sexta-feira, 14 de outubro de 2016

DRAMAS ASSOCIADOS À REENCARNAÇÃO



SESSÃO 521
Bom, boa noite. (“Boa noite, Seth.”) 
O vosso próprio ambiente inclui muito mais do que vocês possam ter suposto. Anteriormente referi-me ao vosso ambiente nos termos da existência e dos ambientes curcunvizinhos com que estão actualmente ligados. Na verdade, vocês têm muito pouca consciência do vosso contexto ou ambiente mais amplo. Considerem o vosso eu atual como um actor numa peça; o que dificilmente representará uma analogia nova, mas uma que se adequa. A cena situa-se no Século Vinte. Vocês criam os acessórios, os cenários, os temas; na verdade, escrevem, produzem e representam o espetáculo inteiro – vocês e todos os outros participantes. Contudo, acham-se de tal modo concentrados nos vossos papéis, de tal modo encantados com os problemas, os desafios, as esperanças e as tristezas dos vossos papéis, que esqueceram de que eles são uma criação vossa.
Essa peça dramática e intensamente comovente, com todas as suas alegrias e tragédias, pode ser comparada à vossa vida presente, ao vosso ambiente atual, tanto individualmente como em massa. Contudo, existem outras peças, que decorrem em simultâneo, nas quais vocês também desempenham um papel. Elas têm o seu próprio cenário e os seus próprios adereços. Desenrolam-se em diferentes períodos do tempo. Uma poderá ser chamada de “Vida no Século Doze d.C.” Outra, “Vida no Século Dezoito,” ou “em 500 a.C.,” ou “em 3000 d.C.” Vocês também criam essas peças dramáticas e atuam nelas. Esses cenários também representam o vosso ambiente, o ambiente que cerca toda a vossa personalidade.
Contudo, refiro-me à porção do vosso ser que toma parte nessa peça particular; e essa porção específica da vossa personalidade inteira encontra-se tão concentrada neste drama, que vocês não têm consciência dos outros dramas em que também desempenham um papel. Vocês não entendem a vossa própria realidade multidimensional; por conseguinte quando digo que vocês vivem muitas existências ao mesmo tempo, isso soa-lhes estranho ou mesmo inacreditável. Já se lhes torna difícil imaginar situar-se em dois lugares ao mesmo tempo, quanto mais em duas ou mais épocas ou séculos.
Bom, para simplificar, o tempo não é formado por uma série de momentos. As palavras que vocês pronunciam, os actos que realizam, parecem ter lugar no tempo, da mesma forma que uma cadeira ou uma mesa parecem ocupar espaço. Essas aparências, contudo, são uma parte dos complicados adereços que vocês definiram “antecipadamente,” que no âmbito da peça precisam aceitar como reais.
Quatro horas da tarde é uma referência muito conveniente. Vocês podem dizer a um amigo: “Vamos encontrar-nos às quatro horas na esquina,” ou em um restaurante, para tomarem uma bebida, para conversarem ou tomarem uma refeição, e o vosso amigo saberá exatamente onde e quando encontrá-los. Isso sucederá a despeito do facto de "quatro horas da tarde" não ter qualquer significado básico, mas ser uma designação definida por acordo – um acordo de cavalheiros, se preferirem. Se vocês forem ao teatro às nove horas da noite, mas o enredo da peça se passar de manhã e os actores aparecerem a tomar o café da manhã, vocês aceitarão o horário estabelecido pela peça teatral, fingindo que é de manhã.
Cada um de vocês acha-se agora envolvido numa produção muito maior, em que todos concordam com certas suposições básicas que servem como âmbito de tal peça. As suposições são a de que o tempo seja uma sequência de momentos, um atrás do outro; a de que um mundo objetivo exista de forma totalmente independente da própria criação e percepção que têm dele; de que vocês se encontram presos nos corpos físicos que envergaram; e de que se veem limitados pelo tempo e pelo espaço.
Outras suposições, aceitas pela mesma razão, incluem a ideia de que toda a percepção lhes chega através de vossos sentidos físicos; por outras palavras: que toda a informação lhes chega de fora, e que nenhuma informação pode vir de dentro. Por conseguinte, vocês veem-se forçados a concentrar-se intensamente nas ações da peça. Agora, essas diversas peças, esses fragmentos criativos de períodos, representam o que vocês chamariam de reencarnações.
Todas elas existem, basicamente, ao mesmo tempo. Os que ainda se encontram envolvidos nesses seminários tipo "Dramas da Paixão" altamente complicados, chamados reencarnações, acham difícil enxergar além deles. Alguns, que estão como que a descansar entre diferentes produções, por assim dizer, tentam comunicar com aqueles que ainda estão a tomar parte; mas eles próprios encontram-se simplesmente nos bastidores, digamos assim, e conseguem enxergar somente até determinada distância.
As peças parecem decorrer uma atrás da outra, pelo que essas comunicações parecem intensificar a falsa ideia de que o tempo seja uma sequência de momentos, que passe pela linha única que vai de algum ponto inicial inconcebível até um final igualmente inconcebível.
Isto leva-os a pensar em termos de um progresso muito limitado, tanto em termos individuais como nos termos da vossa espécie no seu todo. Aqueles de vós que chegam a considerar a reencarnação pensam: “Bom, com certeza que a raça deve ter progredido desde o tempo da Idade Média,” embora receiem bem que isso possa não ter acontecido; ou voltam-se para o progresso tecnológico e dizem: “Pelo menos percorremos um bom percurso nessa direção.”
Podem sorrir e pensar, que seja muito difícil imaginar um senador Romano a dirigir-se às multidões por meio de um microfone, por exemplo, ou os seus filhos a assistir ao seu desempenho pela televisão. Tudo isso, porém, é muito ilusório. O progresso não tem existência nos termos que vocês consideram, assim como o tempo. Em cada peça, tanto individual como coletivamente, apresentam-se problemas diferentes. O progresso pode ser aferido pelas formas particulares em que esses problemas tenham ou não sido resolvidos. Grandes avanços se deram em certos períodos. Por exemplo: surgiram grandes derivações que, do vosso ponto de vista, talvez não considerem absolutamente como progresso.
Os “bom,” com que inicio uma frase, são muitas vezes deixas que lhes dirijo, e não necessitam acompanhar o texto. Bom: (com humor e mais alto): Em certas peças, falando de um modo geral, os actores trabalham cada um numa porção aparentemente minúscula de um problema maior, que a própria peça deverá decidir.
Embora eu empregue aqui a analogia de um drama, essas “peças” são assuntos altamente espontâneos, no sentido de os actores disporem de liberdade total no âmbito de estrutura da peça. Mas admitindo tais suposições, não existem ensaios. Existem observadores, conforme verão mais adiante no nosso livro. Como em qualquer boa produção teatral, cada peça gira em torno de um tema geral. Os grandes artistas, por exemplo, não surgiram de um período particular simplesmente por terem nascido nele, ou por as condições serem favoráveis. (De acordo com Seth, cada indivíduo escolhe o período e o lugar de cada “vida” no ciclo de reencarnações.)
A peça em si envolvia o objectivo da actualização da verdade intuitiva no que vocês considerariam como forma artística, dotada de uma criatividade de resultados tão vastos e abrangentes que serviriam para despertar capacidades latentes em cada actor, e serviria de modelo de comportamento.
Períodos de renascimento – espiritual, artístico ou psíquico – dão-se por causa do intenso foco interior daqueles que se acham envolvidos no drama, que é dirigido para tais fins. O desafio pode ser diferente em cada peça, mas os grandes temas servem de faróis para toda a consciência. Eles servem de modelo.
O progresso o nada tem a ver com o tempo, mas sim com o foco psíquico e espiritual. Cada peça é totalmente diferente das outras. Não é correto, portanto, supor que os actos que cometam nesta vida sejam causados por uma existência prévia, ou que estejam a ser castigados nesta vida por crimes causados numa existência passada. As vidas são simultâneas.
A vossa própria personalidade multidimensional é de tal modo dotada que pode assumir essas experiências e ainda assim conservar a sua identidade. Ela é, naturalmente, afetada pelas várias peças em que participa. Dá-se uma comunicação instantânea e, se preferirem, um sistema instantâneo de resposta. Essas peças dificilmente são destituídas de propósito. Nelas, a personalidade multidimensional aprende por intermédio das próprias ações. Experimenta uma variedade infinita de posturas, padrões comportamentais e atitudes, em resultado do que muda outras.
A palavra “resultado” infere automaticamente na noção de causa e efeito – na ocorrência da causa antes do efeito, e isto é simplesmente um pequeno exemplo do vigor de tais distorções e das dificuldades que o pensamento verbal envolve, que sempre sugere um traçado de uma linha só.
Vocês são o eu multidimensional que tem essas existências, que cria e tem lugar nesses dramas passionais cósmicos, por assim dizer. Apenas por se concentrarem neste papel particular actual, é que identificam todo o vosso ser com ele. Vocês definiram tais regras para vós mesmos por uma razão. E a consciência encontra-se num estado de transformação, de modo que esse eu multidimensional de que falo não é uma estrutura psicológica já completa e acabada. Ele também se encontra num estado de vir-a-ser.
Ele está a cultivar a arte da realização e contém, dentro de si, fontes infinitas de criatividade, possibilidades ilimitadas de desenvolvimento. Mas ainda precisa cultivar os meios para se realizar, e precisa encontrar dentro de si meios para trazer à existência as inúmeras criações que tem dentro de si.
Por conseguinte, ele cria uma variedade de condições em que operar, e define desafios, alguns destinados ao fracasso, nos vossos termos, pelo menos inicialmente, por precisar criar primeiro condições onde produzir essas novas criações. E tudo isso é feito com muita espontaneidade e uma infinita alegria.  
Consequentemente, vocês criam um número muito maior de ambientes do que percebem. Agora, cada actor, ao desempenhar o seu papel, ao se concentrar na sua peça, tem um roteiro interior. Ele não é, pois, abandonado na sua própria criação, numa peça de que se tenha esquecido. Possui conhecimento e informações que lhe chegam através do que designo por sentidos internos.
Ele possui outras fontes de informação, pois, para além daquelas que são dadas estritamente nos limites da produção teatral. Cada actor tem consciência instintiva disso, mas existem períodos estabelecidos e permitidos dentro da própria peça, para os quais cada actor se retira a fim de se revigorar. Nesses períodos ele é informado, por meio dos sentidos internos, dos outros papéis que tem, e compreende que é muito mais do que o eu que aparece em qualquer das peças. Nesses períodos, ele compreende que teve participação na elaboração da peça, e é libertado das suposições que o prendem enquanto se acha activamente preocupado com as actividades do drama. Esses períodos, coincidem evidentemente com os seus estados de sono e do sonhar; mas existem igualmente outras alturas em que cada actor percebe claramente que se encontra cercado de adereços, e em que a sua visão subitamente penetra na realidade aparente da produção.
O que não significa que a peça não seja real ou que não deva ser levada a sério. Significa, o desempenho de um papel – um papel importante. Contudo, todo actor precisa compreender por si próprio, a natureza da produção e conhecer a parte que tem nela. Ele precisa actualizar-se fora dos limites tridimensionais do cenário da peça.
Existe uma enorme cooperação por trás dessas produções importantes, e ao desempenhar o seu papel, cada actor actualiza-se no âmbito da realidade tridimensional. O eu multidimensional não pode agir no âmbito da realidade tridimensional até materializar uma porção de si mesmo dentro dela.  
No âmbito dessa realidade ele produz todo o tipo de criatividade e de desenvolvimento que não poderiam surgir de outra forma. Entretanto, precisa forçar-se a sair desse sistema, por meio de um outro acto, de uma outra actualização, da parte de si que é tridimensional. Durante a existência tridimensional que tem, ele terá ajudado outros em aspectos que de outro modo poderiam não ser ajudados, e ele próprio ter-se-á beneficiado e desenvolvido em aspectos que de outro modo não poderiam desenvolver-se.
Bom: O significado da peça acha-se, pois, dentro de vós. É somente a porção consciente do vosso ser que representa tão bem e que está tão firmemente concentrada nos adereços da produção. O propósito de qualquer vida específica acha-se ao vosso alcance – o conhecimento que se encontra por abaixo da superfície do eu consciente que vocês conhecem. Também têm à vossa disposição todo o tipo de indícios e de pistas.
Vocês têm o conhecimento inteiro da vossa personalidade multidimensional ao dispor e quando percebem isso, este conhecimento permite-lhes resolver os problemas ou enfrentar os desafios que estabeleceram mais rápido, nos vossos termos; e também abre áreas adicionais de criatividade com as quais toda a peça ou produção podem ser enriquecidas.
A proporção em que permiterem que as intuições e o conhecimento do eu multidimensional fluam através do vosso eu consciente, será a proporção em que não só desempenharão mais eficazmente o papel que têm na peça, como também lhe acrescentarão uma nova energia, novas percepções e uma nova criatividade a toda a sua dimensão.
Agora, parecer-lhes-á, naturalmente, que vocês sejam a única parte consciente de si mesmos, por se estarem a identificar com o actor nesta produção específica. Contudo, as outras porções da vossa personalidade multidimensional, nessas suas peças reencarnatórias, também são conscientes. Mas por serem uma consciência multidimensional, “vocês” também são conscientes nas outras realidades que se acham para além desta. A vossa personalidade multidimensional, a vossa verdadeira identidade, o eu real, é consciente de si mesmo como ele próprio, em qualquer desses papéis.  
SESSÃO 522
Essas “peças de época,” no geral, são dotadas de um propósito definido. Pela sua própria natureza a consciência busca materializar-se em tantas dimensões quantas possíveis – para criar novos níveis de percepção a partir de si mesma, novas ramificações. Ao fazer isso, cria toda a realidade. A realidade, por conseguinte, encontra-se num permanente estado de transformação. Os pensamentos que vocês têm, por exemplo, nos vossos papéis de actor, ainda são únicos e conduzem a uma nova criatividade. Certos aspectos de vossa própria consciência não poderiam realizar-se por nenhuma outra forma.
Quando vocês pensam na reencarnação, supõem uma série de progressões. Entretanto, as várias vidas brotam daquilo que for o vosso eu interior. Elas não lhes são impostas por intermédio de nenhum agente externo. Elas constituem o desenvolvimento material que se verifica à medida que a vossa consciência se abre e se expressa por tantas formas quantas possíveis. Não se acha restrito a uma vida tridimensional, nem restrito apenas à existência tridimensional.
A vossa consciência passa a adoptar diversas formas, formas essas que não precisam ser semelhantes, tal como, digamos, uma lagarta não se assemelha a uma borboleta. A alma ou entidade tem total liberdade de expressão. Ela muda a forma que tem para se ajustar à expressão que adopta, e produz ambientes semelhantes a cenários e mundos que se lhes preste aos propósitos. Cada cenário produz novos desenvolvimentos.
A alma ou entidade é composta por uma energia espiritual altamente individualizada. Ela forma o corpo que vocês actualmente adoptam, e é o poder motivador que se acha por trás da vossa sobrevivência física, pois dela vocês obtêm a vossa vitalidade. A consciência jamais pode permanecer estática, mas busca sempre mais criatividade. A alma ou entidade, pois, dota a simesma de uma realidade tridimensional, e do eu tridimensional, nas suas próprias propriedades. As capacidades da entidade encontram-se dentro do eu tridimensional. O eu tridimensional, o actor, tem acesso a essa informação e a esses potenciais. Ao aprender a usar tais potenciais, ao aprender a redescobrir a relação que tem com a entidade, o eu tridimensional eleva ainda mais o nível da realização, da compreensão e da criatividade. O eu tridimensional torna-se mais do que aquilo que conhece.
Não só a entidade sai fortalecida, como porções dela, ao se terem actualizado na existência tridimensional, passam agora a contribuir para a própria qualidade e natureza dessa existência. Sem essa criatividade, a vida planetária, nos vossos termos sempre seria estéril. A alma ou entidade dá alento ao corpo e ao eu tridimensional dentro dele, e o eu tridimensional cuida do seu propósito que tem de abrir novas áreas de criatividade.
As entidades ou, por outras palavras, as almas, emitem porções de si mesmas a encetar vias de realidade que de outra forma talvez não existissem. Para existir nessas realidades essas entidades tridimensionais precisam concentrar nelas toda a sua atenção. Uma percepção interior fornece-lhes uma fonte de energia e de força. Contudo, precisam chegar a compreender o papel que têm de actores, “por fim” a partir desses papéis e por meio de um outro acto de compreensão, regressar à entidade.
Há quem surja plenamente consciente dentro dessas peças. Tais personalidades assumem de bom grado esses papéis, com consciência de serem papéis, a fim de levarem os outros à compreensão e ao desenvolvimento necessários. Levam os actores a enxergar além das versões de si e dos cenários que eles criaram.
Essas personalidades de outros níveis de existência, supervisionam a peça, por assim dizer, e surgem por entre os actores. O seu propósito é o de abrir, nas personalidades tridimensionais, aqueles acessos psicológicos que lhes venham a propiciar um maior desenvolvimento num outro sistema de realidade.
Bom: Vocês estão a aprender a ser cocriadores. Estão a aprender a ser deuses, conforme actualmente entendem esse termo. Estão a aprender responsabilidade – a responsabilidade de qualquer consciência individualizada. Estão a aprender a manusear a energia que são vocês próprios, com propósitos criativos.
Vocês irão ver-se ligados àqueles que amam e àqueles que odeiam, embora venham a aprender a libertar, abandonar e a dissipar o ódio. Irão aprender a usar até mesmo o ódio de uma forma criativa e a direcioná-lo para fins mais elevados, transformando-o finalmente em amor. Esclarecerei isto mais à frente.
Os cenários do vosso ambiente físico, a parafernália por vezes encantadora, os aspectos físicos da vida conforme vocês os conhecem, são todos camuflagens, e por isso eu chamo à vossa realidade física camuflagem. Contudo, essas camuflagens são compostas pela vitalidade do universo. As rochas, as pedras, as montanhas e a terra são uma camuflagem viva, teias psíquicas interligadas, formadas por minúsculas consciências que vocês não conseguem perceber como tais. Os átomos e moléculas que se acham nelas possuem a sua própria consciência, como os átomos e moléculas do vosso corpo.
Dado que todos vocês participaram na formação deste cenário físico, e dado que se acham acomodados numa forma física, então, pelo uso dos sentidos físicos só irão perceber este fantástico cenário. A realidade que existe tanto dentro como fora dele irá iludi-los. Porém, até mesmo o actor, não é completamente tridimensional. Ele faz parte de um eu multidimensional.
Dentro dele existem métodos de percepção que lhe permitem ver através dos cenários da camuflagem, ver além do palco. Ele usa constantemente esses sentidos internos, embora a parte de actor dele esteja tão concentrado na peça que isso lhe escape. De uma forma ampla, os sentidos físicos com efeito moldam a realidade física que parecem apenas perceber. Eles próprios fazem parte da camuflagem, mas são como lentes lançadas sobre as vossas percepções internas naturais que os forçam a “ver” um campo acessível de actividades como matéria física; e assim, só podem confiar neles apenas quanto ao que lhes reportar acerca do que esteja a acontecer de um modo superficial. Vocês podem, por exemplo, constatar a posição dos outros actores, ou apurar as horas pelo relógio, mas esses sentidos físicos não lhes dirão que o próprio tempo é uma camuflagem nem que a consciência forma os outros actores, ou que acima e além da matéria física tão evidente existem realidades que não conseguem ver.
Contudo, vocês podem, usar os vossos sentidos interiores, perceber a realidade como ela existe, aparte da peça e do papel que têm nela. A fim de conseguirem isso, vocês precisam, momentaneamente pelo menos, evidentemente, desviar a vossa atenção da constante atividade que está a ocorrer – como que desligar os sentidos físicos – e voltar a atenção para os eventos que lhes escaparam anteriormente.
Para resumir: o efeito seria algo como trocar um par de óculos por outro, pois, porquanto basicamente, para o eu interior os sentidos físicos são tão artificiais quanto um par de óculos ou um aparelho de surdez para o eu físico. Os sentidos internos, pois, só raramente são usados de modo plenamente consciente.
Vocês ficariam, por exemplo, mais do que desorientados, mas aterrorizados se, de entre o momento actual e o seguinte, o vosso ambiente familiar, conforme o conhecem, desaparecesse e fosse substituído por outros conjuntos de informação que não estivessem preparados para compreender; por muita ser a informação dos sentidos internos que precisa ser traduzida em termos que vocês possam entender. Tal informação precisa, de algum modo, fazer sentido para vocês, enquanto seres tridimensionais que são.
O vosso conjunto particular de camuflagem não é único, entendem? Outras realidades possuem sistemas completamente diferentes, mas todas as personalidades possuem sentidos interiores que constituem atributos da consciência; e por meio desses sentidos interiores são normalmente mantidas comunicações de que o eu consciente pouco conhecimento tem. Parte de meu propósito é tornar algumas dessas comunicações conhecidas.
A alma ou entidade, pois, não é o eu que lê este livro. O vosso ambiente não é simplesmente composto pelo mundo que os cerca e que vocês conhecem, mas também consiste em ambientes de vidas passadas nos quais vocês não se estão a concentrar agora. O vosso ambiente real é composto pelos vossos pensamentos e pelas vossas emoções, pois com eles formam não apenas esta realidade, mas todo realidade na qual participem. O vosso verdadeiro ambiente não concebe espaço nem tempo como vocês os conhecem. No vosso ambiente real vocês não têm necessidade de palavras, porquanto a comunicação é instantânea. No vosso ambiente real, vocês formam o mundo físico que conhecem.
Os sentidos interiores permitir-lhes-ão perceber a realidade independente da forma física. Peço que, por ora, esqueçam por um instante os papéis que desempenham e que experimentem este exercício simples. Ora bem, imaginem que estão num palco iluminado, palco esse que será a sala em que se encontram neste momento sentados. Fechem os olhos e finjam que as luzes se apagaram, que o cenário desapareceu e que vocês se encontram sozinhos.
Tudo está escuro. Fiquem em silêncio. Imaginem, tão vívidamente quanto possível, a existência dos sentidos interiores. Por ora finjam que eles correspondem aos vossos sentidos físicos. Afastem da mente todos os pensamentos e preocupações. Permaneçam receptivos. Ouçam com muita suavidade – não os sons físicos, mas os sons que lhes chegam através dos sentidos internos. Talvez comecem a surgir imagens. Aceitem-nas como visões tão válidas quanto as que veem fisicamente. Imaginem que existe um mundo interior, e que ele lhes será revelado quando aprenderem a percebê-lo por esses sentidos internos.
Finjam que estiveram cegos para esse mundo durante toda a vossa vida, e que agora estão lentamente a adquirir visão nele. Não julguem todo o mundo interior pelas imagens desconexas que talvez venham inicialmente a perceber, nem pelos sons que inicialmente possam ouvir, pois assim ainda estarão a usar os vossos sentidos internos de maneira imperfeita.
Pratiquem este exercício durante alguns momentos antes de dormir ou quando estiverem a repousar. Ele pode ser feito até mesmo em meio a uma tarefa comum que não lhes tome toda a atenção. Vocês estarão simplesmente a aprender a focalizar-se numa nova dimensão da percepção, estarão a tirar uns instantâneos num ambiente estranho. Lembrem-se de que somente irão perceber fragmentos. Aceitem-nos simplesmente, mas não tentem fazer qualquer julgamento generalizado nem interpretações nessa fase.
Dez minutos por dia, de início, será suficiente. Agora, a informação que consta deste livro está, até certo ponto, a ser dirijida por meio dos sentidos internos da mulher que se encontra em transe enquanto eu a dito. Esse esforço é resultado de uma precisão interna e de um treino altamente organizados. Ruburt não poderia receber de mim esta informação – nem tão pouco ela poderia ser traduzida ou interpretada – enquanto ele estivesse intensamente focado no ambiente físico. Assim, os sentidos internos são canais que propiciam comunicação entre as várias dimensões de existência. Contudo, até mesmo aqui, a informação precisa ser em certa medida distorcida, ao ser traduzida nos termos físicos. De outra forma, não seria percebida de todo.
SESSÃO 523
Bom: Despendi algum tempo a salientar o facto de que cada um de nós forma o seu próprio ambiente, por querer que entendam que a responsabilidade pela vossa vida e pelo vosso ambiente lhes cabe.  
Se acreditarem no contrário, estarão a restringir-se; o vosso ambiente, pois, representa a soma total do conhecimento e experiência. Enquanto acreditarem que o vosso ambiente seja objetivo e independente de vós próprios, em grande parte irão ver-se impotentes para o mudar, para ver além dele, ou para imaginar outras alternativas que possam ser menos evidentes. Mais tarde exporei sobre diversos métodos que lhes permitirão mudar o vosso ambiente ou contexto de uma forma benéfica e drástica. Também debati a reencarnação em termos do ambiente, por muitas escolas de pensamento enfatizarem demasiado os efeitos das existências reencarnatórias, de modo que muitas vezes explicam as circunstâncias da vida atual como resultado de padrões rígidos e inflexíveis, determinados numa “vida passada.”
Vocês hão-de sentir-se relativamente incompetentes para lidar com a realidade física actual, para alterar o vosso ambiente ou meio, ou mesmo para influenciar ou mudar o vosso mundo, caso sintam estar à mercê de condições sobre as quais não têm qualquer controlo. As razões apresentadas para justificar tal sujeição pouca importância têm a longo prazo, por as razões mudarem com o tempo e com a vossa cultura.
Vocês não estão sobjugados a uma sentença com base no pecado original, por nenhuma ocorrência de infância ou experiências de vidas passadas. A vossa vida, por exemplo, pode ser muito menos satisfatória do que vocês gostariam de admitir. Vocês podem ser menos, quando poderiam ser mais, mas não estão sob uma mortalha colocada sobre a vossa psique, devida quer ao pecado original, às síndromes da infância, de Freud, ou mesmo à influência de vidas passadas.
Conforme expliquei anteriomente, as vidas ou “peças” estão a decorrer ao mesmo tempo. A criatividade e a consciência jamais constituem realizações lineares. Em cada vida, vocês escolhem e criam os vossos próprios cenários ou ambientes, e nesta, vocês escolheram os vossos pais e os incidentes da infância que fizeram parte de vossa experiência. Vocês escreveram o argumento. Contudo, como qualquer professor distraído, o eu consciente esquece tudo isso, de modo que quando no argumento surge uma tragédia, uma dificuldade ou um desafio, ele procura alguém ou algo a quem culpar. Antes de terminar este livro, espero mostrar-lhes precisamente como criam cada instante da vossa experiência, a fim de começarem a exercer a vossa verdadeira responsabilidade criativa num nível consciente – ou perto disso.
Enquanto leem este livro, de vez em quando deem uma olhada na sala em que se encontram. Cadeiras e mesas, tetos e pisos, podem parecer muito reais e sólidos – permanentes – enquanto vocês, ao contrário, sentem-se altamente vulneráveis, presos entre o momento do nascimento e o momento da extinção. Podem até sentir ciúme ao pensarem nisso, e imaginar que o universo físico continuará a existir muito depois de vocês haverem partido. Quando terminarmos o livro, porém, espero que já tenham percebido a validade eterna da vossa própria consciência e a impermanência dos aspectos físicos do vosso ambiente e do vosso universo, que agora parecem tão seguros.

In: Seth Speaks, Capítulo 4
Traduzido por Amadeu António



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