quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

VOZES XII



AQUILO QUE NÃO SOU


Adivinho é coisa que não poderão chamar-me 

Como poderá pensar qualquer fulano
Pois que por seguir estou a esforçar-me
O Todo-Poderoso e o Seu plano

Nada há de oculto nem de manhoso
No modo como vivo nem na pregação que exerço
Nada de mau nem de danoso
Na doutrina que professo

Ainda assim muito homem e mulher
E muita gente de boas maneiras
Uma pequena conversa adoraria ter
Se a mim pudesse chegar pela porta das traseiras

Assim, sussurram pelas esquinas
E contemplam de olhar ardente
"Ele é médico," dizem certas meninas
Quando por mim passam celeremente

Muita vez aqueles a quem mais apraz zombar
E que maior mexerico gostam de fazer
São os que à minha porta vêm tocar
Quando não sabem o que mais fazer



Poema da autoria de Elwood Babbitt



OLIVER LODGE



Lodge: Velho amigo, sou capaz de dizer que você é Charles Hapgood, o mortal. Continua ainda no plano físico?



Reposta: Com efeito encontro-me.



Lodge: Bom, eu sou o Oliver Lodge e estou interessado em dar respostas quanto ao que sucedeu e tem sucedido com o reino espiritual. Mas primeiro gostaria que entendesse que o espírito é como água, por a água ser a força de toda a energia etérea. Ou seja, a água é do domínio do espírito assim como as condições da carne são materiais.



Agora, na minha perspectiva, deveria haver certeza na comunicação com as entidades mas descubro que tem indagado e que tem recebido algumas coisas que tem como erróneas e que com toda a verdade não podem ser explicadas. Concorda?



Resposta: Há certas coisas que eu não entendo. Tem toda a razão.



Lodge: Por vocês se assemelharem a dois catraios no trapézio. Um experimento que estão a fazer envolve o plano astral da vida. Nós fazíamos isso no tempo em que eu me encontrava na Terra. Depois balançamos para o completamente esotérico, querendo com isso referir-me à Força de Cristo ou ao Deus Todo-Poderoso ou à Força de Vishnu conforme vocês falam dela. Mas precisam decidir-se quanto à força que vão usar.



Bom, no trabalho que eu empreendi na vibração eu cheguei, com o tempo e após um extenso período desta vibração, a perceber o quão velho era para que, na caducidade que me caracterizava, eu procurar constantemente provar ao mundo o plano astral da vida. É aí que todos enfrentamos o chamado criador, que de criador nada tem, mas não me deparei com nada de diferente ao proceder à transição.



Entrei num mundo completamente diferente mas ainda assim um mundo não completamente afastado do mundo mortal ou material, e que ainda carregava os mesmos problemas e os mesmos mal-entendidos, as mesmas limitações que tinha na Terra até decidir que precisava buscar um sentido esotérico pleno do que os Mestres tinham referido desde o começo dos tempos. Está a entender?



O problema está em saber se mergulhamos numa limitação astral ou se chegamos a completa relatividade, compreendendo que todas as coisas se acham relacionadas, mas que ainda assim cada vibração possui uma frequência distinta. Desse modo, e até certo ponto, habilitamo-nos a compreender o átomo (enquanto âmago subentenda-se).



Bom, penso que você se debate com uma crise do espírito, por estar a começar a aperceber-se de que devemos projectar-nos inteiramente em Deus, e aí ver todas as formas de vida como relativas, mas dependentes do plano em que virmos qualquer vida ou objecto específico e em que vibração nos seja dada uma oportunidade de compor a unidade cintilante de Deus. Deixe que fale sobre algumas palavras de sabedoria encontradas na vossa Bíblia. O astral foi o aspecto limitado do espírito por cuja fenomenologia me interessei. Não conseguia conceber no meu intelecto material a existência igualmente de um intelecto espiritual. Não conseguia compreender o intelecto espiritual o suficiente para saber que possuía a energia e a força constante para crescer ou para projectar o meu espírito no próprio seio de toda a vida, que podia alçar-me até ao trono de Deus, por eu ser Deus. Enquanto energia encontro-me directamente relacionado com tudo. A energia não comporta limites.



Assim, uma vez mais, refiro aquelas velhas palavras que falam das tentações de Jesus, quando o chamado diabo astral ou os espíritos travessos o quiseram usar como peão no tabuleiro do xadrez da vida, e ele recusou usar a profundidade do conhecimento que alcançou, que atingiu as mais refinadas vibrações, tão rápidas nos seus movimentos que se apercebia das percepções de todas as outras vibrações que se moviam em círculos, de modo que o seu espírito conseguia ver em todo o círculo da vida e aí ver onde tudo tinha tido início, como tudo funcionava e como no próprio esforço rumo à Força de Deus era importante possuir todas as respostas da criatividade, do infinito ou da eternidade.



Contudo, houve um limite na demonstração matinal, por eu ter sentido ter regressado de novo aos experimentos que tentamos nas sessões em que testávamos o médium com demonstrações materiais.



Bom, percebem que o espírito encerrado nesta concha (Babbitt) alcançou e se acha no próprio âmago desse círculo esotérico de Deus. Eis aqui um espírito com uma idade de milhares e milhares de anos, conforme vocês diriam. Da posição que ocupa, na perfeição da Força de Deus, ele poderia responder a qualquer pergunta que fosse predominante no vosso mundo mortal de hoje, em parte por causa da sua simplicidade e em parte por cauda do raio constante luminoso que se lhe apresenta diante dos olhos. A reticência que sente em se expressar por completo deve-se ao medo que sente de vir a sofrer frustração com a humanidade, que o pode olhar com reverência ou colocá-lo num pedestal como mais um santo ou um salvador do mundo. Contudo, é bem capaz, não obstante ser inconsciente da força que tem nos seus relacionamentos nesta vida material.



Bom, no vosso experimento desta manhã, vocês pediam à sua energia, parte de toda a Força de Vishnu, para desacelerar a vibração e entrar na condição tosca a fim de provar materialmente o que nunca conseguimos provar; ou seja, as condições astrais e a continuidade da vida. A desaceleração da energia para que desempenhasse uma demonstração a esses homens rondou o fracasso por não produzir a clareza dos cinco sentidos físicos, conforme prontamente viram.



Bom, vocês estão a sofrer a mesma derrota que Tomé sofreu no seu tempo, por só acreditar na materialização quando sentiu as perfurações dos cravos e lhe colocou a mão nas chagas. Mas mesmo que desacelerássemos a energia e descrevêssemos objectos específicos numa mesa material e pensássemos provar a questão da sarça-ardente, embora provássemos a Tomé a presença de Jesus por meio da materialização sólida, quantos Tomé da vossa geração acreditariam? Por vocês viverem na traição, na feitiçaria, na dúvida e na desconfiança. Ainda que ouvissem uma voz nos céus a proclamar a nova renascença do homem e mesmo que toda a humanidade escutasse essa voz vibrante, quantos acreditariam no pleno significado esotérico da vida?



Por isso, a sua mensagem, a sua tarefa no mundo passa por reunir as pessoas de forma a poder dar-lhes as diversas soluções para o seu desenvolvimento. Não é forçar a crença de uma pessoa mas permitir que obtenha uma revelação da sua própria energia. Por somente isso estar além da dúvida, para a pessoa que tenha tido tal revelação. Para qualquer outra pessoa seria insignificante.



Descobri que, desde que tenho frequentado esta diversidade de escolas e vibrações e vibrei em conjunto com os mestres do passado tais como Sócrates, Aristóteles e Platão, homens de profunda sabedoria, por fim percebi a derrota do trapézio da vida, embora no vosso caso e no dos demais isso ainda envolva uma decisão fundada no livre arbítrio. Você interessa-se por uma limitação espiritualista astral ou aspira ao intelecto espiritual para poder ver a vida toda na gigantesca uniformidade de toda a vibração?



Pergunta: Sir Oliver, poderá dizer-me alguma coisa acerca da primeira vez em que entrou no espírito e quais terão sido os principais passos de desenvolvimento que terá dado desde essa altura?



Lodge: Na minha transição renunciei às crenças que tinha com respeito à continuidade astral da vida, e desde então tenho-me esforçado constantemente rumo à mesma divindade por que vocês se esforçam por ver e compreender no vosso espírito.



Pergunta: De qual das sete progressões de que nos dão conta estará a falar presentemente?*



Lodge: Não gosto de limitar isto a um conceito material. Preferia dizer que ando a pairar, que estou a cintilar, que estou a vibrar sob o tecto desta impressionada massa de energia conhecida como o Imenso Todo. O meu empenho passa por penetrar nessa força, nesse maravilhoso rio de alegria, de modo a também poder conseguir o comando sobre o complexo sentido da vida.



Pergunta: Terá algum conselho a dar-nos a mim e aos meus bons amigos de Nova Iorque quanto ao tipo de trabalho que devem continuar a fazer?



Lodge: Bom, deixe que lhe coloque uma pergunta. Olhando para trás para a vida material, poderá apontar-me algum indivíduo ou organização que tenha sido bem-sucedida na comprovação da continuidade da vida?



Resposta: Não, isso não foi provado a ninguém que não acreditasse já nisso, acho eu.



Lodge: Terá sido demonstrado em algum laboratório com algum médium sentado a uma mesa a invocar algum círculo de energia que o colocasse sobre a mesa e dissesse: “Eis aqui a vida!”?



Resposta: Não!



Lodge: Poderá dar-me conta, com a sua leitura e as experiências por que passou, de algum grupo na Terra desde o começo do tempo que tenha provado a outro mortal por meio de experimentos a plena crença da lei esotérica?



Resposta: Bom, os Mestres Tibetanos alegadamente eram capazes de se materializar e desmaterializar e de fazer coisas que poderíamos chamar de milagres, que eu creio haveriam de impressionar muito boa gente.



Lodge: Alega-se que Jesus terá feito muita coisa que não fez. Ele aborrecia-se dos seus discípulos por eles abordarem o seu intelecto espiritual com o intelecto material e assim não conseguirem compreender as parábolas destinadas a proporcionar-lhes a revelação.



Resposta: Pois claro, isso é verdade. Mas a sociedade de Nova Iorque gostaria de conduzir as pessoas a uma maior abertura da mente e a uma realidade mais profunda e eu gostaria de saber se haverá algum modo por que eu consiga realizar um pouco nesse sentido por intermédio do estudo das coisas como os poderes psíquicos. Isso não ajudaria muita gente a começar a entender?



Lodge: É como o homem que recebe uma vasta herança. Assim que obtém a fortuna, pela lei da humanidade, torna-se mais avaro e passa a querer mais do que aquilo com que já tenha sido abençoado. Não, eu vejo os vossos experimentalistas como crianças que brincam na praia com uma bola de borracha e que, por meio da força do seu pensamento a passam de mão em mão com base na condição mental em que se encontram. Vocês têm na Terra, creio bem, um indivíduo chamado Rhinert ou Rhine, segundo me consta, que jamais chegou a obter sucesso com as suas cartas ou com os experimentos, e nós nas nossas estadias terrenas do passado, jamais encontramos qualquer garantia razoável por meio dos experimentos de que Deus era Deus, e encontrámo-nos, ao invés, na situação flácida de brincar com a fase inicial da dimensão astral após a transição do espírito.



E para meu desgosto descobri que desperdiçara uma vida na Terra a aprofundar-me em considerações espiritualistas em vez de abrir o meu espírito por completo ao intelecto espiritual e ao viver e ao alento e ao movimento espiritual e procurar ter o meu ser em todo o universo ilimitado. Nós somos apenas um germe e são os nossos pensamentos que expandem o germe que somos em relação a tudo no e ao redor do infinito de modo a sermos capazes de identificar-nos com esse pensamento dimensional externo que o homem procurou desde que o começo dos tempos. Essa é a nossa palavra. Paz.



*(NT: Nesta passagem parece aludir a uma de duas passagens que referem a existência de sete planos de existência, uma versão, muito conhecida, da autoria de Frederic Myers, e a outra da autoria do próprio filho de Lodge, que tendo falecido nos primeiros meses da Primeira Grande Guerra, teve ocasião, em futuras comunicações que teve com o pai de dar conta justamente das suas experiências por esses mesmos planos)



EINSTEIN E O CASO DE AMCHITKA



Muitas entidades foram as que predisseram convulsões geológicas, nenhuma das quais ocorreu nos prazos limites estabelecidos, Cheguei a crer que, por alguma razão desconhecida, o poder que o espírito tem de prever simplesmente não se estende à Terra física. Ainda não encontrei uma explicação satisfatória para isso, a menos que simplesmente se deva ao facto da Terra realmente não interessar aos espíritos; com efeito, para eles ela simplesmente não existe e não passa de mera ilusão, daí que a não compreendam em termos físicos. Excepção a isso poderá ser um profecia feita por Einstein por ocasião da experiência nuclear de 6 de Novembro de 1971 levada a cabo em Amchitka, o Projecto que se chamou Cannikin. Aquilo que Einstein referiu com respeito a isso parecia isento de ambiguidade e pelo menos plausível.



Einstein: Sinto-me imensamente preocupado e profundamente entristecido por ter permitido que a minha fórmula (E=mc2) tenha sido usada pela humanidade. Eu ponderei numa condição meditativa sobre a questão de libertar (publicar) aquilo que vi. E embora fosse dotado com um cérebro de génio em matemática só descobri a verdadeira resposta para o átomo no meu Jardim da Meditação. Tinha a esperança de que depois de perceberem o seu poder destrutivo viesse a ser usado na correcta medida para o bem e em auxílio da humanidade, na construção de um universo mais belo ao seu redor, assim como o “universo” divino que se encontra dentro do corpo humano. Mas encaro com a maior das tristezas a denotação que vão fazer em breve na Ilha de Amchitka. É de grande preocupação para todos nós que aqui nos encontramos na dimensão espiritual, por vir a provocar cataclismos que vocês mal percebem. E vejo que mesmo homens de ciência na Terra se sentem preocupados por não compreenderem por completo a energia que vão libertar. Até ao momento, no vosso tempo terreno, a primeira explosão atómica ainda reverbera em vibrações ao redor do vosso globo, e está a provocar infecções virulentas nos corpos humanos para as quais a ciência médica não pode esperar encontrar cura.

Concordo com os outros espíritos que referiram que o vosso mundo se encontra de quarentena provocada pelo próprio homem com base na sua imprudência e nos modos cruéis que emprega para conquistar tecnologia, modos esses que o derrotarão num tempo que se aproxima.



Não me interesso por crenças nem descrenças, com o que o homem possa sentir, ver ou fazer. Sinto-me intensamente entristecido por me sentir directamente responsável pelas muitas vidas que foram lançadas para a eternidade devido à dificuldade que o homem tem de ver os caminhos simples do viver.



Hapgood: Dr. Einstein, antecipa alguma consequência resultante do rebentamento de Amchitka, qualquer coisa como um terramoto ou maremoto?



Einstein: Eu não antecipo, eu vejo. A humanidade tem os ouvidos cerrados para a sabedoria e a história das eras. Consigo ver enormes maremotos a submergir as vossas costas. Consigo ver por diante pedaços de terra a cair nos oceanos, e consigo ver uma cratera a abrir-se pelo fundo do oceano e seguir a estrutura enfraquecida do núcleo central e dilacerar e dividir a Terra em pedaços. E a única possibilidade que o homem tem está em provocar enormes explosões nos terminais dessas fissuras a fim de salvar o globo que puseram tão intencional e estupidamente puseram em perigo. Isso também irão vocês ver. Por não poderem perturbar a débil energia negativa material da Terra e aumentar a força positiva da atmosfera sem provocar uma devastação à superfície da vossa Terra.



Hapgood: Irá isso representar uma devastação física ou espiritual?



Einstein: Será ambas. Por vocês estarem a contrariar as Leis Imutáveis. Quando o homem perfura as seis ou sete centenas de milhas da atmosfera, que constitui uma protecção deste mundo, ele está a provocar buracos nessa atmosfera que pode causar uma perturbação de toda a vida. Assim, embora ainda isso não seja ainda visível, o homem destróis o mais grandioso planeta da galáxia.



Verão isso suceder, não de imediato, mas à medida que a forças vibracionais aumentarem devido a essa horrenda explosão, e abrirem um buraco no núcleo da Terra. Isso constitui de novo um apelo que vem de longe, apoiado tanto por leituras filosóficas como pelas escrituras (autoridades)* de que é possível perfurar o leito dos oceanos.



* Einstein usa aqui o termo “filosófico” em termos de evidência comprobatória. No século dezoito a ciência era referida como “filosofia natural,” e essa prática continuou na Alemanha até ao tempo de Einstein. Devemos lembrar-nos de que a língua materna de Einstein era o Alemão e que ele pensava em Alemão.



E vós no vosso intelecto conseguis entender a investida da água a chocar com o calor infernal do núcleo da Terra. O vapor, que constitui uma força possante, que pode fazer rebentar com o topo do vosso mundo.

Fiquem com a minha paz.



Charles Hapgood



Ao permanecer sentado a escutar aquelas palavras vieram-me à mente alguns fragmentos de informação que encaixavam no que Einstein estava a referir. Lembrei-me da explosão vulcânica do Krakatoa, a maior explosão registada na história que se deu nas Índias Ocidentais em 1883. O maremoto que provocou foi descrito como tendo atingido os trinta metros, afogou 20000 pessoas nas Índias Ocidentais. A onda atravessou o Pacífico percorrendo-o a 1280 quilómetros por hora, e atingiu as costas da América no Norte e da América do Sul. A poeira vulcânica cercou o globo e deteve vinte por cento do calor irradiado pelo sol. Durante três anos as temperaturas atmosferas por todo o mundo foram reduzidas; geadas tardias e prematuras destruíram as colheitas. Crê-se que a explosão tenha sido causada por uma ruptura que se tenha verificado no leito do oceano que terá permitido que a água do oceano tenha penetrado na rocha fundida no cone do vulcão. A água foi transformada em vapor, e quando a pressão acumulou o suficiente toda a montanha foi lançada no ar, e deixou um profundo buraco no seu lugar.



A bomba de Amchikta foi detonada num poço 1820 metros abaixo da superfície da Terra e tinha uma força equivalente a 4,5 biliões de quilos de dinamite. Criou uma temperatura na crosta de vários milhares de graus centígrados. Claro que, de tudo isso ocorreram certas consequências inevitáveis. Antes de mais, pressões que foram criadas em todas as direcções, ou seja na vertical e na horizontal.



As pressões horizontais tenderam a cindir a crosta, e a criar fissuras ou rachas através das quais a água dos oceanos puderam penetrar até ao magma quente lá no fundo da terra. Conforme Einstein disse, com o tempo isso poderia gerar pressão de vapor suficiente para provocar uma segunda explosão maior que iria mesmo a ponto de alargar a fenda, e deixar que vastas quantidades de água entrassem em contacto com a rocha derretida na base da crosta. Aquilo que Einstein previu é uma espécie de reacção em cadeia com explosões sucessivas cada vez maiores, à medida que a racha na crosta da terra aumentava por todo o oceano e porventura dos continentes.



Pelos relatórios apresentados parece que esse aspecto da coisa foi na generalidade ignorado até mesmo pelos ambientalistas. Acho que existe ainda um outro factor que pode ter sido negligenciado pelos geólogos. Durante os passados trinta anos a literatura do campo da geologia tendeu a ignorar, ou seja, a esquecer, um facto bem conhecido dos geólogos de há cinquenta anos atrás. O facto é a existência de dois enormes sistemas de fractura ou falhas que envolvem o globo e penetram até às profundezas da crosta. Cada padrão assemelha-se a uma grelha e consiste em falhas maiores em paralelo entre si e falhas menores em ângulo recto em relação a essas. Um orientado no sentido dos polos e o outro na diagonal. Existem literalmente milhões dessas fraturas, muitas vezes separadas apenas por oito quilómetros entre si (Isto foi debatido no meu livro “Path of the Pole”)



A crosta terrestre não é, pois, uma concha contínua, mas consiste numa diversidade de blocos de formas e tamanhos variados. Devem existir muitas fracturas dessas nas redondezas da Ilha de Amchitka. A força da explosão nuclear podia muito bem separar as paredes dessas fracturas e deixar entrar a água do oceano.



Einstein evoca ainda uma outra possibilidade, e na verdade parece realçá-la de forma especial. Ele diz que a explosão abrirá um buraco até ao núcleo da terra; ou seja, até à rocha ardente sob a crosta que a maior parte dos geólogos referem como “manto.” Para vermos o quanto de racional a sua sugestão envolve deveríamos considerar os seguintes factos: a temperatura criada a 1820 metros abaixo da superfície era equivalente à da superfície do sol.



Naturalmente que não só fundiu como vaporizou uma certa quantidade de rocha. Isso, claro está, pode ter contribuído consideravelmente para as pressões que operam na vertical e na horizontal. Mas o facto vital aqui assenta na lentidão com que o calor se propaga através da rocha. O falecido reitor dos geofísicos Ingleses, Sir Harold Jeffreys, deão dos geólogos britânicos, estimou que levaria 140,000,000 de anos a arrefecer uma coluna de rocha situada a onze quilómetros sob a superfície da terra à temperatura de 250º. Tal facto, a elevada resistência que a rocha apresenta na dissipação do calor, significa que essa elevada temperatura não se dissipará rapidamente mas permanecerá concentrada sob a Ilha de Amchitka. O calor que se elevar na direcção da superfície da terra presumivelmente dissiparia ao atingir o leito do oceano, onde a água espalharia o calor, mas o que Einstein sugere, creio bem, é que o calor que penetrar no sentido descendente que for impedido de se dissipar pode abrir um buraco até ao mato derretido, apenas uns quantos 32 ou 48 quilómetros. Parece ser isso que ele espera e a ideia é razoável. Claro que o resultado seria uma convulsão titânica e o começo de uma fissura que se podia propagar pelo leito do oceano.



Na segunda-feira após a explosão de Amchitka Babbitt passou por uma experiência peculiar. Ele contou-me que, desde que se levantara pela manhã bem cedo e durante todo o dia, a terra parecia estar a arfar em grandes ondas. Descreveu a sensação como estar em alto mar num pequeno barco. Viu-se a tentar saltar de crista em crista, com cada uma dessas vagas. Teve ocasião de conduzir o seu camião até à cidade vizinha de Greenfield, no Massachussets, e durante todo o caminho o camião parecia erguer-se e afundar-se à passagem das ondas pela superfície terrestre. Não conseguia entender o fenómeno, e pediu-me para interrogar Einstein numa reunião marcada para o dia seguinte.



 A 9 de Novembro de 1971, terça-feira, conforme já descrevi, executamos testes com Babbitt no Hospital Comunal de Elliot, em Keene. Após os testes entrei em contacto com Einstein, e perguntei-lhe se teria visitado Amchitka em espírito desde a explosão e se tinha visto alguma fissura no leito do oceano. Ele disse que sim, e que por enquanto ainda não existiam fissuras, e depois prosseguiu:



Einstein: A força vibracional está a penetrar as entranhas da terra, e vocês verão modificações durante a vossa próxima primavera e durante o próximo ano. Isso irá levar pelo menos seis a sete meses, mas a terra sofrerá reacções. Essas modificações adoptarão a condição de onda e tornar-se-á difícil caminhar à superfície durante esses períodos. Talvez eu devesse simplificar isso comparando-o a tentar caminhar sobre um boião de geleia.



Hapgood: Nesse caso na experiência de ontem Babbitt estaria realmente a captar por antecipação a condição que mencionou?



Einstein: Está gradualmente a atingir a superfície.



Hapgood: Estará actualmente a água a penetrar nas fendas do leito oceânico?



Einstein: Ainda não. Precisa de tempo para que isso aconteça.



Retrocedendo às profecias geológicas feitas por diversas entidades durante os anos que trabalhei com Babbitt, assim como às profecias similares de outros psíquicos de todo o país, podemos compreender o significado e atribuir-lhes, um enorme significado  à luz das alegações de Einstein, sobre a explosão de Amchitka. Pela primeira vez temos algo bem definido com que podemos trabalhar. O meu próprio trabalho realizado em Earth's Shifting Crust e a edição revista e publicada com o título The Path od the Pole, não se garantia em tais bases, por as mudanças perspectivadas nesses livros serem mudanças que ocorriam na sua maior parte de modo comparativamente gradual, ou seja, por períodos de centenas de milhares de anos.



As profecias geológicas nem por isso têm tido muito sucesso no passado. Não têm faltado os diversos grupos religiosamente inspirados que, periodicamente,  profetizam o fim do mundo, desde o princípio do Cristianismo até meados do século dezanove. Nostradamus, a despeito do surpreendente sucesso obtido com as profecias que fez no século dezasseis, também falhou nas suas predições geológicas, que incluíam, além de outras, a previsão de um cataclismo geológico que deveria ter acontecido na Europa, no decorrer do século dezoito.



Já anteriormente mencionei a prática de escrita automática que desenvolvi. A 23 de Novembro de 1968, senti-me compelido a utilizar a máquina de escrever, O que daí aparentemente resultou foi uma mensagem de Nostradamus a criticar as interpretações literais das profecias geológicas. Disse ele:



"Você não interpretou correctamente essas mensagens por elas serem simbólicas. Aqui nós não dispomos do tempo que vocês conhecem, pelo que vemos o que vai ocorrer, porém, num sentido espiritual. Quando falamos de armazenar alimentos, isso significa um preparo para um problema espiritual. Os desastres que antevemos no futuro são aqueles que os homens preparam para si mesmo, em espírito. O vosso mundo é um mundo físico, não é o nosso mundo. Das coisas físicas são vocês que devem aprender por meio do cérebro e dos sentidos pelo método a que os homens chamam ciência."



Nada posso fazer contra isso, mas sinto que o conceito que tantas pessoas têm sobre as profecias das mudanças terrenas, tais como foram sugeridas por Edgar Cayce, constituem simples expressões de atitudes materialistas como se pensassem que somente a ocorrência de predições de mudanças terrestres pudessem autentificar e estabelecer as profecias. Mas, conforme vimos através dos variáveis sucessos das profecias citadas, não é necessário insistir na completa efectivação física da profecia. Sem dúvida que a profecia constitui um facto, e talvez a modificação geológica prevista por Einstein ocorra um dia. Talvez as outras entidades que profetizaram cataclismos físicos, na verdade os tivessem visionado. Por outro lado, penso que devamos tomar muito a sério a sugestão aparentemente vinda de Nostradamus, em que nos diz que por mais positivas e específicas que as profecias de variações físicas sejam, elas devem ser interpretadas simbolicamente. A insistência em provas físicas foi desaprovada desde Tomé.



Temos que considerar, à luz dos casos que citei, que nas zonas de progressão para além do nível terrestre, o tempo, tal como o conhecemos não existe. Isso foi insistentemente repetido pelas entidades que se manifestaram através de Babbitt. Para além dos limites do mundo físico, dizem eles, não há tempo nem espaço, e tudo é expresso num infinidade de vibrações. Para uma entidade nessas zonas, é possível ver algo dos acontecimentos terrestres do futuro quando ao nível da terra. Contudo, conforme veremos nas discussões seguintes, um certo número de factores limita a capacidade de qualquer entidade prever acontecimentos futuros. Por intermédio das experiência que tive com Babbitt, descobri que, entre tais factores, os mais importantes serão os proporcionados pelas leis do livre desejo, que são o pilar fundamental do universo. Todas as entidades sublinharam enfaticamente a absoluta liberdade do espírito individual de traçar o seu próprio rumo. A capacidade de adivinhar o futuro com absoluta precisão pertencerá somente, pois, ao Todo-Poderoso, à suprema vibração, da qual é possível ver o que cada espírito no seu próprio e livre desejo decidirá fazer quanto ao seu próprio futuro terrestre, assim como a sua individualidade se vai interligar com as decisões do livre-arbítrio de todas as outras entidades e com as forças naturais. Obviamente que tal coisa só é possível a Deus.



Portanto, a precisão das previsões depende da posição ocupada pela entidade que as faz, na escala das progressões. Quanto mais alto nelas se encontrar, mais imprevisíveis serão as previsões; no entanto, a altura em que se encontra não é só o que importa, por existirem sempre factores que podem interferir com a completa realização do que tiver sido predito. Parece haver casos em que as previsões são feitas pelo próprio Todo-Poderoso, como será, talvez, o caso das profecias de Jeanne Dixon sobre o assassinato do Presidente Kennedy, como ela o crê. Tais predições, evidentemente muito raras, dependerão do que conheçamos com antecedência se elas tiverem sido originadas no zénite. Mas como poderemos nós saber?



Outro factor que frustra muitas previsões é o desejo inconsciente presente em todos os indivíduos. Suponhamos um certo número de pessoas com o bem conhecido tipo de neurose que as compele a destruir-se a si mesmas. Os jogadores, por exemplo, muitas vezes sofrem deste tipo de doença mental. Muitas pessoas do mesmo género sentem-se compelidas a desprezar as oportunidades das suas vidas, cometendo erros em momentos críticos. Suponhamos que um psíquico prediz que uma pessoa desse tipo venha a ter sucesso em tal ou tal actividade, que encontrará a companheira da sua vida, ou um bom emprego. A neurose interna dessa pessoa tudo fará para frustrar a profecia.



Descobri ainda um outro factor a ter em conta. Muitas profecias psíquicas exibem condições a elas ligadas, ainda que essas condições nunca sejam adoptadas pelas entidades. Uma dessas condições é a de que o indivíduo a quem é feita a predição deva fazer tudo o que lhe pareça razoável para que ela possa acontecer. Se a predição disser que venha a conseguir um bom emprego, a pessoa deve procurar por ele. Se apenas se sentar comodamente em casa e nada fizer, porque deverão as entidades ter todo o trabalho? Os Deuses, como diziam os Romanos, ajudam apenas aqueles que se ajudam a si mesmos. Além disso, ao preverem coisas boas a uma pessoa, as entidades muita vez parecem partir do princípio de que essa pessoa seguirá na vida um rumo positivo, baseada nas forças construtivas do espírito, no amor, e nunca no ódio. Ela deve ser digna do que lhe foi prometido.



Ainda um outro factor que deve afectar as previsões são as condições em que as entidades, ao fazê-las, interpretam ao pormenor as condições terrenas no campo em que são feitas. Se for no campo geológico, a entidade precisa ter bons conhecimentos dos princípios da geologia física. Não existe nenhuma via real de conhecimento, mesmo para as entidades. Cada uma delas, seja dentro ou fora do corpo, tem que se especializar em determinado campo do conhecimento (sabedoria). Muitas entidades, por efectivamente serem tão falíveis quanto todos nós, tentam predizer acontecimentos sobre assuntos de que nada percebem, e compreensivelmente, só provocam confusão.



Portanto, a primeira coisa a apurar relativamente à entidade que se expressa por intermédio de um médium é qual a especialização que abrange - o que sabe acerca do que nós sabemos. Entre todas as entidades que mencionaram cataclismos terrestres, a única que tomei a sério foi a do Einstein e, mesmo assim, com reservas. Creio que tenha sido honesto para connosco, mas penso que tenha ignorado factores geofísicos passíveis de evitar os desastres previstos. Muito sinceramente assim o espero.



FISHER FALA SOBRE PROFECIA



Charles Hapgood

Eu desejara ter uma conversa sobre a profecia psíquica com o controlador do Elwood, o Dr. Frederick Fisher, coisa que foi arranjada para 23 de Agosto de 1969. Como toda a conversa é recheada de interesse e o Dr. Fisher fez uma série de profecias, algumas das quais vieram já a concretizar-se, aqui incluo a seguinte transcrição da gravação:

Fisher: As minhas cordiais saudações espirituais para si nesta manhã, Sr. Hapgood. Eu sou o Doutor Fisher, um dos controladores do médium. Ao observar os seus pensamentos e meditações acho-me com competência para lhe prestar assistência neste problema técnico do profetizar sobre o futuro do homem e os eventos do mundo.

A profecia surge através da porta da meditação e não da oração. Por a oração constituir uma amissão de sinais do pensamento. A meditação constitui o completo silenciar dos pensamentos, onde se recebe aquilo que se aproxima pela mais elevada frequência que se pode atingir por meio do seu grau de sensibilidade, da sua ansia emocional, e pensamento intelectual de vínculo material.



Agora, se restar alguma dúvida no seu cérebro de que não sou aquele com quem deseja conversar sobre esta questão, procuraremos alguém que sinta que possa ajudá-lo mais.

Hapgood: Bom, estou certo, Dr. Fisher de querer bastante conversar consigo. Estou certo de que tem muito a dizer-me e de que me poderá ser de grande ajuda.



Fisher: Eu tenho estado junto a este médium desde o momento da sua concepção biológica. Acompanhei o padrão do seu desenvolvimento, conversei com ele antes mesmo de ele aprender as disciplinas de uma vida material, antes que ele pudesse pronunciar uma palavra ou formar uma ideia. E tem sido nosso esforço manter o seu espírito em sintonia com todas as condições materiais externas.

Bom, não vou utilizar energias com a vida que vivi na Terra, por poderem encontrar informação relativa a isso nas vossas bibliotecas. Mas suficiente será dizer que faço parte de um grupo de três mencionado nas vossas bibliotecas. (Nenhum resultado foi obtido dos esforços envidados no sentido de encontrar referências ao Dr. Fisher)

Hapgood: Qual foi o nome próprio que adoptou?



Fisher: Dr. Frederick Fisher, filósofo dotado de uma força mental de visionário (imaginativa ou clarividente) que carreguei ao longo dos anos. Agora, para entrarmos num entendimento quanto à questão da profecia, precisamos considera-lo não só do ponto de vista material mas de uma vertente igualmente espiritual. Precisamos considerar os significados esotéricos. Quer dizer, o Todo-Poderoso, a Eternidade, o Núcleo, o Nirvana, conforme dizem os Budistas. Se associarmos as nossas previsões com essas, tornamo-nos mais aptos a profetizar o futuro da humanidade.

O nosso primeiro grau profético é manifestado em sonhos concernentes ao futuro material. Eles precisam ser vívidos, muito detalhados, caso realmente prevejam eventos do porvir. Todavia, na generalidade são compostos por imagens simbólicas que são passíveis de ser interpretadas de forma errónea, a menos que sejam cuidadosamente analisadas. E eu não aconselho ninguém a fazer previsões que não receba a mesma imagem pelo menos três vezes e se certifique de que se mantém idêntica e fixa. Entende a importância disso?

Hapgood: Entendo, sim. Creio que entendo.



Fisher: Bom, quando profetizamos, estamos a solicitar que seja fixo. Quer dizer, ao vermos uma determinada imagem estável três vezes com todos os detalhes na mesma, sabemos que temos uma profecia. Contudo, resta uma dificuldade. Porque sem uma medida temporal, sem um calendário actual, a data da profecia precisa ser interpretada por meio das mudanças das estações da Terra, ou através das diversas posições das estrelas que exercem um efeito preponderante naquilo que está a ser profetizado.

Hapgood: Quer dizer que a posição das estrelas é importante?

Fisher: Elas têm a sua importância na atmosfera celestial, conforme nós lhe chamamos.

Hapgood: Bom, doutor Fisher, está a par das perguntas que trago nesta lista? Quero dizer, escutou as perguntas ao redigi-las?

Fisher: Primeiro, deixe que terminemos o presente assunto. Bom, têm sido feitas profecias que não ocorrem.

Hapgood: Sem dúvida.

Fisher: Muitas, não só deste meio mas de outros. Mas eu posso dizer que nenhuma profecia pode chegar a ser verdadeiramente válida a menos que comuniquem com um verdadeiro mestre ou penetrarem na luz dourada da Consciência de Cristo, o que é possível por intermédio das vias da meditação.



Agora, para compreendermos porque as profecias não acontecem – elas são efectivamente vistas, mas o seu grau de exactidão depende da frequência em que são vistas, do desenvolvimento que o médium e os controladores que com ele trabalham, na frequência seguinte, tenham atingido. Mas para uma demonstração verdadeira e válida de profecia precisamos penetrar a vibração principal. Decerto que não pediríamos a ninguém na terra que predissesse o movimento do mercado de acções quando nada sabem de acções ou da forma como as operam.



O homem comum na Terra acha-se muito propenso a pensar que ao entrar no espírito (morrer) tudo chegue a saber, e todos os segredos venha a compreender. E muitas vezes rio-me das pessoas que entram no espírito e descobrem que não são diferentes, que não possuem segredos ocultos, e que não existe qualquer fórmula mágica; que só terão aumentado a sua frequência um outro grau e que se acham limitados pelas experiências que tiverem trazido da Terra.

Portanto, temos que ter cuidado com quem falamos, e certificar-nos de que nos encontramos em contacto com o mais elevado grau do espírito possível, em vez de aceitarmos tudo quanto proceda do tabuleiro Ouija, das cartas, ou da parte de quantos professem que profetizam numa condição de transe. Isso é suficientemente realçado no livro do mestre (Cristo) e mesmo isso não é completamente infalível. Mas parafraseando, recordamos as palavras que Jesus proferiu quando preveniu os discípulos para porem o espírito à prova.

Hapgood: Sim, eu entendo.



Fisher: Bom, muitas profecias sofrem um atraso. São tomadas como verdadeiras, no entanto sofrem um atraso. Assim como é possível que a pessoa em questão (concernente à profecia) tenha mudado a mentalidade. Pode ter pesquisado e descoberto uma cura positiva para o seu problema. Por as vacilações constantes da frequência poder alterar condições num piscar de olhos (num clarão do vosso relâmpago material).



É por isso que digo que para se penetrar nas profecias, precisa-se gozar do mais elevado domínio ou da mais elevada vibração. E mesmo assim, precisa-se pô-lo à prova pelas mais diversas formas do que diga respeito ao tempo. Trata-se de tarefa difícil apontar um tempo absoluto, um dia específico dos vossos. No entanto, pode ser conseguido. Contudo há factores que podem alterar as condições. Mas em parte é uma questão que depende não só do padrão do vosso desenvolvimento como daquele da pessoa afectada.



Hapgood: Pois. Bom, estará preparado para fazer alguns prognósticos sobre questões que sugeri nesta lista?

Fisher: Eu estive contigo no teu lar quando te sentaste a meditar muito tranquilamente sobre as profecias e a próxima experiência que se te afigura pela frente, na tua vida espiritual.



Hapgood: Pois. Bom, eu trago algumas perguntas específicas acerca de eventos futuros relativos ao nosso mundo. Importa-se de dizer alguma coisa sobre algumas das que eu listei aqui?



Fisher: Não me sinto qualificado para entrar em questões de profecia. Em vez disso, acho que deveria vir do alto, da parte daqueles que conseguem perscrutar a existência mundana e ver todos os elementos em operação e que os conseguem computar de modo que a resposta exceda qualquer dúvida e indique uma vibração verdadeira e fixa.

Posso dizer que a tua nação, os Estados Unidos, verão sem dúvida uma guerra civil. Não afirmo estabelecer um tempo. Julgo-o com base no rancor que apuro nos corações dos homens e da mesquinhez que não consegue abranger a verdadeira lei da espiritualidade. As pessoas precisam perceber que são tanto espirituais como materiais. E precisa existir um equilíbrio entre esses dois aspectos. Caso contrário um supera o outro, e isso periclitará na violência.



É por isso que eu digo, Sr. Hapgood, que há muita coisa a considerar. E é através do seu próprio poder de meditação que descobrirá as verdadeiras respostas para as suas questões.

Resumindo: parece que Elwood Babbitt possui o dom da profecia, o que o ajuda com os que os consultam, mas somente por tender a despertar os conceitos materialistas que dominam as suas mentes, o que os leva a mais profundos conceitos da natureza real. O seu dom tem limites, como todos os dotes psíquicos. Ele pode ver o futuro à distância mas não muito, por o seu grau de poder profético ser proporcional ao desenvolvimento espiritual. Também acredita que o futuro nos reserva coisas de grande importância. Isso mesmo se aplica às entidades que falam através dele, por serem individuais, cada uma dotada de um grau de desenvolvimento próprio, cada uma delas falível. Por fim, as profecias são coisas generalizadas, além de perigosas para os que acreditam em interpretações materialistas, ou as desejam.





JOHN F. KENNEDY



Alfred Isroe, um aluno meu, sugeriu-me que tentasse entrar em contacto com o espírito de Nostradamus, o grande astrólogo e profeta do século dezasseis, para ver se ele conseguia fazer novas profecias. Eu achei uma excelente ideia, mas nada revelei com respeito a isso a Babbitt., Assim, a 20 de Agosto de 1967, dois dias despois da conversa com Lincoln, encontrei-me com ele para uma das regulares sessões, na qual não entraria em transe, usando o costumeiro bilhete. Enderecei-o a Nostradamus.



Observei Babbitt sentado à minha frente a segurar o bilhete que lhe tinha passado para a mão, e notei que parecia inquieto, como se alguma coisa o preocupasse. Então, ele revelou-me que havia uma entidade presente que desejava falar-me. Abruptamente entrou em transe e ocorreu a seguinte conversação:



Kennedy: Saúdo-o, Professor, e pergunto-lhe se me está a ouvir bem através desta voz mecânica.



Hapgood: Estou, sim, muito bem.



Kennedy: Sinto estar a falar por uma multiplicidade de canais, por ser amplamente diferente chegar aqui por esta forma.



Hapgood: Com quem estou a falar?



Kennedy: É com o John F. Kennedy que está a falar. Vim aqui para falar por breves instantes acerca da minha curta estadia. Lamento que, enquanto Presidente dos Estados Unidos da América eu não tenha estado à altura das exigências que me foram atribuídas... Foi uma altura em que descobri estar a fazer concessões àqueles que eu sabia não simpatizarem com a ideia e a visão que eu tinha para esta nação. Eu sei e posso constatar que esta nação afunda no conflito, no entanto, uma banda protectora que a rodeia será de enorme ajuda contra que agora procuram dominar o mundo. No futuro verão uma mudança acentuada nas fronteiras Russas. Deverá verificar-se um tremor de Terra na área da China Vermelha.



Hapgood: Refere-se ao governo da China Vermelha?



Kennedy: E ela será destruída pela violência da Terra. Irá verificar-se uma mudança da Terra nessa região, mas claro que está a par disso, já que escreveu sobre isso no seu livro sobre as deslocações terrestres. Eventualmente será destruída pelas forças da natureza e não por guerras.



Hapgood: Dentro de quanto tempo, em termos terrestres?



Kennedy: Surgirão vastas fendas na crosta terrestre e muitos serão engolidos no esquecimento. Irá dar-se um acontecimento que irá abalar o mundo.



Hapgood: Em tempo terrestre, quando irá verificar-se isso?



Kennedy: Em termos terrestres, será daqui a uns anos, mas devo precaver-me quanto ao tempo exacto por ainda não conseguir ver com clareza a forma como o espírito e o tempo se coordenam.



Hapgood: Bom, poderei fazer uma ou duas perguntas? Todos ficamos em choque pelo modo como nos deixou, e eu fiquei profundamente preocupado, em especial nos últimos dias com o mistério do que efectivamente sucedeu.* Que forças terão cooperado na produção de coisa tão terrível como a que sucedeu em Dallas? Não acreditamos que a explicação que nos foi apresentada no Relatório Warren seja verdadeira... Desejava muito saber o que realmente se terá passado.



* Ao escrever esta nota, após dois anos, ocorreu-me ter sido a minha concentração no assassinato, naqueles dois dias, que motivou a visita de JFK.



Kennedy: Deixe que diga, com toda a franqueza, que eu não estava preparado para aquele elevado posto no governo. Foi posição que fora comprada e não merecida, e ao me descobrir incapaz de tão importante cargo, soube, tive a intuição que não o aguentaria por muito tempo. Não sabia de que modo (o assassinato) iria suceder, mas agora que acontecer posso entender, por existir uma enorme força exterior a mim e fora do vosso mundo que me aliviou dessa posição...



O modo como exactamente se deu não foi sinceramente revelado, por ter havido muita gente, entre os quais senadores, envolvidos no meu desaparecimento. Nenhum outro país deve arcar com as culpas. Isso foi tudo instigado internamente por parte daqueles que acharam que eu estava, nas decisões que tomava, a entregar o país a uma outra facção.



Hapgood: Sr. Kennedy, ocorreu-me que os esforços que o senhor e o seu irmão estavam a fazer no sentido de atacar os sindicatos do crime possa ter estado ligado ao assassinato. Consigo compreender como certa gente associada com um e com o outro tinha muito a ganhar caso conseguissem remover a fonte de perigo que representava para os sindicatos.



Kennedy: Tem toda a razão. Muito foi o que passou do submundo para a Casa Branca, que tomou parte nisso. Existe tal ganância e discórdia e fraude que manter uma norma equilibrada e fidedigna será aparentemente impossível, por ser necessário que estejamos vigilantes e nos protejamos enquanto procuramos desempenhar tão importante cargo. Você está correcto na sua suposição, que lhe foi transmitida de uma forma enérgica da parte do espírito, e quase conseguiu ver – na verdade conseguiu vê-lo – o quadro que se desdobrou diante de si.



Hapgood: Alguns chegaram a supor que o Sr. Johnson estivesse antecipadamente a par da conspiração. Suponho que isso não fosse verdade. Acho que possivelmente tenha sido favorável a alguns que tenham estado envolvidos, mas não creio que ele próprio tenha estado envolvido.



Kennedy: Ele não esteve envolvido. Mas uma vez mais, também aí se verificará uma mudança súbita, por ele se juntar a nós no nível espiritual.



Hapgood: Isso sucederá antes da próxima eleição?



Kennedy: Por esta altura não lho posso dizer com certeza, mas sucederá em breve e da forma mais inesperada.



Hapgood: Entendido.



Kennedy: Só estou aqui há pouco tempo, e muito precisei aprender, por as doutrinas e os credos do mundo me terem deixado as ideias completamente baralhadas. Elas precisaram ser afastadas e substituídos pela verdadeira percepção do espírito. Mas posso dizer-lhe que nos próximos cinco anos a corrente dos acontecimentos adoptará um forte significado. Não fique consternado com o que vir ou ouvir...



Hapgood: Vê que isso possa incluir alguma guerra nuclear mais significativa?



Kennedy: Não, não me é dado ver que sejam utilizadas armas nucleares, mas vejo as forças da natureza em destaque. Mas à medida que a Terra estremecer, e a humanidade perceber a tremenda força que a natureza possui, as pessoas baixarão as cabeças e perceberão que na verdade a vida material por mais longa que seja é curta, e com a compreensão da espiritualidade viverão juntas numa coexistência pacífica.



Hapgood: Fico-lhe imensamente agradecido pela visita que nos fez, Sr. Kennedy.



Kennedy: Devo aprender e progredir e chegar a conhecer a senda verdadeira como não foi a que aprendi na Terra. É muito melhor que continue neste progresso. Lamento, conforme todos lamentam, ter deixado a minha encantadora família, mas isso é também uma história trágica que o mundo não percebeu, mas teremos mais alturas para conversar.



Em relação a estas entrevistas com a Rainha Isabel I, Freud, Lincoln, e outros, tem-se-me posto a questão de como pude contactar com tanta gente tão importante. Na verdade, a resposta é simples. Porque devotei a minha vida à história, á arte e à ciência, e me interesso profundamente por personagens históricos? Provavelmente isso origina uma ligação vibracional que os atrai.





BISPO JAMES PIKE



A 14 de setembro de 1969 estava eu à espera que Babbitt voltasse a si após uma entidade o ter abandonado. Normalmente eram-lhe necessários três a quatro minutos para gradualmente voltar a si. Neste caso não via sinal de que retomasse a consciência. Subitamente pareceu que outra entidade penetrara no seu corpo. Inclinou-se para a frente e correu os dedos pela mesa diante dele, com que à procura de algo, e depois falou. O gravador continuava ligado.



Pike: Charles Hapgood?



Hapgood: Sim. Sim.



Pike: Viu os meus óculos?



Hapgood: De momento não os vejo aqui.



Pike: Ando à procura dos meus óculos...



Hapgood: Bom, com quem estou a falar?



Pike: Sou o Bispo Pike.



Hapgood: Bispo Pike!!!



Pike: Só o queria cumprimentar. Vivo muito em prol da continuidade da vida, sabe?



Hapgood: Sim, bem sei que sim.



Pike: Queria dizer que me conduziram a si, por ver que está a escrever um livro.



Hapgood: Estou, de facto.



Pike: Sinto-me empolgado com as ideias que expressa com relação a isso. Desejaria poder encontrar os meus óculos.



Hapgood: Bom, lamento, mas aqui não estão. Mas claro que está a par de que esses eram óculos materiais; eles não se encontram aqui. Mas você deixou-os na terra Santa, presumo, onde deixou o corpo.



Pike: Pois foi, deixei-os nas areias, creio bem.



Hapgood: Foi. Terá alguma mensagem para a sua mulher ou família, que lhes possa comunicar?



Pike: Não, por esta altura, não tenho. Ainda estranho um pouco esta condição. Embora esteja inteirado dela, é esquisito vir a este corpo por mais um momento. Mas quero familiarizar-me com esta novidade, por ser uma novidade, já que o meu filho Jim* ficou encantado por me ver e termos podido conversar mas eu ainda quero aprender a manipular de novo a carne, para podermos (agora) conversar de novo.



*(NT: O seu filho tinha cometido suicídio em 1966,e o Bispo Pike morreu na Terra Santa em 1969)



Hapgood: Pois bem, está a sair-se muito bem. Poderia dizer-me como foi que se deu o acidente na Terra Santa, onde perdeu o seu corpo?



Pike: Bom, recordo que caí, mas é tudo quanto recordo. Mas depois lembro-me de olhar e de ver o meu corpo no chão enquanto eu permanecia de pé.



Hapgood: Upa!



Pike: Mas para mim isso constituía novidade.



Hapgood: Quem foi a primeira pessoa que terá visto ao abandonar o corpo?



Pike: O Jim, o meu filho, estava ali mesmo para me ajudar.



Hapgood: Ah, pois.



Pike: E estamos muito chegados de novo, mas foi excelente vê-lo. Mas queria habituar-me a esta novidade, e estou encantado por ter sido conduzido aqui pelas diligências a que está a dar continuidade, mas desejava ter vivido o suficiente no mundo material para estabelecer mais do que você está a estabelecer, mas o meu bispado pareceu meter-se no caminho. Mas creio que o outro lado do “campo” se sinta ditoso por me encontrar no espírito, para alívio do embaraço que lhes causei.



Hapgood: Bom, creio que nada disso tem importância.



Pike: Preciso ir, mas voltarei a vê-lo de novo.



Hapgood: Obrigado.



Pouco tempo atrás após esta inesperada comunicação pedimos ao controlo de Babbitt, o Dr. Fisher, para contactar de novo com o Bispo Pike. O Dr. Fisher explicou-nos ser isso impossível por Pike ter sido enviado para a escola. Perguntamos quanto tempo lá estaria, ao que Fisher respondeu que seriam umas duas semanas. A 5 de Outubro de 1969 conversamos de novo com Pike.



Pike: Charles…



Hapgood: Sim



Pike: Está aí? É o Bispo Pike.



Hapgood: Oh. Bispo Pike.



Pike: Na volta, encontrei os meus óculos. Eles não estavam perdidos, mas arranjei uns novos e agora estou bem.* Estive na escola, e aprendi um pouco mais a manejar este corpo e esta vibração, e agora que me encontro aqui seremos capazes de conversar durante um tempo.



* Embora tivesse perdido o corpo, o Bispo Pike continuava ainda, nesta altura, a acreditar que necessitava de óculos. Isso ilustra o que acontece com muitas comunicações espiritualistas em que as pessoas depois de mortas continuam a ter as mesmas ideias do mesmo género de vida, como comer, beber, etc.



Pergunta: Estou a entender. Agora, com respeito à escola que frequentou, estamos muito interessados em saber que tipo de estudos fez e se o volume de material abrangido durante estas duas semanas será equivalente a um período de estudo mais prolongado aqui nas nossas escolas.



Pike: É à vibração espiritual que se refere? Descubro, ou descobri, assim que me deparei com esta condição, que não sabia, ou não via, ou não percebia como me fora ensinado nas escolas de teologia, mas sei que o encarei com naturalidade e que só retive aquilo que aprendi, mas não aprendi o suficiente sobre o espirito para me refazer de forma a poder manipulá-lo e voltar, e não consegui perceber com clareza suficiente até ter deixado todos os despojos do que tinha aprendido de um jeito material com base nas ideias que tinha, e perceber que preciso crescer de uma forma fantástica e incrível para com um mundo no geral. Descubro que nesta condição o pensamento constitui o meu veículo, e assim como penso, deparo comigo em diversos sítios.



Hapgood: Ah, pois…



Pike: Mas ainda me encontro nesta vibração inicial em que entrei nesta novidade. Gosto disto. Comporta uma enorme liberdade, só que sinto um horrível desapontamento por tudo quanto ensinei às pessoas e espero conseguir que me perdoem por ter sido tão presunçoso com relação ao que tão pouco sabia.



Hapgood: Oh. Poderia dizer-nos quem o orientou para nós, Babbitt e eu?



Pike: Primeiro, era muito adepto da crença, conforme sabe, no mundo material, de contactar o meu filho, mas agora que para aqui vim, percebo que precisava projectar uma mensagem ao mundo. E fui guiado para esta vibração elevada para o fazer, por haver muito aqui que admiro, no entanto torna-se tão fantástico e inacreditável para as pessoas do mundo material. Elas não conseguem perceber a beleza disto.



Hapgood: Entendo. Bom, nessa escola que frequentou, deve ter aprendido muito lá, nestas duas semanas. Nas nossas escolas terrenas quanto tempo levaria aprender e abranger um volume idêntico de material? Alguns anos?



Pike: Eu fui enviado a um Mestre, conforme lhes chamam, ou professor, ou doutor, seja qual for o termo que se aplique no material. E uma vez aí fui instruído por ele, o que foi feito por uma alteração das condições e de vibrações, dos impulsos, de modo que aprendi a desenvolver e a aceitar e a perceber que, através desta energia eléctrica nada era impossível. E cheguei a compreender que saberia muito mais se aceitasse por completo que não existe nada impossível, conforme reiterei antes. E desenvolvi-me nisso. Equipararia isso a dois anos de aprendizado intensivo na Terra. Mas cheguei a aceitá-lo plenamente e graças a esta energia criativa de que falou, graças à qual me encontrei com Jim, o que muito me impressionou de verdade, e com o que me comprometi por completo.



Hapgood: Sim. Gostava de saber se terá encontrado alguém aí desse lado.



Pike: Ainda não me encontrei com ninguém. Apenas o ensino que recebi da parte daquele Mestre, que ainda deverá prosseguir por um tempo. Mas estarei em comunicação consigo e em comunicação com a minha própria mulher. Diga-lhe para pôr de parte por completo a dúvida que tem.



Hapgood: Fá-lo-ei.



Pike: Mas não se trata de uma questão de tentar provar esta continuidade, mas de a perceber por completo como um firme desenvolvimento. Quando o chegamos a aceitar em pleno os nossos olhos abrem-se-nos e descobrimos que o mundo material é mais animado do que real. Por na verdade a realidade ser a realidade do espírito.

Mas não se trata de investigar nem de analisar e dissecar as religiões. Trata-se de conseguir a plena aceitação daquilo em que cremos de modo a desenvolver-nos para o plano seguinte e desse modo prosseguir com o nosso desenvolvimento e a nossa reincarnação seguinte.



Hapgood: Estou a entender. Bom, conforme o estado em que agora se encontra, será que as memórias do que passou aqui se tornaram mais turvas?



Pike: Estão mais turvas, sim. À medida que progrido espiritualmente elas parecem desparecer num segundo contexto. Não as recordo com a mesma prontidão e não as considero importantes. Em vez disso prefiro ir em frente. Mas irei em definitivo aparecer à minha mulher. Ela irá ver-me, só que precisa afastar as dúvidas que tem e perceber a conversa que tivemos com respeito a esta transição ou morte – por termos tido uma boa discussão, coisa que por ora não quero adiantar mais. Mas o facto de as pessoas acreditarem ou não acreditarem não tem importância para mim. Eu exprimi a minha opinião e trouxe a minha mensagem e gradualmente prová-lo-ei ao longo de um período de tempo.



Hapgood: Pois. Terá alguma mensagem especial para as pessoas da Califórnia ou do mundo?



Pike: Não, não tenho. Só para se acautelarem e dizer-lhes apenas por uma parábola para cuidarem da luz por debaixo de todos os alqueires.



Hapgood: Ah, pois.



Pike: Bom dia.



Há um certo número de questões de interesse nestas comunicações d Bispo Pike, por pensar que ilustram muito bem o processo de transição, ou “morte.” As condições da vida na frequência seguinte, ou na plataforma seguinte, foram muito bem sugeridas. Vemos, por exemplo, que actualmente o pensamento constitui o veículo mais usado para se viajar, e indica a natureza da “escola.” Ele tem um Mestre, ou guia, que trabalha com ele, não por processos intelectuais, mas na área mais profunda a que muitas vezes nos temos referido como “subconsciente.” O Mestre ajuda-o a ajustar-se às bases dinâmicas do seu próprio íntimo, libertando o seu potencial desenvolvimento. Vimos que ele cobriu o equivalente a dois anos em apenas duas semanas. Vimos também que o problema de falar através de um médium não é tão simples assim para as entidades. Representa, para eles, um enorme esforço, o acto de comunicar, envolvendo um processo de ensino. Também de grande importância é o facto de as recordações da vida terrena se desvanecerem muito rapidamente após a morte. Muitas entidades mencionaram o esforço que lhes custava ter recordações da sua vida terrena.



SOBRE A VALIDADE DA REINCARNAÇÃO



Bispo Pike: Ora bem, queria trazer as minhas saudações a todas as pessoas da Terra. Espero que me cumprimentem. Só estive nesta situação uma ou duas vezes, não me recordo lá muito bem. Mas sei que esta continuidade da vida representa um facto. Sei que todas as religiões representam uma pobre desculpa para quantos não conseguem ampliar o seu ideal completo da própria força do seu ser. Mas digo-lhes que, pelas experiências por que passei quando estive no deserto, das últimas recordações de me separar do corpo, e daquilo que recordo que a minha mulher passou, da contenda que teve com uma tribo de nómadas e o processo de ter que beber a própria urina para poder sobreviver naquela trilha e poder explicar como nos perdêramos no deserto e os propósitos que tínhamos no campo das diferenças psicológicas e fisiológicas da vida, e em que eu pereci por não ter sido descoberto suficientemente cedo.



Mas encontro-me aqui para lhes dar conta de que, muito embora a Igreja me censurasse pela busca que empreendi do meu filho que morrera, Jim, vitimado por uma dose excessiva das drogas da vida, e das motivações e experiências por que passara, de levitação e de o ver efectivamente numa aparição.



Pois bem, encontro-me aqui para lhes dizer que ninguém me consegue impedir de falar livremente do que representa uma maldição da humanidade, que não consegue abrir-se e expor-se para com a totalidade daquilo que representa em toda a criação. Jamais encontrei aquelas coisas que lhes dizem que devem crer, e a única coisa em que cheguei por via de conclusão precipitada disso foi pelo que me foi dado conversar com o Samuel Clemens ou aquele que conheceram como Mark Twain, que diz que a única maneira de conseguir água benta é eliminando em larga medida o diabo! E isso é tudo quanto digo relativamente à vossa vida, eliminar as superstições, as restrições que impõem nessa força da beleza em vós e reconhecer a completa satisfação da vida.



Sim, agora consigo aceitar os processos da reincarnação. Consigo aceitar essa plenitude que falta a outros ao não perceberem o ponto de vista total do germe de vida e do significado que tem em todo o círculo da vida, para, no eventual milénio do tempo terreno e do tempo cósmico em que veem o vosso começo total do vosso ser como uma estrela de expressão distante. Por conseguinte, encanta-me ver que em todos os biliões de estrelas e universos estejam repletos de vida. Mas conversei recentemente com esses alienígenas que estão a passar para o vosso planeta numa vasta armada de naves em serviço à vossa galáxia e estou ciente por ver a vossa galáxia rodeada por outras seis galáxias que a apoiam na sua suspensão e em toda a grandeza das suas formas de magnetismo ou leis da vida, por eles também serem afectados.



Assim, têm a maior das aventuras pela frente que alguma vez sonharam ser possível. Não passo da voz de outras energias que esperam que se expandam rumo à plena realização da vossa verdadeira identidade, e que não veem o fim das coisas mas o começo de tudo quanto todos buscam, numa vida eterna. Preciso deixá-los, mas não queria de deixar de lhes anunciar o facto de estar convosco e o facto de virem a passar por experiências grandiosas á medida que passarem para os limites da mudança da vossa terra. As minhas afeiçoadas bênçãos para vós.



SIGMUND FREUD



Charles Hapgood

Uma das personalidades com quem estive em contacto por intermédio de Elwood Babbitt foi Sigmund Freud. Eu tinha-me familiarizado com o pensamento de Freud entre os anos 1954-1957, quando me deixei analisar pelo Dr. Harold Greenwald, de Nova Iorque. Nessa análise traçamos as raízes de diversos problemas até à infância, mas havia um problema que obstinadamente resistia a uma solução. Foi o que a análise designa por complexo de culpa. Eu padecia de uma profunda sensação de falta de mérito. No meu caso isso ascendia a um desprezo por mim próprio profundamente arraigado. Os nossos esforços fracassaram na tentativa de encontrar a causa disso ou a efectivação de uma cura.



Logo depois que conheci Babbitt, ocorreu-me que agora poderia retomar o esforço por descobrir uma cura e que nisso poderia obter a assistência do pai da psicanálise, do próprio Sigmund Freud! No dia 23 de Julho de 1967 fui té casa do Babbitt com isso na ideia. Não fiz qualquer menção ao Freud mas entreguei-lhe um bilhete com o nome de Freud redigido nele. Embora tenha vindo posteriormente a apurar que o Babbitt nunca tinha ouvido falar do Freud, as primeiras observações que fez sugeriram um contacto com a mente de Freud.



Babbitt: Estou em contacto com um homem que lidou com os princípios da vida, por o ouvir a falar deles. Passam-me pela mente termos como “estímulo” e “resposta” e pensamentos sobre os mecanismos e complexidades dos padrões emocionais do homem. Bom, é aquilo a que chamam “estímulo da vida.”



Tal como no caso de Einstein e do Dr. Hammet, via-me agora em contacto com uma mente com que me achava bastante familiarizado. Nesta como em sessões seguintes (em algumas das quais converso directamente com Freud enquanto o Sr. Babbitt se encontra em transe), eu debati os meus problemas de forma detalhada e em todas as discussões senti estar em contacto com uma mente poderosa. Suscitei todos os problemas que não tinham sido resolvidos por Greenwald. Perguntei a Freud se o complexo de culpa de que eu padecia seria resultado da incompreensão que tivera nas relações com os meus pais, ou no relacionamento que eles teriam um com o outro, mas ele repetidamente negou tal possibilidade. Disse nada haver de errado com os meus pais e que o problema não vinha de nada concernente à minha vida presente, mas de uma vida passada. Referiu-se diversas vezes às mudanças que achara necessário fazer às teorias que tinha formulado nos livros publicados durante o seu tempo de vida. E acrescentou: “Se me fosse possível tê-las-ia reescrito todas.” Depreendi das observações que fez o facto de ele sentir que tinha realçado demais o aspecto físico da vida. Numa das entrevistas ele disse: “Descobri que muito pouca coisa é física.” Talvez ele tenha sentido que tinha errado na representação do impulso sexual e negligenciado o aspecto espiritual do amor.



Freud não me disse nada sobre a vida anterior em que no seu entender teria tido origem o complexo de culpa, mas gradualmente, no ano seguinte, recuperei uma completa recordação dela. Foi uma vida que terminou numa morte trágica que encaro como um castigo pelos meus próprios pecados. Enfrentei a minha morte com consciência de culpa e aparentemente carreguei essa sensação de pecado dessa vida para esta. A melhor corroboração da verdade disso está no facto de que, com a recordação da minha morte o complexo de culpa de que padecia esvaneceu-se e nunca mais me incomodou.



ISABEL DE INGLATERRA



Uma coisa em que eu não podia deixar de pensar era na Guerra do Vietname, e um dia, decorria o ano de 1967, ocorreu-me que poderia ser interessante conhecer a opinião de Isabel de Inglaterra sobre as virtudes da nossa política de guerra. Numa recente discussão que tivera com um dos meus amigos sobre o espiritualismo, ele alvitrou a ideia de que, se realmente um médium conseguir contactar o espírito de alguém já falecido há muito tempo, esse espírito não terá conhecimento do que se passa actualmente na terra, porquanto só se poderia pronunciar sobre as condições de existência terrestre no tempo em que vivera. 



Resolvi submeter a ideia à experiência. Eu sabia que Isabel I tinha sido muito cautelosa na lida com a política estrangeira, tendo conservado a Inglaterra afastada das disputas que decorriam no continente Europeu enquanto pôde e, por conseguinte, pensei que pudesse fazer alguns comentários de interesse sobre a política Americana que estava a ser implementada no Vietname. Sabia também que Babbitt desconhecia por completo a história de Inglaterra do século dezasseis. Então, a 16 de Julho de 1967, no decorrer de uma sessão com ele, passei-lhe a nota do costume, dirigida a Isabel I, propondo-lhe as seguintes questões:

“Teria Sua Majestade envolvido os Estados Unidos na guerra do Vietname? Caso contrário, de que forma actuaria para lhe pôr cobro? Que futuro terá este conflito?”



Babbitt, mantendo coo sempre o papel dobrado na mão fechada, começou a falar após uma curta pausa.

Babbitt: Bom, encontra-se presente uma senhora interessada em si. Você tem pensado nela e enviou-lhe os seus pensamentos. É uma dama de elevada classe… poderia ter sido uma rainha. Ela encontra-se aqui numa atmosfera espiritualmente resplandecente, e parece-me que teve que descer muito na progressão para conseguir contactá-lo. (Pausa) Deve ser Isabel. Sim, você chamou-a por pensamentos poderosos, e ela está encantada consigo, por ter evidenciado muita compaixão pelas vítimas dos conflitos em que nos encontramos empenhados. Ela diz haver uma razão definitiva pela qual nos encontramos no Vietname… A guerra irá prolongar-se por muito tempo terreno, e em larga medida constitui o tubo de escape da economia deste país.

Hapgood: Posso fazer uma pergunta?



Babbitt: Pode.

Hapgood: A Rainha teria envolvido os Estados Unidos na guerra do Vietname?

Babbitt: Encontra-se um homem com ela que pode ser o seu primeiro-ministro ou o seu conselheiro, que muito a ajuda nas decisões a tomar (pareceu que fosse Lord Burghley). Eles acham ser errado uma nação assumir tais responsabilidades quando tudo poderia ter sido resolvido pacificamente pelo poder de muitas nações. A situação complicou-se demasiado e muito rapidamente. O que a Rainha teria feito era parar com aquilo, convocar as facções beligerantes e levá-las a identificar-se…



Hapgood: Quer dizer, a Rainha Isabel tê-los-ia reunido à mesa para uma conferência?

Babbitt: E teria lançado um ultimato: ou viver em paz ou enfrentar a destruição movida por todas as nações.

Hapgood: Por outras palavras, teria compelido as duas facções do país a chegarem a um acordo.

Babbitt: Tê-las-ia compelido por antes reunir todas as nações e pela regra da maioria e com o conhecimento de ser de boa-fé e em prol do bem-estar de todos, ela teria compelido e forçado uma paz que deveria ser conservada.

Hapgood: Bem, agora que a situação chegou ao ponto em que se encontra e a guerra recrudesce cada vez mais, que fariam a Rainha ou o seu conselheiro para retirar os Estados Unidos da posição em que se encontra?

Babbitt: Destruí-lo.

Hapgood: O quê?

Babbitt: Destruí-lo.

Hapgood: Que quer isso dizer? A pergunta é, como retirar os Estados Unidos da situação crítica em que se encontra? Já foi um erro ter entrado nessa guerra, mas que faria a Rainha para nos tirar dela?

Babbitt: Destruí-lo.



Hapgood: Destruir o Vietname do Norte?



Babbitt: Não há hipótese de pacificação, não há fuga possível. Não têm possibilidade de fugir a esse conflito; não lhes resta retirada possível. Já se encontram para lá do ponto da possibilidade de retorno – do retorno norma.



Hapgood: Quer a Rainha dar a entender que usemos o nosso poder atómico?



Babbitt: Tudo o que for preciso. Ela diz que destruiria o inimigo em todas as frentes. Diz ela que para os Estados Unidos o maior perigo vem da China Vermelha, devido ao desenvolvimento que atingiu e ao roubo da bomba atómica, e o único meio de contornar tal dificuldade é transpô-la. Devem ser tomadas medidas drásticas para acabar com o problema de uma vez por todas. (Tais ideias não reflectiam as ideias de Babbit nem as minhas)



Hapgood: Bom, isso é extraordinário. Parece-me que se usássemos a bomba atómica para destruir o Vietname do Norte, logo nos encontraríamos envolvidos numa guerra atómica com a Rússia.



Babbitt: Não, a Rússia nos tocaria em nós. A Rainha diz que a Rússia nos teme. A Rússia continuará a ameaçar-nos enquanto puder, mas como já aconteceu algumas vezes, recuará se a enfrentarmos com firmeza. Assim acontecerá ainda mais esta vez.



Hapgood: Mas essa é uma sugestão terrível, a de destruir toda a população de um pais como o Vietname do Norte… usar o poder atómico para destruir todos os homens, mulheres e crianças de todo um pais.



Babbitt: O indivíduo que se encontra no poder, na China Vermelha tem pretensões de se tornar ditador de todo o mundo, e não descansará até que consiga convencer o seu povo a consegui-lo. Isto é o que estou a ouvir, mas ela diz que os tempos actuais são diferentes do tempo em que reinava. Os imprudentes atingiram o ponto sem retorno. Subiram mais rapidamente do que o que deviam ter feito



Hapgood: Admiro muito a Rainha Isabel, mas surpreende-me que ache não existir nenhuma outra solução, para além dessa destruição total.



Babbitt: Por a situação não ter mais volta. Por outras palavras, os estados Unidos empenharam-se demasiado nessa guerra, ignorando o poder das outras nações para evitar o fogo antes que ele ateasse. No começo ela não teria feito aquilo que eles fizeram, agora, porém, que a situação não tem mais volta, a completa destruição do inimigo constitui a única saída.



Hapgood: Bom, é interessante – mas nada do que eu esperava.

Babbitt: O que ouço é que tudo teria sido bem diferente se correctamente tratado logo no começo.

Antes deste encontro que tive com Babbitt certifiquei-me de que ele nada conhecia sobre o carácter nem a política de Isabel. Depois, averiguei quanto às ideias que teria com respeito à guerra do Vietname, descobrindo que se opunha por completo a essa guerra. Em quatro anos de experiência na Segunda Guerra Mundial, tinha ficado farto. O trabalho espiritual que empreendera desde então, haviam-no convencido da inutilidade dos métodos da força material e da violência. Opunha-se à guerra, como eu, e nenhum de nós concordava com as declarações que Isabel I fizera, ao afirmar que, ultrapassado o ponto sem retorno, os Estados Unidos devessem obter uma vitória militar a todo o custo.

Ao analisar esta gravação parecera-me, em primeiro lugar, que as críticas de Isabel I ao modo como os Estados Unidos tinham entrado na guerra estavam certas, e reflectiam o justo julgamento que sempre demonstrara enquanto Rainha da Inglaterra. Ela acertara quanto à efectiva fragilidade dos nossos políticos de Washington, na sua superficial mentalidade e falta de tacto, o que me pareceu evidenciar um contacto real com as condições dos dias actuais a nível governamental.



Por outro lado, a dureza que denunciou na apreciação que fez do presente estado a guerra, parece indicar um desconhecimento das realidades mundiais. Eu não creio que a guerra possa ser ganha. Além disso, torna-se-nos agora suficientemente claro, conforme o demonstram os papéis do Pentágono e de outas fontes, que as mais altas autoridades militares de Washington, assim como os comandantes que temos colocados no Vietname, discutem exactamente a política sugerida por Isabel.



Há ainda um outro aspecto a focar, que finalmente me ocorreu. Sei que Isabel demonstrara limites com relação ao pacifismo. Ela pretendia manter em Inglaterra a paz entre católicos e Protestantes, mas considerava os puritanos altamente subversivos tanto na religião como no poder real, e não os tolerava. Além disso, embora se conservasse livre de guerras por uma questão política, certamente que seguiu o conselho dado a Laertes por Polónio no Hamlet de Shakespeare:



“Acautela-te de entrar numa contenda; mas se entrares, certifica-te de que o inimigo se acautele em relação a ti.”

Portanto, sob todos os pontos de vista, Isabel I falou exactamente como esperaríamos que falasse, ao demonstrar que compreendia as condições modernas mas continuando agarrada aos princípios que praticara em vida, o que nos sugere que uma entidade possa reter os hábitos mentais adquiridos na terra durante um longo período de tempo.



Adlai Stevenson



A 23 de Julho de 1963, imediatamente a seguir a uma outra entidade, Adlai Sevenson subitamente eclodiu através de Babbitt. Isso sucedeu dois anos após a sua morte, em Julho de 1965. Foi completamente inesperado, já que a ideia de conversar com Stevenson jamais me tinha passado pela cabeça. Mas ele foi o tipo de pessoa – mundano, intelectual, político – que mais se afastaria da maneira de pensar de Babbitt. Assim, o seu regresso por meio de transe enquadrou-se bem no meu esquema, por eu pretender congregar uma ampla variedade de personalidades, experiências, e níveis de pensamento para poder testar o médium. Pareceria, por este diálogo que tive com Stevenson, que ele em 67 ainda estava muito chegado aos interesses mundanos.

Stevenson: Eu vim por uns instantes enquanto a vibração se acha livre, por me ter sentido atraído pelos livros que escreveu.

Hapgood: Ah.

Stevenson: Tive oportunidade de os ler, e muitas vezes de o fazer enquanto viajava pelas ruas de Nova Iorque. Mas também me senti atraído pela sua vibração, como eles dizem. Sou o Adlai Stevenson.

Hapgood: A sério, senhor Stevenson?!

Stevenson: Mas é bom voltar e cumprimenta-lo, por é claro, simpatizarmos um com o outro, no que diz respeito aos credos das Nações Unidas.

Hapgood: Sim, é verdade.

Stevenson: E é bom ver que está a fazer um bom trabalho, e eu queria dizer que também haverá mais oportunidades para conversar consigo. Mas parece tão bom voltar de novo a entrar no mundo material, mesmo que por instantes, por eu também me sentir com ânsia de terminar aquilo que comecei.

Hapgood: Bom, fico satisfeito, muito satisfeito na verdade, por vê-lo regressar, e espero que possamos vir a conversar mais.

Stevenson: Viremos, sim. Temos algum tempo para a visita, de modo que vamos relaxar e aproveitá-lo.

Hapgood: Qual pensa ser a perspectiva no que toca à confusão armada no Vietname, até agora?

Stevenson: Bom, não é lá muito boa. Ainda há muito a fazer, e é mau que devam ter compromissos destes. Mas ao mesmo tempo, examinando-o a partir do espírito, reparei que se deve a uma razão que ninguém consegue perceber por esta altura. Trata-se do término de uma era e da passagem para outra, coisa que eu fui suficiente tolo para chegar a perceber, embora tenha tido vislumbres de natureza psíquica, pelas conversas que tive com Eleanor Roosevelt.

Hapgood: Ah, pois, é verdade. Eu conheci Eleanor, e fiquei inteirado quanto à mulher formidável que ela foi.

Stevenson: Bom, nós conversamos mas, é evidente que você sabe que nós eramos bastante chegados no esforço por desenvolver e levar a paz a um mundo inquieto.

Hapgood: De onde se encontra conseguirá ver o desenvolvimento de eventos futuros na terra nos próximos anos?

Stevenson: Bom, parece que se vai tornar – não lá muito bom… continuando conforme vocês estão a continuar.

Hapgood: E com relação à China? Iremos entrar em guerra com a China?

Stevenson: Não. Não creio que veja tal coisa. Não posso crer que o venham a conseguir, embora eles procurem dominar o mundo.

Hapgood: Estou a entender.

Stevenson: Por gente desse tipo se destruir a si própria, com a ambição que tem de poder.

Hapgood: Bom, esteve com a senhora Roosevelt?

Stevenson: Estive. Tenho-a aqui comigo neste momento, Sr Hapgood.

Hapgood: Fará a gentileza de lhe remeter os meus agradecimentos pela gentileza que ela demonstrou em várias ocasiões, ultimamente?

Stevenson: Ah, sim, ele lembra-se de si, e numa noite destas ela voltará para conversar consigo.

Hapgood: Entendo.

Stevenson: Estamos a planeá-lo, mas cada um tem a sua própria vez para vir conversar consigo.

Hapgood: Entendo.

Stevenson: É encantador entrar num corpo humano por uns momentos, mas há muita mecânica a operar que não entendo bem, mas que virei a entender. Parece haver – não o compreendo muito bem, claro está – mas um mensageiro especial que os ajuda muitíssimo. Não lhe posso dizer mais, mas consigo perceber isso.

Hapgood: Quer dizer que eu tenho – que existe uma pessoa especial…

Stevenson: Do mais elevado calibre…

Hapgood: Oh, sim.

Stevenson: …Que o toca muitas vezes, e claro, lhe deve causar muita inquietação no seu espírito, também. Posso ver isso.

Hapgood: Não sabe de quem se trata – essa pessoa que me vem ver amiúde?

Stevenson: Não, estou limitado quanto a isso, Sr, Hapgood, por eu ainda não compreender essas forças superiores…

Hapgood: Entendo.

Stevenson: Elas encontram-se tão distanciadas de mim. Não me encontro aqui há tanto tempo assim, sabe.

Hapgood: Sim, eu sei que não está.

Stevenson: …e tem sido um tanto chocante para mim, e aqueles que eu deixei…

Hapgood: Pois.

Stevenson: …mas claro que não sou juiz nenhum para dizer se devia ou não devia vir a esta vida.

Hapgood: Pois.

Stevenson: Mas sentimo-nos satisfeitos, e a Eleanor e o Franklin evidentemente, e não há muito tempo tive a honra de conversar com o Sr. Lincoln.

Hapgood: A sério?

Stevenson: Fiquei muito impressionado com a atitude e as ideias que ele tem a respeito do problema racista.

Hapgood: A sério?

Stevenson: Muito sensato, muito bom, e é uma tragédia que ninguém perceba o que ele tem em mente – que resolveria todo esse problema. É tão simples, Sr. Hapgood, que chega a comover-me.

Hapgood: Bom, creio que talvez devêssemos… espero vir a ter uma chance de conversar com o Sr. Lincoln.

Stevenson: Ah, virá a ter. Ele virá vê-lo, assim como muitos outros.

A 27 de Setembro de 1967, Adlai Stevenson regressou para mais uma breve conversa durante a qual fez diversas previsões.

Stevenson: Ah, sim, Sr. Hapgood. Como está esta noite?

Hapgood: Muito bem…

Stevenson: Sou o Adlai Stevenson.

Hapgood Ah.

Stevenson: Como estão as coisas a correr na Terra – os acontecimentos actuais – e que tem andado a fazer? Conte-me sobre si.

Hapgood: Bom, Tenho estado profundamente envolvido com o Sr. Babbitt e com diversos espíritos que têm surgido nas gravações. Para mim tem sido um período muito exuberante.

Stevenson: Bom, eu tenho andado muito ocupado, evidentemente, deste lado. Mas, como têm corrido as coisas pelas Nações Unidas? Há já algum tempo que não tenho estado por lá.

Hapgood: Bom, presentemente vigora uma situação muito séria por não conseguirem encontrar maneira de resolver a crise Israelita nem encontrar maneira de conseguir a paz no Vietname – parece ser um período de uma enorme dificuldade para as Nações Unidas.

Stevenson: Bom, eu receio que venha a ser assim até que venham a passar por aquela experiência de abalo terrestre (agitação geológica) que está para suceder.

Hapgood: Terá o senhor por esta altura mais alguma informação específica sobre a data em que isso venha a suceder, em termos de tempo terrestre?

Stevenson: Não. Não me compagino lá muito seguro quanto a isso. É demasiado complicado e não me atreveria a enuncia-lo. Mas consigo ver o que se avizinha e já tive um pressentimento disso.

Quando lhe pedi que previsse o resultado da próxima eleição presidencial (1968) Stevenson disse:

Stevenson: Sinto, agora que passo os olhos por tudo, que vocês virão a encontrar um partido diferente no governo da próxima vez.

Hapgood: Virá a ser o partido Republicano?

Stevenson: Creio que sim. Sim. É, o elefante, sabe?

Hapgood: Sim é verdade. Mas virá o Sr. Johnson a ser candidato à presidência, no próximo ano?

Stevenson: Por esta altura permanece duvidoso. Mas sinto que o Sr. Nixon se está a chegar à frente e lamento muito isso, sabe, por ele dever ter ganho a eleição passada, caso não tivesse havido tanto dinheiro envolvido na chocante compra de votos.

Hapgood: Bom, é claro que foi chocante, mas ainda assim, o Sr. Nixon dificilmente -- parece-me a mim -- será o homem certo para se tornar líder dos Estados Unidos nesta altura.

Stevenson: Sim, ele é capaz – pode sair-se-ia muito bem no cargo. Gostaria de ver isso acontecer.

Hapgood: Refere-se ao Sr. Nixon?

Stevenson: Sim, analisei o caso cuidadosamente, e com toda a justiça para com o homem, ele devia ter uma oportunidade, e eu sinto que a grande necessidade dos nossos partidos políticos seja a de dispensarem os votos eleitorais e votar pelo voto popular.

Hapgood: Bom, suponho que isso seria uma coisa razoável.

Stevenson: Seria muito mais justo.

Hapgood: Pois, sim. Mas aquilo que eu – o que me parece…

Stevenson: Mas tecnicamente, sabe que o Sr. Nixon seria presidente.

Hapgood: Quer dizer, acha que ele o deveria ter sido?

Stevenson: Ele devia ter ganho com – em vez do Kennedy.

Hapgood: Em 1960.

Stevenson: Certamente.

Hapgood: Ah, sim.

Stevenson: Foi uma tragédia que se tenha verificado tanta traição nessa altura.

Hapgood: Bom, foi, mas ainda assim, claro está, as ideias do Sr. Nixon dificilmente teriam sido favorável a algumas das pretensões que tínhamos, tanto quanto as do Kennedy.

Stevenson: Bom, é claro que não foi tanto quer culpa do John, por o pai dele ter mexido os cordelinhos – manipulado – sabe.

Hapgood: Estou a entender, sim.

Stevenson: E foi isso que suscitou toda aquela aura Irlandesa e a enorme quantidade de votos que ele obteve, muitos dos quais foram comprados, evidentemente.

Hapgood: Estou a entender. Mas gostava de saber o que o Sr. Nixon enquanto presidente fará com relação ao Vietname. Não viria a prorrogar a guerra lá? Não colocará mais e mais efectivos nessa terrível guerra?

Stevenson: Não faz a menor diferença quem venha a ser o presidente ou o que venha a tentar fazer, porque a Mãe natureza virá a ter o seu voto na matéria. Não professo saber muito sobre isso, mas ouvi umas conversas por aqui e agora vai surgir uma espécie de holocausto qualquer, e quando suceder, ele fará com que os homens entendam e pensem que a vida não é brincadeira, como pensam que seja.



ABRAHAM LINCOLN



A 18 de Agosto de 1967, teve lugar a tal entrevista prevista com o Lincoln. Após as preliminares do costume, incluindo o barulho da máquina, Babbitt sentou-se e descontraiu, para logo entrar em transe. Embora estivéssemos à espera de Lincoln, fiquei surpreendido com o aspecto que tomou conta do rosto de Babbitt mesmo antes de a entidade chegar. Por um instante ele pareceu-se mesmo com os retractos de Lincoln tirados alguns anos antes de assumir a presidência. Ao me sentar a escutar as palavras, que apresentavam a gravidade, a melancolia e a lírica típica do Lincoln, a primeira impressão que tive foi que a proposta que ele avançava para a solução do problema racial era completamente impraticável. Lembro-me de dizer para mim próprio que, caso Lincoln tivesse implementado tal solução para o problema no fim da Guerra Civil, toda a gente se teria virado contra ele. Ele poderia ter sido bem-sucedido em 1865 a despeito disso, mas agora uma solução dessas mostrava-se impensável.

Lincoln: Vós que vos encontrais nesta Terra, ouvis a minha voz? Esta é a inteligência de Abraham Lincoln. Grave é a responsabilidade que repousa nos ombros dos líderes da vossa e da minha nação. Vim trazer-lhes algumas ideias que lhes suavizem o conflito civil que vivem. Há uns anos, pela contagem do vosso tempo terrestre, na verdade foi há bem pouco tempo atrás, durante a minha estadia na Casa Branca, por entre os ficheiros actualmente perdidos eu deixei um plano pelo qual essas almas, os Negros, seriam tratados e se desenvolveria boas relações entre as duas raças.



Era minha intenção estabelecer, nos territórios do oeste, uma nação aparte, dentro de outra – uma nação do Negro, que aí passaria a residir com o seu próprio governo e onde teria todos os privilégios e gozaria de todos os prazeres que todo indivíduo tem direito a esperar. Por eu conseguir ver lá no fundo que este tempo futuro traria ganância e contenda. E nas sessões que tive com Little Nell* eu recebi imensa ajuda com a finalidade de estabelecer territórios para os Negros, estava eu a preparar. Ele tinha documentos, planos e mapas, que teriam trazido uma maciez – uma segregação no bom sentido da palavra. Eu encontrei uma sabedoria espiritual, por sábias serem muitas das palavras da Bíblia Sagrada, e eu era um estudante diligente da Bíblia, de uma forma material, não espiritual. Eu sabia bem que a verdade poderia aí ser encontrada, e descobri-a quando li a passagem que reza: “O deserto florescerá como a rosa.”

O simples plano de uma nação dentro de outra nação teria sido uma sábia via a percorrer. Enormes são as possibilidades de um tal acordo que ainda pode vir a ter lugar, caso os nossos líderes trabalhassem juntos e em harmonia. Aflige-me vê-los tão arrogantes e tão interessados nas vantagens políticas que não tenham tempo nem o afecto para servir uma grandiosa nação. Consigo ver longe, e posso apurar que devido ao conflito civil nunca chegará a existir uma verdadeira comunidade, por cada facção (raça) ter propósitos contrários à outra, e saber que uma casa dividida cairá.



*Lincoln de facto consultou uma médium enquanto residiu na Casa Branca. Chamava-se Nettie Colburn Maynard. A utilização que Lincoln fazia de a Little Nell pode ser considerado como uma evidência, por ser um derivativo claro do diminutivo de “Nettie. Carl Sandburg, no primeiro volume do seu livro Lincoln: Os Anos da Guerra, refere o plano da nova colonização assim: “O Presidente deu a conhecer ao senador Charles Summer (do Massachussetts) planos para a colonização dos escravos emancipados dos países tropicais, e o Presidente seguiu esses planos na medida em que conseguiu chamar a atenção da parte do Congresso para eles, e da correspondência directa dos diplomatas. Summer encarou com pouca simpatia a tentativa de organizar uma carga de gente de cor reunida em e ao redor de Washington e congregá-la na Ilha La Vache, nas Índias Ocidentais. Antecipara o fracasso da expedição e então o Presidente mudou para o Texas ou alguma região do Sudoeste como sítio para a colonização dos Negros. Mas, à medida que o tempo passava ele viu esses planos desvanecer-se junto com o Presidente, por, de certo modo, ninguém se ter interessado. Eu jamais tinha ouvido falar de tal plano nem de Nettie Maynard, e estou certo de que nem sequer o Babbitt tinha ouvido falar."



ERLE STANLEY GARDNER

Em 1968 tive a encantadora experiência de encontrar o autor das histórias de Perry Mason, o escritor do misterioso Erle Stanley Gardner, no México. Esse encontro tinha sido previsto por Babbitt dois anos antes.

Encontramo-nos na cidade de Acambaro, no México, para vermos a coleção arqueológica do falecido Waldemar Julsrud. Eu ia acompanhado pela minha amiga, a Sra. Margaret Rigler. Ficamos ambos muito impressionados com a sensibilidade, o carácter espiritual de Gardner. Resultou um tanto inesperado para nós por o conhecermos como o autor de cerca de cem romances de detectives repletas de crime e de violência.

Ao almoço, certo dia a Sra. Regler perguntou a Gardner se ele plantava flores ao redor da casa em Temecula, na Califórnia. Ele respondeu que costumava plantar, mas que descobrira que os visitantes sempre insistiam em tirá-las. Ele próprio achava que as flores, à semelhança das pessoas, tinham o direito de viver as suas vidas, de modo que agora só deixava crescer flores selvagens ao redor da casa. A Sra. Regler era uma pessoa psiquicamente sensitiva, e Gardner parecia compreender isso.

Mais tarde, por carta, Gardner expressou interesse pela pesquisa psíquica, pelo que lhe enviei umas cassetes com diversas das minhas sessões com o Babbitt. Quase dois meses após a sua morte ele comunicou através de Babbitt no seguinte diálogo, a fim de expressar os seus agradecimentos por lhas ter remetido.

Gardner: É você, Charles?... Sinto-me um tanto estranho.

Hapgood: Pois, por se encontrar no corpo deste médium.

Gardner: Sinto-me como quando parti – como quando estava a abandonar o corpo no hospital. Sinto-me muito estranho. Torna-se difícil animar a voz e… sinto-me mesmo desorientado em relação aos arredores.

Hapgood: Pois é claro que se sente.

Gardner: Não o vejo com muita clareza. Parece ter engordado. Parece-me maior nas proporções, ou será da maneira como o estou a ver… agora?

Hapgood: Acho que isso seja do modo como me está a ver agora. Na verdade perdi muito do peso que tinha, desde que nos encontramos no México.

Gardner: Creio que seja esta sensação – sinto-me afastado não muito à-vontade de volta ao corpo. Assemelha-se muito… bom, é como um macaco no zoo a ser observado por toda a gente.

Hapgood: Pois, entendo o que quer dizer. Bom, poderá dizer-nos alguma coisa acerca das experiências por que passou desde que abandonou o corpo? Quero dizer, quais terão sido as mais significativas experiências iniciais por que passou?

Gardner: Tem sido completamente fascinante e encantador, Charles, pela forma muito tranquila como saímos desta condição material para uma… bom, sentimo-nos muito leves e muito rejuvenescidos e muito… temos uma enorme sensação de felicidade e de alívio dos fardos do mundo e da nossa própria vida privada. Bom, de início senti-me perdido, ao ver que não me encontrava rodeado por gente que tinha trabalhado para mim, e por falta da ocupação daqueles livros e manuscritos e tudo isso. E de viver sob pressão. Isso parecia ter-se desvanecido por completo. Mas gradualmente cheguei a deparar-me com esta novidade que estou a experimentar – tantas… oh, maneiras deliciosas… Consegue ouvir-me bem?

Hapgood: Sim, muito bem.

Gardner: Pareço estar, neste caso… nesta carne… no entanto não pereço capaz de manipular as cordas como gostaria – parece que perdi o toque requerido para tanto.

Hapgood: Bom, não. Está a sair-se extremamente bem, Erle.

Gardner: Sinto a velha sensação que tive mesmo antes de passar para o espírito, de cansaço, de querer esfregar a cabeça, sabe. E é muito estranho, mas deverei dizer, encantador e inacreditável, após todo o… bom, apesar de todo o lixo que todas as Igrejas pregam. E percebemos ser os mesmos, só que… bom, acho que se designa “alçado” a uma frequência mais elevada, promovido de acusador a defensor. Deixe que o coloque nesses termos, a ver se me compreende.

Hapgood: Ah, é muito interessante mesmo.

Gardner: É muito estranho – maravilhoso, impressionante. E percebemos um pouco mais a exuberância do que a Centelha de Vida realmente é e significa. Se eu tivesse sabido disso teria sustido o folego (deixado de respirar) há uns anos atrás. Realmente é maravilhoso. Mas há ainda muita coisa que consigo compreender, e estou ansioso por progredir na senda.

Hapgood: Encontra-se com gente, aí? Quer dizer, tem-se encontrado com alguém aí, neste breve período de tempo?

Gardner: Não vi ninguém excepto aqueles que procuram ajudar-me a ambientar-me a esta nova condição.

Hapgood: Ah, pois.

Gardner: Mas claro que me sentia muito interessado em aprender como regressar a este negócio bruto só para ser capaz de conversar convosco de novo. E queria agradecer-lhe de novo pelas… Não creio que perceba o significado que as cassetes tiveram para mim, Charles.

Hapgood: Bom, fico feliz por saber disso.

Garner: Ajudaram-me no meu percurso, na minha senda, para este tribunal, conforme lhe chamarei.

Hapgood: Ah sim, fico satisfeito por saber disso.

Gardner: Mas dir-lhe-ei que o único juiz que até agora encontrei fui eu próprio – ao longo dos anos aquilo que eu tinha imaginado, e o que tinha cometido – realmente é uma experiência vasta - mas eu desejaria… Eu vou-lhe dizer, quando aqui entrar encontrar-me-ei consigo e verá o que quero dizer.

Hapgood: Pois…

Gardner: É completamente fascinante. E quase consigo antever, Charlie, o Grandioso Plano de toda a evolução. O reino animal e o reino vegetal são aqui caracterizados (vibram) com tal arrebatamento e vida! A fragrância das flores é belíssima aqui. E a música é de tal modo celestial que não lho posso explicar.

Hapgood: Ah, a sério?

Gardner: E os animais que passam… mas estou gradualmente a ambientar-me, de forma a ser capaz de manipular pequenas coisas. Mas é como estar num jardim-de-infância, onde tudo é completamente maravilhoso para a mente infantil. Mas é de tal modo bom, salutar… Mas eu queria esforçar-me por alcança-lo e agradecer-lhe pelas cassetes, por ter achado que me auxiliaram muito a cumprir com as responsabilidades que me cabiam no nível de frequência seguinte.

Hapgood: Ah, pois. Bom… por acaso terá alguma mensagem que gostasse de apresentar à sua esposa?

Gardner: Não até que me sinta mais forte. Sabe, há um período, Charles, em que perdemos todos os laços com as recordações do passado. Temos vagas lembranças, no entanto a nossa vida passada assemelha-se a um mero borrão. E não mais se acha mais ligada de forma firme a nós. Parecemos descartá-las como um velho casaco.

Hapgood: Ah, a sério?

Gardner: Mas a transição é… gostaria de lhe dizer que é tão bela e natural. Mas, bom, precisa vivenciá-lo. Mas eu voltarei. Vim mais a fim de aprender a controlar este corpo, e tenho o desejo de segurar lápis, só que estes dedos parecem tão hirsutos comparados com os meus.

Hapgood: Gostaria de escrever quando voltar - de utilizar as mãos do médium a fim de escrever no papel?

Gardner: Eu podia. Mas estes dedos parecem tão curtos comparados com os meus.

Hapgood: Bom, que na verdade são do mesmo tamanho.

Gardner: Mas não parecem tão compridos. Eu digo-lhe, este corpo… este é um corpo em que entrei, não é?

Hapgood: É, sim.

Gardner: Este corpo parece-me completamente entorpecido. Eu estou realmente a tentar ajustar-me a ele. Mas, claro está, estou a ser ajudado pelos outros que me rodeiam. Mas quando me aclimatar mais a ele, certamente que terei uma longa conversa consigo.

Hapgood: Sim. Bom, isso será fascinante de verdade. Fico a aguardar isso com expectativa, Erle.

Gardner: Deixe que aprenda a orientar-me melhor, antes de tentar habituar-me demais. Mas é completamente encantador saber que podemos conversar uma vez mais como amigos.

Hapgood: Ah, sim, é óptimo.

Gardner: Preciso partir. Mas quero que saiba que estou óptimo, e que vou muito ao seu encontro lá na sua pequena morada.

Hapgood: Está bem.

Gardner: E que habitualmente ando por aí. Mas você sentir-me-á, de qualquer modo. As boas noites para si, Charles.

Hapgood: Muito obrigado.

Gardner: E obrigado. Foi completamente encantador.

NOTA: A Sra. Gardner, ao receber uma cópia desta gravação, não ficou convencida de que a mensagem proviesse do marido; contudo, como está tão de acordo com as próprias impressões pessoais que colhi do Gardner, e já que, em si mesma é tão bela, achei que devia ser incluída.

MARK TWAIN

A 5 de Dezembro de 1971 organizei uma sessão de transe em que me foi possível debater questões filosóficas e literais com o Mark Twain, que já tinha estado em contacto connosco há dois anos. Convidei o meu amigo e antigo colega, o Professor Frangson Jones, do departamento de Inglês do Keene State College, para comparecer connosco e sugeri que viesse preparado com perguntas. Uma amiga sua, a Senhora Roberta Smith, veio com ele. Além disso encontraram-se presentes diversos jovens.

Após Elwood Babbitt compôs-se para entrar em transe passou-se um tempo prolongado. Suponho que tenha ocorrido algum tipo de perturbação nas vibrações, e que os dois controladores estavam atarefados a equilibrar e a centrar as energias. O doutor Frederick Fisher por fim surgiu e disse: “Vim para lhes dizer que o Sr.Clemens se encontra atrasado como de costume. (Mark Twain, cujo nome real era Samuel Clemens, tinha o hábito de chegar sempre atrasado, em vida) Após mais um atraso adicional, o corpo de Babbitt entrou no estado de relaxamento característico de Clemens, com os polegares presos, como de habitual, nas axilas, e um instante mais tarde ouvimos Clemens a falar com o arrastar do Centro-oeste.

Clemens: Charles Hapgood?

Hapgood: Sim, Sam.

Clemens: Eu posso escutar os seus passos e os vociferar do seu pensamento lá longe no cosmos, e cheguei à firme conclusão de que deve ser o advogado do diabo. Por dar por mim próprio a começar a desfrutar do repouso que mereci – a cessação da respiração – e você vem choramingar pelas brumas e quer palavras profundas tanto para si como para o mundo. Assim, mal acabava de compreender a posição em que me encontro, senti-me logo ligado aos seus laços oficiais e parece não haver maneira de me livrar dos seus desejos e das suas ordens. Eu podia sugerir que tivesse uma morte inoportuna – ao pedir-lhe para reter o fôlego por uns minutos. Mas depois vejo nisso uma derrota do projecto em que trabalhamos juntos, de cementarmos uma compreensão mais espiritual no monte de esterco com que dá por si irremediavelmente entrelaçado, e onde vegeta. (Possível alusão aos dez jovens presentes na sala)

Hapgood: Mas não se veria livre de mim dessa forma, porque assim eu estaria justamente aí consigo. Mas Sam, quando nos atrasamos no começo, o Dr. Fisher veio e disse que você estava atrasado, que estava “atrasado como de costume.” Poderia dizer-nos o que estava a fazer que tenha achado necessário prosseguir?

Clemens: Aquilo que eu estava a fazer, ou o que teria gostado de estar a fazer?

Hapgood: Não, o que estava a fazer para o levar a chegar tarde aqui a este importante encontro.

Clemens: Bom, eu gostaria de ter estado rodeado pela voluptuosa feminilidade. Mas o que estava a fazer, já que insiste em fazer disso preocupação pessoal, era uma agradável conversa com o Albert Einstein. Mas claro que você, com o seu jeito talentoso, interrompeu uma interessante conversa.

Hapgood: Qual era o tema?

Clemens: Essa é a questão por que precisa suster a respiração, que assim chegará a saber aquilo de que estávamos a falar.

Hapgood: Ah, estou a entender.

Clemens: Agora pareço ter sido alçado à celebridade o momento, o que reparo pelas “luzes” daqueles que o rodeiam.

Hapgood: Um deles é um distinto professor de Inglês que conhece tudo sobre literatura, e que quer colocar algumas perguntas pertinentes nesse campo.

Clemens: Ficarei encantado se puder penetrar o intelecto dele.

Jones: Bom, Sam, eu só queria saber…

Clemens: Não estou bem preparado para si, Professor. Tenho que elevar a minha força até à vossa. Também gostaria de conhecer a amiga que trouxe consigo.

Hapgood: Esta é a senhora…

Clemens: Não me interrompa, Hapgood. Trata-se da sua mulher, amada ou amante? Ou uma amante de muitos anos?

Jones: Está a dirigir-me a pergunta?

Clemens: Estou a perguntar-lhe.

Jones: Uma amiga.

Clemens: E há quanto tempo se conhecem?

Jones: Há uns dois, três ou quatro anos.

Clemens: Considera que esses dois ou três anos tenham sido deliciosos, ou uma fonte de encanto para si?

Jones: Um pouco de ambas as coisas.

Clemens: Não precisa responder a isso, sabe.

Jones: Sem dúvida. (Esta conversa tida com o Professor Jones pode ter sido a maneira que o Clemens teve de se harmonizar com a sua vibração)

Clemens: E como é que está a jovem senhora?

Smith: Eu estou óptima, Sam.

Clemens: Está a gostar do renomado professor, nesta sua senda pela vida?

Smith: Por vezes.

Clemens: Óptimo. Ele é uma excelente pessoa. Eu aprecio as vibrações dele, e consentirei em conversar com ele. Mas claro que você tem aqui outros, Charles… que podem desfrutar da minha inteligência e enorme sabedoria.

Hapgood: O do seu brilhantismo.

Clemens: Obrigado.

Hapgood: Bom, eu tenho umas perguntas preliminares para lhe colocar Sam, caso esteja disposto a isso.

Clemens: Bom, suponho que tenha que ser, por eu não encontrar trégua alguma da parte da sua força do pensamento, caso não o satisfizesse. Por isso, dispare lá, como dizem os generais.

Hapgood: Bom, uma coisa que muita gente gostaria de saber é de que modo é que acha que tenha mudado desde que deixou esta sórdida sarjeta onde ainda pelejamos e suamos?

Clemens: Aprendi um valor espiritual que nunca cheguei a entender bem durante a minha existência terrena, e refiro-me a uma insignificante existência. Por ter sido um daqueles Presbiterianos estagnados que nunca conseguiu ir além do “alto apelo da salvação,” dos ídolos e da água benta.

Hapgood: Da Igreja?

Clemens: Não me interrompa, Charles. Agora encontrei uma grandiosa e magnífica compreensão da vida, conforme se interpreta o termo “vida.” Ou seja, consigo ver e apreciar a plena magnitude da Criação, e como tão simplesmente se arranjada numa ordem em que a Energia pode vibrar e em que pode ter o seu ser na materialidade em que certa vez vivi. É profundamente simples, e era o debate que estava a ter com o Dr. Einstein, que você tão ousadamente interrompeu. Por precisar que lhe transmita uma maior sabedoria.

Hapgood: E quais acha que sejam as maiores diferenças que nota entre a sua presente condição que agora assume e a estadia no corpo?

Clemens: Passei de uma existência grosseira, limitada, parasítica (dependente) para uma que se traduz por uma liberdade de expressão espiritual, a compreensão da mente e a possibilidade da alma viajar. Por meio das conversas que tive com o Dr. Einstein descobri uma plena apreciação do que os átomos representam, e da forma com vibram, que acarretam harmonia e equilíbrio de um pleno propósito, e de como as chamadas invenções da terra se acham relacionadas às forças opostas da vida. Estou a encontrar os valores da vida. Descobri uma valorização da Energia. E para minha enorme satisfação minha descobri que Deus não se situa no Seu Trono Sagrado a dispensar justiça para as criaturas aqui na terra, mas que, ao invés, eu enquanto Energia era e ainda sou um segmento de toda a Criação. E quanto mais reflicto nestas questões, mais encanto descubro na experiência da natureza sã do crescimento e da perfeição, a ponto de pensar que um dia destes considere deixar-me deslizar uma vez mais pelo “canal da vida” e experimentar uma outra vida, na terra.

Hapgood: Bom, Sam, Que acha da interpretação e da forma como os livros que escreveu, a sua obra literária tem, hoje em dia, sido apreciada e interpretada pelos professores de Inglês?

Clemens: Eu creio que eles negligenciam os valores espirituais incorporados por trás do vocabulário do Inglês. Ou seja, eles não veem que a vida que levei na terra, que não me apraz examinar – mas que preciso, para lhes mostrar – que todas as tragédias e experiências por que passei num corpo finito me trouxeram uma independência espiritual nesse corpo que nenhum leitor poderia possivelmente chegar a conhecer ou compreender. Mas depois, eu queria transmitir à juventude e aos da minha idade o conhecimento espiritual que obtive através das minhas experiências de vida. Apercebi-me também que nunca somos apreciados até darmos o último suspiro, quando até os nossos maiores inimigos nos tecem elogios. Mas agora vejo que isso constitui uma meia-verdade.

Jones: Sam, posso pôr-lhe uma pergunta? Eu quisera saber qual será a presente opinião que tem da raça humana.

Clemens: A opinião que tenho da raça humana? Como o conseguirei pôr em termos delicados? (Uma série de publicações de Samuel Clemens foram feitas a título póstumo, e numa delas, “Letters to the Earth,” ele tem uma peça intitulada “À Danada Raça Humana,” em que trata o homem como um animal inferior. Tal publicação era desconhecida do Babbitt)

Hapgood: Pois não o faça em termos de delicadeza.

Clemens: Eu diria que ainda me apego às palavras que certa vez escrevi num momento de desespero mundano que não necessito repetir, por o senhor Hapgood ter tido, creio bem, a cortesia de as usar em referência ao presente estado da vossa sociedade. É isso que quer dizer, Professor?

(A moderna civilização é uma civilização que destrui a simplicidade e o repouso da vida; substituiu o seu contentamento, a poesia e os suaves sonhos românticos e visões que encerrava com a febre do dinheiro, os sórdidos ideais, as ambições vulgares, e o sono que não revigora; inventou um milhar de luxos desnecessários e tornou-os numa necessidade; criou um milhar de apetites viciados e não satisfaz nenhum; destronou Deus e colocou as grandezas no Seu lugar. Mark Twain)

Jones: Sim, acho que chegou bem perto.

Clemens: Eu poderia arriscar uma opinião mais forte quando verifico as condições sob as quais a humanidade padece.

Jones: Poderei fazer uma pequena pergunta? Lembro-me de que contaram o facto de certa vez o senhor ter comparecido à celebração de aniversário de John Greenleaf Whittier, de Boston, onde fez algumas observações. Quisera saber se vê algum futuro particular para os escritores actuais da Nova Inglaterra.

Clemens: Presentemente não vejo qualquer futuro em particular para os escritores na vossa sociedade. Porquanto a maioria parece escrever mais por ambição do que por satisfação. Quer dizer, para verdadeiramente se escrever requer-se que se compreenda e aprecie a inocência da criança sem esperar tirar proveito material da escrita. Acho a maioria dos vossos escritores terrenos – e olhe que já examinei tantos dos vossos livros e revistas – extremamente limitados à expressão material em vez de se dedicarem aos valores espirituais que delimitam a verdade e a honestidade. Soa a uma velha ideia fora de moda, não?

Hapgood: Sam, você escreveu um livro acerca da Joana d’Arc em que se revela entusiasta dela. Gostaria de saber se a terá encontrado desse lado, já que o General Charles De Gaulle costumava pensar ser a reincarnação dela.

Clemens: Com toda a franqueza, não lhe posso contar a minha vida secreta, Sr. Hapgood. Nem posso falar desse negócio da reincarnação, por não ser suficientemente versado para tratar o tema com plena compreensão.

Hapgood: Sugere então que tinha conhecido a Joana d’Arc no espírito e que tenha ficado encantado com ela…

Clemens: Está a colocar palavras na boca do médium, e a pressionar-me no sentido de afirmar algo que não posso, por não ter tido a honra de conhecer essa senhora. Tão pouco tive sequer a honra de compreender plenamente a vida vibracional e o repouso espiritual.

Hapgood: Uma das suas obras contém uma conversa intitulada “1601.” Sugeriria que essa publicação fosse lida nas catequeses?

Clemens: Não creio que fosse muito bem acolhida por achar que na vossa sociedade a juventude entenda cada vez mais que os velhos de bengala e de juízo.

Hapgood: Ah, entendo.

Clemens: Não acho que a sua leitura pudesse chocar nenhum jovem no que de mais vívido retracta.

Hapgood: Isso é verdade. Parece que é, se bem se lembra, o uso das palavras de quatro letras que parece ser o problema. (Alusão ao calão que amiúde sugere a linguagem profana do termo “fuck”)

Clemens: Que haverá de errado com as palavras de quatro letras?

Hapgood: Nada, tanto quanto me é dado apurar.

Clemens: Pois bem, de que modo encara o professor os constrangimentos impostos pelas palavras de quatro letras?

Jones: Em linguística, estou de acordo consigo, Sam. O que é bom para si é bom para mim.

Clemens: Creio que elas realçam a questão de um modo mais vívido, ao passo que o emprego do que vocês designam por Inglês correcto” por vezes frustra o que realmente expressamos pelo sentimento.

Jones: Pois é, sempre emprestou ao Inglês Americano um verdadeiro sabor amargo, e o restaurou no seu…

Clemens: E um excelente aroma, também.

Hapgood: Sam, terá mudado de opinião em algum aspecto com relação aos pintores da Renascença Italiana? Parecia ter uma má opinião deles… (O meu tio, Norman Hapgood, devotou, nas suas reminiscências, um capítulo inteiro a Mark Twain, em que se referia ao intenso desprezo que sentia pelas pinturas Italianas)

Clemens: Para que desejaria saber isso, Charles?

Hapgood: Bom, eu cá aprecio o Leonardo da Vinci, o Miguel Ângelo, o Botticelli, e outros – mas eles parecem não lhe agradar. Interrogo-me se os encarará por outro ângulo agora.

Clemens: Não, ainda os encaro como o catálogo da Saers e do Roebuck bons para por na retrete, no quintal. Devia pendura-los lá a fim de me dar vontade de evacuar o meu intestino.

Jones: Não poderá uma melhor apreciação alterar essa ideia?

Clemens: Ainda não dei com tal apreciação.

Hapgood: Bom, agora que opinião terá do nível alcançado pelo entretenimento televisivo nos Estados Unidos?

Clemens: Originalmente foi concebido na mente do homem, por não haver nada que seja novo, porquanto tais coisas não são descobertas mas encontradas por um processo de sintonia com o espírito. Estou a empregar um Inglês correcto, não professor?

Jones. Soa-me bem.

Clemens: Estes horríveis particípios prejudicam-me o vocabulário. Mas a televisão encontra-se ainda na sua fase de infância. Por que um belo dia, ou a determinada altura ela será empregue para sintonizar as outras forças vibracionais e assim conversarem com os vossos amados que tiverem partido, se o desejarem, assim como para sintonizar por vibrações materiais as palavras dos diversos Mestres que têm tentado falar ao longo das eras, e se viram derrotados ao serem convidados a beber a taça do veneno, ou ao serem assassinados por trás de algum muro. Presentemente, a televisão é a engenhoca mais ignorante, mais flácida, asinina que se deve ser permitida apenas aos velhos que tenham perdido o fogo das emoções e que necessitem de um passatempo.

FREDERICK FISHER

Dado que um certo número de estudantes do Smith College tinha expressado interesse em que o Babbitt desse um exemplo da sua mediunidade de transe, um grupo de nós acompanhámo-lo a Northampton, no Massachusetts, em 28 de Outubro de 1971. Tanto o seu controlador, o Dr. Fisher como Mark Twain falaram. O tópico comum foi o da educação, embora se tenham expressado de forma muito diferente. O Dr. Fisher debateu os valores espirituais em vez do conteúdo intelectual da educação. Ele enfatizou a busca de um profundo significado da nossa individualidade.

Fisher: Eu sou o Dr. Fisher e estou a assumir o controlo do corpo humano. À medida que vibro aqui, no espírito, observo as vossas auras, as cores do arco-íris que vibram constantemente a partir de vós assim com da energia da vossa mente, ou aquela força que os compele à animação na vossa vibração material. Vocês vêm em vós próprios um reflexo directo da energia espiritual do amor. Contudo, não é plenamente compreendido no vosso estado de expressão de vida, por se acharem limitados pelos constantes receios que os rodeiam, e claro está, pelas disciplinas materiais colocadas sobre vós pelos vossos pais e pelos vossos sentidos físicos que são directamente influenciados pelos padrões mentais que os rodeiam.

No entanto, sentem desconforto no que diz respeito à vossa vida material, e buscam um profundo sentido para a vossa individualidade. E assim buscam-no através das instituições educacionais da terra. Alguns poderão procura-lo nos compostos químicos (drogas) que os lançam a salvo para um pequeno mundo dentro de vós próprios, onde se podem evadir às pressões materiais. Ainda assim precisam perceber que tudo isso que é artificial envolve o carma. E aqui, claro está que me refiro à Lei da Causa e do Efeito. (Quer dizer, a experiência com drogas artificiais pode envolver lassidão, o que representa a ilusão de um desenvolvimento espiritual, mas não uma realidade)

Portanto, é a vossa Primeira Lei do Viver - quer em relação a um humano um animal, ou a um vegetal - que vos corre por dentro a expressão do livre arbítrio. E nessa lei vemos que cada um é um Deus em si mesmo. Mas é a ligação directa que têm com a força vital de toda a vida, tanto material quanto espiritualmente, que os liga às outras dimensões do vosso ser…

Falo aos vossos tenros ouvidos, e ao vosso tenro conhecimento, do que é plenamente infinito, ao repetir um poema que poderá realçar o vosso crescimento espiritual. Peço-lhes que, enquanto espírito, o ouçam atentamente, por lhes responder a muitas das questões que vibram na vossa atmosfera neste instante.

Quando no turvo começo do tempo

Deus misturou no homem as lágrimas e o arrebatamento

E dispersou pelo seu cérebro a matéria cadente

Ele disse: “Olhai, isto não é suficiente

Por eu precisar pôr o seu espírito à prova para me assegurar

Para que ele tenha a audácia da visão e venha a suportar

Deixando para trás apenas uma débil pista

Uma fenda por onde a glória pode ser vista

Deixando-o em trágica solidão para escolher

Com tudo na vida vencer, ou com tudo na vida perder



Assim, falamos dos débeis começos dos tempos, quando a partir do cosmos veio a Energia, que produziu, conforme os vossos cientistas lhes dizem, uma estrutura molecular, uma adesão de energia que deu vida a todas as coisas, não só pela vossa regra da fricção, mas pelo tremendo papel dos átomos que através das reacções em cadeia (químicas) trouxe um corpo físico à existência.



Assim, quando me refiro à Inteligência Infinita, e quando vocês falam de Deus, estamos apenas a falar do vosso Próprio Íntimo. Quando verdadeiramente se desenvolverem num completo saber e numa completa percepção, quando conseguirem uma total valorização de tudo que se acha neste universo, então essa completa apreciação abrir-lhes-á o caminho para o Deus que se encontra em vós.



Assim é que tudo quanto é tocado, tudo quanto testemunham com os vossos sentidos finitos, reflecte directamente a força do vosso pensamento, e lhes confere animação e o direito à plena divindade. Façam uma pausa na jornada da vida, e peçam para ver a grandiosidade plena dessa Inteligência, a divindade dessa Energia.



Não se deixem cair no impasse pelo que os outros pensem, digam, ou façam. Não receiem nada que o vosso espírito possa pretender fazer. Em vez disso, é a vivência de uma vida de espontaneidade que permite esse livre acesso a todo o universo. E é abrindo a energia da mente que verão a plena força do Todo-Poderoso, e compreenderão as leis imutáveis que governam a vida na sua simplicidade.



Porque vocês foram criados na simplicidade. Nasceram na dor, ainda que numa dor jubilosa. Por terem o repetido direito de encarnarem essa energia com o propósito não de atingirem a unidade convosco próprios mas com o propósito de se unirem a toda a beleza que a vida oferece. Derrubem os vossos muros de complexidade. Franqueiem os vossos espíritos. Abram a alma e o cérebro e a mente para com esse livre fluir. E ao contemplarem as dimensões exteriores então verão a plenitude de toda a vida, o seu propósito e consecução. E então conhecerão o significado das palavras: Paz na terra entre os homens de Boa Vontade.



Deixo-lhes uma sugestão. Pensem nela. Porque descobrirão que, ao exporem a vossa própria energia diante da minha, embora possam defrontar-se com a negação ao vosso nível analítico, eu tenho ganas de vencer. Plantei as sementes no vosso espírito para que possam crescer e florescer. E com a minha energia sei que os ergui no vosso reino de paz e de verdadeiro amor. O que quer que o vosso mundo lhes ofereça, lembrem-se de que não poderão obter a dádiva mais preciosa que todos os homens desejam alcançar. E essa dádiva é a dádiva da verdadeira compreensão.



MARK TWAIN (Samuel Clemens)



A preleção que Mark Twain fez aos estudantes do Colégio situa-se, na sua forma, no polo contrário do de Fisher. Mas, conforme acontecia com muitos dos seus escritos humorísticos, o pensamento sério pavimentava-o.



Clemens: Suponho que tenho que fazer a minha entrada em grande no mundo, em meio à ovação e ao soar de sinos e ao ruído de sirenes, ao bater de porta, para ser arrastado para as celas agora ocupadas pelos menos afortunados.



Hapgood: Não. Não precisamos fazer-lhe isso, Sam.



Clemens: Bom, suponho que devo anunciar a minha identidade. Sade Deus porquê. Ninguém acreditará em mim, de qualquer modo. Mas sou Mark Twain, Sam Clemens, o velho tolo, se preferirem. Mas foi-me pedido para vir uma vez mais a este estreito canal, ao encontro da Terra. E, claro, eis-me a fazer o percurso uma vez mais, entre arrotos e vómitos e os odores gastronómicos que prevalecem no ciclo do nascimento (riso).



Bom, não desejo assumir o controlo. Na verdade nem vontade tenho de aqui estar. Mas conheci este réprobo do Hapgood (riso) e deixei-me envolver pelo processo intelectual dele e eis que uma vez mais regresso ao vosso monte de esterco da vida – que eu tanto detesto.



Eu pensei, sabem, quando larguei o meu cadáver, que podia chegar a ter as estradas pavimentadas a ouro, muitas garotas belas à minha disposição, e garrafas de licores para poder deitar à boca de vez em quando. Fiquei terrivelmente desapontado para dizer o mínimo. Quer dizer, descobri que as raparigas assim como os rapazes tinham perdido a faculdade de procriar. Mas claro que isso me tentou dolorosamente a procurar um outro canal para nascer. Mas decidi, ao observar a vossa economia e o vosso establishment, (sistema) que me abstinha de armar confusão no globo mais do que o estritamente necessário. Estou certo de que as cândidas opiniões que teço não receberiam a bênção das vossas poderosas forças que agora os conduzem à desordem e à ruína.



Quis falar convosco, meus filhos, sobre aquilo em que se acham envolvidos. E se esta vibração me serve correctamente, todos vós estais a estudar para ser uns empertigados educados. (Riso) É bom receber uma educação. Mas também é sensato trazer junto de vós uma educação espiritual, de modo a podem abrir a estrebaria e a poderem descerrar a porta sem precisarem consultar um danado de um livro qualquer que contenha as instruções de 1 a 5, e se falharem a 3 nunca virem a conseguir o tão ambicionado canudo. (Riso) Actualmente no vosso processo de educação todos vós vos arreliais e vos enervais e vos enfureceis e entrais em delírio quanto ao que a instituição da educação deveria ser. Mas deem ouvidos às sábias palavras do “Tio” Sam.



É que (vejo que) o vosso mundo, enquanto flutuo nesta energia peculiar, representa uma escola em si mesmo. Mas ele possui todas as coisas de que necessitam para serem indivíduos equilibrados. Agora, os vossos pontos fracos não residem no desequilíbrio racial, ou em quem venha a passar de uma estrutura para outra, ou se possuem pele vermelha, branca ou azul. A questão primordial está em que vocês expresseis uma plena compreensão de vós próprios. Algo do tipo daquilo sobre que o vosso Fisher estava a discorrer. (Riso)



Agora, para uma verdadeira educação – e um dia destes, os imbecis dos vossos intelectuais ainda sofrerão um rebate de consciência e verão que ter plena liberdade de expressão é a necessária educação – aprender aquilo que querem aprender. Porque assim serão o aluno e não aprendizes de professores, ou seja, quando o professor orienta o aluno para as coisas que o aluno quer.



Torna-se-me altamente divertido ver como cada um de vós defronta a aproximação de um exame. E isso de tomar líquidos e pastilhas o que os lança para a retrete a cada cinco minutos para aliviar a bexiga, o que em si mesmo representa uma fraqueza. Por as vossas instituições de educação só lhes proporcionarem pressões incómodas. E isso provoca o a estranha sensação de ser mera expulsão de flatulência no esgoto do mundo.



Agora nisto todos vós, inclusive eu próprio, sabem, a partir da tenra idade das fraldas e dos erros sociais e de algumas graças – todos somos curiosos a partir do berço. É assim em todas as dimensões da vida, ou seja qual for o rótulo que lhes queiram dar. Mas se se derem ao trabalho de se deterem um instante e escutarem o vosso íntimo, saberão como se enquadrar nesta bola agitada de sujeira que rodopia num infinito de que eu tinha conhecimento e que posso agora constatar. Sabem aquilo que querem fazer, e deviam expressar-se com mais intensidade. Querem educação, o que eu respeito conquanto não se tornem nuns idiotas de uns encanadinhos. Obtenham toda a educação que puderem, mas obtenham-se com liberdade, de modo que cheguem a reunir-se como verdadeiras pessoas que querem compreender e conhecer aquilo que querem conhecer.



Sinto – e fiquei a saber disto desde que me tornei numa gota de orvalho em face do infinito – que é importante que vós aprendais a fazê-lo com toda a facilidade. E gradualmente verão que cada tema que desenvolverem representará um valor no que vierem a fazer mais tarde.



Não pensem nem por um instante que sejam um acidente das indiscrições dos vossos pais. Por eu ver mais profundamente a expressão da vida agora do que via quando me encontrava da Terra. E posso dizer-lhes, que vocês são constantemente regenerados para a vida para que aprendam, embora não tanto a partir dos vossos livros (que não passam das opiniões dos outros) mas pela vossa natureza e todas as coisas existentes no mundo material. Mas uma vez mais, concordo plenamente com o princípio do Fisher que a valorização se perdeu nas vossas vidas de parasitismo (dependência) e no ganho da tecnologia que conseguiram pela destruição de uma coisa para obterem outra. A construção constitui a vossa derrota, porque, quanto mais conforto trazem ao corpo, mais desconforto sentirá o espírito.



Assim, um dia – mas não o posso situar no vosso relógio – mas algum dia a educação será livre, e poderão recorrer aos vossos professores, ou a alguém que ache ser um pouco mais esperto do que vocês, e aprender o que tiverem a colher, apesar de não precisarem acreditar nisso. Mas façam-no sem qualquer sistema estruturado. Aprendam tudo quanto puderem. E depois passem para outra coisa qualquer. Mas aquilo que aprenderem será tudo quanto virão a levar convosco.

Elwood Babbitt





Traduzido por Amadeu Duarte

Permissão de Daria Babbitt


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