terça-feira, 11 de outubro de 2016

CONSCIÊNCIA E PERSONALIDADE




Conceitos Preliminares

SESSÃO 511
Bom: Dou-lhe as boas-noites, Joseph. (“Boa-noite, Seth.”) Nosso amigo, Ruburt, está nervoso o que de certa forma é compreensível; portanto, serei paciente com ele. Entretanto, vamos iniciar com o primeiro Capítulo. (Sorriso.) Ruburt poderá redigir uma introdução, se o desejar.  
Bom: Vocês ouviram falar em caçadores de fantasmas. Eu podia ser literalmente chamado de escritor fantasma, embora não seja termo que aprove. É verdade que geralmente não sou visto em termos físicos. Todavia o termo “espírito” também não me agrada, porém, a vossa definição do termo implicar a ideia de uma destituída de um corpo físico, então terei de concordar que a descrição se me ajusta. Dirijo-me a uma audiência invisível, mas sei que meus leitores existem; assim, pedirei a cada um deles que me conceda o mesmo privilégio. Escrevo este livro sob os auspícios de uma mulher por quem me afeiçoei bastante. A alguns soará estranho que eu me dirija a ela como “Ruburt,” e “ele,” mas o facto é que eu a conheci em outras épocas e lugares, por outros nomes.
Ela foi tanto homem quanto mulher, e a totalidade da identidade que viveu essas vidas separadas pode ser designada pelo nome de Ruburt. Os nomes, contudo, não são importantes. O meu nome é Seth. Nomes são simples designações, símbolos, mas como vocês precisam usá-los, eu também o farei. Escrevo este livro com a cooperação de Ruburt, que enuncia as palavras por mim. Nesta vida, Ruburt é chamada de Jane, e seu marido, Robert Butts, anota as palavras transmitidas por ela. Eu chamo-o de Joseph.
Os meus leitores podem supor que sejam criaturas físicas, presas em corpos físicos, aprisionadas numa estrutura óssea e carnal. Se acreditarem que a sua existência dependa desta imagem corpórea, vão sentir que correm perigo de extinção, porquanto nenhuma forma física perdura, e nenhum corpo, por mais belo que seja na juventude, conserva o mesmo vigor e encantamento na velhice. Se vocês se identificarem com sua própria juventude, ou beleza, ou intelecto, ou realizações, têm sofrerão um tormento constante derivado da noção de que tais atributos possam e venham a desaparecer. Estou a escrever este livro para lhes assegurar que tal não é o caso. Basicamente, vocês não são mais seres físicos do que eu, e eu usei e descartei mais corpos do que gostaria de poder mencionar. Personalidades inexistentes não escrevem livros. Sou bem independente da imagem física, e vocês também.
A consciência cria a forma – não o contrário. Todas as personalidades são não-físicas. Apenas por se encontrarem tão preocupados com as questões do quotidiano, que não percebem que existe uma parte de vós que sabe que os seus próprios poderes são muito superiores aos demonstrados pelo eu comum.
Cada um de vocês viveu outras existências e esse conhecimento encontra-se dentro de vós, embora não tenham consciência dele. Espero que este livro sirva para libertar o profundo a parte intuitiva existente em cada um de meus leitores, e traga ao plano da consciência as percepções ou insights particulares que lhes forem mais úteis. Estou a iniciar este livro no fim do mês de Janeiro, do vosso ano de 1970. Ruburt é uma mulher magra, morena, vivaz, que se senta em uma cadeira de balanço e emprega estas palavras por mim.
Minha consciência acha-se bem focalizada no corpo de Ruburt. Esta é uma noite, e encetamos a nossa primeira experiência de escrevendo um livro completo no estado de transe, pelo que Ruburt se sentia um pouco nervoso antes do início da sessão. Não se trata simplesmente da questão de ter esta mulher a falar por mim. Muitas adaptações são necessárias, além de ajustes psicológicos. Estabelecemos o que chamo de ponte psicológica entre nós, ou seja entre Ruburt e eu. Eu não falo através de Ruburt como alguém através do telefone. Existe em vez disso uma extensão psicológica, uma projeção de características de parte a parte, e é isso que uso para comunicar.
Posteriormente explicarei como esta estrutura psicológica é criada e mantida, por se assemelhar a uma estrada que deve ser mantida sem entulho. Vocês ficariam melhor se, ao ler este livro, se questionassem sobre quem são, em vez de se interrogarem sobre quem eu seja, porquanto não poderão compreender o que sou a menos que compreendam a natureza da personalidade e as características da consciência.
Caso acreditem convictamente que a vossa consciência se encontra trancada em algum lugar da vossa cabeça e se vê impossibilitada de escapar; caso sintam que a vossa consciência termina nos nos limites do vosso corpo, então estarão a substimar-se e pensarão que eu não passe de uma ilusão.
Contudo não sou mais uma ilusão do que vocês, o que poderá soar a retórica. Posso afirmar sinceramente a cada um de meus leitores (sorriso) que sou ou mais velho que vocês, pelo menos em termos de idade segundo a compreensão que têm dela.
Se a idade habilita o escritor, e lhe confere algum tipo de autoridade com base na idade, então devia receber uma medalha. Eu sou a essência da energia de uma personalidade que já não se encontra focalizada na matéria. Assim sendo, estou ciente de algumas verdades que muitos de vocês parecem ter esquecido. Espero fazer com que se lembrem delas. Não me dirijo tanto à parte de vocês que consideram ser vocês mesmos, mas dirijo-me à parte de vocês que não conhecem, e que, em certa medida, negaram e esqueceram. É essa parte de vocês que lê este livro, [mesmo] quando “vocês” o estão a ler. Dirijo-me àqueles que acreditam num Deus e àqueles que não acreditam, aos que acreditam que a ciência descobrirá todas as respostas quanto à natureza da realidade, e aos que não acreditam em tal coisa. Espero dar-lhes pistas que os habilitem a estudar a natureza de vossa realidade como nunca a estudaram até agora.
Há várias coisas que lhes pedirei que entendam. Vocês não estão presos no tempo como uma mosca numa garrafa fechada, cujas asas são, consequentemente, inúteis. Não podem confiar em que os vossos sentidos físicos lhes tracem um quadro verdadeiro da realidade, porquanto eles são adoráveis mentirosos, e têm uma história tão fantástica que vocês acreditam nela sem questionar. Por vezes, vocês são mais espertos, mais criativos e muito mais bem informados quando sonham do que quando estão acordados.
Estas afirmações podem parecer muito duvidosas de momento, mas quando tivermos terminado, espero que vejam que são simples constatações. Aquilo que lhes vou dizer foi dito antes, aolongo dos séculos, e transmitido de novo sempre que foi esquecido. Espero esclarecer vários pontos que foram distorcidos ao longo dos anos, e estendo a interpretação original que faço de outros, porquanto nenhum conhecimento existe num vácuo, e toda informação precisa ser interpretada e tingida pela personalidade que a detém e a transmite. Portanto, descrevo a realidade conforme me é dada a conhecer, e a minha experiência nos diversos planos e dimensões. O que não quer dizer que não existam outras realidades. Eu era consciente anteriormente à formação da vossa Terra.
Para escrever este livro – e na maior parte das comunicações que estabeleço com o Ruburt – fui buscar ao meu próprio banco de personalidades passadas, aquelas características que me pareceram adequadas. Existem muitos de nós: personalidades como eu não focadas na matéria nem no tempo. A nossa existência parecer-lhes-á estranha apenas porque vocês não percebem os verdadeiros potenciais da personalidade e se encontram hipnotizados pelos seus próprios conceitos limitados.
Eu sou primordialmente um professor, mas não tenho sido um homem de letras por si só. Sou principalmente uma personalidade portadora de uma mensagem: Vocês criam o mundo que conhecem. Mas receberam, porventura o dom mais impressionante de todos: a capacidade de projetar os vossos pensamentos no exterior, na forma física. Mas esse dom acarreta uma responsabilidade, e muitos de vocês sentem-se tentados a congratular-se pelos sucessos conseguidos nas vossas vidas, e a culpar Deus, o destino e a sociedade pelos vossos fracassos. Da mesma forma, a humanidade tem a tendência de projetar a sua própria culpa e os seus próprios erros na imagem de um Deus-Pai que, segundo parecerá deve sentir-se exausto com tantas queixas.
O facto é que cada um de vocês cria a sua própria realidade física; e coletivamente, criam tanto as glórias quanto os terrores que existem patentes na vossa experiência terrena. Até que compreendam que vocês são os criadores, recusar-se-ão a aceitar essa responsabilidade. Tão pouco poderão culpar o demônio pelos infortúnios do mundo. Vocês tornaram-se suficientemente sofisticados para compreender que o Demônio é uma projeção da vossa própria psique, mas não se tornaram suficientemente sábios para aprenderem a usar a vossa criatividade de maneira construtiva.  
Muitos dos meus leitores acham-se familiarizados com o termo “musculado.” Enquanto raça, em vez disso vocês desenvolveram um vínculo com o ego ao criarem uma rigidez espiritual, e negaram as porções intuitivas do ser ou distorceram-nas para além do admissível.
Está a ficar tarde. Os meus dois amigos precisam levantar-se cedo amanhã. Ruburt está a trabalhar em dois livros dele e precisa de repousar. Antes de terminar esta sessão, porém, devo pedir-lhes que imaginem o nosso ambiente, por o Ruburt me ter dito que um escritor precisa ter o cuidado de estabelecer o seu cenário. (Com sentido de humor.) Eu falo por intermédio do Ruburt duas vezes por semana, às Segundas e Quartas, nesta mesma sala grande (de visitas). As luzes estão sempre acesas. Esta noite torna-se-me agradável ver através dos olhos de Ruburt para aquele recanto invernoso.
A realidade física sempre se me afigurou revigorante, e por intermédio da cooperação de Ruburt enquanto escrevo este livro, vejo que eu estava certo ao apreciar os seus inigualáveis encantos. Há um outro personagem que deve ser mencionado aqui: Willy, o gato, um monstro querido que agora se encontra a dormir. A natureza da consciência animal é, em si mesma, um assunto muito interessante, e um que consideraremos mais tarde. O gato está ciente de minha presença, e várias vezes reagiu a ela de modo visível. Neste livro, espero mostrar as interações constantes que ocorrem entre todas as unidades de consciência, a comunicação que salta além da barreira das espécies; e em algumas das nossas conversas iremos usar o Willy para demonstrar certos aspectos.
Calorosas saudações a ambos.
SESSÃO 512
Boa-noite. (“Boa-noite, Seth.”) Bom; voltemos ao nosso novo manuscrito. Como mencionamos os animais, digamos aqui que eles possuem um tipo de consciência que não lhes permite tantas liberdades quanto vocês têm. Contudo, ao mesmo tempo, não são impedidos de usá-las por certas características que em geral prejudicam o potencial prático da consciência humana.
A consciência é uma forma de perceber as várias dimensões da realidade. A consciência (como vocês a conhecem) é altamente especializada. Os sentidos físicos permitem-lhes perceber o mundo tridimensional, porém, pela sua própria natureza, podem inibir a percepção de outras dimensões igualmente válidas. A maioria de vocês identifica-se com o vosso eu diário, orientado no sentido do físico. Vocês não pensariam em se identificar com uma porção do vosso corpo, para menosprezo de todas as outras; contudo, fazem precisamente isso (sorriso) quando imaginam que o ego carrega o fardo da vossa identidade.
 Estou a dizer-lhes que vocês não são um saco cósmico de carne e osso, lançados juntos nalguma mistura de elementos e substâncias químicas. Estou a dizer-lhes que a vossa consciência não é produto inflamável nenhum formado pela combinação acidental mútua de componentes químicos. Vocês não são rebentos desamparados de matéria física, nem a vossa consciência está destinada a desaparecer como uma baforada de fumo. Pelo contrário: vocês formam o corpo físico que conhecem num nível profundamente inconsciente, com grande discernimento, milagrosa clareza e um conhecimento íntimo inconsciente de cada minúscula célula que o compõe. Não o refiro simbolicamente.
Ora bem; por a vossa mente consciente (conforme a encaram) não estar a par dessas atividades, vocês não se identificam com esta porção interior de si próprios. Preferem identificar-se com a parte que assiste à televisão ou cozinha ou trabalha – a parte que vocês pensam saber o que está a fazer. Mas esta parte aparentemente inconsciente vossa é muito mais consciente, e do seu funcionamento suave depende toda a vossa existência física. Essa porção é consciente, atenta, alerta. São vocês, tão focados na realidade física quanto estão, que não dão ouvidos à sua voz, que não compreendem que é da grande força psicológica que o vosso eu orientado para o físico brota.
Eu chamo a esse inconsciente aparente de “ego interior,” por ele dirigir as atividades interiores e fazer corresponder a informação que é percebida não por intermédio dos sentidos físicos, mas por outros canais interiores. É o agente interno que apreende a realidade que existe além das três dimensões. Ele carrega em si a memória de cada uma das vossas existências passadas. Ele observa as dimensões subjetivas que são literalmente infinitas, dimensões subjetivas essas de que fluem todas as realidades objetivas.
Toda a informação necessária lhes é dada por intermédio desses canais internos, e atividades internas incríveis ocorrem antes que vocês possam erguer sequer um dedo, piscar os olhos, ou ler esta frase. Esta parte da vossa identidade é naturalmente clarividente e telepática, de modo que vocês são avisados de desastres antes que eles ocorram, quer aceitem ou não a mensagem conscientemente, e toda a comunicação ocorre muito antes de qualquer palavra ser pronunciada.
O “ego exterior” e o ego interior operam juntos, um para permitir-lhes forjar o mundo que vocês conhecem, o outro para trazer-lhes aquelas delicadas percepções interiores, sem as quais a existência física não poderia ser mantida. Existe, todavia, uma parte de vós, a identidade mais profunda que forma tanto o ego interno quanto o ego externo, que decidiu que vocês viriam a ser um ser físico neste lugar e neste tempo. Esse é o âmago da vossa identidade, a semente psíquica de que brotaram, a personalidade multidimensional de que fazem parte. Para aqueles que desejarem saber onde eu situo o subconsciente (conforme os psicólogos o concebem), podem imaginá-lo como o ponto de encontro, por assim dizer, entre os egos interno e externo. É preciso que entendam, porém, que não existem divisões reais no eu, e que falamos de várias porções apenas para tornar a ideia básica mais clara.
Como estamos a dirigir-nos a indivíduos que se identificam com o “eu normalmente consciente,” suscito estes assuntos já no primeiro capítulo, por vir a usar esses termos em outras partes deste livro e desejar expor o facto da personalidade multidimensional tão antes quanto possível. Vocês não conseguem compreender-se nem podem aceitar a minha existência independente, até que se livrem da noção de que a personalidade seja um atributo da consciência do “aqui e agora.” Agora, algumas das coisas que eu possa dizer neste livro a respeito da realidade física poderão surpreendê-los, mas lembrem-se de que eu as vejo de um ponto de vista completamente diferente. (Jane fazia pausas frequentes ao falar por Seth. Tinha os olhos quase sempre fechados.)
Vocês estão, de momento, completamente focados nela, imaginando talvez o que mais poderá existir do lado de fora. Eu estou do lado de fora, voltando a por instantes para uma dimensão que conheço e que amei. Contudo, não sou, o que vocês chamariam de residente. Embora eu possua um “passaporte” psíquico, ainda existem alguns problemas de tradução e inconvenientes de acesso, que preciso enfrentar.
Muita gente, conforme tomo conhecimento, vive há muitos anos em Nova Iorque e nunca visitou o edifício Empire State, ao passo que muitos estrangeiros o conhecem bem. E assim, embora vocês gozem de destreza física, eu sou capaz de apontar algumas estruturas psíquicas e psicológicas muito estranhas e milagrosas no vosso próprio sistema de realidade, que vocês ignoraram.
Espero, francamente, fazer muito mais que isso. Espero levá-los numa excursão pelos níveis de realidade que se encontram à vossa disposição, e guiá-los numa jornada através das dimensões de vossa própria estrutura psicológica – a fim de abrir áreas inteiras da vossa própria consciência, de nque têm sido relativamente desconhecedores. Espero, pois, não só explicar os aspectos multidimensionais da personalidade, como dar a cda leitor um vislumbre dessa identidade maior que vocês possuem.  
O eu que vocês conhecem não passa de um fragmento da vossa identidade total. Contudo, esses fragmentos do vosso eu não se encontram encadeados, como as contas de um colar. Eles são mais como cascas de uma cebola, ou gomos de uma laranja, e estão ligados pela mesma vitalidade e crescem por diversas realidades enquanto brotam da mesma fonte. Não estou a comparar a personalidade a uma laranja nem a uma cebola, mas desejo salientar que, como elas brotam de dentro para fora, o mesmo acontece com cada fragmento do eu total. Vocês observam o aspecto exterior dos objetos. Os sentidos físicos permitem-lhes perceber as formas externas às quais passam a reagir, mas os vossos sentidos físicos até certo ponto forçam-nos a perceber a realidade dessa maneira; mas a vitalidade interior da matéria e da forma, contudo, não se torna tão evidente.
Posso dizer-lhes, por exemplo, que existe consciência mesmo num prego, mas poucos dos meus leitores me levarão suficientemente a sério e deter-se-ão a meio da frase e endereçarão um bom-dia ou uma boa-noite ao primeiro prego que encontrarem enfiado num pedaço de madeira. Não obstante, os átomos e as moléculas do prego possuem seu próprio tipo de consciência. Os átomos e as moléculas que compõem as páginas deste livro são também, no seu próprio nível, conscientes. Nada existe – nem pedras, nem minerais, nem plantas, nem animais nem o ar – que não esteja repleto de uma consciência do seu próprio tipo.
Assim, vocês encontram-se no meio de uma comoção vital constante, uma gestalt de energia consciente, e vocês mesmos são compostos de células conscientes que carregam dentro de si a percepção da sua própria identidade, que cooperam de bom grado para formar a estrutura corpórea que é o vosso corpo físico. Estou, evidentemente, a referir que não existe coisa tal como matéria morta. Não existe um objeto que não tenha sido formado pela consciência, e cada consciência, independentemente de grau que apresente, rejubila na sensação e na criatividade. Vocês não podem compreender o que são, a menos que compreendam essas questões.
Por uma questão de conveniência, vocês cerram as inúmeras comunicações internas que populam por entre as partes diminutas da vossa carne, porém, mesmo enquanto criaturas físicas, vocês são, em certa medida, uma porção de outras consciências.
Não existem limites para o ser. Não existem limites para os vossos potenciais. Contudo, vocês podem, adoptar limites artificiais por meio da vossa própria ignorância. Podem identificar-se, por exemplo, apenas com o vosso ego exterior, e desligar-se das capacidaddes que fazem parte de vocês. Podem negar, porém, não podem alterar os factos. A personalidade é multidimensional, embora muita gente enterre a cabeça, figurativamente falando, na areia da existência tridimensional e finja que não exista mais nada. (Bem-humorado) Neste livro, espero conseguir puxar algumas cabeças da areia.
Bom; Em breve terminaremos o nosso Primeiro Capítulo, por não faltar muito. (Divertido): O que não deve constar no livro.
Não desejo dar a entender que devam subestimar o ego externo. Vocês simplesmente exageram-no. Tão pouco a sua verdadeira natureza é reconhecida. Vamos ter mais a dizer acerca desse aspecto, mas por ora é suficiente compreender que a noção de identidade e de continuidade que têm não é dependente do ego.
Bom, por vezes utilizarei o termo “camuflagem” para me referir ao mundo físico com o qual o ego externo se relaciona, por a forma física ser uma das camuflagens que a realidade adotada. A camuflagem é real, contudo, existe uma realidade muito maior dentro dela - a vitalidade que lhe deu forma. Os vossos sentidos físicos, pois, permitem-lhes perceber essa camuflagem, por estarem sintonizados com ela de um modo muito específico. Mas compreender a realidade dentro da forma, requer um tipo de atenção diferente, além de manipulações mais delicadas do que as fornecidas pelos sentidos físicos.
O ego é um deus ciumento, que deseja ver os seus interesses atendidos. Ele não quer admitir a realidade de qualquer dimensão além daquelas dentro das quais se sente confortável e pode compreender. Sua finalidade era a de constituir uma ajuda, mas foi-lhe permitido tornar-se um tirano. Mesmo assim, é muito mais resistente e ansioso por aprender do que geralmente se supõe. Ele não é, naturalmente tão rígido quanto se supõe. A curiosidade que possui curiosidade pode ser muito valiosa.
Se vocês tiverem uma concepção limitada da natureza da realidade, então o vosso ego fará o que puder para mantê-los na pequena área fechada da realidade que aceitam. Se, por outro lado, as vossas intuições e os vossos instintos criativos gozarem de liberdade, então comunicarão algum conhecimento das dimensões mais vastas, a esta parte da vossa personalidade orientada para o físico.
SESSÃO 513
Boa-noite. (“Boa-noite, Seth.”) Bom: Vamos prosseguir. Este livro é prova de que o ego não possui a porção total da personalidade para seu uso, porquanto não restam dúvidas de que o livro está a ser produzido por uma personalidade diferente da personalidade da escritora Jane Roberts. Uma vez que a Jane Roberts não possui capacidades que não sejam inerentes à raça como um todo, então no mínimo deve admitir-se que a personalidade humana possui muitos mais atributos do que os que geralmente lhe são imputados. Espero explicar que são capacidades são essas e indicar os meios que cada indivíduo pode usar para liberar esses potenciais.
A personalidade é uma gestalt dotada de uma percepção variável. É a parte da identidade que percebe. Não forço as minhas percepções na mulher através de quem falo, nem a sua consciência é apagada durante as nossas comunicações. Em vez disso dá-se uma expansão da consciência dela e uma projeção de energia que é direcionada para longe da realidade tridimensional.
Esta concentração de afastamento do sistema físico pode fazer parecer que a consciência dela se encontre apagada. Em vez disso, mais lhe é acrescentado. Bom; de meu próprio campo de realidade, foco a minha atenção na mulher, mas as palavras que ela pronuncia – as palavras que aparecem nestas páginas – de início não são em absoluto verbais. Em primeiro lugar, a linguagem, conforme vocês a conhecem, é uma coisa lenta: Letra após letra, alinhavadas até formar uma palavra, e palavras alinhavadas até formar uma sentença, resultado de um padrão de pensamento linear. A linguagem, como vocês a conhecem, é parcial e gramaticalmente o produto acabado das sequências do vosso tempo físico. Vocês podem apenas focalizar num determinado número de coisas de cada vez, e a estrutura da vossa linguagem não se presta à comunicação de experiências complexas e simultâneas.
Tenho consciência de um tipo diferente de experiência, não linear e posso focar-me e reagir a uma variedade infinita de eventos simultâneos. Ruburt não poderia expressá-los, e assim eles precisam ser nivelados na expressão linear para que tiverem que ser comunicados. Esta habilidade para perceber e reagir a eventos e simultâneos de natureza ilimitada é característica básica de toda entidade ou eu completo. Portanto, não o reivindico como uma proeza exclusivamente minha.
Todo leitor, que se ache atualmente abrigado dentro de uma forma física, presumo eu (bom-humor), conhece apenas uma pequena porção de si mesmo – conforme mencionei anteriormente. A entidade é a identidade global, de que a sua personalidade é uma manifestação – uma porção independente e eternamente válida. Nestas comunicações, pois, a consciência de Ruburt expande-se e foca-se, numa dimensão diferente, numa dimensão que se situa entre a sua realidade e a minha, um campo relativamente livre de distracções. Aqui imprimo certos conceitos nele (Ruburt) com permissão e consentimento da sua parte. Tais conceitos não são neutros, no sentido de que todo conhecimento ou informação traz o cunho da personalidade que a encerra ou transmite.
Ruburt disponibiliza o seu conhecimento verbal ao nosso uso, e de forma automatica, nós dois juntos geramos as várias palavras a ser proferidas. Distrações é coisa que pode ocorrer, porquanto qualquer informação pode ser distorcida. Contudo, já estamos habituados a trabalhar juntos, e as distorções são muito poucas.
Parte de minha energia também é projetada através de Ruburt, e a sua energia e a minha juntas activam a forma física dele durante as nossas sessões, assim como agora, à medida que transmito estas sentenças. Existem muitas outras ramificações que discutirei mais tarde.
Não sou, portanto, um produto do subconsciente de Ruburt, assim como ele também não é um produto de minha mente subconsciente. Nem sou eu uma personalidade secundária, que esteja engenhosamente a tentar minar um ego precário. Na verdade, faço com que todas as porções da personalidade de Ruburt sejam beneficiadas, e sua integridade mantida e respeitada.
Existe na sua personalidade uma docilidade um tanto peculiar, que torna as nossas comunicações possíveis. Tentarei explicar isto da maneira mais simples possível: existe, na sua psique, o que equivalerá a uma deformação dimensional transparente que serve quase como uma janela aberta através da qual se percebe outras realidades – uma abertura multidimensional que em certa medida escapou aoobscurecimento provocado pela sombra do enfoque físico.
Os sentidos físicos geralmente deixam-nos cegos em relação a esses canais abertos, pois eles percebem a realidade apenas à sua própria imagem. Até certo ponto, pois, eu penetro na vossa realidade através de uma deformação psicológica gerada no vosso espaço e tempo. De certa forma, esse canal aberto serve como corredor entre a personalidade de Ruburt e a minha, de modo a tornar a comunicação viável. Tais deformações psicológicas e psíquicas entre as dimensões da existência não são pouco frequentes. Elas apenas são reconhecidas como tal com pouca frequência, e ainda menos utilizadas.
In Seth Speaks, Capítulo 1
Intitulado: “NÃO POSSUO UM CORPO FÍSICO E NO ENTANTO DITO ESTE LIVRO”
Traduzido por Amadeu António

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