quarta-feira, 5 de outubro de 2016

RELACIONAMENTOS - FUNCIONAL VS PERFEITO




A criação, construção e manutenção de relações íntimas poderá porventura ser o sonho mais emocionante, mais maravilhoso e deveras mais mágico que poderão criar durante a vida, e a perda de uma relação, vê-la desintegrar-se ou não ser capaz de criar uma pode desde logo pode equivaler ao pesadelo mais assustador, debilitante ou desmoralizante de uma vida particular.

As relações de carácter íntimo por um lado podem representar uma coluna vertebral de aço relativamente ao vosso desenvolvimento e mudança, e à vossa evolução espiritual. Pode, ao mesmo tempo, representar a barreira mais delicada e frágil que de facto motive esse mesmo desenvolvimento, essas mesmas mudanças e essa mesma evolução.

Agora, quando referimos relações íntimas não estamos apenas a referir-nos a um relacionamento de carácter íntimo, a um relacionamento de carácter físico que ocorra entre duas pessoas que envolva uma ligação de cariz sexual. Ah, decerto que inclui isso, mas nós referimo-nos a um sentido muito mais intrincado e muito mais complexo das relações íntimas que decerto inclui o aspecto físico mas que poderá ou não incluir a sexualidade; mas que também inclui uma intimidade de carácter amoroso convosco próprios, e uma intimidade de carácter amoroso com o mundo exterior que abordam no vosso modo único e por vezes peculiar.

E envolve uma intimidade amorosa com o mundo que se encontra dentro de vós, especificamente com o vosso Eu Superior (Espírito), com a vossa alma, com Deus, com a Deusa, com o Todo, e com uma miríade de outros amigos invisíveis que ocupam esse vasto mundo interior que estão apenas a começar a descobrir e a explorar. O tipo de relação íntima que pode produzir sonhos, ou cuja ausência é capaz de produzir pesadelos. O tipo de relacionamento íntimo que tanto constitui uma coluna vertebral de aço quanto uma delicada barreira da motivação.
É o relacionamento íntimo que de facto não inclui nenhum, mas que de facto inclui todos esses quatro componentes – um relacionamento convosco próprio e com outro; um relacionamento com o vosso mundo exterior e com o vosso mundo interior.
E nesta década dos noventa, nesta década monumental de sonhos e de pesadelos e de mediocridade à mistura, nesta década monumental em que a profusão e o entrelaçado do mundo externo e do mundo interno se torna mais manifesto do que alguma outra vez, nesta década, as relações íntimas chamam-nos para um encontro ou para um confronto convosco próprios e com outros, para se confrontarem a si mesmos e a cada um com uma maior sinceridade e uma maior integridade, com uma maior consciência e uma maior vigília do que alguma vez terão feito.
O relacionamento íntimo desafia-os a livrar-se das velhas histórias e dos velhos padrões actualmente demasiado familiares, dolorosamente familiares. Desafia-os a livrar-se dos vossos ângulos mortos e das vossas mentiras pessoais. As relações íntimas desafiam-nos, não só a livrar-se mas a ir adiante e a desenvolver todo um espectro completo das vossas forças e poderes, de todo um espectro completo das vossas sensibilidades e das vossas capacidades emocionais, de todo um espectro da vossa profundeza pessoal e espiritual.
As relações de carácter íntimo estendem esse desafio de se tornarem livres, de desenvolverem o espectro completo de vós próprios. Mas para além do desafio, as relações íntimas colocam uma escolha fundamental que os levarão a ver-se na contingência de escolher entre o velho modo da luta - de tentarem satisfazer o desejo de uma fantasia de adolescente, que jamais os terá servido nem alguma vez os virá a servir - ou eleger uma escolha diferente, uma escolha igualmente fundamental, entre permanecer em luta com as mentiras e a negações, com as histórias e os padrões que narraram a vós próprios repetidas vezes, ou eleger uma nova escolha no sentido de usarem os relacionamentos íntimos como uma maneira de despertarem, como uma maneira de explorarem e de consecução das melhores e mais refinadas qualidades humanas e espirituais, que são e que podem dominar.
Despertar para a exploração e a consecução desse espírito humano, desse recurso natural que não tem limites e que tem assento dentro de cada um de vós. Acordar, explorar, alcançar um nível mais profundo e ao mesmo tempo mais elevado da dádiva e da recepção do amor e do ser amado. A escolha fundamental para que cada um de vós não só se vê desafiado, mas que precisa fazer.
Muitos dos que aqui se encontram presentes pretendem criar um relacionamento íntimo; já outros criaram um relacionamento íntimo que ao seu jeito poderá ser bastante belo e bastante maravilhoso, mas que os está a deixar frustrados com o que ocorre ao nível corrente da intimidade nesse relacionamento – o que está a tornar-se ou que poderá ter-se tornado o que poderemos chamar de união estagnada:
“Sim, nós criamos esta relação, entre eu e este outro aspecto de mim; entre mim e o meu Eu Superior até; nós temos uma relação, e eu possuo uma relação relativa a actividades e a envolvimentos no meu mundo externo. Eu criei-o.”
Bravo; com certeza que os felicitamos; só que descobrem que não o desenvolvem e que não se expande; que parece ser o mesmo esta semana que o da semana anterior, que está a tornar-se numa união estagnada:
“Estamos juntos por estarmos juntos; qualquer outra razão poderá iludir de momento. Mas pelo menos temos uma relação que pelo menos continua. Ou será que não?”
Já outros de vós criaram e construíram e expandiram e continuam a expandir essa intimidade, e agora são confrontados com o medo de a perder, de a perderem talvez por meio de uma tragédia qualquer, de a perderem por meio de alguns deslizes, por meio de algum incidente do ego negativo, alguma indiscrição, ou por meio de uma tragédia qualquer misteriosa que sempre parece atingi-los quando por fim tudo parece estar a “dar certo.”
Mas sabem, quer estejam à espera de uma relação ou queiram criar uma e ainda não o tenham feito, ou o tenham feito mas se sintam numa união estagnada, ou de facto a tenham criado e agora estejam a sentir a perda, há um denominador comum que todos partilham, seja em que grupo for que derem por vós inseridos. E esse denominador comum é o desejo – o que cada um de vós pretende criar, ou tenha criado e construído e agora esteja a manter – que procuram. Não, não se trata apenas de sexo, porque certas formas de intimidade não compreendem sexo, claramente, e nem é só pela companhia ou pelo companheirismo, nem pela ideia de partilharem a sua vida em conjunto. Isso é importante, compreendam, e pode ter constituído a razão inicial por que tenham criado e começado a criar essa relação; mas não é disso que andam à procura de verdade.
Que denominador comum será esse, que coisa será essa que todos vós, quer se encontrem a criar, a construir ou a manter a relação ou as relações íntimas, têm? Esse denominador comum é a magia que não tem necessariamente que acrescentar palavras ou descrições; essa magia que mesmo quando descrita com palavras ainda permanece um tanto inefável e indescritível, além do que esses termos pretendem descrever, andam realmente em busca da magia.
Mas mesmo que tenha começado sexualmente, ou tenha começado pela busca de companheirismo, ou pelo profundo desejo de partilha da vossa vida, ou tenham tentado arranjar quem partilhe a sua vida convosco, aquilo que procuram de verdade é a magia, mas ironica e tristemente, a magia é a coisa que mais os assusta. Poderão dizer que o sexo os assuste, ou o companheirismo, ou a partilha da vossa vida, e talvez os assuste, mas mais do que isso a magia deixa-os assustados. Mas, ao mesmo tempo, a falta dessa magia representa a maior das ameaças para vós e a maior ameaça para essas intimidades que quiserem criar ou construir ou manter.
E como o vosso ego negativo se acha extasiado com as velhas histórias, e tão em transe com os detalhes e as mentiras, ele teme essa magia e sente-se ameaçado por essa magia, até mesmo mais do que vós.
As relações íntimas também apresentam uma escolha paradoxal; não somente uma escolha fundamental, mas uma escolha paradoxal. Por um lado, as relações íntimas exigem que sejam total e completamente vós próprios, que honrem e integrem o vosso ser individual e a vossa profundeza individual, assim como as vossas verdades individuais. Para poderem criar, construir ou manter, precisam ser total e completamente vós próprios, honrar e integrar essa individualidade em profundidade e com verdade.
No entanto, as relações íntimas também exigem que espontânea e continuamente deem ao outro sem terem em conta a vossa pessoa. Que deem sem restrições e sem constrição – nem sempre incondicionalmente, mas sem restrições e sem constrições – ao outro, quem quer que esse outro seja; essa parte mais elevada e profunda de vós próprios com quem tenham tal intimidade ou seja uma outra pessoa ou ser humano, ou um projecto, uma causa, um envolvimento, ou o Eu Superior. Por um lado, devem ser quem são totalmente, e integrar e honrar a vossa profundidade e a vossa verdade e dar por completo ao outro – quem quer que ele possa ser.
Se se colocarem num dos lados ou do outro deste paradoxo, de modo rígido e demasiado firme, completo, votar-se-ão a perder-se de vista, ou perderão o outro de vista, mas em definitivo perderão a magia. Se estiverem numa relação com outra pessoa completamente em transe a pensar que isso se refira a vós e ao vosso ser e à vossa integridade e à vossa profundidade e à vossa verdade, perderão o outro. Tal como, se estiverem numa relação e não se levarem por completo em consideração e derem somente ao outro – e derem apenas ou outros – perder-se-ão de vista. E seja por que forma dessas for, perderão a magia. Isso aplica-se igualmente à causa e ao envolvimento no mundo externo.
Se esse envolvimento externo lhes disser unicamente respeito a vós, perder-se-ão ou perderão esse outro. Mesmo que seja com o vosso Eu Superior, unicamente em função da vossa própria verdade e profundeza, muito embora ainda os amem, perderão a relação, perdê-lo-ão. Da mesma forma, se me dedicar por completo a ele, perder-me-ei de vista no processo. No mundo externo, no que toca ao Eu ou ao outro, se se colocarem, demasiado fortemente num lado ou no outro de tal paradoxo que exija a plenitude do vosso ser, e que ainda assim exige que deem com espontaneidade e por completo ao outro, então perder-se-ão e perderão o outro e em definitivo perderão a magia. E assim que perderem a magia, perderão a intimidade.
E muitas vezes o relacionamento retornará aos seus começos iniciais; o relacionamento reverterá uma vez mais para um relacionamento sexual ou para um relacionamento de companheirismo ou de partilha de vidas, mas ver-se-á desprovido da magia. E aí a forma tornar-se-á dogma, o contexto tornar-se-á rígido e mesmo quebradiço enquanto o conteúdo se fará ausente. A intimidade fenecerá e então a relação terminará e morrerá, e mesmo que continuem nele, terá acabado, e terão consciência disso.
A forma como irão fazer face a esse desafio de ser livres e de ir em frente e de desenvolver o espectro completo de vós próprios, a forma como irão responder à escolha fundamental, a forma como irão descobrir o que realmente querem na relação – a magia – e o modo como irão responder a esse paradoxo será, antes de mais, permanecendo no vosso pé, mantendo-se numa posição firme, tomando uma posição e permanecendo firmes. Contudo, no mesmo momento, no mesmo instante, estando disposto a abrir mão por completo da vossa posição em prole do outro. É uma contínua alteração para trás e para a frente, de si próprio para o outro, do outro para si próprio. Uma contínua mudança entre o dar e o receber, o ser amado para o amar.
A maneira por que o acrobata consegue equilibrar-se no arame não é permanecendo imóvel, mas mudando continuamente o seu peso da esquerda para a direita e vice-versa. É assim que o equilíbrio é mantido. Mas tal como no acto do arame, também as relações íntimas, se quiserem enfrentar o desafio e dar resposta à escolha fundamental, dar resposta ao paradoxo e descobrir a magia, precisam estar dispostos a encontrar o equilíbrio, precisam estar dispostos a mudar do dar para o receber, de permanecer no vosso terreno firme para abertura desse terreno firme no instante e a qualquer hora.
As relações íntimas constituem um equilíbrio, uma dança, e a magia reside na interacção, reside na acção recíproca entre a dissonância e a consonância. Aqueles de vós que se acham familiarizados com a composição ou a audição de música, sabem que a verdadeira música grandiosa se move da dissonância para a consonância. À música que é completamente dissonante chama-se ruído; e à que assenta na completa consonância se chama tédio. O entusiasmo inerente à música está na magia que se move da dissonância para a consonância, e a magia inerente ao relacionamento assenta nessa acção recíproca que os move da dissonância para a consonância. A magia é a música que desde logo lhes permite dançar. Como conseguirão mudar de um pé para o outro, como conseguirão manter-se em terreno firme e num ápice abrir mão disso, e não só mostrar disposição como fazê-lo? Como hão de encontrar esse equilíbrio, como hão de dançar? Quando escutarem essa música dançarão. E conseguirão enfrentar o desafio, proceder à escolha fundamental, possuir a magia, e satisfazer tal paradoxo.
“O desafio de me tornar livre, o desafio de ir em frente e de desenvolver todo o espectro do meu ser? Uma escolha fundamental entre velhos padrões e velhas histórias, mentiras e enganos que contei a mim próprio? Ou o desafio de um novo despertar, da descoberta da magia, de dar resposta ao paradoxo. Olha, só estou em busca de alguém com quem viver e passar um bom bocado. Não fazia ideia de que me estava a inscrever em desafios fundamentais nem escolhas, paradoxos e magia. Conseguirei tal coisa? Será tal coisa sequer possível?” (Riso)
Há anos que vimos falando acerca do vosso mundo e dos seus limitados recursos naturais, sabem? E daquele recurso que é completamente inesgotável, que é o recurso humano. E parte da razão por que o vosso mundo está a ficar sem os seus recursos naturais deve-se ao facto de tentarem pressioná-los a descobrir o recurso verdadeiro, o recurso inesgotável que são vocês, que é o ser humano, o espírito humano. Isso é o que aqueles que procuram controlá-los subestimam mais e que além disso mais procuram usurpar-lhes – para obterem controlo sobre vós. O recurso humano é o recurso inesgotável.
Também temos dito que, no vosso mundo, as respostas para o que não tem resposta residem na metafísica de uma nova espiritualidade – não numa velha metafísica de uma velha espiritualidade mas numa nova metafísica de uma nova espiritualidade. Não na rejeição do velho mas na construção sobre ele. É por isso que frequentemente dizemos que independentemente do termo ser tão zombado e enlameado realmente existe uma nova era, e vocês estão a embarcar nela e têm estado a embarcar nela há uma boa porção de tempo.
Também sugerimos que no vosso mundo de fronteiras limitadas, num certo sentido exauriram o vosso planeta a ponto de não restarem mais fronteiras, à excepção talvez da Antártida. Mas em grande parte descobriram tudo numa circunferência de 360º tanto de latitude como de longitude nessa fronteira chamada Terra. E então muitos argumentam que a próxima fronteira ou a nova fronteira possa residir no espeço exterior ou sob a água. Mas considerações de ordem orçamental ou da indolência burocrática limitam a exploração dessas fronteiras limitadas; mas existe uma fronteira ilimitada, existe, num certo sentido uma nova região selvagem que é fornecida pelo relacionamento intimo, por ser aí que descobrirão os deuses e os demónios que carregam dentro de vós.
O espírito humano contém as respostas para o que não tem resposta no âmbito de uma nova metafísica de uma nova espiritualidade e de uma nova região virgem composta de relações íntimas. Sim, é possível; sim, é mais que possível enfrentar o desafio e dar resposta à escolha fundamental, descobrir a magia e dar resposta à escolha paradoxal. Não só é mais do que possível como o conseguirão e consegui-lo-ão de facto.
Alguns de vós percebem algo e ficam entusiasmados em relação a isso; outros percebem-no e tornam-se incrédulos com relação a isso. Outros ainda, não chegam a percebê-lo, mas existe um novo futuro para o qual o vosso planeta se encaminha que há cinquenta anos atrás, que há vinte anos atrás (e que nem sequer há dez) se descortinava no horizonte. Há dez anos atrás, considerar a vasta ordem de futuros era impensável, mas agora existe um novo futuro que jamais se terá afirmado antes como possível. E esse novo futuro é um produto do que faltava àqueles que queriam descobrir esse futuro – faltava-lhes o vosso espírito humano. Eles subestimaram-no e procuraram negá-lo. E faltou-lhes dar com o sítio onde as respostas para o que não tem resposta se encontram, que não na lógica linear mas na metafísica exponencial da nova espiritualidade. E faltou-lhes essa nova região selvagem.
Ao descobrirem, ao irem em frente e enfrentarem o desafio, ao procederem à escolha, ao descobrirem a magia e responderem ao paradoxo, ao fortalecerem esse futuro que não se vislumbrava sequer, estarão a criá-lo e a fazer com que tenha lugar. Alguns sabem disso e sentem-se entusiasmados; outros de vós ouvem isso mas não conseguem muito bem acreditar. Outros ainda, desejariam que isso fosse verdade.
Não é grave nem é errado, mas apenas a forma como acontece. Sim, descobrir esse tipo de intimidade, esse relacionamento íntimo, construí-lo, criá-lo, é mais do que possível e com certeza que conseguem e consegui-lo-ão. E esta noite tratamos disso convosco de forma a conseguirem encontrar equilíbrio e a aprenderem a escutar a música e a encontrarem a magia, de modo a conseguirem criar e construir e manter relacionamentos íntimos na vossa vida e mesmo além.
Mas para tal efeito queremos dar uma olhada na resistência, a razão por que não “dançam,” por que acreditam não conseguir “dançar;” queremos examinar as resistências. Muito embora sejam tão únicos quanto possam ser, e possam sair-se com essas resistências peculiares, há todo um conjunto delas que tende a ser mais comum. A razão mais comum por que não o fazem, porque acreditam ou porque se convencem que não conseguem entrar na dança, a razão porque resistem a entrar em equilíbrio, porque resistem a tais intimidades e à magia que podem descobrir nelas, a magia que as faz operar... uma dessas razões deve-se a que há tanto tempo tenham querido um relacionamento íntimo.
Criaram todo o tipo de êxitos em todas as áreas do vosso viver, mas esta tem representado a vossa Némesis, esta tem sido a menos duradoura. E tanto ansiaram por essa intimidade que ainda não criaram que chegaram a aceitar e mesmo a habituar-se à sua esquivez, à sua indefinição:
"A intimidade é-me demasiada ardilosa."
Tornaram-na numa crença. Mas a dor, a dor que alguns de vós têm experimentado...! Os limiares da dor que alguns de vós criaram... e tem doído tanto que chegaram a aceitar e a habituar-se à dor. A dor tornou-se numa parte da definição:
"O relacionamento íntimo é esquivo e permanentemente doloroso. É por isso que não “entrarei na dança;” é por isso que posso mesmo dar ouvidos àquilo que dizes, mas não o farei. É por isso que nunca o consegui, por ter ansiado por isso por tanto tempo que cheguei a habituar-me à indefinição e à dor."
No caso de alguns isso poderá dever-se ao facto de terem buscado apenas um componente, por terem buscado aquela alma-gêmea criada no céu e enviada por Deus (riso) ignorando o relacionamento convosco próprios e com o vosso mundo externo e mesmo com o vosso mundo interno, por esse tal constituir o único ou única que conta. Poderão mesmo ter desenvolvido um certo nível de intimidade com o vosso Eu Superior mas nunca se terão permitido ter essa intimidade por quererem a intimidade com essa tal. E devido a que, se tiverem uma poderão deixar de ter a outra. Assim, prefiro fazer joguinhos e trocar uns mimos com o meu Eu Superior mas não me empenhar por completo, não “dançar,” não sentir a magia, por estar à espera da tal.
Outros buscam apenas o que toca a eles mesmos:
"Tudo quanto importa é que tenha amor por mim próprio. Qualquer outro, o meu Eu Superior, o mundo exterior, nada disso tem importância. Busco um componente apenas, que sou eu mesmo."
Contudo, outros há certamente, que se terão dedicado a causas, às questões do mundo, negando com isso a si mesmos e a qualquer outra pessoa que pudesse ser significativa, negando mesmo o seu Eu Superior e a própria espiritualidade, por a única intimidade que conta ser a que têm consigo próprios e com o seu mundo externo, e do mesmo modo, consigo e o seu mundo interno.
Aqueles que buscam um dos componentes para exclusão ou na ignorância de todos os outros, topam com a dor e com a indefinição. Talvez se deva a que tenham buscado uma fase, uma relação sexual, alguém que seja uma “brasa.” (Riso) Uma verdadeira “bomba” sexual. O senhor perfeição; a senhora ideal. Quer no campo heterossexual ou homossexual. Se encontrarem uma possibilidade de sexo esplêndido nada mais contará, e de algum modo tudo o resto irá dar certo ou resolver-se. Alguns recorrem a uma atitude completamente chauvinista dessas e defendem que o que algumas mulheres precisam é de levar para a cabeça, e de ser endireitadas. E certas mulheres têm a atitude de que o que os homens precisam é de uma boa esposa que lhes dê cuidados maternais, e que lhes resolva alguns problemas, de ter um bom sexo que cuide de todas as coisas. E se for disso que andem à procura, irão descobrir que o relacionamento é doloroso, e que se escapule.
E aqueles de vós que no passado tenham ocasionalmente descoberto esse relacionamento sexual perfeito e ideal, mas que não lhes tenha proporcionado tudo quanto fora suposto proporcionar, tudo quanto se tenham convencido que proporcionaria... a média actual existente nos Estados Unidos é a de os casais fazerem amor umas cinquenta e sete vezes ao ano: por altura do aniversário, do Natal, do Ano Novo (riso) o que dá uma média de uma vez por semana, ou três ou quatro, ocasionais, e saltar muitas outras.
Não, essa fase do relacionamento íntimo não irá resultar e irá terminar, e muitos de vós terão descoberto que é dolorosa e elusiva e ter-se-ão convencido e habituado. Outros, ao reconhecerem a multiplicidade da etapa e terem buscado companhia, ou ao reconhecerem que não era suficiente ou que não resultava e que terão evitado o sexo numa tentativa de partilharem unicamente a sua vida. Que mal terá isso, não? Porque haverão de ser criticados por isso? Mas se buscarem apenas uma etapa, uma das etapas iniciais como fim em si mesma, em vez de porventura um meio para a magia, e jamais tiverem descoberto a magia, tal relacionamento estará fadado a ser um relacionamento de dor e de ilusão. Assim, quer andem atrás de um dos componentes ou de uma das etapas...
Mas também há aqueles que não sabem o que querem, e por isso tentam preencher os quadros que os outros têm do que seja suposto querer, ou do que eles queiram para vós ou por vosso intermédio, e aqueles de vós que pensam que tal relacionamento venha a ser uma panaceia e que tudo venha a ser suave e harmonioso e jamais venham a deparar-se com uma palavra mais áspera ou que não venham a deparar-se com nenhuma dificuldade, e que acham que se descobrirem o relacionamento acertado jamais venham a ter nenhuma troca de palavras ou discussão mais acesa e que sempre empreguem o "por favor" e "obrigado" e que sempre venham a considerar-se um ao outro e não venham a encontrar qualquer conflito, e que tudo venha a ser como deslizar por uma colina de gelo vidrado sem ondas nem colisões, ao primeiro choque e discussão que tiverem, à primeira dificuldade que encontrarem, será o fim.
Em vez de perceberem que o relacionamento íntimo consta de uma série de escolhas e de desafios e de oportunidades, de acordos e desacordos, de dissonância que se torna consonância, almejam a perfeição, e à falta dessa perfeição acabam no engano e na dor. Mas entendam que esta é a primeira razão por se terem habituado há muito ao inatingível e à dor, de modo que estes são alguns exemplos. Poderão existir outros, mas são exemplos do como isso acontece ou da razão porque pode ocorrer. É uma das razões porque não dançam.
Já para outros não fica a dever-se a isso de todo; só no caso de alguns, por causa da habituação, da aceitação e do hábito da intangibilidade e da dor, que tenham chegado a criar uma história – a vossa explicação pessoal, a vossa história do que corre mal convosco ou com o parceiro, ou com os relacionamentos no geral. Mas vocês precisam de fazer isso, enquanto seres humanos precisam ter uma explicação para todas as coisas. E assim criam uma história. Só que o problema está em que com o tempo internalizam essa história, e esquecem que é uma história que inventaram, e pensam que seja real. E internalizam-na e racionalizam-na, e novelizam-na e dramatizam-na! (Riso) E depois acreditam na mentira, em mentiras tais como:
“Eu não mereço…”
Alguns de vós chegaram mesmo a convencer-se que é isso:
“Eu não mereço mesmo ter um relacionamento amoroso!”
Seja em relação a que componente for, mas decerto não a todos os quatro.
Já outros de vós terão dito a si mesmos que simplesmente não são suficientemente poderosos, que simplesmente não são responsáveis o suficiente, e que são demasiado infantis e adolescentes. Outros terão dito que o problema se deva à fraca autoestima que têm, e que poderiam criá-la mas que não o fazem devido à fraca autoestima. Outros ter-lhes-ão contado a história de não serem suficientemente bonitos, lindos, e que não tenham conseguido ter um corpo perfeito, mas que assim que o conseguirem – o que, evidentemente, jamais conseguirão! – mas assim que o conseguirem, então sairão da linha de tornar-se-ão conhecidos. (Riso) Outros terão dito que são demasiado sensíveis e demasiado amorosos e demasiado dados, que amam demasiado, e que esse seja o vosso problema. (Riso) Que têm uma enorme intensidade e um enorme poder (riso) e que se fartam de amar e que nunca parecem consegui-lo:
“Eu assusto-os com o amor que sinto, entendes? Esse é o meu problema.”
Isso não passa de contos que repetiram para si mesmos uma e outra vez, e que internalizaram e que racionalizaram e que dramatizam e que dramatizaram, de forma que agora passaram a acreditar nessas mentiras.
Nós conversamos com as pessoas e elas dizem-nos:
“Ah, eu não mereço.”
Perguntamos: Já fizeste alguma coisa por isso? E deparamo-nos com uma pose pungente e prenhe… (Riso)
“Como por exemplo…?” (Riso)
Como escutar uma palestra acerca do merecimento, ir até uma livraria e descobri-lo por entre uma secção subordinada ao merecimento.
“Ah, bom… Não.”
Porque não? Por teres internalizado, racionalizado, novelizado e dramatizado o teu conto até acabares por acreditar na mentira.
“É a fraca autoestima que tenho.”
Já tentaste aumentar a autoestima que tens?
“Ora bem, tenciono fazê-lo… Eu arranjei um livro do Nathaniel Branden, que escreveu bastante acerca da autoestima. Já o tentei ler, ou já iniciei mas… é de uma leitura um tanto difícil.”
Se conseguires desenvolver a responsabilidade e o poder…
“Eu vou chegar a isso.” (Riso) “Mas de facto acredito na mentira que professo, de que seja demasiado sensível e que ame em demasia, e que seja demasiado espiritual. É isso; sou demasiado espiritual.”
Entendem? Ou na mentira de que a intimidade realmente seja demasiado dolorosa:
“Não a minha intimidade, toma lá nota, foi aí que começou. Mas agora generalizo, e penso que toda a forma de intimidade seja demasiado dolorosa.”
Isso é uma mentira, entendem? Isso não passa de um conto que foi internalizado, racionalizado, novelizado e dramatizado que contaram a vocês próprios:
“A intimidade é-me demasiado dolorosa a mim. O relacionamento não resulta.”
Em vez de contarem a verdade:
“O meu relacionamento não funciona.”
E de contarem a vocês próprios uma verdade ainda mais profunda:
“Porque estarei eu a criar isto? Estou a acreditar na mentira de que não resulte mesmo para ninguém! Não me terei tornado politicamente correcto? Já parei de buscar a intimidade por estar fora de moda. É como regressar a um velho tempo, mas seja como for não resulta, e equivale a enganar-nos e a vender-se ao desbarato. A intimidade não resulta e por isso não entrarei na dança! Por eu acreditar no próprio conto que criei, no meu velho padrão, na minha própria mentira.”
Outra, é ter a identidade de alguém que perde no amor – que esteja fadado a perder no amor. Que seja capaz de obter êxito em tudo o mais mas não nessa área:
“É a minha imagem, é aquele que sou!”
Outros convencem-se de que sejam demasiado velhos, ou que seja demasiado tarde:
“Eu tentei mesmo, mas não resultou. E agora estou demasiado velho. Quem irá amar alguém que se encontra na casa dos sessenta?”
Talvez alguém mais que também se encontre na casa dos sessenta! (Riso) Poderão acreditar que dificilmente alguém de vinte e um anos venha a apaixonar-se por vós (riso) mas talvez alguém da vossa própria faixa etária os ache bastante atraentes e cativantes mas para além do mais a intimidade física não precisa envolver sexo. E em muitos casos não envolve.
Mas:
“Estou demasiado velho, ou é demasiado tarde; Não estava destinado a dar-se.” (Riso) “Esta vida actual não tem que ver com a intimidade.”
Toda e qualquer vida tem que ver com a intimidade!
“Não estava destinado!”
Isso são exemplos daquilo que queremos dizer com conto. Estes não são os únicos contos, por isso façam o favor de não se enganar e pensar que não padeçam de nada disso, pelo que não deverão… Vocês têm o vosso próprio conto, e poderão ter criado o conto mais audaz ao dizerem a vocês próprios repetidas vezes que não eram suficientes. Vocês acreditaram. E por terem acreditado no vosso conto
Uma outra razão, para alguns, é a de que embora digam que aquilo atrás de que andam seja uma relação íntima, de facto tenham outros interesses. Apenas lhes chamam relacionamentos íntimos de uma forma esfemística. Que representará uma agenda oculta aqui? O controlo, a manipulação, a dominação, a projecção…
“Não ando à procura de um tipo qualquer de equilíbrio nem de terreno firme nem de abrir mão da minha firmeza; só ando à procura de quem consiga controlar! Um animal de estimação (Riso) Ando à procura de alguém que possa manipular! E alguém em relação a quem possa obter um sentido barato de maior poder. Ando à procura de alguém a quem possa dominar; ando à procura de alguém em quem possa projectar a figura de mãe, seja homem ou mulher. Alguém a quem possa punir como desejaria tê-lo feito a ela. Ou a quem possa levar a amar-me conforme teria desejado que ela o tivesse feito. Ou ando em busca de um pai, quer seja macho ou fêmea, para castigar ou de o levar a amar-me como desejara que o meu me tivesse amado.”
Procuram projectar, dominar, controlar, manipular.
Um outro tipo de interesse:
“Estou a tentar castigar; estou a tentar culpabilizar. Estou a tentar equilibrar a contabilidade que sinto, da dor. Eu fui magoado, de modo que agora vou magoar alguém. Estive numa relação certa vez, e fui arrasado sem dó nem piedade, de modo que agora tenho que te arrasar como puder.”
Quer esse alguém seja outra pessoa ou o vosso Eu Superior, ou um projecto amoroso que tenham em vista, ou mesmo a vós próprios:
“Tenho tanta vontade de equilibrar a minha contabilidade da dor que só quero punir e culpar alguém, e assim estou à procura disso e não de intimidade. Chamo-lhe intimidade, mas realmente estou em busca da possibilidade de punição e de culpabilização, a fim de saldar a minha contabilidade de dor.”
Outra das formas por que isso funciona:
“Na relação anterior que tinha precisava ser perfeito, e detestei isso. Mas na relação actual que tenho, quem tem que ser perfeito és tu. (Riso) Passei vinte anos acidentais a ter que ser perfeito em face das exigências dos meus pais; agora tu tens que ser perfeita segundo as minhas exigências.”
Equilíbrio da contabilidade do sofrimento. Por meio do castigo e da culpa.
Outra, é satisfazer contractos.
“Tinha um contracto com a minha mãe que rezava que ela sofrera, pelo que eu também sofreria nos relacionamentos. Tinha um contracto com a minha mãe que rezava que jamais faria alguém feliz, de modo que vou sair por aí e certificar-me de que não farei ninguém feliz, de modo que me prove que ela estava certa.”
Contractos com mãe, pai ou com quem mais não seja; os contractos de dor de que falamos quando debatemos a vergonha daqueles anos da infância, daqueles primeiros anos de crescimento. Muita gente tenta satisfazer mesmo esses contractos, satisfazer os guiões negativos:
“Viste, eu disse-te; eu disse-te que não ia resultar; eu disse-te que ia sair machucado, eu disse-te que não ia durar, eu disse-te que quando estivesse a correr bem iria dar para o torto. Eu tenho um guião, e ando por aí a tentar provar o meu guião e não em busca de verdadeira intimidade, nem em busca de um relacionamento, nem em busca duma combinação de ambas essas coisas.”
Outro tipo:
“Ando a tentar encontrar quem cuide de mim, em vez de cuidar de alguém. Procuro quem me providencie, em vez de receber.”
E não significa apenas uma diferença na semântica dos termos. “Quem me providencie,” difere da abertura e da permissão para receberem. “Quem me providencie,” significa:
“Estou velho, tenho o direito, devo obter uma recompensa, devo ser compensado.”
Receber significa abrirem-se à dádiva, e alguns procuram quem tome conta deles. Por naturalmente também poderem existir outras formas, em vez de cuidarem de quem quer que seja, e de quererem que alguém tome conta de vós:
“A minha mãe e o meu pai jamais me amaram o suficiente pelo que, caramba, como tu tens que me amar! Eu mereço que tomes conta de mim; olha toda a dor por que passei, olha toda a mágoa que senti. Estou velho. Devem prestar-me cuidados.”
Em vez de os receberem!
E se tiverem uma agenda dessas, não andarão em busca de relações íntimas. Uma outra é a de tentarem satisfazer a fantasia de serem o “melhor.” E a realidade consensual diz que no que toca a ser melhor, uma mulher não chega a ser suficientemente boa a menos que tenha um homem, um marido; e a menos que a seguir tenha filhos desse homem. Diz que ele não será suficientemente bom a menos que tenha uma relação – talvez não um casamento, mas pelo menos um relacionamento. Assim, não andam em busca de uma relação íntima mas de satisfazer as fantasias de melhor e de superioridade, por terem uma dessas “coisas.” Essas “coisas,” objectos, homem ou mulher, uma bugiganga, um ornamento, etc.
“Eu tenho disso. Por isso, muito embora possas ter uma vida mais bem-sucedida do que eu, eu ainda estou melhor por ter uma “coisa” dessas e tu não. Não resulta, é horrível e sinto-me infeliz, mas tenho uma.”
Para satisfazerem a fantasia de serem “melhor”.
Outro tipo de agenda que poderão ter é a justificação:
“Já passei por relacionamentos ruins antes e agora quero provar que não fui causada. Este funciona, vês? Por isso, não estava errada antes. Por isso, estou a tentar reaver esse ex (…) para provar, para me justificar.”
Mas evidentemente mais nenhuma agenda estaria completa sem que sugerisse autocomiseração. E uma vez mais, essas não são as únicas agendas existentes, mas tão só um exemplo do que queremos dizer quando dizem que buscam a intimidade mas de facto o que querem é satisfazer ou dar resposta a um anseio particular desses; pelo que não estarão interessados em dançar, não estão interessados em criar, construir nem manter relacionamentos íntimos; estão em busca disso ou de uma combinação dessas agendas ocultas.
Uma quarta razão porque as pessoas não dançam e não desenvolvem essa magia que permite a criação e a construção de relações íntimas, deve-se ao receio que têm de entrarem na dança. Receiam a própria dança e receiam a própria magia. Um exemplo será o da aversão que sentem em relação à espontaneidade:
“Detesto ser espontâneo; quero reger-me por regras, pela ordem, ter tudo bem definido, quero saber exactamente o que é esperado de mim, quero saber exactamente o que devo fazer. Não gosto de mudanças, nem gosto de coisas espontâneas, se vamos ao cinema esta noite não vamos fazer mais nada. Temos um plano estabelecido. Precisamos reger-nos por regras, senão sinto-me a caminhar sobre cascas de ovos.”
Analogia interessante essa, mas seja como for, nunca chega a dar-se. Mas aqueles de vós que sentem aversão pela espontaneida:
“Olha, o relacionamento íntimo tem tudo que ver com a espontaneidade!”
Ou receio da intensidade. Medo da intensidade da emoção crua que possam sentir; não das emoções aceites pela vossa realidade consensual nem das emoções politicamente correctas, mas das emoções em bruto que têm. Elas assustam-nos demasiado. Mas claro que, o que as relações íntimas evocam é a emoção em bruto. Daí que receiem entrar na dança e que temam tal coisa.
Aqueles que sentem aversão pelo caos. O caos pode ser encantador e maravilhoso. As luzes vermelhas passam a verde e as verdes passam a vermelho – mudança de direcção, mudança de planos:
“Não se pode incorrer nisso! Precisamos de ordem, e de tudo impecável e limpo. É assim que reza e tem que ser - sem caos!”
A condição humana é bem interessante, sabem, por quererem desesperadamente chegar a conclusões, saltam para uma – qualquer que seja – em vez de ficarem na incerteza ou na ambivalência ou no desconforto.
Já referimos muita vez: Se sentem desconforto, permaneçam nessa situação; não faz mal sentir desconforto durante umas horas. Vocês vão sobreviver. Não faz mal sentir desconforto por uma noite, porque reunirão tudo pela manhã, mas fiquem no desconforto. Mas prefeririam ficar na dor do que no desconforto. Preferem sentir-se infelizes do que sentir desconforto. E preferem precipitar-se para conclusões – não quero dizer individualmente mas enquanto género humano, têm esse pendor para saltarem para conclusões. Qualquer conclusão será melhor do que nenhuma. Foram condicionados na crença de que a ambivalência seja pecaminosa.
“Que sentes em relação a isso?”                      
“Neste momento sinto ambivalência.”
“Não podes sentir ambivalência! Precisas estar de um lado ou do outro, e rápido!”
A ambivalência não é tolerada na vossa sociedade.
“Estou na incerteza.”
“Caramba, não estejas!”
“Não, mas estou. Ainda não me decidi.”
“Vamos lá, rápido!”
Toda a indústria da televisão do horário diurno, as telenovelas, tudo isso se baseia no facto de toda a gente se precipitar para conclusões (riso) e nunca verificarem nada, nem esperarem pelo menos até depois dos anúncios a fim de descobrir uma resposta. Precisam formar logo conclusões! Saltem para isso não importa porquê.
“Vens vinte minutos atrasado…”
“Quererá isso dizer que me detestas? Que terias preferido que morresse na estrada em vez de vir para casa? (Riso) Quer dizer que és superficial?”
Pode querer dizer (…) não é? Mas não estão dispostos a descobrir, não querem passar vinte minutos na incerteza, não estão para sentir desconforto nem por vinte minutos sequer, e preferem saltar para conclusões. Sentem aversão pelo caos. Mas as relações estão repletas de ambiguidades e de ambivalências, de incerteza, e por vezes mesmo de desconforto. E decerto que ao descobrirem a aversão estarão repletos de caos e se sentirem aversão não irão entrar na dança.
Mas depois, claro que há o medo da perda, o medo da humilhação, o medo da rejeição. E isso pode ser de tal modo que nem sequer têm vontade de entrar nela, nem têm vontade de saber como consegui-lo, para não fazerem papel de tolos. Não querem entrar na dança por temerem dançar.
Uma quinta razão deve-se ao facto de se verem presos no mundo de adolescente dos absolutos. Não há muito tempo atrás, quando falamos da vergonha dos anos da adolescência, mencionamos uma das circunstâncias que produz ou aumenta a vergonha durante esses anos, que é o pânico inerente ao crescimento. E que todo adolescente, quer mal se contenha no desejo de crescer ou nunca tenha querido crescer, todos sentem pânico em relação ao crescimento. É isso que traduz a adolescência.
Os vossos adolescentes, aqueles de vós que os têm, vocês reviram os olhos, abanam com a cabeça e interrogam-se quanto ao que este mundo virá a tornar-se, do mesmo modo que os vossos pais fizeram quando vocês estavam com a idade deles, por terem sido tão doidos quanto eles são, embora de uma forma e num contexto diferentes. Mas o conteúdo era o mesmo. Parte do ser adolescente consta do pânico do crescimento, e com base nesse facto, recordarão que os adolescentes não gostam de caos – talvez mais do que quem quer que seja – por estarem a crescer, e toda a forma e estrutura do corpo deles se alterar diante dos seus olhos com todos aqueles desejos, impulsos, anseios; é um período caótico de incerteza e de instabilidade e de incómodo.
Os adolescentes sentem-se horrivelmente incomodados em quase tudo o que as suas vidas compreendem. É isso que sentem, e o que são, só que tentam responder a esse caos, incerteza, incómodo e instabilidade com absolutos, com decisões de carácter absoluto, com julgamentos de carácter absoluto e com opções de vida de carácter definitivo. Os rapazes e as raparigas de dezasseis anos namoram e sentem mágoa e decidem que as relações não dão certo, e que não se pode confiar nos rapazes nem nas raparigas. Decidem que toda a gente se aproveita dos outros. Decidem que todos estão em busca de sexo e desistem de tentar importar-se. Saem magoados do carinho mas o sexo é divertido, pelo que o sexo será o que…
Decisões de carácter absoluto, julgamentos de carácter absoluto, e muitas vezes tomam opções para toda a vida. Mas depois esquecem. Só que o vosso inconsciente não esquece, nem o vosso subconsciente, muito embora vocês o esqueçam.
Encarem a coisa por esta perspectiva. Aqui estão na vossa vida de adultos. Alguns ainda na casa dos vinte, outros na do quarenta, cinquenta, sessenta, etc., e têm uma questão de vida importante, uma decisão a tomar. E no átrio encontra-se um adolescente delirante e maníaco que está louco com a incerteza e que toma todo o género de decisões extremas de carácter absoluto. Iriam pedir-lhe conselho? (Riso) Pelo amor que tenham à vossa vida…!
Mas aqueles que se vêm presos no mundo de absolutos da adolescência fazem isso a toda a hora. Só que ao contrário, o selvagem adolescente e louco não se encontra no átrio, mas dentro deles neste instante. E há alguns de vós, e decerto que num âmbito mais alargado, há quem se ache trancado e aprisionado no seu próprio mundo adolescente dos absolutos e tenha esquecido isso, mas que ainda o estejam a vivenciar. Consequentemente, por causa disso, franzem o sobrolho aos relacionamentos, por ainda se acharem a desenrolar as decisões que tomaram aos dezasseis anos. Ou as decisões que tomaram aos doze, com o seu namorado ou namorada a meio da noite, acerca do que viriam a ser quando crescessem ou do que iriam encontrar ou ter. E ficaram presos e trancados aí, e não vão encontrar a magia dos relacionamentos íntimos.
Além disso, aqueles que não têm remorsos, a capacidade de sentirem pesar autêntico que têm é muitas vezes o produto da vergonha da infância e da vergonha da adolescência. Mas os que são carentes na capacidade de sentir pesar genuíno, aqueles que carecem da capacidade de confiar, aqueles que se vêm incapazes de se integrar na sua realidade. Mas quando lhes falta o remorso e lhes falta a confiança e lhes falta a capacidade de se integrarem, muitas vezes o que fazem em compensação é tentar substituir isso pela perfeição.
"Se me mostrar perfeito não precisarei sentir pesar, entendes? Se me mostrar perfeito não precisarei ter que confiar em mim próprio, e em vez disso fá-lo-ei simplesmente de um modo perfeito. Se me mostrar perfeito, então não precisarei preocupar-me por me integrar no meu mundo e na minha realidade, por ser perfeito. Quando não sinto remorso nem me integro e não tenho essa capacidade de confiar, muita vez tento tornar-me perfeito com alternativa. Nunca funciona, mas eu tento ser perfeito.”
Mas nós temos referido bastantes vezes, e iremos referi-lo de novo aqui em São Francisco - a perfeição constitui a antítese da criatividade. Do mesmo modo, a perfeição constitui a antítese do relacionamento íntimo. Assim, se forem uma dessas pessoas que não tem capacidade de sentir remorso, que não tem a capacidade de confiar, que não tem a capacidade de integração e com a falta de remorso de que padeça não confie na integração, e tenha tentado embrulhar tudo num belo pacote chamado “Sou perfeito,” o preço que deverão pagar será o do relacionamento íntimo.
Uma outra razão, uma que poderão descobrir, e que constitui a mais assustadora de todas, por falarmos na perfeição, são aqueles momentos perfeitos que têm na vida em que alguns de vocês têm um vislumbre, uma pista do que podiam fazer e de quem realmente são, e isso os deixe assustados. Obtiveram um vislumbre num dos vossos– não na maior parte – mas mais perfeitos momentos; sentiram a magia, sentiram-na, escutaram o canto ainda que por breves instantes, talvez um único acorde, apenas algumas posições isoladas, talvez apenas uma brecha, mas escutaram-no: (Riso)
“Não era isso!” (Riso geral) “Era somente um ponto de exclamação. Uma pequena partida proveniente do Eu Superior a chamar à atenção!”
Um vislumbre. O que esse relacionamento íntimo efectivamente poderia ser e aquele que são, e aquele em quem se estão a tornar, e isso deixa-os aterrados.
Curiosamente Abraham Maslow há muitos anos atrás disse que quando vislumbram a plena actualização do Ser, isso deixa-os assustados, porque com isso perdem todas as vossas crenças limitativas, todas as vossas mentiras. Se fosse para criarem essa intimidade, libertariam e transcenderiam todos os vossos planos ocultos no relacionamento, mas para além disso, todos os vossos planos ocultos na vida. E isso para alguns afeiçoa-se simplesmente demasiado assustador. De modo que:
“Eu não quero entrar na dança, por saber que vou ser excelente nela.”
É por isso que falamos de sanar com uma contínua felicidade e diversão sem precedentes. É por isso que cada vez falamos mais acerca da aceitação, do poder que possuem e que representam. É por isso que trabalhamos mais no sentido de os ajudar a aceitar e a abraçar o facto de serem cartógrafos, guionistas, produtores de sonhos. Não representa unicamente um jargão nem uma afirmação propagandística, uma sedução – é a verdade. Alguns de vocês sabem-no, e isso assusta-os. Alguns de vocês estão a começar a compreendê-lo – e a coisa pode tornar-se entusiasmante. Mas também representa a sétima das razões por que não dançam – por saberem que seriam bons; mesmo bons. E por transcenderem os vossos programas com o relacionamento, mas também os planos que têm na vida: os ocultos, os destrutivos. E para alguns essa é a razão.
Todas as sete categorias e os seus diversos exemplos constituem comummente a razão por que a maioria de vós e das pessoas não entra na dança, resiste a essa intimidade, por mais que digam querer criá-la, mantê-la. Então que magia será essa; que magia será essa de que falamos do relacionamento íntimo que não só os desafia a ser livres e a ir em frente no desenvolvimento de todo um espectro de si mesmo, que propõe essa escolha crucial quer de percorrerem o velho caminho da luta ou de descobrirem o caminho novo do despertar e da exploração e do alcance de um nível mais elevado de dádiva e de acolhimento de amor e de ser amado? Que muita vez é essa própria magia que faz com que tudo funcione e que representa o paradoxo. Que magia será essa que é essencial, chave?
Bom, conforme dissemos, é um tanto indescritível, decerto que é inefável, mas há certas palavras que poderão ser empregues, e que poderão em certo sentido traçar uma orientação ou uma pista ou sugestão quanto ao que tal magia subentenda. Mas nós sugeriríamos o seguinte: Antes de mais, a magia reside numa sensação, a sensação de estar do avesso, virado de dentro para fora, em que amam os outros mais do que se amam a si mesmos e em que a vossa maior alegria está em ver os outros alegres, a vossa maior realização assenta em ver que estejam a realizar-se, e em que a vossa maior conquista na vida seja o amor e o carinho, e a intimidade que vocês partilham, o “vocês” subjacente a eu e ao mim, a mim e a outra pessoa, a mim e ao meu mundo exterior, a mim e ao meu mundo interior. A vossa maior conquista na vida é o amor, a intimidade e o carinho que partilham e o amor que têm por “eles” mais do que por vós. A vossa maior felicidade é a felicidade deles, o vosso maior feito é a realização deles, a vossa maior alegria é a alegria deles. Sensação de estar virados de dentro para fora.
Mas de forma irónica muitos dizem-lhes que isso é uma coisa terrível, e que é suposto terem amor somente por vós e que se devem tornar nos primeiros e ir à frente, e nunca no meio. Ou em vez disso é-lhes dito que devem amar somente o outro e nunca a vós próprios. Mas dizemos-lhes que é ambas as coisas, e que o vosso maior amor está em amá-los, e que a vossa maior felicidade está na felicidade deles e que a maior realização assenta na realização deles. Sentido como se se tivessem virado ao contrário.
A magia também assenta numa motivação; deixar-se motivar pelo próprio amor, deixar-se motivar pela gratidão que os inunda. O que fazem por eles, o que são ou estão a ser por eles; o facto de estarem a desenvolver-se, de estarem a mudar, de estarem a evoluir em função deles, com inteira consciência que eles o estão a fazer por vós, de que existem por vós, e de que estão a desenvolver-se e a mudar e a evoluir por vós. O impacto disso deixa a maioria das pessoas apavoradas. Quando alguém lhes diz:
“Tu és a minha única razão de existir.”
Vocês reclamam:
“Ah! Não faças isso! Não faças de mim… Não. Não! Já aqui não estou mais. Creio que me vou pôr a andar daqui para fora.” (Riso)
“Sinto que vou mudar-me para viver mais perto de ti.”
“Não, não faças isso por mim. Eu não quero exercer qualquer impacto. Não quero ser a razão que possas ter para fazeres ou seres ou para mudares…”
Mas é nisso que o amor consiste! Já dissemos de tempos a tempos, jamais lhes pedimos para confiarem em nós. E se tiverem noção disso (aqueles que têm andado ao nosso redor há imensos anos) jamais exigimos que confiassem em nós, jamais dissemos tal coisa. Mas o que sempre dissemos foi que se quiserem confiar, tudo bem. Seremos dignos de confiança, mas jamais lhes pediremos que confiem em nós. De igual modo, também sempre dissemos que, se quiserem que sejamos a vossa razão para começar de novo, jamais o pediremos, jamais o exigiremos da vossa parte, mas estamos dispostos a ser a vossa razão para começar de novo. Por não temermos exercer um impacto desses. Mas é disso que trata o amor, entendem? A magia assenta justamente nisso.
Nesse relacionamento de amor que mantêm consigo próprios, desenvolvem-se, e estão a ser e a operar e a mudar e a evoluir em função dessa parte de vós, que é mais do que esse ser físico. Se for outra pessoa que estejam a amar, estarão a fazê-lo, e estarão a sê-lo, e estarão a desenvolver-se, e a evoluir, e em mudança por eles, ou em função do vosso Eu Superior, ou do mundo lá fora. Estarão a desenvolver-se e a evoluir e a mudar em função disso que é exterior a vós. Com consciência o tempo todo de que o estarão a fazer por vós, e de que estarão a ser em função de vós, e de que estarão a evoluir e a mudar e a desenvolver-se por vós. Esse “si mesmo” em vós está a fazê-lo por esse que vocês são. O vosso Eu Superior existe e evolui e muda em função de vós. Esse projecto, essa ilusão aí situada existe e opera em função de vós. E essa pessoa com quem estão a ter um maravilhoso… está a fazê-lo por vós. Está a ser quem é por vós e está a mudar e a desenvolver-se em função de vós. E tal magia é aceite e sabem mesmo bem. Mas estão a fazê-lo um pelo outro:
“Estou a ser e a fazer tudo quanto sei fazer e ser.”
A terceira qualidade da magia, a felicidade de ver as necessidades supridas e a alegria da satisfação das preferências provém de o fazerem juntos:
“Nós estamos a satisfazer as minhas necessidades; nós estamos a satisfazer as tuas necessidades.”
Juntos! Isso deixa-nos felizes. Não é:
“Eu descobri como satisfazer as minhas necessidades, obrigadinho.”
É:
“Fizemo-lo juntos. E a alegria de satisfazermos as nossas preferências, conseguimo-lo juntos. Eu e essa outra (ou outro); eu e esse si mesmo que também sou; eu e o meu Eu Superior. Pela partilha da satisfação das necessidades e preferências em nós próprios. Juntos!”
É isso que a magia quer dizer.
A magia também está no riso da celebração. O riso da celebração do seu amor, da celebração da intimidade e do carinho que sentem:
“Sim, o amor pode parecer assustador, sim a intimidade pode afeiçoar-se apavorante, sim, decerto que o carinho pode parecer muito assustador, mas também podemos rir da maravilha disso tudo, e no riso da celebração está a magia. Podemos chegar a ter a ideia de ser assustador e não obstante conseguimos rir da maravilha inerente à celebração disso. A magia também passa pelo descobrir e redescobrir de nós próprios e um ao outro, repetidas vezes. Criar e recriar um ao outro uma e outra vez. E a parte mais difícil – ser criado pelo próprio amor e pela própria intimidade do relacionamento. Ser criado pelo próprio relacionamento íntimo.”
“Eu estou constantemente a descobrir-me a mim próprio e a redescobrir-me. Estou constantemente a redescobrir o outro. Eu sou criado e sou recriado, ou melhor, eu crio-me e recrio-me a mim próprio assim como ao outro; e ele a mim. E estou a ser criado por ele; e ele está a ser criado por mim. Em relação a mim próprio, tudo bem, talvez esteja a descobrir-me e a redescobrir-me, talvez esteja a criar e a recriar e a ser criado por esse Eu Maior em mim, e também esteja a criar esse Eu Maior em mim.”
“Consigo perceber isso junto de outra pessoa, numa intimidade individual, a descoberta e a redescoberta, a criação e o recriar, e o facto de estarmos a ser recriados pela própria intimidade que partilhamos. Tudo bem. Mas com o meu Eu Superior? Poder-se-á com isso inferir que O esteja a descobrir e a criar? E que eu O esteja a criar?”
Sim!
“Aaah!”
Não estaão a criar a Sua existência, mas a forma como interage convosco. Para aqueles de vós que têm um Eu Superior severo, Ele está a ser criado por vós. Aqueles de vós que possuem um Eu Superior que fala por enigmas, muito bem, Ele dirigir-se-lhes-á por enigmas. Aqueles de vós que estão absolutamente certos de que um Eu Superior verdadeiramente espiritual se mostre evasivo, tudo bem - Ele mostrar-se-á evasivo para convosco. Vocês criam-no, entendem? Não a sua existência, mas a forma como Se relaciona convosco. E vocês são criados por Ele. Ele criou-os, e vocês criaram-no. E permitem-se continuamente ser criados pelo amor que partilham – com outra pessoa, com o vosso Eu Superior, com o mundo lá fora, e convosco próprios. Mas a magia do relacionamento está no facto de provir da descoberta e da redescoberta; da criação e da recriação e do facto de estarem a ser criados pelo “outro.”
Em sexto lugar, está na experiência da fusão – não da fissão – da fusão dos quatro componentes, no sentir da fusão do amor por mim próprio e por outra pessoa, de amar aspectos do meu mundo exterior e de aspectos do meu mundo interior, e de o fazer em todos os quatro, todos à uma, “fazer girar todos os quatro pratos,” ou seja que analogia for, e pô-los todos a girar. A magia está no sentir tal fusão.
E por fim, porventura a maneira de o resumirmos, a magia que se traduz pelos relacionamentos de carácter íntimo consiste numa alegria de viver, o prazer de estar desperto, e o prazer de estar vivo. Há uma pequena passagem magnífica num filme actual chamado “Thelma & Louise,” que está a provocar todo o tipo de confusão. (Riso) Não diremos que se trate do melhor filme mas será decerto um dos mais importantes. E trata-se de uma estupenda passagem, lá pelo final do filme, quando vão estrada fora e a Thelma diz à Louise: “Estás acordada?” E a Louise olha em redor e diz: “Nunca estive tão desperta na minha vida.” A alegria de viver e de estar desperto, e de estar vivo – a magia está nisso. E é o que todos procuram, essa sensação de estarem virados do avesso, da motivação do amor, da felicidade e da alegria – junto com o riso da celebração. A descoberta e a redescoberta e o estar a ser criado, a fusão e a alegria do viver, do estar desperto e do estar vivo. A magia está nisso. Essa é a música que consente na dança. Por o amor e a intimidade serem criados para serem edificados e a seguir para serem preservados. Como o conseguirão? Vamos já dar uma olhada nisso.

(continua) 

Transcrito e traduzido por Amadeu António

Sem comentários:

Enviar um comentário