sábado, 15 de outubro de 2016

IMPORTÂNCIA & DESTINO





Certamente que existem encruzilhadas no viver que se prendem com a mudança e o crescimento, com escolhas e decisões, e depois existem aquelas encruzilhadas que constituem mudanças mais significativas, mudanças de rumo e não somente decisões ou opções elevadas à primeira ou segunda potência, mas opções de um nível fundamental que se geram bem no âmago da definição; escolhas que não sofrem mudança até que as vocês mudem de uma forma consciente ou até que sejam alteradas por vós, muitas vezes por via de catástrofes. Aqueles períodos de travessia em que a escolha fundamental sofre uma alteração, e os rumos do viver são alterados.

E no domínio da importância existem encruzilhadas dessas em que os patamares do significado, as várias abordagens e formas em que nos podemos desdobrar e que podemos experimentar e explorar, em que a importância entra. De facto, existe a tragédia, o caos, crises de ordem restritiva, ou crises de carácter mais geral que também podem colocar-nos em contacto com a importância – entre muitas outras coisas. Nem sempre acontece, mas existe quem passe por tragédias ou por abismos de crise ou por fases de trevas caóticas e não sobreviva – literalmente – ou então, não sobrevivem emocional, mental, ou espiritualmente. Nem todos quantos atinjam os abismos das trevas emergem; alguns perdem-se por completo e deixam-se deslizar e saem danificados para todo o sempre, ou não conseguem sobreviver a isso. De modo que na verdade se passarem por uma crise não é garantido que se vejam confrontados com a questão do significado; isso tende a acontecer no mundo exterior dos acontecimentos onde isso é considerado como crises, caos e tragédias – tragédias globais, que se prendem com a humanidade, pessoais, que muitas vezes resultam e que se prendem com o que tem importância.

E quando isso sucede, quando nas profundezas da tragédia, ou nas profundezas da tragédia da vida daqueles por quem uma pessoa ama e se interessa, quando se veem confrontadas com a importância, quatro coisas básicas sucedem: as qualidades que podem ser poderosas e profundas – nem todas elas, mas por entre elas - algumas delas veem à tona, tal como a humildade, a paciência, o interesse, a preocupação, o amor, a dádiva, o perdão, o pensar e o sentir por exemplo. Algumas delas veem à superfície nessa oitava inicial. Porventura não numa segunda oitava, mas muitas vezes também nessa. E se não for assim, então algo do destino que se torna claro. Frequentemente as pessoas descobrem o seu objectivo, ao que chamam o propósito da vida, mas que traduz o destino para que se dirigem, o destino que buscam. Uma vez mais, não destino no sentido predeterminado que os leve a desabafar:

“Caramba, pensei que eu criava a minha realidade.”

E criam! Criam tudo, e criam-no de forma consciente; não existem asteriscos. Vocês criam a vossa realidade! Mesmo que o neguem e crieis de forma que pareça de outra forma. 

 “Então, como poderá existir coisa alguma chamada destino?”

Por criarem o destino. O destino é a vossa sorte. A sorte é determinada pela crença fundamental e pelo arbítrio (escolha) fundamental – pelas crenças que têm e pelas opções que tomam que sejam dotadas de um carácter fundamental. Quando referimos “Escolha Fundamental” queremos dizer escolha, referimo-nos à escolha elevada a uma terceira potência, que cria volume. Mas muito rapidamente, para quantos não se encontrem familiarizados com o termo: As escolhas elevadas à primeira potência são as escolhas que elegem nas áreas transversais do tempo/espaço. As escolhas situadas no imediato, as escolhas que situam no tempo e no espaço, aqui e ali continuamente, centenas de vezes ao dia; as que situam um espaço e um tempo na encruzilhada:

“Vou tomar isto ao pequeno-almoço, hoje vou vestir esta peça de roupa, vou fazer isto, vou fazer aquilo.”

Todas essas escolhas que constituem as escolhas do momento, as escolhas elevadas à primeira potência.

Ao redor dessas escolhas existe o que designamos por escolhas elevadas à segunda potência; quando determinam o quadrado de uma coisa qualquer, chama-se a isso a área, apurar os metros quadrados a fim de se conhecer a área. Existem muitas escolhas que circundam isso:

“Hoje vou trabalhar.”

Têm que definir escolhas quanto à hora de acordar, ao que ides tomar ao pequeno-almoço, ao que irão vestir, quanto à possibilidade do carro precisar ser abastecido ou não, quanto ao percurso que irão tomar, onde irão estacioná-lo, o que irão fazer – todas essas outras escolhas que também importam definir, e que definem a área – escolhas elevadas à segunda potência, que circundam as elevadas à primeira potência. Precisam definir ambas; não basta decidir que vão ao cinema esta noite, e pronto. Precisam tomar decisões e definir escolhas quanto ao que precisam fazer para ir ao cinema, e definir que filme vão assistir, e tudo isso.

“Puxa, eu escolhi ir ao cinema. Por que razão não aconteceu?”

Pois bem, por precisarem definir todas as outras escolhas, tipo primeira potência, segunda potência, ou a encruzilhada, o local preciso e a área circundante. 

Depois há as escolhas elevadas à terceira potência. Quando definem o cubo de uma coisa qualquer, definem não só a área superficial mas a profundidade, que define o volume. E há certas escolhas que definem pelo que designamos por escolhas elevadas à terceira potência, que são as escolhas que têm volume, que definem o volume em que as escolhas elevadas à primeira e à segunda potências são feitas. Escolher, por exemplo, ser cínico, ser negativo, ser sempre uma vítima – isso representa uma escolha que não é definida em nenhuma encruzilhada e que não define qualquer área, mas que representa uma escolha avultada que define o volume, o espaço em que todas as outras escolhas são definidas. Tinge, contamina e influencia – não controla, mas influencia – todas as demais escolhas definidas no sentido de ficar aquém de um vencedor, não de ser um perdedor. Muito pouca gente, existem alguns indivíduos - mas muito poucos escolhem tornar-se fracassos. Mas muitos optam por ficar aquém de se tornar vencedores.

E tomam essas “opções” na infância, conforme dissemos, por razões muito positivas e bastante pungentes, muitas vezes para obterem amor ou para amenizarem o medo, ou para sentirem como se fizessem parte, ou a título de definir escolhas de permanentemente residir na sombra dos pais, de não definirem opções, de se tornarem na criança problemática e de não encaixarem na família e sempre terem problemas. Essas escolhas do tipo “aquém do vencedor” representam escolhas fundamentais; tipo a escolha ou decisão de jamais descobrir o amor, de jamais virem a ser felizes.

“Justamente quando as coisas estavam a ficar melhor, o reverso da medalha surgiu e as acções perderam vigor. Justamente quando tudo corria de feição é que alguma coisa de terrível tinha que acontecer. Mesmo quando a minha vida estava a resultar é que as coisas tinham que dar para o torto."

Essas são escolhas fundamentais, decisões fundamentais muitas vezes definidas uma vez, e que criam ou definem o volume – o comprimento, a largura e a profundidade – em que todas as outras escolhas dessa área e desse instante da vossa vida são estabelecidas.

São essas escolhas e decisões fundamentais, e logo crenças fundamentais, que lhes determinam o destino, e não mais ninguém. Sois vós quem o determina! Conforme dizemos, o juízo é do “Domínio do Senhor,” e Ele não julga ninguém!

“Bom, então, como poderá existir tanta condenação no mundo?!”

Por as pessoas julgarem! Muito embora não devessem – elas condenam! Vocês criam o vosso próprio destino e sorte. A vossa sorte – boa ou má – não assenta em questão nenhuma de aleatoriedade nem de acaso, mas numa questão de escolha e de mágica e é determinada pelo que fazem com a abundância de que gozam. Aquilo que fazem com a abundância de que gozam…

“Eu não gozo de qualquer abundância!”

Abundância física, emocional, mental, espiritual. O que fazem da magnanimidade de que gozam, o que fazem com a autonomia de que gozam, capacidade de entrega, cocriação. 

Talvez não façam coisa nenhuma e careçam de magnanimidade; talvez padeçam de todo de sentido de autonomia e não tenham o dom de dar ou de criar o que quer que seja, ou pareçam pensar que o fazem conscientemente, e o façam através da negação - que não é o que são, mas supostamente podem existir pessoas assim, que não dispõem de qualquer abundância na decorrência do que gozam de má sorte. Por não gozarem de abundância que lhes permita dar; mas como possuem abundância, que é que fazem com ela? Isso fica ao vosso critério, é uma decisão que vos cabe, é criação vossa. Mas isso determina a vossa sorte e destino – os componentes do destino – essas coisas inevitáveis. O que inevitavelmente ocorre de novo baseia-se nas vossas escolhas, na forma como veem o mundo – da visão do mundo que têm – como observam o mundo, das matérias-primas, das ferramentas. A forma como trabalharem com elas determina os acontecimentos, o inevitável. E isso é criação vossa.

Da mesma maneira, aquelas forças invisíveis que determinam o curso da realidade, são, uma vez mais, criação vossa. Todos os componentes que compõem o destino são criação vossa. Ao entrarem em contacto com a crise, quando tocam na questão da importância (caso cheguem efectivamente a fazê-lo, se forem suficientemente afortunadas para tanto) - as pessoas muitas vezes descobrem o seu destino, ou obtêm clareza quanto às variadas opções que têm ao dispor, há múltiplos destinos que podem tomar; e em tragédias ou crises assim, frequentemente obtêm clareza quanto à prioridade; de súbito torna-se-lhes claro:

“Eu sei o que importa, e agora sei o que devo fazer. Sei as mudanças que devo encetar. Sei o que tem importância e o que não tem.”

Chegam a obter tal clareza, não por que o planeiem, mas por lhes suceder. 

Mas a profundidade dessas trevas nutre-lhes a alma e reforça-lhes o espírito, e suscita novos sonhos, as coisas da realidade adoptam um maior realce, algo mais dentro delas que pode ser objecto de transcendência; elas tornam-se mais verdadeiras e isso nutre-lhes a presença. Não, porventura por completo ou na íntegra, talvez essa textura da presença seja o que ocorre menos, mas algumas dessas coisas – nem todas elas ocorrem – acontecem quando sondam a questão da importância.

Não é uma questão de se interrogarem:

“Caramba, gostava de saber se acontece; se eu trabalhar com essas coisas gostava de saber se isso acontecerá.”

Acontece! Testemunham isso o tempo todo. Se olharem ao vosso redor, verão pessoas que, parecendo que não tenham nada que ver com a metafísica, nada tenham que ver com o que quer que seja de espiritual, as pessoas nas profundezas das tragédias físicas, emocionais, mentais que as acometem (ou em face da profundidade da tragédia que ocorre com aqueles a quem amam, ou da comunidade, ou da humanidade) talvez num retrocesso a isso, talvez completamente por acaso, mas acabam por se deparar com a importância, e quando isso tem lugar, uma combinação destas coisas é despoletada nelas. Não depende da interpidez de que gozarem. Acontece mesmo! Quanto mais conscientes forem, mais vigorosamente poderá ocorrer. Quanto mais conscientes forem, e mais consciência tiverem, ao toparem com a questão da importância:

“Isto vai acontecer, de uma maneira ou de outra. Se tiver consciência, poderei fazer com que acontece num grau mais acentuado, num grau mais importante, significativo, profundo.”

Tudo bem, mas não precisam depender da tragédia, conforme uma vez mais reiteramos; não precisam assumir uma abordagem (da imprevisibilidade) tipo "atirar à sorte," a ver se acertam:

“Vou mergulhar nesta tragédia à procura de descobrir o que importa..."

Para a coisa acabar por passar e deslizarem para o esquecimento!

“Oh que pena, mais uma vida perdida, e muitas mais para viver!” (Riso)

Em vez disso há outras maneiras que proporcionam elegância, com a qual conseguem realizar o mesmo fim – de chegar a ter noção do que conta para vós. E elas congregam-se nas encruzilhadas; quatro distintos meios que se congregam – num apogeu, num limiar.

Será simbólico? É! Será uma metáfora? Certamente! Mas por intermédio da visualização, e da concessão a vós próprios da possibilidade para pensar e sentir, desencadeiam químicos, despoletam correntes electromagnéticas, desencadeiam forças e energias, mas se experimentarem isso - uma imagem vale por mil palavras – o vosso inconsciente - o vosso subconsciente e o vosso inconsciente sabem exactamente a intenção que têm. Vocês elegem as opções, mas eles têm a percepção consciente, ainda que sejam rotulados de “sub” e “in” - aqueles aspectos do vosso ser que são de longe mais conscientes do que a mente consciente. Entendam, por mais que rotulem a vossa mente de consciente, isso não faz com que seja. (Riso) Quem dera que pudesse ser, mas tal não é o caso. (Riso) O vosso inconsciente e o vosso subconsciente sabem exactamente com que estão a trabalhar; a ressonância que é simbólica ou metaforicamente expressada, nessas encruzilhadas, nesses corredores que se reúnem com esses limiares da importância.

Voltado para leste, o corredor do amanhecer, seja a aurora do dia ou a aurora da noite; o sol, a lua como símbolo disso. A leste, o futuro, o novo, o despertar, o despertar do vosso dia, enquanto magos que são. Aí se situa uma luz brilhante, uma luz que cega, uma luz lustrosa. É o corredor do esplendor da vitória, ou do esplendor da diversão.

Para poderem aceder ao esplendor... Mas uma vez mais, não envolve precisamente o facto de serem vencedores - mas talvez “precisamente” não seja o termo mais adequado – não é somente sair vencedor; isso é importante, absolutamente, isso reside nos próprios alicerces. Não irão descobrir o esplendor da vitória até terem eleito uma escolha fundamental – a de serem vencedores na vida. Já falamos de como conseguir isso; podem referenciar isso de modo mais específico. Dessa fundação de vitória, e ultrapassando a resistência que movem à diversão, poderão vencer. O que não quer dizer que sejam bem-sucedidos em tudo quanto fazem, mas quer obtenham êxito ou fracasso, vocês tornam-se mais – o que é chave em relação ao que representa ser um vencedor!

Podem tornar-se vencedores no viver da vida, e podem divertir-se, aprender a criar diversão conscientemente, e com tal vitória apresentar-se-á uma coisa imponente; essa vitória carregará um toque de grandeza pessoal – para além da história resumida – grandeza inerente a essa vitória e a esse divertimento, independentemente do quão diminuta ela  possa ser, uma centelha, uma fagulha, carrega algo de nobre e de honrado; algo próprio de uma dimensão elevada – NOBRE – e algo de honradez – ALGO QUE OS MUDA. Nessa vitória existirá algo que passara despercebido, sobre a vossa sabedoria, intimidade, paixão, sobre a vossa inspiração. É esse o esplendor.

Mas entendam, não tem que ver unicamente com o facto de entrar na ressonância da vitória, mas assim que o tiverem conseguido, procurar, descobrir o esplendor, esse brilho. É nessa busca que o que tem importância ganha vida. É nessa busca que estas qualidades, estas influências (o que acontece em face da importância) podem ser activadas, muito com base na consciência, por meio da escolha:

“Às três da tarde da próxima terça-feira, posso desencadear essas profundas qualidades. Posso descobrir uma luz quanto ao meu destino, clareza quanto à prioridade, posso acrescentar textura à minha presença ao nutrir a minha alma e abastecer a minha presença. Posso faze-lo com base na opção. É uma forma por que poderei consegui-lo. Não preciso confrontar-me com tragédias nem crises nem caos. Consigo operar isso desse modo.”

Para leste, o corredor da aurora. Mas, para descobrirem tal esplendor, precisam ter uma certa relação, uma certa valentia, uma certa empatia para com o poder e a responsabilidade, que conduz à liberdade. Uma liberdade que seja temperada pelo poder da vossa vontade e pelo despertar do génio em vós. Uma liberdade, que brota do poder e da responsabilidade temperada pela força da vontade e o despertar da genialidade, que conduz à sabedoria e à intimidade. É o que pode desencadear a luz, essa configuração do poder e da responsabilidade que conduz à liberdade, que é temperada, circundada, limitada pela força da vontade e pelo despertar do génio. Uma liberdade que também brota e que conduz a uma maior intimidade e a uma maior sabedoria. Isso é o que desencadear a luz e despertar o esplendor do vencer, o lustre da diversão.

E assim, para este, o elemento Ar representa o corredor da aurora. Para sul, o sul é a região do Fogo, onde o sol, que se ergue no leste, se torna… na parte mais quente do dia – o fogo. Ao passo que a lua, ao se erguer no leste alcança a sua máxima visibilidade no céu do sul, na noite do sul, na energia do sul, ao se mover rumo à luz – é o fogo. Aqui reside o corredor das chamas, que conduzem à fogueira, a uma boa fogueira. Este é o corredor da prosperidade, em que são aquecidos pela prosperidade que alcançam, pelos fogos do vosso êxito, da vossa abundância, pela boa-sorte que têm – um produto do destino, a boa-sorte, que os aquece e acciona. Precisam do fogo. O fogo forja, nos termos da forja do ferreiro, as chamas constituem uma força fraca por decomporem, mas também representam uma grande força que reúne, funde ou mistura; decompõe – enfraquece – separa (não fraqueza no sentido de falta de força) poder de separar. Mas também combina. Consome, destrói, mas também cria, forja os fogos, a paixão, deixa uma coisa qualquer mais forte por meio do forjar, do martelar, do dobrar, da moldagem, da modificação a que se chama forjar.

E vocês precisam forjar o vosso êxito, precisam pô-lo em movimento; não só reunir os adornos, mas compreender a verdadeira essência, o acesso a recursos tanto física como espiritualmente, a intimidade com o material da realidade, a intimidade com o poder e os pontos fortes que têm, cientes da maravilha que é a responsabilidade e o assombro do valor que têm – com consciência dele, e não numa busca de valor – com consciência de merecerem.

Isso, conforme há décadas vimos a referir, acha-se no próprio âmago do que o sucesso é, tanto para a criança de quatro ou cinco anos de idade como para o idoso com noventa ou cem anos, mas para qualquer um, por os adornos estarem sempre a mudar. O epítome do sucesso frequentemente no caso da criança passa pelo “colorir dentro das linhas” (seguir os padrões da sociedade, sem qualquer originalidade). Esses são os ornatos, a forma por que acedem aos recursos, e que a intimidade que têm com o material, e que o sentido de assombro que têm relativamente às vantagens e energia, e a sensação que têm de merecimento, que produzem. Mas quando estão com vinte, trinta, quarenta, cinquenta e mais, seguir tais padrões não tem realmente mais importância, e não mais constitui uma coisa de que se orgulhem, nem constitui mais um adorno do vosso sucesso, mas precisam dos fundamentos, dos fogos dos fundamentos; precisam accioná-los, precisam criar uma combustão, um ardor no sucesso que têm.

Do mesmo modo, no caso da abundância de que gozam, não no sentido de a afastar, mas no sentido de deixar que se apresente, a arder, e se torne visível; não ostentando-a mas accionando-a – ambos têm início na profundidade, percebemos bem – mas não pela ostentação, mas fazendo-a disparar. Do mesmo modo, a vossa boa-sorte, por ser com tal perseguição e ignição do vosso sucesso, da vossa abundância, da vossa boa-sorte que poderá emergir a satisfação, o prazer que os alça para a satisfação, e verdadeiramente desfrutarem do facto de serem bem-sucedidos, desfrutarem efectivamente da abundância e boa-sorte de que gozam. Para a partilharem, para darem dela, para a espalharem ao redor. Para a utilizarem na destruição do que precisa ser destruído, do que precisar ser queimado e consumido, o que precisa ser transmutado e transformado nas chamas, e para forjar de novo algo de diferente, uma forma diferente.

E assim, aqui ficam os corredores para as chamas, voltados para o sul; o elemento do fogo. Mas para o conseguirem, precisam de uma certa perspicácia. Precisam ser capazes de perceber com acuidade, com agudeza, o que foi, o que é, e o que virá a ser, ou pode vir a ser. Precisam de uma certa valentia, de uma certa sagacidade de percepção. Percepção do que foi, e do que é, que produz individualidade. Porque tal como para terem conhecimento do esplendor da vitória, precisam de liberdade, para poderem encontrar prosperidade. Precisam da individualidade; a individualidade que brota da percepção do que foi e do que virá a ser, que brota da tradição e do futuro – no agora, no presente! Do que brota da tradição e brota do futuro – individualidade.

Individualidade que é acompanhada, temperada pela força do querer e pela força de carácter, que define as linhas de contorno dessa individualidade; não por meio de obstruções, nem pela restrição, mas pelos princípios a que aderem, pela capacidade de coesão dos princípios que defendem, e pela aderência que conseguirem em relação a tais princípios – o carácter que tiverem. Fazer a coisa acertada por se tratar da coisa acertada a fazer, constitui um marco que lhes define a individualidade e o poder do querer – não a força de vontade – a força de querer.

Como envolve a têmpera dos traços relativamente à liberdade, também representa uma a têmpera de traços em relação à individualidade.

“Passei por aquele indivíduo na estrada, e caramba se não parece um indivíduo! Que carácter!"

Não, não, não, não - robustez de carácter. Não evidenciar um carácter. (Riso) A força de carácter é chave. E isso é o que confere contornos à vossa individualidade. Que princípios defendem? E quanto conseguem aderir-lhes? Isso define a robustez do carácter que tiverem. Bem sabemos que há quem talvez não tenha carácter, e que não defende quaisquer princípios, ou que, caso defenda princípios, porventura não aderem a eles em absoluto. Mas isso não chega a ser realmente o que acontece, no caso da maioria – e certamente que não é o vosso caso! Não é que lhes falte carácter, mas esse vosso carácter pode padecer de falta de vigor, porquanto, tal como em relação ao vosso corpo que, ou vocês o usam ou o perdem, precisam exercitar, precisam treinar, fortalecer os vossos músculos, precisam fortalecer o vosso carácter pelo seu uso. E isso definirá esse marco como a força que têm de querer - não força de vontade – uma proposição diferente que responde por um significado diverso.

Percepção - que conduz, que faz brotar uma individualidade temperada pela força de carácter e pela força do querer. E uma Individualidade que conduz tanto à intimidade como à paixão – ao ardor da paixão - que são chave, por ser a partir dessa intimidade e dessa paixão que brota a compaixão e o interesse, nas profundezas da transformação, nas profundezas do apreço. Essas são qualidades cujo deleite importa desenvolver, para as desfrutarem de modo efectivo. Estas são as qualidades que podem acarretar o sentido do valor, o sentido da competência, o sentido da confiança, o sentido afável da generosidade, o sentido da mestria, o cerne do poder do amor e da vontade, que representa a prosperidade.

Essa é a via, é aí que a prosperidade alinha no corredor das chamas.
Para o oeste, para darmos continuidade à progressão lógica, eis a energia da Água; o corredor dos lagos. Os caminhos menos percorridos, as diversas vias, os tanques. Eis aqui um tanque, uma lagoa composta de momentos de um requinte excepcional. Eis aqui outro composto por momentos decisivos. E eis aqui outro da fundação da própria maturação, o poço artesiano, a fabricação borbulhante dos componentes da importância: humildade, paciência, etc. Aqui, na lagoa, outra das lagoas, ou além da queda de água, a cascata de água, um portal para os arquétipos da travessia, ou outra, para fazerem uso da vossa mente, para purificar, para curar, lavar tudo quanto não é. Eis uma maneira de descobrirem a luz e a beleza do saber, ou a luz e a beleza que lave a vossa estrutura das memórias e dos mitos.

Uma vez mais, o termo mito no vosso consensual chegou a traduzir-se por mentira ou invenção quando de facto "mito" no seu sentido arcaico, infelizmente, traduz-se por rituais líricos, os rituais líricos pelos quais vocês vivem a vossa vida - as crenças e as atitudes e os princípios e o carácter por que vivem a vossa vida. Esses são os vossos mitos; eles chegaram, por muito se ter perdido da riqueza da vida, a significar nada mais que uma mentira. Mas os mitos antigos, os mitos Gregos e os mitos de outras sociedades, constituem histórias, reconhecidamente, de certa forma uma combinação de símbolos, uma combinação de metáforas que carregam nessas palavras e símbolos e metáforas os rituais líricos de como viver a vida - bem ou mal - nem todos os mitos são válidos, nem todos os mitos têm valor. Antes de existirem máquinas de impressão.

"Preciso lembrar isto, preciso lembrar isto, preciso lembrar isto... Tenho que o colocar num tipo qualquer de cesta, num tipo qualquer de contentor, que o torne mais fácil de recordar. Vou encerrá-lo numa história que passarei a contar; e escolherei as palavras de maneira deliberada por não só as palavras carregarem significado, como também carregam som. Determinadas palavras ressoam de determinado modo que outras não. E colocarei nestas palavras, nestes baús do tesouro chamados palavras este e aquele significado. E ele será carregado no imaginário, nos sons assim como nas palavras, serão passadas adiante, de uma geração a outra."

Esses rituais líricos, essas lições de vida, esses mapas de como viver a vida. Vocês podem lavar e limpar os vossos mitos; não as mentiras pelas quais vocês vivem, ou porventura algumas delas o sejam, mas o rituais líricos. Podem lavar as vossas lembranças, os vossos sonhos e as vossas visões nessas lagoas e tanques e cascatas de água. Daí o corredor das lagoas onde as múltiplas vias menos percorridas poderão ser encontradas. Essas lagoas são o ventre da criação, o caldeirão, a água corrente, esses caldeirões individuais. a água corrente que enche essas lagoas. A água estará a correr de baixo para cima?

"Não, não, está a correr de cima para baixo."

Pois bem, então olhem mais perto. (Riso) O ventre da criação, o ventre da Deusa, o caldeirão da vida, guardado pelas mães, a deusa feita Mãe, nem criada nem coroada; tudo metáforas - tudo metáforas! Diferentes nos símbolos da metáfora. Um símbolo conduz a um destino; uma metáfora conduz a uma variedade de destinos, a uma variedade de significados, definições - destinos. Vocês podem entrar nele. Para alguns, a razão porque alinha aqui com a energia da água deve-se a que requeira disposição para mudar e crescer; requer-se uma certa valentia para transmutar e transformar a energia que produz a alegria. Transformar e transmutar - mudar e crescer, que produz alegria. Alegria que é temperada pela força de carácter, mas também pelo poder da possibilidade que tempera a vossa alegria e lhe confere um limite, de modo que se possa focar. Ser feliz, de acordo com essas vias - sejam quais forem que vocês percorram - uma alegria que gera paixão, o sumo.
o ardor da paixão, alguns de vós possuem uma paixão avassaladora; já outros possuem uma paixão muito suculenta, muito embebida. Uma alegria que conduz a uma paixão suculenta e a uma inspiração.

Por ser através dessa paixão e inspiração que sucede a cura. A paixão e a intimidade produzem o apreço, a atenção; a paixão e a inspiração produzem a cura. E vocês necessitam de valentia com essas energias, a fim de uma forma mais efectiva tratarem das vias menos percorridas; fazendo mais um desvio de noventa graus aqui - no corredor do mistério da Terra. Este é o domínio ou o reino dos antepassados - a terra, os idosos e os eremitas. Aqui, o corredor conduz por entre a terra e cortando através da rocha, dos penedos, da substância rumo ao mais profundo - e ao negrume, sem dúvida - nas profundezas do desconhecido. É aí que encontram a paz, a confiança e a calma, aquele corredor que os poderá abrir para a importância.

Para o conseguirem, necessitam de uma intrepidez em relação àquilo que desconhecem. Precisam ser uma pessoa que seja atraída para o desconhecido - para o que é caracterizado por "desconhecido," com um "d" minúsculos, e para o grande Desconhecido, aquele Desconhecido místico que reside além daquele reino em que a possibilidade se torna possível. Necessitam de uma certa relação, de uma certa intrepidez quando tratam deste elemento da terra, no trato do desconhecido que vocês não conhecem assim como no trato do Desconhecido que nunca poderá vir a ser conhecido; dispor-se a ser-se confundido e a cair da incerteza e na dúvida. Outros, sendo céticos, sem serem cínicos, disporem-se a duvidar de si mesmos. Mas muita gente não possui uma relação e uma intrepidez dessas - embora alguns possuam.

Para encontrarem a paz e a equanimidade, precisam estar dispostos a cair da dúvida, na incerteza, na dúvida com relação a vós próprios. Aquilo que brota do Desconhecido, com o que descobrem a autoridade – a vossa autoria – a permissão para serem os autores, a permissão para serem poderosos. Essa autoridade, nascida no desconhecido, é temperada pelo despertar do génio – o génio que em vós usa a confusão e a incerteza e a falta de confiança como trampolim. E se vocês pesquisarem na história da humanidade, na história mesmo do século vinte, e virem todas os avanços científicos e inovações filosóficas, tudo irrompe da invenção e da criatividade. Sempre nasce da confusão, da incerteza e da falta de confiança ou dúvida pessoal. Aqueles génios que foram reconhecidos no vosso passado, sejam génios científicos ou génios académicos – no verdadeiro sentido do termo e não no sentido de tirar boas notas, por isso não ser necessariamente genialidade - mas todos os avanços e inovações que se deram, toda a invenção e todas as criações brotaram da dúvida pessoal, brotaram da confusão, brotaram da incerteza que foram utilizadas não no sentido de atrofiar nem como uma desculpa mas como um trampolim, da parte daqueles que admitiram e se deixaram levar pelo processo, em busca de paz e de confiança, em busca de um sentido de autocontrolo com um ideal ou uma ideia ou fragmentos da autoridade. Eles necessitavam de autoridade neles próprios, nascida da autoridade do desconhecido, temperada do génio que utiliza essa confusão como trampolim, mais o poder do possível – o poder do possível.

Isso é o que aquela alegria definida pelo carácter cujo outro lado disso consta do poder do possível mais o despertar do génio – definição dessa autoridade; e a partir dessa autoridade inspiração e liberdade que conduzem a uma profunda escolha, profundidade de escolha onde se encontra a paz a confiança e a equanimidade. Há o caso de alguém que há décadas atrás, quando lidava com o sucesso, referiu algo muito belo e magnífico:

“Sabe, eu criei este sucesso que constantemente me trás apavorado, a que me agarrei para o manter e em que o acabei por perder, e todo esse tipo de coisa. Mas um dia despertei para o facto de eu ter criado esse sucesso, em relação ao qual não mais alimentava ansiedade alguma, por saber que se o perdesse podia criá-lo de novo. Por saber desde logo que o criei, sei que o podia criar de novo.”

Com certeza. E quando estiverem em contacto com a profundidade da escolha, quando tiverem esse sentido esse saber do poder da escolha, vocês descobrem confiança, descobrem equanimidade e a paz. E vocês necessitam ser intrépidos nessas áreas para poderem percorrer esse corredor do mistério que pode conduzir à importância.
Na noite passada estiveram neste limiar e retiraram-se numa ou noutra direcção; talvez tenha sido a direcção do vosso elemento. Mas se investigarem qual será o vosso elemento, notarão:

“Caramba, talvez não o tenha percebido com esta clareza anteriormente, mas é verdade; alguns de vós possuem uma certa intrepidez quanto toca ao poder e à responsabilidade. Todos vós podeis, mas alguns de vós possuem uma relação, um à-vontade, uma confiança, uma familiaridade, uma disposição para abranger com ânsia e entusiasmo. Já no caso de outros, conseguem-no, mas requer um maior esforço, exige mais decisão e escolha mais conscientes. Para alguns de vós, faz parte da vossa graça – o elemento ar, porventura. Para aqueles de vós que forem do elemento fogo, o vosso elemento de entre os quatro, uma vez mais uma metáfora, são dotados de uma percepção perspicaz, a capacidade de peneirar por entre da penugem do passado e descobrir o que é real e o que é tradição e o que reside no âmago, e podem tirar um sentido do futuro percepção das pessoas, percepção das situações, capacidade de tratarem disso, que lhes acorre com tanta facilidade que se interrogam se estarão a perder alguma coisa.

Para aqueles do elemento da água, vós, do mesmo modo gozam dessa intrepidez e facilidade e conforto, quando toca a mudança e a crescimento, quando tem que ver com o transmutar e o transformar – claro, é quase como deitar um toro de árvore abaixo. Mas depois há aqueles de vós para quem o desconhecido é fonte de sedução e de emoção (excitação) que adoram em absoluto e quase permanecem por tempo demais, e quase sentem desapontamento quando o conhecimento lhes chega. Se tiverem por elemento a terra, terão aquela energia que talvez suceda naturalmente.

Outro de vós retirar-se-ão para um outro elemento, que não o vosso, com que também possam ter uma relação e à-vontade, mas entendam que todas essas qualidades de que a liberdade, a individualidade, a alegria e a autoria brotam, acham-se ao dispor de todos, em diferentes graus, não de dificuldade, diferente graus de atenção consciente – alguns mais, outros menos. Esses são os corredores. 


O DESPERTAR DESSE ESPLENDOR DA VITÓRIA

Vencer não significa ser-se bem-sucedido apenas; e o brilho da vitória, o esplendor, constitui algo mais. A graça não tem que ver unicamente com sentir-se feliz e tocar o contentamento, embora de facto a felicidade do contentamento constitua um dos maiores componentes, um dos principais componentes da alegria ou graça; mas não basta ser-se feliz.

Mas, de que modo se desperta tal esplendor? Como se desperta este lustre? Esplendor significa brilho; de acordo com o dicionário, esplendor significa Luz Grandiosa. Brilho, de acordo com o dicionário significa fulgor, e decerto que isso é verdade, no que toca ao significado do esplendor. Mas no sentido mais esotérico do viver a vida, esplendor significa algo imponente e magnífico.

Esplendor também significa algo de grandioso interiormente, não necessariamente capaz de ser traduzido por palavras aquilo que especificamente é imponente ou magnífico, ou grandioso na forma mas antes na sua função. Esplendor é igualmente aquilo que é nobre e elevado e honroso, digno de gerar mudança. Aquilo que é nobre e honrado com respeito à força do vosso carácter e integridade, mas o vosso carácter. O esplendor também pode representar aquilo que é despercebido da sensatez, posteriormente percebido como intimidade, paixão, ou da despercebida inspiração.

Assim, para despertarem o que é imponente e magnífico com respeito à vossa propensão, à vossa alegria, despertar algo de grandioso na vitória e na alegria, na verdade agitar e colocar em marcha, iniciar aquilo que é nobre e honrado na vossa vitória e na vossa graça ou alegria, que pode trazer intimidade, paixão ou inspiração. Mas o mérito, o valor de tal despertar… Não será suficiente vencer e sentir alegria? É sim, certamente que é suficiente ser vencedor e vencer; é suficiente ter alegria e deixar que a graça, por estarem aqui para a prenderem a ter alegria, propósito principal de toda encarnação, só que pode traduzir-se por muito mais, entendem? Esse esplendor pode abrir as portadas do que tem importância para vós. Entender o que importa, mas mais do que isso deixar que se manifeste na vossa realidade. Uma coisa é saber que a saúde e a riqueza tem importância para vós, já gozar disso é outra coisa. Muita gente poderá saber o quão importa a saúde e a riqueza, protecção e segurança, sobreviver; porém, gozar dessas coisas, viver essas coisas pode representar um outro assunto. 

Tratar do esplendor da vitória e da alegria pode representar uma outra via de abertura na descoberta mais profunda e mais rica do que importa mais, assim como uma maneira de trazer a realidade disso a esta ilusão – deixar que aquilo que importa se torne parte daquilo que importa se torne parte do viver da vossa vida. Também pode representar uma maneira de desenvolver uma conexão com o próprio conceito da importância e de acederem à magia da importância. Vocês podem operar com a magia, e de facto fazem-no, mas quando conseguirem chegar a um alinhamento, não só em vós próprios mas em alinhamento com a magia, com o mistério da importância, a magia que operarem tornar-se-á tanto mais potente que pode chegar a ser exponencial e catapulta-los, ao invés de permanecerem sós ou de trabalharem sem esse o acrescento desse ingrediente ou desse componente do mistério da importância.


Estes anos constituem a fundação, entendem; toda esta década tem que ver com a edificação, vocês estão a edificar todo um novo mundo, estão a fundar todo um novo mundo. Isso não vai ocorrer de repente, mas vocês estão a fundar todo um novo mundo, e estabelecem toda essa fundação, primeiro pela criação daquele “espaço,” aquele domínio, e depois pelo despertar do mistério, e subsequentemente pela elevação da arte de manifestar e de criar e da sua expansão, e de seguida pela criação de uma noção de união, reunindo de acordo e em concordância com o coração, compelidos pelo amor e objecto da lealdade, para posteriormente passarem para a iluminação – para além da união – para iluminar, e nessa iluminação descobrir o que importa – para além do óbvio, para além da riqueza e da saúde que se tornaram clichés por terem tanta realidade e eminentes na realidade de toda a gente. Realismo que não deve ser menosprezado, só que há algo mais. Saber o que importa, sem dúvida, estabelecer uma conexão com o conceito, com a energia, com as forças da importância, com o seu mistério, por conter poder. Quando se encontram na repercussão que exerce, quando se vêm nessa situação, então a realidade que vivem e as interacções que criam tornam-se…

Sabem o que tem importância – a vossa riqueza e saúde, mais duas ou três coisas como a família e os filhos, esposa ou marido – mas tudo isso se situa no exterior. Têm noção do que tenha importância e podem lista-lo, podem enumera-lo, sentir com relação a isso, emocionar-se, mas quando toca a vivê-lo, ficam assustados; quando toca a vivenciar isso, todas as outras coisas se intrometem no caminho. Certamente não é que não vivenciem nada disso mas é que o circundam com tanta luta, com tanto receio, com tanto sofrimento. Só que quando podem obter uma relação em que a importância seja coisa que possam abranger, em função do que possam sentir-se ansiosos, quando a importância seja algo que consigam viver ou dar-lhes folgo, então têm o mistério e o poder que encerra às vossas ordens. E tanto daquilo que já conhecem com relação à criação da realidade torna-se tanto mais vivo, mais nítido.

Por isso, vocês têm conhecimento acerca da vitória e da satisfação; agora, onde está o esplendor, onde reside a grandiosidade e a sumptuosidade do vencer e da obtenção da satisfação, a grandiosidade e nobreza; que será que passa despercebido em termos de sabedoria, intimidade, paixão e inspiração nas vossas vitórias e no vosso saber? Mas há maneiras de conseguir isso, há maneiras de despertar essa luz grandiosa, esse brilho. Que começam pelo óbvio:

Primeiro, tratar do triunfo. Tratar as resistências que lhe movam. Mesmo aqueles que o tenham feito e estejam a sair vitoriosos – sem dúvida. Pois voltem atrás e verifiquem de novo o que aí se lhes apresenta. Qual será a repercussão (ressonância) ancorada e estabelecida ciente da beleza do caos? Que haverá na magia da vossa vulnerabilidade – não apenas na vossa vulnerabilidade, não apenas: “Eu sou vulnerável; que é que queres?” mas entrar em contacto com a magia dessa vulnerabilidade, com o espanto da boa sorte, do vigor do vosso carácter. Tem que ver com o mistério da escolha de modo a celebrarem a vida, não enquanto efeito mas enquanto causa. Celebrar a vida por meio do superar e sobrepujar. Estabelecer contacto com tais energias até as chegarem a conhecer e explorar, de modo a poderem entrar nessa ressonância.

Puseram termo à dependência que tinham para com o vosso passado e não mais o arrastam convosco, ou pelo menos não com a mesma frequência, não precisam fazê-lo, por o poderem descartar com facilidade. Sentem o ímpeto, sentem a motivação – agora, qual será a repercussão em cujo âmbito querem entrar, de que querem ter consciência? Revejam isso, tratem disso, desenvolvam-no; deixem que se torne mais fluído na vossa realidade, assim como com o ser vitorioso. Rejam aos vossos êxitos e fracassos, descubram o trabalho gratificante, as relações individuais, etc. Responder desse modo particular, com a celebração do triunfo.

 Transcrito e traduzido por Amadeu António

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