sábado, 20 de agosto de 2016

VERGONHA - INFÂNCIA




CONTRACTOS PSÍQUICOS DE DOR
Vamos falar novamente acerca do tema, porventura mais importante, deste ano do despertar, que é pôr termo à vergonha. A vergonha constitui uma das mais poderosas pílulas para dormir, se quiserem, uma das mais poderosas consciências que mantêm as pessoas a dormir. E quando, à noite abrem os olhos para dar uma ligeira olhadela furtiva, instantaneamente os voltam a fechar, por este conceito parecer ameaçador, iminente; mas mais do que um conceito, este sentimento de vergonha.
Ora, já falamos sobre este tema este ano, quando nos focamos primariamente no que apelidamos de origens pré-verbais da vergonha, que cada um e todos vocês sentem; alguns que a trataram de forma apropriada, alguns de vós que a experimentaram positivamente, ao passo que muitos outros, enquanto gente e humanidade que são, conforme vós aqui presentes, certamente ainda carregam marcas e cicatrizes e danos dessa origem pré-verbal da vergonha que ocorreu tão cedo e de forma tão inocente por altura da vossa juventude.
Esta noite queremos voltar a considerar a vergonha uma vez mais, e desta vez queremos olhar a vaga seguinte, se quiserem, a fase seguinte, que é quando a vergonha se demonstra num estado bastante verbal da vossa vida, absolutamente, numa altura da vossa vida que é profundamente importante, quando certamente é capaz de provocar um quase insuperável volume de prejuízo, e decerto para os ajudar a tratar de superar o prejuízo que tiver provocado, por esta noite pretendermos considerar os contractos emocionais – o que nós chamamos de contractos psíquicos de dor que de facto brotam da vergonha que carregam.
Bom, conforme já dissemos antes, ao falarmos sobre isso da primeira vez, a vergonha constitui uma emoção muito poderosa e na verdade muito importante; a vergonha constitui o que chamamos de emoção primordial para toda a gente, por absolutamente toda a gente a sentir – nas várias fases e determinados pontos do seu desenvolvimento e crescimento; cada um de vós terá sentido vergonha. E representa uma emoção primordial e poderosa por poder ser um tremendo auxílio na definição de vós próprios assim como poder tornar-se numa parte integral da negação de vós próprios. É uma emoção de tal modo potencialmente essencial que pode chegar aser bastante instrumental, quer na descoberta daquele que são, quer na destruição daquele que são. É uma emoção essencial que uma vez manuseada de maneira apropriada, poderá prosseguir até produzir uma qualidade humana muito bela e muito importante chamada remorso, e continuar até produzir um aspecto muito importante do vosso cultivo, chamado individuação, tornar-se no Eu individual.
Se, todavia, essa mesma vergonha que todos vocês sentiram em grau variado e por métodos e meios pelos quais a tiverem sentido, não tiver sido apropriadamente manuseada, pode putrificar e tornar-se num dos venenos mais mortíferos, e resultar na separação e no isolamento e torna-los numa ilha, em relação àquele que verdadeiramente são. Mas essa vergonha que sentem na verdade sucede por vagas; existem várias fases, várias vagas de vergonha. Sobre a segunda vaga vamos falar esta noite; falamos sobre a primeira vaga anteriormente, este ano, mas de facto existem mais duas fases subsequentes em que a vergonha pode surgir e em que a vergonha lhes pode causar danos. Mas sucede por vagas, a determinadas alturas da vossa vida, em alturas instrumentais de mudança, em alturas instrumentais do crescimento e do desenvolvimento. A primeira vaga sucede, conforme debatemos da última vez, naquela altura que permeia os dezoito e os trinta e seis meses, a fase que em muitos aspectos é conhecida pelos “terríveis dois”, por entre o ano e meio e os três. Na verdade é um período de separação, quando descobrem não estar mais ligados à vossa mãe.
Certamente que desde a altura do nascimento – embora não tenham consciência disso – um cordão umbilical foi cortado, o que os separa fisicamente, mas vocês continuam emocionalmente ligados, e nesse período, desde a altura em que nascem até procederem à separação, algures lá por entre os dezoito e os trinta e seis meses, vocês pensam literalmente ser a vossa mãe: os sentimentos dela pertencem-lhes, as atitudes dela são as vossas, as observações que faz são vossas, a experiência de vida que faz é a vossa experiência de vida. E é por isso que muitos de vocês, ao observarem uma mãe com uma criança – muitos de vocês enquanto mães com filhos – terão notado que quando estão de mau humor, também a criança parece estar; terão notado que quando se sentem adoentadas, também a criança parece sentir-se; que quando se sentem deprimidas, também a criança parece estar. Não falam com a criança acerca da depressão, nem se portam de um modo que de alguma maneira tenha provocado... mas a criança parece reagir. Quando se sentem felizes e leves e repletas de vida, sem razão aparente para tanto, também a criança parece sentir-se. E isso deve-se ao facto de a criança se encontrar psiquicamente ligada, desde a nascença, e até que ela própria proceda à separação.
Agora, com essa separação, à medida que a criança percebe:
“Eu não sou a minha mãe; ela tem as suas próprias emoções, eu tenho as minhas; ela tem os seus próprios humores, eu tenho os meus; ela tem a sua própria perspectiva, eu tenho a minha; ela faz as suas próprias observações, eu faço as minhas.”
Agora; decerto que isso não é percebido verbalmente, enquanto se senta a ponderar numa forma articulada - não. No entanto é percebido. E com tal separação sucede a vergonha, porquanto não seja encantador perceber:
“Eu existo em separado.”
É assustador:
“Sinto-me tão mal, tão péssimo, como se estivesse a dilacerar gratuitamente algo em mim,” e com o encanto sucede igualmente a ressaca, chamada vergonha.
Bom; quando essa vergonha atinge todos e cada um de vós – ninguém, lhe escapa, ninguém lhe escapa – quando essa vergonha os atinge, se for manuseada adequadamente, se a experimentarem positivamente, ela prosseguirá e irá produzir várias qualidades no vosso íntimo. Prosseguirá até produzir a sensação:
“Eu sou um ser humano. Eu posso cometer erros. Eu sou digno de perdão. Eu consigo preparar-me e ter noção do preparo ou da falta de preparo que tenho para lidar com a vida. Eu tenho quereres e desejos, mas não faz mal. De facto é normal, e na verdade é natural, e representa tudo que tem que ver com o ser humano.”
Se essa vergonha que ocorre for manuseada e experimentada – tratada, querendo com isso dizer a forma como a mãe ou o pai ou a família a tratarem – e experimentada, ou a forma como se relacionam com ela; tratada e experimentada de uma forma positiva, mais tarde na vida poderá conduzir a uma motivação positiva, e mais tarde na vida poderá conduzir àquela qualidade chamada carácter, e mais tarde ao longo da vida revelar-se-á como consciência de si – noção de exercer impacto; autoconsciência – “Eu possuo uma espiritualidade.” E a partir desse tratamento positivo da vergonha, muitos, muitos anos mais tarde, poderão experimentar a vossa espiritualidade de uma forma positiva.
Contudo, se nessa altura a vergonha for tratada e, ou, experimentada de forma repressiva, o resultado será:
“Eu não posso cometer erros. Tal não me é permitido. Eu não sou digno disso; jamais estarei preparado para lidar com o mundo. E as necessidades e quereres que tenho, são algo de que deveria sentir-me culpado e envergonhado e algo que não deveria ter.”
Se for tratada de uma forma repressiva, acabarão numa situação de estagnação, sem qualquer motivação positiva efectiva, e acabarão por se sabotar a si mesmos, devido á falta de carácter; e sejam quais forem as actividades espirituais em que se envolvam, jamais se sentirão como um todo - íntegros; jamais se sentirão plenamente sinceros; até mesmo as compensações não serão sentidas desse modo. Isso é de tal modo importante compreender que nas alturas mais críticas irão sentir vergonha. Todos vocês, quantos têm crianças - elas irão sentir vergonha, e a forma como for manuseada e experimentada irá exercer impacto para o resto das suas vidas.
Aqueles de vocês que dão por si a querer desenvolver o carácter, sem saber como, e sem parecerem muito capazes disso, e que desejam ter uma experiência profusa e rica com o vosso Eu Superior, veem aqueles que o conseguem e questionam-se da razão porque não terão uma relação assim. Aqueles de vós que procuram indagar:
“Por que não me sentirei motivado, por que não conseguirei descobrir o que fazer da minha vida e fazê-lo? Porque sempre me sinto despreparado; por que razão sempre sentirei que não obstante o que seja, provavelmente terei feito asneira? Por que será isso tão instintivo, tão automático?”
E a razão para isso deve-se ao facto da vergonha que tiverem sentido ter sido quer tratada ou experimentada – ou ambas – inadequadamente. E essa é a primeira vaga, essa é a primeira investida que a vergonha faz. Mas quando tratada de forma adequada produzirá, e quando tratada de forma inadequada destruirá.
Agora; há uma segunda vaga de vergonha, e essa segunda vaga também sucede por altura dessa separação. Contudo, essa segunda vaga mostra-se grosso modo, quando tiverem seis ou oito anos, quando se separam da mãe. “Bom, nós separámo-nos aos oito anos?” Sim, é por volta dessa idade que se separam, mas depois vocês tentam conscientemente unir-se, querem estar tão apegados à mãe quanto possivelmente puderem, mas algures lá por volta dos seis, ou porventura seis e meio, sete, ou até mesmo dos oito e meio, algures por essa fase generalizada separam-se da mãe:
“A mãe? Puxa. Não quero a mamã perto de mim... Puxa. Sai para lá, e deixa-me em paz... Deixa-me um quarteirão antes da escola... Ah, não me toques, nem me beijes... Puxa. (Riso) Eu quero é estar com o pai. O pai é que é; o pai é o pai. Quero ir para a garagem com o pai, sempre que se escapa de casa para trabalhar no carro. Quero ir com o pai cortar a relva do jardim. Com a mãe? Não. A mãe é mulher.”
A mãe não serve para nada, dizem os rapazes. A mãe não chega.
“Eu quero ser a princesa do papá, a centelha do meu papá. Mães? Arre! Arredem lá com elas.”
E com essa separação sucede a vergonha! Um sentido natural de vergonha que toda a gente sente.
O segundo aspecto desta segunda vaga, vem por entre os dez ou onze anos, antes da puberdade no caso da maioria, ao passo que no caso de alguns se sobrepõe a ela. Entre os dez ou doze, quando agora se separam do pai, e se ligam ao mundo – ocorre de novo uma separação; por essa altura não querem ter nada que ver quer com o pai quer com a mãe; só querem estar junto dos vossos amigos, com os vossos companheiros, e com os namorados – os únicos que os compreendem, os únicos que verdadeiramente se interessam por vós. A mãe e o pai são gente necessária e obrigatória na vossa vida, na medida em do que lhes diz respeito. Mas se conseguissem livrar-se deles ficariam mais do que contentes com isso, e se pudessem pernoitar com os vossos amigos e estar o tempo todo nas suas casas – os pais deles não são como os vossos, entendem? (Riso) Separação! Mas uma vez mais, um período de vergonha. Irão senti-la. Não é que sejam maus ou estejam errados ou sejam malvados, mas seja o que for, e seja qual for a maneira como lidarem com isso, irão sentir vergonha com essas separações a que chamamos de segunda vaga, ou segunda fase da vergonha.
Agora; nesses períodos intricados, se a vergonha for tratada e experimentada positivamente, resultará no que é chamado de integração, actualização, individuação, ou num outro termo fluente qualquer que basicamente signifique que começam a desenvolver-se enquanto indivíduos; descobrem ser uma pessoa, por direito próprio, e poderão continuar a crescer até serem a vossa própria pessoa e viverem a vossa própria vida. A separação é essencial, entendem? E a seu modo, o sentimento de vergonha é essencial, e caso seja posta em ângulo e experimentada de uma forma positiva, produzir-los-á enquanto pessoa, enquanto pessoa própria – um indivíduo que vive a própria vida. Não enquanto estão com seis ou oito anos, não. Nem enquanto estão com dez ou doze anos, decerto. Mas em última análise resultará naquele fenómeno que é a individuação.
Se, no entanto, essa vergonha que tiver ocorrido - e que irá ocorrer com cada um de vós - for tratada de forma repressiva, ou experimentada de uma forma repressiva, deverá resultar não na individuação, mas no isolamento, numa ilha separada do mundo, em relação à possibilidade de serem a vossa própria pessoa. E incorrem no risco de viver uma vida que nunca lhes chega a pertencer, por os separar da vossa realidade e da vossa espiritualidade. De modo que se articula em torno, não do facto de sentirem ou não vergonha - por todos irem senti-la e todos a terem sentido - mas do “como” irá ser tratada e da forma como a tiverem experimentado. O que é suposto acontecer na primeira vaga, entendem, durante esse período que medeia os dezoito e os trinta e seis meses em que a vergonha sucede, é suposto que seja tratada positivamente e experimentada positivamente e desse modo produza remorso, mas se tal não acontecer, entendem, se para cúmulo da vergonha natural, da vaga natural que vem ao vosso encontro, lhes inculcarem que estão errados ou se forem abandonados ou abusados, e isso for internalizado, representará uma carga em demasia; é como uma brisa suave que subitamente se torna na força destrutiva do vento.
“Eu não consigo enfrentar isso; eu não consigo suportar a carga da vergonha normal acrescida de todas as coisas artificiais que lhe são acrescentadas. E sob uma carga dessas eu posso não me aguentar.”
E alguns não se aguentam, quer literalmente, e morrem – conforme as crianças nesse período crítico, ou logo após; ou tornam-se quase autistas – algumas são-no mesmo – e retiram-se para o isolamento total, e são institucionalizadas.
Bom; isso não lhes aconteceu, certo? Vocês não morreram. Nem perderam a capacidade de comunicação por completo. Sobreviveram, mas para isso, aquilo que tiveram que fazer foi decidir que eram imperfeitos, que tinham defeitos, que constituíam um erro, um engano. E foi assim que sobreviveram. Foi assim que absorveram a dor da vergonha natural e da vergonha artificial. E quando a carga se colapsou sobre vós, decidiram que eram o “imperfeito” e o “defeituoso”, o “erro”, enquanto ser humanos; vocês iriam, consequentemente, passar o resto da vossa vida a tentar curar uma cicatriz que não tinha cura, por tentarem pagar uma dívida que de algum modo a vossa própria existência produziu. Mas, durante um certo tempo isso tratou da coisa; isso permitiu-lhes sobreviver e permitiu-lhes continuar a percorrer o vosso caminho do crescimento.
Bom; de igual modo, quando a segunda vaga sucede, quer dos seis aos oito, ou dos oito aos dez, seria suposto serem capazes de a tratar, recorrendo ao malabarismo que usam com todas as coisas que manipulam na vida; seria suposto que tratassem da vergonha que a acompanha; e seria suposto que produzisse essa individuação. Mas para cúmulo, nesse malabarismo que põem em marcha, a vossa mãe ou pai ou o ofensor atira-lhes uma “bola de bowling”, e não irão ser capazes de enganar a coisa. Não irão ser capazes de manter tudo no ar. E a vergonha artificial, ao lhes ser incutida, quando lhes dizem que são vergonhosos, por serem abandonados e abusados, por serem enganados; ao verem a injustiça institucionalizada, isso torna-se demasiado pesado para suportar; não podem sobreviver a isso. E simplesmente dizer a vós próprios que são imperfeitos, que têm defeitos, que são um erro e que se sentem em obrigação simplesmente por existirem, não o vai conseguir, isso não vai resolver a questão.
Em vez disso, o que tem que acontecer – e o que acontece efectivamente – é que irão, ou criar, ou acordar num contracto com o ofensor. Vocês ou concordam, ou criam um contracto com aquele que mantém a vergonha, de qualquer modo, para sobreviver. O “contracto psíquico”, conforme lhe chamamos, o contracto psicológico, um contracto emocional que num certo sentido assinam, com a vossa vida. É um mecanismo de sobrevivência, um mecanismo que vós instituís para poder sobreviver à dor, para absorver a dor da vergonha natural e artificial que tem vindo a ser causada em vós. Dizer a vós próprios que são imperfeitos não chega; vocês concordam ou estabelecem um contracto:
“Se eu assinar isto, deixar-me-ás em paz? Se eu o assinar, deixar-me-ás sobreviver? Se o assinar, assumirás parte da dor?”
A resposta é um “Sim, assina,” mas muitas vezes não era a resposta verdadeira. A dor não desaparece, mas o contracto foi assinado, de qualquer modo. É uma maneira ardilosa e criativa de absorver a dor, quando não passam de um catraio ou de uma catraia com oito ou dez anos e não têm muitos recursos ao dispor.
Não conseguem chegar junto da mãe e dizer:
“Olha, tenho que consultar um terapeuta, por estar com um problema bem real e estar a fazer face a uma profunda e pesada vergonha que sinto estar a estabelecer-se aqui ao redor.” (Riso)
Não podeis sentar-vos para almoçar e conversar com eles:
“Eu tenho que discutir algo convosco em relação aos pais que são e à vergonha que me estão a fazer passar.”
Isso simplesmente não se encontra ao vosso alcance! (Riso) Podem fazer isso agora – para alguns ainda se afeiçoa demasiado assustador, mas pelo menos está ao vosso alcance.
Agora dispõem de recursos, mas na altura não. Que recursos teriam?
“Eu sou uma pessoa terrível.”
Isso não servia, e já sabiam disso, metade de vós.
“Eu sou uma pessoa imperfeita e cheia de defeitos.”
Pois bem, isso não decepa a coisa; isso não eleva a dor:
“Tudo bem, eu assino qualquer coisa. Tira só a dor de cima dos meus ombros.”
E quer lhes tenham tirado ou não, vós assinastes o contracto, como uma forma de recurso limitada para absorção dessa dor.
Agora, a intensidade do contracto é determinada pela intensidade da vergonha. Alguns de vocês cavalgaram essa primeira vaga na perfeição. Foi tratada apropriadamente; sentiram a vergonha, a vossa mãe ou pai, os ofensores da vossa realidade, ou potenciais ofensores não lhes despejaram a vergonha extra sobre vós. E vocês trataram-na correctamente, e experimentaram-na correctamente, e de facto a (...) do remorso começou a crescer, as raízes começaram a propagar-se e as sementes a germinar, e tudo parecia excelente, enquanto a cavalgavam, mas então foram de encontro a um muro de tijolos aos sete, ou seis, ou por aí, ou mesmo aos dez, onze ou doze anos, e - Bang! – em cheio contra um muro de tijolos, por a vergonha os ter atingido nessa altura. Não foi tratada apropriadamente.
Agora, os vossos contractos particulares serão parcial ou totalmente debilitantes, incapacitantes. Alguns de vós viram-se por completo enredados pela primeira vaga, completamente triturados e praticamente cuspidos para fora; sobreviveram a isso, conseguiram equilibrar-se uma vez mais, e imperfeitos e com defeitos foram vagando ao longo do vosso terceiro, quarto ano, e ao chegarem ao quinto ano – Bang! – atingidos de novo, totalmente enredados na segunda vaga da vergonha, quer dos seis aos dez ou dos dez aos doze. Os vossos contractos particulares, daqueles em que tinham ficado enredados na primeira vaga e emaranhados na segunda, os vossos contractos podem ser parcial ou totalmente enclausurantes.
Bom; nenhum de vocês se encontra completamente incapacitado, nenhum de vocês está completamente enclausurado; se estivessem não estariam aqui, nem estariam a escutar esta gravação. Mesmo na falta de institucionalização, haveriam de se sentir repugnados com o conceito da vergonha, e não se teriam atrevido a algo que fosse permitido escutar, por ser demasiado assustador. E muitos de vós estão adormecidos; muitos daqueles, que, espalhados pelo mundo, se encontram profundamente adormecidos, que conseguirão captar um tanto e voltar costas de novo, na profundidade do esquecimento sonâmbulo em que se encontram, poderão encontrar-se completamente debilitados e enclausurados, mas vocês não estão.
Vocês dispõe de espaço, vocês dispõe de flexibilidade; sim, a vergonha pode achar-se presente, sim a vergonha pode ser, a seu modo, debilitante ou enclausurante, mas vocês ainda levam vidas normais, ainda obtêm êxito – não por todas as formas que desejam, bem o sabemos – mas são bem-sucedidos de muitas formas. Vós sois vencedores no jogo da realidade, sem sombra de dúvida. Não se encontram envolvidos com a metafísica nem com a espiritualidade para tentarem sair de algum gueto emocional. Vocês são vencedores; vocês estão por cima. Mas não estão a vencer tanto quanto quereríam, nem estão a descobrir a realização da forma que quereriam, e para além disso são os cartógrafos e por isso torna-se importante que despertem. (Riso) Mas sabem disso, e estão a tentar despertar. (Riso) Estão de verdade! E de diversas formas estão a despertar; vocês são flexíveis e dispõem de espaço, mas entendam, se a vida que tiveram continuasse por mais três ou quatro décadas, talvez o conseguissem, só que esta é a década mais monumental da história da humanidade, e as mudanças ocorrem com tal rapidez e são de tal modo rápidas que rapidamente estão a esgotar a flexibilidade. Estão a ficar sem espaço. E o que teria representado um luxo pessoal, romper com esses contractos, está velozmente a tornar-se numa necessidade pessoal, por estarem determinados a despertar, determinados a descobrir a realização, determinados a ser metafísicos e espirituais, por que bem no fundo tanto anseiam.
O que costumava ser um luxo pessoal está agora a tornar-se numa necessidade pessoal, e por isso torna-se importante que compreendam a segunda vaga da vergonha, e que conheçam o contracto ou o acordo contratual por parcelas que tiverem estabelecido, e o impacto que esteja a ter na vossa vida, e de seguida rompam com esses contractos, ponham cobro à vergonha que esses contractos psíquicos de dor estão a encobrir e a absorver, tentam melhorar e falham miseravelmente.
Assim, vamos ver como esta segunda vaga opera; como, de tantas formas é uma vaga mesmo muito mais intensa do que a primeira. Ora bem; quando antes falamos acerca da vergonha, sugerimos ter diversas causas, uma das quais é terem sido ensinados. E o que acontece é o fenómeno da pessoa que sente vergonha não a querer admitir, não reconhecer nem identificar a própria vergonha e tornar-se numa pessoa que vive na vergonha; quer um ser sobrehumano ou num ser sub-humano. Aqueles que têm uma vergonha não identificada, não reconhecida, não aceite, tentam tornar-se sobrehumanos e numa pessoa perfeita e alcançar o perfeito controlo da sua vida, sem surpresas, nem nada de invulgar, nem nada fora do comum, tentam estar completamente correctos em tudo quanto fazem, e são brilhantes em tudo que fazem – têm que ser o melhor, têm que ser o número um, têm que ser sempre e fazer tudo, tudo quanto possa ser feito – são a pessoa que superam.
Pais com vergonha descarregam essa vergonha nos filhos - já falamos disso – e exigem que sejais o filho ou filha perfeita, e exigem que sejais uma criança que esteja sempre no controlo e que esteja sempre às direitas, e que superem, como querem que o façam, de modo a deixá-los orgulhosos; e exigem que façam uma boa figura de mãe e de pai, de excelente avó, ou seja o que for. Para que possa dizer que tem o melhor filho ou filha, o número um – o que quer dizer que é a melhor, e que satisfez a realização, que atingiu a perfeição, a rectidão, o controlo. Mas na segunda vaga, entendem, essas calças sobrehumanas adquirem um maior sentido de visibilidade, e um alcance, uma base maior de comparação e de competição. E de súbito as exigências sobre-humanas intensificam-se. Porque, quando estavam com três ou quatro anos, entendem, podiam fantasiar como quando chegassem na escola iriam ser o garoto mais esperto, o mais duro, o mais atlético, a garota mais bela; mas quando lá chegavam, passavam a ver outros garotos a dizerem:
“Porque fazes sempre de arbusto no teatro da escola?” (Riso) “Estou cansado de te ver fazer de docinho torrado no ballet. Porque não poderás ser uma princesa? Porque escolhes sempre ser o último em vez de capitão da equipa? Porque não és o líder do teu grupo de amigos, e sempre jogas os jogos que não queres jogar? Porque não lhes dizes o que jogar? Porque vais sempre para a casa deles? Porque não vêem à tua casa? Não será suficientemente boa?”
E esse super-pai agora tem outros garotos com quem a comparar, entendem?
“Oh, claro que há outros garotos, mas é a minha garota, não é?”
Só que agora a vossa catraia está na escola, e não é a garota mais bonita. Não é o menino mais bonito, nem é o preferido da professora, nem o primeiro, nem obtém as melhores notas.
“Vamos lá, deixa-me orgulhosa e não me envergonhes assim. Não me humilhes deste modo. Não suporto. Viste a forma como ela me olhou? A dizer que a minha filha é uma princesa, e tu não passas de um arbusto.” (Riso)
“ Agora, quando vejo os outros catraios entro em transe para superar as expectativas, para ser perfeito, para ser recto, para estar sempre no controlo, e mais intensamente exijo que agora o consigas e o desempenhes, que não mostres unicamente o potencial, por estar mesmo a acontecer, e tu não estás à altura!”
E aí sucede uma vaga mais devastadora de vergonha:
“Não me desapontes nem me envergonhes. As pessoas vão pensar que eu sou uma má mãe, um mau pai. Deixa-me orgulhoso. Quero ser capaz de ir ao teu jogo e ver-te brilhar e dominar o grupo, por o meu filho ser o número um! Quero andar na boca dos outros, quero esfregar-lhes isso na cara, vamos lá!”
Intensifica-se por se tornar mais visível e constituir uma base mais ampla de comparação. Mas de forma similar, e ao contrário, os pais que carregam vergonha e negam a filha envergonhada, tornam-se subhumanos; os pais que se enfurecem uns com os outros ou convosco, e que, não só discutem mas que brigam, berram, gritam, que atiram coisas e que quebram coisas, que destroem coisas, e que reproduzem esses dramas à vossa frente, os pais raivosos e abusivos, que abusam física e emocionalmente de vós, os pais que abusam sexualmente, ou os abandonam – essas qualidades em que se portem de uma forma subhumana, também vos lhes tornam mais visíveis agora.
Quando têm três anos de idade, poderão porventura aplacar a mordedura dizendo para vós próprios que toda a gente é ferrada; poderão aplacar os berros, os gritos e as brigas dizendo que toda a gente se porta dessa maneira; poderão aplacar o facto de a mãe sair do quarto a chorar para não regressar durante dois dias, por ter tido uma discussão com o pai, como sendo a forma como as mães e os pais se comportam. Podem ser capazes de dizer que a vossa mãe anda a cair de bêbeda, mas que essa é a maneira de ser de todas as mães e pais, e quando estão entre os seis e os oito – e ainda mais quando estão com dez ou doze, percebem que não é assim:
“A mãe do meu melhor amigo jamais berra; jamais vejo a mãe dele com um olho negro. A mãe dele nem sequer bebe! O pai dele aparece, quer seja altura do basebol ou do futebol de Sábado; o pai dele faz coisas com ele. Os meus pais condoem-se enormemente.”
Todos vós gostais de ouvir, quando são garotos, dizer que a vossa mãe é a melhor cozinheira do mundo, mas depois vão a casa de mais alguém e:
“Este rolo de carne é excelente! A tua mãe é a mãe mais bonita do mundo.” (Riso)
Esse é um nível, mas quando toca ao nível da vergonha: “Os meus pais subhumanos, posso de repente compará-los a pais humanos, ou mesmo a pais sobre humanos, porventura, mas depois quando chegam estou frito. E percebo que realmente devo ter alguma coisa de errado. Devo ser mesmo eu, por todas as mães e pais não serem assim. Nem todos lares são assim um inferno repleto de briga e de gritaria e de correria. Agora constato haver alguma coisa de errado comigo por os meus pais se destacarem mais. E eu disponho de uma base de comparação mais ampla, e perco, por ser mau e estar errado, por ser tudo culpa minha, e a vergonha me levar a desmoronar. Aquilo que me ensinaram na infância, é agora intensificado na função sobre humana e subhumana de uma elevada visibilidade e de uma mais ampla base de comparação.
Agora; a segunda fonte de vergonha procede do abandono; não de um abandono qualquer, mas do abandono que ocorre por essa altura – dos dezoito aos trinta e seis meses. Se acontecer antes dele ou depois dele não causará dano? Bem, não produzirá essa vergonha, esse dano. Bom; esse abandono, seja por que forma for – seja pela morte do pai ou pelo facto do pai se ter divorciado da mãe ou por o pai ter dado o fora, ou se encontrar completamente imerso no trabalho, ou por ter descoberto um refúgio no canto da garagem, no pátio, no trabalho em que passa cada bocado, uma espécie de covil que diz ser dele e em que se perde ao se isolar e abandonar a família – durante esta segunda fase, se esse abandono já se tiver efectivado, intensificar-se-á com a vergonha. Porque quando estão naquele intervalo dos seis sete ou oito anos de idade, vão separar-se da mãe e apegar-se ao pai mesmo que o pai não se ache presente. Ainda vão passar por isso, mas o vosso corpo não sabe; a química do organismo num certo sentido não sabe, e por conseguinte, é altura de se libertarem da mãe e de entrarem no “poço do elevador”, por o pai não se achar presente.
O pai morreu, lembras-te?
“Ah, pois.”
O pai retirou-se há dois anos, e só sai para tomar as refeições.
“Ah, pois é.”
Embora pudesse sentir-se sozinho antes, agora isso produz vergonha. De modo que aqueles de vós cujo pai morreu bem cedo nas suas vidas, quando estavam com dois ou três anos e que consequentemente lhes tenha incutido esse abandono na primeira vaga, na segunda isso voltará de uma forma ainda mais feroz, por agora se estarem a separar da mãe e – não existe mais ninguém! Mas por que razão não terão percebido isso antes e deixado de se separar? Por o não poderem evitar. E por isso fazer parte do crescimento; o vosso organismo, o vosso mecanismo, as vossas hormonas libertadas pelas glândulas endócrinas forçarão tal separação para os voltar para o pai, mesmo que não se encontre presente e mesmo que tenha partido há muito, seja por que forma de abandono tiver sido. Por isso, o que antes constituía apenas solidão torna-se agora vergonha.
Quando a vossa mãe se divorciou e ficaram com uma família de um só progenitor, alguns de vocês que cresceram por altura dos anos trinta, quarenta e cinquenta, sentiram que por si só isso constituía um estigma. Agora, a maioria das crianças têm somente um progenitor, mas naquela altura isso era comentado nos termos: “Ele não tem pai!” Ou: “O pai dela morreu.” Parecia contagiante, e permaneciam afastados desses catraios, não era? Com certeza que foi doloroso e duro para vós. Mas depois quando atingiram aquela vaga da separação da mãe para se apegaems a um pai que não se encontrava presente, então isso não só foi duro como vergonhoso. De súbito tomaram consciência de uma forma aguda de que não tinham pai como os outros catraios tinham.
“O meu pai não comparece nas conferências de pais por não se encontrar presente.”
Vocês sabiam disso, mas não importa, por ainda produzir vergonha. E uma vez mais, quando se separam do pai que nunca tiveram, para se associarem ao mundo externo, muito embora nunca tenha existido, ainda sentirão a vergonha. E aí, o abandono torna-se na fonte dessa vergonha, e deixa-os envergonhados.
Agora; uma outra coisa que acontece aqui, nesta segunda vaga que é única e peculiar, é o facto de muitos pais se sentirem confortáveis numa posição secundária. Mãe e pai, marido e mulher passam pela gravidez - ela engravida e passam por nove meses – ela passa nove meses, sem que ninguém lhe tenha dito como era passar por isso. Por mais maravilhoso que tenha sido e por mais que isso comportasse ardor, é:
“Que se lixe o ardor, preferia não sentir estas dores nas costas! É claro que quero ter a criança, mas detesto o cambalear.” (Riso) “Detesto o facto de não ser capaz de me sentar, ou de me levantar de novo!”
Pelo que é que ela está a passar?
“Não é grande coisa!” (Riso)
Depois vêm as dores de parto – sobre as quais ninguém lhes contou como seria. (Riso) Quer tenha sido uma hora ou trinta e seis horas, ou mais. Quando deu à luz este garoto: “Ele passou a ser meu!” (Riso) Mais ninguém passa por este tipo de dor, e o homem dirá: “Olha o que nós fizemos?” Não! (Riso) “Eu fiz isto; isto pertence-me.” Mas a maioria dos pais não se importa. (Riso)
“Tudo bem, eu ajudo a alimentá-lo, a lavá-lo, a mudá-lo, mas eu sou um tipo desajeitado e não sei muito sobre estas coisas, embora ajude.”
E muitos pais fazem-no mais agora do que costumavam fazer:
“Ainda assim é o teu bebé; mas não tem problema, isso torna-me excelente, por eu ser demasiado desajeitado e desastrado. Não quero ter que pegar na criança e ainda deixá-la cair, está bem? Por isso, pega tu nele e trata dele. Ele está a chorar, mamã. Mãe, vem pegar na criança, sim?” (Riso) “Eu vou ganhar a vida para termos um lar, para termos de comer, eu vou fazer isto e aquilo por ti, etc. Eu desempenho a minha parte, agora toma tu conta da criança.”
Mas muitos dos pais apreciam esse papel secundário. Estar presente, após o trabalho, brincar com o bebé. Tempo de qualidade, não é?
“Tu tens a quantidade, eu fico com a qualidade, está bem?” (Riso) “E eu decido que trinta minutos representem um tempo de qualidade. Agora pega lá o miúdo de volta.”
Mas a mãe claro que diz:
“Pois, é o meu bebé.”
E desse modo sente-se bem.
“Eu vou sair; vou tratar de ganhar o que comer, garantir um telhado sobre as nossas cabeças, e tratar de reunir meios para podermos mandar o nosso filho para o liceu.”
E esse tipo de coisa. De modo que parece não uma divisão equitativa mas natural das tarefas. Parece – mas não dissemos que é. Mas tudo corre bem, sabem. Os pais são quem chega e diz:
“Olha cá, a mãe disse-me que tens um problema...”
São quem adjudica, castiga, e volta costas, para regressar ao futebol de segunda-feira à noite, ou sei lá que mais. (Riso)
Mas na posição secundária muitos homens sentem-se perfeitamente confortáveis. Só que agora algo acontece, lá por volta dos seis, sete anos: O catraio não começa agora a afastar a mãe; o papel do pai de repente passa a estar presente. (Riso)
“Eu quero estar contigo, pai.”
“Porquê?” (Riso)
“Por seres o meu paizinho; quero estar a teu lado, pai. Quero ir à loja de ferragens contigo, pai; quero ir, aos Sábados de manhã, aparar a relva e quero andar no tractor de cortar a relva contigo, quero passear contigo, quero ficar sentada enquanto tiras as ervas daninhas. Eu quero que venhas à minha escola, conhecer a minha professora. Não quero que a mãe vá.”
“Mas quem trata disso é ela; vai lá.”
Os pais que se sentem confortáveis em posições secundárias, muitas vezes sentem um desconforto horrível numa posição primária.
“Esta noite posso ir contigo e com os teus amigos ao jogo de póquer?”
“Não, sai mas é lá daqui rapaz!”
E se o catraio sai com ele:
“Anda lá, deixa-me em paz. Sai lá daqui!”
Mas isso é abandono! Para muitos que dizem:
“Eu cortei os laços que tinha com a mãe e ando sozinho, e vou ao teu encontro para que me recebas de braços abertos, e tu vens-me com uma resposta dessas e dizes-me para não te beijar!”
E de súbito vê-se no papel de progenitor primário que afasta a criança e se retirar para o escritório para tratar de assuntos:
“Tenho que fazer rapaz; não posso ir contigo jogar bola para o pátio, nem para saber de ti e das tuas namoradas, nem dos amigos da minha filha, etc. Eu tenho mais que fazer.”
Mas de repente o pai que pode nem sequer ter-se batido em retirada, agora refugia-se para o seu escritório, para a sua garagem, para o pátio, para o trabalho que tem que fazer, etc., e muitas vezes cria uma circunstância dessas de abandono. Mas, caso tivesse continuado na posição secundária que assumia, teria estado presente.
“Porque te agarras tanto a mim? Afasta-te, afasta-te; deixa-me em paz.”
Mas o pai que trata o filho desta maneira, é como se estivesse a romper com ele!
“Eu rompi com a mãe para estar contigo, e agora tu estás a abandonar-me?”
Está a passar-lhe um certificado de vergonha!
Um terceiro componente que intensifica de uma forma única a segunda vaga é que a mãe não encara a separação sem reagir. É muito difícil ser mãe – pai também – mas neste aspecto é particularmente difícil porque querem que os filhos cresçam, mas quando isso acontece, detestam o facto. Apertaram-lhes os cordões dos sapatos milhares de vezes, até eles aprenderem a apertá-los sozinhos, e aí:
“Ai ai, já não precisa mais de mim!”
Vestiam-nos todas as manhãs; quanto tempo não terão gasto a vestir e a despir esses catraios, até que por fim já são capazes de se vestir sozinhos:
“Já não mais precisa!”
E assim é que se gera um choque de posições em que:
“Eu quero que eles cresçam; não quero estar sempre a ter que os vestir e apertar os cordões dos sapatos aos seis anos, mas não os quero ver partir.”
E assim, por um lado,
“Sim, vai, deixa para mim; vai com o teu pai.”
Mas por outro lado:
“Não vás; não me abandones. Eu quero abraçar-te.”
“Não, não, não, não me beijes nem me abraces. Caramba! Afasta-te lá mãe!”
Pois, uma mãe sente-se constrangida, magoada, zangada. Mas tenham lá em mente que uma mãe dá vida. E vós presumis que ela a tire com um olhar ou com um suspiro? Ou declarando que não a amam mais?”(Riso)
“Bem que poderia estar morta que não te importavas; vai lá para junto do teu pai, que é tudo com que te importas de qualquer modo. Eu que tudo fiz tudo por ti, eu que fui tudo por ti... e tudo o que queres é o teu pai. Vai-te lá embora.”
Elas expressam uma dor formidável, e que é que vos acontece a vós? Sois dissecados e estripados nesse mesmo instante.
E agora esse abandono – não por parte do pai, mas da mãe:
“Olha, se não quiseres estar comigo eu não quererei estar contigo; não quero saber de ti!” "Olha; ela está a falar a sério."
Por vezes deparar-se-ão com uma situação psicológica de dificuldade em que talvez ela esteja, mas na maioria das vezes não. Só que sentem a mágoa e a raiva, e essa raiva e mágoa muitas vezes traduzem-se pelo sentido próprio de abandono; estais mesmo a sofrer abandono:
“Então, vai lá para junto do teu pai. Não me perguntes a mim; porque não procuras nas leituras que o teu pai faz cujo interesse nada diz a quem quer que seja? Ah, agora queres passar um tempo comigo, não é? Agora que o teu pai não se encontra por perto já sou suficientemente boa para quereres estar comigo?”
Esse é um tipo de afirmação que é proferida de forma irreflectida e sem intensão, só que representa uma afirmação de abandono. Mas a confusão está claramente no facto de terem deixado a fonte da vossa vida furiosa.
E esse abandono – que constitui uma vergonha normal que sentirão de qualquer modo, por separarem – é agora agravado pelo abandono que sentem, e isso torna-se numa vergonha esmagadora. E pode mesmo chegar a ser tanto assim, caso na altura... que muitas crianças começam a pedir, caso o pai não esteja por perto, por um outro papá, entendem?
“Porque não voltas a casar, mamã? Eu quero ter um pai como fulano e beltrano têm.”
Claro que isso representa uma profunda ferida, mas muitas vezes é uma réplica:
“Ele é suficientemente bom para ti? É bom para ti? Tu também me amas?” E do: “Isso afasta-me, afasta-me!”
E assim, o abandono que provém da raiva e da mágoa materna deve-se ao facto de se estarem a separar dela, e algumas mães podem ser bastante cruéis em relação a isso; outras procuram conter a coisa, certamente. Mas algumas pode chegar a ser bastante cruéis em relação a isso. Algumas das vossas mães, por essa altura da separação, chegaram a ser bem repulsivas – entre os seis e os oito, e até aos doze.
O quarto componente que passaríamos a mencionar, que torna esse abandono mais exclusivo, representa uma situação bastante pungente e triste. Conforme muitos de vocês percebem, quando os deram à luz, os vossos pais tinham outras agendas. Os pais, por vezes têm outras prioridades:
“Supõem-se que este bebé venha salvar o nosso casamento. Este bebé vai fazer com que eu, enquanto mãe, me sinta uma mulher completa; por me ter sido dito pela minha mãe, pela minha avó e pelas minhas outras avós, que (...) assim, este bebé vai-me fazer sentir uma verdadeira mulher.”
Ou então:
“Ter um filho vai-me fazer sentir um verdadeiro homem. Por os meus velhotes, os meus pais e os meus avós dizerem: Que se passa contigo? Que se passa contigo? Porque ainda não tens um filho? Não queremos saber se tenhas uma filha, isso não importa, mas um filho – porque ainda não tens um filho? Enquanto não plantares a tua semente não serás um homem.”
E muitos homens sentem que esta criança... é por isso que distribuem charutos. Mas que representará isso, de qualquer modo? Um velho costume. Mas que representará verdadeiramente?
“Eu estou a distribuir estes charutos.” (Riso)
É simples:
"Viste o que eu tive? Viste o que eu fiz? Vês o que a parte mais importante do meu corpo produziu?”
Mas isso é tudo quanto têm de original, na medida em que distraem a vossa equipe, e como o fazem sob a forma de distribuição de charutos, bom, mais convincente se torna:
“Ter esta criança ainda vai fazer de mim um homem; vou provar ao mundo que sou um herói. E que sou um verdadeiro homem!”
Alguns, no sentido do casamento:
“Faz de mim uma mulher; faz de mim um homem. Este bebé vai-me amar, por fim vou-me sentir amada. Os meus pais jamais me amaram, de modo que me voltei para o meu marido supondo que me amaria por completo, mas não me sinto totalmente amada, e desse modo, vou ter um bebé, e o bebé amar-me-á por completo, e por fim, serei amada; finalmente, serei necessária; por fim, farei algo de importante.”
E vocês têm uma agenda dessas, entendem? E na infância, não era suficiente que tivessem que crescer, vocês tinham que salvar um casamento. Precisavam fazer com que a vossa mãe se sentisse uma mulher e o vosso pai se sentisse um homem. Tinham que fazer por que a vossa mãe e o vosso pai finalmente se sentissem amados, e dar ao vosso pai um troféu tridimensional, de carne e osso, ou seja o que for.
Mas poderão ter existido inúmeras outras agendas. Nasceram para competir com a prole dos irmãos dos vossos pais.
“Eu vou ter um filho tal e qual como a minha irmã teve. E o meu filho vai ser melhor!” Ou: “Eu vou ter um filho tal como o meu irmão teve. O meu irmão teve uma filha; eu vou ter um filho, o que será melhor.”
E assim existem estas agendas de competição, inúmeras agendas, como poderíamos aferir se prosseguíssemos; potenciais agendas, mas o que sucede neste caso é que essas agendas são ocultadas – mas por vezes não tanto quanto isso.
Agora; quando não têm mais que uns meses de vida, um ano, dois anos ou três, essas agendas ainda não terão sido completamente satisfeitas, mas ainda têm tempo, não? Quando estão com dois anos de idade não conseguem dizer muito bem se irão tornar-se numa estrela da equipe de futebol, ainda não conseguem apurá-lo muito bem, por estarem a atravessar uma fase, mas:
"Quando cresceres, então irás amar-me; então irás fazer-me sentir uma mulher, ou um homem."
Mas quando atingem os seis, sete ou oito anos, e muito mais quando atingem os dez ou doze, a maioria dessas agendas ter-se-á esgotado, entendem? Talvez os vossos pais se tenham divorciado - e não terão salvo o casamento! - ou se não se tiverem divorciado, ter-se-ão separado por perceberem que esse casamento tenha sido um casamento de conveniência ou de obrigação. O bebé não os terá levado a amar-se de novo, e a mãe dirá que não se sente como a mulher que lhe tinha sido prometida, o pai dirá que não se sente exactamente como um homem e tem dificuldade em garantir o sustento, não terá conseguido poupar dinheiro e na verdade sente-se uma bagunça de um homem, por não mostrar virilidade, e vez por outra poderá sentir-se menos que uma mulher, por o catraio não ser angélico nem perfeito (...) problemas.
"Pareceu-me notar que esta filha que tive viria a ter uma maravilhosa companheira, mas ela é gorda, ou tem mau humor - que desilusão! Percebi que o meu filho viesse a ser um exemplar de juvenilidade, mas é demasiado gordo e não gosta de desporto e é desajeitado e é muito lamuriento, e ainda não conseguiu ter voz para isso, para as equipes. Não virá a ser um herói do futebol como o seu pai, não virá a ser uma alavanca."
 A agenda é abandonada, e muitas vezes a criança é igualmente abandonada.
E como é que salvam o casamento? O vosso casamento fracassa. Era suposto que ela fosse a sua princesa; era suposto que isso fosse uma competição:
"Esperava que viesses a tornar-te numa Miss América quando crescesses; mas tu não és bonita! E o teu cabelo e a tua maquilhagem - não vais consegui-lo. Não te quero mais."
"Não és o Apolo dos meus sonhos. Não correspondes à agenda que tinha. E ao abandonar relutantemente a minha agenda também te abandonei a ti."
E muitos de vós que tinham agendas a cumprir, embora não o tenham verbalizado, e tenham sabido que falharam, e tenham sabido que os terão abandonado juntamente com a agenda. Aquelas de vós que supostamente deveriam tornar-se rainhas da beleza, ou estrelas do atletismo, e que souberam que jamais iriam tornar-se nisso, e que perceberam nos olhos deles que eles também sabiam disso, sentiram vergonha a um nível espantoso, e ela esmagou-os, deixou-os marcados, e hoje ainda vivem com as cicatrizes disso, por nunca terem chegado a tornar-se Miss América nem no herói do futebol ou do basquetebol ou seja lá o que for. Não conseguiram fazer por que o sonho se tivesse tornado verdade, e eles abandonaram os sonhos que tinham, e abandonaram-nos.
E assim, a segunda vaga do abandono é muitíssimo mais intensa do que a primeira, e cava mais fundo, e leva mais tempo a cicatrizar; e é por isso que dizer: "Sou falho, sou imperfeito, sou fraco," não a conseguirá cortar, nem representa bálsamo nenhum. O único bálsamo será rasgar o contracto iniciado ou subscrito:
“Concordei com qualquer coisa; mas só quero que me tirem esta dor."
A dor do abandono.
"Por nunca ter lá estado de qualquer modo."
Porquanto, numa posição primária nunca seriam capazes de controlar isso, embora numa posição secundária pudessem; por a mãe mitigar a arrelia e a dor; e por causa das agendas, que abandonariam junto convosco.
A terceira fonte de vergonha é o abuso, e na segunda vaga, o abuso que pode conter, é muito mais intenso. Antes de mais, progenitores, mães e pais, e os agentes da ofensa, quem quer que possa ter sido o agressor, o perpetrador do abuso, podem nunca ter considerado bater fisicamente num catraio:
“Meu Deus, ele é tão pequeno! Jamais considerei espancar um bebezinho pequenino, bater-lhe, chegar-lhe com as costas da minha mão, empurrá-lo, torcer-lhe o braço, puxar-lhe o cabelo, dar-lhe estaladas. Jamais faria tal coisa! Isso é doentio, é perverso. Aqueles que cometem isso deviam ser presos.”
Mas essas mesmas pessoas, quando os filhos atingem os seis, ou oito, ou doze, podem muito bem passar a considerar que alguns precisem levar com as costas da mão, e que estragam os filhos, não é?
“Dizer coisas desonestas às crianças estraga-as, não é? Além disso ela é praticamente tão grande quanto eu.”
E alguns de vós eram maiores do que a vossa mãe, ou do que o vosso pai, por isso um puxão de cabelo, uma torção de braço, um soco, uma estalada, uma sova ser-lhes-ia apropriado. Mas subitamente o que teria representado um tabu para um catraio, torna-se comportamento aceitável para certos pais envergonhados.
Quando eram catraios, jamais lhes teriam tocado, enquanto crianças, mas agora já se permitem mais. E além disso, compreendem-no mais. Quando têm três anos e o vosso pai lhes chega de cinto, ah ficam aterrados, sem sombra de dúvida, e isso fere, dilacera, inquestionavelmente. Quando têm dois, ou mesmo quando estão com um ano de idade; mas quando têm seis anos compreendem-no ainda mais, e entendem as potenciais ramificações: “Isto pode matar-me.” E por isso, o abuso físico torna-se ainda mais aterrador. E muitas vezes por essa altura grunhem e dão meia-volta e tentam escapar o que por vezes reforça o abuso, e por conseguinte torna-se mais intenso e aterrador.
Do mesmo modo, na área do abuso, o abuso verbal: compreendem o significado. A mãe diz ao catraio de dois anos:
“Tu nunca chegarás a ser coisa nenhuma. És um desgraçado dum fracassado! Quando irás aprender alguma coisa? És tão estúpido.”
Sim, isso fica registado. Ai, se não fica! Mas quando tiverem seis, e ela lhes disser que são estúpidos, e que nunca chegarão a ser coisa alguma, e que são um tremendo desapontamento, e que nem sabem por que se preocupar em aturá-los, isso dói mais. Por o vosso vocabulário comportar significado. Não estão somente a ler o sentido, não estão somente a sentir a percussão dessa aversão, mas a escutar a sua completa sinfonia. E vocês compreendem que o abuso verbal, o abuso mental, e o abuso físico, que jamais ocorreria ou que poderia ter ocorrido mas não com a mesma intensidade, agora pode tornar-se muito intenso.
Da mesma forma e ao longo da mesma linha, sexualmente. Um pai que jamais consideraria tal abuso:
“Santo Deus, porque fariam tal coisa? Como conseguirão violar uma criança de dois anos? Deus do céu! Como conseguiriam o felátio ou a masturbação ou algo do género? Quero dizer, que nojento, que perverso!”
Mas agora que se torna numa criança, com uma idade compreendida entre os oito e os dez anos, ou entre os seis e os oito, ou entre os dez e os doze, em particular na segunda metade da segunda fase, agora torna-se uma forma lógica por que um progenitor pode adoptar o abuso, e já pode descobrir um modo de o conseguir. Não é necessariamente atraente sexualmente, por o abuso de ordem sexual não se prender necessariamente com o carisma sexual e representar um acto de violência; tem que ver com a violência e não com a atracção sexual, de modo que não é por se tornarem mais atraentes sexualmente. Mas agora passa a existir uma forma mais lógica por que podem desencadear essa violência, que não conseguiriam conceber ou considerar quando eram crianças, mas que agora conseguem conceber, e agora conseguem imaginar como um catraio de sete anos pode realizar um felátio ou como uma menina de sete ou de doze anos consegue masturbar o pai, seja por que processo for.
E aquele progenitor em particular cujo comportamento subhumano de abuso e de abuso sexual, para cúmulo, acha que desde que nasceram, o sexo entre ele e a mãe jamais tenha sido o mesmo, pelo que lho cobra - e certos pais abusivos sentem isso - que desde que vocês nasceram o sexo com o vosso pai jamais viria a tornar-se o mesmo, de modo que o devem à vossa mãe abusiva.
Algo acontece a certas mulheres, entendem, pelo que antes de serem mães eram mulheres, e se sentiam no direito de ter sexualidade enquanto mulheres, mas uma vez que se tornam mães – e não é suposto as mães terem sexualidade – o pai, o homem, afasta-se; e ela sente a falta, muito embora a institucionalize, ela sente a perda e certas vezes esses pais envergonhados cujo comportamento subhumano é de natureza abusiva... isso tem início nesses anos da infância, quer dos seis aos oito ou no período dos oito aos dez. Também poderia ocorrer pelo meio, mas é nessas duas fases que isso é mais intensamente assumido como um abuso, como um abuso de natureza sexual. Não que provoque menos danos, só que é mais predominante e por conseguinte é passível de produzir vergonha, que poderão atacar enquanto crianças, mas em relação à qual ficam com medo e se veem impedidos nesse período da infância.
Agora, da última vez também falamos acerca do abuso dissimulado; o abuso sexual não é apenas algo que se manifesta por actos patentes, e é por isso que aqueles de vós que sentiram como que tivessem sofrido abusos:
“Eu sei, eu posso dizer, eu consigo sentir no meu íntimo que eles deverão – quem quer que tenha sido – deve-me ter violado ou obrigado a fazer alguma coisa, etc.”
Não obrigatoriamente! Pode ter sido o abuso dissimulado que também ocorre e que constitui um abuso sexual, e do mesmo modo, nesse mesmo período da infância, isso vai intensificar – mas mais no período da infância – a segunda vaga ao contrário da primeira da vergonha.
Quando atingem os seis, sete, oito, ou os dez, onze, doze, a exigência de privacidade que têm aumenta imensamente, e se essa privacidade for invadida, à semelhança de um comportamento de abuso sexual também sofre uma intensificação. Ao passo que quando estavam com três anos, podiam preferir que os deixassem em paz, mas não os incomodava demasiado que a mãe irrompesse pelo banheiro adentro, para assistir ao acto de urinar. Mas quando estão com seis isso incomoda sobremodo, quer sejam rapaz ou rapariga:
“Eu não quero que a mamã venha por aqui adentro quando estou a fazer tinidos.” E dos dez aos doze: “Pelos céus, não quero que a mamã venha ao quarto quando estou a mudar de roupa; não quero que a mamã me veja nu.”
“Ora, vamos lá; não tens nada que afinal não tenha visto um milhão de vezes; eu costumava dar-te banho e mudar-te as fraldas a toda a hora; eu sei com o que tu te pareces.”
“Pois sim, mas não quero que me vejas!”
E nessa fase, esse tipo de conduta invasiva, esse tipo de violação da privacidade como entrar no banheiro quando estão a tomar banho, entrar no quarto sem avisar enquanto mudam de roupa, etc., ou exigir vê-los nus, nessas idades torna-se num abuso que bem pode não ser registado como tal quando eram crianças. Por ser muito mais importante para vós, essa invasão da privacidade torna-se numa fonte potencial de abuso. E do mesmo modo, nesse mesmo período, o comportamento sexual inadequado dos vossos pais é agora registado com muito mais clareza. A mãe e o pai que começaram aos abraços e aos beijos e a comportar-se de modo muito pessoal e que começaram a despir-se na sala de jantar como se tivessem ido para a cama e tivessem relações com a porta aberta, bom, isso tê-los-á afectado e ter-lhes-á causado impacto em criança, mas em catraios deixa-os intimidados.
“Olha, não fizeram nada de diferente.”
Sim, na altura registavam-no com precaução, mas agora registam isso com vergonha. De forma similar, o sexo como tema de discussão; o pai a referir-se a todas as partes da genitália das mulheres por certas expressões insultuosas de tem impacto nas meninas pequenas e nos meninos pequenos. As referências que a mãe tece acerca dos homens, por meio de certas descrições genitais causa, do mesmo modo, impacto e fica registado.
“Agora eu sei o que esses termos significam.”
E as atitudes sexuais que podiam ser abusivas que podem ter ocorrido sem que o tivessem percebido em criança, agora são registadas com uma maior profundidade.
Assim, a dissimulação torna-se muito mais óbvia, e por conseguinte pode tornar-se numa fonte de vergonha quando de outro modo não seria. Além disso, o que também poderá suceder é que os pais podem – e fazem-no – ficar enciumados e entrar em competição com o crescimento da criança. Bom, isso sucede ainda mais por altura da puberdade, é verdade, mas muitas mães, e pais, ficam muito ansiosos em relação aos filhos e querem certificar-se de que crescem com suficiente rapidez, querem saber se já possuem pelos nas axilas ou se estão a desenvolver uma pera ou se estão a desenvolver pelos na área púbica – elas querem saber, e falam sobre isso:
“Já tens pelos debaixo dos braços, deixa cá ver...?”
“Mãe! Deixa-me em paz!”
“Vamos lá, ora. Já tens...?”
“Deixa-me em paz!”
E de forma similar em relação às filhas. Anseiam por que as filhas comecem a... muitas mães põem as filhas a usar soutien muito antes de precisarem, por quererem que as filhas se desenvolvam de forma adequada:
“Não quero que ela seja uma das que passe por um apogeu tardio e que tenha que passar por essa humilhação de parecer lerda ou totó, pelo que faço com que sofra esta humilhação em vez disso." (Riso) “Ela está a desenvolver-se bem, está a desenvolver-se bem. Não quero que o pai pense que a mãe... Quero que a minha filha seja...”
E há muitas que têm um certo orgulho, uma certa exigência, ao quererem que...
“É o pénis do teu filho, ele vai ter por onde escolher quando for homem.”
Não tem verdadeiramente importância, toda a gente o diz, excepto que para a mãe e para o pai isso conta, por quererem... Mas depois o medo torna-se um pouco maior, e por vezes torna-se intenso para valer. (Riso) E nessa medida gera-se igualmente uma competição. À medida que a moça se vai tornando numa mulher, e atinge os dez e os dozes anos, mais que não seja a certa altura poderá mostrar - a mãe sabe – ter entrado no ciclo menstrual, a qualquer hora os seios começam a crescer-lhe, a qualquer hora vai-se tornar numa jovem encorpada. O que deixa a mãe a pensar, por não mais ser encorpada, mas apresentar flacidez. (Riso) E por aparecer com estrias, que simplesmente não desaparecem mais. E por os problemas celulares aparentarem uma batalha que está a perder. Por ter tido dois filhos e os músculos do estômago já não se assemelharem aos de uma mulher de dezoito, e a filha estar a atingir os doze e um dia vir a ter dezoito, o que a deixa ciumenta. E esse ciúme pode tornar-se numa conduta de abandono abusiva.
E o mesmo se aplica aos pais e aos seus filhos.
“Eu quero que o meu filho venha a ser um homem grandioso e poderoso, mas percebo que a minha mocidade se esvaiu, o meu desejo sexual atingiu o auge aos dezanove e não vai durar mais dez anos, o que me deixa irritado e enciumado e a desejar poder começar tudo de novo.”
E esse ciúme pode promover o abuso, a vingança, e o ressentimento que o ciúme carrega e que pode tornar-se num abuso sexual e que de outro modo não teria, devido à competitividade e devido ao ciúme.
Nessa medida, certa mulher, por mais estranho que pareça, falava em frente ao filho acerca do facto do pénis dele na sua flacidez ser maior do que o de muito bons homens no estado de erecção, embora esta seja uma forma eufemística de o referir. E ela estava bastante intimidada com a possibilidade de poder ter alguma coisa a ver com isso, sabem? (Riso)
“Que foi que eu lhe fiz?”
Defrontar-se com uma mãe que fala acerca das suas partes privadas... Isso representou um tremendo abuso sexual. E nessa medida, dizer que ela não tenha tido noção de estar a cometer qualquer abuso sexual, que quererão dizer com isso? Cometeu sim senhor! E com base na competitividade, com base no ciúme, com base no orgulho. Quando os filhos atingem os seis ou os oito, os oito ou os dez, os pais podem tornar-se abusivos, coisa que de outro modo não sucederia.
E isso distingue esta vaga da primeira, muito embora ainda seja incutida por parte da pessoa com vergonha, muito embora seja oriunda do abandono, muito embora proceda do abuso – é mais intensa e prejudicial. E alguns de vocês poderão ter escapado à primeira vaga para darem directamente com a segunda, e agora já sofreram abusos, agora já sofreram abandono, agora já lhes incutiram a vergonha. O facto de dizerem a vós próprios que são imperfeitos e falhos e que são um erro não conta para nada, e em consequência resignam-se a assinar esses contractos.
O que de errado lhes tenha acontecido torna-se mais intenso, assim como a internalização. A internalização consta aqui como a quarta fonte; quando vão à escola e dizem ao professor:
“Eu odeio a minha mãe.“
Que é que o professor lhes diz em resposta?
“Tu não sentes realmente isso!”
E porque o fará? Por estar a conspirar junto com a vossa mãe? Não! Por não saber lidar com isso de modo adequado. Mas além disso por ter um emprego a proteger, e saber que se se sentar convosco e vos disser:
“Vamos conversar; diz-me por que razão odeias a tua mãe.”
Ela ou ele ficam em perigo de perder o emprego, por causa das possíveis acusações:
“Você está a incitar o meu filho a odiar-me? Vou tratar de fazer com que o despeçam.”
E muitas vezes fazem-no. A menos que esse professor seja um terapeuta familiar qualificado, que tenha consentimento para falar... pode dar-se um verdadeiro pandemónio. Por isso, professores?
“Eu tenho mulher e filhos, não vou pôr isso em risco; não digas isso, e se o disseres não o sentes; dizer isso é mau e errado.”
E isso institucionaliza ou internaliza a vergonha.
E quando estão com três ou quatro anos de idade, não são tão activos nem falam tanto nisso como quando estão com seis ou oito, ou quando estão com dez ou doze. E por isso a coisa é mais internalizada nessas idades, e torna-se mais intensa: “Ai meu Deus!” E os vossos amigos dizem: “Não devias dizer isso, não devias sentir isso!” E outras mensagens que já obtêm agora por compreenderem de uma forma mais clara, intensificam a internalização, de tal modo que na segunda vaga, quando a vergonha volta a surgir, pode tornar-se debilitante, mesmo que tenham sobrevivido à primeira vaga. Mas se não tiverem sobrevivido à primeira vaga e já sentissem vergonha, isso podia tornar-se desastroso. E isso é o que torna a segunda vaga tão crítica, tão crucial. E o que fazem é estabelecer contractos, estabelecer contractos com os pais.
Ora bem; existem quatro tipos básicos de contractos que representam contractos psíquicos de dor, e que brotam da vergonha que carregam. O primeiro deles é aquilo que chamamos de “contractos baseados na vergonha” como o da clonagem e o do oposto. Os contratos de clonagem são basicamente tal como soam:
“Faço um contrato a fim de clonar o ofensor. Se o ofensor na minha situação for um pai que supera ou tornar-me-ei numa pessoa formidável, tornar-me-ei perfeita, tornar-me-ei controladora, correcta, superarei, serei tudo quanto ele ou ela é, tornar-me-ei numa réplica, casar-me-ei com uma pessoa tal como ele ou ela fez, viverei numa casa como fizeram, terei uma carreira tal como ele ou ela tiveram, e basicamente repeti-lo-ei. E se tiver sido um pai ou mãe subhumana também eu me tornarei subhumano; terei acessos de raiva, serei completamente manipulador, serei completamente destrutivo nos meus comportamentos sexuais e físicos abusivos. Tornar-me-ei numa pessoa subhumana tal como os meus pais, e serei um alcoólico como eles foram, e serei uma mãe abusiva tal como ela foi.”
E talvez a maioria das pessoas conheça o facto de que aqueles que, enquanto pais, se revelarem abusivos, a vasta maioria deles terá sido abusada em criança. Aqueles que são alcoólatras, na sua vasta maioria tiveram pais alcoólatras.
“Mas porque diabo...” surge a indagação... “Alguém que tenha sofrido tal afronta a passaria aos próprios filhos?”
Muitas vezes por terem um contracto que terão assinado aos seis anos, ou aos oito, ou aos dez. Não assinaram essas coisas na semana passada, entendem; podem ter assinado tais contractos nessa altura das suas vidas. Estão com seis anos e estão a ser objecto de destruição e estão a sentir-se sufocados.
“Tudo bem, eu tornar-me-ei numa réplica tua. Eu assino por baixo. Deixa-me em paz e deixa que sobreviva."
Sobrevivem e cumprem com o contracto e depois aos vinte, trinta ou quarenta quando têm os vossos filhos, abusam deles física, emocional, sexualmente, e passam-lhes a base de vergonha que carregam clonando-os – por terem assinado o contracto para sair da dor como um mecanismo de absorção da dor.
Do mesmo modo, os contractos baseados na vergonha do oposto. Se for no caso de um pai sobre-humano:
“Vou-me tornar numa pessoa subhumana.”
Se for no caso de uma progenitor que supera:
“Não vou alcançar nada."
Se for no de uma progenitor perfeito:
“Vou ser imperfeito.”
Se for um que seja completamente controlado:
“Vou ser completamente descontrolado.”
Se tiver sido uma pessoa fantástica:
“Vou ser um desgraçado. Vou ser o oposto daquilo que foste.”
Se tiver sido um pai sub-humano:
“Vou ser sobre humano.”
Aqueles que pensam ter-se separado dos pais, não o conseguiram e encontram-se igualmente sob a soma, sob o controlo do contracto; trata-se do mesmo contracto, só que é o outro lado.
Se pegarem numa moeda de vinte e cinco centavos e a atirarem ao ar e sair coroa, ainda se tratará de uma moeda de vinte e cinco centavos, mas se decidirem tornar-se num clone ou no exacto oposto, será a mesma moeda, apenas se tratará do outro lado dela. E assim essa é a primeira base – clonar ou tornar-se no oposto daquilo que ele ou ela tiverem sido.
A segunda base é o que chamamos de contractos de abandono, coisas do estilo:
“Eu nunca irei crescer; eu vou ser sempre o teu filho. Eu jamais te abandonarei; serei sempre a tua filha.”
Um outro género, uma outra formação:
“Sempre buscarei a tua aprovação, o teu louvor, o teu perdão (o que quer dizer que deverei fazer algo porque terei que ser perdoado), sempre buscarei a tua aceitação – sempre, toda a minha vida.”
Como uma forma de renegar o abandono. Portanto, como é que operou? O ofensor é o pai que se encontra morto:
“O meu pai morreu quando eu tinha quatro anos; ele bateu-me forte e feio, mas isso não produziu vergonha até atingir os seis anos de idade, quando me separei da minha mãe e caí no poço do elevador, por ele não estar presente. Nessa altura assinei um contracto com o meu pai, com o meu falecido pai; sobrevivi junto da minha mãe mas seja como for o contracto que assinei foi com o meu falecido pai. Esse contracto foi: Eu sempre serei uma criança e nunca crescerei.”
Isso é a base daquilo que é chamado de Criança Adulta.
“Sempre buscarei a tua aprovação.”
Mas ele já morreu!
“Tudo bem, mas sempre procurarei a aprovação do meu pai, sempre buscarei a aceitação do meu pai, o perdão. Sempre buscarei o seu louvor.”
Mas olha que ele já morreu!
“Isso não tem importância; ainda vou esforçar-me por isso.”
Nunca o obterás.
“Eu sei disso, mas ainda assim irei esforçar-me sempre por isso. Esse é o acordo que firmei. Eu disse que sempre o buscaria e não que o obteria.”
Mas ele já morreu!
“Não faz mal, há muitas figuras masculinas e muitas figuras paternas a que me posso apegar, o meu primeiro professor homem, o meu primeiro amigo masculino, o treinador, confidente, o mentor, o primeiro homem que busco num relacionamento com uma filha, ou o primeiro homem a quem busco como amigo, etc. Vou procurar desempenhar esse contracto para ele, seja como for, como se fosse com o meu pai, muito embora tenha partido.”
Por conseguinte, um contracto de abandono:
“Vou buscar sempre a sua aprovação e louvor, etc.”
Outro tipo de contracto de abandono que está ligado a isso é:
“Eu serei uma extensão de ti. Eu viverei os sonhos que nunca conseguiste viver; viverei as visões que nunca terás conseguido ter. Mãe, tu querias tornar-se famosa nisto? Eu tornar-me-ei famosa (seja no que for). Mãe, tu querias ser uma estrela de cinema? Eu tornar-me-ei numa estrela de cinema. Mãe, tu querias ter casado com um homem rico? Eu casar-me-ei com um homem rico. Mãe, tu quererias ter sido feliz deste ou daquele modo? Eu serei feliz. Não te estou a clonar, mas a ser uma extensão de ti. Pai, tu querias isto? Eu serei isso, enquanto teu filho ou filha. Eu tratarei de ser aquilo que querias ter sido."
Como uma extensão, destinada a renegar o abandono.
Outro exemplo é:
“Tornar-me-ei exactamente como tu quererias que eu fosse, conforme esperavas que eu fosse.”
Mas gente, isso não é positivo.
“Tu disseste que eu seria uma maldição e eu serei uma maldição; tu disseste que eu seria uma vergonha e eu serei uma vergonha; disseste que jamais seria ninguém, e eu nunca conseguirei ser nada; disseste que nunca chegaria a fazer ninguém feliz, e eu nunca chegarei a fazer ninguém feliz. Tornar-me-ei da forma que disseste que me tornaria. Disseste que nunca conseguiria acabar a escola e eu não vou conseguir acabar a escola; disseste que nunca acabaria nada que começasse e jamais acabarei algo que tenha iniciado, mesmo que o queira. Tornar-me-ei exactamente como disseste que viria a ser. Acabarei desse jeito – tão mau quanto disseste que o seria. Tão deformado e distorcido, infeliz e miserável quanto o vaticinaste.”
Como uma forma de renegar o abandono. Um outro é:
“Eu serei perfeito, de forma que não quererás abandonar-me. Não vou virar costas ao que dizes, nem necessariamente procurar a tua aprovação nem elogio; não vou ser criança para sempre, mas irei tornar-me numa pessoa perfeita e tu não conseguirás evitar amar-me e aceitar-me e abraçar-me."
É uma outra. Um outro contracto de abandono. Mas esses contratos podem encaixam-se e variar, e só lhes demos alguns exemplos deles. Mas vocês assinaram-nos. “Tão cedo na vida? Eu não sabia o que isso queria dizer.” Não faz mal. Assinaram-nos na mesma.
O contracto de jamais crescerem, de sempre buscarem a sua aprovação, de se tornarem como eles, de serem perfeitos, "Jamais te abandonarei - física, emocional e mentalmente," estes tipos de contractos. E alguns que se acham enclausurados e que sempre querem estar com os seus pais, e que sempre querem andar ao seu redor, sempre a dizer:
“Não me atrevo a abandoná-los por sempre vir a estar presente para tomar conta da mãe ou do pai até ao derradeiro fim; os outros irmãos não, mas eu sim,” física, emocional e mentalmente. “Eu não viverei a minha vida mas a vossa", uma extensão dessas conforme já tínhamos referido. Isso representa contractos de abandono, e muitos de vocês assinaram-nos a fim de evitar a dor.
O terceiro grupo, o terceiro tipo de contracto é o que chamamos de contractos abusivos:
“Vou-me tornar num abusador para nobilizar e justificar o abuso de que fui alvo. Se eu cometer abusos, isso será normal, natural. Eu entendo a razão por que o meu pai o tenha feito. Caramba, eu próprio também já esmurrei aquele catraio (...) Vou-me tornar num abusador para nobilizar e justificar os abusos que me foram perpetrados. É assim que as pessoas são, é perfeitamente normal, é assim que a gente crescida se porta, e assim eu preciso faze-lo, entendes? Vou-me transformar não num clone, mas num abusador, para mitigar esse abuso."
O segundo tipo de contrato do abuso é:
“Vou-me tornar num justiceiro, e castigar os outros antes que me castiguem a mim. Vou-me tornar num agente auto punitivo, e castigar-me a mim próprio antes que mais alguém tenha a oportunidade de mo fazer.”
E aqueles que efectivamente assinaram esse contracto prejudicaram-se de uma forma literal a elas próprias, exerceram uma tremenda acção literal junto das pessoas propensas, como uma maneira de abusarem delas próprias antes de sofrerem abusos, ou de abusarem de outros de uma forma punitiva, antes de terem oportunidade de:
“Vês, não terás oportunidade, por eu desistir! Não me podes abandonar, eu estou a abandonar-te! Não me podes magoar, por eu te magoar primeiro.”
A fim de evitar a dor. Assinaram o contracto de se tornarem punitivos ou de se punirem a si mesmos.
Um terceiro é:
“Jamais farei coisa alguma que te deixe irritado; jamais farei algo que alguma vez te magoe ou te deixe aborrecido (seja a quem for).”
A pessoa assina um contracto de basicamente não exercer qualquer impacto negativo – para a eternidade. Mas claro que um contracto desses se torna debilitante, por não poderem viver de acordo com isso, mas o contracto é o de:
“Jamais te magoarei de novo; jamais farei o que quer que te tenha feito; jamais o farei de novo. Jamais te deixarei irritado, jamais te chatearei, jamais te magoarei nem a mais ninguém.”
Um outro contracto de abuso, é o que chamamos de contracto com Deus, que é mais bolorento mas que de facto representa um verdadeiro contracto:
“Se me livrares desta, meu Deus, eu...”
Seja o que for, com que poderão preencher as reticências.
“Se eu sobreviver à minha infância, prometo-Te que o farei...”
Seja que sacrifício ou martírio for, seja que promessa for. Contractos com Deus representam contratos abusivos, ou contractos que provêm do abuso.
Um outro contracto de abuso desses é aquilo que chamamos de “contractos defensivos,” em que se colocam por completo na defensiva e jamais chegam a admitir ter errado. Mesmo quando são apanhados com “a mão na botija”, não admitem ter errado. Nunca conseguem admitir um engano, mesmo que se torne óbvio: “Eu nunca cometo enganos!” E esses são contractos de defesa.
“Não! Porque tu vês, se eu estiver errado, ou se cometer um erro, aí deverei merecer ser punido.”
Por isso, não é somente embaraçador, mas fá-los correr risco de vida! E aqueles que “assinam” contractos desses:
“Eu nunca chegarei a estar errado nem a cometer um erro.”
Esses tipos de contractos deverão consequentemente produzir uma tremenda carência de defesas.
Olha, preciso conversar contigo acerca de algo que fizeste mal.
“Não fiz nada; não fiz nada!”
Mas eu tenho aqui a tua letra.
“Não! Deve ser de mais alguém. Não, não, não. Eles obrigaram-me ou...”
Completamente na defensiva. Porquê se põem assim, se é apenas por uma coisa de nada? Mas para eles não é! Devido ao abuso e à vergonha que cerca esse abuso e que produz esse contracto de abuso, que é chamado de “contracto de defesa.”
“Jamais cometerei um erro, jamais estarei enganado e nunca admitirei tal coisa! Prefiro perder tudo quanto tenho a admitir ter feito um erro ou a ter cometido um engano.”
Um outro, é o contracto que reza:
“Eu vou abusar de ti. Vou-te castigar. Jamais irei dar-te a satisfação; jamais irás ser capaz de dizer: “devemos ter feito algo certo”. Jamais irei dar-te razão para te sentires orgulhoso de mim. Irás ter que enfrentar o facto de teres cometido asneira enquanto pai, por eu estar completamente fod...enquanto pessoa. E vou falhar e tornar-me infeliz, e vou passar uma vida miserável, de modo que tu jamais te possas dizer: Bom, devemos ter feito alguma coisa acertada. Ele tornou-se numa pessoa em condições. Não, não tornou! Jamais te deixarei à vontade. Tu hás-de pagá-las!”
E por vezes de uma forma bem literal.
Uma das pessoas (um homem) com quem falávamos, com quem costumávamos falar, tinha um contracto desses bem firmado em que o cumpriu adoecendo, tanto que deixou de poder caminhar e de manter o emprego, e teve que viajar pelo país todo e na verdade pelo mundo todo em busca de auxílio médico, foi à Clínica Mayo, foi à Holanda consultar uma clínica que lá têm, foi a Centros Médicos em Los Angeles, foi ao Centro Médico Stanford, foi a Paris, a Roma, a Inglaterra, consultou uma forma de tratamento nesta parte do mundo, e consultou a homeopatia noutra parte do mundo, foi a alguém de quem ouviu falar por poder ter a cura de que precisava, etc. Mas não tinha emprego nenhum: como pode pagar tudo isso? Não conseguiu arranjar seguro médico por se encontrar doente há... O pai pagou tudo! E manteve-se doente até o pai ficar falido! E de súbito:
“Bom, (riso) é o contracto e tu vais pagar, com cada dólar que tiveres!”
Mas há outros assim, não em posição tão dramática quanto a da doença, que se metem em apuros financeiros, e têm que pedir vinte mil dólares ao pai para iniciarem um novo empreendimento que com certeza irão ver fracassado por o objectivo que têm ser o de ver os vinte mil dólares do pai gastos e não de devolver o investimento!
“Ele vai pagar, pela paga! Ela vai pagar, nem que seja por meio das poupanças que tiver conseguido. São as poupanças dela, e ela vai pagar! Eu quero apanhá-los. Eu não os deixo escapar. Recuso-me a ser feliz, recuso-me a sair-me bem, recuso-me a fazer com que a minha vida resulte, porque senão ainda vão ficar com o crédito disso! E eles não vão ficar com tal crédito e toda a gente irá perceber que eu devo ter tido uns pais horríveis ao comentarem, olha para o que ele conseguiu suportar!”
E alguns levam isso bem longe e acabam na prisão, não nenhum dos que aqui se encontram presentes, mas acabam na prisão, acabam párias sociais, ou acabam por envergonhar e humilhar os próprios pais. Envergonham-nos como eles os terão envergonhado. Isso é um contracto de abuso.
Um outro, basicamente aquilo que chamamos de contractos emocionalmente mortos:
“Não vou sentir nada; jamais voltarei a ter sentimentos.”
Por a dor ter sido mais que muita, deixam-se entorpecer em relação a todo o sentimento.
“Jamais sentirei amor; jamais me sentirei feliz; jamais sentirei alegria, mas também jamais sentirei raiva, jamais me sentirei magoado; independentemente do que me fizeres, jamais me apanharás a mostrar qualquer emoção. Porque jamais te darei essa satisfação de me veres a sentir algo.”
Contractos de abuso!
E por fim, e muito rapidamente, há os vazamentos psíquicos. O laço psíquico constitui um contracto em que qualquer dos casos anteriores se pode tornar num laço psíquico. Um contracto que é assinado com tal peso e intensidade que literalmente estabelece uma ligação com os centros psíquicos ou chakras, os vários centros do organismo, em que se forma uma ligação, um elo entre vós e o ofensor, uma conexão que é acordada – no sentido figurado e no sentido imaginativo, e no sentido da determinação, sem dúvida! – como se fosse uma ilusão ou algo tangível que percebessem. Mas não, não se trata de ilusão nenhuma, é real. Por causo do tipo de contracto:
“Está bem, eu entregar-te-ei o meu coração, entregar-te-ei os meus sentimentos, entregar-te-ei a minha criatividade, entregar-te-ei a minha segurança, dar-te-ei a minha expressão; dar-te-ei a minha mente, dar-te-ei o meu espírito; dar-te-ei tudo isso – deixa-me em paz! Pára de me piorar a situação! Eu dou-te a minha vida; renuncio a ela por ti, podes ficar com ela por meio dessas ligações, uma, duas, três... todas as sete, se for preciso. Crio um laço contigo e deixo-te possuir a minha vida, renunciarei à minha vida por ti.”
Não como uma extensão, mas:
“Eu viverei a vida conforme queres; eu entrego-ta.”
Um laço numa quantidade variável de centros. E qualquer dos contractos com base na vergonha ou no abuso ou no abandono seja por que modo for – por estes não serem os únicos e conforme dissemos servem apenas de exemplo para lhes ilustrar aquilo de que falamos – são passíveis de se tornarem laços psíquicos.
Um vazamento psíquico é um pouco diferente, e é onde literalmente, num certo sentido, se gera um buraco no meu campo de energia, no meu padrão de energia, por onde a minha energia é drenada e escoa. E certos desses contractos podem atingir tal intensidade e a vergonha tornar-se de tal modo profunda... Aqueles que tenham sido objecto de abuso sexual, e cujo pai ou mãe os tenha violado e que tenham sofrido tal indignidade repetidas vezes, ou a quem tenha sido cometido de uma forma mais aberta, em que a mãe tenha tido conhecimento mas tenha fingido não ter, ou o pai tenha tido conhecimento mas tenha virado a cara, e deixado que aquilo prosseguisse, ou em que se tenham encoberto um ao outro produzindo assim comportamentos com base na vergonha de uma forma intensa, esses podem chegar a ponto de criar um vazamento psíquico em que, em certo sentido estouram com o circuito – a dor é tão intensa que rebenta com o circuito, e o que sugerimos é que sofrem um vazamento psíquico, por onde literalmente vazam a energia.
Essas fugas podem ocorrer em qualquer parte mas há certas áreas vulneráveis, e uma delas reside na base do pescoço ou na base do crânio, ou na base do pescoço. Essa é uma das áreas, e muitos de vocês possuem pescoços e ombros intensamente rígidos que não apresentam flexibilidade há anos e que mais se parecem com granito. E o provável é que tenham uma fuga, ao tentarem segurar tudo pelas pontas, à semelhança de um rasgão no tecido em que estejam a verter energia e que tentam contê-lo com firmeza por meio da tensão pura. Mas claro está que não conseguem, e isso vai produzir aquilo a que se chama dor de cabeça do olho direito, não é? Não se trata de tumor nenhum, (NT: Dor fortíssima localizada na zona interna do globo ocular direito, cujas variadas causas não são plenamente conhecidas pela comunidade médica, mas que em geral se devem a acúmulos de tensão) mas constituem mais frequentemente um vazamento. O facto de sentirem dor no globo ocular direito deve-se ao facto de parte do cérebro se achar mais susceptível. Essa é uma área. A base da espinha dorsal é outra. A base da espinha, a pequena área traseira onde a flexibilidade se torna vulnerável e onde podem sofrer um vazamento. Uma outra é do lado direito, em que muitas vezes é considerado um problema do fígado ou do apêndice, mas não é. É um "espinho cravado" no lado que é como um vazamento que têm, à semelhança de um rasgão no tecido por onde se está a verter uma tremenda energia. Uma outra é nos quadris. Uma outra é por detrás do joelho - tudo locais estranhos - de que tanto se padece por aqui (...) mas por detrás do joelho, na zona macia aí localizada, em que muitos sofrem um vazamento. E se padecerem de um vazamento nessa área, será aí que irá surgir.
Essas são algumas das áreas; elas podem localizar-se em qualquer parte, conforme sugerimos, mas essas são algumas das áreas por onde alguns de vocês vaza a sua energia psíquica. Mas aquilo que sugerimos é que isso se torna debilitante, e muitas vezes fatalmente debilitante ao encurtar o tempo de vida que de outro modo ter-se-ia completado. E a sua intensidade abeira o aprisionamento desses contractos, desses contractos psíquicos de dor.
"Farei qualquer coisa para pôr cobro à dor, ou mesmo morrer mais cedo, ou desistir da minha própria vida; por vincular ou vazar a minha energia."
Mas, conforme dizemos, nenhum de vós se encontra completamente debilitado; nenhum de vós se acha totalmente enclausurado. E podiam sobreviver e funcionar, mesmo que estivessem aleijados em qualquer medida. Mas não têm que o fazer. Conseguirão, se compreenderem o mecanismo inerente à segunda vaga da vergonha e conseguirem descobrir o contracto com vínculo psíquico ou o vazamento psíquico que tenham com base na vergonha, no abuso, no abandono, ou com base na internalização - e o romperem.
...
Bom, agora vamos apurar como é que rompem esses contractos psíquicos; qual os passos que isso envolve. E à medida que falarmos sobre eles, aquilo que sugerimos de um modo bastante directo é que, se seguirem o procedimento, a maneira de actuar, conseguirão de uma forma concreta romper quaisquer contractos ou combinação que tenham brotado da vergonha de que todos os contractos psíquicos brotam.
O primeiro passo consta de um reconhecimento sincero do que esses contractos lhes fazem. Não segundo o aspecto da percepção do "pobre de mim" inerente à pena por vós próprios, por isso os deixar paralisados e os deixar entorpecidos. Buscar entender com sinceridade que coisa esse contracto ou contractos, no sentido plural, lhes estarão a fazer. O que lhes faça que lhes dê a ideia ou o sentido de que falamos.
Antes de mais, trancam-nos na projecção e na identificação. Enquanto o contracto durar, também o agressor irá estar presente; mesmo que essa pessoa literal não mais se encontre no corpo físico, mesmo que se tenha "desculpado" e tenha procurado ajuda profissional pela confusão que armou com base na vergonha. Enquanto o contracto sobreviver, também o agressor sobreviverá; quer pela presença factual da pessoa literal ou por meio da projecção.
Haverão de encontrar quem aceite o desafio - ou aquilo que em termos legais designam por "sucessores," herdeiros, representantes da sucessão; eles acatarão esse desafio. Talvez tenha sido o pai aquele que originalmente que os tenha abandonado, mas agora são vários indivíduos que dão continuidade ao abandono o ao abuso, ou que lhes ensinam com base na vergonha. Caso tenha sido a mãe, ou ela tenha preferido permanecer junto do pai; talvez tenha sido o pai e por isso vários homens ou várias mulheres assumirão esse papel de pai ao abandonarem e ao abusarem de vós ou ofende-los de uma forma qualquer contractual. Ou então o sistema, quer se trate do sistema legal ou do sistema tradicional ou de um sistema de negócios ou tão só do sistema da realidade consensual que representará uma continuação desse abuso, dessa vergonha. Se tiver sido a mãe que tenha estado na origem disso, mesmo nesta segunda vaga, então similarmente, poderão ser as mulheres ou aquelas energias que simbolizam a mulher, as energias femininas sob as diversas formas que na vossa vida projectam. Precisam manter o agressor vivo, mesmo que a pessoa literal não se encontre mais. Precisam manter o agressor na vossa vida, mesmo que ele viva afastado do país. Enquanto levarem o contracto convosco não conseguirão escapar a isso. Alguém irá satisfaze-lo.
A segunda coisa que o contracto provoca é impedi-los de sentir qualquer emoção de uma forma positiva – toda e qualquer emoção. Enquanto o contracto estiver em vigor, mesmo a mais expansiva das vossas emoções, os afectos, as alegrias, as maravilhas da vossa vida jamais virão positivamente a ser sentidas em pleno. O afecto sempre se apresentará maculado pela vergonha. A alegria sempre será pesada de encontro à vergonha. Mas mesmo aquelas emoções restritivas como a da raiva, a do medo e a da mágoa ou da ofensa, mesmo essas jamais virão a ser sentidas de uma forma positiva. A raiva é uma emoção, e quando suprimida pode ser letal. Quando expressada pode ser vitalizante. Mas quando carregam o contracto e a vergonha, nunca chegam sequer a sentir essa raiva independentemente do quão consigam uma fúria desenfreada, porque isso jamais limpará, jamais se apresentará acabado, nunca virá a ser real, nem virá a representar um desprendimento positivo enquanto o contracto estiver em vigor.
A dor da mágoa não é emoção que seja agradável de sentir, bem o sabemos, mas quando sentida enquanto expressão positiva, sentir e libertar a dor da mágoa pode representar uma das formas de independência ou de liberdade mais emocionantes que poderão conhecer. Aqueles de vós que tenham experimentado isso sabem ao que nos referimos. Mas enquanto dependerem e se agarrarem a esses contractos, quer deixando de admitir a sua existência quer deixando de tratar deles, até mesmo as mágoas que experimentarem afigurar-se-ão dolorosas, e vocês não conhecerão o outro lado da dor, a satisfação de se curarem dela. Por mais contentes e por mais que amem, sempre olharão para trás por cima do ombro, e sentir-se-ão imperfeitos, falhos, injustiçados, sim. E sem que seja suposto admitirem, sentir-se-ão envergonhados, presos na projecção e incapazes de sentir positivamente qualquer emoção – restritiva ou expansiva.
Em terceiro lugar, encontram-se constantemente num estado de ansiedade – sempre se sentem ansiosos - e com a ansiedade, vocês fazem com que funcione. Todos quanto padeçam dela, fazem com que tenha continuidade. E fazem correr a vossa ansiedade tornando-se mártires, brigando, tornando-se guerreiros, tornando-se viciados química ou mecanicamente, por meio da depressão, da retidão e da culpabilização, ou por meio da protelação. E quando mantêm o contracto, quando sofrem por causa do contracto, sempre sentem ansiedade, e por conseguinte sempre fazem correr essas energias - qualquer que seja a forma por que optem por fazer com que funcione a ansiedade, seja por que forma ou meio for.
A quarta coisa que os contractos fazem, é impedi-los – ou vocês impedem-se a vocês próprios por causa deles – de ser felizes, de se divertirem, de sentirem alegria ou prazer. No último fim-de-semana que fizemos, falamos acerca da contínua felicidade e de uma diversão sem precedentes, e de quantos de vós se permitirão divertir-se durante um tempo, e talvez sentir alegria um pouco por aqui e por ali (…) talvez mesmo divertir-se e ser feliz, mas sem terem todas as três coisas ao mesmo tempo - nem pensar! De forma nenhuma divertir-se, sentir alegria e facilidade ao mesmo tempo, e decerto que não por período nenhum de tempo prolongado. Muitos de vós sentem-se tremendamente ansiosos quando a diversão dura demasiado tempo e as coisas correm demasiado bem durante uns dias a mais. E chegam mesmo a fazer as coisas mais absurdas a vós próprios para parar a diversão, para deter a alegria e a felicidade. E mais tarde olham para trás e dizem:
“Que coisa foi que fiz? Porquê? Porque não deixei que durasse, nem que fosse só mais um dia?”
Mas muitas das razões disso devem-se ao contracto; por causa do contracto obtêm o vosso próprio extremo. Ou deixam que o acordo contractual – quer tenha tido base na vergonha, ou base no abandono, ou base no abuso, ou tenha tido um vínculo num bloqueio – permitem-se persuadir.
O que acontece mais é que continuam a sentir a vergonha e continuam a perambular sob a “nuvem” da imperfeição e da anormalidade e a sentir que devem dizer tudo a toda a gente antes de poderem gozar de um alento decente e antes de poderem ser livres; a sentir constantemente a vergonha que congelou a ponto de sentirem vergonha – quer seja em criança ou em adolescente – de tentarem ser adultos. Além disso, os contractos mantêm-nos presos na manipulação e na dominação, no controlo, na autocomiseração. E em sétimo lugar, o contracto, que mantém a vergonha, separa-os da vossa espiritualidade:
“Eu nunca virei a tornar-me na minha própria pessoa. Nunca chegarei a conhecer o amor que o meu Eu Superior tem por mim, e que Deus, a Deusa e o Todo têm por mim. Ah não, que não o sinta de todo…”
Sentem sim, mas não conforme poderiam. Não conforme alguns terão tentado levá-los a sentir. E muito embora ainda sejam muito espirituais, a vossa espiritualidade será sempre caracterizada por uma luta, e nunca chega a acontecer; ainda precisarão batalhar com ela, e simplesmente nunca chega a ser. Enquanto os contractos se mantiverem.
Com as projecções, com a incapacidade de sentir emoção plena de uma forma positiva, presos na ansiedade, sem se permitirem ser completamente felizes, com alegria, com satisfação com diversão relativamente a uma experiência qualquer durante um período de tempo prolongado, presos na dominação e na manipulação que ela encerra, separados, tornam-se consequentemente susceptíveis a vínculos e a fugas além dos da vergonha específica.
Alguns de vós dão por si a entrar num compartimento e a captar a negatividade, e ela pode deixá-los deprimidos; outros poderão sentir-se exauridos num piscar de olhos; outros ainda são de tal modo – não empáticos, quanto a isso – mas porventura semelhantes a um queijo suíço, num certo sentido, tanto que lhes é drenado, situação em que dão por vós a ter que isolar cada vez mais a vossa vida. E parece que de uma forma ironicamente estranha, por se estarem a tornar cada vez mais espirituais, cada vez mais potentes e cada vez mais susceptíveis no campo da vulnerabilidade com respeito a toda a abstracção e a toda a diversão... Por de algum modo isso não parecer justo, sabem? E esta é uma metafísica potente, mas não quererão rodear quem quer que seja com pensamentos negativos nem com energias negativas, por não poderem, e por serem simples… A ideia de se espiritualizarem não tem que ver com o facto de se tornarem frágeis! Nesse sentido tornam-se mais fortes e competentes, mais capazes.
Não estão a mentir, mas a perder energia, devido ao dreno, devido ao perpétuo suportar. E é por isso que dizemos que esgotam a vossa flexibilidade e eliminam o vosso espaço, e o luxo torna-se agora numa necessidade. Se admitirem isso, muito bem, poderão não passar por todas essas coisas, mas que lhes sucederá? Como haverão de reconhecer realmente o que os vossos contractos lhes provocam? Não numa atitude de autocomiseração “Ai, pobre de mim que tenho contractos, não será de lamentar?” Cortem essa e tratem de olhar além:
“Tudo bem, o que é que ele realmente me está a causar? Eu mantenho o agressor vivo. Vivo num constante estado de ansiedade em que dou expressão ao martírio que sinto; pelo que estou constantemente a punir as pessoas. Consigo somente ser feliz durante três dias seguidos antes de esbarrar com uma “muralha” e armar uma confusão por alguma forma na minha vida, ou levar alguém mais a criá-la por mim. Estou constantemente a manipular através do controlo, apesar de dizer que quero parar, e apesar de tentar parar, coisa que pareço não conseguir, e esforço-me a toda a hora por depender de um relacionamento com o meu Eu Superior. Porque será tão árduo depender desse amor? Por ter estes contractos. Não faz mal.”
Primeiro passo – contar a vós próprios a verdade; o que esse contracto, ou contractos, vos estão a fazer. Segundo passo, procedente desse: o desejo:
“Eu realmente tenho vontade de romper esta coisa. Não quero passar mais por isso; não quero fingir, não quero ter isso em permanência, não quero fazer mais nenhuma meditação que não resulte; eu realmente quero que isso funcione. Eu vejo aquilo que provoca e compreendo de onde procede, mas quero romper com isso.”
E realmente precisam permitir-se sentir esse desejo conscientemente, e não apenas o que se apresenta como tarefa seguinte.
“Isto é o que eu realmente quero fazer.”
O terceiro passo reside em descobrir o contracto. Ora bem; já falamos de como a vergonha se revela única nesta segunda fase. E se examinarem a coisa:
“Olha, sei que tenho contractos destes. Mas onde reside a minha vergonha? Será a base de vergonha que se intensificou? Será o abandono? Será o abuso? Será a internalização que terá aumentado neste período, no meu caso? E que contracto será esse? Qual será?”
O facto de termos empregue aqueles exemplos não os deve limitar, por poderem ter um contracto de anos de abandono ou de abuso. Onde os poderão encontrar? Uma técnica – mas não precisam empregar todas estas técnicas; mas para descobrirem esse contracto, uma dessas técnicas é o que chamamos de “técnica da teia de aranha.”
Ora bem, trata-se de uma visualização em que entram em meditação, com consciência do que os contractos lhes fazem, e com o desejo de os mudar:
“Agora vou descobrir exactamente o que este contracto engloba. E assim fecho os olhos e entro em meditação e sinto-me a cair até aterrar numa teia de aranha – sem quaisquer aranhas, apenas a teia de aranha – e sabem como as teias de aranha são formadas, e como têm um ponto central e têm um tipo principal de artérias que se espalham a partir desse centro pelo meio, por meio de coisas adoráveis e delgadas que a esse propósito compõem a teia de aranha. Aterro algures lá pelo centro da teia de aranha, e levanto-me e…”
Volto a repetir que quanto mais imaginativo o conseguirem mais eficaz se irá revelar. Descubram quais serão os ingredientes, quais serão os componentes desses contractos. Poderão descobrir que determinado componente tenha procedido do abandono que tenham sofrido, em resultado do que tenham estabelecido um acordo concreto no sentido de sempre buscar a aprovação, aprovação e louvor, etc.
Ou outro que também faça parte do contracto do abandono que diga:
“Embora eu possa ser diferente de ti, jamais serei mais feliz nem mais bem-sucedido nem nunca estarei melhor do que tu.”
Poderão descobrir um outro completamente diferente que diga que abusarão de si mesmos antes de serem alvo de abuso. Os dois anteriores terão que ver com o abandono mas este tem que ver com o abuso enquanto parte da combinação que tiverem estabelecido. E poderão descobrir outro que narre que sempre permanecerão crianças e que jamais crescerão. Outro poderá ter que ver com outra coisa e poderão perceber os diversos...
Qual será o traçado em que se erguerão esses acordos de contração? Uma das formas é a teia de aranha. Mas se os reunirem e perceberem o que englobam poderão identificar aquilo que os compõe, poderão identificar um contracto composto por diversos temas diferentes. Na medida em que tiverem querido sobreviver, terão concordado em permanecer para sempre crianças, em sempre procurarem a aprovação superior, em jamais serem mais felizes ou mais bem-sucedidos do que os pais, em viverem a vida enquanto extensão deles. Poderão ter concordado com três ou quatro coisas, mas por meio da teia de aranha poderão encontrar os seus componentes.
Se não gostarem da técnica da teia de aranha, não faz mal, porque uma outra técnica há a que chamamos de "arca do tesouro." Voltam àquela praia, à vossa praia, uma praia desolada, fantástica, em que se encontram sozinhos, em que estendem as mãos como se fosse uma vara de radiestesia e caminham pela praia até que se deparem com um local em que comecem a revolvam e arranquem a areia com as unhas e encontrem algo sólido ao redor do que escavem mais até que, com as unhas arroxeadas descubrirem presa na areia molhada uma caixa que passem a abrir e dentro descubram um pedaço de um contracto em papel, com algo redigido. Pode ser uma fotografia que ganhe vida e de súbito se recordem de algo. Poderá ser apenas o suporte, uma pega desagradável e de algum jeito comecem a divagar e vejam o que sucede. Estão com seis anos e recordam-se da mãe gritar convosco... Coisa de que não se recordariam mas que agora passam a recordar. Não terá passado de uma pequena afirmação? É, mas corta que nem uma lâmina. E agora recordam-no. Isso é apenas um bocadinho da coisa. Mas vão em frente como um detector de metais, a buscar de novo e a tentar descobrir se haverá mais. Escavem até encontrarem um segundo.
Poderá surgir como palavrões, poderá surgir como imagens, lembranças distantes que tenham alguma coisa de tangível, um objecto, uma declaração escrita ou porventura apenas uma voz na vossa cabeça que os deixa desarmados ao abrirem o baú da recordações. Essa é a segunda técnica.
A terceira que poderão usar, se nenhuma dessas lhes apelar, aqueles que têm prazer em trabalhar, por exemplo com o mundo do além. Não nos referimos ao além no sentido cristão caracterizado pelo inferno e pelo fogo nem todo esse tipo de coisa, referimo-nos a uma concepção de além muito mais antiga inerente à vossa mente inconsciente. E aqueles de vós que o tiverem experimentado connosco e realmente tiverem descoberto o prazer que sentem em percorrer o além e obter informação, óptimo, decidam-se a buscar tais contractos e a usar o ritual do despertar, penetrem no além e percorram o caminho, e deixem que aqueles que vierem a vós lhes revelem os contractos; gente estranha que tenham conhecido antes, com quem tenham estabelecido um aspecto do contracto. Desdobrem isso assim.
Ainda um outro modo com que poderão trabalhar isso, que alguns poderão descobrir ser o que quererão usar acima de tudo: Quem conhecerá melhor o contracto do que a criança e o adolescente em vós? Vão conversar com eles. Eles padecem de vergonha, pelo que poderão não lhes revelar que contracto envolva. “Que contracto terás?”
“Que contracto? De que falas?”
Podem mostrar-se bastante céticos em relação a vós e encará-los primeiro como um espião que os tente enganar ao levá-los a admitir alguma coisa. Mas como muitos de vós já conseguiram obter a confiança, falem com ele: “Olha, vamos lá, vamos lá juntos para um local seguro para tu falares comigo e me contares, que vergonha é essa que carregas. Que coisa vergonhosa te terá sucedido entre os seis e os oito, ou os dez e os doze? E vamos trabalhar juntos na descoberta do contrato que terás assinado.”
“Ah, mas eu não o li.”
“Pois, mas vamos lá tentar descobri-lo de qualquer maneira.”
Durante um seminário intensivo que fizemos em que falávamos de contractos, numa outra cidade, uma certa mulher recordou ou descobriu ter literalmente assinado um contracto com o pai, e quando voltou a casa procurou o elemento da sua infância no sótão, por entre as caixas, e descobriu-o, um pedaço literal de papel em que dizia que prometia que sempre seria uma boa menina e que nunca o desapontaria e que nunca o faria infeliz, e ela ficou assombrada por ter redigido aquela coisa. Já sabem o que ela fez a isso, mas seja como for… (Riso)
Vocês podem conversar com o vosso filho, ou com um adolescente. A criança não se revelará tão cooperativa mas o adolescente sabe, e ajudá-los-á, e juntos, vós os dois ou três poderão chegar a isso juntos. Mas o terceiro passo do procedimento para romper por completo com tais contratos passa por descobrirem o que é, por intermédio destes métodos, conforme sugerimos, por qualquer um deles ou por uma combinação que resulte a vosso favor.
O quarto passo reside em anotarem o contracto, anotá-lo literalmente num pedaço de papel. Não precisam detalhá-lo nestes termos:
“Isto foi acordado em tal e tal data pela minha parte e por parte do meu pai e da minha mãe, por mais que tivessem o mútuo desejo de me destruir, e da minha parte, para absolver a dor concordei com o seguinte: Sim, autorizo isso tudo assim…” (Riso)
Peguem num pedaço de papel e redijam o contracto:
“Eu concordei, jamais crescer e permanecer para sempre criança; concordei buscar continuamente mas jamais obter da tua parte, a aprovação, o perdão, a aceitação, e o louvor."
Seja o que for que reze… ou variações do texto:
“Concordo ser uma extensão de ti e viver os sonhos que tu nunca conseguiste viver, por a minha própria presença te ter impedido disso… Eu concordo em cumprir com as agendas que nunca consegui satisfazer, na tentativa de te poder deixar feliz, ou de te fazer mulher, ou homem, numa tentativa de te amar melhor do que o que alguém te teria amado… Concordei que embora me pudesses abandonar eu jamais te abandonaria… Jamais viveria mais do que a uns quantos quilómetros de distância de ti, e que te telefonaria todos os dias… Que te “carregaria” às minhas costas…”
Seja o que for que tenham redigido. Anotem-no; talvez sejam apenas três ou quatro frases. “Ah, eu agora sei do que se trata… Já o descobri.” Não, anotem-no!
Porque o movimento efectivo da mão para o de o colocar por palavras e de alterar as palavras e de as tornar exactamente naquilo que são, cria um movimento na terminação nervosa, cria uma mudança biológica, cria uma alteração química no cérebro e em todo o corpo. Anotem-no! Quando o tiverem redigido escondam isso em qualquer parte. Já esteve escondido todos estes anos, por isso voltem a escondê-lo de novo. Durante três dias, setenta e duas horas. Depois tragam-no à luz do dia de novo, após esses três dias, e leiam esse contracto uma vez mais. Leiam-no. Examinem-no: “Foi com isto que eu concordei.” A essa altura busquem permissão para romper com ele, busquem permissão para romper com ele.
Bom, o primeiro pensamento que muitos de vocês terão será de lhes telefonar e pedir directamente. Não! Não permissão necessariamente da parte do ofensor, porque ele poderá não lhes dar permissão; mas busquem permissão para romper com o contracto.
Ora bem, que é que queremos dizer com isso? Perguntem a um terceiro decanato e peguem no contracto e leiam-no e a seguir, num estado meditativo digam simplesmente: “Muito bem, vou agora buscar permissão. Peço permissão para romper com este contrato.” Ela poderá vir por uma multiplicidade de meios. Poderão ligar a televisão e deparar-se com um anúncio: “Rompimento de Contractos - Central de Atendimento” (Riso) “Fracasso nas Negociações Contratuais entre…” (Riso) Podem estar a assistir a uma Sitcom, a um drama, ou a um filme da semana, não importa, mas as palavras que veem de encontro a vós, ou a questão que esteja a ser tratada… “Caramba, é espantoso como se relaciona com o rompimento de contractos ou a representação de contractos. “Aí está. Vou aceitar isso como a permissão de que preciso.”
Assim como poderão pegar no jornal ou numa revista e ao virar a página, ou deter-se numa das páginas interiores, ou estar sentados numa paragem de autocarro e ouvir alguém fazer comentários acerca da negociação de um contracto que tenha, ou ouvir alguém falar em permissão. Pode não englobar o termo “contracto,” essa seria a palavra, mas é a ideia que buscam. Poderão ligar a televisão, etc., e ver algo num anúncio: “Por fim, finalmente têm permissão para…” Pode surgir o conceito. Ou alguém no banco do parque ou alguém no escritório sair-se com a palavra ou a ideia da permissão para isto ou permissão para aquilo. O conceito surge-lhes em meio ao que tocam, ao que leem, ao que escutam, de uma forma sincronística qualquer, relacionado com Permissão, Rompimentos de Contractos, Liberdade do Passado, um tipo qualquer de energia que alinhe por isso. Poderá muito bem ser quando se encontrem em meditação e estejam a lidar com algo completamente diferente e de súbito sentirem uma onda de energia, que os leve a sentir que represente a permissão de que necessitam. Pode muito bem dar-se que se dirijam ao vosso Eu Superior e digam: “Está bem. Eu quis permissão e Ele deu-ma.” Por isso, deixem que venha por uma diversidade de modos mas busquem permissão.
Se essa permissão não surgir durante os três dias seguintes, então olhem para o contracto. Se não houver absolutamente nada que interpretem legitimamente como permissão durante as seguintes setenta e duas horas, então será melhor voltar a dar uma olhada nesse contracto, e reescrevê-lo ou esclarecê-lo. Mais três dias e a seguir busquem permissão. Se ainda assim não o compreenderem, e tiverem decorrido três dias, voltem a examinar o contracto por uma terceira vez à espera mais três dias, e se mesmo assim não o entenderem, saberão que estão a brincar negativamente convosco próprios e que estão propositadamente a garantir que não obtêm permissão.
Assim, poderão examinar a razão de ser tão importante para vós manter esse contracto em vigor.
A maior parte de vocês encontrará permissão durante as primeiras duas horas da solicitação e obtêm-na durante os primeiros dois ou três dias; alguns de vós, por se sentirem porventura demasiado apavorados, poderão vir a necessitar de um segundo ciclo. Muito raramente uma pessoa precisa passar por um terceiro ciclo, a menos, conforme dissemos, que esteja manifestamente a garantir que não rompa com tal contracto. Mas depois examinem o porquê: “Que estaria eu a pensar que aconteceria caso rompesse com este contracto?”
Assim que concederem a vós próprios permissão, ou que tenham encontrado permissão, o quinto passo passa pelo rompimento literal do contracto, que pode ser conseguido pelo método de meditação que fizeram. Percebem os laços, os elos, e evidentemente por que eles estão relacionados com o vosso coração - a capacidade que têm de amar: de dar, de receber, de ser. O plexo solar – a capacidade que têm de sentir. A garganta – a capaciadde que têm de se expressar. E na vossa fronte, o sexto chakra, o ser intuitivo, perspicaz, conceptual. O sétimo chakra que diz claramente que estão a sacrificar a vossa espiritualidade com esse contracto. Pois, é o que isso quer dizer. O segundo chakra, sim, muitos de vocês sacrificam o prazer sexual nesse sentido, outros de vocês num sentido mais abstracto, em que sacrificam o vosso poder criativo, a vossa felicidade, a capacidade que têm de se divertir (tudo quanto diz respeito ao segundo chakra). E com respeito ao primeiro chakra, decerto que envolve a segurança. Percebem que esse contracto ameaça remover-lhes o próprio tapete debaixo dos pés por envolver o receio constante de que lhes seja tirado e vocês acabem por cair de costas.
Mas certas pessoas, independentemente do quão segurass sejam, do quão maravilhosas e felizes se vejam, sentem um constante receio de a todo o instante verem o tapete ser-lhes retirado. Grande parte do tempo isso deve-se a que tenham um elo com o primeiro chakra que lhes esteja a drenar toda a segurança, independentemente do que alguém disser, vocês sentem-se seguros, mas essa sensação desaparece sem que nada se tenha alterado:
“Sentia-me seguro na noite pasada, mas esta manhã acordei com insegurança; sentia-me seguro há trinta minutos atrás, mas agora já me sinto inseguro. É como se eu a bombease e ela fosse drenada. Nem sequer cheguei a utilizá-la nem a fazer nada com essa segurança; é como ter um vazamento na taça em que a encho e ela desaparece, evapora-se.”
Do mesmo modo, não conseguem sentir, não conseguem deixar entrar qualquer amor, não têm afecto (laços emocinais). Conversamos com alguém que não sentia qualquer afecto e perguntamos-lhe como passava, ao que respondeu:
“Bem.”
De que queres falar?
“Quero falar do facto de não ter um relacionamento amoroso na minha vida.”
Que é que sentes com relação a isso?
“Não me agrada.”
Mas que te leva a sentir o facto de não te agradar isso?
“Bom, isso deixa-me verdadeiramente irritada. Sinto-me verdadeiramente magoada. Não pareço sentir-me magoada mas sinto.”
Falemos de alguma coisa boa.
“Sinto-me satisfeita com isto.”
Quão satisfeita te sentes de verdade?
“Muito satisfeita (…)”
Mas vamos lá, sente, fala um pouco mais…
“Está bem, vou-me mostrar mais entusiasmada. Sinto-me satisfeita de verdade.”
Não fales mais alto, mas sente-te mais entusiasmada… (Riso)
Ela sentia um tal escoamento emocional que quase sentia ser impossível conter qualquer emoção para conseguir vir até aqui. Padecem aqui de um vazamento, sentem uma emoção e ela vai-se derramar aqui, e nunca chega a sair pela garganta nem pela boca mas vaza pela barriga e não pelo coração. Por isso, padecem de um buraco aberto e não podem fazer com que passe além, e desaparece tudo, que é o melhor que pode acontecer, em casos extremos. Ao passo que se verificarem onde estão situados os laços, a seguir rompem-nos.
Encontrem o contracto: “Aqui está, este pedaço de papel,” e pegam no pedaço de papel em que o contracto tenha sido redigido e destroem-no por três formas, para reforçarem o acto. Tracem linhas cruzadas a anulá-lo, rasguem-no e queimem-no e esfarelem as cinzas. O quinto passo passa por romperem o contracto. Poderão ter que o fazer duas ou três vezes.
Sexto passo. Três passos – recordem o amor. Uma das técnicas mais profundas e importantes. Recordar o amor. O amor que sentem por alguém que amem mais do que a vós próprios. Talvez seja o amor que sentem pelo vosso eu superior, por Deus, pela Deusa, pelo Todo; por um conselheiro ou guardião particular; talvez por alguém tangível na vossa vida. Uma outra pessoa em particular a quem sinceramente amem de forma tão incrível que não queiram que ela esteja mais em sofrimento com o vosso contracto. Poderão não ser capazes de o fazer por vós próprios. Poderão ter amor por vós próprios, mas ainda não o suficiente para fazerem tudo isso por vós, mas amam esse alguém o suficiente, pelo que não quererão fazer com que tenha que passar mais por esse contracto. Quererão curar a vergonha de que padecem, por esse alguém não merecer ter que viver com ela. Têm amor por vós mas amam esse alguém ainda mais pelo que recordam o amor, até perceberem que por mais que sintam amor pelo vosso eu superior - e muitos de vocês amam-no com uma intensidade incrivelmente potente – quererão manter esse eu superior à distância por terem um contracto que se intrometa entre vós?
“Ai de mim; eu sou terrível!”
Não. Isso é ego.
“Não, não estou disposto a que ele tenha que viver o contracto que tenho, e por isso rompo com ele, e uma vez rompido não deixo que volte a crescer e substituo o vazio por amor. O buraco que tiver sido deixado, encho-o de amor. Lembro o amor.”
E por último o passo final, sempre em relação à vergonha, passa por pedirem ajuda ao vosso eu superior ou a um dos vossos amigos invisíveis, por a vergonha, ao contrário de certas emoções negativas por si só não poder ser rompida por completo. Vocês precisam da ajuda de alguém que seja mais que vós, de alguém que seja mais poderoso que vós tal como o vosso eu superior ou porventura um dos vossos guardiães, um outro dos amigos invisíveis cocriadores, seja quem for. Alguns interrogam-se se estará disposto a ajudá-los… Certamente! Pode erguer a vergonha de forma a poderem ver-se livres do contracto.
Bom, se seguirem esse procedimento, se realmente virem o que é, se realmente o desejarem quebrar, se o descobrirem por meio de uma técninca qualquer, se recordarem o amor e pedirem por auxílio. Ora bem, conforme temos dito, muitas vezes vão obter reacções do ofensor, por uma ou outra forma, mesmo que essa reacção seja “negativa” e ele saiba que são bem-sucedidos. O que queremos dizer com isso é que muita vez quando rompem o contracto alguns de vós poderão chegar a casa pela noite e descobrir uma mensagem no atendedor de chamadas da parte seja de quem for, apenas para ver como têm passado. (Riso) Poderá ser assim vago assim como poderá dizer:
“Nunca mais me telefonaste. Nunca dizes nada como se estivesses a afastar-te. Sinto que algo se tenha rompido entre nós.”
Talvez seja uma carta que lhes chegue pela manhã:
“Porque é que nunca ligas? Porque é que nunca apareces?”
A tentar restabelecer os laços. A pessoa poderá não ter consciência do que está a fazer, e pode estar a fazê-lo num tom muito positivo, poderá ser uma chamada ou uma carta a dizer que ache que as coisas agora se encontrem melhores entre vocês:
“Sinto uma maior liberdade. Sinto que algo se passa; estás diferente e isso agrada-me.”
Não é que esteja sempre a querer agarrá-los de volta.
E se o titular desse contracto estiver morto? Não tem importância, ainda têm o contracto que se estende por detrás. Nesse caso não irá telefonar, certamente (riso) mas vocês poderão ter uma conversa com um parente ou com a mãe ou o pai e o assunto vir à tona. Não quer dizer que tenha que acontecer, mas não fiquem surpreendidos. Se ouvirem falar… ou por qualquer modo lhes recordarem o contracto não o assumam pela negativa:
“Ah, não o fiz por a mãe me ter convidado para o dia de Acção de Graças, ou por a minha irmã me ter desancado por eu nunca ter sido suficientemente bom para o pai e eu dever estar a fracassar.”
Não. Mesmo que façam frente a uma menção qualquer em meio a uma interacção que tenham, a pessoa tinha que o fazer mas geralmente obterão um sinal qualquer, de qualquer natureza, em torno do rompimento do contracto. Nada mais do que o facto de a vossa vida estar a correr pelo melhor, mas isso será sinal suficiente. E de facto é muito mais apelativo do que uma mensagem. Mas verão os resultados. Se seguirem os procedimentos poderão pôr cobro à vergonha pelo rompimento desses contractos psíquicos e ter a liberdade para despertarem.
FIM
Transcrição e tradução: Amadeu António











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