terça-feira, 4 de outubro de 2016

RELACIONAMENTOS - EXIGÊNCIAS


CRIAR A RELAÇÃO SUPREMA

Já falamos sobre a magia das relações, já abordamos o sexo e a sexualidade, falamos sobre o amor, sobre amar e ser amado, falamos sobre a intimidade e a magia que tal processo pode envolver, mas esta noite vamos estender-nos além desses debates até um nível de consciência e de acção mais funda e elevada e por conseguinte, a um mais fundo e elevado nível de sucesso na criação daquilo que constitui um maior relacionamento na vossa vida. Vão aprender como criá-lo passo a passo, insinuação após insinuação, bocado a bocado, a desenvolver, a criar e de seguida a experimentar esse relacionamento primordial.

Tal conceito pode parecer-lhes tanto emocionante quanto assustador; e é emocionante e assustador ao mesmo tempo por envolver algo por que cada um de vós há muito anseia alcançar e tenta fazer, por meio de seminários, e por meio da leitura de livros sobre autoajuda, e ao se acomodarem à indefinição das relações em geral e do relacionamento máximo em específico. O conforto causado pela indefinição é emocionante e assustador demais para romper.

É igualmente emocionante e assustador por esta noite se ir fazer um apelo ao blefe da vossa parte, (riso) por esta noite se ir cravar as unhas que restam no botão da saída de emergência (riso) que têm usado como razão do tipo: “Porque não?” É igualmente emocionante e assustador por estarem preparados, mais preparados do que poderão alguma vez ter estado, para aprender – e mais do que isso – para efectivamente começarem a experimentar essa coisa chamada relação primordial.

Neste ano de 1988, o ano da compaixão, parte desse componente, parte do que compõe essa compaixão passa por se abrirem mais para com relações de afecto, e evidentemente para com um derradeiro relacionamento de afecto que podem desenvolver. Há partes de vós, as partes mais profundas, as partes mais elevadas de vós que se acham de tal modo preparadas que praticamente podem saborear e tocar esse desejo, e por fim conhecer e experimentar o sentido e o significado dessa relação primordial. E por fim afeiçoa-se emocionante e assustador por não saberem em que consiste uma relação primordial. E por isso andam em busca dela mas não sabem exactamente do quê, nem porquê, nem como. E isso deixa-os um tanto assustados mas também os emociona bastante, conforme irão ficar a saber e compreender o que se subentende por esse mesmo termo da “Relação Primordial.

Existirão porventura workshops e livros e processos que lhes poderão parecer muito entusiasmantes e também várias pessoas de autoridade e imbuidas de uma certa noção sincera de conhecimento que lhes dirão em que consiste a relação primordial. Alguns dirão que uma relação primordial será a relação que têm convosco próprios! Como se não soubessem disso, não é? (Riso) E de facto se esta noite os ensinarmos acerca de como terem amor por vós próprios, prometemos-lhes que lhe chamaremos “Uma relação convosco próprios,” ao invés de lhe chamarmos Relação Primordial, mas seja como for, há quem sugira que essa seja a relação primordial – a que têm convosco próprios. Mas outros dir-lhes-ão que não, que isso é certamente importante, mas que a relação primordial seja a relação que têm com o vosso mundo, com a vossa realidade, com a natureza; estar em sintonia, e ser uno e estar em harmonia e equilibrado no vosso mundo. Ainda assim outros dir-lhes-ão que isso soa muito bom e nobre, mas que quando se chega a colocá-lo em prática, a relação primordial consiste em ter alguém a quem amar, alguém com quem passar a vossa vida, alguém a quem levar para a cama, alguém significativo com quem partilhar a vida – de preferência uma alma-gêmea, mas caso não seja possível, pelo menos alguém com quem consigam partilhar a vida. (Riso)

Ainda assim outros dir-lhes-ão que está tudo muito bem e que é tudo muito bom, embora seja um tanto mundano, mas que a relação primordial (com um certo piscar de olhos) seja a relação que têm com (e com uma pose apropriada) Deus. (Riso) Mas nós sugerimos que cada sugestão dessas se acha parcialmente correcta, só que o problema das verdades parciais é que também podem estar erradas, e o problema mais grave associado às verdades parcialmente reveladas está no facto de poder causar mágoa, dor e mágoa muito desnecessárias.

E muitos de vocês nessa busca que empreendem pela relação primordial – quer lhe tenham chamado relação primordial ou não – muitos de vocês, na busca que empreendem pelo amor por vós próprios e do amor pelo vosso mundo (ou amor da relação, ou amor de Deus) foram realmente feridos desnecessariamente e sofreram uma quantidade enorme de dor nessa busca. A relação primordial constitui uma matriz (termo extravagante para molde), um puzzle se quisermos. A relação primordial é composta de peças de puzzle, ou peças de uma matriz, o que nos leva a sugerir que a relação primordial seja composta de quatro peças independentes mas interactivas de um puzzle, e que para poderem estabelecer uma relação primordial precisam entender cada um desses componentes independentes, compreender o inter-relacionamento e vinculá-los.

Por conseguinte o estabelecimento da relação primordial envolve, em primeiro lugar, um relacionamento afectuoso convosco próprios, sem sombra de dúvida, mas mais do que isso, envolve o estabelecimento de um relacionamento afectuoso com o vosso mundo, entre vós e o vosso eu futuro – naquele em que se estão a tornar – e envolve o estabelecimento de uma relação com uma outra pessoa significativa, que pode ser de carácter sexual, mas que não precisa necessariamente sê-lo. Podem sentir-se apaixonados e sentir amor por uma outra pessoa, sem que isso envolva intimidade sexual, assim como poderá envolver, mas incluso com os demais componentes. E por fim, consta do estabelecimento de um relacionamento amoroso com a vossa espiritualidade, entre vós e o vosso Eu Superior e Deus, a Deusa, e o Todo.

Cada um desses componentes é independente, e cada um desses componentes acha-se interligado e entrelaçado; quando os interligam e entrelaçam, criam uma sinergia - um todo que é mais vasto do que a soma das suas partes - criam magia – algo que se situa para além da razão e da lógica – criam uma alquimia – algo resultante das partes que é maior do que qualquer das partes reunidas – criam aquilo que chamamos de Relação Primordial. E o que importa que entendam desde o início desta noite, é que para estabelecerem uma relação íntima não basta dispor de uma das partes, mas é importante dispor de todas as quatro. E quando por fim reúnem todas as quatro peças no puzzle, e as encaixam todas na matriz, no molde, então daí resulta a sinergia, a magia, a alquimia que é a Relação Primordial.

Sem todos os quatro componentes, mesmo com a bem-sucedida implementação de qualquer um deles, poderão sentir-se bem, mas também se sentirão ocos, também se sentirão vazios, também não se sentirão completos. Há quem por entre vós, por exemplo, tenha criado uma relação amorosa com uma outra pessoa. Não estamos a referir-nos ao jogo desempenhado entre filha e pai ou entre mãe e filho nem entre adolescentes. Não estamos a falar dos contractos de autodestruição nem de castigo autoinfligido nem de automutilação que aproxima as pessoas; não estamos a falar das relações predefinidas (por omissão) em que por temerem ficar sós se unem ou se agarram ou casam com quem puderem, para poderem dizer que têm uma “dessas.” Não, estamos a referir-nos a um relação amorosa profunda, afectuosa e sincera que se baseie no que o amor por outra pessoa realmente representa.

E há quem tenha “outros” desses significativos, ou os tenha tido em determinado momento, e para quem o amor tenha sido bem real e tenha funcionado, durante um tempo. Mas com o tempo, mesmo a despeito do amor que tenha existido e aumentado e expandido, se tenha sentido vazio, oco, como se alguma coisa estivesse errada. Alguns, abandonaram essas relações e afastaram-se dessas relações de afecto belíssimas e sinceras em busca de uma outra ideal, em busca de mais alguém que pudesse ser igualmente carinhoso mas mais satisfatório, sem terem noção de que aquilo que lhes faltava eram os outros componentes e não falta de amor. Por se sentirem satisfeitos nessa relação presumiam que o amor não devia ser suficiente, e em vez de perceberem que o amor era suficiente e que em vez disso o que lhes faltava eram os outros componentes, razão porque essa relação, por mais bela que fosse, não representaria a relação primordial, que de algum modo têm consciência de buscar.

Outros, sentindo essa carência no campo da satisfação, permanecem nessas relações, vazios. Alguns terão de facto descoberto amor-próprio - e não só os termos, os mantras, as afirmações positivas pronunciadas repetidas vezes, mas têm amor sincero e real por si próprios. Mas esse amor-próprio, no devido tempo torna-se num certo ressentimento e até mesmo amargura, porquanto, por mais que tenham amor por vós próprios, uma parte de vós sabe que não é suficiente, que não é tudo quanto trata. E presumem que seja uma carência que tenham, ou uma falha no amor em vez de compreenderem que é simplesmente a falta dos restantes componentes:

“Ter amor por mim sem ter outra pessoa significativa, sem amar o meu mundo, sem ter esse amor espiritual, simplesmente não basta.”

E consequentemente ficam dormentes e negligenciam esse amor-próprio, esquecem o amor-próprio.

Outros, tendo abandonado esses dois primeiros componentes, voltam-se em vez disso para o amor pelo mundo, para estabelecer contacto com a Grande Mãe, para estabelecer ligação com a natureza, para estabelecer um elo com o próprio mundo, e saem por esse mundo fora a tentar amá-lo e melhorá-lo, a cuidar dele, e abraçam o papel de zelador e de protector da Terra como missão da alma, e prosseguem na busca de um mundo cada vez maior a envolver, para descobrirem que nem mesmo isso resulta. E depois há aqueles que entram em contacto com o Eu Superior – mas uma vez mais não nos referimos apenas a palavreado, mas à acção efectiva – seguem as técnicas que funcionam e descobrem o seu Eu Superior, e experimentam uma euforia indescritível, e uma explosão de energia e a sensação de iluminação que os preenche totalmente durante o momento. Mas mesmo essa relação desaba em virilidade, ou em descuido. Não por que não seja suficientemente bom, mas por os outros três componentes se acharem em falta. E quando obtêm a verdade parcial de que a relação primordial seja isto ou aquilo ou aqueloutro, ela jamais cria satisfação, jamais cria plenitude e sempre os deixa aquém desse relacionamento primordial.

E por conseguinte o amor pode ser muito real, o amor-próprio, o amor pela Terra ou pelo vosso Eu Superior, e pode em si mesmo ser muito real, muito sincero e belo, mas devido à falta dos outros componentes ele não chega a criar esse relacionamento primordial e acabam por se sentir como um fracasso, como se tivessem algo de errado convosco, ou tentam obter algo impossível de obter.

Pois bem, é possível estabelecer um relacionamento primordial se compreenderem o que seja, e como o reunir. Isso contém tanto boas novas como más notícias; as más, é que cada um de vós, no vosso próprio tempo e espaço precisa desenvolver cada um desses componentes, precisa desenvolver o relacionamento primordial. Cada um de vós precisa fazê-lo, nesta ou noutra vida qualquer, antes de permitirem a vós próprios em pleno – notem o termo, “permitir” – passar para os níveis superiores. Ninguém estará aí para os deter, vocês é que se travarão.

Assim, as más notícias são que precisam desenvolver esses componentes em pleno e estabelecer esse relacionamento primordial em algum tempo antes de passarem para além do que chamam de condição física. Contudo, as boas-novas são que podem começar do modo que quiserem. Não precisam começar por aqui nem dominar aquilo e depois passar para aqueloutro mas podem saltar por onde quiserem. E aqueles que têm passado tantos anos – vinte, trinta ou mais – a tentar descobrir esse “outro” significativo sem que resulte e jamais pareça enquadrar-se e que dura um, dois, ou três anos e que nunca parece resultar, podem saltar para um dos outros componentes por um tempo e desenvolvê-lo, estabelece-lo, e depois ao voltarem atrás, poderão passar determinados componentes durante um tempo, e voltar a eles quando se acharem mais preparados.

Assim, se derem por vós presos dessa maneira sem descobrirem esse “outro” significativo, passem para o amor-próprio ou para o amor pelo mundo, ou para o amor para com a vossa espiritualidade, convosco e o vosso Eu Superior e Deus, Deusa, o Todo. Desenvolvam isso, e depois aquilo, e por fim talvez voltem ao relacionamento com esse “outro” significativo que pareça para alguns ser o mais difícil de estabelecer. E o que lhes parecer mais difícil poderá esperar até ao fim. Não terão que o cumprir por qualquer ordem particular, senão pela que instaurarem.

As más notícias, uma vez mais, são que para estabelecerem esse relacionamento de afecto precisam mais do que consciência; precisam de consciência, e de acção. A consciência pode ser definida como consciencialização acrescida de acção. A consciencialização em exclusivo, conduz à impotência. A acção em exclusivo, representa estupidez crassa.

Assim, as más notícias são que, dar atenção ou proceder a copiosas anotações, uma e outra vez, não irá resultar. Isso poderá facultar a consciencialização de que precisam, e na verdade fá-lo, mas irá depender de vós adoptar a acção, irá depender de vós implementar as acções para poderem estabelecer, cada um, e em última análise todos, os componentes do relacionamento absoluto.
E as boas-novas são que, com cada componente que estabelecem, irão tornando o componente seguinte mais fácil. Não devido a qualquer massa crítica, mas devido à função da aprendizagem morfogénica. Seja qual for o componente por que optem por começar, assim que estabelecerem isso e de seguida seleccionarem o componente seguinte a tratar, ele tornar-se-á um pouco mais fácil do que o primeiro. Assim que estabelecerem dois dos componentes, o terceiro tornar-se-á ainda mais fácil de estabelecer. E quando estabelecerem três dos componentes, o quarto praticamente cair-lhes-á no colo. Por ser a forma como funciona. Não é:
“Espero que seja verdade.”
É a mecânica da funcionalidade da coisa.
Por isso, as boas-novas são que, se sentirem dificuldade nessa área, óptimo, desenvolvam os outros, e assim que três dos quatro se acharem desenvoltos, o último que representará a vossa Némesis, o vosso albatroz, praticamente cair-lhes-á no colo. Praticamente – não absolutamente, mas praticamente. (Riso)
Para iniciarem a jornada da descoberta do relacionamento absoluto, precisamos começar por examinar basicamente as desculpas do tipo: “Porque não?” Cada um de vós, independentemente, ao longo de certo número de anos de busca sem encontrarem, desenvolveram um esquema elaborado, uma matriz elaborada, uma explicação elaborada em termos de: “Porque não?” Têm todo o tipo de razões, todo o tipo de receios, todo o tipo de: “Sim, mas...” tantas razões quantas cabeças, certamente.
Mas quando diz respeito directamente a isso, há certas requisitos fundamentais em que, quando se livram de todo o confetes e de todo o veludo que lançam no vosso caminho para criar as coisas que não conseguem ver e compreender, quando retiram tudo isso do caminho ficam basicamente com umas quantas conclusões que permanecem no caminho – quer seja um relacionamento convosco próprios ou com o vosso mundo, ou com outra pessoa significativa, ou com a vossa espiritualidade. Sejam quais forem os componentes com que estiverem a trabalhar, essas conclusões aplicam-se bastante de forma universal. E ao conseguirem compreender os resultados, e em particular os vossos pontos de partida, então podem começar a desenvolver essa relação maior de que falamos, essa matriz composta de quatro componentes independentes mas interrelacionados.
NÃO MERECIMENTO
Essas conclusões fundamentais começam antes de mais, pelo merecimento. Essa é uma das maiores e das mais obstinadas linhas de fundo a que muito de vocês chegam:
“Eu não mereço. Quer, amar-me a mim próprio, ou amar o meu mundo, o meu eu futuro, amar outra pessoa, ou fazer com que me amem. Eu não mereço gozar do amor do Eu Superior ou de Deus, da Deusa, do Todo. O merecimento constitui o primeiro ponto principal, por entre qualquer um e todos os componentes, que os impede do relacionamento absoluto. E esse merecimento divide-se basicamente num aspecto negativo e num positivo.
O aspecto negativo deste problema do merecimento consta da manipulação. Muita gente agarra-se ao facto do: “Eu não mereço,” com uma postura puramente manipuladora. Usam-na, fingem, não chegam verdadeiramente a acreditar nela, nem a pensar que o seja, mas serve de coisa oportuna a dizer, uma excelente coisa a adiantar, e de algum modo faz toda a gente parar e dizer:
“Bom, eu não mereço!”
Muitos lhes dirão:
“Bom, mas o merecimento vem na cauda de todos os problemas.”
É verdade. Mas quererá isso dizer que não deveriam discuti-lo? Quererá isso dizer que não deveriam observá-lo? Quererá dizer que não deveriam livra-se da falta de merecimento? Gostaríamos de sugerir que é importante livrarem-se dele, e a primeira maneira de o conseguirem é determinando se a falta de merecimento de que padecem constitui uma manipulação. Estarão simplesmente a dize-lo, estarão simplesmente a usar isso para controlar? Estarão unicamente a utilizar isso como um falso sentido de poder? Por precisarem deter tudo, por se tornar quase num atrito que trava o mecanismo. Será isso um sentido barato de identidade? Será uma maneira de passarem por trapaceiros, ou uma maneira de engendrarem culpa? Estarão a usar a vossa falta de merecimento como uma forma de manipulação para controlar, para trapacear, para produzir culpabilidade, ou para adquirir um falso sentido de poder?
Há imensa gente no mundo que anda por aí a sentir-se indigna, e que prontamente lhes dirá isso com a mesma facilidade com que que o deitam da boca para fora, e que o faz com base na manipulação. É a cartilha que seguem, é a razão por que voltam a cair, quando se sentem na dúvida e se sentem indignos. Para certa gente contudo, a falta de merecimento é bem real, e ela revela a verdade; não, não manipula; não o sente unicamente para obter um sentido de controlo nem o diz para produzir culpabilidade nem para tentar ser poderosa por intermédio da falta de merecimento. Ela sincera e verdadeiramente sente que não merece – que não merece ter qualquer – e em especial todos esses componentes.
E de entre aqueles que aqui escutam, sugerimos que de alguns deles, poderá ser dito que não creem sinceramente merecer - devido ao que lhes foi incutido, devido ao tormento que as suas próprias fúrias e mágoas ou ressentimentos representam, devido à culpa em que foram colocados, devido ao modo como foram criados, devido aos círculos viciosos que sustentam, devido às depressões que sentem e que não compreendem, devido aos segredos e aos embaraços que mantêm, ou devido ao facto de nunca lhes terem dito “como;” alguns de vós pensam sinceramente não ser merecedores. E por conseguinte torna-se num verdadeiro obstáculo, ao invés de uma medida manipuladora.
Se for um obstáculo de manipulação, e forem sinceros convosco próprios para revelarem a vós próprios tal verdade, poderão reconhecer o que estarão a fazer, admitir que sois vós quem procede à manipulação, seja por que objectivo for - poder, controlo, produção de culpa, ou simplesmente pelo facto de serem trapaceiros. E podem perdoar-se por isso, e afastar-se da manipulação. Admitir:
“Sim, eu tenho vindo a usar a minha falta de merecimento como uma armadura, como um escudo, como uma desculpa, como uma manipulação; mas posso baixar esse escudo se o reconhecer, admitir, perdoar-me por ele, e em seguida mudar, baixando-a."
Para aqueles poucos, por entre os muitos, que conseguem sinceramente dizer:
“Não é um escudo, não é uma diversão nem uma manipulação."
É real, o:
“Eu não mereço!”
É bem real. Vocês podem tratar disso, vocês podem trabalhar isso através da meditação, por intermédio da técnica que descrevemos antes, e pela compreensão de um segredo muito importante do merecimento. Caso seja uma manipulação, esse segredo não faz qualquer sentido. Se for real para vós, esse segredo constituirá a vossa resposta, que consta da compreensão de que o merecimento - e a vergonha que lhe está implicitamente associada - é algo que não poderá ser completamente processado por vós sozinhos. É uma das poucas coisas em que precisam pedir ajuda. E por isso, por meio de um processo de meditação de contacto com os vossos conselheiros, com o vosso Eu Superior (com os vossos amigos invisíveis, seja qual for a natureza por que o fizerem) ou com Deus, com a Deusa, com o Todo na sua essência e sentido, podem pedir que lhes ergam o ónus final:
“Eu fiz a minha lição de casa, mas agora peço àquelas partes de mim, aos meus amigos invisíveis, seja qual for a classificação em que se enquadrem, para me suspender o resíduo.”
Se o fizerem, poderão precisar de três ou quatro vezes, poderão precisar de cinco ou seis vezes, uma dúzia ou mais de vezes, mas se persistirem, e se a falta de merecimento corresponder à realidade, esse ónus ser-lhes-á retirado, e saberão que terá sido suspensa num estalar de dedos. E com a mesma facilidade também saberão que merecem, e desse modo terão eliminado uma de entre várias conclusões potenciais que os impedem de estabelecer esse relacionamento absoluto.
RETIDÃO - SENTIDO BARATO DE PODER
Uma segunda conclusão, ou ponto de partida, consta do poder. Toda a gente busca poder. Por mais que o neguem, por mais que finjam o contrário, por mais que porventura tenham aprendido que não deviam fazê-lo, toda a gente busca poder. Alguns não querem ganhá-lo, não querem obtê-lo, mas pretendem apossar-se dele. E o modo por meio do qual se apossam poder, é através da rectidão. E aqueles de vós que persistem em ser rectos e se agarram à raiva justa, ao ressentimento recto e à indignação justificada que sentem, obtêm um sentido barato de poder, um sentido barato de identidade, obtêm um sentido barato de responsabilidade e de controlo da sua realidade. Obtêm um sentido barato de ser melhor do que os outros, com a rectidão que evidenciam.
Uma das analogias que usamos e que porventura é fácil de relacionar e de compreender o que queremos dizer com rectidão, é a analogia em que sugerimos que se forem a um restaurante e pedirem algo e obtiverem um serviço péssimo, o empregado ou empregada de mesa baralhar o pedido que tenham feito, entornar as coisas, deixar cair café no vosso molho, trazer o jantar frio, enfim, fizer tudo errado o suficiente para os deixar indignados, vocês pensarão:
“Que serviço mais nojento, este. Que pessoa terrível, esta!”
Mas abrirão a boca para dizer alguma coisa? Ah, não! Não, não, não, não. Sorriem e dizem:
“Não tem problema. Toda a gente passa por um dia péssimo. Não faz mal, eu compreendo. Não tem problema. O meu prato ainda está quente lá no meio, (riso) mas não faz mal, tudo bem.”
E deixam a gorjeta apropriada, por não quererem parecer baratos, por não quererem parecer insignificantes, e quererem parecer maior do que ele ou ela – melhor do que ele ou ela – mas assim que saem do restaurante a coisa muda de figura:
“Eu? Nunca mais! (Riso) Alguma vez terás visto um serviço assim péssimo? Consegues acreditar? Poderei eu compreender porque continuam a...?”
E por aí adiante. E mais tarde, contam a outros:
“Eu tive um dia excelente, com excepção da altura em que fui àquele restaurante; devias ter visto aquele serviço, devias ter visto o que a empregada fez, etc. Não consegues acreditar que ela fez isto e aquilo. Sinto-me de tal modo irritado que não voltarei mais àquele lugar de novo, nem deixarei que ninguém lá vá. Vou dizer a toda a gente...” (Riso)
E nós louvamos que o façam, junto de toda a gente. Fúria justa, raiva, indignação, rectidão é a expressão da emoção de todos e qualquer um que não pode fazer nada em relação a isso; mas jamais são expressadas por alguém que podia fazer. Porque, entendam:
“Aí posso obter um sentido barato de superioridade. Eu podia ser tão melhor do que aquela pessoa! Eu teria feito isto; eu teria feito aquilo; eu teria ganho de verdade a gorjeta que lhe dei. Eu sou muito melhor do que ela.”
Obtêm a sensação:
“Eu sou muito mais poderoso. Eu sou muito mais controlado – e além disso, não me meto em apuros por expressar os sentimentos, àqueles a quem os expresso; não podem fazer nada com respeito a isso de qualquer modo.”
E se uma dessas pessoas disser:
“Porque não participas à gerência?”
Vocês dirão:
“Eu? Não, não os quero meter em sarilhos! Não, porque arruinaria a reputação do restaurante.”
Mas na verdade não querem é meter-se em sarilhos. O que isso esconde é o facto de realmente não quererem desistir do vosso sentido barato de poder – do poder que roubaram ao revelar-vos íntegros. Ao passo que a pessoa que fosse autêntica, expressar-se-ia e deixaria que a empregada soubesse e deixaria que o gerente soubesse – não deixaria nenhuma gorjeta, tão pouco uma gorjeta menor com uma explicação do porquê. Expressaria a fúria ou a raiva ou a rectidão, ou a mágoa, ou a indignação onde isso poderia resultar pelo melhor. E nisso reside a diferença entre a emoção honrada e a emoção real. A rectidão constitui um sentido barato de poder. E quando não pensam poder obter poder; quando não pensam conseguir ganhá-lo; quando não acreditam dispor de um meio legítimo de ser uma pessoa poderosa, muitas vezes recorrem à probidade como uma meio de o obter, devido a que queiram ser poderosos.
“Toda a gente o quer!”
RESPONSABILIDADE
O aspecto negativo do poder, que os impede de se relacionar é a probidade. O sentido positivo do poder consta da responsabilidade:
“A não, aquele termo,” não é?
Ser responsáveis pela realidade. Por expressar as emoções, absolutamente; pela expressão dos sentimentos – sem dúvida alguma. Mil vezes, sim. Mas de seguida, devem ser responsáveis por dar seguimento e por esvaziarem essas emoções, e depois por compreenderem a razão por que terão criado a realidade por essa ordem. Expressarem-na, serem responsáveis e compreenderem por que a terão criado – isso é responsabilidade, e com essa responsabilidade sobrevém o poder real. E nós sugerimos que o que os bloqueia com relação ao relacionamento absoluto, ou a qualquer dos seus componentes, assenta quer na procura da probidade como vosso sentido barato de poder, ou no receio da responsabilidade enquanto sentido legítimo e real sentido de poder. Se puderem ser senhores de uma probidade legítima, e em vez de a nobilizarem e dizerem a vós próprios a verdade quando estiverem a ser rectos:
“Eu estou a apossar-me do poder!”
Que constitui uma abordagem covarde e barata; se revelarem a vós próprios essa verdade, fácil se tornará reconhecer o que estão a fazer, e admiti-lo, e terão alguma coisa de substância em que espetar o dente, e perdoarão a vós próprios por isso, e de seguida mudarão isso. Por terem obtido algo substancial em função do que mudar!
Se o receio da responsabilidade for o que estiver a criar essa energia, o receio que sentem da responsabilidade, o poder verdadeiro, ao se assenhorarem e conseguirem tratar disso, ao conseguirem compreender que sim, a primeira responsabilidade poderá por uma vez ser dolorosa, pode por uma vez ser repulsiva, pode ser angustiante ainda que por uma vez, mas à medida que isso for sendo esvaziado e libertado, deixará vir uma belíssima responsabilidade à superfície, responsabilidade pelo êxito e pela alegria, pela felicidade pelo assombro e pela plenitude. Esses aspectos da responsabilidade encontram-se aí para poderem usar.
Mas a segunda conclusão, ou decisão mais significativa, reside no querer mas temer o poder, e consequentemente não se permitirem nenhum – e decerto todos - os componentes do relacionamento absoluto.
FALSO SENTIDO DE ESTIMA
A terceira conclusão assenta na autoestima. Nos problemas que têm com a vossa autoestima, criam a terceira conclusão de entre as mais significativas para que algum de vós estabeleça qualquer um dos componentes do relacionamento absoluto. Uma vez mais, é importante compreender que cada um de vós, cada pessoa à face do planeta busca a autoestima; isso não é opcional; vocês buscam-na. E se não dispuserem de meios legítimos para a descobrirem, então buscá-la-ão por meios ilegítimos. Mas existem certas formas de estabelecer o que chamamos, não de autoestima, mas de falsa estima. Uma dessas formas passa pela supressão dos vossos pensamentos e sentimentos; pela recusa do sentir, pela recusa do pensar, e desse modo pelo estabelecimento de um falso sentido de estima chamado desprendimento ou desapego.
REDUÇÃO DOS CRITÉRIOS
Uma outra forma passa pela redução das vossas normas e dos vossos valores. O que certa vez poderão ter considerado estima – o amor que merecem – no sentido de proceder a certas realizações, de concretizar certas coisas, de obter certos níveis de excelência; ao minimizarem os critérios, o facto de comparecerem torna-se suficiente:
“Olha, cheguei ao emprego a horas, creio que isso seja suficiente; não importa como desempenhe a minha função, o que importa é que cheguei a tempo. Eu piquei o cartão à entrada e à saída de forma devida, e segui as normas, o que é quanto baste. Enverguei o vestuário apropriado, e dei a cara. Sorri, agi de forma atenciosa – e não sei mais o quê, enfim...”
Ao minimizarem as normas... quando outrora era costume estabelecerem certos níveis de excelência, agora minimizam essas normas. E conforme costumava haver normas de ascensão na carreira a que se podia aspirar, ao minimizarem tais normas, é como se estivessem a subir na categoria muito além das normas adoptadas anteriormente. (Riso)
“Olhai o quão longe consegui chegar! Não terei obtido tanto amor com isto que conquistei?”
E consequentemente, uma falsa estima decorrente da minimização, da redução dos critérios da aceitabilidade.
VIVER COM BASE NA ASPIRAÇÃO E NA INTENÇÃO
A terceira maneira porque as pessoas estabeleciam uma falsa estima era vivendo combase na aspiração e na intenção:
“Aspiro a fazer isto; aspiro a fazer aquilo. Algum dia é isto que vou querer fazer. Algum dia vou inventar uma maneira de terminar com isto – a pobreza, a fome, substituir os combustíveis fósseis por combustíveis limpos e não poluentes. Um dia destes ainda vou escrever a maior novela americana; algum dia ainda vou ganhar o prémio Pulitzer ou o Prémio Nóbel. Tenho estas aspirações de uma conquista grandiosa. Não serei fantástico? Não me chegarei a impressionar a mim próprio? Caramba! Nem toda a gente tem esse tipo de aspirações! Sou bem especial por aspirar a todas essas coisas. Isso já é quanto baste!”
E os que vivem de intenções.
“Pois bem; eu tenho a intenção de fazer isto e mais aquilo – quanto tiver tempo suficiente. Quando dispuser de algum tempo, vou ler Voltaire. (Riso) E vou ler o Sweedenborg e todas as obras do Freud e todos os diários completos do Jung, etc. Quando puder tirar uma semana ou isso, ah rapaz, tenho cá umas intenções de tal modo maravilhosas! E é de onde me vem a estima, por causa das intenções que tenho ou das aspirações que cultivo.”
Só que elas são falsas!
VALIDAÇÃO EXTERNA NÃO É FONTE DE AUTOESTIMA
E claro está que existe a validação externa, como fonte de autoestima. Essa é a mais delicada, por a validação exterior ser importante no vosso mundo. Não estamos a sugerir que não devessem buscá-la, façam o favor de nos interpretar correctamente. Sim, busquem a validação externa, mas como um parecer. Não em função da autoestima! No vosso emprego, a validação externa é chamada de salário (riso), é designada como aumento, complemento, e vocês querem essa validação externa, querem que o patrão ou o cliente note, querem que as pessoas lhes deem essa validação externa; e o artista busca esses aplausos, esse reconhecimento, o escritor quer que o livro seja um sucesso; o músico quer que a composição seja um êxito. O cantor quer atingir o topo das tabelas; eles anelam por essa validação – como um parecer, uma opinião; como uma fonte de renda; como uma medida de conquista; como medida da direcção que seguem. Excelente! Mas quando pegam nessa validação externa e a utilizam em função da autoestima, é quando ela se torna num problema.
SUPRESSÃO DE PENSAMENTOS E SENTIMENTOS
A validação externa tem os seus usos apropriados, e todos vocês precisam dela; busquem-na, vão no seu encalço de forma adequada. Mas quando pegam nessa validação externa e tentam torná-la na vossa autoestima, é quando dá para o torto, e não se torna autoestima mas falsa estima. Mas se revelarem a vós próprios a verdade, tentando obter autoestima por via de tais métodos falsos, tornar-se-á insaciável, produzirá um nível de competição que até mesmo os deixaria a vocês chocados, criará um sentido de impotência, por dependerem da supressão de emoções, da supressão de sentimentos e pensamentos; por dependerem de normas que continuarão a ser reduzidas; por dependerem de aspirações e de intenções e eventualmente chegarem a admitir que jamais se concretizarão, e dependerão de mais alguém no exterior, que lhes dê estima – e se ele ficar doente nesse dia (riso) ou de mau-humor, ou estiver com problemas de cariz pessoal? E se não souber como dar expressão a essa validação? Estão feitos! Devido à falta de estima, não se permitem ter qualquer um ou todos esses componentes de um relacionamento afectuoso.
INTIMIDADE
A quarta conclusão, a mais áspera, a mais complexa e a mais difícil (porém, caso o consigam suplantar, a mais gratificante) é a da intimidade. Muitos de vocês desejam relacionamentos na medida em que puderem prová-los, mas sentem-se aterrados com a intimidade, absolutamente aterrados com a possibilidade da intimidade. A razão disso? Já o discutimos em todo um tópico, e não vamos repeti-lo na totalidade. Mas vamos abordar o âmago da coisa, a conclusão que representa para a maioria de vós. A maioria de vocês possui um Eu real, entendem? Um Eu verdadeiro, uma essência, uma centelha, um pedaço puro e belo de Deus, da Deusa, do Todo; e esse pedaço de vós deixou-se rodear pela poeira do:
“Eu não mereço; não sejas ganancioso; não sejas egoísta; não te interesses por ti próprio; não sejas egocêntrico; não sejas tão ciumento; não sejas mau; tu és estúpido; tu nunca consegues fazer coisa nenhuma; faz o que quiseres da tua vida mas lembra-te que sempre estarei aqui quando falhares; tu és um rebelde; não te interessas por ninguém além de ti próprio.”
E muito em breve esse Eu desvanece-se. Fica ocultado naquilo a que o Jung chamou de Sombra – o vosso aspecto horrível. A parte que receiam que possa corresponder mesmo à verdade.
SOMBRA E PERSONA
Bom; não podem viver com isso, ou então serão repudiados. De modo que, aquilo que fazem é erguer uma outra barreira, chamada Persona. Uma imagem que apresentam ao mundo, uma bolha, um balão que sopram ao vosso redor. Essa Persona é um balão que diz que são muito dados, generosos, amorosos e todas essas coisas. Mas o segredo que guardam assenta na consciência que têm de isso não passar da Persona. Sabem que não tem mais realidade do que a maquilhagem, ou o penteado ou as roupas extravagantes que envergam. É a vossa Persona.
Isso em particular no caso de alguns aqui presentes, quando alguém lhes estende um cumprimento deixam-nos a sentir-se desconfortáveis:
“Ah, eu acho que és fantástica; acho que és verdadeiramente estupenda, obrigado.”
“Ah, não, não, nem por isso. Ah não, nem por isso. Se na verdade soubesse... Se me conhecesse de verdade não diria isso.”
Os cumprimentos tornam-se fonte de desconforto por os cumprimentos os forçarem a manter a Persona no sítio. Se exibirem essa imagem de pessoa amorosa, mas realmente não pensarem ser tal coisa, e alguém se chegar a vós e lhes disser:
“Sabes, aquilo que mais aprecio em ti é o facto de seres uma pessoa amorosa.”
E vocês pensam:
“Ah, não, pelos céus!” (Riso)
“Mas sabes que mais? Tu sempre dizes a verdade!” (Riso) “E fico com a impressão de não seres impostor nenhum!” (Riso)
“Bom, assim fico emperrado de verdade, estás a entender?” (Riso) “Preciso arrumar com essa imagem que passo de ser amoroso, de ser verdadeiro, de não ser falso.”
E é por isso que os cumprimentos se tornam tão difíceis:
“Não me cumprimentem; não digam coisas agradáveis acerca de mim se fazem favor; porque o que fazem é fazer com que mantenha esta Persona activa.”
Mas a crítica deixa-os igualmente aterrados. Passam por alguém que se encontra à conversa e param de conversar. (Riso) E vocês ficam certos de ser a vosso respeito. (Riso) Por acaso não passam e começam a desdenhar dizendo:
“Estão a falar de mim.”
Não é?
Ou então alguém lhes diz:
“Sabes, és uma pessoa verdadeiramente fantástica, mas sabes, tens esta coisa...”
Bom… (riso) Onde estará o buraco? Onde estará a abertura? (Riso) Por onde é que conseguirão ver isso? Tenho que remendar esta Persona rapidamente, porque se alguém começar a ver através dela...” (Riso)
Assim, os cumprimentos assustam-nos e as críticas deixam-nos aterrados. E por isso, deixam-se envolver numa relação, mas quão próximo conseguem chegar? (Riso)
“A ponto da minha Persona esbarrar com a tua Persona.” (Riso generalizado) “Não consigo tocar-te; não consigo chegar a ti, por os meus braços não serem suficientemente longos, não é? Não consigo chegar a ti por meio desta Sombra ou desta Persona nem por meio da tua Persona nem da tua Sombra para tocar o teu verdadeiro Eu, de modo que chocamos as Personas."
E claro que (…) uma via de ajuda, com toda a publicidade sobre o aspecto de um relacionamento amoroso enquanto bebem o vosso Chianti ou enquanto tomam um Riunite com gelo... (Riso) ou enquanto duplicam o prazer ou a diversão... (Riso) E por conseguinte envolvem-se numa relação convosco próprios, ou com o mundo, ou com mais alguém, ou com o vosso Eu Superior, até esbarrarem na vossa Persona e ela se vir ameaçada:
“Não me atrevo a chegar-me demasiado perto de ti. Não entendo como te chegas tanto a mim. Por esta Persona poder ser golpeada e aí vais ver o egoísta, o mau, o ciumento, o invejoso, o sórdido, o estúpido, o falhado que sou. Por isso só deixo que chegues perto e só chego perto de ti, e assim isso nunca dura. Apaixonámo-nos loucamente por uma semana! Um mês, ou dois, e lá vamos nós juntos, e depois está tudo acabado. Podíamos ter mesmo chegado a ponto de casar – e aí separávamo-nos! Por termos ameaçado perfurar a Persona.”
O VERDADEIRO SER
A intimidade aterroriza-os. Têm muito mais medo da intimidade do que têm do amor, por ela poder perfurar a Persona. Agora, o que ironicamente é verdade – do outro lado da intimidade – é que se perfurarem a vossa própria Persona, se admitirem livrar-se desse outro por ora, e lidarem apenas convosco próprios; se admitirem e perfurarem essa Persona - não terão que destruir a coisa toda mas tão só perfurá-la – e se o fizerem e forem guerreiros e confrontarem a vossa Sombra; ou se forem aventureiros e forem ao seu encontro, também poderão perfurar a vossa Sombra. E ao perfurarem a Sombra, e começarem a eliminá-la, que é que irão descobrir? É o verdadeiro Eu que aí repousa. E ironicamente, esse verdadeiro Eu é provavelmente mais parecido com a Persona que tinham vindo a apresentar, do que poderiam calcular. Afinal, onde terão ido buscar a ideia de que isso poderia ser a Persona? (Riso)
Assim, essa Persona carinhosa, verdadeira, não impostora. O que descobrirão:
“Pelos céus, eu sou carinhoso, e sou verdadeiro, e não sou impostor nenhum!”
Não irá ser exactamente a mesma coisa que a Persona, por a Persona ser um embuste. Mas poderão ficar assombrados com a semelhança, com o simbolismo que a Persona que criaram evidencia do verdadeiro Eu. Assim, o receio está em que, caso consegam livrar-se dessa Persona, o que reste possa ser a fealdade. Mas a única coisa que se pode dizer acerca das sombras, é que se lançarem luz sobre as sombras elas desaparecem. E então poderão começar a vislumbrar o verdadeiro Eu. E aí deixarão de precisar dessa Persona, e a intimidade deixará de os assustar mais. A intimidade deixa-os intrigados e entusiasmados. Mas precisam perfurar a Persona, derramar luz sobre a Sombra, e obter um vislumbre fugaz, caso pelo menos não consegam ver com clareza, o verdadeiro Eu.
Esse é o quarto - intimidade.
O quinto é a imagem. A quinta razão porque não se permitem ter um relacionamento deve-se à imagem que têm, com respeito a vós e o relacionamento. E embora exista uma miríade de imagens não resta dúvida de que existem duas de que há duas com que mais se preocupam: A imagem que têm de perdedores, e o contrário, a positiva, a imagem que têm de vencedores. E cada um de vós tem uma imagem de cada uma dessas; uns usam uma com mais frequência do que a outra - não há dúvida. Mas cada um de vós tem uma imagem de vencedor e uma imagem de perdedor. Mas o que acontece é que a maioria de vós fica preso na imagem do perdedor, por causa da vossa experiência. Vocês pensam que a vossa experiência cria a vossa realidade em vez da vossa crença. E por conseguinte, devido a que tenham perdido antes, de forma experimental, consequentemente presumem que sejam perdedores; e continuam a exercitar a vossa imagem de perdedor e adivinhem o que acontece: Continuam a criar realidades de perdedor:
"Mais um relacionamento pelo cano abaixo - quer seja comigo, com o meu mundo, com o dos outros ou com a minha espiritualidade."
Vocês também têm um vencedor em vós, mas essa imagem não é usada com muita frequência - em parte por terem sido condicionados e lhes terem incutido isso, em parte por recearem que seja arrogante e egoísta, e em parte por lhes chegar a ser sugerido na vossa espiritualidade que não devem ser assim, que isso é mundano. Por não serem espirituais caso não sejam vencedores. Sugerimos que a espiritualidade do perdedor também representa um conceito estranho (riso) mas seja como for a imagem que muitos de vocês têm, a imagem de perdedores no que toca ao relacionamento:
"Não faz sentido tentar; toda a gente fracassa. Toda mulher, homem com quem saí... Por vezes durava um tempo, outras vezes não durava, mas nunca chegava a resultar. Sou um perdedor; não tenho um amor, não posso amar."
Porquê dar-se ao trabalho relativamente a qualquer relação, e em particular à suprema? Se forem sinceros com respeito a vós próprios, e em particular em relação à imagem de perdedores que têm, soletrem-na, botem-na cá para fora, vejam aquilo que é, e façam-no igualmente em relação à vossa imagem de vencedores. E depois definam uma escolha e decidam-se quanto à que realmente querem ser. Podem eliminar essa linha de fundo. A quinta conclusão da razão porque não permitem que os relacionamentos resultem convosco, devido à imagem que têm.
A sexta conclusão assenta no conhecimento. Todos querem saber. E existem basicamente duas maneiras de chegar ao conhecimento; já o mencionamos antes. Podem chegar a conhecer pela dor, e podem chegar a conhecer através do amor. Mas devido a que o amor seja aterrador (por diversas razões) a dor torna-se mais fácil. E assim, muitos de vocês aprendem através da dor. Desenvolvem uma relação de afecto convosco próprios em que se criticam, e em que se atropelam e abusam de vós, e em que descarregam em vós próprios de toda a forma e feitio e em que se tratam com um lixo e a escumalha da Terra. E depois infelizmente existe muitos na metafísica que lhes dirão que isso é verdade. Por um lado dizem-lhes que vocês são Deus, mas depois são tão burros e tão estúpidos e que destroem o vosso mundo e arruínam tudo de forma a terem que vir do espaço exterior socorre-los por serem tão estúpidos... mas são Deus! Não faz sentido, não pode, e só pode rebentar com o circuito. E acabam castigando-se como forma de chegarem a conhecer-se; ou punindo o mundo, ou punindo a pessoa.
Muitas relações entre homem e mulher, homem e homem ou mulher e mulher baseiam-se num manifesto sado masoquismo. Ou num encoberto sado masoquismo:
"O jeito por que te chego a conhecer (ou tu a mim) é infligindo dor."
Mas por desejarem conhecer de forma tão desesperada dispõem-se a suportar a dor que cada um inflige no outro. E vocês conhecem relações dessas; já as viram. Relações em que permanecem juntos e brigam; esposas e maridos, ou companheiros sexuais ou outros, que se criticam e ridicularizam e se atropelam mutuamente, particularmente em público, coisa que gostam de fazer. Infligem dor. Envelhecem e precipitam-se a tomar a decisão quanto a adoecer primeiro para que o outro tome conta deles (riso) e recusam-se a morrer para não deixar o outro escapar (mais riso). E vivem até se tornarem velhos e mordazes e odiosos, que jamais consideram separar-se ou deixar o outro, ou sequer sugerir deixar de se defender. A polícia poderá dizer-lhes como uma das formas mais assustadores e difíceis com que lida são os crimes domésticos. Porque quando maridos e mulheres brigam e se agridem mutuamente por vezes, se os polícias se intrometem entre eles para os apartar acontece que são agredidos.
"É assim que nos amamos, veem? Não se intrometam!"
Mas nós sugerimos que isso seja conhecer através da dor, o que entrava, evidentemente, o conhecimento pelo amor, e o relacionamento supremo, evidentemente. A outra maneira é conhecer através do amor - duas maneiras de se chegar a conhecer alguém. Pela dor inerente ou pelo amor inerente. A escolha é vossa.
Mas a conclusão, por quererem conhecer e recearem (pelo que também receiam o relacionamento) não se permitem tê-la.
A última, a sétima conclusão, necessitar. Aprenderam que não é "legal" necessitar. (Riso) As pessoas não evoluídas necessitam; as pessoas evoluídas e espirituais não precisam. E muitos de vós brincaram ao que chamamos de jogo do vocabulário; crescimento através do vocabulário. (Riso)
"Eu tenho estas necessidades, mas não é fixe, pelo que passarei a chamar-lhes preferências. (Riso) Problema resolvido!"
Muitos terapeutas, sem saberem como lidar com a necessidade, confundem o caso de deverem ou não tê-las para início de conversa, e acham muito mais fácil usar o jogo do vocabulário. Vamos pegar nas necessidades que têm e vamos ensiná-los a chamar-lhes preferências. E após quatro ou cinco sessões, depois de os terem treinado e condicionado suficientemente:
"Aaah! Não é uma necessidade, é uma preferência."
Agora já não têm mais problemas com as necessidades; têm problemas com as preferências mas isso é diferente. (Riso) Terão tempo de tratar disso durante os próximos seis anos. É assim que andam por aí a fingir que não têm necessidades, mas de facto têm. Vocês têm necessidades. E ainda que lhes chamam quereres ou preferências, elas ainda representam necessidades. E problema decorrente da conversão delas em preferências e desejos está em que muitas vezes fiquem sem resposta, e vocês permanecem na mesma posição de necessitados sem que o admitam, e consequentemente impeçam um relacionamento afectuoso de qualquer ordem que seja, e impeçam o relacionamento supremo. Fingir que preferem oxigénio (riso) dá cabo do caco. O vosso subconsciente só dirá:
“Tu só podes estar a brincar! Estou metido com um lunático. Desisto! Não estou para participar nesta loucura.” (Riso)
E então, embora finjam não ter necessidades, tornam-se dependentes:
“Eu não preciso de homem nenhum – mas morro por um! Não necessito de uma mulher – mas a minha vida é um vazio total e se não tiver uma não sou ninguém. Não necessito; é uma preferência total – da qual estou completamente dependente!”
A carência impede-os de conseguir os relacionamentos que caso contrário podiam desenvolver. Se, em vez disso, admitirem:
“Sim, eu tenho necessidades – oxigénio, comida, enfim, então tratem de satisfazer tais necessidades e não se envergonhem de ter carências dessas. Dispõem de modos físicos, emocionais, intuitivos, psíquicos, metafísicos, podem satisfazer as vosas carências, e ficar com as necessidades satisfeitas. Aí poderão passar para as preferências. Não através da mudança gratuita do vocabulário mas sim por meio da admissão das necessidades e da sua satisfação. É mais difícil do que meramente alterar o vocabulário, mas também resulta. Mas a maior preferência de todas passa por precisarem de alguém.
“Eu não careço de precisar de ti; mas quero. Eu amo-te e quero-te amar de forma a precisar de ti. Por na minha felicidade e na minha vida e no meu ser preferir estar numa situação de necessidade contigo. Não por que tenha que ser, nem por mudar o vocabulário, mas por preferir precisar. Não precisar numa base de dependência – que pode destruir a relação antes que tenha início – mas precisar com base na preferência, que pode representar o próprio combustível que mantenha a relação nos bons e maus momentos do que compõem a vida.”
E quando conseguirem chegar a uma situação em vós próprios, relativamente ao vosso mundo, relativamente a outra pessoa ou ao vosso Eu Superior em que possam dizer que satisfazem as vossas necessidades, e que não precisam do outro para as satisfazer embora prefiram precisar dele, prefiram fazê-lo juntos, prefiram partilhar a vossa realidade com ele, então terão atingido o formoso estado da Necessidade Preferêncial, que é a maior e a mais forte preferência de todas. É precisa uma verdadeira coragem e uma verdadeira força para se preferir necessitar.
Mas essas são as sete conclusões ou pontos de partida, são o que, por qualquer que sejam as palavras que reúnam para os descrever, se reduzirá a um desses sete ou a uma combinação dessas sete razões por que não se permitirão ter um relacionamento com qualquer das combinações ou todos os níveis para desenvolver um relacionamento supremo. Mas importa que conheçam os vossos pontos de partida. Alguém dirá que será por todos esses sete; bom provavelmente não será. Mas a menos que já disponham de um relacionamento supremo, estarão a passar pela experiência de pelo menos alguns desses pontos de partida. Se se familiarizarem com eles, e se revelarem a vós próprios a verdade com respeito aos que tnham, poderão avançar, que é o que queremos passar a examinar.
Como desenvolver esse relacionamento supremo e o processo passo-a-passo que envolve, em ordem, como pegadas no solo. Se passarem daqui até acolá, e depois até acolá, e depois até acolá; se seguirem os passos consegui-lo-ão. É onde as pegadas conduzem - ao relacionamento supremo. Não se perderão, caso sigam as pisadas.
O primeiro passo passa por identifiar e controlar as vossas conclusões por ordem ascendente. Querendo com isto dizer para pegar a conclusão mais fácil primeiro e lidar com ela. Há uma afirmação que num tom um tanto machista e chauvinista que diz que, se forem brigar com alguém, escolham alguém maior que vós. Dessa forma quando perderem não ficarão envergonhados. Nós sugerimos justamente o contrário: se forem brigar com alguém, escolham o mais fraco e o mais franzino (riso) que assim poderão ficar seguros de vencer, não?
Esquematizamos isso desta forma, com uma linha comprida que representa a vossa maior decisão final. Mas vocês também têm mais do que uma, têm digamos, seis, conclusões a operar. A segunda conclusão ou decisão final é representada por uma linha mais curta, começa na mesma base, mas é mais curta por não ser tão grande enquanto obstáculo a superar. A terceira… “Pois, tenho uma terceira que é menor. Mas depois tenho uma quarta que se intromete um tanto no caminho, mas não é coisa a mais a superar.”
Não vão atrás desta grande primeiro!
“O meu maior receio prende-se com a intimidade, pelo quye vou atacar esse em primeiro lugar…”
Não! Vocês perderão. Ver-se-ão derrotados; irão tombar. Não o conseguirão.
“Tenho este outro problema com a carência. É o mais pequeno, com que tenho um pequeno problema; podeia corrigi-lo num instante.”
É atrás desse que vão. É o primeiro a controlar. Portanto, corrigem-nos por ordem ascendente; identificam as vossas conclusões particulares e manipulam-nos por ordem ascendente.
Digamos que o problema menor que tenham seja com a carência e o maior seja com a intimidade, e o seguinte é com a vossa imagem e a seguir, digamos que seja a retidão; não é lá muito grande mas é proeminente o suficiente para o notarem. (Riso) Se controlarem a vossa carência primeiro, também terão eliminado aquela porção da retidão que se baseava na carência, terão eliminado a porção da imagem que se baseava na carência, terão eliminado aquela porção da intimidade, o segredo, a sombra da carência que eu encobria. E cada uma delas, ainda em relação com a do topo, ter-se-ão tornado menores. Agora o problema que têm com respeito à retidão já não parece tão grave, parece? Já consiguem lidar com a vossa retidão, e a parte da vossa imagem que era honrada e que não quereriam admitir nem quereriam admitir, a imagem de perdedor virtuoso desapareceu. A parte da vossa intimidade, a persona que encobria a sombra da virtude e da rectidão terá desaparecido.
Agora olhem para isto: Agora não conseguirão lidar com o problema da imagem? Podem, sim. E que é que fica? A pequena ponta do icebergue – a intimidade; por terem retirado o problema da imagem da intimidade, por terem retirado o problema da rectidão que se prendia com a intimidade, por terem retirado o pequeno problema da carência que se prendia com a intimidade. Agora dispõe deste pequenino problema chamado intimidade que conseguem resolver com toda a facilidade.

(continua)

Transcrição e tradução de Amadeu António

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