é tratar. (Riso) Bom, aconteceu tratar-se de um homem, com quem estávamos a conversar, sabem? Aquilo que ele estava a fazer era “tratar de ser.” (Riso) Estava a criar a forma, durante trinta minutos, uma vez por semana, sentado numa bela poltrona, a esvaziar a mente de todo o pensamento, sentado simplesmente a existir por trinta minutos. (Riso) Forma, a procurar forçar o conteúdo a fim de preencher o “espaço.” A energia masculina clássica, sem dúvida.

E assim, dispomos agora destas energias, da masculina e da feminina, nenhuma das quais pode realmente operar sozinha; nenhuma das quais consegue revelar-se poderosa, sem a outra! Onde a energia masculina exerce o poder da vontade, da acção e da manifestação, a energia feminina imagina, sente e acalenta o desejo. Enquanto a energia masculina cria forma a fim de forçar conteúdo para satisfazer contexto, a energia feminina reúne conteúdo a fim de forçar a forma e criar o contexto. Enquanto a energia masculina molda e remodela, forma e reforma, se foca e volta a focar-se a fim de criar uma nova estrutura, a energia feminina sustenta e permite que seja sustentada, cria e permite que seja criada, ama e permite-se ser amada.
Enquanto a energia masculina cria com dinamismo e põem em acção, a energia feminina tem a capacidade de criar a própria acção que é colocada dinamicamente. A própria capacidade de agir, a capacidade de criar, a capacidade de manifestar. Enquanto a energia masculina procura e busca de uma forma activa o sentido, a energia feminina concede a percepção. Onde a energia masculina intuitiva e instintivamente provê e protege, a energia feminina equilibra. E onde a energia masculina faz, a energia feminina apenas permite que seja feito.

Muitos de vós, por perda de contacto com essas energias, sem saberem em que consiste ser masculino ou feminino, recorrem ao género; não por serem patetas nem estúpidos ou por não serem evoluídos, mas por ninguém ter realmente despendido tempo a ajudá-los a compreender: 

“Sê homem!” 

Como hão-de de conseguir isso?

“Porque não ages como uma mulher!?”

Como é que fazem isso?

“Trata mas é de o fazer!”
É a sociedade chauvinista que têm que enfatiza a energia masculina: 
“Trata mas é de o ser! Trata de ser um homem. Trata de ser uma mulher. Não me perguntes como. Que há de errado contigo? Estás doente? És pervertida? Não deverias ser trancado numa instituição? Que se passa de errado contigo? Se tu és um homem e não sabes como ser um homem, que coisa serás, algum tipo de…? E contigo, que se passa de errado contigo que não consegues ser mulher? Que terás de errado contigo, que não o sabes automaticamente? Dispões do equipamento, não? Então, porque não consegues ser uma mulher?”

E assim, as respostas serão:

“Tudo bem, eu tratarei de ser um homem. Eu tratarei de ser uma mulher.”

Porém, sem a menor ideia do que isso significa. E tal como os homens se enquadram em duas categorias - da defesa de uma energia masculina que nem bem chegam a entender, ou da negação e da desculpa por uma masculinidade de que ainda nem sequer começaram a tratar, também as mulheres se podem enquadrar em categorias similares, por nesse sentido particular procurarem ser completamente femininas, e fazerem com que isso termine numa caricatura do que envolve a feminilidade, e acabando por se tornar não mais do que numa mulher “pó de talco”, ou tão furiosas com a energia feminina, tão irritadas com o que a sociedade consensual lhes deu:

“Isto é tudo quanto consigo; tenho que ser, tenho que me portar de forma equilibrada. Deixar que a percepção possa eclodir - grande coisa!” (Riso) “A capacidade de criar – mas que poderei fazer com isso? A capacidade de agir e de cuidar – de cuidar; estou farta de ouvir falar de cuidar!” (Riso)

E por conseguinte negam essa energia feminina por um acto agressivo de recusa. De modo que se transformam ou tentam transformar-se nesse pó de arroz.

“Deixa somente que tenhas bebés, querida, e vais logo desapontada às compras!” (Riso) “Compra um vestido novo, um chapéu novo, isso levar-te-á a sentir bem. Gasta o dinheiro dele.” (Riso) “Afinal de contas é suposto ele sustentar e proteger... Assim, que te sustente e proteja!” (Riso)

Ou transformam-se num pó de arroz, e passam a existir unicamente para “Ele”, ou se transformam numa mulher a dobrar que carece de um homem para odiar:

“Eu não vou deixar esses estupores livre de perigo!” (Riso) “Eu quero ter um.” (Riso generalizado) “E ele será senhor de mim. Vai ter que me sustentar e proteger até lhe gastar cada tostão.” (Riso)

O que, evidentemente é exactamente o que muitos homens temem. Ou seja:

“Ela vai depenar-me e sugar-me até ao tutano. E depois mandar-me à vida quanto estiver acabado.”

O pior de cada um vem ao de cima quando o homem ou a mulher recusam a energia masculina e, ou, feminina; ou quando se desculpam por isso. E tal como - homens e mulheres - se torna importante chegar realmente a compreender em que consiste a energia masculina, e perceber a beleza e o poder que encerra, também se torna importante que tanto os homens como as mulheres se detenham a entender em que consiste a energia feminina, e que não presumam que só por terem um corpo feminino saibam tudo o que ser mulher quer dizer. Ou que, por não terem um corpo feminino, não possam porventura chegar a conhecer isso:

“Mulheres. Quem conseguirá entendê-las!” Não é?

Qualquer pessoa que se disponha a reservar um tempo para entender em que consistirá ser masculino ou feminino. Aí conseguirão compreender as mulheres, e também conseguirão compreender os homens. Poderão começar a entender-se uns aos outros. Podem começar a compreender-se a si mesmos. A si mesmos.

Estas energias encontram-se ligadas aos chakras. A segurança tem início na vontade, a na acção e na manifestação, e é temperada pela imaginação, pelo sentimento e pelo desejo. A segurança na vossa vida... Considerem-na: que é que lhes dá segurança? Que é que lhes transmite uma sensação de segurança na vossa vibração? Quando o consideram, passam a ver o que essa segurança lhes transmite – é o sentido de possuírem vontade e imaginação que operam em conjunto. Jamais poderão ter imaginação sem vontade, nem vontade sem imaginação. Por detrás de uma vontade forte encontra-se uma imaginação activa, e por detrás de toda a imaginação activa sempre se acha uma vontade potente, um pensamento e um sentimento, sob a forma de acção e de sensação. 

Nós não distinguimos. As pessoas dizem-lhes para esquecer, e para sentirem simplesmente. Vocês não podem unicamente sentir! É por isso que sempre sentem que fracassam.

“Sente simplesmente! Ah Deus, quem me dera poder só sentir.”
Não tentem unicamente sentir porque nada encontrarão aí; precisam pensar, agir, para poderem sentir. Precisam ter uma sensação de acção, vivacidade de pensamento dentro de vós para poderem sentir qualquer coisa – para se sentirem tristes, para se sentirem felizes, para poderem sentir qualquer tipo de emoção. Precisam agir! Seja acção mental ou física, precisam agir para poder sentir. Por isso, se alguém lhes disser para sentir unicamente, e  sentirem estar a fracassar, não, não estão a fracassar, eles é que estão mal informados! Mas esses podem sentar-se a tentar sentir, mas o seu segredo está em que tão pouco o conseguem! E a diferença está no facto de não o quererem admitir – mas vocês sim! Pensam – essa é a acção - e sentem; ambos operam conjuntamente e proporcionam a segurança, o desejo e a manifestação. Todos esses seis termos se reúnem e culminam num conjunto a fim de criar segurança.

“Ah, a segurança está em possuir dinheiro suficiente e em ter uma casa…”

Com certeza, essas são as manifestações da segurança que sentem, mas a verdadeira segurança provém da vontade e da imaginação, do agir e do sentir, da manifestação e do desejo. Esse é o vosso primeiro chakra. É iniciado pela energia masculina e complementado pela energia feminina. O vosso segundo chakra é o chakra do prazer, que é iniciado pela recolha dos conteúdos, para forçar e a forma e criar o contexto. É daí que procede a iniciação do prazer, da energia feminina. É complementada pela forma que força o conteúdo – mais conteúdo – que preenche o espaço, o que representa motivação para criar mais espaço. A combinação de ambas essas energias, a energia que primeiro reúne conteúdo a fim de forçar a forma e que depois força e usa essa mesma forma para forçar mais conteúdo, tudo no âmbito da acção de criar e preencher, criar e preencher, criar e preencher o espaço na vossa vida, o contexto do vosso ser. O segundo chakra, do prazer, iniciado a partir da energia feminina e complementado pela energia masculina.

O terceiro chakra é o da vossa emoção. É o da compleição total da expressão da emoção que sentem ao lidar com o mundo – a chamada emoção interactiva: toda a alegria, felicidade, admiração que sentem em relação ao mundo em que vivem. Todo o medo, toda a dúvida, toda a raiva que sentem relativamente ao mundo. Todo o amor que sentem em relação ao mundo – a emoção interactiva. Terceiro chakra. Isso é iniciado pela formação e pela reforma, pelo modelar e remodelar, pela concentração e pela reorientação da energia com o objectivo de criar uma nova estrutura. E é complementado pelo estímulo – e pelo serem estimulados; pelo amor – e por serem amados; pelo criar – e por serem criados. Assim é o terceiro chakra.

Mas se olharmos, quais serão as emoções com que lidam de uma forma interactiva convosco próprios e com a realidade? São primariamente do terceiro chakra – há uma influência – mas no entanto são primariamente do terceiro chakra. Ao funcionarem no vosso mundo e à medida que o vosso mundo funciona em vós, não terá que ver com o concentrar-se e o reorientar-se? Não terá que ver com o modelar e o remodelar? Não terá que ver com o absorver a energia a fim de reformar essa energia para criar uma nova estrutura? E com o dar e receber, o estimular e o ser estimulado, o amar e o ser amado? Isso tem lugar aqui. No terceiro chakra – é iniciado pela energia masculina e suportado, complementado, pela energia feminina.

O quarto chakra é do amor-próprio. Emoção intra-activa (dentro).
“Inter” significa “fora”. “Intra” quer dizer “dentro”, certo? Activa dentro de vós próprios; dentro das emoções que sentem. Amor-próprio, amor que sentem pelo vosso estado de ser, amor que sentem por aquele que são, amor que sentem pelo “significativo”, ao contrário do “generalizado”. Quarto chakra. Pôr em acção - a capacidade de agir, criar - a faculdade de criar. Manifestar - a capacidade de manifestar. Quarto chakra. Iniciado pela energia feminina e complementado pela energia masculina. Primeiro temos que gozar da capacidade de criar e de seguida criar; precisamos gozar da capacidade de agir e em seguida agir; precisamos gozar da capacidade de manifestar e depois manifestar. O que é iniciado pela energia feminina e complementado pela energia masculina.

O quinto chakra: a busca e a procura da expressão de significado; buscar, ir à procura, querer encontrar, alcançar, estender-se. No caso de alguns de vós, luta e sofrimento, mas alcançar e estender-se em termos de busca de sentido. Concessão de percepção. Tudo quanto tem que ver com o quinto chakra da expressão.

A sexta energia é aquela da intuição – o sentido intuitivo do quinto sentido – iniciado pelo sentido instintivo do equilíbrio a fim de prover e proteger. Iniciado, por conseguinte, pela energia feminina ao contrário do quinto chakra, que é iniciado pela energia masculina.

O sexto, iniciada pela energia feminina, que conduz ao sétimo, que constitui um equilíbrio entre a masculina e a feminina – fazer e ser; não iniciar nem complementar – ambas que de uma forma sinergética produzem aquilo que vocês são.

O primeiro, o terceiro e o quinto são masculinos; o segundo, o quarto e o sexto são femininos; o sétimo constitui uma sinergia de ambas – a harmonia de ambas. 

(continua)
Transcrito e traduzido por Amadeu António