quarta-feira, 5 de outubro de 2016

RELAÇÃO - IMPLICAÇÕES






Esta noite vamos abordar os relacionamentos, os relacionamentos que resultam. Vamos abordar o nível seguinte, um novo nível, que é capaz de fortalecer os relacionamentos adorados e encantadores que já tiverem; que é capaz de estabilizar e fazer crescer os quase belos mas ainda assim vacilantes que tenham. Vamos falar de um novo nível do relacionamento que pode curar, reparar e se preciso for substituir os relacionamentos não tão belos quanto isso e os relacionamentos dolorosos que possam ter, e que é capaz de criar relações onde previamente não tenham tido, ou correntemente não existam. É disso que vamos falar.
Mas de facto o que vão experimentar esta noite é mágico. Uma magia que pode vitalizar e aprimorar, que é capaz de enriquecer os relacionamentos que actualmente tenham. Uma magia que pode instantaneamente alterar e gradualmente amadurecer a própria natureza de todos os relacionamentos. Uma magia que pode despertar um amor que tem lugar dentro de vós, que sempre terá existido dentro de vós, mas que constitui um tal tesouro que até mesmo vocês terão negado a vós próprios a sua experiência e a terão mantido adormecida no vosso íntimo, uma magia que pode fazer despertar esse amor que se encontra e que sempre teve existência dentro de vós. Uma magia que é capaz de sarar a mágoa e que é capaz de curar a traição que tanto assombra e danifica, e que os tem obcecado e sabotado há tanto tempo, há demasiado tempo na vossa vida.
Foi há mais ou menos um ano que nos debruçamos sobre a criação de relacionamentos, um ano após termos tratado do relacionamento primordial. Mas no ano passado ao falarmos disso sugerimos que, a despeito do desejo que tenham de encontrar sexo, a despeito do desejo que tenham de encontrar um companheiro ou uma companhia, o desejo que têm de partilhar a vossa vida com alguém ou de encontrar quem partilhe a sua vida convosco, até mesmo o desejo por alguma forma de abstracção chamada amor; apesar do sexo, de um companheiro, de um uma companhia e da partilha e do amor darem início ao vosso desejo e à busca de um relacionamento, não é somente disso que andam em busca.
Bom, pode constituir uma parte do que queiram mas não constitui verdadeiramente aquilo de que andam atrás, porque certamente que poderão encontrar sexo. Já passou o tempo em que não partilhavam tal actividade até que se casassem, mas decerto que isso já sofreu uma mudança no vosso mundo. Pessoalmente poderão não o conseguir mas o sexo pré-marital já é muito mais permitido. Poderão encontrar alguém com quem fazer sexo - podem comprá-lo - mas conseguem arranjar com quem o fazer. E decerto que a companhia está ao vosso dispor, e também isso poderão conseguir. E há quem esteja disposto a dar-lhes ouvidos e a partilhar da vossa vida, ai se não sabem que haja quem esteja disposto a partilhar a sua vida convosco! (Riso) Por vezes mais do que gostariam que o fizessem...
Mas se fosse isso que realmente quisessem, se fosse disso que andassem verdadeiramente em busca: sexo, companhia, partilhar a vossa vida ou encontrar quem queira partilhar a sua vida convosco, ou mesmo a abstracção que façam do amor, poderiam obter isso com ampla facilidade, e os relacionamentos não apresentariam qualquer problema. Muitos de vós de facto satisfizeram um ou mais desses componentes; terão criado, e na verdade muito bem, vidas sexuais ou companhias ou oportunidades de partilha; decerto que terão satisfeito um ou vários desses componentes que tenham buscado ou que lhes tenha dado início a essa busca, mas tendo-os satisfeito, muitas vezes dão convosco insatisfeitos e não conseguem compreender porquê. Pensavam que o que queriam fosse sexo, e posteriormente conseguiram-no mas…
“Bom, é óptimo mas não é… Não sei dizer…”
E obtêm companhia para fazer isso juntos, e passam um tempo juntos, mas…
“Eu partilho e conto-lhe o que aconteceu, e ele conta-me o que aconteceu durante o dia de hoje, conversamos a toda a hora e partilhamos todo o tipo de… Eu amo-a, e sei que ela me ama, mas não é verdadeiramente satisfatório.”
E uma vez insatisfeitos, passam à culpabilização e à dúvida, à punição e a fazer mal – muitas vezes ao outro. Muitas vezes culpabilizam-no e duvidam da sua sinceridade ou autenticidade, e castigam-no ou magoam-no. Por vezes ao outro – mas sempre a vós! Sempre culpabilizarão e duvidarão, castigarão e magoarão a vós próprios, não importa o quão deles seja a culpa, não importa o quanto tenham feito de genuíno, e muitas vezes terão feito muito. E sem que importe o quanto os tenham magoado ou prejudicado, com efeito não descontam nada disso. Não importa o quanto possam justificar como falha deles, porque ainda se culparão, ainda duvidarão de vocês, ainda se punirão e se magoarão. Também o poderão fazer a eles mas fá-lo-ão a vós próprios, sem sombra de dúvida. E eles poderão fazer-lhes isso, mas fá-lo-ão igualmente a eles próprios.
E na verdade, se tiverem imposto danos a outro com base na culpabilização e na dúvida, na punição e no prejuízo que lhe tenham movido, virá um tempo em que perceberão que não terá merecido a dor que lhe terão infligido. Se de facto lho tiverem infligido a vós, também virá tempo (um tempo mais prolongado, mas acabará por vir) em que perceberão que vocês não mereciam os danos nem a dor que vos tenham infligido. (Riso) Mas, independentemente de quem tenha sido o culpado, o agressor, com o passar do tempo (por mais que demore) chegarão a perceber que vocês não mereciam a dor que terão imposto a vós próprios. É isso que acontece quanto o impulso inicial, a vontade inicial, o desejo inicial, e busca e a procura de um relacionamento não vai além da esfera do sexo ou da companhia ou da partilha ou mesmo da abstracção do amor.
Mas então de que é que precisam? Que é que querem do sexo, da companhia, da partilha e do amor? Que é que esperam que isso lhes dê, que isso lhes traga? O que terão desejado e esperado dessas relações que tiverem ocorrido e o que sempre desejam e esperam que ocorra será – amor? Bom, decerto. Mas mais do que isso – o que em definitivo passa despercebido – aquilo de que realmente andam atrás, é da magia. Por ser a magia que trás vida ao amor.
Já terão amado alguém, mas não terá sido satisfatório por esse amor não ter tido magia. É a magia que trás vida a esse amor; é a magia que confere profundidade, excitação, encanto, transe, riqueza ao sexo, à companhia, à partilha, e ao próprio amor. É a magia que empresta dimensão (cumprimento, largura e profundidade) que confere impacto, significado e valor ao amor, e que o torna real. O que buscam, independentemente da motivação inicial que possam ter tido, o que geralmente buscam no relacionamento é a magia.
Assim, esta noite vamos falar do relacionamento, mas o que irão experimentar será magia, uma magia que poderá curar, uma magia que poderá transformar, uma magia que poderá transcender; assim como a precipitação e a condensação dessa magia. Relacionamentos que resultam.
Já falamos tanto acerca dos relacionamentos ao longo dos anos, por vezes sob a rúbrica do amor, por vezes da intimidade e noutras vezes sob o título dos próprios relacionamentos. Muitas vezes durante fins-de-semana, segmentos ou porções de cursos intensivos, que tratam desse fenómeno particular e que tratam do que ocorre no relacionamento, e nós não somos os únicos a alguma vez ter falado disso, claramente. Existe toda uma pletora de livros e de seminários que tratam desse particular fenómeno e que procuram explicá-lo e entendê-lo, lidar com ele, solucioná-lo, levá-lo a funcionar. E vocês aprenderam connosco e com outros. Vocês leram as obras e compareceram nos seminários e escutaram mais uma pista, mais uma parcela que de algum modo levasse a que tudo se encaixasse, e abriram isso e tornaram-no numa sensação estupenda. E aprenderam, desenvolveram-se; não são idiotas nem estúpidos, nem retrógrados, e saíram-se muito bem em muitos aspectos e por agora muitos encontraram relacionamentos, alguns dos quais fortes e grandiosos, outros fracos e esporádicos; alguns repletos de contentamento e de satisfação e de gratidão ao passo que outros cheios de frustração e de anseio.
Têm relacionamentos que podem ser bastante terapêuticos e, sim, podem ter alguns que podem ser destrutivos, mas todos têm, numa gama e grau variados de relacionamento na vasta gama da vossa vida; relacionamentos íntimos no sentido pessoal, relacionamentos de trabalho, relacionamentos recreativos, relacionamentos com o vosso mundo visível e com o vosso mundo invisível. De facto sabem tanto mais acerca dos relacionamentos do que alguma vez chegarão a usar (riso); sabem muito mais acerca dos relacionamentos do que já terão tido oportunidade de implementar. Aprenderam bastante. Mas então porque estaremos de novo a falar disso? Teremos deixado de dizer alguma coisa? (Riso)
Estamos a tratar de relacionamentos funcionais; da criação do nível seguinte, precisamente por terem aprendido tanto, precisamente por terem desenvolvido relacionamentos do tipo íntimo (ou não íntimo), precisamente por saberem como é que os relacionamentos funcionam, mesmo que não tenham tanto a oportunidade de os implementar quanto gostariam, precisamente por se terem desenvolvido e mudado tanto quanto podiam e estarem agora preparados para trabalhar num nível mais profundo, preparados para trabalhar num nível mais íntimo e mais elegante, mais bem-sucedido do que terão estado dispostos ou tenham sido capazes, antes.
Em segundo lugar, falamos sobre relacionamentos que resultam, porque durante este ano que é o ano da realização, para criarem o que querem de uma forma bem-sucedida - aquilo que realmente querem (aliás, que quanto a isso qualquer ano se presta a tanto, independentemente do que lhe chamarem) quando querem realizar algo e ter êxito na conquista do que realmente querem, ter relações funcionais torna-se essencial. As amizades gratificantes e as próprias relações íntimas, que frequentemente se situam no topo da lista do que querem para além das necessidades básicas, trabalhar essas amizades gratificantes e as relações íntimas assim como o sucesso gratificante e um trabalho significativo, o valor pessoal, a dignidade pessoal, bem como a oportunidade de utilizarem o talento que têm, essas coisas que verdadeiramente desejam encontram-se todas subordinadas de uma forma ou de outra, num ou noutro grau, aos relacionamentos, aos relacionamentos funcionais.
E portanto, neste ano da realização, mas também ao nível de evolução e do desenvolvimento que alcançaram, ao nível em que se encontram de mudança e de crescimento, à velocidade com que o fazem, é agora tempo de examinarmos mais a fundo e de uma forma mais completa esse nível seguinte, e por conseguinte voltamos nesta altura a falar disso. Também porque vocês são os cartógrafos, e nesta altura do ano, à medida que se aproxima do fim, ao olharem por aí percebem a necessidade que existe de alguém que comece a elaborar rotas. É mais profunda e mais cara do que alguma vez. E vocês são os cartógrafos; vocês são os sonhadores e os tecelões de sonhos, os criadores de visões, os criadores da realidade.
E por causa disso existe um amor dentro de vós. Por mais que o neguem, por mais que o obscureçam, existe um amor dentro de vós que é mesmo muito forte. E existe uma paixão e uma compaixão. Por mais que a realidade consensual tenha tentado exterminar coisas tão frívolas quanto a paixão e a compaixão, existe uma paixão e uma compaixão que se encontram demasiado vivas – embora em muita gente possam encontrar-se mortas – em vós acham-se demasiado vivas.
E existe uma coragem – sim, coragem – e empenho. Vocês são corajosos e estão empenhados, e essa coragem e empenho são mesmo muito exigentes. E a vossa espiritualidade, desde a sua origem estelar até à sua tradição e à sua nova expressão florescente, a vossa espiritualidade não é entediante nem enfadonha mas encontra-se viva e é vibrante. Não se baseia em regras massivas, pós e contras, mas na liberdade e na autodeterminação. A vossa espiritualidade é mesmo muito bela e é algo demasiado forte, demasiado viva e demasiado exigente, demasiado bela para permitir que fiquem parados ou que se tornem complacentes, ainda que lhe chamem contentamento. Sempre precisam ter o que alcançar, alongar-se e desenvolver-se. Talvez isso não seja verdade em relação a toda a gente, mas vocês são os cartógrafos e dentro de vós existe algo demasiado forte, vivo e belo.
Não são melhores do que ninguém, nem especiais, são únicos. Não têm licença, mas possuem essas qualidades respeitantes a vós que os distinguem dos demais. E por isso, quando sentem dor, sentem-na de uma forma mais profunda; e quando essa dor provoca danos, causa mais prejuízo. A vergonha que carregam corta fundo; a dor que sentem exige mais de vós. Não estão mais fracos, estão diferentes. Não são especiais (para o voltarmos a referir uma vez mais) são diferentes.
Por serem os cartógrafos algo é demasiado forte, demasiado vivo e exigente, demasiado belo, e a mágoa fere mais fundo, e a vergonha e a dor cortam fundo, e por isso não podem ficar parados, não podem sentir-se culpados e chamar a isso gratidão, nem podem ser complacentes e chamar a isso contentamento, contentar-se e chamar a isso satisfação. Precisam alcançar e alongar-se, e por conseguinte falamos uma vez mais de relacionamentos que funcionam, e do nível seguinte, de um novo nível que pode fortalecer, estabilizar e crescer, que pode sanar, reparar e substituir, que pode criar.
Também falamos de relacionamentos que funcionam por estarem preparados para se permitir curar, prontos para se permitirem cicatrizar; vós, e um vosso eu-próprio futuro algures na sua circunstância, de facto um futuro brilhante e belo. Vós e esse vosso eu-próprio futuro e o vosso Eu Superior manobraram-nos, posicionaram-nos, prepararam-nos para agora admitirem uma cicatrização que não teriam concedido a vós próprios antes. Vocês não podem simplesmente sair pela realidade consensual fora e ver alguém em dor e dizer:
“Adivinha a razão por que te encontras imerso na dor; ela deve-se ao facto de teres sofrido danos e precisares de curar esses danos; por isso, senta-te lá e vamos a isso…” (Riso)
Por precisarem estar preparados para o admitir.
“Podes não compreender nada disto, mas encontras-te preparado, vamos a isso – bang! – aqui está a cura! Que se passa de errado contigo?”
Isso não funciona meus amigos! Precisam manobrar-se, posicionar-se, preparar-se para então poderem admitir uma cura. Sanar o que os detém, sanar as resistências, sanar o temor, sanar as conclusões da negação, sanar os danos que tenha sido feitos nessa busca, nessa pesquisa subordinada ao relacionamento. Por se terem desenvolvido assim, por os relacionamentos serem parte integrante da realização, por serem cartógrafos e por se terem manobrado no preparo para a cura, estas são as razões porque esta noite falamos sobre relacionamentos funcionais, sobre a criação desse nível seguinte.
Estamos cientes de encararem a noite de hoje com uma mistura de emoções, e isso é triste, pungente. Alguns de vós temem colocar em risco o relacionamento que têm:
“Olha, por fim criei um relacionamento. Não me venhas pedir para fazer muitas ondas!” (Riso) “Eu não quero saber mais nada acerca do relacionamento por me querer agarrar àquele que tenho, seja ele tênue ou se ache consolidado; eu não quero perdê-lo nem colocá-lo em risco com mais informação.”
Outros de vós encaram esta noite com uma mescla de emoções por não quererem solucionar a ferida de se lembrarem do que perderam ou do que estão a perder, ou do que não têm. Sabemos que padecem de rasgões com a mágoa e a traição que sofreram. Sabemos que essa dor e traição provocaram estragos e um caos destruidor e que estão a sofrer e que se encontram em sofrimento. Até mesmo aqueles de vós que têm relacionamentos bem-sucedidos – e não pretendemos com isto diminuir o êxito nem sugerir o contrário, em absoluto – mas que se acha ainda (…) com a dor. Mas não tinha que ser assim; o relacionamento não devia ser tão árduo quanto se revela. Não devia ser tão assustador e doloroso, nem aterrorizante. Os apertos (nervos, aflições, tensão, ansiedade) do relacionamento…
A ternura do relacionamento deve-se à alegria e à felicidade e não traduz uma ternura que se deva ao temor potencial, à perda potencial, à dor potencial. A expectativa do relacionamento devia ficar a dever-se à indagação do quão mais irão tornar-se e não do quanto mais irá durar. (Riso) E não precisa ser assim. Não tem que ser tão árduo, nem doloroso ou aterrador assim. E a ternura pode vir da alegria e a expectativa pode traduzir-se pelo assombro do quanto mais possa vir a tornar-se. Podem permitir a cura, através da compreensão, por meio de um redireccionamento, por meio da magia. Podem permitir a cura, podem ser curados… Assim sendo, comecemos.
RAZÕES DA BUSCA
Com todas as relações que têm tido nas tentativas que empreendem, com todas as histórias de horror ou histórias pungentes que têm, com todas as tragédias que são do vosso conhecimento… Porque é que buscam um relacionamento? (Riso)
Vejam bem, os relacionamentos são árduos, sabem? São fonte de desapontamento, de desilusão e fonte de dispêndio de imenso tempo. Estão fadados à mágoa e ao desapontamento e vão criar confusão… Porque é que simplesmente não descartam toda essa ideia? Atenham-se a uma parcela da verdade que diz:
“Eu sou tudo quanto existe; eu crio tudo. Toda a gente não passa de um produto da minha imaginação, por isso, é para esquecer! As invenções da mente substituem-se! (Riso) Porque não abandonar toda esta ideia louca dos relacionamentos? Eles são árduos, dolorosos e aterradores, e eu já saí magoado e prejudicado, e já me vi devastado e arrependido…”
Porque é que procuram um relacionamento? E por mais que isso possa ser verdade, conforme sugerimos (que ainda passam) é como se tivessem que passar por isso, é como se precisassem…
“Ora, essa é uma pergunta idiota!”
Muitas vezes essa é a resposta que dão:
“Toda a gente busca um relacionamento!”
Sim, sem dúvida, mas porquê, porque é que pretendem criar um relacionamento?
“Bom, essa é uma pergunta idiota.”
Muito bem, então vamos lá fazer-nos de tolo. (Riso) Por existirem razões bastante inatas, inerentes, instintivas para tanto.
VIVACIDADE
A primeira razão que iremos empregar, a título de palavra-chave, é a da vivacidade. O relacionamento é onde demonstram que são reais e onde demonstram que existem e que causam impacto, e que possuem dimensão (comprimento, largura e profundidade) e que existem e funcionam no tempo e no espaço. É no relacionamento que provam ou demonstram o impacto.
Este compartimento possui um soalho, certo? O relacionamento que têm com o soalho, (bate com o pé) assenta num acordo, não é?
“Tu permaneces sólido e eu não caio por aí abaixo.” (Riso)
É assim que sabem que têm existência (bate de novo com o pé) O soalho está aí, e o mesmo acontece com as paredes, entendem? Como saberão que existem? Como o poderão provar? Pelo facto de causarem impacto, e pelo facto de funcionarem numa realidade tridimensional dotada de todas as três dimensões. Pois bem, isso é tudo quanto os relacionamentos traduzem, entendem? E a razão por que se esforçam em prole dos relacionamentos – e não estou aqui a referir-me ao tipo de relacionamento com um par, nem a alguém com quem dormir, alguém com quem passar a noite…
Vocês têm relações de trabalho e de camaradagem, relacionamentos com conhecidos, relacionamentos em grau diversificado de intimidade, alguns dos quais de cariz sexual, a maioria dotados de uma intimidade isenta de contacto sexual; vocês têm todo o tipo de relacionamentos, mas a razão por que os buscam deve-se ao facto de quererem demonstrar a vivacidade de que desfrutam e de quererem demonstrar que vivem e que existem. Querem causar impacto e o relacionamento – quer seja com objectos inanimados como o soalho ou a cadeira em que se encontram sentados, quer seja com o computador em que trabalham ou com as canetas e os lápis com que… mas com as pessoas, relacionamentos vivos e arejados em grau diversificado para demonstrarem que existem, que se encontram vivos e que são reais nesta ilusão que é o plano físico. E por conseguinte sempre buscarão relacionamentos, e se por mais razão nenhuma seja, para demonstrarem a realidade que os caracteriza, e o facto de existirem e de estarem vivos, e de causarem impacto e de possuirem dimensão.
INTEIREZA
A segunda razão, cuja palavra-chave é inteireza (integridade). Os relacionamentos é onde expressam e reflectem a vossa completude. Onde expressam e reflectem - usamos os termos de modo bem definido - onde expressam e reflectem, procedente de vós e de volta a vós próprios, a completude que os caracteriza. Falamos em seminários anteriores sobre as diversas facetas da personalidade: A da inocência, a da (…), a do guerreiro e a do educador, a daquele que busca a verdade e daquele que busca ser amado. Falamos do eu magistral e do eu mágico, assim como do destruidor e do criador; do sábio e do tolo. Doze faces distintas do ser, todas quantas se apresentam na totalidade, algumas das quais são negadas e empurradas para o inconsciente, para a personalidade sombra. Elas fazem todas parte da vossa totalidade, e é no relacionamento que expressam e reflectem as várias facetas que conhecem e as facetas que não conhecem, aquelas de que se dão conta e as que não percebem.
É através do relacionamento que procedem ao trabalho da integridade com a vossa sombra, e consequentemente buscam a totalidade e assim como buscam a vivacidade buscam igualmente o relacionamento, por constituir a área em que essa expressão e esse reflectir ocorrem.
INDIVIDUALIDADE
A terceira palavra-chave: Individualidade. Ao mesmo tempo que buscam a totalidade e tornar-se parte do todo também buscam em simultâneo a independência (autonomia), assim como a singularidade e a individualidade. O relacionamento é a área em que expressam e reflectem a vossa individualidade. É onde integram o vosso Eu real. O vosso Eu real existe no mundo real, mas isto não passa de uma ilusão, e para manifestarem alguma coisa aqui precisam trazer a realidade à ilusão, ou o processo do agir a que se chama integração - trazer o real à ilusão. Vocês são um ser real; têm uma parte de vós que é completamente esplendorosa, completamente potente, completamente maravilhosa, completamente afortunada, e a maneira de obterem essas partes é por intermédio da integração - trazer o real à ilusão. E onde é que conseguem isso? Nos relacionamentos. Nos relacionamentos expressam e reflectem a vossa individualidade e a vossa singularidade.
Muitas vezes as pessoas dizem que algo vai mal nos relacionamentos por estarem em desacordo, mas nós sugerimos que, se não existisse desacordo, então algo iria mal por alguém dever estar a comprometer os seus valores em função de um proveito; alguém não estará a expressar ou a reflectir a sua totalidade, alguém estará a deixar de expressar ou de reflectir a sua individualidade, por serem todos únicos e se diferenciarem uns dos outros. Não estamos a dizer que precisam guerrear nem que precisam magoar. Não estamos a dizer que têm que se prejudicar uns aos outros, não, em definitivo. O que estamos a dizer é que venha a existir conflito, e que se não existir conflito alguém estará a vender a sua individualidade ou a sua totalidade ou a sua vivacidade ao desbarato; alguém deverá estar a vender todas essas três partes ou parte delas e como tal não deverão encontrar-se numa relação bem-sucedida, e o relacionamento que tiverem não resultará.
Mas não estamos a dizer que o conflito suceda a toda a hora, nem todos os dias; poderão passar-se semanas ou meses sem que se apresente qualquer conflito, mas se disserem que não, que não apresentam diferença alguma e que sejam exactamente iguais, e que têm uma mesma imagem, alguém estará a vender-se ao desbarato. Por ser nos relacionamentos que expressam ou demonstram a vossa vivacidade, onde expressam e reflectem a vossa totalidade, onde expressam e reflectem a vossa individualidade. É isso que acontece nos relacionamentos, é isso que eles são, e vocês automática e instintivamente tentam sempre demonstrar a vossa existência - faz parte de vós - reflectir e expressar a vossa totalidade, expressar e reflectir a vossa individualidade. E por buscarem constantemente isso, sempre procurarão um relacionamento - não obstante o quão doloroso ou destrutivo tenha sido no passado - vocês sempre irão atrás dele. Não importa quão bom seja, vão sempre em busca de mais - não necessariamente mais em termos de quantidade mas de profundidade, por causa desses factores.
TORNAR-SE MAIS
E no caso do quarto factor, vamos empregar a palavra-chave (ou etiqueta) do tornar-se mais. Há uma ânsia que se torna presente na energia; já falamos disso quando nos debruçamos sobre a evolução da consciência que decidiu tornar-se física. Vocês não decidiram simplesmente assumir a qualidade física e de repente passaram a ter um corpo físico; primeiro vieram na qualidade de energia, energia bruta. E essa energia bruta deseja tornar-se mais, razão porque a energia em bruto se torna pensamento, e energia do pensamento, unidades de consciência se quiserem, que por sua vez ao desejarem tornar-se mais se tornam partículas, neutrinos, quarks, charms, várias dessas partículas subatómicas que buscam atingir esse estado em que se tornam electrões ou protões, e de seguida tentam alcançar o estado do átomo e depois uma molécula e uma célula, para posteriormente passar a fazer parte de um mineral e de uma planta e em última análise do reino humano, para continuar a tornar-se mais, tornar-se sucessivamente mais. Isso corre-lhes nas veias, gente! E dá-se ao nível das vossas células e dos electrões e protões dos átomos dessas células - o desejo de se tornarem mais do que são. Esse desejo de se tornarem mais vós próprios é-lhes inato e é-lhes inerente e acha-se em cada molécula do vosso próprio ser, na vossa energia bruta, no vosso campo de energia, no campo da vossa aura; tem lugar aí:
"Eu quero tornar-me mais."
E essa ânsia de se tornarem mais...
Por ser através do relacionamento, através da relação que se podem tornar mais. Sim, dão início à "comoção," por meio da noção de existirem e de causarem impacto, e a seguir, por intermédio da integridade e da individualidade que os caracteriza, decerto que se tornam mais daquilo que são. Mas chega uma altura nessa "comoção," nessa busca por se tornarem mais, em que precisam estar num relacionamento; não personalizado, nem de carácter sexual, mas precisam ter um relacionamento. Já terão ouvido a frase:
"Precisam perder-se para se descobrirem a sério."
É verdade! (Riso) Assim que obtêm a noção de existir, assim que realizam o sentido da individualidade e obtêm a integridade precisam estar dispostos a abrir mão disso tudo para se encontrarem de verdade. O vosso Eu real (identidade) existe para além da totalidade, para além da individualidade, para além da existência. O vosso Eu real existe na partilha, na perda da vossa identidade, na partilha que constitui o relacionamento. Perder a vossa identidade para descobrir o vosso eu real. E é no relacionamento que isso sucede e em nenhuma outra parte. Não podem chegar-lhe daqui, excepto atravessando a ponte do relacionamento, e vocês possuem um conhecimento inerente disso, as vossas células sabem disso, o tutano dos vossos ossos, cada folículo dos vossos cabelos; vocês sabem disso, e consequentemente, não importa o quanto afirmem o contrário, sempre buscarão o relacionamento. Por causa do tornar-se mais do que são.
UNIÃO
Em quinto lugar, a palavra-chave "conjuntamente." Há mais do que uma ânsia para se tornarem mais, há toda uma incitação, uma instigação ao nível das entranhas para criarem em conjunto. Por mais que o chauvinismo do vosso mundo tenha negado tal instigação, e por mais que esse chauvinismo tenha referido ser errado, suplantar isso em conjunto, quer com base numa escolha inevitável ou divisão exclusiva entre duas alternativas apenas, ou no suplantar disso com base na autoridade singular, há em vós uma instigação inerente para o fazerem em conjunto.
A energia de que tratamos em vários seminários, a existência em primeiro lugar da energia da Deusa - esse espaço que precisa existir antes que tudo o mais possa ser criado - a energia da Deusa existe no singular e a seguir e de imediato o primeiro acto foi o da criação de Deus. E a Deusa criou Deus por não ter qualquer desejo de ser a única autoridade. O desejo que Ela tem é o de cooperar e o de trabalhar em conjunto. Assim, a Deusa criou Deus para que em conjunto pudessem criar Tudo Quanto Existe. Agora; esse padrão original acha-se dentro de cada um de vós. Por mais que façam uso da retórica e vivenciem a realidade da autoridade única, existe um desejo ardente para o fazerem em conjunto; para reproduzirem fielmente esse macrocosmos no vosso microcosmos, para o criarem em conjunto, e desse modo sempre buscarem o relacionamento.
Em sexto lugar, e a palavra-chave a empregar é "amor." É através do relacionamento que expressam e reflectem o afecto, a intimidade, a preocupação que sentem, e que conduzem essas abstracções à manifestação e essas qualidades à acção. Senão vejam:
"Eu amo-te, eu amo-te, eu amo-te, eu amo-te este tanto: um alqueire e um beijinho. É esse o amor que te tenho."
Mas isso não é suficiente, precisam manifestá-lo, precisam demonstrá-lo (não prová-lo) demonstrá-lo, expressá-lo, traduzi-lo por actos, torná-lo real em meio a esta ilusão, emprestar-lhe impacto e dimensão. E é por meio do relacionamento que transmitem ao amor, à intimidade e ao afecto que sentem expressão, dimensão, impacto, realismo. E por sempre quererem demonstrar o amor a intimidade e o afecto que sentem é que sempre buscam o relacionamento.
ALMA
E por fim, o termo a empregarmos é "alma." O relacionamento constitui uma das formas mais elegantes de cuidarem da vossa alma. A coisa que a vossa alma mais preza é o amor; essa é a sua ementa mais rica - ela é viciada nele. É dependente do amor, sem sombra de dúvida. Adora o amor - quanto mais amor melhor. E assim, com relacionamentos que demonstrem tal amor, esse trabalho votado à união, isso é-lhes acrescentado à individualidade, e à integridade e à vivacidade, agrada à vossa alma, faz-lhe cócegas, inflama-lhe o êxtase e como tal, a razão por que buscam relacionamentos é por constituir a forma mais elegante e mais satisfatório de cuidarem da vossa alma.
E tais razões: Vivacidade, inteireza, individualidade, tornar-se mais em conjunto, amor e alma - é em função delas que sempre buscarão o relacionamento. E é por isso que toda a consciência, toda a consciência - desde a energia bruta até à energia mais espiritualizada de todas, de Deus, da Deusa, do Todo - busca continuamente o relacionamento. Por Deus buscar a vivacidade, a inteireza, a individualidade, o tornar-se mais, a união, o amor e a plenitude da alma, tal como vós, tal como o seixo e a pedra da calçada na consciência que têm - muito mais primitiva e simples, certamente - mas essa é a qualidade que lhes é inerente e a que não se podem furtar. Sempre buscarão o relacionamento pelas razões enumeradas - não pelo sexo, nem pela companhia, por poderem obter essas coisas noutra parte qualquer, se realmente as quiserem. Mas por tais razões. É por isso.
Ora bem; se tais razões são tão inerentes, se fazem parte de vós de tal modo que não precisam ter consciência delas para que isso suceda, então porque razão é tão difícil? (Riso) Examinemos agora o reverso da moeda. Se é tão difícil, porque diabo continuam a tentá-lo?
Por essas mesmas razões.
RESISTÊNCIAS
RECEIO
Mas se o fazem por tais razões, então por que diabo é tão difícil consegui-lo? Já abordamos isso e não vamos desperdiçar muito tempo, mas lembrar-lhes por breves trechos que já abordamos a resistência. Conforme recordarão aqueles de vós que passaram por aqui, a resistência assemelha-se a uma ansia e a um desejo prolongado, ou então terão saído tão magoados da busca que terão desistido e alterado a ideia que tinham, e dito não ser possível e que não podia ser conseguido. Por conseguinte, por mais que o tenham desejado por tais razões, terão resistido, por recearem a dor, por recearem a mágoa, por recearem o fracasso, por se terem convencido de que sucederia. Essa é uma das resistências.
MITO CRIADO
Outra consta de acreditarem no mito que fazem do relacionamento.
Já sofreram mágoa e desilusão com os relacionamentos que tiveram; já sofreram rejeição, humilhação, abandono e traição. E isso fere; e quando fere agarram-se a uma anestesia, ao martírio porventura, à vergonha, à negação, às distrações de todo o tipo, mas muitas vezes e com bastante frequência agarram-se à racionalização, ao romance, à explicação que os afasta da experiência; à justificação. E criam um mito relacionado com os relacionamentos:
“Poderá não ser com toda a gente mas pelo menos é o meu mito. Os relacionamentos nunca dão certo; sempre saímos prejudicados. Os homens sempre farão isto, as mulheres sempre farão aquilo. Simplesmente não podem resultar. Os relacionamentos não podem ser conseguidos. Talvez no passado, com os valores da família que prevaleciam, mas o mundo acha-se demasiado…” (Riso)
Criam essa novela ou justificativa, essa explicação racionalista do porquê de saírem tão prejudicados como uma forma de suavizarem a dor, como um bálsamo, como uma pomada que afaste a queimadura, que afaste a mordedura. Mas o problema está em ficarem viciados nisso, o problema está em chegarem a acreditar que seja verdade, e consequentemente, por mais que o queiram, está em resistirem, por acreditarem no vosso próprio mito negativo.
ACOMODAÇÃO
Uma outra resistência deve-se a que tenham outros interesses que desejam mais, pela rama.
“Prefiro falhar e queixar-me e sentir autocomiseração e controlo e justificação (as manipulações que uso…”
E reivindicar na qualidade de titular, os castigos e esses tipos de agenda com que dizem querer um relacionamento, só que desejam mais essas coisas, as agendas secretas. Mas por vezes a resistência deve-se ao temor que têm da "magia."
“Pois, eu preferia ter um relacionamento dotado de um companheirismo e de partilha sexual, e podia sentir-me satisfeito com isso…”
Não haveriam de sentir não, porque aquilo de que andam verdadeiramente atrás é da magia.
“Claro, bem o sei, mas a magia deixa-me assustado, e por isso resisto ao relacionamento. Resisto à espontaneidade, resisto à despreocupação, resisto à perda do controlo; temo a magia.”
Essa é a resistência.
PERFEIÇÃO
Uma outra resistência assenta na exigência de perfeição. A perfeição constitui a antítese de uma relação funcional; a perfeição consta de uma melhor repetição do que terá sido feito.
“Como poderei ter um relacionamento contigo se acabamos de nos conhecer? Como conseguirei criar o que já tiver sido feito? Deveremos tornar-nos nalguma outra pessoa nesta busca que empreendemos pela inteireza e pela individualidade? Iremos imitar alguém?”
Isso não resulta! A perfeição constitui a antítese, por constituir o que alguém já terá feito, só que conseguindo-o melhor. E o relacionamento não é isso em absoluto. E assim, se buscarem essa perfeição…
CINISMO
Uma outra resistência, será talvez mais correctamente referida em termos que ultrapassam a perfeição, a resistência ao simples facto de ser demasiado doloroso, e de não quererem ser levados na conta de tolos nem de estúpidos, e assim de se agarrarem ao cinismo ou ao cepticismo e dessa forma resistirem, uma vez mais por temerem fazer papel de parvos. São diversas as resistências, conforme referimos no passado, e nós detalhámo-las de uma forma muito mais completa quando mencionamos isso há um ano atrás. Mas é isso que torna a coisa tão árdua e difícil, essas resistências.  
Há dois anos atras falamos acerca das linhas de fundo – não da vossa vida, mas da criação de relacionamentos. O que representará a linha de fundo do “Porque não?” Mencionamos coisas como o merecimento e a decisão, a decisão absolutamente manipulativa ou genuína de não merecerem. Tem que ver com questões de poder, quer visto como controlo quer visto como a possibilidade do relacionamento lhes sugar ou esgotar os fluídos vitais, recordam? (Riso) Em consequência do que venham a sentir-se enfraquecidos caso mantenham um relacionamento, e venham a precisar ser fortes e autoconfiantes e independentes, e assim questões associadas ao poder e à autoestima, à fraca autoestima, por não sentirem ter direito, e por não poder operar a vosso favor. Questões ligadas à própria natureza da intimidade:
“Eu adoraria ter um relacionamento, mas não de carácter íntimo, entendes?” (Riso)
Mas infelizmente ambos esses componentes andam de mãos dadas, pelo que negarão o relacionamento e não se permitirão ter nenhum.
NEGATIVISMO
Ou por causa da imagem, por se encararem como perdedores, por se verem como alguém que nunca encontra amor, e verem que se encontram sozinhos no mundo. E é todo esse género de coisa que se intromete no caminho que os impede… Tem que ver com a maneira de conhecer; há basicamente duas maneiras de conhecer - através do amor que sintam por alguém, ou por meio da dor que inflijam a alguém. Ou sendo amados ou pela dor que lhes seja infligida, mas seja como for a dor é menos ameaçadora – não é menos dolorosa mas menos ameaçadora.
Além disso, por também não quererem parecer necessitados, não é?
“Eu não quero necessitar; cruz-credo!”
Mas nos relacionamentos desenvolvem a necessidade, a preferência de necessitarem, que faz parte do que compõe o relacionamento. Uma vez mais, falamos longamente acerca disso, e estamos unicamente a revê-lo por alto por não querermos repetir seminários anteriores e por querermos avançar para aquilo que bem poderão não perceber. Essas coisas já vocês aprenderam e já fazem parte do vosso conhecimento e pelo amor de Deus, já as experimentaram. Mas, que é que o torna tão doloroso e consequentemente tão árduo, que possam ainda não conhecer?
GRAVIDADE
A primeira razão, cuja importância não podemos realçar o suficiente, a importância que tem na compreensão deste problema particular, deste fenómeno particular que torna os relacionamentos tão difíceis e tão dolorosos, tão assustadores, tão aterrorizantes e tão aparentemente impossíveis, a primeira razão está na distorção e no peso que aplicam ao significado, à motivação, à fundação dos relacionamentos. O peso e a torção a que submetem o sentido, a motivação, a fundação do relacionamento. E aquilo que queremos dizer é o seguinte: Com demasiada frequência procuram com que o relacionamento os torne vivos, em vez de expressarem a vossa vivacidade.
Procuram o relacionamento com o outro, seja ele um companheiro íntimo ou um amigo ou no trabalho, numa parceria de um tipo qualquer, procuram com que isso os torne vivos e com que os leve a ter existência, em vez de tentarem expressarem ou demonstrar no relacionamento o que já representa uma verdade:
“Eu sou real, e demonstro-o por meio do impacto que causo e da dimensionalidade que tenho no relacionamento que tenho contigo.”
Isso será o que é suposto ocorrer, mas se disserem que não, que não têm vivacidade, que não existem, e que o vosso companheiro lhes deverá trazer vida e fazer com que existam, e que lhes deva dar profundidade e dimensão e tornar a vossa vida digna de ser vivida e que os devam levar a ter vontade de se quererem levantar pela manhã e de se deitarem pela noite, e que precisam torná-los vivos… Se tiverem uma agenda dessas, se o distorcerem e atribuírem um peso desses ao significado e à motivação, à fundação do relacionamento, e esperarem que lhes tragam vivacidade em vez de a demonstrarem no relacionamento…
INTEIREZA
Se esperarem que o relacionamento lhes venha a criar a inteireza ao contrário de a fazerem reflectir e de a expressarem - prestem atenção aos termos que empregamos, expressar e reflectir - não dissemos criar essa inteireza! O relacionamento não é que lhes cria a integridade; ele pode expressá-la e reflecti-la, mas se abordarem o relacionamento de uma forma retorcida e com um peso tal que esse relacionamento seja suposto torná-los íntegros ou torná-los homens, na energia inerente à vossa vontade ou à acção; se procurarem com que o vosso companheiro lhes traga sentido à vida – seja qual for a preferência sexual que tiverem – se procurarem que o vosso companheiro lhes traga sentido à vida e lhes traga compreensão ao viver, e se procurarem com que o parceiro os torne um homem íntegro, completo...
Se a mulher, dotada de imaginação e de sentimentos, procurar com que um homem ou outra mulher lhe traga concepção e percepção, sentido e importância por meio do relacionamento… Se procurar que outro homem ou outra mulher faça de si uma mulher, e estiver à espera que a sua completude seja criada com tal relacionamento (coisa que não poderá acontecer, por poderem expressar e reflectir a integridade do vosso ser ou a falta dela, mas não a poderem criar) e se distorcerem e estiverem à espera que o relacionamento venha a torná-los num todo e que lhes venha a criar inteireza, esse relacionamento virá a tornar-se terrivelmente doloroso.
"Não sou ninguém, a menos que tenha um marido,"
É, infelizmente, o que muita vez as mulheres dizem, e vocês vêm isso, e ouvem falar disso.
"Tenho um emprego fantástico, uma carreira com que ganho montes de dinheiro, tenho casa própria e carro próprio, tiro óptimas férias, faço tudo isso, e tudo isso é maravilhoso, mas não quer dizer nada por eu não ter um relacionamento com um homem. Estou à espera que ele me complete."
Isso não pode ocorrer. Jamais ocorreu! Quando procuram fazer com que o relacionamento os complete isso é distorcer e sobrecarregar o relacionamento.
Em terceiro lugar, quando tentam que o relacionamento lhes crie a individualidade, e lhes crie a singularidade, em vez de a expressarem e reflectirem - coisa que o relacionamento fará ao extremo!
"Não, não, eu não quero isso. Eu quero criar a minha individualidade; criar aquela que sou. Sou a mulher de fulano ou beltrano. O meu marido é uma figura importante! Sou a senhora de tal." (Riso) "Por conseguinte isso torna-me poderosa e importante e especial, por estar apegada a ele. Sou dele. "
"Ela é minha posse. É a minha boneca, que com frequência exponho para fazer espectáculo aos outros, enquanto me faço de macho, e imponho um certo adestramento (riso). Bem sei que estamos num restaurante ao invés de um ringue de cavalos, mas é a mesma coisa. Olha-lhe o dente. (Riso) Olha-me aquelas ancas. Olha para aquilo! Olha a altura que tem, não? Olha-me a definição destas curvas! É uma raça pura! Quanto lustro! Sim, é uma raça pura, E eu levo-a desfilar. E toda a gente dirá que sou especial por ter uma brasa destas.” (Riso)
Exageramos, mas infelizmente não muito. (riso)
“Não podes pôr um outro aspecto, assim deixas-me envergonhada. Que é que as pessoas vão pensar de mim?”
“Eu não quero saber do que pensam de ti!”
Uma resposta dessas infelizmente encontra-se muito presente.
“Tu crias-me a individualidade!”
Mas não vai funcionar. Só que estão a contar que sim, o que consiste numa distorção e num peso. Esperar que um relacionamento os torne mais naquilo que são, mas que os torne melhores do que os outros. Em vez de descobrirem mais de vós próprios tentam tornar-se melhores tornando-o num traço de ego.
“O que quer que ela tenha a apresentar, não faz mal, por eu ter um relacionamento. Pelo menos eu tenho um marido, ou uma mulher, e por isso, eu sou melhor, sou superior – só pelo facto de o ter.”
Mas é por isso que tanto é suprimido para o terreno do secretismo, não é?
“Que é que as pessoas irão pensar? Tenho-a usado como fonte de superioridade todo este tempo e agora desistir significa que não sou melhor. E isso não estou disposto a fazer.”
Quando esperam que o relacionamento os torne melhores que os outros, ao invés de descobrirem ou de os tornar mais, isso distorce e sobrecarrega, e torna-o doloroso e árduo, impossível. Quando o suportam pela autoridade singular, pela escolha condicionada em termos de uma coisa ou outra, em que não se trata de o fazerem em conjunto mas da liderança de um ou do outro; envolve um combate em que avaliam quem está no comando, quem dirige o espectáculo:
“Qual de nós cederá ao outro? Eu não vou ceder a ti! Eu tenho que estar no comando! Eu não posso ceder a ele; preciso estar no controlo.”
Um por meio da intimidação e o outro por meio da manipulação, independentemente do sexo que escolherem, mas seja como for, um por meio da intimidação e o outro por meio da manipulação; um pela passividade e o outro pela agressividade. Não no sentido de o fazerem em conjunto.
“Fazê-lo ao meu modo!”
“Tudo bem, fazemo-lo à tua maneira. Mas só desta vez. Mas da próxima fazemo-lo à minha maneira.” (Riso)
“Fizemo-lo à tua maneira das cinco últimas vezes, agora preciso fazê-lo com quero.”
“Quando é que o faremos em conjunto?”
“Nunca!” (Riso)
Por ter que ver com a autoridade exclusiva, por ter que ver com a escolha condicionada, e se isso não estiver no comando, então passará a estar.
"Se eu não estiver no comando, se não estiver no controlo então terei que manipular ou serei manipulado."
Assim, aderem à autoridade exclusiva e esperam que o relacionamento não sirva de mostruário da vossa autoridade exclusiva!
"Um homem é quem manda debaixo do seu tecto. O que quer que possas ser lá fora, aqui quem manda sou eu!" (Riso)
Está fora de moda, mas acha-se enraizado. Não tem que ver com ambos mas com quem está no comando; com a criação do "De modo a poder ficar no comando." A autoridade exclusiva. Escolha condicionada. Mas quando isso sucede, então o que é inato sai distorcido. Quando procuram com que o relacionamento lhes transmita amor, intimidade, carinho, em vez de o darem e de o receberem. Obter é diferente de receber. Quando tentam com que o relacionamento lhes transmita amor, e anseiam por que alguém os ame, e pretendem que alguém cuide de vós (riso) alguém que tenha intimidade convosco, em vez de alguém a quem possam dar amor, carinho, intimidade, e de quem o recebam...
"Não, não quero receber nada disso nem o quero dar, quero obtê-lo; é isso que pretendo de um relacionamento."
E muita vez, muito embora possam não pronunciar as palavras, é isso que querem dizer.
Não: "Eu quero dar amor."
"Mas eu devo é obtê-lo! E em muito mais larga escala do que o que dou! Tenho um prestígio a manter! E quanto muito deve ficar metade a metade."
Mas na verdade devia ficar rondar os cem por cento. Deviam dar a cem por cento.
"A sério? Cem por cento?"
Sim. Num relacionamento dão a cem por cento.
"Mas então quando é que chega a nossa vez?"
Quando estiverem dispostos a receber, a cem por cento. Mas não resta lugar para a obtenção! Dar a cem por cento, e dispor-se a receber. Não há posição alguma a manter, não existe livro-razão num relacionamento que funcione. Bem sabemos que em muitos relacionamentos existem muitos livros de contabilidade, muita contabilidade a apresentar, tipo:
"Aquilo que fiz por ele," (riso) "O que eu fiz por ela."
Uma vez, funciona no caso de ambos os sexos. Mantêm um registo.
“Por andar a tentar que este relacionamento me traga amor, e seja qual for a medida em que eu o der, será motivado pela ânsia da sua obtenção. Eu não o dou por dar...”
Vejam bem, quando o dão não... De facto é suposto não envolver esforço:
"Olha, eu dei, por isso..."
Não. Isso não passa do modus operandis que utilizam para o obterem. Mas quando se voltam para um relacionamento em busca de amor, em busca de intimidade, em busca de carinho (por estarem com falta dele, ou não disporem de carinho suficiente) isso sai distorcido, sobrecarregado e é destrutivo.
E por fim, quando procuram que um relacionamento lhes dê substância, alma, em vez de um modo de cuidarem da alma que já têm... Quanta vez já não terão ouvido as pessoas dizer:
"Precisas assentar. Precisas ter um relacionamento. Precisas dar à tua vida substância. Quero ter um relacionamento de modo a poder assentar; para que a minha vida possa ter substância, um tipo qualquer de direcção, um tipo qualquer de propósito…”
Para além do propósito de criarem mais sucesso ou de criarem mais amigos ou uma maior felicidade. Não:
"Eu careço de uma maior substância; preciso de uma orientação qualquer; preciso de alguém com quem me fixar; de alguém que me endireite e me dê alma. Quer por eu achar que não tenha nenhuma ou por eu acreditar que não exista tal coisa. Não cuido da minha alma; estou à espera de obter alguma alma, ou algum sentimento profundo, alguma emoção profunda, substância.”
Mas isso deforma e distorce o significado e a motivação, a fundação. Faz abortar a razão inata da busca do relacionamento. E não só a torna árdua como a torna dolorosa.
As resistências que movem, sabem...
"Por ter sido doloroso no passado, não sei bem se o quero. Por eu acreditar na minha própria agenda ou no próprio mito que crio, ou por ter os meus interesses, ou por a magia me deixar aterrado, as formas de resistência são como se soubesse que vai provocar queimaduras..."
As resistências podem torná-lo árduo, mas não tornam o relacionamento efectivo necessariamente doloroso. Até mesmo a conclusão da falta de merecimento ou de autoestima torna-o incrivelmente árduo para alguns de vós; mas não o torna necessariamente doloroso. Pode tornar, com certeza.
Mas essas duas, as resistências e as negações conforme lhes chamamos; as resistências e as conclusões de negarem relacionar-se tornam-no verdadeiramente difícil senão impossível e faz com que não tenha lugar. Mas não é doloroso; talvez se revele frustrante, mas não necessariamente doloroso. Pode ser, mas não insiste. Já a distorção e o peso que agregam ao significado e à motivação e à fundação - isso não só o dificulta como o torna absolutamente doloroso. Quando se esforçam por que um relacionamento os torne reais, ou por que lhes traga integridade ou individualidade ou superioridade, ou o tornam arena em que exercem a autoridade suprema, isso provoca estragos. Quando esperam obter amor, intimidade, carinho e substância ou alma, então sempre se revelará difícil e doloroso, e em meio à dor que gera, destrutivo.
“Bom, eu conheço um casal que está junto há…”
O que não quer dizer que tenham um relacionamento. Podem fazer partilha de espaço comum, o tempo e o espaço podem sobrepor-se, mas eles não. E estão em sofrimento. E estão a ser prejudicados, e estão até mesmo a destruir-se. E torna-se duro, por uma parte qualquer deles sentir anseio, ânsia por demonstrar que estão vivos, ânsia por expressar e reflectir a integridade, por expressar e reflectir a sua individualidade, a exortação o anseio por se tornarem mais eles próprios, por se tornarem reais. Esse anseio por o conseguirem em conjunto, por expressarem e reflectirem e demonstrarem o amor, a intimidade o carinho que sentem, para cuidarem da sua alma. E isso é-lhes negado, é sepultado, e fenece. Quando essa distorção sufoca o que é verdadeiro com aquilo que não o é, é o primeiro de que poderão não ter consciência, que poderá ter-lhes passado desatendido.
A segunda razão porque se torna árduo e doloroso, deve-se à negação, ou à desvalorização da magia. As relações são deveras incríveis, entendem? São tão incríveis e mágicas, tão completamente fantásticas devido às expressões, reflexos, demonstrações e devires genuínos e inatos. Mas quando lhes negam o valor, ou quando as desvalorizam, a magia que comportariam, então tornam-se árduas, dolorosas e prejudiciais. Mas aquilo que queremos dizer com tal desvalorização e negação, o terror de o perder… Sabem, se realmente admitirem a importância da relação, aí irá apenas fazer sofrer alguém ainda mais, e a hipótese de o perderem irá tornar-se verdadeiramente assustadora.
Mas nem sequer a criaram, desde logo. Se admitirem o quanto de fantástico, de belo, de importante, de incrivelmente essencial as relações têm, irá tornar-se absolutamente aterrorizante, porque se criarem uma relação assim e de pois a perderem, o vazio, a superficialidade, a falta de sentido que a vida assumirá, o sentido pleno de dúvida, não de suspeita mas de dúvida de si mesmo, o desespero, a depressão, a completa falta de mérito e de valor, a perda da espiritualidade revelar-se-á simplesmente aterradora e demais. Preferirão dizer:
“Ah, relacionamentos? É pegar ou largar. Não necessites deles. É bom, sabes, mas não é assim tão importante.”
Reconhecidamente não estamos a dizer que seja um encontro, nem alguém que arranjem para dormir, porque isso envolve apenas um pequeno segmento do relacionamento. Mas gente, é essencial ter relacionamentos íntimos, absolutamente. E embora os possam absolver por não terem nenhum, nós não vamos ser manipuladores a ponto de dizermos pronto, pronto, não faz mal. Porque faz.
Precisam de intimidade na vossa vida. E os relacionamentos de carácter íntimo não precisam ser de cariz sexual, nem precisam ser com o sexo oposto; pode muito bem envolver a intimidade entre dois homens ou entre duas mulheres, e nada tem que ver com as preferências quanto ao género que queiram ter na cama. Mas intimidade com o vosso Eu Superior, a relação com Deus, com a Deusa, com o Todo constitui uma forma de intimidade. Não dissemos que precisava ter carácter físico. Mas para o efeito pode ser físico só que precisa estar presente. Mas devido ao terror de o perderem preferem desvalorizá-lo dizendo:
“Muito obrigadinho.”
Ou:
“Prefiro descrevê-lo como uma situação de pegar ou largar; talvez seja indicado para alguns mas não para toda a gente. Eu consigo passar com ele ou sem ele, não importa.”
O que não passa tudo de um monte de mentiras.
“Pois sim, mas caso eu admita a verdade…”
Talvez seja doloroso, mas nesse caso poderão fazer alguma coisa relativamente a isso. Mas se negarem a sua verdade, simplesmente por poderem temer que seja doloroso, poderão garantir em absoluto que venha a sê-lo. Admitir a verdade poderá ser penoso mas será penoso de certeza se perpetuarem a mentira, se desvalorizarem e negarem a magia do que traduz um relacionamento. E a razão por que o fazem não se deve ao facto de ser mau nem errado, não se deve ao facto de serem as lesmas do cosmos, não é por envolver a “natureza humana,” mas por terem tanto medo de o perder, “se eu o criei!”
A segunda forma de desvalorização procede do próprio chauvinismo. Por terem sido orientados e criados, uma vez mais, não devido a que fique a dever-se à natureza humana. Não é verdade, entendem? A natureza humana básica consiste em amar – essa é a natureza humana. A natureza humana plasma-se na busca e na criação de relacionamentos admiráveis. Isso é a natureza humana, por ter cabimento nessa natureza humana a demonstração da vossa vivacidade, reflectir e expressar a vossa totalidade, reflectir e expressar a vossa individualidade, tornar-se mais do que realmente são, trabalhar em conjunto, demonstrar e reflectir e expressar o vosso amor e cuidar da vossa alma – isso é a natureza humana. Natureza humana consiste não só na busca como na concretização de relações, mas devido à dor potencial as pessoas desvalorizaram isso e nesse estado de desvalorização declararam constituir a feição da natureza humana - os seres humanos são burros, estúpidos, maldosos, ruins, e uma vez deixados à sua sorte ver-se-ão infelizes. Mas deixados à sua sorte amarão e terão relações amorosas. É o que vocês fariam.
É reconhecido que nós temos muito mais fé na natureza humana do que a maioria das pessoas têm. Mas, também, nós não fazemos parte do baralho! E conseguimos vê-lo por aquilo que são com muito mais facilidade do que por vezes vocês conseguem ver-se, pelo que compreendemos a razão por que “embarcaram” na propaganda, embora não nos conformemos a isso, com a desvalorização e a negação da magia do relacionamento, através do chauvinismo, que aponta a autoridade única, ou as alternativas condicionadas do assim ou assado, que negam o feminino, negam a alma e negam a espiritualidade. Isso faz doer o coração, por causa do terror do:

“E se eu o perco? E se eu o perco? E se eu deixar a minha natureza humana funcionar e criar relações maravilhosas e fantásticas tanto de natureza íntima como de outra que não íntima? E depois perder isso? Isso deveria ser de tal modo horrível que desvalorizaria e negaria a magia do que compõe as relações.”
Em terceiro lugar: Usar as relações com um recreio do vosso ego negativo. Usar a relação como um parque infantil para exercitarem a licença que tenham para controlar, ou para se martirizarem. Usar as relações para desenrolarem os vossos dramas e os vossos melodramas. Isso desvaloriza a magia, além de ser o que também a torna tão difícil e dolorosa.
“Quando uso esta relação e a pessoa que a compõe seja íntima ou não íntima, no trabalho, numa parceria qualquer – a intensidade não tem importância; se eu a usar para representar o meu ego negativo, para os meus dramas e melodramas, para o meu martírio, para o meu controlo, para a minha autocomiseração, para desenrolar o meu lixo, então terei desvalorizado a magia do relacionamento e consequentemente tê-lo-ei tornado doloroso, difícil, repleto de medo, de dificuldade e luta.
E por fim, dentro dessa categoria, a profundidade da imaginação, e por arrasto do misticismo e da própria magia, que fluem através da imaginação. Quando a imaginação fenece, os relacionamentos tornam-se inerentemente mais difíceis e mais dolorosos. Esses quatro componentes formam toda uma arena. Mas outra é quando desvalorizam ou negam a magia. Por causa do terror, por causa do chauvinismo, que nega a alma e a espiritualidade, e o feminino. Por usarem disso e não por aquilo a que se destinam, mas enquanto parque infantil para os vossos jogos. E por causa da profundeza da imaginação, e consequentemente a profundeza da magia e do misticismo. Isso torna-os tão mais árduos e dolorosos! E essa é a segunda arena.
A terceira arena, e esta muitos de vocês não consideraram – estamos cientes disso – a que num certo sentido chamos os problemas do paradigma. Os problemas do paradigma. O paradigma é a estrutura em cujos limites vivem. Mas a vossa realidade consensual, a realidade de que fazem parte, é definida pela Física Newtoniana e pela Filosofia Cartesiana. A Física de Newton, que é uma física mecânica, composta por bolas de bilhar, causa e efeito, acção e reacção. E a Filosofia Cartesiana, a filosofia de René Descartes, composta pelo:
“Eu penso, (a impenetrabilidade da minha mente) por conseguinte eu existo.”
Essa é a parte capciosa, mas aquilo em que a sua filosofia basicamente implicava era na impenetrabilidade do indivíduo, o ego é tudo, e tudo o mais não passa de ilusão. Tudo mais é menos significativo ou não tem sentido ou ilusório.
Este foi o paradigma que lhes foi imposto, agressivamente imposto, tiranicamente imposto. O facto de ser incorrecto é de menor consequência para a maioria. Mas o que também é verdade relativamente a este paradigma, é que nem Newton nem Descarte, mais os filósofos Cartesianos subsequentes, em nenhum desses modelos há lugar para o relacionamento. Não contém espaço para aquilo que o relacionamento verdadeiramente representa.
Na Física Newtoniana, todo o conceito se ergue na própria ideia da interacção mecânica; sentir menos interacção. Uma bola de bilhar impenetrável a interagir com outra – esse é o modelo. Mas o que as bolas de bilhar têm é que, embora possam tocar, nunca chegam a encontrar-se. Baseia-se na colisão. Sim, apresenta interacção e impacto, sim apresenta uma ligação, mas nenhum “tornar-se um.”
As bolas de bilhar jamais se encontram – elas colidem. Jamais se tornam uma só. O modelo não deixa lugar para… há lugar as pessoas interagirem, há lugar para que as pessoas exerçam impacto umas nas outras, e gerem causas e efeitos resultantes da interacção, há lugar para muitas das colisões daquelas que se verificam entre as pessoas, mas não há espaço para qualquer identidade partilhada. Há muito espaço para que duas identidades exerçam uma interacção, impacto, colisão umas com as outras, mas nenhum espaço para que essas duas identidades se tornem uma ou para a partilha da identidade – que é o que a relação traduz.
Quando elas não colidem mas interagem, se sobrepõem a ponto de ambas se tornarem mais, a ponto de chegarem a partilhar enquanto mantêm uma integridade e a individualidade e a sobrevêm a ponto de partilharem a identidade. Mas na Física Newtoniana não há lugar para isso, que não passa da interacção do inanimado e mecânico com o inanimado e mecânico, por muito mais que possam ser.
Mas do mesmo modo, na filosofia Cartesiana, a base assenta na impenetrável mente humana, cérebro, pensar; e é tudo quanto tem importância: Eu penso, logo existo. Nada mais tem importância. Pode achar-se aí, mas é tudo uma parte do Eu. Não engloba qualquer Tu nem Nós. Existe Eu e mais Eu, em interacção, em colisão, exercendo impacto um no outro, mas jamais partilha, tornar-se nós. A partir disso, a divisão filosófica humana reflectiu-se primordialmente naqueles filósofos que afirmaram que o indivíduo é tudo, enquanto tudo o mais é insignificante, nada, e nos outros filósofos que afirmaram que isso estava errado, que o indivíduo não é nada; o que é real é o que existe fora. O relacionamento é tudo quanto importa ao contrário do indivíduo que nada significa.
Bom, existem excepções, com efeito. Martin Buber constitui uma excepção, e há casos por aqui e por ali, mas a corrente principal da consciência, a filosofia principal que representa o consensual assenta na batalha entre aqueles que afirmam que o Eu é tudo e nada mais existe, e os que defendem que tudo o mais é real e que o Eu não existe. Uma vez mais a representação do assim ou assado, sem que ninguém considerar a possibilidade do Eu e do Nós existirmos. Talvez o Eu e o Relacionamento sejam ambos reais.
Nós sugerimos com toda a clareza que vocês criam toda a vossa realidade, toda, e que todos os outros são uma ficção disso – mas mais – parte das regras, parte da forma como criam isso é permitindo que os outros sejam reais. Porque terão possivelmente feito isso? Por quererem comprovar que se encontram vivos, expressar e reflectir a vossa totalidade; expressar e reflectir a vossa individualidade e tornar-se mais do que de real são, trabalhar em conjunto para expressar, demonstrar e reflectir o afecto, a intimidade e o interesse e para cuidarem da vossa alma. Isso é de tal modo inato em vós que ao criarem esta ilusão vocês criaram, dentro dessa ilusão, a realidade, a possibilidade dos outros poderem ser reais. Nem toda a gente o é, mas vocês têm essa possibilidade.
“Não, não, não, se eu crio a minha própria realidade, se eu crio tudo, se sou Tudo Quanto Existe, então todos os demais são uma invenção da minha imaginação e não existem. Eu posso exercer impacto neles – e eles podem exercer em mim, o que é grave – e eles não o passam de uma invenção da minha imaginação, e se os amar estou a amar-me a mim, e se for generoso estarei a ser generoso para comigo, Eu, Eu, Eu, Eu sou tudo quanto existe.”
Mas isso representa uma porção da verdade. Só que se se agarrarem a essa porção da verdade isso poderá revelar-se destrutivo. Por permitirem que as pessoas nesta vossa ilusão tenham realidade, por quererem relacionar-se.
“Se eu crio tudo, então também não poderei tornar os outros como uma criação ilusória?”
Por certo! Mas - mais importante - vocês também podem permitir que eles sejam reais. Essas são as boas novas. Mas a corrente da filosofia, da filosofia Cartesiana, a corrente da própria física do vosso mundo, a Física Newtoniana, e a filosofia humana que impregna tudo, e uma vez mais o chauvinismo não só reduzem o valor da magia como também fazem parte do paradigma que desvaloriza o feminino e desvaloriza a alma e desvaloriza o espírito, e por conseguinte não há lugar para o relacionamento real.
 (continua)
Transcrito e traduzido por Amadeu António

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