terça-feira, 23 de agosto de 2016

DIGNIDADE & RESPEITO PRÓPRIO






Vamos falar de um novo recurso a que nos referimos em termos de valor próprio e de respeito próprio. Na verdade o valor próprio e o respeito próprio não são muito recentes e têm estado presentes há muito tempo, sem sombra de dúvida, só que estão a tornar-se num recurso que está a ser progressivamente renovado. Um novo recurso para todos vós, e um novo recurso para todos quantos se acham envolvidos no crescimento, em particular quando estão agora a sair do movimento do potencial humano e a passar para o movimento do potencial espiritual. Já ouviram falar bastante desse movimento do potencial humano, muita gente a negá-lo e muito mais a discutir se terão ou não lugar nele. Mas tem sido um movimento novo e velho ao mesmo tempo. E no entanto é na verdade tempo de muitos de vós – por sorte todos – passardes além dos limites do potencial humano para um âmbito e um movimento alargado que constitui o potencial espiritual.
E ao empreenderem isso, quer o conheçam ou não por esses rótulos, ao empreenderem esse movimento no crescimento que desenvolvem, e ao descobrirem que foram os autores dos vossos êxitos e que conseguiram o que podiam ter conseguido e que desenvolveram o potencial que tinham enquanto ser humano, estão agora preparados para passar a algo mais, algo maior, algo mais gratificante – que de facto são os recursos que infelizmente alguns de vós ignoraram o tempo todo – os recursos do valor próprio e do respeito próprio que se tornam cada vez mais disponíveis. Todos estiveram envolvidos no vosso movimento do potencial humano, e prejudicaram-se ao negarem a vós próprios esses recursos tão válidos e tão velhos como o do valor, do mérito, e do respeito.
O movimento do potencial humano é muito popular, sabem, e muitos são aqueles que entram nele que certamente não têm lugar por não encontrarem aí cabimento, muitos dos quais nada têm que ver nem sentem interesse nem dão atenção pelo potencial humano em absoluto mas tão só ao potencial do seu ego ou ao seu potencial financeiro, em particular aqui na Califórnia. Mas há aqueles que se encontram envolvidos no potencial humano que de facto se encontram honesta e sinceramente a tratar desse desenvolvimento e a trabalhar com as pessoas – vós, muitos de vós que vos encontrais envolvidos exactamente com a mesma coisa: a trabalhar com as pessoas, a fim de as ajudar a desvendar e a descobrir os potenciais que têm enquanto seres humanos.
Mas gostaríamos de sugerir que, quanto muito, o potencial humano basicamente propõe duas coisas; coisas grandiosas mas que se reduzem a duas, essencialmente. Antes de mais, propõe um meio e um método pelo qual se desenvolvem e se transformam e descobrem tudo quanto podem realizar, e em segundo lugar propõe a oportunidade de evoluírem, e apresenta-lhes uma evolução para a vossa consciência. É certo que podem desenvolver o vosso potencial sem muito respeito próprio e sem muito valor pessoal; podem consegui-lo. Representa uma desvantagem, mas sem dúvida que pode ser conseguido. Todavia, o problema que isso suscita é que quando conseguem desenvolver tudo quanto conseguem e se encontram a evoluir e veem a vossa consciência a avançar para a frente, sem muito valor nem respeito próprio, precisam manter e continuamente sustentar e erguer o que quer que tiverem alcançado, quase na base do dia-a-dia, porque se não o fizerem isso escapar-lhes-á das mãos. Assemelha-se bastante ao vapor, que se evapora.
E desse modo, aqueles de vós que de facto optam por crescer e por se tornarem mais naquilo que podem tornar-se, e por fazer mais daquilo que podem, e que tão prontamente se recusam a ter qualquer percepção de valor efectivo ou qualquer percepção de um respeito efectivo, sabem que já terão o vosso esforço derrotado, por ser aí que o crescimento se torna esforço e luta e uma rotina diária caracterizada por uma vigilância constante. Mas pode ser conseguido. Gostaríamos de os encorajar a consegui-lo com base no valor e no respeito, mas podem consegui-lo sem isso.
Agora, o movimento do potencial espiritual constitui algo diferente e goza de uma popularidade muito menor e tem muito poucos adeptos, mas constitui um movimento enérgico e arrebatador que lhes propõe basicamente quatro componentes. O movimento do potencial humano quando muito propõe quatro componentes; à semelhança do potencial humano apresenta-lhes uma oportunidade de desenvolverem tudo quanto puderem fazer, mas também lhes estende a oportunidade de... (gravação corrompida e ininteligível) e à semelhança do potencial humano apresenta-lhes uma oportunidade de... (ininteligível) uma oportunidade de a vossa consciência se tornar iluminada ou esclarecida com os dois componentes adicionais que o potencial espiritual lhes apresenta de poderem perceber de esclarecimento e daquele que podem ser.
Agora de repente o valor próprio e o respeito próprio tornam-se essenciais, por não poderem desenvolver o vosso potencial espiritual sem o valor próprio e o respeito próprio. De modo que, aqueles de vós que tenham vontade de se mover para uma espiritualidade que passe pela descoberta do potencial espiritual de si próprio, que antes constituía uma opção, precisam desenvolver o valor e o respeito por si próprios. Por uma série de opções que estabeleceram, chegaram a eliminar a vossa possibilidade de escolha e isso torna-se essencial.
Há aqueles, na vossa realidade, sabem, que não se interessam por desenvolver o que quer que seja, para além do emprego das nove às cinco que tenham e de conduzir autoestrada fora e em ter as duas semanas de férias em Agosto. Tudo bem. Para eles isso está tudo bem, nesta vida. E há outros que de facto desenvolvem o seu potencial humano até determinado grau, um pouco mais do que desse modo conseguiriam, de forma que podem constatar ao olhar para o crescimento que tenham conseguido e dizer:
 “Olha o que isto me trouxe, que os meus pais não poderiam ou não seriam capazes de me garantir.”
E sentem-se satisfeitos apenas com um pouco mais.
Mas é claro que outros há que quererão tudo quanto conseguirem a fim de desenvolverem por completo tudo quanto tiverem em potencial, que por vezes se acham saciados e satisfeitos. Todavia, tal como vós, tentam alcançar e a estender-se a tudo quanto possam ser, sem saberem onde encontrar isso – sem terem qualquer noção de que precisam ir além do potencial humano e penetrar no potencial espiritual, que se encontra disponível a todos vós. Mas para aqueles de vós que se encontram aqui e a escutar esta gravação, de facto esse desenvolvimento espiritual é essencial. É claro que pode cegar-se quanto a isso e fingir que não lhes interessais, podem fingir que não tenha tanta importância para vós, e que só precisem tentar ganhar uns cobres, obter um emprego, conseguir aquele relacionamento perfeitamente idílico, e que isso baste para serem felizes. À excepção das alturas em que consigam certos aspectos disso, mas não se sentem satisfeitos, não se sentirem contentes, nem ser algo com que se possam sentir contentes, e pensam que talvez seja mais do mesmo, mais relações, mais dinheiro, seja o que for, pensam que conseguir mais coisas tangíveis de algum modo salvaguarde esse estímulo em vós. Só que não salvaguarda!
Mas eventualmente abrirão os olhos e nessa altura, ou no espaço de um ou de dez, ou de cinquenta, ou porventura numa outra vida, abrirão os olhos e de facto perceberão ter um estímulo que os conduz além do potencial humano, um ímpeto no sentido do potencial espiritual. E então chegarão a perceber a validade que o valor e o respeito têm. Gostaríamos de sugerir que acelerassem isso, e para o fazerem agora e não esperarem por esses cinco ou cinquenta anos, que não esperem para olhar para trás e recordar 1983; e pelo amor de Deus, não esperem por mais uma vida por isso constituir a maior tragédia de todas.
Porque cada um de vós há-de começar pelo princípio e não importa a rapidez com que avançarem, hão-de começar pelo início. Mas que os deterá? Por que não bastará afinal desenvolver o valor? Por que não bastará afinal desenvolver o respeito? Pode soar suficiente causa de admiração, mas há muitas coisas que os detêm em relação ao desenvolvimento disso, à primeira das quais chamamos de ignorância, por não saberem em que consiste o valor; nem tampouco saberem em que consiste o respeito, pelo que dizem que não se dão ao trabalho de os desenvolver – é tão simples quanto isso!
Em que consiste, o que representa o valor? Empregam tantos termos, e lançam mão de tantas qualidades a fim de descreverem para vós e aos outros que raramente se detêm a olhar para isso ou sequer compreendem o significado que têm, razão por que não admira que seja difícil de desenvolver nem admira que o não desenvolvam.
E o respeito - em que consistirá o respeito? Na verdade deviam saber por na verdade respeitarem outros – alguns de vós! Mas na verdade não sabem e por isso com base na ignorância em que desenvolvem o que quer que seja e lhe colocarem o rótulo de respeito, isso não quer dizer respeito, e como tal, por causa dessa ignorância deixam de o desenvolver.
A segunda razão por que se detêm deve-se ao mal-entendido. Frequentemente não pensam em vós enquanto uma pessoa espiritual, e muitas vezes ao abordarmos as pessoas, ao falarmos com elas, falamos sobre o seu desenvolvimento espiritual, o seu lado espiritual, a influência espiritual que têm, e elas coçam a cabeça por nunca terem concebido o facto de serem uma pessoa espiritual. E não querem ser, por isso soar tão... (ininteligível) por isso parecer tão estranho e desconhecido. Não pensam ser espirituais nem querem pensar, em parte pelo facto de não saberem o que isso signifique... (ininteligível) ou por terem uma ideia preestabelecida do que isso signifique; e parecer pouco atraente. Assim, por causa desse equívoco do que a espiritualidade representa não desenvolvem o valor nem o respeito.
E a terceira coisa que os detém é a vossa própria manipulação... (Ininteligível) É a alegria da manipulação mas vocês gostam disso e acham isso divertido. Ocultam o potencial humano sob as metas do: “Vós criais a vossa realidade,” que empregam como um disfarce para darem continuidade à vossa manipulação tão rápida e furiosamente quanto sempre o terão feito, ou talvez mais. E chamam a isso espiritualidade e crescimento, e usam termos cativantes como percepção e compreensão e ser honesto; como um disfarce, de modo a poderem continuar a manipular sem impedimentos. Não estão interessados no valor, e muito menos no respeito, estão tão só interessados na manipulação.
Mas há aqueles de vós que de facto olham para si próprios e dizem:
 “Sim, eu já manipulei, e já ofendi pessoas, e já tirei vantagem delas, e já tirei partido das suas fraquezas e culpas, e isso faz-me sentir mal."
Mas numa espécie qualquer de motivo Dorian Grey, temem olhar para o valor e o respeito que têm, por poder parecer demasiado repulsivo, e por certo poder de alguma maneira destruí-los. E desse modo continuam a fugir disso e da mera possibilidade de o descobrirem, e a fugir do arrependimento das manipulações que promoveram, e a recusar-se a olhar para si próprios. E continuam a sentir-se sempre perdidos. Assistem a seminários atrás de seminários à procura de uma resposta qualquer que não conseguem descobrir, por precisarem olhar para o próprio mérito e para o próprio respeito que têm e desenvolvê-lo. Portanto, a manipulação é autodestrutiva.
E em quarto lugar, o ego e o medo do vosso ego, a matriz que é formada desse particular... (ininteligível) do vosso ego e do medo do vosso ego. Sabem que não é suposto terem um ego negativo; é suposto que rebentem com ele ou que o controlem ou que o liquidem, dependendo daquele com quem estiverem a falar, mas ter um ego é coisa que não é suposto ter, é claro. Assim como não é suposto que façam nada que apresente o mais pequeno vestígio de um ego. Não querem fazer nada que leve alguém a franzir o sobrolho:
 “Hmm, pergunto-me se isso não será sinal de um ego...”
Não senhor!
 “Sinto-me tão receoso por alguém me poder acusar disso que não me vou valorizar nem vou abraçar qualquer sentido de respeito. Por esse mérito e respeito aos olhos de alguém se poderem parecer com o ego,. É por isso que não o desenvolverei, por causa desse medo do ego.”
Uma outra expressão do medo do ego: O facto de saberem que ocultam um ego, e saberem que o escondem nos arbustos e nos pântanos da vossa realidade e de não quererem que ninguém vo-lo aponte. De não quererem que ninguém vos diga:
 “Isso esconde uma expressão egoísta!”
Têm tanto medo que vo-lo possam ver – por se encontrar presente, obviamente! – têm tanto medo que vo-lo descubram que se fizerem alguma coisa que se assemelhe a isso:
 “Não, não é aqui, é ali que está o ego."
Temeis de tal modo fazer o que quer que seja que se assemelhe ao ego, por medo que lho apontem, que o mérito e o respeito:
 “Não, está ali, não aqui!” Mas depois vem a parte que o ego assume. O ego não tem qualquer intenção que vos sintais respeitados ou possuidores de mérito, por isso lhe exaurir o poder e eliminar a autoridade.
Vejam bem, o ego jamais diz a verdade. O vosso ego jamais vos contou a verdade, nem mesmo por uma vez, mas vós continuais a dar-lhe ouvidos e continuam a suplicar-lhe e estão certos de que desta vez – desta vez! – ele lhes irá dizer a verdade, e mais uma vez - desta vez! - ele mentiu, como a Lucy a jogar à bola, de cada vez que o Charlie Brown vai pontapear a bola e de cada vez que ela promete não retirar a bola, retira. O pateta do Charlie Brown! (Riso)
O vosso ego não quer que desenvolvam o mérito. Santo Deus, podem começar a questioná-lo, podem começar a duvidar dele e a reconhecer as mentiras que lhes prega, e dizer:
 “Não lhe vou dar mais ouvidos. Tu não precisas de mérito; tudo o que precisas é de mim,” diz o ego. “Eu vou mostrar-te como se faz, eu vou ajudar-te com isso. Entre mim e as tuas manipulações, somos capazes de tudo,” diz o vosso ego.
E isso parece mais fácil do que desenvolver o valor e o respeito. E por isso, sem o ego não o farão. A outra face da questão, é:
 “Isso é coisa que já possuo! Ah-ah! Possuo muito mérito. Já possuo muito respeito, não preciso de o desenvolver; isso é algo a que darei ouvidos de modo a ajudar os outros.”
Mas hão-de se sentar aqui e deixar que as palavras cheguem a vós:
 “Hmm, como isso é verdade! Tenho que me lembrar de contar isso a alguém. Tenho que me lembrar desse aspecto para me desembaraçar lá em casa, ou para impressionar os meus amigos. Mas por certo não se aplica a mim!”
O vosso ego! Já decidiu que possui valor e respeito, mas não pensou em nada melhor para fazer neste final de tarde. (Riso)
Isso é o que os detém. Isso é o que os entrava, sem sombra de dúvida.
Que mais os impedirá? A preguiça, sim a indolência, a letargia:
 “Já tenho muito que tratar. Já estou a tratar do aspecto da criança em mim, e depois do adolescente, e depois tenho que descobrir sobre o jovem adulto, e a seguir sobre os concelheiros, e depois sobre o Si-mesmo, a alma, a consciência, e tenho isto e mais aquilo a processar, e tenho que desenvolver a singularidade e a autoconfiança, e a ambição positiva e pôr um termo à solidão, e desenvolver... Oh Deus do céu, e agora ainda me vens falar de mérito e de respeito! (Riso) Já tenho muito em que pensar; porquê dar-me ao trabalho de abrir essa Caixa de Pandora? Eu compareço aqui, tomo notas, reproduzo as cassetes, ponho-as no fundo da gaveta. Mas quando tiver tempo, quando tiver tratado de tudo o mais, então vou dar a volta à questão da autoestima e do respeito. Tenho demasiado que fazer.”
Fingem que têm! Mas a ironia está em que se desenvolverem o mérito e o respeito, muitas das outras coisas com que se debatem, e fingem ser difíceis de entender, e fingem ser demasiado difícil de ter, tornar-se-ão demasiado fáceis. Mas vocês deixam que a indolência os entrave!
Além disso, em sexto lugar, a frivolidade detém-nos. A frivolidade, a superficialidade, a futilidade. Não conseguem perceber um benefício imediato no valor, no mérito:

“Se não me trouxer o tal emprego, a tal mulher ou homem, a tal conta bancária, reconhecimento, fama, poder... E por não conseguir ver o que o mérito possa fazer por mim na quarta-feira à tarde, não vou perder tempo a desenvolvê-lo, e o mesmo se aplica ao respeito; de facto tanto em relação ao mérito como ao respeito!”
Não podem perceber de imediato os benefícios tangíveis, e assim a frivolidade de dizer:
 “Se não me conseguir ajudar a mudar na quarta-feira – esquece!”
Impede-os de desenvolver o mérito e o respeito que são tão cruciais ao desenvolvimento espiritual e tão válidos e importantes mesmo em relação ao desenvolvimento humano. E por fim o que os detém, o que os impede, é o facto de se adoptarem toda posição excepto a do adulto. É o facto de funcionarem com base - desde a criança até ao adolescente - no parente crítico, no ego, no passado, em alguma projecção ou identificação, no ciúme, na vingança, em todas essas situações em que tratam de se posicionar, em toda e qualquer situação que não a do adulto. Não desenvolverem esses elementos por só o adulto valorizar o mérito e o respeito!
Falem a uma criança de respeitar-se a si mesma; ela não saberá do que estão a falar! Não é por estar a ser indelicada. Não é só por estar a passar alguma coisa boa na televisão e estarem na frente dela – ela não saberá do que estão a falar! Ela é capaz de pronunciar as palavras e de os imitar. Com os adolescentes é igual. Na sua maioria não entendem o respeito; soa a coisa aborrecida, a algo que precisam assumir em relação aos professores, ao director, aos avós, mas só isso! Valor? Símbolos de notas de dólar; isso é o que representa o valor e o mérito. Quanto valor estará em questão? Isso é um produto de cálculo de computador ou de uma calculadora. Mas o adulto é capaz de perceber a validade do mérito enquanto influência não monetária. Valor-próprio!
Pensavam que este ia ser um debate sobre finanças, não é? Os novos recursos: onde encontrar mais dinheiro e possuir mais valor, não é? Pois sim!
Valor-próprio. O adulto compreende o que isso subentende. Mas se não se posicionarem na situação do adulto, não irão perseguir isso com energia e resolução. De modo que se impedem. O que nada tem de mal, se o potencial que tiverem for de passarem duas semanas no Yosemite, em Agosto, as duas últimas semanas de Agosto. (Riso) Podem sentar-se na vossa pequena espreguiçadeira, com o frigorífico e os arrotos, e proclamar a felicidade, não é? Nesse caso, tudo bem, esqueçam a coisa; não precisam de qualquer dignidade ou de respeito. Se isso for tudo o que desejarem, melhor será que duvidem disso. Só que isso entrava-vos, entendem? E não podem deixar que o faça, por desejarem mais do que o potencial humano, e quererem algo que se situa além disso, e que é o potencial espiritual.

Assim, para podermos falar de dignidade (valor) e de respeito, na medida em que se lhes aplica, precisamos abordar a espiritualidade. A palavra, o termo, “espiritualidade” assusta-os; a simples menção do termo evoca em vós todo o tipo de imagens referentes ao passado; crenças e posturas (atitudes) que assumiram e que lhes foram transmitidas. Para alguns, a espiritualidade evoca retractos da Igrejas, de sermões e de um profundo tédio. Para outros, a espiritualidade constitui uma pomposidade entupida envolta na arrogância e na superioridade. Contudo, para outros, a espiritualidade evoca e conjura imagens tipo cola pegajosa e doce, presa da ilusão, da complexidade e da distorção, da doutrina e do dogma. A espiritualidade assusta a maioria. Leva-os a pensar em Billy Graham, Jim Bakker, e em Jerry Falwell; a maioria de vós voltou as costas a essas tretas da tradição para se afastarem de todas esses péssimos retractos, para se afastarem de todas essas mentes fechadas, para se afastarem de toda essa presunção, pelo que fogem na direcção do potencial humano e na direcção da metafísica (se preferirem chamar-lhes tal coisa). E agora dão por vós confrontados com a espiritualidade, o que para alguns se parece exactamente como quando começam, quando tal semelhança não tem lugar.
Muitos de vós voltam as costas ao Deus cristão que parece tão contrário e arbitrário, e portanto muito menos que humano, em vez de sobrehumano. E assim, ao voltarem as costas voltam-se para o potencial humano segundo a ideia ocidental, a filosofia ocidental – muito embora continuem a falar de deuses e de coisas do género; por já terem passado essa fase. Vishnu e Shiva não passam de coisas hindus e orientais ou seja o que for. E aqui estais vós à beira de serem confrontados com a espiritualidade que os assusta e que nem sequer sabem bem o que seja, mas que os assusta. Foram-lhes transmitidas imagens, retractos assustadores de fealdade, em resultado do que se encontram aterrados.
A espiritualidade foi definida em termos bastante elogiosos e gente há que dedicou a sua vida à definição dela, e que, por definição, supostamente a terão vivido. Mas para o colocar de uma forma simples, a espiritualidade constitui o relacionamento que têm com Deus. Essa também constitui uma palavra assustadora e arriscada, por Deus ser aquilo de que se afastam e ao que estão a voltar as costas. Não estamos a falar do Deus Judeo-cristão nem do Deus Islâmico nem do Deus Hindu nem Budista, estamos a falar de Deus! Aquilo que É TUDO - TUDO O QUE EXISTE! O que Se encontra além de toda a descrição. E a vossa espiritualidade representa o relacionamento pessoal que têm com Deus. E todos possuem uma espiritualidade; algumas formas de espiritualidade são deformadas e distorcidas e bastante feias e repulsivas, mas todos possuem uma espiritualidade, até mesmo aqueles que alegam não ter qualquer relacionamento com Deus, e se dizem ateístas, ou seja o que for, porquanto possuem um relacionamento com Deus – que no mínimo representa uma falta de relacionamento, mas que mesmo assim constitui uma forma de espiritualidade.
E de facto alguns de vós possuem um relacionamento duro e entediante com Deus. E quando entram em meditação a fim de experimentar o Deus dentro de vós, ele não passa de um tédio muito silencioso, e de lixo. Mas vocês fingem que seja edificante, por não quererem admitir sentir-se aborrecidos; e sentam-se durante uma hora a deixar que as narinas se habituem ao incenso, e a dar atenção a um pedaço de corda colocada num pedaço de madeira, e a dizer que isso seja revelador. O relacionamento que têm com Deus é um tédio severo e por múltiplas razões, por ter sido isso que lhes foi incutido em criança e que, uma vez adultos, converteram. Para outros, o relacionamento que têm com Deus não passa de uma pomposidade obstruída que ecoa como arrogância e superioridade, probidade (hipocrisia), ódio e intolerância em nome de Deus. Violência e destruição em nome de Deus.
No entanto no caso de outros, o relacionamento com Deus não passa de um tipo qualquer de cola doce e pegajosa que representa uma capa para o fanatismo e a condenação que os inunda, ao dizerem: “Eu odeio-te,” com um enorme sorriso estampado na cara e de braços abertos, com base no juízo e no fanatismo que nutrem. Assim, não é de estranhar que alguns desses retractos de espiritualidade sejam verdadeiramente assustadores.
O que é suposto ter lugar nisto, entendam, é que ao virem a esta vida forneçam a vós próprios quadros, por intermédio dos vossos pais e das religiões e da escola – ou falta de escola! – fornecem propositadamente a vós próprios quadros de imagens distorcidas, imagens perfeitamente infantis, como a de:
 “Jesus ama-me, por a Bíblia o afirmar.”
Será essa a única razão? Será tudo o que têm a vosso favor? Nada para além de um livro que afirma que ele o faz? Retractos distorcidos, imagens deformadas. Quadros que lhes foram incutidos. Porquê? De modo a poderem sobrecarregá-los com eles para depois tratarem de se livrar dessa carga. Para poderem olhar para tais retractos e dizer-lhes:
"NÃO!"
De modo a serem capazes de distinguir com base no conhecimento do bom e do mau... (ininteligível) para jogarem fora essas imagens, para jogarem fora essa espiritualidade, e na vossa idade da razão - não por altura dos catorze! - na idade da razão criarem a vossa própria espiritualidade, uma espiritualidade lhes diga respeito e não à vossa mãe ou avó, nem aos presbitérios das vossas igrejas locais, ou à Igreja Católica, nem como uma coisa que tenham lido num livro, em criança, e que os tenha assustado; como algo que conseguiam criar e possuir como o relacionamento que têm com Deus.
Isso é o que é suposto acontecer, e é por isso que fornecem a vós próprios esses retractos deformados e distorcidos, independentemente do passado ou conhecimento que tiverem disso. Mesmo aqueles de vós que vêm de lares muito liberais e livres, dotados de retractos muito bonitinhos, do tipo:
"Deus é amor; Jesus é um tipo fantástico que os ama."
Até mesmo vós precisais deitar fora essas imagens, esses relacionamentos que lhes foram impostos ou transmitidos, para os criarem como coisa vossa. Por a espiritualidade não representar a simples aceitação de um relacionamento com Deus, mas a criação de um relacionamento com Deus.
Se tivessem vindo sem nenhumas imagens, então jamais teriam conhecimento delas! Proporcionaram a vós próprios imagens repulsivas e distorcidas, ou as imagens de mais alguém, de forma a despertar em vós a atenção para algo. E assim que a vossa atenção for despertada, jogam essas imagens fora. Mas infelizmente muitos detêm-se aí; mas é suposto avançarem e estabelecerem um relacionamento pessoal e estável, único com Deus.
Deus representa a energia TODA, a vida TODA, TODO o pensamento que alguma vez existiu, existe ou chegará a existir. Deus é algo que não conseguem compreender, e enganam-se se pensam poder compreender. Deus não é algo que consigam tocar - e enganam-se se pensam que podem tocá-lo. Deus não é alguém que lhes fala ou que fala através de vós; mentiriam se afirmassem tal coisa. Deus é uma energia incomensurável com que ainda não estão capazes de entrar em ressonância. Haveria de os desintegrar; a vossa Terra haveria de se desintegrar, o vosso sistema solar, a vossa galáxia, o vosso universo inteiro desintegrar-se-ia, caso Deus descesse ao vosso nível. Deus não é um velho simpático que responde às orações e lhes traz bicicletas por altura do Natal; isso é o Pai Natal - não Deus. Tampouco é uma mulher - seja de que raça for. Deus é uma energia de tal modo imensa e profunda e poderosa de cuja forma - que não possui nenhuma! - nem sequer podem ter a pretensão de fazer ideia; o seu estado - encontra-se em constante mudança e em constante expansão. O que acontece é o seguinte: Deus é TUDO O QUE EXISTE - uma frase bonita, mas quando se detêm a pensar no que isso subentende... TUDO O QUE EXISTE...!
E na sua própria expressão, Deus transformou, reduziu a sua energia, à semelhança de um transformador, um reóstato, (NT: um reóstato é um dispositivo que faz variar a resistência de uma corrente eléctrica, aumentando ou diminuindo desse modo a intensidade do circuito em que se insere) que reduz substancialmente. Porque mesmo o poder que representa não pode ser reduzido do nível d'Ele para o vosso, pois queimaria todos os circuitos, e tem que ser mais e mais reduzido até poder alcançar uma estabilidade que lhe permita tornar-se um universo.
De modo que aqui temos TUDO QUANTO EXISTE, somente uma partícula d'Ele, e nós enfatizamos que se trata de uma partícula diminuta, que foi reduzida milhares de vezes, até ser capaz de estabilizar como um pensamento auto-gerado chamado “O UNIVERSO”. E desceu ainda mais abaixo... (inaudível) de ser capaz de estabilizar... (inaudível) um pensamento auto-gerado que é capaz de se manter sem se desintegrar nessa frequência que chamam de realidade física, astral, mental e causal; que desceu a cada passo até poder suportar esta coisa chamada matéria, que se rebaixou até ser capaz de suportar esta matéria, e que se reduziu até ser capaz de se tornar físico. Mas entendam que o vosso universo começou por uma simples partícula.
Que coisa são vocês? São Deus, é verdade, só que de uma forma microscópica! Não se iludam pensando ser Deus e Senhores de todas as coisas. Sois Deus, e uma fracção de uma partícula, de uma partícula de outra partícula ainda. E ainda se maravilham, na vossa realidade, por os computadores serem cada vez mais pequenos! E qualquer dia, hão de ser tão pequenos que tudo quanto se acha num computador compacto actual caberá numa coisinha minúscula. A vossa ciência dos computadores, os vossos cientistas são tão de tal modo génios que estão a seguir o curso da natureza. Estão a copiar e a plagiar Deus ao reduzirem e encolherem essa partícula. E vós sois uma partícula reduzida um infinito número de vezes. E com certeza que isso representa uma maravilha; é isso que faz de vós uma coisa tão bela e tão fantástica e fascinante; porque nessa partícula que sois, mais pequena do que um grão de areia, relativamente falando, se acha contido todo o poder - TODO!
Se fossem tão compactos quanto o vosso ego acredita que sejam, se fossem tanto Deus quanto tentam asseverar a vós próprios quando tomam conhecimento da frase: "Vós sois," nada teriam de espetacular. É o facto de não serem NADA, e de nesse NADA se achar TUDO, que faz de vós uma maravilha e aquilo de que poderiam sentir-se fascinados. São Deus, é certo, mas também a haste de relva o é. E não sois mais do que ela.
O relacionamento que têm com Deus tem início, pois, no relacionamento que têm convosco próprios. Primeiro precisam tocar a vós próprios: "Ah. Eu sou capaz disso." Não, primeiro têm que chegar a ser adultos, e então tocar a vossa natureza, e se tocarem a vossa natureza poderão passar a conhecer-se e a ter dignidade e a respeitar-se e a tornar-se UM convosco próprios.
Muitos são os que procuram tornar-se unos com Deus, que se situa além - que tolice de ambição! Tornem-se UNOS convosco próprios:
"Não, acho que passo isso. É muito difícil. Não sei o que isso significa, sou ignorante em relação a isso e é muito mais divertido manipular, além do que, não seria capaz de tal coisa; tenho um ego que quer ser responsável e em breve teria que o deixar assumir as rédeas, sou preguiçoso, e não me tornei ainda num adulto; pelo que, em vez disso vou procurar Deus."
Toquem-se a si mesmos e conheçam-se, tornem-se UM convosco próprios. Esse é o primeiro passo, para estabelecerem um relacionamento com Deus.
O segundo passo; conheçam-se a si mesmos com letra maiúscula. O que são, conforme mencionamos nos três dias dedicados a “Tudo O que São”. Essa é uma frequência mais elevada do que vós, e que constitui Deus rebaixado à vossa condição, e elevado ao que é, a partir da vossa condição. Toquem esse Eu, conheçam esse Si-mesmo e tornem-se nesse Eu e serão unos com a parte mais vasta de Deus.
E depois, a vossa alma, que aqueles de vós que participaram no seminário intitulado “Nova Peça”, conseguiram tocar, vislumbrar, sentir; tocaram na vossa alma, estabeleceram um relacionamento com ela e tornam-se um com a vossa alma e absorveram uma parte mais vasta de Deus. Mas depois há o vosso Eu Superior, que constitui uma parte muito vasta de Deus, mas ainda assim uma parte muito reduzida d’Isso que Ele é. Toquem o vosso Eu Superior, estabeleçam um relacionamento com Ele, tratem de conhecer o Eu Superior e em última análise tornar-se-ão UNOS com Ele. E passarão a conhecer uma fatia mais vasta de Deus! Mas ainda assim não chegarão a conhecer TUDO o que Deus é! E para além do vosso Eu Superior – o que mais? O nível mais elevado que é capaz de alcançar estabilidade no vosso mundo inferior.
De modo que, não podem ainda chegar a conhecer o que esteja para além disso. Mas existem porventura outros níveis, outros Eus Superiores de Eus Superiores; existem pedaços cada vez mais vastos de Deus, frequências cada vez mais elevadas, com que cumpre no relacionamento que tiverem com Deus tocar e tornar-vos UNOS. Chegarão alguma vez a tocar as fímbrias da fatia mais vasta? Não! Ela acha-se em constante crescimento. Está em constante movimento, e vós estais em contínua perseguição d’Isso, e isso constitui a vossa garantia de eternidade. Porque no momento em que recuperarem a vossa fatia maior, a garantia é a de que Deus esteja em crescimento. E isso mantém-nos vivos; quer essa vida seja física, astral, causal ou mental; quer essa vida seja uma alma individual ou uma consciência superior, quer essa vida se assemelhe a um universo, o facto de Deus crescer representa a vossa garantia de eternidade. E o dom mais belo, em última análise, não lhes vale de muito entre o dia de hoje e o de segunda-feira, mas em última análise o vosso dom será objecto do vosso mais elevado apreço e da vossa maior gratidão.
Assim, podem aceder a porções de Deus, vocês são uma porção de Deus. Mas a vós cabe a tarefa de estabelecer uma relação que primeiro constitua um conhecimento de pertença e a seguir uma certeza, para por fim se tornarem, ou se transformarem n’Isso, de modo a poderem entrar na próxima corrida, e conhecê-lo e transformar-vos n’Ele, para atingirem a seguinte, e a seguinte, e a seguinte. Um pensamento que se gera a si próprio, à medida que Deus move uma enxurrada de pensamentos desses, a Terra Pátria auto-gerada, que é o vosso Eu Superior. E ele, seguindo o padrão de Deus, quer conhecer-Se a Si mesmo. E derrama outros pensamentos que se geram a si próprios, que representam a vossa alma, e o vosso ser, o que vós sois.
E vocês, seguindo o padrão de Deus, com vontade de se conhecerem a si mesmos, derramam outros pensamentos que se geram a eles próprios, que perfazem a vossa realidade; as pessoas sentadas ao vosso redor, o chão e a terra em que caminham, o ar que respiram e as alegrias e os desastres que criam. Conhecer-vos a vós próprios.
 “Porque estou a criar esta realidade?”
Conhecer-vos a vós próprios! Por estarem a seguir o padrão de Deus – o único padrão que existe. Um pensamento que se gera a si próprio, e que é capaz de retornar à origem. A vossa espiritualidade é isso. E é essencialmente a razão por que se encontram aqui, para poderem chegar lá.
Não é só pelo dinheiro, embora tenham montes dele; não é só pela posição, que poderão assumir a que quiserem, nem pelos automóveis, ou por aqueles com quem vão para a cama, ou deixam de ir. É para conhecer Deus. Tudo é espiritual: a política, a economia, as táticas da guerra fria, a política nuclear; isso é tudo espiritual.
Isso faz tudo parte da relação que têm com Deus. E na medida em que conseguirem começar a ver a coisa nesses termos, erguem o véu e percebem uma realidade assombrosa e um mundo maravilhoso que jamais terão visto antes. Para isso precisam ser dignos, e assim, ter valor; precisam respeitar, e desse modo, ter respeito. Para serem espirituais, para conhecerem a Deus, para terem uma relação que valha a pena, precisam ter dignidade e respeito; precisam desenvolver-se, desenvolver a consciência, inclusive aqueles aspectos que foram mencionados.
E assim, considerando isso, queremos olhar por uns instantes esse desenvolvimento pessoal; nós empregamos muitos termos similares: amor-próprio, respeito próprio, autoconfiança, autovalorizarão ou autoestima, confiança própria, realização pessoal, autoconhecimento - todo o tipo de termos. E esses termos são empregues com tal rapidez que ninguém se detém a olhar para o que envolvem, mas circunscrevem-se num processo que de facto compreende sete componentes que se encaixam num processo evolutivo; e nós estivemos a abordar dois deles: um é um ser espiritual e o outro é um ser não espiritual.
Vamos abordar o ser espiritual em primeiro lugar. O primeiro aspecto que se desenvolve é o do autoconhecimento – que constitui um termo rebuscado que é usado por certos psicólogos a fim de sugerirem Auto iluminação, ou Autorrealização ou Individuação. Mas na verdade, basicamente, o primeiro nível do autoconhecimento consta da percepção de exercerem impacto; é isso que o autoconhecimento subentende. Perceber que causam impacto. Não compreende a responsabilidade nem o discernimento desse impacto como negativo ou positivo: “Eu causo impacto!” Tipo: “Eu penso, logo existo.” Autoconhecimento!
Há muita gente que ainda não tem consciência disso, que não se conhece.
“Ora, toda a gente tem consciência de causar impacto.”
Não! Muitos de vós fingem não causar impacto algum.
“Bom, quando é bom, eu exerço impacto. Mas se for negativo, já é criação dos outros.”
Vós desempenhais esse duplo padrão. Vejam bem, não têm consciência de si mesmos, ao desempenharem isso nem acreditam inteiramente nisso:
“Que se alguém beneficiar comigo eu tenha exercido impacto, mas se não tiverem beneficiado isso se deva à sua criação, às suas acções, joguinhos, seja o que for. Eu não lhes causei isso; eles causaram-no a eles próprios.”
Ainda não estão conscientes de si mesmos! Ainda nem sequer se encontram no primeiro nível.
Mas o primeiro nível consta da percepção de causarem impacto - consciência de si mesmo. E logo a seguir à consciência de si desenvolve-se a dignidade pessoal:
“Assim tão depressa?”
Sim! (Riso) Não podem esperar que isso se realize próximo do final, não é? (Riso) E número dois: o valor próprio ou dignidade pessoal. Que coisa será a dignidade pessoal? É a vossa natureza determinada – esta é uma palavra importante! – a vossa natureza determinada enquanto ser espiritual que são. A dignidade pessoal é a natureza óbvia que possuem, enquanto ser espiritual que são! É assumida – não é fruto de nenhum desenvolvimento, nem é merecida (adquirida) mas assumida. E é a vossa natureza espiritual que determina o valor, a dignidade que têm; não a vossa natureza física, por não ser um vestido Hillborough ou Pacific Heights; isso assenta num valor estabelecido.
A vossa natureza espiritual! Que tipo de carro conduzem, quanto dinheiro têm, quantos os temem? Isso são valores estabelecidos. O valor tem muito pouco que ver com as coisas tangíveis e tem tudo que ver com o Ser (o que são). A vossa natureza espiritual assumida representa a dignidade própria. Assumida.
A terceira forma de desenvolvimento representa a autoestima. A autoestima é obtida ou ganha. Infelizmente muitos pretendem que seja assumida, mas é obtida; é uma compaixão e um afecto, uma gentileza por vós próprios, que é obtida ou merecida, conquistada. Podem ganhá-la assim como podem perdê-la, para voltarem a reuni-la de novo. Desejariam que fosse assumida, mas não é.
Qual será a quarta, a mais óbvia, a que permanece justamente no meio? O amor-próprio. O amor-próprio é assumido; não o obtêm. A maioria de vós tenta ganhá-lo, razão por que nunca o chegam a obter. Por não poderem ganhar o amor-próprio. Como poderiam pensar nisso ainda que por um instante? Pensam:
“Eu vou-me amar; vou tratar de o fazer.”
Tudo bem, isso e possível. Mas vão obter esse amor da parte de quem?
“De mim próprio.”
Como vão fazer isso? É impossível. É assumido. Podem descobri-lo, podem desvendá-lo, podem embelezá-lo, podem usá-lo. Mas não conseguem adquiri-lo. O amor-próprio é assumido – compaixão e carinho por vós próprios.
“Bom, essa parece uma situação estranha. Primeiro temos de ganhá-lo e de pois é assumido?”
Exactamente! É assim! A autoestima é ganha, e a compaixão e o carinho, ou amor-próprio são assumidos. E assim que os obtiverem, muitas vezes descobrem que já os tinham o tempo todo. E é o mais determinante, é onde as pessoas ficam enclausurados, no amor-próprio.
“Enclausurados em algo tão belo quanto o amor-próprio?”
Sim! Tal como podem ficar enclausurados no céu cristão ou no céu islâmico, ou no céu dos orientais. Podem ficar enclausurados nisso – por causa da sua beleza!
“Isto é tão magnífico!”
Com certeza!
“Isto deve ser tudo quanto existe!”
Com certeza!
“Deve constituir o epítome do crescimento; isto deve ser a derradeira utopia!”
E isso representa a armadilha que tanto o céu quanto o amor-próprio representam.
Que haverá a seguir ao amor-próprio? A autoconfiança! A autoconfiança tanto é desenvolvida como é adquirida. Não é assumida, por precisarem conquistá-la. E não só precisam conquistá-la como precisam desenvolvê-la. Que coisa será? É a emancipação adquirida e desenvolvida, a faculdade de confiar, de depender de vós próprios; de estar à altura. É tudo. Sim, subentende vários componentes, mas basicamente é isso que traduz.
E depois da autoconfiança? O respeito-próprio. Aí está o outro! Respeito-próprio, o qual é conquistado e desenvolvido. Apreço pelo vosso eu emocional. Valorização adquirida e desenvolvida do vosso ser emotivo – não do vosso ser físico, nem do vosso ser intelectual. Não se respeitam a si mesmos por uns pulmões e um coração fortes e saudáveis; não se respeitam a si mesmos por serem velhos e saudáveis. Podem respeitar o vosso corpo, e podem respeitar a vossa saúde, mas não a vós próprios. O respeito-próprio consta da valorização do vosso eu emocional – e tanto é adquirido como desenvolvido.
E o sétimo? Autorrealização. O que representa a consciência de exercer impacto – e ser responsável por ele - tanto pela causa como pelo efeito! Autorrealizado, ou auto actualizado, ou completamente individualizado, ou pessoa isenta de limites ou seja o que for; livre de zonas erógenas ou erróneas ou qualquer coisa assim. (Riso) Autorrealizado – ciente de causar impacto, tal como no passo inicial, só que desta vez dotado de responsabilidade pelo que cria e pelo efeito que isso tem – causa e efeito.
Esse é o processo, esses são os sete níveis que desenvolvem enquanto pessoa espiritual. E façam o favor de compreender que não desenvolvem apenas um, para assim que o obterem descartá-lo para passar ao segundo, para depois descartarem para passardes ao terceiro; desenvolvem um, e a seguir dois, e depois um, dois e três, e depois um, dois, três e quatro... Pensamos que já entendem o resto, não?
Mas, que acontecerá se não desenvolverem o valor-próprio - passo número dois? Bom, o que acontece é o seguinte: ainda disporão de autoconhecimento - que representa o primeiro passo – percebem que exercem impacto. Se voltarem as costas, ou por uma razão qualquer não desenvolverem o autoconhecimento, ou percepção de vós próprios, passarão nesse caso a desenvolver o egocentrismo; essa e a contrapartida. Uma pessoa que tem dignidade não é egocêntrica. Uma pessoa que finja ter mérito, sim - e a contrapartida disso representa o egocentrismo.
Mas digamos que fazem isso, certo? Têm consciência de vós próprios, são egocêntricos, mas vão em frente e desenvolvem a autoestima a qualquer preço. Podem aprender a fazer isso, isso pode ser cultivado e desenvolvido. De modo que desenvolvem a autoestima. O que lhes acontece é que, sim, podem desenvolver a autoestima, podem crescer no âmbito do vosso movimento do potencial humano – não no âmbito do vosso potencial espiritual - não sem dignidade! Assim, não possuírem dignidade mas egocentrismo em vez dela, desenvolvem a autoestima - a menos que tratem dessa autoestima todos os dias – a aplicam-lhe uma boa dose de trato, e isso deteriora-se em presunção. Se não se incomodarem em desenvolvê-la de todo, desenvolverão a presunção relativa à importância pessoal.
Portanto, a terceira posição, da autoestima: ou a desenvolvem e a deterioram, ou não a desenvolverem de todo e transformar-se-á na presunção. Considerem isso, examinem a coisa por um instante. Olhem para aqueles – os outros, não vós, não se preocupem com isso. (Riso) Podem constatar aqueles que de facto alegam que se estimam a eles próprios, e que com base na autoestima fazem e acontecem, quando tudo quanto na verdade fazem é aumentar a própria presunção. A presunção representa a contrapartida disso.
O amor-próprio é assumido, mas existem métodos e meios através dos quais podeis desenvolver o amor-próprio quando ele lhes pode ser dado – simbolicamente colocado na vossa cabeça por um homem muito idoso. E se recordarem esse tempo podem desenvolver o amor-próprio. Mas, e se não tiverem qualquer mérito ou dignidade? Poderão desenvolver o amor-próprio, mas ele deteriorar-se-á em oportunismo, ou não o desenvolverão em absoluto!
Mas desenvolverão o oportunismo e chamar-lhe-ão amor. Já viram isso.
“Não quero limpar a casa, quero amar-me a mim própria, ou ir à praia, em vez disso. Hoje, não quero ir trabalhar, mas quero amar-me, em vez disso, e ficar em casa. Não me apetece ser sincero e responsável, e modo que me vou amar, ao abdicar dessas coisas. Eu tenho responsabilidade por ti, e prometi-te isto, mas subitamente fui atingido pela ideia de me amar, pelo que decidi que não, não vou fazer isso. Eu trabalho demais. Dou-me demasiado aos outros; é tempo de fazer algo por mim. Assim, vou abdicar das responsabilidades que tenho em relação a ti, e chamar a isso amor-próprio, quando tudo quanto estarei a fazer é servir-me. Tudo o que farei é apaziguar-me, e usar esse termo, “amor-próprio” para que a coisa pareça ser correcta. Por ter ouvido isso em qualquer parte, e ser suposto ser uma boa coisa, e ninguém poder discutir isso. Eu estava unicamente a amar-me a mim própria; deixa-me em paz! Não tens o direito de me criticar, nem razão para ficares zangado, ou para te sentires magoado, nem para me confrontares, nem fazeres o que quer que seja excepto louvar-me.”
Isso é ser interesseiro! Não é amor-próprio.
“Mas não era divertido, razão por que não o fiz. Só estava a manifestar amor por mim própria.”
Não, só estava a ser interesseira! Se não fosse divertida seria de esperar que o tornasse divertido. Isso seria amor-próprio!
“Eu olhei para o emprego que tinha e não parecia ser mais divertido, o que me levou a desistir. Que é que faço de seguida? Só estou a querer agir com base na espiritualidade, sabes? Só estou a manifestar amor-próprio ao desistir do emprego que assegura o pagamento da renda e da prestação do carro.”
Bom, manifestem amor-próprio suficiente para arranjar outro! Ou melhor – deveriam ter manifestado amor-próprio de modo a torná-lo divertido. E de seguida, se quisessem um tipo diferente de diversão, deveriam porventura ter abandonado esse emprego. Mas não se iludam com esse interesse a que chamam amor-próprio. Esse interesse patentear-se-á se a dignidade não estiver presente. De forma bastante evidente.
Após o amor-próprio vem a autoconfiança, e de facto a autoconfiança é desenvolvida – é desenvolvida, sim! – mas também é ganha. Assim, uma pessoa sem dignidade pode ter confiança - durante um tempo; por finalmente acabar por se deteriorar na autoilusão. Os maníaco-depressivos enganam-se a eles mesmos e chamam a isso confiança:
“Eu tive a ideia mais espantosa, eu vou revolucionar o mundo, vou alterar tudo e tornar-me rico na próxima quarta-feira. Eu inventei esta coisa que se vai tornar numa coisa... eu vou ser a próxima Bárbara Streisand. Não, eu jamais cantei uma canção na minha vida; não, eu não tenho ouvido musical e não sei interpretar uma pauta, mas eu crio a minha própria realidade e estou confiante...!”
Estão a enganar-se a ti mesmos! Um autoengano completo! Isso não é confiança, nem criar a vossa realidade mas utilizar conceitos muito belos como instrumentos de manipulação.
Em vez disso, alguém nos disse certa vez, ou melhor, perguntou-nos:
“Que carreira haverei de escolher?”
Colocam-nos muito essa pergunta. Que gostarias de fazer - perguntamos?
“Bom, gostava de ser editor da revista.”
Ou outra coisa qualquer. Mas, tratava-se de uma editora importante! E nós: Hmm. Caramba! É formidável. Tens alguma experiência?
“Não, mas eu aprendo rápido, e depois, eu crio a minha própria realidade, não é? Estou confiante que consigo.” (Riso)
Ah, mas é claro, entrar pela editora do Times dentro e dizer:
“Eu gostava de me tornar editor! Eu tenho o nono ano! (Riso) E aprendo rápido e tenho confiança.”
Isso não passa de uma ilusão! É tão óbvio! Mas os exemplos que citamos são exemplos que escutamos! Não são uma ilusão, nem os inventamos. Vocês contaram-mos. São as vossas ilusões.
Mas vocês iludem-se e depois chamam a isso confiança, Hurra-hurra, dão palmadas nas costas e dizem:
“Eu crio a minha realidade, não me venhas dizer que não posso tornar-me nisto ou naquilo ou mais aquilo.”
Não, não lhes diremos que não se podem tornar nisso, mas estão a iludir-se a si mesmos. Por não estarem necessariamente dispostos a fazer o que seja necessário para se tornarem nisso; só estão a deixar-se levar a esmo. Mas é isso que acontece à autoconfiança quando não possuem dignidade que a estabilize, quando não têm sentido de dignidade com que possam dizer:
“Ora, sê sincero. Sê sincero! Acorda, sê sincero.”
Bom, depois da autoconfiança segue-se-lhe o respeito próprio. Como será uma pessoa destituída de dignidade em relação ao respeito-próprio? Ah, isso é muito simples; chama-se autoindulgência, comodismo. Favorece-se a ela própria e chama a isso respeito. E na dieta ingere todo aquele chocolate a mais por ter que se respeitar a ela própria. Não se afasta disso, nem toma outro rumo, de modo que manipula e chama a isso respeito-próprio.
“Eu só tenho que me respeitar a mim mesmo, e apontar A, B, C."
O que representa tudo uma manipulação, tudo um jogo. Satisfazem-se com qualquer capricho ou fantasia, para que o seu ego possa querer conduzi-los. Satisfazem-se com o que quer que o vosso ego deseje, e depois chamam a isso respeito:
“Eu estou a respeitar-me!”
Se precisarem anunciar isso nesses termos, o provável é que não estejam de todo. Outra coisa não será além de autoindulgência. E assim se iludem!
O que não quer dizer que se alguém tenha respeito-próprio faça isto ou aquilo, ou que, pelo facto de ter que se respeitar vá fazer isto ou aquilo; não quer dizer que o facto de mencionar a palavra queira dizer que não o esteja a fazer. Mas o facto de precisar anunciá-lo e convencer os outros constitui um indicador disso. Ou se precisarem ficar zangados:
“Caramba, eu estou a desenvolver o meu respeito-próprio e tu não me deixas!”
Ou:
“Eu respeito-me quanto baste, não me digas o contrário!”
O provável é que não estejam, mas sim a condescender convosco próprios! O capricho do ego, a que chamam respeito.
Mas mesmo no caso da pessoa que desenvolve mérito e avança nesse sentido, e que tem consciência do valor, e que tem consciência de uma sincera autoestima e de amor-próprio e autoconfiança, se não desenvolver o respeito-próprio – o que é possível, embora altamente improvável, mas possível – ainda assim votar-se-á para a autoindulgência, a uma autorrealização que conduz à autodestruição. Sem dignidade, o desenvolvimento pessoal torna-se percepção de si mesmo, egocentrismo, presunção, indulgência, autoengano, autoindulgência e autodestruição.
Mesmo com o desenvolvimento da dignidade, mas sem respeito, tornar-se-á em consciência de si mesmo, autoestima, valor próprio, autoconfiança, amor-próprio, autoindulgência, autodestruição. Espera-se que sejam suficiente bons para vós próprios para se destruírem nesta vida. Em vez de serem cruéis, (…) esperarem por isso. Atravessar a vida de forma egocêntrica, indulgente, senhor de si, comodista, no autoengano, e sem se destruírem, é verdadeiramente cruel, e é o maior autoengano com que podem brincar. Que podridão viver uma vida inteira apenas para descobrirem que foram uma farsa, que foi um desperdício, uma inutilidade! Quão melhor não teria sido ir em frente e destruir-se enquanto ainda podiam ter consciência disso, e ainda dispunham de pelo menos a possibilidade de reconstruir; por que o que podem fazer fisicamente se expressa de uma forma exponencial não material.
O que conseguem em termos de crescimento e de enriquecimento num ano no plano físico, pode representar uma realização de décadas em outros níveis. Uma vez se sintam realizados enquanto pessoa adulta, uma vez se sintam metafisicamente realizados e de facto tenham consciência de criarem a vossa realidade e de realizar o vosso potencial humano, não se detenham aí; desenvolvam-se tanto quanto conseguirem espiritualmente por que quanto mais conseguirem desenvolver-se espiritualmente no físico, mais isso representará dez ou vinte vezes, cem vezes mais do que poderão obter em outros níveis, se esperarem até lá.
E assim aqueles de vós que se agarram aos problemas e que estão sempre a recriá-los, porquanto:
“Pelos céus, se não tivesse problemas, nem sei o que haveria de fazer...”
Resolvam esses problemas, e prossigam com o vosso desenvolvimento espiritual, porque quanto mais conseguirem realizar enquanto estiverem vivos, mais rapidamente irão conduzir-se em frente, quando não mais estiverdes na matéria.
Aqueles que temem:
“Deus, eu não tenho mais problemas; eu posso morrer, posso começar a ficar senil; o melhor é que tenha problemas que me ancorem.”
Isso é estúpido! Isso não é espiritual; só por o entoarem com uma voz delicada não o torna espiritual.
“É por isso que tenho problemas, por ser tão evoluído, que se não tivesse simplesmente pôr-me-ia a vaguear!”
Talvez seja verdade, só que é verdadeiramente estúpido. (Riso) Verdadeiramente estúpido!
Assim, ao dizerdes isso, lá para convosco dirão:
“Ah, impressionei alguém.”
Percebei também que estão a exibir a mais completa ignorância! Isso revela tanto de belo quento de estúpido! E nem mesmo são loiros para andarem por aí com isso! (Riso) Há outras coisas a fazer para além da resolução de problemas, e muitos de vós estão a atingir esse ponto, sabem; cada vez mais escutamos:
“Sabes que mais? Não tenho mais problemas!”
Abrem uma garrafa de champanhe e:
“Vamos lá fazer uma tremenda festa em relação a isso; é fantástico! Agora, já podemos falar sobre as coisas divertidas, como o teu crescimento e a tua expansão e a descoberta da tua espiritualidade. Descobrir Deus juntos. Isso é que é animador e fonte de alegria.”
Mas outros persistem em ter problemas por terem receio de se vaporizar. Ou por não terem mais nada que fazer e se entediarem para o resto da vossa vida. Receio de morrer alguma morte horrenda.
Essa foia teoria, sabem, que surgiu por altura da morte do John Lennon, a de que ele tenha morrido por ter feito todas as coisas magníficas que tinha a fazer, razão por que terá partido. Foi ridicularizado de morte, e depois visto como belo. Mas a fealdade e a dor e a razão para querer fugir achavam-se presentes. Mas de qualquer forma, seja como for, isso não sucede, as pessoas não são assassinadas de forma chocante, nem atropeladas por rolos compressores por terem o trabalho feito. Há mais a fazer que não consta de trabalho. A descoberta de Deus, o desenvolvimento do vosso potencial espiritual.
Como Deus, vocês produzem-se a si mesmos à medida que ele se reduz na Sua produção de energia para finalmente chegar a descer sobremodo e por fim descer a um pensamento que se gera a si próprio e que é capaz de se sustentar sem se desintegrar ou de desintegrar os seus arredores. Queremos tirar um instante para ver o que seja uma ideia auto geradora. Nem todo a ideia que se tem! A ideia auto geradora tem um certo número de componentes que operam de modo aritmético em sequência - progressão linear. Um pensamento auto gerador contém o próprio desejo com a objectividade do desígnio (intenção); possui impecabilidade e visão, e funciona com elegância. Possui coragem e alegria, compreensão e sabedoria, e funciona com excelência. Um pensamento que é autónomo e circunscrito para chegar a ter o desejo por intermédio da objectividade e da elegância e da excelência, é um pensamento que se gera a si mesmo.
Que será Deus? Que coisa é Deus, a energia, Tudo Que Existe, a Talidade (Aquilo que é como é), que coisa será Deus? Deus é a combinação de componente que funcionam não por via aritmética mas sinergicamente. A combinação do desejo, da objectividade, da impecabilidade, da visão, da elegância, da coragem, da compreensão e da sabedoria, da excelência. Os componentes a funcionar sinergicamente pelo que o todo é maior do que a soma das partes.
Que coisa serão vocês? Uma ideia que se gera a si mesma, que a vossa consciência superior tem. Em vós tem existência o desejo, a clareza, a elegância e a excelência em potencial que é vosso para revelarem e descobrirem. É vosso para activarem. E se o activarem e funcionarem com base nesse desejo, nessa clareza, nessa impecabilidade, visão e elegância, com alegria e coragem, compreensão e sabedoria, com excelência, estarão a igualar Deus, na vossa forma diminuta e microcósmica. Estarão a emular a Deus e encontrar-se-ão no mais próximo de serem Deus, para chegarem a tocar a si mesmos, à vossa Alma, ao vosso Eu Superior, para chegarem a conhecê-los e para chegarem a tornar-se Um com eles. Estarão o mais próximo que podem.
Para o conseguirem, necessitam de todos os sete aspectos do Si Mesmo. Precisam começar por ter consciência de si mesmos e a seguir ter o vosso mérito, descobri-lo, desenterrá-lo, descobri-lo, de modo a poderem desenvolver a estima e o amor, e a confiança e o respeito; de forma a poderem realizar-se. Crescer espiritualmente é essencial - passo um e seis - mérito próprio (dignidade) e respeito.
Vejamos agora como o mérito e o respeito não são a mesma coisa, por as pessoas muitas vezes os usarem de forma indistinta e fazerem referência ao mérito próprio e ao respeito próprio, enfim... Importa saber que ambos são termos muito semelhantes e que possuem determinadas características que são as mesmas, pelo que só fará sentido que se enquadrem na segunda ou na sexta posição de um processo. Mas existem diversos componentes e diversos factores que de facto fazem deles o mesmo, o primeiro dos quais é: Que tanto o mérito quanto o respeito têm que ver muito mais com uma honestidade emocional do que com uma verdade factual.
Este é um factor muito importante que parece bastante simples e que se escreve na boa, mas que é um factor importante a considerar. Com frequência andam em busca de mérito na área tangível da vossa vida, nos factos da vossa vida. Com frequência buscam respeito e dignidade no facto de dizerem a verdade ou no facto da vossa vida ser factualmente precisa. Mas o que nós sugerimos é que não desenvolvem mérito nem respeito desse modo; não se respeitam a vós próprios devido às vossas realizações físicas. Podem dizer que o fazem, podem fingir que se respeitem devido ao sucesso que tenham tido, devido ao belo carro que conduzam, devido à magnífica casa em que vivam, devido à belíssima mulher ou homem que têm, mas vocês não se respeitam por isso. Poderão sentir admiração por vós, poderão gostar de vós, poderão mesmo sentir-se agradados convosco próprios mas não se estarão a respeitar a si mesmos -- e é aí que muita gente comete o erro de procurarem alcançar respeito adquirindo respeitabilidade. Mas não são sinónimos.
Vocês estão a lidar com uma realidade ilusória; por mais sólidas, e aflitivas e felizes que sejam essas ainda são ilusões particulares, e vocês não se podem respeitar em função de uma ilusão, nem podem sentir-se dignos de manifestar ilusão. É suposto que o façam - é o que lhes compete fisicamente, criar realidade que contenha mais gente, que comporte um chão e paredes, e que tais chãos e paredes tenham solidez e robustez e beleza. Não se podem sentir dignos por fazerem o que seja suposto fazerem. Não se podem sentir dignos por fazerem o que sucede naturalmente. Não se podem sentir dignos por, caso não o fizessem não estariam aqui. Dignidade e respeito constituem uma honestidade emocional e não uma verdade factual. Só que muita vez buscam a dignidade e o respeito em meio à verdade factual e se admiram por não os conseguir descobrir -- por não se encontrarem aí! Podem procurá-las aí até ficarem carecas que jamais as encontrarão aí. Por isso ambas têm isso em comum e lidam com a honestidade emocional.
Pensem naqueles que respeitam. Respeitam-nos por terem dinheiro? Alguns de vós pensam que sim. Tudo quanto estão a fazer é a desempenhar o lado negativo da superioridade:
"Eles possuem dinheiro, por isso são melhores do que eu. Eu quero ter, por antecipar que algum dia venha a ter dinheiro e então venha a ser melhor que os outros."
Quão tolos são para alimentarem esses tipos de superioridade, para crer que aqueles que tenham dinheiro e que conduzam Mercedes sejam, de algum modo melhores; mas vocês sustentam isso e de algum modo isso torna-os inferiores, por planearem ter um dia um Mercedes desses ou ter tanto dinheiro assim, e mal conseguem aguardar por ganharem vantagem sobre os outros. À medida que veem os Rolls Royce a passar de boca aberta:
"Caramba, que bonito!"
Por visualizarem algum dia encontrar-se dentro nesse Rolls Royce a olhar para fora pelos seus vidros fumados e a dizer:
"Caramba, quão fora de modo eles são!"
Mas isso não é respeito. As pessoas que têm montes de dinheiro desejariam obter respeito desse jeito, mas não. E as pessoas que não têm fingem que seja assim que o obtenham, por pensarem que um belo dia venham a consegui-lo. Mas não se trata realmente de respeito em função da casa ou do carro ou do relacionamento. Vocês respeitam as pessoas pela sua honestidade emocional. Se essa honestidade emocional se tiver manifestado numa bela vida, tanto melhor. Mas o respeito acha-se associado e toca a honestidade emocional. E isso é a coisa que todos vós poderão ter de imediato. Não têm que esperar até que a vossa sorte surja, não têm que aguardar até estabelecerem a conexão. Podem ser honestos convosco próprios imediatamente. E se derem a isso alguma credibilidade poderia representar o factor equalizador - mas isso é exactamente aquilo que não querem, por quererem ser superiores; em resultado do que não admitem a honestidade equalizadora efectiva. Com a dignidade acontece o mesmo. Uma pessoa não é digna por causa daquilo que realiza. Ela experimenta e exprime a dignidade que tem com base na honestidade com que lida consigo própria.
Uma segunda base comum tanto para a dignidade como para o respeito é que ambos infelizmente podem ser facilmente esquecidos e perdidas no movimento do potencial humano e no movimento do potencial espiritual. Por serem demasiado vagos e indistintos e não serem tão concretos quanto o amor-próprio cujos benefícios e resultados vocês constatam muito rapidamente; por não serem tão evidentes quanto a autoconfiança que se demonstra a si mesma. Não são tão claros quanto a autoestima, que é bastante sentimento tem tanto de sólida e robusto quanto de distinto. E assim são facilmente perdidas e esquecidas.
A primeira coisa que têm em comum é que, se não as tiverem, isso produzirá estagnação, regressão e destruição. Porque mesmo o movimento do potencial humano, em que tal dignidade e respeito não são necessários – encorajados, mas não necessários -- em última análise estagnará, regredirá e se destruirá. Por o objectivo que têm na materialidade ser o de se tornarem plenamente humanos, mas não ficar por aí. O vosso objectivo também passa por se tornarem tão espirituais quanto possam; ter uma relação tão activa com Deus quanto puderem. E se não tiverem dignidade nem respeito, nesta como em qualquer outra vida, vocês automaticamente esbarrarão com a estagnação, com a regressão e a destruição.
Em quarto lugar, ambos têm em comum um fenómeno bastante interessante, que é o facto de poderem constituir literalmente um veneno para o ego. Se vocês possuírem dignidade própria e respeito próprio isso tornar-se-á num veneno para o vosso ego, e o vosso ego negativo não poderá funcionar, não poderá florescer mas correr no sentido inverso.
Do mesmo modo, os eufemismos da dignidade e do respeito, podem representar um excelente combustível para o ego negativo. Quando vocês passam a palavra e usam os termos como rótulos, seja em que estado de percepção ou do ser que desejem aplicá-los, e chamem a qualquer coisa para que não tenham outra designação que denote mérito, a algo de que queiram afastar-se com respeito, eles podem ser o maior dos combustíveis para o vosso ego negativo. A maior das camuflagens.
Também há importantes diferenças, diferenças bastante significativas entre a dignidade e o respeito que também importam compreender no desenvolvimento desse respeito. A primeira diferença assenta no facto de que a dignidade ou mérito é assumido; não e ganho nem é desenvolvido. O respeito é desenvolvido e ganho, e não é assumida. E isso é muito importante, e porventura será razão para que, se nada mais obtiverem deste entardecer, se realmente o chegarem a compreender – não só aprendê-lo de forma intelectual de modo a conseguirem repeti-lo se forem interrogados acerca disso – mas para que cheguem a conhecê-lo no vosso íntimo. A dignidade constitui uma qualidade e não uma quantidade. Toda a gente possui exactamente a mesma quantidade de dignidade, que é cem por cento. Vocês não podem chegar a ser mais dignos, nem tão pouco conseguirão tornar-se menos dignos.
Ninguém é mais digno ou menos digno que vós. Mas vocês podem ouvir estas palavras e memorizá-las e têm vontade de as esquecer, por o vosso ego querer pensar que são mais dignos do que os outros, ou que os outros sejam menos dignos que vós. Mas isso é impossível. O mais vagabundo e desafortunado dos indivíduos é tão digno quanto vocês. O assassino mais insolente que se encontre no corredor da morte em qualquer prisão do mundo tem tanta dignidade quanto vocês. E todas as boas acções e os actos caridosos e o amor vão e o carinho que têm pelos outros, não os torna mais dignos nem menos dignos. Isso é importante saber, mas ainda assim muitos de vocês darão meia volta e procurarão desenvolver a dignidade, tentarão fazer alguma coisa que os torne mais dignos – programar com maior intensidade, arrumar isto melhor, falar mais com a consciência superior, ser mais dados aos outros para se tornarem mais dignos. Mas vocês falharão, vocês falharão de cada vez, por não conseguirem tornar-se mais dignos.
Empregamos a analogia de um copo cheio de água em que de jeito nenhum irão conseguir colocar mais uma gota que seja. Podem despejar litros de água nesse copo que ele jamais chegará a ter mais do que a medida que permite. Vocês possuem cem por cento de dignidade agora. Poderão praticar a maior boa acção que puderem imaginar que, se examinarem, verão que ainda possuem a mesma quantidade de dignidade que tinham antes. Por conseguinte, sentirão como se tivessem falhado:
“Eu não o fiz direito ou teria mais mérito!”
Mas cem por cento é tudo quanto poderão ter. A dignidade constitui uma qualidade que precisam descobrir e revelar em vós próprios. Não traduz uma quantidade a que possam somar ou subtrair. Repetimo-lo por ser crucial. Mas podem pensar em hipóteses, mas não há hipóteses, não há cláusula sub-reptícia nem asterisco.
“Que pensar de uma situação que possamos criar de complicação e impossibilidade total, a partir de um tipo de realidade hipotética?”
Vocês ainda a manterão. A dignidade constitui uma qualidade, e toda a gente possui exactamente a mesma quantidade. Alguns têm um maior conhecimento disso que outros; outros tê-la-ão enterrado mais fundo que vós, mas ainda possuirão o mesmo exacto volume. Vocês nascem com ela. Mas muito antes de nascerem, já nascem com ela. Ela faz parte da vossa consciência, faz parte da centelha que são. É a parte do vosso ser que é Deus. Dizer que venham a ter mais dignidade que qualquer outra pessoa é o mesmo que dizer que venham a ter mais Deus em vós do que alguém, coisa que se proferirem e pensarem mais do que trinta segundos, perceberão ser completamente ridículo. Como poderão ter mais Deus em vós do que o vagabundo que vomitou o querosene que tenha bebido na noite anterior, ou que a mãe que tenha estrangulado os seus três filhos? Como poderão vocês ter mais Deus em vós? Mas se isso tiver uma razão, não estarão a ser (fim da gravação).
Se começarem a distinguir:
“Eu sou melhor do que aquele, por não praticar esse tipo de coisas.”
Estarão a negar o Deus nessa pessoa, e a posicionar-se muito mais acima de Deus. Mas jamais descobrirão o Deus em vós, caso já sejam melhores que Deus. E com tal declaração irrisória pensam… Enfim! São esses tipos de declarações, são esses tipos de críticas que são os mais insidiosos. São esses que, ao passarem no seu Mercedes e observarem a pessoa que vai a conduzir o Volkswagen carocha, pensam ser mais espirituais do que essa pessoa. O que estão de verdade a dizer é que são mais espirituais do que Deus.
“Eu sou mais evoluído que Deus; eu já sou melhor do que Deus.”
E depois ainda estão prestes a embarcar numa busca da descoberta!?
Os juízos mais óbvios, são por vezes menos perigosos, menos destrutivos – por vezes! - por favor, sublinhem esta palavra importante. O valor próprio em vós constitui o Deus em vós. E já fazia parte de vós muito antes de nascerem, e fazia parte da vossa essência, essa centelha que são. E não podem ter mais do que ninguém nem mais coisa nenhum, por lhes pertencer, do mesmo modo que a todos.
O respeito, por outro lado, é algo que precisam ganhar e desenvolver, para desapontamento da vossa teimosia. Isso gostariam vocês de ver como coisa garantida, e com isso ficam zangados, por realmente precisarem de o merecer. Precisam merecer o respeito próprio assim como o respeito da parte dos outros. Preferiam ver isso assumido e passar a vossa vida a tentar desenvolver a dignidade. De modo que acabam por não se respeitar a si mesmos – por se recusarem a merecê-lo! – e acabam por se ver como um completo fracasso – por se recusarem ver o valor próprio que já possuem!
Esse é o ingrediente que compõe uma outra vida (riso). Vocês irão recusar essas pequenas coisas até à outra extremidade, não é? Talvez três ou quatro mais vidas, como jogar dentro das regras e contar os pontos, não é? O abacos clássico!
“Oh, também leste isso?” (A rir)
O respeito, precisam merecê-lo, tal como precisam merecer o respeito dos outros; precisam merecê-lo da vossa parte, e por vós próprios. E devem desenvolvê-lo. E é a esse ponto que ambos diferem bastante.
Uma outra razão, uma outra qualidade dessa diferença é que o valor próprio não pode ser destruído. Já o respeito pode! Não que em razão disso devam trapacear em nome do valor próprio, mas ele não pode ser destruído aconteça o que acontecer, façam o que fizerem, por sequer poderem perdê-la. Também não podem perder o mérito, tão pouco. Por mais desprezível e repugnante que seja o que alguma vez pensarem fazer, e cheguem a pô-lo em prática, isso não irá diminuir a dignidade que os caracteriza. Sem dúvida que verão o vosso respeito reduzido, e podem passar um mau bocado a enfrentar a dignidade que possuem, mas ainda deverá continuar a existir. O valor próprio não pode ser destruído mas o respeito pode!
Uma terceira coisa que é bastante distinta destas duas, é que o valor, a dignidade, constitui a base do crescimento; o respeito é um produto do crescimento. O valor é a base da estima, do amor e da confiança, o respeito é o produto da confiança, do amor e da estima.
“Bom, como é que eu desenvolvo o respeito?”
Assim que tiverem estabelecido a base do valor, descobrem-no em vós. E com base nele erguerão a estima; e com base na plataforma da estima conseguirão ver além do horizonte que costumavam ver antes e perceber o amor-próprio. E ao perceberem esse amor-próprio – que esteve lá o tempo todo! – construindo, uma vez mais, a confiança, poderão então desenvolver o respeito. É muito semelhante a uma plataforma ou a um planalto em frente ao que se situa um obstáculo, um monte que permanece na frente do caminho, do lado oposto do qual se encontra o amor. Mas vós estais aqui (desenha no quadro) e não o podeis ver, mas ao descobrir essa plataforma particular do valor, descobrem e trepam o sentido de valor e podem ver além do monte e vislumbrar esse amor que esteve lá o tempo todo. A estima, o valor e a estima - a estrutura e o andaime. Com o valor enquanto fundação e a estima enquanto andaime, podem ver além dos obstáculos, os “Sim, mas,” os “mas não posso”, o ego.
Mas percebem o amor, e o acto de perceber o amor reflecte-se e são capazes de construir a confiança, e ao construírem a confiança, podem igualmente desenvolver e merecer o respeito próprio. E a seguir o percebimento. O valor é a base, o respeito é o resultado do crescimento. Quatro semelhanças, três diferenças, mas torna-se muito importante compreender, à medida que ansiam por isso e passam para a área do desenvolvimento efectivo do respeito, após terem descoberto o valor, o mérito.
Agora pretendemos falar de como conseguir isso. E há passos muito específicos a dar, não é só uma questão de serem bons para vós próprios, de serem agradáveis, de se abraçarem todos os dias, de pensarem em Deus, etc. Não. E a maneira – para aqueles de vós que fizeram notas – que sugerimos foi pegar num pedaço de papel e desenhar uma linha vertical de forma a criarem duas secções perfeitamente iguais, por o primeiro passo de cada um estar mutuamente relacionado com o outro, embora sejam diferentes, e se colocarem na mão esquerda o valor e na mão direita o respeito, então serão capazes de discernir esse desenvolvimento.
O primeiro passo no desenvolvimento do valor – ou melhor, na descoberta do valor, passa por serem honestos em relação aos sentimentos que têm. Esse é um passo muito difícil que muitos de vós não têm vontade de dar. Seleccionam certas emoções ou sentimentos que acham que seja correcto ter, e admitem ter essas emoções ou sentimentos mas outros negá-los-ão e detestarão pensar que os tenham, razão porque os não sentem. Mas não há forma de estabelecerem o vosso sentido de valor, de estabelecerem todo o valor que possuem se não forem completamente honestos em relação a todas as emoções que sentem. Não precisam necessariamente fazer nada com elas; só precisam ser honestos em relação a elas. Precisam admitir que também podem odiar, independentemente do quanto consigam andar a abraçar as pessoas e a dizer-lhes o quanto as amam, independentemente do quanto passam a vida atrelados a gente adorável e carinhosa, vocês são capazes de odiar. Pelo que essa é uma emoção de que são capazes de ter e em relação à qual precisam ser honestos.
Precisam ser honestos em relação a TODAS as emoções que sentem. Para desenvolverem o respeito-próprio, precisam expressar com honestidade todas as emoções que têm. Para se respeitarem a vós próprios precisam expressá-las, ao passo que para terem mérito ou valor, precisam conhecê-las. Primeiro passo. Similar mas diferente.
Agora, quanto ao nível do respeito:
“Isso quererá dizer que devamos ir junto de toda a gente e dizer-lhes cada emoção que tenhamos?”
Não, não quer. Essa é a abordagem adolescente. O adolescente tem vontade de fazer tudo às claras de modo a que possam testemunhá-lo por ele próprio. Se o adolescente pretender perdoar, fá-lo-á num local público, ou por carta. E enviará cento e cinquenta cartas a mencionar:
“Eu perdoo, e tu perdoas, todos perdoamos, e por aí fora.”
E tudo será perdoado!
“Vês, tenho testemunhas que são capazes de falar com aqueles que receberam a minha carta, pelo que estão perdoadas.”
Isso não vale nada! Por constituir uma demonstração adolescente que se preocupa por demonstrar e não por mudar.
O adolescente quererá obter respeito com o acto de ir junto de toda a gente e dizer-lhe o que honestamente sente:
“Eu odeio-te; acho que tens mau hálito, o teu cabelo tem um aspecto terrível e o teu aspecto é uma merda. Toma, vês o respeito que tenho?”
Não, não o vemos em absoluto! (Riso) Não estão a ser respeitados; estão a ser adolescentes, pelo que nem sequer conseguem começar a entender o que o respeito represente!
Dar-se ao respeito é:
“Eu sinto todas as emoções que tenho, e expresso-as adequadamente; por vezes à pessoa, outras vezes no meu diário, outras vezes em meditação, outras vezes diante do espelho do quarto de banho, e outras ainda, junto de um amigo concelheiro ou terapeuta. Mas fá-lo-ei adequadamente. Só que expresso todas as emoções que tenho. De uma forma honesta.”
Há uma enorme diferença entre isso e o quadro que descrevemos de ir junto das pessoas e de lhes dizer coisas a respeito delas, sob a aparência do respeito pessoal. Isso é autoindulgência!
”Ah, que bom; eu queria dizer-lhe certas coisas, de qualquer jeito.”
Alguns fazem isso e empunham um escudo a dizer:
“Só estou a demonstrar respeito por mim próprio. Precisas deixar-me dizer-te estas coisas, que deves gostar de as ouvir de qualquer modo.”
Não, se ele ou ela tiverem dignidade, haveriam de sentir as emoções que tiverem em relação a tudo o que lhes disserem nesses termos! E se tiverem respeito por eles próprios expressarão as suas emoções!
“Bom, eu não sabia que isso fazia parte disso.”
Ah, mas agora já sabes!
Se para vós ter respeito próprio é ir junto de alguém e dizer:
“Estou chateado contigo por isto, e isto e mais aquilo.”
Então precisam outorgar-lhe permissão para se respeitar a ele ou ela própria para lhes dizer onde devem “enfiar” isso. Se o sentir de uma forma honesta! A honestidade é chave – honestidade emocional! Para terem valor precisam sentir essas emoções e para serem respeitados precisam expressar essas emoções! Esse é primeiro passo.
O segundo passo: Para poderem perceber o vosso valor, precisam tratar de libertar as vossas emoções destrutivas. Ora bem, usamos especificamente o termo “destrutivas” ao contrário de negativas, por negativo incluir as emoções como a raiva, a ofensa, a frustração e a solidão. Mas gostaríamos aqui de referir que essas não são emoções destrutivas enquanto forem expressadas; uma emoção destrutiva é uma emoção que não é expressada, ou uma emoção desonesta. Uma emoção não expressada ou desonesta é destrutiva. Se disserem a alguém que o amam quando não sentem isso - essa é uma emoção destrutiva. Quando sentem amor mas se recusam a expressá-lo – isso é uma emoção desonesta. E, por isso mesmo, destrutiva.
Chegar simplesmente junto de alguém, abraçá-lo e dizer-lhe: “Eu amo-te,” quando não amam de verdade, é destrutivo. E não vão sentir-se muito dignos se fizerem isso. E há aqueles no Movimento do Potencial Humano e mesmo no Movimento do Potencial Espiritual, embora muito poucos neste último, que representam esse papel piegas, de amar toda a gente e de demonstrar, de modo a que toda a gente possa ver do quão são capazes de amar, mas estão a ser destrutivos quer por não sentirem essa emoção, ou caso a sintam, por essa não ser a forma de a expressar. De modo que não expressam o amor que possa realmente aí achar-se presente. E isso é destrutivo.
Para terem dignidade precisam libertar essas emoções destrutivas. Libertá-las ou seja livrar-vos delas. Trazê-las à superfície, confrontá-las, reconhecê-las, admiti-las, perdoar-se por causa delas e mudá-las – é dessa forma que as libertam. Se as não libertarem, irão rechear-se com elas. Não há lugar nenhum onde colocá-las; se as não libertarem aceitai no vosso íntimo que não existe nenhum “depósito cósmico de lixo”; não existe lugar nenhum onde despejar as emoções não usadas. Elas têm que permanecer dentro de vós – por serem TUDO. Vós criastes TUDO. SÃO vocês próprios e todos os indivíduos que os rodeiam. E são as estrelas e os espaços e TODAS as coisas – vós SOIS Deus! Onde ireis colocar uma emoção que não querem expressar, senão em vós? Não existe mais nenhum sítio, mais nenhum local.
Assim, podem pregar uma partida a vós próprios e dizer:
“Bom, eu sinto isto mas não devia, pelo que vou esconde-lo.”
Isso SEMPRE acaba por se expressar! O cancro - a ira impecavelmente ocultada, escondida nos ossos, ou na vagina, ou nos seios, ou no cólon, ou nos pulmões, ou no cérebro! Os tumores - potes recheados de raiva, repletos até transbordar! Boladas de emoção inesperada, que duplicaram ou triplicaram a robustez que tinham, mas que eventualmente saltarão.
Recheiam os fracassos com isso, e a realidade que desmoronou, e a luta e o sofrimento que de algum modo eventualmente barram com a pátina, o tom da espiritualidade a pensar que isso os torne mais doce. Não se podem livrar disso; se se rechearem com uma emoção, ela tornar-se-á destrutiva, e destrui-los-á a VÓS – não aos outros – mas a VÓS! Assim, se tiverem essas emoções por expressar, libertem-nas. Libertar essas emoções por expressar!
O segundo passo: consiste em serem honestos na aceitação e em serem responsáveis pelos vossos fracassos. Os vossos fracassos! E com que frequência sentem vontade de não fazer tal coisa! O nosso exemplo favorito é... (ininteligível) como o seu trabalho se estava a sair. Uma pergunta bastante suculenta e vulnerável. E ela começou por dizer:
“Bem, eu percebo que a minha vibração e a vibração dele não estavam a articular-se bem, que algo estava em falta e que a sobreposição de energias de alguma maneira não estava a funcionar e a realidade era a de que de alguma forma não se entrosavam bem, e eu conseguia pressentir que estava a ter lugar uma drenagem, etc.”
Tudo isso durante mais ou menos de dez minutos, e nós dissemos:
Estás a dizer que foste despedida?
“Fui!” (Riso)
Admitam os vossos fracassos. Admitam os vossos fracassos e sejam responsáveis por eles. Mas esperem lá, o adolescente contornará isso e dirá:
“Eu falhei nisto, eu falhei naquilo, falhei aqui e acolá. Por que diabo ainda não sou bem-sucedido? Por que não me respeitarei a mim próprio?”
Porque, vejam bem, isso não passar de um amontoado de palavras! Não representa uma verdadeira aceitação nem responsabilidade por tudo isso! Não precisam ir contar a mais ninguém.
“Devo admitir, que quando tinha dez anos, falhei o meu exame de ortografia. Rapaz, agora tenho cá um respeito por mim!
Treta! É admitir os fracassos para vós próprios de uma forma honesta e ser responsáveis por eles. E todos vós terão fracassado numa ou outra coisa; e todos o terão adoçado com floreados e atenuantes e desculpas e justificativas e explicações acerca de como "eles" o terão feito, ou o cosmos, ou como terá sido para vosso próprio bem. Nunca houve um fracasso que fosse para vosso próprio bem.
Decerto que terão tido alturas em que a vossa consciência superior terá dado um passo no vosso caminho, mas teria sido muito melhor que o tivessem visto antes de terem que ir tão longe.
"Eu vejo que queria isto, e que não o obtive, e que fracassei na sua obtenção, mas que isso representou mesmo a melhor coisa para mim..."
Não, não foi o melhor para vós! A melhor coisa para vós teria sido vê-lo antes de o alcançar!
"Eu fui despedido daquele emprego, mas percebo que não queria continuar nele de qualquer modo. E que foi assim que acabei por ocasionar o facto de deixar de lá trabalhar. E isso foi a melhor coisa a criar..."
Não foi nada. A melhor coisa a criar teria sido perceber:
"Eu não quero exercer neste emprego, mas tenho respeito próprio suficiente para ir em frente e desistir, em vez de ser despedido."
E aí então dizer que tenha sido a melhor coisa! Mas quando falham isso não representa o melhor, por poderem tê-lo captado antes. Talvez seja a coisa correcta a fazer. Talvez que por essa altura representa a única saída da devastação, mas podia ser evitado; podiam tê-lo percebido antes de chegar a atingir os contornos do fracasso. Não que haja alguma coisa de errado com o fracasso, mas não se iludam a pensar que tenha sido a melhor coisa a adoptar e que lhes tenha ensinado lições esplêndidas. Sem dúvida, mas vocês poderiam ter aprendido lições ainda mais esplêndidas, caso o tivessem percebido antes de falhar. Não se iludam com respeito a isso. Não finjam que o fracasso tenha sido a coisa mais magnífica que tenha ocorrido, porque se o tivessem captado antes do fracasso, isso teria sabido mesmo melhor! E se vocês forem tão cegos e tão absortos e tão surdos, para que a única maneira que a vossa consciência superior tenha de chegar a vós seja dar-lhes para a cabeça:
"Está bem, tira partido da vantagem de te chegar à cabeça e aprende com isso!"
Mas não se iludam a esse ponto de acreditarem que seja melhor apanhar na cabeça. (Riso) E vocês fazem isso e causam a vós próprios prejuízo, sabem porquê? Por mais ninguém acreditar em vós! Senão pensem bem - quantas pessoas terão vindo a vós e lhes terão contado que terão falhado miseravelmente, mas na verdade foi para seu próprio bem e que terão aprendido muito com isso, e que embora não o tenham desejado se sentirão gratos por ter ocorrido? Quantas vezes não terão mostrado concordância e pensado lá com os vossos botões que isso não terá passado de treta? (Riso) Mas depois terão voltado costas e contado exactamente isso, e pensado que eles não sabiam? Eles não terão percebido o vosso? Claro que percebem, e dizem-lhes a mesma coisa - "Treta!" e depois voltam costas e contam o fracasso que tenham tido. Mas os únicos que são prejudicados por isso são vocês!
Mas o que é triste é que não admitam que fracassaram.
"Eu meti o pé na poça nisto! Dei cabo de tudo. Fracassei!"
E depois descobrir porquê. Agora, o que todo o fracasso significa é que a estrutura de crenças não funciona, pelo que não significa que admitir o fracasso queira dizer castigo - por ser a isso que se também acham presos:
"Mas, mas, mas... Se eu admitir que fracassei devo ser castigado."
Onde é que isso vem escrito!? No evangelho segundo a mãe? (Riso) Mas em mais nenhum lado. Em nenhum outro lado. Mas para se respeitarem precisam respeitar os vossos fracassos, e aceitá-los e ser responsáveis por eles.
O terceiro passo -- ser digno é ampliar as vossas emoções construtivas; essas são as emoções que expressam -- o amor, a alegria, a raiva e o ódio que expressam.
"Ai, expressar ódio? Não pode ser."
Se quiserem viver na realidade da Shirley Temple, tudo bem, mas esse não é bem o mundo real. E se quiserem sentir-se dignos, então ampliarão a expressão das vossas emoções construtivas, e se o ódio for expressado de forma construtiva, então, sugerimos que o aumentem. O que não quer dizer que toda a vez que digam "Eu odeio-te," isso seja construtivo. Se for desonesto não será construtivo. As emoções construtivas são aquelas que são expressadas e que forem sinceras. Precisam reunir ambas essas condições, entendem, ser uma referência cruzada. Não é que toda a emoção que expressam seja consequentemente construtiva nem que toda a emoção sincera seja construtiva -- elas precisam ser tanto expressadas quanto construtivas; expressas e sinceras, para serem construtivas. Por isso, se sentirem um ódio sincero e o expressarem, ampliem-no. Não o tornem maiores do que a vida; aumentem-no! Permitam-se expressar as emoções construtivas. E com sorte, depois de terem expressado o ódio construtivo e a raiva construtiva, e a mágoa construtiva, venham a ser capazes de as libertar, de forma a que o que fique seja a alegria e a felicidade construtiva e a alegria e a inspiração, e eventualmente possam trabalhar todas essas emoções construtivas desagradáveis, e tenham deixado unicamente as aprazíveis. Mas para serem dignos, precisam ampliar as vossas emoções positivas.
E com respeito ao aspecto correspondente do respeito próprio, é de importância vital que aceitem e sejam responsáveis pelos vossos sucessos.
"Ah, certamente. Eu faço isso a toda a hora."
Temos muitas dúvidas! A maioria das pessoas ignora os êxitos que obtém. Certamente que não se detêm a imaginar com o terão conseguido. Quando muito, quando algo corre mal, vocês puxam pelo caderno de apontamentos e procuram algo ligado à responsabilidade, pelo menos enquanto estão a decorrer os anúncios na TV. Mas, e em relação aos êxitos, alguma vez pensam a pensar qual tenha sido a vossa responsabilidade e como terão criado esse sucesso, que coisa específica terão feito? Não, criaram-no por serem formidáveis. Ponto final. Mas não podem conseguir respeito nenhum disso!
"Imagino que seja mesmo poderoso!"
Não podem conseguir nenhum respeito disso! O vosso ego poderá sentir qualquer coisa, mas não poderão obter qualquer respeito disso. Precisam examinar esse sucesso.
"Eu consegui este emprego fantástico. Como foi que eu o consegui? que técnica ou passo ou atitude, que crenças terei usado? Não sei."
Pois bem, descubram lá isso! Não se detenham pela resposta do "Não sei." Descubram-no!
"Eu acabei de perder o meu emprego."
Como foi que isso aconteceu?
"Bem, posso ver que tenha tido esta ou aquela atitude..."
Acham-se mais aptos a fazer isso do que a procurar:
"Eu tive este emprego, e eis como o consegui! Eu alterei essa atitude faz quarta feira duas semanas. E acordei esta manhã e fiz isto e programei aquilo e fui à entrevista, e mantive esta imagética enquanto lá estive. E falei com a pessoa que me ia entrevistar, antes durante e depois, e a seguir recebi a chamada. Foi assim que o fiz."
Isso podem vocês respeitar! Nisso podem vocês espetar o dente. Assim, ampliem as vossas emoções positivas e construtivas e aceitem e sejam responsáveis pelos vossos êxitos. Esse é o terceiro passo responsivo a cada um desses aspectos.
Em quarto lugar, para desenvolverem valor (mérito) importa ter aquilo a que chamamos de relação viva e activa com Deus. Não com Deus como um tipo qualquer de pai austero, grandioso e poderoso -- ou mãe. Mas uma relação viva, verdadeira e activa com Deus. O que quer dizer que tomam consciência do pequeno fragmento que tenha lugar, não obstante diminuto quanto possa ser, porque ainda representará um pedaço de Deus, e por isso precisam ter uma relação activa, verdadeira e viva com Ele. Assim como com o vosso mundo, com o mundo que os rodeia, que é igualmente Deus. O que não quer dizer que tenham que sair por aí a salvar cada questão ecológica; significa que têm um relacionamento com a natureza ao vosso redor, mesmo que vivam numa cidade de concreto e que não tenham visto uma haste de relva há dez anos, por ainda poderem estabelecer um relacionamento com o vosso mundo, que também é Deus. Por o cimento ser tanto Deus quanto a relva. Também o vidro e o crómio e o ar condicionado o são; e o dióxido de carbono. São tão Deus quanto o estrume fresco. (Riso)
E depois, ter uma noção espiritual de Deus. E admitir que não seja verdadeiramente Deus, mas um pedaço com que consigam estabelecer relação. O Deus Cristão é um pedaço de Deus, com que um determinado grupo de pessoas se consegue relacionar. Por vezes esse Deus é um sacana vingativo e sórdido e mau, mas é a forma como conseguem estabelecer uma relação com esse deus. Outras vezes é gentil e carinhoso e luz e amor e o som e a palavra.
Mas o que sugerimos é que mesmo um "Baptista burro e sulista," (por de algum modo isso fazer parte do título, não é?) terá uma versão reduzida de Deus. Mas o Baptista burro sulista que tem uma relação activa e viva com o seu Deus se acha mais perto de Deus do que o resto de vós sofisticados que se encontram acima de tudo isso.
E embora nós não sejamos coniventes com qualquer Baptista sulista nem sejamos coniventes com qualquer organização religiosa particular, nem as recomendemos, sugerimos que a chave para a dignidade consiste em ter uma relação activa com Deus - seja como for que o consigam. E se precisarem ter um Deus que desça a ponto de representar um Pai que lhes bata nos pulsos quando são maus e que os beijem na testa quando são bons, se tiverem uma relação activa com esse Deus, caso esse seja o indicado para vós, então serão tanto mais dignos do que aquele que nem sequer goze de tanto, ou que se encontre acima de tudo isso.
Mas com sorte, enquanto seres espirituais, terão uma noção mais sofisticada e porventura mais enérgica de Deus para não ter que chegar a esse nível particular; para que Deus não se tenha que descer a esse ponto, para que possam ter uma relação com Isso. Mas se for a esse ponto que Deus precise descer, Deus descerá a esse ponto. Não precisarão ir ao encontro de Deus até meio do caminho, porque Ele descerá tanto quanto precisarem. Com sorte, conseguirão alcançar pedaços de Deus, juntar-se-lhes e alcançarem níveis mais elevados. Atingir pedaços mais elevados de Deus! Não os torna superiores. Mas se tiverem uma relação assim activa e viva com Deus, sentirão sensação de valor, que tem lugar no vosso íntimo.
Comparado a isso, relativamente ao respeito próprio, torna-se importante narrar o vosso crescimento, da vossa evolução, para saberem a via em que tiverem tido êxito, a via em que tiverem crescido, a via por que tiverem evoluído; não só estupidificá-lo. Há dez anos atrás era suficiente fazer isso. Mas cada vez mais o sucesso não chega. É a forma como são bem-sucedidos que também assume importância. Crescer há dez anos atrás, a bem ou a mal, independentemente do que isso custasse... Agora, ah-ah! É a forma como crescem que tem tanta importância, senão mesmo mais do que o próprio crescimento. E para se respeitarem a si mesmos, importa fazer narrar o modo como crescem, a forma com lidam com a vossa realidade, o modo de ser do vosso sucesso; assim como o facto de terem sido bem-sucedidos. E se tiverem conseguido esse sucesso através da manipulação, isso não irá ser tão valioso nem irá representar a fonte de respeito do que se o tiverem conseguido por meios de que se orgulhem.
"Eu diz tudo isto e não fiz nem um bocadinho de contenda."
Isso torna o sucesso mais doce e dá lugar a uma base de respeito.
Em quinto lugar, para serem dignos precisam funcionar com excelência. Já listamos os componentes duas ou três vezes só desta vez; os dez componentes que compõem os dez passos que têm as vinte e duas linhas de ligação recíproca - a árvore da excelência - desejo, clareza, impecabilidade, visão, elegância, coragem, alegria, compreensão, sabedoria e excelência. Para aqueles que se acham familiarizados com a Cabala, isso acompanha a raiz da Árvore da Vida, só que não é a Árvore da Vida. É similar mas não é o mesmo.
Funcionem com excelência o mais que puderem, e descobrirão o valor que já possuem. De forma similar, o terceiro passo para o respeito próprio, funcionem com excelência. A mesma coisa; são ambos o mesmo. O produto de ter uma relação activa e viva com deus, o produto da forma como são bem-sucedidos é assenta no funcionar com excelência. E o quinto passo de ambos é o mesmo.
Agora, como hão-de conseguir isso, não é? Conversem convosco próprios:
"Andarei a conduzir com excelência?"
Se andassem jamais apanhariam uma multa. O que não quer dizer que nunca conduzam acima dos oitenta quilómetros hora. Não precisam ser antiquados nem desmancha-prazeres para serem excelentes. Mas precisam ter desejo, objectivo, intenção, impecabilidade, visão, elegância, coragem, alegria, compreensão, sabedoria e excelência. Andarão a conduzir com excelência? Estarão aqui a fazer apontamentos de forma excelente? E quanto mais se interrogarem :
"Estarei a tratar o meu emprego, os relacionamentos que tenho, o meu casamento, o sexo com excelência?"
Quanto mais o tratarem com excelência mais valor irão descobrir e mais respeito irão edificar.
Em sexto lugar. Para descobrirem o valor que exista, importa que aceitem o merecimento que têm. Quando são crianças acham que merecem tudo; e exigem-no. Quando têm fome choram, quando querem ir ao quarto de banho fazem-no; não consideram mais nada nem mais ninguém, vocês merecem aquilo que merecem quando o merecem. É isso! Mas estabelecem e disciplinam isso por vós, a ponto de quando atingirem os quatro ou cinco não merecerem mais nada. Terão sorte se lhes puserem comida no prato na maioria dos casos. E de os deixarem dormir na cama, mas se não permanecerem acordados a noite toda. (Riso) A sério; muitos de vocês enfrentam isso.
"Que queres dizer com isso de mão te ter amor? Tens comida na mesa, um telhado sobre a cabeça, roupa para vestir; vou-te enviar à escola o bastante para chegares a ir para a faculdade por uma série de anos... É claro que te amo. Deixa de perguntar. Que coisa esperavas? Que mais quererás de mim? Que mais poderei fazer?"
Vocês enfrentam esses tipos de mensagens, daquelas que enunciam simplesmente que vocês não merecem nada. Dá-te por satisfeito por conseguires o que tens e para de questionar. Mas mesmo que não o consigam dessa forma, seja como for, isso é trabalhado por vós. Vão à escola e têm professores que basicamente lhes dizem, de um ou de outro jeito, a mesma coisa, que não sabem nada. E falam dessa forma, como o poderão fazer? Mas seja como for, (riso) eles transmitem-lhes essa mensagem com toda a clareza, pelo que melhor será que prestem atenção por eles serem quem se sacrifica para lhes ensinar. Não lhes contam o salário que recebem a cada duas semanas, nem do Verão que vão passar fora. Só lhes dão conta do sacrifício que fazem para que pelo menos um ou outro possa aprender alguma coisa. (Riso) E vocês saem de lá a sentir que não merecem coisa nenhuma. Pobres professores que tanto se sacrificam! Levam os papéis para casa, e atribuem as notas em casa - não que noventa e nove por cento das pessoas que exercem outras profissões também não levem o trabalho para casa e não, mas é que a coisa se acha toda embutida em vós. Pobres professores! Não são pagos, têm que trabalhar após as cinco da tarde, precisam descobrir como passar um Verão entediante - pobres dos professores! Mas vocês não são nada! E assim vocês acreditam nisso.
Bom, a questão está em retomarem esse merecimento de volta se ainda não o tiverem. Perceber que merecem ser felizes, merecem ser bem-sucedidos, que merecem tudo quanto existe. E sabem que mais? Não há limites para o que existe, pelo que merecem tudo. Não na vez de outra pessoa, mas juntamente com outra pessoa. "Todos merecem tudo - mas vocês não podem ter isso!" Isso é unicamente uma crença, e como tal não é válido. Por não haver nenhuma crença que seja verdadeira que falhem todas. Assim, escolham a que resultar. Vocês podem ter tudo e merecem tudo. Contudo, também toda a gente. O vagabundo que se afoga no próprio vómito merece tanto quanto vós ter um Mercedes, e merece tanto quanto vós ter uma casa na colina. Mas vocês precisam chegar a ter noção de que o merecem, para chegarem a ter noção do valor. Poderão conhecer a frase:
"Ah, ele merece tanto quanto eu; nenhum de nós o merece. Não irá adiantar nada à mesma! Ele não o merece nem tão pouco eu o mereço."
Isso não vai resultar. Ambos o merecem! Mas vocês precisam ter essa noção de merecimento para ser dignos.
O sexto passo para o respeito próprio, é que para cúmulo de terem valor e de gozarem do merecimento, precisam dispor-se a  tê-lo. Podem sinceramente no vosso íntimo saber que tanto o vagabundo como vós merecem a casa na colina, mas que aquele que consegue é aquele que se dispõe a consegui-la.
"O quê? Ele conseguiu-a? Ele não a merecia!"
Merecia sim! Sem sombra de dúvida. E para além disso, estava disposto a tê-la, e assim conseguiu-a. Enquanto mantiverem que exista uma abundância limitada, no que infelizmente muitos de vocês insistem obstinadamente, então o que estiver mais disposto consegui-lo-á. Para desenvolverem o valor precisam compreender o merecimento. Para desenvolverem o respeito precisam desenvolver a vontade, a disposição; precisam dispor-se a ter aquilo que merecem. Não é suficiente merecê-lo -- embora seja crucial, não basta.
"Bom, eu mereço ser rico; mereço ser feliz."
Isso não os irá levar a conseguir a riqueza nem a felicidade. É da disposição para conseguirem aquilo que merecem que vem o respeito, e é o que é de importância vital. Por fim atingirão uma situação em que o não desenvolvimento do merecimento se torna discutível, em que não tem importância que mereçam ou não, por tudo depender de estarem ou não dispostos a tê-lo.
O que acontece aqui é o seguinte: Quando estão a crescer, quando são crianças, passam do merecimento e do egocentrismo ao:
"Não, não mereço nada, nem mesmo o ar que respiro, praticamente, mereço?"
E aí começam no Movimento do Potencial Humano a retomar parte desse merecimento, alguns muito, outros pouco, mas para serem dignos precisam retomar essa noção de merecimento. É situação confortável. Só que não se podem deter aí, porque em última análise esse activo do merecimento tornar-se-á na vossa obrigação (passivo), por os aprisionar. A determinada altura precisarão descartar o merecimento e rumar directamente para a disposição:
"Não quero saber se o mereço. Só o quero conseguir!"
Em última análise é o que precisarão mobilizar. Agora, saltar para isso demasiado cedo irá representar ego, egocentrismo, todas as coisas negativas inerentes ao ego que mencionamos. Mas com o valor próprio e o respeito próprio a disposição torna-se numa função activa espiritual.
O sétimo passo no desenvolvimento do valor já tem lugar em vós. Consta de ter princípios. Os princípios, conforme sugerimos na conversa que tivemos sobre a identidade, sobre a motivação, o desenvolvimento do carácter e os princípios... os princípios constituem os limites positivos que adoptam. Os bloqueios representam os limites negativos, ao passo que os princípios representam os positivos. Mas por falar nisso, precisam ter limites. Enquanto forem materiais e adoptarem uma forma física, essa forma necessita de um limite, porque caso contrário vocês transformam-se em poças de lama, amebas! Precisam de limites físicos e emocionais e espirituais. E esses limites espirituais tanto poderão ser bloqueios, caso não se incomodem por dispensar um tempo para os criarem, eles criar-se-ão enquanto bloqueios, negativos - ou princípios, positivos.
Por isso, nesse âmbito particular ao trabalharem isso desse modo, precisam desenvolver esses limites positivos chamados princípios que os conduzam rumo ao ideal - que vocês jamais alcançarão, mas que sempre perseguirão - Deus! Aquilo que nunca chegarão a atingir, mas que sempre buscarão. E os princípios constituem o mapa da estrada que lhes dizem para serem sinceros, para serem atenciosos, para não mentirem (a vocês próprios) - sejam quais forem esses princípios.
Para desenvolverem o respeito próprio, para ganharem o direito e ter isso de respeito, significa ter carácter. O carácter representa a frequência com que aplicam os princípios que adoptam. Uma pessoa sem carácter pode ter montes de princípios, mas jamais os aplicará.
"Tenho o princípio de ser sempre honesto, mas nunca o sou."
Isso é uma pessoa sem carácter; que tem altos princípios mas descaracterizada. Pode ter montes de dignidade, mas não tem qualquer respeito próprio. Mas obviamente que, se não tiverem princípios, como os poderão aplicar? Ah, aplicam a falta de princípios magnificamente. Não! Se lhes faltar princípios também lhes faltará o carácter! Mas o carácter representa o hábito com que aplicam esses princípios.
Sete qualidades relativas ao valor; sete qualidades relativas ao respeito.
Transcrito e traduzido por Amadeu António



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