sábado, 24 de dezembro de 2016

LIBERTAÇÃO DA CULPA




A culpa consiste numa das emoções mais primárias e mais destrutivas com que lidais ao longo da vossa vida. É uma emoção que perpassa todo o tipo de sentimentos que outros e tido o tipo de situações, muitas vezes quando vos sentis felizes e contentes e em grupo e vos sentis ironicamente mais culpados do que quando vos sentis infelizes e por baixo e podres.

           
Muitas vezes quando a vossa vida está de verdade a resultar de verdade e tudo se desenrola com êxito sentis tanto ou mais culpa que quando se vêem no fundo do poço e tudo parece dar errado. Quando sois criança, entre a altura em que nasceis e até aos dezoito meses, não tendes verdadeiramente consciência, no sentido da recordação, do que sentis. Recordais por vo-lo contarem, mas durante esse período de tempo com certeza que sentistes raiva e dor, e também sentistes alegria e felicidade. Mas nenhuma dessas são emoções que recordeis. É realmente após os dezoito meses, ou mais tarde no caso de alguns de vós, infelizmente, que vos lembrais de ter uma emoção e muitas vezes a primeira lembrança é a de vos sentirdes culpados.

Recordais muitas emoções que sentis e provavelmente uma das emoções que actualmente mais tereis sentido é similarmente a culpa. Além disso, a culpa estende-se além do plano físico e vai até ao astral. Bom, não vai mais longo que isso, graças a deus, mas estende-se para além do físico e propaga-se ao astral e mesmo nesse nível de consciência é responsável pelo retardamento da vossa graça, pelo adiamento da vossa graça. 

Consequentemente a culpa representa um sentimento, emoção, muito importante de tratar. A acrescentar à importância da compreensão da culpa, é importante entender que representa uma emoção artificial, é sintética, no sentido de se parecer com o poliéster – é fabricada pelo homem! Não existe naturalmente, num estado natural.

Dai uma olhada no reino animal e mesmo nos primatas superiores ireis descobrir de facto que eles têm muitas emoções que se estendem de grandes alegrias e êxtases até grandes formas de medo e de tristeza; vários animais chegam na verdade a sentir remorso, mas não sentem – não sentem! – culpa. E aqueles que vós que têm consciência de que - por meio de várias tentativas galvanizantes de experimentação feitas no reino vegetal - de facto as plantas têm emoções, que se estendem da maior alegria e êxtase até à maior tristeza e temor, porém, não sentem culpa. Não, é o ser humano quem sente culpa, por ter sido o ser humano quem a criou.

Além disso, a melhor definição de uma verdadeira emoção ao contrário de uma sintética ou artificial assenta no facto de que as emoções verdadeiras têm um resultado positivo ou negativo, ao passo que as sintéticas ou artificiais só apresentam um resultado negativo – ou um resultado positivo – mas não apresentarão ambos! Um exemplo muito rápido: a raiva, o medo, a dúvida são tradicionalmente encaradas como emoções negativas e em grande parte convencionadas como negativas e detentoras de resultados negativos, mas é potencialmente possível que essas três emoções possam ter igualmente um resultado positivo, por na verdade todos conseguirem ver que há alturas em que a raiva terá operado de forma muito positiva a vossa favor, ao vos levar a alterar a realidade e a dar passos no sentido de vos afastardes, de alterardes e reprogramardes a vossa realidade; no sentido de a recriarem e mesmo de criardes uma nova peça a partir da exasperação da raiva. Também passastes por alturas em que a expressão da raiva vos terá deixado muito melhor em relação a vós próprios mais tarde, mais dignos e contentes, a respeitar-vos mais e a estimar-vos mais.
De forma similar a dor pode ter um impacto positivo na vossa vida. Aí a expressão não será mais destinada à libertação, mas para além disso pode uma vez mais ser um factor de motivação. O medo também, quando nos referimos ao medo físico, pode representar um sentimento muito positivo, de se ter. Obviamente que não o encorajamos, não desculpamos o medo como um estado emocional com base em receios simbólicos, medos emocionais, como um estado válido, mas diríamos que o medo físico pode de facto ser um sentimento de salvação, e portanto muito positivo.

Se olharmos por um instante para as emoções positivas do amor, da alegria e da felicidade, do mesmo modo, todas elas tradicionalmente e em termos convencionais constituem emoções positivas, e concordaríamos que sim, mas todas as três podem ter um resultado potencialmente negativo: amar a pessoa errada pela razão errada, pode na verdade ser destrutivo; sentir-se alegre e feliz de forma inadequada, pode ser destrutivo, pode ser um sinal de doença mental e sinal de falta de contacto com a realidade, o que de facto sugerimos possui um impacto muito negativo.

Consequentemente as emoções reais tanto podem ser positivas como negativas, embora convencional e tradicionalmente sejam consideradas uma ou a outra coisa. Todavia a culpa não possui qualquer qualidade remissão, nenhum resultado positivo e é somente negativa. É somente destrutiva. Por conseguinte, quando considerais uma emoção que sintais desde os primeiros estágios dos dezoito meses até aos tardios estágios dos oitenta e dos noventa anos e mais além, e aí determinar que essa emoção nem sequer é real, na verdade uma das maiores dádivas que podeis fazer a vós próprios e uma das mais belas coisas que podeis fazer por vós próprios é de facto compreender o que essa culpa represente e o que não represente. Compreender o que a causa e os efeitos que comporta, mas o mais importante, aprender a libertá-la – a libertá-la e a ser livre da culpa!

Uma pergunta de retórica: “Se trabalhar este material, significará isso que jamais volte a sentir culpa?”

“Não, não, não,” disse ele de modo enfático, “não quer dizer nada disso!” Se trabalhardes com este material, sim, ainda ireis sentir-vos culpados, mas a ideia é a de que se trabalhardes com este material, ireis ser capazes de lidar com essa culpa de forma tão pronta e eficientemente que não criareis pedra de tropeço nenhuma, nem tampouco será necessário proceder a um compasso de espera.

Inicialmente, como agora, sentis culpa e carregai-la durante o dia todo, uma semana, um mês, um ano, por toda a vossa vida e só Deus sabe se não para além desta vida essa mesma culpa. Libertar a culpa significa conseguir soltar algumas dessas formas tradicionais e conquistar as novas que importam, poderdes lidar com elas cada vez mais rapidamente, toda a vez, de modo que eventualmente, embora a culpa possa ocorrer, terá um impacto nula na vossa realidade. Assim, façam o favor de ter consciência disso, e de vos lembrardes disso de vez em quando, por que se não o fizerdes ireis esperar ser capazes de lidar com a culpa de uma forma perfeita, e aí quando vos sentirdes culpados, não só ireis ter que libertar essa pequena culpa particular que terá razão de ser, como ireis ter que lidar com a culpa adicional de vos sentirdes culpados por sentirdes culpa.

Por isso, entendei que ireis sentir-vos culpados, muito embora trabalheis com este material de uma forma bem-sucedida e excelente, mas toda a vez se tornará mais fácil a ponto de deixar de ser um problema e uma dificuldade. Assim, comecemos.

Que coisa será a culpa? Dividimos a culpa em muitas categorias diferentes, que gostaríamos de cobrir muito rapidamente. A primeira categoria, uma que mencionamos tanta vez, é a da culpa como raiva que sentis não ter o direito de expressar. O exemplo clássico: “É suposto apanhardes alguém às 4:30 e às 6:00 esse alguém telefona-vos quer irritado ou num acesso de desespero; senti-vos de imediato culpados. Qual será a irritação? A irritação que sentis em relação à pessoa deve-se ao facto de vos telefonar, apontando-vos o facto de vos terdes esquecido. A irritação deve-se ao facto de vos sentirdes agora em dívida com ela, por lhe terdes ficado a dever esta, ela exigiu algo da vossa parte. A irritação deve-se ao facto de terdes dito que sim, desde logo. A irritação é em relação a vós próprios, por terdes sido negligentes na vossa responsabilidade. Mas por não terdes o direito de dizer: “Eu sinto-me irritado em relação a isto, respondeis dizendo: Estou a sentir-me culpado.”

Se olharem para as culpas que sentem, vereis que a maioria delas são: raiva que não sentis ter o direito de expressar. Essa raiva pode também estender-se um pouco mais longe; talvez a pessoa a quem prometestes apanhar às 4:30 seja alguém em relação a quem tereis sentido raiva relativamente a alguma coisa completamente diferente. Ontem ela insultou-vos, e no dia anterior tinha rido de vós na vossa cara de tal forma que achastes que ela tinha sido rude e humilhante para vós. Mas em vez de admitirdes isso e de indagardes e descobrirdes ao certo, acumulaste-lo dentro de vós e carregastes isso sob a forma de ressentimento, sob a forma de raiva. Ela pediu-vos para a apanhardes às 4.30 e vós concordastes. Mas ao nível subconsciente sabeis que não o ides fazer, e que a ides punir, ao deixardes de a apanhar. E uma raiva que não sentis ter o direito de manifestar há dois dias, está agora de volta, e vós expressai-la na qualidade de culpa, quando ela vos telefona em reposta à vossa acção.

Assim, a culpa é uma raiva que não sentis ter o direito de expressar, e que consequentemente encobrem, por debaixo de uma almofada macia, a almofada mais aceitável da culpa. Em segundo lugar, a culpa constitui uma tentativa de vos controlardes a vós próprios, uma tentativa de disciplina. Muitas vezes usais a culpa para vos levantardes pela manhã; usais a culpa para vos reunirdes e para celebrardes um compromisso particular ou obrigação que tendes, porventura contra o que o vosso bom senso acordara fazer. A culpa é o que vos impede e roubar bancos, de derrubar velhas senhoras e de lhes tirar a estátua do Perseu – bom, certa gente pensa que sim. E consequentemente muitos usam a culpa como um eufemismo, ou mais correctamente um termo impróprio para a presunção.
Não fazer determinada coisa, ou fazer o que quer que seja com base no temor de se meter em apuros, ou de se sentir mal, ou com base no medo de sentir culpa, representa uma manipulação pessoal controladora. Conscientemente, muito pelo contrário, representa, uma escolha consciente para agir com base nos nossos princípios. Ora bem; quando olhamos isso dessa forma, culpa e consciência não são a mesma coisa, e quando dizemos para o considerardes desse modo é por ser isso que é; quando pensais naquilo que a vossa consciência é, e que é o facto de procederdes a escolhas: “Por acreditar nisto, e reagir àquilo, e ter aquele princípio, opto por agir deste modo, ao invés de outro. Não por me estar a sentir culpado, nem por estar a sentir medo da culpa, nem querer evitar sentir-me culpado razão por que faço isto, aquilo ou aquele outro.”

Na verdade, algumas pessoas actuam com base no medo, em vez actuarem com base na consciência, talvez por não terem carácter, ou por não terem princípios, ou por temerem sinceramente que, embora possam ter um princípio ou outro, não adere a ele. E gostaríamos de sugerir que é lamentável, mas que realmente não é aceitável, à medida que fazeis crescer e expandir a vossa realidade. Assim, o segundo aspecto aqui é que a culpa muitas vezes representa uma tentativa para vos controlardes, mas nessa categoria também tem cabimento a tentativa de controlardes os outros – o que representa por ventura um uso mais perverso da culpa – controlar os outros.

Alguém se irrita convosco e percebeis que tenha razão para tanto – ou não percebeis isso, que não faz diferença – e reagis ao facto em vez de o reconhecerdes e de tratardes, com empatia, dos sentimentos de ira que revelam. Entrais numa cena de culpa: “Sinto-me tão mal; eu sinto-me tão culpado; sou uma pessoa tão desprezível e terrível que só tenho vontade de bater com a cabeça numa parede.” Uma manipulação em relação à qual a outra pessoa se torna apologética. Eventualmente, a outra pessoa tentará conduzir-vos para fora desse estado de angústia, que começa a dizer que não tinha a intenção, e começa a desculpar-se, e a dizer que não devia ter dito nada desde logo e vai continuar a sentir-se mal. Mas também terá acumulado a emoção que teria sido correctamente expressada!

Outra situação: conheceis alguém que se sinta irritado convosco; sabeis que fizestes algo que irá deixá-la aborrecida. Em vez de lhe darem sequer uma oportunidade de vos contar isso, de imediato arremessais-vos para a culpa a debater-vos, em termos figurados, a ponto de ficar a saber que melhor será que não diga nada, por não querer responsabilizar-se por vos forçar a extremos. Isso representa uma utilização da culpa como uma ferramenta de manipulação no controlo dos outros. Por conseguinte, a culpa pode ser vista com uma tentativa quer de vos controlardes ou como uma tentativa de controlardes os outros.

Em terceiro lugar sugeriríamos que muitas vezes a culpa representa autopunição e uma busca da pureza. Agora, o que queremos com isso dizer é simplesmente o seguinte: que muita gente que se encontra envolvida em movimentos espirituais e no crescimento espiritual ou em se tornarem mais santas ou seja o que for, sentem um forte estímulo para se purificarem, no sentido de se purificarem de todo o tipo de transgressões ou de desgaste – várias simbologias que se enquadram em vários estatutos e campos e filosofias, etc. A questão disso é que muitas vezes a culpa é usada ou representa uma forma de autopunição, na esperança ou numa tentativa de que tal autopunição purifique, e de desgastar o pecado ou as transgressões ou seja o que for. Portanto, as pessoas legitimam ou utilizam a culpa como uma forma de autopunição dotada de tal propósito.

Uma quarta coisa que a culpa representa - para muitos, infelizmente – é que a culpa constitui uma tentativa de punir outros numa busca de vingança, ou da representação de uma cena de ciúmes. Agora; como é que isso funciona? “Bem, se me sentir constantemente culpado sempre que entrardes no quarto, ou sempre que ando perto de vós, ireis sentir-vos podres, e em última análise vou ser capaz de vos castigar com a minha culpa e fazer-vos sentir podres ao dizer: “Aaaah, estou-me a sentir culpado neste instante, tu estás a provocar-me isso!” E assim, para vos castigardes, com base no sentimento de culpa: “Ai, eu devia ter feito isto, eu simplesmente senti-me tal culpado; senti-me tão podre e culpado pelo que não sabia, mas prometi-te que sim, o que te levou a ter um dia péssimo, etc. Eu senti-me tão culpado!” Castigando-os! Castigando-os sob pretexto da culpa. “Eu prometi-te que faria isso, mas a noite passada fui invadido por um sentimento de tal culpabilidade que não consegui contornar. Mas estou certo de que compreenderás por que te terei feito isso. Por isso, que foi que te arruinou o dia, ou te desorganizou a semana toda ou te criou todo o tipo de trabalho extra? Que foi que te levou a duvidar de mim? Que foi que te levou a questionar se merecia a tua confiança ou não? Eu estava assentir-me culpado!” Assim, a culpa, muitas vezes, representa uma tentativa de punir os outros sob pretexto de procurar vingança sem o enfrentar e sem se apossarem disso, com certeza.

Em quinto lugar – e esta é porventura um aspecto sobremodo importante, em que a maioria das pessoas não reflecte muito – a culpa muitas vezes representa uma tentativa de tornar os relacionamentos mais fáceis, mas que na realidade acabam por os tornar mais simples. Passemos a uma explicação: Vós criastes-vos na forma de ser humano; concedestes a vós próprios uma evolução alargada do cérebro, que é bastante amplo e capaz de interagir e de recordar e de comunicar de um modo verbal e emocional. Facultastes a vós próprios claramente uma secção límbica e reticular cerebral. Também facultastes a vós próprios um córtex cerebral, que vos torna possível comunicar e tornar-vos num ser social, conforme sois. Do mesmo modo, criastes-vos dotados de cordas vocais e da capacidade de comunicardes por via dessas cordas vocais de uma forma que faça sentido. Além disso, criastes outros à face do planeta com o propósito de interagirdes, pelo que sugeriríamos que a espécie do homosapien, o género humano existente à face do planeta está destinado a interagir e a relacionar-se um com o outro. Configurastes isso de modo a dispordes de um relacionamento interpessoal por meio de variados graus e géneros e não só relacionamentos amorosos, com alguém que levais para a cama, etc. mas vários amigos e níveis de intimidade com o propósito de uma interacção social. É um impulso, uma parte natural vossa - que procureis e estabeleçais um tipo qualquer de relacionamento.

Além disso, a vossa sociedade está de tal modo orientada que se torna muito difícil, e por isso, muito assustador. Portanto, muito embora sejais puxados na direcção disso quase magneticamente, emocionalmente afastais-vos disso ao mesmo tempo, o que gera conflito, obviamente. Como gado a ser puxado em duas direcções. Só que, infelizmente, sem que jamais consigam tal coisa; ou se porventura conseguirem, muitas vezes acabam em instituições ou locais do género, não é? É. Tudo bem. A questão aqui é a existência de uma dicotomia e de um conflito básico: “Eu quero e eu não quero,” nos relacionamentos pessoais. Muitas vezes é a culpa que usais numa tentativa de resolver esse conflito: “Eu sei que, se me tornasse proficiente em fazer os outros sentir-se culpados de forma a poder ser capaz de os controlar, tornar-se-ia fácil ter relacionamentos interpessoais desses.” E assim muita gente desenvolve culpa como uma ferramenta para utilizarem nos outros, de forma a torar isso mais “seguro” e mais “fácil” ter relações interpessoais. Desse modo e infelizmente, a culpa torna-se numa parte integrante para muitos em toda a dinâmica da interacção.

Podemos compreender, com um pouco de compaixão, onde isso poderá desembocar. Também iremos sugerir que, se desenvolvermos culpa em nós próprios, tal como: “Eu posso e de facto sinto –me culpado desde o topo da minha cabeça,” também teremos efectivamente rejeitado o impacto que os outros possam ter em nós. Se no relacionamento interpessoal que tiver, a outra pessoa ficar irritada e eu conseguir utilizar a culpa para deflectir e negar o impacto disso, terei, por conseguinte, que sanar por mim próprio o que suponho – de forma bastante errónea, mas que apesar de tudo suponho – que venha a ser fácil. Por ironia torna isso exactamente no oposto mas em todo o caso sugerimos que é essa a ideia que muita gente faz. 

Portanto, a culpa constitui um instrumento de manipulação numa tentativa de tornar os relacionamentos interpessoais mais fáceis de lidar. Na verdade resulta numa maior simplicidade, o que agrada em relação à outra coisa que a culpa constitui, que é uma forma de negarem a abertura, de negarem a intimidade, e de manterem os relacionamentos superficiais. Sim, superficiais. Pensai nisso por um instante e compreendereis aquilo de que falo. Se vós e eu tivermos uma relação e vós utilizardes a culpa de forma a negardes o impacto que tenha em vós e o impacto que possais exercer em mim e coisas desse tipo, e eu pelo meu lado também utilizar a culpa como uma forma de negar o impacto que exerçam em mim e o impacto que eu possa ter em vós, o resultado será o de não virmos a ter muita abertura embora o nosso relacionamento possa ser muito simples; jamais chegará a ser assustador porque quando chegar a mostrar-se assustador adicionar-lhe-ei um pouco de culpa, assim como vós – e irei sentir-me um tanto culpado, do mesmo modo que vós. Mas na verdade gozaremos de muito pouca abertura, de muito pouca intimidade e teremos um relacionamento dotado de uma interacção muito superficial e frívola.

Por fim, a culpa constitui uma paralisia; uma forma de evitarem a auto-estima, uma forma de evitarem a responsabilidade: “Não me posso sentir bem em relação a mim próprio; não consigo assumir responsabilidade pelo que se passa na minha realidade, quer pelo que tenha feito quer pelo que me tenha sido feito, por me sentir tão culpado. Assim que me livrar da culpa, assumirei responsabilidade.” Quando na verdade é: “Assim que assumir responsabilidade livrar-me-ei da culpa que sinto!” A culpa constitui uma paralisia, e nós afirmamos com toda a clareza que podem paralisar-se até atingirem a inacção total, tanto física como emocional, por via da culpa.

Talvez a esta altura seja importante considerar aquilo que a culpa não é. Antes de mais, a culpa não é inocente, não é encantadora, não é atraente e não merece simpatia. A culpa representa um acto vicioso e destrutivo em relação a vós próprios e aos outros. A culpa representa um acto vicioso destrutivo em relação a vós próprios ou aos outros. Esse aspecto é muito importante. Muitas vezes as pessoas dizem: “Oh meu amigo, oh minha querida, eu sinto tanta culpa; não será uma coisa perfeita, não será bonito?” Não, não é. “Oh, pobre de mim, o meu único problema é começar a sentir-me tão culpada. Creio que sou demasiado cuidadosa, demasiado compreensiva ao tentar fazer o bem às pessoas…” 

Não, não é minha cara, culpa sua. A culpa é viciante. É uma forma de negarem a raiva, uma maneira de se controlarem e aos outros, uma maneira de procurarem fazer batota nas relações, ao procurarem e tentarem dizer que estais imbuídos de um profundo significado em relação aos relacionamentos, o que é verdadeiramente frívolo e uma forma de negarem a abertura, a intimidade, uma forma de castigo de vós e dos outros, de busca de vingança ao representarem ciúmes, é uma forma de evitarem responsabilidade, tudo excepto atraente, tudo menos amabilidade, tudo menos inofensivo, e decerto que não merece simpatia – empatia, sim; simpatia, não. E este aspecto é muito importante perceber, porque muita gente vossa conhecida reconhece sentir culpa e nada faz em relação ao facto, por pensar ser um tipo de coisa suficientemente inócuo e inofensiva.

Realmente, se fosse inofensivo não representaria uma limitação. Realmente, se fosse suficientemente inócua e inofensiva, ninguém se incomodaria em se se pendurar nela. As coisas ou são positivas ou negativas; poucas são inofensivas. E a culpa, dificilmente uma que possa ser considerada como tal. E como podem perceber que a vossa própria culpa não é coisa amável, inocente e engraçada, mas antes uma parte viciosa, manipuladora e controladora de vós, então talvez consigam sentir um enorme ímpeto para a abandonarem.

Uma segunda coisa a aperceber em relação àquilo que a culpa não é, é que a culpa não é consciência, conforme já referimos. E por conseguinte, para vós que a tendes na conta disso, ou para aqueles que conheceis que o fazem, seria válido perceber que culpa e consciência não são bem a mesma coisa, e que chega mesmo a ser injusto referir que sejam opostos por nem sequer pertencerem à mesma categoria. Além disso, não é eficiente sentir culpa. Mas é claro que já sabem disso. Na verdade, nem todos vós sabem disso, por subsistir uma certa sensação de: “Eu ainda sinto culpa, eu ainda sinto culpa, não importa o que faça em relação a isso, nem importa o quanto tenha conseguido, ainda sinto culpa…” E sugeriríamos que muito certamente existem aqueles que sentem essa sensação particular de culpa como se fosse poder. “É tão forte, é tão importante que não consigo deixá-la.”

Mais, é importante perceber que a culpa não é coisa nobre, nem algo de que devam sentir-se orgulhosos. Não é sinal de compaixão nem de nobreza. Importa igualmente perceber que a culpa não é incontrolável, não está além do vosso controlo, não estais impotentes por não ser algo que se derrame realmente sobre vós sem que tenhais conhecimento. Muita gente finge: “Caramba, a culpa apareceu, e eu sinto-me culpado por uma razão qualquer, sem que saiba porquê. E desvaneceu-se por si só, repentinamente.” Não, isso simplesmente não aconteceu, e o que sugerimos é que como podem olhar para ela e perceber que é muito controlável e é uma decisão, uma decisão que carregais adiante, e decerto que não estais desamparados atrás dela nem na posse dela, nem à sua frente nem ao seu redor. Por fim, a culpa não é real mas sintética, feita pelo homem e assemelha-se ao poliéster e aos produtos alimentares industriais, que são feitos pelo homem. Mas então, por que razão a sentem? 

Porque se sentem culpados? Antes de mais, por vos ter sido ensinado, e é aí que muitas vezes as coisas começam – os vossos pais ensinaram-vos a sentir-se culpados com as suas acções, ao se tornarem modelos para vós, do ser humano e do modo como devem crescer e tornar-se gente na vossa realidade. A culpa serve de enorme expediente para os pais que, em vez de vos explicarem quando sois crianças e perguntais: “Porquê, porquê, porquê?” o tempo todo, a pergunta mais bela que podíeis fazer, em vez disso fazem-vos sentir culpados por isso vos fazer parar facilmente: “Porque eu disse que sim, por que se sentires amor por mim fá-lo-ás…” tudo quanto é muito mais fácil do que sentar-vos e explicar-vos. É mais fácil fazer-vos sentir culpados do que dar-se ao trabalho de ter a prudência e de comunicar de forma a pôr-vos ao corrente do que realmente está a ocorrer.

De modo que são ensinados pelos vossos pais – os maiores professores que alguma vez tivestes – que a culpa não fazia mal e que era uma coisa que está presente, e que é tal como devia ser. Além disso, a sociedade, por intermédio da religião, da escola, do governo - e dos negócios! – tem sido amplamente instrumental no cultivo da culpa em vós. A religião claramente foi muito responsável pela culpa instilada nas pessoas, e certas denominações mais do que outras – que não as vamos enumerar aqui – basicamente através do: “Sejam bons, sejam boas pessoas por Jesus ter morrido por vós, ou por muitos terem sofrido por vós. Ou por alguém ter passado por algo de horrível para vos tornar a coisa mais fácil para vós.” Isso é culpa! A escola, os professores a toda a hora a utilizarem a culpa como expediente para obterem vantagem: “Como foi que me pudeste fazer isto? Não percebes o quão difícil é ser professor; não percebes o quão difícil é ter que lidar com todos os catraios durante todo o dia, etc.?” ao tentarem levar-vos a sentir-vos culpados. 

O governo? De modo inequívoco! Com todos os seus programas e programas sociais que poderão ser considerados – por programas maravilhosos, porquanto não discutirmos a política que isso envolve – mas o método que os políticos e os governos utilizam para vos levar tanto a apoiar como a deixar de apoiar as várias políticas, muito frequentemente é o da culpa. A importância da recolha de taxas, e a importância do bem-estar para os idosos, ambos os lados de cuja moeda utilizam a culpa, e em razão do que uma vez mais constitui uma oportunidade, uma desculpa, que é desculpada e apoiada pelo próprio governo. A culpa é usada pelos governos contra os indivíduos: “Contribuí para este departamento do estado, pagai os impostos a horas,” e coisas desse tipo. Bom, utilizam uma pouco mais do que culpa nisso, mas no entanto o princípio é claro. E claro que na esfera dos negócios, onde impera uma enorme vaga de publicidade investe na culpa: “Tratem da vossa família se realmente a amam, comprando-lhe isto e mais aquilo. Se realmente amarem os vossos filhos, assegurarão a sua vida com o uso de tal ou tal produto.” Culpa! Tentativas de levar as pessoas a sentir-se culpadas. E como isso ocorre no mundo da publicidade assim como em todas as formas de negócios, não é de admirar que sintam culpa de todos os ângulos, conforme dissemos. Sentis-vos culpados por toda a vossa vida. Não existirá altura nenhuma em que sereis poupados a sentir-vos culpados.

Em segundo lugar, é conveniente e simples. Não requere nenhuma habilidade especial nem talento, nem nenhuma inteligência especial sentir culpa ou produzir culpa nos outros. E como tal, sugerimos ser simples, e que vós caís nisso muito frequentemente.
Em terceiro lugar, em muitos aspectos constitui o “rufar do tambor” para autocomiseração, para o controlo, para a manipulação em geral. É a desculpa: “Por me sentir culpado, não preciso assumir responsabilidade nem tenho que ser responsável. Por sentir culpa não faz mal que te manipule. Por sentir culpa não faz mal que sinta pena de mim próprio. Por me sentir culpado, não faz mal que sinta esperar ser melhor tratado, e ser capaz de controlar.” Mas claro está, que isso está muito, muito errado.

Em quarto lugar, é uma forma de renunciar à responsabilidade e ao poder: “Por me sentir culpado, não espereis que faça nada de responsável; não esperem que exerça o poder.” Isso é muito evidente. Consequentemente, a razão por que sentem culpa, deve-se ao facto de sentirem medo da responsabilidade e medo de exercerem poder, e por conseguinte, torna-se simplesmente muito mais fácil sentir-se culpado. Além disso, é uma forma de levar a que alguém mais o faça no vosso lugar. “Por me sentir tão culpado, se vos convencer disso, talvez vós então assumais responsabilidade pela minha realidade. 

Talvez assumam poder em relação à minha realidade.” E na medida em que buscardes quem quer que seja que vos faça felizes e que faça com que a vossa vida funcione, tereis esse desejo de utilizar a culpa para manipular alguém para uma posição dessas.

Uma outra razão por que sentis culpa está ligada ao ego e ao medo do ego. O medo do ego será porventura mais fácil de entender, em particular nas facetas positivas das alturas em que vos sentis culpados. Algo corre bem e “às mil maravilhas” e sentis-vos fortes e poderosos e confiantes e de súbito e como que do nada surge um medo do ego. E consequentemente, para estardes certos de que ninguém vos acuse de serem egoístas; para que ninguém levante a menor suspeita nem erga o sobrolho quanto à possibilidade de determinada coisa ser evidência de um ego, vós de imediato saltais para a culpa e sentis-vos culpados e despejais todo o tipo de culpa ao vosso redor como uma camuflagem, talvez, por desse modo ser mais fácil, mas também por causa do medo de que mais alguém vos possa acusar disso, quer se trate ou não de uma questão de ego.

E assim, é importante compreender, que na verdade, com base no medo da imagem, ou de serem chamados egoístas, muitas vezes criam culpa ou sentem culpa. Mais ainda, o próprio ego, que não vos quer no controlo da vossa realidade, não quer que estejam no comando da vossa vida mas pretende manter o seu controlo manipulativo, muitas vezes leva-os a sentir culpa como uma maneira de o desculparem e de permitirem que opere: “Por me sentir culpado por ser inferior, justifica-se que me sinta melhor do que, por me sentir tão culpado por o que me foi feito, posso justificar o que quero fazer numa posição de superioridade, etc. Por não confiar em mim próprio e me sentir culpado em relação ao uso de programação e de visualização e criar a minha própria realidade, quando há gente a morrer de fome na Europa, ou em África ou noutro sítio qualquer. Como te atreves a criar a tua própria realidade quando há pessoas por todo o mundo a sofrer?”

Por conseguinte, com base na posição do ego, na verdade dizem: “Eu tenho o direito de fazer o que quero por me sentir culpado,” ou: “Senti-me tão culpada,” como geralmente acontece. Assim, o ego, o receio do ego muitas vezes é directamente responsável pela razão porque se sentem culpados. Mas também sugeriríamos que muitas vezes sentem-se culpados quando se encontram desequilibrados consigo próprios, quando estão perdem o centro ou se encontram descentrados; quando a vossa personalidade e a vossa identidade (ou a anima – energia feminina – animus – energia masculina) pareça louca. E o que gostaríamos aqui de sugerir é que infelizmente muitas vezes a culpa constitui um estabilizador, um denominador comum, um território familiar. Quando na dúvida sentem culpa, não é só uma piada, infelizmente – oh, antes fosse! – mas é o que acontece muitas vezes.

Portanto, se olharem para isso, há muitas razões por que sentirão culpa. Algumas, para vós, aplicar-se-ão mais do que outras - mas essas são as razões básicas – mas compreendê-las e vê-las é na verdade é muito útil. Bom, o que acontece quando se sentem culpados, bom, por certo que será uma série de coisas, algumas das quais até já mencionamos; antes de mais representa uma paralisia. Ficam emperrados. Quando dizemos isso queremos dize-lo tanto em termos figurados quanto literais. Ficam emperrados; não conseguem satisfazer decisões, não conseguem agir, não conseguem proceder a escolhas, etc. Ficam presos; se fizerem isto vão sentir-se pior, se fizerem aquilo, vão sentir-se pior, e literalmente chegam a ponto de não conseguir mais nenhum movimento, por ficarem presos na inércia. O que por sua vez os forçará a refugiar-se na criança ou no adolescente, o que dará lugar à criação da projecção da figura de pais, de pais críticos, ou de mais alguém, o que por sua vez só acrescenta à culpa e a mais paralisia, a mais inércia, a projecção e a identificação subsequente, às voltas e às voltas sem chegarem a parte nenhuma. O que obviamente cria uma carência de criatividade; uma falta de vontade, e uma falta de imaginação criativa. Ficam de tal modo ligados, presos – de forma bem literal – que mais se assemelham a um zombie.

Que é que ocorre mais quando se sentem culpados? Bom mantém a vossa vida e a vós frívolos, desinteressantes, na verdade enfadonhos, dormentes relativamente ao que quer que aconteça. O que fomenta a vitimização, e martírio: “Pobre de mim. Pobre de mim; sinto-me tão culpado. Pobre de mim, que ninguém sabe a culpa que sinto, etc.” E conduz ao ressentimento, à raiva e ao castigo, isso é certo. Porque na verdade, se se sentirem culpados, essa culpa terá que ter um objecto, e o objecto dessa culpa deverá ser alguma coisa em relação ao que eventualmente guardarão rancor, com que ficarão muito irritados, e que possivelmente odiarão mesmo, e com certeza, ostensiva ou veladamente será objecto de punição da vossa parte. Se for uma outra pessoa em relação à qual sentem culpa, na verdade farão todas essas coisas a menos que parem, a menos que rompam com ela.

Além disso pode conduzir a males físicos e tão graves quanto o cancro que os podem liquidar. A culpa pode matá-los. A razão por que dizemos isto, a razão por que mencionamos os resultados da culpa deve-se a que muitas vezes as pessoas achem que seja uma pequena coisa inocente e inofensiva que cometem, e ninguém parece perceber que em resultado de sentimentos de culpa vão sentir ressentimento e raiva e punir e mesmo odiar aquilo de que sentem culpa, ou da pessoa ou situação em que essa culpa se foca. Quando perceberem que a culpa os pode liquidar literalmente, provocar-lhes doença e levá-los a morrer, levá-los a contrair cancro e passar por uma morte dolorosa, de facto talvez o possam tomar mais a sério.

Ela também mantém o passado e toda a sua dor vivos; o passado e toda a dor, precisam ser mantidos vivos para poderem manter a culpa no sítio – a culpa de que se sentem culpados demais para fazer alguma coisa. Também justifica a mágoa dos outros, justifica a manipulação dos outros, justifica a atitude de superioridade do ego, justifica as posições de ego negativo que vocês ocupam. E assim, enquanto carregarem culpa, conseguirão processar todas essas coisas, mas irão passar um mau bocado a libertá-la. Por isso, é muito importante, antes que seriamente comecem a libertar a culpa que carregam…

Então, de que forma libertarão a culpa?

Como conseguem compreender o que a culpa significa para vós, descobrir que o que representa para vós, será simplesmente disfarçar a raiva ou procurar controlar-vos ou controlar os outros? Estarão a tentar purificar-se por algum tipo de maneira via a culpa que carregam, ou a tentar vingar ou punir outros, e estão a usar a culpa como forma conveniente de levar isso a cabo?

Estarão em busca de algum tipo de simplicidade, por os relacionamentos se lhes afeiçoarem assustadores como amortecedor na tentativa de o tornar mais fácil, e terminando numa grande simplicidade, e assim na frivolidade do que os relacionamentos na verdade infelizmente acabam por ser para vós? Que se passará? Que será a culpa para vós? Será ficar fora de alcance em relação a vós próprios? Que será que está a causar essa culpa? Decerto que lho dirão, mas e que mais? Cairão nisso simplesmente por se afeiçoar conveniente e simples? Estarão a tentar evitar a responsabilidade com essa culpa? Estarão a tentar usá-la, porventura, para justificar a autocomiseração que sentem, para justificarem o controlo e a manipulação em geral? Será uma forma de aplicarem a desistência e o evitar da responsabilidade, e do poder do darem resposta e de serem responsáveis pela vossa realidade? Estarão em busca de mais alguém que o faça? Estarão em busca do vosso cavaleiro numa armadura que supostamente venha e enxugue as lágrimas da culpa? Ou da mulher ideal, que surja e venha tratar de vós tal como a mãe devia ter tratado, e assim usem a culpa como maneira de levarem mais alguém a fazê-lo por vós?

Porque se sentirão culpados? Será na verdade por o vosso ego estar a tentar impedi-los de ser responsáveis? Será por estarem a permitir que o vosso ego os controle? OU será por o medo resultar das perspectivas egoístas e usarem a culpa como via de camuflarem o que poderá na verdade não passar de verdadeiro ego? Estarão descentrados, desequilibrados, ou será que a vossa Anima e Animus, a vossa energia feminina e masculina se encontram fora de sintonia na vossa vibração de modo que usem a culpa para o evitar e corrigir?

Ao conseguirem examinar e descobrir o que estão a fazer, a razão por que carregam culpa, de que lhes serve, isso na verdade irá representar o primeiro passo que os ajudará a libertar a culpa que procuram libertar. E com isso perceber que a culpa nada tem de nobre, que nada tem de inocente, permitir-se assimilar isso constitui uma das partes mais importantes de deixarem a culpa, por ser encarada há muito como tal:

“Ah bom, o teu problema assenta na culpa; e se for o único problema que tens penso que não estejas muito mal.”

Mas não é benigno! A culpa constitui coisa nociva e maligna que optam por permitir que funcione, que os pode acabar convosco à semelhança de qualquer outra malignidade – tanto figurativa como literalmente. Permitir-se assimilar isso constitui o primeiro passo para libertarem de verdade a culpa.

Em segundo lugar, sugerimos que monitorizem a vossa culpa por um período de sete dias. Como farão tal coisa? Com um bocado de papel e um lápis no vosso bolso ou carteira. Sempre que sentirem culpa, anotem a altura do dia, e a notem numa palavra ou duas, em relação ao que é que sentem culpa. Essa é uma abordagem do comportamento tradicional em que a libertação de um comportamento sugere um consequente se trate de eliminar os estímulos e a mudança responsável. Bom, não sugerimos que façam isso, mas que utilizem aquela porção aqui da abordagem comportamental que pode ser útil, na abordagem metafísica. E isso traduz-se por que, por um período de sete dias, se forem sérios com relação a libertar-se da vossa culpa, prestem atenção, anotem a altura do dia e o incidente em relação ao qual sentirem a culpa. A seguir o que sugerimos é que correlacionem os resultados, que isso os ajudará a compreender o que a culpa significa para vós, por termos listado muitas coisas que podem ser uma causa e talvez pensem que sejam todas essas quando provavelmente não é.

Também os poderá ajudar a compreender a razão por que se sentem culpados; e também lhes dará uma imagem clara dos resultados da culpa que sentem. Ao as correlacionarem poderão descobrir que parecerão predominar ao redor de certas pessoas ou de certas circunstâncias, certas situações. E que noutras situações, circunstâncias e com outras pessoas parecerá ser um pouco menor. A nossa abordagem sempre foi a de não irem no encalço das mais significativas primeiro, mas das pequenas. Consequentemente, se monitorizarem saberão por onde começar, ao escolherem e derrotarem aquelas áreas da vossa culpa que virão a ser as mais fáceis de lidar, fortalecendo-se a ponto de manejarem as mais significativas no sentido de as libertarem.

 (continua)

Transcrição e tradução: Amadeu António


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