segunda-feira, 10 de outubro de 2016

A ARTE DE AMAR



Esta noite focamo-nos na mestria do amor. Toda a gente, todo ser humano, no vosso mundo, e por certo toda a consciência muito para além do vosso mundo, toda a gente começa como um aprendiz no amor, e nessa aprendizagem toda a gente capta o fenómeno e em seguida perde-o, uma e outra vez.

Na aprendizagem do amor, vocês experimentam-no e tocam-no e são tocados, e ainda assim tanta vez, perdem esse mesmo amor que estão a aprender. E nesse contínuo contacto e perda com que toda a gente se acha envolvido, há muitos que desenvolvem uma certa capacidade em relação ao amor, e que desenvolvem uma certa fábula acerca do amor, e desenvolvem um certo mito com os rigores e o ritual com respeito ao amor. Toda a gente constitui um aprendiz, toda a gente experimenta o toque e a perda. Muitos desenvolvem uma capacidade, desenvolvem um mito, desenvolvem uma fábula do amor que é a sua fábula.

E por entre os muitos há alguns que vão além e que se tornam proficientes, que se tornam proficientes e habilidosos no ofício do amor, e que vão além da aprendizagem e se tornam hábeis, se tornam artífices no amor; alguns conseguem-no certamente. Mas poucos desenvolvem a mestria, poucos se tornam artífices no amor. Tão frequentemente é esse padrão do descobrir, tocar, e perder repetido que para tantos se tornou na maneira de ser. É dito, no quadro do consenso geral, que é a natureza do género humano – a vossa natureza:

“É assim que é, é assim que funciona…”

E tristemente para muitos isso é verdade. Mas não tem que ser desse modo. Não tem que ser da maneira que o vosso mundo adopta, nem tampouco tem que ser como é. Não precisa ser a maneira de ser da vossa natureza e decerto que não precisa ser a maneira de ser da natureza humana. Não tem que ser dessa forma. Podem ir além do aprendiz e ir além da posição de aprendiz do amor, e podem tornar-se artífices. Talvez seja mais seguro permanecer aprendiz, talvez seja mais seguro permanecer artesão do amor, certamente, e muitos apologistas do consensual incitá-los-ão a optar por isso; muitos encorajá-los-ão a sentir-se satisfeitos com o amor que já têm na vossa vida:

“Não abanes o barco, em particular por te encontrares nele; satisfaz-te com o amor que já tens; contenta-te com o que já conheces do amor. Não sabes contentar-se? Contenta-te com o que já tens. Mantém o que já conseguiste; agarra-te àquilo que conheces; satisfaz-te; contenta-te!”

E, conforme dizemos, talvez seja mais seguro proceder assim, na vossa aprendizagem de artesãos, mas nunca fomos de os encorajar a acomodar-se, nunca fomos de os encorajar a permitir que o vosso contentamento se torne complacência. E vocês jamais foram de se acomodar ou de se tornar complacentes! Não são de se satisfazer com a acomodação nem com a complacência. E muito embora um ego negativo se possa deleitar com tal satisfação, a vossa alma e espírito jamais o fazem, e por isso muitas vezes falamos de amor – talvez sempre, e vocês muitas vezes buscam o amor – porventura sempre. Porque fazê-lo representa o buscar e o enunciar a derradeira necessidade de todo o ser humano, de todo o ser espiritual.

O amor constitui uma ponte; o amor-próprio constitui uma ponte para vós próprios de modo a poderem estabelecer contacto convosco próprios e ser tocados por aquele ou por aquela que são. O amor constitui uma ponte entre cada um de vós, de modo a poderem entrar em contacto uns com os outros e a permitir uns aos outros para serem reais e a poderem ser reais para vós próprios e para mais alguém. O amor é uma ponte que lhes permite tocar e ser tocados uns aos outros; que lhes permite tocar e ser tocados pelo vosso Eu Superior, pela vossa Alma e Espírito, tocar e ser tocados por Deus, pela Deusa e por Tudo Quanto Existe.
Certamente que na dança que empreendemos, o amor é a ponte que nos permite tocá-los, assim como é a ponte que permite que nos toquem – e vocês fazem-no, e nós sentimos o vosso amor, quando nos tocam profundamente. A arte que é o amor constitui igualmente uma ponte, é igualmente uma metáfora, é igualmente um factor de transformação que pode abrir a porta de entrada para a transcendência.

Vejam bem, na vossa realidade utilizam o passado e o presente para praticar a transmutação, para praticar a transformação; usam o passado e o presente para praticar a mudança e para praticar o crescimento. Mas a prática terminou! Trata-se agora de transcender; trata-se agora de evoluir. E vocês são os cartógrafos, obviamente que são os cartógrafos para vós próprios, e para aqueles que amam. Mas também são os cartógrafos em prole do vosso mundo e da humanidade, do género humano todo – não no singular, não sozinhos, mas encontram-se entre os relativamente poucos; vocês são a medicina energética de um século vinte que se está para se tornar em breve num século vinte e um; de um mundo que se encontra num processo de evolução; numa energia Gaia, na consciência da própria terra que se encontra num processo de crescimento e se está a tornar nesse mundo adulto; num mundo novo. E vocês são os cartógrafos do mundo e da humanidade. A vós cabe ir além do aprendizado, a vós cabe ir além do ofício do amor e tornar-se no artesão nos mistério e no misticismo da mestria do próprio amor.

Com a mestria do amor, podeis chegar perto de amizades compensatórias e relacionamentos íntimos, do trabalho significativo e do êxito gratificante, mais próximo da expressão do vosso poder e da vossa resistência, e do vosso talento; mais perto da experiência do valor e do mérito que têm. Por intermédio das vossas conquistas e das vossas realizações podem chegar mais perto da abundância daquilo que é a recompensa e o cumprimento, do íntimo e do significativo. Com a mestria do amor podem chegar mais perto da realização dos vossos sonhos e das vossas visões, e podem descobrir a confiança e a coragem de sonhar novos sonhos e de ter visões mais profundas. Com a mestria do amor podem despertar a magnanimidade da vossa dignidade, da vossa liberdade, da vossa presença, da vossa graça, a magnanimidade da responsabilidade, e claro está, a magnanimidade de serem suficientemente bons. Não só podem chegar mais perto da abundância com podem despertar a generosidade.
E com a mestria do amor podem catapultar-se em frente no espírito de recuperar e do compor, na vossa senda metafísica e na vossa jornada espiritual. Com essa mestria, entendem, além da condição de aprendizes e na de artífices no amor, poderão experimentar a glória do amor que não pode ser retida e que não pode ser aproveitada no espaço/tempo. A mestria e o artifício do amor não os carregarão, mas se vocês forem seus portadores e elas se tornarem no vosso mentor, a mestria e a glória do amor poderão guiá-los e conduzi-los à própria majestade e magnificência da grande aventura que se situa além da criação consciente da vossa realidade. Poderão guiá-los e conduzi-los à maravilha do triunfo e ao prodígio da celebração – o objectivo do seminário intensivo dos nossos próximos quatro dias.

Se forem portadores da mestria e a glória do amor poderão experimentar a excelência e a magnificência – elas poderão conduzi-los a isso, por entre o monumental que esta década tem que é a década mais monumental de todo o género humano; e podem guiá-los e conduzi-los a esse mundo novo que vocês – que vocês – por acção do livre arbítrio estão destinados a criar. Porque esta é a natureza, esta é a graça da mestria do amor, e é a generosidade, a abundância, a experiência que lhes diz respeito enquanto artífices.

Vamos, pois, começar? Vamos explorar, vamos trabalhar, vamos “entrar na dança”? (Riso nervoso) Para darmos início à nossa dança, e aprendermos os passos iniciais, vamos falar do amor, está bem? Amar consiste numa arte. Ouviram frequentes vezes mencionar isso. Por certo que alguns que procedem a certas explorações no campo da leitura também se depararam, com a frase que diz que o amor consiste numa arte. Bom, muito boa gente que segue o consensual não tem vontade de acreditar nisso, nem está na disposição de defender tal coisa; muitos mesmo daqueles que conseguem proferir as palavras e que talvez se achem envolvidos na busca metafísica da sua espiritualidade – por existirem muitos modos diversos de buscar a vossa espiritualidade, um dos quais é por intermédio da metafísica – muitos dos que buscam a sua espiritualidade podem ser capazes de proferir a palavra e de as usar de forma bastante eloquente, e podem ser capazes de as dirigir aos outros, mas ainda assim, dentro, naquele local privado chamado “Ser,” não têm vontade de considerar nem tão pouco de acreditar nisso. Muitos, que nem sequer pensam nisso, que nem tratam disso, dizem:

“Não, não é verdade. O amor não é arte nenhuma.”

Mesmo aqueles que o afirmam guardam secretamente uma reserva, e esperam, e não têm vontade de acreditar, mas o amor consiste numa arte.

Mas em vez disso, muitos preferem defender:

“Não, não, não, não. O amor é algo que acontece automaticamente. O amor é espontâneo. O amor é instintivo. O amor é algo que sucede naturalmente. Não temos que aprender a amar, nem a lidar com ele, mas mesmo que o faças, não faz mal, talvez seja alguma coisa que elabores, alguma perícia que cultivaste – mas não é arte nenhuma, mas acontece automática, espontânea e instintivamente. É algo por que simplesmente nos deixamos apaixonar ou prender. Ou um pouco de ambas essas coisas. É uma coisa instintiva, não entendes? Uma coisa que se faz presente e que, quando acontece, acontece. Os sinos dobram, o fogo-de-artifício eclode e torna-se no estou apaixonado, estou apaixonado, estou apaixonado. É isso que o amor é. Apaixonamo-nos e ficamos loucamente apaixonados; distanciamo-nos, não conseguimos pensar claro nem caminhar direito, tudo quanto conseguimos pensar é no amor, e no amor, e no amor. É isso que eu quero que seja; quero que seja automático e espontâneo, que seja algo em que caia e a que volte, algo em que fique preso; quero que seja coisa fácil e simples.”

Mas por fim, o amor consiste numa arte que aprendem, porventura - ou talvez não – tornando-se artesãos, mas poucos se tornam artífices.

Assim, começamos por examinar a razão porquê, apesar de ser assim, apesar de sempre ter sido verdade, e em cada vida, quando começam tudo de novo a esgravatar e com a lousa limpar, não querem acreditar que é uma arte, não o querem considerar e preferem pensar que seja simples e fácil e automático e instintivo, espontâneo, e que caem presa dele ou que nele ficam retidos. E existem muitas razões, que não vamos abordar na totalidade, mas algumas das quais iremos mencionar, porque as pessoas na vastidão da humanidade, as pessoas no consenso geral e mesmo porventura por que alguns de vós não quereis acreditar que o amor represente uma arte.

A primeira razão deve-se ao “primeiro amor.” Não quer dizer que aconteça apenas uma vez, por poder ocorrer muitas vezes numa só vida, pelo que referenciamos um género de amor, uma espécie única de amor a que chamamos de “primeiro amor.” O “primeiro amor” acontece automaticamente. É instintivo. É o amor que conheceram na infância, muito antes de usarem palavras. É o amor que sentiram em relação àquela mãe – bom, como esse relacionamento depende da passagem dos anos, torna-se amplamente diferente, mas nessa infância o “primeiro amor” é o amor que se baseia nos sentidos desconhecidos e perdidos; é a noção que a criança tem da força vital que não consegue ver, descrever nem articular. É a noção infantil que a criança tem da voz, muito antes de escutar palavras, e muito antes de conseguir decifrar – o sentido infantil de movimento e de calidez e de substância. É aquele táctil toque da pele para que a criança estende a mão, para tocar a carne, a pele da mãe, ao procurar o seio e o batimento cardíaco, o movimento do diafragma e o som da respiração, o som do coração, “Pum-pum, pum-pum, pum-pum.” Em busca do toque sensual, ao tentar tocar aquela pele, daquele seio, daquele abraço, daquela calidez. 

Tudo isso na infância, entendem, muito embora a criança consiga ver e ouvir e tocar e cheirar e saborear, não tem forma de registar nada disso, nem tem meio de responder a nada disso. Pelo menos inicialmente, o “primeiro amor” baseia-se naqueles sentidos que muitos já não possuem mais, ou não utilizam mais – mais correctamente dito. A criança que é capaz de sentir a luz e a substância, que é capaz de sentir a voz e a calidez, que é capaz de sentir o movimento e aquela sensação de equilíbrio – isso é o “primeiro amor,” e é instintivo e automático. E por o “primeiro amor” ser assim, há quem ainda queira defender que todo o amor seja assim. Mas esse primeiro amor, entendem, precisa terminar. Vocês tocam-no e são tocados por ele, só que ele precisa terminar, precisam perdê-lo, precisam separar-se dele. Na experiência microcósmica de cada vida individual precisam passar pela ruptura em relação à vossa mãe. O cordão umbilical precisa ser cortado fisicamente por altura do nascimento, mas precisa de ser um corte umbilical emocional no crescimento, e em última análise por altura do ferimento espiritual da própria alma, o cordão umbilical precisa ser cortado – vocês precisam sangrar - no sentido figurado e metafórico, de forma a conseguirem separar-se desse amor inicial e de modo a poderem descobrir o amor que reside para além dele. Porque de outro modo jamais o conseguiriam. Jamais conseguiriam raciocinar nem escolher, não conseguiriam exercer o livre-arbítrio, e assim é que no exercício do livre-arbítrio se separam dessa sensação de vida e de substância, dessa sensação de voz e de calidez, dessa sensação de movimento e de equilíbrio; separaram-se disso, e é aí que o bebé começa a ver a mãe, e a escutar e a cheirar e a tocar e a saborear e a imaginar. Mas precisam romper com esse amor, no microcósmico desta vida e no macrocosmo das vidas todas.

Toda a mitologia da vossa civilização ocidental, na mitologia Judeo-cristã do Adão e Eva expulsos do jardim do Éden – que não foi uma acto de maldade, mas um acto necessário, que se repete em cada vida individual, ao serem expulsos, separados desse primeiro amor, para de seguida conhecerem o pudor, a vergonha - querendo com isto dizer que passam a conhecer a diferença entre o certo e o errado, e podem sentir remorso. Não estamos a referir-nos à vergonha resultante do abuso, por essa representar uma vergonha retorcida e distorcida, avassaladora e opressiva. Mas dá-se a sensação de serem envergonhados, por isso constituir a separação tão essencial desse primeiro amor. Acontece a toda gente, acontece em toda a mitologia, e acontece no próprio desenvolvimento do mundo. Há milhares de anos atrás o género humano reuniu-se na Terra, agarrou-se à Terra, como se ela fosse uma mãe, e chamaram-lhe isso, e sentiram que, à semelhança de plantas, cresciam dela e a ela sempre estavam ligados e que para sempre faziam parte dela, e sentiram esse amor automático, espontâneo a sensualidade da Terra, a sensualidade do vento e da água, o sopro, essa sensação de vida, essa sensação de substância.

Mas o género humano no seu todo também tinha que romper e separar-se dessa sensação a que estava ligada automaticamente como um só, separar-se da própria Terra, e foi assim que por certo humanidade desenvolveu o sentido da separação, e se distanciou tanto quanto pode, para agora regressar de novo a casa.

Mas isso ocorre no vosso mundo, como uma parte essencial do crescimento da humanidade, tal como aconteceu nessa primeira vez com a separação da própria Deusa, em que conheceram aquele amor imediato instintivo e automático da Sua vida e da Sua luz e substância, da Sua voz, do Seu movimento, da Sua calidez, do Seu equilíbrio. E vós, enquanto consciência, e muito antes de sequer decidirem – em muitos casos – tornar-se físicos, optaram por se separar da Deusa, por acção do livre-arbítrio, de modo a poderem regressar por opção. O primeiro amor é automático. Mas o bebé e a humanidade e a consciência, precisam passar pela separação. Mas por esse amor inicial ser automático e instintivo, muitos ainda preferem defender que o amor seja automático e instintivo. 

(continua) 
Transcrito e traduzido por Amadeu António

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