quinta-feira, 8 de setembro de 2016

MITO OU REALIDADE - SONHOS


CRUCIFICAÇÃO

Eu mencionei a Crucificação certa vez ao afirmar que tinha sido um facto e uma realidade, embora não tenha tido lugar no vosso tempo. Ocorreu onde o tempo não é conforme o conhecem... no mesmo tipo de tempo em que o sonho tem lugar. A sua realidade foi sentida por gerações e fez-se reagir. Não sendo uma realidade física, influenciou o mundo da matéria de uma forma que nenhuma realidade puramente física alguma vez poderia.

A crucificação foi uma daquelas realidades gigantescas que transformaram a e enriqueceram tanto o universo dos sonhos como o universo da matéria, e teve origem no mundo dos sonhos. Constituiu uma das contribuições principais que esse campo deu ao vosso e em termos físicos poderia ser comparado ao emergir de um novo planeta no universo físico...

A ascensão de Cristo... constitui igualmente uma contribuição do mundo dos sonhos ao vosso universo, em representação do conhecimento inerente ao sistema dos sonhos de que o homem era independente da matéria física...

Muitos conceitos, avanços e invenções praticas aguardam simplesmente no mundo dos sonhos até que alguém os aceite enquanto possibilidades na sua estrutura da realidade. A imaginação desperta a ligação que o homem tem com o mundo dos sonhos. A imaginação muitas vezes reitera dados (informação) oníricos e aplica-os a circunstâncias particulares ou problemas dentro do sistema físico. Os seus efeitos podem surgir na matéria, mas em si mesma não é física. Muitas vezes o mundo onírico possui conceitos que um dia virão a transformar por completo a história do vosso campo, mas a negação de tais conceitos enquanto realidades ou possibilidades no quadro da realidade, retém-nos e adia avanços que são imensamente necessários.

Tais desenvolvimentos significariam a libertação de uma energia adicional no vosso campo. Ideias e conceitos constituem realidades não físicas que atraem energia desordenada, a dirige e a concentra. O mundo dos sonhos existe mais perto nesse presente espaçoso de que o eu interno tanta consciência tem. Não se acha envolto pela camuflagem...

Poder-se-á, pois, dizer que, em muitos aspectos o universo dos sonhos depende de vós para lhe darem expressão, do mesmo modo que vocês dependem igualmente dele para encontrar expressão....

O impacto que qualquer sonho causa comporta repercussões físicas, químicas, electromagnéticas, psicológicas e psíquicas que são reais e contínuas. O tipo ou tipos de sonhos experimentados por um dado indivíduo são determinados por diferentes factores. Refiro-ma aqui à experiência do sonho enquanto ocorre e não às sobras que o ego permite que sejam recordadas.

Assim como um indivíduo cria a sua imagem física e ambiente de acordo com as capacidades e defeitos que tem, e em linha com as expectativas e necessidades internas, assim também cria os seus sonhos; e eles interagem com o ambiente exterior.

Contudo, com o ego em repouso durante o sono,, muitas vezes o indivíduo habilita comunicações e traçados oníricos por intermédio ou para além da barreiro do ego. Por exemplo, caso as suas presentes expectativas se revelarem falhas, quando o ego repousar, ele poderá criar um tempo em que as expectativas possam ser elevadas. O sonho resultante romperá parcialmente o círculo de pobres expectativas mais as suas construções inferiores e iniciará tal indivíduo ao longo de um caminho construtivo. Por outras palavras, um sonho pode começar a transformar o ambiente físico pelo alçar da expectativa íntima.

(Seth - Sessão 115)


SOBRE O MUNDO DOS SONHOS

Como na verdade não existe princípio nem fim para o sonho, também não existe começo nem fim para nenhuma realidade. Assim, um sonho não tem começo nem fim; apenas a percepção que têm do sonho tem início e fim. Chegam a ter consciência de um sonho, e abandonam-no, mas nos termos do vosso tempo, os sonhos que parecem sonhar pela noite há muito que se acham em existência. Parecem ter início nessa noite por terem consciência deles nessa noite.

Vós criais os vossos próprios sonhos, Contudo, não os criam durante um ponto específico no tempo. Os começos dos sonhos remontam a vidas “passadas” de que não têm consciência e mesmo além disso: as origens fazem parte de uma herança que existia antes que o vosso planeta existisse.

Por toda a consciência ter existido em simultâneo e em essência, mesmo antes do que poderão chamar de começos do vosso mundo. E aquilo que têm a ser existiu então e ainda disso existe agora – e não como uma possibilidade não realizada mas uma realidade.

Aquilo que vierem a ser, são agora, não em alguma forma nebulosa ou meia-verdade mas no sentido mais real. Vocês simplesmente não têm noção desses eus ao nível consciente assim como também não têm consciência das vidas “passadas.” Mas cada um de vós cria u mundo de sonho dotado de validade, realidade, durabilidade, e determinação, do mesmo modo que a Entidade projecta a realidade das suas diversas personalidades.

Como geralmente não existe contacto entre a Entidade e o ego consciente habitual, geralmente não se dá contacto ao nível consciente entre o eu que sonha e o mundo de sonho que tem a sua própria existência independente.

mas do mesmo modo que o mundo do sonho não tem começo ou fim, tão pouco tem o universo físico com que se acham familiarizados. Nenhuma energia pode ser retirada, e isso inclui a energia empregue na construção subconsciente contínua do mundo do sonho. Vocês criam-no continuamente – sempre o criaram. Ele é um produto da vossa própria existência, e ainda assim não podem nem chamá-lo à existência nem destruí-lo.

(Excerto da sessão 95)

SOBRE A NATUREZA DO MUNDO DOS SONHOS E OS SONHOS DOS ANIMAIS

O mundo do sonho é, pois, um produto natural do relacionamento que têm entre o vosso eu interior e o vosso ser físico – não um reflexo, mas um produto – que envolve não só uma reacção química como também a transformação da energia de um estado para o outro. Em alguns aspectos, todos os planos ou campos de existência são subprodutos de outros. Por exemplo, sem o desencadeamento peculiar da centelha feito por meio da interrelação existente entre o eu interno e o ser físico, o mundo do sonho não existiria. Mas inversamente, o mundo do sonho constitui uma necessidade para a contínua sobrevivência do indivíduo físico.

Este aspecto é extremamente importante. Conforme é do vosso conhecimento, os animais sonham. Aquilo que não sabem é que toda a consciência sonha. Os átomos e as moléculas possuem consciência, e essa consciência diminuta forma os seus próprios sonhos tal como, por outro lado, forma a sua própria imagem. Assim como no mundo material os átomos se combinam em benefício próprio em estruturas muito mais complicadas, também se combinam a fim de formar gestalts dessas no mundo do sonho.

Eu afirmei que o mundo do sonho possui o seu próprio tipo de forma e de permanência. É orientado para o físico, embora não no grau inerente ao vosso universo comum. Do mesmo jeito que a imagem física é edificada, também é a imagem de sonho. Podem consultar a conversa anterior que tivemos sobre a natureza da matéria para que os ajude a compreender, mas o mundo do sonho não é uma semi-construção fortuita destituída de forma. Não existe em termos de volume mas existe em termos de forma. A verdadeira complexidade e importância do mundo do sonho enquanto campo de existência independente ainda não foi impresso por completo em vós. Contudo, conquanto o vosso mundo e o mundo do sonho sejam basicamente independentes, eles exercem pressões e influências um sobre o outro.

O mundo do sonho constitui, pois, um produto da vossa própria existência (do vosso ponto de vista). Acha-se ligado a vós através ed reacções químicas, o que deixa aberta a entrada das interacções. Desde que os sonhos são um produto de qualquer consciência envolvida na matéria, então as árvores têm os seus sonhos. Toda a matéria psíquica, ao ser formada em torno de unidades individualizadas de consciência em grau variado, também participa na construção involuntária do mundo do sonho.

(Extracto da sessão 97)

A REALIDADE ELÉCTRICA DOS SONHOS E DOS LOCAIS DOS SONHOS

Já vimos que toda a experiência é retida em dados codificados electricamente no interior das células e que o material das células se forma em torno dessa experiência codificada. Já vimos que o ego tem início, ao ser despertado para a existência pelo eu interno, de uma forma fortemente influenciada pela hereditariedade e pelo ambiente físico; e que esse ego, enquanto continua a existir, desenvolve uma realidade eléctrica própria e que forma as suas experiências... na informação codificada no interior das células.

Em qualquer altura, o ego acha-se completo na realidade eléctrica, ao ser psicologicamente completo no universo físico. Isso inclui a retenção dos seus sonhos assim como a retenção dos dados de informação puramente físicos...

Os sistema eléctrico é composto por electricidade muito diferente da ideia que têm da electricidade. A electricidade, conforme a percebem, constitui apenas um eco da emanação ou uma espécie de sombra dessas variedades infinitas de pulsação que emprestam realidade a muitos fenómenos com que se acham familiarizados, mas que não surgem como objectos tangíveis no campo material...

Esse sistema elétrico é amplamente denso, mas de uma densidade que não ocupa espaço, uma densidade causada por uma infinidade de campos eléctricos de várias gamas de intensidade. Não só não existem dois desses campos que sejam idênticos como não contêm dois impulsos que sejam idênticos.

As gradações da intensidade são de tal modo diminutas que se tornaria impossível medi-las, mas ainda assim cada um desses campos contém sob a forma de código e realidade viva e real de intermináveis eternidades; contém o que designariam como o passado, o presente e o futuro de incontáveis universos; contém a informação codificada de qualquer e de toda a consciência que tenha existido ou que exista, em qualquer universo; aquelas que tenham surgido para se desvanecer, e aqueles que, aparentemente, ainda não existem...

Essa densidade é extremamente importante, por constituir uma densidade de intensidades. E é a infinita variedade de gradações de intensidade que torna todas as identidades possíveis e todas as gestalts, todas as identidades em termos de personalidade e campos e universos. É essa densidade, dotada dessa infinita variedade de intensidade, que permite tanto a identidade como a mudança...

A electricidade que é perceptível no vosso sistema constitui mera projecção de um vasto sistema eléctrico que vocês não conseguem perceber. Até agora, os cientistas têm sido capazes de estudar a electricidade apenas pela observação das projecções dela que são perceptíveis nos seus termos de referência. À medida que os seus instrumentos físicos se tornarem mais sofisticados, serão capazes de vislumbrar mais dessa realidade; mas dado que não são capazes de o explicar no próprio sistema de referências conhecido, muitas explicações curiosas e distorcidas de relatos de fenómenos serão dadas.

Ainda assim o eu interno oferece tantas pistas... Ele opera fora das referências físicas. Por si só é livre dos efeitos distorcidos peculiares do sistema físico. Um estudo dos sonhos, por exemplo, tornaria muitos desses aspectos claros, no entanto muitos cientistas consideram tal trabalho como abaixo da sua condição.

Por que não terá ninguém suspeitado que os locais dos sonhos possuem não só uma realidade psicológica como uma realidade definida? O estudo dos locais dos sonhos é muito importante. Os locais dos sonhos são compostos por massa elétrica, densidade e intensidade. Eis um outro aspecto: Trabalho definido pode ser feito num sonho, mas os braços e as pernas físicos não se cansam. Isso pareceria contrário às vossas leis físicas, mas ninguém inspeccionou isso...

Torna-se imensamente difícil insinuar sequer a miríade de complexidade e a dimensão da realidade eléctrica conforme ela existe. Quando consideram que cada um dos vossos próprios pensamentos é composto de uma intensidade única de impulso, que não é partilhada por nenhuma outra coisa; que o mesmo pode ser dito em relação a qualquer sonho que possam ter na vossa vida; e que toda a vossa experiência é reunida em gamas peculiares de intensidade; uma vez mais completamente únicas; e que a soma de tudo quanto vocês são tem existência numa gama diminuta ou banda de intensidades, então verão o quão difícil isso é de explicar.

Isso aplica-se não só ao vosso campo físico como a todos os outros. O vosso campo acha-se contido na sua própria gama de intensidades, uma banda minúscula de impulsos eléctricos um milhão de vezes mais pequena do que uma nota tirada ao acaso da inteira massa de composições musicais que alguma vez tenham sido ou alguma vez venham a ser escritas. Não vou entrar profundamente nisso aqui por vocês não estarem preparados. mas devido à infinita gama de intensidades disponível, cada indivíduo possui intensidades ilimitadas em que se pode mover.

Todo movimento é mental ou psicológico, e todo movimento mental ou psicológico possui a sua realidade eléctrica. O eu interno move-se ao mover-se por entre as intensidades. Cada experiência nova abre uma nova intensidade de pulsação... Mover-se por entre as intensidades no sistema eléctrico dá o resultado, no campo eléctrico, de se moverem através do tempo. Também iremos discutir isso mais tarde, em conexão com a chamada viagem astral.

(Extracto da sessão 131)


O MUNDO DOS SONHOS, IMAGENS E ACÇÕES ONÍRICAS, SONHOS ENQUANTO ACÇÕES

Gostaria de discutir os sonhos com relação à acção. Mencionamos anteriormente que nem toda a acção não envolve necessariamente movimento que se torne evidente enquanto tal a vós. de uma forma ou de outra todas as acções constituem desdobramentos. O próprio acto de sonhar constitui um fenómeno parcialmente físico. Existe, pois, a acção externa que torna o sonhar possível, a acção que é o sonhar.

Depois existe a variedade de acções no sonho que constituem, em si mesmas, um acto contínuo. As imagens num sonho também agem; movem-se, falam, caminham, correm. Por vezes existe um sonho dentro de um sonho em que o sonhador sonha que está a sonhar. Aqui, claro está, as dimensões da acção são mais diversificadas.

Muitas dessas acções desempenhadas por imagens oníricas são musculares, manipulações físicas. Mas muitas dessas acções também constituem manipulações mentais ou realizações estéticas e mesmo proezas estéticas. Essas imagens oníricas não são de modo nenhum figuras unidimensionais de cartolina. A mobilidade que têm, em termos de perspectivas e no espaço, é muito maior do que a vossa.

Vocês percebem apenas uma pequena porção dessas imagens que vós próprios criastes. Vocês não as podem conduzir de volta às perspectivas limitadas do vosso presente campo físico e são deixadas mais como vislumbres e clarões débeis de imagens que são tão reais, vívidas e mais instáveis (mobilidade) do que as normais de natureza física.

Eu afirmei anteriormente que o mundo dos sonhos é composto por estrutura molecular, e que constitui uma realidade contínua; muito embora a percepção que tenham dele seja geralmente limitada às horas do sono. Dá-se um intercâmbio aqui. Porque se concedem ao mundo dos sonhos muita da sua energia, muita da vossa própria energia deriva dele...

Tão pouco é o mundo dos sonhos uma imagem sombra do vosso. Ele prossegue de acordo com as possibilidades que lhe são inerentes, conforme vocês continuam de acordo com as possibilidades do sistema físico. No sono, contudo, vocês focam a vossa percepção soba uma forma alterada num outro mundo que é tão válido quanto o vosso mundo físico. Apenas uma pequena quantidade de energia é focada no sistema físico durante o sono, o suficiente para manter simplesmente o corpo no seu meio ambiente.

Em muitos aspectos, as acções exercidas no mundo dos sonhos são mais directas do que as vossas próprias. Apenas por recordarem apenas clarões vagos e episódios incoerentes que os sonhos parecem muita vez caóticos ou sem sentido, em particular ao ego que censura muita da informação que o subconsciente retém. Para a maioria das pessoas, esse processo de censura é valioso, já que impede que a personalidade seja entupida pela informação que não está preparada para enfrentar. A capacidade de reter experiência obtida noutros campos constitui a tendência de desenvolvimentos mais avançados.

...Todavia, todo homem sabe intuitivamente o envolvimento que tem nisso...

Alguns eventos oníricos são mais vívidos do que os do estado de consciência de vigília. Somente quando a personalidade sai da experiência de sonho que poderá parecer irreal em retrospecto. Por ao acordar de novo, o foco da energia e da atenção se situar no universo físico. A realidade, pois, constitui o resultado do enfoque de energia e de atenção. Usei o termo “sai do mundo do sonho” de forma propositada, por vermos nisso uma mobilidade de acção facilmente e muitas vezes efectuada – uma passagem para dentro e para fora que envolve acção sem movimento no espaço. O sonhador tem, na ponta dos dedos, uma recordação das experiências oníricas “anteriores” e carrega em si os diversos propósitos implícitos que se acham por detrás das acções dos seus sonhos. Ao saírem do estado do sonho, torna-se mais consciente do ego e cria aquelas actividades que são significativas para ele. Conforme mencionado anteriormente, contudo, os símbolos oníricos têm sentido em relação a todas as porções da personalidade.

O mundo dos sonhos possui uma construção molecular, mas tal construção não ocupa espaço conforme lhes é dado conhecer. O mundo dos sonhos é composto por profundidade e dimensões, expansões e contracções que porventura se acham mais claramente relacionadas com ideais que não têm necessidade do tipo particular de estrutura com que se acham familiarizados. As intuições e certas outras capacidades possuem uma tal liberdade aqui que não é necessário que as moléculas sejam empregues em nenhuma forma aprisionante. A acção no mundo dos sonhos é mais fluída. As imagens aparecem e desaparecem muito mais rapidamente devido a que a realização de valor obtenha um maior predomínio.

A lenta manifestação do crescimento que ocorre dentro do sistema físico envolve padrões de longo prazo repletos de átomos e moléculas que são, em certa medida, aprisionadas nessas construções. No mundo dos sonhos, o lento processo de crescimento físico é substituído pela realização de valor mental que não necessita de nenhum aprisionamento a longo prazo de moléculas inseridas num padrão. Isso envolve uma aceleração da experiência e da acção que são relativamente desimpedidas pelo tipo de necessidades do tempo inerentes ao universo físico. Ao átomo é concedida uma maior liberdade…

O que não quer dizer que não exista estrutura no mundo dos sonhos, por existirem estruturas de natureza mental e psíquica. Mas a estrutura não depende da matéria, pelo que o movimento das moléculas é muito mais espontâneo. Uma quase incrível profundidade de experiência torna-se possível dentro do que lhes pareceria uma fracção de momento. Um dos vislumbres mais aproximados que vocês poderão obter da acção pura é acção que se envolve com o mundo dos sonhos e nessa mobilidade, à medida que a personalidade passa para dentro e para fora do campo dos sonhos.

No mundo físico vocês lidam a transformação da acção em manipulações físicas – mas isso envolve somente uma pequena porção da natureza da acção, e é meu propósito familiarizá-los com a acção conforme ela existe, mais ou menos na sua forma pura. Desse modo, serão capazes de perceber os modos por que se traduz em outros campos da realidade que não envolvem matéria conforme a conhecem.

Na realidade do mundo dos sonhos, pois, a realização e a dependência não dependem da permanência nos termos físicos. Erupções de desenvolvimento tornam-se possíveis para serem amadurecidas em perspectivas que não se acham atadas no tempo. Tais desenvolvimentos constituem o resultado de acções que ocorrem em muitas perspectivas ao mesmo tempo e não desenvolvimentos que tenham lugar como que no sistema físico através de uma aparente série de momentos.

Basicamente, até mesmo o próprio universo físico é assim construído, mas para todos os efeitos práticos, na medida em que envolver a experiência e a percepção, o tempo e o crescimento físico aplicam-se. Em resultado, a porção da personalidade que é o ego, é, em larga medida, dependente para a sua maturidade e desenvolvimento, durante o tempo que a imagem física tiver despendido no sistema.

Uma certa porção de crescimento físico em termos de uma série de momentos, torna-se, por conseguinte, necessária para que a realização de valor se revele num organismo físico. Mas no mundo dos sonhos, o crescimento constitui uma questão de realização de valor que é alcançado através de perspectivas de acção – por meio da circulação por de uma qualquer acção, e acompanhamento dela, e da mudança conjunta com ela.

Bom, vocês experimentam acção como se estivessem a deslocar-se ao longo de uma única linha, cada ponto em representação de um momento do vosso tempo. Mas em cada um desses “pontos,” a acção move-se para fora em todas as direcções. Do ponto de vista desse ponto-momento vocês podiam imaginar a acção a formar um círculo imaginário com o ponto enquanto ápice. Mas isso sucede no ponto de cada momento. O círculo não tem limite particular. Ele alarga-se para fora indefinidamente. Agora, no mundo dos sonhos assim como em todos esses sistemas, o desenvolvimento é alcançado não pelo percorrer da vossa linha singular mas mergulhando nesse ponto a que vocês chamam momento… Basicamente, o universo físico encontram-no no vértice de tal sistema…

(Excerto da sessão 149)

Sonhos e os Movimentos Rápidos dos Olhos (REM)
O Sono, sonhos e as Ligações Químicas

A realidade dos sonhos só pode ser investigada por contacto directo… Quer se trate ou não de sono caracterizado por rápidos movimentos dos olhos os vossos sonhos têm uma existência constante sob o nível da consciência, até mesmo durante o vosso estado de vigília. A personalidade é constantemente afectada por eles. É impossível privar uma pessoa de sonhos mesmo que a privem de sono (como fazem em certos experimentos de laboratório.) Por essa função ser desempenhada subconscientemente…

Os movimentos dos globos oculares notados no início do sono REM são mera indicação de actividade onírica que está intimamente ligada às camadas físicas do eu. Tais períodos marcam não só o começo de sonhos como o retorno da personalidade das camadas profundas da consciência dos sonhos para camadas mais superficiais. O Eu na verdade está de volta a níveis mais superficiais a fim de verificar o ambiente físico. Dá-se uma transferência da energia primordial nos estados profundos do sono da concentração física para uma concentração mental.

Muito simplesmente, o Eu percorre áreas da realidade que se encontram muito afastadas das áreas da mobilidade física. Os músculos encontram-se relaxados nessa fase por a actividade física não ser necessária. A energia que não está a ser gasta fisicamente é empregue para sustentar acções mentais. Os excessos químicos acumulados no estado de vigília são automaticamente alterados ao serem expelidos, numa corrente eléctrica que também auxilia a formar e sustentar imagens oníricas.

Os vossos cientistas aprenderiam mais sobre a natureza dos sonhos caso se treinassem na recordação dos sonhos. Uma vez mais, a própria tentativa para privarem um indivíduo de sono porá automaticamente em marcha uma actividade onírica subconsciente. A adulteração provocada alterará as condições. A experiência directa do sonho em desenvolvimento é aquilo por que se deveriam interessar. Se sugestões adequadas fossem dadas a uma pessoa no sentido de acordar na exacta altura do término de um sonho, isso poderia ser estudado (como nas vossas próprias experiências). O estado e as condições do sonho também poderiam ser legitimamente estudados com o uso da hipnose. Aí, estão a trabalhar com a própria mente e apenas a sugerir que ela opere de determinado modo. Não estão a adulterar os mecanismos das suas operações e automaticamente a alterar as condições.

Pelo uso da hipnose vocês conseguirão uma bela recordação dos sonhos nas mãos de um excelente operador. Poderão sugerir um sono e um sonhar comuns e de seguida sugerir que, sem acordarem, o sujeito faça uma descrição verbal dos seus sonhos conforme os experimenta… Uma outra alternativa passa por sugerir que o sujeito no estado hipnótico repita os sonhos da noite anterior. Com o uso de tais métodos, os sonhos dos mentalmente enfermos também poderiam ser estudados caso a aflição não fosse demasiado severa. Os sonhos das crianças podiam ser investigados desse modo e comparados com os dos adultos. As crianças têm sonhos vívidos e com maior frequência. Contudo, elas retornam com uma maior frequência a períodos próximos do estado de vigília a fim de verificarem o ambiente físico, por não estarem tão seguras quanto os adultos. Em períodos profundos de sono, as crianças vão mais longe, no que toca à actividade dos sonhos. O ego possibilita-lhes uma maior liberdade. Por essa razão, também têm mais sonhos telepáticos e clarividentes do que os adultos. Também possuem uma maior energia psíquica; quer dizer, são capazes de tirar partido da energia com maior facilidade. Devido à intensidade da experiência do estado de vigília por que passam, os excessos químicos são acumulados a um ritmo mais célere. Por isso, as crianças dispõem de mais desse “propelente químico” para usar na formação de sonhos. Também têm uma maior consciência dos seus sonhos…

Tenho dito muita vez que qualquer acção altera aquilo em que actua e aquele que age; assim, no tipo de experimentos que actualmente são levados a cabo a fim de estudarem os sonhos, os actos dos investigadores alteram as condições de tal forma que se torna fácil para eles descobrir aquilo que buscam. O próprio investigador, por intermédio das suas acções, inadvertidamente produz aqueles resultados que ele busca. O experimento particular poderá parecer sugerir condições que não são de modo nenhum gerais, mas podem parecer ser. Sob hipnose uma pessoa não está tanto de guarda quanto um sujeito de uma experiência que sabe de antemão que venha a ser despertada por experimentadores, e que eléctrodos lhe sejam introduzidos ao crânio e que condições laboratoriais substituam o seu ambiente nocturno.

Torna-se impossível estudar os sonhos quanto tentam isolar o sonhador da sua própria personalidade, a fim de tratar os sonhos como se fossem físicos ou mecânicos. O único laboratório para o estudo dos sonhos é o laboratório da personalidade…

Sessão 194

Os sonhos e a saúde

Sonhos terapêuticos
Como usar os sonhos a fim de promover a saúde
Seth tem um diálogo sobre sonhos com um amigo

Um dos meus estudantes, a Sue Watkins, é psiquicamente sobredotada e bastante perita no uso dos sonhos. Ela e o marido, Carl, vivam numa cidade vizinha quando me enviou esta nota junto com uma cópia de um sonho que ilustra na perfeição a estreita ligação existente entre os sonhos e a saúde.

Pouco tempo depois de sair da faculdade em 1967, foi quando pela primeira vez notei que o meu ombro doía sempre que o erguia – sintomas clássicos de bursite, fiquei desde então a saber. Passado um tempo, a condição gradualmente foi desaparecendo. Então em Abril de 1968, surgiram de novo sintomas que permaneceram por três meses, para lentamente desaparecerem e regressarem por um tempo em Dezembro. Em Fevereiro de 1969 tive um verdadeiro ataque de duração intermitente até o meu filho nascer, em Outubro. Desde então, a condição piorou até ao mês passado ou assim e não fui capaz de meter a mão direita no bolso dos jeans nem escovar o cabelo nem nada sem sentir uma dor aguda no ombro direito e na mão e nos dedos da mão direita.

O ioga e tempo psicológico ajudaram-me a reduzir temporariamente os sintomas, porém, na semana passada, a rigidez piorou tanto que todo o meu ombro parecia estar a ser esmerilado como lixa encravada. Cheguei a dar por mim a berrar ao bebé, o que me deixou a sentir terrível. Então, em Abril de 1970 tive o seguinte sonho:

Fui ao apartamento da Jane e do Rob e dei de caras com uma sessão do Seth. Sentei-me ao lado do Rob, que transcrevia o que lhe era ditado, conforme habitual. O Seth, na pele da Jane, voltou-se logo para mim. A sua voz quase parecia de zanga, mas não destituída de compaixão. “Bom, então vou-te dizer o que fazer,” disse ele, “mas não comunicarei com a parte de ti que usa as palavras.”

Ele deu início a uma longa preleção sobre os métodos de lidar com a agressão e de a expressar de uma forma aceitável. A essa altura, o meu eu crítico separou-se do meu eu de sonhador que acolhia a preleção. (Por outras palavras, a Sue tomou consciência de si e do seu eu do sonho) O meu eu crítico instantaneamente se sentiu posto de fora, dado que não conseguia compreender ou traduzir a preleção. Contudo, parecia ter uma função definida, porventura ligada ao corpo físico. Ambos esses aspectos do eu achavam-se igualmente cientes.

Então o Seth sentou-se em frente ao meu aspecto do sonho, e deu-lhe algo a comer que parecia cereal. Então o aspecto crítico do meu eu ficou aborrecido, e quase sentiu que o sonho era inútil. Então o Seth disse ao aspecto crítico: “Isto é simbólico… para te dar que pensar… muito mais complicado do que sabes e além de qualquer aspecto teu que entendas.” O aspecto do eu do sonho acalmou, quase hipnoticamente. O aspecto crítico continuou a pensar que isso não pudesse ocorrer num sonho.

O Seth começou a conferenciar de novo, e o meu aspecto crítico começou a desvanecer-se. Assim que isso ocorreu, eu perguntei: “Seth, chegarei a compreender isto?” A resposta que me deu perdeu-se excepto que tive noção de que o “novo conhecimento” recebido na preleção que não conseguia ouvir me estava a curar e que enquanto esposa e mãe eu me encontrava mais livre do que alguma vez antes. Assim que acordei, o meu ombro, braço e mão estavam completamente livres e soltos. Os caroços – chamados de caroços de calcário, pelo meu médico -- ainda ali se encontravam sob a pele, mas eu conseguia movimentar o meu ombro sem dificuldade, pela primeira vez em meses. Também conseguia enfiar a mão no bolso dos jeans. Ei tinha tido problemas com a minha compleição mas esses problemas desapareceram, junto com o ataque de cólicas de três semanas.

A terminar, a Sue acrescentou: “Claro que o sonho em si mesmo só serviu de ímpeto. O meu eu interior sabia o tempo todo o que fazer. Talvez só se tenha esquecido de manter as coisas em ordem!”

Sobre a doença e a acção
(Excerto da sessão 164)

A doença pode ser vista como acções de impedimento que representam bloqueios reais de energia; acção transformada em canais que não serão do melhor interesse da personalidade. As energias parecem concentradas e voltadas para o interior, e afectar todo o sistema. Representam ramificações; não necessariamente prejudiciais em si mesmas, excepto quando vistas do ponto de vista de outras acções que formam a estrutura da personalidade…

Uma certa porção da energia praticamente ao dispor da personalidade é gasta na manutenção dessa acção de impedimento ou doença. Torna-se, pois, óbvio que uma menor energia se acha disponível para acções mais benéficas para o sistema da personalidade como um todo. A situação pode ser séria em diversos graus, de acordo com o ímpeto e a intensidade da causa original presente por detrás da doença. Se o ímpeto for potente, então a acção iminente será de um carácter mais grave, ao bloquear enormes áreas de energia para seus próprios fins. È óbvio que se torna parte da estrutura psicológica da personalidade, nas estruturas física, eléctrica e química, e chega em certa medida até mesmo o sistema dos sonhos.

(A esta altura Seth explica algo de que muita gente frequentemente se interroga; se a doença é prejudicial e nós sabemos disso, então por que razão a falta de saúde perdura, por vezes?)

Por vezes a doença é momentaneamente aceite pela personalidade enquanto parte do Eu, e nisso reside o perigo. Não é aceite apenas simbolicamente, e não estou a referi-lo apenas em termos simbólicos. A doença é muitas vezes literalmente aceite pela estrutura da personalidade enquanto porção do Eu. Assim que isso se dá, um conflito desenvolve-se instantaneamente. O Eu não quer abrir mão de uma porção de si próprio, mesmo que isso possa ser doloroso e possa constituir uma desvantagem…

(Isto acarreta sérias implicações. Obviamente, a melhor altura para curar uma doença é antes que seja aceite como parte da imagem do eu. O Seth continua nesta sessão a explicar outras das profundas razões para a continuidade dos sintomas e da aceitação que fazemos deles)

Por um lado, conquanto a dor seja desagradável, também constitui um método de familiarização do eu em face dos limites da consciência vivificada. Qualquer sensação acentuada, agradável ou desagradável, exerce um efeito estimulante sobre a consciência até certo ponto. É uma forte percepção de actividade e de vida. Até mesmo quando o estímulo pode ser extremamente irritante ou humilhantemente desagradável, determinadas porções da estrutura psicológica aceitam-na indiscriminadamente por ser uma sensação vívida. Tal aquiescência até mesmo para com o estímulo doloroso constitui uma parte básica da natureza da consciência e uma parte necessária.

(Continua)


Traduzido pelo Amadeu António

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