sexta-feira, 7 de outubro de 2016

CONQUISTA DO MEDO




Vamos falar da conquista do medo. Trata-se de um tópico apropriado para esta altura, quando estão a ser convocados à liderança, e quando estão a ser chamados a inspirar aquilo que são e que podem ser. O vosso mundo está de tal modo necessitado de vós, que ele próprio por vezes se pode tornar bastante assustador: “O mundo precisa de mim? Oh, estamos verdadeiramente em apuros! Não poderá precisar de alguém mais qualificado? Não poderá depender de alguém mais capaz do que eu?” Mas o mundo precisa de vós, e essa é a razão para aqui se encontrarem. É por isso que se encontram aqui esta tarde a dar atenção – por o mundo precisar de vós. E o mundo conta convosco para a liderança que lhe podem imprimir, numa altura em que progridem para um novo século, nesta altura em que progridem para o que é designado, por falta de termo melhor, Nova Era. O mundo precisa da vossa liderança assim como precisa da vossa inspiração, pelo que se torna apropriado tratarmos da conquista do medo.

É apropriado, em absoluto, numa altura em que tantos, devido ao próprio medo que sentem, e à própria falta de confiança e de fé num Deus, numa Deusa em Tudo quanto Existe, devido à própria carência, à capacidade de raciocínio e de visão limitada que sofrem, usam o medo nas tentativas que empreendem no sentido de privarem os direitos e nas tentativas que empreendem no sentido de controlar, ao tentarem manipular e dominar uma realidade que ainda nem começaram a compreender. Essa gente não é necessariamente falsa nem é má; mas acha-se presa na teia do próprio medo, da própria capacidade de raciocínio e de visão limitados, e usa por consequência o medo, e tenta usá-los a vós, na teia do medo que sentem, para os privar dos vossos direitos e os incapacitar; incapazes de votar, incapazes de exercer impacto, incapazes de criar a vossa realidade. Para os privar dos direitos e controlá-los, nas tentativas que empreendem por manipular e dominar num mundo que percebem muito hostil, num mundo que temem, e que querem crer que venha tornar-se ainda mais hostil.


E à medida que este ano tem início (1987), e vocês embarcam no vosso ano de descoberta, e começam a trabalhar, a lidar e a reforçar o vosso ano em privado, nas descobertas privadas de quem são e daquilo para que se encaminham, torna-se mais do que apropriado abordarmos a conquista do medo.

Ora bem; nós abordamos o tema do medo em muitas reuniões da tarde de Domingo, não? Ao nos reunirmos em torno de vários tópicos, o medo fez parte dos debates, e tivemos ocasiões específicas em que tratamos do assunto de uma forma específica, ao abordarmos a solidão, conforme o fizemos numa tarde subordinada ao tema: “Pôr Termo à Solidão." E ao debatermos o medo directamente como uma batalha interna, numa reunião semelhante de Domingo, hoje não pretendemos repetir a discussão que teve lugar nesses debates, não se pretende simplesmente repetir aquilo que foi dito antes, embora um certo grau de revisão se faça necessário.

Não, hoje queremos estender-nos a alguns territórios novos, estender-nos a certas áreas novas, e considerar o medo não apenas como um trabalho que tem que ver unicamente com a especificidade da solidão, nem lidar com a luta interna do medo, à medida que se erguem um a um. Em vez disso, conduzi-los a uma posição em que possam vencer o medo que sentem, estendendo-se a um novo território, e explorando não só modos diferentes, modos mais eficazes de confronto mas de efectiva conquista desse modo, de um efectiva superação e controlo.
Ora bem, quando referimos a conquista do medo, não queremos dizer eliminá-lo. Se de facto tivéssemos a intenção de falar da destruição do medo, este seminário chamar-se-ia “Eliminar o Medo”. Não, não, queremos dizer conquistar o medo. Vejam bem, o problema que a destruição do medo envolve, é que a eliminação se torna num eufemismo para a negação, e muitos de vocês já são peritos em negá-lo! Mas não lhes adiantou de muito, o simples negar, ou fingir:
Não, aquilo a que eufemisticamente chamam de destruição, acaba por não ser mais do que a mera negação, o que se revela como o incentivo futuro, um estímulo futuro de um maior medo.
Não, nós falamos de conquistar o medo; de passar para a posição em que não mais se deixem escravizar por ele mas antes o coloquem ao vosso serviço, de fazer com o que medo os passe a servir, de modo que se coloque na sua própria perspectiva. Porquê? A razão por que não falamos de destruição e somente em conquista, deve-se ao facto do medo ser real, enquanto emoção que é. A emoção, o sentimento de medo é real; agora, entendam que o que com isso queremos dizer é que aquelas coisas que são reais na vossa realidade – as emoções – possuem um potencial positivo e negativo. O mais belo sentimento que conseguirem imaginar, o amor, possui um potencial positivo que é bastante óbvio, um que conseguem ver e experimentar e compreender. Mas o amor também pode tornar-se muito prejudicial, conforme alguns de vós o terão descoberto; o amor pode revelar-se muito assustador, muito manipulativo e manipulador, o amor pode ter o seu lado negativo. Por ser real!

Ao passo que a culpa não é real. A culpa constitui uma ilusão fabricada com o propósito de manipular e de controlar; a culpa não constitui uma emoção real, mas uma emoção sintética criada pelo género humano com o propósito do controlo, por não possuir nenhum atributo positivo, por nada conter que possa ser colhido, mas somente negação, nos domínios da culpa.


Não! É a vossa consciência que os mantém honestos, e que constitui o relacionamento que têm, o elo que existe entre vós e a vossa alma. E nós não vamos equiparar a culpa à comunicação da vossa alma como uma mesma coisa. É a vossa consciência que os mantém honestos. É a vossa consciência que os preserva dentro de certos limites do que designam por liberdade e direito, e não a culpa.

A culpa só os inibe. A culpa só os mutila. A culpa só destrói, pelo que não é uma emoção real. Contudo, o medo, por mais que lhe apontem atributos negativos, também pode – TAMBÉM PODE – ser positivo; o medo tem aspectos positivos. Consequentemente, trata-se de uma emoção real; o facto de se revelar suficientemente capaz de os deixar assustados, conforme souberam desde sempre, a despeito da negação que manifestaram no sentido contrário, o medo constitui uma emoção real. E por ser real, não o eliminam, mas conquistam-no, dominam-no, assumem o comando dele e reinam sobre ele numa posição de domínio.

Precisamos aqui estabelecer uma distinção entre o medo que se reporta à natureza física e o medo que não pertence à natureza física mas à emocional. Quando acordam a meio da noite por escutarem ruídos na outra extremidade da casa, sentem-se assustados e inicialmente surpreendidos e a surpresa logo redunda em pavor - e o pavor não atendido resulta no medo. Se se levantarem e verificarem da forma que conseguirem, podem de facto descobrir alguma coisa verdadeiramente assustadora como alguém a invadir-lhes a casa ou a roubá-los ou qualquer coisa assim, e derem com um dos vossos animais de estimação a perambular pela casa, isso irá determinar o que acontecerá à situação, que em última análise não terá passado de uma ilusão; porém, o medo, a sensação, terá sido real.

De forma semelhante, se acordarem a meio da noite com medo de alguma coisa, isso não significa necessariamente que alguém esteja na vossa sala de estar. Podem sentir medo sem factos que o fundamentem; o medo é real enquanto emoção, pelo que precisa ser conquistado e não eliminado nem negado.

Portanto, para poderem nesta tarde avançar, para poderem avançar na conquista do vosso medo, há quatro componentes que são importantes: antes de mais, torna-se importante entender a origem da emoção. De forma similar, torna-se não só importante compreender a origem da emoção, como se torna importante perceber a negação e o que ela simboliza - é importante perceber a negação e aquilo que ela simboliza. E em terceiro lugar, é importante compreender a razão para o não terem conquistado antes e em seguida proceder à conquista dos vossos temores.

E assim, nesta noite começamos pela origem, a origem da emoção que é chamada negativa e que é designada por medo. E nessa descoberta precisamos primeiro considerar qual terá sido a emoção original que alguma vez tenha sido sentida, e a emoção original que alguma vez foi sentida foi o amor. Deus, a Deusa, o Todo, é amor. Por isso, antes de existir mais alguma coisa, existia o amor, que existia como um estado de espírito assim como uma emoção - ambas as coisas! Qual será o medo que está associado ao amor? O medo da perda. O medo da perda, ou o medo da solidão. O medo original foi o medo da solidão. O medo de ser separado, de perder o amor que sentiam, a ligação que tinham com Deus, com a Deusa, com o Todo. É desse medo original que todas as outras formas de medo evoluíram. E não existe um único medo que consigam conjurar que não tenha tido origem nesse medo da solidão. Medo da perda, medo da separação do amor.

Agora; de que coisa será esse medo da solidão sintoma? Por todo o medo constituir um sintoma de uma crença deficiente! Todo o medo constitui um sintoma de uma crença imperfeita; do mesmo modo que o fracasso é sintoma de crenças que simplesmente não resultam, também o medo é um sintoma de crenças falhas. A crença:

Primeiro existe o amor e só depois o medo da solidão que constitui uma representação simbólica de uma crença que diz: “Eu não amo o suficiente.” E essa é a origem de todo o medo que em última análise se torna na origem de toda a limitação, de toda a negatividade existente na vossa realidade. Por ser do medo da solidão que todas as outras formas de medo se desenvolvem, por ser com base no medo que os bloqueios e as limitações e a negatividade surgem. A origem de toda a negatividade reside no medo da solidão.

Bom, o medo da solidão por si só tanto pode apresentar o potencial de um desempenho positivo como negativo – por ser real. POR SER REAL! Tanto pode ser negativo como pode ser positivo. O que é que determina isso? Que importa?

Nós definimos as emoções positivas e negativas de modo diferente da maioria de quantos as percebem, e avançamos que, com efeito, as emoções positivas serão todas as emoções que forem expressadas, enquanto as emoções negativas são aquelas que são suprimidas ou que não são expressadas. Por isso, quando expressam o amor, ele constitui uma emoção positiva, mas quando o negam, quando o suprimem ou atafulham dentro de vós, ao se recusarem a senti-lo, então até esse amor constitui uma emoção negativa. E a ira, quando expressada aberta e honestamente, constitui uma emoção positiva, por produzir ou motivar a mudança. Ao passo que, quando é suprimida e enfiada para dentro, ela mata-os. A dúvida, quando pronunciada de forma honesta, pode tornar-se numa influência bastante positiva, e quando negada, e agirem com base nela, pode tornar-se numa coisa bastante prejudicial e manipuladora.

Não existe uma única emoção real que uma vez expressada não possa ser positiva, e que, portanto, não seja positiva. E não existe emoção real nenhuma que uma vez enfiada dentro de vós, não acabe essencialmente por putrificar e causar dano. Assim, o medo da solidão por si só não constitui a negação, não constitui a dificuldade, não constitui o problema. Porque se tivesse sido tratado de forma apropriada, se esse medo da solidão tivesse sido expressado também poderia tornar-se e se teria tornado positivo, pois que teria acontecido? Se de facto a pessoa inicial – coisa que todos vocês são! (Riso sarcástico proveniente da plateia) Sim, trata-se da vossa realidade! O mundo é todo uma ilusão; por isso vós sois a primeira pessoa! E vós sentistes o primeiro medo! O medo da solidão.
Se o tivessem expressado e dito:

Se o tivessem dito alto e em viva voz, ou se o tivessem enunciado para vós próprios mentalmente, ou escrito isso nas areias ou lá no que for, quando inicialmente tiverem tido esse sentimento, tivessem olhado para ele, bem que o poderiam ter conquistado nessa altura, e o medo jamais se teria tornado numa parte de uma realidade debilitante. Que coisa teria acontecido?

De que será isso sintoma? É um sintoma do facto de sentir não amar o suficiente, é sintoma do facto de não confiar em mim próprio, para poder lidar com esta realidade sozinho. É sintoma do facto de me sentir separado de Deus, da Deusa, do Todo. Eu podia ter respondido a esse sintoma, podia ter dado uma volta e iniciado a minha jornada ao lar, para voltar a ligar-me a Deus, à Deusa, ao Todo. Para confiar na parte de mim que é Deus, e que sabe o que fazer; e para alterar a crença. Eu sei que amo o suficiente.”

Esse medo original podia ter representado a vossa motivação para serem espirituais, podia tê-los refreado quanto ao afastamento contínuo de Deus, que os teria levado a dar uma volta e a iniciar a caminhada rumo ao Lar.
Já referimos inúmeras vezes que utilizam o livre-arbítrio para se afastarem do equilíbrio e da harmonia naturais de todo o universo, para se separarem e afastarem de Deus, para se afastarem daquilo que é Tudo Quanto Existe, de modo a serem capazes de retornar pela vossa própria vontade. Sugerimos efectivamente que aquilo em que o crescimento consiste é, em primeiro lugar, no uso do vosso livre-arbítrio para se separarem da harmonia com o Todo, para aprenderem, para crescerem, para se expandirem, e a seguir para se motivarem a vós próprios e para terem a vossa própria vontade a fim de dizerem: “Eu, enquanto ser individualizado que sou, quero agora regressar a Deus, à Deusa, ao Todo; e desse modo volto costas à minha expansão para regressar.”

O medo inicial podia ser o sinal desse redireccionamento, a expressão que esse redireccionamento obteve. Mas o que em vez disso aconteceu – e isso em última análise é o que mais importa - é que esse sentimento foi negado, esse sentimento foi ocultado, foi enfiado dentro de vós, de uma maneira qualquer posto longe da vista e longe do coração:


Mas finalmente não desapareceu. O que foi que fez? O medo da solidão levou-me a separar-me mais do que eu já estava e afastou-me de mim próprio e da minha realidade; separou-me do meu mundo; separou-me de Deus, da Deusa, do Todo, e a seguir deu-me algo por que sentir medo de verdade. Porque agora, o que começou por ser um medo potencial de perda, sob a forma de solidão, tornou-se SOLIDÃO. E a seguir tudo o mais se tornou numa maneira de mitigar essa solidão.

Todo o exagero e fanfarronice, todo o ego negativo, todas as mentiras, todos os pretextos, toda a manipulação, toda a autocomiseração, todo o martírio, toda a importância pessoal, toda a culpa e retidão – uma maneira de mitigar a solidão que jamais precisou existir. Subsequentemente, existiram muitas forças que de facto encorajaram essa solidão, que a usaram e que edificaram com base nela, e que se estenderam progressivamente mais além da vossa realidade.

Antes de mais, a vossa mitologia; que é que acontece quando os deuses se enfurecem? O Adão foi expulso do Jardim do Éden, não foi? E as imagens de Deus irado nos céus, e do Adão e da Eva cobertos e à deriva. Qual foi o maior dos temores? O de terem sido rejeitados e expulsos do jardim por terem cometido o pecado original por que jamais serão perdoados. Bom, quase nunca. Sejam bons, sofram e rastejam como a cobra, à face da terra, e suportem o sofrimento, e temam Deus em todo o seu poder...e talvez Ele os perdoe! (Riso) Mas daí, talvez não! (Riso) Não o saberão, até ser demasiado tarde, não é? (Riso)

É isso que acontece quando deixais os deuses irados. E Prometeu? Acorrentado a uma rocha, com um corvo que todos os dias vinha e lhe comia a ferida (fígado) de modo a mantê-la aberta. Por medo do quê? Na agressão que evocam na vossa mente. Por um medo baseado na solidão.

A vossa mitologia, quer tenham ou não conhecido os mitos, eles fazem parte de vós; vocês criam-nos e carregam-nos - vocês são esses mitos. Por isso, eles são uma parte de vós. Mas para além dos mitos é claro, os pais influenciam o acolhimento que lhes prestam. Quantos não terão tido medo de ser adotados? Qual terá sido o pior dos medos de facto? Um irmão a contar-lhes:


Que acontece quando se perdem no apartamento quando são crianças? Enlouquecem, entram em pânico. Outros adultos não servem; tem que ser a mamã, tem que ser o papá. Porque quando se veem separados desse modo o medo que sentem é de ser abandonados. Ou quando se voltam para outro lado ou mudam de casa, ou os enviam para a escola, não é? Porque se sentem apegados? Há dois dias atrás não queriam a mamã por perto:

Agora de repente ela envia-os à pré-escola ou ao jardim-de-infância ou à primeira classe e sentem-se apegados a ela. Porquê? Por terem medo que quando ela saia porta fora a não vejam de novo. É isso. Em que consistem as saudades de casa? E em que consistirão todas essas circunstâncias da infância que envolvem medo? Todas brotam daquele medo do abandono ou solidão, e os pais usam-no:


Pensem quando eram crianças, e a mãe entrava numa daquelas atitudes de desistência; teriam dado qualquer coisa para que ela proferisse uma palavra – uma só palavra! – teriam cortado um braço, e muitos de vós teriam entrado numa espiral de destruição e de ofensa pessoal, para conseguir obter o afecto da mãe, a tentar obter a atenção da mãe. O sofrimento valia a pena – por o sofrimento resultante da solidão e do medo ser pior. E por a ameaça que provoca ser devastadora.

Assim, a mitologia, e os pais, com certeza, mas depois há o próprio processo de crescimento, a que chamamos de maturação, ou processo de amadurecimento, que comporta o medo da humilhação. Pensem naqueles anos de adolescência. Estão com os amigos – e a vossa mãe chama por vós! (Riso) Ou então têm que ir para casa cedo! (Riso) E não é tanto por poderem rir de vós mas por poderem rejeitá-los e sentir-se humilhados, aquela humilhação que nos anos da adolescência é basicamente um outro termo para o medo da solidão:

E depois, para além do período de maturação e da própria maioridade, existe efectivamente o medo da rejeição:

Quantos casais não terão filhos para que, quando forem velhos alguém tome conta deles? Quantos de vós não foram mesmo advertidos pelos vossos pais:

Não só lhes dizem como hão de proceder, como também os informam dos seus planos futuros! (Riso) Da forma como planeiam viver, não é? Por ter sido por essa razão que os tiveram.

E no período de crescimento – o medo, o medo de ser rejeitado. E depois tornam-se adultos, não é? Atingem esse pico, seja onde for que isso venha a ter lugar na vossa vida, seja quando for que acreditem ser – aos trinta, quarenta, cinquenta, seja o que for que esperarem de vós próprios, e depois começam a envelhecer e esse medo da solidão começa a trepar por vós acima. Por caminharem mais devagar, e não serem tão adulados, e o medo passar a ser:


Muitas mulheres atravessam esse período na menopausa. Muitos homens que negam ter menopausa, passam na mesma por isso.

E é no período de crescimento, do outro lado da maturação que o medo da solidão, o medo de não terem ninguém os assombra e persegue, para onde quer que vão, mesmo por trás de vós, na sombra à espreita. E depois, o pai ou a mãe crescida, arranja um companheiro ou companheira; pensam que quando crescerem não mais terão um pai ou uma mãe. Não substituí-los unicamente por companheiros, que representam toda a maternidade ou paternidade de que precisarem e que os vigiem e julguem e avaliem. Tal como presumem que aconteça convosco quendo forem crescidos.

E aquele medo do abandono, uma vez mais:


O medo da solidão.

E tal como a mitologia deu início a isso, também a religião ou a espiritualidade lhe põe um fim, e na vossa ética Judio Cristã, até mesmo Jesus terá perguntado:

E na metafísica, se não crescerem suficientemente rápido são postos de lado, e deixados para trás.

Porque acreditam nas histórias do final de um processo que comandam? Por confirmar e se conformarem ao medo básico que sentem da solidão. Há aqueles que são mesmo colocados sob pressão nas discussões filosóficas que têm, por:

Antes de mais, se isso for mesmo verdade, que importa? Porque uma pedra não tem memória. (Riso) Quero dizer, pelo amor de Deus, se nem mesmo se recordam de uma vida para a seguinte, de um ser humano para outro, porque possivelmente recordariam a passagem de um ser humano para uma pedra? (Riso) De modo que é como se não sentissem falta de coisa nenhuma, não é? (Riso)


Porque acreditam nisso? Outros dirão:

Porquê? Por representar o medo – o medo de ser o único que sobrou.

O medo original – o medo da solidão.

A crença deficiente original - eu não amo o suficiente. O impacto - toda a negatividade que evocam. E o resultado - acabar sozinhos. Manifestam o vosso medo. É importante compreender o mecanismo porque, se compreenderem o mecanismo dão início à vossa conquista. Pegando no que mencionamos aqui neste breve período e olhando considerando-o, qualquer medo que imaginem: medo de não conseguir obter o emprego, medo de não serem amados, medo de que o caroço que têm possa representar algo grave, medo daquilo em que essa dor se possa tornar. Medo, medo, medo... De que têm receio? Seja do que for, ele fá-los voltar-se para a solidão.

Quererá isso dizer que se tiverem tratado do medo da solidão que têm, todos os outros medos desapareçam? Seria bom que fosse verdade, só que não é. Passaram já o tempo, na vossa ilusão física, no vosso plano físico, em que sentiam esse medo original. Por favor ouçam isto - sentiam o medo original! Não podem culpar a humanidade, por vocês serem essa humanidade. Vocês sentiram esse medo na vossa realidade, originalmente, ou ele não se acharia actualmente presente.


Assim, agora há mais a conquistar do que voltar-se simplesmente no sentido do original, há que compreender o medo original e saber o que subentende e conhecer que cada um e todos os medos que têm se resumem essencialmente a esse medo original pode dar-lhes um sentido de direcção, pode-lhes dar um sentido de objectivo, pode dar início à conquista. E toda a conquista tem início num sítio, que é designado por começo. E por isso, à medida que o deixam entrar e se apossam da verdade do que dizem, pela parte que lhes toca, iniciam a vossa jornada, dão início à vossa conquista.

A porção seguinte, a parte seguinte daquilo que é importante é a negação, e a positividade, e portanto os seus atributos, os atributos do medo. Que atributos, que qualidades que características terá o medo? Para se dar uma conquista têm que saber o que estão a conquistar: têm que conhecer as vantagens e as desvantagens, os pontos fortes e os pontos fracos do vosso inimigo - do medo!

Agora, em conversas anteriores sobre a solidão e a luta interna, sugerimos existirem certos atributos tal como o facto do medo, tal como toda a emoção negativa, que são estúpidos. É estúpido. E também é altamente repetitivo, conforme sugerimos. Mas podem testemunhar isso na vossa própria vida, exactamente agora, neste dia: que coisas temem? Mas se olharem para essas coisas - as coisas que temem, exactamente agora, neste dia, nesta tarde, ao escutarem o que dizemos... Mas agora recuem dez anos atrás: que era que temiam então? Ah, certamente os nomes mudaram mas ainda se trata do mesmo medo. Se o medo que sentem for medo que as pessoas os rejeitem, tê-lo-ão sentido há dez anos atrás. E se não o conquistarem ou fizerem alguma coisa por ele, sabem que o virão a sentir daqui a dez anos de novo.

Se o medo que sentem for de ninguém gostar de vós, seja de que modo for, não será esse o medo que terá permanecido por perto, como uma nuvem que os persegue? Seja qual for o medo:

Não terá igualmente representado o medo de não entrarem para o grupo, de não serem escolhidos, de ninguém lhes ter pedido para ingressar?

Qual é o medo que sentem? Revelem-no a vós próprios e vejam se não será isso, pois descobrirão que é. O medo é estúpido e repetitivo. O medo com que irão morrer irá ser o mesmo que sempre tiverem sentido, por o medo ser estúpido, por o medo ser repetitivo, idiota e desajeitado, que, a tropeçar sobre si próprio, lá vai avançando. Mas assim como é estúpido e repetitivo ele só surge quando convidado. Sabemos que não gostam de ouvir isto, mas o medo só vem quando é convidado, e só se afasta quando tal lhe for solicitado; partirá quando solicitado nesse sentido.

Mas uma outra característica que mencionamos anteriormente é a de que o medo tem existência no tempo e no conceito do tempo - o medo tem existência no tempo e no conceito que fazem do tempo. Agora, noutras ocasiões falamos da ofensa, para tratarmos aqui de uma faceta, e sugerimos que a ofensa só é sentida no tempo, e por isso, é no plano físico que podem sentir ofensa ou mágoa. Assim que forem além do plano físico, e do astral, mental ou causal do vosso mundo, e claro está, mais além, não existirá ofensa. É a emoção mais devastadora que sentem, e que só tem existência na parte mais curta da vossa realidade - a física.

O medo tem existência no tempo e como tal constitui uma sensação física, mas também existe na concepção do tempo e como tal também existe no plano astral, porque, muito embora não exista tempo no plano astral, existe o conceito do tempo e desse modo o medo tem aí existência. Muitos de vós que têm pesadelos, encontram-se fora do corpo e a atravessar o plano astral e a tropeçar nos medos que sentem, por todo esse plano. E por um lado poderão dizer que seja óptimo, que seja melhor representá-los aí do que aqui; se vierem a ter algum monstro a estocá-los para procederem a qualquer tipo de dano é melhor que o venham a cometer, será melhor que o façam nos sonhos que têm e no plano astral, do que no estado desperto do plano físico. E alguns de vocês representam-no desse modo. Mas o medo existe no astral; também existe no causal, por o plano causal, muito embora abstracto comportar ainda assim um conceito de tempo. E por isso mesmo comporta medo; conforme aqueles de vós que atravessaram para o plano causal descobriram, que são mínimos, mas que ainda representam o tipo de receios:

Por no plano causal ainda existir o conceito de tempo e assim o medo ainda prevalecer.

Contudo, o plano mental dos vossos mundos inferiores não comporta nem sequer o conceito de tempo e portanto o medo não existe no plano mental, e é por isso que esse plano parece ser utópico. Ao atravessardes, do físico para o astral, e depois para o plano causal da realidade hão de conhecer o medo, e irá ser importante que o conquistem fisicamente, e no astral e no causal. Mas, assim que atravessardes para o plano mental, não hão de conhecer qualquer receio; subitamente notarão uma diferença:

E o que é, é que não há medo; não existe medo. E pela primeira vez sentem uma realidade em que o medo não tem existência. É por isso que parece utópico; é por isso que:


E depois numa altura qualquer vão além e passam para os domínios mais elevados, para além desse plano mental e descobrem realidades destituídas de temor mas que também possuem algumas das outras armadilhas. Trazer o Céu à Terra é trazer o destemor à Terra. Trazer o Céu à Terra significa conquistar o medo. O medo separa-os do Céu, separa-os de Deus, da Deusa, do Todo. A sua conquista leva-os para mais perto. Assim, falamos destas coisas anteriormente, da idiotice e da estupidez do medo, da repetitividade, do facto de surgir quando convidado e de se afastar quando solicitado, a despeito dos vosso protestos em contrário, e de existir na realidade do tempo e no conceito do tempo e não para além dele.

Mas, e que qualidades positivas terá o medo? Quais serão as qualidades positivas do medo? Para se tornar manifestamente real, antes de mais ele consiste numa emoção primária, numa emoção primária destrutiva, mas também possui alguns aspectos de positividade que não devem ser ignorados.

Antes de mais: O medo pode representar um murmúrio, um aviso, no sentido de prestarem atenção à vossa realidade. E no processo de dar atenção aos murmúrios, torna-se importante dar atenção ao medo, por representar um murmúrio ou sussurro. Quando sentem medo, ele pode representar um aviso:

Quando acordam a meio da noite e escutam barulho e rugido por entre os pratos e as pratas que têm na cozinha, e são o único em casa, não saltam a correr para lá para se juntarem à festa (riso). O medo que sentem constitui um sussurro a dizer-lhes:

Quando se acham envolvidos com a pessoa, seja qual for o envolvimento que tiverem, pessoal, de negócios ou outro qualquer, se derem por vós constantemente a sentir medo, tomem isso como um sinal:

Quer na pessoa quer em vós, não o sabem, mas algo estará em falta. E nessa mesma medida, dizemos nós para darem ouvidos aos murmúrios, antes que se transformem num grito.

O medo assemelha-se a um alarme de fogo. Quando o alarme de fogo dispara pode produzir ansiedade, mas uma produção muito menor de ansiedade do que o resultado de um incêndio de que não tinham conhecimento. Por isso não vão desligar os alarmes de fogo por eles vos assustarem:

Não, não se fixam nelas mas prestam atenção ao sinal, ao murmúrio. E assim o medo pode, antes de mais, assemelhar-se a um alarme de fogo, a um murmúrio, a um aviso.

Em segundo lugar, o medo pode deixá-los perceber onde sentirão carência de confiança; o medo deixá-los -á perceber onde terão falta de confiança. Examinam a vossa vida. Onde é que sentirão medo? Em relação a qual dos vossos amigos, por exemplo - e vocês possuem um certo número de amigos, e notam que com alguns desses amigos se sentem completamente à-vontade, completamente confortáveis; já com outros, de quem gostarão com a mesma intensidade, sentir-se-ão sempre na iminência do medo e à beira da ansiedade - que neste caso representa um medo não identificado; sentem-se à beira do medo. Porquê? Do que se tratará? Ele está a indicar-lhes onde é que não confiam em vós próprios:

Por isso:

Porquê? De que confiança será isso sinal de carência? No que é que não estarão a confiar? Na surpresa, na espontaneidade, no desconhecido?

Não sabiam o que eu ia dizer, certo?


Não terão já notado, quando recebem cartas dessas no correio, que quando têm uma carta, vão a correr ver:

De que é que têm medo? Estão a falar a vós próprios sobre confiança:

E os agentes publicitários têm igualmente consciência do medo que sentem e tiram partido dele, e cada vez mais lhes chegará mais publicidade sem remetente, só com a rua ou o endereço de resposta, por saberem que a abrirão.

Medo do desconhecido. Medo de não confiarem em vós próprios:

O medo revela-lhes a área onde têm falta de confiança.

Terceiro, o medo pode operar como um travão; o medo provoca atrito, que muitas vezes os pode fazer abrandar e provocar uma quebra na inércia da aceleração. Bom, já falamos da inércia, e muitas vezes pensam na inércia como ficar quieto:

Inércia! E muitas vezes é essa a forma como as pessoas expressam a inércia em que se encontram. Mas inércia é movimento ou falta de movimento, regular e constante, que muda somente quando surge uma força igual ou superior. Por isso, a inércia pode representar simetria mas pode igualmente representar acção. 

Alguma vez notaram as pessoas que fazem sempre as mesmas coisas uma e outra vez? Conhecem alguém, apaixonam-se dois dias depois, passados cinco dias têm uma discussão, dez dias depois rompem o relacionamento. Depois conhecem mais alguém, e dois dias depois apaixonam-se por essa pessoa, cinco dias depois geram uma discussão, sete dias depois rompem; sempre às voltas, sem abandonarem o mesmo padrão. 

Veem, isso pode acontecer com as pessoas em relação ao emprego; arranjam um emprego que adoram:

Volvidos cinco meses não o suportam, detestam-no, acham-no entediante, não sentem estar a ser usados de modo apropriado, acham que os outros geram equívocos em relação a elas, que não valorizam aquilo que fazem, e desistem. Arranjam um novo emprego:

Passados cinco meses abandonam-no e tratam de arranjar outro. Isso é inércia!

Alguns de vós criam inércia nas amizades, conseguem causar espantosas impressões iniciais, amizades ligeiras iniciais que duram cerca de cinco meses e logo vos sentem aborrecidos com os outros – e convosco próprios – e seguem em frente; juntam-se a um grupo, passam seis meses a contar as vossas peripécias, e depois rumam em frente para começar de novo. Isso é inércia! 

As pessoas permanecem inertes enquanto se movem com toda a rapidez, e de forma repetida num mesmo padrão. Veem-nas a apressar-se. O medo pode abrandar isso, e desse modo alterar o padrão. Pode – não quer dizer que sempre o faça – mas pode. Por vezes quando se apressam, com certeza que sabem as respostas, com certeza que têm tudo sob controlo; é o vosso medo que os faz abrandar para os levar a examinar, para os levar a considerar:


O medo pode representar o travão. Inicialmente, o medo era para ser o travão que os levaria a dar a volta. Ao assumirem o livre-arbítrio para se separarem de Deus, o medo supostamente devia representar o atrito que os abrandaria o suficiente para os levar a um retorno gravitacional. O problema foi que quando sentiram medo, em vez de o enfrentarem, negaram-no, e mantiveram-se em andamento, a distanciar-se sempre mais e a aumentar o medo que sentiam, de modo a negá-lo mais ainda, até ele os destruir. Mas podia ter funcionado como o travão.

O medo pode representar um murmúrio e um aviso; o medo pode indicar-lhes a área em que não confiam; o medo dir-lhes-á onde abrandar, onde travar, e onde existe atrito, para darem a volta. E por fim, o medo dir-lhes-á onde têm uma crença falha, onde as estruturas de crenças que tiverem não estejam a operar a vosso favor - não dissemos que estejam erradas - dissemos que não estejam a operar a vosso favor. Dir-lhes-á onde as estruturas de crenças que têm se revelam falhas, pelo que o medo tem um lado positivo.

Principalmente, porém, como muito bem sabem, o medo é negativo. Porquê? Essa é uma pergunta importante, e podíamos de facto parar por aqui e faze-los anotar o que há de errado com o medo. Mas ao tentarem fazer isso – alguns de vós conseguiriam ser capazes de o fazer – mas a maioria correria logo directo para um aconchego, por ser assustador, por tratar do medo, etc.


O medo pode levá-los a carregar no travão, pode levá-los a voltar-se para Deus, pode levá-los a dar início à jornada de regresso ao lar; não motivá-los por completo, como levá-los a temer Deus pelo que melhor que com respeito a Ele acreditem, mas pode levá-los a dar a volta, pelo menos. E o medo pode revelar-lhes onde as estruturas de crenças que tenho se revelam falhas. O circuito que os vossos sistemas de crença tomam... Quero dizer, isso é excelente. Que há de errado com o medo? Que mal tem ele? Muitos de vós não sabem. Só sabem que é:


Vejam bem, isso talvez esteja bem e seja correcto, se quiserem continuar a fugir a vida toda dos receios que sentem. Mas se quiserem conquistar o medo, precisarão saber a que razão se devem os temores negativos. Que haverá de errado com o medo? E existem várias coisas de errado com ele, certamente. E é importante que consigam articular isso por vós próprios, de forma a terem consciência daquilo com que estão a lidar e a razão por que estão a tratar disso. Por que, quando o conquistarem – e não é coisa difícil! – mas, quando conquistarem o medo, precisam ter conhecimento daquilo que envolve, e da razão para ser o que é, e de que permitir que tenha continuidade representa uma forma de escravização. Por isso, que existirá de tão mau em relação ao medo?

E a esta altura tomam nem que seja uns instantes, agora que estivemos a trabalhar neste conceito, e pensam:

Bom, primeiro que tudo, o medo separa-os de vós próprios; aliena-os de vós próprios. Quando o medo os engolfa, deixam de ter contacto com os vossos sentimentos, deixam de ter contacto com os vossos pensamentos, deixam de ter contacto com a vossa identidade. E quanto maior for o medo, maior será a separação. Por isso, o medo separa-os de vós próprios. De modo similar, e implícito à mesma separação, separa-os da vossa realidade, e separa-os em absoluto de todo sentido de criarem a vossa própria realidade.

Se alguém se acercar de vós quando estiverem sob a acção do medo, e lhes disser:
Candidatam-se a levar um murro no nariz. (Riso)


Vejam bem, quando caem numa situação de temor, a razão por que o medo se revela tão negativo, a razão por que se torna prejudicial, deve-se ao facto de os separar de vós próprios e os separar da vossa realidade, e os separar do conhecimento de serem os criadores da vossa realidade. Sabem que existe gente no mundo que não acredita nisso? Que há gente que não acredita que vós criais a vossa realidade? Claro que sabem disso, sabem que há gente que se torna absolutamente violenta à simples sugestão de estarem a criar a sua própria realidade. Que se ergue de caixas ensopadas e que se envolve em todo o género de actividades a fim de decretarem e declararem:

Percebem o quão receosa essa gente precisa sentir-se? O quão completamente separada se acha dela própria quando se opõe com tal violência à ideia de que vós criais a vossa própria realidade? Precisam estar completamente repletos de medo. Por o medo os separar da verdade de ser uma parte do seu ser, tudo quanto eles criam. Separa-os da realidade e separa-os deles próprios.

Essa é uma das razões – caso não se revele suficiente! – por que o medo é tão negativo. Para além dessa, porém, o medo paralisa. Impede-os de mudar. O medo apossa-se de vós e coloca-os na situação de inércia, na situação de projecção ou de identificação; o medo prende-os na situação de tédio, de ciúme, de vingança, prende-os na situação de dúvida, sob a forma de raiva, de culpa, de pressão; o medo encerra-os na autocomiseração e assim ficam impossibilitados de mudar. O medo paralisa-os.

Não! Um pequeno temor apenas os deixará entorpecidos. Pois em que consistirá em última análise a paralisia? Entorpecimento, a ponto de serem incapazes de se mexer.

E desse modo, esses pequenos temores começam por os entorpecer, mas os pequenos temores que não encontram correspondência da vossa parte, crescem, e expandem-se e alargam-se até que em breve se verão engolfados neles, e paralisados, incapacitados para agir e incapazes de pensar, incapazes de sentir, incapazes de ser responsáveis, incapazes de ter intimidade e de encontrar complexidade na vossa realidade; a essa altura serão incapazes de rir, incapazes de dar, incapazes de pedir ajuda. Paralisados de medo. Não é desespero mas paralisia. E essa é a segunda razão por que o medo é tão prejudicial e tão negativo.

Terceiro, o medo perpetua o passado, e o ego negativo que se alimenta dele. Medo – de que terão medo? Da possibilidade do passado se repetir, não é? Ou do desconhecido – não será basicamente ao que ele se reduzirá?

Por que terão medo disso?


Porquê?

Não é verdade, mas é o receio que têm. O medo que têm no geral, é:


Ter medo do quê? Do passado? De não ser mais necessário? De não ser útil? De não produzir mais? De não mais dar fruto? Os receios que têm são receios provenientes do passado, mas o medo perpetua o passado, e mantém-nos nele e prende-os constantemente a ele, ao tentarem revivê-lo e tentarem constantemente corrigi-lo, tentarem constantemente mudá-lo. Em vez de mudarem o futuro, onde realmente pertencem ficam agarrados ao passado, e portanto essa é a terceira razão por que o medo é tão devastador e tão negativo.

E em quarto lugar gostaríamos de sugerir que o medo é viciante; ficam viciados no medo; alguns de vós são drogados no medo. Absolutamente! Reconhecidamente, alguns com quem falamos, são viciados no martírio. Viciados na autocomiseração que adoram em absoluto, e não conseguem dar-se bem sem sentirem pena deles próprios. Não passam duas ou três horas sem sentirem falta de reconhecimento, não é?

Começam a sentir-se completamente estranhos e começam a tremer e a ficar verdadeiramente esquisitos. (Riso)

Alguns de vós agem dessa maneira motivados pelo medo. Alguns de vós actuam dessa maneira devido ao medo. Acordam e sentem-se óptimos:

Continuam durante algumas horas sem nada que os assuste, sem que nada de mal ainda lhes tenha sucedido:


E quanto mais prosseguirem mais medo julgam que os venha a atingir, não é?


Estão a ver o tempo que faz aqui? E quem alguma vez terá ouvido falar deste tipo de tempo, em São Francisco, tão ensolarado brilhante e claro nesta altura do ano? Tal coisa nunca acontece, e as pessoas dizem:

Viciados no medo, que ultimamente não conseguiram corrigir! Não é que exista alguma coisa errada com as suas vidas nem seja coisa de que devam ter medo, mas alguns de vós são viciados no medo, por o medo criar dependência. Querem sentir medo, estão tão habituados a sentir medo que a identidade que têm...


Mas tenho a minha lista dos temores, não? De que temos medo? Aqui temos a nossa volumosa lista: Isto é o que acontece quando ganhas bem:

Acrescentais outra coisa à lista. Nunca finalizais a lista!

Dependentes do medo. E tal como todo o viciado, ficam zangados com quem quer que seja que tente retirar-lhes as vossas coisas. É por isso que o medo representa uma tal barreira e é tão prejudicial, por poder tornar-se num vício a todo o instante.


Mas antes que deem por ela, estão viciados no medo. Não conseguem acreditar que passe um dia sem sentirem medo, mas as vossas crenças criam a realidade; e se acreditarem no medo, hão de senti-lo! Isso está fora de questão. Hão de senti-lo. Está fora de questão. 

Para além do vício, o medo acomoda-os; o medo acomoda-os a todas as manipulações, o medo acomoda-os a todos os vossos jogos, acomoda-os a todas as racionalizações, a todas as razões do tipo “porque não?” O medo torna-os acomodados. Querem dominar, querem manipular de modo a não serem manipulados; pretendem recorrer a jogos de poder, por mais alguém o fazer se o não fizerem. Querem tentar ter Deus do vosso lado pelo uso de artifícios e da manipulação, de modo a poderem gozar de vantagem, e de forma a pensarem ser mais espertos que Deus. Querem esconder, proteger o vosso ego, rejeitar, negar que têm um ego negativo, rejeitar que esteja em operação, por o mundo ser assustador, e por ser um mundo cão. E se não estiverem no topo, isso deverá querer dizer que alguém esteja por cima de vós! De modo que poderão justificar as vossas manipulações, poderão justificar os jogos que representam, justificar a ofensa e o dano que cometem aos outros - por sentirem medo – POR SENTIREM MEDO! É uma razão suficientemente válida, não? (Riso)


O medo acomoda-os.


Talvez por uma vez! Porventura duas! Mas após determinado ponto, percebem:


E isso é suposto ser responsabilidade! Assim como é suposto que tudo fique perdoado a seguir:



O medo acomoda. E assume o aspecto de responsabilidade, mas é o acomodamento do medo. E é por isso que é tão condenatório e prejudicial. O medo alimenta-lhes os bloqueios. 
Vocês vêm a esta encarnação e pegam certos obstáculos ou dificuldades que pretendem suplantar, entendem? Dispõem os obstáculos e confrontam-nos e questionam-se:

Por terem esquecido que o fizeram. E a seguir ficam assustados:

O medo nutre os bloqueios de que padecem.

E por fim, à semelhança do perigo inicial do medo, separa-os de vós próprios e da vossa realidade. O perigo supremo do medo está em que os separa de Deus, da Deusa, e do Todo.
Essa separação em última análise conduz à negação de Deus, da Deusa, de Tudo Quanto Existe. O medo tem benefícios, mas os malefícios ultrapassam-nos de longe. Contudo, o medo consiste numa emoção real, e como tal precisam reconhecer o benefício, enquanto atributo, assim como reconhecer o malefício, enquanto atributo. Porquanto para conquistarem o medo, precisam não só saber de onde procede, como precisam saber em que consiste. E precisam vê-lo por aquilo que é. Ele separa-os de vós próprios, paralisa-os, alimenta-se do vosso passado e do vosso ego negativo, vicia-os e acomoda-se à vossa negação, nutre os vossos bloqueios e separa-os de Deus, da Deusa, do Todo, deixando-os essencialmente numa posição de negação da própria existência de Deus.

E nós gostaríamos que sugerir que aqueles que exploram o medo – aqueles que tiram proveito do medo – estão simplesmente a expor a extensão em que o medo os terá mantido distanciados de Deus. Eles não são malvados – foram unicamente separados de Deus. E a manipulação que fazem com base no medo constitui uma simples forma de bradarem:


Não quer dizer que os abraceis; não quer dizer:

Não! Mas ainda faz parte da compreensão. E quando vós sois separados, quando usam o medo para se manipularem a vós próprios ou aos outros, quando dão por vós cativos numa posição dessas, isso constitui de forma idêntica uma mensagem do grito que lançam:


Começam a vossa conquista do medo pela compreensão da origem e pela consciência do que esse medo engloba. Se virem o quão negativo é, se virem o quão prejudicial é, por que não o detêm? Porque não o conquistaram há tanto tempo atrás? Porque não foi a primeira coisa a fazer logo no ponto de partida, na corrida do crescimento que empreendem?


Em segundo lugar mantêm-no activo por se terem tornado escravos dele. O medo tornou-se num tal vício, tornou-se num acomodamento tal, tornou-se numa tal paralisia que ficaram viciados, e continuam a ter medo por recearem deixar de o sentir. Têm receio de deixar de sentir medo. Não conseguem imaginar isso, nem acreditam que seja possível – não querem acreditar que seja possível viver sem medo. E quando se cruzam com aqueles que o conseguem, que é que lhes fazem? Criticam-nos! Irritam-se profundamente com eles e dizem:

E anexam-nos aos Contos de Fadas, não é?

Mas não são todos iguais; nem todos os que passam a assobiar são capazes de tomar decisões decisivas (a rir, seguido de riso geral) nem vivem necessariamente sem medo; estamos a referir-nos à pessoa racional que joga com o baralho completo e que não tem medo. A segunda razão por que não conquistaram o medo deve-se ao facto de se terem tornado escravos dele, de se terem viciado nele, de terem ficado presos nele.

A terceira razão, para além de terem sido escravizados pelo medo, deve-se a apreciarem a falsa sensação de poder – ao utilizarem o medo como um porrete a fim de manipularem os outros. Querem que o medo sobreviva, por quererem meter bedelho! Então, estão numa posição de poder:


E em quarto lugar, por terem sido apartados, por não acreditarem verdadeiramente que vós criais a vossa própria realidade. Porque, muito embora consigam pronunciar os termos Deus, Deusa, O Todo, ou Divindade, ou o que quiserem chamar-Lhe, não acreditam de verdade nem sabem que Deus, a Deusa, o Todo existe!

É por isso que reivindicam tanto:

Mas o que realmente estão a clamar é por socorro:

Aqueles que assim clamam ser o único Deus e ser tudo o que existe, e que não existe mais nada de mais significativo nem de melhor do que eles, estão simplesmente a expor o próprio medo que sentem, e os danos que esse medo terá provocado, a ponto de os apartar; por não se terem perdoado a eles próprios. Por não se terem perdoado a vós próprios, por ainda não terem conquistado o medo.

Assim, podem decidir:



Mas se souberem especificamente no que o medo consiste, por o medo poder representar um aviso, e poder apontar a área onde padecem de falta de confiança, pode abrandá-los de forma a levá-los a mudar de direcção, assim como pode revelar-lhes onde as crenças que têm se revelam falhas:


Ouvem-nos falar disso. 


Mas há, mas há, efectivamente existe um Deus, Deusa, Todo que de facto existe e te ama especificamente a ti.


Quando conquistarem o medo, hão de acreditar, e hão de saber disso, por então passar a ser real para vós.

Perdoem-se a vocês, primeiro. Perdoem-se por ainda o não terem efectivado. Depois poderão avançar para a conquista efectiva, para de uma vez por todas conquistarem os receios e o medo. Ao mesmo tempo que pronunciamos estas palavras alguns de vós estão a sentir-se assustados:

Estão a ficar assustados por se estarem a aproximar do tempo em que podem conquistar o medo. E desse modo aquilo que queremos que façam, é, num instante – não por enquanto, por já se conseguir ouvir o limpar da garganta, e o tossir incessante, todo o movimento sem parar:


Provavelmente após o intervalo vamos proceder a uma meditação, está bem? Será isso algo que possam temer? Oh sim! (Riso) E provavelmente vamos falar do modo como conquistar literalmente esses receios, sim? E vamos concluir a noite, conforme receosamente poderão suspeitar com uma fusão com que poderão provavelmente dar a coisa toda por consolidada e sair daqui sem os medos que carregam, não é? É! (Riso)

Bom, dentro de instantes o que vamos querer que façam é um intervalo. E durante o vosso intervalo queremos que façam as coisas que precisam fazer, mas também queremos que pensem; bem sabemos que pensar constitui uma coisa pouco popular, mas queremos que pensem. 

Pensem no facto de que quando efectivamente se compenetrarem do que estivemos a falar, nas origens e na natureza e nas razões pelas quais não o fazem, estão à beira de conquistar o medo que sentem. Coisa que não precisa representar o trabalho de uma vida, não precisa durar para sempre; vós estais à beira de conquistar o medo que tendes. Podeis deixar isso ocorrer na meditação e na conversa que a antecede, assim como na fusão que terá lugar. Assim como poderão esperar e deixar que isso tenha lugar mais tarde. Mas se pensarem que vá levar seis meses, então vai demorar seis meses, ou seis anos, seis décadas, seis vidas. Mas pelo menos acha-se dentro de vós a possibilidade de conquistar o medo, sempre que o desejarem. E nós queremos que pensem nisso, e que deixem que isso faça luz dentro de vós, e que basicamente respondam à questão: porque não agora? Porque não agora?
...

Já consideramos a origem de toda a emoção e de todos os medos; toda a emoção consiste em amor ao passo que todo o medo traduz solidão. E consideramos os atributos, tanto positivos como primordialmente negativos do medo, de forma que se torna claro por que razão não querem destruir mas conquistar o medo que sentem. E já consideramos a razão por que ainda o não conseguiram, e porque podem encontrar as vossas próprias recompensas, ou mais especificamente o que estão a evitar, a culpa que querem carregar, a hipocrisia que querem sentir, as garantias que esperam ter, a pena pela importância ou relativa ao passado a que se agarram. Alguns de vós presos nisso, escravizados pela própria dependência do medo; outros de vós que de facto o utilizam, que não querem ser livres, mas que desfrutam da sua prisão e do fardo com que costumavam representar os vossos joguinhos.

E todos vós, ao não se perdoarem, mas ao perceberem que estes três estágios de que falamos até aqui fazem parte íntegra dessa conquista, mas que a acção e o ser efectivos dessa conquista surge do seguinte modo. Mas o processo de conquista comporta quatro componentes, quatro segmentos.

Agora, com respeito ao trato de certos medos da solidão, referimo-los no seminário “Pôr Termo à Solidão”, e não os vamos repetir. Com respeito ao trato de receios específicos da humilhação e dos receios do tipo específico desse tipo particular de preocupações, conforme mencionamos no “Medo, a Guerra Interna” nós referimo-los de novo. Falamos de conquistar o medo, conquistá-lo de uma forma geral e de uma forma específica. O primeiro componente consiste em ficar a sós – é quando estragam logo tudo por completo, entendem? Quando sentem medo, e quando se trata de um medo que pretendem conquistar - obviamente que consideraríamos o anseio por chegar a tempo a um sítio qualquer e coisas do género mais como sobressaltos ou situações alarmantes ou preocupações com o imediato e não propriamente medo nem os conceitos paralisantes e viciantes nem acomodativos que comporta. Aquilo que precisam fazer, quando o pretendem conquistar, o que precisam é ficar a sós. E o maior e o mais pavoroso dos medos consiste em ficar sozinho, o que frequentemente associam a ficar só, de modo que, quando muitos de vós sentem medo, têm vontade de fazer qualquer coisa EXCEPTO ficar sós.

Correm tanto quanto puderem para junto dos outros, deixam-se sobrecarregar, ficar frívolos, tentam passar um bom bocado como nos velhos tempos, no sentido da sátira de Babbitt, ou põem-se a dormir, o que não é ficar a sós mas bater em retirada. Ficam adormecidos no sentido ordinário:

Ou aborrecem-se e vão-se embora, etc. Isso não é ficar a sós mas esconder-se, quer junto das pessoas ou retirar-se da sua realidade, mas não é disso que estamos a falar.

A maioria de vós, quando se sente assustada e os receios surgem, a última coisa que têm vontade de fazer é ficar a sós, quando é justamente a primeira coisa que precisam fazer. Precisam retirar-se do mundo, embora por breves momentos, mas retirar-se do mundo é o primeiro passo. E como poderão entender também representa a razão por que o não terão feito antes. Por uma parte de vós saber instintivamente:

E agora dizer:

Mas precisam afastar-se do mundo.

Nesse afastamento precisam confrontar-se com os receios que têm. Ora bem, vamos revelar-lhes um pequeno truque relativo a isso: Tratem do medo efectivo, confrontando-o e reproduzindo-o:

Muito bem, visualizem-se a ser despedidos. O patrão chama por vós, manda-os sentar, diz-lhes que têm um problema, tudo o que estiverem à espera que o patrão diga, e as derradeiras palavras será:

Ficam aterrados, com a possibilidade do IRS vir atrás de vós por causa de vários anos de impostos por pagar.

Reproduzam isso, reproduzam os batimentos à porta, ao chegarem para lhes pedir contas e levá-los, ao lhes fecharem a casa a cadeado e a todas as vossas posses, etc. Sentem-se aterrados quanto ao facto dos vossos pais os virem visitar e não saírem mais, não é? (Riso) Sintam isso, vejam isso a acontecer. Se se tratar de um medo real, se se tratar de um medo efectivo reproduzam-no literalmente na vossa mente, visualizem-no, pronunciem-no em voz alta, escrevam sobre ele, etc., reproduzam-no dessa forma. E nessa situação de solitude, falem mesmo com um amigo.

Agora, quando nós dizemos, fiquem com frequência a sós, entendam, isso tem importância na conquista, mas ocasionalmente poderão ter que sair dessa solitude e dizer:


Coisas desse tipo. Esse amigo pode ser uma pessoa real, esse amigo pode não passar de estarem a falar diante do espelho. Esse amigo pode ser os vossos conselheiros; o vosso Eu Superior ficará encantado com a possibilidade de passar a ser vosso amigo. E no vosso sítio privativo podem dizer-lhe tudo relativo à condição de pavor que estejam a viver, em detalhe. Expressem-no; ouçam-no em voz alta ou mentalmente.

Todas as coisas que receiam dizer ou ver, reproduzam-nas directamente. Enfrentem a Medusa directamente. Se for um receio real, assim que o enfrentarem dessa forma, então procurem apurar de que coisa será sintoma. Tal como sugerimos em ocasiões anteriores, todos os vossos segredos constituem sintomas, não? Bom, todos os vossos receios também representam sintomas; todavia, os vossos receios constituem sintomas de crenças defeituosas:

Um medo que seja real, se o enfrentarem directamente, se o virem, se o abrangerem, se o viverem, se o reproduzirem na vossa mente, na meditação que fizerem, se virem de que coisa é sintoma, que crença defeituosa comportará, que crença estará a deixar em curto-circuito... Da mesma forma, em seguida reproduzam o medo de novo, só que desta vez, avançando rapidamente para a frente, para trás, de pernas para o ar, reproduzam-no por várias formas diferentes e diversas vezes, até que se torne numa tolice. Tocar música do John Philip Sousa para o vosso medo por vezes pode tirá-lo do reino do medo; ouvir a melodia “Sou um Yankee Doodle Dandy” (riso) enquanto estão a ser despedidos, ou enquanto os estão a abandonar, de certo modo deixa-os inebriados, não é? (Riso) Executar isso num fato de corrida de licra, ao estilo Cock (marca registada), com um tinir de música de piano, ou apoiado pelas Rockettes a dançar (riso) e a cantar em coro:
De certa forma apela à responsabilidade por meio do excesso. (Riso)
Por conseguinte, com o medo directo, o medo real, reproduzam-no, vejam de que coisa será sintoma e depois reproduzam-no tornando-o numa tolice. Tornem-no numa coisa:
Se se tratar de um medo potencial:
No geral, sem ainda ser suficientemente específico. Quando digo real refiro-me a específico, como o tipo de medo de ser despedido, medo de ficar doente, os receios potenciais como o medo de chegar a velho e de ficar incapacitado, sem que saibam por que motivo, por não se tratar de um receio específico, mas sentirem medo de não se poderem locomover; não serão capazes de ver ou de pensar com clareza. O medo que sentem traduz-se mais por um potencial, sem que chegue a envolver qualquer facto efectivo ou probabilidade. Como o medo de cometerem asneiras no emprego em face do que após seis meses o despedimento passe a ser um facto. Mas um emprego que tenham iniciado apenas há pouco; o medo de ser despedido constitui apenas um medo potencial. Se andarem a desviar dinheiro da empresa e o descobrirem, terão razão para se sentirem receosos. 
Se apenas começaram e já sentem receio de poderem ser confrontados com a acusação de desvio, e nada tiverem que ver com esses potenciais – potenciais versus realidades - quando confrontam o medo potencial, olhem para ele enquanto sintoma que é. Não têm que o adoptar directamente, e sugerimos que o encarem de uma forma ponderada:
Por conseguinte, quando se tratar de um medo real reproduzam-no, e veja, de que crença será um sintoma e voltem novamente a reproduzi-lo. Se for um medo potencial, tentam ver de que realidade será ele sintoma, de que crença será sintoma, e depois reproduzam-no de novo. Abrem mão dele tornando a coisa toda numa tolice pegada. Mas entendam, enquanto num caso o confrontam directamente, no outro confrontam-no d forma reflectida.
Primeiro e segundo passos, e no terceiro voltam a reproduzi-lo. Assim, a diferença existente entre o medo real e o medo potencial, e a forma como tratam dele no vosso local de tranquilidade é que ao medo real confrontam-no directamente, e o medo potencial enfrentam-no indirectamente. Percebem o que ambos representam em termos de sintomatologia de crença, e reproduzem ambos de novo a fim de os libertar.
No vosso lugar de retiro, a primeira fase consiste em ficar sozinhos. 
A segunda fase da conquista representa a fase de afirmação de permissão. Concedam a vós próprios permissão para conquistar esse medo. Isso parece tão óbvio que porventura por causa da evidência são levados a esquecer isso; e quando dizemos isso referimo-lo de uma forma literal. Enunciem a vós próprios:
Seja qual for a fraseologia que quiserem mas concedam-na a vós próprios, mental ou literalmente, em voz alta:
Por vezes falar em voz alta é melhor por se ouvirem a vós próprios:
Sejam quais forem os termos que quiserem empregar:
Se não tiverem a certeza.
E parte da permissão, a fase da afirmação, representa o perdão:
Bom; para alguns de vós o perdão pode ser enunciado tal como o dissemos:
Para outros, pode ser que precisem passar por todo um processo de perdão de reunir flores e as colocarem sobre a pedra, toda essa técnica. Se a empregarem, empreguem-na. Não é como choques, não é? A ideia consiste em conquistar o medo, por meio da permissão, da declaração e do perdão – segunda fase.
Mas essa é uma das mais complicadas; se não concederem a vós próprios permissão, e a afirmarem, e a seguir perdoarem-se, não conquistarão o medo. Podem conseguir isso desta vez; podem conseguir sobreviver:
Mas, e na próxima semana?
Mas e para o ano que vem?
Mas que garantia terão, de que não venha alguma vez a faze-lo? Irão tornar-se insensíveis? Não: Permissão, afirmação, indulgência. Parecem tão óbvios.

Mas há a parte tão importante; permitam-se fazer isso; não o negligenciem por se apresentar demasiado simples. Se o quiserem tornar mais difícil, fiquem num só pé enquanto concedem a vós próprios permissão para tal (riso), e o afirmam e se perdoam, sem tocar com o outro pé no chão, pelo menos durante vinte minutos. Aí está. Será melhor? (Riso) Se tiver que ser, dificultem mais a coisa, tornem-na numa acrobacia de equilíbrio difícil em vez de um tipo de dificuldade corriqueiro. Mas é melhor manter ambos os pés firmes no solo. Concedam a vós próprios permissão, afirmem-se a próprios e perdoem-se a vós próprios.

A terceira fase da conquista passa pela solução. Três soluções que podem usar - uma qualquer ou todas – a primeira das quais consiste numa carta do medo, não diferente de uma carta do ódio. Uma carta do medo consiste no delinear do medo:
“Prezado........ (seja qual for o nome) estou a escrever-te esta carta (no papel, e utilizando uma caneta) por me sentir assustado, e esta é a razão por que me sinto assustado: estou receoso de que...”
Mas escrevam uma carta longa e pungente. Detalhem-na:
Detalhem a carta.
Detalhem a coisa, caso seja esse o medo que sintam.
Agora, toda a gente tem medo disso, certamente, mas alguns de vós têm medo, o que difere de ter um receio. Se esse for o medo que tiverem, detalhem-no. Alguns de vós sentem-se aterrados, e outros escondem-se debaixo da cama; detalhem isso:
Detalhes relativos a essa forma de medo. Ao detalharem isso na carta, uma página, duas páginas:
Querem conquistar esse medo? Ou querem somente fazer de conta? Continuem a escrever; continuem a escrever:

Ora bem; já levamos as pessoas a fazer isso; já recomendamos isso em privado às pessoas, e isso causou um impacto admiravelmente estrondoso. Funciona. Esse é um dos remédios por que podem optar por usar.

Um segundo remédio, ou solução, é o que iremos classificar de “Técnica da Água”. Muito poderosa e eficaz. Já lidaram com o medo que tinham, já lhe conhecem o rosto, já o confrontaram e já viram de que coisa é sintoma, reproduziram-no de uma forma rápida, divertida e idiota. Já concederam a vós próprios permissão, já a declararam e perdoaram a vós próprios. Agora pegam num copo cheio de água até três quartos, deitam-se, seguram no copo com ambas as mãos sobre o vosso plexo solar – o vosso terceiro chakra – em qualquer parte, quer acima do umbigo, baixo, à esquerda, à direita, seja onde for. Tenham consciência de o estarem a fazer de uma forma miraculosa. 
Se acharem que seja melhor faze-lo mais à esquerda – tudo bem. Se for mais à direita, não tem problema. Coloquem todo o medo que sentem nele; sintam o medo todo no vosso plexo solar – por ser aí que os sentimentos dessa categoria se situam! – sintam-nos a penetrar na água:
Detalhem-no mentalmente tal como o fizeram na primeira fase, coloquem-no dentro da água, dois minutos, cinco minutos, dez minutos, seja qual for o tempo que lhes leve, e se derem pela vossa mente a indagar, percebam ser o vosso ego que não quer realmente que isso seja feito, à semelhança do indivíduo respeitável que diz:
Sabem que uma pessoa dessas não quererá que isso seja feito, de modo que darão pela vossa mente a indagar:

Coloquem-no no copo e sintam-no entrar no copo, com todo aquele aspecto terrível e horrendo e nauseabundo e toda aquela sensação e sabor e aspecto pútrido, os sentidos todos, a audição e tudo o mais nesse copo. Depois peguem no copo – não o despejem em planta nenhuma, mas deitem-no fora. (Riso) Despejem-no pelo sifão da banca ou na sanita, despejem-no. E façam correr a água e não deixem esse veneno simplesmente ali em estado residual. Despejem-no e descarreguem o autoclismo ou abram a torneira da banca. Enxagúem o copo, não precisam lavá-lo – se quiserem podem lavá-lo, mas se quiserem podem enxaguar o copo. Sacudam-no e de seguida encham-no até três quartos de novo, mais ou menos a mesma quantidade de água. Voltem a deitar-se, e de seguida coloquem o copo de água sobre o vosso coração, e sintam amor. Sintam todo o amor que conseguirem sentir, toda a alegria e toda a felicidade, toda a admiração que conseguirem sentir. Pensem no quanto Deus os ama e Se interessa de verdade por vós; pensem em como têm um Eu Superior que efectivamente olha por vós – se o permitirem – pensem nos concelheiros que têm, nas pessoas e nas circunstâncias da vossa vida – nem tudo será bom, mas terá coisas boas – foquem-se nelas. 

Aquilo em que se focarem será aquilo que conseguirão. Aquilo a que prestarem atenção será o que passarão a criar! Sintam o amor. Se preferirem podem convocar-nos e misturar-se connosco. Permitam que venhamos e os amemos, que s abracemos e cuidemos de vós, e os protejamos. Ficaremos mais do que satisfeitos de lhes podermos valer. Senti todo o amor que conseguirem, toda a gratidão e todo o esplendor; rodeiem-se de toda a segurança, e aí terão conseguido isso. Sentem-se e bebam metade da água – metade da água – com graça, não é? – e após trinta minutos bebam o resto. E terão solucionado o vosso medo. Em seguida vão à vossa vida.
O terceiro remédio: o recurso do cristal. Seleccionem um dos vossos cristais, ou um que não julguem ser muito caro; pode ter um corte mal acabado que não tem importância. Peguem num cristal que se torne, de agora em diante, no vosso cristal do medo. Não se trata de um insulto, não precisam lamentar-se pelo cristal (riso). Para alguns de vós recomenda-se que esse cristal seja o vosso favorito, (riso) por o usarem muito, não é? Esse é designado como o “cristal do medo”. E o que fazem é muito semelhante, só que desta vez colocam-no sobre o vosso plexo solar, quando introduzirem o medo dentro do cristal.
Os cristais amplificam a intenção. Já falamos disto antes; algumas pessoas dizem que não se deve utilizar cristais na cura de cancros, por os cristais amplificarem o cancro. Não, os cristais amplificam a intenção que tiverem. Se o objectivo que tiverem for o de curar, eles amplificam a cura, independentemente do que estiverem a tentar curar.
Se for alguma coisa que queiram reduzir, os cristais amplificarão a redução, por amplificarem o objectivo que tiverem. Por isso, se o objectivo que tiverem for o de se livrarem do medo, um cristal amplificará esse objectivo. Ponham-no sobre o vosso plexo solar e introduzam todo o medo nele; deixarão esse cristal manchado, podem ter a certeza; encham-no com toda a gosma, e de forma tão imaginária quanto conseguirem quer seja respirando de modo a forçá-lo a entrar ou seja como for; usem o que precisarem para o introduzir no cristal. Pode ser um cristal pequeno:
Não! Pode ser um cristal pequeno, que ele conseguirá cuidar de mais medo do que vós podereis dominar. Não quererão necessariamente desafiar isso, mas em todo o caso sugerimos que, seja qual for o tamanho do vosso cristal, ele representará o vosso cristal do medo. Coloquem-no todo nele. Quando terminarem precisarão purificar o cristal – não precisam limpá-lo, coloca-lo no solo, por 24 horas ou seja o que for – podem somente purificá-lo, passa-lo por água e purificá-lo movendo-o ao redor, conforme devem saber, qualquer que seja o modo de o purificar, sacudi-lo sobre cada uma das suas facetas, para o libertar de toda a negatividade, etc. Em seguida coloquem-no sobre o vosso coração e encham-no de amor, e de toda a alegria e de toda a felicidade e esplendor que puderem. 

Mas a palavra-chave é segurança – tanto para a técnica da água como para a técnica do cristal. SEGURANÇA, é a palavra-chave. Encham-no disso, inundem-no disso. Enchem-se disso por completo e cem-por-cento. Quando tiverem terminado, peguem no cristal e suavemente coloquem-no sobre o vosso plexo solar, sobre o vosso coração, sobre a vossa garganta, sobre o sexto chakra, entre os olhos, mesmo acima da raiz do nariz, e depois suavemente toquem o sétimo. E vinte minutos mais tarde, a mesma coisa; o terceiro, o quarto, o quinto, o sexto e o sétimo. Terão solucionado o medo.

O que nos conduz à quarta fase da conquista do medo, que consta da decisão – está feito! E depois ajam em conformidade. Está terminado, levantem-se e vão à vossa vida e abandonem o vosso retiro. Começaram a fase 1 retirando-se, ficando a sós. Lidem com isso, quer de forma real ou potencial. Quer directa ou indirectamente. Vejam quais serão os sintomas, em termos das crenças falhas sintomáticas e simbólicas. Experimentem-nos por completo, para os libertarem de uma forma bem-humorada e mais ou menos tola, e a seguir passem para a fase seguinte, concedendo a vós próprios essa permissão para pôr cobro, proferir essa afirmação e perdoar. Depois avancem para a terceira fase que consta do recurso. Peguem num ou numa combinação de recursos. Alguns preferem a técnica da água na banheira, o que é perfeitamente normal. Estão envoltos no medo, enchem a banheira, tiram um copo de água, colocam todo o medo que sentem nele, descarregam-no na sanita, voltam a enchê-lo de novo na banheira, colocam-lhe todo o amor que sentem, bebem metade dela, esperam vinte minutos e bebem o resto – Bang! - saem da banheira, e não terão deixado medo nenhum. Soa demasiado fácil e simples, mas resulta.

Ou utilizem a técnica do cristal – o que preferirem – mas tudo na vossa privacidade, tudo isso no retiro que fizerem, e quando terminarem, quando tiverem solucionado, aí aflorem para o mundo:


Assim, existem quatro componentes: A compreensão das origens; a compreensão dos atributos; a compreensão da razão por que não se terão perdoado, por que não terão libertado, por que não terão conquistado, e a seguir conquistem-no. E terão receios a conquistar, à medida que forem desistindo da escravização em que se encontram. E ao reconhecerem aqueles que utilizam o medo para os tentarem controlar e manipular e para os tentar persuadir, na conquista que conseguirem desse medo, tornar-se-ão no líder, tornar-se-ão na inspiração que tiverem decidido tornar-se.

 FIM

Transcrito e traduzido por Amadeu António

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