sábado, 29 de outubro de 2016

CRENÇAS & CONHECIMENTO




YADA
DA IGNORÂNCIA INERENTE ÀS CRENÇAS DA CONSCIÊNCIA DOS SENTIDOS E DA SUA SUPERAÇÃO PELO CONHECIMENTO
Considerando a total falta até da mais elementar educação dada às massas com respeito às doutrinas interiores da vida, não é de surpreender que aqueles que estejam envolvidos com a mediunidade espiritualista façam tais alegações (que contactam grandes mestres nas salas de sessões). De facto, seria bastante surpreendente se o não fizessem. Nenhum de nós pode fazer mais do que nos foi ensinado a fazer, embora muitos muita vez façam menos. Duvidando das alegações que os grandes mestres da vida associam ao homem comum quer nas salas de sessões quer fora delas, penso que deveríamos colocar a nós próprios a questão, o que é que o homem comum sabe com relação a esses seres altamente evoluídos? A verdade é que elas nada sabem com respeito a eles, nem tão pouco pode chegar a saber alguma coisa enquanto habitar a consciência inferior.
A consciência inferior acha-se sob o domínio do sistema sensorial, e são os sentidos que nos impõem o conceito da realidade, desse modo prendendo-nos no chamado plano material, o qual de facto é um dos planos da ilusão pura. O plano seguinte, chamado plano do estado pós-morte, não passa de uma extensão do plano físico, e como tal constitui igualmente um mundo de ilusão que é espelhado pela consciência inferior. É por isso que o homem comum (um que vive quase exclusivamente na consciência inferior) raramente tem consciência quando a morte surpreende o corpo físico por algo de natureza fora do comum lhe ter sucedido, por continuar a pensar e a agir como antes de perder o seu corpo.
Conquanto seja verdade que a grande maioria das pessoas toma consciência da transição, esse conhecimento por si só não lhes fornece qualquer luz com respeito à sua Consciência Cósmica. Há iogues avançados que experimentaram a vida activa além dos sentidos físicos, mas enquanto a experiência lhes tenha trazido uma consideravelmente maior latitude de trabalho e lhes tenha reforçado a aceitação da existência da Mente Cósmica, até mesmo eles não conseguem encontrar a unissonância com ela, simplesmente por as experiências que fazem no estado de projecção lhes ter cedido um pouco mais de garantias da sua realidade.
Agora, conquanto seja de todo provável que um iogue se ponha a fazer joguinhos em função do interesse do seu ego nem do dos outros, precisa ser admitido que esse tipo particular de conhecimento o coloca numa excelente posição para o fazer ao contar aos demais como é um grande mestre da vida, e caso consiga desempenhar qualquer milagre aos olhos do ignorante, isso reforçar-lhe-á essa posição de uma forma considerável.
Bom; tudo quanto aqui afirmei com respeito ao meu iogue fictício pode e sucede com habitualidade nas vossas salas de sessões modernas – o homem comum morre, e se tiver gozado de falta de carácter e de inteligência, ele encontra-se em boa posição para se fazer passar a qualquer pessoa irreflectida como grande ou pequeno, e caso essa pessoa irreflectida ainda esperar conseguir algo do nado ele tornar-se-á duplamente vulnerável em relação ao ser humano predador, independentemente do lado do véu em que tal entidade possa estar a operar.
As massas no geral não têm qualquer conceito do que um Mestre da Vida seja, e o chamado Cristão é o mais ignorante nessa matéria. Esta última afirmação não constitui uma crítica, mas uma simples constatação de facto. Todas as religiões básicas contêm dois tipos distintos de doutrina. Uma, relativa a essas designadas Sabedorias Interiores é portadora de ensinamentos metafísicos e de uma prática oculta e só é dada aos sumo-sacerdotes da Ordem. Depois há os ensinamentos exteriores que se destinam às massas e que lhes são ministrados pelos sacerdotes dos templos, que nada conhecem das Doutrinas Interiores.
Nas doutrinas exteriores da igreja Cristã, não existem instruções que sejam dadas às pessoas. Tudo quanto é aprendido é-lhes contado na forma de sermões que basicamente nada mais são do que leis morais. Falam-lhes do Deus antropomórfico que teve um filho que enviou à terra para se tornar num sacrifício de sangue para o alívio da Sua ira que sente em relação à Sua criação pecadora. (Pecadora?) É a esse deus-homem encarnado que as pessoas aprendem a chamar Mestre – que é simplesmente uma outra palavra que usam para professor.
Toda a estrutura da Igreja Cristã se acha assente nas doutrinas dos sacerdotes, que professam que esse filho do Sol (Jesus o Cristo) tenha sido um fazedor de milagres. E o Espiritualismo enquanto religião não passa de uma ramo da igreja ortodoxa cristã, caracterizada pela diferença principal de depositar na doutrina espiritualista o facto da alma ou do espírito do indivíduo sobreviver à morte do seu corpo físico e de que a comunicação com o além, por parte daqueles que ainda se encontrem no plano físico, ser não só possível como representar um facto.
O Espiritualismo também reverência o homem Jesus como um fazedor de milagres, só que não pela mesma razão por que a igreja ortodoxa o faz, ou seja, com base na alegação da sua imaculada concepção, mas em vez disso com base nos poderes que ele manifestou enquanto sensitivo ou Médium. Bom, meus amigos, conquanto ambos esses argumentos possam ser interessantes e representar histórias sem dúvida fascinantes, e como tal se mostrarem fortemente apelativas ao aspecto emocional inferior, nenhuma delas tem qualquer relação com os factos respeitantes à verdadeira natureza ou realização de um Mestre da vida.
Toda a história do homem comprova com toda a clareza que não foram as suas crenças que lhe trouxeram sofrimento ou alegria, mas o uso que delas fez, ao invés. Contudo, penso que deveria ser salientado que as crenças, pela sua própria natureza, são caracterizadas por uma natureza múltipla, e que por serem assim, são controversas, e que a controvérsia simplesmente conduz a uma maior confusão na personalidade humana ou que se revela na desconfiança e no ódio. E estes últimos elementos são não só mortais para aquele que os contrai, como também são altamente contagiosos; E o seu portador pode infectar não só aqueles da comunidade em que se acha integrado, mas toda uma nação, com o tempo. Alguns afirmam que o homem é um animal que acredita. E assim é enquanto não empreender qualquer esforço por conhecer. Quando conhece e sabe que sabe, terão obtido a graduação do animal primitivo em nós para o estado de consciência chamado Humano.
O Adepto ou Mestre de Ioga é alguém que por intermédio de muito esforço consciente chegou a reconhecer o lado animal em si existente e o liquidou de modo que o Ser Humano ou Consciência de Cristo e/ou o Buda possa encontrar liberdade da sepultura da matéria. A sepultura da matéria existe como mera aceitação da crença nos sentidos, ou consciência inferior. Quando o Iniciado percebe isso, então ele passa a ver através do véu do engano, e nesse instante de Iluminação deixa de estar no mundo da matéria, muito embora possa eleger continuar nele por um tempo. Tais seres não penetram nos assuntos emotivos do homem mas operam a partir de níveis superiores de consciência e ajudam a moldar por completo o destino do mundo e do Universo.
No vosso mundo moderno não existem escolas onde se possa obter uma instrução plena e compreensiva sobre a natureza do seu próprio ser. As escolas que vocês têm empenham-se unicamente na comercialização, e conquanto existam muitos milhares de templos (igrejas), só na América, nenhum deles ensina aos seus seguidores as Verdades Internas respeitantes à natureza Divina do indivíduo humano. Mas é claro que não o podem fazer, por eles próprios se encontrarem estéreis de um conhecimento desses. Conhecer a verdade é ensinar a verdade, e só existe uma verdade, que é a de que a Mente é a Luz a partir da qual o Homem manifestou não só o seu próprio corpo como o corpo do universo.
A matéria, assim chamada, é filha (ou filho) do Sol – Sol esse que é o Pai que se encontra eternamente nos céus (Mente). O filho também representa a sabedoria da Luz que dissipa as trevas da ignorância do mundo. Aquilo que é chamado matéria não passa de conceito do sistema sensorial e como tal é puramente ilusório. Caso a matéria fosse uma realidade em si mesma e por si só, a lei da mudança não poderia existir. De facto não poderia haver uma existência de nenhum tipo. Conquanto estas afirmações possam ser verdadeiras, de pouco servirá ao estudante aceitá-las com base na fé ou no conhecimento intelectual.
Para se conhecer a natureza da vida, precisam ter uma experiência consciente dela em primeira mão. O físico não aceita a existência de uma força chamada átomo com base na fé ou na esperança, mas por meio de uma experiência factual dela, primeiro por meio de equações matemáticas e de seguida por meio de uma exploração mecânica. Na experiência disso a que chama de átomo, o físico descobre por entre outras coisas que não é uma unidade separada mas que é composta por muitas unidades e por unidades portadoras de unidades, e que quando certo tipo de trabalho é exercido sobre essas unidades elas cedem parte de si por diversas actividades chamadas força calorífica e luz.
A verdade, porém, reside no facto do átomo constituir um feixe de luz, e como tal, a substância criativa da Mente e uma vez mais, como tal, não comporta propriedades de uma natureza violenta em si. Aquilo que é visto como violência que brota do átomo é devido à resistência que o átomo move ao ataque violento que lhe é perpetrado por alguma força exterior a ele. O Mestre Iogue, utilizando a abordagem passiva da respiração e da meditação que usa para com o átomo, não agita nenhuma das suas partes, e em troca não se sente agitado. Esta perfeita união com a Mente e a sua criação é chamada Iluminação, que é um outro termo para luz, e a luz são as energias vitais da Mente Cósmica.
Bom, meus amigos, creio que, se o que eu disse for de todo inteligível, estou certo de que compreenderão a razão por que alguém que tenha atingido a Consciência Cósmica não terá qualquer propósito ou razão para ter qualquer tipo de contacto físico com aqueles que ainda se encontram adormecidos na mente do ego, que é onde noventa por cento da humanidade passa noventa e nove por cento da sua vida terrena e no astral inferior. Contudo, estudantes sinceros da Vida Interior poderão, e habitualmente conseguem-no, nos seus períodos de meditação, obter uma transmissão por parte desses Mestres e ser desse modo consideravelmente auxiliados na luta que empreendem no caminho. 
Mark Probert
Tradução de Amadeu Antonio



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