terça-feira, 30 de agosto de 2016

EQUILÍBRIO



Apenas um ligeiro comentário, porque, quando ocorrem mudanças, as pessoas automaticamente ficam assustadas, não é? Pois queremos assegurar-lhes de que o que na nossa mente mais predomina é o compromisso com o vosso crescimento, pelo que queremos que compreendam que à medida que a vida se desenrola e as mudanças ocorrem, à medida que todos vós mudais e cresceis e vos estendeis, o nosso empenho está convosco. Ele sofrerá alterações, mas apenas para melhor, por o nosso compromisso sempre esteve presente. Dar-se-á um aumento na quantidade de tempo, mas a qualidade continuará a melhorar e não irá ser posto em perigo, para nenhum de vós.

Vamos prosseguir com o nosso debate concernente à energia masculina e feminina. Ele teve início no mês passado com o debate da harmonia (o vórtice do poder) e tem continuidade este mês com a exploração do tema do equilíbrio, e como soltar-se em pleno. Repare-se que mencionamos o soltar-se, que de certo modo implica um certo enclausuramento, que efectivamente é intencional, por existir em cada um de vós um ser plenamente vivo que vocês negam e que fingem e presumem que não tenha existência e que vocês trancam e contêm e suprimem e deprimem dentro de vós amiúde. Por conseguinte é tempo de começarem a libertar esse ser pleno, de se tornarem nesse ser  pleno, que vocês são aqui e agora.

Há muitos que andam à procura de descobrir um lugar para se esconderem para se afastarem do mundo, mas nós sugerimos que trabalhemos juntos para descobrir o que realmente tem importância, que passa por se descobrirem a vós, e depois descobrir-se a vós no relacionamento que têm com Deus, com a Deusa, com o Todo. Agora, essa descoberta, ou exploração, consiste na descoberta da vossa espiritualidade de uma forma mais significativa, bela e potente do que alguma vez antes.

Falamos de espiritualidade por diversos anos e com efeito começamos numa altura em que não era popular, coisa que actualmente é bastante popular falar disso, e continuaremos a falar dele a despeito de estar em voga e constituir um capricho. Essa descoberta tem início na conquista do medo em vós, e a seguir pelo término ou conclusão da propensão que têm para a autoflagelação. E assim que tiverem posto cobro ao medo e tiverem terminado com a autoflagelação, ficará um vazio, vazio esse que precisará ser preenchido com um poder, com um vórtice de poder, com um vórtice de poder muito especial e particular que brota da harmonia, da harmonia entre a vossa energia masculina e feminina.

Assim que descobrirem essa harmonia, assim que começarem a explorá-la, assim que obtiverem noção disso, essa harmonia começará a ser moldada e reformulada, começará a formar-se e a ser reformada, começará a ser estruturada e reestruturada, essa harmonia começará a criar, e permitir-se-á ser ela própria criada; começará a ser estimulada e permitir-se-á ser estimulada. De tal modo que se torna no equilíbrio. E desse equilíbrio brota inicialmente um vislumbre, apenas um indício de um vislumbre do vosso ser total. E desse vislumbre poderão desenvolver uma visão de corpo inteiro, e dessa visão a corpo inteiro poderão desenvolver um olhar alargado do vosso ser pleno.

Na verdade, assim que conseguirem um vislumbre, e porventura expandirem esse vislumbre a essa visão de corpo inteiro, ou mesmo, com sorte, a esse olhar abrangente desse ser pleno; assim que o conseguirem surge uma consciência e um sentido de valor. O sentir desse valor do mérito e do conhecimento do ser pleno, em combinação com o sentimento de estima e de amor por esse ser total, conduz e engendra uma certa confiança em vós e nesse ser pleno que tenham vislumbrado, que tenham visto, que tenham saudosamente abrangido com o vosso olhar. Uma confiança que conduza ao respeito e à realização, e dessa realização o ser total vem um poder, um poder de compreensão, um poder do significado de tudo.

Desse equilíbrio, desse ser pleno, vem uma percepção nascida da concepção de vós próprios. Desse ser pleno vem uma nova maneira de se relacionarem com aquele que são, e à medida que esse relacionamento se aprofundar, à medida que o relacionamento que tenha convosco se aprofundar, todos os vossos relacionamentos - TODOS OS VOSSOS RELACIONAMENTOS - sofrerão uma melhoria; todos os vossos relacionamentos se tornarão mais fáceis e mais suaves. Os relacionamentos que têm convosco, uns com os outros, os relacionamentos que tenham com quem tenham intimidade na vida, e o relacionamento derradeiro que têm, que é com Deus, com a Deusa, com o Todo, com o Deus vivo e real. E agora será porventura apropriado que descubram o realismo que envolvem. E isso vem do equilíbrio.

Equilíbrio - já ouviram o termo tanta vez, é coisa que é recomendada a todos, mas que será que significa? Pois bem, é um outro termo que perdeu o significado por entre a agitação e a gíria do que envolve a nova era, que infelizmente é outro lugar comum.
Que  coisa será o equilíbrio, não é? Bom, encerra alguns sentidos conotativos. Quando inicialmente se pensa no equilíbrio, isso suscita uma incalculável abrangência plena, uma noção de confiança, de harmonia e de equilíbrio, uma vaga noção de acréscimo de equilíbrio numa boa medida, para tornar tudo mais completo.

Outros significados que vêm até vós são uma suspeição vaga de algo que devam fazer em vez de se divertirem. Ao serem admoestados pelas autoridades parentais para fazerem as coisas de modo equilibrado e com um tipo qualquer de moderação, como algo pertencente aos quatro grupos da alimentação ou para não se excederem nem serem demasiado singulares nem demasiado diferentes de toda a gente, algo com que o vosso terapeuta lhes atire à cara em tom de recomende ao saírem do consultório por altura da última sessão:

"Veja se é equilibrado." (Riso)

Mas também encerra uma certa paciência:

"Eu sei, eu sei, devia estar a conseguir agora. Mas eu chego lá. Eu consigo-o mais tarde; mais lá para a frente, depois de me divertir e de fazer umas coisas. Quando for demasiado velho para fazer outra coisa. Aí vou conseguir ser equilibrado."

É termo que é empregue como o da confiança e o da harmonia. Há certas energias traiçoeiras na vossa vibração. Falamos das emoções mais significativas, como a raiva e a mágoa, da piedade e do medo enquanto emoções principais, os blocos de matéria que se intrometem no vosso caminho. E depois falamos das emoções tipo bicho-papão não tão óbvias quanto essas mas que de facto os deixam dilacerados como a ansiedade, a dúvida, a preocupação e a confusão enquanto tais emoções bicho-papão, que nem sempre veem nem sempre experimentam de uma forma manifesta mas que se fazem presentes.

Sugerimos que também haja energias poderosas que experimentam na vossa vibração, energias de amor e de gratidão, de perdão e várias outras de que falamos ao longo dos anos, muitos tipos dinâmicos de energia de sucesso. Mas depois há aquelas energias subtis, as energias escorregadias como a da confiança, que é usada indiscriminadamente e que não quer dizer muita coisa e que só parece achar-se presente como verbo de encher, que são usadas com uma certa qualidade de meiguice como se possuíssem qualquer significado, como Harmonia, ou Equilíbrio, Entusiasmo, enfim... Pela rama parecem possuir traços de sensação que realmente não significam muita coisa. Mas que na verdade constituem energias tremendamente poderosas. E o equilíbrio, à semelhança da confiança e da harmonia, constitui uma dessas energias traiçoeiras formidáveis, que podem ser usadas de forma apropriada para criar realidades incríveis, e a fim de gerar em vós uma impecabilidade e uma elegância com relação à criação da vossa realidade que os deixará surpreendidos., quando as estabelecerem.

Assim, em vez de ser um desses termos que inclui de tudo e que nada contêm, e em vez de ser algo de que suspeitem e esperem até ser velhos para fazer, sugerimos que se se abrirem à consideração e à exploração e que mesmo se se votarem à tentativa do equilíbrio ainda que por um tempo, descobrirão a energia dinâmica que envolve e descobrirão a técnica única em que pode tornar, na singularidade e elegância da vossa criação, e na velocidade com que manifestarão a realidade ao vosso redor, em vez de brincarem e adiarem e protelarem num mundo que está a acelerar. Nesse sentido, o equilíbrio não é coisa que os leve a retirar nem os afaste da vossa experiência, mas que de facto os ajuda a mergulhar no seu seio, no seu meio, na vossa experiência.

Equilíbrio - que será? Ora, decerto que equilíbrio é um estado em que algo esteja equilibrado, conforme poderão constatar no diccionário. É um estado de equilíbrio mas é igualmente um processo de transformação nesse estado. O equilíbrio é não só esse estado como é o processo de se tornarem nesse estado de equilíbrio. É o processo de se tornarem iguais. De facto Equilíbrio é termo elusivo, pelo que possivelmente poderão entender por que razão não é compreendido com uma maior clareza, por nunca o chegarem a alcançar, sempre o tentarão mas nunca o alcançarão. Ninguém o chega a alcançar em termos:

"Agora encontro-me em equilíbrio. Terminei! Encontro-me giroscopicamente equilibrado e nada me poderá..."

Vocês estão sempre a tornar-se mais; estão sempre a alcançar um maior equilíbrio. O equilíbrio é um estado de espírito e um estado decorrente do fazer, e por conseguinte, pelo que implica envolve a energia feminina e masculina. Só que não num estado de igualdade. Num estado de transformação no igual. Nenhum de vós é completamente equilibrado nem igual no aspecto feminino e masculino, masculino e feminino. Estão a tornar-se cada vez mais, ao aumentarem um e ao deixarem que o outro caia, e depois trazendo o outro de volta e trazendo-o constantemente num estado de tentativa de estabelecimento e de alcance desse equilíbrio que buscam.

Agora torna-se mais importante deixar que a energia feminina desperte e se faça presente, pelo que isso mais pesa na influência que exerce em vós, quer sejam masculinos ou femininos, e agora é altura de deixar que essa energia masculina plane e alcance muito além da feminina, e por conseguinte permitir que tenha lugar e a suplante. Tudo parte deste acto de equilíbrio; tudo parte do estabelecimento desse equilíbrio, essa alteração e mudança de pesos, alteração e mudança de destaques, alteração e mudança da realidade.

O equilíbrio é algo que vocês estão sempre a transformar, rumo ao que trabalham continuamente, sem nunca alcançarem. Mas talvez essa acção, a diferença entre a estagnação de algo que está em equilíbrio. E a acção de algo que está continuamente a equilibrar-se. Essa é uma diferença vital, mas talvez a chave do segredo do equilíbrio seja que vocês jamais se encontram em equilíbrio, mas num estado de contínuo equilibrar. As diversas energias que têm existência dentro de vós.

Esquivo, sim. Comportável, sim. E via, o modo pelo qual alcançam e por que descobrem e por que começam a descobrir e por que chegam à trilha central desse equilíbrio – através da energia masculina e feminina. Por conseguinte, comecemos a nossa busca do equilíbrio revendo muito rapidamente os princípios masculino e feminino. Falamos extensivamente disso no mês passado, mas muito rapidamente fiquem cientes de que existem sete qualidades relacionadas com os centros de energia subtil ou chakras, que estão relacionados com os chakras do que significa ser energia masculina (não confundir com macho) e a energia feminina (não confundir com fêmea).

A primeira dessas qualidades inerentes à energia masculina é a qualidade da vontade, da acção, da manifestação, ao passo que no lado feminino a energia que contrabalança essa energia masculina é da imaginação, a do sentimento e a do desejo. Essas energias falam pela segurança concernente ao primeiro chakra, á primeira energia que tem lugar em vós.

Para começar a vossa busca do conhecimento, para iniciarem a vossa jornada de crescimento, seja por que nome for que deem a tal crescimento, precisam começar pela vontade e pela acção e pela manifestação. Precisam começar pela imaginação e pelo sentimento e pelo desejo. A segunda energia masculina é a energia que cria forma a fim de forçar o conteúdo para preencher o espaço, ou contexto, da vossa vida. Onde a energia masculina cria a forma para forçar o conteúdo, a energia feminina por outro lado reúne conteúdo para forçar a forma. A energia cria a forma a fim de forçar o conteúdo, e a energia feminina reúne o conteúdo a fim de forçar a forma. A energia feminina opera no sentido de criar o contexto que a energia masculina tem vindo a trabalhar para preencher.

Uma terceira qualidade da energia masculina, conforme recordarão desde a última vez que falamos, está no facto da energia masculina estar constantemente a formatar e reformatar, a formar e a reformar, a estruturar e a reestruturar – tudo na busca de uma nova forma – de uma nova forma, de uma nova estrutura. Ao passo que a energia feminina cria e depois permite-se ser criada, nutre e permite-se ser nutrida, ama e permite-se ser amada – só para criar; não para criar forma mas apenas para criar. Essas energias estão relacionadas com os terceiros chakras, os chakras que se prendem com a expressão da interacção.

O terceiro chakra é aquele da segurança e por conseguinte o chakra da vontade e da acção, e da imaginação e do sentimento. O da manifestação e o do desejo por detrás dessa manifestação. O segundo chakra é o do prazer, e por conseguinte tem que ver com a criação de forma a fim de forçar o conteúdo, ou com a reunião de conteúdo a fim de forçar a forma para preencher ou criar o contexto – o contexto ou ambiência, o estado de ser e do fazer, na vossa vida. Pelo que tem que ver com todas as formas de prazer. O terceiro chakra, o das interrelações, da interrelação com os outros e convosco próprios e com o mundo. As emoções, não é? Mas as emoções da interacção, que se prendem com a formação e a reforma, o carinho e o estímulo e o ser acarinhado e estimulado, tem que ver com a criação da nova estrutura e a criação.

A quarta energia masculina é a energia a que chamamos de criação dinâmica, criação explosiva, criação quântica, onde - pa-pam! - algo tem lugar na vossa realidade. Ao passo que a energia feminina que corresponde a essa preocupação pelo amor própria do quarto chakra é a que corresponde aos dons – chamamos-lhes dons – a faculdade de criar, a faculdade de agir, a faculdade de amar, enfim… Os dons, ou faculdades, e não as acções em si mesmas. A criação dinâmica, a manifestação do amor-próprio, e as faculdades sequer de fazer isso.

A quinta energia masculina é a energia que busca e persegue o sentido, a compreensão e o sentido na vida, que corresponde na energia feminina à energia da permissão da percepção. E isso prende-se com a expressão. O quinto chakra – expressão!

A sexta, que constitui um estado natural para a energia masculina é prover. Prover, desde os povos das cavernas – não referimos homens das cavernas – desde os primeiros povos das cavernas. Gerou-se um estímulo em cada um deles no sentido de prover. Os homens no sentido de fornecerem e as mulheres no sentido de proporcionar – aquele instigar constitui a incitação masculina que se acha presente tanto em vós ambos. A forma como essa incitação se expressa pode variar, mas o instigar em si mesmo constitui energia masculina: Propiciar! E o desejo de proteger constitui energia masculina. Prover ou proteger, quer seja feito por um homem ou por uma mulher, constitui uma energia masculina a que ambos têm direito igual e em relação ao que nenhum dos quais precisa sentir-se desprivilegiado quanto a esse direito de prover e a esse direito de proteger. Por não estar reservado a um dos sexos somente. A feminina correspondente a esta natureza do instinto automático ou intuição do sexto chakra assenta no equilíbrio; levar as coisas a um estado de equilíbrio, buscar constantemente esse sentido do equilíbrio, quer o conciliador facilitador seja homem ou mulher, porquanto constitui uma energia feminina que busca esse equilíbrio.

E por fim, a energia espiritual do agir e a energia espiritual do ser. E estes são os princípios, estas são as energias, sete das quais são masculinas, que vão da energia da vontade até ao estado do ser. Sete delas são femininas, e vão do estado da imaginação até ao estado do ser. Estes são os princípios, estas são as energias, estas são as vibrações que abrangem a matriz que é masculina e a matriz que é feminina. E essas energias na sua configuração acham-se ao dispor de todos vós. Quer optem por ser homem ou mulher, não importa, porquanto têm acesso a todas essas energias, e elas estão aí para que as descubram e explorem e as tragam a um estado de harmonia. Se as conduzirem a um estado de harmonia e permitirem que funcionem juntas, sem serem uma ou outra mas permitirem que funcionem em conjunto, vocês criam uma harmónica e um tom que são vocês.

Desses sete compostos que formam a matriz combinados com os sete componentes que formam a outra matriz, as duas matrizes reunem-se para os formar a vós, um tom, um tom harmónico que são vocês. Quando esse tom é estirado e fatiado e trabalhado de um e de outro modo, movido de uma forma ou outra, é o que em última análise conduz ao estado de equilíbrio. E a partir desse equilíbrio procede a sinfonia ou a entonação completa, o ser completo que são vocês. Se começarem a compreender essas energias e começarem a separá-las dos homens e das mulheres e permitirem que sejam energias, compreenderão que fazer sentido dessas energias masculinas é algo que todas as mulheres têm à disposição, se ao menos se dispuserem a utilizá-las, e que ter noção dessas energias masculinas é algo que está ao dispor de todos os homens, se ao menos as usarem. Assim como ver essas energias femininas igualmente disponíveis a ambos mulheres e homens, se se derem ao trabalho de as explorar, se se servirem delas, e se lhes abrirem os braços num abraço. O facto de terem vindo como homens não significa que tenham escolhido trabalhar somente com essa energia subliminar feminina, ou que tenham optado por vir mulher possa ser vice-versa. Vocês optaram, enquanto seres humanos e centelhas de consciência, enquanto pedaços de Deus optaram por trabalhar com todos os catorze componentes. E em vez de formarem uma quadratura em relação umas às outras, em vez de se orgulharem ou envergonharem por essas energias femininas ou masculinas, aprendam a entendê-las, aprendam a abrangê-las, aprendam a alcançá-las, a equilibrar-se após terem estabelecido a harmonia.

Agora, o que acontece aqui é o seguinte: Estas energias, e começamos pela masculina, essas energias que perfazem a energia masculina, todas as sete, ligam-se e enquadram-se entre si, e trabalham numa certa relação umas com as outras: O querer, o agir, o manifestar, o criar – o quê? Manifestar o quê? Forma, a forma que estabelecem para forçar uma certa noção de conteúdo para preencherem o contexto da vossa vida. E depois para quê? Formar e reformar; configurar e reconfigurar, de modo a criarem uma nova estrutura para que, com sorte, forcem um novo conteúdo, para preencherem ainda mais o contexto da vossa vida. Com o propósito de criarem de forma dinâmica e a partir disso que dinamicamente criam buscarem e procurarem, peneirar e filtrar e tentarem descobrir compreensão e sentido. De modo a serem capazes de prover e proteger e fazer.

Essas energias masculinas encaixam de modo a prover o pleno complemento da actividade, um dia, uma semana ou um mês de plena actividade. Essas energias também se enquadram para formar o que é designado por arquétipo. Um arquétipo de masculinidade. Essas sete energias ou vibrações moventes, fluentes, flutuantes, expansivas, em mudança, de expansão e de contracção, vibrações destituídas de forma, reunem-se e produzem uma forma, geram um molde, produzem um modelo edílico, o modelo perfeito, o molde perfeito, a forma perfeita, o arquétipo da masculinidade. Por conseguinte há certos princípios, certas energias, certas qualidades que fornecem o molde para o macho – não em termos de estrutura corporal nem tamanho, mas nos termos do que significa ser homem, o que representa trabalhar com essa energia masculina, o que representa ter consciência do homem em cada um e em cada uma de vós.

O arquétipo (ideia) não é real na vossa ilusão. Representa um ideal, o estado perfeito, é aquilo por que esforçam por alcançar mas nunca alcançarão, mas que se torna mais devido ao esforço que empreendem. Mas nenhum de vós se tornará no macho arquétipo, embora alguns o tentem, nenhum de vós alguma vez chegará a tornar-se nesse macho perfeito, por não ser real aqui na vossa ilusão, por ela não passar de uma ilusão. Contudo, o arquétipo é real fora do âmbito da vossa ilusão. Existe uma energia arquétipa, o homem perfeito, o macho perfeito, esse estado perfeito, esse modelo, esse molde. As referências Bíblicas mencionam-no como Adão, esse molde perfeito que de algum jeito Deus criou – não o primeiro ser humano, mas o molde perfeito do macho perfeito. Outras religiões referem-se e ele por outras designações, mas todas têm origem não na humanidade mas no estado perfeito da qualidade de ser da masculinidade sob a forma masculina.

Há qualidades que descrevem essa energia, a primeira das quais retirada da energia que é masculina, é a da vontade – vontade enquanto vibração, enquanto frequência, enquanto acção. Acção que constitui o segundo termo que descreve esse arquétipo – acção! O terceiro termo é compreensão. O último termo é sentido. Essas são as quatro pedras angulares do modelo; os parâmetros do modelo dessa energia arquétipa que consiste no estado perfeito da energia masculina ou da qualidade da masculinidade; não do homem mas da masculinidade.

De forma similar e por outro lado, a energia feminina não está aí adormecida, mas essas sete energias também interagem e interrelacionam-se e operam umas nas outras. Essa imaginação e esse sentido de sentimento e de desejo leva à reunião de conteúdo de forma a forçar o contexto da vida pela definição, pela ambiência que é a vida. E nessa ambiência há esse sentido de criar e de ser criado, de nutrir e de dispor de poder suficiente para ser nutrido. E daí vem a capacidade de amar e a capacidade de criar, a capacidade de amar, de forma a permitir a ocorrência da percepção. E dessa permissão da ocorrência da percepção, evidentemente o estado de equilíbrio e o estado de ser desenvolvido.

Do mesmo modo estas sete energias não se acham separadas mas ligadas, e não estão aí no estado inactivo mas activamente em movimento e a pulsar dentro e fora, e a expandir e a contrair, e dessa actividade brota o molde, o modelo, a energia feminina - não mulher nem homem, mas feminina. A energia arquetípica, a energia perfeita que nenhuma mulher é, nem nenhum homem é, mas por que todos estão a esforçar-se, é a energia arquetípica dessa energia feminina, dessa qualidade de ser do feminino, que de forma similar é representada por quatro conceitos que vão colher da imaginação, do sentimento, da concepção e da percepção. As quatro pedras angulares básicas, os quatro parâmetros do modelo, do arquétipo do que é o feminino.

Começar a vislumbrar o equilíbrio, começar a ter compreensão do equilíbrio, precisam não só conhecer os princípios da energia masculina e feminina mas o arquétipo, o âmago, os parâmetros, os marcos daquilo que é masculino e daquilo que é feminino. E esta é a melhor forma de o expressarem, mas o que aqui veem é que estas energias de facto jamais se acham separadas. Bom, onde quer que haja vontade, haverá imaginação. Muitos lhes dirão o contrário. Alguns dir-lhes-ão que onde houver vontade e imaginação, de algum modo as duas estarão em conflito uma com a outra, que ambas se acham separadas e que sejam independentes uma da outra, mas de facto isso não é verdade. Há mesmo um ditado que diz que quando a vontade e a imaginação se viram uma contra a outra, a imaginação sempre vence. Essa é uma afirmação interessante mas não é verdadeira por nunca ocorrer. A vontade e a imaginação jamais se viram uma contra a outra e sempre funcionam juntas. Onde imperar uma vontade forte, pensem no caso da vossa energia, quando realmente chegam a um termo, quer se trate do poder da vontade ou da força de vontade - a forma inferior é a da força de vontade, a força de vontade é o grunhido da vida, aquele ranger: Aaaah! "Começa a comer, vá lá, suspende a respiração e engole!" Isso é força de vontade. Luta, dificuldade, todo esse tipo de coisa.

Ao passo que o poder da vossa vontade envolve um conceito completamente diferente. Em essência isso é visto como a vossa gema chamada vontade e deixar que irradie um poder em vez de terem que empurrar a corrente pela colina acima podem puxá-la. A diferença que assinala é ampla mas ainda assim, onde imperar a vontade sob a forma da força de vontade ou do poder da vossa vontade, sempre existirá uma imaginação bem activa. Pensem nas alturas em que se sentiram determinados, e em que iriam conseguir aquilo que queriam não importava como. Conseguiam imaginar de uma forma vívida aquilo que queriam; conseguiam vê-lo, conseguiam escutá-lo, conseguiam praticamente saboreá-lo. Isso não envolvia falta de imaginação, vocês estavam determinados. Quando afirmavam "Eu vou conseguir isso nem que seja...! Vou consegui-lo ou morrer a tentá-lo." Imaginação activa.

Aqueles que foram prisioneiros de guerra que sobreviveram ou que tiveram vontade de sobreviver, conseguiram-no com base numa imaginação extraordinária. Aqueles que não tiveram essa vontade também não tiveram essa imaginação. Do mesmo modo, e ao inverso, pensem nas alturas em que foram altamente imaginativos, pensem naquelas alturas em que se sentiram altamente imaginativos... e é por essa razão que trabalhamos na meditação com um elevado nível visual, a fim de lhes activarmos essa imaginação, sabem porquê? Quando a vossa imaginação for activada também o será a vossa vontade. E quando numa meditação descrevemos uma cena com minucia de detalhes a vossa imaginação passa a ser envolvida, e embora não o saibam, também a vossa vontade. É por isso que usamos tais visuais detalhados; para envolver essa vontade. Porque sempre que imaginarem de uma forma activa, vocês consegui-lo-ão. Pensem lá nisso - íamos dizer para o imaginarem, mas pensem lá nisso.

Da última vez em que tenham imaginado vividamente alguma coisa, talvez enquanto estavam estendidos na cama esta manhã, e imaginavam alguma coisa relativa ao dia ou à semana ou à concretização de um sonho, talvez algo que queriam ou algo que desejavam... Pensem lá nisso. Quando realmente o imaginavam - e quero dizer mesmo realmente, não um tipo de coisa inconsequente, um tipo qualquer fraco de imaginação, não, referimo-nos ao deleite ou prazer da imaginação - terão sentido uma vontade formidável por detrás. Elas nunca operam em separado. A vontade é sempre exercida pela imaginação, e a imaginação sempre é suportada pela vontade.

A segunda das qualidades é a acção e o sentimento. Acção  soba a forma de pensamento, na forma da vossa actividade, nunca funciona sem o sentimento. Aqui uma vez mais, no vosso mundo é-lhes dito para terem uma vontade forte e uma imaginação separada, e é-lhes igualmente dito para sentirem:

"Deixa-te levar pelo sentimento; não penses nem actues. Deixa-te levar pelo sentimento."

Mas se virem essas pessoas, elas são passivas; sentam-se a ver a vida passar, e deixam-se levar pelos sentimentos. Deixam-se conduzir pelo coração. E isso pode parecer bom, mas não é verdade. Não funciona assim. Vocês não podem sentir sem pensarem. Nem podem pensar sem sentir. E não podem agir sem envolver ambos. Não conseguem dar um passo; não conseguem nem sequer mexer o vosso corpo, não conseguem nem mesmo coçar uma comichão sem sentir e sem pensar.

A acção sempre funciona com o sentir. Pensem no último acto que praticaram.

"Fi-lo negligentemente. Entrei no carro e dirigi-me para o emprego. Era sexta-feira, conforme faço dia sim dia não, e dirigi-me para o emprego de uma forma inadvertida. Nem me lembro de ter atravessado a ponte. Não me recordo de ter passado por tal cruzamento. Tudo quanto fiz foi meter-me no carro e chegar ao trabalho. Aí está um exemplo de uma acção destituída de sentimento e de pensamento."

Que sucedeu enquanto ia a conduzir? Provavelmente ia a dar graças por ser sexta-feira, não? (Riso)

"Mal posso esperar pelo fim-de-semana; espero que o tempo esteja bom." Etc.

Na verdade iam a sentir e a pensar! Talvez não acerca da condução, mas iam a sentir e a pensar. Não podem agir sem fazerem uso de ambos. Por isso, aqueles que lhes disserem para deixarem de pensar e para sentirem somente, estão a sugerir-lhes para fazerem algo que não conseguem fazer. O que evidentemente constitui o absurdo da metafísica.

Outros dizem-lhes para pensar e para deixarem de sentir. Mas tão pouco conseguem fazer isso. Para poderem agir precisam fazer ambas as coisas; por ambas serem parte de vós. A acção e o sentimento acham-se ligadas.

O entendimento - com o que queremos referir o conhecimento intelectual. É isso que o entendimento é. Eu compreendo como é que os relógios funcionam e o que os faz funcionar, e como isto acontece e aquilo acontece. Isso é compreensão. Não fala pelo sentido de uma coisa, nem o significado, a importância que tenha; apenas fala pelo funcionamento mecanizado da coisa. O conhecimento intelectual. Entendimento. podemos falar em termos de conhecimento intelectual mas entendimento é termo mais indicado. Entendimento e concepção.

Conceber - que significa conceber? Muito poucas pessoas fazem ideia. Quando muito as pessoas pensam em ter um bebé. Isso é conceber. E é verdade, por ser conceber. Estão na pista correcta. Que é ter um bebé? Fazer algo a partir do nada. Quando uma pessoa concebe, e quando duas pessoas se juntam para conceber, estão a fazer algo a partir outra coisa qualquer. A partir de um óvulo e um espermatozoide surge um feto, que é ocupado por um espírito e se torna num ser humano. Mas é um ser humano completamente novo. E por mais que tentem dizer que se assemelha a fulano ou a beltrano, de facto parecem-se convosco próprios. Realmente não têm os olhos da avó - que ideia mais mórbida! (Riso) Pobre velha avó.

"Que aconteceu, que aconteceu, para o bebé ter os seus olhos?" (Riso)

Têm os vosso solhos e o vosso nariz, e todas as partes do vosso corpo pertencem-lhes e a mais ninguém. Isso é concepção. mas como haverão de traduzir isso para além de dar à luz? E que tal ideias? Que tal conceber uma ideia? Não, não dissemos plagiar uma ideia. Não nos referimos a pegarem na ideia de alguém e colocar o vosso carimbo nela e dizer que seja vossa. Dissemos criar uma ideia. Quantos de vós terão concebido uma coisa qualquer, que não um bebé? Criado algo único, novo, diferente de tudo quanto tenha existido? É isso que os inventores fazem; os génios. Mas isso é o que as pessoas conseguirão fazer se se permitirem trabalhar com o entendimento.

Se compreenderem como qualquer coisa funciona poderão conceber algo novo; se conseguirem conceber algo novo conseguirão entender como funciona. A concepção e o entendimento sempre operam em conjunto. Não conseguem entender em pleno se não tiverem pelo menos um pingo de concepção. Acende-se uma luz, não é?

Quando falamos acerca das ideias dissemos-lhes que as juntam e vocês podem assimilar essa informação, podem assimilar esse entendimento; mas se pararem por aí, isso será tudo quanto conseguem. Mas se pegarem na compreensão que tivermos dado e a colocarem aqui, e a partir da compreensão chegarem à expressão, e o conduzirem até à coragem, então subitamente essa compreensão - Bang! - tornar-se num aliado e perceberem algo completamente novo a partir disso. Isso revela algo mais além do que era referido. Conseguem ver isso por si sós. É quando a concepção ocorre. Faz parte da compreensão. E alguns de vós têm clarões brilhantes de concepção, e de repente uma gestalt passa a fazer sentido e a encaixar de um jeito que nunca tinha acontecido alguma vez em todo o planeta.

E o final com respeito ao sentido, que tem que ver com os sentido da vida, o significado, a importância, o quadro mais amplo, o cenário geral. E a percepção, que do mesmo modo opera sempre conjuntamente. Vocês não conseguem chegar a entender sem perceberem alguma coisa mais. E não podem chegar a perceber algo mais sem uma noção de significado. Portanto, o que aqui importa é que a estrutura do equilíbrio já aí se encontra sob a forma de arquétipo. Existe a masculinidade perfeita assim como a perfeita feminilidade. E a perfeita união de ambos já existe; o modelo, o molde, o padrão, o jeito exemplar do ser já existe. No arquétipo masculino e no arquétipo feminino e no arquétipo da integridade.

Bom, é tudo muito lindo e importa compreender e dar lugar à concepção. É importante começar a compreender, e relacionado com isso começar a colocar junto e a reunir, e por conseguinte à medida que prosseguimos com a busca desta coisa elusiva chamada equilíbrio, precisamos examinar como enfrentam essas energias arquetípicas; como é que vós vos envolveis no molde.

Começamos pelo homem. Como é que desenvolvem o encontro da masculinidade idílica e da feminilidade idílica? No estado primitivo (consequentemente não se aplica a muitos de quantos aqui se encontram) um homem inicialmente buscará a vontade e a acção. Vocês buscam a energia para terem uma vontade e agirem. Agir sobre essa vontade. Energia masculina um e energia masculina dois - vontade e acção. Mas isso é tudo quanto o homem primitivo desenvolve. E na vossa história arqueológica existe a situação do homem da caverna, composto simplesmente por vontade e acção. Sem uma noção de compreensão ou de sentido. Apenas vontade e acção era tudo quanto tinha; um comportamento primitivo e animalesco. Contudo essas energias buscam o correspondente (oposto) e nesse sentido o homem primitivo, que desenvolve unicamente a vontade e a acção, volta-se para a mulher, ou para a energia feminina (que geralmente é representada por uma mulher) para descobrir ou conseguir o suprimento de imaginação e de sentimento dela. É tudo quanto ela deve ter, mas de algum modo a partir disso, ela dar-lhe -á compreensão e sentido.

Assim, nesse estado primitivo um homem é dotado de vontade e de acção, sem sequer chegar conseguir falar muito bem.

“Queres ver televisão?”

"Aaah!"

“Diz-me lá, que é que pensas da situação?”

"Aaah!"

Vocês ainda podem ver alguns desses espécimes a deambular pela Terra. (Riso) Mas aquilo que buscam é uma mulher repleta de imaginação e sensibilidade. Isso funciona quase automaticamente no sentido de lhe fornecer compreensão e sentido à sua vida. Frequentemente para ele ela não é nada mais que um embuste, esquisita, orientadora, estranha. Homens assim comportam-se:

“Aaah!”

Mas desejam mulheres assim estranhas, coisas giras assim pastéis de nata, não é? (Riso) E é tudo. Ela não precisa pensar, não precisa ter noção de sentido, tudo quanto ela precisa é ser boa na cama. Dar-lhe aquilo que ele quer sempre que o quiser.

“Queres jantar?”

“Aaah!”

“Queres ver televisão?”

“Aaah!” (Riso)


(continua)
Transcrito e traduzido por Amadeu António



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