quarta-feira, 21 de setembro de 2016

A SOMBRA



“Todo homem tem uma sombra e, quanto menos ela se incorporar na sua vida consciente, mais escura e densa será. De todo modo, ela forma uma trava inconsciente que frustra suas melhores intenções.”
                                                                                                        Carl Jung
"Uma pessoa não se torna iluminada imaginando formas luminosas, mas sim tornando consciente a escuridão.”
                                                                                                              Jung

(NT: Na psicologia analítica, onde o termo foi cunhado e adoptado por Jung na teoria da individuação que desenvolveu, é assumido como o outro lado da personalidade, a parte obscura e reprimida da psique que acompanha todo o indivíduo, e que dotada de uma vitalidade autónoma representa o “negativo” de todo o indivíduo, que, por diversos modos, remete à parte superior e diferenciada da psique, durante o processo de individuação, ou processo psíquico da formação do nosso ser e do devir da nossa personalidade, que por sua vez, e muito resumidamente, assenta na diferenciação e na integração, o “Vir-a-Ser Aquilo Que Se É,” ou “Conhece-te a Ti Mesmo, implícito ao reconhecimento daquilo que somos.”
É composta por todos os conteúdos reprimidos desde a infância, e consiste no lado da personalidade para onde são “lançados” todos os conteúdos não aceites da personalidade - as tendências, as características, as atitudes, os desejosos, os instintos inaceitáveis por serem considerados imorais ou violentos; enfim, todos os conteúdos que ameaçariam de uma forma directa a estabilidade psicológica e a identidade do indivíduo, (pensamentos, imagens, ideias, julgamentos) caso fossem evidenciadas ou aceites, e que ele a par com a sociedade suprime passando desse modo a constituir como que um peso-morto que o condiciona ao longo de todo o período em que permanece inapreensível.
A Sombra tanto mais tende a ser densa e escura quanto menos for incorporada na vida consciente do indivíduo e é responsável pela duplicidade e cisão de si mesmo, porquanto ao nos recusarmos a admitir a sombra nos entrincheiramos no conforto e na indulgência dos juízos de bem e de mal, mas não teremos vencido o mal que projectamos no mundo.)

Quer a vossa metafísica seja de semanas ou meses, ou mesmo de anos ou décadas, cada um de vós está permanentemente a começar e está permanentemente a dar continuidade ao trabalho com a Sombra. Tal trabalho jamais se acha concluído. Durante o tempo que vamos passar juntos, vamos conduzir o trabalho jamais finalizado do aspecto Sombra a novas dimensões e a novas profundidades. E vamos trabalhar o receber para o conduzirmos igualmente a uma nova profundidade, a uma nova dimensão.
Mas é a Sombra, o trabalho da Sombra, que muitas vezes encerra os indícios da resistência que evidenciam – a resistência que é muito mais profunda do que o vosso intelecto, a vossa lógica e razão poderão compreender. Frequentemente interrogam-se:
“Porque moverei eu resistência ao acto de receber?”
Indagaram e por vezes e responderam de uma forma convincente e vigorosa, mas nunca de modo suficiente, por existirem razões por que resistem que vão muito além do alcance do vosso intelecto, e muito além do alcance da vossa lógica e da vossa razão, por a Sombra encerrar os indícios. A Sombra também encerra os segredos da mudança, mudança essa que os pode afectar ao nível celular, ao nível racial (humano) – mudança que lhes pode afectar o próprio ADN. A Sombra também encerra os tesouros, os tesouros que não só lhes permitem ser uma pessoa que sabe como receber, mas que também lhes permitem ser uma pessoa cuja natureza e instinto sejam de receber. E é com a Sombra, uma parte complexa e íntima do ir além do poder para descobrirem a grandiosidade dessa coisa chamada receber.
Este trabalho destaca-se como uma força poderosa e profunda de os catapultar em frente na vossa jornada espiritual, porque com a fundação da compreensão, e com a fundação da consciencialização também poderão chegar a fazer uma ideia da imensidão e da intensidade que a vossa própria Sombra alcança, e começar a aproveitar e a dirigir, a usar essa Sombra para criar uma realidade mais mágica, e criar uma realidade repleta de êxitos mais surpreendentes do que antes.
Por isso, embora possam ser caloiros com a ingenuidade da vossa espiritualidade ou portadores de vasta experiência, cada um de vós sabe que quando fazem as pazes com a vossa Sombra a vossa vida, a vossa realidade, podem ficar transbordar de todo o tipo de magia e de todo o tipo de milagres. Sabem que quando fazem as pazes, quando realmente fazem as pazes, o próprio processo do criar pode tornar-se tão rico e maduro – por vezes mais rico e mais maduro mesmo - do que a própria criação. Por decerto a própria criação produzir e proporcionar grandiosos tesouros de desempenho, realização e de sucesso. Mas o processo de criar pode apresentar e produzir enormes tesouros de realismo, de um Eu real, da vossa espiritualidade. Sabem, cada um a seu modo, que quando conseguem chegar a um consenso com o aspecto Sombra da personalidade, o emaranhado dos obstáculos e das limitações podem começar a murchar, e que poderão ser livres. Poderão ser livres para se transformarem e ao mundo ao vosso redor. Podem ser livres de começar a transcender os vossos medos e a vergonha, os fracassos e o sofrimento.
Mas para além da paz com o vosso aspecto Sombra, podem começar a estabelecer paz convosco próprios. E então, a vossa vida poderá ver-se repleta de todo o tipo de magia e de milagres, e ver-se ricos e prenhes, e gotejar magia e milagres. A vossa vida poderá ser preenchida e ficar repleta de amizades gratificantes e de relacionamentos íntimos, repleta de um trabalho significativo e de êxitos satisfatórios. Podem descobrir a singularidade do vosso próprio mérito e o vosso próprio valor. Podem descobrir a exclusividade dos vossos pontos fortes, do vosso poder, dos vossos talentos, e usar esses talentos. E mais, podem chegar a conhecer a vossa Alma. Podem chegar a conhecer o vosso Espírito, e o relacionamento que têm com Deus, com a Deusa, com o Todo, poderá ganhar vida.
"Pois sim! Soa excelente. Soa estupendo, não é? Ah, se ao menos isso fosse verdade. Ah, se pudesse ser verdade para mim... Mas quando é que toda essa magia e milagres irão mostrar-se?” (Riso)
Afirmações destas tornam-se palavras, apenas mais palavras. Palavras que nos ouvem empregar tantas vezes, palavras que repetiram para vós próprios tantas vezes mais. Palavras que numa determinada época costumavam estar repletas de entusiasmo e de esperança, e que agora muita vez os deixam somente cheios de saudade.
"Ai se isso pudesse ser verdade! Se pudesse a tornar-se verdade para mim!"
Palavras que a determinada altura costumavam provocar ressonância, força e poder, agora, usam-nas para se ridicularizarem e criticarem a vós próprios, e para se recordarem de que existe algo de errado – de muito errado ainda – convosco. Palavras! Palavras que a certa altura suscitavam uma possibilidade, agora, para demasiada gente, trazem apenas sofrimento. Mas chegam a um ponto em que sentem:
“Não quero ouvir nada sobre estabelecer a paz e a cornucópia da magia e dos milagres. Não quero ouvir nada que tenha que ver com a criação de processos mais excitantes do que a própria criação. Não quero saber de confusões nem de espinhos nem de restrições. Não quero ouvir falar de transcender nem de transformar. Por sentir demasiada ânsia, demasiada ridicularização, demasiada crítica, demasiado sofrimento.”
No entanto não conseguem afastar-se por completo. Não conseguem realmente voltar as costas. O defeito não está nas palavras. Talvez esteja na estreiteza do significado e na interpretação errónea que as acompanham, mas não está nas palavras. Mas o defeito tão pouco está em vós. Não, o defeito não está sequer em vós. O erro reside nos equívocos e nos mal-entendidos do que compõe a Sombra e o tratamento da Sombra, porquanto por mais que conheçam dessa Sombra, ainda não conhecem o suficiente sobre a vossa Sombra. Por mais que saibam como fazer as pazes, ainda não sabem como criar uma aliança - sim, uma aliança com a vossa Sombra. E é disso que vamos tratar esta noite, porque quando conseguirem ir além da retórica, além das palavras, e chegarem a conhecer não só a Sombra de uma forma teórica e conceptual, filosófica mas chegam a conhecer a vossa Sombra. Quando conseguirem ir além da técnica de fazer as pazes e chegar à experiência da paz, então conseguirão criar de verdade essa aliança com a vossa Sombra - não destruí-la nem aprisioná-la ou negá-la, mas trazê-la adiante para a trabalharem, para deixar que seja uma parte de vós do que já é. E nessa aliança, tirar proveito com respeito, usar e dirigir a energia da vossa Sombra e do trabalho da vossa Sombra.
Bom, já falamos da Sombra tantas vezes. Mas quando chegarem a aprender mais e a compreender o que a sombra realmente é, percebem desde logo que há dezanove anos, quando começamos a falar, falamos da criança interior, lembram-se? Não foi só por uma comunicação esquemática nem por um desenho feito no quadro e numa folha de papel ou página de um livro, mas de um eu-próprio vivo e vibrante que se acha tão vivo quanto vós e que há muito tempo é negado, há muito é empurrado para o lado, e que há muito supõem que não existe. Agora sabem que existe, mas que então foi acolhido com surpresa. Mesmo isso, os começos rudimentares do trabalho da Sombra, por ter sido a Sombra que auxiliou a criança adaptativa, até que estivessem preparados para a reconhecer ou trabalhar com ela. Mas depois tratamos de tantos temas, todos quantos se acham de certo modo relacionados com a Sombra, pelo que sabem imenso.
Muitos de vós trabalharam em tantas outras vias do vosso crescimento, psicológicas e sociológicas, práticas, na exploração do potencial humano metafísico e espiritual que empreenderam. Encontraram tantos livros nas secções da autoajuda e do oculto de tantas livrarias, que leram febril e freneticamente à procura dessa pista e frequentemente trabalhando - quer lhe chamassem isso ou não - a Sombra. Daí que muitos de vós já saibam, porventura mais do que pensam, o que a Sombra seja, mas hoje levamos esse trabalho a uma nova profundidade e uma nova dimensão, e começamos por essa fundação do que é a Sombra, do que já conhecem da vossa Sombra.
Que coisa será a Sombra?
A Sombra é composta de todas as coisas que negaram, que desconsideram, e de que se defendem, e em relação ao que se distraem – toda a matéria, todas as coisas, todos os aspectos que fingem não existir – ou, caso existam (no conceito que fazem) que não representam nada de significativo, que não têm importância, que não possuem dimensão e que deitaram para trás das costas. A Sombra é composta de todas as coisas a que aprenderam a resistir, e que recusaram aceitar.
Em catraios aprenderam:
“Não deves ser tão egoísta, não deves ser tão gananciosa. Não deves fazer isto, não deves fazer aquilo, não deves ser tão curioso, não deves questionar tanto, não deves, não deves, não deves...”
E como bons rapazes ou raparigas que tentavam ser perfeitos, e que tentavam obter os favores (dos pais, ou professores), e que tentavam sobreviver (riso) fizeram o que lhes diziam para fazer. E empurraram o vosso egoísmo e a vossa ganância e o vosso egocentrismo para trás das costas, fingindo ser coisa que não existia.
“Com que fim? De que diabo estás a falar? Ah, isso, não é nada, não tem importância.”
Desvalorizaram e defenderam-se e fazem birra:
“Não sou nada, não sou nada, não sou nada...”
Todas aquelas coisas, todos aqueles aspectos do ser que foram empurrados para baixo e que foram negados e deitados para trás das costas, a que vocês resistiram ao deixarem de admitir, e que recusaram tão relutantes que estavam em aceitá-los com respeito a vós. Mas não empilharam unicamente as coisas de carácter obscuro, as coisas feias, as coisas que a sociedade diz serem erradas e pecaminosas e horríveis e imorais, e tudo isso. Também negaram as coisas boas devido às mensagens que receberam:
“Não sejas tão curioso, não sejas tão indiscreta, não sejas tão inquisitivo, não sejas tão franco, não tenhas tantos sentimentos, não sejas tão criativa, não te ponhas com devaneios como esses, não sejas tão inventivo, não faças perguntas.”
E vocês receberam essas mensagens não só da parte das vossas mães e dos vossos pais e irmãos e do resto da família, mas também as receberam da parte da comunidade televisiva, da comunidade educativa, da comunidade religiosa. E todas essas coisas – obscuras e claras – foram empilhadas para trás das vossas costas para o que é chamado de Sombra.
Jung falou disso porventura de forma eloquente como sendo o inconsciente igualando-os aos dois como se fossem exactamente a mesma coisa. Mas mesmo nos tempos mais próximos, Robert Bly que esteve tão envolvido no movimento dos homens e no crescimento a seu modo, falava dela como aquele Saco Negro que arrastamos connosco em que enfiamos todas essas coisas, todos esses aspectos, todas essas partes de nós, e na verdade tais analogias funcionam e em certa medida são eficazes.
A vossa Sombra contém todas as coisas que a criança adaptativa que foram acotovelou para fora do caminho na tentativa que fazia por sobreviver, na tentativa que empreendia por encontrar segurança, na tentativa por pertencer e por possuir um sentido qualquer de pessoa chamado estima. Tudo quanto o adolescente em vós em pânico dispersou de forma a poder tornar-se perfeito (ideal), não só para poder pertencer e para possuir um sentido de estima, mas também a fim de conseguir ser aceite e obter a aprovação, ganhar os louvores, se não da parte da família, dos seus pares.
Tudo quanto a criança em vós acotovelou nos esforços que empreendia para se adaptar, tudo quanto o adolescente em pânico dispersou sob a premência da necessidade de absolutos, compõe e tornou-se parte da vossa Sombra. E isso, conseguem vós entender, conseguem compreender nem que seja intelectualmente, teoricamente. Quais seriam por vezes essas partes,o que esses aspectos constituiam esqueceram, mas mesmo assim, compreendem o conceito.
De facto a vossa Sombra é igualmente composta por toda a agressão que sentem. Enquanto catraias pequenas, em particular, mas também enquanto catraios, não deviam ser agressivos em absoluto, ou tão agressivos quanto revelavam ser, respectivamente. E não deviam ser ambiciosos, por a ambição ser má e errada. Sabem como são as pessoas ambiciosas. Mas não deviam sentir nada disso.
Todas as vossas fraquezas e falta de fiabilidade, a vossa falta de preparação foram colocadas para trás das costas, por não se conformarem com esse Eu ideal que seria suposto que fossem, para os deixar (aos pais) orgulhosos e felizes, e para os levar a decidir-se a deixá-los viver mais um dia, mais outra semana, mais um mês ou um mais um ano. Todas as vossas inseguranças foram atirados para longe, recusadas, emendadas como uma outra coisa qualquer.
A Sombra é igualmente composta da vossa falta de carácter e falta de moral, assim como pelo orgulho, e a hostilidade que sentem. A hostilidade é mais do que ira, mais do que mágoa. A hostilidade constitui uma raiva que pretende ferir, e que comummente é produzida por uma ira que causou mágoa. O orgulho que sentem, a vossa hostilidade, avareza – essa ânsia, essa avidez, essa avareza que jamais chega a ser aplacada – também fazem parte da vossa Sombra. Aquilo que lhe sé incutido e aquilo em que são condicionados e manipulados no sentido de negarem, no sentido de desconsiderar e de resistir, de recusar… O que a criança em vós afastou do caminho e aquilo que o adolescente em vós dispersou, esse sentido de agressão e de ambição que têm, as carências, a hostilidade, a avareza… Também é composta por tudo aquilo por que, até agora, recusaram assumir responsabilidade.
É de tal modo espantoso e irónico, tão comovente e triste que haja tanta gente que fique furiosa à simples menção da ideia de que a realidade consiste numa escolha. Ficam verdadeiramente possessos, e alguns mesmo de uma forma violenta, à simples menção da ideia de disporem sequer de escolha:
“Diz isso a este ou àquele; diz isso…”
Não, diz a ti próprio.
“Não, não pode ser. Recuso-me a aceitar tal coisa…”
Mas ainda assim, quando se trata da responsabilidade, já se dispõem a reservar o direito de definir escolha. (Riso)
"Não vou assumir responsabilidade por isso.”
Ou então:
"Vou assumir; vou optar, vou decidir se vou assumir responsabilidade por isso ou não por isso..."
Mas é irónico que aqueles que fazem um drama da negação da escolha passem a exigi-la quando a questão se prende com a responsabilidade.
“Aí já tenho alternativa, mas opto por não me responsabilizar!”
De facto a realidade acha-se repleta de escolhas. Quase tudo consiste numa escolha. Quase! Mas por entre a miríade de escolhas que fazem a cada instante da vossa vida, a responsabilidade não faz parte delas. Mas vocês não decidem se vão tornar-se responsáveis. Decidem quando, mas não a possibilidade. Toda a gente assumirá responsabilidade pelo impacto que provoca e pelo que cria. Independentemente do quanto possa negar isso - não importa por quanto tempo possa fingir - é somente uma questão de “quando.” Alguns de vós aprenderam rapidamente a assumir responsabilidade, com integridade, e quase espontaneamente. Outros parecem negar isso e dizer:
"Não, não me vou tornar responsável. Não vou assumir responsabilidade. Recuso-me a ser responsável."
Mas com o tempo - poderá tratar-se de cinco, dez ou vinte anos… Talvez ela se manifeste como um tipo qualquer de enfermidade, um tipo qualquer de doença, um tipo qualquer de cancro, mas aí já se tornarão responsáveis. A alternativa não envolve a eventualidade de serem responsáveis, mas quando virão a sê-lo. E todas as coisas que querem adiar, toda a matéria ligada à responsabilidade que querem atrasar e dizer:
"Vou fazer isso num outro dia, num outro ano, numa outra década."
Vai tudo para a Sombra. Jamais se perde. Não existe espaço. Onde o iriam depositar? Para onde será que o iriam atirar? Apenas para vós próprios.
Talvez escondam isso nas vossas juntas e nos vossos órgãos - talvez o ocultem nas pessoas que os rodeiam na vossa realidade. Talvez ocultem a vossa hostilidade na vossa esposa ou nos vossos pais ou no vosso patrão, ou na vossa realidade, ou no vosso corpo. Mas eventualmente darão a volta a fim de enfrentar isso e de se tornarem responsáveis. Mas até que o façam, fica encerrado na vossa Sombra. Tudo aquilo por que não assumem responsabilidade, toda a raiva que nunca enfrentaram, toda a mágoa e todos os receios que adiaram para outra altura, toda a solidão que encobriram com um vício ou obcessão qualquer, toda a falta de esperança e todo o desespero, toda a vergonha que tenha sido afastada, um dia qualquer virão a ser responsáveis, só que até lá acha-se encerrada na Sombra.
os quatro componentes da Sombra:
É o que lhes foi incutido e o que foram condicionados a negar.
É o que a criança adaptativa afasta com um golpe de cotovelo.
É aquilo que o adolescente em pânico dissemina.
São aqueles aspectos que vão da agressão até à avareza que sentem, e tudo aquilo por que não assumem responsabilidade.
Isso é a Sombra.

Mas no consensual, no mundo académico, isso é onde o conceito chega: Este saco negro, ou estas trevas ou esta fealdade que não admitem que sejam. Mas entendam, a vossa Sombra é mais do que isso. Mas os aspectos verdadeiramente assustadores da vossa Sombra não constituem os aspectos obscuros. Os aspectos verdadeiramente aterradores são o vosso lado claro. O aspecto claro da Sombra, o aspecto dourado da Sombra (seja qual for a cor por que a tratem) é igualmente composta pelo vosso poder (que fingem não ter) e pela vossa motivação, tão bela, tão pura, tão cheia de amor e de intimidade quanto de um aspecto piegas, quadrado, retrógrado e estúpido, para com o vosso mundo apressado e da alta tecnologia.
O aspecto claro da Sombra contém os pontos fortes que os embaraçam e os deixa aterrados por poderem ser arrogantes. Comporta o facto da verdadeira segurança que temem poder aprisioná-los com o vosso dever e obrigação. Se fossem assim fortes e capazes, se fossem assim fiáveis, que seria que as pessoas esperariam de vós, que teriam que fazer em termos de dever e de obrigação?
Mas o aspecto claro da Sombra contém toda a vossa verdadeira segurança - não nessa matéria, mas na realidade do que são. Contém o vosso verdadeiro carácter espiritual - e o carácter pessoal também - que uma vez mais constitui um embaraço para tantos neste vosso mundo neurasténico, onde possuir pleno carácter e moral e é encarado como coisa estúpida, ingénua, ignorante, retrógrado, e quadrado.
O aspecto claro da Sombra também carrega o vosso verdadeiro valor e o vosso valor - o amor, a intimidade e o interesse de que são capazes. E comporta a vossa espiritualidade, a qual, à semelhança da avareza, representa uma ânsia e uma forma de avidez, não por coisas, mas por Deus, pela Deusa, pelo Todo. A avareza e a espiritualidade, ironicamente, andam muito juntas, e formam os dois lados da moeda da ânsia e da avidez.
Mas a verdadeira profundidade e o significado real da espiritualidade, que se acha por trás das frases, por trás das palavras, acha-se igualmente encerrado na vossa Sombra. A vossa Sombra contém todas as verdadeiras agendas que frequentemente são ocultadas pelos interesses sub-reptícios e ocultos que têm. A vossa Sombra contém a capacidade que têm de ser livres do passado, para, com dignidade, alcançarem autodeterminação. Comporta a vossa plena capacidade não só de ser amados, como de amar. Comporta a capacidade de ter domínio emocional, para criar um futuro, para ser poderoso, verdadeiramente poderoso - a capacidade que têm para alterar a realidade não só para vós próprios, como também para aqueles por quem se interessam como para o mundo que tanto depende de vós. Tudo isso, que se oculta atrás das vossas agendas secretas, dos vossos interesses secretos, faz igualmente parte da vossa Sombra.
E por fim (quer sejam masculino ou feminino) a vossa Sombra encerra toda a feminilidade que negaram em si próprios: a imaginação, a criatividade, a admiração, as sensações, a percepção, a concepção que negaram em vós próprios. E encerra toda a masculinidade que (enquanto homens e mulheres) castraram, ou tornaram impotente em vós próprios. Ela não desaparece. Mesmo que o tenham trucidado, massacrado, não desapareceu. Por mais trucidado ou massacrado que tenha sido, mesmo assim acha-se presente no aspecto Sombra. Toda a feminilidade que negaram e toda a masculinidade que castraram. É disso que a vossa Sombra é composta. Mas torna-se importante compreender que isso não é a vossa Sombra, mas aquilo de que é composta.
A Sombra em si mesma é mais ardilosa. É mais esquiva por se revelar por meio de tantos disfarces. Usa muitas máscaras diferentes. Na realidade consensual essas máscaras e esses disfarces são muitas vezes tenebrosos e aterradores. Muitos encararam a vossa Sombra com o Monstro, o monstro gigante aterrador a escorrer raiva e dor e horror. Outros encararam-na como o Ladrão dos Sonhos, aquele que começa propositadamente a roubar os sonhos que precisam ser roubados, mas que depois, descontrolado, passar a roubar todos os vossos sonhos, assim como a criatividade e a imaginação. Outros ainda, encararam-no como o Objector - aquela parte de vós que se opõe a tudo que fariam diferentemente do que tiverem feito antes, não importa o quê. Aquela parte de vós por que anseiam e que programam e que em função do que processam um belo relacionamento amoroso mas que, adiante se interpõe entre vós e ele e diz: “Eu oponho-me!” Que sempre é contra e sempre tira. Muitos de vós viram esse Objector como o Juiz que é formado por um monólogo contínuo de condenações. Outros tê-lo-ão porventura encarado como o Traidor. Talvez os tenham visto como o vosso Eu implacável e Impiedoso. Ou talvez como o Eu Negado, as faces do Eu que negaram.
Mas a Sombra não é unicamente obscura. Isso ela é, mas é mais. Existe igualmente o aspecto claro da Sombra que lhes chega como A Grandiosa, ou como a Tecelã de Sonhos, ou como o Protector. Vem a vós não como um Juiz, mas como O Compassivo. Não lhes chega como o Traidor, mas como o Benfeitor. E pode vir a vós não na qualidade do Implacável nem do Rancoroso mas na do Compassivo; não na do Eu Negado mas na da Totalidade do Eu.
Mas ao mencionarmos esta infinidade de rótulos, que decerto a descrevem, a Benevolente, a Magnânime, a Grandiosa, a Tecelã de Sonhos, a Protectora, a Benfeitora, a Compassiva, Indulgente, isso não passa de palavras vãs. Traidora é coisa que compreendem, e Montruosa também é coisa que consigam perceber, mas essas parecem demasiado vagas, demasiado abstractas, demasiado insignificantes para ser reais. Mas existem igualmente partes da vossa Sombra, partes que não conseguem entender pela mera definição dos termos, partes que não compreendem imaginando ao que isso se assemelha. Mas aspectos e máscaras da Sombra que só conseguirão descobrir através da obscuridade que inunda a claridade do Eu.
Mas até mesmo esta diversidade de descrições das máscaras, mesmo esta diversidade de descrições não passa de disfarces da Sombra. O verdadeiro aspecto Sombra, por mais que as pessoas tenham trabalhado psicologicamente, por mais que as pessoas tenham trabalhado metafisicamente, espiritualmente, para muitos, constitui ainda uma coisa esquiva. Muitos de vocês chegaram a conhecer as faces e os disfarces da Sombra. Trabalharam as suas faces e máscaras, mas jamais chegaram a trabalhar a própria Sombra. Jamais chegaram a enfrentá-la sem as suas máscaras, sem o seu disfarce. Mas mesmo que repitamos esses termos uma vez mais a alguns:
“Não entendo o que queres dizer.”
O que representa evidência do que estamos a falar. Mas vocês conhecem essas máscaras, seja em que medida for, e conhecem esses disfarces, mas torna-se-lhes difícil conceber alguma outra coisa que não isso. Mas isso resulta dos equívocos, do que é mal-entendido acerca da Sombra, obscura e clara, em relação ao que, alguns de vós, e eventualmente todos vós possuem alguns mal-entendidos específicos:
as sete verdades acerca da sombra
1- O primeiro mal-entendido comum consta de chegar a perceber que a vossa Sombra nasce convosco. Que passa a existir dese o momento do nascimento, e que está presente para manter sagrado e proteger todas as coisas com que estão impossibilitados de lidar, que são incapazes de aceitar. Faz-se presente como um repositório que encerre o que não conseguirem abranger, aquilo de que não conseguirem mostrar-se à altura de enfrentar, aquilo com que não conseguem lidar.
Mesmo enquanto bebés, por exemplo, os níveis da vergonha com que simplesmente não conseguem enfrentar. Se o tentassem, talvez viessem a morrer. E desse modo a Sombra assume isso, e preserva isso como coisa sagrada, protegendo-a.
Certos acessos de fúria, certas mágoas, certos temores, certos níveis de hostilidade que enquanto criança sentem, a Sombra guarda isso por vós. Quando as paixões despertam na adolescência, e são inundados por uma enchente de energia que não podem nem compreender, a Sombra adianta-se no sentido de a arrecada e abarcar, em caso contrário do que poderiam ver-se perdidos para sempre. É como se tivessem os braços cheios de pacotes - demasiados para carregar - sem que caísse tudo, e nem sequer conseguissem dobrar-se para os apanhar. Como se não tivessem reconhecido que tivessem caído. Mas a vossa Sombra surge por detrás de vós e apanha meticulosamente todas essas coisas que tiverem deixado cair. Por vezes desejariam que não o fizesse. (Riso) Já não terão passado pela situação de ir a caminhar sozinhos e levarem uma tablete de chocolate que, pelo facto de não encontrarem ninguém ao redor e não a quererem levar convosco, olham para os lados e aí, começam a cantarolar e descartam-na, mas lá acaba por surgir alguém que lhes chama a atenção
“Desculpe, desculpe… Deixou car qualquer coisa!”
“Ai sim?! Oh, peço desculpa!” (Riso)
E sentem-se envergonhados. Num certo sentido representa a vossa Sombra, a apanhar o vosso lixo. Mas ela também apanha tesouros valiosos.
Quando são crianças, quando são adolescentes, mesmo quando são jovens adultos, têm demasiadas coisas a tratar. Mas perder todas essas coisas seria devastador. E assim a Sombra em vós acha-se presente para sacralizar essas coisas e para as proteger até estarem preparados - para sacralizar os vossos aspectos físicos, mentais emocionais e etéricos com que não conseguem lidar. As coisas físicas que lhes sucedem, física, emocional, etérica, mentalmente, com que não conseguem lidar, e preserva-as até à altura em que – gostem ou não – consigam enfrentá-las.
E depois, a vossa Sombra começa muito meticulosamente a devolver o lixo que precisa ser adequadamente limpo e descartado adequadamente. Mas começa igualmente a devolver os tesouros, os preciosos dons, as energias belas e maravilhosas com que, quando eram bebés, crianças adolescentes ou mesmo jovens adultos ainda não conseguiam lidar, até mesmo em adultos, que não conseguiam enfrentar no nível de maturidade que tinham. Ela devolve-lhes isso. Quer pensem estar preparados ou não, ela devolve-lhes - muitas vezes no tempo da Sombra - no período que precede o Vexame. Também o devolve durante o período da Crise da Meia Idade. Por vezes as mudanças surgem com tal rapidez e a demanda que propõe parece tão íngreme que lhes interrompe a rotina diária para os forçar a olhar para o que a Sombra trás até vós. E de novo na Crise do Fim de Vida, após os vossos cinquenta, quando chegam a confrontar-se convosco próprios, a vossa Sombra mostra-lhes aquilo que pensaram ter eliminado, aquilo de que pensaram ter-se visto livres, mas que jamais conseguiram, por ser importante dispor disso – sim, mas fazê-lo devidamente. Os meios são tudo quanto importa nessa arrumação. E por fim aceitar, porventura algo que sabiam em catraios, mas que não conseguieam enrfentar e empurraram para baixo e negaram durante décadas, vinte, trinta, quarenta, ou mesmo cinquenta anos mais tarde. A Sobra ainda o encerra e devolve-lo.
A vossa Sombra não representa o inimigo nem se faz presente para os sabotar, embora possa parecer um Traidor, um Monstro. Não se faz presente para os magoar. Faz-se presente para vos ajudar, por conter aquilo que precisa ser eliminado e que precisa ser aceite, para se poderem tornar reais e para se poderem tornar íntegros, para se tornarem num todo, para poderem realizar o que vieram a esta vida, e as todas as vidas fazer, para ser e para se tornarem. Ela não é o vosso inimigo. Nasce convosco para preservar como sagrado e proteger toda a matéria com que não conseguem lidar, que não conseguem aceitar; mas não é o vosso inimigo.
2 - O segundo equívoco que é tão importante: A vossa Sombra constitui um ser. Mesmo Carl Jung falou, porventura de forma mais pública, mais franca disso, embora já se falasse da Sombra muito antes de Jung, ele legitimou-a ao conduzi-la para a área da psicologia, mas ela existia já muito antes dele. Mas mesmo assim, não é um espaço.
Como outros mais contemporâneos usaram analogias no sentido de a descrever como uma coisa, não é uma coisa, é um ser, um ser que por vezes aparece desta ou daquela ou de uma outra forma, mas que é um ser. É uma entidade, uma força viva. Não, não é humana segundo a definição por que estendem o ser humano: com cabeça e ombros e braços um costado e pernas. Não é um ser humano conforme o imaginam, mas ainda assim constitui um ser. É uma entidade. Não é uma coisa, não constitui um espaço, embora possa parecer. Apesar das analogias a poderem descrever dessa forma, ainda assim constitui um ser. E não constitui complexo nenhum, como muitos dos contextos psicológicos pretendem levar a supor.É complexa, sem dúvida, só que não um Complexo. É um ser vivo que respira, e que sempre existiu se quisermos, como uma parte de vós.
Muitos são os que intelectual e academicamente pretendem dividir e conquistar, entendem, por a Sombra ser de tal modo imensa, complexa e intricada que parece demasiado esmagador entender e melhor será que a dividam e a tornem numa coisa inerte, num balde de lixo, num saco, na mente inconsciente. Existe uma mente inconsciente, mas o Inconsciente é muito mais. A Sombra é um ser que tem existência nele, mas assim torna-se demasiado difícil e melhor será que a tornem numa coisa, num espaço. Alguma coisa ou coisa nenhuma mesmo. Mas numa coisa, de uma forma ou de outra. Para dividir e reinar; para lhe retirar a dimensão e tomara que o seu impacto também. Para a tornar maneável. Mas ironicamente por mais perfeita que vejam que a vossa Sombra como uma coisa ou como um espaço qualquer, ou como um objecto ou como um complexo, numa tentativa de a dividirem e conquistarem, numa tentativa de a unidimensionar, na tentativa que fazem de a gerir, ela torna-se mais ingovernável. Na tentativa de a tornarem segura ela torna-se perigosa. Por mais bem-intencionados que estejam, ela torna-se mais ingovernável, confirmando assim, talvez na mente de muitos, a necessidade de a tornarem numa coisa, de a tornarem neste ou naquele objecto, num complexo, em vez de lhe concederem a sua complexidade.
A vossa sombra não representa o Monstro – embora a alguns possa parecer: um Ladrão de Sonhos ou o Objector, pela máscara e disfarces obscuros que adopta (assim como pelos disfarces claros que também adopta). Mas em todo o caso é um ser. Não é apenas tudo quanto negaram. É um ser que guarda todas as coisas que rejeitaram. Não apenas aquilo que a criança acotovelou e o que o adolescente dispersou. É o ser que armazena tudo quanto foi acotovelado e dispersado. Não constitui a vossa agressão. Não representa a vossa ambição. É a parte que comporta aquela energia por vós até serem capazes de enfrentar e de tratar a agressão e as ambições negativas em vós, a falta de segurança, etc., para o enfrentarem quando estiverem preparados para acatar essa responsabilidade, seja por que forma for que o façam. Também representa o ser que encerra toda a magnífica energia do vosso poder e da vossa motivação, que encerra aqueles interesses que acham que não conseguem alcançar, em resultado do que se contentam com os interesses ocultos. Ela encerra toda aquela feminilidade negada que expulsaram. Encerra toda a masculinidade que castraram. Um ser que conserva essas coisas é a Sombra. O ser que usa tais máscaras e disfarces é a Sombra; é intrincada, porém não um complexo.
3 - O terceiro mal-entendido: A Sombra é o inimigo do vosso Ego Negativo. O vosso Ego Negativo detesta a vossa Sombra, sente-se aterrado com a vossa Sombra, e encara a vossa Sombra como o vosso inimigo natural. Por a Sombra poder destruir ou dominar o Ego Negativo, e o Ego Negativo ter consciência disso. É o Ego Negativo, quem, com o seu palavreado diz:
“Não vás mais fundo na consideração. Descobriste a tua Sombra. Isso é tudo o que ela é. A tua Sombra é má e cruel, entendes? Estás zangado? Não faz mal, não faz mal, é a tua Sombra. Põe-te a andar daqui. Procura qualquer outra coisa – não procures mais. A tua Sombra é má, distante, cruel, oh, terrível, fria, distante, cruel, falsa e frívola. Entendido. Muito bem. Foge, põe-te a andar. Já chega. Não precisas de saber mais nada. Vai-te daqui. Não precisas examinar mais. Não precisas procurar a tua Sombra nem tratar dela. Anda lá, faz alguma outra coisa.”
“Já procuraste fundo quanto baste; não precisas procurar mais. És feio, medonho, podre e nojento. Já chega! Não te dês ao trabalho de o sentir, continua, sai lá daqui. Tudo bem, tudo bem, podes ser assim patético, feio e cruel, mas não tão cruel assim. Não tão cruel como fulano ou beltrano.” (Num murmúrio, seguido de riso)
A Sombra e o Ego são inimigos um do outro. O Ego Negativo é um proponente do Eu idealizado.
O Ego é quem diz:
“Não sejas real: tenta ser aceitável. Não tentes primar nem destacar-te: trata de ser medíocre, ajusta-te, sê normal; não faças ondas, não faças nada de novo nem de diferente; trata de ser aceite. Não te aceites a ti mesmo, mas procura ser aceite pelos outros. Jamais te aceites a ti próprio, faz por conseguires que os outros sempre façam isso, a bem ou a mal, seja por que meio for que precises. Trata de ser idealizado. Trata de ser o que os outros quiserem que sejas. Sê qualquer coisa excepto tu próprio. Qualquer coisa menos real. Chama a isso real se o preferires, mas qualquer coisa menos real.”
A Sombra em vós diz:
“É isto que precisas enfrentar para seres real.”
A Sombra é um proponente e um aliado do vosso Eu Real, enquanto o ego é o aliado do eu idealizado. A vossa Sombra e o vosso Ego são inimigos naturais.
A vossa Sombra diz:
“Conquista o teu ego.”
Não podem conquistar o ego.
O vosso Ego diz:
“Conquista o teu ego. Destrói a Sombra.”
Mas não a podem destruir.
O vosso Ego diz:
“Combate a tua Sombra.”
Mas jamais poderão vencer. Sempre que combaterem a vossa Sombra, perderão. Sempre que tentarem conquistar ou aprisionar a vossa Sombra, sempre perderão. O vosso Ego e a vossa Sombra são inimigos. E a vossa Sombra é que é o aliado do vosso Eu Real. A vossa Sombra representa um aliado do vosso Eu Real.
A Sombra situa-se entre vós, o eu idealizado e o Eu Real. Situa-se a meio e representa a energia intermédia. Já escutaram essa frase antes. A vossa espiritualidade tem que ver com a descoberta da Energia Intermédia. Sim, a sombra é sombria, mas precisam entrar na Escuridão, no Poço, no Abismo. Precisam atravessar a Terra de Ninguém (NT: Capela Perigosa, no original, ao fazer alusão à capela que é empregue na obra de Thomas Malory, a Morte de Artur) É a Energia Intermédia que lhes permite transformar, estabelecer uma ponte entre a forma velha e a forma nova, transformar de uma forma numa outra por intermédio do aspecto da Sombra. Jamais lá chegam por meio do aspecto do Ego. Jamais chegarão a ser reais atravessando o trajeto do vosso Ego. Atravessem o trajeto da vossa Sombra e tornam-se reais. Ela permanece no meio e contém todas as coisas de que precisam para ser reais. Vocês precisam dessas coisas, entendem? Precisam dispor de certas coisas para chegar a ser reais, para serem reais. E precisam aceitar certas coisas para serem reais. E a Sombra possui todas essas coisas. É o aliado do vosso Eu Real, e como tal, vosso aliado de verdade. E o Ego é o inimigo do vosso Eu Real, o inimigo da Sombra, e por isso, vosso inimigo. Não é a vossa Sombra mas o vosso Ego.
4 - A quarta verdade, o quarto malentendido: Já o afirmamos antes, o vosso ego sempre mente. Pensem nisso por um instante. Olhem de volta para as décadas anteriores da vossa vida, e perceberão que o vosso Ego Negativo (o ego de que estamos a falar) jamais lhes disse a verdade, por uma vez que fosse. Quando estavam para fazer papel de completo idiota, ele dizia-lhes:
“Vai em frente; vai em frente!”
Mas quando estavam a fazer algo de brilhante:
"Estás a funcionar com base no ego; estás a ser arrogante. Estás a ser egocêntrico; estás a acolher tudo de uma forma inflacionada. Quem julgas que és? Não és ninguém; és um pé rapado. Com que então, fizestes alguma coisa grandiosa certa vez. Não o voltarás a fazer.”
“Olha, chega lá aqui; eu tenho um atalho a propor-te. Se ao menos os fizeres sentir culpados, e os manipulares, os intimidares. É por aí que poderás seguir. Eu levo-te a isso, prometo-te. Rico e famoso. Irás tornar-te rico e famoso. (Riso) Segue aquilo que te digo. Não pratiques essa coisa da honestidade. Leva demasiado tempo.”
Sempre mente. Quando estavam para estragar tudo, sempre dizia para avançarem, e quando estavam para coeter alguma coisa que os levasse adiante dizia:
“Para! Alto!”
E corria convosco com medo. O vosso ego sempre mente. Quantas promessas terá o vosso ego feito? Quantas vezes lhes terá o ego prometido:
“Tu estás por dentro disto, tu compreendes isto…”
E vocês não compreendiam! Quantas vezes lhes terá prometido:
“Vai resultar, vai resultar, vai acabar bem…”
E não acabou? Ele sempre mente. A vossa Sombra sempre lhes diz a verdade. A Sombra jamais mente. Poderão não gostar da verdade que revela, mas ela nunca mente.
“Espera lá, espera lá, já trabalhei a minha Sombra e falei com ela e ela disse-me… Mas aquilo era mentira.”
Se foi uma mentira, não foi a Sombra. Foi o ego vestido de Sombra mas não era ela. O vosso Ego empunhou a máscara do Monstro e disse-lhes que se estavam a sair bem, que não nada tinham de errado, que não tinha nada que com ela, e que ela só se sentia um pouco aborrecida, nada demais, que não sentia nenhuma revolta, e para não se preocuparem. Isso não é a vossa Sombra, porque a vossa Sombra jamais mente. E se tentarem combatê-la sempre saem a perder. Ao passo que, se criarem uma aliança, vocês sempre – sim, sempre – vencem.
Já produziram uma aliança, entendem? Apenas escolheram o vosso aspecto errado. Fizeram uma aliança com o vosso Ego Negativo, quando não sabiam disso. É por isso que precisam romper e dominar e edificar. Precisam mudar a aliança do Ego para a Sombra. O Ego sempre mente. A Sombra sempre diz a verdade.
5 – O quinto equívoco: Reconhecer a Sombra em vós não representa um aprisionamento, nem uma tentativa de a controlar. Não constitui uma tentativa de a porem para trás de modo a não mais, em tempo algum, voltar a surgir. Domínio, envolve mobilização, e não controlo. Envolve libertá-la e não aprisioná-la. Envolve escolher e dirigir a energia que a vossa Sombra encerra por vós. A energia da vossa raiva, a energia do vosso ego, a energia do controlo e da manipulação que fazem, a energia da vossa crueldade, a energia da vossa falsidade, a energia da vossa hostilidade. Usar essa energia pela admissão dela, sem a aprisionar nem negar mais, sem embrulhá-la de modo que não mais volte a funcionar:
“Acabei com isto!”
Nunca!
“Eu uso-a pelo proveito que tiro e dirijo-a.”
O sentido de propriedade é vital e coisa viva, e representa abrangê-la e traze-la para mais perto, não afastá-la ainda mais, nem enterrá-la mais fundo do que a tinham já enterrado.
6 – E nessa mesma linha, o sexto equívoco: Fazer as pazes com a vossa Sombra não a faz desaparecer. Nem leva a que os deixe sozinhos. Isso chama-se negá-la. Isso chama-se empurrá-la para mais fundo dentro de vós, e aí ela deverá voltar a vir ao vosso encontro enquanto destino, sem dúvida, ou A maneira como as coisas tipicamente acontecem. A paz torna a vossa Sombra mais consciente.
“Ah, não. Então, alguém mais a poderá notar.”
“Eles já a notam!” (Num sussurro, seguido de riso)
“Vocês são o único que não tem consciência disso.” (Riso)
Fazer as pazes assim como descobrir as necessidades da vossa Sombra e as vossas necessidades, que ela encerra. Isso não a leva a desaparecer.
“Acabei com ela! Dei-lhe aquilo que queria e retomei o qu equeria e nunca mais a quero ver nem ouvir falar dela!”
Mas isso não acontece assim por ela ser parte daquele que são. Ela não é aberração temporária nenhuma, nem uma distorção temporária nenhuma, é parte daquele que são. Essa é uma coisa muito difícil de aceitar, bem o compreendemos. Mas quando o compreendem, isso dá lugar a uma liberdade inacreditável, pegar nessa mesma energia e de a usar de um modo produtivo, construtivo, consciente. A paz não empurra a vossa Sombra para mais fundo. A paz trás a vossa Sombra para mais perto. E é por isso que tantos não têm vontade de o fazer. Por parecer assustador e os deixar assustados.
"Queres dizer que a minha hostilidade vai chegar à tona?"
Sim!
"Bom, que bem produzirá isso?" (Riso)
Então poderão enfrentá-la. Quando a empurram para mais fundo e para dentro, passam a criar situações no vosso mundo que vêm ao vosso encontro, por meio de exemplos como os da Bósnia e da Somália e da Arménia e do Sudão, e da África do Sul, e das cidades interiores por toda a parte - e por meio de exemplos daqueles em que as pessoas que os rodeiam os tratam com hostilidade, uma hostilidade que pensam pertencer a eles, quando, de facto, lhes pertence a vós. Se a fizessem florescer, com consciência de serem capazes de tal hostilidade:
"Oh, detestaria pensar nisso!"
Pois é, e também detestam senti-lo. Nós entendemos. Talvez precisem confrontar o ódio e depois pedir (…) Mas se fizerem as pazes tornam-se mais conscientes e terão consciência de lhes dizer respeito, e aí conseguirão lidar com ela. Não aprisionam-doa, nem contendo-a, nem fechando-a a sete chaves, mas libertando-a enquanto energia a usar. O sexto mal-entendido está em que a paz não faça com que desapareça. Fazer as pazes significa é trazê-la para mais perto.
7 – E o sétimo e último equívoco que mencionaremos: A vossa Sombra contém a Profundidade Perdida da Alma. Também contém a Profundidade Perdida do Espírito, de uma imaginação que se imagina a si mesma, de uma criatividade que se cria a si mesma. É onde essas coisas se encontram. A Sombra encerra-as. Não como um resgate mas como uma dádiva, quando se dispuserem a admiti-la e a fazer as pazes e a aceitá-la. A Sombra não é o vosso inimigo. Não é o vosso castigo merecido (némesis). Não pretende magoá-los. Talvez o vosso ego e o Eu Idealizado se sinta ofendido, mas a vossa Sombra não tem a intenção de os ofender. Não é o vosso inimigo.
Esses são os sete equívocos que muitos de vocês adoptam. E cada um de vós abriga um ou outro desses mal-entendidos. Para poderem reconhecer a vossa Sombra, não só precisam saber o que ela compreende (aquilo que tenha sido negado, aquilo que a criança e o adolescente tenha afastado, desde a agressão à avareza, aquilo por que não se responsabilizariam, desde o poder à espiritualidade, as agendas perdidas e as agendas ocultas e o feminino e o masculino negados e castrados, respectivamente) como também se torna importante compreender os mal-entendidos relativos à Sombra, e corrigi-los, se quisermos. Aí terão uma oportunidade de lutar, então disporão de uma oportunidade legítima não só para dançar com a vossa Sombra, mas de a admitirem, e de fazer as pazes.
 (1) Trabalhar com o vosso Eu Superior
Mas então, de que modo admitem essa Sombra? Como é que se assenhoram dela?
“Admitindo isto e aquilo e não sei que mais…”
Pois sim. Antes de mais sugerimos que para poderem reconhecer a vossa Sombra e não apenas defini-la de uma forma ou de outra, isso envolva em primeiro lugar passar um tempo com o vosso Eu Superior, ou com um dos vossos concelheiros ou um dos vossos Guias (ou qualquer dos vossos Amigos Invisíveis que mais apropriado pareça). Sentem-se com o vosso Eu Superior e conversem sobre os equívocos (que foram apresentados atrás). Sentem-se a falar com o Eu Superior sobre isso que nasceu convosco, que mantêm sagrado e protege e que conduz a vós o lixo assim como os tesouros que deixaram para trás. Conversem com o Eu Superior e digam-lhe ser isso que usa a máscara de tudo quanto rejeitaram, mas que realmente permanece uma entidade viva, consciente e vibrante que existe na vastidão do que os caracteriza. A Sombra não é complexa, mas ao invés um ser que é complicado.
Falem sobre as verdades:
Sobre a compreensão que têm da Sombra ser o inimigo do Ego Negativo.
Sobre a compreensão que têm da Sombra sempre revelar a verdade enquanto o Ego negativo sempre mentir.
Sobre a compreensão que têm mais clara do significado da propriedade, do significado da paz.
Sobre a compreensão que têm de que essa Sombra – de que fugiram, de que se esconderam, e que procuraram negar – encerra a Profundidade da Alma e do Espírito, a criatividade e a imaginação, tão essenciais à vossa espiritualidade.
Sentem-se com o vosso Eu Superior e conversem sobre os equívocos que formam. Alterem as matérias-primas - as crenças e as atitudes, os pensamentos e os sentimentos, as escolhas e decisões que estabelecem em relação à vossa própria Sombra. É aí que tem início a admissão; no esclarecimento dos equívocos. Existem os sete que sugerimos (assim como podem existir outros) de que o vosso Eu Superior lhes dará conta. Ela encerra a profundidade perdida da Alma e do Espírito, a criatividade e a imaginação, tão essenciais à vossa espiritualidade. Reunam-se no vosso eu superior e conversem acerca de qual desses equívocos será vosso. Alterar a matéria-prima, alterar a crença e a atitude, a ideia e o sentir e as escolhas e decisões que fazem com relação à vossa própria Sombra. É aí que tem início esse assenhoramento. Esclarecer estes ou aqueles equívocos acerca da Sombra (embora possam outros) para criarem um contexto que seja mais limpo e mais claro para poderem assenhorar-se da Sombra.
(2) Os Reflexos
O segundo passo passa por procurarem indicadores disso fora de vós. Olhem para fora de vós próprios para o que chamamos de os Reflexos da vossa Sombra. Observem a vossa família: a vossa mãe, o vosso pai, os vossos irmãos. Para alguns de vós, a família estender-se-á a avós, tios, e primos, etc., dependendo do tamanho que essa família tiver. Observem a vossa família, por eles não serem a vossa Sombra, mas reflexos da vossa Sombra.
Observem o vosso corpo, a vossa forma física. Por ela constituir um reflexo da vossa Sombra: de que modo terão configurado as células do vosso corpo? Serão demasiado altos, demasiado baixos, demasiado gordos ou magros, estarão desfigurados aqui, terão uma deformação acolá, padecerão de uma doença aqui, enfermidade ali? Observem o corpo – não como um absoluto, mas em busca de pistas. Observem os reflexos, observem a família e o corpo e o que ele tenta dizer-lhes.
Observem os actores da vossa realidade. Um actor, ou peão, é um conhecido a quem sempre encontram. Pode ser alguém do emprego. Pode ser um patrão. Pode ser alguém que vejam todas as manhãs no elevador. Pode ser alguém com quem topam a cada três dias no 7-11 (Uma cadeia de lojas de conveniência). Não são amigos íntimos. Não sentem proximidade, nem delicadeza, nem vulnerabilidade nem confiança em relação a eles. São apenas pessoas com quem lidam numa base regular. São actores ou peões, e não simples extras. São actores na peça que encenam.
 “Aquele fulano: Eu sempre me deparo com ele. Nem sequer sei quem é. Jamais cheguei a conhecê-lo. Jamais falei com ela para além de um aceno de cabeça aqui ou ali.”
É um peão.
“Esta fulana que se senta perto de mim, ou que trabalha do outro lado do corredor, ou com quem tenho de lidar neste ou naquele departamento.”
São peões na vossa realidae. Observem-nos.
Depois voltem-se para aqueles com quem têm intimidade, por muitas vezes caírem de amores pela vossa Sombra (riso) ou lhes transferirem a vossa Sombra. Por ao negarem a Sombra em vós e ao recusá-la a lha transferirem. Talvez não se tenham revelado assim quando começaram, mas agora revelam-se. (Riso) Por vezes, aqueles de vós que tanto temem a própria agressividade, e se sentem de tal modo aterrados para admitirem poder ter um gene de agressividade no seu corpo, casam com alguém ou darão por si num relacionamento íntimo com alguém que dá expressão não só à vossa agressão, como à vossa própria agressão.
Mas podem não carregar somente o vosso lado escuro. Alguns de vós, tão receosos de admitirem a própria beleza, o vosso poder, o esplender que possuem, casarão ou cairão de amores por alguém belo e poderoso e maravilhoso. E depois sentem-se inseguros, receosos de os perder, ou com ciúmes deles de qualquer dessas suas qualidades.
Por vezes a pessoa pode não começar com o aspecto da Sombra, mas através da intimidade, por meio da proximidade e da vulnerabilidade do relacionamento, tornar-se na Sombra. E tornar-se no mártir que fingem não ser. Torna-se na pessoa irritada que fingem possivelmente jamais ser. Torna-se fria e distante, ao reflectir a indiferença e a frieza e a calma que vós, que fingem ser apenas cálidos e meigos, detentores de um carinho pegajoso (riso) não admitiriam ser.
Isso são reflexos, entendem? A família, o corpo, os peões ou actores, e aqueles com quem têm intimidade reflectem a Sombra.
(3) Os Padrões
Em terceiro lugar, Observem os padrões que se encontram patentes na vossa vida. Olhem para a emoção exagerada. Bom, referimos muitas vezes a importância de sentirem com intensidade. Não estamos a falar de olhar para as emoções que sentem com intensidade. Estamos a falar de olhar para as emoções que sentem de forma exagerada.
“Esta pessoa deixa-me de tal modo irritada que era capaz de explodir. Era mesmo capaz de a desfazer. Estava absolutamente capaz de gritar tão alto quanto conseguisse. Não suporto aquilo que faz! A maneira como usa o cabelo! (Riso) Olha para os sapatos que calça! Toda a vez que vejo isso dá-me vontade de me pôr aos berros.” (Riso)
Isso não é intensidade. É emoção exagerada. (Riso)
“Estes malditos condutores! Eles não seguem os sinais de orientação. Não têm a menor consideração. Só desejava ter uma arma comigo que lhes rebentava com a cabeça e lhes ensinava uma ou duas lições!” (Riso)
Com certeza que é irritante. Com certeza que gostariam de expressar a fúria que sentem por gestos, mas chegam a casa e começam ao chutos e a atirar as coisas por causa daquele idiota que há 45 minutos atrás, 30 km atrás, não obedeceu aos sinais de orientação.
Ou existirá alguém na vossa vida a quem odeiam de uma forma não só intensa, mas em relação a quem sintam uma forma exageradamente de irritação ou se sintam aterrados ou ofendidos, devastados de um ou de outro jeito. Vai exageradamente além da medida que assume. Olhem as emoções exageradas que se repetem, e que não se desvanecem.
“Independentemente do quão o processe, simplesmente não consigo livrar-me disso; não consigo eqsuecê-lo. Está sempre a acontecer-me; não o consigo evitar…”
Observem o exagerado por também lhes revelar um padrão.
Olhem também os comentários negativos que colhem repetidas vezes.
“Não sei porquê, nem o entendo. Toda a gente me diz que sou tão insistente, intrometido. Não entendo. Jamais fui intrometido na minha vida. (Riso) Nunca disse a ninguém o que fazer. De facto, recuso-me a dizer às pessoas o que fazer. São elas que devem tomar as decisões. Eu insisto nisso. Exijo que seja assim. Não quereria que fosse de outro modo. Na verdade, não permitiria que seja de nenhum outro modo. (Riso) Mas as pessoas insistem em que eu sou insistente. (Riso) Quem precisa delas, de qualquer forma? (Riso) Vou encontrar amigos diferentes, pessoas capazes de sentir apreço por mim.”
“Bom, elas dizem que eu sou insistente. (Riso) Hei, se eu sei que é o indicado para elas, poderei evitar? (Riso) Isso será culpa minha? Quando vejo que estão a cometer algum erro terrível, não será apenas uma demonstração de carinho exigir, insistir, assegurar-me de que não o cometam? (Riso) Quando a sua vida inteira está despedaçada, desde a madrugada até ao crepúsculo, não será um gesto de carinho da minha parte intrometer-me e corrigi-la? E depois ainda me chamam de insistente!” (Riso)
Os comentários negativos que colhem repetidas vezes. Talvez, talvez possivelmente eles não sejam todos malucos. (Riso) Talvez não se tenham reunido todos antes desta vida e decidido:
“Vamos dizer-lhe que ele é insistente. Eheheh.” (Riso)
Talvez não se trate de uma conspiração o facto de enquanto dormiam o mundo se tenha congregado (riso) e concordado numa mentira. (Riso)
“Não entendo. Dizem-me que eu sou um mártir. Eu? Não tenho qualquer gene de martírio no meu corpo. Não consigo entender por que razão as pessoas são incapazes de o compreender. Dizem que eu sou um mártir e que as pressiono. E eu sem saber como! Eu nada tenho que ver com isso, nada em absoluto.”
Observem a resposta, os comentários negativos repetidos que obtêm, assim como (mais assustador) olhem para o que obtêm de positivo. Alguns de vós sentem-se de tal modo aterrados que nem sequer permitem qualquer comentário positivo:
“Não, não, não, não, não, não digas isso. Não digas tal coisa. Poderemos mudar de assunto? Por favor? Por ter muito medo de poder estar a ser egoísta -diz o vosso ego.”
Observem os padrões da emotividade exagerada tanto de carácter obscuro quanto claro – claro também.
“Toda a vez que vejo isto, choro. Toda a vez que vejo aquilo, o meu coração dispara."
Observem os comentários repetidos: de carácter negativo, mas também positivo. Observem as compulsões e o comportamento obsessivo que adoptam. Os comportamentos obsessivos e compulsivos não são necessariamente maus, só que reflectem ou mostram um padrão da vossa Sombra. Observem os segredos que guardam – não no sentido de os revelarem, mas de os compreenderem. Observem as mentiras que vivem, a vida secreta que levam, ainda que em fantasia. Por conseguinte, observem igualmente as fantasias.
Observem o tipo de filmes a que secretamente gostam de assistir. Será realmente desclassificado pensar e admitir que gostem de filmes de sangue e entranhas, de pancadaria e de violência. Mas alguém precisa gostar deles, sabem. (Riso) Alguém precisa, por pagarem imenso dinheiro para os ir ver e dizer:
“Oh, que nojo! Oh! Sabes, estão aí umas 85 pessoas a assistir. Eu contei-as.” (Riso)
Os livros que encapam com um papel acastanhado, não por serem romances sexuais desprezíveis, mas por serem romances superficiais. Observem as fantasias e os segredos que têm, as mentiras, as obsessões, as compulsões que têm. Tudo isso faz parte, é padrão de alguma coisa que estão a tentar obter, de algo que estão a tentar entender ou descobrir, mas que não acham que devam – e pensam que traduza a única forma porque podem chegar a cruzar-se com isso.
Observem as traições, os abandonos, as humilhações, as rejeições – tudo isso é parte do padrão. Agora, podem não os descobrir em cada categoria, mas se observarem as categorias:
“Não há nada aqui, não há nada ali, já acolá... Acolá!”
Em relação a alguns não terão exagerado respostas emocionais; outros de vós exageram. Alguns de vós podem não pensar que têm compulsões ou comportamentos impulsivos, segredos, mentiras e fantasias. Não é mau tê-las:
"Ah, o melhor é que detenha isso!"
Mas olhem isso, aprendam com elas, por elas reflectirem um padrão, ou fazerem parte de um padrão. Assim, voltam-se para fora de vós em busca dos reflexos, voltam-se para fora de vós, em busca dos padrões.
(4) Projecções
Mas em quarto lugar, também se voltam para fora de vós, em busca das projecções. Porque os reflexos, os padrões e as projecções são coisas distintas.
Peguem no exemplo de alguém a quem odeiem.
“Oh, eu não odeio ninguém.” (Riso)
Essa é uma grande pista para o vosso ego!
Peguem no exemplo de alguém a quem detestem intensamente. (Riso) Peguem em alguém a quem conheçam, mas se estiverem absolutamente convencidos que não conheçam ninguém assim (riso) há por aí muitas figuras públicas. Pelo menos podem detestar o Hitler ou certa gente bárbara. Mas se não detestarem ninguém em absoluto, então saberão que terão uma Sombra repleta de ódio.
Peguem em alguém a quem realmente detestem, que se intrometa convosco a valer. Sentem-se e enumerem – anotem, não o façam apenas mentalmente – todas as coisas sobre essa pessoa que detestam. Não parágrafos muito compridos, mas apenas uma palavra ou outra, ou uma lista.
“Detesto esta pessoa por ela ser tão arrogante, tão egocêntrica, tão cheia de si. Ela é desonesta. Mente metade do tempo, não porventura mentiras concretas, mas mente para ela própria, e mente com respeito a ela própria. E é tão intrometida e tão controladora nisso...”
"Bom, não quero enumerar muita coisa, (diz o vosso ego). E que tal antipatizar com ela por ela ser demasiado generosa – é isso! Demasiado carinhosa, demasiado ingénua, demasiado espiritual?"
Isso é o vosso ego a falar, e vocês sabem que sim. Sejam honestos. Mais ninguém irá ler a vossa lista. Sejam honestos convosco próprios. Com que é que antipatizam de verdade?
Agora, nem tudo isso será a vossa Sombra:
“Ah, caramba!” (A rir)
Há certas coisas com que antipatizam por antipatizarem genuinamente. Esta pessoa é abusiva, e eu detesto o facto de ela cometer determinada coisa. Quererá isso dizer que sejam abusivos? Não, necessáriamente. De todo.
Mas enumerem todas as qualidades que lhes ocorrerem, 40, 50,120, etc. (Riso) E a seguir percorram essa lista a fim de descobrir quais as que contêm informação.
“Pois, isto incomoda-me em relação à pessoa. Disto não gosto nela. Isto, chego mesmo a odiar nela.”
Podem contornar as razões de carácter informativo porque não gostam nela, por terem, afinal de contas, apenas um carácter informativo.
“Quais me afectarão a sério?”
Quando chegam mesmo a pensar nelas, tremem e quase se sentem uma apreensão, um aperto interior. E por entre essa multiplicidade poderá haver umas três ou quatro qualidades que realmente os ferem. Tremem só de pensar nisso.
 “Nem sequer tenho vontade de o anotar no papel. Nem sequer quero ver a palavra impressa.”
Quando têm uma reacção intensa em relação a uma dessas muitas qualidades, é uma que circundam. O facto de determinada pessoa ser abusiva, o que os poderá levar a sentir-se irritados ou a deixar de gostar dela ou a desaprová-la, e a decidir deixar de ser sua amiga, e a não ser cúmplices na mentira, e na verdade chegarem a dizer-lho se ela lhes aparecer. Já se for um criminoso, uma pessoa horrível, e sentirem que a precisam deter ou fazer alguma coisa, contar a toda a gente, Se realmente for coisa que realmente mexa convosco, será uma que quererão observar. Não que o façam necessariamente da mesma forma, mas faz parte da vossa Sombra. Mas se observarem essa pessoa que detestam, e enumerarem as qualidades, e a seguir pegarem nas que os tocam de verdade irão apenas dar com três ou quatro, talvez apenas uma ou duas que lhes causem qualquer coisa. São essas que circundam.
Da mesma forma, pegam nessa mesma pessoa, e procuram, e independentemente de tudo isso, vão em frente e admitem-no:
“Admiro algumas coisas em relação a ela. Muito embora seja uma desgraçada e tenha 45000 defeitos, preciso admitir que é potencialmente isto, ou capaz disto, daquilo ou daqueloutro. Detesto, detesto, detesto admiti-lo mas é verdade. Não quereria que ninguém soubesse!”
Não precisam. (Riso) Basta que vocês próprios saibam disso.
Com que qualidades positivas antipatizam em relação a essa pessoa? Podem haver apenas quatro ou cinco. E por entre elas, haver aquelas que os deixarão mais enfurecidos. Que qualidade os toca de verdade?
“Preciso admitir que me incomoda. Dilacera-me dizer que são palavras que representam como que veneno na minha boca!”
Faz parte do aspecto claro da vossa Sombra.
Agora revertemos isso, pegando no exemplo de alguém a quem amem de verdade – a quem amem a valer. E enumerem todas as razões favoráveis.
“Deixa-me contá-las.”
Enumerem todas as razões. As mais parvas, as estúpidas, as mais profundamente acarinhadas, as mais pungentes. Enumerem tudo. Não se preocupem em ordenar ou priorizar. Saquem-nas todas.
Da mesma forma, olhem por entre essa informação:
“Isto é informativo. É maravilhoso. Isto é maravilhoso. Esta faz-me chorar. Esta leva-me às lágrimas. Esta toca-me profundamente. E esta? Preciso parar, por envolver demasiada intensidade para mim. Não que a inveje, mas estou admirado com esta qualidade que ela possui. É de tal modo preciosa e tão querida que é de cortar a respiração."
Essas são as que quererão circundar, sublinhar. E de igual modo, com essa pessoa que amam; ela possui falhas, ela tem defeitos, qualidades, embora não reconhecidas, de que não gostam. Se estiverem apaixonados por alguém e essa pessoa não tiver defeitos, não estarão apaixonados por uma pessoa real. Muitas de vós, mulheres, foram transformadas numa Madona e colocadas num pedestal.
“Ah, eu não tenho qualquer atitude chauvinista em relação às mulheres, eu adoro-as.” (Riso)
Soa engraçado, não?
“Ah, ah, alguém se vai dispor a adorar-me. Aaaaah, adoro a ideia. Beija-me o anel.” (Riso)
Mas vocês não estão a ser autênticos com elas. Não estão a ser verdadeiros com ele, e em breve eles vão-lhes descobrir os pés de barro e vão-nos acusar de o traírem. Muitas de vós, mulheres, sabem disso. E muitos de vós, homens, também têm consciência disso. Se estiverem a amar alguém, e essa pessoa não apresentar um único defeito, não a conhecerão. Estarão unicamente a projectar alguma coisa, excepto uma pessoa real.
Agora, não estamos a afirmar que tenha que ter tantos problemas quantos os encantos que apresente, absolutamente. Pode haver apenas duas ou três coisas, mas com que qualidades, as falhas ou os defeitos com que antipatizarão? E de igual modo, fazem-se rodear daqueles que têm significado, que os deixam agitados, que os fazem retinir. Quanto disso serão projecções que reúnem, aquelas projecções que produzem intensidade daquelas com que antipatizam e das que gostam. Não usam um bando de pessoas – apenas uma pessoa por quem sentem antipatia, uma pessoa que amam, e depois tratam disso. E essas qualidades que descobrirem serão as qualidades que fazem parte do aspecto obscuro e do aspecto claro da vossa Sombra.
Vocês definem o contexto. Voltem-se para o exterior em busca de reflexos, voltem-se para fora de vós em busca dos padrões, procurem fora de vós as projecções.
(5) Conduzindo Tudo para o interior
O quinto passo consta de conduzir tudo para dentro e ver – por intermédio dos reflexos, dos padrões e das projecções – os aspectos, as qualidades, as características, os fenómenos da vossa Sombra. Não estão a ver a Sombra - estão a presenciar a fenomenologia da vossa Sombra.
“A minha Sombra é estas coisas. A minha Sombra são estas qualidades. A minha Sombra possui estas características, estes traços da personalidade, estes comportamentos, funções e actividades idiossincráticas."
Conduzem isso a vós, e começam a admitir essas qualidades. E quando escutam a frase:
“Detestaria pensar que isso fosse verdade em mim.”
Saibam que se trata do vosso ego. Quando escutam a frase:
“Ah, é tão embaraçador.”
Saibam que é o vosso ego.
Muito bem, o vosso ego sente-se embaraçado. Importam-se? Isso para vós terá verdadeiramente importância? O inimigo sente-se embaraçado. Bom, vamos deixar de procurar. Vamos parar de cavar. Se ao menos isso fosse padrão no vosso mundo. (Riso)
E admitem a coisa:
"Agora talvez não tenha estas qualidades da mesma forma que a minha projecção as usou, mas isto é o que eu sou. Isto faz parte da minha Sombra."
E neste quinto passo conduzem-no a vós e começam a reconhecer isso. Começam a admiti-lo. Não precisam difundi-lo, mas apossam-se disso e admitem-no em vós próprios.
(6) aquilo que Perseguem na Vossa Sombra
No sexto passo, perseguem na vossa Sombra. Em meditação, no mundo íntimo do vosso local seguro e além – no Subliminar, ao seguir a faixa da estrada – vão correm atrás da vossa Sombra. Precisam ir atrás da vossa Sombra. Não é suficiente dizer:
“Está bem, está bem, a minha Sombra apresenta hostilidade, a minha Sombra é cruel, a minha Sombra acha-se repleta de raiva e de ódio”.
Isso não é difícil de dizer, em particular após o terem repetido um milhão de vezes. Essas são qualidades da vossa Sombra, mas não são a vossa Sombra. Precisam entrar numa meditação e perseguir a vossa Sombra.
Precisam ir além da protecção – vão até ao Subliminar, e seguir a faixa da Estrada, talvez mesmo largar isso para vaguear pelo deserto em busca dessa Sombra. É uma busca assertiva, uma busca agressiva, e quando descobrirem a hostilidade, penetram nela. Quando descobrirem a crueldade, aquele ódio, penetrem nela. Alimentar e perseguir isso. Para além da vossa lógica e razão, para além do vosso intelecto, penetrem nisso e enfrentem não a qualidade, mas o ser que é hostil, que é odioso, que é frio e cruel, ou punitivo, ou egocêntrico, e subtilmente controlador, de um modo ou de outro.
Podem fazer uma lista dos traços terríveis e dizer:
“Sou eu.”
Isso não é admitir a vossa Sombra. Não representará reconhecimento dela até poderem entrar nela, persegui-la e descobri-la, lutar com ela, desenredá-la, sujar-vos nela, deixar que se agarre a vós, deixar que se torne numa parte de vós. Possui-la.
(7) Meditação
Usem o formato da meditação, ou criem o vosso próprio. Criem uma técnica meditativa, criem um ritual, uma dança, como meio de estabelecer ligação com ela e descubram a vossa Sombra. Tenham sempre junto de vós o vosso Eu Superior, ou a orientação positiva. Íamos sugerir um relógio de sol de meio metro, um metro, ou mesmo de metro e meio, não assente em pedestal nenhum mas fixo no chão. Um relógio de sol que tenha um objecto vertical que lance uma… sombra! Local onde poderão conhecer, ver, experimentar a vossa Sombra.
Se descobrirem:
“Ah, eu tenho um local que funciona de modo mais efectivo...”
Óptimo. Mas criem um tipo qualquer de ritual, um tipo qualquer de procedimento, um tipo qualquer de abordagem meditativa por meio da qual possam ir ao encontro, empreender, tratar, chegar a conhecer a vossa Sombra. Isso também faz parte do processo do assenhoramento dela. Desde o contecto que estabeleceram com o esclarecimentodos vossos próprios equívocos e com a busca exterior dos reflexos, dos padrões e das projecções, ao conduzirem tudo isso ao interior em termos das palavras e das descrições que são características e descrições da vossa Sombra, aseguir perseguem isso, vão até ao extremo da vossa realidade e além da protecção justamente até à perfídia para descobrirem essa Sombra. Sombra essa que possui essas qualidades, essas características, esses traços da personalidade, essas idiossincrasias, e criem um ritual para ós próprios, um meio, um padrão por intermédio do qual continuem a trabalhar essa Sombra, para assim criarem uma aliança, de modo a impulsinoar-se, catapultar-se em frente no vosso caminho.
Mas para além dessa paz com a vossa Sombra, podem começar a fazer as pazes com o vosso próprio eu. Quando realmente estabelecem as pazes com a vossa Sombra, a vossa vida e a vossa realidade podem ficar repletas e aí a vossa vida pode encher-se de todo o tipo de magias, de todo o tipo de milagres ricos e maduros, e escorrer magia e milagre. Podem chegar a conhecer o vosso Espírito, e a relação que têm com Deus, com a Deusa, com o Todo pode tornar-se viva e vibrante de vida e abranger o amor.
Bom, a Sombra pode ser um tanto esmagadora, não? Um pouco nojenta - hostilidade opressiva (riso), martírio, e autocomiseração. E é, sem dúvida. Mas, vejam bem, tudo o que é negado - o que quer que seja que lhes tenha sido ensinado e em que tenham sido condicionados a acreditar, ou o que tiverem negado por serem incapazes de lidar com isso - torna-se parte da Sombra. Todas as coisas particulares a que a criança adaptativa deu uma cotovelada para fora do caminho de modo a conseguir tornar-se no ser perfeito, e a sobreviver; as coisas que o adolescente, no pânico e na necessidade de ordem e de estabilidade que sente dispersou de modo a tornar-se aceite - tornaram-se parte da Sombra. Toda essa energia de agressão e avareza, tudo por quanto se recusam a ser ou porque pensam fingir não ser responsáveis é alojado em vós. Mas assim que é empurrado para baixo, tem que regressar a vós - no vosso mundo, nos actores que os rodeiam, nas pessoas íntimas da vossa vida, nas coisas que compõem a vossa realidade.
Quando conseguirem admiti-las, então não precisará dar-se no vosso mundo, nas coisas da vossa realidade. Não precisarão tentar suplantá-las nem esbarrar com elas, nem ser confrontados com elas. Quando conseguem admiti-la - e depois de acontrolarem, fazer as pazes - aí não precisará regressar a vós. E de facto, não o fará.
Do mesmo modo, a magnífica Sombra, tão frequentemente ignorada na maioria das explorações - todo o poder e espiritualidade, todas as agendas genuínas do destino, toda a energia masculina e toda a energia feminina tão incrivelmente e tão vivamente poderosas e belas - tão pouco terão que parecer exteriores a vós. Não precisará situar-se fora do alcance da admiração e inveja que sintam por aqueles que pareçam ter o que lhes falta, aqueles que parecem ter todo esse poder, aqueles que parecem possuir toda aquela espiritualidade, toda aquela força, beleza e admiração.
“Se resulta no caso delas, por que não no meu?”
Por também negarem isso em vós. A despeito das palavras em que se "embrulham" - se o negarem em vós próprios, terá que vir de volta a vós no vosso mundo e naqueles que os rodeiam. Mas quando consegue aparecer através de vós, então podem permitir-se criá-lo, tornar-se conscientes. Nesse caso não serão meras testemunhas, mas participantes - não apenas espectadores, mas participantes vitais, adversários. Todas essas coisas magníficas que tanto anseiam ter, e que de uma maneira qualquer têm consciência de ter já, podem tornar-se numa realidade para vós.
Muitas vezes terão dito:
"Eu sei que tenho poder, mas por que razão a minha realidade não o reflectirá?"
Por não estar a apossar-me disso a partir da minha Sombra. Posso ansiar por isso, desejá-lo, desejar abraçá-lo e agarrá-lo, eu uso afirmações, uso afirmações positivas, pensamento positivo, mas não é meu.”
Mas qualquer que seja o grau em que se o seja, não se achará presente com a intensidade, com a profundidade, com a riqueza nem com a maturação que podia ter.
Sim, a consciência e a informação parecem por vezes ser embaraçosas, e por vezes opressivas, e deprimentes ao ser libertada. Mas quando conseguem admiti-la e a seguir fazer as pazes com a vossa Sombra - estabelecer uma aliança com a vossa Sombra - disso resultará uma tal beleza, um espanto tão incrível que deste lado da Sombra parece impossível – palavras porque ansiar, por que se baterem, por que sofrerem - mas que do outro lado da Sombra, parecerão não ser alcançáveis, só que já se encontram ao vosso alcance.
E assim, nesta meditação que vamos fazer, embora não venham a esclarecer todos estes equívocos, muito embora não venham por completo a buscar fora de vós próprios – que em muitos aspectos buscam, mesmo enquanto falamos disso - sim vocês conhecem alguns desses reflexos na família e no corpo e nos actores e íntimos do vosso mundo. E muito embora tenham dito o tempo todo que “eles” eram os mártires e que eles eram isto e mais aquilo, eles poderão sê-lo, é verdade, razão porque é tão fácil eles aceitarem as vossas (riso) por serem experientes no martírio:
“Queres que eu faça de mártir contigo? Eu faço-o!”
Mas arranjem maneira de sair disso, em vez da codependência do:
 “Tenho que os mudar…”
Passa por aceitá-lo e por mudarem a vós próprios.
Assim, de que modo vos admitirão essa Sombra? Como?
... (Meditação não transcrita)
Saibam que os padrões foram estabelecidos; não, ainda não entendem por completo da vossa Sombra a ponto de dizerem: "É isso!" Não de todo, mas é um começo de uma nova profundidade, de uma nova dimensão, de um novo método de trabalho de modo a tornarem o trabalho da Sombra mais produtivo, mais atraente e mais impulsionada e numa catapulta. Um começo.
(I) Fazer as Pazes com a Vossa Sombra
Uma vez mais, tenham sempre o vosso Eu Superior ou uma orientação convosco. Trabalhem com o relógio de sol, no vosso próprio ritmo. Voltem lá a fim de descobrir mais sobre a vossa própria Sombra. Esclareçam os vossos próprios equívocos, e observem os reflexos exteriores que se apresentarem na vossa realidade, os padrões da vossa própria realidade, as projecções patentes na vossa realidade, as projecções manifestas na vossa realidade – conduzam isso dentro, vão atrás disso, procurem-no, vão até esse relógio de sol.
Vejam-no aí, nesse enorme disco, e sentem-se. E ao se situarem sobre ele na escuridão da noite – não, esse relógio não indica as horas, mas ao invés revela a Sombra. Revelará aqueles que na vossa realidade carregam pedaços da vossa Sombra – a mãe, o pai, o irmão, ou aquele que os tenha agredido na infância ou adolescência, ao se revelarem aqui ou ali no relógio. Aquela pessoa conhecida com quem estão continuamente a topar na vossa vida, que não faziam ideia de ser parte da vossa Sombra.
“Que estás aqui a fazer?”
“Eu faço parte da tua Sombra.”
Poderá tratar-se de uma pessoa íntima da vossa vida, ou de um dos vossos outros actores que pareça óbvio. Ela poderá apresentar-se aí, ao se posicionarem de certa forma à medida que avançam de uma hora para a seguinte, de um sítio para o seguinte. Mas quando a virem perguntam:
“Quem és tu? Porque estás aqui? Que parte da minha Sombra carregas? Que papel desempenhas?”
Ele poderá responder:
“Eu sou a tua raiva. Eu sou a tua agressividade. Eu sou o teu ódio. Sou a tua frieza e mordacidade. Sou todo o juízo que fazes. Sou a tua arrogância.”
Todas essas facetas horríveis vossas. Tudo isso carrega pedaços da vossa Sombra, que recuperam, que precisam admitir.
Ao passarem de um quadrante para o seguinte – de secção para secção (12 na totalidade) – poderão escutar vozes, poderão escutar trechos de diálogo, velhos trechos de gravações tocadas há muito tempo atrás. Poderão ouvir aquela voz dizer:
“Jamais vais ser alguma coisa na vida. Não passas de um burro desastrado. Nunca consegues fazer nada direito. Jamais terminas aquilo que começas. Deixa que eu to faça. És cá uma vergonha... Desejaria que nunca te tivesse tido.”
Ou podem escutar a voz da ex-esposa ou do ex-marido a dizer-lhes aquilo que os faz encolher como unhas a riscar a lousa do quadro. Talvez vejam cenas, retalhos do vosso passado, enquanto serpenteiam ao longo do disco.
Uma vez mais, com a presença do vosso Eu Superior ou de uma orientação positiva, depois do que se dará um silêncio à medida que a Sombra surgir – aquele ser que carrega tudo isso por vós vem revelar-se com a sua máscara. É aí que poderão tratar disso. É aí que poderão atravessar o processo não só de a descobrir e de a admitir, mas de estabelecerem uma aliança com a Sombra.
Aqui neste mesmo marcador podem começar a tomar posse da Sombra obscura, por ser por aí que precisam começar. É por onde devem começar, por o lado claro da sombra ser muito mais pesado, muito mais intenso do que a obscura. Consequentemente, não enfrentam o vosso maior obstáculo. Vão atrás dos inferiores em primeiro lugar. Antes de atacarem as mais elevados. Se brigarem com alguém escolham alguém que seja mais fraco que vós de modo a poderem vencer, não é? Claro que estamos a falar no sentido figurado e não literal... Mas vocês entendem, tratam primeiro do aspecto obscuro da Sombra de modo a preparar-se para fazer face ao aspecto claro.
Mas é no mostrador desse disco que podem admitir a Sombra e aí também se revelará a o lado claro da Sombra - aqueles na vossa vida que representam isso, aquelas frases que escutaram, que um certo professor disse ser importante para vós ou um certo amigo tenha comentado, ou do belo incidente que tenha ocorrido e que de algum modo os tenha deixado obcecados, a coisa bela que tenham feito que representa um reminiscente ou uma pista do aspecto claro da Sombra. Mas assim que o descobrirem:
"Está bem, está bem, bem vejo que estou cheio de ódio. Agora que é que faço? Bem vejo que sou um controlador, mentiroso e enganador. Consigo ver a fealdade e isso repugna-me."
E se não os repugnar ainda não a terão visto! O que representa uma pista, uma régua de aferição.
Como hão-de fazer as pazes; como hão-de criar uma aliança? Estabelecem um diálogo.
Ao terem visto os equívocos e trabalhado com eles, estabelecendo assim um contexto; ao terem feito o vosso trabalho no exterior - os vossos reflexos e padrões e projecções. Ao terem-nos conduzido ao interior e acorrido em busca deles de uma forma agressiva, por uma busca assertiva, ao terem descoberto esse disco (mas podem criar outra coisa qualquer que lhes proporcione essa oportunidade de claro e escuro. Ao descobrirem isso, Mas assim que o
(II) Dialoguem com a vossa Sombra
Sempre junto do vosso Eu Superior ou da presença de uma orientação positiva.
O primeiro passo, já referimos muitas vezes. Chegam a conhecer a sombra e dialogam com ela:
"Olá. Qual é a tua jogada? O que é que representas? Que é que se passa? Como estás? Quem és?"
Conversem para trás e para a frente.
"Porque te encontras aqui? Que é que estás a representar? Que máscara estás a usar? Que fantasia? Fala comigo. Argumenta. Diz-me qual é o teu ponto de vista. Expressa-te que eu também me expressarei. Vamos discutir, pelejar, chamar nomes um ao outro, mas vamos dialogar juntos."
E no processo desse diálogo, aquilo que precisam descobrir é em relação ao que é que a vossa Sombra necessita que façam as pazes - não necessariamente no sentido de ser vosso amigo, mas de fazer as pazes. Porque é que a vossa Sombra precisa de vós para se sentir em paz?
Agora; ainda não lha querem dar. Só precisam descobrir o que é que precisa. E sempre quererão ter o vosso Eu Superior ou algum Amigo Invisível fiável por perto para interpretar, para lhes dar permissão para acreditar no que estão a ouvir.
"Bom, eu sempre pensei que a Sombra sempre dizia a verdade."
Ela diz, mas nem sempre compreendem essa verdade. Mas o vosso Eu Superior compreende. Mas isso sempre deixa alguns egos eriçados. Vocês não compreendem, a vossa Sombra é demasiado complexa para o compreender por completo. No entanto, o vosso Eu Superior compreende-o. Por isso, se lhe perguntarem:
"Que é que precisas de mim? Que é que precisas de mim?"
Ela poderá dizer que precisa do vosso olho esquerdo.
Podem pensar:
"Ora, é claro que ele está a falar em termos figurativos. Está a referir-se à forma como encaro o receber, a forma como encaro a energia feminina, o modo como vejo o mundo do ponto de vista feminino. Preciso arrancar este olho e dar-lho, no sentido figurativo, é claro. De modo que consigo entender isso. Vou-te dar o meu olho."
Mas a verdade poderá ser a de que uma coisa que lhe possa conceder paz seja o vosso olho esquerdo - literalmente. E se forem em frente e o fizerem em meditação sem pedirem permissão, sem verificarem junto do vosso Eu Superior a ver o que quer dizer com isso e se não faz mal, poderão ver-se em perigo. Poderá suceder que tenham um acidente em que fiquem com o vosso olho esquerdo de fora. E no horror disso, no processo disso, poderão fazer muita busca pela alma e chegar a descobrir quem são. E ai está! A vossa Sombra tinha falado a verdade. E quando conseguiu que ficassem sem o vosso olho esquerdo ficou em paz.
"Ena pá, não estou seguro de querer entrar nessa."
E nós concordamos!
Mas se verificarem junto do vosso Eu Superior, ele dir-lhes-á que não, que ela se referia a isso de modo literal. Não lhe deem o vosso olho esquerdo. Descubram de que mais precisará ela.
Suponham que a vossa Sombra diga:
"Tens que me dar todo o dinheiro que possuis."
Pensarão, claro está, que não o queira dizer em termos literais. Que uso lhe daria ela?
"Já estou a ver a que se refere. Tenho que lhe dar as minhas posses materiais. Tudo bem, eu dou-lhe isso. Sei o que isso significa. Sou suficientemente esperto."
E seis meses depois vão à falência, perdem tudo e ficam sem nada. Certas pessoas chegaram a defrontar-se face a face com a Sombra e chegaram a fazer as pazes, e a ver-se desamparados com a derrocada da sua realidade.
"Céus, não sabia que se estava a referir em termos literais."
Está bem. É por isso que sempre verificam junto do vosso Eu Superior.
Poderão não compreender a profundidade, a complexidade da verdade que a Sombra enuncie, de modo que sempre verificarão junto dela:
"De que é que precisas?"
Ao dialogarem, esclareçam-no sempre junto do vosso Eu Superior.
No reverso perguntam:
"Que é que tens de meu? Que é que tens que me pertence?"
Não um dom no sentido de um tesouro maravilhoso que gostasse de lhes dar que seja dela. Não. Já é vosso.
"Que é que tens que me pertença?"
E uma vez mais: verificai-o junto do vosso Eu Superior. Será isso que ela tem? Ele poderá dizer que não. É o que ela tem, mas não estão a compreender. Ela está a dizer-lhes a verdade, mas não estão a compreender a profundidade dessa verdade. Perguntem mais. Perguntem mais.
Mas se trabalharem com ela, e com o vosso Eu Superior a interceder e a interpretar, chegará uma altura em que o vosso ego dirá:
"Olha, sabes demasiado. Não precisas falar com o teu Eu Superior. Continua sozinho."
Porque, o vosso ego é inimigo da vossa Sombra, entendem, e gostaria que estragassem tudo. Aí diria:
"Eu disse-to."
Mas nós dizemos-lhes o seguinte: Se sempre se lembrarem disso, estarão em segurança, estarão bem; mas se o esquecerem e não o verificarem, aí saibam que é o vosso ego. Se a vossa Sombra disser que precisa de algo e vocês disserem que sim, sem o verificarem, saibam que estão a funcionar no vosso ego. Bem que podem muito bem ficar por aí, sair da meditação e voltar numa outra altura, por se encontrarem na posição do ego.
"Ah não, eu apenas esqueci."
Não é verdade!
"Não, não, não, estas são as circunstâncias atenuantes."
Atenuantes ou extenuantes não importa. Encontram-se na posição do ego. Se esquecerem essa pequena cláusula, esse pequeno asterisco, de sempre pedir por permissão tanto nos termos do que ela precisa da vossa parte assim como nos termos do que ela tenha que lhes pertença, estarão na posição do vosso ego.
"Bom, eu não dispunha de tempo. Tudo faz parte do ego!"
O primeiro passo consta do diálogo e de descobrirem o que ela tenha de vosso, e do que precisa da vossa parte - esclarecido, interpretado, compreendido pelo vosso Eu Superior, que conhece a vossa Sombra por formas que ainda não podem sequer suspeitar. Não pegam no que já possui, para fazer as pazes e formar uma aliança. Passam para o segundo passo.
Tiram a Máscara à Sombra
Conforme na meditação, estendem a mão a fim de tirar a máscara da Sombra. Bom, ela pode ser feita de papel, assim como pode ser feita de metal, madeira, pano ou traje, enfim... E tiram-lha, não para a arremessar, mas para a colocarem. Lembrem-se de sempre ter o vosso Eu Superior ou uma orientação positiva presente.
"Aqui estou. Reconheço que o lado obscuro da minha Sombra se encontra repleto de hostilidade. E aqui está a personificação disso: Olhos lustrosos que me fitam directamente e que se fossem punhais me retalhariam, e me deixariam a sangrar até à morte. Olhos repletos de ódio e aquele olhar implacável, estanque e tenso. Talvez seja um monstro que esteja a arfar e a suspirar e a escorrer todo o tipo de veneno e essa terrível coisa infecciosa - esta hostilidade hedionda que pretende ferir e distorcer e destruir."
Ela derrama e vomita em cima de vós e ficam cobertos desse lamaçal. Mas descobrem aquilo de que precisa da vossa parte e o que tem de vosso.
"Que será que a minha hostilidade terá? "
Por um lado, uma intensidade de energia e uma vontade como jamais terão visto - e uma visão, no seu próprio elenco negativo, como jamais terão conhecido. A hostilidade possui uma intensidade própria que é mais avolumada do que qualquer outra emoção.
Agora estendem o braço e tiram a máscara da hostilidade, e colocam-na. E cheiram essa hostilidade. E sentem a vossa hostilidade e ela revela-se viscosa e gordurenta e nojenta. E envergam o manto da vossa própria hostilidade, e ele mostra-se húmido e feio e vil. E envergam a vossa hostilidade, e olham pelos olhos da hostilidade. E não param de sentir. Ficam simplesmente com ela até praticamente não aguentarem mais. E sentem e sentem e sentem.
"E que é que faço?"
Ficam junto a ela até sentirem aversão, até praticamente deixarem de poder suportá-la mais.
É por essa altura que passam para o terceiro passo.
(III) Penetrar o Abismo
Deixam-se arrastar para o poço, para o abismo, para as trevas para as quais não existem palavras, do vazio sem fim. Porventura em desespero. O vazio da vacuidade. No poço da vossa hostilidade.
(IV) Enfrentar o Paradoxo
Uma vez nesse vazio enfrentam o Paradoxo. O paradoxo poderá expressar-se nos seguintes termos:
"Se eu tenho este aspecto de fealdade, vil, como poderei alguma vez ser espiritual? Como poderei alguma vez ser amado pelo meu Eu Superior, ou seja por quem for, com respeito a isso? Se isso de facto corresponder à verdade do que me diz respeito, então como poderei alguma vez esperar crescer e evoluir?"
E no paradoxo veem ambos, mas de facto quando lidam com o aspecto claro da vossa Sombra, gera-se um paradoxo similar;
"Se eu sou tão poderoso e incrível, por que razão não reflectirá a minha vida esse mesmo poder? Se eu sou tão belo e tão fenomenal, por que razão não terei completado o meu ciclo de vidas?"
O paradoxo!
Bom; na realidade do senso comum, a forma com que as pessoas lidam com os paradoxos é: Um Dó Li Tá... (Riso) Um ou o outro, não é? Num mundo de assim ou assado, em que têm a vossa existência busca a autoridade única:
“Ou eu sou assim feio ou sou espiritual! Um Dó Li Tá."
De uma maneira ou de outra – de uma maneira ou de outra. Mas há sempre quem conclua:
“Se eu sou assim tão feio, então não sou espiritual de todo. Bem que podia abandonar a espiritualidade que abraço.”
E houve quem fizesse isso.
Ou quem tenha decidido:
“Se sou tão espiritual assim, então não me interesso pelo que ninguém diga. Estás a tentar fazer com que me veja como algo que não sou! O meu Eu Superior está a pregar-me partidas, está a trair-me. Estás a dizer-me que possuo hostilidade quando de facto eu tenho consciência de ser uma pessoa com espiritualidade, e as pessoas espirituais não revelam qualquer hostilidade. E isso deixa-me completamente furioso! <ou melhor, deixa-me um pouco irritado...” (Riso)
Vocês tendem a resolver os paradoxos em termos de isto ou aquilo, entendem? É assim ou assado; escolhe só o que achas que seja. mas a isso chamam mediocridade, e não é assim. Ocupam-se do paradoxo.
“Eu sou assim perverso e assim amado.”
Ambas as proposições são verdadeiras.
"Não são nada."
São, sim senhor!
"Tem que ser uma ou a outra coisa."
Não tem, coisa nenhuma! Ambas são verdade.
“Mas eu não entendo isso.”
Não tem mal que não entendam. Não têm que o entender. Apenas têm que deixar que entre:
“Eu sou esta besta e esta beldade. Eu sou tão feio e tão gracioso quanto isso. Sou perverso e espiritual. Sou ambas as coisas.”
Ocupem-se disso. Com paciência. Prestam atenção. Atendem, por a partir do paradoxo emergir não um ou o outro, mas algo intermédio, algo que é comum tanto à vossa perversidade quanto à vossa espiritualidade, tanto à fealdade quanto à beleza que os caracteriza. Não se trata de nenhum compromisso:
"Sou um pouco vil e um pouco belo. Por vezes sou uma coisa e por vezes sou outra." (Riso)
Não, é algo que são sempre, quer estejam a ser vis quer estejam a ser graciosos. É a energia intermédia. E se se ocuparem do paradoxo, à espera, a observar, a atender, descobrirão aquilo que é comum a ambas essas posições contraditórias, paradoxais.
E aí serão conduzidos da escuridão pelo aspecto claro da Sombra – pelo poder, motivação, fiabilidade, segurança, espanto, pela verdadeira energia feminina, e pela verdadeira energia masculina do aspecto claro da Sombra. Serão guiados para fora das trevas pela profundidade da vossa Alma que perderam, pelo vosso Espírito. Não abandonam as trevas; são conduzidos para fora delas pelo aspecto claro da vossa Sombra, com quem do mesmo modo dialogarão. Aprendem o que precisarem aprender para alcançar a paz, e o que ela comporta de vosso, com a ajuda do vosso Eu Superior.
E depois fazem as pazes. Dão ao aspecto obscuro da vossa Sombra aquilo de que ela precisa. E tiram o que sempre lhes tiver pertencido. E dão ao aspecto claro da vossa Sombra aquilo de que ela precisa, e tiram o que sempre lhes pertenceu.
E a seguir poderão utilizar todas essas trevas, mais a intensidade que as caracteriza, para impulsionar, para mudar, para transformar, e deixam que toda a ressonância da Luz os atraia, os mude para o novo.
A obscura torna-se numa força; a clara torna-se numa ressonância. A força pressiona, a ressonância atrai. A força impulsiona, move; a ressonância força.
E se reconhecerem a vossa hostilidade e a imensidão da energia, a imensidão do interesse que reside na raiz da hostilidade, podem descobrir a beleza da vossa paixão e compaixão, utilizando a força da vossa própria hostilidade - não para serem mais hostis, nem para infligir dor - mas para os impelir para fora das situações, da realidade e da ilusão em que têm estado. Ao mesmo tempo, a paixão e a compaixão ou a sua parte congénere atraem-nos para a nova realidade. São pressionados e atraídos em simultâneo, catapultados para uma nova realidade.
E é assim que estabelecem a vossa aliança. Não se trata de nenhuma amizade. Não mais lhes agrada o facto de terem hostilidade. Mas podem ser aliados e trabalhar conjuntamente. Podem estar em paz um com o outro.
“Como poderei ser assim hostil e amável?”
Que será que têm em comum? O carinho, a atenção, por exemplo, são comuns a ambas.
“Como poderei ser assim tão mártir, e ainda assim criativo e espiritual?”
Que terá isso em comum? A transformação - a transformação! Os Mártires – não tenham orgulho nisso – possuem uma capacidade fenomenal de transformação. A Vítima geme e reclama, por a sua realidade estar repleta de nuvens e de dias chuvosos.
“Todo o mundo faz com que chova no meu desfile. Comigo, nunca funciona coisa nenhuma.”
A Vítima não possui o poder de sequer fazer chover, mas consegue imaginar e fingir mesmo quando não se acha presente.
O Mártir é tão poderoso que até faz chover literalmente. Chega a ficar mesmo sobrecarregado. Consegue ser desvalorizado e mal-entendido. Não lhe chega dissimular. Precisa criar o concreto dessa realidade e de seguida gastar a vida a tentar provar a toda a gente:
“Veem o quão molhado estou?” (Riso)
Ao passo que a Vítima imagina que toda a gente faz chover no seu desfile, o Mártir faz com que a chuva caia! (Riso)
Bom; isso representa um poder extraordinário de manifestação. Os Mártires conseguem descobrir numa multidão as pessoas que se aproveitam deles. Possuem um sentido fenomenal! (Riso) O significado e a energia daquilo que usam para se martirizar é algo que podem usar para se impelirem no sentido de nunca mais voltarem a ser mártires. Podem usar toda essa energia para se tornarem numa outra coisa qualquer – num agente transformador da realidade. E podem usar a ressonância – o aspecto claro da Sombra – do outro lado, para os puxar para a Nova Realidade. E esse empurrão e atracção catapultá-los-á, produzirá uma mudança miraculosa, produz uma mudança mágica. E quando o conseguirem virarão do avesso.
“Deus do céu, a coisa resulta!”
Mas isso envolve o esclarecimento dos equívocos, entendem? Assim, não representa o inimigo. Envolve admitir aquilo que realmente é. Envolve, pois, conversar com isso, dialogar com isso, envergar as suas máscaras, afundar-vos no seu poço, enfrentar o paradoxo. E ai serão conduzidos para fora do poço pelo aspecto claro da Sombra. Depois, aceitando tanto o obscuro como o claro enquanto verdades, uma força impele-os à medida que a ressonância os compele. E a seguir, deixem que a mudança ocorra.
E este é o emprego que fazem da Sombra, que representa um imperativo no caminho espiritual.
Parece muita coisa. Mas sabem que mais? É mesmo. Mas aí concedem a vós próprios uma vida, entendem? O emprego do Trabalho da Sombra é um trabalho que jamais termina. Sempre trabalharão com a vossa Sombra. Ela não é o vosso inimigo. Preserva e protege como sacro aquilo de que precisam para se tornar num todo e para viver a vossa Espiritualidade.
Transcrição e tradução: Amadeu António


Sem comentários:

Enviar um comentário