terça-feira, 23 de agosto de 2016

SOBRE A AUTOESTIMA





Provavelmente por tanto tempo quanto aquele em que o Movimento do Potencial Humano foi chamado de Movimento do Potencial Humano, existiram seminários dedicados à Autoestima. Quando se dirigem à vossa livraria favorita, seja tradicional ou metafísica, na secção que reservam para aqueles livros que a certa altura foram designados por “Ocultismo,” e depois por “Metafísica” e agora são designados por “Nova Era,” (riso geral) existe todo o género de livros com o título de “Estima”, ou “Aprender a Ter,” ou “Aprender a Descobrir,” ou a desenvolver um número infinito de coisas sobre a vossa autoestima. Assim o tópico da discussão desta noite vai ser intitulado Autoestima, o que pela rama poderá parecer:

 “Ah, pois, já passei por isso antes.”

E assim convidámo-los a explorar a Autoestima como jamais o terão feito antes. Com o intuito de a compreender e mais do que a compreender, com o intuito da mudança.

Iniciamos o ano corrente (1988) sugerindo que as fontes principais de dificuldade iriam surgir, no decurso deste ano e do próximo, de um ou de uma combinação de três elementos; que a fonte da pressão que iriam pessoalmente sentir e da pressão que o vosso mundo e comunidade global iria sofrer, iria proceder com uma maior frequência de um qualquer ou da combinação dos três elementos formados pela culpa, pela falta de merecimento e pela fraca autoestima.

Agora; reconhecidamente que, com um qualquer desses três componentes presentes na vossa vibração bem que poderão esperar por dificuldades, e bem que poderá que surjam e aconteçam problemas, obviamente. Mas quando esses três problemas se reúnem e quando esses três problemas se tornam tão profundos e tão poderosos quanto se revelam agora, neste período da vossa década e da vossa vida, a devastação que podem colher é imensa.

E nós sugerimos em Janeiro, e depois em Fevereiro e agora em Março que, se se permitirem tratar desses três problemas – não apenas de passagem, nem com sobranceria – mas se realmente se detiverem e trabalharem com a culpa, com o fito de lhe pôr cobro, e trabalharem a sério com o merecimento, que é mais do que um slogan, de modo a reunirem os problemas todos da vossa vida e a efectivamente porem cobro a esse obstáculo, a esse bloqueio, e travarem a última desculpa para deixar de o fazer, e se trabalharem de verdade no sentido de desenvolverem a estima, uma estima sincera e real – não só a palavra derramada pela vossa realidade toda, mas a sensação que trasmite, a sua essência. Se efectivamente trabalharem no sentido de pôr cobro à culpa, desenvolverem o merecimento e expandirem a vossa estima poderão melhorar a quantidade e a qualidade na vossa vida, na vossa realidade assim como do vosso futuro e no futuro do mundo também. Poderão exercer um impacto no melhoramento das tensões que de outro modo seriam características deste ano (1988) e dos anos subsequentes desta década, e de facto deste século.

E assim foi que começamos, em Janeiro, com o tema “Pôr Cobro à Culpa,” e avançamos em seguida para a “Criação de Merecimento” e na noite de hoje nos focamos no terceiro desses três componentes, como se para completarmos este problema, ao examinarmos e defrontarmos o que poderá ser o mais entusiasmante desses três elementos, e potencialmente o mais devastador dos três - a Autoestima.

Que conheceis vós, de verdade, sobre a Autoestima? Bom, aqueles de vós que trabalharam connosco por um certo período sabem que tem que ver com o amor que ganham, ao contrário do amor que lhes é automaticamente óbvio. Ouviram-nos a empregar palavras tais como honestidade e integridade e, claro, responsabilidade, como se de alguma forma devam estar envoltas nisso também. E qualquer coisa sobre a confiança e a não ofensa, mas a que se resumirá de facto isso? Na verdade não possuem uma compreensão sólida, uma base sólida, uma compreensão firme do que a autoestima signifique, da razão por que é tão vitalmente importante nem do que fazer com respeito a ela – mesmo que soubessem aquilo que é, e conhecessem a razão por que é importante.

E aqueles de vocês que são novos aqui e que nunca aqui estiveram, podem ter uma espécie de definição académica para a autoestima assim como podem usar a definição a que chamamos de desculpa que é tão predominante na nova era dos dias que correm:

 “A autoestima? Ah, pois, é a estima que sentimos por... nós próprios, não? Bom, sabes...”

Mas quando questionados sobre a razão por que a autoestima é tão importante, a resposta que dão é a habitual: “É importante porque é”, com um ar inquiridor que denuncia uma vontade de passar para a pergunta seguinte. (Riso) É quanto baste para uma resposta:

 “É importante por que é, e depois? Que havemos de fazer? Avancemos em frente e vamos lidar com algo mais excitante e mais dramático do que toda a autoestima.”

Bom, não se ressintam do facto de terem um tipo de familiarização vago e um conhecimento impreciso deste termo em tudo tão comum chamado autoestima, pois, a estima é particularmente ardilosa, é um conceito particularmente esquivo na vossa realidade, e por várias razões. A primeira razão por que a estima é tão ilusiva assenta no facto de representar um juízo de valor. A autoestima consiste num juízo de valor. E na corrente fase em voga da vossa nova era, padecem do uso de uma errónea mordaça relacionada com a capacidade crítica. A crítica é coisa nociva - BANG! (Riso) Não devem julgar ninguém, aprenderam isso e sabiam disso, quero dizer, isso está-lhes no sangue, não é? (Riso) Não pertencem à velha vaga que pensava que devia julgar, não. Não devíam julgar, por conseguinte, todo o tipo de juízo critico que se acha envolvido nessa mordaça é eliminado.

Existe toda uma diferença entre ser crítico e usar juízo de valor, só que tal diferença pode ser vaga e por isso, tornar mais fácil deixar a fixa limpa de toda palavra que sequer se assemelhe à crítica ou que possa parecer-se mais com ela. Vamos erradicá-las todas por uma questão de segurança. E subsequentemente, sob a regra errónea da “simplicidade a qualquer preço”, os juízos de valor são eliminados, com a consequência de a estima permanecer como um mistério total.

Julgar, é-lhes dito, é mau e errado e punível – tudo quanto envolve julgamento, ou o acto de julgar! (Riso) “Só quem não é evoluído julga” – dirá alguém de forma crítica – ao lhes rebaixar o nível de evolução!

Nós não sugerimos que o juízo seja correcto ou errado, bom ou mau; indicamos apenas que a crítica ofende aquele que criticam. E a vós! E por conseguinte a questão não se põe nos termos de deverem ou não julgar, mas se pretendem ofender ou não. Mas se não pretenderem ofender, então são aconselhados a não ser críticos – não por ser mau e errado, mas precisamente por ofender. Contudo, os juízos de valor constituem a aplicação relativa do discernimento, a relativa formulação das opiniões, a relativa atribuição das avaliações. Por conseguinte, ainda que optem por deixar de ser críticos – por não recorrer à injúria – é ainda importante possuir juízo de valor. Só que, como muitas vezes é eliminado e ninguém deve chegar mais perto do juízo de valor do que trinta metros, consequentemente o juízo de valor paga igualmente o preço, e a estima permanece como coisa misteriosa.

Em segundo lugar, a estima é particularmente esquiva por envolver estimativas emocionais, estimativas emocionais e avaliações subjectivas. Cada sentimento que têm, é afectado pelo nível da estima que possuem, e envolve a vossa estima – toda a emoção, desde a mais frívola à mais sincera; desde a mais insignificante à mais potente – cada emoção dessas que têm envolve a vossa estima e constitui um reflexo da vossa estima e é produzida a partir da vossa estima. Toda a resposta emocional que têm, desde a mais simples à mais complexa, envolve a vossa estima; a avaliação emocional que aferem, a apreciação subjectiva de vós próprios que fazem.

Cada pensamento que têm é não só motivado com base na estima como é um produto da própria estima que têm. E assim, por a estima se envolver tanto em termos de avaliação e ser tão subjectiva torna-se demasiado elusiva. E torna-se fácil para muitos colocá-la de parte.

Em terceiro lugar, a estima é particularmente elusiva, por na mais elevada hierarquia das necessidades ser muitas vezes colocada e adquirir o sentido da força da prioridade. De facto, ao começarem pelas necessidades de sobrevivência e pelas necessidades de segurança que têm e ao passardes e se expandirem às vossas necessidades de pertença, torna-se somente numa questão de força maior avançar para o estabelecimento ou até mesmo para a consideração das necessidades que têm de valorização. Mas as pessoas frequentemente confundem posição com prioridade. Trata-se do sentido de força da prioridade, sem sombra de dúvida.

Antes de considerarem tratar das vossas necessidades de valorização, torna-se importante que tratem das questões da sobrevivência. E assim que essas questões estiverem tratadas torna-se importante estabelecer uma certa consistência de sobrevivência, a que chamam segurança. E depois de estabelecerem pelo menos esse modelo de segurança, torna-se importante tratar das necessidades da pertença. E é então que o sentido de dar força à prioridade das necessidades de estima começa a florescer, mas o facto de se tratar de um sentido de força da prioridade não quer dizer que se situe unicamente na posição de força. Não confundam prioridade com posição.

Não existe começo nem termino para a estima; isso não tem cabimento na ausência de limites em que se sircunscreve. E também constitui algo que, desde a mais simples até à mais profunda das vossas necessidades de sobrevivência, de ser esotérico, a estima faz parte delas todas. Apesar de constituir um sentido de força da prioridade ocupa uma posição que vai da primeira à sétima prioridade. Mas por confundirem posição com prioridade, pensam não precisar lidar com a estima até chegar lá e poder concentrar-me na sobrevivência, na segurança e no sentido de pertença. Por, de algum modo, se conseguirem ver esse obstáculo derrubado, o resto, de algum modo, venha a encaixar. E assim é que permanece elusiva, no sentido de força de prioridade que adquire.

Além disso, a maioria das terapias tradicionais e das terapias Nova Era, seja qual for a designação que lhe dêm, possuem um pendor particular contra a palavra “necessidade.” Soa muito à moda antiga ter necessidades, não é? Não é suposto ter necessidades, por isso gerar tantos problemas, tantos problemas por não terem aquilo de que precisam:

“Se eu tivesse tudo quanto precisava todos os meus problemas seriam solucionados, eu não precisaria mais ser psicótico nem neurótico, não apresentaria estes medos e dúvidas que apresento, nem seria esta pessoa estranha que necessita destes remédios. Estaria bem. Se eu ao menos visse as minhas necessidades todas satisfeitas!”

(Riso) Como iremos resolver esse problema da necessidade? Bom, nós sugerimos que lhe dêm-lhes atenção. (Riso)

Mas outros descobriram um atalho: rotulá-las de novo! Vamos chamar-lhes preferências!

“Já não tenho mais necessidades, por ter pegado em todas as necessidades que existiam ontem e abraçado a palavra e escrito sobre ela “preferência” pelo que agora tenho o meu problema da necessidade resolvido, já não tenho necessidades. Já só tenho preferências que não posso satisfazer.” (Riso geral)

Trata-se de uma resolução burocrática. Temos o problema X; como havemos de resolver o problema X? Passámos a chamar-lhe problema Y! Agora, já não temos mais problema X. As promoções estão na ordem do dia, não é? (Riso geral)

Assim, é-lhes dito que não mais têm necessidades. Não “precisam” de oxigénio. Têm preferência por ele! (Riso geral) Tentem passar umas semanas sem ele... e depois venham falar connosco sobre preferências e sobre necessidade!

“Ah, então vou descobrir uma posição intermédia qualquer em que passarei a chamar-lhe não preferência mas desejo.”

Não precisam de oxigénio, apenas têm o desejo de oxigénio. (Riso) mas tentem passar sem o desejo e vejam o que acontece. Há determinadas necessidades, mas não tem problema tratá-los assim.

Obviamente que o que pretendem é identificar as necessidades que têm, e assumir os passos apropriados e as acções adequadas para as satisfazer, para cumprirem com elas, de modo a poderem tirá-las da prateleira das necessidades e colocá-las na das “satisfeitas” – que é o que produz felicidade - mas não se devem deter por aí mas ir além das necessidades satisfeitas, às preferências – que é o que provê a alegria. Mas não apenas rotulá-las burocraticamente de novo como “desejos” ou “preferências”, mas literalmente e de uma maneira concreta tratar esses termos tabu, esses conceitos fora de moda, chamados “necessidades”.

Agora, há evidentemente, certas preferências que têm que colocar na prateleira das necessidades, de onde procedem muitos dos problemas que têm. Quando de facto dizem, ou uma mulher diz:

“Eu preciso ter um companheiro, eu preciso de um companheiro, ou eu...”

Não! Isso simplesmente não é assim. Podem querer, podem preferir, mas o facto é que não precisam ter quem durma convosco na cama. E os homens, de modo semelhante:

“Eu preciso de gozar de um certo rendimento, eu preciso ter um certo cargo, ou preciso ter uma certa relação.”

Não! Claramente que tampouco isso corresponde à verdade. Onde evidentemente se enredam psicologicamente, é quando amontoam todas essas preferências e desejos na prateleira das “necessidades”.

Mas quando distinguem e separam as preferências como preferências, o querer como um desejo e a necessidade como uma necessidade, e de seguida tratam de satisfazer cada um desses níveis adequadamente, de facto resolvem o vosso problema. Mas, vejam bem, a estima representa uma necessidade. E quando é suposto as necessidades não existirem, então a estima passa a representar um desejo. Aí a estima torna-se uma preferência, mas por já ser elusiva:

“Ah, creio que vou prescindir desta exigência, vou prescindir desta preferência...”

É quando voltam a admitir para vós próprios a verdade de a estima consistir efectivamente numa necessidade:

“Que não posso ignorar e a que não me posso furtar, e que não posso negar,”

Mas é uma necessidade semelhante ao oxigénio – não a mesma coisa que, mas similar . Aí talvez possam escavar a coisa até compreenderem o que subentende e a razão por que é tão importante. Mas enquanto permanecer assim elusiva, será preterida.

Por fim, a razão por que a estima é tão esquiva deve-se ao facto de jamais deixarem de a experimentar. Estão sempre a lidar com a estima. Não podem pular fora do estabelecido; podem padecer de fraca estima, podem ter danificado a estima, podem ter falta dela, podem sofrer de todo o género de coisas associadas a ela mas estão constantemente a envolvê-la.

Poderão estar a procurá-la na direcção errada e a atribuí-la a outra coisa a que chamam estima, mas estão constantemente a envolver a estima e toda a emoção que têm e cada ideia que têm e acção que definem envolve a vossa estima. E à semelhança de um peixe, que não compreende a água – também vós não compreendeis a estima. Por fazerem parte de uma ordem estabelecida que se acha constantemente rodeada de problemas que se prendem com a estima. Jamais conseguem pular fora. E à semelhança de um peixe, podem não chegar alguma vez a compreendê-la – mas podem aprender com respeito a ela. Podem obter uma certa percepção e, ao contrário do peixe, são capazes de aprender.

Assim, ao começarmos esta noite, queremos antes de mais considerar a razão por que a estima será tão importante, antes mesmo de começarmos a tratar do que subentende especificamente. Por que razão será ela tão importante? Em primeiro lugar, por a vida ter que ver com o cultivo. A vida tem que ver com o cultivo! Aprender a divertir-se, criar conscientemente êxito, explorar, defrontar, confrontar, tratar de vós próprios.

O que quer que façam nesta vida, isso prender-se-á com o cultivo, mas para que a vida possa comportar o sentido do cultivo, e para que esse crescimento possa ocorrer, precisam ter uma motivação, precisam ter uma razão para se estenderem e alcançarem; precisam ter uma razão para explorar e para compreender; precisam de uma motivação e de uma razão para se tornarem mais do que aquilo que são.

A estima fornece essa motivação. A estima fornece essa razão para crescer.

Dizer simplesmente que se encontram aqui para se divertir e para aprender a criar sucesso conscientemente é verdadeiro, só que para se motivarem nesse sentido, para se motivarem a alongar-se nessa direcção e a alcançar isso, precisam de uma razão para se tornarem mais do que aquilo que são – e a estima constitui essa razão.

Em segundo lugar, a realidade transforma-se em crença e em escolha. Ora bem; vocês possuem todo o género de matérias-primas; nós delineamos seis: têm, em primeiro lugar a crença, a partir do que todos os outros recursos evoluem, e com base no que toda a realidade se manifesta. As crenças vêm em primeiro lugar. Independentemente das tendência que tenham para tentar demonstrar que a experiência a precede, a crença vem em primeiro lugar.

Com base na crença que têm desenvolvem atitudes, ou a coloração, as “lentes,” as aberturas por onde escolhem olhar. Essas atitudes e colorações produzem sentimentos, e esses sentimentos por sua vez produzem pensamentos; esses pensamentos vão gerar decisões, e essas decisões vão produzir escolha. Esses são seis de todos os materiais com que trabalham. Quando estabelecem novas escolhas, essas escolhas novas vão produzir novas decisões; e de facto, a partir dessas novas decisões, produzem novos pensamentos e novos sentimentos, novas atitudes e crenças alteradas. Contudo, o ponto de viragem reside nas crenças e nas escolhas. Torna-se válido e maravilhoso mudar as vossas atitudes mas com toda a franqueza, a mudança de uma atitude não irá mudar a vossa realidade, a menos que essa atitude produza uma nova crença ou uma nova escolha. Ter diferentes pensamentos é de facto muito válido e esclarecedor e pode ser tremendamente importante, mas a menos que esse novo pensamento gere uma nova crença e uma nova escolha, não moverá qualquer alteração. E de forma similar, podem ter todo o tipo de sensações, e têm, todos os dias. Mas a menos que essa sensação seja suficientemente forte e poderosa para produzir uma nova crença ou uma nova escolha, nada se alterará.

Podem tomar decisões; vocês observam-se e já se ouviram dizer: “Decidi isto, decidi aquilo,” mas isso torna-se num amontoado de palavras, a menos que essas decisões produzam novas escolhas e novas crenças. Por isso, quando dão por vós num dilema, que muitos de vocês confrontam, quando falamos convosco:

“Mas, eu adoptei uma atitude diferente, e penso de forma diferente; alterei a minha maneira toda e pensar, e todos os meus sentimentos são agora diferentes. Por que razão será que a minha realidade não está...? Eu tomei esta decisão, mas de um jeito qualquer a minha realidade não está a responder a essa nova decisão.”

Mas isso deve-se ao facto dessas matérias-primas provisórias que se apresentam entre a atitude e a decisão precisarem expandir-se para se tornarem numa nova escolha e numa nova crença; para poderem produzir a manifestação da mudança. Os pontos de articulação são as crenças e as escolhas; o resto pode conduzir a elas, mas esses são os únicos que produzem mudança.

De modo que, se tiverem pensamentos novos, óptimo, mas dirijam esses novos pensamentos para essas novas escolhas ou para essas escolhas. Se tiverem novas atitudes, sentimentos ou tomado decisões, óptimo. Mas façam com que se movam.

Mas, que será que motiva as escolhas? Que será que os leva a ter um pensamento ou a tomar uma decisão ou a tomar uma atitude e a formular novas escolhas a partir disso? E que será que conduzirá essas escolhas directamente à crença, e que com efeito venha a produzir uma nova crença, a partir da qual a nova realidade irá passar a girar? É a estima! O sentido que têm da estimativa valorativa de vós próprios. O vosso sentido de estima é o que motiva essas escolhas e essas crenças, que desse modo fazem brotar a mudança. É a estima que lhes concede a disposição para compreender, para explorar, e para mudar. Não para se cultivarem somente, mas também para mudarem em meio a esse crescimento.

A terceira razão por que a estima é tão crítica: Quando observam para a condição humana, vêm-se forçados, quer queiram quer não, a admitir que, de entre os distintos reinos, são em variadíssimos aspectos o que menos preparado está para lidar com o vosso mundo. (Riso) Não possuem a melhor das visões nem a melhor das audições, o sentido do olfato que têm é embaraçosamente tudo menos o mais elevado, o sentido do paladar, o sentido do toque... Não são os que correm mais, não são os mais fortes, em variadíssimos aspectos encontram-se bastante mal equipados. (Riso)

Do que existe na natureza, conseguiram o ar condicionado, o aquecimento, edifícios dotados de elevadores, automóveis, comboios, aviões e todo o género de coisas; precisam de fogo, precisam de engenhocas, precisam de todo o tipo de... (riso) para poderem subsistir no vosso mundo. Sem todas essas conveniências sentir-se-iam bastante perdidos.

Que será que os distingue, que será realmente - a capacidade que têm de criar edifícios? Não. É a capacidade que têm de sobreviver, que se baseia na capacidade que têm de pensar e de sentir, assim como de fazer algo com esses pensamentos e com esses sentimentos. A capacidade que têm de raciocinar, a qual consta de pegar nos pensamentos e nos sentimentos e de os reunir de tal forma que criem algo que seja mais do que qualquer deles – uma razão! Embora não consigam correr mais, nem ver mais longe, nem cheirar melhor nem ter o melhor dos paladares, nem ser os mais fortes, nem os mais astutos, isto e mais aquilo, vós podeis raciocinar, e desse modo exercer domínio; alguns assumirão isso como o acto de dominar, mas representa um domínio sobre os diferentes reinos.

Para poderem pensar e sentir de uma forma produtiva, e de uma forma progressiva, torna-se importante que sejam capazes de apurar o impacto que causam, e sentir-vos motivados a proceder com base numa autoavaliação, e a ter um sentido de valor. A estima fornece esse melhoramento, essa motivação e esse valor.

E por fim, sugeriríamos que a autoestima é crítica, devido a que todo e qualquer poder que tenham, todo o poder que têm enquanto seres humanos, enquanto seres humanos únicos em meio à humanidade, se baseia e procede da avaliação que fazem de vós próprios, da estimativa que fazem daquele que são. A disposição (vontade) e a capacidade de agir procedem da estima que tiverem. Se não tivessem autoestima, não cresceriam; as crenças e as escolhas que formulassem estagnariam, ou então substitui-las-iam pelas dos outros; contrair-se-iam à sombra da existência e abdicariam e tornar-se-iam impotentes. Sem estima não sobreviveriam, de uma forma que é muito mais válida do que a simples constatação de se encontrarem vivos ou mortos. Porquanto quer o corpo sobreviva ou não sem estima, vocês não se sentem aptos para viver, nem se sentem aptos para existir, e esse sentimento, esse pensamento, essa crença, essa atitude no final de contas reflectir-se-á na vossa realidade.

Vocês poderão possuir um corpo, e passar pelos movimentos da vida, mas se não se sentirem aptos a viver, se não se sentirem aptos para estar vivos, se não se sentirem aptos a ter uma realidade, então essa experiência talvez se venha a revelar muito pior do que qualquer coisa que consigam conjurar em relação à morte. Ter um sentido de estima é essencial – mas não só para permanecerem vivos. É essencial à existência tanto com corpo como sem corpo. É essencial à existência.

Então, que será, hem? Que coisa será essa da estima? Bom, a estima é muito simplesmente a avaliação, a estimativa que aferem de vós próprios. A apreciação de vós próprios. A estima é um juízo de valor que fazem e para o que estão aqui para fazer. A estima representa o amor que ganham, ao contrário do amor que tendes por vós próprios, que é amor que é óbvio. O amor-próprio obviamente é crítico, mas também o é o amor que obtêm, com base no qual se avaliam, se estimam, se apreciam a vós próprios e ao mérito (dignidade) ao valor que têm, ao direito que têm de existir. É isso que representa a estima.

Mas para a colocarem em termos mais práticos, para a apresentarem numa definição proveitosa, sugeriríamos que a estima é composta de vários componentes independentes, cada um dos quais possui mérito próprio, cada um dos quais é importante por si só. Mas quando combinam esses ingredientes auto merecidos particulares, essa combinação vai produzir uma transmutação e uma transformação que é a vossa estima ou é a autoestima. Quando esses componentes se reúnem e se misturam e combinam, a partir dessa energia e alquimia e mistério e da magia que produzem, emerge algo que é a vossa estima, a avaliação e a apreciação, o juízo de valor que fazem de vós próprios - a vossa estima.

Assim, que componentes serão esses?

O primeiro componente, tem a palavra de ordem da determinação. O primeiro ingrediente da autoestima é a determinação para serem poderosos. Esse é um conceito importante para se deterem por um instante a considerar. Não é:

“Determinação para se tornarem poderosos, aí está. Que é que se segue?”

É deter-vos e considerar isso por um instante. É a determinação que forjam no sentido de se tornarem poderosos e não o poder em si próprio; é a determinação que conseguirem no sentido:

“Eu estou disposto a agir. E eu sou capaz de agir na minha realidade.”

“Independentemente do que estiver a acontecer, independentemente das circunstâncias particulares, independentemente da tragédia ou do terror ou da maravilha que tenha tido lugar esta tarde, eu estou determinado a ter vontade para agir, a ter a capacidade de agir. Estou determinado a tornar-me poderoso, não obstante aquilo que a realidade disser. Não importa o quão ruim isso se torne, ainda assim estou determinado a tornar-me poderoso.”

Mas, mais assustador para muitos de vós:

“Não importa o quão boa a realidade se torne, ainda assim sinto-me determinado a tornar-me poderoso.”

Por muitos de vocês se sentirem dispostos a tornar-se poderosos e dispostos a agir e mesmo a ter a capacidade de o fazer quando a realidade se encontra numa confusão, mas assim que se começa a endireitar, aí retraem-se nessa vossa determinação; podem não se retrair em relação ao poder, mas retraem-se em relação à determinação para serem poderosos:

“Bom, não preciso mais ser poderoso, não estou mais disposto a tornar-me... sei lá que mais.”

Assim, o primeiro ingrediente não é o facto de serem poderosos, mas o de estar determinados a ser poderosos, e essa distinção torna-se importante.

O segundo componente: a palavra de ordem em que assenta é a emancipação. A capacidade de sentir e de pensar:

“Isto de novo? Ah então está bem, não tem problema...Eu penso e sinto...”

É claro que o fazem, mas em que consistirá a capacidade que têm de pensar? Não é só a pontuação que obtêm quanto ao quociente de inteligência, nem o tipo de notas que conseguem na escola, porque essas por vezes representam os últimos componentes que determinam a capacidade que têm de pensar. Frequentemente, tudo quanto determinam é a capacidade de seguir regras, de saber aquilo que o professor quer escutar, de ser capaz de repetir de volta o que lhes foi dito. Por vezes, não têm nada que ver com a capacidade de pensar.

Quão capazes de pensar serão vocês? Quanto tempo devotam à prática do pensar?

“Ora, eu simplesmente faço-o, não é?”

Olham para os atletas... mas as vossas olimpíadas ainda só aconteceram há pouco tempo... Quer dizer, qualquer pessoa é capaz de deslizar colina abaixo num trenó (riso) o que quer dizer que saem disparados nos esquis e veem-se obrigados a ir até ao fim (riso). E no Verão, toda a gente é capaz de caminhar e de correr, em maior ou menor medida. E se por uma razão qualquer não conseguirem, haverá com certeza outras coisas que serão capazes de fazer, mas olhem para eles: eles praticam tanto, não é? Obviamente que são funções que todos conseguem empreender, e é isso que os distingue, e a razão por que honram qualquer dos títulos em que o conseguem.

Mas, e que tal pensar?

“Claro, eu já faço isso.”

Praticam? Exercitam o pensar? Satisfazem as preliminares (os exercícios de aquecimento)? Alongam a capacidade que têm de pensar? Aferirão o pensar que fizeram hoje em comparação com o de ontem? Tentarão conseguir pensar mais, ou com mais clareza, ou de forma mais efectiva, mais potente? Exercitarão, desenvolverão a perícia que têm de pensar? Ou assumem como dado adquirido que seja automático?

“Bom, eu frequentei a escola para aprender a pensar!”

Oh, se fosse só isso que tivessem aprendido já teria sido maravilhoso, não? (Riso) Chegarão mesmo a pensar? E conseguirão aferir o vosso pensar? Serão um bom pensador, um pensador rápido? Serão um pensador lento, um pensador dotado de objectividade, um pensador concentrado? Que tipo de pensador serão? E quanto pensam realmente? E do mesmo modo, em relação ao sentir:

“Ah, sim, toda a gente sente.”

Mas quão bem o conseguirão vocês? Quantos de vós desenvolveram a capacidade de sentir de uma maneira poderosa, profunda, rápida? Quantas vezes passam dias inteiros:

“Eu sei que estou a pensar e a sentir algo, mas não sei o que seja. Não sei que sentimento estranho seja este.”

Que é que estás a sentir?

“Não sei, só sei que me sinto mais ou menos, oh....” (Riso) “Seja o que for, quem me dera que parasse.” (Riso)

Que capacidade terão realmente vocês de sentir, de identificar a emoção, e em seguida de fazer algo com ela? De a sentir intensamente? Um dos maiores obstáculos que muita gente – não toda, mas muita gente – tem é medo da intensidade das emoções que sente. Por conseguinte, toda a gente sente, mas certa gente fá-lo de uma forma bastante inadequada. Isso só para falar no pensar pela rama; quando é que ele atinge a profundidade de um sentimento? Sem dúvida que a sociedade os desencoraja, em particular em relação a determinadas emoções que julga negativas e más e antissociais, ao lhes dizer que não as devem sentir em profundidade. Mas mesmo aquelas que a sociedade lhes concede permissão para sentir em profundidade, gostaríamos de sugerir que a emoção que frequentemente é sentida de forma mais superficial é o amor.

É reconhecido que a vossa sociedade lhes diz para não sentirem raiva com intensidade; para não sentirem mágoa com intensidade; para não sentirem depressão com intensidade:

“Cruz-credo, não façam isso!”

Mas mesmo a sociedade os encoraja a sentir um pouco de amor, e nós gostaríamos de sugerir que ironicamente, a emoção mais assustadora seja justamente o amor. Pensam ter medo da raiva, o que é facto reconhecido, e alguns de vocês exclamam: “Aaah!” Mas nem metade se deixa aterrorizar pela raiva como se deixa aterrorizar pelo amor. Fogem do amor muito mais do que fogem da raiva, senão olhem as guerras que travam no vosso mundo! O que apavora as pessoas não é a guerra, mas a paz! Com a guerra, são eles capazes de lidar, não é? Já em relação à raiva:

“Olha, podes passar a dominar isso!”

Mas, e em relação ao amor? Sentis-vos desconfiados:

“Do que é que andarão verdadeiramente atrás, com aquilo? (Riso) Falam em amor, mas de que é que andam verdadeiramente atrás? Quem é que andam a tentar controlar?” (Riso)

Alguns de vós sentem-se aterrados com as emoções que a vossa sociedade lhes permite e os encoraja a sentir. Quão bem se saem nisso? Que habilidade terão para as sentir? Quão capazes serão de sentir? Contornarão as emoções, ou ficarão pendurados pelas bordas das emoções? Ou mergulharão nelas com algum tipo de profundidade, algum tipo de coragem, algum tipo de orientação? Que capacidade terão de sentir? E de a praticar? Dispensam algum tempo ao dia e dizem:

“Agora vou sentir”?

Não, a maioria de vós não o faz. A maioria de vós não tem tempo.

“Posso lavar o carro, posso limpar a casa, posso fazer uma série de coisas mas não gastarei tempo nenhum a... Está a passar qualquer coisa na TV, não sei...”

Que estás a fazer?

“Esta noite vou praticar o pensar!” (Riso)

Que é que vais mesmo fazer? (Mais riso) Não me venhas com essa pobre desculpa. Que é que se passa?

O segundo componente da estima é a capacidade que têm de pensar e de sentir. E isso envolve prática, e exercício, e alcance.

Mesmo enquanto assistem à televisão, que é que aquele espectáculo os leva a pensar? Alguma vez se detêm e chegam a pensar naquilo que estão a assistir na televisão? Que é que os leva a sentir, que sentimentos suscitará em vós? Mesmo que seja um espectáculo pobre, por ainda assim poder produzir sentimentos e pensamentos. Mas com base nesses pensamentos e sentimentos vocês podem crescer. E aqueles que são capazes de pensar e de sentir, ainda que estejam a assistir a alguma idiotice na televisão, conseguirão algo disso, não? E os que não desenvolvem a capacidade de pensar e de sentir podem assistir ao mais profundo programa de TV ou de cinema ou ler o livro mais profundo, e o teor disso escapar-lhes, por não terem uma capacidade bem desenvolvida de pensar ou de sentir.

É tão automático, entendem, que chegam a presumir que toda a gente possa consegui-lo – e pode! Só que, de que forma?

“Bom, agora não vais querer julgar ninguém, não é?”

Não estamos a falar em ser crítico, mas de auto-avaliação, por estarem a avaliar-se a si próprios, entendem? Podem não ter pensado nisso antes de o mencionarmos; podem não ter sido capazes de fornecer a vós próprios uma nota, mas classificaram-se; têm vindo a permanecer aí com a vossa placa figurada a avaliar e a apreciar, a estabelecer uma estimativa da capacidade que têm de pensar e da capacidade que têm de sentir. E esse componente faz parte da vossa autoestima.

Só por olharem para o lado, só por causa de não lerem a linha de fundo dessa avaliação não quer dizer que não esteja activa, e tampouco significa que não os afecte, ao influencie toda a ideia e toda a sensação, toda a reacção emocional que têm.

Parte de todo o ar que respiram e de todo o fragmento de realidade que produzem, a capacidade que têm de pensar e de sentir... (O resto da frase não ficou registada)

Em terceiro lugar, para o terceiro componente da estima, a palavra de ordem é avaliação. A avaliação do vosso carácter. Oh, mais uma palavra, impopular! (Riso) Tão fora de moda! Carácter? Bla!

A estima constitui uma avaliação do vosso carácter. Bom, já falamos disso, mas que coisa será o carácter? O carácter é composto de vários componentes, o primeiro dos quais são os ideais, ou ideal no singular - não ideias mas os ideais que têm. Aquelas essências, aquelas energias, aquelas coisas que buscam com conhecimento de jamais chegarem a conseguir alcançar na totalidade. A honestidade é um ideal, a verdade é outro ideal, a criatividade é um ideal, o amor incondicional é um ideal – algo que podem buscar e perseguir e por que podem expandir-se, com noção plena de jamais o alcançarem na totalidade; compreendem retalhos e partes e obtêm uma maior compreensão disso mas jamais chegarão a obter isso na totalidade. Mas ainda assim buscam-no. Um ideal é algo por que se expandem, algo que tentam entender, algo que tentam alcançar com consciência de jamais chegarem a alcançar, mas em função do que s tornarão mais, por se expandirem. Amor incondicional é algo que na forma física jamais chegarão a realizar, mas por tentarem compreendê-lo e obtê-lo, tornam-se em mais dele; tornam-se mais.

Os ideais são uma coisa importante de possuir, porque com esses ideais estabelecem determinados princípios, certos limites, certas coisas que farão e certas coisas que deixarão de fazer; certos níveis abaixo dos quais não afundarão e certas actividades além das quais não tomarão parte. Princípios – os limites positivos da vossa identidade.

O carácter? Constitui a frequência com que implementam os princípios que defendem. A pessoa de carácter, é capaz de identificar princípios, é capaz de definir princípios e de lhes aderir; de reger a sua vida por eles. É capaz de funcionar dentro dos seus limites. Uma pessoa dotada de um fraco carácter, pode ou não identificar princípios, pode ou não ser capaz de definir princípios, mas quer os defina ou não, muito poucas vezes os aplicará. Uma pessoa sem carácter, pode ter ideais e princípios, mas nunca chega a aplicá-los.

Obviamente se não tiverem definido os vossos ideais e estipulado os vossos princípios, muito difícil se lhes tornará estimar, avaliar, fazer uma apreciação do carácter que têm. Só que farão isso de qualquer jeito. E isso representa a base da vossa estima.

Princípios – posso defender o ideal de amar de uma forma incondicional, e posso defender o princípio da sinceridade, e posso defender o princípio da gentileza, e o princípio do jogo limpo ou da justiça, ou o princípio da divulgação, ou um princípio relativo à intimidade, porém, se jamais aplicar esses princípios, e disser a verdade apenas somente quando me for conveniente, e se só for sincero quando for em minha própria vantagem, e somente mostrar interesse e quando alguém estiver a presenciar, e só me mostrar íntimo quando isso se prestar às minhas necessidades particulares, e só me abrir à divulgação quando isso se mostrar favorável, poderei ter ideais belos e sublimes, poderão defender princípios belos e sublimes mas não terão qualquer carácter. Terão falta de carácter.

A avaliação do carácter que têm é um ingrediente do vosso respeito próprio. E no vosso mundo político de hoje, uma das linhas de fundo desta campanha presidencial - se é que chega a ser tal coisa! – assenta em: “Onde está o carácter?” (Riso) Têm muitos políticos que professam ideais, ideais esse que podem prevalecer ou mudar com frequência diária, mas que pelo menos defendem ideais, e eles falam desses princípios que defendem, mas em que medida os implementam? Não existe uma liderança clara, não existe um carisma evidente. É uma campanha de carácter, e vós estais a criar a realidade dela, por ser altura de VOCÊS velarem pelo VOSSO carácter. E pela VOSSA própria estima!

Neste fim-de-semana vamos tratar das forças ocultas; já falamos dos poderes manifestos, dos poderes secretos, dos poderes subtis; vamos tratar dos poderes ocultos, e desta vez vamos tratar em profundidade dessa questão do carácter, mas na falta de melhor, vamos avaliar, estimar, fazer um cálculo desses ideais e princípios, assim como da frequência da aplicação desses ideais e princípios - assim como da frequência com que são aplicados! - o que representa a base, uma das bases primordiais da autoestima. Este é o terceiro componente.

O quarto componente do que compreende a estima, consta de uma disposição e de um desejo de buscar compreensão e significado, e de admitir percepção e concepção. É uma vontade e um desejo de busca – o que implica uma certa assertividade, uma certa acção, uma certa dinâmica – de sentido e de entendimento. E de permissão – o que já é mais passivo – percepção e concepção; conceber algo novo. Quão dispostos estareis vós a buscar compreensão? Quanta vontade terão de permitir percepção? Quão intensos serão a vossa vontade e desejo; como desejarão chegar realmente a compreender e a descobrir o sentido de algo? Quanto de verdade desejarão chegar a abrir-se e a perceber e a conceber algo novo? É isso que valorizam; é isso que estipulam; é isso que estimam e apreciam em vós próprios, com base na vontade e no desejo que têm. Esse é o quarto componente da estima.

Conforme tem início na determinação, na capacitação e na avaliação, até chegar ao quarto componente do desejo e da vontade, os restantes três componentes são, a seu modo, imagens espelhadas dos primeiros três. De modo que o quinto componente consta igualmente de uma avaliação. É a avaliação da acção baseada num princípio, ao contrário da acção baseada no expediente. As acções que tomam – que será que as motiva? Serão as vossas acções motivadas com base nos vossos princípios da sinceridade, do interesse, da intimidade, da integridade, tudo? Ou serão as vossas acções motivadas com base no puro expediente?

“O que quer que resulte, o que quer que saiba bem, o que parecer mais fácil de fazer neste exacto momento, o que quer que sirva para eu me poder safar. O que quer que me garanta uma vantagem manipulativa. O que me satisfizer os interesses pessoais óbvios ou dissimulados.”

E a avaliação, a estimativa que fazem dos princípios que têm com base nas acções, ao contrário doa actos que praticam com base no expediente, é o que determinam como base da estima. Avaliação: uma acção baseada num princípio ou num expediente. Representa a vossa autoestima.

Sexto: a emancipação, de novo. A capacidade de integrar pensamento e sentimento. A capacidade de integrarem os pensamentos e os sentimentos que têm, representa o sexto componente da vossa autoestima. Se acordarem a meio da noite, e escutarem alguém no piso inferior, ou numa outra parte da casa, irão sentir-vos assustados, e poderão mesmo ficar aterrados. Porém, se acordarem assustados ou aterrados a meio da noite isso não quer dizer que alguém se encontre na sala de estar.

Se alguém lhes ofender os sentimentos, irão sentir-se ofendidos; mas se se sentirem magoados, isso não quererá necessariamente dizer que alguém lhes tenha ofendido os sentimentos. Se alguém cometer algum acto de falsidade, por trás das vossas costas, isso irá deixar-vos irritados; mas se se sentirem irritados isso não quer necessariamente dizer que alguém tenha cometido algum acto de falsidade convosco, por trás das vossas costas. O facto de sentirem uma coisa qualquer, nem sempre quer dizer que tenha algum facto por base. Por vezes têm sentimentos – sim, isso envolve o pensar, mas não necessariamente o pensar correcto – e todos os sentimentos são legítimos pelo facto de os sentirem. Mas o facto de não serem todos legitimados por não soarem a facto, e de serem produzidos pelo pensar, é exacto. Por conseguinte, o facto de se sentirem magoados não quer dizer que alguém os tenha ofendido; o facto de se sentirem assustados não significa que haja alguma coisa que os assuste. Mas afirmar que os não sentem seria erróneo – vocês sentem-no! Só que porventura por nenhuma razão lógica ou válida.

Pensar e sentir – só que precisam integrá-los. Há uma afirmação popular e errónea que está associada ou que é utilizado na crítica à Nova Era, que é empregue por um grupo de pessoas que defende: “Se os fizer sentir bem, então façam-no!” Só que isso não chega a ser verdade. Não chegam a viver a vossa vida com base no sentir. Integram aquilo que sentem no que pensam, e combinam o pensar e o sentir e trabalham isso em conjunto, para chegarem a obter acção e avaliação dessa acção.

Quão eficazes conseguirão vós ser na integração disso? Estarão bem, conquanto não sintam coisa alguma? Mas assim que surgir um sentimento, vocês:

“É isso! Não vou tomar mais decisão nenhuma nem pensar coisa nenhuma. Estou terminado; não consigo acabar o meu trabalho nem fazer coisa nenhuma.”

Quantas vezes, no trabalho têm as coisas todas alinhavadas e alguém lhes ofende os sentimentos, e vós:

“Era isso que me faltava! Está terminado por hoje! Não consigo fazer mais nada.”

“Era suposto ir almoçar com aquela pessoa e ela não apareceu, e eu fiquei magoado, pelo que o resto do dia foi uma ruína. Mas não compreende? Eu tenho sentimentos!” (Riso)

E depois? Que é que fazes com esses sentimentos?

“Deixo que me governem a vida, e que me arruínem o dia.”

Esses são pensamentos e sentimentos não integrados.

“Mas eu posso trabalhar ao contrário. Eu pensei isto, pensei aquilo...”

Mas, e que foi que sentiste?

“Isso não importa. Eu pensei isto e aquilo...”

Quando tentam separar os pensamentos dos sentimentos não os estão a integrar. E a vossa estima despenca. E é por isso que discordamos em especial dos aficionados, sejam de que filosofia for, que dizem para não pensarem, mas sentirem somente.

“Deixa-te levar pelos sentimentos; não penses nisso. Se procederem do teu coração não penses. Actua totalmente com base no sentir e sê espontâneo...”

E não tenham estima nenhuma! E por fim decidam que não estão por completo aptos para existir!

Integrem – é isso que nós sugerimos. Pensem, absolutamente! E sentam, por certo! Mas reúnam-nos! E estabeleçam as vossas crenças e as vossas atitudes e as escolhas e as decisões que tomam com base na integração do que sentem e do que pensam.

“Ah, não sejas tão intelectual, não sejas tão intelectual: sente unicamente.”

Façam ambas as coisas!

Por que tem que se privilegiar mais uma que a outra? Devido à regra da simplicidade a todo o custo! Por ser mais simples dizer:

“Se ser por completo intelectual é errado, então sejamos unicamente emotivos,”

Em vez de dizerem:

“Vamos reunir ambos esses aspectos, vamos integrá-los; vamos deixar que a vida seja um pouco mais complexa do que os legos do jardim-de-infância.”

Integração – a capacidade que têm de integrar os vossos sentimentos e os vossos pensamentos!

E por fim, tal como a primeira consta da determinação, também a última questão ligada à estima consta da determinação, da determinação de não se encontrarem impotentes, independentemente do que tiver lugar na vossa vida, independentemente do quão desolador possa parecer de um instante ao seguinte:

“Eu estou determinado a não me sentir desamparado! Eu não sou impotente; posso pedir socorro, posso actuar por mim próprio, e posso trabalhar para mim mesmo e para os outros. Mas não estou impotente!”

A determinação do “Eu não sou impotente,” a determinação do: “Eu posso sempre descobrir uma solução,” mesmo que não consigam ver tal solução, mesmo que no exacto momento não consigam entender o que possivelmente possa compreender:

“Eu estou determinado a descobrir uma solução, onde uma puder ser descoberta, e se não o conseguir por mim próprio, posso encontrar ajuda! Mas estou determinado!”

Esses são os sete componentes – todos os sete, desde a determinação inicial até à determinação final, passando pela capacitação e pela avaliação e pela disposição e pelo desejo de buscar compreensão e permissão para admitir a percepção. Esses são os componentes, cada um dos quais prevalece sozinho e com mérito. E quando os combinam e juntam ocorre uma transmutação e uma transformação, a partir do que emerge a vossa estima, a apreciação, a avaliação e estimativa que fazem de vós próprios, a apreciação da vossa aptidão para existir, da vossa adequação para viver, da capacidade que têm de ser poderosos, repletos de ideias e de sentimentos, dotados de carácter, compreensão e de entendimento, de acção baseada em princípios, integração do pensamento e do sentimento; e de permanecerem no comando da vossa realidade.

É isso que a estima envolve. Uma avaliação desses componentes. Mas a questão está em que jamais lhe escapam, entendem? Jamais lhe escapam! Mesmo que não saibam disso, mesmo que todos esses sete componentes sejam completamente novos para vós – que não são! (riso) – apesar de, no começo desta conversa não terem sido capazes de dizer: “A estima é isto,” quando vo-la explicamos, vocês:

“Mas é claro que sim, isso faz todo o sentido, ah, sim, absolutamente.”

Muito embora ignorem, muito embora finjam não saber, mesmo que não tenham conhecido esses componentes, têm vindo a utilizá-los para se avaliarem o tempo todo – e a “marcar pontos,” muito por baixo!

Haverão de buscar sempre a estima. Estes são os componentes da autoestima. Se não buscarem a autoestima, haverão de buscar uma falsa estima – mas procurarão obter estima, hão-de de proceder à avaliação, hão-de estabelecer a apreciação, hão-de completar a estimativa, quer com base na autoestima que nós esboçamos, ou na falsa estima – que vamos agora passar a examinar.

Se não utilizarem estes componentes que esboçamos, não irão desenvolver a autoestima e desse modo irão estabelecer ou buscar a falsa estima.

FALSO SENTIDO DE ESTIMA

Falsa estima! E há quatro diferentes formas por que buscarão a falsa estima:

A primeira é por intermédio da repressão – reprimindo os pensamentos e os sentimentos que têm e procedendo à elaboração de escolhas com base no medo. Motivando-se a vós próprios por meio do medo em vez de se motivarem pelo crescimento, fazendo as coisas não por que queiram faze-las, mas por temer deixar de as fazer:

“Por que razão venho assistir a um seminário subordinado ao tema da autoestima? Será por temer perder alguma coisa? Por temer que os meus amigos pensem isto ou aquilo? Por temer ser deixado de lado? Será por ter medo disso, ou será por querer aprender, por querer crescer, por querer complementar aquilo que sou?”

Ambas as formas de motivação os conduzirão aqui, mas uma procede de uma escolha com base no medo do que começarão a fazer quando reprimem os pensamentos ou reprimem os sentimentos, quando andam em busca da falsa estima. Por que irão a uma festa na sexta à noite? Por temerem ficar sozinhos, ou por terem medo de ser deixados de fora, ou por que querem comparecer? Por que razão não irão à festa de sexta-feira à noite? Por temerem ser vistos lá e as pessoas pensarem mal de vós? Por terem medo de não ser a coisa mais metafísica a fazer? Ou por outra razão qualquer?

Uma forma de buscarem a falsa estima é suprimindo “todos” os pensamentos e sentimentos que têm, e começando a promover escolhas motivadas pelo medo, motivando-se com base no medo do que possa suceder caso não o façam. Por que razão ajudarão a velhinha a atravessar a estrada? Por medo do que os outros pensarão de vós, caso não o façam? Ou com base num pensamento ou sentimento genuínos? Vejam bem, se eu suprimir os pensamentos e os sentimentos que me acometem, então tenho que estar a motivar-me com base no medo. Essa é a primeira forma por que buscam a falsa estima.

A segunda maneira, que é a mais frequente, é desvalorizando os vossos recursos. Minimizando as escolhas que promovem e toda a decisão que tomam – seja como for, elas não têm importância.

“Escolhe, escolhe, escolhe, que não vai servir para nada. O que tiver que acontecer acontecerá, e não o podemos impedir! É o poder daqueles de Washington ou de Nova Iorque, ou do Cartel não sei bem do quê, etc., é a conspiração, é a Vontade de Deus, algo para além do vosso controlo, é a Depuração; não temos escolha! A nossa decisão não tem peso! Sentimentos? Mãe do céu! Sintam tudo quanto quiserem que não vai adiantar nada! Ideias? Que bem é que isso lhes irá trazer? Só os vai deixar transtornados. Só os deprime e deixa frustrados! Atitudes? Crenças? Que é que isso vai adiantar? Acreditem em tudo quanto quiserem – não passa de contos de fadas, não é? A vida é como é, ponto final! Não o podemos evitar! Não pensem nem sintam, não elaborem escolhas nem decisões; esquecei as atitudes e as crenças, que tudo vai acontecer conforme tiver que acontecer, já temos o destino marcado.” (Riso)

Minimizar os vossos recursos não lhes vai adiantar nada. Mas tristemente, muitos no movimento do potencial humano, muitos do movimento metafísico que alegam ser espirituais desencorajam a desvalorização. Grande parte dos que apelam à apreensão baseados nas advertências da perdição e do desastre já não têm mais escolha.

“Não podemos tomar uma decisão – quero dizer, podemos optar por viver aqui ou acolá, mas não temos escolha quanto à possibilidade de um terramoto suceder, não temos escolha quanto à possibilidade de se abater sobre nós uma seca, não temos qualquer autoridade na tomada de decisões; o que pensamos ou o que sentimos não tem qualquer importância relativamente a isso; (...) é por isso que é mais sensato dizer a verdade de que isso não tem importância. Atitude? Crença? Bom, isso está tudo bem em relação às pequenas coisas inconsequentes; para as alturas em que tentamos descobrir o que vamos vestir para o desastre, mas não é... (riso) mas não vai afectar o desastre!”

A falsa estima provém da vossa capacidade – da capacidade que têm – para cinicamente desvalorizarem os vossos recursos. Muitos dos que criticam este novo campo que agora denominam Nova Era como um tema genérico, e incluem tudo quanto não compreendem sob esse rótulo, são mestres na desvalorização dos recursos que lhes assistem. Riem na vossa cara por pensarem:

“Eles pensam tal como sentem; fará isso alguma diferença? Mas não é aquilo que sentimos, mas aqueles que conhecemos, em Washington, que importa, não é? É este poder de corretagem. Podem ficar sentados e adoptar toda a filosofia que quiserem, que isso não vai acrescentar nada. O que tem importância são aqueles que se acham no controlo, onde quer que estejam. O “eles” em tamanho garrafal!”

Com isso surge não só a desvalorização dos vossos recursos, como a redução dos vossos valores:

“Eu não entendo por que razão não entrei na “dança”; eu chego a tempo e horas ao trabalho, todos os dias! A minha secretária está impecável.”

Valores inferiores. Não importa que desempenho demonstrem no trabalho:

“Olha, eu pico o cartão a horas, faço os meus intervalos para o lanche sem nunca ficar até tarde, sigo as regras todas...”

Baixo sentido de valor! Avaliar-se a si mesmos pelo facto de serem pontuais, e de aparecerem a tempo, e de serem educados e dizerem “por favor” e “obrigado.”

“Eu servi o vinho correcto, por isso... Eu não tenho valores que brotem de princípios e de ideais; tenho valores de pontualidade e resultantes da utilização do talher adequado quando como, e de maneiras corteses, e da manutenção das minhas dependências.”

Esse tipo de valores que subitamente se tornam de importância crítica e crucial:

“Eu sou uma pessoa formidável por ter reduzido os meus valores.”

E que aí acontece é que:

“A certa altura eu possuía valores até à ponta dos cabelos; valores de qualidades. Mas eu estava por baixo, na avaliação que fazia de mim mesmo, de modo que o que fiz foi reduzir os meus valores. Reduzi-os e reduzi-os e reduzi-os, e agora vejam o quanto eu evoluí. (Riso) Vejam o quanto evoluí! A certa altura a qualidade da minha vida pode ter tido importância; agora tudo quanto importa é a quantidade - agora que o meu quarto está limpo, agora que chego a horas, agora que utilizo os modos adequados, agora que já li três dos livros mais vendidos – é suficiente.”

Reduzir os valores é a segunda maneira. Combinado com a desvalorização dos vossos recursos, por buscarem a falsa estima. Uma falsa avaliação, uma falsa apreciação.

A terceira maneira, consta da busca da estima por intermédio da aspiração e da intenção. Essa é uma maneira muito popular.

“Sempre que tenho um tempinho para mim, faço planos para ler Voltaire. (Riso) Serei esperto? Eu faço intenção de ler Voltaire! Que é que fazes intenção de ler?” (Riso)

“Eu faço intenções de ler Nietzsche.” (Riso)

“Uau! Bom, eu faço intenções disso e sinto apreço por mim por causa dessa intenção. Eu faço intenções de inventar qualquer coisa que resolva os problemas de energia do mundo. Não sou impressionante? (Riso) Caramba, sou uma pessoa valiosa! Devia receber um tratamento especial só por isso! Eu faço intenções de fazer alguma coisa incrível um dia destes! Eu pretendo mudar o mundo; eu faço intenções disto e de mais aquilo. Tenho intenções a sair-me pelos ouvidos!”

E avaliam-se a si próprios com base na falsidade dessa intenção.

Ou então da busca de estima por intermédio das aspirações:

“Eu aspiro a ser o maior nisto ou naquilo, e como tal quero receber os créditos disso agora. Eu sou uma pessoa fantástica por aspirar à grandeza. Eu devia receber privilégios especiais por aspirar a tal coisa. Um belo dia destes eu vou tornar-me nisto (...) de modo que quero a recompensa disso, os benefícios disso já. Bom, não fazia intenções de te ferir a susceptibilidade, mas é engraçado como ainda dói! Quero dizer, não fazia intenções de que tal coisa terrível te acontecesse, pelo que não tenho que ser apontado como responsável, por ter a intenção de que corresse bem; não fazia intenções de que descobrisses, por isso não importa que tenha pregado uma mentira, não é? Não fazia intenções de receber uma reacção da tua parte por te ter traído a confiança, mas também não tem importância o facto de o ter feito ou deixado de fazer, não é? Não fazia intenções de “pegar fogo à coisa!” Assim, não tenho que ser apontado como responsável por isso.”

Uma das formas aspiração favoritas é a de alguém que vem junto de vós e lhes pede cem dólares emprestados:

“Não. Se eu tivesse, emprestava-tos (riso). Se eu tivesse tal quantia, nem sequer precisavas pedir! (Riso) Nem tampouco esperaria que mos devolvesses! Devias fazer, pelo menos, parte daquilo que aspiro fazer.”

E muitas vezes acabam sentindo-se culpados, pelo que:

“Caramba, se eu tivesse o que tu tens eu partilharia isso comigo, pelo que tu também devias partilhar!”

Mas essa é precisamente a razão por que não têm! Porque não o fariam, caso tivessem, e jamais submetem isso à experiência - jamais!

Ou com base nas aspirações:

“Eu dar-te-ia metade de tudo quanto tenho!”

Por isso, muitos de vós, em particular neste mundo em que tanta coisa acontece em termos de empreendimentos, actividade empreendedora, etc.

“Eu tenho a intenção de financiar o teu projecto, pelo que espero todas as recompensas e tratamento especial, e se te tratar miseravelmente terás que me tolerar por ter essa intenção.”

Só que muitas vezes essas intenções são ocas e jamais chegam a ser satisfeitas.

“Eu intendo tratar-te dessa forma de modo que me deves tratar como eu te trataria.”

Viver com base na intenção e na aspiração, constitui uma fonte muito frequente de falsa estima!

E a última e mais frequente maneira, claro está, é a validação externa. A busca da validação externa como fonte de autoestima, é devastadora!

“Eu sou estimado por ser popular, por ter a forma corporal apropriada, de acordo com os padrões da sociedade, por ser alto, por ser bonito, por ser bela, por ter o emprego adequado, por conduzir o carro acertado, por ter os rótulos correctos nas roupas que uso, por conhecer as pessoas certas, por andar em torno das pessoas certas. Eu sou maravilhoso! Pela validação externa que busco como fonte da minha autoestima! Por tu aprovares isso como fonte da minha autoestima!”

Isso representa um falso sentido de estima!

Agora, não há nada de errado em relação à validação externa, façam o favor de não nos interpretar erradamente. A validação exterior é coisa fantástica e todos vocês necessitam dela, e todos andam em buca dela – e com certeza que deviam andar – só que não como fonte de autoestima! Como fonte de um parecer, como uma fonte de receita, como uma fonte de avaliação, absolutamente. Mas como fonte de estima? Não!

Muitas das vossas carreiras dependem da validação externa. É o que vocês fazem; trabalham e o patrão valida isso por meio de um salário, seja com que frequência for. Mas o facto de obterem o salário não significa a vossa autoestima mas a validação externa por um trabalho bem feito.

Aqueles de vós que se acham envolvidos com um entretenimento de qualquer género, estão constantemente em busca da validação externa, como fonte de opinião, mas não de autoestima. Quando tornam isso na fonte da vossa autoestima, torna-se numa falsa estima e provoca estragos. Quando permitem que a validação externa seja aquilo que é, e uma validação externa de vós e do que estiverem a fazer - e não da vossa estima! – ela pode resultar em beleza.

Do mesmo modo, é maravilhoso ter aspirações; aqueles de vós que estão connosco sabem que falamos continuamente em sonhar, em se estenderem e em alcançarem, numa aspiração destinada a tornar-vos mais do que são, e em estender-se e alcançar, mas utilizem isso como motivação e não como autoestima.

“Eu aspiro a isto e isso motiva-me, mas não me leva a sentir estima por mim.”

E possuem intenções; claro que a intenção é incrível; obviamente que em relação a tudo quanto sucede, a intenção constitui uma parte significativa. E torna-se importante compreender sempre:

“Que intensão teria eu por detrás desta acção?”

Sim. Com o propósito de se compreenderem, com o propósito de porventura desenvolverem certas capacidades de pensar e de sentir e de integrarem esses pensamentos e sentimentos, mas não como fonte de autoestima.

Nos anos setenta, quando muitos de vós começaram a envolver-se com o movimento do potencial humano, decorria toda uma filosofia de que a intenção seria tudo.

“Tudo o que conta é a intenção que tivermos – ela é tudo!”

Uma vez mais, a simplicidade às custas da verdade. Mas, somente a intenção, sem que tenha importância o que tiverem feito, nem como tenha surgido; tudo o que era importante era a intenção que tinham. Mas isso, evidentemente, está errado. A intenção desempenha um papel, mas também precisam olhar ao que terão criado; qual era a intenção que tinham - e - que foi que criaram. E mesmo assim, a intenção pela intenção é excelente, mas em função da autoestima, representa uma falsa estima; a aspiração em função da estima constitui uma falsa estima. Aspirar e ter intenção pretende alcançar a validação pelo que são – não como uma fonte da vossa estima.

Esses são os quatro componentes que a falsa estima busca; se não estiverem em busca da autoestima andarão à procura de uma falsa estima. Não passarão sem buscar uma ou a outra. E frequentemente, quando uma está por baixo, voltar-se-ão para a outra. Frequentemente quando a estima está por baixo – quando a autoestima é baixa – voltar-se-ão para a falsa estima, para o reforço do que lhes falta. Aí está.

Quero que façam um intervalo e quero que pensem em que consiste de verdade a autoestima. Queremos que pensem nisso e que façam uma espécie de avaliação rápida, e queremos que identifiquem, por vós próprios e por mais ninguém, quais das modalidades da falsa estima usam com mais frequência. Bom, alguns de vós poderão sair para o intervalo e sentir: “Oh, meu deus, não tenho autoestima absolutamente nenhuma!” E isso poder muito bem corresponder à verdade. Mas se for verdade, admitam-no, e escutem com toda a atenção na segunda parte. Outros poderão perceber: “Tenho alguma, mas como está baixa!” Não utilizem tais introspeções como fonte de autocomiseração, mas como motivação, para fazerem alguma coisa com respeito a isso.

Ao procurarem identificar por onde se acha a vossa autoestima, muito pelo geral, queremos igualmente que façam as coisas para que os intervalos se destinam, mas pensem nestes termos, e ao identificarem, mesmo que incorrectamente, mas identificarem a vossa fonte da falsa estima, então quando retornarem, vamos olhar o que a falsa estima lhes faz, porque se identificarem, poderão identificar se andam em busca da autoestima ou da falsa estima. Depois vamos dar uma olhada no que a autoestima lhes pode fazer, por poderem identificar com mais clareza, e por fim vamos falar de como desenvolver uma sólida e real autoestima, para concluirmos tudo com uma fusão destinada a deixar tudo impecavelmente reunido na vossa mente subconsciente.

...

Fizemos uma meditação que hes falou sobretudo à mente subconsciente e à mente inconsciente, através de imagens que podem compreender e símbolos com que poderão relacionar-se. Tanto imagens como símbolos a que pode responder, e abrir a porta para poderem aproveitar-se de uma sincera autoestima, em vez de fontes falsas, que de outro modo tendem a prevalecer.

Bom, se considerarem a vossa autoestima, conforme o fizeram durante o intervalo, para apurarem aquilo de que a vossa autoestima depende, e poderem descobrir (ou tentar descobrir) o que a falsa estima significa, examinemos por um instante o que acontece quando fazem isso. O que lhes acontece quando começam a desenvolver a autoestima de uma forma errónea, quando começam a depender das fontes falsas, quando vão além das razões válidas e começam a estabelecer as razões menos válidas para se estimarem.

RESULTADOS DA FALTA DE AUTOESTIMA

Várias são as coisas que sucedem, a primeira das quais, é a de que ficam crivados do que é chamado emoções bicho-papão. As emoções bicho-papão são a ansiedade, a preocupação, a dúvida, a confusão. Dependendo da tenacidade ou vivacidade com que tentem prover essa autoestima, podem levar essas emoções bicho-papão até ao limite do psicótico e sofrer um esgotamento completo, sofrer um ataque de ansiedade, mergulhar na preocupação, ter um ataque de dúvida e de total confusão, e acabar enclausurados como psicopatas.

Ou podem simplesmente ficar inundados e agitados por essas emoções, pela ansiedade que paira, pela preocupação perpétua, pela dúvida jamais suficientemente fácil, independentemente do quanto se convencerem, e da confusão que jamais chega a terminar, da desfocagem que nunca chega a ser resolvida pela clareza.

A segunda coisam que ocorre, a par com o facto de se verem enclausurados pelas emoções bicho-papão, é procurarem insaciavelmente preencher essas falsas fontes de autoestima ao reproduzirem de uma forma insaciável os próprios pensamentos e sentimentos que têm, e tentarem substitui-los pelos das outras pessoas, ao procederem a escolhas com base no medo, a escolhas mais significativas com base no medo, maiores e mais numerosas até a vossa vida toda se tornar constantemente, e mesmo mais - insaciável. Procuram reduzir as normas e desvalorizar os recursos até se sumirem, até não lhes darem mais nenhum uso, até que eles, à semelhança do que foi mencionado, tenham sido violados.

Elevarão perpetuamente a intenção e mais aspirações, e agora não só fazem intenção de ler Voltaire como fazem intenção de ler outro grande clássico que sempre esteve presente nas noites de sexta-feira. Toda a vossa intencionalidade e aspirações precisarão ser mais e mais edificadas, e a estima, o sentido do: “Uau, não serei fantástico?” que costumava resultar disso, agora não se revela suficiente mas insaciável: “Eu tenho que ter mais,” mais aspirações, mais intenções, sem nunca terminar, e a insaciabilidade relativa à validação exterior não garante o suficiente, e em vez do: “Aprova-me,” passam a clamar por:

“Tens que me aprovar. Precisas aprovar-me; tens que o fazer! Esta quantidade de dinheiro é suficiente por hora, mas agora tem que ser mais, mais carros, um sucesso maior, mais escritórios, mais roupas, mais gente atractiva ao meu redor; melhor disto, melhor daquilo, sem fim à vista, mas em constante em crescimento sem jamais chegar a poder ser saciado nem satisfeito.”

E veem-se presos nessa corrida, ficam presos nessa corrida desenfreada, cujo grau, uma vez mais, pode ir da simples insaciabilidade à insaciabilidade psicótica, à obsessão, à dependência da validação externa sob a capa da autoestima, ao contrário do que se propõe ser. Para além de se verem presos nas emoções bicho-papão, e dessa insaciabilidade, a terceira coisa que ocorre é que acabam por se sentir impotentes, completamente impotentes. Por isso depender deles, ao passo que a vossa vida, o vosso valor, a vossa estima fica na balança. As próprias ideias e escolhas com base no medo não resultam; e se de facto os valores rebaixados não parecem resultar e parecem não lhes dar aquilo que desejam, se não os conseguirem reduzir mais atingirão os limites da redução – não podeis reduzir mais – e sentem-se impotentes!

“E se, com a intenção que as aspirações e a validação externa que de facto busco, o meu carro não pegar hoje? E se o mercado de acções sofre uma queda? E se eu for despedido? E se o conhecimento significativo que tenho não aparecer para o almoço, etc.? O meu dia sai arruinado, a minha vida sai arruinada e eu fico impotente. Tão impotente quanto dependo de ti, para me valorizares, e para me conferires valor, e para me assegurares uma razão para existir, para viver.”

A essa altura torna-se numa impotência total e a vossa vida ficará reduzida à infelicidade. Passam a levar uma vida de infelicidade, constantemente em fuga, a mostrar-se constantemente servis e constantemente à espera que outro “chute a bola.” Constantemente à espera de acordar do pesadelo; constantemente à espera. Infelicidade, em grau variado, do mais simples ao mais massivo; do desconforto até ao suicídio.

Em quinto lugar, para além da infelicidade, para além da impotência, para além da insaciabilidade, para além dos bichos-papões que são as emoções referidas, o que acaba por acontecer, é que ficam presos, ficam presos na vossa própria depressão e na vossa própria raiva, e tão furiosos por dependerem desses falsos centros que se deixam prender na vossa própria depressão e na vossa própria raiva e tornam-se amargos, ressentidos, cínicos, enclausurados na vossa raiva e depressão.

Em sexto lugar, o que acaba por lhes acontecer, é que ficam completamente exauridos, fisicamente exaustos, que num grau qualquer pode passar por cima do tipo de exaustão causado pelo vírus Epstein Barr em que literalmente não conseguem sair da cama - e certos síndromes de Epstein Barr representam um produto directo da carência de autoestima - até outros tipos de pura exaustão literal. Por se encontrarem tão cansados de fugir que isso lhes drenas as energias. Isso drena-lhes as energias!

E por fim, tornam-se por completo competitivos – em meio à exaustão que os acomete, totalmente competitivos! Por já não mais ser suficiente que os aprovem, mas precisarem aprová-los só a vós e a mais ninguém. Não é suficiente ter aspirações, as vossas aspirações têm que ser superiores às dos outros e às de toda a gente. As vossas intenções têm que ser mais limpas, melhores, mais sensatas, mais profundas do que as de toda a gente.

“Tu tens uma intenção assim? Eu tenho uma melhor! Tenho mais uma.”

Competitivos, competitivos, competitivos!

Uma competição silenciosa, do tipo mais fácil que mais frequentemente praticam. De modo que, se competirem verbalmente podem sair derrotados, não é? Assim, a competição silenciosa revela-se muito mais segura, não?

“Eu fico aqui sentado a julgar-te! Ah, eu sou mais esperto do que pensas; eu podia ter feito melhor; eu não teria feito desse jeito, mas deste jeito.”

A competir, a competir, a competir. Mas por não ser habitual, por não terem coragem de voltar as costas, por não haver nenhuma linha de chegada, não pensam ser uma pessoa competitiva, mas nós gostaríamos aqui de sugerir que quando examinarem isso nessa situação, nesse sentido, verificarão que se torna completamente competitivo. Totalmente competitivos ao tentarem competir por toda a autoestima, por nenhuma dela lhes valer de nada:

“Eu preciso obter mais,” a insaciabilidade, “mas também preciso competir para a obter. Eu tenho que ter mais do que tu.”

Um mais, que nunca acaba. E a fuga disso continua, da mínima à máxima, da perturbação à neurose e à psicose, e à destruição. Da vossa perturbação à vossa destruição, num acto contínuo.

E cada uma dessas áreas é ligeiramente diferente; cada uma das quais pode revelar-se altamente competitiva e um tanto insaciável, até terrivelmente infeliz, pode ser um pouco (ou muito de acordo com a norma) quando buscam a falsa fonte da autoestima.

E que é que acontece convosco quando a buscam de forma apropriada? Quando percebem o que estão a fazer e deixam de corrigir e dão os passos que vamos mencionar, nem que seja um pouco? O que lhes acontece nesse caso é todo o tipo de coisas espantosas, como poderão suspeitar, não?

Antes de mais, ganham a vida. Vida, conforme a nossa definição, é sentir amor, sentir confiança, sentir expectativa e entusiasmo. E quando dispõem de uma fonte válida de autoestima e tiverem medido a vossa autoestima de encontro às fontes válidas de que procede, com uma avaliação de vós próprios, ganham a vida. A vida constitui a pedra angular da saúde plena. Por conseguinte, a estima constitui a pedra angular da saúde plena. Têm defesas completas contra a doença e o contágio em vós próprios – e certamente grande parte dessas defesas estão ligadas à vontade, e ao merecimento, que por sua vez está ligada à estima.


CRIATIVIDADE

Em segundo lugar, tornam-se criativos. Descobrem que se tornam criativos – que quererá isso dizer? Que começam a cultivar e a pintar e que começam a compor música? Não! Entendam, em que consiste a criatividade? Já falamos disso não sei quantas vezes e dissemos - e certamente não o vamos voltar a fazer agora, mas sugerimos o seguinte, a título da ideia do que compreende a criatividade. A criatividade consta da produção ou do estimular a concepção e a percepção.

Quando estão a ser criativos estão a produzir ou a estimular a concepção – estão a conceber qualquer coisa nova. Não é dar à luz bebés necessariamente, mas conceber algo novo. E estão a inspirar ou a produzir percepção, ao apresentar uma visão diferente, um sentido de compreensão mais profundo, que admitem.

Quando se sentem criativos, independentemente do que seja que estejam a criar, compor uma música, escrever um livro, dançar, ou se sentam ao redor da mesa da sala a ter uma conversa casual, isso é criativo se representar uma produção e um estímulo em termos de concepção e de percepção – em vós e, ou, nos outros. Já não será criativo se não fizerem isso. Uma composição musical, um livro que tenham escrito, a fotografia que tenham tirado, o quadro que tehnam pintado não são criatividade a menos que produza e estimule concepção e percepção em vós e, ou, nos outros. E a conversa de carácter mais mundano, superficialmente falando, pode tornar-se numa incrível experiência de criatividade, caso produza e estimule essa percepção e concepção em vós.

Quando dispuserem de fontes de estima válidas descobrirão como a vossa criatividade flui, e haverão de descobrir como a vossa criatividade começa a desabrochar. Descobrir-se-ão a produzir e a estimular concepção e percepção, tanto em vós próprios como nos outros. Porventura não em toda a gente, mas nos outros.

Além disso começarão a sentir prazer, todo o tipo de prazer – descobrirão coisas que gostam de fazer e começarão a gostar das coisas que estão a fazer. Descobrirão felicidade – a satisfação das necessidades, que não é suposto terem; as necessidades são preenchidas. E descobrirão alegria – que representa a satisfação das vossas preferências, que residem para além das necessidades. E descobrirão prazer – físico, emocional, mental; todo o tipo de prazer começará a surgir na vossa vida; não por que chamem ao que quer que estiverem a fazer prazenteiro, mas por virem a descobrir que o prazer surgirá, que o prazer se fará presente.

Para além disso, a espiritualidade que têm adquirirá uma vivacidade dinâmica; o relacionamento que têm com o que chamam Deus, Deusa, Todo, comportará a qualidade de um dinamismo e tornar-se-á vivo e profundo, ao adquirir vivacidade e realismo. Não se sentarão necessariamente a conversar com Deus, mas gostaríamos de dizer que se abrirão para com o vosso Eu próprio Futuro, abrir-se-ão para com o vosso Eu próprio Superior, abrir-se-ão de forma a sentirem possuir um relacionamento vivo profundo, dinâmico, significativo. Quando têm um sentido de estima desses, quando sentirem esse sentimento legítimo de estima, essa qualidade de dinamismo far-se-á presente; não terão que fazer coisa nenhuma – ela achar-se-á presente. Alcançarão a profundidade da vossa espiritualidade, ela revelar-se-á.

O que também ocorrerá dessa forma, é que haverão de ter uma sensação de orgulho, não é? Um orgulho etiológico (causal), orgulho em função da realização, orgulho em função do valor do que tiverem feito, orgulho pelo que tiverem congregado, pelo que tiverem criado no sentido físico do mundo, tanto emocional quanto intelectualmente. E Sentirão aquela sensação de valor. Orgulho, não é? Frequentemente temem o orgulho por estarem bastante familiarizados com o orgulho negativo, com o orgulho que os separa, com o orgulho que os ajusta por baixo, com o orgulho que os leva a sentir-se arrogantes e melhores que os outros; não, não estamos a falar desse orgulho, mas do orgulho positivo da realização.

E um ponto importante; algo com que vamos trabalhar no próximo fim-de-semana, em grupo, um ponto muito importante que consta da compreensão de que o vosso ego nunca tira proveito de nada, excepto daquilo que lhe é dado. E por conseguinte:
“Por que não quero sentir orgulho? Por não me querer tornar arrogante.”
Não poderão tornar-se arrogantes a menos que atribuam o orgulho que sentem ao vosso ego negativo! O vosso ego não se pode aproveitar do vosso orgulho, nem se pode aproveitar de um valor, não pode assumir as coisas maravilhosas que fizerem. Não se pode aproveitar da sensação do fantástico que desenvolverem; precisarão dá-lo ao vosso ego. Ele não se pode assenhorar disso, e só se pode assenhorar daquilo que lhe for dado. Precisam conceder ao vosso ego esse “combustível” para que isso se torne negativo! Por isso, sentirão uma sensação sincera de orgulho, não de arrogância nem de superioridade, mas um belo orgulho inocente, vibrante e maravilhoso, que emergirá como uma nascente.
Também sentirão aquela sensação de produtividade:

“O que quer que eu faça, seja o que for, revela-me algo sobre mim próprio – o que quer que seja.”

E é nisso que consiste a produtividade.

“Fazer algo de tal forma que me leve a ficar a saber mais sobre mim próprio.”

Isso é o que acontece, é o que surgirá disso.

E por fim sentirão, sem mesmo precisarem voar, uma disposição para a aventura – para o empreendimento e para a aventura, na vossa vida. Uma vontade de alcançar novos desafios e novas oportunidades, novas oportunidades de descobrir mais sobre vós, sobre a vossa realidade e o relacionamento que têm com Deus, com a Deusa, com o Todo. Sentem essa sensação desde a vivacidade até à aventura - quando buscam uma autoestima legítima.

Assim, como é que o fazem? Que é que fazem? Bom, uma grande parte disso, é claro, consta da compreensão do que já mencionamos. Compreender, não só a palavra escrita, mas o alento do que estivemos a mencionar, a seiva do que referimos, a matéria do que foi mencionado esta noite, dar vida a isso que passaram a conhecer, entender a razão por que é tão importante ter autoestima e aquilo em que a autoestima consiste; permanecer alerta para com aquilo que não é autoestima para o que lhes pode suceder quando a não possuem e o que poderão esperar quando a têm.

Mas há quatro coisas específicas a fazer, para poderão produzir uma autoestima sincera. A primeira das quais, passa por libertarem o vosso pai, deixar que ele seja um homem, frágil, delicado e real. Não o mantenham enquanto pai. Não insistam em que corresponda a uma ideia paterna qualquer de criança, de super-homem, que deva estar presente de toda a forma, a fim de fazer com que a vossa vida funcione. Mulheres, deixem que ele seja um homem, em vez do príncipe ou do rei que seria suposto tornar-vos princesas. Deixem que ele seja simplesmente um homem, que pode não saber como amá-las; já tiveram muitos desses na vossa vida, por isso, que representará mais um? (Riso) Deixem que seja apenas um ser humano, que de algum modo não precisa fazer com que dê tudo certo, com que tudo resulte, que não tenha que as validar e de algum modo torná-las aceites.

Homens, por mais que gostem de fingir que são rudes e robustos, tantos de vós se acham magoados devido a que tenham um pai ausente, um papá que não esteve presente, emocional ou literalmente, por ter dado o fora da vossa vida e os ter obrigado a depender de falsos sentidos, desde o machismo ao chauvinismo, até àquele em que a competitividade assenta, para procurarem preencher o “buraco” cavado pela sua ausência. Ele não o vai preencher. Ele não vai regressar e fazer com que dê tudo certo. Vocês precisam soltar, abrir mão disso.

Consequentemente, como todos vocês, à vossa própria maneira, buscam a vossa própria dinâmica no vosso pai, libertem-na, ela precisa ser libertada – o que não quer dizer que precisem esquecer o homem, o que não quer dizer que tenham que fingir nunca ter tido um pai, nem precisar fingir que esteja morto caso se encontre ainda vivo, ou vivo caso se encontre morto. Tudo quanto precisam fazer é deixar que ele seja o ser humano que é; que não sabe mais do que vós como chegar a viver, e provavelmente sabe muitíssimo menos.
Deem-lhe permissão para ser falível; deem-lhe permissão para cometer erros; deem-lhe permissão para se sentir assustado, e para ser um fracasso. Deixem que não tenha importância, se for o que tiver feito. E se tiver sido um sucesso, deixem-no igualmente ser isso. Deixem unicamente que ele seja o homem que é com todas as suas virtudes e todos os seus defeitos, e não mais o papá, o paizinho, o pai – apenas o homem.

Ao examinarem para a dinâmica que desenvolvem com o vosso pai:

“Ah não, tudo está óptimo quanto a isso; não tenho a menor dúvida de que há uns anos atrás...”

Mas assim não estabelecerem a vossa autoestima - entendem? - por a autoestima estar ligada ao pai, por ser o progenitor de quem obtêm amor. Vejam bem, o amor de mãe é dado adquirido, não é? Toda a gente presume que a mãe os ama – com ou sem razão, com sensatez ou de modo insuficiente - ela ama-os. Por se tratar da mãe, e porque de certo modo é biológico, por ter que o fazer por não poder impedir-se nem furtar-se a tal, porquanto se o fizesse isso seria mais terrível que desagradável. Mas os pais, já não é de se esperar que os amem; dos pais têm que ganhar o amor; em relação aos pais precisais representar, dançar o sapateado (tipo Bojangles).

Do pai ganham amor; é o que se espera e é o que é aceite. Faz parte do chauvinismo mas de qualquer forma está estabelecido. A mãe? Pois sim, ela ama-os, não importa de que forma a tratem, não importa o que lhe disserem ou o que lhe fizerem, ela ama-os. Quanto ao vosso pai, precisam ter cuidado com os modos, precisam andar em linha, certinhos, se estragarem tudo perdem o seu amor para sempre. A mãe não pode fazer nada disso; podem virar e torcer quanto quiserem. Por as mães serem mães, não é? “Oh mãe!” Com os paizinhos já é diferente.

Precisam deixá-lo ir. Verifiquem a dinâmica que têm com o vosso pai; deixem-na! Deixem que seja um ser humano. Primeiro passo.

Segundo passo, o tempo crítico para o estabelecimento da autoestima, ou para estabelecerem os vossos padrões de autoestima, é entre a idade dos sete e dos dez anos. Vejam, o que se passa aí, que já foi mencionado quando nos debruçamos sobre o Merecimento e noutras ocasiões, o que acontece é que ao crescerem inicialmente pensam ainda estar ligados à mãe, estar ligados pelo “cordão umbilical” emocional, ligados cerca de dezoito meses. Somente após os dezoito meses é que despertam e chegam à conclusão de que:

“Meu Deus do céu, ela e eu não somos a mesma pessoa! Ela possui sentimentos diferentes dos meus e eu diferentes dos dela; isso deixa-me assustado e entusiasmado ao mesmo tempo.”

Mas não é senão após dezoito meses que essa percepção tem lugar; antes disso são ela, tanto quanto sabem. Entre os dezoito meses e o ano, e até aos cinco ou por aí, descobrem ser capazes de manipular, e que conseguem dirigir os sentimentos. Entre os cinco e os sete, com certeza que manipulam a mãe de uma ou de outra forma, não é? Sabem, conversam sobre isso com os amigos:

“Que é que fazes para conseguir que a tua mãe faça isto? Que é que fazes para conseguires que a tua mãe faça aquilo?”

Ela gosta que a beijem e a abraçem, e quando lhe pedem ajuda para isto ou para aquilo, de modo que fazem isso.

Devíam prestar atenção a certos catraios – agora não os recordam, por terem convenientemente esquecido o passado, mas se prestarem atenção ao garotos dos cinco aos sete, eles conseguem dar a volta à mãe e sabem exactamente o que fazer, sabem exactamente como se portar para conseguir o que querem dela – mas não conseguem!

E depois por volta dos sete, descobrem o pai, o outro progenitor. Ou a figura hesitante dele, se não estiver presente. Mas por volta mais ou menos dos sete descobrem o pai. É quando a autoestima se revela mais crítica. E nós sugerimos… Que foi que aconteceu no vosso caso? Que foi que fizeram entre os sete e os dez, mais ou menos? Uma vez mais não tem que ser exactamente de aniversário a aniversário, mas grosso modo, quando tinham entre sete e dez anos de vida; examinem esse período da vossa vida, tratem da criança aí; ainda se trata de uma criança, ainda não é o adolescente por forma nenhuma, mas tratem da criança aí. Que é que se passa com ele ou com ela? Para onde se encaminha? Onde é que viviam? Que tipo de traumas, que tipo de atitudes estão a decorrer? A que avaliação procediam então? Que fantasias e segredos ocultavam? Que sofrimentos e mágoas? Que é que se passava? Que é que se achava em campo?

Avaliem esse período; olhem de volta para os sete, onde é que estavam? Na segunda classe, conforme por essa altura seria de esperar? Tentem descobrir, procurem o ano, busquem isso nos vossos diários, olhem para o que eram, dos sete aos dez, que foi que aconteceu nesse período?

“Estaria na segunda, na terceira ou quarta classe, de facto?”

Que foi que lhes aconteceu por essa altura? E que foi que isso provocou às qualidades da estima? Procurem saber o que isso lhes provocou, observem para isso, até alcançarem a determinação de ser poderosos – ou impotentes!

Vejam bem, foi por essa altura que alguns de vocês desistiram. Foi quando alguns de vós decidiram:

“Eu jamais irei descobrir como funcionar neste mundo, de modo que desisto.”

Foi quando alguns de vós obtiveram más notas e decidiram que já bastava e que estavam feitos e que jamais chegariam a ser espertos. Foi quando alguns de vós tiveram o seu primeiro amor – dos sete aos dez. Ainda não era propriamente o namorado nem a namorada, por isso ser ainda repulsivo (riso) mas em que teriam o vosso primeiro amigo de verdade, e em que podiam tê-lo magoado, que perdido, ou deixado.

Ou tiveram um irmão que admiravam, a quem subitamente descobriram os pés; qualquer coisa poderia ter acontecido nessa altura, que lhes terá afectado a capacidade de continuar, essa capacidade de existir. Ou simplesmente tiveram um acidente, cairam e magoaram-se; que foi que aconteceu durante esse período de tempo em que sofreram um traumatismo significativo que lhes terá afectado a autoestima? Ou não os terá propriamente afectado na vossa autoestima então, mas ao olharem para trás descobrem isso, através da capacidade que têm de sentir e de pensar, pela percepção que têm do vosso carácter, em termos de avaliação, pela percepção da motivação que tinham nessa altura. Sentiam-se motivados; que era que inspirava essa motivação? Seria um princípio ou um expediente, ou seria oportunismo?

Sim, mesmo numa idade dessas possuem carácter, e possuem princípios, e claramente alguns de vós porventura mais do que agora. Estariam habilitados a integrar os vossos sentimentos e as emoções? Seriam capazes de os integrar durante esse período? Que foi que lhes aconteceu? Estariam dispostos a compreender? Muitos de vós recuaram a esse período de tempo e isolaram-se e tornaram-se solitários, e apartaram-se do mundo, sem vontade de compreender, sem vontade de perceber. Que aconteceu convosco? Recuem até esse período de tempo e tratem da criança, numa meditação, não por meio de nenhuma reprodução gestalt em que representam a criança, mas através de uma meditação em que se tornem nessa criança (por existir uma diferença entre representar e ser). 
Tornam-se nessa criança, passam por isso com ela, passam por esses traumas – vocês enquanto o adulto que são agora, o Eu próprio futuro em relação a essa criança passada, resolvam isso, sejam o seu conselheiro, sejam o seu irmão mais velho, a irmã mais velha, o amigo, o terapeuta, sejam aquele que a ajuda a passar por esses traumas que atravessa mais ou menos dos sete aos dez. Esse é o segundo passo para estabelecer a autoestima.

O terceiro, consta de identificar e libertar o falso sentido de autoestima. Qual desses quatro componentes serão vocês? Qual deles estariam a fazer? E eliminem-no; reconheçam-no, considerem-no, perdoem-se e alterem-no. Mas vejam o que estão a fazer:

“Eu consigo perceber que não estou a pensar nem a sentir mas a deixar que os outros o façam por mim, e desse modo estou a proceder a escolhas com base no medo.”

E é desse modo.

“Eu estou a tentar obter autoestima – quero considerar isso, reconhece-lo e perdoar-me por isso, e libertá-lo. Talvez eu esteja a desvalorizar isso ao rejeitar os pensamentos e os sentimentos que tenho, ao rejeitar as matérias-primas e ao reduzir o nível dos padrões.”

Dizer:

“Olha, se eu me apresento a tempo e horas, isso já é suficiente bom; vou estabelecer o padrão da pontualidade, em vez do da sinceridade; vou estabelecer o padrão do asseio, em vez do padrão do rigor, ou do da perfeição.”

Reduzir o nível dos padrões e por conseguinte procurar obter autoestima pelo facto de terem o quarto arrumado, de terem as roupas limpas, as camisas engomadas e dobradas.

“Pergunto-me por que não funciona. Talvez eu esteja a viver desenquadrado da intenção e das aspirações. Talvez eu esteja a esperar pontuação pelo que tenho a intenção de fazer e jamais chegue a faze-lo.”

Reconheçam isso; apercebam-se disso em vós próprios e perdoem-se...

Tem que ser doloroso, fazer isso! Precisam sentir-se muito isolados e alienados e separados para viverem da intenção e da aspiração. Tenham alguma compaixão por vós próprios e amem-se o suficiente para o perceberem e para terem consideração e se perdoarem e o alterarem. Mas se estiverem em busca disso por intermédio da validação externa – de que se tratará? Observem o que acontece aí, e digam a vós próprios a verdade – vejam o quão irritados se sentem – na própria fonte dessa validação.

O terceiro passo: Reconhecer as fontes da falsa autoestima e libertá-las.

E o quarto e último passo, comparar, avaliar, calcular, estimar o valor que têm. A sinceridade, em primeiro lugar; avaliem-se:

“Quão sincero serei eu?”

E pelo amor de deus, sejam sinceros em relação a isso (riso).

“Quão sincero estarei a ser?”

Isso corresponde à determinação para serem poderosos. A sinceridade representa a determinação para serem poderosos. Afiram a vossa sinceridade no dia-a-dia; avaliem-na.

Responsabilidade:

“Quão disposto estou a assumir responsabilidade?”

Notai os termos empregues:

“Quão de bom grado, com quanta vontade estou a assumir responsabilidade?”

Não, se a estarão a assumir ou não, por estarem! Não existe aqui ninguém, nem à face do planeta, que não esteja a assumir responsabilidade – alguns estão a adiá-la, com resultados desastrosos, mas toda a gente está a assumir responsabilidade. Não se trata de uma opção:

“Quem quererá assumir responsabilidade e quem não quererá?”

Realmente não tem importância, por estarem todos.

Alguns adiá-la-ão e poderão contrair um cancro de um só fôlego, ou Sida ou síndroma de imunodeficiência adquirida, ou problemas cardíacos ou outros tipos de debilidade, acidentes, problemas físicos, problemas de mobilidade que eventualmente reproduzam essa responsabilidade – toda a gente que esteja casada, em última análise se responsabilizará por esse casamento. Todos quantos tenham relacionamentos finalmente apurarão não ter escolha quanto a isso; a escolha só se situa no tempo.

E nós gostaríamos aqui de sugerir que, ao considerarem o quão estejam dispostos a assumir responsabilidade, o quão rapidamente e com que elegância, avaliem o nível dessa responsabilidade. O que a propósito corresponde à capacidade que têm de pensar e de sentir. Número dois.

Em terceiro lugar é a integridade. Integridade é termo que foi utilizado correntemente nos anos setenta quase ao ponto de nos interrogarmos se não seria uma piada ou se não envolveria um tipo de sarcasmo qualquer, algum tipo de desvalorização total da integridade, por aqueles que a enunciavam no mais elevado tom terem sido os que mais careciam dela. A integridade fez alarido, foi fonte de dúvida, foi adoptada, foi ampliada, foi associada, foi desligada, e todos os possíveis termos associados a:

“A minha integridade é isto, a minha integridade é aquilo,” soando um pouco a: “Se eu a enunciar, deverá parecer um facto.”

Gostaríamos aqui de sugerir que a integridade é a espontaneidade com que assumem a responsabilidade! E se precisarem questionar-se – quanto ao facto de terem ou não – não terão! É espontânea! Não é coisa que se decida:

“Vamos adoptar X unidades de integridade; eu tenho mais e tu tens menos, e desse modo a minha integridade é superior à tua...” (Riso)

Consiste na espontânea disposição para assumirem responsabilidade.

“Quão espontâneo? Quão rápido serei eu a assumir responsabilidade?”

Isso traduz a integridade! E avaliam a integridade que têm.

“Sim, eu era responsável, mas mandei umas patadas e dei uns berros, e neguei, e menti, e culpei, e por fim, exausto, admiti: Está certo, eu sou responsável.”

Isso não apresenta muita integridade – de todo!

“Mas vislumbrei uma oportunidade de ser responsável e tentei saltar para ela, estendi a mão e agarrei-a.”

Hm hm...

“Eu não tinha pensado nisso, mas de facto sou íntegro; numa retrospectiva consigo perceber que sim. A posteriori consigo avaliar isso.”

E essa integridade corresponde ao carácter. Ao carácter.

Em quarto lugar é a confiança.

“Quanto confiarei eu em mim próprio? Quanto confiarei em mim? E naqueles – e isto é importante! – naqueles que são dignos de confiança, ao meu redor?”

Assim não fazem questão de confiar em quem não merece confiança, entendem? Isso não os ajudaria em relação à vossa autoestima; isso chama-se estupidez! (Riso)

“Aqui está uma pessoa completamente indigna de confiança – acho que vou começar a confiar nela!”

Não sejam tão imbecis! Se forem dignos de confiança, então confiem.

“Ah, eu não queria julgar!” (Riso)

É um problema, não é? Não estamos a dizer que venham a apodrecer no inferno – dizemos simplesmente que não são dignos de confiança! Ser crítico é avaliar a evolução, proceder a um juízo de valor. Ter noção de preferência, ter uma opinião, é salutar! E essencial – se quiserem crescer!

“Esta pessoa é digna de confiança? Quanto confiarei nestas três ou quatro pessoas existentes na minha vida que são dignas de confiança? Bom, elas são dignas mas eu receava confiar nelas!”

Reticências e três pontinhos, não é?

“Elas não eram dignas de confiança mas eu confiei à mesma.”

Isso também merece três pontinhos.

“Elas mereciam confiança e eu confiei nelas!”

Isso merece um ponto de exclamação.

“Eu confiei por isso constituir a base da confiança, mas não o fiz às cegas, mas por constituir a base da confiança!”

Confiar em vós sinceramente, e confiar naqueles que sejam dignos de confiança. Qual será a avaliação que fazem? Isso corresponde a um disposição e a um desejo de compreender.

Em quinto lugar, consiste em avaliarem o papel de cocriação que têm da realidade.

“Quanto terei operado hoje de uma forma cocriativa, com Deus, com a Deusa, com o Todo? Com o meu Eu Superior, com o meu Eu Futuro, com os meus Conselheiros? Quanto? Não necessariamente com os meus parceiros, com as pessoas físicas do meu mundo. Com a gente não física da minha realidade. Os meus amigos invisíveis. Quanto terei cocriado hoje?”

Alguns de vós ficarão estarrecidos com a forma como se pontuarão a esse nível.

“Ah, pois, eu devia ter consultado o meu Eu Superior nisso; eu devia ter evocado os meus conselheiros. Eu não cocrio coisa nenhuma! Eu apenas luto continuamente. Não programo nem processo, eu apenas me contento e faço-o pelo melhor.”

Em que medida cocriam – ou dão atenção aos sussurros, conforme dizemos – e deixam que a vossa realidade opere a vosso favor? Isso corresponde a uma avaliação da vossa motivação – se baseada em princípios, no expediente, ou no sentido de oportunidade.

Em sexto lugar, quanto honrarão vocês as emoções – sem deixarem que lhes conduzam a vida? A integração do facto de terem emoções e sentimentos. Quanto se permitirão dar ouvidos aos sentimentos que têm, compreender o que estão a sentir em relação a uma determinada coisa, e usar isso como um contributo, como um retorno – sem deixarem que lhes conduza a vida? É a isso que corresponde. E por fim, olhar para a vossa vida de modo a honestamente poderem dizer:

“Eu não prejudiquei ninguém de forma consciente.”

Porque ser impotente significa prejudicar as pessoas, entendem?

“Quanto conseguirei olhar para a minha vida e dizer: Eu não estou a prejudicar ninguém."

 Embora não possam necessariamente garantir que não tenham prejudicado ninguém.

"Quão determinado! A única forma por que poderás desenvolver isso é passando por aqui todos os dias para me visitar.”

Peço desculpa, mas vou ter que te magoar, porque não vou passar por aí todos os dias; não posso fazer isso!

“A única maneira por que evitarás o facto de me magoares é eu telefonar-te e falarmos ao telefone durante uma hora e meia.”

Não posso fazer isso! Se isso te magoar, irei magoar-te; não é decisão consciente que tome. Eu não te estou a magoar conscientemente. Podes sentir-te magoada, mas eu não to estou a fazer conscientemente.

“Bom, então não falo mais contigo!”

Então aí já estais conscientemente a magoar! Se vos recusardes a procurar a pessoa, se não mais forem amigos da pessoa, então estarão conscientemente a magoá-la; o que é diferente, não? Muitas vezes nem o discutem, por qualquer modo que seja, nem o querem compreender, seja por que modo for, mas ao observarem a coisa:

“Em que medida poderei olhar a coisa e dizer que não estou a prejudicar conscientemente ninguém?”

Depois temos o sétimo critério: Se lá forem visitar a pessoa, na base de uma certa regularidade - não dizemos que seja diária, embora no caso de alguns de vós fosse aconselhável – mas na base de uma certa regularidade. Se forem lá a cada sete dias, e se avaliarem, terão autoestima. De início poderá ser baixo, o nível dessa autoestima, mas pelo menos terão uma estima efectiva. Mas uma baixa estima efectiva é muitíssimo melhor do que um elevado sentido de falsa estima!
Mas se tiverem que olhar para vós próprios e dizer:

“Bom, eu não sou lá muito sincero; não assumo responsabilidade a menos que seja encostado à parede e precisar imprescindivelmente fazê-lo, e ser apanhado por uma situação dessas. Ter integridade - eu? De forma nenhuma! Confiança? Estais a brincar! Isso é talvez uma vez por ano, não? Não muito. Cocriar? Melhor serei a pronunciá-lo do que a usá-lo. (Riso) Eu preciso negar as emoções que me assaltam e fingir que não existem para não deixar que me arruínem a vida! Bom, será de admitir que não tenho qualquer controlo sobre a minha vida!”

A maioria de vós nega as emoções e deixa que lhes comande a vida.

“Oh, não estou irritado, só estou a deixar que me conduza,” não é? “Não, não, não me sinto ofendido, só vou dirigir a minha vida toda de forma a me vingar de ti, por... (Riso)”

A desconfiança é conduzida de forma a fingir não estar presente, tal como representaria dizer: “Eu tenho sentimentos!” Como se devessem deixar de ter! (A rir) Vocês e toda a gente!

Podem olhar e dizer:

“Caramba, eu tenho muito pouca autoestima, mas pelo menos avalio isso em termos válidos!

Mas adivinhem o que mais! Por vezes, a declaração mais sincera é:

“Eu não sou sincero!”

Amanhã, olharão para vocês e dirão:

“Adivinha. Eu tenho sido mais sincero! Por ter assumido uma porção mais significativa de responsabilidade. Mas pelos céus, se isso não traz alguma integridade! Não demasiada, mas um pouco! E sabes que mais, não morri por causa disso, nem fiquei cinza, nem esverdeado. Creio que posso confiar um pouco.”

E assim será. E por intermédio de uma avaliação sincera ela crescerá – por si só. E depois, se fizerem algo por isso, assumirão uma maior responsabilidade, terão uma maior integridade, obterão uma maior sinceridade, começarão a desenvolver coisas como a confiança e começarão a desenvolver essas energias, começarão a cocriar numa base mais regular e na base de uma maior frequência, começarão a trabalhar nesse particular sentido com a sinceridade e a dar atenção aos sussurros, etc. Começareis a honrar mais as vossas emoções sem sombra de dúvida, e obterão orgulho de vós próprios, valorizar-se-ão por não prejudicarem ninguém conscientemente, por jamais prejudicarem conscientemente as pessoas – muito embora por vezes se sintam magoadas, e quando isso ocorre cuidam delas da forma mais sincera e íntegra.

“Eu posso ter – por isso tenho mais e mais autoestima!”

Ela desenvolver-se-á por si só. Se avaliarem de uma forma sincera e lhe acrescentarem, ela desenvolver-se-á muito rapidamente. E então, mesmo que o vosso dia esteja a correr pessimamente:

“Tudo me correu mal, hoje. Isto desmoronou-se, aquilo desmoronou-se; isto correu mal, aquilo correu deu para o torto...Mas pelo menos eu fui sincero em relação a isso. E assumi responsabilidade! E tive integridade por ter agido de forma espontânea e sem pensar duas vezes, e embora não consiga confiar tanto em mim próprio, eu confio em que consigo dar a volta a isto. E estou a pedir, estou a chamar os meus conselheiros e o meu Eu Superior aparte para me ajudarem. Pelos céus, eu estou a fazer isso! E por conseguinte ainda que o dia de hoje tenha sido em vão, eu tenho estima, eu tenho autoestima. (A sussurrar) Eu tenho autoestima, e isso confere-me o que preciso para dar a volta ao que quer que tenha acontecido hoje.”

Este ano, no próximo ano, à medida que avançam para a última década, a autoestima torna-se uma questão de uma importância crescente. Todos quantos se acham tão animados acerca da desgraça e da condenação, tão ardentemente à espera dos terramotos, à espera das secas, à espera dos desastres, à espera que um número crescente de gente pereça, vitimada por doenças a torto e a direito, etc., de modo a poderem sentir-se justificados e ficar com a razão. Nós sugerimos que eles criarão para eles próprios a sua própria desgraça e a sua própria condenação, por estarem a erradicar tudo quanto possa ser fonte de autoestima, ao se forçarem e àqueles que lhes dão ouvidos, a voltaram-se para os falsos sentidos de autoestima. E desse modo criarão a sua própria desgraça e perdição.

Ao dizerem “não” a isso, ao recusarem depender das fontes falsas, começam a ter as vossas próprias ideias e a ter os vossos próprios sentimentos e a elaborar boas escolhas, ao vos recusarem desvalorizar o critério que aplicam à vida, ao recusardes repudiar os recursos como frívolos e tolice, ao recusarem viver com base na aspiração e na intenção, e ao utilizarem a aspiração e a intenção para criar sem ser como resultado final, ao abandonarem a validação externa e em vez disso se voltarem para as fontes válidas da autoestima.

Quando tiverem a percepção:

“Eu estou mais do que apto para existir; eu estou mais do que apto para apenas viver, eu tenho o direito de viver de uma forma gloriosa e elegante, com excelência, com vivacidade, com criatividade, com prazer. Eu tenho esse direito e procedo à avaliação que me confere tal direito e possuo uma espiritualidade dinâmica prenhe de orgulho e de produtividade, e uma vida repleta de aventura. Por conseguinte, eu vou criar para mim próprio e para o meu mundo, e juntos passaremos a criar para nós e para o nosso mundo.”

Um futuro de valorização que reflecte a autoestima em cada domínio – individual e colectivamente. Essa linha torna-se essencial. Libertem a culpa, desenvolvam o merecimento e edifiquem a vossa autoestima, em resposta aos problemas que este ano apresenta, e do próximo ano, e porventura da década, até ao virar do século. (Proferido em 1988)

Transcrição e tradução de Amadeu António



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