sexta-feira, 30 de setembro de 2016

A IMPORTÂNCIA DA IMAGEM (CONCEITO)




ROMPER E EDIFICAR A IMAGEM (O ASPECTO MENTAL DO EQUILÍBRIO)
Vamos falar de vós e da vossa imagem; vamos focar-nos na capacidade de romperem e porventura muito mais importante, de serem capazes de criar uma nova imagem de vós próprios...
Começamos este ano tratando do tema do poder interno do sucesso, o poder interno da intimidade, (convosco próprios e com os outros) e de seguida tratamos da responsabilidade que têm (para convosco e para com os outros.) E de seguida abordamos a possibilidade de pegarem nesse poder, que basicamente constitui um poder interno, um poder privado, pegarem nesse poder e de o conduzirem ao mundo e de tratarem da energia da Terra e do poder da Terra e daí conduzimos o tema ao éteres, sim conduzimo-lo ao etéreo, ao trato do poder dos amigos invisíveis, de um mundo que não se está a tornar cada vez mais só mas que de facto se acha apinhado de ajuda, daqueles que se dispõem a dar-lhes ajuda no crescimento, daqueles que estão dispostos a ajudá-los na aceleração e expansão do vosso crescimento e da vossa consciência.
E assim equilíbrio entre o poder interno e o poder externo tanto por baixo de vós, na terra, como por cima de vós, no etéreo, falamos em reuni-los e em combiná-los a fim de produzirem uma alquimia de poder chamada sucesso. Nos três seminários que já tiveram lugar este ano, começamos com os mistérios e os segredos - a parte bastante privada da manifestação da realidade, a parte bastante privada da compreensão da emancipação e do vosso crescimento espiritual. E daí avançamos para a bastante privada, e sempre muito pessoal, busca da visão da transmutação da energia como que a preparar o palco, criar o cenário de sucesso. E por fim há umas semanas atrás, a descoberta e a exploração manifesta e posta a nu do plano causal. Tudo orientado para a criação de um super sucesso na vossa realidade, pelo que nesta altura se torna importante que voltemos a nossa atenção à imagem pessoal que têm, por a imagem pessoal ser parte integral da contínua criação desse super sucesso.
Costumava ser aceitável criar o que chamamos de sucessos regulares e fáceis, os êxitos moderados onde as coisas de algum modo resultavam muito bem, em que as coincidências se mesclavam e em que as luzes dos parques de estacionamento se apresentavam verdes, e em que a pessoa com quem pretendiam encontrar-se de facto aparecia à reunião, e em que tudo corria bem, mas em que nada era grandioso nem espectacular e as coisas corriam de feição, e em que tais êxitos podiam ser equiparados a coincidências ou:
"Mas, se a vida é mesmo assim."
Mas a realidade está cada vez mais a avançar para uma situação em que criam super êxitos, sucessos miraculosos, coisas que não correm apenas de feição, realidades coincidentes mas coisas espectaculares que normalmente não ocorreriam normalmente nem ocorrem mas que desta vez o fazem.
Para o sustentar, no caso daqueles que vós que o estiverem a conseguir, e para dar início a isso, no caso daqueles de vós que optam por ser espectadores e os observam a consegui-lo e se asseguram de que não ficam vermelhos nem verdes e que porventura será seguro ser super bem-sucedidos, aqueles de vós que estejam porventura a iniciar-se na obtenção de êxito e estão a pôr o pé nessas águas, torna-se importante examinar a imagem.
É importante examinar a imagem e compreendê-la; é importante que rompam com a imagem que no momento têm, compreendendo como de certa forma os limita, e erguer no seu lugar – ERGUER NO SEU LUGAR! - uma imagem nova e vibrante, que possa abranger e comportar a realidade, que possa aguentar-se sob o maravilhoso peso do êxito.
Por que razão será isso importante? Para o colocar em termos tão simples quanto possível, a realidade acompanha a imagem. Se a imagem que tiverem não conseguir suportar a realidade, não criarão essa realidade. Se a imagem que tiverem não conseguir suportar a realidade, não a criarão; programação e técnica aparte, decisões e opções não contam: se a imagem que tiverem não a conseguir suportar e abranger, se a imagem que tiverem de vós próprios não conseguir manter todo esse êxito, não colherão esse êxito. A realidade segue a imagem, e não o inverso. O que quer que a vossa imagem comporte, ela devasta o curso por entre o labirinto que representa a realidade a fim de acolher aquilo que possa sustentar; nem mais nem menos.
Porque, entendam, a realidade, ou aquela coisa a que chamam realidade neste plano físico, constitui verdadeiramente a ilusão. Oh, podem rotulá-la de realidade, que isso não faz dela uma coisa real. É uma ilusão. O que acontece - mas nós já falamos disso detalhadamente antes, pelo que não o vamos fazer agora, mas só para adiantar que existe um plano causal da realidade em que existem todas as possibilidades. E depois têm o vosso próprio sistema, o vosso próprio universo, o vosso próprio mundo e o vosso ser privado que comporta uma série de possibilidades, e quando estabelecem escolhas, e a partir dessas escolhas deliberam decisões, as realidades possíveis que tais escolhas e decisões criam combinam-se com todas as possibilidades existentes, e à medida que essas ondas do possível se combinam com o Todo, e se combinam com as ondas das vossas possibilidades, gera-se um padrão de interferência, uma situação em que essas ondas se cruzam onde intersectam uma à outra, e essa área, esse terreno, é chamado probabilidade.
É a partir dessa probabilidade que edificam a realidade que é real e a colocam na ilusão, que é o vosso plano físico. A realidade é a ilusão da possibilidade-probabilidade-realidade. O que é real é aquilo que sentem. As vossas emoções são reais; elas têm existência muito para além do plano físico assim como do astral, do causal e do mental. Os pensamentos que têm – eis o que é real. Ah, por certo que não conseguem ver nenhum deles, mas são reais. É a realidade por existir muito depois deste vosso mundo ter desaparecido. Os pensamentos e os sentimentos são o que compõe a vossa imagem, e consequentemente a vossa imagem, é o que tem realidade e é acompanhada pela ilusão - que é aquilo a que chamam de realidade.
Por conseguinte, se conseguirem manter a vossa imagem no que de real caracteriza os pensamentos e sentimentos que têm, então não terão que a manter na vossa realidade. Não importa a técnica que utilizem nem quão poderosa possa ser a programação que façam… Ah, alguns de vós poderão produzir uma coisa assim: produzir uma realidade que vá muito além da imagem que tenham; podem conseguir tal coisa, mas aí uma de duas coisas deve ocorrer: ou a imagem salta fora, pula fora diante dessa realidade de forma a poder sustentá-la e suportá-la, de forma a mantê-la, ou então a realidade retrocederá para trás da imagem, que é o lugar a que pertence. Mas, em todo o caso, uma dessas duas coisas acontecerá de certeza - sempre.
Muitos de vós já terão visto isso; muitos de vós terão criado um bónus no trabalho ou uma grande soma de dinheiro, ou uma grande oportunidade na atenção por parte das finanças, e recebem-na, apenas para descobrirem que estão com problemas no carro ou com problemas no banco ou com problemas de saúde, e que isso se reduz a nada. Muitos de vós criaram uma nova oportunidade de emprego, só para a verem a fugir-lhes pelos dedos, sem que importe o quão se esforcem por a conciliar; e vêem-na sumir-se. Outros criaram uma realidade bem-sucedida, só para à última da hora algum detalhe técnico vo-la ter impedido.
E não importa o quão injusto digam que seja, não importa o quão protestem, ela some-se. Provaram em termos bastante conclusivos que as pessoas que têm excesso de peso e que tentam perder peso (o que chega a levar-lhes ano e meio, dezoito meses – DEZOITO MESES! até se verem magros, mesmo que toda a gente os veja como tal, muito embora saibam o tamanho da roupa que compram) elas não o sentem nem o percebem. E é por isso que a maioria volta a ganhar peso, por ele se voltar a encaixar por trás da imagem que têm deles próprios enquanto pessoa com excesso de peso.
Depois com toda a clareza, muitos de vós terão notado, com base no seu facto, e recordado a sua infância sempre a amealhar tostões, sempre a tentar equilibrar o dinheiro que tinham e a tentar estica-lo tanto quanto pudessem, e agora ganham três vezes, dez vezes mais do que então ganhavam, e continuam a esticar e a amealhar com a mesma intensidade de sempre, por não admitirem que tenham abundância financeira;
Aqueles de vós que consigam ganhar trinta, quarenta, cinquenta mil dólares por ano, por terdes a imagem gravada na mente de andar sempre sem dinheiro, e de não saber para onde ele vai... Alguns de vós são de tal modo artistas a ponto de fazer com que desapareça do vosso livro de cheques, outros passam cheques sem cobertura, em relação aos quais depois têm taxas de serviço em que muitos incorrem a ponto de terem que pagar duzentos e trezentos dólares por mês só de encargos, só para se assegurarem que não têm dinheiro, só para se assegurarem de que conseguem manter a imagem, e de que a realidade a venha a acompanhar.
Outros, se olharem bem, têm consciência da renda e da despesa da alimentação que têm e das contas da luz e da água que têm para pagar, e assim levam para casa uma quantidade de dinheiro do qual deviam ficar com uns trezentos ou quatrocentos dólares de sobra por mês, e nunca o conseguem – JAMAIS O CONSEGUEM – e não conseguem descobrir porquê:
 “Não sei para onde foi.”
E sentam-se e enfrentam todas as contas, e descobrem:
“Ah, pois, aqui está a despesa a mais; surgiu o seguro do carro. Esqueçamos isso. Surgiu o seguro de vida. Tive que fazer frente à conta do médico. Tive isto, tive aquilo; Ah pois foi, aqui está, foi para aqui que o dinheiro foi.”
Ele evaporou-se por a imagem não o conseguir suportar. Ele bateu em retirada, mas vocês pensavam que podiam ficar com ele.
Neste tempo em que a imagem que têm é de um sucesso mediano, moderado e adequado, para poderem proceder ao salto quântico, conseguir dar o salto para um sucesso super implica que precisem alongar essa imagem, precisem mudar essa imagem e expandi-la de forma que sirva de suporte para o peso do sucesso que irão produzir. Mas é tempo disso - tanto aqueles que já o tenham conseguido como aqueles que não o tenham conseguido.
E este ano, que muitos quererão encarar como sombrio e marcado por uma economia terrível que apresenta quebras no crescimento, e que se anuncia como péssimo e trágico, está a ser estupendo – ESTÁ A SER ESTUPENDO. Já mencionamos alguns dos êxitos que conseguiram: minha nossa, há quem crie literalmente milhões de dólares na vossa realidade; não só dezenas e centenas e milhares, mas milhões de dólares com base na programação que fazem. Outros de vós, que têm os negócios na corda bamba:
“Não vai fechar; não vai fechar...”
Acabam por fechar portas, por o terem mudado no plano causal; deparam-se com medidas burocráticas:
“Valha-me Deus, se conseguisse acabar com toda esta burocracia! Que foi que fizeram?"
Deparam-se com decisões burocráticas que a Câmara precise aprovar e:
"Não vai aprovar, não vai aprovar..."
Quer se trate de condições de propriedade ou de construção, até uma certa altura em que – BANG – tudo se encaixa – por terem decidido que já é tempo disso!
Aqueles de vós que criam novas parcerias com oportunidade de negócio, aqueles de vós que criam dinheiro a partir do nada, aqueles de vós que criam novos empregos, e relacionamentos e oportunidades que jamais se permitiriam – e não apenas num certo período de tempo, mas numa questão de dias:
“Eu fiz isto e três dias depois, tudo encaixou. Reuni isto e aquilo, e de repente aquele cliente que não me ligava há seis meses ligou-me! Este tipo de negócios com quem eu tinha tentado firmar um acordo, finalmente entrou em cena e ligou por iniciativa própria. Consegui falar com ele, após seis meses a enviar-lhe mensagens sem resultado. Apareceu alguém que me propôs esta realidade maravilhosa; eu nem sequer estava à espera que acontecesse.”
Êxitos maravilhosos, estupendos, miraculosos! E o ano nem sequer vai adiantado! E a energia de 86 está somente a começar a acelerar. O ímpeto, a energia está a revelar-se, querendo dizer que o melhor ainda está por vir, conforme é frase que realmente se aplica ao ano que estamos a viver. Ao passarem para este período balnear, e outonal, no verão, é Agosto, um mês enfadonho e aborrecido - prenhe de entusiasmo e de energia, repleto de oportunidades. E em Setembro e Outubro o mesmo; o melhor ainda está por vir.
E aqueles de vós que têm vindo a criar tais milagres, ainda não viram nada (riso) em termos do que virão a conseguir. E aqueles de vós que têm estado à espera, a assistir:
“Não sei mesmo se será realmente seguro; não sei se será justo ser tão bem sucedido; não sei o que acontece àqueles que não… se não… Não, não parece prejudica-los de todo, creio que também o vou tentar… (Riso) Estou farto de esperar, quero dar o salto."
Mas estão a permitir-se dar esse salto, agora. E em relação às preocupações que se prendem com a saúde? Artérias que são desobstruídas, ossos que se ligam da noite para o dia, tendões e ligamentos que se conjuntam após ano e meio de dor agonizante, e que numa questão de momentos, etc. Quistos e tumores e cancros que se desvanecem; os médicos não conseguem compreender e coçam a cabeça sem compreenderem insistem em novos testes proceder a esforçar-se por descobrir a razão.
Milagres, gente. Milagres! E estão apenas a começar. Precisam decidir se querem entrar no jogo e tomar parte no jogo dos milagres; se vão participar no campo de jogos e interceptar alguns desses milagres que caem do céu como nunca visto, ou se vão ficar a assistir e a torcer por eles:
“Ai que feliz que me sinto por ti!” (Riso) “Que maravilha; se ouvir contar mais algum milagre ainda grito!” (Riso)
Porque não vós? Porque não convosco? Porque será que tem que ser sempre com os outros? Bom, existem diversas razões: há os bloqueios motivados pela resistência a que preferem agarrar-se, e que preferem escalar como macacos e trepar para cima como os blocos de Lego do parque infantil, para se fixarem aí e se fazerem de impotentes e de desesperados:
“Olha, quantas obstruções tenho pela frente!”
A que se quiserem podem agarrar-se. Mas muitos de vocês processaram sinceramente os bloqueios com que se depararam, sabem disso? Conhecem a vitimização que isso encerra por dentro e por fora, conhecem cada fiapo de autocomiseração e cada fiapo de martírio – sabem melhor do que ninguém que sim. E enfrentaram a relação problemática que tiveram com a vossa mãe e com o vosso pai, e cada pedaço do vosso passado, e realmente perceberam tudo, e identificaram os bloqueios de que padeciam – senão pelo nome exacto, pelo menos pela função que encerram – e clarearam-nos e trataram deles.
Bom, decerto que para alguns isso ainda rende uma compensação que preferem colher, ao adorarem a frustração ao invés do êxito, e ao pretenderem culpabilizar e exibir agonia e passar pelo sofrimento e todo o tipo de coisas dessas; ainda há quem prefira esse tipo de compensação que apresente um sucesso suculento – próprio do querer mas não do obter a realidade, é verdade – mas mesmo nessa situação, a maioria de vós, consideraram as compensações e encheram-se delas, por os deixar aborrecidos e fatigados:
“Cá vou eu de novo, preso ao passado, sem deixar fulano ou beltrano livre; estou cheio disto!”
E estão mesmo! E falam sério!
Mas há um joguinho que alguns ainda sentem vontade de fazer, o joguinho do ego, em que tentam atribuir o crédito pela realidade que obtêm ao vosso ego, ao quererem que o ego atinja o alvo e o faça melhor que os outros, e de uma forma superior, e ainda podem desempenhar joguinhos desses, só que inutilmente. Mas, uma vez mais, muitos de vocês examinaram o vosso ego negativo, e conhecem-no. Conhecem cada cabelo dessa sua cabeça exacta. (Riso) E possuem precisão técnica – quer a utilizem ou não – possuem precisão técnica para lidar com esse ego, e para lhe porem cobro. E sabem disso, e se isso ainda se tivesse apresentado no caminho, já teriam tratado disso há muito tempo. Agora, podem olhar para vós próprios e dizer:
“Olha, tenho os meus bloqueios sob controlo; podem muito bem ainda estar presentes mas não passam de uma pequena saliência que posso superar com facilidade e em relação ao que estou à vontade com uso um passo de dança que te deixará impressionado; e as compensações que tive, decerto que sou capaz de perceber tê-las aceite, e que tive tentações a que podia ter cedido, mas não cedi. Sinceramente! E os joguinhos do ego a que voltei costas; não eliminei o ego que tinha nem tentei sufocá-lo, mas coloquei-o no seu devido lugar e tenho-o sob controlo. Porque não? Porque não? Sei o que quero e conheço as técnicas e sei utilizá-las muito bem. Porque não?”
Muitas vezes o que fica – a imagem. Uma imagem que não mais consegue suportar a realidade, em consequência do que deixam de criar essa realidade. Uma imagem que não consegue lidar com o sucesso que estão agora preparados para ter, e que consequentemente a impossibilita ou a produz, mas a veem, frustrados, a escorregar-lhes pelos dedos, enquanto agora procuram desesperadamente agarrá-la, quando nem sequer está presente.
Imagem, uma imagem restrita que devia ser eliminada e substituída. Uma imagem, só que demasiado quebradiça e delicada para poder suportar o peso do vosso êxito. Uma imagem desactualizada e ultrapassada, fora de moda, em comparação com a posição que ocupam na nova era, na vossa nova vitalidade, na vossa nova espiritualidade.
É importante tratar da imagem, por ela os poder sabotar. E vocês também – muitos de vós - sofrem de sabotagem da imagem pessoal. Mas para inverterem isso, para se protegerem disso, para que não caiam nessa situação, para que a realidade que vêm mesmo ao alcance da ponta dos dedos, à distância de uma simples decisão, uma simples escolha além do vosso alcance, a realidade que conseguem sentir e quase provar, mas que se situa além da ideia e da sensação que têm, e as realidades que jazem, qual sombra, no exterior das crenças e das atitudes possam tornar-se uma parte de vós, possam tornar-se vossas, possam ser propriedade vossa e colocarem a imagem em ordem. Porque, tal como a imagem exclui a realidade, também pode incluir a realidade. Se tiverem uma imagem repleta de alegria, uma imagem em que estejam sempre felizes, em que sejam sempre bem-sucedidos, então essa imagem atrairá realidades que a apoiem, consumirá êxitos que a mantenham viva.
Assim, não só a imagem limitada os detém, como o ego expandido ou limitado ou menos limitado atrairá a vós, como um magneto atrai da toca para fora. E um excelente magneto atrairá do partir do universo todas as potencialidades que lhe suportem a existência, que o traga a si de uma maneira consistente – não lógica, mas consistentemente. Assim, não só é a imagem negativa limitadora, como a positiva é expansiva – uma dupla de sucesso no trato da imagem.
Assim, para começarmos, precisamos antes ver o que é. Eis um outro termo que é suposto conhecerem, certo?
“Em que consiste a imagem? Ora, não sejas tolo. Eu sei o que é. É imagem, não é? É a imagem que temos de nós; é a forma como nos imaginamos. É a imagem que temos de nós, é o que isso é. Toda a gente sabe.”
O problema está em que não sabem mesmo em que consiste a imagem. Mas para olharmos isso e o compreendermos precisamos examinar outros termos, precisamos examinar a identidade, a autoestima, o impacto, para finalmente chegarmos a entender o que a imagem representa.
IDENTIDADE
Comecemos pela identidade. Qual será a identidade que têm? Ou a pergunta proverbial: “Quem sou eu?” Que identidade terão? A vossa identidade é realmente bastante simples, mas procuram uma resposta complicada, intricada, esotérica, razão porque não dão com a resposta. É como se estivesse bem na ponta do nariz, enquanto o buscam por aí e estejam sempre à procura de algo pesado, profundo, comovente, para definirem o: “EU SOU!”
Bom, têm imagens e identidades, mas comecemos pela identidade. Não são a mesma coisa, embora as pessoas as queiram ver como iguais. Identidade é aquilo que fazem, aquilo que dizem e aquilo que pensam. O que fazem, o que dizem e o que pensam. Sem letrinhas minúsculas. A identidade que têm de vós próprios procede da combinação – porventura alquímica – mas da combinação das coisas que fazem na vida, das coisas de que falam ou que dizem, e das coisas que pensam – quer pela verbalização ou por outra via qualquer. Isso define-os; constitui a vossa identidade; é a forma como se identificam, de maneira distinta do chão, das árvores, dos animais, dos céus e dos restantes átomos existentes na realidade. É assim que sabem QUEM são; pelo que pensam, pelo que dizem, pelo que fazem. Isso produz uma forma de identificação, chamada IDENTIDADE.
Mas se se detiverem por um instante a considerar o que represente a vossa identidade, então vejamos: De que falam? De mexericos relativos aos outros? Conversa fiada? Conversa superficial? Conversa sem sentido? Ou conversarão acerca de algo que tenha sentimento, algo que tenha alguma profundidade e alguma qualidade? Serão inteiramente intelectuais e falarão sobre o sentido da vida, como se fosse uma coisa abstracta, e sobre fórmulas químicas e proporções geométricas? Falarão apenas de política e de influências geopolíticas e de configurações económicas e de factores de vector? De que é que falam? Que serão vocês? Serão frívolos, normais, profundos, emotivos? De que é que falam? Que é que dizem?
“Bom, eu vou para o trabalho; é aí que falo. Em casa não falo.”
Então de que falam; que identidade terão? Serão uma máquina? Um autómato, um robô em funcionamento.
Que coisa pensam? Em que é que pensam?
“Ah, eu não penso em nada.”
Pensam sim. Estão constantemente a pensar. Não passa um instante sequer sem que pensem. Aquilo que pensam deixa-os entorpecidos, desligam-se do processo do pensar, mas ele continua a decorrer. Precisarão talvez de entrar em sintonia com ele:
“Em que estou a pensar? Oh, em nada!”
Isso constitui uma mentira. Talvez uma mentira não intencional mas ainda assim uma mentira. Estão sempre a pensar. Deveriam escutar certas vezes. (Riso) Em que pensam? Se não estiverem a prestar atenção, o vosso ego presta. Se não estiverem a "conduzir o barco,” o vosso ego condu-lo. Foi assim que o configuram. Se não quiserem ser responsáveis, o vosso ego procurará sê-lo, de uma forma lastimosa, mas procurará ser responsável. Se assumirem o poder que lhes cabe, se assumirem responsabilidade o ego poderá acalmar e voltar à sua função limitada, coisa que de bom grado faz.
Mas em que pensam? Prestem atenção a vós próprios quando pensam; será amargo, será negativo, será cínico? Será realista, significando que pensam sempre em coisas más, sempre nas coisas erradas, sempre no que jamais funciona? Será em castelos nas nuvens, nas estrelas – em que é que pensam?
E que é que fazem? Que foi que fizeram hoje?
“Ah? O costume!”
Que foi que fizeram? Que é que fazes?
“Bom, hoje não fiz coisa nenhuma.”
Que queres dizer com o “não fiz coisa nenhuma”? Pelo menos não te vestiste, não tomaste um banho, não lavaste os dentes? Fizeste mais alguma coisa?
“Ah?!”
Assim, como é que passam os dias - num torpor? E depois não sabem quem são. Claro que não fazem ideia. Mas se prestarem atenção àquilo que pensam, ao que dizem e ao que fazem, conhecer-se-ão. Mas o que irão igualmente descobrir é que essa não é a vossa identidade exclusiva; não são a mesma coisa – insossos, normais, indiferentes... Não! Existe uma miríade de versões de vós; o aspecto que vai a festas, o aspecto que fica em casa, o aspecto que vai trabalhar, o aspecto que vai jogar; o aspecto que vai esquiar pelas encostas; o aspecto que vai para a praia; o aspecto que caminha em silêncio pelas florestas, ou que abre o seu caminho pela metrópole, o que conduz, o que caminha, o que viaja de autocarro – são todas identidades diferentes que têm.
Comportam-se de maneira ligeiramente diferente; fazem as coisas de modo diferente, pensam coisas distintas, dizem coisas diferentes - pelo que possuem uma multiplicidade de identidades. Existe a versão de vós brincalhona e a séria; a recreativa e a sombria, e elas têm pensamentos diferentes, gente; nunca pensam exactamente da mesma maneira, nem fazem sempre exactamente a mesma coisa. No meio de uma multidão poderão agir de uma forma estranha, ao passo que sozinhos podem mostrar-se muito calados e tímidos. Quando estão com muita gente podem revelar-se muito conversadores, e quando estão com uma ou duas pessoas não conversam tanto assim ou vice-versa, ou vice-versa e no meio de uma multidão poderão não lhes conseguir extrair uma palavra, ao passo que junto de outra pessoa poderão não conseguir faze-los calar. Diferentes identidades, todo um punhado de identidades. O problema que muitos de vocês têm, entendem, assenta no tentar descobrir UMA.
“Qual será a minha? Eu tenho esta e aquela, mas qual será a minha?”
São todas elas!
Na vossa psicologia e psiquiatria é suposto serem todos muito normais, e se forem alguma coisa além disso de algum modo serão esquizofrénicos, ou esquizoides, ou padecerão de personalidade múltipla. São encorajados a descobrir apenas uma identidade – UMA identidade. Se forem conversadores, serão sempre conversadores, se forem calados, serão sempre calados.
“Esta noite não estás a ser tu próprio! Estás tão calado, tão reservado, tão tímido; tens pensamentos tão frívolos e fazes as coisas mais indescritíveis. Mas esta noite estás muito conversador, e muito sagaz e profundo. O que estás a fazer é verdadeiramente notável. Não és o mesmo.”
São sim, são sim, por terem múltiplas identidades. Um monte delas, talvez dez, vinte ou trinta. Parem de as empilhar numa só e de as tentar tornar todas numa mesma coisa de modo a tornar-se numa triste ervilha na vagem; permitam-se ter essa variedade de identidades – todas elas.
“Pois bem, como hei de saber quem sou?"
Enfileirando todas essas pequenas missangas; assumindo a identidade que têm numa festa e que têm quando se encontram sozinhos, e a identidade que têm numa praia sossegada e a identidade que adoptam num metro sobrelotado ou num autocarro citadino. A identidade que têm no trabalho e a que assumem quando se distraem ou brincam. Quando estão cansados e quando estão despertos; a que têm ao entardecer e a que assumem pela manhã; a que têm entre amigos íntimos e a que têm entre conhecidos e estranhos. Enfileiram-nas e enfileiram-nas – mas no quê? No fio da autoestima. Porque muito embora sejam diferentes de umas situações para as outras, embora tenham esta miríade de identidades, elas são todas genuínas, e todas possuem um nível de integridade, e em todas elas assumem responsabilidade.
E em cada uma das minhas diversas identidades, desde a tola até à séria, eu confio em mim próprio, confio naquele que sou. E à medida que essas várias identidades se desenrolam ao longo do dia, eu dou atenção aos murmúrios, dou atenção às vozes dentro de mim. E desde o anoitecer até ao amanhecer e desde que estou acordado até que me sinta cansado, desde que estou desgastado até estar recuperado a minha identidade sempre muda, e eu respondo com base no meu ser emocional. E independentemente do quão frívolo ou profundo, trato de jamais magoar conscientemente quem quer que seja. Por conseguinte, eu possuo uma miríade de identidades, é verdade. E poderá ser que não me consigam reconhecer de uma forma distinta desde o aspecto divertido ao sério, do animado ao grave. Mas o que é verdade, e o que liga todas essas identidades é o fio da minha autoestima. E é isso que compõe a singularidade que me caracteriza. É isso que faz de mim não um colar de pérolas todas do mesmo tamanho e na mesma forma chata, mas a combinação intricada de identidades naturalmente formadas, irregulares e desajeitadas, encaixadas todas na cadeia da autoestima. A minha identidade, a minha estima.
IMPACTO
E quando encadeio todas as minhas identidades e as tenho como uma corrente, uma totalidade, um total aritmético de cinco ou de dez, vinte de trinta identidades diferentes baseadas no intricado e na complexidade da minha vida, terei produzido uma sinergia, algo que é mais do que apenas a combinação de identidades presas na corda de uma forma inertes, terei criado uma complexidade, terei criado uma sinergia.
E assim que vocês observarem essa sinergia, assim que vocês observarem essa energia, eu terei exercido impacto. E assim que eu observar essa sinergia, assim que eu observar essa sinergia, terei uma imagem. A observação exterior a mim constitui o impacto que causo; a observação dentro de mim representa a imagem que detenho.
Muitas vezes terão encontrado gente que conheceram, e agora que a conhecem há vários anos voltam a pensar com nostalgia e dizem:
“Hmm, lembro-me da primeira vez que conheci fulano de tal. A primeira impressão que tive dele foi assim e assado, mas caramba como está diferente agora. Eu pensava que ele era… mas assim que o conheci ele acabou por se revelar… seja o que for.”
Isso é o impacto.
Eu posso chamar-lhe imagem; a imagem que tinha dele, a imagem que me apresentava mas o que realmente quer dizer é o impacto que me causou; o impacto que me casou era o que de que eu pensava que ele era um verdadeiro perdedor, mas agora que o conheci, o impacto que me causa é o de ser bastante astuto, reservado, mas profundamente perspicaz. O impacto que me provocou inicialmente foi o de que ele ser sagaz e coerente. Chamei a isso imagem, e a imagem foi uma, mas o que realmente quero dizer é que isso foi o impacto que causou em mim, de ser coerente e sagaz acima de tudo, só que quando cheguei a conhecê-lo percebi que as piadas eram sempre as mesmas, e que nada tinha a revelar por debaixo da camada de verniz. E por isso na verdade acabou por ser bastante frívolo. A imagem foi de pessoa superficial, o impacto foi de superficialidade.
IMAGEM
A influência da sinergia de encadearem as vossas identidades na cadeia da autoestima vai produzir impacto nos outros e produzir uma imagem em vós próprios. A imagem é o receptáculo que encerra a fluidez da identidade. A imagem é o recipiente, os marcos da identidade fluída. Gostamos também de associar a analogia das pérolas encadeadas num fio a um rio; se encararmos as várias identidades como gotas de água, as variadíssimas gotas de água, algumas das quais carregam determinados químicos, outras outros químicos, mas ao se reunirem todas, elas fluem, e a esse fluxo se chama corrente – ou autoestima.
As múltiplas gotas de água combinadas aritmeticamente, mas existe uma corrente, uma corrente baseada seja no que for, corrente que carrega essas gotas de água juntas como uma só, rio abaixo, o que representa a autoestima, o factor de motivação, aquilo que move a água para a frente; e as margens do rio constituem a imagem. A imagem representa as margens do rio em que a água flui, os limites que a curvam para aqui e para ali, que a fazem seguir a direito e mover-se para cima e para baixo, mais ampla e mais estreita de tempos a tempos, isso é a imagem – a serpentina contínua, a imagem em constante mudança e expansão que têm de vós próprios. E à semelhança das margens do rio, com os seus limites, que o comporta, que impede que essa identidade se espalhe por todo o lado, isso é o que a imagem representa. A imagem são os limites.
Sabem, falamos de vez em quando acerca da importância de limites, e sugerimos que esses limites são tão importante por lhes permitir distinguir-se a si mesmos da realidade física e da realidade astral que criam quer pela positiva quer pela negativa. Se se recusarem criar marcos positivos – que são os princípios pelos quais vivem – se se recusarem criar limites positivos, o vosso ego negativo irá criar marcos negativos – aquilo a que chamam bloqueios. As obstruções fornecem-lhes limites; separam-nos; vocês sabem onde começam e terminam, num domínio físico, através dos limites, das obstruções. E se abrirem mãos delas, não poderão continuar sem limites, por precisarem ter alguns, e por isso podem criar princípios em vez disso. Princípios pelos quais se regem, níveis de sinceridade e de verdade e de confiança e de dignidade. Linhas que não trespassarão, independentemente do quão atraente ou intrigante for o objectivo:
“Eu não mentirei; não racionalizarei, enfim, seja o que for.”
Os vossos limites, os vossos princípios. E esses limites de amplo alcance definem a realidade, e nessa realidade precisam definir-se a si próprios – onde é que começam e onde é que ficam de fora? Poderão olhar para o vosso corpo e dizer:
“Eu tenho início aqui e termino aqui. Aqui, (bate com a mão) consigo senti-lo, e faz barulho, pode-se ver onde começo e termino. É aí que começo e termino.”
E isso é verdade se puramente considerado numa base fisiológica, mas esperamos que pensem em vós como mais do que simples carne pendurada nos ossos. Esperamos que pensem que são um pouco mais do que isso, e assim, que dizer da vossa natureza emocional e da vossa natureza intuitiva e da vossa natureza mental? Onde é que essa natureza começa e termina? É por isso que a imagem fornece um marco. A imagem que têm de vós fornece-lhes o marco onde encontrarão um início e um fim.
Mas se pensarem nisso em termos da compreensão da identidade e da sua fluidez, e na cadeia da autoestima na qual se encadeia, ou se pensarem na identidade enquanto as múltiplas gotículas de água que fluem na corrente da autoestima, deparam-se com o invólucro que comporta a pérola, deparam-se com o invólucro que comporta o rio. Isso é a imagem. Isso é aquilo que a vossa imagem é.
Já falamos do cubo do sucesso que estiveram presentes, e sugerimos que o patamar e o tecto são determinados pela imagem que têm de vós próprios – o tecto e o patamar do vosso êxito constituem os limites da vossa imagem. A imagem pode representar um tremendo ativo. É importante ter uma imagem. Iríamos a ponto de dizer que até ao momento, na evolução que alcançaram é essencial ter uma imagem. Algum dia poderão atingir o ponto na evolução em que não necessitem de qualquer imagem mas neste momento precisam. Precisam de marcos, precisam desses limites. E eles podem ser muito importantes.
A imagem pode fornecer um objectivo, pode fornecer um sentido de orientação, pode fornecer os limites para a identidade imensamente fluída e de livre curso, de forma que consigam chegar a qualquer parte, de modo que possam pegar do que pensam e sentem e no que fazem e dirigi-lo e realizar qualquer coisa, ver que isso tenha conduzido a algo; ao final de um arco-íris, algures.
Por conseguinte, a imagem faz isso. Por terem uma imagem de vós próprios essas identidades livres e fluentes não têm que flutuar para parte nenhuma mas acham-se focadas e direcionadas. Certas dessas identidades, permitem que se desenrolem em grande enquanto em relação a outros diminuem. Reconhecem, por exemplo, que a identidade lúdica que têm é assim ou assado, e como não gostam tanto dessa identidade não frequentam tanto as festas. E que a identidade que têm quando se encontram sós é mais estimulante e muito mais orientada no sentido da solução, de modo que quando têm um problema tendem a recorrer a essa identidade.
Por conseguinte essa é a imagem que têm de vós próprios – a imagem que têm de vós próprios – que pode pois, focar e dirigir e constituir um ativo fenomenal, um enorme amigo que se tem, essa imagem.
“Eu obtenho uma noção da pessoa que sou, a partir da imagem que tenho; ela confere porventura um sentido a essa identidade. Eu tenho esta identidade, mas também tenho esta e mais esta e mais aquela – Quem sou eu? É a imagem que tenho de mim próprio que responde a essa questão, e que coloca ordem em meio às identidades que tenho, e que lhes confere prioridade e preferência e que confere impacto a uma sobre a outra. De forma que possa ter um sentido de um ponto por onde comece e onde termine, e aquele que sou.”
A imagem constitui um tremendo ativo. A imagem pode definir qual a probabilidade que se manifestará. Sim, por não quererem manifestar todas as probabilidades, todas as possibilidades que possam existir; a vossa vida tornar-se-ia demasiado desordenada e indesejável e possivelmente não conseguiriam enfrentá-la. De facto é a imagem que têm que vós próprios que resolve essas coisas, que deixa entrar determinadas probabilidades, e que mantém à distância certas dessas probabilidades.
É provável, e possível, dadas as condições do tempo, que possamos fazer uma multiplicidade de coisas, mas é com base na imagem que têm de vós próprios que determinam como o dia vai correr. No trabalho, há todo o tipo de coisas possíveis que poderão ocorrer na segunda-feira, mas será a imagem que têm de vós próprios que permitirá apenas que certas dessas possibilidades tornadas probabilidades se manifestem. Por não terem uma imagem de vós próprios como que na iminência de serem ser despedidos, isso revelar-se-á impossível para vós. É uma possibilidade, só que para vós será impossível. Por terem uma imagem pessoal razoavelmente forte e poderosa e serem capazes de resistir a qualquer tipo de influência sobre o vosso ser físico, vocês são saudáveis. Será possível que contraiam alguma doença temível e morram, mas não será provável, devido à imagem que têm.
Por conseguinte, a imagem que têm permite que certas possibilidades se tornem probabilidades, e não permite outras. E por isso representa um tremendo aliado em termos de discernimento, por não precisarem deter-se a cada passo a pensar nisso, por não precisarem parar para considerar isso a todo instante. É a imagem que têm que os mantém a respirar. Não têm que pensar em inspirar, expirar, inspirar, expirar; não têm que dizer ao vosso coração para bater. A imagem que têm faz isso por vós, por terem a imagem de estar vivos, razão porque a possibilidade de estarem mortos não tem lugar.
Agora, ao envelhecerem progressivamente, ou caso se mantenham diante do tráfego em movimento, a imagem que têm poderá mudar, e poderão passar a abrigar a imagem de estarem mortos, e assim essa possibilidade pode verificar-se. A imagem que têm constitui um enorme activo, um enorme aliado na criação da plataforma em que a realidade se manifesta, em que as ilusões se tornam numa realidade para vós. A imagem é uma coisa estupenda de ter, por constituir um companheiro e definir a vossa realidade. Fornece-lhes o âmbito da escolha, de modo a não precisarem escolher entre todas as coisas, mas apenas um pequeno número. A miscelânea de escolhas que têm é suficiente vasta, ao usarem a imagem para se apropriarem e concentrarem em cada área particular da vossa vida.
Constitui um formidável activo, um activo fantástico, mas do mesmo modo pode igualmente tornar-se num passivo, já que todos os activos se podem tornar passivos. Pode tornar-se num passivo, pode tornar-se rígido, feito de barro ou de pedra, não passível de erosão, imutável, rígido. E quando isso ocorre, deforma-lhes a identidade, e ao deformar-lhes a identidade, exclui-lhes a autoestima; e ao provocarem essa deformação na identidade e lhes excluir a autoestima, elas em breve tornam-se suficientemente distorcidas para deixarem de existir. E assim deixam de ter uma identidade; deixam de ter autoestima. Tudo quanto lhes restará será a imagem.
Já viram pessoas assim; já ouviram falar de pessoas assim, alguns, por exemplo, o Freddie Prinze, que veio a ter uma carreira brilhante e tudo o mais, e que se suicidou. Porquê? Por a imagem que tinha não ter conseguido suportá-la, por não ter conseguido suportar o êxito, por não conseguido entendê-lo e ter secado, e a identidade que tinha ter desaparecido, e ter deixado de ter estima, e tudo quanto tinha era uma concha vazia que pereceu muito antes do gatilho ter sido puxado. E outros que terão conhecido igualmente, cuja imagem não passava de um engodo, esplendor carente de substância e de realidade. É como se costumasse correr por lá, mas agora não passasse de um leito de riacho seco, apenas com as margens visíveis e uns quantos rochedos e umas quantas valas, mas não passa de poeira e de areia, sem vida, sem energia.
A imagem rígida que não verga nem se altera mata a identidade que fica ressequida, e se evapora. Liquida a estima, que seca e se evapora. E que é que deixa? Poeira! Vazia, sem sentimento algum, sem riso nem lágrimas – uma mera imagem. Pode ser a vossa destruição, pode levá-los a ficar ressequidos e derrubados. Talvez mais insidiosa, mais insidiosa, porque secar até atingir a estreiteza e a rigidez, pelo menos poderão despertar para isso, pelo menos poderão descarregar aí um sentimento qualquer, pelo menos poderão voltar a reconstruir-se de novo. A situação mais insidiosa é quando as margens desse rio, quando a identidade flui e a imagem se estreitece sem parar até que o que antes era uma corrente não passa de um pequeno córrego, e o que antes era um rio não passa de um fio de água. E o que era um fio de água, desaparece.
Muitos de quantos se compaginam pelo movimento do potencial humano e da metafísica podem deslizar para um estado de coisas desse sem mesmo o perceberem, em que a imagem que têm se estreitece sem parar, num ápice. Aprendem a programar e a criar a realidade, aprendem a meditar, e assim fazem. E em resultado disso obtêm certas coisas maravilhosas na vossa realidade, se mais não seja, a paz, a calma, a meditação, a solidão, a influência centralizadora que provoca, e a partir disso certas coisas positivas ocorrem, coisas que avançam bem. E depois começam a desejar mais, conforme será de esperar mediante o caso, mas a imagem diz: “Não.” Por a imagem dizer:
“Não deves querer coisas se fores espiritual.”
Caso se esforcem por ter as coisas, a imagem diz:
“Se valerem a pena, as coisas precisarão que te esforces e que sofras.”
A imagem diz-lhes para se desapegarem das coisas físicas e místicas, desse género de coisa, e para aderirem às espirituais.
E diz que não podem possuir facilmente; diz-lhes que precisam conceder crédito ao vosso ego. E a imagem vai estreitando progressivamente e muito em breve deixam de criar muito na vossa realidade, e subsequentemente dizem a vós próprios que será por não terem limpo tudo, e por ainda não serem perfeitos, e por ainda abrigarem uma certa raiva e ressentimento, por ainda não terem perdoado àquele colega do terceiro ano que ficava sentado quatro cadeiras atrás de mim. É por isso que ainda não conseguiram aquilo que queriam, foi por isso que o emprego não surgiu e que o êxito não surgiu, e por que a doença ainda não desapareceu, por terem tido aquela coisa insignificante quando estavam com três anos, que ainda não limparam. E vão estreitando e estreitando a ponto de precisarem esclarecer todo problema psicológico, toda a emoção, e conseguir a perfeita harmonia, o perfeito equilíbrio, o centro perfeito, a quantidade perfeita de energia, a quantidade perfeita de entusiasmo, mas não demasiada energia nem entusiasmo em demasia, a atitude apropriada, mas não em demasia, e precisam disto e precisam daquilo, e provavelmente não acertam nisso de qualquer maneira.
E em breve não estarão a criar o que quer que seja na vossa realidade, excepto longas explicações para a razão e o modo de não serem perfeitos, e de como precisam esforçar-se um pouquinho mais só para conseguirem ser um pouquinho mais perfeitos, e aí – ENTÃO! – poderão ter a vossa realidade. Ficam aprisionados numa realidade que vai estreitando que basicamente dirá que, a menos que tenham feito tudo na perfeição desde que acordam até se deitam para dormir à noite, não o conseguirão.
"Oops! Tiveste um pensamento negativo, logo, não consegues a tua realidade. É pena, mas não venceste. É pena mas não obtiveste aquilo que querias. Quase tiveste uma ideia negativa; eu ouvi! Por isso não obténs toda essa realidade, lamento mas perdes o emprego, entras em deterioração, a tua família abandona-te, vais acabar pelos becos. E porquê? Por teres tido uma ideia negativa. Por teres pensado qualquer coisa limitada. Por não teres sido suficientemente espiritual; por não teres sido perfeito. Por isso ainda precisas cobrar o que a amiga da tua irmã fez ao teu melhor amigo em 1943.”
Não precisa ser assim, entendem? Mas deixam-se restringir ao racionalizarem tudo quanto deixa de funcionar na vossa vida. E ao fazê-lo, restringem a imagem que têm, restringem o alcance que têm, restringem as possibilidades que tenham. E criam uma situação em que precisam ser cem por cento perfeitos antes de poderem sequer esperar acordar a horas pela manhã, e escovar os dentes sem que a gengivas sangrem. Têm que ser assim perfeitos. Mas então o crescimento deixa de ser divertido – muito antes dessa altura - mas o crescimento deixa de ser divertido, e depois desistem. E a corrente desaparece e vocês fenecem. Podem continuar a viver no vosso corpo, mas fenecem.
A imagem pode criar desorientação e alienação da vossa realidade, e daqueles que os rodeiam, e desordem existente e fracasso na vossa vida. A imagem deixa-os enfermos e vai levá-los a fenecer, por múltiplas formas. Pode representar um assassino mortal, travar qualquer êxito, subjugar qualquer técnica, derrotar toda a escolha e decisão, sobrepor-se às vossas atitudes e crenças. A imagem que têm é composta por aquilo que pensam e por aquilo que sentem, e se deixarem, pode tornar-se omnisciente e sufocar toda a vida e deixá-los inertes – fisicamente vivos, ou não, mas mortos por dentro. Em última análise pode tornar-se no vosso pior inimigo.
E quando tiverem limpo os vossos bloqueios, conforme muitos de vós fizeram – e se não fizeram isso terão que o fazer, assim que se encontrarem preparados – e quando tiverem desistido das compensações – e alguns de vocês ainda não desistiram, mas sabem como fazer, quando se sentirem preparados – e quando tiverem arrumado e processado as vossas atitudes e crenças, e tiverem noção de ser consideravelmente impecáveis – não perfeitos, mas impecáveis – e a vossa realidade ainda não estiver a resultar, aí poderão estar bem seguros de ser por causa da imagem que têm. Mas em vez de a restringirem mais, tentando aperfeiçoar-se progressivamente, em vez de se tornarem escravos dessa imagem viciosa que os deixa apertados até deixarem de ter para onde se voltar, rompam esse vício, rompam essa imagem, e substituam-na por uma menos limitada, e em última análise por uma imagem ilimitada.
Agora; vocês possuem uma imagem global, sim senhor. A toda a linha. Uma imagem que se enlaça por si só ao longo da vossa realidade. Mas também têm pedaços do curso que possuem uma combinação distinta de imagens; tal como possuem várias identidades, também possuem várias imagens. Têm uma imagem de vós próprios respeitante ao êxito, uma imagem respeitante ao fracasso, uma imagem respeitante à felicidade e à tristeza; uma imagem respeitante às pessoas, aos relacionamentos, ao facto de estarem sós. Possuem uma imagem no que toca ao trabalho e no que toca à carreira. Têm uma imagem que diz respeito ao vosso crescimento, à vossa espiritualidade e à vossa evolução, ao vosso potencial humano. Possuem uma imagem quando pensam em vós enquanto cidadãos do mundo, e quando olham para vós próprios de uma forma localizada.
Todas variam, todas apresentam diferenças. Possuem uma imagem de vós próprios enquanto pessoa criativa, uma imagem de vós próprios enquanto homem e enquanto mulher; enquanto Americanos, ocidentais, brancos ou negros. Têm uma imagem de vocês próprios a esse respeito. Todas variáveis; todas potencialmente emancipadoras ou letais.
Assim, antes de considerarem uma mudança, torna-se antes de mais importante, precisam descobri-lo. Que irão mudar? A partir do quê? Que imagens más, limitativas, negativas? Que quererá isso dizer? As palavras são de importância vital. É maravilhoso que tenham palavras mas é muito importante que lhes prestem atenção. Não se trata de mera semântica, palavras apenas. As palavras possuem uma importância vital. A maioria das formas por que comunicam uns com os outros é por meio de palavras. Na nossa realidade não usamos palavras, e nesse sentido somos porventura mais capazes de apreciar isso do que vocês, que as têm tanto como partes de vós. As palavras são coisa poderosa. O som e o significado que encerram, a interpretação que sofrem, quer pensem conhecer o significado de cada palavra ou não.
Muito embora não saibam dizer o que seja a felicidade e a alegria – qual a diferença entre ambas. Talvez as não possam usar de uma forma articulada, mas uma parte de vocês sabe. Quando falamos de serem felizes têm uma sensação, ou resposta. Quando falamos de ser alegres, têm uma outra resposta. Por uma constituir a satisfação das necessidades enquanto a outra constituir a satisfação da preferência - existe uma diferença. Não existe coisa tal como sinónimo; quer dizer, há palavras que podem ser usadas de forma indistinta, mas não querem dizer a mesma coisa. Caso contrário representaria a mesma palavra, se quisessem dizer exactamente a mesma coisa! Não teria razão de ser.
Mas vocês funcionam de forma elegante, quer tenham ou não noção disso; por isso não usam a palavra “maravilha” mais outra palavra “maravilha”– por ser a mesma coisa, é a mesma palavra! “Maravilha” é a única palavra que significa maravilha. E alegre, e feliz, e absorto e energético, e vibrante, vivo, espectacular, esplêndido, todas essas palavras poderão ter significados similares, mas não são o mesmo – ou então seriam uma mesma palavra!
Por isso, cada palavra acha-se revestida de importância; e vocês conhecem o significado de cada palavra. Muitas vezes dão-se conta de que definimos muito as palavras quando conversamos com as pessoas. Definimos muitas palavras a sempre começamos por aí por frequentemente esquecerem a sua definição. E quando os interrogamos, saem-se com uma definição tipificada, pelo que lhes avivamos a memória da definição, e quando por fim o fazemos, respondem pela afirmativa. Jamais exclamam que não faziam ideia que o que definimos se empregue a tal ou qual palavra! Algumas palavras não sabem o que significam, mas isso deve-se apenas ao facto de nunca terem procurado apesar de as terem escutado ao serem empregues, mas as palavras que conhecem, essas conhecem. Só que não o recordam. E assim, as palavras podem representar uma enorme vantagem, mas também podem representar uma enorme responsabilidade.
Quando pela primeira vez ouvem empregar o termo “mártir,” como quando lhes dizem que são mártires, sentem-se mal, mas passado um pouco torna-se ameno:
“Ah, cá estou de novo a tornar-me mártir. Diabo, a tendência que tenho para me martirizar levou-me de novo a isto… É só a tendência para me tornar mártir, é só a superioridade e a perfeição em mim… Sou o mesmo de sempre a tentar ser perfeito.”
Usam muito as palavras, mesmo aquelas desagradáveis e vis, que depois de usarem deixam de ter valor e passam a fazer parte do vosso vocabulário, coisa banal.
"Eu tornei-me num grandessíssimo..."
inicialmente, quando as proferem, causam impacto em vós, mas após as pronunciarem repetidas vezes, ou de se referirem a si mesmos como determinado orifício do corpo (riso) repetidas vezes, elas perdem o significado e não passa de um ruído formado por duas ou três sílabas combinadas. E assim, quando referem que vão mudar a imagem de mártir que têm para uma imagem contrária à de mártir, deixam de saber que significado que tenha. Que significado terá isso? Não sabem, não sabem.
A maioria não sabe a imagem que tem – quer na globalidade, quer especificamente. Por isso, antes de sequer considerarem mudá-la precisam descobri-la, descobrir o que seja. Agora, muitos não se predispõem a tanto, por poder resultar horrível, poder resultar doloroso, só que a fealdade e a dor que envolve estão a destruí-los.
“Bom, eu não quero saber disso!”
Queres acabar destruído por isso?
“Ah, bom, eu tão pouco quero saber disso. Poderás afastar a questão?”
Poderão vocês afastar essa hipótese? (Riso)
Podem, sim senhor. Mas antes de aventarmos a maneira de o conseguirem vamos falar sobre a forma efectiva de mudarem uma imagem noutra. Só que antes de o fazermos precisam saber como descobrir a imagem que adoptam e a imagem que querem. É como se estivessem na borda de um penhasco elevado, e precisassem definir o local em que se encontram. Também precisam saber onde querem chegar. Querem chegar ao outro lado do penhasco. Mas encontram-se neste. Precisam poder decidir isso para além de o fazerem em termos geográficos. Precisam defini-lo – tanto o local em que se encontram como aquele para que pretendem dirigir-se.
Assim que o tiverem definido, então poderão aplicar a técnica, para se moverem em termos literais do local em que se encontram para aquele para que querem passar. Mas se não tiverem ideia do local em que se encontram nem souberem para onde querem ir, então não irão conseguir muita coisa, seja técnica ou o que quer que seja. Mas antes de nos voltarmos para a técnica – como é que descobrem a imagem que adoptam, e como é que desenvolvem a imagem que pretendem – como definem o que querem romper e como delineiam aquilo que querem edificar? É isso que vamos agora considerar.
O primeiro passo – descobrir a imagem que actualmente adoptam. Antes de mais, foquem a vossa atenção na área em que desejam concentrar-se. Não vão atrás da imagem global que têm, no sentido mais amplo do termo, vão atrás de imagens específicas. Alguns de vocês olham presentemente a vossa vida e comentam:
“Sabes que mais? Não estou a obter muito sucesso. Quer dizer, estou a programar, estou a processar, estou a cumprir com a metafísica, estou a criar a minha realidade mas não tenho muita consciência disso. Não posso garantir que a programação que estou a efectuar esteja a resultar. De facto parece que o mais provável é que esteja a programar aquilo que não quero. Parece que quanto mais programo, mais parece deixar de operar resultado. Por isso, talvez precise trabalhar a imagem que tenho no que toca ao facto de ser um adepto da metafísica, ou a imagem referente à programação.”
Ou poderão examinar a coisa e dizer:
“Sabes, está a resultar bem; eu programo e acontece, mas também não envolve nada de extraordinário, não estou a programar relâmpagos nem nada do género; só pretendo que as coisas corram com suavidade, e correm. E isso é estupendo e agrada-me. Mas aquilo que não está a resultar a meu favor é a minha espiritualidade. Ouço o conferencista falar num relacionamento abrangente com Deus, com a Deusa, com o Todo, e já passei por meditações em que me defrontei com montagens ou configurações da energia masculina designada por Deus, da energia feminina chamada de Deusa, e desse Nada e Totalidade amorfa que é Tudo Quanto Existe, mas não posso dizer que o abranjo. Não posso dizer que o compreendo, ou que sinto efectivamente o entusiasmo esfusiante com relação ao que é dito que de facto vejo outros sentirem. Por isso, talvez esteja disposto a trabalhar em mim e na imagem espiritual que tenho.”
Ou examino-me e digo:
“Sabes, crio muita adequação, mas nada de verdadeiramente espectacular chega alguma vez a suceder. As coisas parecem ocorrer no tempo próprio; posso programar grandes maravilhas mas jamais chegam a acontecer. É tipo: Quando chegar a altura ocorrerá, e o que tiver que acontecer acontecerá. Nada corre mal. Não tenho nada de coisas ruins, mas também nada se afeiçoa verdadeiramente muito bom. Nada de errado, mas também não sucede nada de absurdamente acertado. Por isso, talvez precise tratar da imagem que tenho relativamente ao receber, ao deixar que as coisas sucedam, admitir que aconteçam."
"Eu quero ser muito mais criativo do que aquilo que sou. Mas apenas não o sinto; não me tenho na conta de pessoa criativa. Eu sento-me a escrever e a desenhar e adoro música, mas simplesmente não consigo ver-me como uma pessoa criativa.”
Por isso talvez a imagem de pessoa criativa seja aquilo com que queiram trabalhar.
“Estou constantemente apoquentado com o tempo, sabes? Se está frio ou com receio de me constipar, ou com uma dor aqui ou acolá. Não sou doente, mas só não me encaro como uma pessoa vibrante e dotada de vivacidade, não ando da perna, não sou vibrante. Sou uma espécie de prato frio." (Riso)
"Eu tenho uma realidade tipo refeição quente; é farta mas não tem graça.” (Riso) Por isso, talvez queira trabalhar a imagem de pessoa saudável e vibrante, ver-me como um elemento vivo do meu grupo, o líder; quero ser aquele que cria em vez daquele que faz o que os outros criam, não quero servir de chinelo.”
Há um monte de áreas em que podem procurar. Talvez na área do relacionamento;
“O meu relacionamento está presente, é tudo quanto posso dizer com respeito a ele. Chego a casa pela noite, e ele ou ela ainda lá está, (riso) mas não há química, não há estímulo."
Talvez a imagem que tenho do relacionamento seja aquilo por que possa começar. Por isso, quero escolher uma área. Talvez considere a minha vida inteira e veja que levo uma existência tipo Walter Mitty. É tipo deixar andar. Passar pela vida impedindo que se torne demasiado ruim. Não faço nada de grandioso nem de espectacular, apenas impeço que aconteça o pior. É só virar-me ao longo da vida, só em função do dia, e chegar ao fim de semana, e sobreviver até à semana seguinte para chegar ao mês seguinte, para ficar um ano mais velho. A minha vida tem que ver com evitar a angústia, e não congratular-me com milagres. Assim quero levar a minha realidade dessa forma, procurar levar a minha vida dentro dessa linha. Mas não quero que a minha imagem seja a de um mártir nem a de uma pessoa sem êxito; quero áreas específicas.
Mas como é que as hão de descobrir? Redigem num papel; se forem dactilógrafos poderão dactilografá-lo mais rápido, mas a maioria das pessoas precisa redigi-lo. Mas procurem um papel barato por terem muito que escrever. Blocos de papel baratos. E vão anotar o cabeçalho: “Eu e a minha espiritualidade. Eu e o meu relacionamento; Eu e o meu êxito. Eu vencedor. Eu e a saúde.” Seja o que for. Ou apenas a palavra. E a seguir vão começar pela associação, vão começar a escrever, tão furiosa e rapidamente quanto conseguirem. Sem condenações, sem avaliações, sem se preocuparem com os acentos, sem se preocuparem com a sintaxe, com a pontuação, sem se preocuparem por saltar os particípios, dividirem os infinitivos, escrevam simplesmente, escrevam. A ortografia não tem importância. Manter a redação alinhada não importa, escrevam apenas. Rápido, de forma furiosa, sem o lerem sem lhe aceder, não lhe prestem muita atenção, deixem que saia de rasgão, deixem que venha para fora.
“Eu e a minha espiritualidade. Espiritualidade, espiritualidade, tantas letras; não sei o que isso significa. Caramba, quanta pressão, quanta responsabilidade; eu não quero ser espiritual, estou cansado de ser tão espiritual. Isso significa ser um menino da mamã e coisas assim, e lembra a catequese. E faz-me lembrar os meus pais que me fazem ir lá a toda a hora, coisa que detesto, etc. Álgebra, catequese, detesto álgebra, geometria com palavras. Que significado terá isso?”
Não se preocupem com o significado disso. Não precisa ser bizarro, não tem que ser estranho, mas se for, que seja.
“Ser espiritual envolve uma grande responsabilidade; se o conseguir, mais terei que o ser. Tem que se ser tão bom, tão correcto, tão agradável; não se pode jurar, não se pode dizer asneiras, não se pode cometer erros, tem que se ser alinhado; eu não quero ser espiritual. Não sei mais que escrever; isto é tudo quanto me ocorre escrever. Isto é uma burrice e uma estupidez, e não sei porque o faço." (Riso) "Mas preciso continuar a escrever; vamos lá, escreve com um pouco mais de substância, um pouco mais de sentido, de profundidade, sente fundo seja o que for; anota tudo isso tão rápido quanto puderes. Associação livre, deixa que saia, deixa que saia, mesmo que o escrevas, não consigo pensar em algo que possa escrever, não consigo que saia nada, eu não tenho vontade de fazer isto mas devo fazê-lo…Mas por fim lá me ocorre alguma coisa e começo a escrever.”
Escrevam tão furiosa e rapidamente quanto conseguirem. Continuem a manter o pensamento no tópico; voltem ao tópico, voltem ao tópico.
“Eu e as minhas relações; eu e as minhas relações. Não me estejas sempre a falar nisso. Sinto como se tivesse feito algo errado. É sempre culpa minha; é sempre culpa minha. Jamais é vossa culpa, é sempre minha; eu detesto isto, eu detesto. Eu não quero conversar; eu não quero escrever; não quero fazer nada disto.”
Deixem que corra, deixem que, o que quer que se encontre aí, saia.
“Sucesso, sucesso; é chato; porque sempre se esperará mais? Detesto o sucesso. Porque esperam sempre mais de mim? Pelo menos foi o que a minha mãe sempre quis. Eu detesto esta relação; eles sempre esperam mais, e exigem e exigem e exigem. Sempre me viram com um êxito; não poderei ser um fracasso?”
O que quer que aí se encontre; anotem-no, deixem que saia para fora. Poderá sair de jorro e depois desaparecer.
“Lembro-me de quando era catraio; não sei por que me faz recordar isso, mas o facto é que faz…”
Rápida e furiosamente a mudar de página…
“Mas, quem se importará com isto…?”
Continuem, escrevam lá, soltem-no, deixem que vaze. Poderão encher um bloco de notas ou dois, e podem escrever em letra grande a descuidada ou bem pequenina, mas deixem que seja como for. Não o censurem.
“Ah, gostava de saber o que isto quer dizer…”
Não quero saber do que queira dizer; simplesmente façam-no, a esta altura. E quando o tiverem feito – o que poderá ser depois de um parágrafo, ou de uma página, ou de horas – parem. Quando tiverem terminado parem.
“Terminei. Fim. Nem mais uma palavra!”
E pelo menos durante uma hora, ponham isso de lado. Muitos quererão esperar até à noite seguinte. Mas se forem do tipo impaciente, coloquem-no de lado por uma hora; vão tomar um banho ou fazer uma caminhada. Vão ver a televisão ou fazer o jantar, enfim. E após uma hora peguem no que escreveram e voltem a lê-lo, de forma crítica. Agora é que se permitem ser críticos. Agora é que avaliam aquilo que escreveram, quando veem aquilo que descobriram, e fazem notas nas margens, referências e apontem as contradições. É importante que o façam deste modo. Poderão pensar antes que o possam fazer de memória, que podem sentar e pensar nisso e que não precisem anotá-lo. Não! Nada de pensar nisso, anotem-no! Porque se pensarem nisso e virem um pai crítico aí, a dizer:
“Isto é uma burrice, isto é uma estupidez, isto não vai resultar. Nada resulta disto…”
Mas para além disso irão esquecer as contradições. Não irão ver as contradições nem irão ouvir o cinismo e a raiva e a mágoa e a perda que se encontrem encerradas nesse papel, até que vejam o papel e o reavaliem por vós próprios. Não o irão ver nem ouvir, se o remoerem enquanto assistem à televisão. Vertam tudo nela. Isso é a vossa imagem! Deem-lhe tal respeito, deem-lhe tal respeito e tratem disso, e então reavaliarão e poderão ver e ouvir coisas:
“Ai, não! Olha o que esta pessoa está a dizer. Olha para a atitude desta pessoa.”
E quando fizerem isso terão completado o vosso primeiro passo. Escrevam livremente enquanto tiverem que escrever e até que terminem. Depois parem.
“Quanto deverá compreender?
Quando tiverem terminado estará acabado; nem mais nem menos.
“Como hei-de saber?”
Sabê-lo-ão! Confiem em vós. O primeiro passo está terminado.
Segundo passo: A partir desse volume de escrita que basicamente constitui o fluxo da vossa identidade, por ser aquilo que fazem, aquilo que dizem e aquilo que pensam (quando não estão a prestar atenção ao que fazem, ao que dizem, e ao que pensam, quando não o estão a controlar) isso que tiverem rabiscado nessa folha de papel é a vossa identidade. Agora que é que fazem, nessa mesma folha de papel? Escrevem um parágrafo que descreva aquilo que são, que descreva a vossa identidade, cara a cara, a área para que estiverem a olhar; a vossa identidade, conforme esteja relacionada com o assunto inicial. Um parágrafo, a vossa identidade relacionada com os relacionamentos – uma identidade caracterizada por um tremendo medo e um tremendo ressentimento:
“Eu realmente ressinto-me bastante dos relacionamentos, e revelo uma tremenda pressão que os relacionamentos me imputam.”
Essa é uma imagem de uma expectativa de fracasso, de espectativa de desmoronamento, espectativa de saírem magoados e erroneamente culpados.
“Eu tenho uma imagem efectiva de mim nas relações que tenho como a de um justiceiro, a de alguém que tem vontade de magoar a pessoa por quem estou apaixonado, de magoar a pessoa com quem me relaciono, antes que magoe a mim.”
Assim como poderão descobrir em torno do êxito:
“Ressinto-me do êxito e ressinto-me das exigências que impõe, e tenho vontade de castigar e de cortar e de dizer às pessoas para me deixarem em paz com respeito ao êxito. Eu quero fracassar; o fracasso agrada-me por ser mais fácil fracassar.”
E poderão descobrir a respeito da vossa espiritualidade:
“Tenho medo de Deus. Lembro-me de Deus em criança, ou seja, um Deus mau e sórdido, por quem tinha que sentir amor e que nada fez por mim. Por que deveria agora ter amor por Deus; por que deveria agora abranger. Ele deve ser como uma esponja que exige mais e mais de mim. A imagem que tenho de mim é a de uma pessoa ressentida, que realmente não quer tal espiritualidade.”
Escrevam um parágrafo. Um parágrafo é definido por duas frases ou mais. Poderá constar unicamente de duas frases, ou de quatro ou cinco, pode comportar uma página inteira, mas escrevem um parágrafo, e indexam-no à primeira frase. E a seguir escrevam, só que desta vez de uma forma convincente, a ortografia ainda não tem importância, nem se preocupam com a pontuação, por agora quererem que faça sentido, por quererem que seja bem pensado, com base naquilo que tiverem descoberto sobre vós próprios nessa redacção aleatória. Agora terão definido a vossa imagem, os limites irregulares do vosso rio.
Terceiro passo: Pegam no que tiverem escrito no parágrafo - e aqui é que a coisa se torna difícil - e escrevem uma frase. Não quer dizer que peguem em palavras do parágrafo anterior e tentem enquadrá-las num sentido, por esse ser um dos jogos que fazem; quantas palavras poderão conseguir a partir do termo liberdade? Não, não se trata de mais um desses joguinhos de criança que possam montar. Não, pegam naquilo que escreveram e leem- no, e a partir daí poderão ver surgir uma frase. Bom, ela poderá incluir determinadas orações, mas não tem que incluir. Acabam com uma frase que representa a vossa imagem.
Num quarto passo condensam essa frase numa palavra - numa palavra - que descreva essa imagem. Esse passo inicial poderá levar horas a conseguir, para alguns de vós. No caso de outros poderá levar vinte minutos. Esse parágrafo poderá enquadrar-se com facilidade, senão de um modo entediante. No que toca à frase, isso irá levar tempo. Poderão escrevê-la e riscá-la para voltarem a escrevê-la de novo, e reescrevê-la uma vez mais; o vosso parágrafo poderá mesmo ser alvo de diversas revisões antes de o conseguirem como desejarão. Sair-se-ão muito melhor se fizerem um parágrafo de quatro ou cinco frases ao invés de encherem a folha, para o condensarem desse modo, e o refaçam até o conseguirem bem. E depois, a frase, também poderão ter que a reescrever várias vezes para a conseguirem de maneira correcta.
Uma vez mais, não precisa incluir nenhuma das palavras que se achem no parágrafo. É a ideia, que pretendem transmitir. Mas poderá levar-lhes mais tempo a chegar à palavra. Poderão ter que dar voltas ao cérebro, poderão ter que ir até lá fora e tocar no solo e captar essa energia e apelar à energia da terra para os ajudar, ou apelar aos vossos amigos invisíveis ou conselheiros, Deus, Deusa, Todo, por ajuda na descoberta das respostas, para que tragam a frase ou a palavra à existência. Poderão mesmo ter que dormir sobre isso, precisam de uns quantos dias. Não é que quanto mais tempo leve melhor seja - quanto mais real for, melhor será. Não importa. Poderão conseguir progredir nisso em vinte minutos em vez de quatro ou cinco dias. Mas o real é que conta. Mas chegam a esse ponto e aí surge-lhes a palavra, atingem a palavra. E quando atingem a palavra ela provoca-lhes um formigueiro e atinge-os no âmago - é isso! E saberão ter esbarrado com a palavra - a tal palavra.
Eis uma frase adorável que alguém redigiu no término de uma carta extensa, frase essa que diz: "Lamento que esta carta seja tão comprida. Não tive tempo para a encurtar." Por encurtar e condensar exigir tempo, reunir um único parágrafo que diga tudo quanto pretendam dizer. É muito mais difícil do que escrever página atrás de página. Transformar um parágrafo numa frase representa uma concentração de ideias e de energia. E reduzir uma frase a uma palavra constitui um enfoque muito intenso, semelhante a um lazer no seu enfoque. Mas decerto que poderão experimentar, e esbarrar com um parágrafo e escrever uma frase e escolher uma palavra dessas, não é coisa por aí além. Mas se quiserem tornar isso real, se quiserem trabalhar de modo que os leve a algum sítio então o melhor será que o façam a sério. E poderão topar com palavras tipo: Mau, terrível, cínico, negativo, que não contenham qualquer conotação; assim como poderão acabar por encontrar como: Intruso, ferido, fechado, excluído, cego, cruel, castigar, ressentido, orgulhoso, que representem palavras bem reais que os toquem bem fundo.
Se for a vossa palavra, então encerrará a vossa imagem; ela representará a gema. E a seguir que e que fazem? seguir que ntaroso, que representem palavras bem reais que os toquem bem fundo.
é que fazem? Apoiam essa imagem num suporte configurado por cinco palavras que terminem em R, que suplementem essa palavra: Sentir, duvidar, resistir ressentir, retirar, recuar, espiar, adular, bisbilhotar, rabiscar, palavras desse tipo (evidentemente negativas) que representem os cinco dentes que apoiem essa pedra preciosa, esse diamante, que é a vossa imagem negativa, da imagem que querem romper. Ainda não se acha rompida, está unicamente a ser finalmente descortinada e a passar a existir; existia o tempo todo, mas está finalmente a ser descortinada.
E como deverão fazer com respeito à imagem que pretendem edificar, a imagem que pretendem usar em vez dessa? Não passa de uma mera imagem; pensam nas cinco palavras que terminam em R que prefeririam ter como: Retirar, adular, apunhalar...
"Não gosto destas palavras: Prefiro Abranger, abrir, alargar, interessar, rir. Gosto mais dessas palavras."
Essas são as palavras que gostaria de ver associadas a mim.
"Muito bem; então talvez crie uma configuração dessas onde possa colocar uma nova pedra preciosa. E que nova pedra preciosa irá ser essa? Uma palavra - uma palavra - que poderá terminar como quiserem, mas que provavelmente terminará da mesma forma que a palavra negativa que tinham identificado. Caso seja "estranho" o provável é que seja constituído por um pronome. Se for "ferido," provavelmente será uma palavra que termine igualmente em O (na forma verbal passado). Se for "ferir," provavelmente terminará em O, mas uma palavra que vá substituir essa palavra negativa. Talvez seja afectuoso, talvez seja carinhoso, talvez seja risonho. Mas seja ela qual for, deixem que seja real. Deixem que seja igualmente real. E também causará um formigueiro do género: "Agrada-me, agrada-me." Mas, no caso de "fosrasteiro," "pessoa íntima" não pega lá muito bem, pega? Mas uma outra que se enquadre e que resulte a vosso favor.
E depois pegam nessa palavra exclusiva e formam a frase ao redor dela. Sem usarem necessariamente a palavra - uma vez mais, não se trata de um jogo a ver quantas coisas conseguem reunir - isto é sério. Por conseguinte, constroem uma frase que possa incorporar ou não essa palavra, e a partir dessa frase constroem um parágrafo formado pelo menos por duas frases ou mais. E do parágrafo deixem que escorra para a escrita extensa. Se for real, quando atingir esse outro lado da escrita, fluirá muito bem. Alguma vez terão notado que, quando processam alguma coisa, quer sozinhos ou junto com mais gente, quando topam com uma frase risível, quando atingem um ponto de partida esquisita, deixam de ter mais o que dizer a respeito?
"Bom, percebo que seja raiva contra os meus pais. É raiva em relação aos meus pais. É raiva - contra os meus pais..."
É tudo quanto conseguem apontar com respeito a isso. Por não ser real, por não se achar presente. Mas quando mergulham a sério nisso e esbarram com a página, atingem o real, algo de valor, isso passa a jorrar como um poço artesiano. E vocês deparam-se com múltiplos exemplos. Não o conseguem deter, por ter atingido algo de valor, algo real. Se acabarem por identificar uma só palavra, uma só palavra poderá provocar-lhes tremores na espinha, tipo pele de galinha, e saberão que o poderão expandir até uma frase completa e aí tornar a coisa ainda mais profunda, e a seguir uma parágrafo, o que se tornará ainda mais entusiasmante. E aí não quererão parar. Só que precisam condensá-lo e apertar isso ainda mais. E então isso passará a fluir por vós e começam a verter isso tudo na redacção de parágrafos numa ou em duas folhas. Quando tiverem terminado, detenham-se. Quando tiverem terminado parem.
Agora conseguiram-no - uma imagem com que quererão romper. E uma imagem que quererão erguer. Não romperam nem edificaram, só que agora dispõem das matérias-primas com que o fazer.



(continua) 
Traduzido por Amadeu António

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