sexta-feira, 7 de outubro de 2016

SOBRE A MATURIDADE


SOBRE A MATURIDADE
Temos falado, em diversas ocasiões, acerca da criança e acerca do adolescente, e por isso torna-se de facto agradável começar a falar acerca do adulto, que é algo que temos evitado um pouco durante um certo tempo, por assustar muito boa gente, por deixar muitos de vocês assustados. Gostam de pensar que são adultos de acordo com a cronologia e não querem confrontar a ideia de talvez não serem – a despeito da cronologia.
Falamos da criança não só como um modo de comunicação, o que seria porventura quando foi apresentado pela primeira vez, por meio da Análise Transacional, mas da criança e das ramificações que ela comporta em termos metafísicos, tendo antes sugerido que a criança não representa um pequeno círculo no papel, mas que representa uma parte bastante viva de vós, e que existe neste instante conforme sempre tem existido em todas as alturas do que chamam de tempo. Porque na verdade o tempo não passa de uma ilusão, algo que temos vindo a afirmar, algo que os metafísicos têm vindo a discutir há eras – algo que agora os vossos cientistas estão a começar a provar através da física quântica e de diversas outras formas de ciência avançada.
A comunidade científica tem agora chegado à conclusão que tem sido mantida por tanto quanto o tempo tem existido, que é a de que porventura não passa de uma ilusão. Com a Relatividade de Einstein a quebrar o gelo e subsequentemente a isso as pessoas que desenvolveram várias teorias que estão a provar e que estão a aproximar-se cada vez mais do facto de o tempo ser uma ilusão.
E na verdade, na história da humanidade, conforme falamos num seminário que se debruçou sobre o controlo do tempo, o tempo tem representado um conceito linear apenas há talvez quinhentos ou seiscentos anos. Antes disso o tempo representava um conceito sequencial e cíclico. E antes do tempo cíclico o tempo era considerado uma ilusão total, um meio completamente artificial de comunicação.
E foi com a verdadeira força da religião cristã que o tempo se tornou linear, porquanto todo o conceito da cristandade se baseia num começo que conduz a um fim, sem que se repita. E foi com o desenvolvimento disso, lá por volta do século quinto (por volta de 400 mais ou menos) que o conceito da reencarnação foi afastado de todos os textos ou manuscritos de carácter religiosos ou filosófico, com base na ideia de levar as pessoas a pensar que só tinham uma oportunidade e a tomar isso seriamente em consideração, ao invés de pensarem dispor ter muitas oportunidades por poderem muito bem não aparecer aos Domingos á Igreja e deixarem de colocar a oferta na bandeja e poderem deixar de temer a Deus.
Na verdade funciona ao contrário, se só dispuserem de um fragmento de setenta anos para o conseguir na perfeição e se nunca o conseguirem, porquê preocupar-se? Ao passo que se forem confrontados com o facto de o fazerem uma e outra vez, poderão prestar uma maior atenção, (riso) mas em todo o caso, o conceito foi assim introduzido mais especificamente por volta dessa altura mas não chegou realmente a pegar senão até à Renascença. Com o advento da ciência, quando a Ciência e a Igreja se juntara (todavia não de mãos dadas) na verdade disseram:
“Vamos definitivamente tratar o tempo como um conceito linear que comporte um começo preciso que progrida em frente até um determinado fim, e que não se repita, que não se recicle, que não se curve seja por que modo for.”
E assim, foi por volta de 1500 que o tempo, enquanto conceito linear, se tornou numa realidade. Antes disso, nas vossas vidas e nas vidas das pessoas ao vosso redor, o tempo enquanto linha recta não fazia qualquer sentido e pareceria completamente ridículo. Ao passo que agora, o tempo enquanto outra coisa que não uma linha recta parecer-lhes-á completamente ridículo. Mas se pegarem na história da humanidade, nos vinte, trinta, quarenta, cinquenta, sessenta mil anos em que têm vindo a existir neste planeta enquanto consciência em crescimento, e desses sessenta e por vezes setenta e oitenta mil anos, somente nos últimos 600 chegaram a considerar o tempo como linear, o que na verdade representa a opinião minoritária.
Mas as vossas ciências sugerem, e vão continuar a sugerir ao longo dos próximos anos, que o tempo constitui uma ilusão e que não passa de uma mera conveniência para poderem definir encontros a determinada hora. A questão aqui assenta no facto de que, se chegarem a perceber isso chegarão a perceber que isso quer dizer que o instante em que nasceram e o momento em que morrem seja o mesmo, e que tudo quanto ocorre pelo meio não passa de uma ilusão; que nesse breve instante de nascimento e de morte, tudo isso que conjuram, não ao contrário de um sonho em que muitos de vós percebem que estavam acordados e que depois adormeceram e tiveram esse sonho elaborado a seguir ao que acordaram e só terão passado cinco ou dez minutos, sonho esse cuja descrição levaria todavia uns quarenta minutos, mas que parece ter durado meses.
Assemelha-se bastante a um sonho, e sugerimos que a criança tem existência neste exacto momento enquanto um organismo vivo, e que exerce impacto, conforme muitos de vocês terão descoberto – exerce um impacto tremendo sobre a vossa realidade. Se deixarem que essa criança viva a vossa vida, vocês jamais a chegarão a viver, e a criança chegará a vivê-la de uma forma bem-sucedida. Porque, quando se trata da criança, ela não pode existir na realidade do adulto, nem pode ser funcional e responsável na realidade de adulto. A criança é a parte de vós que depois de nascer, cresce e se expande e se alonga e alcança, e que depois se detém por volta dos quatro a seis anos (algures por aí) e que se detém por não obter amor suficiente e se tornar muito obstinada e recusar-se a alterar o curso de acção rumo ao crescimento até que a amem como deve ser, até lhe darem amor.
Por na verdade, independentemente da forma como a criança em vós se comportar, a despeito das mensagens em que a criança em vós lhes transmitir e da distracção que a criança em vós provocar, a verdade é simplesmente a de que a criança quer amor, e de que parou algures no vosso passado, lá por entre a idade dos quatro e dos seis pacientemente à espera – por vezes não de forma tão paciente – à espera de ser amada. Isso não é mau nem está errado, é algo de pungente a ser considerado, mas seja como for é o que acontece a todos; a criança detém-se. Por volta dos seis, sete, oito, nove, dez, etc., o corpo continuou a crescer, mas a criança deteve-se à espera de amor.
Dos onze aos treze, e por conseguinte por volta dos treze, a adolescência é forçada a existir quando se dá esse estranho fenómeno chamado puberdade, em que o corpo muda e as hormonas começam a ser lançadas e a ser misturadas com outras hormonas de modo a criar desejos, assim como a criar protuberâncias no corpo, de modo que tem que se admitir que se é adolescente. A natureza toma conta disso por vós; ela não se fia em que o consigam fazer sozinhos.
É bem verdade que existem certos mecanismos, por entre as estruturas do ADN e do ARN, da sequência de eventos, que são de tal modo que a determinadas alturas essas hormonas são activadas e que começam a funcionar, e o corpo para de crescer e começa a expandir-se; é automático e não o podem evitar. Até mesmo a pessoa mais insana e mais retardada eventualmente se torna adolescente, por o corpo o fazer por vós. É igualmente interessante, embora uns possam notá-lo e outros não, que nas mulheres ocorra a libertação de certas hormonas por entre as idades dos vinte e quatro e dos trinta e dois que as levam a desejar ser mães. Mas nós sugerimos que a natureza não confia em vós, porque se dependesse de vós decidir ter filhos poderia nunca acontecer. (Riso)
Podem não o fazer, e por conseguinte a natureza imprime uma reviravolta nisso de modo a levá-las a sentir o instinto maternal. Claro que isso não as conduz directamente à gravidez, mas o que sugerimos é que as leva a sentir o instinto maternal. E muitas de vós deverão ter descoberto que durante esse período da vossa vida terão desejado estar com crianças e que terão achado as crianças bonitas e maravilhosas e que terão passado seriamente a considerar ter uma. E talvez vão e frente com a ideia ou talvez não, mas o que sugerimos é que a natureza terá cumprido com a sua parte.
Bom, o mesmo se aplica ao ciclo de crescimento; a natureza cumpre com a sua parte para se assegurar de que pelo menos atinjam a adolescência. Não confia em que o consigam sozinhos e força-os a passar pelo período da puberdade, o qual subentende mais do que o crescimento de pelos púbicos, e representa de facto toda uma mudança no desejo, uma mudança em vós e uma mudança na realidade. Mas é somente até aí a natureza vai. Porque a adolescência atinge-os por volta dos treze, catorze ou talvez quinze, geralmente por volta dos treze, e detém-se igualmente. E por que razão se detém? Não por causa do amor, mas por evitarem o que presumem ser a maçada da maioridade.
Mas sugerimos àqueles de vós que conseguem recordar, que por volta dos treze mal podem esperar crescer, tal a pressa com que começam a fumar cigarros a fim de provarem que são crescidos, ou com que começam a usar resmas de maquilhagem, pois quanto mais usarem mais adultos parecerão. Mas sugerimos que mal podem esperar e que passam a usar uma pasta e catorze canetas na bolsa (riso) e sapatos de tacão e coisas desse estilo. Mas ainda assim o adolescente interior ter-se-á detido e dito:
"Sinto-me assustado e não quero crescer. A maioridade é uma maçada, bem o sei; não sei lidar com isso, nem quero, paro.”
E o adulto não chega a nascer. O adolescente detém-no exactamente aí. O adolescente prefere muito mais andar às voltas em torno da fantasia do que lidar directamente com a realidade. E de facto o adolescente, de tão adaptativo que é, é capaz de imitar qualquer comportamento adulto que possam imaginar. É capaz de observar, é capaz de cultivar e de imitar. Pensem bem quando estavam com essa idade, por volta dos treze; pensem nos vossos próprios filhos adolescentes ou nos adolescentes que conhecem na vossa realidade que são tão capazes de imitar os adultos e que o fazem tão bem que conseguem usar a linguagem, as roupas, parecem ter o conhecimento, sabem ler os livros, sabem fazer tudo o que um adulto consegue. São altamente adaptativos mas sugerimos aqui que quando o adolescente se detém por volta dessa idade, por recear e evitar crescer, muitas vezes imita a maioridade de forma a evitá-la. E há por aí muitos neurocirurgiões que não ultrapassaram a idade mental dos treze, e muitos advogados e juízes e professores, e muita gente profissional e bem-sucedida e muito rica que ainda não terá mais que treze anos, no que toca à perspectiva que tem da vida, e que terão imitado de uma forma bem-sucedida, e copiado, e simulado essa maioridade, a fim de evitarem o confronto que implica.
Dissemos, de vez em quando, que se quiserem ser invisíveis enquanto mulheres, devem usar um chapéu enorme cor-de-rosa com penas, que ninguém as verá, mas tão só ao chapéu. E se temerem a humilhação façam de vós parvos continuamente, façam-se continuamente de bobos e de idiotas e falem e balbuciem alto e sejam trapalhões porque se agirem desse modo ninguém os perceberá.
E assim é com o adolescente, que deseja evitar ser visto, que simula o adulto mesmo melhor do que a maioria dos adultos consegue, para evitar ter que se tornar de verdade nesse adulto. E essa é a parte assustadora da adolescência, por poder parecer muito boa e por poder seguir e desenvolver todos os sintomas do êxito, todos os sintomas da maioridade.
Pois bem, isso leva-nos a interrogar-nos, porque se podem fazer tudo isso tão bem de modo a enganar toda a gente, então porque preocupar-se? Qual será a dificuldade? E depois? Talvez fosse melhor persistir nessa adolescência e proceder a uma simulação ainda melhor da maioridade e aprender mais truques sobre a forma de se parecer ainda mais com um adulto. Mas não faz mal, sabem. Há gente por todo o mundo, milhões de pessoas que faz exactamente isso, e que o faz muito bem. Só que isso apresenta uma diferença, entendem, por não conseguirem enganar-se com respeito a isso, e por isso, independentemente do número daqueles que consigam enganar levando-os a pensar que sejam adultos de verdade, caso não o sejam não o serão, e vocês saberão disso.
Mas o único problema que o crescimento envolve é o seguinte: precisam ser sinceros convosco próprios; e para se alcançar aqueles níveis de maioridade, requer-se maturidade, não por fora mas por dentro.
E assim, aqueles milhões de pessoas que simulam de uma forma bem-sucedida o adulto, não tem importância, mas não terão uma vida de crescimento na medida em que poderiam ter. Por conseguinte, os muitos famosos e bem-sucedidos, que parecem ter uma vida arranjada mas cujo arranjo não passa de uma simulação, poderão ter uma experiência agradável e alegre nesta vida de carácter intermitente, mas isso é tudo quanto virá a ser, descanso e relaxamento.
Mas desenvolver-se, expandir-se, evoluir, tornar-se mais vós próprios, o único acesso para isso é através do adulto. Os acessos do adolescente conduzem-nos em círculos, e não os levam ao exterior. Constituem um verdadeiro labirinto sem fim, ao passo que de facto a maioridade constitui um caminho para fora disso, um caminho para fora e além, para a elasticidade e o crescimento. E não precisarão desistir do sucesso, porque se o adolescente pode simular a maioridade e ser feliz, decerto que o conseguirá a maioridade e talvez ser mais feliz. Atrevemo-nos a dizer que de facto seriam.
A questão que isto envolve é a seguinte: Todos vocês em algum lugar e em algum momento definiram a escolha do crescimento; não apenas nesta semana ou na que passou, nem neste ano nem no que passou, mas porventura há muitas vidas atrás. Que dia arrepiante esse, não? Mas seja como for, sugerimos que fizeram essa escolha. Procederam a essa escolha e esta vida baseia-se nessa escolha. Assim, não foi um seminário em que acidentalmente tenham decidido desenvolver-se, nem foi um livro errôneo que tenham lido que os tenha persuadido quanto a esta teia e rede terrível de desenvolvimento, mas vocês, que antes de entrarem nesta vida tomaram a decisão de fazer valer o facto de que esta viria a ser uma de entre várias vidas orientadas para o desenvolvimento, sob a tutela do livre-arbítrio, para decidirem a quantidade de desenvolvimento, mas que determinaram em definitivo como uma vida de crescimento. E por conseguinte para vós, simular a maioridade não irá revelar-se suficiente. É a opção de se tornarem no adulto que há que eleger.
Vocês virão a ser uma criança pelo simples facto de terem nascido, entendem? A natureza encarrega-se igualmente disso, muito embora alguns de vós resistam de uma forma horrível ao nascimento. E alguns de vós reconsideram seriamente após esse nascimento e quase morrem nos vossos primeiros seis meses ou nos primeiros dois anos, etc. E muitas vezes é isso que envolve:
“Eu desisto. Não consigo, Vou-me embora.”
Mas vocês decidiram ficar, e assim a natureza forçou-os a sair do ventre materno, e cresceram até à infância em que estagnaram, e a natureza deixou-os parar por aí por um período de quatro ou cinco anos e de seguida lançou-os de uma forma tumultuosa na adolescência, quando não sabiam o que se estava a passar convosco nem sabiam como lidar com isso. Mas cedo se adaptaram, descobrindo os vossos rolamentos giroscópicos para voltarem a posicionar-se erectos uma vez mais. Mas a natureza não vai além, entendem, e não os força a atingir a maioridade.
Não existe linha divisória que, por a atingirem, passem a ser adultos. Certas religiões têm certos ritos de masculinidade e de feminilidade e coisas desse género, como se de algum modo isso faça com que ocorra, quando ainda não terá tido lugar. Instaurar uma enorme festa e beber montes de vinho e chamar a vós próprios adulto não resulta, seja um Bar-Mitzvá ou uma Despedida de Solteiro (Bachelorette) antes da cerimónia do casamento ou seja o que for, como se de algum modo isso fizesse de vós um adulto. A mulher a saltar de dentro do bolo não faz… (Riso) Não existe linha divisória nem ponto algum em que sejam lançados na idade adulta. Têm que entrar nela, e precisam entrar nela de forma consciente. Precisam saber o que estão a fazer.
Bom, que dizer daqueles que não estão na metafísica e que são adultos? Deveras, mas atrever-nos-íamos a dizer que esses sabem aquilo que fazem, por não existir um só adulto por aí na realidade, a despeito do quanto possa estar separado de tudo quanto tenha que ver com o potencial humano ou do desenvolvimento, que não tenha procedido a essa escolha de uma forma consciente, e que não tenha tomado a opção, com todo o passado, com todo o conhecimento, com toda a terminologia que emprega. A escolha é o que realmente importa. Não importa que alguém queira uma mistura confusa e que nunca tenha ouvido falar da metafísica e que não consiga dizer-lhes o que seja, porque um dia decide:
“Vou tornar-me num adulto, e vou conduzir a minha vida dessa perspectiva.”
Sem mesmo saber o significado disso. Mas a escolha é em definitivo sempre estabelecida.
De vez em quando sugerimos o chauvinismo, e que os homens são automaticamente chauvinistas, até procederem a uma escolha no sentido contrário. Mas se forem ao encontro de um homem e lhe perguntarem:
“É chauvinista?”
E se ele responder:
“Pelos céus, nunca tinha pensado nisso…”
Ele sê-lo-á. A única maneira por que não o será seria dizendo:
“Bem, eu tenho pensado nisso, costumava ser, mas mudei intimamente, e a gora não sou.”
E o que sugerimos é que essa é a forma como opera com a vossa sociedade e a forma como educaram; todo o homem é chauvinista até que conscientemente decida não o ser, e se não tomou essa decisão consciente em sentido contrário, ainda será um chauvinista. Pois o mesmo se passa com a maioridade:
És um adulto?
“Caramba, nunca pensei nisso…”
Não o és, absolutamente. Procedeste a essa escolha?
“Não.”
Então não o és. És um adolescente adaptável, que parece bem-sucedido e que se assemelha a um adulto, e que o simula e porventura melhor do que o faria em seu próprio benefício, mas não serão um adulto a menos que tenham feito a escolha de o ser de forma consciente.
Este seminário em particular, conquanto aparentemente benigno (riso) poderá ser porventura o seminário mais exigente a que poderão ter assistido, em termos de confronto. Por irmos falar do que representa ser adulto, coisa com que poderão fazer uma de duas coisas: Tanto podem usar essa informação a fim de procederem à escolha de entrarem na maioridade, como poderão usar essa informação para por fim reconhecerem ou se harmonizarem com a adaptação que fazem. (Riso)
Esta noite podíamos dar-lhes mais munições, para se esconderem mais fundo na vossa adolescência, caso cultivem o que estamos a dizer, e cultivem mesmo as palavras a repetir, que é basicamente o que poderão fazer com elas. Parecer-se-ão mais com um adulto, e serão capazes de ludibriar mais gente, e por um certo tempo poderão mesmo tentar convencer-se disso mesmo. Mas não receiem isso em demasia, porque a vossa consciência superior irá acordá-los, algum dia, em algum lugar, e no seu próprio curso de actividade levá-los-á a perceber que o terão falhado. Ainda que isso não seja senão numa outra vida, ela levá-los-á a perceber que terão falhado a coisa.
Assim, é de facto onde uma escolha inicial, uma escolha anterior à eleição da maioridade, alcança uma importância suprema. Escolher proceder a essa mudança; escolher utilizar a noite de hoje e a informação que encerra, não para se entrincheirarem mais fundo nessa adolescência, não para se encobrir melhor nem para enganar mais gente nem aumentar o reportório que têm do comportamento adulto, mas para a usarem a tornar-se adultos, de modo a que deixem de usar reportório em absoluto, nem qualquer saco cheio de truques, nem tenham que decidir como irá ser nem o que venha a ser mais apropriado, mas possam simplesmente sê-lo. E é por isso na verdade que afirmamos que para muitos de vós isto irá representar um confronto maior do que poderão imaginar, ao se depararem com um monte de ideias e de conceitos.
Alguns têm dificuldade em chegar aqui e apressam-se à última da hora e saem a correr do escritório. Há uma carta de uma mulher que escreveu a dizer que obteve o folheto a anunciar o seminário e que o deitou fora, mas por fim decidira vir ao seminário que decorria em Los Angeles no dia 20. A carta datava de 23. Por isso sugerimos aqui que isso evoque decisões interessantes, de facto. (Riso) Muita gente toma decisões do tipo:
“Quero sem dúvida tornar-me num adulto!”
Com três dias de atraso, não é? (Riso) Mas o que talvez importe mais perceber é que assenta numa escolha.
“Tudo bem, diz o adolescente, eu opto por me tornar num adulto. Aí está. Procedi à escolha!”
Nós sabemos!
O que a escolha envolve é o seguinte: Não podem simplesmente definir escolhas por querer definir escolhas. Precisam ter um móbil qualquer por trás, uma motivação ou uma razão qualquer para a elegerem. As escolhas baseadas na razão podem tornar-se muito eficazes; as escolhas eleitas com base no dever e na obrigação geralmente resultam muito ocas e ineficazes, e na frase, duas ou três semanas mais tarde proferida:
“Mas… mas… mas eu procedi à escolha. Eu sei que o fiz…”
As escolhas precisam ser tomadas com base em valores claramente definidos. De facto todas as escolhas que são escolhas de verdade baseiam-se no que é chamado de Valores Operativos (NT: Escolhas instintivamente feitas com base no valor no contexto da tendência inerente à autorrealização) ao invés de valores concebidos – valores operativos. Se não se basearem em valores não passarão de escolhas vazias. Por isso, decidir à última da hora:
“Está bem, está bem, eu escolho isso.”
Isso é coisa de adolescente. Assim, não façam essa escolha vazia mas ao invés permaneçam abertos, ou talvez sugeríssemos ser mais adequado ficar receptivos ao facto de que podem proceder a uma escolha legitima e válida para entrar na maioridade quando quiserem – hoje, amanhã, na semana que vem, no mês que vem, na vida seguinte, quando quiserem. E que a escolha lhes cabe por inteiro.
Percebam que se tornaram criança e adolescente, mas que o resto é convosco; a natureza não os ajudará, a natureza não o fará por vós. Cabe-lhes a vós. Quando nos referimos à natureza estamos a referir-nos àquela parte de vós, à consciência superior em vós, àquela parte inconsciente em vós, porque na verdade não existe uma mãe natureza que use um vestido comprido, isso pertence ao foro dos anúncios de televisão. São vocês.
Assim, talvez por onde se deva começar de uma forma mais eficiente seja olhando o que corre mal; o que corre mal nesse processo de desenvolvimento, porque todos vós aqui presentes decidiram, atrevemo-nos a dizer, que se iam tornar adultos, muito antes de aqui virem, muito antes de se envolverem com isto. Mas nem sempre terá resultado e o que sugerimos é que surgem diversos mal-entendidos, e assim queremos observá-los e tratar de certos equívocos, por ser o que muitas vezes os impede de procederem a essa escolha da maioridade. E à primeira área de mal-entendidos chamamos nós de conceito de adulto por defeito, que basicamente pode ser dividido em quatro grupos, o primeiro dos quais é:
"Assim que me licenciar na faculdade ou da universidade, quando me casar, ou quando tiver um filho, ou quando for pai de uma criança, quando arranjar um emprego que renda dez mil ou vinte mil por ano, assim que conseguir a minha própria pasta e o meu escritório, quando arranjar uma casa, quando tiver um carro, quando alcançar os vinte e um ou os dezoito, dependendo do estado em que se encontrarem, então serei um adulto.”
Isso é ser adulto por defeito, por ausência, pensar que simplesmente irão crescer até à maioridade. Que passam por um processo qualquer de osmose ou cronologia e que isso simplesmente lhes suceda.
Mas sabem que mais? Muita gente, muitos de vós tiveram uma agenda dessas, e compraram ansiosamente a sua primeira casa, mas assim que a obtiveram, a coisa não resultou por uma razão qualquer, sem que soubessem o que estava em falta. Mas isso devia-se ao facto de terem uma agenda secreta, uma agenda que rezava assim:
"Assim que conseguir aquela hipoteca, de um modo qualquer isso irá fazer de mim um adulto."
Mas vocês jamais admitem tal agenda, e após o facto de tal agenda não ser satisfeita sentem um vazio.
Do mesmo modo, muitas de vocês estão ansiosas por casar, e mal podem esperar por encontrar o príncipe encantado de tal modo estão dispostas a destruir a própria vida em busca dele, ou em busca da mulherzinha, jamais a princesa, não é? Ou é o príncipe encantado ou a mulherzinha. (Riso) Se andarem em busca da princesa, daquela mulher perfeita e idílica situada num pedestal qualquer, será por pensarem ser reis. Não estão à procura de alguém a quem servir, mas de alguém que os sirva a vós. Mas o que nós sugerimos em definitivo é que as pessoas se casam e desejam fazê-lo com base na agenda velada que têm:
"Isto por fim fará de mim um adulto, ser mulher de fulano de tal, um cavalheiro a par da sua senhora."
Mas seja como for, sugerimos que essa tem sido a motivação de muitos, mas infelizmente os casamentos que se consumaram com base nisso têm sido muito superficiais.
E quantos homens tratam as esposas por "mãe"?
"Com está a mamã hoje?"  
Mesmo que não tenham filhos, alguns deles referem-se às esposas como mamãs ou mães. Uma vez mais, com base na esperança de que quando atingirem essa fase sejam pais, e por conseguinte adultos, ou vice-versa. Mas sugerimos que infelizmente muitas mulheres engravidam numa tentativa de se tornarem adultas.
"Isto irá conseguir provar que sou adulta, por as crianças não conseguirem ter filhos."
É verdade, as meninas não conseguem engravidar, nem os catraios conseguem engravidar as meninas nem as mulheres. Só que os adolescentes conseguem! Mas o facto de conseguirem engravidar ou de engravidarem alguém não quer dizer que sejam adultos. Só que muita gente tem uma agenda encoberta dessas e por conseguinte, quando fazem isso, quando apresentam esse sintoma de maioridade, e isso não lhes fornece a sensação de maioridade, sentem o vazio e tendem a culpabilizar o semelhante.
O mesmo se dá com os empregos. Quantos de vós terão iniciado empregos que apenas tenham durado dois ou três meses por se terem sentido totalmente insatisfeitos e depois arranjam um outro emprego diferente, e mais outro, sujeitando-se uma e outra vez à condição de estagiários, estagiários que são louvados com base na qualidade do serviço que prestam, melhor do que a de qualquer outro, no período de tempo em que se encontram em funções, mas que encontram nessa função há demasiado tempo para se dedicarem a outra coisa qualquer. Até mesmo nos negócios que empreendem; quantos de vós terão dado início ao próprio negócio com o interesse velado de ele os tornar adultos, apenas para descartarem o vosso próprio negócio apenas seis meses mais tarde, por ser aborrecido e não ser tão divertido, nem lhes dar aquilo que procuram, quando o que realmente procuram é a maioridade. A maioridade por defeito, por intermédio de tais métodos, não resulta.
De forma semelhante, pelo reverso da moeda, por isso ser sintoma de maioridade, e por acreditarem que por apresentarem esses sintomas automaticamente se tornem numa dessas coisas misteriosas chamadas adulto, as pessoas evitam esses mesmos sintomas. Recusam tornar-se íntimos, recusam ter relacionamentos sérios por não suportarem a ideia de casamento ou de filhos ou de um lar. Ter lar próprio assemelha-se a escravidão, e soa terrível por parecer trancá-los quando pretendem ser livres como o vento e todo esse tipo de coisa. E jamais obterá um emprego que renda dez ou vinte mil ao ano ou que implique uma responsabilidade qualquer de adulto, simplesmente por temerem tanto essa maioridade a ponto de acreditarem que os sintomas respondam pela realidade, pelo que evitam os sintomas a todo o custo. Alguns de vós conhecem gente assim, atrevemo-nos a dizer, que também tenham passado por essa situação. É terrível, não? Essa é uma das formas de maioridade por defeito, e a mais predominante mesmo.
O facto de se envolverem na metafísica e no movimento do potencial humano e de terem decidido desenvolver-se e consequentemente terem adoptado uma certa terminologia, como "Eu crio a minha própria realidade," etc., não serve de pretexto para a maioridade por defeito, porquanto a segunda área que sugerimos de conceito de maioridade por defeito ser:
"Assim que controlar a criança e o adolescente em mim, então serei um adulto. Se tratar da criança que em mim anseia por amor, e que me dá cabo da realidade numa tentativa de levar a mamã ou o papá a amá-lo ou a amá-la; se conseguir tratar disso dando a essa criança um pai e uma mãe que a ame total e completamente na sua própria realidade, isso tratará da criança."
É verdade. Isso será tudo quanto precisará ser feito a propósito - dar à criança aquilo que quer de modo completo e sincero, na sua realidade, e somente na sua realidade. E isso será tratado. A menos que o evoquem a fim de procederem a um trabalho sujo: Tratar do adolescente dando-lhe o futuro que ele quer - que muitas das vezes não é o futuro que vocês representam - dar a esse adolescente o futuro de adulto que quer, deixá-lo separar-se de novo, deixar que tenha o seu próprio futuro - e não o vosso - poderá tratar desse adolescente de forma eficaz. Então em que é que isso resultará? No adulto? Não!
O adulto é uma escolha que fazem, entendem, e não uma posição assumida por defeito. O êxito constitui uma situação por defeito; se esclarecerem todas as razões porque não estejam a ser bem-sucedidos, obterão êxito por defeito, absolutamente. Mas a maioridade não é condição conseguida por defeito, porquanto não sucederá dessa forma. Aquilo com que ficarão será com um pai crítico, ou um ego, ou uma combinação monstruosa de ambos. E por conseguinte será um enorme perigo tratar por completo da criança ou do adolescente em vós, porque se não optarem pelo adulto ficarão com um pai crítico, extremamente condenador, extremamente alienado e extremamente distanciado de tudo ao vosso redor, e um ego imenso que os poderá sufocar e cegar por completo em relação à realidade que os rodeia.
Ou uma combinação de ambas as coisas, o que de facto representará uma monstruosidade, monstruosamente incómodo e destrutivo para vós e para quantos os rodeiam. É por isso que a maioria "trata" da criança e do adolescente em si e depois apela a eles como fonte do trabalho sujo. Estragam tudo e dizem:
"Ah, deve ter sido a criança em mim. Deve ter sido o adolescente em mim; eles levaram-se a faze-lo. A criança em mim não quer que eu continue com isso; a criança em mim não quer que eu seja bom; a criança em mim não quer que eu obtenha um emprego, por isso não arranjo. Mas estou mesmo a tratar da criança em mim, sabes?"
Mas o que nós sugerimos é que o que nesse caso acontece é que são vocês que apelam a essas partes de vós próprios para que assumam a culpa. Vocês cometem a asneira, e depois culpam a criança que foram, ou o adolescente que foram, ou a mãe, ou o pai. É tudo culpa deles. Isso pode bem ter sido verdade, antes de saberem o que sabem, mas como já sabem, não é mais verdade.
Estamos a referir uma situação em que uma pessoa ou várias pessoas em conversas particulares nos terão dito:
"Estou a ter uma enorme dificuldade em entrar em contacto com o adolescente em mim. Consigo lidar com a criança sem problemas; na verdade tenho uma relação maravilhosa, e tenho sido capaz de dar à criança todo o género de coisas excelentes de modo que a criança deixa de estar presente na minha realidade, coisa que posso atestar e que é uma maravilha. Só que o adolescente, por vezes não consigo visualizá-lo em meditação, e caso o consiga, não faço a menor ideia do que deva fazer em relação a ele."
E dizem-no muitas vezes com toda a seriedade. A resposta que lhes damos é que não precisam tanto de uma meditação quanto de um espelho. (Riso) Porque, caso se encontrem no modo do adolescente, não o irão encontrar numa meditação; ele não estará nela mas aqui. Por isso, nessa medida, fechar os olhos e penetrar fundo num espaço qualquer dentro de vós será coisa vaga, por o adolescente não se encontrar aí, mas ser quem anda em busca de si próprio, sabem?
"Quisera saber por onde ando..." (Riso)
Mas muitas vezes, se a meditação que fazem com base no adolescente for menos que eficaz, frequentemente dever-se-á ao facto de ser o adolescente quem está a proceder à meditação. E de facto um espelho seria porventura mais adequado do que uma meditação. E nessa medida, até mesmo com respeito a isso, conforme de algum modo sugerimos, sentem-se, olhem-se no espelho e digam a si mesmos:
"Tu já és crescido, já não és mais criança!"
Mas poderá levar dois ou três dias até que percebam que de facto não são. Já outros, em relação ao adolescente, sugerimos de vez em quando (junto de certos indivíduos, não de todos) que se sentem ao espelho e que de modo sincero (por mais ninguém o venha a fazer por vós, ninguém vir salvá-los, nenhum príncipe numa montada branca, nem princesa, nem fada madrinha, mas vós,) poderá levar vários dias de conversa em monólogo a repisar a coisa, mas eventualmente poderá muito bem ter lugar.
Mas a questão está em que, se tratarem da criança e do adolescente do ponto de vista do adolescente isso irá assumir um retracto perfeito, quando na verdade tudo com que venham a ficar seja um pai crítico e um ego, e na pior das situações, uma combinação de ambos. Portanto, não resulta tornar-se adulto por defeito.
“Muito bem...” Diz o adolescente:
“Se eu controlar a criança e o adolescente em mim, e o meu ego e o parente crítico em mim, que é que virá a restar? Deve ser o adulto, não é?”
Não. Se efectivamente tratarem do ego e da parte de vós que responde pelo parente crítico, mas como o farão? Basicamente, desconectam o ego; deixar de racionalizar com ele, não fazer barganha com ele qual Fausto porque não resulta. Precisam desligá-lo e negá-lo e não fazer barganha nem raciocinar nem comprometer-se com o ego, por ele não fazer nada disso. Tudo quanto faz é enganar, romper o acordo e não quer saber de acordos para nada. Assim, o que sugerimos é que retirem o ego, e quanto ao parente crítico, percebam que consiste num tipo independente de consciência, e basicamente desmontam-no ao romperem com todo o combustível que o abastece, os julgamentos, os “Melhor do que,” os “Eu disse-to.”
Mas mesmo que consigam tudo isso, tratar da criança, do adolescente, do parente crítico e do ego, não irão ficar com o adulto. Aquilo com que irão ficar será a concha de um ser humano entediante e aborrecido, por toda a coragem ter sido arrancada e não lhes restar nada no lugar dela. Mas ocasionalmente encontram pessoas assim, pessoas que têm um olhar vazio que não parece ser habitado por ninguém. E podem encarar esse olhar e ver através deles, e por vezes poderão afogar-se neles de um modo profundo e ficarem viciados nele. Mas o que sugerimos é que não transmitem um adulto mas uma pessoa vazia e oca que tenta preencher-se convosco, com a vossa energia.
Há certas pessoas junto das quais podem chegar à exaustão em dez minutos, a que chamamos vampiros psíquicos. É um termo encantador de conjurar, não será? Bom, eles não são tanto assim, sabem, e não o fazem conscientemente, mas drenam-lhes a energia, sugam-lhes a energia; e em cinco ou dez minutos deixam-nos exaustos. Mas isso não explica todo o tédio que sentem. Explica esse fenómeno particular de, quando se rodeiam de pessoas dessas que lhes drenam as energias, em cinco ou dez minutos ficam completamente exaustos; e explica o fenómeno por que, quando rodeados dessas pessoas, se suavemente colocarem um muro entre vós e eles, não se verão drenados na vossa energia. Se simplesmente colocarem a vossa mão na testa durante uns instantes, começarão a recuperar a vossa energia, por estarem a bloquear a drenagem. E o que sugerimos é que, se conhecerem aquele fenómeno:
 “Ah, subitamente já me sinto melhor.”
Então poderão muito bem ter uma situação em que estejam a ser drenados na vossa energia. A questão está em que, com todos os paranoicos que andam por aí, isso não ocorrerá a menos que lhes deem permissão para tanto. Vocês estão no comando.
Mas a questão está verdadeiramente em que a pessoa que pretende manipular isso tudo, e se sente à espera de se tornar automaticamente adulta, esperará para sempre, e permanecerá oca e vazia, de modo que a maioridade forçada não resultará.
O derradeiro conceito do adulto por defeito que suscitaríamos seria:
"Eu sei, eu entendi. Dividido por três maneiras mas por fim entendi a resposta. Se por fim obtiver a resposta; se manipular todos os bloqueios de que padeço e eliminar todas as limitações de que padeço, de algum modo tornar-me-ei num adulto."
Sugerimos que é excelente e óptimo, e talvez isso pudesse ser verdade, à excepção de que a única forma por que conseguirão manipular os bloqueios será sendo adultos. Porque, do ponto de vista do adolescente, são capazes de manipular os bloqueios e de reconhecê-los e de aceitá-los, e mesmo de se perdoarem a vós próprios consideravelmente por os terem. E podem usar todo o tipo de técnicas e de meditações e ter visualizações claras e nítidas e afastá-los do caminho e destruí-los e proceder a todos o género de coisas dessas. Porém, não será senão até ao passo final da mudança, do reconhecer, do identificar, do perdoar e do mudar; não será senão até esse passo derradeiro da mudança que conseguirão (...) se não forem adultos. Porque o adolescente dirá:
"E agora? Procedi ao reconhecimento e à aceitação, conforme me disseste, e cheguei mesmo a perdoar-me, passei dia e meio em meditação a tentar consegui-lo. E agora? Como é que mudo?"
Bom, mudam simplesmente.
"Sim, mas... como é que mudo?"
Simplesmente mudam. E por aí fora, sem parar.
"Sim, mas como?"
Mudam sim.
Porque na qualidade de adolescentes não conseguem perceber como é que mudam. Enquanto adultos, não precisam perguntar como, mas mudam simplesmente, isso acontece. Pelo que entenderão que o passo derradeiro do reconhecer, do aceitar, do perdoar e do mudar traduz bem o facto de serem adultos. A resistência final que apresentam no vosso processo particular de bloqueios é dar esse passo final para fora da adolescência no sentido da maturidade. Alguns de vós, cujos bloqueios são gerados pela criança, podem na verdade proceder a coisas espantosas e irromper da criança para a adolescência, mas livrar-se por completo dos bloqueios e ser adultos significa que já se tenham tornado adultos, para o conseguir.
Por isso, se estiverem a tentar ser adultos por defeito esclarecendo as obstruções de que padecem, bem que poderão parar por aí. Em vez disso optem pela escolha válida de se tornarem adultos. E descobrirão que os bloqueios de que padecem se cancelarão prontamente. E é muito importante que vocês compreendam isso. Não estamos a dizer que bem podem deixar de desimpedir as obstruções de que padecem por isso não os tornar adultos. Não! Não estamos a dizer isso. Continuem a desimpedi-las, pois talvez consigam chegar a essa posição de uma forma mais clara em que poderão proceder à escolha de se tornarem num adulto, e possam voltar com a ficha limpa e ver-se livres das obstruções e não ter mais obstruções.
"Quererá isso dizer que já seja perfeito?"
Não! Significa que terão (...) obstruções; ainda cometerão erros, ainda farão as coisas mal, ainda cometerão estragos - só que não por causa das obstruções. Por cometerem erros, por cometerem estragos, por serem humanos e não perfeitos!
Por defeito - quão frequentemente o terão sido? Quantos meses, quantos anos, quantas vidas não terão dedicado à tentativa de se tornarem adultos por defeito e ficaram chateados por não ter resultado? E quantos de vós sentem uma raiva dentro de vós, sem saberem por que razão nem de onde procede nem para onde se dirige. Sentem-na a percorrer-lhes o ser e a corrente sanguínea, e têm simplesmente noção da sua presença, e que sabem que pode muito bem tratar-se de uma raiva mantida pelo facto de erroneamente terem, durante eras sem fim, tentado alcançar esse estado de maturidade encoberto por negligência, quando tinham mesmo noção de que não resultaria, e isso os terá deixado chateados, por terem desperdiçado todo esse tempo.
Mas depois, o tempo não passa de uma ilusão, pelo que mil anos e dez segundos são a mesma coisa. Não tem importância. A questão está no agora - onde se situarão agora? Irão continuar durante os próximos dois ou três anos a tentar negligentemente tornar-se nesse adulto, enquanto percebem que não pode ser conseguido, mas talvez sejam aquele que o consiga? Isso será o vosso ego a falar; talvez venham a tornar-se famosos, não? E escrevam um livro intitulado:
"Como se tornar adultos por defeito." (Riso)
Contudo são equívocos que ocorrem, e o que sugerimos é que para além do mal-entendido do tornar-se adulto por defeito, que se enquadra basicamente na categoria da percepção do que a maioridade seja. E o primeiro desses equívocos procede da decisão de que ser adulto seja algo que se assemelhe à mãe ou ao pai. E na verdade a criança irá naturalmente decidir por isso, e que ser adulto seja ser igual à mãe o ao pai ou a uma combinação de ambos, caso sejam boa pessoa e se mantenham na linha e peguem num pouco da mãe e num pouco do pai e o misturem bem e acabem com o vosso próprio eu-próprio, de forma que lhes agrade a todos.
Mas de facto consegue-se distinguir de imediato esse mal-entendido de que a maioridade se assemelhe a ser como a mãe ou o pai, pelo que não será de admirar que tantos de vós a receiem. Não admira que tantos de vós não queiram crescer. Só pelo facto de os terem tido isso não significa que sejam adultos, entendem? E por os terem mandado para a escola e mesmo alguns para a faculdade - isso não faz de vós adultos. Existem muitos adolescentes que criaram filhos, e muitos dos vossos pais não passam de adolescentes. E nesse sentido, ainda que tenham sido bem-sucedidos a imitá-los não serão adultos.
Ainda que eles fossem adultos e os tivessem simulado, vocês não seriam adultos. Mas a questão está em que alberguem esse equívoco que os vossos pais representem o modelo da maioridade, razão porque precisem brigar e preocupar-se e detestar a vida que levam e castigar os filhos; precisam fazer todas essas coisas terríveis que estão certos dos vossos pais lhes terem feito, para serem adultos. Mas simplesmente não é assim.
Aqueles de vós que têm consciência disso, razão porque querem tornar-se no oposto do que os vossos pais tenham sido não estão realmente a fazer nada de diferente daqueles que os tentam imitar, porque o contrário, em termos de energia, equivale ao mesmo. Mas vamos desviar-nos por um momento a fim de examinarmos isso por breves instantes.
Se estiverem neste local e de avançarem em linha horizontal nesta direcção, do ponto A para o B, que corresponda digamos, ao percurso que os vossos pais tenham tomado e ao comportamento que tenham evidenciado, etc., essa será a base. Agora, se pretenderem ser diferentes - quão diferentes? Talvez adoptar uns dez graus de diferença, descreverão uma linha assim, que os levará a uma conclusão diferente, ou uma linha assim, assente numa diferença de cinquenta graus, ou de noventa, ou de cento e vinte ou de cento e cinquenta - mas uma diferença de cento e oitenta graus vai daqui até aqui, o que representa a mesma linha inicial, só que numa direcção diferente. Termina no mesmo lugar e representa o mesmo.
Por isso, aqueles de vós, cujas mães tenham sido desagradáveis e más para os filhos, razão porque decidam ser doces e amáveis para os vossos filhos, estão a fazer o mesmo que a mãe tenha feito, só que pelo reverso da moeda. Não será diferente, mas a mesma coisa. E o que nós sugerimos é que aqueles de vós que pensam que a maioridade seja exactamente como os vossos pais, ou que sejam suficientemente esclarecidos para perceber que não seja e pensam ser o contrário disso, ambos estão errados. Mas é esse equívoco que impede que muitos de vocês cresçam, que impede que muitos de vós procedam a essa escolha, e que leva que muitos se mantenham na disposição de manter o segredo:
“Mas eu não quero crescer. Eu não quero tornar-me adulto; não quero ser como eles.”
Muita da lealdade que sentem pelos vossos pais, muito do amor que muitos de vós chegam a negar que sentem pelos pais, muitas vezes produz esta resistência particular do crescer, de se tornarem adultos. E trata-se verdadeiramente de um equívoco.
Um outro equívoco que opera a esse respeito com toda a clareza, é a ideia de que assim que forem adultos não poderão ser tolos, não possam ter espontaneidade, não possam ter devaneios, não possam ter fantasias, não possam provocar escândalos ou agir de forma ultrajante, não possam adoptar atitudes extremas, e que não possam ir demasiado longe – seja o que for que isso subentenda. E que em vez disso devam ser racionais e práticos, e que sempre devam estar na posse dos vossos sentidos e em todas as situações saibam o que fazer, e sempre conheçam a resposta. Que jamais se emocionem, e que devam ter uma perspectiva bastante análoga à de um computador. Isso será a maturidade!
Mas nós sugerimos que se isso fosse a maturidade, nós estaríamos exactamente aí junto de vós a encorajá-los a não serem assim. Parem; voltem para trás. Não, isso não é maturidade, em absoluto. Isso não passa da visão de adolescente da maturidade. Isso é a delimitação do âmbito daquilo que o adolescente mimetiza, ou pensa que deve imitar, para se tornar num adulto. Porque na verdade um adulto sincero revelar-se-á muito tolo; a única diferença reside no facto, todavia, de que o adulto sincero revelar-se-á tolo, mas não às custas de ninguém. Ao passo que o adolescente se mostrará tolo às custas de muita gente. Pensem nisso – na tolice de muita gente que às vezes veem:
“Isso não será despreocupação? Isso não será estupendo, maravilhoso?”
Mas, quem sai prejudicado? Quem é o alvo da piada? Quem, no extremo oposto vê os sentimentos calcados?
Ou relativamente à propriedade:
“Ah, vamos ser tolos e arremessar com champanhe, etc. Vamos partir uma garrafa na borda da piscina, etc.”
Quem terá que limpar isso? Quem terá que arcar com a despesa? A idiotice do adolescente sai cara; a tolice do adulto não fica por custo algum – quando se trata efectivamente de uma tolice de adulto. Além disso, os adultos podem ser verdadeiramente tolos.
Espontaneidade!
Um adulto é bastante espontâneo. A única dificuldade está no facto de poder não o perceber senão até o facto estar consumado, ao passo que o adolescente o planeia com antecedência.
Quanta vez não terão dito:
“Vamos lá sair esta noite e ser espontâneos. Vamos com vontade de ir e ficar o tempo que quisermos. Vamos planear a nossa espontaneidade e amanhã sentir-nos tão bem, por termos sido tão espontâneos na noite anterior.”
Precisam ler o Babbitt de Sinclair Lewis, e perceber exactamente o que envolve. Para quantos não o tenham lido, basicamente a ideia é a de que o Babbitt é bastante classe média, e toda a gente precisava convencer os demais do quão felizes eram:
“Não seremos os mais felizes? Não seremos os melhores? Não seremos a gente mais fantástica no mundo?”
Enquanto por dentro estavam a morrer, de tão infelizes que eram.
Isso é o que o adolescente faz. O adolescente assemelha-se bastante ao Babbitt, e quer ser livre e espontâneo e precisa planear isso com antecedência; planeia, à quarta-feira um fim-de-semana espontâneo para daí a três semanas. O adolescente planeia com antecedência. Ao passo que o adulto o faz, e em retrospeto percebe que foi espontâneo. A diferença existente entre o adolescente e o adulto, muito rapidamente, será entre o sair a jantar e decidi-lo antes do tempo, ou ficar, até sentirem vontade de ir, e quando sentirem vão a qualquer parte:
“Vamos a esta discoteca, tomar um copo aqui ou ali e dar nas vistas acolá; mas não antes da meia-noite, por não ser chique, etc.”
Ao passo que o adulto, sai para jantar, e quando chegar a hora de sair sai e não precisa combiná-lo antes da hora. E perambula de bar em bar, se o preferir, sem se preocupar por não chegar à hora apropriada. E sem dúvida que dará nas vistas de uma forma apropriada. De modo que se torna chique – só que não precisa planeá-lo, não precisa decidir sê-lo.
O adulto não precisa ter um fim-de-semana para decidir tornar-se um espírito livre durante esse fim-de-semana; não tem que decidir tornar-se espontâneo – ele fá-lo, e percebe isso sábado à noite ou no domingo pela manhã, depois de o ter feito. Do mesmo modo, o adulto possui integridade; não precisa planear essa integridade; não precisa julgar nem determinar se possui integridade ou não. Não precisa contar a ninguém que tem integridade – a menos que alguém o ataque, por aí ele poder precisar fazer menção a ela. Mas o que sugerimos é que o adulto pode ser muito tolo e espontâneo, e pode ser muito engraçado e passar um encantador bom bocado na vida. De facto fá-lo-á com uma maior honestidade e frequência do que o adolescente, e de uma forma mais real. Mas o adulto não se mostra apenas racional, porquanto pode ser bastante irracional, no que toca à racionalidade. A diferença está em que a irracionalidade não prejudica as pessoas; não impede os outros de crescer, ao passo que o adolescente, adepto da irracionalidade, prejudica os outros conscientemente, e interpõe-se no seu caminho. E o adulto pode ser racional ao mesmo tempo, sem sombra de dúvida.
Mas que é que a racionalidade e o aspecto prático têm de tão errado? Bom; se usarmos as definições adolescentes de ambos esses termos, que basicamente são as definições existentes na vossa sociedade, ser racional e prático significa ser negativo. Se não forem negativos serão optimistas e irracionais e ilógicos, pouco práticos, por ser prático significa presumir o pior. O Cinema Verite (Reality Show) jamais pode ter um final feliz, já notaram isso? De modo que dão a volta e vivem a vossa vida - vida real - o que significa que têm que romper e andar inconsoláveis, ou matar ou perder uma perna ou algo do género; algo macabro ou trágico, no sentido grego. Mas a questão que aqui se coloca é que o ser prático não quer dizer que se deva ser infeliz. A racionalidade não tem que ser atada e abafada, e não é. O Cinema Verite significa que é sempre negativa, em que o vilão sempre vence e o herói sai uma vez mais enganado. Não, isso é vitimização. Cinema Verite, não é? Verdadeira vitimização, sem dúvida, mas não maioridade.
Os adultos têm finais felizes, e têm prazer nisso porquanto os criam por si mesmos, mas podem ser muito práticos e muitos racionais e ter uma solução, ter uma resposta para todas as situações, só que o equívoco está em que não possam. O que acontece aqui é o seguinte - e aqui usamos um pouco a analogia da venda nos olhos:
Se puserem uma venda nos olhos e utilizarem o automóvel e tentarem conduzir, não irão conseguir, a menos que sejam terrivelmente sortudos. Vão sair da estrada ou bater em alguma coisa ou alguém irá bater em vós ou algo irá dar para o torto. Não conseguirão evitar ser atingidos, quando colocam uma venda nos olhos e tentam conduzir não conseguirão evitar ser detidos. Ao passo que se tirarem a venda dos olhos tão pouco conseguirão garantir que consigam chegar à via rápida, mas podem sentir-se relativamente seguros a ponto de quase o garantirem, mas decerto que conseguirão evitar sair da estrada ou atingir veículos pela estrada fora, pela vossa frente ou por trás, pelo lado, etc. E poderão ficar relativamente seguros de conseguir tomar as atitudes defensivas suficientes para evitar ser atingidos pelos outros. E assim podem sentir-se seguros a ponto de quase conseguirem garantir a vós próprios que chegam à via rápida sem qualquer perda. Sem venda alguma nos olhos!
Mas enquanto tiverem a venda colocada, ainda que lhes digamos que o conseguem sem atingir ninguém nem ser atingidos, isso não fará sentido. Mas vocês irão dizer:
"Mas, não vejo como..."
Muito acertadamente, por terem a venda colocada nos olhos e não poderem conceber tal coisa. Não será senão até tirarem a venda dos olhos que conseguirão ver a possibilidade de conseguirem chegar à via rápida, sem se atrapalharem.
Pois bem, o mesmo se aplica; ao olharem através da venda do adolescente não conseguirão perceber qualquer via possível de que a maioridade possa ser divertida ou de que possa resultar, ou de que possam ser adultos. E jamais o verão, até que retirem a venda dos olhos:
"Mas aí vou ser enganado por isso."
Não! Sempre podem engrenar marcha atrás. Tentem isso por uma semana ou isso, e se a maioridade não lhes servir, então voltem a colocar a venda nos olhos e voltem à adolescência, mas façam-no com consciência de causa e não voltem atrás a queixar-se por a vossa realidade reflectir isso. Mas é assim que funciona, entendem.
"Garante-me que este veículo não sai beliscado, caso vá em frente me torne num adulto."
Tirem a venda dos olhos e conseguirão garantir isso a vós próprios.
Essa analogia presta-se na perfeição, por o vosso corpo constituir o veículo que muitos de vós andam a conduzir vendados nesta encarnação, aos tropeções e a bater em tudo e a magoar-se repetidas vezes. E muitas vezes batendo em algo e retrocedendo para voltar a bater de novo. Uma e outra vez, por se recusarem a tirar a venda dos olhos, e por quererem uma garantia:
"Promete-me que não me magoo caso o faça."
Rebentam com a coisa e depois querem uma garantia de não saírem magoados? É espantoso, verdadeiramente.
Mas essa ideia de que:
"Isto é o que significa a maioridade, eu posso assegurá-lo, eu sei - no meu estado de olhos vendados.”
Caramba, quem quererá ser adulto? O que sugerimos é que tirem a venda dos olhos que descobrirão que não é assim. Mas na verdade esse é um equívoco que prevalece.
Outro equívoco que pega muito é a ideia de que ser adulto signifique ser sempre muito empertigado e muito correcto; muito rabugento e sempre com razão. Isso constitui uma projecção que a criança faz relativamente aos pais:
"A mãe tem sempre razão."
Nessa altura adoravam isso, mas odiavam-no ao mesmo tempo.
Os adultos nem sempre têm razão; os adultos nunca falham - é verdade - mas os adultos nem sempre têm razão. Já lá vamos chegar - ao facto de que os adultos jamais falham e sempre saem bem-sucedidos.
"A sério? A sério?"
Sim, sempre o fazem. Mas os adultos cometem erros e cometem enganos e armam confusão e perdem o autocontrolo e fazem tudo errado, por vezes. A diferença está em que quando o descobrem corrigem-no, ao passo que o adolescente, ao fazer o mesmo tipo de trapalhada tende a afastar-se:
“Talvez se eu me afastar e olhar para o outro lado isso se desvaneça. E ninguém saberá que o fiz…”
Não – excepto vós próprios!
Assim, o adulto não é empertigado nem sempre tem razão, abotoado até ao colarinho com catorze canetas no bolso; isso são nervos e não maioridade. (Riso) Esses não são adultos; esses são adolescentes excessivamente agressivos e adaptativos que imitam um pouco além da medida.
Um outro é o de que a maioridade seja perfeita. O de que assim que a alcançarem serão perfeitos, e até que sejam perfeitos não devem sê-lo, de modo que precisam imitar a perfeição. Os adultos não são perfeitos. Mas esse é o equívoco – uma vez mais esse é o equívoco que sobrevém à criança, que acredita que o pai e a mãe sejam perfeitos. Acreditam nisso para o seu próprio prejuízo. Mas o que sugerimos é que eles não são, conforme vieram a descobrir mais tarde. E conforme alguns de vós estão ainda a tentar descobrir, ao retirá-los do pedestal em que os colocaram e permitirem que eles sejam gente. Mas a questão que aqui se coloca é a seguinte: Os adultos não são perfeitos, e cometem tantos enganos quanto podem. Mas isso não exerce um impacto tão destrutivo sobre a maioridade quanto exerce na adolescência.
Porque, quando são adolescentes e imitam o adulto, entendem, fazem disso um erro. Cometem mais do que um mero engano. Ficam com um buraco na blindagem, e uma fuga em qualquer parte. Têm mais do que um erro a reparar; precisam reparar a blindagem e socorrer a situação da água ou seja o que for que tenha entrado e os esteja a afogar. E consequentemente, um erro para um adolescente afigura-se como coisa mortal, e pode sê-lo! Para o adolescente, fazer as coisas erradas, pode estragar tudo a sério. Ao passo que se for um adulto isso não sucede.
Para o adolescente uma pessoa pode ir demasiado longe:
“Tu magoaste-me demais; prejudicaste-me demasiado; foste demasiado longe, não há possibilidade de assumires responsabilidade de modo a limpares isto que fizeste.”
Isso pode suceder a um adolescente – ao adolescente! Na maioridade não há nada que vá demasiado longe, nada que não possa ser corrigido nem solucionado nem conjuntado. Não há erro que não possa ser corrigido. Mas, enquanto para o adulto não há nenhum, para o adolescente há muitos. E a questão aqui reside no facto de que o equívoco representa porventura uma esperança vã da parte do adolescente, de forma a evitar o confronto que a maioridade requer.
Portanto estes são os equívocos primordiais, mas há muitos outros. Todos vocês possuem o vosso conjunto particular de razões para não poderem ou não quererem ser adultos. Mas existem equívocos, e com isso queremos avançar em frente em direcção ao que significa ser adulto; algumas das qualidades e características inerentes ao adulto. Mas aqui uma vez mais o adolescente pode ser muito brilhante e tirar boas notas, e adaptar-se lindamente, e por volta das oito da noite ter-se transformado num adulto. Tsk tsk tsk.
Assim como vocês podem pegar nestas ideias e fazê-las valer, e proceder a essa escolha, e transformar-se ou transcender-se pela maioridade. Por o repetirmos, embora o tenham escutado muitas vezes, por constituir uma escolha que assumem conscientemente. Uma escolha transformativa ou transcendental mas uma escolha seja como for. E para que uma escolha seja real, deve basear-se em valor – num valor operativo – que torne a escolha numa escolha legítima e funcional.
Queremos iniciar, e logo vamos querer que façam um intervalo, em meio ao debate das qualidades do adulto. Principalmente por já estar a tornar-se terrivelmente asfixiante para a maioria. Há aí por aí por trás um regato em que podem ir atirar-se (riso) e alguma porcaria lá fora com que poderão brincar e água que poderão juntar para fazer panquecas ou o que bem quiserem.
Em los Angeles foi muito agradável por haver uma gelataria Basking Robins por baixo (riso). Aqui tornaram isto um pouco mais difícil para vós. Alguém em Los Angeles comentou:
“É um local perfeito; tem montes de restaurantes no piso de baixo!”
Era o único local aberto, não? Basta, não é? (Riso) Os adolescentes são um dos pilares da comida, mas seja como for… Não chega nem perto, mas alguns de vós que dão lugar a situações próprias de adolescentes poderão ser capazes de descobrir algum gelado para enfiar na boca ou nas orelhas ou seja o que for. (Riso) Vamos dar-lhes um intervalo para se firmarem de volta na adolescência antes de rapidamente se afastem demasiado. (Riso) Bem sabemos que é difícil, é verdade.
RESPONSABILIDADE
A primeira coisa acerca do adulto – não estamos a falar… uma vez mais, distinguimos o adolescente crescido do adulto, por constituírem duas formas de consciência distintas, mas no adulto, é o facto de voluntariamente assumir responsabilidade e de bom grado encontrar uma via; essa é a primeira qualidade. Quando nos referimos à responsabilidade voluntária queremos dizer que busca a possibilidade de assumir mais e mais responsabilidade, em vez de uma oportunidade de a transferir para qualquer coisa ou para alguém, à semelhança da criança, ou do adolescente, ou do parente crítico ou da avó ou da vida passada ou seja do que for.
Voluntariamente responsável, querendo com isso dizer que se alguma coisa der certo, ele estará bem presente para assumir responsabilidade por isso. E caso algo dê para o torto, ele estará igualmente presente para assumir responsabilidade – sem fugir de nenhuma! Isto é um aspecto muito importante porque muitos de vocês conseguirão compreender porque muitos pretenderão fugir da responsabilidade negativa:
“Ai não, eu não quero responsabilizar-me por isto, razão porque fujo disso.”
O que faz todo o sentido. Mas quantos de vós também não fugirão da responsabilidade positiva? Sugerimos que seja um número equivalente o que foge da responsabilidade positiva.
“Isto resultou por ou o ter permitido. Isto resultou por eu o ter criado.”
Constitui um aspecto da responsabilidade de que muitos de vocês desconfiam. Tão desconfiados, e por vezes ainda mais desconfiados ainda:
“Esta é a realidade que eu estraguei. É algo que eu estraguei; afastei-me demasiado do alpendre de modo que se derramou por cima de mim.”
Alguns de vós estão mais dispostos a assumir mais uma responsabilidade negativa por via da culpa, do que se predispõem, a assumir uma responsabilidade positiva. De modo que quando dizemos que o adulto fica justamente ali, quando algo estupendo sucede, para assumir responsabilidade por isso – alguma risada tipo:
“Oh oh, aposto que sim.”
Não, o adulto fica verdadeiramente para assumir responsabilidade - pelas coisas boas que sucedam. Porque isso muitas vezes torna-se assustador. Quando as coisas boas sucedem afeiçoam-se mais assustadoras do que o fracasso. Ser responsável e dizer:
“Eu criei este sucesso, e sou titular dele.”
Para muitos comporta consequências muito desconfortáveis, consequências assustadoras.
“Vou ter que continuar a fazer isso; não vou poder continuara a culpar; agora torna-se-me extremamente difícil fazer-me vítima. Torna-se extremamente difícil dizer que seja culpa da minha mãe. Ela estragou-me por não me beijar quando andava na quarta classe ou seja o que for. Ela não me deixou frequentar a escola privada e fez-me ficar na pública, etc. Ou foi jogar golfe ou para a piscina, em vez de cuidar de mim…”
Portanto, o adulto dispõe-se a assumir responsabilidade – positiva e negativa. Além disso, o adulto também se sente irritado quando os outros lha tentam tirar. Fica legitimamente irritado quando alguém lhes tenta tirar a responsabilidade que lhes cabe – em particular a responsabilidade negativa. Quando alguém lhe tenta tirar a responsabilidade positiva, o mais das vezes é:
“Tudo bem, que o façam.”
Ficam irritados – por que é que isso acontecerá? Bom; num certo sentido será:
“Estraguei isto…”,
“Ah, não é culpa tua.”
“Espera lá, lá que não seja culpa minha tudo bem, mas eu sou responsável.”
“Não, não, não, não; não é tua responsabilidade mas deles.”
O adulto sentir-se-á fulo com isso:
“Ora, não me venhas com isso; deixa que assuma a responsabilidade que me cabe, por me dizer respeito. E eu sei que posso fazer alguma coisa em relação a isso. Mas se não for minha e me convenceres de que seja deles, então vou ter que ficar à espera que eles o façam.”
Se a vossa vida der para o torto por terem estragado tudo, então disporão de uma oportunidade de a endireitar. Se a vossa vida der para o torto por a vossa mãe não os ter amado, terão que esperar que a vossa mãe os ame – mas ela irá morrer antes que isso suceda, e aí irão ficar com a asneira para o resto da vossa vida com base nessa atitude. Se efectivamente tiverem ficado sem emprego por terem feito asneira, então poderão corrigir a situação. Mas se tiverem estragado tudo por o vosso supervisor ter feito asneira, aí ficarão de fora e estarão acabados, e nada terão a fazer. O adulto procura essa responsabilidade e fica irritado quando alguém lha tira ou tenta fazê-lo.
Na vertente positiva, se possuírem a positividade, então poderão recriá-la, mas com a atitude:
“Muito bem, se queres ficar com os créditos, podes fazê-lo.”
Não apresenta uma resistência muito forte a manter a assumir a responsabilidade nisso, só que o adulto fá-lo-á de forma voluntária, sem nem sequer ter que pensar nisso:
“Ai, Deus do céu, eu devia assumir responsabilidade; agora sei disso… Estava no seminário em que isso foi abordado… Muito bem, agora assumo-me como responsável…” (Riso)
E a seguir saem-se com comentários do tipo:
“Porque é que ele não desaparece?” “Tu disseste que se eu assumisse responsabilidade não faria mal!”
“Bom, mas faz!”
Além disso, é de bom grado poderoso. De bom grado. Retirando cada vez mais poder para si próprio. Não falamos de dominar, temos que o repetir toda a vez – o poder constitui a capacidade de agir, a capacidade de criar a vossa própria realidade. E o adulto assume esse poder de boa vontade. Sabe disso e assume-o. Mesmo que não esteja familiarizado com os termos:
“Vou retomar o meu poder de volta.”
Mesmo que não se ande pela metafísica, ele percebe a vida como pertença sua por inteiro, como algo que tenham feito e pelo que consequentemente assumem responsabilidade, e pelo que de bom grado respondem e pelo que de bom grado dão os passos a fim de a criar - se tiver noção disso, mesmo que não disponham de terminologia que remotamente pareça esotérica ou metafísica.
AUTOESTIMA
A segunda qualidade do adulto está em que está continuamente a contribuir para a própria autoestima; não se fica pelo:
“Já consegui obter autoestima pelo que vou parar.”
E detém-se, e fica a gozar os louros disso, mas contribui continuamente a essa autoestima, ao perceber que sempre poderão gozar de maior autoestima – não que não possuam suficiente, mas que sempre podem ter mais. E esses dois termos comportam toda uma vasta distinção. Assim como compreensão. E isso é facto óbvio, esperamos nós – que tal autoestima provenha de dentro, e não de fora. Não provém do emprego que tenham nem da conta bancária que tenham nem da roupa particular que usem nem daqueles que conheçam, nem das festas a que vão. Nem de quem tenha sido a vossa mãe ou o vosso pai ou da vossa herança. Ao contrário, provém de dentro – do facto de serem honestos, do facto de possuírem integridade, do facto de assumirem responsabilidade, de confiarem em vocês, do facto de darem ouvidos às vozes internas, aos murmúrios, do facto de responderem emocionalmente à vossa realidade primordialmente, e do facto de não prejudicarem conscientemente os demais. E o que o adulto faz é contribuir continuamente para isso, edificar essa autoestima a cada dia, a cada semana, a cada mês, e não:
“Consegui autoestima há seis meses atrás. Agora vou-me voltar para o amor.”
A autoestima tem que ser encarada a toda a hora, não pelo facto de que se não o fizerem a percam, mas por sempre poderem contribuir para ela, e o adulto expande continuamente essa autoestima.
IMPECABILIDADE
A terceira qualidade assenta no facto do adulto erguer continuamente a impecabilidade. Impecabilidade representa um palavrão e os crescidos encanadinhos nem sempre o compreendem. Muita gente pensa que a impecabilidade signifique perfeição – fazer as coisas na perfeição – mas o que sugerimos é que não. O vestir de modo impecável não é vestir na perfeição, mas antes aquele que presta atenção a cada detalhe daquilo que usa. O pensador impecável não pensa na perfeição, mas está ciente e presta atenção detalhada a cada pensamento que tem. Ser um pensador impecável significa que quando pensam no que vão ter para o jantar não o fazem com a ideia no que tiverem tido no dia anterior nem no que podem servir no final da rua, no que seja bom para comer, no que seja caro, nem no que impressione a companhia. Só pensam no jantar que vão ter. E não pensam, no que irão dizer na próxima semana nem no que a Mabel dirá à Harriet acerca do que jantamos, nem se irão sentir-se impressionadas ou se irão voltar para casa - nada disso. Pensam acerca do instante.
A impecabilidade representa concentração, a habilidade de se focarem no agora, com a influência do futuro de encontro ao pano de fundo do passado – só que focado no agora. E o adulto faz isso. O adulto aumenta cada vez mais a impecabilidade. Don Juan referiu, via (Carlos) Castaneda, que o feiticeiro deve ter pensamentos impecáveis. Aquele que é poderoso e que tem a realidade pessoal a seu cargo – ou feiticeiro – precisa ter ideias impecáveis. O adulto, o qual é o feiticeiro, precisa ter pensamentos impecáveis. E é essa impecabilidade, essa concentração, esse apossar-se à semelhança de um lazer, esse apossar-se de um conceito, de uma ideia, de um sentimento, que o adulto faz – pelo que representa uma qualidade e uma característica do adulto, sem sombra de dúvida.
A REALIDADE NÃO É O INIMIGO
A quarta, vamos mencioná-la e falar dela resumidamente, assenta no facto do adulto encarar a realidade como uma associada ou parceira, e não como uma inimiga. A realidade não constitui obstáculo algum a superar, mas uma companheira neste enorme mistério chamado vida, nesta enorme aventura e descoberta chamada desenvolvimento. O adulto encara a realidade dessa forma e opera desse modo, funciona dessa maneira. O adolescente encara a realidade como um adversário, enquanto o adulto encara a realidade como um cúmplice.
Mas o vosso mundo acha-se concebido de um modo que lhes sugere que a vossa realidade constitui um adversário, entendem? E muitos sentem que a vossa realidade os queira apanhar, exclui, prejudicar ou enganar, de modo que se não forem constantemente diligentes e precavidos e se não se assegurarem de que fazem tudo correctamente, de algum modo ela o faça. Mas nós sugerimos que na verdade a realidade não pretende de modo algum enganá-los. Compreendemos bem que vez por outra o faça, por vocês criarem tal coisa, mas não com a intenção de os prejudicar, nem está aí à espera de lhes travar o desenvolvimento. A realidade não constitui o lado oposto de um tabuleiro de xadrez que lhes lança um xeque-mate e os arrasta para uma posição comprometedora.
Na verdade, a realidade é aquilo que criam, de modo que é convosco próprios que estão a lidar. Mas por vezes infelizmente as pessoas constituem as suas piores inimigas, mas o que pretendemos sugerir é que essa não é a sua natureza. Não andam aí a tentar ser prejudicados; por vezes fazem-no inadvertidamente, mas a realidade não é vossa inimiga, nem é nada em relação ao que precisem erguer-se toda a manhã da cama e furtar-se a confrontar, na esperança de poderem conseguir chegar até ao final do dia e poderem relaxar e dizer que conseguiram ganhar mais um dia. Infelizmente as pessoas criaram isso desse modo, criaram esse drama. O ego, mais especificamente, cria o drama em que porventura vigora uma qualidade de fronteira selvagem, mas que ainda subsiste no vosso sangue. A certa altura tiveram uma fronteira dessas a conquistar, e assim, se não a conseguirem conquistar, e ir para oeste e para as regiões selvagens, ou ir para o subsolo ou ficar acima do solo, talvez consigam criar a vossa realidade desse modo tornando-se pioneiros da fronteira desse oeste selvagem sem que por trás algum almoço de noivado possa vir e atacar.
Mas realmente não é assim. É verdade que criam a vossa realidade para aprenderem nesse ínterim, para aprenderem acerca de vós próprios. E tudo quanto existe na vossa realidade consiste efectivamente num reflexo de vós, até mesmo os mais distantes aspectos da vossa realidade representam um aspecto vosso, por estar a ocorrer por uma determinada razão. Porque é que leem nos jornais que se dá isto na Irlanda, ou que acontece aquilo no Médio Oriente, etc.? Vocês não criaram isso, nem provocaram tais acontecimentos (directamente). Vocês criaram-no e permitiram que ocorresse de forma que possam potencialmente aprender algo acerca de vós próprios. Uma tênue lição na verdade, mas se conseguirem aprender com as lições tênues não terão que aprender com as duras.
E com respeito a esse particular a vossa realidade pretende ser um parceiro, tipo batedor avançado, por assim dizer, que vai em frente a ver o que estará adiante e que lhes envia mensagens que possam interpretar e compreender para poderem estar preparados para defrontarem (não para confrontarem) aquilo que tiverem estabelecido na vossa realidade. É como o recipiente dos ovos de páscoa em que esconderam todos os ovos, e que eram tantos que se esqueceram onde os guardaram. E por conseguinte podem empreender uma batida no sentido de o descobrirem. E é isso que a vossa realidade compreende.
Nessa realidade esconderam pequenas pedras preciosas - mensagens destinadas a vós próprios - e esconderam-nas por todo o lado antes de virem a esta realidade, e deixaram tudo montado de uma forma generalizada. E depois deram três voltas e colocaram um dedo no ouvido e esqueceram tudo. (Riso generalizado) E depois nasceram e proporcionaram a vós próprios essa experiência para poderem aprender e crescer, etc., e para poderem estar preparados para descobrir essas pequenas joias que ocultaram e que esqueceram onde.
Mas não são apenas vocês. São vocês e a vossa realidade; vocês e aqueles que criaram na vossa realidade, que colocaram nela, alguns para os ajudar a descobrir essas pedras preciosas; outros, para lhes pregar partidas:
"Estão ali, estão ali. Deixa que as descubra por ti e logo te encarregarei de as recuperar, etc. Ou passarás a servir-me.”
Ou algo desse tipo.
“Entrega-te a mim e eu dar-te-ei essas joias, que te pertencem desde logo." (Riso)
Mas seja como for, envolve mais, e o alcance disto, embora se trate duma analogia, não conduz a uma conclusão; mas é uma analogia que pode resultar numa compreensão da realidade, enquanto uma massiva exploração e caçada dessas pequenas joias, dessas pequenas peças de informação que são vocês - que não são apenas mensagens destinadas a vós mas que são vocês, em meio à descoberta daquele que são, mais do que o mero ser físico que pretendem ser. Por ser por meio dessa descoberta da realidade - exactamente aqui - por meio da impecabilidade e da responsabilidade e do poder, e do desenvolvimento e da expansão, da autoestima que verdadeiramente descobrirão a vós próprios como sendo mais do que a pessoa, mas uma alma, uma centelha, uma consciência, um espírito - seja o que for que queiram chamar-lhe, que não tem importância por eventualmente vir a dizer a mesma coisa.
E quanto mais conseguirem perceber a vossa realidade como um parceiro com quem trabalham, e que trabalha a par convosco, e que está aí para os servir... Para quantos estejam à espera de encontrar quem reconheça aquele que são, a vossa realidade reconhecerá aquele que são numa base diária – infelizmente - mas reconhecerá aquele que verdadeiramente são na base do dia-a-dia. E se conseguirem perceber isso e tornar-se num parceiro, então deveras que a maturidade se achará presente, com essa característica particular. O adolescente terá deixado de ser um adversário, terá deixado de ser algo que precisam controlar e de manipular e de bater à primeira volta, antes que lhes leve a melhor; algo que têm que deitar ao chão para garantirem sucesso e felicidade e para saberem que vão vencer, antes que ele começar a usar das suas jogadas. E há muitos por aí que tentam pôr-se com jogadas dessas:
"Deixa-me garantir a mim próprio, deixa-me armar-te, deixa-me controlar-te, deixa-me manipular-te de forma a saber que vou vencer, e a poder entrar triunfante na arena."
É uma partida garantida em que alguém irá tombar, de certeza.
E nós sugerimos que assim será percebido que a realidade seja um adversário, algo a temer, algo de que devam esconder-se ou evitar a todo o custo. E o adolescente tentará fazê-lo ocultando-se no ego, ocultando-se na fantasia e permanecendo no reino da fantasia. O adolescente não tem qualquer desejo de manifestar a fantasia. Se confrontado com uma oportunidade de tornar esse desejo numa realidade, o adolescente fugirá em sentido contrário. E vocês já puderam experimentar isso por vós próprios quando muitos de vós entretiveram certos sonhos e esperanças e expectativas, e quando a verdadeira oportunidade de terem isso expresso se apresentou correram no sentido oposto e acharam que eram falhos, que não resultavam, que tinham que se virar num sentido contrário. A ponto de alguns de vocês dizerem que criar a sua realidade seja uma atitude do ego. Ou que seja egoísmo pensar que criam todas as coisas. Como se não fosse egoísta pensar que exista alguém mais que o faça por vós! Isso na verdade é que constitui gratuidade do ego. Mas na verdade é ao contrário.
Porque na verdade podem fazer os joguinhos do ego com a ideia de criarem a vossa própria realidade e de serem onipotentes, etc., e de virem a criar um cargo de presidente ou de rei ou governante. Mas na verdade, configurar a coisa em termos de que outro crie tudo e os faça brilhar - isso é ego. Ao passo que perceber que criam tudo, pelo que não poderão assumir o crédito no sentido de uma pretensa grandiosidade, em vez de o fazerem no sentido de o terem criado, e posteriormente dizerem que é a situação em que toda a gente se quer ver. Mas o que nós sugerimos é que ao perceberem uma oportunidade de ficarem no comando da vossa vida e obterem a forma de o fazerem, respondem com um irrevogável:
"Não! Não me forces a tanto! Prefiro ficar sentado em casa a fantasiar com a altura em que o venha a fazer, em vez de efectivamente o fazer.”
É o escritor que nunca escreve, o empreendedor de negócios genial que nunca chega a proceder ao tal investimento, é o comunicador brilhante que jamais apresenta uma entrevista. E isso representa bem o adolescente a girar ao redor em círculos no terreno da fantasia sem jamais actuar, excepto no sentido de dar um passo adiante no sentido da maioridade.
Muitos de vocês acham demasiado difícil sair da cama pela manhã. Torna-se penoso, não? Deixam-se descair para fora da cama directos e arrastam-se na direcção do quarto de banho... (Riso) Tentam alcançar e agarrar-se à borda do lavatório e abrir a torneira... Quando o fazem numa postura de maturidade saltam da cama, dão corda aos calcanhares e saem cheios de arrojo; saltam da cama e saem do quarto (riso). Não, não o fazem com um sorriso rasgado no rosto por isso parecer estranho (riso) e constituir uma mania. Não, saem da cama por o estado do sono constituir um estado tão belo de regeneração, um belo estado de recordação da vossa proveniência. É um belo espaço para estar e por o sono ser uma coisa estupenda.
Mas com respeito a isso, quando mergulham nesse estado semelhante à morte que chamam de sono - que é o que representa, uma representação microcósmica da morte que virão a experimentar certa vez nesta vida - sugerimos que regressam desse "estado de morte," desse chamado sono completo, desse belíssimo estado idílico em que têm a cargo a criação da vossa própria realidade e têm noção disso, em que os vossos pensamentos se manifestam em coisas chamadas sonhos, etc.; regressar à realidade - que constitui exactamente a mesma coisa, em que os pensamentos que têm criam a vossa realidade, mas em que não têm tanta noção disso - constitui de facto um trauma e tanto. Tal como o nascimento constitui um enorme trauma. E por conseguinte, assim como alguns sentem dificuldade em nascer, também alguns de vós sentem dificuldade em sair da cama pela manhã. E por vezes a relação que existe entre ambas não se distanciam tanto quanto isso.
Mas o que sugerimos é que mesmo que, enquanto adultos, encarem a vossa realidade como um parceiro vosso não quer dizer que andam cheios de entusiasmo e a dar palmadinhas nas costas nem a sair da cama às vinte para as seis ou seja o que for. Ainda podem sair da cama e detestar levantar-se e detestar ter que o fazer, só que não permitem que tal aversão os destrua, mas suplantam-na. Por isso, ser parceiro da vossa realidade não significa que tenham que mudar extensivamente, mas uma alteração no campo da atitude que os move por uma questão de escolha para essa idade adulta.
CONFIANÇA
A quinta qualidade inerente ao adulto prende-se com a confiança. Já falamos bastante acerca da confiança e já sugerimos os parâmetros de enorme importância subordinados à questão da confiança, cujo facto porventura mais importante será o de se ter um problema implica o potencial de se confiar ou não confiar em vós próprios. Que deve implicar a existência de um resultado benéfico e um não benéfico, e que se ocorrer o resultado não benéfico venham a ser mais prejudicados do que venham a ser mais beneficiados pelo resultado benéfico. E essa característica da confiança constitui talvez a mais importante delas, embora haja outras. E o que isso basicamente significa é o seguinte: vocês confiam em que vocês, ou seja quem for, providenciem; se providenciarem vocês virão a sair beneficiados mas se não corresponder virão a sofrer e passar por sofrimento, irão defrontar-se com a falta de resultado de alguma coisa. E se não resultar os danos virão a ser maiores do que o benefício caso resulte. É por isso que as corridas de cavalos não envolvem propriamente uma questão de confiança. Apostam cinco dólares, e caso não ganhe perdem cinco dólares. Mas se ganharem, ganharão muitos mais dólares. Por isso, o benefício será muito superior, caso ganhem, à perda, caso percam. Por conseguinte sugerimos que os jogos de azar não envolvem confiança mas jogo.
A confiança constitui um aspecto muito importante da maturidade. Porém, o que nós sugerimos é que o adulto desenvolve o que poderá ser chamado de confiança orgânica, ou o que nós chamamos de confiança sinergética: Confiança em todo o organismo, confiança em todo o ser, que basicamente se divide em quatro categorias:
- A confiança no intelecto, no pensar, permitir-se pensar; confiar na capacidade que têm de pensar e confiar na capacidade que têm de ser lógicos, na capacidade que têm de penetrar qualquer assunto de uma forma coerente e acabar com algo que tenha significado. Não precisam ser brilhantes, para confiarem nas vossas faculdades intelectuais. Só precisam ser capazes de pensar. E isso é algo que lhes é concedido quando nascem; vocês concedem essa capacidade de pensar a vós próprios. Toda a gente é capaz de pensar – alguns de uma forma mais pronta, mais abstracta, mas toda a gente é capaz de pensar. E confiar no vosso pensar, no vosso intelecto, constitui um dos aspectos da confiança orgânica.
- Outra, consta da confiança na intuição, que uma vez mais, consiste em algo que concederam a vocês próprios - a capacidade de serem intuitivos, o tipo de intuição que diz:
“Não sei porquê mas sinto-o.”
Com respeito à compreensão das coisas. E desenvolver a intuição, não com o objectivo de se tornarem psíquicos de craveira, conseguirem muito dinheiro, e levarem as pessoas a venerarem-nos, etc., não. No sentido de se ajudarem a vocês próprios a desenvolver a vossa própria intuição em proveito próprio. E uma das coisas que são chave na questão da intuição passa pela disposição para estarem enganados.
O que com isso pretendemos sugerir não é que estejam errados, mas que se disponham a correr o risco de poder estar. Lidamos com muita gente ligada à área do psiquismo, tema que a propósito se tornou um tanto prepotente, predizer que venham a conseguir o descapotável vermelho em seis meses. Por psíquico referimo-nos à qualidade ou tipo natural e não a quem venha a casar com quem nem venha a divorciar-se seja de quem for, ou quem venha a morrer antes do fim do ano, nem nada desse género.
Aqueles que são mais intuitivos fazem isso por si mesmos, e não precisam recorrer a quem lhes diga essas coisas; vocês criam a vossa própria realidade, não precisam que lhes digam quando vão conseguir o automóvel ou não – isso fica a cargo da vossa escolha. Mas a questão que pretendemos realçar é que muitos deles caem no esgotamento (não dizemos que entram num labirinto, por não gostarem disso) caem na depressão por não acertarem em nada durante meses. E uma das coisas que tratamos com eles é o facto puro e simples de se permitirem estar errados, de se permitirem cometer enganos, permitam-se estar errados e confiem, em vez de exigirem perfeição – confiem em vós próprios. E quando isso resulta, de súbito a “habilidade psíquica” volta a derramar-se de novo, e voltam a predizer com precisão.
No que diz respeito a confiarem em vocês mesmos, um dos factores chave disso passa por uma disponibilidade para estarem errados acerca daquilo em que confiam em vocês próprios. Porque se insistirem em que aquilo em que acreditam precise vir a corresponder à verdade, isso não é confiança, mas exigência de garantias, de perfeição.
Por isso, confiar na vossa intuição, mas não exigir que seja cem por cento exacta, é outro aspecto da confiança orgânica. Mas há factores da confiança em vós emocionalmente. Que é que sentem? Mas claro que isso requer que sintam. E se tiverem dificuldade em sentir e não se permitirem sentir, ou se sentirem somente determinadas emoções, vão passar um mau bocado a tentar confiar nas vossas emoções. É por isso que em certas alturas muitos de vós se sentem perdidos, e muitas vezes não sabem que motivações sentem, e sentem-se incertos quanto ao que querem fazer da vossa vida. Muito disso deve-se ao facto de não se permitirem… Se examinarem os sentimentos como este mar, como este oceano, que se acha em constante movimento, em cujo fundo residem as motivações. É o leito em que repousam. Mas para compreenderem as motivações precisam mergulhar até aí. Mas se só se permitirem sentir determinados sentimentos, como a alegria e a felicidade, ou o amor... Jamais chegarão à clareza com respeito a isso. Precisam dispor-se a sentir igualmente os aspectos obscuros. E o que sugerimos é que mesmo a raiva pode representar um sentimento maravilhoso - se for sentido de forma limpa; não existe nada mais purificador do que uma expressão limpa da raiva, em duas direcções, e libertada. E a proximidade, a intimidade e a clareza que daí resulta é bela, absolutamente emocionante.
Mas uma vez mais, se tiverem os olhos vendados com relação a isso, e acharem que toda a raiva seja má, não conseguirão acreditar no que dissemos:
"Pois sim; pois sim. Enraiveci-me na semana passada, e foi cá um espectáculo!"
Mas tê-lo-ão feito de uma forma asseada? Tê-la-ão acolhido de uma forma asseada? Mas a questão aqui está em confiar nas vossas emoções - em todas elas - dispor-se a senti-las todas; porque só sentirem uma mão-cheia delas, não terão qualquer base para a confiança.
"Eu só consigo sentir alegria, felicidade e amor.”
O que representa uma mentira, mas o que sugerimos é que se só se basearem nesses sentimentos em exclusivo não conseguirão - se encerrarem a raiva, a mágoa e o medo, a humilhação e os outros potenciais sentimentos como o medo da solidão e os sentimentos de tédio que ocultarem, de modo que, se se abrirem a eles não conseguirão confiar em vós emocionalmente.
Uma vez mais, percebam que podem estar errados, mas disporão de uma base para confiar. E por fim, confiar no próprio organismo, confiar no vosso corpo que lhes endereça mensagens. Falamos faz tempo na cura e conversamos convosco em privado, acerca de determinadas doenças, dificuldades físicas por que passam, sobre o significado psicológico que envolvam e o que tentam dizer a vós próprios através disso. Mas à medida que aprendem a dar atenção e confiam no vosso corpo, corpo esse que irrompe numa erupção:
"Ah, não; é somente toxinas que nada tem que ver com a imagem que tenho de mim próprio."
Têm uma dor terrível de pescoço, etc.
"Ah, isso tem que ver com o facto de numa vida anterior eu ter sido enforcado; nada tem que ver com o facto de estar indeciso e de estar com receio de tomar uma decisão qualquer." (Riso)
Ou então:
"Torci um tornozelo, mas isso foi por causa de ter escorregado. Nada tem que ver com a raiva que receio expressar."
Se negarem ao vosso corpo as mensagens que tenta transmitir-lhes, bom, decerto que ele fará o que lhe compete, sem dúvida, mas o que sugerimos é que consiste em toda uma base para a confiança. E vocês podem pedir ao vosso corpo para comunicar convosco. E há algumas pessoas... é interessante como os que são Peixes tendem mais a ser assim.
"Ah, que bom!"
Nem sempre será tão bom, mas seja como for descobrimos que os indivíduos de Peixes tendem a permitir que os seus corpos respondam com maior prontidão, de modo que se houver alguma coisa que causasse uma erupção revelar-se-á mais rápido neles, e se tiverem alguma coisa que se revele através de uma infecção de rins, também irá revelar-se mais rápido neles, por responderem de uma forma mais activa. Conhecemos gente do signo de Peixes que contraem laringite quando a mãe os vem visitar, e duas horas após a mãe ir embora a voz fica normal. Mas não conseguem descobrir:
"Caramba, não percebo o que se terá passado!"
É tão óbvio que com certeza deveriam saber, caso contrário torna-se tão estúpido descobrir.
A questão aqui é que todos vós, independentemente das influências astrológicas que tenham, possuem um corpo, corpo esse que lhes responde, e que fala convosco, esse corpo comunica de forma bastante clara; o corpo jamais mente.
Ah, mas claro que sim. Por vezes também se engana. Mas de qualquer modo constitui uma base de confiança. Mas se adoptarem o intelecto, as emoções, a intuição e o corpo - quatro áreas diferentes de confiança que poderão desenvolver, cada uma das quais em separado não se revela suficiente, mas combinadas, criam uma sinergia de confiança em que o todo é simplesmente maior do que a soma das partes.
A sinergia é exemplificada por duas formas, pela acção, como o exemplo de fechar a porta à chave. O acto de fecharem a porta à chave é um acto sinergético que comporta dois passos basicamente: fecham a porta e desandam a chave, mas o que obtêm quando o fazem não é só uma porta fechada com a chave desandada, mas segurança, protecção, uma noção de protecção, e um sítio onde mais ninguém consegue entrar. Por isso, conseguem muito mais com o fechar da porta e o desandar da chave, do que apenas a compilação desses dois actos. A lanterna constitui um bom exemplo da sinergia não da acção mas enquanto objectos. Em que consiste a lanterna senão num cilindro oco com uma coisa plástica no terminal, em que colocam duas baterias ligadas entre si por qualquer método mais um interruptor. Um conjunto de peças que, quando conjuntadas, lhes fornecem luz e segurança e noção de saber para onde se dirigem e sentido de segurança
Agora; a combinação dessas partes não fornece segurança nem protecção, mas todas, combinadas proporcionam isso. Cada um desses actos não garante muita coisa, mas ambos fornecem muito mais que a combinação. É desse modo que a sinergia opera, em que o todo é simplesmente maior do que a soma das partes. A confiança que obtêm quando confiam em vocês de uma forma orgânica é maior do que quando pela primeira vez tiverem confiado intelectualmente, e depois emocionalmente, e a seguir intuitivamente, e por fim confiaram no vosso corpo. Quando combinam esses elementos conseguem muito mais, obtêm um sentido do adulto de que estamos a falar, uma noção de toda uma arena em que confiar, uma noção de segurança, uma noção de poder e de autoestima.
O adulto confiará de forma sinergética e orgânica, e desenvolverá essa confiança. O adolescente procurará enfrentar cada um desses "elementos" e tentará artificialmente combiná-los, e obterá um enorme fosso, como muitos de vós terão descoberto, com as alegações do tipo:
"Mas... eu estava mesmo a confiar em mim."
Esse é um aspecto muito importante do adulto.
FLEXIBILIDADE - CONSISTÊNCIA
O sexto aspecto do adulto passa pela flexibilidade. Flexibilidade de todo o género; flexibilidade no que diz respeito à identidade. O facto está em que muitos de vocês crescem com a ideia de que quando forem adultos irão ser consistentes. Aquilo que sugerimos é que quando forem adolescentes altamente adaptativos irão ser muito consistentes, mas assim que passarem para fase adulta, uma vez irão tornar-se incrivelmente flexíveis. O adulto tem flexibilidade de identidade, uma multiplicidade de personalidades encadeadas pela autoestima. Não uma personalidade que se adapte a todas as situações. O adulto tem ideais flexíveis: hoje um ideal, amanhã outro, na semana que vem, outro. E não são instáveis mas flexíveis.
O adulto também apresenta flexibilidade com respeito ao valor. Hoje aprecia gelado, amanhã aprecia baunilha. Hoje valoriza esta amizade, amanhã valoriza aquela, e esta; ou aquela em vez desta. É bastante flexível nesses valores. Também é flexível com respeito aos princípios - talvez os princípios básicos permaneçam os mesmos; princípios de amplo alcance. Mas os princípios estreitos estão em constante mudança, em constante flexibilização, em constante movimento. Contudo, nunca sabe qual seja a sua posição, por o adulto ser consistente na autoestima.
"Não sei o que pensas deste assunto, mas sei que o que pensares será uma ideia sincera. Não sei como irás lidar com esta situação, mas sei que irás lidar com ela de forma responsável. Não conheço as motivações que tens, mas sei que provêm da confiança que tens em ti e das tuas emoções, muito embora não saiba quais venham a ser. Não consigo ler-te qual livro aberto, mas posso ter a certeza de que serás digno de confiança e sincero, responsável, e que operas com integridade."
“Por conseguinte, embora não saiba o que vou dizer nos próximos minutos, sinto-me seguro por o teres dito. Ao passo que outro qualquer, que eu sei exactamente o que vá dizer, mas não tenha qualquer certeza quanto à responsabilidade que tenha, ou confiança ou honestidade, essa será a pessoa assustadora.”
Pensem nisso; aqueles de vós que conhecem gente em quem não confiam e em relação a quem sentem insegurança, e de quem sentem não se poder aproximar, será por serem inconsistentes naquilo que dizem? Geralmente não. Ou então:
“Eu sei o que irá dizer; vai dizer que lamenta, que não tinha a intenção de me magoar. Mas não tenho a certeza de sentir exactamente isso, ou se saberá o que está a dizer, ou se tenha outra mudança dentro para além do facto de vir a empregar as mesmas palavras da próxima vez que me magoar.”
Ao passo que a pessoa que não podem predizer o que venha a dizer, mas que saibam que venha a ser sincera, com essa podem sentir-se à-vontade – se, um SE muito grande – vocês também usarem de maturidade. Se não usarem, irão apreciar a pessoa de quem não podem predizer tudo quanto proferir mas não têm qualquer percepção de sinceridade nisso, por provavelmente estarem a fazer a mesma coisa. Quando passam para a maturidade passam para uma elevada flexibilidade, e afastam-se da rigidez do adolescente crescido, que pode ter influências confortadoras em muitos de vós que se tenham rodeado de amigos adolescentes muito rígidos. Quando optarem pela flexibilidade eles reprimi-los-ão. Quando optarem pela maturidade eles beliscá-los-ão e procurarão magoá-los.
Esta não é uma informação que deva chocar qualquer um de vós. Abraham Maslow já em 1954 falava especificamente acerca da pessoa actualizada, de quem aqueles que não se actualizam não gostam e acham frios e distantes e em constante mudança, e encaram isso como uma susceptibilidade. Pois bem, eles não são frios, mas estão sempre em mudança. A flexibilidade é chave muito importante, mas são ensinados a não ser flexíveis mas a tornar-se rígidos:
“Decide-te, está bem? Decide o que queres fazer da tua vida e fá-lo.”
Temos frequentemente sugerido que vocês crescem e passam para a adolescência e aí praticam a maioridade, a partir mais ou menos dos dezoito. E é por volta dos trinta e cinco que precisam ser sérios com relação à vossa vida. Antes disso, exploram e experimentam, e que por volta dos trinta não fazem a menor ideia do que vão fazer de correcto com a vossa vida. Se, por volta dos trinta e cinco não fizerem qualquer ideia então ficam apavorados. Mas até aí, permitam-se experimentar e explorar e decidir. Mas a sociedade diz que têm que ser crescidos por altura dos dezasseis, escolher a faculdade e conseguir os vossos cursos e conseguir a formação e o emprego para que essa formação pede, e que devam ficar aí até se reformarem, porque afinal têm a Segurança Social em que pensar e uma pensão em que pensar; e que é que as pessoas irão pensar se andarem a saltar de emprego em emprego a cada cinco ou dez anos?
A consistência é promovida:
“Cresçam e sejam consistentes!”
É lema que anda de mão dada. Mas nós sugerimos que sejam adultos e que sejam flexíveis, que traduz mais frequentemente a verdade. A vossa realidade inteira é completamente flexível. Não existe nada que seja consistente na vossa realidade. Tudo está a flectir e em mudança. Vocês sabem disso com respeito ao futuro; sabem disso de um momento para o outro que o vosso futuro se altera, embora haja quem adorasse que fosse determinado, e ouvir que não precisam preocupar-se que vão a ser grandes e grandiosos e bem-sucedidos. Só que não é.
O passado também é flexível.
“Não! Eu sei onde nasci…”
Sabem? Conseguem prová-lo?
“Posso. Posso perguntar à minha mãe. Posso mostrar uma certidão de nascimento, posso verificar os registos do hospital.”
Acreditam em tudo quanto leem? Vejam a falsificação da documentação que se está a verificar no vosso governo. Pensam que umas quantas certidões e algum hospital situado em parte incerta não poderiam ser forjados? (Riso)
“Aqui está um documento preciso, que reza, e que tem um carimbo que garante que é um documento preciso, está bem?”
Onde foi que arranjaram isso? Não o conseguem provar. E na verdade, a única razão porque se mostra consistente deve-se a que estejam sempre a dizer a vós próprios que é.
“A minha mãe lixou-me de verdade, quando eu era catraia.”
Provem-no!
“Bom, olha para mim agora.” (Riso) “Não será óbvio?”
É por isso que evidenciam o óbvio, para que as pessoas percebam sem que precisem dizê-lo.
“Olha, a mãe dela deve ter-lhes mesmo feito a vida num inferno…” (Riso)
Aquilo a que queremos chegar é que o vosso passado é tão flexível quanto o vosso futuro, à excepção de que vocês não o encaram assim e fingem que não seja. O vosso futuro acha-se sujeito ao livre-arbítrio, mas todo o vosso passado se acha igualmente sujeito ao livre-arbítrio. Vocês podem mudá-lo. Não recomendamos que o façam indiscriminadamente, mas vocês podem alterar o vosso passado; podem-lhe tirar secções e adicionar outras; conquanto estejam certos quanto à razão porque o estão a fazer, isso poderá resultar. Mas não é mais consistente do que o futuro, não é mais determinado do que o futuro. Ambos são optados com base no livre-arbítrio, e completamente flexíveis.
Falamos com muitos de vocês acerca de vidas (passadas). Aqui têm as primeiras vidas direccionais e subsequentemente outras significativas em particular relativamente a este tempo. Muito embora as vidas sejam flexíveis e não se verifiquem necessariamente na ordem que lhes revelamos nem permaneçam na ordem que lhes indicamos embora tenham ocorrido, elas estão em constante mudança e são constantemente flexíveis. Usaremos uma analogia com respeito a isso, a analogia da plataforma de perfuração marítima que montam em pleno oceano, nesse corpo fluído de água; que montam estacas primeiro debaixo de água até que cheguem à superfície e sobre essas estacas ergam pilares, sobre a qual por sua vez colocam uma plataforma. Pois em muitos aspectos devem encarar essas estacas e pilares como as vossas vidas anteriores, sobre a qual colocam a plataforma actual da vossa existência - o vosso cerne actual do poder.
Que acontecerá se desejarem estender essa plataforma naquela direcção? Colocam mais estacas, e à medida que atingirem a superfície colocam sobre eles mais pilares, e quando os tiverem no lugar colocam-lhes as instalações e completam-nas. Que acontecerá se quiserem tirar esta parte? Não mais têm uso a dar a essa parte da plataforma, retiram a plataforma e depois desmontam os pilares, e poderão deixar os pilares debaixo de água ou não, dependendo de as quererem reduzir um bom bocado e tirar do caminho.
O mesmo sucede no vosso percurso do crescimento. Vocês arranjaram este cerne do poder actual que rotulam de vida actual, e dispõem desses pilares compostos pelas vidas passadas por baixo de vós e diante de vós - as vidas passadas e as vidas futuras que estão a construir que irrompem através da superfície e sobre as quais depositarão as instalações desta experiência actual chamada "vida." E quando tiverem terminado determinada secção deitá-la-ão abaixo, e diminuem essas vidas, e elas voltarão a afundar e desaparecerão. Já outras conduzi-las-ão até à superfície e girarão ao seu redor alternadamente. Se neste ponto da vossa vida lhes convier passar da vida A à B e à C, vocês alinharão ABC por essa ordem. Contudo, se daqui a cem anos lhes convier viver ACD e B, vocês haverão de as reordenar.
Vocês são completamente flexíveis, razão porque no sentido das leituras de vida só podemos falar daquelas que se revelam significativamente importantes com relação ao momento em vez da importância significativa que venha a ter ou tenha tido para vós. Mas o que aqui sugerimos é que na medida em que se abram a isso também representará a medida em que estarão muito mais no controlo.
E a medida em que se recusarem a acreditar:
"Não, não, tem que haver alguma coisa sagrada como o "passado."
Será a extensão em que se verão limitados e sujeitos à rigidez e ao falso valor da consistência. A consistência é valorizada somente na medida em que tiverem estima por vós de um modo consistente. Isso poderá produzir certas acções consistentes, mas não tem que o fazer. Se conseguirem conceder a vós próprios flexibilidade em relação ao vosso passado, também conseguirão permitir-se ter flexibilidade quanto ao vosso futuro. Se se permitirem ter flexibilidade em relação a ambas poderão criar o adulto poderoso em relação ao qual neste momento o adolescente em vós apenas fantasia.
É nos próximos vinte anos que muita da rigidez cairá por terra - já está a mudar. O puro psíquico que a determinada altura era encarado como alguém completamente especial e maravilhoso está a perder terreno. A abordagem tradicional do seminário a que assistem para colher tudo quanto podem aprender num dia ou em dois ou em dez está a diminuir, por cada vez mais a vida vir a ser a mestra e a contínua experiência de aprendizagem e não o seminário ao qual dedicaram tempo. O seminário ainda constitui a parte mais significativa disso mas está a mudar, e as pessoas estão a mudar com os tempos, e se apresentarem o mesmo workshop de há dez anos atrás interrogam-se da razão por que as pessoas não aparecem e porque ninguém se interessa e se aborrece. E nós sugerimos que seja por as estruturas estrem a ser derrubadas e as pessoas neste momento estarem a ficar malucas com isso, em certo sentido. Mas estarão a ficar mais malucas em mais sentidos, daqui a dez, quinze ou vinte anos.
Porque, quando esses limites rígidos a que se têm agarrado, o passado como uma ideia sólida e concreta que jamais muda, quando isso se desagregar, muita gente não irá ser capaz de lidar com isso, e ficarão insanos e irão directamente para o sanatório. Mas é disso que trata o crescimento - tomar consciência da flexibilidade e passar para aí primeiro. Situar-se à beira; ser precursores do que está para vir, em vez de perceberem a reacção em relação ao que tenha já ocorrido. É isso que a maturidade subentende e dizemos que o único acesso ao crescimento se verifique através do adulto; que precisam chegar a ele por intermédio dessa porta. E todos vencerão, vós e toda a gente, no seu respectivo tempo. Mas desde que o seu tempo e o vosso são diferentes, não precisam preocupar-se em relação a quando venham a consegui-lo. Só vós. Só precisam pensar numa pessoa, com respeito a isso, que é em vós. Mas é a flexibilidade, a flexibilidade do passado, do presente e do futuro, a flexibilidade de toda a vossa realidade. E nessa medida, a flexibilidade dos princípios, dos ideais e dos valores que tenham. Isso assusta muito as pessoas, por não as levar a ver de forma consistente como irão... Por existir uma consistência generalizada chamada sinceridade. E essa é a única consistência real a que precisam ater-se.
Temos frequentemente referido o quanto é mais difícil fracassar do que ser-se bem-sucedido. Mas na verdade é que, devido a que obtenham êxito em qualquer coisa, vocês têm uma coisa a fazer - fazer tudo com sinceridade. Essa é a única regra a seguir. Mas para darem cabo da vossa vida dispõem de dezenas de milhares de regras a seguir, e complicações e considerações e tudo o mais.
"De que modo me devo comportar nesta situação e naquela e naqueloutra?" Sejam sinceros! Mas isso irá pegá-los toda a vez. Por cima! Ao passo que para fracassarem só têm que ter em mente todas as cláusulas em letras miudinhas, e tudo quanto sob certas circunstâncias acontece, isto e aquilo. É toda uma complexidade de memórias – necessária para fracassar.
Mas para crescer também. Crescer, ser adulto, é algo que requer sinceridade. Estas características que enumeramos são características, porém, não são exigências. Elas acontece automaticamente quando se encontram na posição do adulto; mas chegar a essa posição requer-se sinceridade. Manter-se fora é coisa que requer todo o tipo de trabalho e de dificuldades e memória e complexidades. Mas o adulto é muito flexível.
Por fim, a sétima qualidade da maturidade, está em que o adulto diverte-se, tem a capacidade de ver o ridículo, cria um gracejar, gracejar esse que não é nada em que tropece, embora ocasionalmente tropece nele, mas é algo que cria conscientemente. E tal diversão é criativa e produtiva e não destrói, mas sempre constrói.
Sabem que em certas actividades brincamos muito e gracejamos em relação a muitas coisas mas nunca fazemos troça das pessoas nem empregamos um humor cáustico. A única pessoa que realmente melindramos foi a Branca de Neve, e fizemo-lo claramente algumas vezes. Mas a questão está no facto de que a diversão é produtiva e criativa – quando alcançam a maturidade. Mas a maturidade é uma combinação da criança autônoma, do adolescente curioso, do progenitor que acarinha e estimula, e do ego de apoio. O adulto constitui uma sinergia – um todo que é maior do que a soma das partes; só que é a parte da criança livre e não da adaptativa (que se deteve por voltados quatro anos) mas daquela que nos seus três ou dois se mostrava inteiramente viva com a curiosidade da criatividade e se mostra completamente irrepreensível.
Se observarem uma criança de três anos, ela apresenta impecabilidade; quando está a colorir um caderno, está a colorir o caderno, e nada mais conta nem interfere. Quando assiste a algo na televisão, o resto do mundo deixa de existir. É por isso que entra tanto nisso e isso a influencia tanto. Mas quando atinge mais uns anos adapta-se; abre mão dessa impecabilidade e autonomia em função da adaptação para agradar e para ser amada. Todos vós fizestes isso. Mas a criança livre é uma beleza. O adolescente que tem vontade de explorar, que tem vontade de descobrir, que está sempre a abrir portas cerradas para descobrir o que encerram e se põem nos cantos a escutar os pais, para ver do que realmente estão a falar, ou que os espreitam da janela do banheiro – esse tipo de curiosidade.
“Aah, pois, esse tipo de curiosidade!” (Riso)
A curiosidade do adolescente livre; não do apavorado, que se adapta e imita. E no progenitor carinhoso que educa, a parte de vós que tem conhecimento de que está a chover a cântaros, e que não tem necessariamente vontade de envergar as suas melhores roupas, mas que em vez disso usa um sobretudo e calça algo que lhes proteja os pés, por terem consciência de não ser altura para piqueniques. Um progenitor desses que perceba que precisam olhar por vós próprios, e que não é seguro ficar parado em frente aos automóveis que passam. Não representarão um ego de apoio? É por isso que sempre dizemos para não liquidarem esse ego, por necessitarem de um ego. Se não tivessem um ego seria como a vossa estrutura óssea, que se assemelharia a uma massa de geleia. Vocês precisam de um ego, de uma estrutura óssea. Razão porque tantas das coisas que têm nos ossos estão ligadas a questões do ego. Fractura óssea, cancro ósseo, e coisas assim que minam e comem o osso, que comem o ego. E nós sugerimos que a estrutura do esqueleto constitui a função do corpo que corresponde em larga medida ao próprio ego. Vocês carecem disso. Mas tal como não desejarão ser controlados pelo vosso esqueleto, também não quererão ser controlados pelo vosso ego. Assim, sugerimos que o ego que concede apoio, o ego positivo, a parte de vós que fornece as mensagens é a parte a que precisar dar ouvidos; a parte que lhes diz do que a vossa realidade está a falar, para lhes facultar uma oportunidade de definirem as escolhas e as decisões que querem definir e transmiti-las à vossa realidade – esse mensageiro, o ego positivo que garante suporte, faz parte do adulto.
Esses componentes perfazem não só a equação do modelo em análise, mas o Eu geométrico exponencial, ou seja, o adulto. O adulto não tem qualquer ponto de referência no passado. Ele nunca foi adulto antes, pelo que não dispõe de qualquer ponto de referência nesta vida. Já a criança tem; e vocês enquanto criança possuem em definitivo um ponto de referência no passado. O adolescente também, claramente. O progenitor crítico constitui a síntese de todas as competências que mães, pais e professores, irmãos, pregadores dominicais lhes incutiram - tudo misturado nessa poção esquisita chamada progenitor crítico. Mas possui definitivamente um ponto de referência no passado. O adulto não possui nenhum. O adulto tem inteiramente que ver com o futuro. O adulto tem muito pouca referência no passado, muito pouca no futuro mas representa uma referência total no agora, só que orienta-se no sentido do futuro. É o agora com a inclinação para o futuro.
Mas não possui qualquer ponto de referência, e não conseguem descobrir como ser adultos observando-se a si mesmos ou referindo-vos ao vosso passado; tudo quanto podem fazer é prestar atenção ao agora e ao futuro, pelo que sugerimos aqui que o adulto constitui um fenómeno do agora, por manifestar o que o futuro dita, o que o futuro lhes reserva, o que vocês já ocultaram no Ovo de Páscoa da vossa vida, o que já ocultaram algures, que ainda estão para descobrir, e rumo ao que se estão a mover, ao decidirem: "Por vir a descobrir isto dentro de cinco anos, hoje vou fazer isto... Por que vou descobrir aquilo dentro de vinte anos, hoje vou fazer isto."
Isso representa o adulto sem ponto de referência no passado, o que representa um ponto de importância vital. É o adulto quem consegue funcionar nessa realidade, e em mais nenhuma. E vocês evoluem, desde o bebé até à criança e até ao adolescente automaticamente, e o resto fica a vossa cargo. Mas não tem importância que devessem ter feito "aquilo" aos dezoito anos, ou vinte e um, ou cinquenta e um; o tempo não é factor de importância - já o agora é. É agora, ou o dia seguinte, que se torna imperativo proceder a um tipo qualquer de escolha, porque ausência de escolha constitui uma escolha. Mas essas são as características daquilo a que se assemelha o adulto.
Portanto, como é que o conseguem?
"Eu estou pronto, certo? Estou doido por fazer algo, sinto água na boca e mal posso esperar. Não será assim?"
Não! Podemos constatar que não são assim tão estúpidos. (Riso) Mas há algo que podem fazer. A primeira coisa é desenvolver algum ideal. A primeira coisa para que se tornem no adulto, para que activamente deem passos conscientes para se tornarem no adulto, e para disporem daquelas sete qualidades de que falávamos: Desenvolver ideais. Que são ideais? Ideais são coisas que querem alcançar, mas que não conseguirão. Como descobrir o amor.
"Nesse caso, nunca hei-de descobrir o amor?"
Não! O que não quer dizer que não venham a encontrar um amor, ou amor, só que jamais captarão ou conquistarão inteiramente o ideal do amor, ou da verdade, ou da sabedoria; ou o que quer que o vosso ideal possa compreender. Mas percebem que um ideal aquilo que por definição é algo que tentam alcançar e obter, mas que em compensação sabem, à partida, que não jamais alcançarão inteiramente, por sempre vir a existir mais. Por isso, aqueles de vós que estabelecerem o ideal de ganhar cem mil dólares por ano - tomem cuidado! Porque, por definição, estão a obstar o vosso sucesso. Para aqueles de vós que definam o ideal de descobrir o amor, a alegria e a felicidade onde quer que seja possível encontrá-los - isso já representa um ideal válido, porque ao longo do caminho vão passar um bom bocado. Porém, jamais virão a descobri-lo na sua inteireza. E essa inteireza passa pela existência de mais amor, de mais alegria, de uma maior felicidade a descobrir. Poderão descobrir isso tudo do plano físico, e depois predeterminar seguir em frente rumo aos níveis superiores.
Assim, descobrir o amor constitui um ideal, ou seja, um que pode funcionar. A inspiração é um outro. Ser uma fonte de inspiração para os outros, para o que claro que precisarão constituir uma inspiração para vós próprios antes de mais - esse é o único inconveniente que tem - mas sugerimos que representa em definitivo um ideal, algo para que trabalham com plena consciência de nunca o atingirem. Mas para serem adultos vocês precisam deles, precisam de ideais; precisam ter pelo menos um, dois ou três.
Pronto, precisam ter ideias, mas não precisam só agarrar:
"Ah bom, vou escolher o ideal do amor ou o da confiança ou o da verdade."
É algo as que precisam chegar.
"Quais serão os ideais, que serão as coisas que quero fazer?"
Os vossos enfoques, aquilo em que se concentram. Esses pontos de convergência representam ideais. Vocês vieram a esta vida com ideais. Com sete. E nós sugerimos que isso é o que cria o contexto de toda esta encarnação - Ideais! Os Princípios acompanham-nos. Por os princípios constituírem os marcos com que irão operar para se aproximarem mais e mais desses ideais. Os princípios são necessários. Porquê? Por precisarem desses marcos. Vocês precisam ter delimitações. Têm um limite físico no vosso corpo, por estarem um tanto cientes de onde começa e onde termina. Alguns de vós não estão tão certos disso, mas sugerimos que na grande maioria vocês têm uma ideia geral quanto a onde o vosso corpo começa e termina. Afirmamos isso por haver alguns de vós que acham que tudo quanto acontece aos outros é feito no sentido de os magoar a vocês, por despeito ou seja lá o que for, quando muitas vezes as pessoas o fazerem de forma independente, e não para lhes passar a rasteira. Mas o que aqui sugerimos é que têm delimitações aí.
Mas precisam de mais do que apenas essa delimitação, precisam de limites emocionais. Precisam ter um sentido-próprio. E se não tiverem princípios - que representam os vossos limites positivos - vocês hão-de criar bloqueios, que são os vossos limites negativos. Mas seja como for, terão delimitações; se não desenvolverem princípios, desenvolverão restrições. Se não desenvolverem princípios desenvolverão bloqueios, e não se livrarão por completo desses bloqueios até que tenham estabelecido uma certa monocromia de princípios. Os princípios representam os limites positivos que jubilosamente atribuem a vós próprios, ao contrário dos bloqueios, que representam as restrições negativas com que se contentam. E assim como podem desenvolver uns também podem reduzir os outros. mas muita gente que não adopta princípios possuem bloqueios gigantescos e complicados, e vice-versa.
Os princípios vêm em dois tipos: amplos (no sentido de tolerantes) e estreitos. Mas quanto mais perto tiverem chegado do ideal mais tacanhos serão esses princípios. Quanto mais distanciados se encontrarem do ideal, mais amplos serão. Assemelha-se muito à montagem dos diversos brinquedos de montar. Quanto mais extensos forem mais e mais se reduzirão até chegarem ao que identificaram como ideal. E também o funil pelo qual poderão mexer-se. Mas esses princípios, amplos e estreitos, são flexíveis e estão em mudança. Alguns deles, os de maior amplitude, como o princípio da sinceridade... A sinceridade é um princípio que reza que não pisarão além de determinado marco, custe o que custar; não serão insinceros. 
"Farei tudo dentro dos parâmetros da sinceridade. E eu sou flexível com respeito a isso, é verdade, mas não pisarei fora desses parâmetros! não pisarei fora dos princípios causando prejuízo consciente às pessoas. Posso causar-vos sofrimento a vós e a muita gente, mas nunca o farei de forma consciente, se definir esse objectivo; e se der por mim a chegar a esse ponto, deter-me-ei e voltar-me-ei para outra coisa."
Isso são princípios, e são flexíveis conforme vocês podem ver. O que não quer dizer que, como a sinceridade constitui um princípio: "Eu nunca virei a ser desonesto," querendo com isso dar a entender que deixem escapar cada porção da verdade que por acaso os acometa. Muita vez se fizerem isso não tem mal - caso aquilo que estejam a deixar escapar seja realmente verdade e cause dor - mas nós sugerimos que grande parte das vezes isso torna-se confuso. Mas a questão está em que, no princípio sólido da sinceridade existe muita flexibilidade, muito movimento, muita actividade - não regras - mas muita flexibilidade.
São os princípios e o carácter que frequentemente fazem parte desta actividade inicial do ser adultos. Desenvolver o carácter, o que significa a tenacidade com que se atêm aos vossos princípios. É simples. Fulano ou beltrano ostenta carácter, e as pessoas que geralmente não sabem o que significa e ficam de "orelha atrás." Mas se pensarem nisso verão que carácter é mesmo isso - a tenacidade e a consistência com que aderem aos princípios. E a flexibilidade com que trabalham com esses princípios. Por conseguinte, a pessoa de carácter tem princípios que activamente vive - não que tem princípios que tira do porta-malas sempre que lhe convém e lhes rendem algo, para depois os pôr de lado quando não lhes renderem mais.
CONSISTÊNCIA
O carácter é a consistência com que aderem aos princípios, mesmo que esses princípios estejam em constante mudança.
Primeiro passo para a maturidade - princípios, ideais, carácter! Mas esses passos encontram-se todos entrelaçados, pelo que não é difícil. Se estabelecerem ideais e começarem a desenvolvê-los - “que princípios parecerão aplicar-se a isto?” – e a seguir aplicarem esses princípios, terão ideais, princípios e carácter, tudo ao mesmo tempo.
VALOR
O segundo passo nessa maturidade passa por desenvolverem o vosso sistema de valores. Mencionamos anteriormente que precisam definir escolhas com base em valores para poderem gozarem de uma escolha efectiva. Que coisa será o valor? Pois bem, dividimo-los em duas categorias – valores operativos e valores conceptuais. Os valores operativos são simplesmente, conforme o título deixa entender, aqueles valores em que escolhem operar na vossa vida. Escolher o gelado de chocolate em vez do de natas. Isso encerra um valor, muito pouco significativo, mas um valor mesmo assim. Os valores conceptuais são os valores que lhes são passados, que lhes são dados pelos outros.
Em criança vocês têm valores eficazes a cem por cento. O que quer que lhes agrade é o que querem. Em bebés são incrivelmente egocêntricos, só que precisam sê-lo, para poderem sobreviver. Mas gozam de valores 100% operativos e eficazes, mas que são incrivelmente flexíveis: hoje contentam-se em derrubar a faca, amanhã já só se contentam em atirá-la pelo ar. Valorizam isso diferentemente, na medida em que combinam convosco – valores operativos. Ora sentem fome, ora não sentem. Valores rapidamente expressados, muito flexíveis, completamente operativos, e completamente localizados (em vós).
(continua) 
Transcrito verbatim e traduzido por Amadeu António

Sem comentários:

Enviar um comentário