sábado, 17 de setembro de 2016

ROMPER OU FORTALECER O EGO



Para alguns, a ideia da construção de um ego soa efectivamente atraente, mas não é desse ego que estamos a falar. Vamos falar de um ego muito positivo, que para alguns infelizmente não existe, e que para aqueles de vós para quem existe, feliz ou infelizmente, se revela porventura invisível.

E de facto para construirem um ego positivo assim, um ego que opere a vosso favor, que os ajude a olhar para a frente por entre a vossa realidade em vez de estarem sempre a olhar para o passado - porquanto na realidade vamos referir-nos ao ego assim, em vez de estarmos sempre a empregar o termo "ego negativo" e "ego positivo," vamos simplesmente referir-nos a ele em termos de ego (por esperarmos que pelo conteúdo das frases devam ser capazes de distinguir se estamos a referir-nos ao aspecto positivo ou ao negativo). Muito do que sucede quando as pessoas falam do ego é o facto de se deixarem envolver pela situação da tentativa de convencimento dos outros: “Olha, o teu ego é uma coisa excelente de que devias livrar-te, esse ego negativo,” enquanto procuram convencer e mostrá-lo à pessoa. É muito parecido com tentar convencê-la que seja uma coisa excelente ser crescido, ser um adulto, tentar convencê-la de que o crescimento é realmente algo formidável.

Mas infelizmente isso precisa ocorrer devido à tenacidade e obstinação que de facto representa o próprio ego negativo.

ANALOGIAS REPRESENTATIVAS DO EGO

Existem várias analogias excelentes que deixam perceber aquilo em que o ego consiste e o modo como funciona. De facto surgiu um filme há não muito tempo chamado “Alien” a que muitos de vós evidentemente assistiram; um filme verdadeiramente de terror, mas que constituiu um excelente exemplo do ego negativo e da forma como funciona e que evoca a forma como cresce dentro de vós e da forma como irrompe de vós de uma maneira qualquer horrível e que os destrói durante o processo, disposto como está a destruir tudo e mais alguma coisa que se intrometa no seu caminho para poder existir.

E a única pessoa que se encontra na nave em que esse alienígena se encontra, que a protege e tenta ajudar a sobreviver, é um robot, um humanoide completamente insensível e totalmente inumano. E a forma como se livram dele, ou como ela se viu livre dele – terá sido alguma técnica científica maravilhosa, alguma coisa extravagante e científica? Não, foi empurrando-o simplesmente borda fora. O mais improvável de todos os recursos. Em vez de tentar encurralá-lo ou de tentar esmagá-lo, ou de o fazer explodir por um processo fantástico científico qualquer, em vez de trabalhar com dificuldade para de algum modo tirar proveito dessa energia particular, ela simplesmente empurra-o. Mas não sem um pouco de luta, mas de qualquer modo, empurra-o. O “Alien” representa talvez um óptimo exemplo daquilo que o ego é, do alienígena que se acha dentro de cada um de vós.

Chegamos mesmo a abordar isso antes quando de facto dissemos, mas não a fim de sugerir que os vossos cineastas estivessem necessariamente a ter ideias brilhantes; sugerimos que precisavam claramente olhar para trás para as referências bíblicas que são feitas ao diabo e ao desenvolvimento da figura do Satanás no Velho Testamento, a Lúcifer, ao anjo que caiu em desgraça que constitui em absoluto uma representação daquilo que o ego é. O ego positivo, que funciona no seu todo, que cai da posição que ocupava de positividade para tentar obter controlo e poder.

Mas gostaríamos de sugerir um inequívoco exemplo traçado no Novo Testamento com relação às tentações que decorreram durante 40 dias no deserto e às tentações do Diabo, que representam inequivocamente a participação do ego. Todos vocês passam por isso, embora não leve nenhuns quarenta dias mas uns quarenta anos provavelmente, mas em todo o caso, todos passam por isso. O ego promete-lhes todo o género de coisas, grandes fortunas, uma fama sem precedentes, um enorme reconhecimento; promete-lhes todo o género de coisas dessas. E muitos de vocês caem na esparrela, não é? Mas talvez algum dia as pessoas cheguem a saber que:


O EGO PROMETE-LHES TUDO E NÃO LHES PROVIDENCIA NADA

Sem qualquer dúvida! Ainda não surgiu ego negativo algum que tenha suprido aquilo que tenha prometido.

Mas gostaríamos de sugerir que, o que aconteceu igualmente nessa história, a forma maravilhosa, que tem tanto de singular quanto de traiçoeiro, em que o diabo foi negado por um simples “NÃO!” Por nenhuma outra forma fantasiosa ou mística de lidar com isso, nem por intermédio de nenhumas poções mágicas, feitiços ou meditações, etc.; apenas um simples NÃO resultou. Portanto, o que sugerimos é que, se se revelou suficiente à altura, também se revelará agora.

Existem muitas outras analogias relativas àquilo que o vosso ego negativo representa, mas sabem todos aquilo que ele é, se se detiverem por um instante e o observarem. Mas é claro que isso faz parte do que está a acontecer aí conforme dissemos, o ego negativo não quer que se detenham, não quer que deem meia volta para o examinar. Além disso gostaríamos de sugerir que mesmo agora, neste exacto período de tempo em que estão a escutar, irão ter muitas oportunidades de ver e de compreender como o vosso ego funciona, por ele vir a fazer-se mesmo presente; no caso de alguns em toda a sua glória, e vestido a rigor, sem dúvida. No caso de alguns de vós irá mostrar-se sorrateiro qual ladrão pela calada da noite, vai aprontar-se e dilacerá-los aqui e ali. Portanto, ele vai estar presente nesta tarde, pelo que devem contar com ele, devem ter cuidado com ele e ficar alerta, que assim não só poderão perceber a que se assemelha e o modo como opera como também conseguirão ter mão no controlo dele, quer pela sua libertação como pelo seu esmagamento.

QuE natureza e origem Terá o ego e quE mensagens TRANSMITE?

Recentemente falamos sobre a personalidade, sobre os traços de carácter e o temperamento. E nessa altura em particular proferimos a declaração bastante simples de que a personalidade consiste na interacção que se dá entre o temperamento e o carácter.

Chegamos a avançar o temperamento nos termos em se acha definido. Vocês determinam o temperamento que passarão a ter convosco durante toda a vossa vida.

O carácter possui quatro funções ou quatro tipos básicos, que produzem tanto uma prestação negativa quanto uma positiva, mas vocês podem mudar isso, podem mudar os componentes da configuração definida do vosso carácter para uma positiva. Ou podem passar de uma configuração para outra, por terem essa opção. Mas no que diz respeito ao temperamento, hão-de abordá-lo de forma similar e de manter esse temperamento pelo resto desta vida, por vocês próprios o terem escolhido assim.

O ego faz parte da vossa personalidade. É em definitivo uma parte da vossa personalidade, razão porque liquidá-lo significa arrancar um pedaço da personalidade e nós não os encorajamos necessariamente a fazer tal coisa, (nem o vosso ego tampouco). O ego não tem uma visão muito gentil de vocês quando evocam a possibilidade de o aniquilar ou coisas como essa, nem irá ficar à espera que se cheguem perto ou que sequer o tentem aniquilar. Por isso, por que não desistem simplesmente de tentar liquidá-lo e em vez disso não se veem livres dele e fazem com que funcione de forma apropriada quer por intermédio da libertação ou do esmagamento dele?

A abordagem da sua aniquilação, da sua liquidação, representa uma abordagem demasiado simplista. E a parte de vós que funciona na vossa realidade e que percebe existirem coisas que fazem de modo errado, coisas relativas a vós que querem mudar, etc., e em resultado do que, em resultado dessa vontade de o alterar alguém dirá:

“Bom, vamos arranjar isso cortando essa parte de vós. Caminhas de uma forma engraçada, então vamos cortar-te as pernas para que assim se resolva o problema.”

Não haveriam de gostar muito disso nem haveriam de se habilitar a tal tratamento, pois não? Pois bem, da mesma maneira, quando o ego se vê ameaçado com o aniquilamento, fará tudo o que tiver ao alcance do seu poder para se ocultar na clandestinidade ou para, em certa medida, se mostrar à altura da ocasião e a suplantar, sem sombra de dúvida.

Ao passo que, se abordássem a vossa própria perna partida, por exemplo, que os deixa na condição de incapacidade em que vos encontram, com a ideia de tentar tirar proveito dela:

“Vamos tentar configurar isso, vamos fazer por que sare, vamos alterá-la de modo que possa ficar saudável de novo.”

Efectivamente desejaríam fazê-lo. De forma semelhante, o vosso ego cooperaria mais prontamente se fossem efectivamente no seu encalço para o corrigir em vez de o tentar eliminar.

O ego é uma parte intrínseca da personalidade. E a parte da personalidade que representa é a parte de vós que fornece o conteúdo da vossa realidade física à vossa mente consciente. Possuem olhos que no vosso corpo físico fornecem imagens ao cérebro, mas nem os vossos olhos nem o vosso cérebro constituem a vossa mente consciente. E nós gostaríamos de sugerir que a única forma por que a mente consciente consegue ver é por meio do “olho” do ego. Enquanto o cérebro é capaz de ver por intermédio dos olhos físicos, a mente vê por meio do “olho” (percepção) do ego. E como de facto o vosso ego representa a o “olho,” que usam em relação ao mundo, também a vossa mente, a vossa mente consciente, é capaz de ver o que está a acontecer na vossa realidade física e de assim obter uma oportunidade de lidar com a forma e o contexto dessa realidade.

Por conseguinte podemos colocar isso com toda a clareza em termos do ego constituir a percepção que usam em relação à realidade física, à mente consciente, tal como a mente consciente é o “olho” relativamente à Alma. Na vossa realidade física, o ego fornece o conteúdo, a informação. E é a mente consciente que pega nessa informação, nesse conteúdo, e lhe dá forma e o contextualiza.

Na realidade metafísica em que vivem, é a mente subconsciente que representa tal percepção, é a mente subconsciente quem fornece essa informação, quem providencia esse conteúdo. E ainda é essa mente consciente que ao invés pega nessa informação, pega nesse conteúdo, e lhe dá forma e contexto. Na vossa realidade espiritual, no vosso desenvolvimento espiritual (separado do vosso desenvolvimento metafísico, por na verdade as pessoas poderem ser metafísicas sem serem espirituais, embora o contrário se torne difícil) é o inconsciente e a mente consciente superior que representam esse olho. É o inconsciente e a mente consciente superior que fornece esse conteúdo, cujos dados ou conteúdo por sua vez a mente consciente vai assumir para lhe emprestar forma e contexto.

Portanto, entendam, o ego - enquanto parte que é da personalidade - funciona bastante do mesmo modo que o subconsciente, como parte da mente consciente que é e como a consciência mais elevada do ser. Todas essas esferas funcionam de modo a fornecer informação, todas funcionam como olhos em relação aos seus mundos respectivos. E como é suposto que os olhos funcionem como uma maneira de providenciar dados informativos, a função do ego é a de reportar informação - reportar informação, e não de os interpretar. Por essa ser a função da mente consciente. A mente consciente deve pegar na informação que lhe é reportada e colocá-la numa forma e num contexto a partir do qual, e com base no qual, estabeleça uma decisão. E depois de completar a decisão, deve devolver a informação, por via do ego, à realidade física.

E essa é a função positiva, adequada, salutar, que o ego tem, e a função que o ego mais aprecia e em que o ego se sente à-vontade, com que o ego se sente satisfeito. Tal como no vosso trabalho particular, todos vocês que trabalham nos mais diversos tipos de emprego em que exista algum tipo de hierarquia, de facto há aqueles dias em que desejariam ser o patrão, e desejariam gerir a empresa, ser o presidente da GM ou qualquer coisa desse tipo. Que porventura já não mais existe, mas seja como for… Há dias desses em que desejaríam poder ser isso. Mas também compreendem que ocupar essas funções por esta altura particular seria desastroso, por independentemente da vossa grandeza e da certeza que tenham quanto à clareza da intenção e à integridade que tivessem, ainda haveríam de arruinar o cargo de uma forma desastrosa.

Bom, imaginem que, na qualidade de presidente da GM, amanhã pela manhã teriam que proceder a um relatório e que na qualidade desse cargo eram responsáveis por cada decisão, embora não tivessem que executar nenhuma directamente. Sugeriamos que se veriam um pouco nervosos, e que podiam sentir-se tensos com a ideia disso. Pois bem, imaginem como o vosso ego se sente, ao ser subitamente elevado do lugar de arquivador ao de presidente do conselho.

Se de facto amanhã pela manhã aparecessem pelos escritórios da presidência do conselho da GM, em que iriam focar-se? Naquilo que sabem fazer:

“Organizemo-nos, vamos limpar os quartos de banho, vamos estabelecer um novo período de hora de almoço, vamos rever a situação dietética, mas não me incomodem quanto à fabricação dos carros, por eu não saber nada disso.” (Riso)

O vosso ego funciona da mesma maneira. Considera o que é do seu conhecimento e tem fantasias e sonhos, mas não é capaz de prestar tal coisa.

Tal como podiam sentar-se à secretária do presidente da GM e sentir prazer em colocar os pés sobre a mesa de reuniões altamente polida e balançar-se no cadeirão, e deixar a vossa secretária agitada e andar pelos corredores a acenar àqueles que reconhecessem importância, etc. Mas no que diga respeito a qualquer decisão, ou a qualquer alteração da política de negócios ou de implementação, sentir-se-iam perdidos.

Pois bem, o ego é a mesma coisa, é tudo exibição e desempenho zero, e total falta de capacidade. E sente-se assustado em relação à posição a que o elevaram. Por tudo aquilo de que é capaz é de fornecer material informativo. E quando lhe outorgam uma maior responsabilidade fica doido e tenta bloquear essa responsabilidade e finge saber o que está a fazer. Tal como infelizmente vocês muitas vezes fazem, e mais fariam, se pudessem escapar-lhe. Aparentemente (e infelizmente) muitos de vocês aderem ao princípio de Peter, que consta de promover alguém a um nível de incompetência e deixá-lo lá para o resto da vossa vida. Entendem?

Elevaram o vosso ego ao seu nível de incompetência e deixaram-no lá

E o Princípio de Peter* pode resultar na esfera dos negócios Americana, mas decerto não opera nos termos da condução e da vivência da vossa vida.

*(NT: A crença formulada por Laurence J. Peter e Hull Raymond no seu livro intitulado O Princípio de Peter, um bem-humorado tratado, em que num sistema hierárquico, todo o funcionário tende a ser promovido até ao seu nível de incompetência, basicamente por não poder ser despromovido, e não por revelar capacidades de desempenho)

O ego promete tudo e provê coisa nenhuma, é na verdade o que ocorre aí em última análise. Bom, é capaz de prover alguns boatos e umas quantas provocações, pode-lhes aguçar bastante o apetite e chegar mesmo a convencê-los de que irá cumprir o dever a longo prazo, mas jamais o faz; jamais o cumpre.

“O meu vai cumprir!”

Não, não vai não senhor. Jamais cumpriu e jamais irá cumprir. É incapaz de o fazer, e esse é o seu segredo. Com todo o seu jeito ofegante não é capaz de prover; só vós podereis fazê-lo.

Uma outra analogia para o ego: Na televisão ontem à noite, após ter aparecido durante os últimos vinte anos ou assim, o Feiticeiro de Oz. Definitivamente, o espernear do ego, e por detrás dele esta pequena coisa branda e mansa que não passa de um prestador de serviços. Mas à medida que conseguirem começar a conceptualizar esse ego de mamute que num certo sentido cultivam ou de que têm um medo de morte, sugeriamos que podem começar a pô-lo em perspectiva de modo a poderem ficar por cima. E assim talvez seja importante compreender de onde procede. Como é que se desenvolve dessa forma?

Bom, nós abordamos a consciência generalizada em termos do desenvolvimento do ego a fim de dominar a natureza para depois esquecer a sua posição. Assim como falamos do ego infantil por meio da evolução da consciência, através das eras do crescimento. Mas existem certas áreas específicas, não áreas exclusivas, mas há certas áreas específicas em que o ego tende a se desenvolver e a ganhar solo fértil para isso:

Quando têm medo de pensar

A primeira coisa que sugerimos é quando têm medo de pensar. Ninguém tem medo de pensar, não é?
Bem, nós gostariamos de sugerir exatamente o contrário, que a maioria das pessoas realmente tem medo de pensar. São ensinados pelos vossos pais, em primeiro lugar, a não pensar!

“Pensar é perigoso, principalmente se esses pensamentos contradizem os meus.”

E, por conseguinte, vocês são, a partir do momento em que são muito, muito pequenos, incentivados a não pensar, e apenas a fazer o que lhes é dito para fazerem.

“Eu sei mais, eu já pensei nisso antes; aproveita o conhecimento que eu possuo, e não penses.”

E de facto, vão para a escola e deparam-se com a mesma mensagem. Não apenas na escola primária, mas por todo o percurso deparam-se com a mesma mensagem clara:

“Não penses, repete apenas o que te dizem. Deixa que eu, o professor, pense. Lê o meu livro e adere às minhas ideias.”

Na faculdade, no colégio torna-se mais óbvio ainda, muitas vezes por meio da insegurança do professor, que desencoraja bastante o pensar e encoraja a memória. E, por conseguinte, de forma muito clara, o sistema educacional na sua maior parte (não exclusivamente, mas na sua maior parte) muito os encoraja a não pensar.

Mas de forma similar, a sociedade como um todo, incentiva-os a não pensar. Na verdade, torna tão mais fácil enlouquecer se pensarem, com todo o pensamento contraditório e toda a conversa contraditória e toda a estranheza da realidade que os vossos governos, os vossos sistemas burocráticos geram. É quase com base num acto de autodefesa que param de pensar e nós entendemos isso e sentimos alguma compaixão por isso, mas mesmo assim sugerimos que isso acontece. A vossa sociedade desencoraja o pensamento desde tudo quanto se prende com o governo até à religião - desencoraja o pensar.

Mas nós sugerimos aqui que, a vossa teimosia em se agarrarem ao passado lhes desencoraja similarmente o pensar. Deleitar-se no passado, permanecer lá atrás, no quão ruim ele realmente foi e no quão terrível eles realmente foram ou no quão grandiosos e excelentes realmente foram, isso é de facto um desencorajamento do pensar. Porque, se pensássem nisso durante dez minutos, perceberíam que é ridículo:

“Não posso viver nesse passado, eu não posso continuar pendurado nele, seja bom ou mau.”

Gostaríamos aqui de sugerir que o pensar é desencorajado e que, quando não pensam, o vosso ego tem que o fazer! Quando se recusam a prover a forma e o contexto - o que habilita o pensar - o ego fornece os dados informativos e, em seguida, irá também assumir a função de colocar os dados numa forma e num contexto. E sorrateiramente (mas às vezes não tão sorrateiramente quanto isso) irá assumir e proceder a todo o pensar por vós, para que jamais tenham que pensar.

“Bom, eu penso muito.”

Pensem nisso ainda que por um instante; quanto pensam realmente? Alguns de vós iriam descobrir mais sobre vós do que talvez acreditariam, iriam descobrir que não pensam em absoluto, que passaram dias e semanas e alguns de vós passaram mesmo anos sem pensar.

Ah sim, decerto que pensam no que é que vão ter para o jantar, que às vezes é a decisão mais difícil que tiveram durante o dia todo - e não estamos a ser cruéis ao afirmar isso. Quando observam isso, para alguns de vocês a tristeza é verdadeira, que a coisa mais difícil que já pensaram é com respeito ao que comer, e quando. Bom, claro que por vezes pensam no vestir e nesse tipo de coisa. Mas vocês acham que têm pensamentos abstractos? Vocês pensam nas ideias, vocês pensam nos conceitos, pensam na compreensão de algo que ainda não entendem? E durante quanto tempo?

“Eu penso em pensar sobre isso, sim. Eu penso que algum dia vou conseguir isso quando tiver algum tempo livre, quando não estiver tão ocupado, quando não se me apresentarem tantos problemas, quando a minha vida estiver em ordem, então aí... Depois que eu tiver ordenado tudo, então irei começar a pensar em conceitos e a ter ideias.”

Quantos de vós leem livros excitantes ou que lhes desafiem o pensamento e que façam com que pensem? Quantos de vós leem livros que os façam ir consultar o dicionário, em busca do significado de uma palavra, ou procurar a palavra para a aumentar a vossa capacidade de pensar?

E, de fato, não estamos pedindo respostas para isso, mas só a pedir para pensarem nisso, pois gostaríamos de sugerir que a falta de pensamento é uma das maneiras mais fáceis para o ego passar a estabelecer controlo.

O desenvolvimento do ego negativo é mais fertilizado pelo fato de não pensarem.
E não é culpa vossa, no sentido: “Tenham vergonha, seus burros,” nem nada que se pareça, só que para compreenderem a sociedade, para compreenderem as mensagens que lhes são tão repetidamente lançadas. Mas com a televisão e o cinema, ou melhor, com o entretenimento doméstico, quando, porventura (como o que agora constitui uma frase nova e mais apropriada) com o “entretenimento de casa,” seja de vídeo ou o que for, há cada vez menos necessidade de pensarem, por ele o fazer isso por vós.

Entendam, todos os estudos psicológicos sobre as crianças que crescem com a televisão e com as amas e com os canais para os garotos (Bube Tube) e todo este tipo de terminologia louca que tem sido desenvolvida, não é, todavia, senão quando todo o confete cai por terra, que se fica com a ideia de que, de fato, não incentiva o pensamento. Na verdade, isso faz todo o pensar por vós e portanto os deixa de fora por completo e os deixa vulneráveis para o ego negativo os devorar, absolutamente.

Nós já falamos sobre o fato de que o mundo está a acontecer de tal forma que já não é possível saber tudo que há para saber; não é mais possível começar a treinar para se tornarem num especialista em tudo que fazem. Lá por volta do século 18 e início do 19 uma pessoa podia ser totalmente autossuficiente, no sentido de aprender todas as capacidades e todas as tarefas que precisava saber e funcionar de forma muito linear, muito alegremente. Mas agora o mundo está se movendo tão rapidamente, o tempo está a passar tão rápido, que há demasiado a conhecer. E quando consideram isso, a quantidade, a explosão que o conhecimento tem sofrido nos últimos 20 anos, é incrível. A quantidade de conhecimento que era do conhecimento comum há cem anos atrás e a quantidade de conhecimento que se encontra disponível para conhecer actualmente é monumental e incrivelmente vasta. Quando nessa altura podiam aprender tudo o que havia para aprender e ser especialistas em tudo, agora não podem. Não há tempo suficiente para tudo isso e, portanto, incentivamos a criação de um trabalho sinérgico numa realidade não-linear. Bem, gostaríamos de sugerir aqui que essa mesma actividade, o fato de haver tanto mais a conhecer desencoraja ainda mais o pensar.

Quantos de vós já terão lido o Ivanhoe?

“Eu tive intenção de o ler quando tinha doze anos. Mas talvez por altura dos quinze anos ou por aí; bem, eu devia lê-lo, apenas por uma questão de o ler, ou quando estiver com 18 anos, talvez no verão depois do colégio eu finalmente chegue a conseguir ler Ivanhoe e Jane Eyre e esses maravilhosos clássicos.”

Mas nunca o fizeram e agora estão com 30, 40 ou 50, e nunca irão voltar atrás para ler isso. Não é que os estamos a encorajar a fazê-lo; é só uma analogia do que estamos a abordar. (Riso) Quanto conhecimento terão perdido, e agora existe simplesmente tanto mais que não podem voltar atrás e pensar em tudo? Possivelmente não podem, e é tudo. E não é que sejam um bando de bobos ou de estúpidos, e que deveriam ter vergonha de si mesmos por não pensar - não. Trata-se de compreender a dinâmica de que actualmente existe muito mais conhecimento a pensar pelo que às vezes se torna desconcertante. De tal forma que parece que sentar-se e pensar por uma hora deva parecer um mero arranhar em todo o volume de conhecimento que há a pensar, pelo que não vale a pena, e se afeiçoa como uma função completamente impotente. Por conseguinte, a maioria de vocês não o faz.

Portanto, o que estamos a sugerir é que o ego é um problema maior agora do que era há cinquenta anos atrás. Sim! É o que estamos a sugerir, em absoluto. Sempre existiu ego negativo e o ego negativo sempre causou destruição, sempre prometeu e jamais conseguiu prover. Mas gostaríamos de sugerir que o ego é um problema maior na década dos oitenta do que era na década dos sessenta, e que foi um problema maior na década dos sessenta do que foi nos anos quarenta e nos anos vinte, por agora ter lugar menos pensar. E essa é uma das razões mais significativas - menos pensar.
E que nos anos noventa vai ser ainda mais. Se têm problemas de ego, esperem dez anos, que ainda irá ser pior. Os dos vossos irão ser piores! Bem como daqueles que estão a chegar. Absolutamente! O ego está a ficar pior, ele está a tornar-se numa epidemia, ou seja o que for.

E não é para os culpar, nem se devem sentir culpados nem culpar-se a si mesmos, mas apreciar o mundo que criaram, onde o conhecimento está a ser reproduzido geometricamente e onde estão a tentar pensar e funcionar aritmeticamente. Estão a travar uma batalha perdida. Mas não podem contrariar isso. Podem mudar de ideias. Mas é aí que o vosso ego negativo obtém o seu primeiro grande apoio e salta em frente, por ninguém estar a proceder à forma e ao contexto de modo que ele assume essa função.

A segunda coisa que produz o ego negativo é o facto de:

As pessoas estAREM a ficar cada vez mais relutantes em crescer

Quantos de vós, nos vossos trinta e quarenta, se rebelavam pelo fato de não sentirem ter 30 ou 40?

Como saberão qual é a sensação de ter 35 a menos que os tenham completado antes, nesta vida? E como não passaram por eles, realmente não sabem o que é. E, por conseguinte, nesse particular sentido, quantos de vós se maravilham com o facto de ainda se sentirem com 18? Estarão ainda a sentir ter 18 ou estarão ainda a sentir que são adolescentes? Sugerimos aqui que, o mais provável, é que a resposta seja a última. Aqueles de vós que acham que os melhores tempos tenham sido por altura do fim do liceu?

“Ah, como eu sinto saudades desses tempos.”

Ou na faculdade, que para muitos de vós representa até uma armadilha maior, porque na faculdade representarem mais a idade adulta do que na escola. Vocês precisam usar gravata e fatinho e começam a usar salto alto e meias de vidro e isso é mais aceite, enquanto na escola é:

"Onde é que vais? Tens algum encontro lugar qualquer no mundo real, para estares vestida assim? "

Mas aqueles de vós, que acham que o melhor período que tiveram na vida foi no secundário ou na faculdade, fiquem bem certos de que, a menos que tenha sido no ano passado, provavelmente não são crescidos. Não aceitam o facto de que é isso, gente, de que esta seja a vossa idade adulta, de que esta seja a vossa vida real, com sinceridade. Pode tratar-se de uma ilusão, porém é a única de que dispõem, pelo menos neste momento em que tomam consciência disso. (Risos nervosos)

Pensem nisso. Quantos de vós, por altura dos cinquenta ainda se recordam do futebol das velhas tardes de Sábado, ou se recordam do tempo em que vós e as vossas “irmãs da caridade” se juntavam a coscuvilhar sobre todo o tipo de coisas impróprias sobre a Suzi Quatro ou seja lá quem for? A diversão teve lugar há trinta ou quarente anos atrás. Quantos de vós ainda pensarão que os anos sessenta se situem somente uns poucos anos atrás? Apenas uns cinco ou seis anos para trás. Foi há vinte anos - vinte anos!

“Caramba, parece que foi ontem!” (Riso)

Isso não é senilidade, (riso geral) mas tentar ficar presos a isso, é o que é. Estão a tentar tornar 1960 como se fosse ontem. Lembram-se quando o Eisenhower foi eleito, em 52? Pois, não foi há tanto tempo assim, foi? Só foi há trinta anos atrás. Bom, alguns de vós nasceram e morreram durante esse período.

A questão aqui é que, se tiverem medo de crescer e não tiverem vontade de crescer, com toda a clareza isso deverá constituir o solo fértil que o ego assumir o controlo. E em grande medida não passa disso; não é que não saibam a idade que têm, por saberem que não são mais uma franguinha nem um garoto, sabem que não conseguem dar corda aos calcanhares e que estão a envelhecer a cada dia; sabem disso? Mas é onde a vossa mente se situa – ainda está presa nos dezoito ou nos vinte e um – na irmandade ou na fraternidade ou mesmo nas monstruosidades ou seja lá no que for, ou no grupo que tínham então, não será? Ficar agarrado a esse passado constitui uma outra forma de dizer:

“Eu não quero crescer.”

Mas com toda a clareza o mundo é hoje um lugar muito mais complicado. É muito mais complicado lá fora. Era mais fácil ser adulto no século dezanove, nos começos do século dezanove, do que sê-lo actualmente. Mas isso não serve de desculpa para deixarem de o fazer apesar de ter sido mais fácil em face da existência de outras dificuldades. A electricidade não era tão boa, e eles não dispunham de televisão nem de vídeo, não tinham Som Dolby nem coisas do género, de modo que a compensação do “talvez” possa fazer-se valer. A qualidade de vida é melhor e é mais difícil, por a vossa qualidade de vida ser superior à que existia nessa época. Mas isso não valida o facto de deixarem de crescer, entendem, por que o vosso ego vir a assumir o controlo caso se recusem a crescer, caso ainda queiram pensar em vós ainda como um garoto ou garota.

Não há muito tempo uma pessoa que tivesse acabado de fazer trinta, cometia o deslize Freudiano de dizer:

“Oh não, não sou mais uma adolescente.”

Isso diz tudo, não? (Riso)

A terceira coisa que na verdade abre a porta ao ego negativo, como um bolor que se espalha, é o medo da responsabilidade e de prestar contas, jamais querer estar errado, jamais querer cometer um erro. E isso torna-se demasiado evidente, e tudo o mais.

Medo da responsabilidade e de prestar contas. Jamais querer estar errado, e muito menos cometer um erro

E de novo, a vossa sociedade, com o seu avanço tecnológico e a velocidade que ele atinge, acha-se de tal modo que agora é muito mais assustador cometer enganos. É muito mais assustador agora.

Utilizamos a analogia dos pilotos de alta velocidade que correm nas planícies de sal do Utah. Eles correm a novecentos e sessenta e cinco quilómetros por hora. E traçam uma linha e sempre que correm a essa velocidade têm que permanecer dentro dessa linha, porque caso cometam nem que seja o mais pequeno desvio, a variação da velocidade será tal que se espatifam, e saem fora da rota. Bom, quando conduzem o vosso carro a cento e dez quilómetros por hora (coisa de que estamos bem cientes que não fazem mais) mas quando fazem isso, precisam ficar mais alerta do que estão quando viajam a trinta quilómetros. E de facto quando viajam a trinta quilómetros, podem desviar o volante e corrigi-lo sempre a tempo. A cento e dez, esse movimento pode tornar-se desastroso. Bom, o mesmo é muito válido em relação à vossa realidade, por estar a sofrer uma maior aceleração agora. Está mais acelerada e parte disso deve-se à intervenção consciente que se dá na evolução da consciência. Mas em todo o caso encontra-se mais célere e torna-se mais assustador cometer erros.

Mas a resposta reside no aumento do volume de disposição, e não em negá-la de um modo mais fervoroso. Ao passo que, como estão a lidar com a vossa realidade, irão cometer erros. E o que pode ter parecido um pequeno erro há cinquenta anos atrás, pode actualmente assemelhar-se e um erro desconforme. Quando há cinquenta anos atrás podiam estourar com a coisa, e podiam começar tudo de novo de uma maneira mais fácil – mas ainda podem fazer isso hoje - em todo o caso já não é tão simples.

A questão aqui é que os erros podem ser muito mais prejudiciais mas ainda virão a suceder. A resposta não reside na negação da sua ocorrência, fingir que não se venham a apresentar erros, negá-los e depois suster a responsabilidade em relação à prestação de contas. Mas, ao invés, reside em tornar-se mais ligeiro e alerta em relação a eles, responder mais prontamente aos erros. Um erro pode causar-lhes um dano muito mais considerável agora, que poderá não ter tido lugar anteriormente, pelo que precisam estar mais alerta em relação aos erros do que alguma vez, e não menos. Precisam ser mais céleres a percebê-los e a corrigi-los agora. Mas, uma vez mais, isso encerra um perder e ganhar, porque tal como pode ocorrer com uma maior rapidez e podem cometer mais erros, também pode acontecer que as coisas possam dar certo com uma maior rapidez, e a correcção acontecer e afectá-los igualmente com uma maior rapidez. Por conseguinte, os benefícios na vossa realidade acontecem com uma maior rapidez, tal como os erros da vossa realidade podem acontecer com uma maior rapidez.

Portanto, estar mais alerta e em sintonia com o que pode ocorrer é talvez requerido, ou melhor, solicitado, mas a ausência disso abre a porta por completo e convida o ego a entrar. É como um enorme letreiro de néon que diz “Entra aqui.” Por poder encobrir, o que representa uma das coisas em que é bom. Encobrir e racionalizar e negar algo em que não queiram acreditar, ouvir ou compreender.

Buscar a maneira simples, a resposta pronta, a solução rápida

Um quarto factor é o de buscarem a maneira simples, a resposta fácil, a solução rápida, o que em parte se deve ao facto de não quererem pensar, não quererem crescer, não quererem ser responsáveis. Em todo o caso, o resultado de buscar uma resposta simples, “a rapidinha,” a que deixe tudo nos devidos lugares – geralmente para vosso próprio bem, como se algo que ocorra de algum modo esteja destinado a ensinar-lhes uma lição qualquer maravilhosa, que não sabem qual seja mas sabem ser uma boa lição, em razão do que não podem voltar-lhe costas. Do que, com toda a clareza se podem afastar. Mas gostaríamos de sugerir com toda a clareza que buscar a simplicidade como uma saída, como uma escapatória, consiste numa outra porta amplamente aberta para o ego entrar passar e assumir o controlo.

Não aceitar que seja a vossa realidade, e que a criam

A quinta coisa que se tem lugar aqui não é propriamente querer aceitar ou não de verdade o facto de se tratar da vossa realidade, e de que a criam.

Mas mais uma vez aqui, são levados a crer que a realidade seja “coisa que lhes suceda.” Que não têm qualquer controlo sobre ela. O melhor de que são capazes é obter a melhor educação que puderem e passar a conhecer as melhores pessoas que conseguirem e inspirar profundamente e fazer um eneagrama e esperar conseguir. E depois é só uma pequena questão de sorte.

Porém, a realidade é concreta e real e acontece de facto e vocês vêem-se impotentes em relação a ela a menos que de alguma forma consigam engenhosamente enganá-la ou esgueirar-se a meio da noite ou seja lá o que for.

E depois vocês surgem - todos vocês encetam o caminho do crescimento e o caminho da espiritualidade, ou não se envolveriam com a metafísica. De facto, existem muitos mais que não se envolvem do que aqueles que o fazem. Mas vocês surgiram e disseram:

“Não, tem que existir mais alguma coisa, tem que existir mais alguma coisa, eu sei que existe. Eu sei não ser certo que eu precise andar furtivamente pela vida, que não preciso ser um peão impotente da realidade.”

E descobrem que criam a vossa própria realidade. Primeiro, ouvem falar disso algures, como uma ideia, mas para muitos de vós da primeira vez assemelha-se a uma música nítida. Mas provavelmente não recordam a primeira vez em que ouviram: “Vós criais a vossa própria realidade.” Para muitos de vós assemelhou-se a uma campainha, ao tinir claro de uma campainha que os levou a sentar e a vibrar, sem que tivéssem sabido porquê.

Para outros foi como uma ideia intrigante que seria agradável caso fosse verdade e que mereceria uma maior investigação.

Para outros ainda, sem que saibam porquê, tal conceito atrai-os muito simplesmente, seja onde for que o tenham lido ou escutado. Mas não é que seja novo, já foi proferido desde sempre. Mas depois assumem uma posição em que não acreditam nisso, assumem uma posição em que acham que seja uma teoria e que seria bom. Uma filosofia de vida:

“Bom, tão logo conseguir ter o resto da minha vida arrumada, começarei a viver de acordo com essa filosofia do Eu crio a minha própria realidade. Mas agora não disponho de tempo, tenho muitos problemas a resolver.”

Muitos de vocês repetem as palavras mas não acreditam nelas. Muitos de vocês não querem acreditar. Muitos de vós têm vontade de fingir que a realidade seja realmente real, que os problemas que têm sejam verdadeiramente reais. Que realmente lhes provocam isso. Que isso efectivamente acontece:

“Foi verdadeiramente horrível e foi realmente debilitante, sinceramente. Ah, entendo que o teu não tenha passado de uma ilusão, algo que terás crido a título de desculpa, mas o meu foi verdadeiramente real, e tenho as cicatrizes que o podem provar.”

Mas isso deixa o caminho completamente aberto para o ego.

Mas sabem, a tristeza de tudo isso reside no facto do que o movimento do potencial humano, independentemente do nome que assumiu, muito fez a fim de encorajar o ego e de lhe conceder ainda mais solo fértil por essa mesma razão.

“Vós criais a vossa própria realidade mas o melhor é que o façam ao nosso modo, por eu a criar melhor. O melhor é que entrem na fila e esperem pela minha graça e pelo meu louvor, por eu ser quem decide se é "dedo para cima" ou "dedo para baixo" (OK ou KO) em relação a vós. Sou o vosso guru, o vosso mestre, sou o líder, façam isso por mim e não por vós próprios.”

Todas essas mensagens, nenhuma das quais subscrevemos, mas tudo quanto tem sido apelado. Todas elas, sem sombra de dúvida, operam de um modo que os leva a pensar que criam a vossa realidade enquanto têm noção de que não o fazem, de modo que abrem o caminho ao ego, abrem as portas de par em par para o ego poder assumir o controlo.

Muitos daqueles com quem conversamos – talvez não muitos em número, porém, pelo impacto que causam (é sempre de tal modo extenso que parece abranger muitos) que efectivamente se encontram no caminho do crescimento e da espiritualidade de uma forma sincera e fervorosa e bela – deixam-se apanhar pela ideia de que de algum modo seja superior a eles próprios.

E nós escutamos histórias acerca:

“As forças do mal que me perseguem por causa do conhecimento que tenho. E as forças das trevas que procuram destruir-me por causa do assombro e da beleza e do conhecimento que tenho. E se o mundo o compreende, as força das trevas estão condenadas, de modo que andam a perseguir-me.”

E isso ouvimos nós da boca das pessoas em total sinceridade, mas é triste, é triste ver alguém tão completamente virado do avesso assim, e porventura por toda uma vida. É verdadeiramente triste assistir a uma concha que envolve um vazio, totalmente ocupada por um ego. Escutamos isso e isso causa impacto.

“Eu sei que crio a minha própria realidade mas forças que são mais poderosas e resistentes do que eu estão a dizer-me isto e aquilo e mais não sei o quê, e eu sou o seu agente, o seu servo."

Esse tipo de coisa é triste.

“E também me rendi a mim próprio,” e mais sei lá o quê.

Mas gostaríamos de sugerir a esse respeito, que o movimento do potencial humano teve uma certa mão nisso (na verdade está metido até ao cotovelo) sem sombra de dúvida, ao encorajar esse tipo de coisa.

Se acreditarem nisso e não souberem que criam a vossa própria realidade, estarão a criar um solo bastante fértil para o ego passar a assumir o controlo.


QUANDO NÃO TÊM AMOR POR VÓS, NEM PELOS OUTROS, QUANDO NÃO SE PERDOAM A VÓS NEM AOS OUTROS

A sexta coisa, quando deixam de ter amor por vós com toda a certeza para plantarem um ego rígido e poderoso. A falta de amor-próprio e de perdão e a falta de amor pelos outros e de perdão pelos outros abre as portas de par em par ao ego negativo e permite que cave fundo em vós e os devore. Por ser exactamente isso que ele faz. Ele come-lhes as entranhas e devora-os. Primeiro o vosso cérebro e a seguir o resto de vós até não restar nada além de uma concha vazia.

E vocês conhecem pessoas assim, e não estamos a dizer isso com sentido de maldade nem de cinismo, sabem que há gente assim e que funcionam de tal modo na sua posição de ego que não mais funcionam realmente nesta realidade. Não passam de uma concha que vive na grande ilusão de que:

“Algum dia vou ser rico e famoso; um dia destes vou tornar-me numa Barbara Streisand, vou ser toda a gente e mais alguém, vou tornar-me no líder da Nova Era, no cidadão do mundo, ou seja mais o que for.”

Assistem a isso no estalar da língua e questionam-se do que tenha acontecido com elas. Bom, eles foram comidos vivos pelo ego, tal como vós estais a ser comidos vivos pelo vosso. O caso deles pode estar mais avançado:

“Oh, isso jamais me acontecerá,” diz o ego.

Não tiverem amor por vós e se se perdoarem a vós próprios.

MEDO DA SOLIDÃO

E por fim medo da solidão. Uma das formas mais invisíveis e insidiosas que abrem as portas ao ego é o medo da solidão. Porque na verdade sempre terem companhia, sempre terem quem converse convosco. Sempre terem quem lhes diga o quão maravilhosos ou terríveis são. Mas pelo menos alguém comunicará convosco. Mas o medo que têm da solidão constitui um dos modos mais expressivos que permitem acolher o ego e deixá-lo entrincheirar-se.

Assim, a formação e o desenvolvimento do ego negativo procede de um ou de uma combinação desses sete ou, de qualquer outros factores. Estamos apenas a mencionar os primários, podem ser a vossa própria singularidade. Mas essas serão as razões primárias, esses serão os modos primários por meio dos quais o ego desenvolve forma e desenvolve o ego negativo, em definitivo.

AS MENSAGENS QUE O EGO TRANSMITE

O ego negativo possui, conforme dissemos há um ano atrás, um monte de mensagens que transmite e essas mensagens basicamente podem ser condensadas no seguinte:

“Eu consigo fazê-lo sozinho." "Não preciso de ninguém." "Alguém o terá que fazer por mim." "Eu sou o melhor." "Eu sou o maior; por descobrir, mas ainda assim o maior." "Eu sou o pior. O mais desprezível, o mais baixo.”

Varia claramente da posição:

“Eu sou muito evoluído espiritualmente, etc." "Não há mais nada que eu tenha a aprender."

Até:

“Estou tão pouco evoluído que não há nada que possivelmente possa aprender." "Jamais cometo erros." "Sempre faço as coisas correctamente; eu sou perfeito."

Passando por:

“Jamais faço alguma coisa bem." "Estou sempre errado." "Sou constantemente imperfeito.”

Por outras palavras, as mensagens que o ego comunica não têm limite. Elas podem percorrer o espectro todo, e fazem-no.

Os opostos são ambos ego, no sentido:

“Eu sou o melhor e eu sou o pior.”

Isso representa a mesma posição de ego.

“Eu não tenho problemas. Eu só tenho problemas.”

Isso é totalmente ego.

“Eu libertei todos os bloqueios que tinha; os bloqueios de que padeço são de tal modo reais e poderosos que jamais consigo livrar-me deles."

Ambos a mesmo posição de ego.

Estende-se desde:

“Eu consigo isso sozinho, o meu guia é Deus, ninguém me pode ajudar por eu ser demasiado perfeito, por estar demasiado evoluído, muito acima.”

Até:

“Eu estou tão por baixo que ninguém com excepção de Deus poderá valer-me.”

Mas nós sugerimos aqui que isso envolve toda a jogada. Não há afirmação que possam proferir que não represente uma declaração do ego:

“Oh, isso soa terrivelmente assustador! Queres dizer que é em toda a situação?”

Sim, absolutamente! Podia ser devido ao facto de isso estar ligado à atitude. Mas essa representa a verdadeira casca inquebrantável para muita gente:

“Se fosse a forma em que o pudesse ver plasmado, onde pudesse medi-lo, onde pudesse defini-lo e atar-lhe uma corda ao redor, aí já conseguiria lidar com isso.”

Mas quando se trata de atitude (postura, propósito):

“De que forma poderei aferir se terei tratado disso?”

Precisais decidir isso por vós próprios.

É a atitude por base de uma afirmação que define se é uma declaração proferida pelo ego ou não.

Mas aí sugerimos com toda a clareza que é a atitude por detrás das afirmações, e não as afirmações em si e por si mesmas.

Agora; realmente, se andarem por aí a dizer e a pensar:

“Eu estou muito além de toda a medida de crescimento, eu já sei tudo, etc."

Seguramente que poderão reconhecer tratar-se do ego, particularmente quando detectam isso nos outros. (Riso) Mas muitas vezes é a subtileza da declaração, a subtileza.

Falamos muitas e muitas vezes acerca da perfeição como uma postura do ego. E querer ser melhor do que todo o mundo é:

“Oh, coitado de mim, não o consigo fazer na perfeição. Oh, pobre de mim, eu estou mesmo tão agarrado à ideia de ser perfeito.”

Isso representa uma postura do ego, sem dúvida.

E a vitimização constitui claramente uma postura do ego.

“Foi verdadeiramente difícil para mim, eu ter que ser vítima; fizeram-me essas coisas verdadeiramente terríveis, foi uma coia detestável.”

É verdadeiramente uma postura do ego.

Mas a obediência maliciosa de que falamos tantas vezes, nos termos de fazer tudo à letra da lei, agir à letra, constitui uma postura do ego.

Mesmo a mudança da forma na esperança de que isso mude o conteúdo e o contexto, constitui uma postura do ego. Vejam, ele encontra-se em toda a parte. E se pudesse ter forma, de modo a poder ser aproveitado de um modo impecável, aí poderia ser montado. Isso é o vosso ego, uma, duas, três, quatro vezes, toda a vez que fizerem isso estão a assumir a postura do ego, e se o não fizerem, não estão e então poderão adaptar-se muito agradavelmente e jamais voltar a sentir-se na situação do ego.

Mas não é isso, é a atitude que está por detrás disso. E isso quer dizer que são o único que pode revelar a verdade acerca disso. São o único que, quando dizem:

“Pelos céus, sinto-me excelente, fiz um trabalho fantástico nisso.”

São o único que saberá se isso é uma postura do ego que sub-repticiamente esteja a dizer:

“Não serei mesmo o maior?”

Ou se será uma postura de adulto caracterizado por um honesto reconhecimento e confirmação. Ninguém vo-lo poderá dizer em absoluto. As outras pessoas poderão obter um indício disso e muitas vezes poderão ajudá-los a descobri-lo, mas apenas vós podereis descobrir se é ego ou não.

Mesmo a afirmação:

“Eu realmente tratei do meu ego e tratei de me colocar à parte dele."

Só vós podereis vir a saber se isso representa o vosso ego a falar ou não.

As quatro características básicas da afirmação do ego

Contudo, a atitude tem determinadas características que tendem a realçar-se nas afirmações do ego; existem certas semelhanças entre as afirmações do ego. Basicamente elas podem ser reduzidas a quatro:

As afirmações do ego lidam com a excepcionalidade, em vez da singularidade

As afirmações do ego antes de mais lidam com a excepcionalidade em vez de lidarem com a singularidade. Quer na afirmação explícita ou velada, encontra-se a mensagem:

“Eu sou especial porque...”

Em vez de:

“Eu sou único porque...”

Entendam que não existe nada de errado com a singularidade. Aliás, sugerimos que a singularidade é algo que precisam desenvolver. Mas sugerimos a esta altura que quando descobrem excepcionalidade na afirmação:

“Caramba, eu estava a passar por este problema terrível com a minha família mas já o esclareci.”

Ora bem, isso significará um sentir-se bem em relação a isso ou implicará na existência de uma excepcionalidade? Decidam vocês!

Mas as afirmações do ego respeitam a excepcionalidade em vez da singularidade, e de algum modo encerram um “Eu sou especial,” especialmente bom, especialmente mau, excepcionalmente diferente, excepcional!

As afirmações do ego tendem a justificar e a racionalizar em vez de assumirem responsabilidade e de gerarem compreensão

A segunda característica das afirmações do ego é a de que tendem a justificar e a racionalizar em vez de assumirem responsabilidade e de gerarem compreensão.

Quando se ouvem a vós próprios a justificar uma posição ou a racionalizar uma acção ao contrário de aceitarem a responsabilidade e de compreenderem as circunstâncias, podem estar bem certos de que provavelmente se trata de uma afirmação do ego, que isso provavelmente procede do ego.

Isso também envolve explicações. As explicações são estranhas devido a que por vezes sejam necessárias e por vezes não sejam. Mas muitas vezes as explicações representam o ego a falar. Se alguém disser que está verdadeiramente furioso convosco ou que se sente muito ofendido convosco ou que se sente incompreendido por vós, ou se por uma outra via qualquer sentir qualquer outra coisa que não positividade em relação a vós, se derem por vós de imediato a explicar a situação, a explicar por que razão não deveria sentir-se assim ou porque sente, poderão ficar bem certos de que se trata de uma justificação, de que se trata de uma racionalização, e podem ter a certeza de que é o vosso ego quem fala por vós.

“Pois, mas, uma explicação não terá importância? Não nos fará sentir melhor?”

Com o tempo provavelmente, mas se for a primeira coisa que proferirem da boca para fora, aí será uma afirmação do ego.

Agora isso já apresenta uma certa condição palpável de modo que poderão manter sempre a boca fechada e deixar de explicar tudo durante vinte minutos para poderem sair da postura do ego, não é? (Riso)

Não, sempre que alguém lhes disser alguma coisa, se derem por vós de imediato a tentarem explicar:

“Ah bom, a razão por que isso sucedeu foi... Não; compreendeste mal, eu queria dizer isto...”

Fiquem certos de que, primeiro, não lhe estão a prestar atenção, e em segundo lugar, estão a pronunciar-se a partir do ego. Por estarem a tentar racionalizar e a justificar a vossa posição ao invés de compreenderem.

Mas mesmo que a pessoa esteja por completo errada, e se sinta zangada por não lhe terem telefonado na noite anterior, e a razão para terem deixado de lhe telefonar se tenha devido ao facto do vosso aparelho de telefone ter explodido nas vossas mãos e que tenham estado atarefados a curar a mão, mesmo assim, se isso for a primeira coisa que pronunciarem da boca para fora, estarão numa postura em vez de compreenderem a forma como se sente e a partir do que se pronuncia e do que sucede com ela devido ao facto. E depois disso, poderão querer explicar que o telefone lhes tenha rebentado na mão e mostrar as cicatrizes e... (Riso)

as afirmações do ego tendem a negar ao invés de aceitar

A terceira coisa é que as afirmações do ego tendem a negar ao invés de aceitar. Negar a responsabilidade, negar a consciência, negar a compreensão, negar, negar, negar em vez de aceitar.

Negar a responsabilidade, em vez de a acatarem.

as afirmações do ego radicam na culpabilização e nas afirmações de castigo, em vez de afirmações de carinho e de indulgência em relação a vós e aos outros

E por fim e em quarto lugar, as declarações do ego são declarações de culpabilização e de punição, em vez de declarações de amor e de perdão - em relação a vós ou aos outros.
Quando vos ouvis a vós próprios a pronunciar e a pensar nessa voz interiormente, se for o caso de se culparem e castigarem:

“Jamais sairás disto, não passas de um desapontamento total, bem que podias pôr termo à tua vida, bem que podias esquecer o assunto; o crescimento não foi talhado para ti mas sim uma cabana no México, com uma lata de feijões por dia, ou não sei que mais. Vou-te deixar para o teu próprio bem.”

Essa é sempre a vossa favorita, sabem... por poderem sempre vislumbrar em segundo plano um pequeno apartamento de um quarto iluminado por um candeeiro a luz coada e um abre-latas e uma sopa fria de cogumelos. (Riso) Um cogumelo de cera de vela por diluir, é claro. Bom, é a única que funciona, a sopa de tomate não funciona dessa forma. Mas essa é a imagem que nos vem à mente quando ouvimos as pessoas dizerem:

“Para o teu próprio bem preciso deixar-te.”

A culpar-vos, a punir-vos a vós próprios. É o ponto a que chegam na ocultação do vosso ego.

“Bom, isso possivelmente não poderá ser o ego, se fosse o ego eu não poderia culpar-me a mim próprio, não me. Em vez disso diria estar certo e que ele está errado. Mas não, em vez disso estou a dizer que ele tem toda a razão e que eu estou completamente errado. Isso possivelmente não pode provir do ego.”

Se for uma afirmação culpabilizante, o mais provável é que seja. Mas quase diríamos que seja em absoluto, porque aí encontrarão uma excepção. Iriam aparecer vinte de vós apressados à procura da excepção, e a gastar os próximos seis meses da vossa vida a tentar descobrir a excepção. (Riso)

Mas decerto que, se estiverem a culpar e a punir outros... Mas não existe um número terrivelmente excessivo de vós que seja suficientemente burro para sair por aí descaradamente a apontar o dedo:

“A culpa é tua.”

Muitos de vós fazem isso de uma forma muito subtil:

“Eu entendo, eu sei por que fizeste isso, não pudeste evitá-lo, só que ainda não tens suficiente inteligência para o descobrir. Não te encontras envolvido no crescimento há tanto tempo quanto eu, e não podes evitar isso.” (Riso)

A culpa e a punição que atribuem aos outros, a culpa e o castigo...
  
Mas não é tanto as palavras que proferem, mas o que pensam. 

“Ah, peço imensa desculpa, percebo que o tenha causado."

Enquanto a conversa da treta diz:

“Aqueles filhos da mãe fizeram-me isto, pelo que é culpa deles. Se eles o tivessem feito como devia ser... Eu vou apanhá-los, eu vou fazer com que sejam culpados. Eu vou pedir desculpa e assumir responsabilidade segundo a imagem perfeita que tenho e depois vou-me sentir de tal modo podre que vou desejar que não tivessem dado importância ao caso. Eu vou-lhes mostrar.”

Isso é claramente o ego e o que ele afirma. E essas são as quatro características porque poderão aferi-lo; geralmente essa é uma afirmação do ego.

Bom; não queremos sugerir que não seja isso, nem aquilo, nem aqueloutro, e consequentemente que não se trate do ego. Mas sugeriríamos que, se examinarem isso, será isso que se está a passar neste exacto momento? Será uma questão do ego?

“Não sei, não posso afirmar; o meu ego é tão ardiloso.”

Ego! Justamente aí! Exclusividade!

“O meu ago é tão ardiloso...”

A exclusividade patente nisso. Representa ego antes mesmo de formularem a questão. O vosso ego não é assim tão astuto. O vosso ego não é mais esperto do que o de ninguém; o vosso ego é estúpido. Mas sugerimos que opera de uma forma bastante estúpida mas que não conseguem suplantar a esperteza dele. É mais astuto do que vós, mas ainda assim é estúpido. (Riso)

Assim, o que isso diz sobre vós… (Riso)

Aqui está este secretário de arquivo na vossa realidade a dirigir o espectáculo, mas vocês não o conseguem suplantar em esperteza por não pensarem, por não crescerem, por não assumirem responsabilidade, e estarem em busca de uma resposta simples e além disso não pretenderem acreditar que criam tudo, por não terem amor suficiente por vós e terem tanto medo da solidão e por terem mesmo medo de dar um chuto no ego. (Riso) É por isso que ele é mais esperto que vós.

Mas essas quatro características, a exclusividade, a tendência para racionalizar e para justificar, recusas e castigo, e a culpabilidade (ao contrário da singularidade de aceitarem responsabilidade e de compreenderem, de aceitarem a vossa realidade e de aceitarem o que criaram e de amarem e de perdoarem.)

Agora, isso não quer dizer:

“Ah, sinto-me de tal modo furioso, que ainda não sou capaz de lhe perdoar.”

Isso não quer dizer necessariamente que estejam numa postura de ego. Podia ser, entendem, mas queríamos aqui sugerir que se for uma afirmação e se o pensamento que tiver por trás for destituído de perdão e de amor, se tiver um carácter punitivo e culpabilizante então poderão estar bem certos de se tratar de uma postura do ego.

E sugerimos, conforme muitas vezes o fazemos, que o ego apresenta um discurso profuso e quase consistente.

De modo que essas são algumas das formas com que podem contar. Não o podem constatar realmente pela mensagem mas podem constatar pelas características que se apresentam por trás da mensagem, pela atitude por trás da mensagem que estão a enunciar, a escutar, a constatar, a sentir.



as quatro características do ego:

ao contrário de
              
   Exclusividade; melhor do que / menos do que          Singularidade

   Tendência para racionalizar e justificar                 Aceitar responsabilidade /Ser compreensivo

   Negar                                                                       Aceitar que criam a vossa realidade

   Punir e culpabilizar                                                 Perdoar e amar



que efeitos terá esse ego negativo?


A que se reduzirá, pois, tudo? Que efeitos terá esse ego negativo? Não vamos adentrar-nos muito nisso para além de sugerirmos sem rodeios e com toda a simplicidade:

1.    o ego negativo destrói-os

O ego negativo destrói-os. E se isso não for razão suficiente para o abandonarem e para deixarem de o usar, nesse caso não sabemos o que possam fazer a respeito. Agora, o vosso ego não acredita nisso:

“Não, não dês ouvidos a isso; não te posso destruir. És mais forte do que julgas, o teu ego negativo não é assim tão significativo.” (Num sussurro)

Esse tipo de mensagens são as que estão neste instante a ser-lhes sugeridas ao ouvido.

“Já sabes disso, não precisas dar ouvidos ao que está a ser dito. Já trataste disso, não te preocupes porque isso não te vai acontecer.”  (Num sussurro)

Isso é o vosso ego negativo justamente a falar-lhes.

O ego destrói, ponto final; tão simples quanto isso. O quê? Destrói-os a vós!

São a única coisa que ele consegue destruir. Vocês! O vosso ego não consegue destruir mais ninguém nem mais nada. Pode causar-lhes uma série de danos, pode ofender muita gente. Pode deixar um monte de sentimentos de estragos na esteira que deixa, mas não consegue destruir coisa nenhuma para além de vós. E corrói-os a partir de dentro. Primeiro o vosso cérebro, aquelas pequenas enzimas, o vosso ego é como um Pacman interno.
(NT: Personagem de uma série de jogos que devora alvos) (Riso)
Com isso já eu posso bem, não? Mas corrói mesmo. Come-os vivos. Bom, não o refiro de uma forma literal, de forma que os vossos raios X denunciem alguma evidência, mas começa por lhes corroer o cérebro e a seguir come-lhes o resto do corpo. E eventualmente destrói-os. Nutre-se de vós e destrói-os.

2.  o ego negativo constitui o vosso inimigo, não o vosso amigo

É o vosso inimigo, o vosso pior inimigo. É o vosso pior inimigo, não o vosso amigo.

“Acredito que o meu ego me trouxe até aqui.”

Não, não trouxe nada. Chegaram até aqui independentemente do vosso ego (negativo,) e não por causa dele. E essa diferença é muitíssimo significativa. O primeiro aspecto está em que o ego destrói de uma forma literal, destrói-lhes a realidade, e destrói-os. Talvez ainda não o tenha conseguido, mas ainda não puseram termo a esta realidade. Mas fá-lo-á, e de facto se olharem ao redor e observarem os outros – não nesta sala, é claro, mas os outros – poderão constatar aquilo que lhes terá feito. Poderão ver as pessoas perdidas em meio às suas ilusões, perdidas em meio ao mito total das suas vidas.
E é triste e não gostam de andar ao redor dessa gente e quando têm que andar dão por vós a tolerar quando o têm que fazer.

Mas o que sugerimos é que em primeiro lugar o ego destrói e a segunda coisa a verificar aqui em termos do que o ego implica é que não é o vosso amigo, mas o vosso inimigo. Não se preocupa convosco, não sente mais do que desprezo por vós. Vocês são descartáveis, um joguete na sua visão particular. Não se preocupa convosco, não é vosso amigo, é o vosso inimigo.

E muitos de vós, olham para a vida que viveram até aqui e perceberão:

“Eu tenho uma vida melhor por ser mais inteligente do que os outros e isso tem sido a única coisa a que me tenho agarrado nos últimos cinco anos. Levou-me a superar. O meu ego tem representado um condimento.”

Não tem coisa nenhuma, é foi a despeito desse ego que conseguiram ir tão longe na realização do que conseguiram. É por a vossa consciência ter lutado com ele – ainda que não estejam dispostos a tal coisa – que conseguiram chegar aonde chegaram.

o vosso ego não os ajudou uma única vez

Agora, se pensarem nisso, lembrem-se das alturas em que tinham a certeza de que o vosso ego os tenha ajudado num aperto. Mas quando considerarem isso mais de perto, irão perceber que o ego não os terá ajudado de todo. Quando observam isso de uma forma sincera em retrospectiva, foi o ego que quase os levou a soçobrar e foram vocês, seja por que graça tiver sido, que se terão poupado ao que podia ter sucedido. Muitos de vocês acreditam ser combatentes do carácter. Nós vemos esses combatentes do carácter e vítimas, etc.

“De um jeito qualquer a vitimização que me motiva fez-me passar por aquilo, ou o meu lado combatente fez-me suplantar aquilo. O facto de ser uma pessoa competitiva levou-me onde hoje me encontro, etc.”

Talvez num mundo orientado por um ego muito mundano, mas não no vosso crescimento, não na percepção que têm da realidade, não, o vosso ego não lhes terá dado qualquer ajuda na expansão da consciência que estão a sofrer, por menor que fosse. Ele é o vosso inimigo e destrui-los-á. É somente uma questão de tempo e ele dispõe de todo o tempo inerente à vida que têm para lhes deitar a mão. Ele não tem pressa. Esses dois aspectos, o facto de constituir o vosso inimigo e de os destruir são porventura os aspectos mais importantes a compreender.

3.   o ego negativo é estúpido mas é mais esperto que vós

O terceiro aspecto relativo ao ego negativo consiste em perceber que ele é estúpido, mas é mais esperto que vós. E mais astuto que vós, por jamais poderem negociar com ele nem persuadi-lo; por jamais poderem trabalhar com ele. É um demónio, e representa um verdadeiro Dr. Fausto em toda a sua natureza. Não podem negociar com ele.

Uma outra excelente analogia de que gostamos em particular é a do “Hal”, do filme “2001 Odisseia no Espaço” enquanto derradeira expressão do ego. Mas na verdade não se podia negociar com ele. Precisou ser desligado, por ter destruído todos quantos se atravessaram no caminho da sua existência. Mas a sua existência era destituída de sentido sem aqueles em função dos quais existia. O duplo paradoxo aí patente, é o de que o computador existe por uma função, que é a de servir a humanidade, e a sua própria existência destruiu aquilo a que propriamente se votava. O que, a propósito, sempre acontece - sempre!

aquilo que é criado destrói o seu criador

Não lhe acrescentaremos mais; se porventura fizer sentido para vós, pensem no caso, se não fizer, pensem igualmente. Despendam aí por volta de umas três horas numa tarde de preguiça a pensar no que queira dizer. (A rir)

Mas o que sugerimos é que a forma como lidam com o ego negative é desligando-o. Não podem regatear, não podem racionalizar, não o conseguem persuadir por meio de lisonja alguma, não o conseguem convencer, precisam simplesmente desligá-lo, quer soltando-o, quer domando-o. Mas precisa ser desligado para poder funcionar, para poderem ficar por cima, para poderem lidar com ele.

É muito mais astuto que vós, muito mais ardiloso, por saber onde deve atacar a seguir enquanto vocês não têm a certeza. É subtil, manifesto, e jamais se desvanece. Mesmo quando o desligam, jamais chega a desaparecer. Mesmo quando o desligam. Ele nunca desaparece.

4.   o ego negativo não conhece o medo, não tem sentimentos e jamais chega a desvanecer-se

O quinto aspecto: Muitos de vós caiem na estranha posição de pensar que trataram dele, ou que assim que tiverem tratado dele, ele estará acabado.

“Promete-me que assim que conseguir atravessar o processo de libertar ou de romper com o meu ego negativo, não mais terei de tratar dele de novo.”

Mas não só não podemos prometer tal coisa, como em vez disso podemos garantir-lhes que precisarão tratar dele de novo, sem dúvida. E sugerimos aqui que quando o abordam numa base:

"Vou tratar deste ego de uma vez por todas, por o detestar e não o suportar e querer pôr-lhe um termo. Por isso, vou tirar uma semana, um mês, um ano, no emprego, e vou lidar com o meu ego de uma vez por todas.”

Aí estarão a agir com base no medo, e estarão a proceder a uma escolha que brota do medo.

Mas a razão por que o ego é pateta mas ainda assim é mais esperto que vós, deve-se ao facto de procederem com base no medo, ao passo que ele não. Ele não conhece o medo. Não tem sentimentos.

E tal como conseguirão imaginar, se estiverem a lidar com um tipo qualquer de adversário, se tiverem resistência e confiança em quem e no que são, e ele estiver apavorado, verão que dispõem de vantagem. Muito embora possa ser tecnicamente mais forte, terão vantagem se ele estiver a proceder com base no medo e vós não.

Assim, se avançarem com a intenção de tratar dele de uma vez por todas, a única razão por que quereríam tal coisa dever-se-á ao facto de terem medo dele.

“Não, não, não... é só por ter coisas mais apropriadas a fazer com o meu tempo. Não, não tenho receio dele, só quero… sou do tipo eficiente de Virgem, entendes. Se valer a pena fazer, valerá a pena fazer correctamente. E eu já o consegui antes, bla bla bla.”

Não! Jamais conseguirão lidar com o vosso ego nessa medida, por precisar ser "controlado" ao longo de toda a vossa vida, por estar constantemente presente.

nada chega a ser criado ou destruído; as coisas expandem-se ou contraem

O que fazem é desligar o ego quer libertando-o ou domando-o. Domando-o na posição que assume, e não deixá-lo em frangalhos. Domá-lo na posição quer dizer contraí-lo em vez de permitirem que expanda a sua qualidade explosiva até que irrompa pela boca fora. Contraí-lo. Mas ainda estará presente e de vez em quando irá respirar, e irão precisar apanhá-lo, controlá-lo, colocá-lo no seu devido lugar.

Mas esse é um dos erros mais vitais que as pessoas cometem. Aqueles que trabalharam com a cassete “Como Controlar o Vosso Ego Negativo, Enquanto o Libertam,” descobriram, ao invés, que funcionou seguindo esses sete passos. Alguns de vós deram esses passos, outros não fazem ideia onde os terão anotado, mas no entanto fizeram-no a certa altura, e aqueles de vós que aqui se acham presentes que tiverem percorrido essas sete técnicas, descobriram que funciona, excepto que volta atrás.

Pois, essa é a natureza do ego, essa é a natureza da vossa realidade. As coisas podem ser expandidas ou contraídas, mas não desaparecem. E esse é um dos maiores erros que as pessoas cometem, ao pensarem que, uma vez controlado, sempre permaneça controlado. Mas não funciona desse modo. Uma vez controlado, mais fácil se tornará de controlar da próxima vez. E assim que for controlado uma segunda vez, mais fácil será da terceira, e da quarta, e da quinta, até chegarem a tal ponto em que controlam o vosso ego com tal rapidez e com tal suavidade que nem darão pela sua presença.

Mas ainda se fará presente, e terão noção de potencialmente poder irromper de novo se deixarem de o controlar. Se deixarem de o controlar, poderá crescer uma vez mais.

Agora, podemos retardar esse crescimento de modo que, se não o controlarem, não se venha a apresentar - num estertor, tão forte quanto sempre. Poderão retardar esse crescimento, mas tal envolve substituí-lo por algo que abordaremos de seguida.

compreendam estes quatro aspectos subordinados ao vosso ego

1.      Representa o vosso inimigo
2.      Destrui-los-á
3.      É estúpido, mas não o conseguirão trapacear, não conseguirão negociar com ele
4.      Não se sumirá. Só o conseguirão contrair, retardar.

Por conseguinte disponham-se a controlá-lo pelo resto da vossa vida, e tenham noção de que, toda a vez que conseguirem lidar com ele, tornar-se-á progressivamente mais fácil de o fazer. De cada vez que o controlarem, tornar-se-á progressivamente menos num problema, a ponto de passar a assemelhar-se a um pedaço de cascalho em vez de um penedo em que esbarram sem sequer darem muito conta disso, mas que não terão vontade de esquecer que se acha presente. Mas, se tratarem dele dessa forma e pensarem nele nesses termos, então ele poderá operar na perfeição.

Aquilo que também se pode dizer acerca do vosso ego é que ele não faz sentido nenhum. Prender-se a ele não faz qualquer sentido:

"De algum modo sou superior com ele; de algum modo sou mais especial, mereço mais, enfim. De alguma modo usufruo do direito de me comportar de modo que não toleraria nos outros, por basicamente ser melhor."

Simplesmente não faz sentido e não existe justificação alguma, mesmo que fosse verdade. Mesmo que sejam a pessoa mais brilhante à face da Terra, isso não os tornaria melhores do que os outros. Tornaria mais inteligentes, porventura.

Mesmo que sejam a pessoa mais adorável à face da Terra, coisa que sugerimos que precisariam ter uma enorme dificuldade em provar. Mas mesmo que fosse verdade, por que razão isso os tornaria melhores do que as outras pessoas? E o sentimento de serem melhores nesse caso não representaria um acto desprovido de amor e por conseguinte não destruiria a própria base da vossa superioridade?

“Eu sou melhor por nunca julgar os outros."

Isso em si mesmo constitui uma forma exacerbada de julgamento. E contraproducente!

No ano passado, durante um intervalo, foi pedido às pessoas para anotarem a razão por que achavam ser melhores. E após terem entrado aí umas cinquenta delas sugeriram que setenta e cinco por cento se devia a que pensassem ser únicos e exclusivos e mais espirituais do que os outros. E num compartimento de umas cento e cinquenta pessoas, setenta e cinco por cento pensava ser exclusivo por ser mais espiritual do que o próximo. Sugerimos que deveriam todos juntar-se num quarto e brigar até que o melhor ganhasse. (Riso)

Uma pessoa chegou mesmo a sugerir que era um anjo enviado por Deus. Bom, se realmente pensam que sim, suportem aquilo em que acreditam com o vosso dinheiro, e façam com ele algo, caso isso seja verídico. Mostrem essa especialidade, e façam alguma coisa com ela caso sejam assim tão fantásticos:

“Não, ainda não chegou o tempo, a altura não é ainda apropriada, aindame  estão a preparar.” (Riso)

Mas a fornada seguinte prendia-se com:

“Os meus problemas são mais reais, mais prejudiciais.”

Mas o que sugerimos é que se examinarem mesmo a coisa, essa superioridade não chega a ter uma base que dure mais do que uns trinta segundos. No entanto constroem todo um castelo de cartas ao seu redor.

Mas uma vez mais, a maioria de vós é suficientemente esperta para saber que não se deve dar voz a essas coisas, de modo que não andam por aí a dizer que são melhores do que os outros, ou que são mais espertos do que quem quer que conheçam, e que sejam mais inteligentes e que sejam mais bonitos.

O último aspecto referido é um dos mais ténues, o de serem mais bonitos do que os outros, o homem mais bonito, ou a mulher mais bela. Por ora! A vossa superioridade dura pouco, sabem, e não passará de um outro glorioso “Certa vez...” Todos eles são muito ténues com relação a isso, e todos são passíveis de desmoronar qual castelos de cartas.

E isso é o que tem de tão assustador em relação à questão, por precisarem colá-los todos repetidas vezes, mentindo cada vez mais a vós próprios. Essa é a destruição que o ego provoca.
Nenhum de vós é tão parvo a ponto de lhes dar voz, mas pensam nisso. E por vezes tentam mesmo enganar-se a si mesmos disfarçando-o por outros termos, só que ele não desaparece.

Se lhes perguntarmos se têm um ego, e responderem que não, têm, em absoluto, e isso será o vosso ego a falar. Mas se responderem que sim, então ocupem-se rapidamente dele. E aí encontrarão a vossa resposta.

um exercício

1.   observem os dois aspectos em que são melhores do que os outros, e especifiquem

E apontem dois, os dois mais significativos. Deixem que lhes venham à mente os dois mais significativos que tenham. E não digam a ninguém o que são, por provavelmente já saberem.

Se quiséssemos mesmo ser cruéis, poderíamos ter dito: Levantem-se, e que toda a gente descubra aquilo em que são melhores. E provavelmente conseguiriam. Não seria terrível? Bom, estamos de acordo, seria terrível. O que acontece é que o vosso ego resulta tão forte, que isso só serviria para o fortalecer ao invés de o enfraquecer. Faze-los levantar-se e humilhar-se:

“Bom, creio que aquilo em que sou melhor seja isto e isto...”

Aí o ego tanto poderia sentir-se lisonjeado como defender-se-ia com unhas e dentes de modo que o resultado seria que se tornaria mais arraigado do que liberto, em resultado de um exercício desses. E nós não desejaríamos tal coisa.

Mas auscultem aquilo em que sejam melhores e apontem dois aspectos, os dois que sejam mais espectaculares. E sejam específicos. Uma das maneiras por que o ego trata de negar a sua existência é por meio da imprecisão.

“Eu sou melhor do que... por ter uma maior harmonia com o cosmos.”

Isso não passa de um monte de baboseiras. Não fazem ideia do que isso significa, e possivelmente não conseguiriam definir isso ou dar um exemplo disso em termos concretos, de modo que representa uma excelente desculpa. Tal como é uma evasiva aquilo que dizem em resposta quando lhes perguntam: Que queres fazer com a vida?

“Quero estar mais em harmonia com o cosmos."

O que uma vez mais não faz o menor sentido. Por conseguinte, jamais alcançarão tal coisa. Mas nessa medida, uma imprecisão dessas representa uma evasiva, uma negação, em vez de aceitação.
Assim, sejam bem específicos relativamente àquilo em que serão melhores - em relação a esses dois aspectos. ‘Creio que sou…’ seja o que for. Não diremos o que seja, conforme imaginarão. Vocês sabem o que são, por isso descubram-nos.

2.   para cada “melhor do que” descubram cinco modos por que o exibem

E de seguida para examinarem esses dois aspectos, pelo menos cinco maneiras relativamente a cada, num total de dez por que o exibem.

“Eu creio ser melhor por ser mais espiritual dos que os outros.”

Isso é demasiado vago, e ademais, que quererá dizer?

“Bom, o que quer dizer é que penso ser mais evoluído do que os outros.”

Muito bem, isso ainda é um tanto vago, mas talvez um pouco mais claro. Já uma resposta:

“Creio ser melhor do que os outros por estar mais próximo de Deus e por ser mais como Cristo, ou por ser seja o que for..."

Talvez para vós seja um tanto mais específico.

Muito bem, então digamos que esse seja um deles. A seguir descubram maneiras por que o representam, cinco maneiras pelas quais o demonstrem.

E não precisam elaborar uma exposição prolongada, por serem muito súbitas. Quando o considerarem, podem chegar a saber:

“A maneira por que o represento é quando sou arrogante para com as pessoas e penso que sei tudo. Por poder decidir contribuir e tornar as coisas melhores para os outros, e que sou o seu guru ou um mestre."

As maneiras por que demonstram isso, as positivas e as negativas, não obstante a maneira como o demonstrem, positiva ou negativa.

Mas o outro aspecto “melhor do que,” também surge de cinco maneiras. Mas muito sucintamente, não insistam:

“É tão árduo que nem consigo pensar.”

Nós não caimos nessa, nem ninguém cairá nessa.

“Olha para aquela, é tão difícil ela apresentar sinais de um ego.” (A rir)

Não é evidente, mas sugerimos que o faça e que busquem isso e que tenham isso bem claro em mente em termos do que estão a fazer com isso.

3.   anotem o tipo de mensagem que o ego transmite por meio da expressão do “melhor do que”

Além disso, o que queremos que façam com isso é que olhem para os quatro tipos de mensagens que o ego evidencia.

Quais serão as mensagens, conforme dissemos, que se enquadram na especialidade, em vez de na singularidade; quais serão as mensagens da justificação e da racionalização em vez da responsabilização e da compreensão; da negação em vez da aceitação, da culpabilização e da autopunição em vez do perdão e do amor por vós próprios e pelos outros?
E para verem por si mesmos, assim que constatarem esses cinco modos, para decidirem por si mesmos que tipos de mensagens tendem a evidenciar com mais frequência.

Qual o modo particular de com que lidam com isso quando tem que ver com a exibição do vosso ego, com o funcionamento nessa situação particular, quando proferem as vossas afirmações? Para obterem uma ideia disso, por provavelmente isso ser, caso o descubram, o aspecto que tendem a usar com mais frequência.

deverão libertar ou romper com o vosso ego?

Assim poderão colocar-se numa situação mais forte para procurarem soltar ou romper com o ego.

Pois bem, qual deverão adoptar?

Vamos abordar ambos a fim de sugerirmos como libertá-lo e como domá-lo de modo que a diferença entre ambas as atitudes se torne um tanto mais óbvia, mas só para cobrirmos essa área muito rapidamente.

O vosso ego pode resultar-lhes pernicioso. E por resultar-lhes pernicioso a vós, também pode resultar nocivo para os outros. Porquanto, por mais que prefiram pensar que são uma entidade autónoma neste planeta particular, vocês interagem e exercem impacto sobre os outros.

Por mais que gostassem de negar o facto de exercerem impacto sobre as outras pessoas, e que os comportamentos, as ideias, e o que pensam não afecta os outros por eles serem de algum modo imunes a isso, bom, isso simplesmente não é verídico. O vosso silêncio provoca impacto, vocês sempre exercem impacto.

Agora; o que isso envolve é o seguinte: Vocês sempre exercem impacto, ou um impacto positivo ou negativo. Simplesmente não provocam um impacto neutro, e tão pouco deixam de exercer impacto. Pela simples permanência neste compartimento, quer dirijam uma palavra a quem quer que seja, ou entrem muito sorrateiramente e se sentem na vossa cadeira ou sigam sossegadamente para o vosso canto durante o intervalo, ou vão para fora abrigar-se na mata ou algo do género, vocês não deixam de causar impacto num certo número de pessoas, sem sombra de dúvida. Pela vossa simples existência causam automaticamente impacto.

E quando procedem com base numa atitude, quando actuam com base no ego negativo, o impacto que causam é negativo. Mesmo que se sentem aí em completo silêncio, sem dizer uma palavra mas pensando ser melhor do que os outros, olhando ao redor para as pessoas em torno de vós:

“Hmm, eles estão a anotar mais coisas do que eu. Isso deve-se ao facto de ainda não dominarem muito bem esta coisa. Coitados, isso não será péssimo?”

Ou então por estarem ocupados a assentar ideias e notarem que os outros anotam muito menos coisas do que vós, aqueles burros.

“Caramba, eles têm, mesmo um ego; ainda bem que eu não me encontro nessa posição.”

Mas mesmo quando se sentam aí em silêncio, enquanto pensam ser melhores como que por uma forma qualquer milagrosa, estão a emitir vibrações, estão a emitir um campo de energia que as pessoas captam. Assim, o vosso ego negativo prejudica-os em definitivo e também exerce impacto de uma forma negativa, pois prejudica os outros.

O vosso ego pode destruí-los e tornar-se bastante destrutivo para os outros, embora não os consiga destruir (a eles).  

1.   se o vosso “melhor do que” for nocivo, soltem-no. Mas se for destrutivo, dominem-no

Basicamente, a diferença entre o facto de o deverem soltar ou dominá-lo vem no seguimento disso. Sugerimos que soltem o vosso ego negativo ou aquelas suas porções que lhes são prejudiciais e potencialmente nocivas para os outros. E que rompam com aquelas partes que são por natureza destrutivas para os outros, que os destroem e que são destrutivas para os outros. E por conseguinte, é com base na intensidade com que o ego se posiciona que determinam se o hão-de soltar ou romper.

Ora bem, porque não domá-lo de vez?

Por o trabalho com o ego envolver o pensar, e esse é um dos componentes principais do processo por que o ego enceta o seu caminho e se apossa, ou assume cada vez mais controlo.
E se vocês estiverem constante e completamente às cegas a quebrar cada pedaço do vosso ego, isso deixará de envolver qualquer pensar; usarão simples modos de procedimento e nós sugerimos que isso não irá resultar. Ao passo que, se pararem para pensar:

“Ora, bem, deixa cá ver o que o ego está aqui a fazer de especial e que impacto está a provocar, e que estará a imprimir nos outros, e como quererei lidar em especial com ele, se deverei soltá-lo ou se deverei domá-lo...”

Então de facto poderão ficar por cima, e aí, soltar ou romper irá efectivamente resultar.

Assim, uma das maneiras de o determinar depende da intensidade do impacto que causa, quer a nocividade quer a destrutividade do ego.

2.   se o vosso “melhor do que” se basear em factos, aí soltem-no. Se provocar loucuras, rompam com ele

Um outro factor determinante é a loucura do ego. Por outras palavras, quão louco será realmente o vosso “melhor do que”?

Evidentemente que, se estiverem a examinar-se e perceberem – por exemplo, aqueles de vós que possuem um “melhor do que” que diga respeito a uma maior espiritualidade que a dos outros – se considerarem a vossa realidade e perceberem que meditam todos os dias, que estudam esta matéria, que leem variadíssimos livros e que adentraram isso com toda a força e que isso efectivamente constitui uma parte significativa da vossa vida, tudo bem. Esse tipo de “melhor do que,” embora igualmente erróneo, não os irá deixar mais loucos do que aquele que não medita em absoluto, e que não se envolve de todo com espiritualidade, que não lê ou que não se envolve em absoluto e que ainda assim sustenta ser “melhor do que” espiritualmente; esse tipo de “melhor do que” irá revelar-se conducente à loucura.

Da mesma forma, se basearem o vosso “melhor do que” no facto de serem mais inteligentes. Se realmente forem inteligentes e dispuserem dos recursos para apoiar o facto, ainda constitui um “melhor do que” que irá destruí-los mas que não os levará a cometer loucuras. Ao passo que se de facto não dispuserem de conhecimento, as notas que tiveram na escola e o padrão dos pensamentos que têm sugerirem claramente que não são mais inteligentes, e que dificilmente serão inteligentes, isso irá levá-los a cometer loucuras. Por a extensão existente entre a realidade que sabem ser absolutamente verdadeira e a realidade que fingem que seja real ser tão grande que leva a cometer loucuras.

Notem que os dois aspectos que até agora sugerimos se baseiam na acção, tanto o “melhor do que” espiritual como o “melhor do que” inerente à inteligência. Ambos baseiam-se na acção. Esses factores tanto podem conduzir ao cometimento de loucuras como deixar de conduzir, dependendo da extensão do salto que tiverem que dar.

Mas qualquer dos vossos “melhor do que” pode estar baseados na acção:

“Eu sou mais amável do que os outros, e como tal, adopto actos de amabilidade que posso apontar, ao contrário de afirmar."

E muitos conseguem-no:

“Eu sou mais amável do que os outros."

Mas não revelam qualquer gentileza a apontar e ao invés são muito maliciosos, nocivos e desagradáveis. Isso pode conduzir ao cometimento de loucuras. Mas baseia-se na acção.

Muito bem, o que é conducente ao cometimento de loucuras deve ser domado, por não o poderem soltar lá muito bem. O que não é particularmente conducente ao cometimento de loucuras sugerimos que seja libertado:

Se estiver baseado numa acção que disponha de dados factuais, então libertem-no. Se estiver baseado numa acção que não disponha de dados factuais, então rompam com ele.
Esse é o segundo componente.

3.   se o vosso “melhor do que” se basear num estado de espírito que não envolva acção, o melhor será que rompam com ele

Um terceiro componente: Se o vosso “melhor do que” se basear num estado de espírito que não envolva acção, o melhor é que rompam com ele, porquanto tentar simplesmente soltá-lo não poderá levar a que tenham mão nele. Agora; que será isso?

Bom, alguns de vocês, por exemplo, sustentam o vosso “melhor do que” por serem mais atraentes, por serem mais bonitos ou mais belas. Isso não envolve um estado de acção, nem existe qualquer acção que prove isso a menos que vençam o concurso de "Miss não sei das quantas," ou recebam o prémio do homem mais bem trajado, ou do mais bonito na vossa categoria. Poucos serão os factos que suportem o facto de serem mais bem-parecidos ou mais atraentes ou sensuais. E assim constituem mais um estado de espírito e tornam-se mais difíceis de soltar; não mostram nada a reter nem nada que o contrarie.

Conforme sugerimos a certa altura, o vosso narcisismo constitui efectivamente uma tremenda situação de ego, baseado como se acha nas aparências de serem mais belos do que quem quer que seja, e de que sejam mesmo mais belos, quer sejam homens ou mulheres. Mas a única cura conhecida para o narcisismo é o envelhecimento. Por altura dos vinte anos não poderão realmente fazer grande coisa, quando pensam ser os mais belos, ser uma dádiva do Divino, etc. Nem muito poderão fazer para soltar isso por terem espelhos que parecerão dizer-lhes o contrário. Mas quando chegarem aos quarenta ou cinquenta, e notarem terem coisas que não tinham aos dezoito, então de repente o narcisismo poderá romper-se, ou talvez não, por poderem maquilhar-se e tudo o mais.

Mas seja como for, sugerimos que isso sejam mais para romper, por não terem nada em que ter mão.

Da mesma forma, um estado de espírito pode ser o lugar onde tenham cresceram.

Bom; alguém será tão tolo e tão obviamente esquisito a ponto de pensar que seja “melhor do que” por ter nascido numa certa parte da nação, ou num certo bairro? Podem apostar que sim! Essa é uma das mais tristes mesmo; todas o são quando chegamos a um certo patamar. Quando se vai além da destruição que pode ocorrer, pode chegar a tornar-se verdadeiramente triste. Mas que o facto de terem nascido num bairro particular os torne de algum modo “melhores”? Quer por esse bairro ter sido melhor ou por ter sido pior - isso vai dar no mesmo.

“Eu nasci no pior sector da cidade e olhem para mim hoje, vejam o quão sou amável e doce.”  “Eu nasci num bairro rico e frequentei as escolas apropriadas.”

Isso é tudo um produto do local geográfico em que os vossos pais calharam mas de súbito eis que se tornou no vosso manancial do “melhor do que.” Trata-se de um traço de “melhor do que” muito delgado, mas muitos farão o que forem capazes.

Mas da mesma forma torna-se difícil soltar isso, esse é um dos aspectos que precisa ser mais ou menos domado. Mas do mesmo modo, por descenderem de uma família particular. Não provêm de uma família particular, sabem, não quando têm conhecimento de uma coisa como a reincarnação e do facto de criarem a vossa própria realidade instante a instante.

Se por esta altura pensarem ser oriundos de uma longa herança familiar, então tê-la-ão criado neste instante. Há dois minutos poderão não ter descendido dessa herança familiar. Assim, alicerçar o vosso “melhor do que” nas origens da vossa família, na pessoa que o vosso avô ou bisavô tenha sido ou na forma como pronunciam o vosso nome, sugerimos ser igualmente uma das formas de superioridade mais servis e porventura uma das mais tristes versões. Torna-se muito difícil soltar isso, de modo que precisam domá-lo por não ter nada a que se agarar, e por isso é apropriado que seja domado, em definitivo. Do mesmo modo o fanatismo baseia-se bastante numa situação de ego e da mesma forma deve ser domado, e não pode muito bem ser solto, por não ter lógica alguma a desvendar. Não comporta lógica alguma a desvendar que decida que sejam melhores do que por serem homem ao invés de mulher. Por terem sido mulher tantas vezes quantas homem, e vice-versa.

Um dos aspectos mais tresloucados de que tomamos conhecimento no movimento do potencial humano consta do facto de alguns que acreditam seriamente que o homem seja mais evoluído do que a mulher, e que o homem se encontre num estado de maior avanço em termos de evolução. Se de facto esta consciência, que acontece entrar como mulher desta vez, fosse realmente tão evoluída, ela teria vindo como homem, pelo que isso parece tão tolo, mas existem correntes de pensamento detentoras de massas de seguidores que sustentam tal ideia. A razão por que terão seguidores do sexo feminino é incrível, mas seja como for têm, seguidores que aderem à ideia de que o homem por natureza seja mais evoluído e por conseguinte a mulher deva servir o homem. É simplesmente desconcertante.

Quando falamos da razão porque procedemos a esta comunicação, e apresentamos a razão de aprendermos com o plano físico, isso é uma das coisas mais difíceis que temos a aprender. Quero dizer, as pessoas realmente acreditam nisso que pensam dos homens serem realmente espiritualmente mais evoluidos, etc.? De certo modo poderão ser mais fortes, exercer certos intercâmbios em que possam exceder-se em determinadas coisas - mas que são espiritualmente mais evoluidos que as mulheres? Com essa sentimo-nos confundidos, por essa representar um verdadeiro quebra-cabeças.

Além disso, que ainda haja efectivamente quem siga isso - tanto homens como mulheres? Em particular mulheres, que sigam um guru qualquer, um mestre qualquer que promulge a ideia de que as mulheres sejam menos evoluídas, e de que a mulher deva servir o homem, por ser quem deve ficar por detrás da cena a servi-lo e a tornar-lhe a vida melhor? As mulheres acreditam nisso? É por demais bizarro, mas o que sugerimos é que esse tipo de fanatismo é demais, mas é o que isso representa.

"Eu não sou nenhuma fanática, sou somente chauvinista."

Claro que é fanatismo, absolutamente! Vocês são melhores se forem homens, e possuirem um pénis. Ou menos, por terem uma vagina ou seja lá o que for. Ou vice-versa. Isso não tem nada que se aproveite, de modo que precisam romper com isso.

Mas de modo similar em relação à raça, aqueles aspectos que são por demais óbvios, conforme seríamos levados a pensar, de se saírem melhor se não fossem judeus ou não fossem negros ou seja com que raça for que se identifiquem. Isso refere a presente vida, e basear o que quer que seja nisso apresenta-se de tal modo insuficiente que não chega a ter uma verdadeira base senão a de romperem com ele.

De modo similar, aqueles de vós que pensam ser melhor por causa do dinheiro que possuem... Pensam que as pessoas que têm dinheiro sejam mais espertas, mais evoluídas, etc. A propósito, essa é uma das formas mais seguras de garantir que jamais cheguem a ter dinheiro. Se quiserem uma garantia de realmente sentirem receio de ter dinheiro e quiserem asegurar-se de que nunca virem a ter qualquer dinheiro, então preservem esse "melhor que," e que as pessoas com dinheiro sejam mais espertas, mais inteligentes, mais evoluídas, que isso representará um excelente modo de se assegurarem de que nunca virão a ter dinheiro. E aqueles de vós que possuem dinheiro e pensam ser melhor do que os outros, uma vez mais isso revela-se de tal modo banal e frívolo que não chega a apresentar uma base plausível sob uma forma libertadora, e portanto faz-se necessário que sejam domados.

Assim, esses factores de superioridade baseiam-se num estado de espírito, à semelhança de todos aqueles exemplos que referimos; não tentem libertá-los, mas devem em vez disso ser domados. Até ao momento consideramos os factores de superioridadde que se baseiam na intensidade que apresentam, na nocividade ou na destrutividade - o que é prejudicial é libertado, os factores destrutivos são para romper. Aqueles factores de superioridade baseados na acção, aqueles que são lógicos, libertem-nos; aqueles que conduzam a actos tresloucados, são para quebrar.

Aqueles factores de superioridade baseados num estado de espírito - sobre os quais basicamente não têm controlo, que é aquilo a que queremos chegar - aos cinco anos não decidiram tornar-se ricos ou belos, ou crescer num determinado bairro, não elaboraram tais opções conscientes, eles representam um estado de espírito que está além do vosso controlo, de modo que são para romper. Nem percam tempo a libertá-los, por virem a fracassar. Virão a sentir-se frustrados com isso, haverão de falhar nisso e haverão de concluir que não conseguem lidar com o vosso ego, por simplesmente se assomar demasiado desconforme.

"Talvez seja verdade, já o tentei libertar durante seis anos, mas ele simplesmente não desaparecerá, pelo que deve ser verdade."

4.   se não se permitir libertá-lo, então é para romper

A categoria final, um tipo de "pau para toda a colher," é o seguinte: Se tiverem tentado libertar o ego e simplesmente (seja por que razão tiver sido) não os tiver permitido faze-lo, então pelo amor de Deus, é para romper. Ora bem; a razão por que aqui estabelecemos uma distinção, conforme desde logo afirmamos, deve-se a que envolva o pensar, que representa uma parte essencial disso. Mas em segundo lugar, o que isso envolve é o facto de se apresentar menos estrénuo, menos exaustivo libertar do que romper.

Por conseguinte recomendaríamos obrigatoriamente que rompam com ele a menos que isso seja algo que precisem fazer. Mas não saltaríamos para esse patamar; aquilo que procuramos ter em mente é a conservação da energia. Portanto, se esse representar um ego passível de libertar, libertá-lo-iamos, por se afigurar menos estrénuo e despendermos menos energia no processo. Sugerimos que seja tão fácil quebrar quanto libertar, por não representar qualquer problema. Ambos se conseguem num estalar de dedos, o que porventura será parte do problema, mas seja como for, envolve o emprego de esforço.

A ramificação ou a repercussão ou o que desejarem chamar-lhe, o abalo resultante da libertação é mais brando do que o abalo resultante do acto de romper com ele. E por conseguinte se conseguirem libertá-lo, façam-no, mas se envolver uma daquelas situações em que não funcione ou não possa resultar, então tratem directamente de romper com ele sem viverem com as consequências, por serem negativas. Gastem a energia e predisponham-se a aceitar o abalo do terem que o quebrar, etc.

Assim, esses são mais ou menos os parâmetros que empregaríamos na determinação disso, mas como isso os deixa mais confusos, não é? Bem, absolutamente; mas isso é óptimo. A complexidade constitui um aspecto bem saudável da vossa realidade. Conforto e complexidade, são muito importantes. A simpliciade sob a forma de evitar e fuga à responsabilidade, sugerimos que não só evita o problema como também apronta maus bocados, definitivamente. Muito bem, mas então, como libertar isso? Isso é explicado num outro título subordinado à Libertação do Ego Negativo, mas vamos repassar isso muito rapidamente esta noite por já o termos revisto, mas por quantos não o tenham escutado:


Sumário:

Prejudicial                                        Libertar
Destrutivo                                       Romper
Curso lógico de acção                   Libertar
Cometer loucuras                           Romper
Estado de espírito                           Romper
O que não se permitirem libertar     Romper

como libertar o ego negativo

1.    O primeiro passo: elaborar uma lista daquilo em que são melhores que os outros

A primeira coisa que fazem (mas já o fizeram) é elaborar uma lista dos factores que sejam "melhor". Alistaram dois dos mais significativos. Na libertação do ego torna-se útil alistá-los e a seguir pegar naqueles com que quiserem trabalhar.

E de seguida sobrepõem esses aspectos "melhor" sobre a realidade que tiverem criado. De modo que se aquilo em que forem melhores for o facto de serem atractivos, isso deverá ser algo que terão criado num sentido metafísico, não deverá ser algo que lhes tenha sido dado, mas então por que razão os tornará melhores? Outra pessoa, que seja menos atractiva, ter-se-á criado dessa forma seja por que razão for. Simplesmente não faz sentido. Pode corresponder a uma verdade, mas por que razão os tornará melhores? Mais inteligentes, mais espirituais, mais carinhosos, mais indulgentes, mais ousados, mais competitivos, qualquer coisa… Mais espertos e esse tipo de coisa. Mais ricos, descendentes de um bairro de melhor reputação, esse tipo de coisa. Mas o que sugerimos é que quando sobrepõem isso ao facto de que criam a vossa realidade, isso não faz qualquer sentido. A menos, claro está, que não estejam efectivamente a sobrepor isso ao: Vós criais a vossa realidade.

“Alguém mais o fará, mas a minha foi-me dada," ou algo do género.

Assim que o tiverem feito e visto o ridículo que encerra, por todos os factores "melhor que" basicamente se resumirem ao facto de serem estúpidos e tristes, patéticos. Trata-se realmente de coisa verdadeiramente patética que carregam, esses factores de "melhor" que não têm qualquer base. Mas mesmo que consigam simular uma base, eles realmente não apresentam nenhuma. Assim, devem realmente ver isso de qualquer maneira.

2.   o segundo passo é olhar para o dano, a mágoa, que tiverem provocado em nome do ego

O passo seguinte, passo número dois, consta de olhar a mágoa ou o dano que tiverem infligido em nome do ego. A mágoa que tiverem causado a vós próprios, mas mais especificamente os danos que tiverem provocado aos outros. A mágoa e os danos potenciais que tiverem causado a outros. Mais importante essa última, porque fixarem-se na anterior poderá lançá-los directamente na autocomiseração.

"Ai de mim, vê como o meu ego me tem prejudicado todos estes anos. Pobre de mim, pobre de mim..."

E poderão mesmo enredar-se e ficar intoxicados e apanhar uma ressaca na manhã seguinte e tudo isso, e ficar exactamente na mesma situação.

Ao passo que, se virem a mágoa ou o prejuízo que tiverem causado aos outros, embora isso também possa induzir uma certa autocomiseração, se continuarem a concentrar-se no que tiverem feito a outros com o vosso ego negativo, então não sentirão pena de vós próprios. Na verdade não conseguirão, por a única forma por que poderão sentir pena de vós próprios ser voltando a atenção de volta para vós próprios. Assim, mantêm a coisa nas pessoas por quem se interessam ou nas pessoas da vossa realidade com quem estejam a lidar, o prejuízo que lhes tiverem causado, de forma que devem reconhecer verdadeiramente isso, admitir isso pelo que representar. Assim como o prejuízo que tiverem causado a si próprios, confessem-no por aquilo que representar, reconheçam-no brutalmente, em absoluto.

3.   o terceiro passo na libertação do ego passa por lidar com as compensações

Bom; o terceiro passo em termos da libertação do ego prende-se evidentemente com as compensações.

"Eu dependo deste ego, o que sei ser ridículo e estúpido e bastante patético, e sei que prejudica os outros tanto quanto a mim. Mas vou depender dele, por..."

Porquê? E a seguir desfiam as categorias das compensações.

I.             Que será que conseguirão evitar dependendo dele?


II.            Quem conseguirão punir ou quem chegarão a amar?

III.          Que conseguirão fazer com a honradez ou retidão que rodeia a coisa, etc.?

IV.           Que garantia quererão? "Eu libertarei o ego se dispuser da garantia de ainda conseguir ser egoísta." Nesse caso estarão realmente a tentar ser melhores? “Promete-me isso, que aí eu liberto-o.” A que garantias se estão a ater?

V.            Quanto desfrutarão da autocomiseração que estarão a obter com isso? "Ah, eu sei que tenho o ego mais terrível, mais desprezível, mais feio, mais destrutivo de todos os tempos. Pobre de mim." Não, têm é mesmo o ego mais animado, isso é tudo quanto têm. Mas, quanta autocompaixão estarão a obter com isso? Quanta presunção?

VI.           E quanto sentido de presunção? "Bom, eu tentei rebentar com ele e não consegui, de modo que deve ser real, eu realmente devo ser melhor." Que presunção será essa? "Eu tentei e voltei a tentar e não o consegui; alguém que o consiga por mim." Ou então: "Eu tentei libertá-lo tanto que creio que acho que vou precisar respirar fundo e rebentar com ele." Isso envolve um assunto sério, sem dúvida. Quanta presunção? “Bom, eu procurei domá-lo mas não consegui, pelo que deve ser real.” Qual será a razão da presunção? Será por o terem tentado uma e outra vez e não o terem conseguido? Alguém mais o terá feito por vós. Ou então: “Procurei libertá-lo, tanto mais que penso que tenha que respirar fundo e… domá-lo.” Upa, parece coisa séria!
VII.          
E que será que receiam perder? O passado estimado, manchado pela nostalgia selectiva? Recearão perder o facto de estarem a ser adolescentes ou crianças? Ter que abdicar do apogeu da vida de há vinte ou quarenta anos atrás? Quanto pânico não deve representar o envelhecimento! Estarão afastar-se bem para longe do vosso apogeu de modo que mais se sentem alienados e sós.


Sabem que por vezes deveriam ir sentar-se num banco de jardim, na baixa ou num tipo de área metropolitana em que vivam, a olhar algumas dessas pessoas, alguns desses “velhos.” Eles já tiverem dezoito anos, certa vez, e foram atraentes. Aquele velho distraído que enverga um casaco cossado que decerto encontrou numa lata de lixo, e de calças largas tão sujas que chegam a dar a entender que se estivessem a dez metros se sentiriam intoxicados com o odor. Ele foi catraio e também teve o seu apogeu. Também ele pensou que um dia viria a ser grandioso e agora acha-se ali sentado. Esse velho, as mendigas que andam pela vossa realidade, certa vez olharam-se ao espelho e sentiram-se belas. Tal como vós.

“Deus do céu! Esse é um retracto desolador!”

Sem dúvida, e também o é para eles. Mas quanto mais se distanciarem disso… entendem? Assim, do que é que temem abrir mão, que é que temem, qual é a compensação que receiam perder?

Mas se examinarem as compensações que obtêm, não todas necessariamente, mas se pegarem naquelas que traduzem aquilo que se perfilham pelo que vocês são, poderão dar-lhes atenção até dizer chega. Mas quais serão reais para vós?

4. o quarto passo na libertação do vosso ego passa por se perdoarem

Mas depois, o quarto passo na libertação do vosso ego passa por se perdoarem a si mesmos. Perdoar-se pela dor que tiverem causado, pela estupidez e patetice que tiverem causado à vossa existência. Perdoar-se pela dor que tiverem causado a vocês próprios e aos outros. Perdoar-se por serem tão teimosos para ter continuado a aceitar as recompensas apesar de saberem disso. Perdoar-se de verdade e sentir alguma compaixão por vós próprios.

Ora bem, isso não quer dizer que vão a ponto de dizer:

"Bom, já me perdoei, acabou-se o ego."

Não, isso é apenas meio caminho andado.

5.      o quinto passo passa por começarem a decidir o que querem ser em vez disso

Aquilo que fazem em quinto lugar é começar a decidir o que querem ser em vez disso. Em vez de andarem de nariz empinado por serem melhores do que os outros, ou de cabeça baixa por serem piores que os outros (o que representa o mesmo) que será que querem ser em vez disso?

"Bom, eu quero ser agradável para as pessoas, quero ser amigável, quero andar a sorrir mais, quero ser mais jovial."

Bom, então vão a correr comprar um livro de anedotas. O Garfield é engraçado mas ele não os vai ensinar a livrarem-se do ego.

O que sugerimos é que decidem como querem ser e começam a viver isso de momento a momento. Dez minutos de cada vez. O que poderão perceber é que queiram ser mais atenciosos para com as pessoas e percebem que no vosso egocentrismo realmente não se importam com ninguém. De modo que querem ser mais atenciosos. Bom, não decidam que vão querer ser mais cuidadosos deste dia em diante para o resto da vossa vida, porque vão fracassar miseravelmente. Isso é o vosso ego a tomar essa decisão, por estar a sabotar. Em vez disso tentem simplesmente ter mais atenção pelas pessoas durante os próximos dez minutos. E se o conseguirem durante dez minutos, respirem fundo e tentem prolongar isso até uns trinta minutos.

O que poderá parecer um tanto ridículo, por terem conseguido mais ou menos meia hora hoje, só que isso representam trinta minutos a mais do que terão conseguido ontem. E talvez amanhã consigam quarenta minutos ou talvez arrisquem mesmo tentá-lo mais tarde hoje. (Riso)

O que quer que seja:

"Eu quero ser mais eficaz e responsável, ser mais responsável pelas minhas acções."

Pois bem, então tentem ser responsáveis durante dez minutos. O ego lança-lhes a cilada do "para sempre."

"Tudo bem, eu decidi que ia passar a ser bom e vou ser bom para sempre independentemente do que alguém diga ou faça."

Certamente. Isso é o vosso ego a falar e a armar-lhes a cilada em que vão cair dentro de dez minutos. E vão mesmo!

E falharão quer por não fazerem o que tiverem dito ou por começarem a ser melhores do que alguém por o terem feito.

"Olha para mim, eudisse que o conseguia e consegui; há quatro dias que não cometo acto algum sórdido. Estou verdadeiramente melhor por razões que nem bem conhecia antes. E isto é espantoso. Estou a adorar."

Por isso, dez minutos de cada vez, e assim que tiverem conseguido essa etapa de modo a conseguirem fazê-lo sem ficarem enjoados, então talvez se possam aventurar por uma hora de cada vez. E depois talvez um dia de cada vez e quando se aproximarem de um dia de cada vez, provavelmente estarão a ser a pessoa que queriam ser com uns quantos deslizes aqui e ali, de modo a assumirem responsabilidade por isso e a deixar isso em ordem.

Esse é o quinto passo que dão, decidam o que querem ser e sejam-no.

6.      aquilo que fazem em sexto lugar é começar a nutrir o vosso eu consciente em vez do vosso ego

Aquilo que fazem em sexto lugar é começar a suprir o vosso consciente em vez do vosso ego. A essa altura deixam que o ego fique à míngua. Não o liquidam, apenas o deixam à míngua e então voltará ao seu tamanho normal. Por neste momento se achar inflacionado e estar um glutão, mas à medida que lhe forçarem a dieta, uma dieta de escassez, um jejum, ele encolherá até ao seu tamanho normal. Mas, como conseguem isso?

Não o fazem sendo críticos relativamente a vós próprios, independentemente daquilo que fizerem:
"Caramba, isso soa mesmo óptimo.”
“Ah, não, não me digas tal coisa. Não me venhas com atenuantes de natureza positiva, dá-me mesmo um parecer negativo para me manter na linha estreita."

Bom, o que sugerimos é que isso não o irá conseguir.

O fosso basicamente é, e o mais simples deles, consta de usar o seguinte: O parecer positivo que dão a vós próprios ou que obtêm dos outros, usam-no como um instrumento, como um trampolim para chegarem mais alto, em vez de um objectivo, como uma rede para dormir em que se recostem. E quando conseguirem um pouco de parecer favorável usem-no desse modo:

"Deixa-me pegar nesta informação e estendê-la mais longe."

Isso é suprir o vosso consciente.

Em vez de:

"Bom, enganei-os bem, de modo que bem que posso recostar-me e descontrair, agora. Deixei-os todos convencidos de que conheço as respostas todas de modo que agora já me posso calar e recostar."

Mas à medida que trabalharem com isso desse modo de forma a suprirem continuamente o vosso consciente aceitando cada pedaço da informação positiva que se apresente na vossa vida pelo melhor de que forem capazes, e a transformarem em instrumentos que possam utilizar para se estenderem, para chegarem mais longe, para poderem ver mais adiante, para levantarem um pouco mais o nevoeiro. Em vez de repousarem nisso com a atitude:

"Ah, bom, consegui isso, olha para mim, toda a gente pensa que eu seja estupendo."

Em vez de pararem justo por aí. A última parte supre o ego, a anterior supre a consciência. Mas à medida que o fizerem, pensando nisso, à medida que o fazem conscientemente, sugerimos que isso vá trazer escassez ao ego de modo a levá-lo à sua posição.

7.      o sétimo passo na libertação do ego passa por se permitirem ser mais que aquilo que são

O sétimo passo em termos de libertação do ego passa por se permitirem ser mais que aquilo que são. E o que queremos dizer com isso? Bem, que coisa serão vocês? Neste momento são um ser físico. Permitam-se ser mais do que isso. Mas que quererá isso dizer? Permitam-se ter igualmente consciência de vós enquanto ser metafísico e até mesmo ser espiritual.
Para começarem a perceber a vossa realidade e a vós mesmos nessa realidade, sem negarem a condição física que encarnam nem a substituírem pela metafórica ou espiritual, mas aumentando-a.

Ora bem, há aí uma diferença de ordem semântica, mas sugerimos que é mais do que semântica, trata-se de toda uma diferença objectiva. Quando pensam em vocês puramente enquanto seres físicos, então de certeza que estarão a funcionar muito à semelhança de um animal geralmente aprisionado no segundo chakra. Sem sombra de dúvida! Mas é aí que infelizmente muitos de vós se encontram. Um ser puramente físico, em busca de uma gratificação imediata. Isso não é negar a gratificação imediata, mas vejam como são e experimentem a vossa experiência como algo mais. Permitam-se perceber que são físicos mas que também podem ser metafísicos, ser não só metafísicos, não andar somente pela metafísica - frase deveras estranha:

"Andas na metafísica?" (Riso)
"Não tinha noção disso."

Mas é aquela sensação e noção de vós próprios enquanto seres metafísicos:

“Que será que a parte metafísica de mim pensará disto?”
“Que será que a parte metafísica do meu ser vê quando lanço os olhos sobre isto?”
“Que será que a parte metafísica do meu ser pensa acerca deste êxito ou problema?”

Adicionar isso ao prazer do físico e à segurança do físico. Contribuir para isso, sem negarem um em favor do outro, mas expandindo-o. E depois irem tão longe a ponto de se tornarem num ser espiritual.

“Como será que o meu lado espiritual encarará esta realidade, este problema, este êxito, este relacionamento, esta amizade, esta comunicação, este livro que estou a ler, as ideias que me estão a passar pela cabeça?”

Portanto, ser material, metafísico e espiritual.

Só que não é assim tão simples. É tão simples quanto isso mas não tão fácil assim; precisam trabalhar a coisa e desenvolvê-la, espandir-se nela.

Não destroem nem criam. Ou expandem ou contraem.

E ao contrairem na fisicalidade que os caracteriza como puros animais humanos, à medida que contribuem para isso e se tornam metafísicos, e lhe adicionam a faceta espiritual, sugerimos que não restará espaço para o ego poder funcionar no seu modo destrutivo e dominante. Só restará espaço para que funcione dentro do quadro de conveniência enquanto mensageiro, como o olho através do qual veem, e reporta a informação que vocês então passarão a moldar e a contextualizar. Não resta outro espaço.

Agora, isso é igualmente território fértil para o ego:

"Eu sou um ser espiritual, sou melhor que os outros, não consigo lidar com os problemas normais da vida, o tráfego, os polícias e os bilhetes... Não perceberás que tenho coisas mais importantes, eu tenho uma missão, tenho um trabalho a fazer...?"

Encontram-se numa missão divina, sem dúvida, vós e os Blues Brothers, absolutamente. (Riso) E o provável é que seja igualmente importante, sem sombra de dúvida.

"Não sei como te atreves a dizer isso, a minha missão é realmente importante."

É aí que deixam de ser físicos e tentam ser espirituais ou metafísicos somente. Enfrentem-no, gente, vocês são físicos. Isso é um corpo dentro do qual se encontram, quer gostem disso ou não, está aí e diz-lhes respeito. E se conseguirem aceitar o facto de que são físicos e de seguida expandi-lo à materialidade e ao metafísico e ao espiritual, aí ficarão mais completos.

Agora, voltaremos a esse sétimo passo de novo, por fazer parte os passos do desenvolvimento do ego positivo. O que só faz sentido que tivesse lugar nesse mesmo sistema. Mas é assim que o libertam.
Mas a coisa aqui, gente, é que aqueles de vós que o fizeram descobriram que é bastante eficaz. Mas não o podem fazer apenas uma vez:

"Libertei o meu ego, lá por volta de Setembro de 81."

Ele retorna, não por que não o tenham feito bem mas por ser a forma como o vosso ego funciona. E como tal, libertam-no de novo, e de novo, e de novo…

"Mas isso envolve tanto trabalho..."

Não, não envolve, mas mesmo que envolvesse, e depois? Estamos a falar de porventura vinte minutos do vosso tempo. Mas se tivessem que libertar o ego uma vez por dia, o provável é que fossem capazes de o conseguir em cerca de quinze minutos. Estamos a falar numa hora e quarenta minutos por semana para libertarem o vosso ego negativo. Será tempo em demasia; não valerão mais do que isso? Aparentemente não pensam valer, e de certeza que o vosso ego não pensa que valham isso. Do ponto de vista do vosso ego são completamente descartáveis, não possuem nenhum valor e são encarados com um enorme desdém. Porquê? Por não fazerem sequer o vosso trabalho, e ele precisar fazê-lo por vós. E embora desfrute da posição de poder, ele não os respeita.

Exactamente da forma como se haveriam de sentir relativamente a alguém, com quem trabalhassem em conjunto, e ele se furtasse à sua responsabilidade, de modo que para conseguirem o trabalho acabado o fazem por ele. Poderão desfrutar do poder, mas despreza-lo-ão como fraco. E o vosso ego despreza-os a vocês, e tampouco compreende a vossa fraqueza mas ri-se dela e desrespeita-os. E no que toca ao vosso ego, vocês são completamente prescindíveis, e ele esgotá-los-á, por já os ter esgotado e o voltar a fazer num piscar de olhos, caso veja uma forma óbvia de o conseguir.
Vocês estão a viver além da conta, com o vosso ego. E para aqueles de vós que conhecem quem o tenha conseguido, sabem que sucede num instante.
Anos e anos a fio a construir essa estrutura de uma realidade e o ego é capaz de limpar isso num instante. E tem-no feito. Subitamente tudo desmorona. É o ego.

"Eu encontrava-me satisfeita, e tudo corria bem, e de repente..."

É assustador, é sim senhor, certamente. É como estar com o pé no patíbulo (forca) e saber que num instante o chão pode desaparecer debaixo dos pés e ficarem com o pescoço partido, figurativamente falando. A cada passo podem cair e estrangular-se. Isso é verdadeiramente assustador e esperamos que também o achem. Assim, podem libertar o ego e então cada passo será sólido ou pelo menos mais sólido. Mas caso não seja e cairem, pelo menos não irão partir o pescoço por não terem qualquer corda ao vosso redor.

Ora bem, é desse modo que o libertam. Mas, como é que conseguem romper com ele?

como rebentam com o vosso ego negativo?

Romper com o ego não representa um processo mas simplesmente uma coisa que fazem, é uma estrutura. Pensamos em sacar uma lista e dizer:

"Prestem atenção, as seguintes pessoas..."

Mas o provável é que não prestassem, caso o fizessemos, mas alguns de vós porventura ficariam mais prevenidos com respeito a prestar atenção quanto à forma de romper com o vosso ego e a fazê-lo já.

“O quê? Eu não…!”

É esse mesmo. (A rir)

1.    a primeira coisa no romper com o ego que difere da libertação, consta do facto de necessitarem compreender o grau extremo que as fantasias do ego negativo podem assomar

Qual será a extensão máxima que as fantasias do ego negativo podem assumir? Por outras palavras, qual será a fantasia negativa do ego negativo e onde é que ela os leva?

"Bom, que é que queres dizer com fantasia do ego negativo?"

Bom, isso mesmo. O ego negativo possui uma certa fantasia quanto à pior realidade possível. Mas nós sugerimos que isso seja aquilo para que, em última análise, o ego negativo se dirige.
Ele pode tomar um caminho tortuoso, mas é para aí que se dirige.

Portanto, se começarem a pensar no que represente a pior realidade e passarem a encará-la da perspectiva do ego, poderão descobrir que em última análise é disso que o ego anda atrás, o ego negativo.

"A fantasia que tenho é de vir a ser rico e famoso e de me tornar na pessoa mais importante do planeta, e conduzir a humanidade inteira para um sentido maior de carinho, de amor e de compreensão."

A propósito, muitos de vocês sustentam uma ideia dessas. Irão substituir todos os gurus e mestres anteriores e tornar-se no mestre ou guru definitivo, o que a propósito é realmente referido na Bíblia como o Anti-Cristo que precisa ser destruído, a derradeira forma de ego.

E uma vez que Cristo é a representação de tudo quanto é amoroso, então o Anti-Cristo é tudo quanto perfaz o ego. Assim, qual será a fantasia que têm? Qual será a versão do pior? Essa será a vossa fantasia. Mas a maneira de o descobrirem por vós próprios - razão porque dizemos para libertarem o que puderem relativamente ao ego e para dominarem aquilo que não é passível de ser libertado, deve-se ao facto de, na verdade precisarem olhar e descobrir sinceramente que fantasia negativa será essa. Para alguns de vocês significa terminar na morte e na destruição.
Vou traçar alguns exemplos:

Aqueles de vós que se atêm ao "melhor do que," por serem mais inteligentes, a fantasia particular que têm prender-se-á com algo do género: A possibilidade de enlouquecerem e de acabarem completamente degenerados, a viver com o vosso abre-latas e a vossa sopa Campbell, por serem génios incompreendidos, alguém que vive antes do seu tempo, e por a genialidade de que padecem se ter abeirado da insanidade e terem pulado no precipício. Não será triste?

É até aí que vão as fantasias da vossa inteligência, algures por essa área, não exactamente isso mas algures por entre esse domínio. Chegar a ascender ao topo e a ser reconhecidos pelo vosso génio e depois de algum jeito enlouquecem ou ficarem furiosos ou algo do género e tudo desmoronar ao vosso redor. E não será triste, um enorme melodrama, uma tragédia do pior tipo?

Aqueles de vós que se atêm ao "melhor do que," por possuirem dinheiro, a fantasia do ego negativo particular que terão será a de entrarem em falência. Ficarem sem dinheiro e sem quem lhes dê algum e precisarem viver na sarjeta e dormir debaixo de cartões, e vestir roupas estragadas e ver-se rodeados de ratos, etc. Essa será a fantasia que alimentam, isso será o que realmente desejarão do ponto de vista do vosso ego negativo.

"Não, não, não é. Eu desejei tornar-me mais rico e mais famoso."

Talvez antes de chegarem a isso, talvez esse fosse o vosso caminho tortuoso. Mas não há nada mais dramático do que a ascensão e a perda de uma grande riqueza, e essa é a vossa fantasia negativa.

Para aqueles de vós que detêm a fantasia de ser o maior amante que o mundo já viu (homem ou mulher) a vossa fantasia será de se tornarem numa Scarlet O'Hara e de acabarem sozinhas, e de perder o vosso Red Butler. Quer sejam homem ou mulher e o vosso Red Butler seja o vosso oposto masculino ou feminino, não importa, mas sim que se tornem num amante fantástico e venham a perder isso de qualquer jeito. Contrair cancro da próstata ou da vagina ou algo do género. Essa será a fantasia negativa que alimentam. Ou acabar sozinhos, incapazes de expressar esse enorme dom sexual, essa enorme maravilha que possuem.

Aqueles de vós que cultivam o "melhor do que," por serem mais espiritualizados, a fantasia que alimentarão será a de serem de algum jeito controlados pelas forças das trevas e destruídos.

“Não…!”

A antítese da vossa fantasia negativa.

Aqueles de vós que se atêm ao "melhor do que," por serem mais generosos e amorosos, a fantasia negativa que terão, ou antítese, será a de efectivamente serem maus e de serem um demónio de algum tipo de ordem satânica.

Agora, uma vez mais, façam o favor de não nos interpretar de uma forma literal nem pensar que isso seja tudo quanto pode ocultar, mas olhem na seguinte direcção:

"Qual será o tipo de "melhor que," que utilizo e aí qual será a antítese disso, qual será a fantasia oposta a essa?"

E de seguida perceber que é atrás disso que andam. É para aí que o vosso ego se dirige.

“Não!”

Sim! É por isso que é tão importante que o admitam.

Se examinarem os papéis onde tiverem escrito as formas de superioridade que adoptam, se pegarem numa delas e por um instante reflectirem:
“Aqui está a minha superioridade. Qual será a antítese deste "melhor que," que eu uso?”
E a seguir auscultarem a parte de vós que quererá ter isso ou que tenha fantasiado com respeito a isso… Ou que tenha deixado que o medo de ter isso se tornasse proeminente em vós…
“Como responderei frequentemente a tal receio?”
Se o estiverem a carregar como uma forma de medo que se sintam motivados a evitar, deverá evidentemente ser algo que queiram, ou não se lhes colocaria de modo a ser evitado. Não precisariam evitá-lo.

O primeiro passo no romper com o ego, em particular de um que não se liberte, porque se não o conseguirem libertar ele não será de libertar (o que quer dizer que não permitirão que se liberte) o que por sua vez quer dizer que quererão depender dele. Não porque os queira apanhar ou à vossa bondade, mas por os destruir. É por isso que querem depender dele. Assim, que aspecto terá essa destruição?

Relativamente àqueles de vós que usam um "melhor do que," por terem milhares de amigos, o contrário assentará em ficar completamente sós, acabar sem amigos nenhuns. Aqueles de vós que forem "melhores do que," por serem melhores mães, a fantasia do ego negativo que alimentam será a de que os vossos filhos as venham a detestar e quando crescerem não venham a falar mais covosco. E a de chegarem a ser uma mulher velha e sozinha, com filhos dotados por aí algures que jamais lhes telefonam nem vêm visitá-las.

Qual será o oposto? É disso que andam em busca. Mas quando conseguirem realmente compreender isso - podem sempre entender intelectualmente aquilo que estamos a dizer, "Okay, já percebi" - mas quando efectivamente conseguem deixar que isso penetre e conseguem senti-lo e perceber:

"Bom, agora que o mencionas, consigo recordar aqueles tempos quando eu distraidamente entrava em devaneio e tinha pensamentos desses. E consigo ter ideia de que certas vezes quase o desejo, e sinto um certo alívio quanto ao facto de isso ser uma verdade."

Então poderão começar a admitir isso bem no vosso íntimo e a perceber:

"Deus do céu, é disso que se trata, não é?"

Conhecemos alguém com quem trocamos algumas conversas, que teve uma fantasia de carácter negativo, uma fantasia de carácter fortemente negativo de falir e de perder o relacionamento amoroso que tinha e de acabar no suburbano de San Francisco. Mas sabem como é, uma garrafa de rum num saco de papel castanho e uma vida desprezível, verdadeiramente desprezível. E quando conseguia encarar isso, podia ver:

“Pois, já estou  a fazer isso.”

E tendia a andar um certo tempo em torno disso. Mas quando ia mais longe, aquilo que realmente percebia era:

“Caramba, o melhor é que altere a fantasia que alimento.”

Não, imbecil, rompe com o ego! (Riso)

“Caramba, esta é uma fantasia danada, estou a deixar-me dragar…”

A fantasia é uma fantasia do ego, e está estabelecida, e tu queres mudar o ego, romper com ele, etc. E após o acto consumado este indivíduo ainda se deixou embarcar um bocado na fantasia negativa:

“Caramba, deixa cá ver isto, olha como é bizarro e esquisito, hmm.”

Portanto o que sugerimos é que essas não são únicas relativamente a essa pessoa, mas algo que toda a gente faz em certa medida. Há um certo pendor respeitante à vossa fantasia negativa. Mas quando realmente a admitem, podem experimentar esse pendor, e sentir esse entusiasmo, por vezes mesmo uma excitação sexual que pode ser produzida pelo simples pensar em como seria deixar-se prender nessa fantasia particular.

Mas entendam, o que importa é perceber uma vez mais que o vosso ego não é vosso amigo, mas inimigo. Ele quer existir e destruí-los-á para poder existir. E é para essa destruição que se encaminha. Irá ser assim que o irão desempenhar.

“Eu não faria tal coisa.”

Tudo bem, talvez não, talvez não se deixassem levar por completo por ele, talvez pudessem viver o resto das vossas vidas com um ego negativo funcional e jamais chegasse a ocorrer uma destruição irrevogável. Mas será a vossa vida digna de ser vivida a não ser assim? Sugerimos que não, não quando pretendem fazer dela uma vida espiritual, não quando pretendem desenvolver-se. Claro que se apenas quiserem atravessar desta margem do lago até àquela conseguirão nadar por baixo de água. Se for assim que encaram a vossa vida:

“Conseguirei mergulhar aqui e emergir do outro lado?”

Sugerimos que podem, ainda não há quem tenha falhado a conclusão da sua vida. De modo que se torna numa coisa bastante estúpida tentar ver se o conseguem.

“Consegui-lo-ei por completo, até ao fim?”

Claro que conseguem.

“Bom, se não conseguisse matar-me-ia.” (Riso)

Pois bem, para aqueles que se acham presos nisso, tal coisa representa o fim.

“O fim da vida está na morte!” (Riso)

Vocês vão consegui-lo, isso é dado adquirido, por isso, por que não fazer mais alguma coisa da vossa vida? Mas é daí que a coisa vem. Mesmo que avancem até meio caminho dessa destrutividade negativa, ou percorram um quarto do percurso, o facto de irem ao seu encontro em qualquer medida que seja é o que conta.

Mas se conseguirem admitir isso - o que representa uma coisa difícil, por o vosso ego se encontrar hiperactivo por esta altura, no caso de muitos de vós:

“Não, não, esquece isso, não dês ouvidos a isso por não ser verdade, isso está completamente errado. Essa é a tua fantasia negativa mas tu jamais chegarás perto disso sequer, esquece lá isso. Não, o teu “melhor que” baseia-se nisto e naquilo, mas tu não te sentes assim em absoluto. Esquece isso, por estar errado; não lhe dês ouvidos.”

Mas se tiverem que dar atenção a isso, façam a vontade a vós próprios e prestem-lhe atenção e comecem a considerá-lo e pensem nem que seja por um dia, se não poderá ser verdade. Essa é a antítese do vosso “melhor que” de que andam em busca.

Subjacente ao funcionamento da vida encontra-se a Dialética, que se traduz pela tese, antítese e síntese. Isso traduz um processo natural, mas apesar do Karl Max ter falado acerca disso, não o torna uma ideia comunista. É um conceito básico e a forma em que a consciência humana funciona, a forma como a realidade funciona - tese, antítese e síntese.

Mas o vosso ego funciona com base na tese e na antítese. Vocês funcionam com base na tese, na antítese e na síntese, mas o vosso ego não. Por isso, se a tese que elaborarem for no sentido de serem melhores por causa disso, a antítese será para onde na realidade se dirigirão. Mas se conseguirem deter o ego poderão parar na síntese, uma nova posição, que por sua vez se torna numa nova tese, etc., etc. É a isso que a progressão em frente se assemelha.

Agora, é importante admitirem isso, gente, é muito importante olhar para isso e realmente admitir isso. O primeiro passo consta de definirem a fantasia negativa e defini-la com clareza. Não é só:

“Eu quero destruir-me e acabar doido. Eu quero destruir-me acabando na pobreza ou abandonado.”

Detalhem isso, assinalando de forma específica a assinatura que estampam nessa fantasia.
Assim, passa por defini-la.

2.   o segundo passo no romper com ego negativo passa por o sentirem e se assustarem com ele, assustarem de verdade

O segundo passo consta de se permitirem senti-lo e ficarem assustados, verdadeiramente assustados. Sentir realmente o medo que lhe é intrínseco.

Mas isso terá lugar porventura no estado meditativo. Penetrem nele e experimentem-se numa situação dessas, e vejam o quão infeliz e medonho isso realmente é. Não é olhar para o encanto, coisa que o ego percebe, mas o horror que perspectivam e que experimentam. E permitam-se sentir-se aterrados, verdadeiramente aterrados, de forma que sintam vontade de correr:

“Deus do céu, eu não quero passar por isto.”

Deixem-se assustar por isso.

E ao se aterrorizarem com isso, ao mesmo tempo que percebem ser para onde se dirigem, que isso é exactamente para onde se dirigem, deixem-se apavorar com isso e saibam que estão a encaminhar-se para aí. E vejam quem irão arrastar convosco e quem irão magoar e destruir nesse processo. Fiquem apavorados e tomem isso realmente a sério.

3. o terceiro passo passa por se responsabilizarem por ele

O terceiro passo consiste em se responsablizarem por ele. É assim que o fazem, vêem como o estão a fazer. Vejam como o vosso ego e vós próprios estão a funcionar de modo a produzirem essa destruição.

O dinheiro que gastam de uma forma insensata até chegarem à falência.
As decisões erradas que definem nos negócios de modo a destruirem o vosso negócio.
A natureza insensível que evidenciam de modo a perderem os amigos.
O egocentrismo que evidenciam para se livrarem das pessoas.
A mágoa que os leva a acabar sozinhos.

Confessem-no realmente pela consciência de o estarem a fazer. Não é coisa que lhes esteja a acontecer, mas algo que estão a fazer passo a passo, por estarem lentamente a voltar-se para isso, por certo. Mas admitam isso de verdade. Assim que o admitirem, não é que acabem em lágrimas ou que se sentem a tremer nem nada disso. Mas resultará uma sensação interior que possivelmente não conseguiremos descrever melhor que isso, por ser do tipo:

"Deus do céu, é verdade!"

Poderá ser tão simples quanto isso, ou ainda mais, mas quando o admitirem, senti-lo-ão, saberão disso.

"Já o terei admitido?"

Se o questionarem é porque ainda não. Quando o tiverem admitido, não o questionarão, mas saberão:

" Ai, se não o admiti!”

4.  o quarto passo e final no romper com o ego passa por tomarem a decisão, a escolha, e a seguir estourarem visualmente a realidade negativa - não o ego

Não vejam o ego como um catraio pequeno e amarrotado que vão rebentar, mas a realidade para a qual o ego maliciosamente se dirige, a que estão a fazer a corte, e com o que se dirigem para aí, a fim de romperem com ele.

Tomar a decisão: "Não vou fazer isso," e a seguir ver essa realidade em termos visuais e vê-la feita em pedaços. Mas sintam o impacto de o terem deixado em pedaços.
E se agirem dessa forma particular, então terão rompido com o ego de uma forma bem-sucedida.

5-7.  os passos seguintes do romper com o ego são os mesmos que os da libertação do ego

O que vai suceder aí, o seguimento disso, tornar-se na mesma coisa que o procedimento usado na libertação, onde decidiam como quererão ser. Em que nutrem o consciente em vez do ego, em que nesse sentido serão mais do que apenas um ser físico, procurarão ser mais do que isso.

E essa é a forma como poderão trabalhar com ele e ele trabalha a vosso favor caso deixem que o faça. Quererá isso dizer que desaparecerá para sempre? Não, poderão descobrir na semana seguinte que a fantasia está de novo a correr. Aí desfaçam-na de novo.

Poderão descobrir passado três semanas ou um mês, que se insinua de novo. Rompam de novo com ele! Irá suceder rapidamente dessas vezes, quando a fantasia começar a insinuar-se, rebentem de novo com ela. Se o fizerem, isso será tudo quanto será exigido. Não é difícil, gente, nem leva meses, nem muito ranger de dentes, nem deitar-se na maca nem ser torturado, etc. Não é uma prova de fogo mas uma decisão.

Ah, se fosse como uma provação seria muito mais fácil, não? Sofrer durante uns dias e ficar com uma marca na testa:

"Rebentei com o meu ego."

Então todas as pessoas boas teriam uma marca dessas. Mas não, é por opção; é por decisão e por opção. Mas essa é a maneira de o conseguirem. E se o fizerem funcionará, caso o façam de forma honesta. Se executarem os passos, então terão completado uma dança. Mas se o fizerem com sinceridade, terão rompido com ele.

o ego positivo

Então poderão começar a entrosar um ego realmente positivo. Não só um ego positivo, mas ter um ego positivo funcional uma vez mais. Por o ego negativo ter sido quebrado e consequentemente ter voltado ao tamanho normal, e transmitido as mensagens conforme deveria estar o tempo todo a fazer.

Essa é basicamente a qualidade do ego positivo; vocês não o vêem, ele apenas funciona. Tal como vocês não vêem a logística, ela simplesmente sucede. Ou pelo menos é suposto funcionar e se a tiverem que ver algo irá mal… É então que o ego positivo surge e vocês começam a reconhecer que possuem um ego positivo, e que contam com que entregue as mensagens, os relatórios do que esteja a suceder na realidade. Relatórios que irão moldar e contextualizar.

como é que desenvolvem esse ego positivo?

Por conseguinte, que é que fazem para desenvolver o ego positivo?

1.  a primeira coisa que fazem é pensar

A primeira coisa que fazem é pensar, delinear mesmo um plano.

"Vou pensar todos os dias, vou tirar um tempo para pensar."

Sugerimos que comecem devagar, quinze ou vinte minutos, até conseguirem uma hora. E dizemo-lo de forma literal, não estamos a brincar, tirar um tempo para pensar. Ao final de cada dia parar e tentar descobrir, “Que foi aquilo em que pensei hoje?” Não apenas pensar "A que horas será o autocarro," ou "a que horas terão ficado de me apanhar?"

Isso é acompanhar os factos. Referimo-nos a pensar em termos de usarem o cérebro e pensarem em algo em que não tenham pensado antes. Ou pensar em alguma coisa e acabar com algo que não tenham percebido antes, com respeito a isso.

Mas se quiserem estimular esse pensar com a leitura, então leiam. Não precisa ser textos difíceis nem nada disso, o essêncial da física quântica etc. Basta que seja algo em que estejam interessados. Boas novelas de espionagem forçam-nos a pensar. A ficção científica força-os a pensar se a lerem com a ideia de que seja o que vão fazer com isso.

Mas ponham-se de parte. Começem por um período de quinze minutos a meia hora, em que intencionalmente venham a pensar em algo de abstracto, numa tentativa de encontrarem uma forma qualquer de inclusão de que não tenham tido consciência antes.

"Deixa-me pensar no facto de que aquilo que é criado destrói o seu criador. Deixa-me cá pensar nisso. Ou talvez numa outra frase que tenha visto na leitura, ao me ter cruzado com uma frase que não entendo ou uma palavra cujo sentido desconheço. Deixa-me cá pensar nisso. Ou um conceito que tenha aceitado mas a que jamais tenha dado muita atenção, apenas tenha aceitado."

Até mesmo aceitar a ideia de criarem a vossa própria realidade. Que será que isso significará? Que ramificações terá isso? E fazer isso de verdade, e proceder a uma lista que ao final do dia possam consultar.

"Hoje terei pensado? Se tiver pensado ou não marcá-lo-ei e ainda disporei de tempo.”

Para assim pensarem no mesmo dia.

Mas anotar mesmo aquilo em que pensam com respeito a isso. Não no sentido egocêntrico:

"Caramba, espera até que vejam isto, como irão ficar impressionados."

Não, provavelmente não irão ficar.

2.  uma segunda coisa a fazer consta de procurarem a alegria

Outra coisa a fazer com toda a clareza é buscar a alegria. Dissemos diversas vezes em vários dos últimos seminários e referi-mo-lo de uma forma bastante específica. Para uma vez mais averiguarem na vossa lista:

"Qual terá sido a alegria que tive hoje?"

Por todos os dias haver alegria. Talvez não a cada "passo" mas há alegria todos os dias. Por vezes precisarão procurar por debaixo do alqueire para o descobrirem, mas estará lá. Descubram-no a cada dia. Mas mesmo acordar pela manhã com a decisão de descobrirem uma maior alegria do que no dia anterior, de o procurarem qual Ovo da Páscoa a descobrir.

3.  a terceira coisa passa pela procura do amor

Uma terceira coisa - busquem o amor. Não aquele xarope tipo coisa abstracta, mas busquem o amor.
Tampouco o referimos em termos físicos, com quem não tenham feito amor hoje, mas busquem o carinho, conforme talvez seja o melhor termo. Na vossa lista vejam o que terão visto hoje que tenha sido carinhoso?

4.  uma quarta maneira passa pela procura da facilidade

Em quarto lugar, sugerimos que busquem a facilidade, o alívio, o conforto. Não a simplicidade mas a facilidade.

"Quão tranquilamente o terei conseguido hoje? Que terei podido fazer de forma mais suave? Que terei podido fazer com menos aborrecimento, menos ansiedade?”

E talvez mesmo pensarem nisso e apanhar dois coelhos com um cajado. (Riso) Mas busquem isso.

5.  em quinto lugar procurem o riso

E em quinto lugar, busquem o riso. Busquem o riso por vocês serem a coisa mais tola que terão conseguido na vossa realidade, absolutamente. (Riso) Busquem o riso. Estão para ali sentados assustados e de repente apercebem-se do ridículo da situação.

"Estou para aqui a criar uma realidade de que estou completamente no comando e estou todo apavorado com isso. Quão tolos podemos chegar a ser! É quase como projectar sombras na parede e deixar que elas nos assustem. Isso é completamente tolo!”

Estamos plenamente de acordo!

"Olha para mim. Estou para aqui a criar a minha realidade e a interrogar-me sobre o que irá suceder. É como apostar na repetição." (Riso)

E percebem o quanto isso é uma tolice.

“Estou para aqui a contar a esta pessoa como a minha vida ficou feita em frangalhos por algo que sucedeu no passado que nem sequer existia, e espero que a pessoa acredite nisso. Isso é muito tolo. Estou para aqui a agarrar-me a esta e àquela desculpa e a perceber a tolice que isso representa."

E busquem o riso, não só motivado pela idiotice do que vocês desempenham, mas pela idiotice do que se passa com as pessoas.

Por vezes poderão sentir:

"Ai, não devia rir disto, mas é engraçado como um raio.”

Mas o ego não o acolhe desse jeito, sabem. Muitas vezes quando ouvem falar dos problemas dos outros sentem-se tentados a rir deles e a dizer:

"Isso é mesmo estranho. Como é que fizeste isso?”

“Era o que eu estava a tentar perguntar-te…” (Riso)

Somos tentados a dizer:

“Não tenho a menor ideia de como resolver o teu problema.”

Não o fazemos, mas seja como for... (Riso)

“Se fossemos a ti não teríamos feito isso… Da próxima pensa melhor. Não o voltes a fazer.” (Riso)

Busquem a alegria, por se encontrar ao vosso redor o tempo todo. Não que devam simplesmente passar pela vida a rir, por ela ter momentos graves, de seriedade. Mas por entre esses, acha-se recheada de riso. E vocês têm isso na lista.

"Já terei rido hoje? Terei feito algo que me leve a rir, ou já terei rido hoje?"

Ponham isso na lista, o que inicialmente parecerá horrivelmente mecânico e idiota, mas que para muitos de vós será a forma de agir.

6.  a sexta coisa a fazer: avaliar o vosso ponto de vista. a partir de que ponto de vista estão a encarar, assim como, para onde estão a olhar?

Em sexto lugar, em termos do desenvolvimento de um ego positivo, examinem o vosso ponto de vista. De que ponto de vista estarão a analisar a coisa. Para o que é que estarão a olhar. A razão por que apontamos isso deve-se a que:

Se se perceberem enquanto essa bolha de consciência dento da qual vocês enquanto ser consciente, enquanto alma, enquanto espírito, se encontram. Há muitas janelas porque olhar.

Poderão olhar por uma janela da vítima.
Poderão olhar pela janela da alegria.
Poderão olhar pela janela do "Todos me estão a procurar apanhar."
Poderão olhar pela janela do "Toda a mulher é minha mãe," ou "Todo homem é meu pai."
Há muitas janelas por que poderão olhar.
Mas existem basicamente três grupos de janelas:

Os três grupos de janelas por que olham:

1.    O primeiro grupo de janelas é o ego.
2.    O segundo grupo poderá ser chamado de subconsciente.
3.    Ao terceiro grupo chamaremos consciência superior

Um dos grupos de janelas é o ego. Outro poderá ser chamado de subconsciente. Uma terceira categoria a que chamaremos de de consciência superior, por ser para aí que a mente inconsciente se encaminha directamente. Há essas três classes cada uma delas dotadas de muitas janelas.

Quando olham pela janela do ego, não estão a olhar para a frente na vossa vida.

Quando olham pela janela do ego não estão a ver adiante, na vossa vida.
Ah, podem falar de um futuro qualquer: "Um dia destes vou..." Mas não estão a olhar para a frente, estão a olhar para trás, na vossa vida. Por aquele futuro de que falam estar baseado no passado, estar por completo baseado no passado.

Assim, não estão a olhar de frente deste “veículo” particular, desta “cápsula” particular, desta “nave espacial” que vocês são. Estão a olhar para a cauda, sem dúvida nenhuma. E aquilo que estão a ver, são muitas promessas de futuro, mas futuro nenhum. O que em vez disso estão a ver é a estagnação do passado, e estão presos na sua teia. Quando, contudo, olham pela janela do subconsciente, em termos de entenderem e de analisarem e de psicologicamente lidarem com o subconsciente, estão a olhar muito mesmo para uma perspectiva metafísica da realidade, a ver as coisas pelo que elas traduzem em termos metafísicos. Mas as janelas mais vantajosas por que olhar são aquelas que se voltam para a frente, as janelas para o Eu Superior, as janelas que dão para além da fisicalidade. Não o excluam, mas vão além.

Mas por se encontrarem nesta cápsula particular que voa pelo espaço, e por não quererem olhar o vazio descem cortinas e telas e criam a ilusão da realidade aí. Mas podem olhar fora dessas janelas do ego se quiserem e fingir que têm um futuro quando não têm, e ficar bloqueados, sem nunca chegarem a lado nenhum para além de uma condição destrutiva em que ventualmente se destroem somente para voltarem e repetirem tudo de novo.

Mas podem, conforme sugerimos, voltar-se por completo e olhar pela janela que dá para a consciência superior, examinar tudo quanto podem ser. Permitam-se ter esperança, permitam-se ter amor, permitam-se ter um sentido de ser mais do que mortal, mais do que um mero ser físico, o mero animal que anda na posição erecta.

Deixem-se apreciar a qualidade de mais, permitam-se voltar-se para isso. Isso abre e preenche o vazio e dá para com o ego positivo. O ego positivo que então poderá funcionar de forma harmoniosa e remeter rapidamente as mensagens da informação de que precisam e com que de seguida formem e contextualizem a vossa vida.

E embora isso soe um tanto abstracto, mesmo assim, se começarem a implementá-lo, se começarem a olhar por essas janelas, se começarem a levar o dia de forma activa e em vez de o encararem apenas como “o vosso dia,” encarem-no pelas janelas do que engloba essa realidade, do que engloba a espiritualidade disso, do que é a compreensão espiritual, onde se situa a consciência superior em tudo isso. E se o fizerem, não deixam espaço para que o ego negativo volte a acumular-se. Ele irá revelar-se, mas facilmente será afastado do caminho.

7.   a sétima coisa a fazer é amar

Mas o passo final do desenvolvimento desse ego negativo na realidade consiste num velho sistema provado e verdadeiro, que é amar. Por o amor ser muito mais poderoso, entendem.

O vosso ego é num certo sentido burro mas é mais esperto do que vós e consegue iludi-los a qualquer dia da semana. Mas o amor é muito mais poderoso do que qualquer um dos dois. Mas através do amor por vós e pelos outros (e esse "e os outros" é importante). Vocês podem amar as pessoas sem irem para a cama com elas.

Mas seja como for vocês podem amar e nós sugerimos que o amor, sem que tenham que mexer um dedo, é muito mais potente do que o vosso ego alguma vez o será, ou seria, e muito mais capaz de o fazer evaporar-se. Assim, se libertarem ou romperem e depois desenvolverem um ego positivo, o derradeiro factor chave, o ponto de partida, a base, número sete, consiste deveras em amar e realmente em ver o mundo por esses olhos. Não através do doce e xaroposo "calca-me por eu te amar," por isso ser a coisa mais destituída de amor que possivelmente poderão fazer. A "doçura e leveza" espiritual é mesmo isso, e comporta um imenso ego.

E assim, chegar realmente a amar de uma forma sincera e chegar realmente a olhar através dessas janelas, a olhar nessa direcção, que é na direcção do espiritual ou do eu superior.

Mas vocês veem, é tempo para essa gente. Por a evolução natural da consciência ser uma coisa muito lenta, e assim, que será a Nova Era e que será a Nova Consciência? Aquilo a que de facto se reduzem é ao facto dessa interjeição consciente desse processo evolucionário constar do seguinte: Em vez de ficarem à espera e ver onde o curso natural das coisas leva - a Nova Era e a consciência Nova Era - o que é, é a infusão nesse processo natural com a decisão consciente:

"Apressemo-nos, punhámo-nos a caminho, vamos conduzir este barco para onde nos estamos a dirigir em vez de ficarmos à espera de ver onde nos conduz."

Por conseguinte, passa por acelerá-lo, mas não podem fazê-lo sozinhos.

E precisam romper com esse ego, que tem vontade de o fazer por vós, e deitá-lo pela sanita abaixo. Portanto. libertá-lo e quebrá-lo e de seguida desenvolver alguma coisa na vez dele, um ego positivo, uma perspectiva positiva.

o ego negativo revela-se mais potente no jovem adulto (Idade 18 – 23)

Agora a altura mais poderosa para o ego negativo é durante o que chamamos de jovem adulto.

No passado falamos da criança e do adolescente de treze anos. No último seminário falamos acerca do jovem adulto, que é um adolescente aí de uns dezoito ou vinte e um anos. E é por essa altura que de repente percebem "Eu sou um adulto." Quer seja quando se formam na faculdade ou quando completam a escola secundária ou conseguem o vosso "primeiro emprego a sério," ou quando se casam ou têm o vosso primeiro filho, enfim...

Nessa altura trata-se de um estado de adolescente mas que contém todas as marcas da idade adulta e que é chamado de jovem adulto.

E quando vocês pensam no jovem adulto que foram, sem auxílio meditativo, mas só de pensar nisso, veem que era um tempo em que conheciam as respostas todas. Um tempo em que compreendiam tudo sobre a vida, em que conheciam tudo ou sabiam que chegariam a conhecê-lo muito rapidamente. Um tempo em que não havia medo por serem de tal modo inundados pelo medo que não conseguiriam ver o que era e o que deixava de ser. Era um tempo, conforme dizemos, em que atingiam a adolescência e isso era acompanhado de um pânico:

"Ai meu Deus, eu vou crescer."

Uma altura em que de repente estavam crescidos:

"Ai meu Deus, aconteceu mesmo!"

Mas aqui estavam, na iminência da vossa realidade, supostamente equipados de todo o conhecimento e de toda a compreensão de que alguma vez virão a precisar para enfrentar essa realidade e de súbito percebiam que não sabiam nada; de modo que fingiam. E fingiam com o quê? Com o ego!

Sugerimos que a época da vossa vida em que o ego negativo é mais potente, é na época desse jovem adulto. Por ser uma altura em que menos capazes estão de funcionar sozinhos, menos capazes são de pensar, de ser responsáveis, de crescer, de examinar a complexidade da vida, de amar, de ter consciência de que criam a vossa realidade. Uma altura em que dispõem da menor dessas qualidades particulares e a altura em que mais temor têm da solidão. Podem até envolver-se numa relação por o temor da solidão ser mais proeminente.

Mas é por ser a altura em que o ego - embora tenha estado presente no caso de muitos ao longo da adolescência decerto, e através da infância, sem sombra de dúvida, por não existir nada mais arrogante do que um catraio de dezaseis anos (ou um de vinte e um) - quando mais próximo estão de ser puro ego, no que é chamado de jovem adulto.

Alguns nunca chegam a transpor isso e trinta anos mais tarde ainda pensam que têm vinte e um ou vinte e dois. Por isso, o vosso ego é robusto por ser por essa altura que atinge o seu estado mais puro.

Portanto, a cronologia não o altera, não na infância nem na adolescência.

se estiverem presos na condição do jovem adulto que foram, então serão senhores de um ego proeminente que precisa ser rebentado

Um aspecto aqui que também é envolvido, no geral, não faz parte do soltar nem necessariamente parte do prender, mas faz parte do quadro geral, que é perceber que se estiverem presos na condição do jovem adulto, e desejarem uma vez mais ter vinte e um ou vinte e dois, e fantasiarem que o tenham sido, e pensarem que o sejam, então sugerimos que possuem um ego proeminente que provavelmente necessita ser aprisinado a sério.

Se quiserem saber o que o vosso ego diz, o que o vosso ego quer, conversem com essa parte de vós, o jovem adulto.

"Como é que consigo isso?"

Fazem uma meditação e em vez de recuarem aos vossos treze anos da vossa velha adolescência, recuam até aos vinte e um, ou dezanove, ou vinte e dois do jovem adulto. Recuem de volta à época em que eram caloiros no mundo e em que sabiam que todos quantos tivessem mais que trinta eram obviamente velhos ou fora de moda, etc. Também era a época em que presumiam que quando atingissem os trinta e cinco, teriam tudo no mundo justamente onde pertence.

Mas agora que estão com trinta e cinco interrogam-se:

"Sinto-me exactamente tão apavorado, inseguro e incerto como então."

Bom, isso muitas vezes deve-se a ainda se situarem nesse "então.” A cronologia mudou, mas vocês não.

Mas vocês podem observar isso como se estivessem a interrogar-se:

"Caramba, que dirá o meu ego negativo, quais serão os meus pontos de superioridade, onde será que estou preso nisto."

Vão até aí e escutem essa parte da vossa natureza. Mas nós sugerimos que a soltem, abram mão dela, não a tentem conrrigir a menos que realmente queira ser corrigida, a menos que queira ser auxiliada, a menos que queira ser alterada. Esqueçam-na, separem-na de vós e deixem que se desprenda e que crie o seu próprio futuro e os deixe ser a parte que se cindiu e que sejam a parte que fique sem ela.

Mas se observarem isso e começarem a trabalhar isso e a consederá-lo com seriedade, o ego constitui uma preocupação séria, uma as duas maiores, a autocomiseração e o ego, mas na verdade a autocomiseração constitui uma forma de ego, pelo que o reduzimos a um, ao ego.

Quando estão imersos na dúvida, é o vosso ego quem o está.
Quando não estão em dúvida, é o ego. (Riso)

a vossa lista diária de verificação

Soltem-no, esmaguem-no, e comecem a desenvolver um ego positivo. Mesmo que procedam a uma lista destas coisas interroguem-se todos santos dias:

I.             Hoje terei pensado?
II.            Hoje terei sentido alegria?
III.          Hoje terei sentido amor?
IV.           Hoje terei buscado a tranquilidade?
V.            Hoje terei buscado o riso?
VI.           Hoje terei olhado pelas janelas da minha consciência superior?
VII.         Hoje terei buscado o amor por mim e pelos outros?

Se precisarem listar isso desse modo durante um período, então façam-no. Se não quiserem dizer a todoo o mundo, não digam; façam isso tão só e reparem na diferença. E tomem consciência do jovem adulto, tal como têm consciência da condição da criança e do adolescente, examinem a do jovem adulto. Adicionem isso ao vosso reportório dos recursos potenciais de aflição a controlar, a assumir o comando.

Podem chegar a ficar por cima e sabem que há quem funcione assim, sem um ego negativo, sem que ele interfira de todo. Aqueles que o conseguem, ergam as mãos... (Riso) Nem se atrevam…!

Ser capaz de rir do vosso ego negativo, é claramente importante. Considerem isso com seriedade até perceberem a estupidez que envolve, e soltem-no, rompam com ele e criem algo no seu lugar.
Então, não precisará retornar tão forte - mas retornará.
Então não terão que o erguer de forma tão forte - mas ele regressará.

Transcrição e tradução: Amadeu António  

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