quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

DISPOSIÇÃO, ESCOLHA, DESTREZA E AMOR



Vocês podem chegar a conseguir elevação e confiança, firmeza, descobrindo os vossos "potes de ouro" lá no fim do arco-íris. Parafraseando:

"Além do arco-íris onde existe uma terra de que já ouviram falar, certa vez, numa canção de embalar. Algures para lá do arco-íris, os céus são azuis, e os sonhos que se atreveram a sonhar tornam-se realmente verdade. Um dia desejaram diante de uma estrela cadente, e acordaram onde as nuvens ficaram muito para trás, onde os problemas derretem como gotas de limão, muito acima do topo das chaminés, que será onde os encontraremos. Algures para lá do arco-íris, pássaros de cor azul esvoaçam, e vocês perguntam: Porque, então, não posso eu? Porquê? Porque não o consigo eu?"

Vocês podem! (Riso) Conseguem quando têm consciência e chegam a compreender de que modo a realidade funciona; quando chegam a entender a forma como a vossa vida, o paradigma, o vosso paradigma pessoal dessa realidade funciona. Quando tomam consciência da forma como a realidade, o vosso paradigma, a vossa vida expressada através da vossa realidade - tanto a vossa realidade como a vossa vida funcionam. Então, efectivamente conseguem voar para além dos arco-íris e encontrar aqueles "potes de ouro." E conseguirão, cada vez de modo mais consciente, criar a vossa própria realidade, como nunca antes, quer sejam novos neste tipo de exploração ou sejam experientes. Podem encontrar o término do arco-íris; podem criar a realidade como nunca antes.

O amor... Uma vez mais abordamos o amor, como sempre o fizemos e sempre o fazemos e sempre o faremos. Ele tem início e término no amor e término no amor e ele liga a mistura. Com a exploração da criação consciente da realidade e do viver a vida e do amar, as chaves são as mesmas; as chaves são a disposição (boa-vontade), a escolha e a habilidade (aptidão). É o amor que dá início a cada uma delas e a encerra também. E é o amor que liga a mistura da vossa disposição, das vossas escolhas e habilidades de praticar a magia.

Disposição

Muitas vezes tem início aí. Estão dispostos? Mas vejam bem, a disposição de toda a gente no consensual do vosso mundo e fora ele, a disposição tem início na libertação do passado. Para desenvolverem um verdadeiro sentido de disposição precisam libertar-se - não dos acontecimentos que tiverem ocorrido mas dos padrões que tiverem resultado desses acontecimentos; não das ocorrências que tenham tido lugar no que chamam de "tempo anterior" mas das emoções, ideias e sentimentos, das dores, das cicatrizes, dos danos que tenham sido feitos nesse passado particular. É aí que tem início a liberdade - liberdade, liberdade, liberdade do passado! A disposição sucede com base na mudança das crenças, desanuviamento dos vossos bloqueios e recompensas, no rompimento dos contractos e guiões psíquicos, e na cura da disfunção da vossa mecânica e química. Sim, a disposição tem inicio, é iniciada, posta em marcha na busca de liberdade do passado, das crenças constritivas, dos bloqueios e recompensas, dos contractos e guiões que delimitam e os diminuem, e das mecânicas e químicas errantes que tanto lhes impede a capacidade de confiar, tanto retardam a capacidade de amar.

Mas para que a disposição permaneça viçosa, vibrante, não pode depender para sempre da liberdade de alguma coisa. Para que permaneça revigorante e vibrante também depende do futuro. Não liberdade do passado para aprendermos, mas dependência do futuro, da esperança e da luz, dependência dos tesouros da esperança, que vocês tanto descobrem como criam... e depende igualmente da esperança e do significado que vocês descobrem e criam na própria substância que constitui o futuro. Quando a disposição depende unicamente da liberdade do passado atinge a redução inerente ao princípio da economia* em que só têm umas quantas crenças a mudar ou bloqueios a limpar, apenas uns tantos contractos ou guiões; podem inventá-los se quiserem, mas...

*(NT: Ou dos rendimentos das probabilidades, que determina um decréscimo na efectividade de qualquer produção em função do aumento do esforço)

Quando a disposição depende unicamente da liberdade do passado, ele atinge um ponto de diminuição da efectividade, e quando esse ponto é alcançado, a disposição sai diminuída, e vocês perdem esperança e luz. À medida que a disposição sai diminuída o futuro torna-se mais vago e obscuro.

ESCOLHA

Independentemente do quão misteriosa ou mística possa ser, a escolha brota da vontade. Ah, pois, acha-se interligada a toda a sorte de coisas da realidade, mas tem origem na vontade. Tal como a vontade tem início na instigação para se libertarem do passado também a escolha emerge e se desenvolve desse mesmo desejo, do desejo de liberdade do passado - também a escolha emerge da mudança e da limpeza e do rompimento e da cura. Do mesmo modo, enquanto a disposição for viçosa e vibrante, também as vossas escolhas permanecerão perspicazes e emancipadas. Porém, quando a vontade é diminuída também a escolha sai diminuída.

A escolha, inicialmente motivada com base no desejo de liberdade do passado, escolha que brota da vontade, do mesmo modo precisa voltar-se para o futuro, e para o poder do futuro, e o poder do possível, para deflagrar, para manter se quisermos a capacidade acentuada e emancipada. E assim como acontece com a vontade também acontece com a escolha; se a vontade sair diminuída também a escolha sairá diminuída e com essa diminuição, surge o vazio. A vossa escolha torna-se oca, quebradiça, impassível.
Muita vez quando esse vazio tem lugar as pessoas tentam preenchê-lo com palavras, e subitamente as escolhas tornam-se prolíficas com todo o tipo de cláusulas de clarificação e termos e condições: "Caso isto, aquilo e mais aqueloutro, então eu opto por ser feliz, caso tal felicidade me permitir... e na condição de... nos termos... a escolha tornar-se-á esta incrível declaração de princípios. (Riso) Montes de palavras numa tentativa de preencher a lacuna, o vazio. Tais alternativas quebradiças e impassíveis muitas vezes são enunciadas com grande volume, mas frequentemente não representam mais do que ruído. E no processo a vossa verdadeira e genuína alternativa torna-se silenciosa, e eventualmente é silenciada. E quando a alternativa esmorece, também a magia que envolve esmorece.

Uma nova alternativa, à semelhança de uma disposição renovada, baseada no poder do futuro, no poder do possível, em vez de baseada na liberdade do passado.

DESTREZA

A destreza vem, é desenvolvida em reacção ou resposta à tentativa de corrigir, de tentar sanar a inaptidão. Quando a destreza de corrigir e de sanar as inaptidões se revelar carente... a destreza nasce da necessidade (que frequentemente é chamada de "mãe da invenção") Mas à medida que a destreza amadurecer, também deixa de brotar da correcção, mas da mudança ao invés. Não mais brota do sanar, mas do curar ao invés. A destreza amadurece; se analisarem as vossas próprias experiências - porque terá sido que aprenderam esta actividade ou este poder, este vigor, este talento; porque cultivaram esta ou aquela habilidade? Foi em resposta à incapacidade. E é assim que muita vez a destreza emerge e desenvolve força e vigor e permite que o talento possa emergir; desenvolve a perícia e a seguir adapta, ajusta, muda, aprimora, desenvolve uma nova destreza.
Mas com o tempo amadurece, e não necessita corrigir nem curar; altera-se na maturidade por que passa, para responder à mudança e à cura.

A destreza segue a entropia: a segunda lei da termodinâmica que diz que quando alguma coisa é criada começa a deteriorar-se, até acabar por se destruir. A destreza segue a entropia; assim que conseguirem uma habilidade ela começa a deteriorar-se até acabar por ser destruída – a menos, a menos, a menos – protelarem a reforma, adiarem a entropia. Adiarem a entropia, inverterem a entropia. Então a destreza poderá ser reformada, poderá ser adiada ou invertida na sua deterioração, por a destreza acompanhar a entropia. Invertam a entropia e a proficiência floresce.
A entropia da destreza é invertida por meio do domínio e da mestria da espiritualidade, por meio do domínio e da mestria de uma relação com Deus, com a Deusa, com o Todo (ou seja por que designação que tratarem o divino)

A velha ideia do “Cavalo velho não pega andadura,” ou de que seja muito ensinar coisas novas a alguém ou mudar de hábitos, não é verdadeira. A destreza perde-se por acompanhar a entropia e não por ficarem mais velhos. Mas, se ao envelhecerem desenvolverem domínio e mestria da espiritualidade, se desenvolverem uma relação ou mesmo uma parceria com Deus, com a alma, com o espírito, com o eu superior – se desenvolverem a vossa espiritualidade, as vossas habilidades não precisarão ser diminuídas, e poder-se-á ensinar alguma coisa nova a alguém, e poderá reter a habilidade, mas essas habilidades precisam amadurecer, substituir do corrigir e do tratar para a mudança e a cura, no domínio de uma espiritualidade.
Eis as chaves para a exploração e o trabalho que estão para conseguir: as chaves do viver a vida, as chaves do amar nessa vida, resumem-se à disposição – estarão dispostos? E resumem-se à escolha e àquela disposição e opção que desenvolve a destreza. Mas trata-se de uma nova disposição, assente na esperança e na luz do futuro. Trata-se de uma nova dimensão de alternativa incitada e habilitada pelo poder do futuro e pelo poder do possível; uma destreza amadurecida despoletada pela nova disposição e alternativa, inspirada por essa nova disposição e essa nova alternativa, destreza que aspira a uma maior consciência das realidades que podem criar conscientemente e de realidades que residem além até mesmo desse limite.

AMOR

Uma vez mais falamos dele, como sempre o fizemos e sempre o faremos, por ser o que dá início a isso e o que o termina, além de ser a mistura que o une. Amor, uma palavra tão diminuta que encerra tanto. O dar, o responder, o respeitar, o conhecer, a intimidade, o empenho, a atenção; tudo quanto produz segurança e prazer, sinceridade e vulnerabilidade e confiança que reduzem o temor da perda e aumenta, expande a intimidade e o apreço e que os deixa a sentir nenhum.

Quer se trate de amor-próprio: dar e responder e respeitar-vos e conhecer-vos a vós próprios de forma que sintam uma maior segurança e um maior prazer, uma maior sinceridade e vulnerabilidade e confiança; de modo que o receio que tenham de se perder seja reduzido e vocês desfrutem de uma proximidade e apreço por aquele que são, com conhecimento, e sabendo que se conhecem a vós próprios

Quer se trate do dar e do responder e respeitar e conhecer dotados de intimidade, empenho e atenção para com outra pessoa, de tal forma que ela sinta uma maior segurança ou um maior prazer, e possa confiar e ser mais sincera e vulnerável e que o receio de os perder a vós seja reduzido; para que sinta a intimidade e a atenção e saiba que é conhecida. De modo que saiba que vocês a conhecem.

Amor: a alegria pela presença e reiteração do valor; a permissão para que essa presença e valor alterem e cresça e evolua – isso é amor. Seja alegria pela vossa própria presença e a reiteração do vosso próprio valor, e permissão para que essa presença e valor não sejam contidos mas permitir que a vossa própria presença e valor se alterem e arrisquem a mudança para que elas possam crescer e evoluir – isso é amor. Assim como acontece em relação a outra pessoa, a alegria pela sua presença, a reiteração do seu valor, e a permissão para que a sua presença e valor mudem para que possam crescer e evoluir.

O amor é dar, responder, respeitar, o amor é alegria, o amor é experimentar a excelência, a bondade e a beleza e a verdade e permitir que isso essa excelência traga felicidade e alegria e não inveja nem ciúme, mas felicidade e alegria. Amor por vós próprios, experimentar o vosso próprio mérito. É dado, não o podem criar mas podem desvendá-lo e com esse desvendar poderão descobri-lo. Mas quando experimentam essa excelência, essa bondade e verdade, a beleza do que vocês são (o bom, o verdadeiro e o que se acha repleto de beleza) e deixam que os faça felizes em vez de os deixar assustados: “Ai meu Deus; eu vi o quão belo sou e simplesmente passei-me!” (Riso) “A experiência dessa beleza deixou-me aterrado, por causa das responsabilidades e deveres que arcarei e por poder perdê-la, e pela possibilidade de não poder arcar…”

Não, não. Experimentar essa bondade, verdade e beleza e sentir alegria por isso. Mas da mesma forma, no semelhante, experimentar a beleza, verdade e bondade nele; o seu mérito, e congratular-se e rejubilar nisso, e não sentir ciúme.
“Vejo a beleza em ti e isso traz-me regozijo; não me assusta nem me provoca inveja, não me ameaça com complexos de inferioridade, nem é indicador de que precise lutar e esforçar-me e sofrer para que também possa gozar disso; não me ameaça com a possibilidade de perda. Deixa-me feliz quando o vejo resplandecer. Suscita felicidade e alegria.” Isso é amor.

Amar é conceder liberdade e autodeterminação, e a seguir integrar essa mesma liberdade e autodeterminação no relacionamento, de novo em vós a fim de se permitirem, ter a coragem de ser livres e determinados, para depois a integrarem, a tornarem numa parte de vós – deixar que essa energia, essa força da liberdade e determinação se tornem parte da relação que têm convosco e parte de vós,
Assim coo em relação ao semelhante: conceder-lhe a liberdade e a determinação pessoal e a integração subsequente na relação que partilham, e um no outro. É isso que traduz o amor.

Tem lugar na raiz das vossas necessidades. Abraham Maslow estabeleceu uma belíssima hierarquia das necessidades que têm início na sobrevivência, a partir do que vem a segurança, a partir da qual, por sua vez vem a necessidade de pertença, para depois surgir a necessidade de valor, de autoestima; a partir do que eclode a necessidade de uma posição mais determinada e firme de criar e produzir uma necessidade – não um desejo mas uma necessidade humana. E dessa criação ou produção, vem a necessidade de conhecer. Conhecer o quê? Conhecer coisas! Desse conhecimento eclode a necessidade de busca da estética. Uma hierarquia progressiva em que uma necessidade descamba automaticamente noutra. Mas na raiz de cada uma dessas necessidades encontra-se o amor.

Porque quererão sobreviver? Bom, é instintivo, em certa medida. Assim que passarem o tempo da procriação, esse instinto abandona-os. Mas sabem que mais? Ainda têm vontade de permanecer vivos e vontade de sobreviver. Sim, é instintivo, mas encerra alguma coisa mais, algo que transcende o instinto. Podem evocar montes de razões e decerto que as terão, mas por base está o facto de quererem amor, quererem ser amados, por quererem ser uma pessoa amável. Por buscarem amor. Isso encontra-se na base de toda necessidade, até à necessidade da estética, de beleza na vossa vida; de simetria ou assimetria, de beleza, de espiritualidade na vossa vida. O maior desejo ardente, porventura, porque a partir dessa necessidade, a elevá-los, o amor, estar apaixonado de modo que encontrem a derradeira necessidade que é ser uma pessoa amável; mais do que ser amados, ou para aí chegarem, precisam ser amados – uma necessidade que se encontra na base de todas elas.

O amor é seminal relativamente aos vossos desejos: as amizades gratificantes, as relações íntimas, o trabalho significativo, o sucesso recompensador, a oportunidade de expressarem os vossos pontos fortes, os vossos poderes, o vosso talento.
O reconhecimento e a validação do vosso valor; desejos que assumem um infinito número de formas, mas que para todos vós se resumem às amizades gratificantes e às relações íntimas, ao trabalho significativo e ao sucesso recompensador, à expressão dos vossos pontos fortes e ao poder do vosso talento, assim como ao reconhecimento e validação do vosso valor – isso é tudo quanto não necessitam mas desejam.

E seminal em relação aos vossos desejos é o amor. É a motivação e o ímpeto que os conduz na vivência da vossa vida. Quererão criar um domínio em que o amor seja resguardado, e onde seja seguro pôr o amor em acção. Ser amados e ser amáveis, tornar o amor seguro e criar um mundo de segurança em que o ponham em acção.

Vocês não estão aqui para ser convencidos. Então estarão aqui para chegarem a saber que criam a vossa própria realidade? Não, não, não. Vocês vêm fazendo isso antes mesmo de terem nascido, mas têm vindo a fazer isso durante toda a vossa vida, não vieram com as últimas chuvas, mas mesmo que só tenham três ou quatro anos, vocês têm vindo a criar a vossa realidade; não precisam aprender a fazê-lo, porque o fazem a cada passo. Ora bem; podem aprender a obter uma maior consciência disso, podem cultivar a técnica a fim de alterarem a realidade que criam, de acordo com a vossa vontade e de acordo com a vossa imaginação e amor, mas vocês já criam a vossa realidade de facto fazem-no conscientemente, independentemente do quanto possam querer nega-lo, ainda o farão de forma consciente. Mas vocês podem aprender a ser mais conscientes e podem aprender técnica de modo a poderem mudar a realidade e levá-la a aquiescer com o vosso sentimento, vontade, imaginação, de modo a obedecer ao vosso amor. E em certa medida encontram-se aqui para isso.


(continua)



Transcrito e traduzido por Amadeu António

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