quarta-feira, 5 de outubro de 2016

RELAÇÃO - PILARES






AMABILIDADE, INTIMIDADE, AFECTO
É um prazer conversar convosco acerca da realização da intimidade e dos relacionamentos de afecto. Estamos particularmente entusiasmados por abordarmos este tópico por uma multiplicidade de razões. Antes de mais, por causa das mudanças e das alterações planetárias que com efeito estão a decorrer neste última porção do século. Vocês e a vossa realidade encontram-se agora mais do que nunca abertos, e na verdade todo o vosso planeta está aberto, mais do que nunca, a admitir a intimidade, uma verdadeira intimidade e não somente a palavra que é usada indiscriminadamente, mas o verdadeiro sentimento de intimidade. E a admitir um real sentido de amar e de um relacionamento de amor na vossa realidade.
Deve-se isso em parte às mudanças planetárias, mas está a ocorrer mais do que isso, está a ter lugar toda uma inteira mudança no planeta à medida que o futuro do planeta está de facto a determinar-se e a decidir pela conquista e pelo alcançe dos êxitos do futuro. E nessa decisão e nesse movimento se verifica na consciência do planeta também as portas se estão a abrir e é agora muito mais fácil estabelecer intimidade e descobrir relações de amor.
Em segundo lugar, 86 é um ano de uma profundidade potente em comparação com os passados 84 e 85. Este é um ano em que a implementação daquilo que manifestaram anteriormente se torna muito importante, por conseguinte um ano em que a intimidade e os relacionamentos amorosos mais facilmente e mais profundamente poderão ser implementados. Também é o ano para fazerem uso da permissão, da permissão que concedem a vós próprios para serem bem-sucedidos, para serem felizes, para serem dados, para serem amáveis, para serem carinhosos, para crescerem espiritualmente. É igualmente o ano em que o poder da vossa própria exigência, do vosso próprio comando, dos vossos próprios imperativos se tornam tanto mais profundos. Por isso, se declararem, não um tipo hierárquico real qualquer, mas o realismo da vossa emoção, ao afirmarem o que estejam a ter, ao exigirem como a vossa realidade venha a ser, então mais provável será que isso venha a ocorrer neste ano de 86 do que em qualquer outro.
Além disso, este é o ano da responsabilidade, um tempo em que detêm uma maior e mais profunda responsabilidade pela realidade que estão a criar. Por conseguinte, um tempo em que poderão ser muito mais responsáveis à medida que isso passa a ter mais lugar na vossa vibração, na vossa vida, pelos relacionamentos amorosos que desenvolvem.
Mais, a intimidade e as relações de amor constituem um antídoto espantosamente divertido para o martírio, para a manipulação, para a culpa e, infelizmente, para a dor, que tantos de vós infligiriam em vós próprios neste ano de 86 assim como nos anos subsequentes. Torna-se sobremodo difícil ser mártir quando sentem transbordar de amor e têm muita intimidade não só com os outros mas convosco e com as coisas da vossa realidade, e com as partes internas do vosso ser, e com o Eu Superior. Muito difícil dar continuidade ao martírio. Muito difícil justificar as manipulações e praticamente impossível culpabilizar. E torna-se extremamente árduo encontrar alguma coisa por que se sintam magoados quando transbordam de intimidade e de amor.
Contudo, também representa um antídoto… a intimidade e as relações de amor são igualmente importantes por serem energias catalíticas maravilhosas, maravilhosos agentes catalíticos da transmutação e da transformação que traduz 86. São estupendos catalisadores para os equilíbrios positivos e agressivos ou assertivos, tanto interior como exteriormente e porque 86 também virá ser conhecido. À medida que se aproximam do término desta década, em que tantos estão certos de se vir a dar coisas tenebrosas e sombrias e desastres e devastações, é em vez disso um tempo em que se estão a abrir ao amor, em que exploram o amor e em que vão desfrutar muito mais do amor do que alguma vez. E por isso mesmo tempo de passarem ao mundo da intimidade, ao mundo das relações assentes no amor. Não está fora do alcance nem a milhas de distância, mas exactamente aqui à distância dos vossos dedos, se se derem ao trabalho de se esticar e alcançar um pouco mais, para poderem abrir as portas para essa intimidade e relações.
Mas entendam desde já, que o vosso ego está a mover resistência ao que aqui estamos a dizer. O vosso ego não gosta que falemos da mecânica da intimidade e do amor, e diz:
“Ah, não, não, não, não desmistifiques nem o tires do domínio de romance mais ou menos vago em que o manténs. Não me fales dos detalhes, não me digas em que consiste, nem como tratar dele nem da razão por que o receio; não me fales dessas coisas. Eu quero que a minha intimidade e o meu amor sejam de algum modo espontâneos e presentes. Como na abordagem de John e Marcia a correr pelos campos em câmara lenta e em tons sépia como nos filmes. É assim que quero que a minha intimidade e romance sejam. Como uma noite encantadora, ao percorrer uma sala apinhada; aí é que está a minha intimidade e o meu romance.”
Até por fim sentirem febre alta e claustrofobia, não é? (Riso) o ego não quer ouvir falar em intimidade nem amor por ser algo que possam fazer e aí ele terá perdido. O vosso ego negativo não tem lugar para a intimidade nem lugar para o amor, de forma que lhes mente desse modo, e diz-lhes que essas coisas devem acontecer espontaneamente sem vosso conhecimento. Afinal já tem vindo a ser assim há séculos, não? Mas o problema está em que não tem vindo a ser assim há séculos, por não ter existido nenhum período particular no vosso passado que tivesse ficado conhecido como o período da intimidade, ou o período do romance. Se na verdade alguma vez vier a surgir tal período, vocês encontram-se à beira dele agora. E é por isso que o vosso ego fica tão agitado, é por isso não quer ouvir tais coisas, e lhes diz para as deixarem para o desconhecido, para as deixarem para essas noites encantadas ou esses movimentos em câmara lenta ao longo do campo que nunca chega a suceder.
Amabilidade
O que também se encontra aqui é que na verdade a maioria de vós não sabe o que significa a intimidade. Não sabem o que a amabilidade, nem o que um relacionamento, em particular amável, envolva. É uma daquelas coisas que deveriam ter aprendido há muito tempo atrás, não é? Em consequência, não têm vontade de admitir que não saibam o que significa.
É muito difícil encontrar uma palavra que não tenha definição, sabem? E mais difícil ainda é ter uma palavra que se torne real quando não faz sentido para vós. É muito difícil chegar ao exterior e dizer: "Vou descobrir intimidade e amor," se nem bem saberem aquilo de que andam à procura. Mas deviam ter sabido, dizem. Não vão ser tolos o suficiente para indagar, entendem, de modo que vamos começar a tratar especificamente do que seja intimidade, o amor, e na verdade uma relação amorosa.
Já tratamos da questão do amor, entendem? E tratamos dela porventura de uma forma mais detalhada e específica do que alguma vez tenham tido consciência; e há certas coisas específicas a fazer para poderem produzir um estado de espírito específico que seja caracterizado por amor. E se fizerem essas coisas com a intenção de produzirem esse estado de consciência estarão a ser uma pessoa amorosa – em relação a vós próprios, aos outros, e à vossa realidade.
Amor
Nós esboçamo-lo com toda a clareza. Falamos acerca do facto de o amor representar uma dádiva, e da dádiva ser acção e crítica importante a tomar - acção a tomar. Responder - ou seja ser responsáveis por vós ou por outra pessoa; responder para com a vossa realidade é acção a tomar. Sugerimos mais, ao referirmos o que seja respeito - respeitar aquilo que amam, aquilo que procuram amar. E depois é igualmente conhecer, trabalhar rumo ao conhecimento. E com base nessa situação de conhecer ter a humildade de ser íntimo. E ter a coragem de se comprometer. E depois, por fim, tendo começado pela dádiva, terminam no interesse. E se implementarem essas sete qualidades a fim de produzirem um certo estado de consciência - isso representará o amor.
Intimidade
Bom, a intimidade aproxima-se muito do amor - muito na verdade. Por conseguinte - a vida não se destinava a tornar-se tão complicada, entendem - se aplicarem o mesmo tipo de acção produzirão intimidade e poderão produzir amor. Se derem e responderem, e respeitarem e conhecerem, se tiverem a humildade, a coragem, o carinho, essas sete funções, essas sete acções, com a intenção de produzir quer amor ou intimidade ou ambas...
Que coisa será o amor? Já falamos acerca disso, e sugerimos que a primeira coisa que quererão dar por meio da atenção para com essas sete funções a fim de produzir, é segurança; quando produzem segurança, estão a amar.
Para terem intimidade, produzem proximidade. Assim, se derem ou responderem, ou respeitarem, tudo, qualquer dessas sete proposições que efectuem, com a intenção - não tanto de proporcionarem segurança para vós, mas com o propósito de proporcionarem proximidade - então estarão a desenvolver intimidade entre vós. Se fizerem coisas para produzir segurança então estarão a produzir amor. Assim, o estado de espírito do amor é um estado de segurança, e o estado de espírito da intimidade é um estado de proximidade.
Para amar também querem produzir prazer. Para terem intimidade também querem produzir ternura. Numa relação amorosa quererão dar ao outro, de modo que tenham uma sensação de sinceridade e de vulnerabilidade. Ao passo que na intimidade, a preocupação principal que terão será de produzirem vulnerabilidade - de criarem o espaço, o estado de espírito da vulnerabilidade. A sinceridade acha-se obviamente presente, mas a ênfase é uma de vulnerabilidade.
Imbuídos do desejo que têm de dar amor e de quererem produzir confiança, enquanto o quarto componente do que compõe o amor. Do mesmo modo, no caso da intimidade, o quarto componente assenta na confiança; confiança é o núcleo, a confiança é a base. A confiança é muitas vezes no que as pessoas acham que termina o processo:
"É isso! Isso é a coisa derradeira."
Mas para além disso, num relacionamento amoroso quererão produzir um sentido de carinho e de intimidade; ao passo que numa relação íntima querem igualmente produzir um sentido de carinho, mas também um sentido de amor. Numa relação amorosa, conforme estarão recordados, tentam reduzir o medo da perda. O medo mais significativo que possuem, em qualquer forma de amor, quer se trate de amor-próprio ou de amor por alguém mais, ou de amor pelas forças superiores, pela vossa espiritualidade, o mais significativo dos medos é o medo da perda. E muitas vezes isso é o que os impede de amar, os impede de se permitirem dar por meio do carinho, praticar essas sete funções, produzir esses sete estados de espírito por receio de virem a perder.
Na área da intimidade, o maior receio é o da humilhação. Ah, também poderão recear perder, mas isso fala pelo amor que podem perder. É o medo de serem humilhados. Isso é o que os impede de permitirem intimidade, que os impede de se abrirem a ela. E consequentemente, dar, providenciar essas sete funções, praticar qualquer desses sete aspectos de forma a reduzirem o temor da perda - isso é amor. Um temor reduzido da humilhação - isso é intimidade.
Conhecimento
Por fim, num relacionamento amoroso ou num amor verdadeiro, quererão praticar uma dessas sete coisas a fim de produzir um estado e conhecimento. Quando a pessoa ou a coisa que amam se conhece ou os conhece a vós - isso é um estado de conhecimento. Na forma derradeira de relacionamento quererão produzir um estado de compreensão, de compreensão empática, de modo a poderem observar e ver que as diferenças são bastante similares, por a intimidade com alguém se aproximar bastante do amar, com toda a clareza. Amar alguém aproxima-se bastante de ter intimidade. Mas é importante compreender a ligeira diferença, embora distinção importante, existente entre amar alguém e ter intimidade com a pessoa.
Se pegarmos no estado de conhecer e no estado de intimidade e dermos um passo adiante na observação do que subentenda um relacionamento amoroso, sugerimos que uma relação amorosa seja uma em que praticam um dessas sete coisas, a fim de produzir esses sete (ou agora) catorze estados, numa pessoa. Cem-por-cento do tempo. Em que dão a cem-por-cento. E em que respeitam a cem-por-cento. E em que trabalham em prole do conhecer a cem-por-cento. Tendo a humildade e a coragem, e na verdade, esse estado de carinho. Cem-por-cento! Dar a cem-por-cento. Sem jamais irem verificar o livro da contabilidade a ver se estarão a receber - mas sabendo que estão. COM CONSCIÊNCIA DE ESTAR!
"Não tenho que ir verificar o livro da contabilidade, por saber que estou."
Dar, não fazer-se mártires, mas dar de uma forma amorosa, com consciência de estarem a receber. Não a cinquenta-por-cento, situação em que vão logo a correr verificar:
“Eu dei aqui, eu dei ali; ora bem, que foi que tu fizeste?”
Dar a cem-por-cento, com consciência de receberem a cem-por-cento, e de tal modo cientes disso que nunca vão verificar – isso em última análise representa um relacionamento amoroso. Gostaríamos de dizer que um relacionamento amoroso constitui igualmente uma situação em que necessitam por uma questão de preferência:
“Caramba! Isso deixa muito boa gente desde logo assustada. Não quero ouvir uma coisa dessas. Nem pensar. Necessitar? Hmm, essa é uma má palavra nesta comunidade metafísica, não? Não é suposto precisarmos de nada; é tudo quanto traduz a condição de se ser metafísico e espiritual, certo?”
Bem, é verdade. Trabalhar convosco próprios, desenvolver-se, tornar-se num todo conforme possivelmente poderão fazer, tornar-se em tudo quanto a pessoa que são de modo a não precisarem de coisa nenhuma – a serem livres da necessidade.
Agora, reconhecidamente existem certas necessidades, certo? Necessitam de oxigénio, precisam deste planeta, necessitam de certas forças de gravidade, forças fortes e fracas e de várias coisas que lhes mantenham tudo junto, conforme compreendemos. Mas vejam, vocês não pensam nessas necessidades; não acordam pela manhã a pensar:
“Vou reunir algum oxigénio…”
Não pensam em coisas dessas – bem, a maioria nem sequer precisa pensar muito amiúde no telhado que têm sobre a cabeça ou no que têm que comer, ou em coisas que tais.
A ideia, todavia, está em aprenderem a criar a vossa realidade, em aprenderem a ser tão humanamente completos na vossa natureza quanto possível de modo a criarem a sua realidade de forma que lhes satisfaça as necessidades. E depois a passar para um estado de consciência em que possam dizer que têm uma vida de preferência, em que preferem isto e em que preferem aquilo. Têm alimento mas preferem algo melhor; têm abrigo mas preferem algo melhor; diferente, pelo menos. E por conseguinte passam para um mundo de preferência, o que constitui uma forma de autonomia, não é?
“Olhem. Finalmente sou livre. Finalmente sou eu próprio; por fim tenho a minha própria identidade por não ter mais necessidades – apenas preferências.”
Certamente!
“Gostaria de contar contigo. Bem sei que posso sair machucado, mas prefiro precisar.”
Isso é um relacionamento amoroso, em que se abrem a esses estados.
“Não que necessite de precisar; não podia continuar sem ti, não podia sobreviver sem ti, preciso necessitar de ti.”
Não.
“Prefiro precisar de ti.”
Uma ampla distinção que a mudança de uma palavra provoca.
E assim que alcançarem esse estado então disporão da opção da preferência com respeito à necessidade:
“Eu sou uma pessoa autossuficiente; posso tomar conta de mim própria por completo; não preciso de ti. Mas prefiro precisar de ti. Gostaria de depender de ti. Gostaria de poder contar contigo; bem sei que posso sair prejudicado, mas prefiro precisar.”
Quando se abrem a um estado desses isso constitui um relacionamento amoroso. Não que precisem necessitar:
“Não aguento continuar sem ti, não conseguiria sobreviver sem ti, prefiro precisar de ti.”
Não.
Relacionamento amoroso
E com esta compreensão do que a intimidade envolve – um estado de acção com o fim de produzir sete estados de espírito. E o que o amor é - a mesma acção a fim de produzir quase os mesmos ou ligeiramente diferentes estados de espírito, e a seguir conduzindo isso um passo adiante e perceber que é dar e carinho e fazer todas essas coisas a cem-por-cento, com base numa condição de preferência pela necessidade, a seguir chegamos a uma outra posição do que seja a realização da intimidade e de um relacionamento amoroso. É um relacionamento em que se importam mais com a felicidade do outro do que com a vossa. O que também suscita um monte de orelhas erguidas, claro está, a dizer:
“Isso soa a sacrifício.”
Não, quando preferem precisar. Não, quando a coisa que mais os deixa felizes é o sorriso no rosto do outro. Não quando a coisa que mais os deixe felizes sejam as lágrimas de alegria. As coisas que os levam a sentir o melhor possível de vós próprios, é ver o sorriso de compreensão e de reconhecimento, de valor. Por terem sido capazes de lhe dar isso, por terem sido capazes de os fazer felizes, deixa-os felizes também. A vossa maior felicidade está na felicidade que lhes puderem proporcionar. Isso em última análise constitui um relacionamento amoroso. De modo que é disso, gente, que agora se aproximam mais do que nunca. É disso que se abeiram mais do que alguma vez. Por causa da mudança que o planeta está a atravessar, por causa do ano e da energia que está a ter lugar durante o resto desta década, e deste século. Isso representa um antídoto para o martírio e a culpa e o castigo e a dor que poderão carregar. E é uma forma de transmutar e de transformar, uma forma de equilibrar de forma agressiva e assertiva, interior e exteriormente. Uma maneira de triunfarem por intermédio da alegria.
O que é particularmente entusiasmante em relação à intimidade – ou seja, a sua consecução, e a das relações amorosas - é o facto de ser tudo quanto a vossa espiritualidade envolve. Quando veem no que consiste a espiritualidade – e o termo é usado livremente nos dias que correm; toda a gente desliza para os títulos das publicações e dos seminários. Espiritualidade para aqui, para ali e para acolá…
“Estamos todos a tornar-nos espirituais, não?”
“Hmm, tu também!”
“Pois é, eu também.”
“Que quererá isso dizer?”
“Não perguntes, está bem? Atem-te ao programa. Trata de te conformar com isso. De algum modo sairemos pelo outro lado espiritualizados, e aí talvez venhas a saber o que queira dizer.”
Espiritualidade
A espiritualidade, não obstante a forma poética que elejam para a descrever, reduz-se à relação que têm com Deus. Ou, conforme dizemos, Deus, a Deusa, o Todo, se quiserem reconhecer não só o padrão paternal como o maternal e a completude; o masculino e o feminino e a sinergia de masculino e de feminino, sob a forma de tudo quanto existe. A espiritualidade constitui a relação que têm com Deus, a Deusa, e Tudo Quanto Existe – é isso que ela é. Toda a gente é espiritual, entendem, por toda a gente ter uma relação com Deus, com a Deusa, com o Todo. Até mesmo aqueles que alegam não acreditar que exista coisa alguma enquanto Deus, e mais em particular Deusa alguma, ou Tudo Quanto Exista. Eles ainda têm uma relação – distante, silenciosa – mas ainda possuem uma relação. É por isso que tudo, em toda a gente em toda a parte é espiritual, por tudo possuir uma relação com Deus, com a Deusa, com o Todo. É por isso que a política e a economia e as condições mundiais e tudo o mais se enquadra nessa categoria da espiritualidade. Por se achar tudo em relação com Deus, com a Deusa, com o Todo.
Mas entendam, o vosso objectivo não passa apenas por se tornarem, conforme é citado, “espiritual.” O vosso objectivo é o de evoluírem espiritualmente. De modo que não é só:
“Olhem. Eu sou mesmo uma pessoa espiritual; por isso, já disse o suficiente. Ponto final!”
Mas é claro que são – assim como toda a gente! O vosso objectivo, enquanto pessoa que disse que queria crescer, evoluir, tornar-se mais do que aquilo que é, o objectivo que têm é o de evoluir espiritualmente. O que significa passar a relação que têm com Deus, com a Deusa, com o Todo da posição estática em que se encontra para uma relação íntima e amorosa. Evoluir espiritualmente significa arriscar a ponto de se tornarem íntimos com Deus, com a Deusa, com o Todo. Chegarem a ponto de terem uma relação amorosa com Deus, a Deusa, o Todo. Ora bem, alguém alegará:
“Óptimo, é isso que estão a fazer. Não se vão incomodar com as pessoas, com os plebeus que por aí andam, certo? Vão directamente até ao topo, não é? Vão tratar de amar Deus, a Deusa, o Todo… Vão poupar o vosso amor para Deus e deixar de o desperdiçar com todas as pessoas.”
Só que, entendam, vocês são centelhas do divino. Vocês são porções de Deus, da Deusa, do Todo. Consequentemente, de uns para os outros, é através do amor de uns pelos outros, através do desenvolvimento e do cultivo da intimidade de uns com os outros que dão os passos iniciais que os levarão mais próximo de sequer abrirem a porta de um relacionamento com Deus, com a Deusa, com o Todo.
De que forma poderão estabelecer uma relação abrangente, viva, natural com Deus, com a Deusa, com o Todo se olham os plebeus com desdém, se se recusam a reconhecer todas as partes desse Todo? É através do amor de uns pelos outros, entendem, é através da intimidade e do estabelecer de uma intimidade com outra pessoa específica que começam a abrir as portas para perceberem a verdadeira possibilidade – não simples floreados, mas o sentido por detrás das palavras – de uma relação amorosa, viva, abrangente com um Deus, com uma Deusa, com uma Totalidade muito pessoal.
E se observarem o que a intimidade representa, e admitirem que quando fazem essas coisas a fim de produzirem esses sete estados, desde o da proximidade até ao da ternura e todo o caminho até ao da compreensão – isso é ter intimidade, é assim que chegarão a saber que são íntimos convosco, com outra pessoa, com as coisas, com as partes interiores e as partes exteriores da vossa realidade. E quando movem essas coisas de forma a produzirem essas influências, então sabem que são pessoas amorosas. Não precisarão esperar que ninguém lho diga; não precisarão esperar que alguém lhes diga:
“Tu? Sim, tu és amoroso.” “Não, não és.”
Por terem noção disso, por disporem do critério para proceder a essas avaliações.
E assim que estabelecerem o critério de intimidade e de amor, então poderão escolher abrir-se a uma relação aberta em que se deem a cem-por-cento sem se preocuparem se estão a receber por saberem que estão. Em que preferem a necessidade, por a felicidade do outro ser mais importante do que a vossa, por isso corresponder verdadeiramente à vossa felicidade.
“Bem, sabes, isso soa de tal modo estupendo, não? Decerto que desejo isso, sem dúvida nenhuma! Sem problema, certo?”
Bom, o (…) constitui um problema, porque se tiverem observado ultimamente, perceberão:
“Não tenha assim tanta intimidade quanto isso na minha vida. Não disponho assim tanto de relacionamentos amorosos na minha vida. E aqueles que consigo ter, bravo, muitos parabéns, quanta maravilha; só que podiam ser bem melhores.”
E assim queremos dar uma olhada na razão porque tememos a intimidade; soa magnífico. Por que têm receio do amor? Também soa estupendo. Mas talvez o primeiro passo passe pela admissão de que o receiam.
“Não, não tenho medo do amor.”
É que, entendam, vocês criam a sua própria realidade, mas por que razão deixarão de criar uma coisa tão bela na vossa vida? Vocês desejam-no, esperam-no, conseguem imaginar aquilo com que venha a parecer-se. Mas ainda assim algo se sobrepõe ao desejo, à expectativa e à imaginação; algo é maior. Vocês querem – por isso, que coisa será? Deve ser temor. TEMOR.
Temor
Por vezes, admitir simplesmente o medo pode revelar-se suficiente para os livrar dele. Já noutras alturas precisarão ir um pouco mais longe e também terão que o processar e libertar. Assim, não queremos considerar todas as formas de receio possíveis, na verdade poderíamos ter que aqui ficar por muitas, muitas horas, a anotar este e aquele medo. São bastante criativos e imaginativos para suscitar todas as razões para não o fazer. Mas aquilo que fazemos para aqui examinarmos é listar algumas categorias básicas de bloqueios, categorias básicas que os impedem de se permitir de ter um relacionamento amoroso.
Mal-entendidos
À primeira dessas categorias, chamamos nós mal-entendido, e engloba o equívoco que de algum modo a intimidade e o amor signifiquem romance, ou sexo. Bom, é certo que se espera que uma relação romântica tenha um carácter de intimidade, e espera-se que comporte muito amor. Mas não precisa ser exclusivamente assim. Por outras palavras, não precisam ter sexo nem romance para poderem desfrutar de intimidade, para poderem ter amor. Mas é isso que vulgarmente pensam, por os vossos pais lhes indicarem antes de mais, que ao crescerem virão a ter um relacionamento amoroso – referindo-se com isso ao sexo, casar, ter filhos. As mulheres têm os filhos, os homens adoptam esses filhos, mas seja como for, esse imaginário é desenvolvido – que seja isso o que a intimidade subentende, e o que um relacionamento amoroso seja. Quando crescerem apaixonar-se-ão por alguém, e então, conforme reza a história…
E assim, isso é depositado cedo, é depositado nos sistemas educacionais. Os professores não se estendem muito a ponto de referir:
“Poderão ter intimidade e amor na vossa vida sem sexo, sem romance, sem terem que casar.”
Eles teriam os pais a cair-lhes em cima antes de saberem o que os teria atingido, em termos como:
“Está a incutir nos nossos filhos o tipo de estrutura moral errada.”
Assim, no sistema educativo infeliz, e em definitivo na pressão que os pares exercem sobre o sistema social também lhes dá essa indicação – intimidade, amor, significa sexo; significa ter um romance.
“Caramba, como quero isso!”
Bom, por causa desse equívoco fecham as portas à intimidade, fecham as portas ao amor. Por apenas uma terça parte da população, entendem (grosso modo) aproximadamente, apenas uma terça parte da população querer ter o tipo de relacionamento que seja caracterizado pelo romance e pelo sexo. Apenas um relacionamento, para todo o sempre. Há uma terça parte de vós que prefere isso. A ideia passa por encontrarem uma pessoa com quem vivam cinquenta, sessenta, setenta anos…
“Ah, é isso! É disso que ando em busca.”
Mas para as outras duas terças partes, essa realidade particular afeiçoa-se bastante repugnante.
“Ah, eu não quero nada disso. Que se passará de errado comigo?”
Essas são as primeiras coisas que lhes passam pela ideia, mas em segundo lugar, também excluem a possibilidade de intimidade e de amor, por não serem uma dessa terça parte.
A Segunda terça parte de vós, ou outra terça parte para o colocarmos talvez de uma forma mais clara, tem vontade de recordar os relacionamentos em série, não de uma só vez, mas quer ter uma relação por um ano ou dois, um relacionamento dramático de um ou de dois, três ou quatro anos, e a seguir passar para mais alguém. A ideia de permanecer numa relação dramática ou sexual com aquela pessoa por toda a sua vida:
“Ah, não, não, não. Só por ora. Depois saberei quando avançar em frente, crescerei, mudarei, tornar-me-ei numa pessoa diferente, vou querer avançar.”
E assim, fazem parte do grupo a que chamaríamos “Grupo de Relacionamentos em Série” que não querem uma única pessoa, mas que pretendem cultivar relações de natureza sexual e romântica, de vez em quando, durante toda a vida.
Mas depois há um terceiro grupo, que também compreende aproximadamente uma terça parte da população, que não pretende ter qualquer relação sexual nem romântica. Querem amor? Querem! Desejam intimidade? Absolutamente! Mas não querem particularmente ter qualquer romance e não se sentem particularmente interessados em sexo. Constituem o grupo que se exclui por demais do amor e da intimidade, e que pensa que não estão habilitados para tanto. Há algo de muito errado convosco, por não andarem à procura – daquele relacionamento único – ou pelo menos, de um relacionamento sério.
Mas entendam o seguinte: O sexo e o romance podem incluir intimidade e romance, mas a intimidade e o amor não têm que incluir sexo e romance. E conforme poderão abrir-se à compreensão disso, deixarão passar o:
“Buscar relações amorosas fora do âmbito do sexo, do romance.”
Perceberão a área que se lhes abre? Quantos homens heterossexuais, nessa medida, não terão barrado as portas a todo o tipo de amor e de intimidade com homens por:
“Não sou desses.”
E aqueles de vós homens, homossexuais, que pensam de modo um tanto arrogante:
“Bom, eu não sou desses.”
Pensem em todas as mulheres que terão barrado. Por terem fechado essa porta, por terem dito que o romance e o sexo são chave na intimidade e no amor. E do mesmo modo mulheres, quantas de vós não terão negado a possibilidade de ter um tipo de intimidade desses, um tipo de amor desses, uma noção dessas de amabilidade e de carinho por alguém – simplesmente devido ao equívoco de que a intimidade e o amor sejam sinónimos de sexo e de romance? Quantos de vós não o terão usado como forma de autocomiseração?
“Eu sabia, eu sabia, eu sabia, eu tinha que ter intimidade, eu tinha que ter amor, mas onde é que ele ou ela param? Onde para a minha amada? Preciso ter uma para poder ser espiritual.”
Não, de facto a intimidade, de facto o amor faz parte da espiritualidade, mas não necessariamente o sexo e o romance. Mas se superarem esse mal-entendido e se abrirem ao amor e a um relacionamento amoroso e alcançarem intimidade na vossa vida, isso proporcionar-lhes-á a realização que muitos de vós, que buscaram o sexo e o descobriram, e que buscaram o romance e o descobriram, e que procuraram o romance e o encontraram, se sentiram mortificados por causa da falta de intimidade, e por falta de amor.
Ao segundo maior obstáculo chamamos nós de Bloqueios Básicos provocados pelo Temor, certo? Coisas tipo a emoção do medo. Evidentemente que, se tiverem receio de sentir as emoções, irão ter uma enorme dificuldade em obter intimidade, será muito difícil obter amor. Se tiverem, porventura não medo das emoções que sintam mas receio das emoções intensas que conhecem, como há tantos que encaram as emoções como uma piscina. Muitos de vós desejam apenas molhar a ponta do pé:
“Sim, fiquei um pouco molhado, salpiquei-me um pouco de água, e senti um pouco disto e um pouco daquilo e não sei que mais.”
Mas isso é tudo. Mas a intimidade e o romance encontram-se no fundo da piscina, entendem. De modo que quando tudo quanto fazem é salpicar-se de água e molhar a ponta do pé, torna-se muito difícil.
Outros de vós, entram na “água,” sim senhor, mas nadarão pela superfície, a chapinar e a andar ao redor.
“Olha para mim, estou a sentir; olha para mim, eu tenho emoções.”
Mas, e que tal mais fundo?
“Ah, bom, não, espera lá; não quero ir muito fundo por poder perder o controlo. Posso não ser capaz de voltar à superfície; posso não ser capaz de parar de sentir caso venha a sentir as emoções que me assaltam de forma intensa.”
Mas a intimidade e o amor e as relações amorosas encontram-se no fundo da piscina, entendem. Têm que se dispor a ir fundo, e a habituar-se a isso, a sentir-se confortável com a sensação. E depois precisam mergulhar fundo nas profundezas do sentimento, por ser aí que descobrirão o “tesouro.” Assim, se temerem a emoção, se temerem a intensidade que possa apresentar, excluem-na – a intimidade e o amor da vossa vida.
Além disso, há o medo do comprometimento. Medo, de facto, daquilo que o amor significa:
“Bom, isso está tudo muito bem, mas eu receio a segurança por temer que se possa desvanecer. Tenho medo por poder perdê-la; os próprios componentes do que compõe o amor assustam-me. Proximidade? Podem descobrir aquele que sou. Ternura? Não acredito que consiga tal coisa. Vulnerabilidade? Estás a brincar? O medo que tenho da humilhação é de tal modo que não acredito que possa ser reduzido. Os receios que tenho acerca do compromisso de amar, os receios que tenho com o comprometimento com a intimidade… Só a definição deixa-me assustado.”
E o terceiro é um medo – ainda nesta segunda categoria – o medo de não amarem o suficiente; de não disporem do que em última análise é preciso. Claro, quando se despojam de toda a fealdade que carregam, e de todos os “sim, mas,” e de todas as desculpas, e fica apenas o “apenas eu.” Receiam que isso ainda não seja suficientemente bom, de modo que não vão pegar nada disso.
“Não vou sair do meu esconderijo nem me vou aventurar pelo mundo por preferir carregar todas essas protecções como desculpa do que enfrentar a verdade temível, mas mesmo sem elas ainda não é suficientemente bom; Ainda não amo da forma correcta.”
Mas isso, meu querido, é uma forma de temor – não uma verdade.
Por vezes, quando acordam a meio da noite e ouvem ruídos estranhos, entendem, ficam assustados. E há uma razão para sentirem esse medo; alguém irrompe casa adentro, e pelos céus, vocês gritam:
“É claro que me sinto assustado.”
Mas por vezes acordam a meio da noite e sentem-se amedrontados, e presumem:
“Se estou a sentir temor, deve andar alguma coisa por aí, de que tenha medo.”
Não necessariamente. Por vezes sentem por terem alguma razão para sentir; outras vezes sentem, e não têm qualquer razão. O temor de não amarem o suficiente – presumem que deva haver uma razão para isso, que deva ser verdadeira:
“Mas se tenho tanto medo disso.”
Não, trata-se de um medo sem qualquer base substancial, que não tem verdade nem validade alguma. É como se estivessem de olhos vendados, sabem, e lhes disséssemos que o sol estava a brilhar:
“Mas, não o consigo ver.”
Bom, está aí; tira a venda dos olhos.
“Não, porque se tirar esta venda dos olhos, e não a tiver posta, vai doer demasiado. Prefiro ficar com a venda até conseguir ver o sol.”
Mas assim jamais o irás ver, a menos que retires a venda.
É o risco que envolve.
De modo que é assim que agem em relação a esse medo:
“Sinto receio, não amo o suficiente.”
Fá-lo simplesmente, que hás-de amar suficientemente bem.
“Ah ah, não posso acreditar nisso, até ter consciência de amar mesmo bem. Hei-de sentir um receio constante de não amar suficientemente bem.”
E assim permanecerás! Até te dispores a retirar a venda dos olhos e perceber que o sol está à vista. Até perceberes que amas suficientemente bem, e o assumires e passares a conhecê-lo.
Também o medo de terem que abrir mão da pena que sentem, e do sentimento de presunção. E esse medo é real. Quando amam e quando têm intimidade, então não haverá espaço para a pena por vós próprios, não haverá espaço para a presunção da importância pessoal. Por isso, é verdade que, se tiverem medo, poderão ter que abandonar isso – isso é garantido. E assim, se a pena por vós próprios e a presunção tiverem assim tanta importância para vós, então afastem-se do amor e da intimidade. Por os prevenirmos de que o medo que têm de perder esses dois produtos preciosos é bastante válido. Os bloqueios básicos do medo.
A terceira maior área de bloqueio que opera é a do passado projectado. Assim, temos primeiro as más-interpretações; em segundo lugar o medo básico, os bloqueios; e em terceiro, o passado projectado. Assim, em que consistirá o passado projectado? Antes de mais, o passado projectado são as crenças e atitudes dos vossos pais que vocês carregam convosco – consequente e automaticamente, pelo simples facto de se encontrar aí. Por nunca se terem preocupado em proceder a um inventário, nem examinar:
“Em que acreditarei efectivamente?”
Porque quando são um catraio pequeno, entendem, independentemente da idade que agora tenham, em pequenos o que quer que a mamã ou o papá dissessem era sagrado. É assim mesmo. E aquelas crenças e atitudes que vos passaram foram plantadas em vós, e aí ficaram até que façam alguma coisa em relação a elas, até que decidam abrir mão delas. Mas como poderão abrir mão delas se nem sequer admitirem que se encontram aí?
Se a atitude da minha mãe acerca da intimidade tiver sido:
“Tem cuidado; as pessoas só querem aproveitar-se de ti. Não deixes entrar ninguém. Não deixes que se cheguem junto de ti. Não reveles os nossos segredos familiares, porque eles irão simplesmente usá-los contra ti.”
Esse tipo de declarações tende a estabelecer crenças com base no temor: De que a intimidade seja perigosa; de que a intimidade os prejudique. Crenças e atitudes que terão visto representar, esse psicodrama pessoal que a mãe e o pai terão desempenhado diante de vós na relação que tinham. Como se amariam mutuamente? Como seria que faziam isso? Aos berros? Magoando-se mutuamente? Por meio da dor? Ignorando-se um ao outro? Ou terá sido um amor legítimo e autêntico, um amor poderoso e belo? Como terá sido?
Isso contribuiu imenso para muitas das atitudes e crenças que têm acerca da forma como a realidade funciona, acerca da forma como o amor opera, e acerca da forma como a intimidade funciona. E por conseguinte, se carregarem convosco as crenças que a vossa mãe tinha e as atitudes do vosso pai, ou vice-versa, isso irá causar descrédito e retratar o tipo de intimidade e de relacionamentos que julgam estarem disponíveis e irá descrever o tipo de intimidade e de relação que julgam estar à disposição, e desse modo, o medo que têm delas:
“Eu não quero fazer como eles fizeram.”
E como tal a única forma por que pode ser conseguido.
Assim, é importante olhar para o passado e ver o que estarão a projectar dele. Que crenças e atitudes tinham eles, e se estarão a carregá-las? Ou se as terão libertado
O Segundo passado projectado é quando albergam interesses ocultos. Podem dizer que andam em busca do amor, mas na verdade andam à procura de alguém a quem punir. Podem dizer que querem intimidade, mas o que realmente querem provar é:
“Pode acontecer-me a mim!”
Podem dizer “Eu quero,” mas na verdade tudo quanto querem é o querer. Algumas pessoas encontram-se enamoradas do amor – pessoas que não conseguem lidar com ele em absoluto. Mas o amor constitui um belo conceito: o amor é uma coisa estupenda, e ficam enamorados pelo amor. E assim, sempre em busca de uma relação, em busca de intimidade, a querer proximidade, mas no momento em que ela surge correm de medo, por não chegarem efectivamente a querê-la, apenas querem o anelo que sentem por ela.
Outros, e já falamos disso quando tratamos da Anima e do Animus, da energia feminina e masculina que se acha dentro de vós, falamos disso em termos de certos interesses ocultos que as mulheres têm ao procurarem um homem que lhe traga sentido à vida. Não buscam o amor, elas não buscam a intimidade – buscam um homem que lhes traga sentido à vida, que as complete, que lhes empreste realidade enquanto pessoa. E muitas vezes, quando não conseguem obter isso, ficam muito irritadas e começam a punir os homens, por não chegarem a ser tudo quanto as mulheres querem ser. Mas claro que não é algo que esteja limitado unicamente às mulheres, porque os homens muitas vezes fazem a mesma coisa. Eles têm certas agendas relativamente ao facto de certas mulheres deverem constituir a outra metade:
“É suposto completares-me, é suposto que me tornes uma pessoa decente, é suposto que me tornes carinhoso e amoroso.”
E quando a mulher não proporciona isso, eles podem do mesmo modo ficar zangados, e ir à procura de mulheres que para elas não prestam.
“Aqui está mais uma que não presta.”
Mas também estão ao corrente de um interesse oculto que as pessoas do movimento do potencial humano têm, que é provar que a metafísica não resulta. O conceito básico da metafísica, sabem, é o de que vocês criam a própria realidade – linha de fundo, sem letrinhas miúdas, sem asteriscos, sem exclusões. E muita gente anda pela área da metafísica, sem dúvida, e procedem de forma muito meticulosa – por vezes nem o percebe – e tentam meticulosamente provar que não criam a própria realidade.
“Foi-me arranjado, foi-me feito.”
Eis um exemplo:
“Empreguei todas as técnicas, usei de todas as abordagens, fiz tudo correctamente e ainda assim não funcionou.”
Ora bem, porque haveria alguém de querer criar uma realidade assim? Que benefício traria isso? O benefício é o que provar que a metafísica não resulta de verdade.
Assim, certa gente na área da intimidade e do amor de modo similar tem certas agendas oriundas do passado:
“Não tenho qualquer interesse em realmente criar qualquer intimidade; aprenderei o que engloba, entenderei as limitações e descobrirei como estabelecer intimidade e segui-lo-ei à letra. Mas não vai resultar para mim. Por o interesse que tenho ser o de provar que a metafísica não resulta mesmo.”
E a beleza da metafísica é de tal modo poderosa, tão segura de si, que podem usá-la para provar que não existe. Poderão usar o princípio “Eu crio a minha própria realidade,” a fim de provar que não criam. Não se importa; não lhes fará soar o apito. Mas, com que é que ficam? Com que realidade acabam? Que é que ganham com isso? Estão realmente certos de querer tal coisa?
Outro passado projectado está em esperarem que o relacionamento seguinte venha compensar os passados. Aqui empregamos uma analogia, sabem. Se eu tiver comprado um carro novinho em folha no início do ano, e ele já tiver provado não passar de uma sucata, acaba por não corresponder ao que o vendedor terá dito que seria. De todas as promessas feitas, nenhuma foi válida:
“Por uma questão de respeito preciso apenas livrar-me deste carro. Tenho mesmo que me ver livre dele.”
De modo que vão e trocam-no, ou vendem-no.
“Nem sequer tenho decência para pedir dinheiro por ele; dei uma certa soma de dinheiro por ele, mas olha, por fim acabei por perder imenso dinheiro. Olha quanto dinheiro perdi. Perdi pelo menos seis ou sete mil dólares, só em desvalorização. Este carro devia, bla bla bla… E agora vou a um outro vendedor. Vou a esse vendedor e digo que quero comprar um carro, mas antes de começarmos a debater quero que me adiante seis mil dólares, por ser quanto perdi no meu anterior veículo. Adiante-me seis mil dólares, e logo começaremos a negociar o preço deste novo.”
Bom, que é que o vendedor lhes diria? (Riso) Nem sequer era a marca que ele vende pelo amor de Deus…! Ele não se sente na obrigação…
“Olhe, se render o dobro vá comprar um não sei o quê. Não me venha para cá choramingar por causa disso. Não lhe devo coisa nenhuma. Nem lhe vou pagar por esse débito. Aprenda com a experiência. Volte a tentar.”
Bom, isso deve fazer sentido para vós… Jamais conceberiam fazer semelhante coisa. Mas ainda assim, quando se prende com um relacionamento, é exactamente isso que fazem:
“Já tive um, sabes. E correu mal, deu para o torto. Não devolveu nenhuma das coisas que me foram prometidas, que eu promovera a mim própria ou que que eu pensara que me facultariam. E assim, por uma questão de respeito, despejei-o, sabes? Precisei mesmo livrar-me dele. Mas perdi imenso; uma imensa dor, imenso tempo, imenso dinheiro, imensas dores, uma enorme confiança, uma grande proximidade, carinho. E fiquei verdadeiramente magoada. Por isso agora, sempre que um relacionamento potencial se afigurar no horizonte, antes mesmo de começarmos a negociar esta relação, precisam pagar por essa dívida; Precisam compensar-me pela mágoa que ele ou ela me provocou. Precisas compensar pela perda de confiança por que passei; precisam compensar pelo dinheiro que perdi (…) Precisam compensar a dor.”
E depois ainda se admiram da razão por que não funciona, questionam-se da razão porque não vão a parte nenhuma. E questionam-se da razão porque a outra pessoa diz:
“Não, obrigado. Creio que vou procurar em outra parte. Muito obrigado.”
Por esperarem que pague a dívida que contraíram no passado, e vocês partirem carregados para o potencial:
“Tudo bem, vou encontrar intimidade, mas antes precisas pagar a minha dívida. Vou encontrar o amor, mas antes tens que me pagar a dívida. Depois começaremos a partir do zero.”
Porquê? Isso simplesmente não funcionará.
A quarta projecção do passado, que é talvez a mais crítica e aquela que a maioria negligencia, e em que tem a maior dificuldade em entender. Tiveram um mau relacionamento certa vez, talvez não mais do que aquele que tiveram com os vossos pais, mas por ter sido tão mau jamais se permitiram ter outro, uma outra vez, ao contarem que uma outra pessoa pague o “débito” da última. Mas o que isso também envolve, é que esperam que um novo relacionamento lhes altere a realidade. Estão a dizer:
“Tive um, dois, três, ou um, dois, três, quatro, cinco outros relacionamentos no passado, e assim é suposto que este novo relacionamento me mude a realidade. A nova experiência de um relacionamento amoroso maravilhoso supostamente deverá erradicar toda a dor e toda a mágoa. Agora, não estou a pedir que compense, apenas que erradique.”
Mas a vossa realidade, entendem, é uma realidade assente na crença. Agora, vocês sabem disso, sabem que a sua base é uma base:
“Olha, as tuas crenças são o que produz a tua realidade. É a crença e a atitude que tens com relação ao relacionamento que produz a experiência da relação. A crença conduz à experiência. Tu sabes disso. Tiveste uma má experiência, e o que estás a dizer é o seguinte: Quero que uma nova experiência encubra isso, o mude, o torne diferente, faça algo em relação a isso, enquanto a crença permanece, enquanto a crença permanece, intocada.”
Vós tivestes a má experiência na relação por terem a crença nisso. Por acreditarem que é assim que as relações se dão, que seja essa a razão por que a experiência foi uma experiência má. Se não alterarem essa crença, a seguinte irá ser igual, ou talvez mesmo pior. Assim, se mantiverem a crença de que “Todos os relacionamentos doem,” e de facto produzirem a experiência do relacionamento doer, estarão assim a formular a esperança de o relacionamento seguinte não doer para compensar pela seguinte, e isso não vai funcionar. A seguinte irá doer por ainda terem a crença de que todos os relacionamentos doam. Usem a dor passada não para extrair um preço, não para exigir que a experiência compense pela realidade, mas utilizem-na como sinal de resposta que lhes diga:
“Quais são as crenças que tenho?”
Alterem essas crenças, que então a experiência alterar-se-á. Mudem a crença – que então a experiência mudará.
Tantos conhecem isso como uma verdade mas em vez disso buscam novas experiências que lhes venham alterar todas as experiências à espera que todas as crenças desapareçam. E é por isso que tanto temem os relacionamentos, e é a razão por que os não criam, ou à intimidade que os pode acompanhar.
o um e os muitos
E a categoria final do que os prende é a da contradição vigente entre Todos e Único.
Todos:
“Muito bem, estou a escutar este vídeo sobre a intimidade, não é? É para mim. Agrada-me. Eu quero dar e quero proteger a fim de produzir esses estados particulares de consciência. Quero abrir-me à minha espiritualidade, absolutamente. Soa fantástico. Vou… E vou cultivar intimidade com toda a gente. Afinal de contas não quero julgar ninguém, não é? Não quero dizer que alguém seja melhor ou pior do que quem quer que seja, de modo que vou cultivar intimidade com toda a gente. E um relacionamento amoroso também, por Deus, que são essas coisas inteligentes e mordazes, e eu também quero algumas delas na minha vida. Por isso, vou amar toda a gente!”
E com efeito acabam por não ter tanta intimidade assim com ninguém, e por não amar ninguém. Mas num certo nível conseguem isso com toda a gente, mas é um nível de divindade em que um dia destes acabarão por se tornar, só que agora são humanos. Assim, amem de uma forma humana.
Mas os obstáculos tornam-se claramente tentar amar toda a gente, tentar obter intimidade com toda a gente, por:
“Sentir-me aterrado com a intimidade que tenho contigo e com o amor que sinto por ti.”
E o outro lado disso reside no Único; em querer a garantia:
“Será este o tal relacionamento? Este irá resultar? Quer dizer, preciso saber de antemão. Chama alguém e pergunta, eu acabei de conhecer esta pessoa e estamos a começar um relacionamento íntimo. Isto irá durar para sempre? Preciso que mo digas agora. Porque se não for para durar, nem me dou ao trabalho.”
Vocês emitem perguntas dessas, sabem? (Riso) Do tipo:
“Se não puder obter uma garantia, nem me vou dar ao incómodo.”
Pois é, estão dispostos a cair e a esmurrar o joelho para aprenderem a andar de bicicleta, mas não estão na disposição para fazer o mesmo para encontrar intimidade nem amor. Mas nós não estamos a dizer que devam fazer isso, mas pelo menos deviam dispor-se a isso. Esperávamos que a intimidade e o amor fossem mais importantes do que uma bicicleta. (Riso)
“Ah-ah! Mas eu quero uma garantia: Quero ter a certeza de que este é O Tal, o Único. Porquê? Por me sentir aterrado. Não sei como criar um relacionamento e sinto-me aterrado, e por isso, se puder encontrar essa garantia, se puder ter a certeza que isto esteja destinado e que tenha sido criado no Céu, e que Deus tenha dito que estávamos destinados a ficar juntos sem que nada nos possa separar, nesse caso poderei relaxar, e não terei que me preocupar com isso. Não precisarei fazer nada. Por isso, se fizer asneira, não faz mal! Deus disse que isto ia resultar.”
Medo!
“Eu quero O Tal e o Único.”
Esse medo, todavia, é composto por um fenómeno chamado Almas Gémeas, não é? (Riso) Referimo-nos a isso como um fenómeno porque vocês entendem, conforme dissemos ao iniciarmos, que existe uma parte de vós que quer amar; há uma parte de vós que anseia por essa intimidade; deseja-a sente-a, sente a insistência que gera. E muitos, infelizmente, que se encontram mais interessados em se aproveitarem de vós do que em ajudá-los a crescer, utilizam esse conceito de “Almas Gémeas” por apelar àquela parte de vós que anseia por isso. Essa parte sincera no vosso íntimo que anseia é alvo de proveito alheio com esse conceito de Almas Gémeas. Publicações e seminários que versam sobre as almas gémeas por todo o lado, etc. Existem várias revistas, clubes, organizações dedicadas à descoberta da vossa alma gémea, etc. Com todo o conceito que está a ser avançado sobre a existência de um só apenas destinado a vós, apenas um. E se não descobrirem esse único:
“Então agora vai em frente e encontra o amor e intimidade, mas o melhor é que seja o certo!”
Que é que vais fazer?
“Eu conheci determinada pessoa, mas caramba, não sei se será a minha alma gémea ou não. Quero dizer, se ela vai ser óptima, mas e se não for? Quero dizer é óptimo, maravilha. Eu amo, eu dou de mim e isso é óptimo; estou a responder, respeito, e produzo segurança assim como proximidade e ternura, e prazer, vulnerabilidade, sinceridade e confiança; o medo que tenho da perda e da humilhação são praticamente nulos, e é uma maravilha. Mas, e se não for assim? E se a minha alma gémea viver algures em Guam?” (Riso)
Transcrito e traduzido por Amadeu António

Sem comentários:

Enviar um comentário