segunda-feira, 8 de agosto de 2016

CIÚME, INVEJA, RAIVA





Vamos falar do indizível. Vamos trabalhar em conjunto e tratar do ciúme da inveja e da raiva. O objectivo que temos, nestas poucas horas que nos restam, não é o de pormos cobro a essas emoções potencialmente destrutivas e devastadoras; não, o objectivo que temos é o de trabalharmos convosco e de os ajudarmos a libertar-se delas. Ajudá-los e penetrar no domínio silencioso do vosso ciúme pessoal, da vossa inveja privada, e da vossa capacidade demasiadas vezes negada, para aí se libertarem, e desobstruírem o poder e a magia que aí se encontra há longo tempo aprisionado. Quando se permitirem fazê-lo serão capazes não só de pronunciar o indizível como conseguirão utilizar essas mesmas emoções e a sua energia para abrir uma porta para toda uma nova forma de ser.

Sabem, há muitos anos quando começamos a falar de vergonha muitos sentiram-se reticentes, muitos sentiram-se relutantes em admitir que uma coisa como a vergonha pudesse ter-lhes acontecido ou pudesse estar a acontecer-lhes. A vergonha era um dos tópicos que eles sabiam não precisar enfrentar, ou que poderiam enfrentar mais tarde. Estranhamente, tinham tantos conflitos de agenda tão bizarros que era simplesmente impossível enfrentar a vergonha; não podiam nem sequer comprar um livro para ler a respeito. As pessoas compravam as gravações e colocávam-nas nas prateleiras, mas sabem, o tempo nunca se mostrava favorável, o tempo nunca parecia ser apropriado para lidar com a vergonha.

Agora é reconhecidamente admissível falar de vergonha e em certos círculos está mesmo na moda, já que a vergonha e os abusos tornaram-se parte da corrente principal. E nós só nos sentimos gratificados, e muitos de vocês aqui presentes fazem parte da vanguarda que teve a coragem e o empenho de penetrar nas trevas e de descobrir a vossa vergonha pessoal e de a trazer à luz. Já tivemos ocasião de os felicitar pela coragem e pelo empenho que mostraram.

Mas agora que começamos a falar do indizível, muitos sente-se reticentes, relutantes em admiti-lo. Mas uma vez mais, vocês fazem parte da vanguarda, e uma vez mais os felicitamos pelo empenho e pela coragem. Ocultados de vós, o ciúme, a inveja e a raiva vivem por trás de máscaras de repressão e de juízo crítico; vivem por trás de máscaras de ilusão e de mentira. Residem num silêncio ressentido e amargo.

Muitos sentem vergonha, e por isso procuram fingir que o ciúme, a inveja e a raiva não se acham presentes neles. Alguns recorrem à lógica e à razão:

“Sou feliz, sou bem-sucedido; tenho tudo quanto alguém pode desejar. Não tenho razão lógica, não tenho qualquer base de razão para admitir que sinta tais emoções. Talvez uma vez, mas não mais.”

Outros voltam-se para a sua dedicação, para a sua devoção:

“Sou tão dedicado à minha metafísica. Sou tão devoto da minha espiritualidade, de Deus. As pessoas espirituais não sentem emoções dessas; eu não tenho emoções dessas. As pessoas espirituais são desprendidas; eu sou desprendido.”

Já outros utilizam um pouco de cada, um pouco de lógica e um pouco de razão, dedicação e devoção:

“Já que crio a minha própria realidade,” cientes de não dever dizer “se,”  “já que crio a minha própria realidade, não há qualquer base para o ciúme, não há qualquer base para a inveja; afinal eu crio tudo. Já que de qualquer modo tudo me diz respeito, nem sequer tenho o direito de me irritar, muito menos sentir raiva. Detestaria pensar nisso sequer, e como tal não o faço. E tão pouco o sinto.”

Outros poderão não se sentir tão envergonhados mas quiçá embaraçados. Embaraçados por tentarem fingir que, embora tais emoções existam, as têm sob controlo:

“Tudo bem, tudo bem, eu admito que sinta um pouco de ciúmes de tempos a vez em quando, quando isso sucede, quando uma dessas coisas me acomete; bem sei que é suposto eu sentir as minhas emoções de forma intensa, mas desenrasco-me sozinho e grito e berro e debato-me até descarregar o ciúme, a inveja, a ira que sinto, e assim ela desaparece. E para mim é quanto basta.”

Só que muitas vezes desgastam-se-se a vocês próprios muito antes de descarregarem a inveja, o ciúme, ou a raiva. (Riso) São vocês que ficam esgotados, e se desvanecem.

Mas depois há quem, um pouco embaraçado e um pouco envergonhado, ou um pouco de ambas, se voltam para a ilibação, para a sublimação da inveja e do ciúme e da raiva que sentem. Alguns dizem que tais emoções são a sua inspiração secreta que os inspira a criar e a conseguir melhor; é o combustível do desejo, a inspiração secreta que ninguém sabe que tem:

“Sem ciúme, sem inveja, sem ira, eu mudaria e enfraquecer-me-ia; tornar-me-ia indolente e letárgico.”

Outros dirão que talvez não seja a sua inspiração, mas porventura a sua motivação secreta; a motivação que os conduz à realização e ao empreendimento:

“Sem o ciúme e sem a inveja, sem a raiva, porque haveria de me esforçar? Haveria de esquecer tudo. Como haveria sequer de saber o que quero?”

Outros dirão:

“Têm feito parte de mim toda a minha vida. Eu cresci numa família em que os ciúmes a inveja e a raiva sempre estiveram presentes. Sempre conheci a inveja; sempre conheci o ciúme, sempre conheci a raiva. Na minha família florescemos no seio disso; isso faz parte daquele que sou; são meus companheiros, por vezes os meus únicos companheiros. Não poderia sequer pensar em trair o meu ciúme nem a minha inveja nem a minha raiva; não poderia pensar em abandoná-los agora. Não sei o quê ou quem viria a tornar-me. Detesto só pensar, de forma que nem sequer o farei. Mas tão pouco o sentirei.”

Independentemente dos melhores esforços que envidem, da negação e do controlo, da ilibação, não obstante os esforços que fazem por se convencer que o ciúme a inveja e a raiva sejam deixadas de lado, demasiadas vezes elas deixam-nos agitados e emergem por dentro, elevam-se aparentemente como que do nada e vertem na vossa realidade por meio de acções dolorosas e de acções potencialmente destrutivas e mesmo devastadoras para vós e para aqueles que amam, a despeito dos melhores esforços que desenvolvam. E se os melhores esforços que conseguirem envidar tiverem sido pela negação, quando verter para a vossa realidade sob a forma de acções dolorosas, acções potencialmente destrutivas que provoquem todo o tipo de danos potencialmente devastadores para vós e para aqueles que amam, quando os vossos melhores esforços forem no sentido da negação, vocês habitualmente duplicam e triplicam os esforços para negar e empurram esse ciúme e essa inveja cada vez mais fundo para dentro de vós, cada vez mais fundo para o vosso inconsciente, cada vez mais fundo para a vossa sombra escura, cientes que daí terá que reemergir, terá que vir ao de cima e vir ao vosso encontro, quer na forma como tipicamente acontece ou conforme a natureza do género humano.
Devido a que, quando vocês negam e duplicam os esforços que envidam por o empurrar cada vez mais para o fundo, o que sucede é que o projectam nos outros:

“Isso são os ciúmes que têm de mim, é a inveja que sentem de mim; é a raiva deles. É isso que provoca toda esta aflição, é isso que provoca todo o prejuízo e toda a dor. São eles que o sentem e não eu. Eu não tenho sentimentos desses.”

Senão, se não o projectarem, hão-de literalmente de o criar, hão-de criar uma realidade em que terão muita gente com ciúmes de vós, muita gente que tenha inveja de vós, e em que se cercam muitas vezes de pessoas com raiva. Encontrarão muitos por entre os muitos que lhes satisfarão as projecções. Se os vossos melhores esforços tiverem sido ao invés no sentido do controlo, ou da exoneração do vosso ciúme, da vossa inveja e raiva, quando isso verter e vier ao de cima sob a forma de acções danosas e dolorosas para vós e para aqueles que amam, habitualmente ficam sob o enorme aperto da disciplina e da admoestação e da rudeza e muita vez da crueldade do castigo. Vocês muitas vezes culparão e quase têm que se voltar para a culpabilização, culpar a vossa técnica, culpar a metafísica, culpar a vossa espiritualidade, culpar-vos a vós próprios por não serem suficientemente bons, culpar o passado, culpar os outros, culpar o mundo, culpar a humanidade e a frustração que sentem por não serem capazes de controlar o ciúme, a inveja e a raiva; por não serem capazes de a conter ou de a ilibar, sublimar. A vossa frustração pode rapidamente virar desânimo, e mesmo desespero. E quando isso sucede, a autocomiseração e o julgamento não andam longe, por chegarem como anestésicos, anestéticos para atacar a dor e a separação resultante do dano e da raiva. E o padrão prosseguirá indefinidamente, aprisionado pelo ciúme e pela inveja e pela raiva que sentem. Perderão poder. E aprisionados, o medo só aumentará.

Mas em meio a este quadro sombrio há uma saída, há uma forma de entrarem nesse reino e de recuperarem poder e de se libertarem, e assim usarem essa energia para abrir novas formas de ser. Para tanto é importante que compreendam o fenómeno e a função de cada uma dessas emoções indizíveis. Depois, é importante que compreendam e tirem proveito do que nós chamamos de três maravilhas, a primeira dos quais é que em cada uma dessas emoções indizíveis existe uma energia inexplorada. É preciso uma enorme quantidade de energia para continuar a reprimir, manter o ciúme, a inveja a raiva dentro do frasco do julgamento. São precisas quantidades maciças de energia para viver os delírios, para viver as mentiras, para manter o silêncio ressentido e amargo, para manter a negação.

Se sentirem de uma forma sincera o ciúme, a inveja, a raiva, poderão usar a energia que aí se acha profundamente incorporada, aprisionada, poderão explorar essa energia e redireccioná-la, usá-la de forma construtiva e positiva.

A segunda maravilha está em que o próprio processar dessas emoções indizíveis lhes desbloqueia o poder. A terceira maravilha está em que o ciúme e a inveja constituem amiúde a primeira e a segunda linhas de defesa que os protegem da vossa própria raiva, e que protegem a vossa própria raiva do mundo. Mas entendam, a raiva comporta um paradoxo, um imenso paradoxo, mas se vocês conseguirem penetrar na vossa raiva e aí resolver o enigma que envolve, isso irá produzir um salto quântico, um passo de gigante em frente no vosso futuro, no vosso crescimento, na vossa jornada espiritual.

Por isso, é importante compreender o fenómeno e a função de cada uma delas, mas é igualmente importante entender e aproveitar essas três maravilhas. Depois, é importante aproveitar os vossos ciúmes e invejas e torná-los num aliado – não acabar com eles nem destruí-los mas transformá-los de inimigos em aliados, de forma que possam tornar-se num novo amigo invisível.

Se se permitirem ser livres, então não terão que sentir vergonha, não terão que fingir que essas emoções não existem, não precisarão negá-las quando verterem para a vossa realidade. Se se permitirem ser livres, não precisarão desgastar-se à espera de que de algum modo o ciúme, a inveja e a raiva se fartam de vós e desapareçam. Se se permitirem ser livres, então não precisarão contentar-se com a inspiração e a motivação estreita e rasa e tanta vez destrutiva que essas emoções proporcionam. Sim, elas podem inspirá-los, sim, podem motivá-los, só que de forma estreita, limitada e rasa, e tanta vez tão destrutiva! E se se libertarem, não precisarão resignar-se às perspectivas estreitas e limitadas nem à miopia daquele que realmente são. Se se libertarem, gente, também poderão libertar o amor em vós e o vosso espírito poderá planar e a repercussão que vocês têm poderá alterar-se, mudar de forma dramática.

Já falamos tanta vez de ressonância (repercussão) que a própria palavra já terá deixado de fazer sentido para vós, mas importa compreender que toda a causação no vosso mundo procede em última análise da causalidade da ressonância em vez do impacto. Cada um de vós possui uma ressonância, cada um de vós possui uma frequência de vibração que poderia ser delineada como um número – um número! – um visor digital da vossa particular ressonância. E cada ressonância possui uma banda, uma diversidade de futuros que vai do pior futuro possível até ao mais positivo dos futuros. Caso a vossa ressonância seja 7.123, essa mesma ressonância apresentará uma ordem de futuros. Se tiverem uma ressonância de 7.124, ela já apresentará um alcance diferente. Neste exacto momento, nesta sala, por toda esta sala, encontra-se todo o amor que a Deusa tem por vós; todo o amor que o vosso Eu Superior tem por vós, todo o amor que a vossa alma e espírito têm por vós, mas dependendo da ressonância que emitem, isso é o que determina a quantidade disso que conseguem sentir.

“Eu queria que a Deusa me amasse mais...”

Ela ama-os por completo! Mas por a vossa ressonância ter somente este alcance (amplitude de frequência) em vez de um alcance assim; possivelmente só conseguirão sentir esta quantidade de amor, em vez de uma maior. Mas a maneira de conseguirem sentir mais, não é necessariamente fazendo-se maiores nem através de uma melhor visualização, mas pela alteração da vossa ressonância. Vocês têm uma gama diversa de futuros possíveis, mas se alterarem a ressonância 1/1000, 1/100, ou um décimo do que ela é, isso abrirá todo um leque diferente de possíveis futuros. Ao elevarem essa ressonância, o nível mais baixo sobe, e o nível mais alto torna-se incrível. Se baixarem essa ressonância, do mesmo modo o nível mais baixo tornar-se-á mais baixo ainda, e o nível mais alto baixará da mesma forma. Vós com uma ressonância e vós com outra ressonância; toda a energia se encontra aqui, mas vocês sentem uma configuração ou outra.

Mas se vocês se tornarem livres do ciúme, da inveja, da raiva, não destruí-las, mas livrarem-se delas - isso alterará a ressonância em vós ao elevá-la para uma frequência muito mais elevada, e instantaneamente – instantaneamente! – alterará a diversidade de futuros que está a criar o presente. Se se libertarem. E assim, para esse efeito examinamos o fenómeno e a função de cada uma das emoções indizíveis, e começamos pelo ciúme.

CIÚME

O ciúme é a mais aceite das três emoções indizíveis. É a mais aceite, espera-se, evidentemente, que as pessoas venham a ser ciumentas. Não só se espera como em certos casos se supõe que deva estar presente, de forma particularmente cativante nos relacionamentos amorosos, quer esse relacionamento seja com uma outra pessoa ou com o vosso trabalho, a recreação, ou um outro aspecto da vossa realidade; onde existir amor, será de esperar que vocês sejam ciumentos, de facto são encorajados a sentir ciúme, de facto trata-se de uma qualidade cativante. Quanta doçura, não?! É suposto serem ciumentos com relação ao tempo passado juntos, ou ao tempo passado em separado, ou em relação a uma actividade conjunta ou separada; é suposto serem ciumentos com relação a amigos e conhecidos. Afinal isso é considerado uma marca da vossa devoção, uma marca do vosso amor e do vosso interesse. Decerto que o ciúme pode resumir-se a isso. Entendam, o ciúme é uma emoção bem real, de modo que pode igualmente ter um impacto positivo. Mas sabem que mais, o ciúme só poderá ser positivo se for enunciado, mas mais do que enunciado, se for resolvido (determinado). Entendam que não basta verbalizá-lo:

“Tenho ciúmes do tempo que passas longe de mim!”

É óptimo admitir isso e verbalizá-lo, mas se não for determinado não será positivo; simplesmente não chega verbalizá-lo.

Para que o ciúme seja positivo precisa ser verbalizado e – “e,” conjunção muito importante – determinado. Só quando não é determinado e não verbalizado, é que o ciúme se tornar tão doloroso, tão destrutivo, quanto perturbador. É quando não é verbalizado que se torna possessivo, restritivo, uma constrição, uma prisão. O próprio ciúme não declarado pode destruir a devoção, pode destruir o carinho, pode destruir o amor – a própria devoção, carinho e amor que o terão engendrado. Podem ser destruídos por eles; quando são indizíveis, quando jamais se revelam positivos mas sempre negativos.

Sabem, o ciúme constitui expressão de um medo encoberto, um medo encoberto com relação a um suprimento limitado, por o suprimento daquilo que desejam ser limitado. O ciúme nasce da competição; muitas vezes de uma competição que tem origem na infância – competição pelo carinho dos pais, pela atenção e energia dos pais, competição pela aprovação e pelo elogio dos pais; brota das rivalidades entre irmãos e assim, tudo quanto tem origem na vossa infância. Aqueles de vós que tendem a satisfazer elevados níveis de competição padecem, do mesmo modo, de elevados níveis de ciúme; por o ciúme brotar da competição; frequentemente competição da infância. Competir por um suprimento limitado.

Quando sentem ciúmes de alguma coisa, receiam não haver o suficiente que possam ter. Ora bem, pode haver em abundância, mas não haverá o suficiente para todos – ou especificamente, não há quanto baste para vós. Vejam bem, quando veem um belo carro a passar por vós e sentem ciúme e dizem que gostariam de ter um assim, isso revela um receio oculto de que o suprimento de veículos idênticos seja tal que não consigam necessariamente chegar a ter um, ou então que podem tê-lo mas que não o chegarão a ter.
Toda a gente poderá ter um Mercedes; toda a gente poderá ter, mas deverá existir um suprimento limitado:

“Tu tens, eu não; sinto ciúme por… eu saber que não o posso conseguir. Não é que não o possa vir a ter, lembrem-se, porque podia, mas não irei consegui-lo.”

Com mais frequência o ciúme é coisa tangível:

“Sinto ciúme da mulher ou do homem com quem estás envolvida; sinto ciúme do emprego que tens; sinto ciúmes do dinheiro que tens, das roupas que vestes; sinto ciúme do teu aspecto; sinto ciúme da tua altura; sinto ciúme dos amigos que tens, e da popularidade que gozas,” embora isso possa ser um pouco menos tangível, mas seja como for tem origem na competição, e sempre responde por um receio quanto a um suprimento limitado.
“Não é que não possa tê-lo, mas é que não o irei conseguir. Não irá haver o suficiente para mim.”

O ciúme é igualmente uma mensagem que rapidamente se torna num programa na vossa mente subconsciente. É uma mensagem dirigida ao vosso subconsciente:
“Isto é algo que eu não posso ter! Isto é algo que não terei; não posso ter!”
É uma mensagem; e rapidamente se transforma num programa. Mas dependendo da intensidade que contenha, da intensidade do ciúme que sintam, dependendo do seu silêncio – do quão fundo o enterrarem – ele pode não só ser uma mensagem que rapidamente se torna num programa como também pode representar uma lei:

“Jamais obtenho aquilo que quero! Jamais o obtenho – pelo que jamais o virei a obter! Anseio, mas jamais o consigo. A minha é uma vida de desejo e de anseio mas nunca de conquista, de realização!” (Suspira fundo e é seguido de riso)

E o subconsciente, cujo objectivo primordial passa por ser consistente, assume essa mensagem e diz:

“Okay! Nesse caso será assim que irá ser. Tu nunca conseguirás aquilo que queres; nunca o conseguiste nem nunca o conseguirás. Sempre o desejarás e sempre ansiarás por isso mas nunca o alcançarás nem o realizarás.” (Faz uma expressão de assombro)

E coloca-a lá, também. (Riso)

Torna-se numa lei na mente subconsciente:

“Tal como eu criei a minha própria realidade e criei toda a sorte de coisas, isto de que sinto ciúme é algo que não posso criar. Isto de que sinto ciúme é a coisa que não tem cabimento na minha capacidade de manifestar!”

Vejam o quanto isto é importante, por ser isto que o ciúme provoca. A sua mensagem cedo se torna num programa que, dependendo da sua intensidade e silêncio se torna numa lei. Independentemente do quão bons sejam na metafísica, independentemente do quão eficazes sejam com a técnica, independentemente da potência das técnicas que utilizarem, agora dispõem aí de um programa, de uma lei que diz:

“Sou capaz de criar tudo e mais alguma coisa, EXCEPTO aquilo de que sinto ciúme; disso em relação ao que acredito existir um suprimento limitado; disso que eu acredito que jamais conseguirei.” O ciúme rapidamente se torna numa mensagem, num programa e demasiadas vezes numa lei.

Também importa compreender, não só que seja aceitável, mas que no silêncio de que se rodeia se torna destrutivo; que não só consta de uma mensagem competitiva de um suprimento limitado, como também se torna numa mensagem, num programa, numa lei. O ciúme é igualmente incapacitante, paralisante, e na paralisia incapacitante que o caracteriza também é viciante. Antes de mais, é incapacitante e paralisante porque, quando sentem ciúme, vocês outorgam poder, vocês cedem especificamente o vosso poder – não o poder de mais ninguém, mas o vosso poder – o poder por que se esforçam tanto por obter, o poder que reuniram e que acumularam; vocês cedem-no. Não na totalidade, mas cedem-no a este ciúme àquele ciúme, vocês afastam-no, o vosso poder. O vosso poder é colocado, depositado naquela pessoa de quem passam a sentir ciúme, ou naquela coisa onde o vosso ciúme reside.

Ora bem; ela não poderá usar o vosso poder, por nem sequer sonhar que goza dele, pelo que não se trata necessariamente da situação da fonte ou da pessoa que goze desse poder se tornar emancipado; não, ela não sabe que goza dele mas além disso não saberá fazer uso dele, mas a questão está em que VOCÊS veem-se incapazes de o usar. Vocês são incapazes e usar esse poder que depositaram neste ou naquele ciúme, ou em todos eles, diminuindo o vosso próprio poder pouco a pouco, ao ser devorado a partir do interior; pedaço a pedaço. Vocês perdem o vosso poder.

Em segundo lugar é literalmente incapacitante e paralisante gente, por do vosso plexo solar, sim, daqui, deste terceiro chakra, emitirem raios literais de luz, filamentos de luz, fibras ópticas de luz, esses pequenos fios lustrosos de luz que saem de vós e que os ligam à pessoa por quem sentem ciúmes. Ligam-nos a ela. Não se trata de expressão figurativa, mas no vosso campo áurico, no vosso corpo etérico, no campo áurico deste veículo que usam, em alguns dos casos, existem centenas de filamentos de fibras ópticas, centenas de fios de luz que saem do plexo solar e os ligam àqueles por quem sentem ciúmes. O tempo não é factor que pese, o local não é factor que pese, ela poderá situar-se do outro lado do mundo que através desses filamentos de fibra óptica vocês cedem constantemente o vosso poder.

“Há vinte anos atrás senti ciúme de fulano ou beltrano, mas já o esqueci...”

O fio ainda se acha unido.

“Quando era criança sentia ciúmes da bicicleta nova do meu vizinho, uma bicicleta brilhante que não se comparava com a minha velha bicicleta estúpida.”

Ainda há um filamento que os liga a esse catraio das vizinhanças, de quando estavam com quatro ou cinco anos. Mesmo que pensem ter esquecido o fio, ainda se acham ligados, e estão a perder poder, gente, e acham-se atados a eles. Vocês sabem disso num nível qualquer, sem sombra de dúvida. Mas muitos pensam que se não sentirem ciúme possam perder:

“Tenho que zelar o amor; preciso ter ciúme deste homem ou desta mulher que amo; preciso ter ciúme das amizades dela, preciso ter ciúmes do tempo dela, tenho que ter ciúmes de tudo quanto faça que não comigo porque se não o sentir posso-a perder.”

Isso representa um saber intuitivo, quase celular, por terem noção desses fios que saem de vós a mantê-los, a prendê-los no lugar, e vocês esperam que de algum modo isso faça com que a vossa relação funcione; se forem suficientemente ciumentos, se tiverem inveja suficiente, se de vez em quando estourarem num surto de fúria e mostrarem a vossa ira, de algum modo isso revele o amor e o carinho que sentem ao manterem a pessoa por perto. Mas essas fibras prendem-nos, entendem?

Além disso, o ciúme lança-os de volta novosso padrão de medo. Quando sentem ciúme isso atira convosco de volta para o padrão dos medos, mesmo que se esforcem por o transformar, mesmo que se esforcem por ter intimidade, mesmo que se esforcem por o alterar - serão lançados de volta ao receio de serem abandonados e humilhados ou traídos, rejeitados. Outros são lançados para o sentimento de culpa:

“Vais ser culpabilizado, vais ser culpabilizado, tu sabias, tu sabias; vais-te ver sobrecarregado com coisas que possivelmente não conseguirás enfrentar, vais arcar com a responsabilidade. Tu já sabias disso, tu já sabias disso.”

Outros de vós sentirão:

“Tenho que ser perfeito, tenho que ser perfeito; tenho que fazer tudo na perfeição ou não serei amado, não serei aceite.”

Outros sentirão que por causa dos defeitos que tenham, devido ao facto de serem imperfeitos ou inúteis venham a tropeçar:

“Mesmo que tenha feito tudo bem até aqui, eu sei, eu sei que vou cair, sei que vou cometer um enorme erro, por ser falho, por ser uma espécie qualquer de incapacitado emocional, um rejeitado da raça humana.”

Outros acham-se absolutamente convencidos de que têm que ter o direito, de que têm de algum modo que descobrir e arranjar algum direito, por não o conseguirem por nenhuma outra forma. Outros sentem um sentimento de dependência, são atirados àquele sentimento de devastação, e outros ainda estarão absolutamente convencidos de que serão excluídos, alienados por acção de uma combinação qualquer destas.

O ciúme, quando sentem ciúmes de alguém:

“Ele tem o que eu quero. Ela tem algo que eu quero ter...”

Isso arremessa-os de volta – não um ciúme qualquer, lembrem-se, estamos a falar do ciúme indizível, do ciúme não resolvido – furta-os ao vosso poder; os seus tentáculos estendem-se e aprisionam-nos a essa pessoa. Os tentáculos, os pequenos filamentos de fibra óptica de energia que os ligam intrinsecamente até se desligarem. E joga-os do mesmo modo de volta, joga-os de volta nos vossos padrões de medo.

Essas são as razões porque o ciúme é tão incapacitante, porque o ciúme é paralisante. Mas, gente, também é viciante porque, quando se acham presos no ciúme não declarado, quando não o expressam nem resolvem, ele furta-os à expectativa, e vocês acabam sem expectativa e a viver com base no exponente; sempre de um plano, sempre de um sonho, sempre de um “irá suceder,” mas que nunca sucede. Vivem num mundo de sonho que nunca chega a tornar-se Fantasia, mas que se deteriora em vez disso, numa ilusão. Dão por vós sempre frustrados, sempre irritados, sempre ressentidos e muitas vezes implacáveis. Acham-se justificados na culpa e culpabilizam, e dão por vós, em vez disso, em estados de medo e a definir a escolhas baseadas no medo, e em estados de evasão e de negação; dão por vós muita vez com um sucesso intermitente, jamais demasiado consistente, descobrem que lidam com uma mediocridade falha e mesmo com o fracasso. Com uma expectativa assim, acabam em situações dessas, muita vez a sentir inveja e muita vez a sentir Raiva. Por ele os furtar à expectativa, por ele lha tirar. E vocês precisam ter alguma. De forma que acabam a sentir ciúmes.

“Eu imagino, eu desejo, eu sinto ciúme. Serão essas as minhas ferramentas? Imaginação, desejo e ciúme? Claro que precisa tornar-se numa inspiração secreta; claro que tem que se tornar numa motivação secreta, por não me poder virar runicamente com o desejo e a imaginação; preciso de alguma coisa que me satisfaça esta lei, mas quando me encontro crivado de ciúmes não declarados...”

Mas uma vez mais, separam-no das coisas que expressam e resolvem. Claro que por vezes sentem ciúme, mas se o expressarem e resolverem não continuará não declarado, permanece? Não é essa a emoção de que estamos a falar, estamos a falar daquele tipo de emoção que não é expressada. Essa é a matéria que os furta à expectativa e que a suplanta, pelo que acabam a imaginar e a desejar e a ser ciumentos. E sempre de forma exponencial. As fantasias são deterioradas, as ilusões jamais se transformam na Fantasia, acabam frustrados, irritados, ressentidos, amargos, a culpar, moralistas, invejosos, enraivecidos, a evitar e a negar, com medo e a fazer escolhas com base no medo, e com sucessos quando muito intermitentes e frequentemente falhos, e a deslizar para a mediocridade ou mesmo para o fracasso. É por isso que se torna viciante.

Também se torna viciante porque muita vez o não declarado é encoberto por outros tipos de ciúme, um ciúme que não é muito válido:

“Sinto ciúme pelo facto de teres pintado o cabelo de louro. Sinto ciúme pelo facto de seres um pouco mais alto que eu.”

De que é que estão a falar? Essa não é a verdadeira razão por que sentem ciúmes.

Mas essas formas são aceitáveis, entendem? Essas são coisas de que podem falar, de forma que o não declarado permanece por expressar, mas assim, quando resolvem as que são declaradas ainda continuam a sentir a outras. Vocês criam esse tipo de diversões, todas essas distracções, e por conseguinte o ciúme torna-se viciante:

“Tenho que conseguir criar mais coisas e sentir ciúme, por poder ter que enfrentar este ciúme não declarado que tem estado este tempo todo aí. Sinto ciúme disto, mas não posso admitir o ciúme daquilo, pelo que finjo sentir ciúme daquilo e daquilo e daquilo mais. Porque, se passar o tempo todo com isso, não terei que o passar com isto.”

Torna-se viciante.

Também se torna viciante devido a que por vezes resvale para a inveja. Por isso é importante compreender os vossos ciúmes, o fenómeno e a função que envolvem.

INVEJA

A emoção indizível seguinte é a da inveja. Bom, a inveja não é aceitável – é permitida, mas não é aceitável.

“Sente-a se tiveres que a sentir, mas mantem-na sob sigilo. Sê civilizado.”

Não é aceitável ter inveja de ninguém, mas é permitido.

“Se tiveres que a sentir, vai em frente mas sê breve.” (Riso)

A inveja constitui a extenção sombria do ciúme. A inveja é mais insidiosa, é mais invasiva, é mais penetrante; a inveja oculta-se nas sombras, nas fendas e nas rachaduras da vossa realidade e aí permanece dormente, muitas vezes por muitos anos.

Enquanto o ciúme brota da competição, a inveja brota da privação. Muitas vezes é da privação do vosso passado, aquilo de que se viram privados durante a vida da infância ou mesmo das privações da adolescência. Essa privação do vosso passado é comummente onde tem origem a vossa inveja, mas ela floresce na prisão e privação do vosso presente, e do vosso futuro. Onde o ciúme brota da competição com base num suprimento limitado e no “eu não conseguirei aquilo que quero,” a inveja brota da privação e como tal diz:
“Não posso conseguir aquilo que quero.”

Vocês têm uma coisa qualquer, e há fartura dessa coisa, mas eu digo:

“Não o posso obter, por eu a ver negada. Toda a gente neste imenso mundo a consegue, excepto eu. A mim ser-ma-á negada; eu ver-me-ei privado. Não é que não consiga; não tem unicamente que ver com o facto de conseguir, mas sim com o facto de não poder ter, não me ser permitido ter isso.”

Vejam bem, quando sinto ciúme de vós, eu podia ter, mas não o terei. Ao passo que quando sinto inveja, sei que posso tê-lo, mas não o terei. Não posso, não me é permitido, ser-me-á negado, ver-me-ei privado dela. Onde os ciúmes muitas vezes estão associados a coisas, a inveja tem que ver com coisas mas também com atitudes. Eu posso sentir inveja do vosso espírito livre; posso sentir inveja da vossa alegria de viver, posso sentir inveja do vosso carisma, posso sentir ciúmes de grande parte disso, mas os ciúmes prendem-se mais com as coisas tangíveis que possuem, mas eu posso invejar o tangível assim como o intangível.
Se tiver ciúme de alguma coisa tangível acreditarei existir um suprimento limitado que não conseguirei; muito embora me seja permitido, muito embora seja permissível, simplesmente não sucederá. Mas quando invejo essa coisa tangível, não só não a obterei como não mo será permitido, não poderei tê-la. E quando invejo algo intangível, sinto não poder, não mo será permitido; talvez eu seja o único mas eu verei isso negado, ver-me-ei privado. É importante compreender a distinção entre o ciúme e a inveja.

Ciúme – sim! Mas a inveja, mais insidiosa, baseia-se na privação do que não me será permitido ter, do que me será negado, faça eu o que fizer, independentemente do quanto me esforce. Sim, do mesmo modo a inveja produz mensagens que rapidamente se tornam programas e leis no subconsciente, mas vai mais fundo que isso. A inveja vai mais fundo que o subconsciente, a inveja mergulha na mente inconsciente e aí transforma-se em leis sombrias relativas à forma como o mundo funciona, relativas à forma como a humanidade funciona, a natureza da realidade é definida pela inveja que sentem.

É igualmente importante compreender que enquanto o ciúme se torna mais intenso, a inveja se deteriora mais, se torna mais destrutiva. Quando invejo, e essa inveja é não declarada e não resolvida ela deteriora-se a ponto de a única satisfação que tenho ser a de apontar falhas nos outros; a única satisfação que encontro está em apontar defeitos nos outros e deliciar-me com as suas falhas. Vocês conhecem gente assim:

“Aquela? Ah, espero que fracasse; espero que caia de cu. Eu espero que fracasse. Ela falhou? Ai, ela falhou. Programou e não resultou, ah ah ah. Como me sinto feliz por ela ter falhado!”

(Embora não o declarem em voz alta, claro)

A única satisfação que a pessoa invejosa obtém – a certo nível, não queremos dizer de imediato, mas a certo nível – assenta no apontar defeitos nos outros e no deliciar-se com o seu fracasso. Mesmo quando a pessoa invejosa cria toda a sorte de sucessos na sua vida, nunca achará ser suficiente ter tudo quanto consiga, acha importante que vós não consigais aquilo que quereis. Mesmo que eu consiga as coisas de que estava convencido de não conseguir, mesmo que as coisas de que tinha inveja em vós – que já consegui, por já ter conseguido tudo quanto acreditava estar privado; não estava privado coisa nenhuma – mas ainda não acho suficiente. A única coisa que me basta é ver os defeitos que tens, expor os defeitos que tens, e regozijar-me com o teu fracasso. Não é que eu não tenha mais, isso não tem importância, o que importa é que tu não tenhas. É até aí que a inveja vai. Não se detém por aí, assumidamente, mas é até onde ela se estende.

Defrontamo-nos com uma mulher certa vez que tinha tanta inveja de uma outra… Ela não sabia o que é divórcio, ela não sabia o que é infelicidade, não sabia o que era ter contas para pagar:


“Eu espero que ela aprenda um destes dias; espero que ela tenha que sofrer aquilo de que me vi privada.”

É onde a satisfação que sente reside, na exposição das falhas e no desfrutar do fracasso alheio.

Quando invejam alguém vocês tendem a colocar essa pessoa num pedestal, não é? Muitas de vocês mulheres, já se terão visto na posição de inveja de ser idolatradas, colocadas num pedestal. Inicialmente sabe bem, mas com o tempo percebem:

“Estou num pedestal; vão ter que me descobrir os pés de barro, e se não o conseguirem vão inventá-los. Vão-me derrubar e não vai ser com mansidão, não. Vão ter que me derrubar.”

Se jeito que isso é o que sucede com a inveja.

“Eu invejo-te tanto, eu invejo-te tanto, mas com o tempo a inveja que sinto vai fazer com que tente descobrir os teus defeitos, os pés de barro, e se não tiveres pés de barro, eu vou arranjá-los. E vou-te derrubar. Vou-te derrubar desse pedestal.”

É por isso que por vezes ouvem alguém exclamar:

“Uau! Tenho alguém que me inveja; é impecável, é admirável.”

Não é nada! (Num sussurro) Não, não procurem ser alvo de inveja. Admirados, sim! A admiração sem a inveja é maravilhosa. Reverência isenta de inveja é coisa magnífica. Mas a inveja é coisa muito insegura. Porque quando alguém os inveja, com o tempo, só se virá a satisfazer com a descoberta dos vossos defeitos, com o vosso derrube unicamente, vê-los a fracassar, com ânsia de que fracassem, e se alguém se deixar obcecar pela inveja também se sentirá obcecado com o vosso fracasso. Ser invejado é coisa muito perigosa.

A inveja é destrutiva, sim, mas também pode ser viciante. Com a inveja, não só vocês concedem o vosso poder a outros como também cedem a magia que tenham. Ora bem, o beneficiário do vosso poder e magia não tem conhecimento disso, não os pode usar por não lhe pertencerem; mas assim o vosso poder e magia permanecem inactivos, à medida que continuarem a desperdiçá-los, ao invejarem isto e invejarem aquilo e ao invejarem aquele que tem isto e aquele que tem aquilo.

Não só elaboram declarações e leis que passam à vossa mente subconsciente e inconsciente acerca do que não seja permitido terem; não só se deteriora a ponto de independentemente das realizações  que tenham conseguido alcançar só se sentirem satisfeitos com os vossos defeitos e com a possibilidade de os ver falhar, mas também desperdiçam o vosso poder, e procedendo de vós não só saem os filamentos de luz tipo fibra óptica mas correntes inteiras de energia. Cordas espessas e compridas por que cedem o vosso poder, a vossa magia, a vossa força vital àquilo que invejam. Desperdiçam a vossa força vital e veem-se ancorados num emaranhado em que a inveja que sentem se transforma num albatroz. Pode ser viciante.

A inveja atira convosco de volta ao vosso padrão de medo e substitui a expectativa “Eu imagino, eu desejo e eu invejo,” enquanto instrumentos de criação. Mas além disso, gente, funciona como um vírus e pode esconder-se no corpo como vírus que se alojam na própria coluna vertebral à espera durante anos e décadas até reemergir, violenta e desenfreadamente.
Além disso, a inveja pode deslizar sorrateiramente para os recessos da vossa estrutura celular, pode deslizar para os recessos da vossa realidade e aí permanecer em estado dormente durante anos e décadas. Pode espalhar-se de uma forma insidiosa; e quando emerge – e emergirá sem dúvida! – fá-lo em lugares que nada têm que ver com a sua origem. Subitamente, eis que o localizam aqui, quando terá tido início acolá, e procuramos quais sejam as invejas que temos e não as descobrimos, por aqui ser o local onde emerge e não onde teve origem; não é o que a está a alimentar. Pode infectar-nos a vida toda, tal como um vírus, tal como um cancro, até nos comer vivos de dentro para fora. Assim, a inveja pode comer-nos vivos e infectar-nos a vida por completo. É viciante, essa coisa chamada inveja – para os outros a quem a dirigiram assim como para nós, que a sentimos, quando permanece não declarada, quando permanece dormente.

Além disso produz paranoia, entendem, porque assim que começarem a conquistar ou a realizar alguma coisa começam a temer a visibilidade e a vulnerabilidade. Outros poderão ter ciúme de vós e vocês conseguirão fazer frente a esses ciúmes, mas e se mais alguém tiver inveja de vós? Não irão sentir-se satisfeitos até descobrirem os vossos defeitos. Não será divertido? Não se irão contentar até os verem fracassar. E isso pode ser aterrador, senão intelectualmente, pelo menos emocionalmente. De novo, não é proposição mais admirável ser objecto da inveja de alguém do que ser invejoso. A inveja não declarada é viciante. Leva-os a perder a própria força vital. E muita vez, quando a inveja os tiver comido vivos, desce sob a forma de raiva.

RAIVA

A raiva é a terceira das emoções indizíveis e não é aceitável nem tão pouco permitida. Não é coisa que seja suposto acometê-los. Podem manifestar o ciúme, tudo bem, dentro de certos limites, é aceitável e não faz mal e é até de esperar. Tudo bem, podem manifestar inveja – não é aceitável mas ser-lhes-á permitido manifestar inveja, mas por breves instantes. Mas não se deixem acometer pela raiva. A raiva não é aceitável nem é permitida. E ironicamente é aquela que é menos compreendida. As pessoas pensam que seja aquela de que mais conhecem e é a menos compreendida.
Que coisa será a raiva?

“Ah, eu sei, é quando explodimos num acesso qualquer. É quando perdemos as estribeiras. Quando perdemos o controlo, e ficamos possuídos. Isso tem que ver com a ira. A raiva é mesmo uma forma de ira muito intensa, muito intensa.”

Mas não é verdade. Geralmente a raiva serve-se do veículo da ira para se desafogar, mas não é isso que a raiva é. Do mesmo modo que vocês muitas vezes utilizam o vosso automóvel para se deslocarem de um local a outro, mas não são o vosso automóvel (para alguns de vocês isso pode tornar-se numa forma de desapontamento) mas vocês não são o automóvel. (Riso) Do mesmo modo, geralmente a raiva é o veículo que a ira utiliza mas não é a coisa, por a raiva ser algo mais. A raiva geralmente utiliza a ira intensa ou o medo intenso, ou a mágoa intensa, ou a solidão intensa, ou o desespero intenso, ou o intenso desamparo ou impotência, ou mesmo a intensa vergonha como veículo de expressão mas não é isso; não e o veículo mas algo mais.

Por vezes a raiva é espalhafatosa e outras vezes afeiçoa-se ameaçadoramente silenciosa. E há alturas em que a raiva sussurra, e demasiadas vezes é silenciosa. Por vezes é súbita e outras veze sé muito lenta. Mas isso são tudo veículos da expressão; não são a raiva, e é aí que muita gente comete o erro e avança com o seguinte:

“Vá lá, estabelece contacto com a raiva em ti; grita, berra, atira com as coisas, puxa os cabelos, despedaça as roupas, rebola pelo chão...”

Nada disso é raiva. Pode ser um veículo da raiva, pode ser a expressão que adopte, mas em si mesmo não é raiva. A raiva é algo mais que isso. mas demasiadas vezes é aí que o consensual se detém na sua definição.

“Fulano ou sicrano está cheio de raiva...”

Querendo que seja espalhafatosa e arrasa com tudo e diz coisas sem intenção. Habitualmente isso é atribuído a certas alturas do mês por que as mulheres passam. Elas são mesmo assim; menos fortes e estáveis que os homens. (Riso) Estamos a ser fictícios, evidentemente.

Mas que será esse algo mais que é a raiva? Que será esse algo mais? A raiva constitui um extrema perda de poder. Muitas vezes sucede subitamente, ou talvez seja mais claro dizer que é subitamente percebida. O poder poderá ter sido afastado, camada por camada da cebola, até que um belo dia acordam e percebem que se acham impotentes. Constitui uma extrema perda de poder, entendem, que habitualmente sucede de repente ou que é percebida de súbito, independentemente da lentidão com que tenha vindo a ocorrer. Uma extrema perda de poder. A raiva constitui uma excessiva perda de valor, do vosso sentido e do vosso mérito. Uma vez mais, súbita. Quer suceda subitamente ou seja percebida de repente. Quer lhe chamem extrema perda de poder ou excessiva perda de poder, extrema perda de mérito ou excessiva perda de mérito, ela prende-se com questões de poder e de mérito – perda excessiva, extrema, de cada uma ou de ambas. Mas a rapidez que encerra é significativa, quer suceda repentinamente ou seja subitamente percebida. É uma extrema ou excessiva perda de poder, uma extrema ou excessiva perda de valor, de sentido, de mérito. É por isso que dizemos (assim como é razão por que é verdade) que toda a mulher aqui presente sente fúria; absolutamente. Por antes de nascerem, quando a vossa alma penetrou naquele feto, seja quando tiver sido, vocês sabiam que não detinham qualquer poder nem mérito, e que não obstante aquilo que fizessem, jamais seriam suficientemente bons. E essa súbita percepção, essa súbita perda de poder pela própria expressão do vosso sexo sentiram-se repletos de raiva. Alguns de vocês terão descoberto e expressado isso por intermédio de uma raiva intensa, de um intenso medo disto ou daquilo, muito ruidoso ou muito silencioso. Toda a mulher sente raiva.

E entre aqueles homens que aqui se encontram presentes; todo o homem que desperta, todo homem que verdadeiramente começa a descobrir o seu verdadeiro lado masculino, e consequentemente, o seu verdadeiro lado feminino, também sente raiva. Por reconhecerem a súbita perda, a extrema, a excessiva perda de valor; toda uma parte de vós que nunca tinha permissão para existir - o feminino; toda uma parte de vós que nunca tivera permissão para existir, o verdadeiro masculino, quando lhes foi alimentada uma mentira desde a altura em que nasceram. Desde que nasceram que lhes foi incutida uma mentira quanto ao que significa ser homem. Quando despertam e percebem que passaram décadas a viver uma mentira - isso equivale a sentir raiva. Intensa perda de verdadeiro poder, intensa perda de valor, de sentido, de mérito. Toda a mulher e todo o homem que despertam sentem raiva. Isso são duas das coisas que a raiva representa: extrema e intensa perda de poder e de mérito.

Mas também pode ser - e para alguns é mesmo - a abjecta negação da vergonha e da dor. Não apenas a sua negação por um tempo, mas a abjecta negação da vergonha, a abjecta negação da dor. A adesão abjecta ao facto de que sei que não gozo de nenhuma. Abjecta, intensa.

Em quarto lugar, a ira constitui um intenso pesar. Há anos que temos vindo a falar da tristeza, por aqui e por acolá; algo que tenha feito que não consiga corrigir, que não consiga desfazer. Algo que tenha acontecido que não consiga corrigir nem mudar e em relação ao que me sinto imensamente triste ou pesaroso. Um remorso profundo constitui um pesar, e para alguns de vós a raiva constitui um intenso pesar.

Em quinto lugar, a raiva constitui abjecta falta de esperança. O desânimo, gente, constitui um assassino. Ele matá-los-á literalmente; altera-lhes o sistema imunitário, destabiliza-lhes o equilíbrio electromagnético, altera-lhes as correntes eléctricas do sistema corporal; o desânimo constitui um assassino literal. Entendam, a doença é composta por consciência – os micróbios, os protozoários, os vírus, tudo isso é consciência viva. Possuem uma paixão pela vida. Falem com qualquer cientista de pesquisa que lide com antibióticos.

Foi publicado um artigo fascinante há não muito tempo atrás com respeito à batalha que travam com os antibióticos e como eles estão um passo à vossa frente – como antecipam e como se desenvolvem e como os antibióticos chegam a um ponto em que não revelam ser o milagre que lhes tinham dito que eram (outros sempre afirmaram que nunca terão chegado a sê-lo). Mas os vírus e as bactérias (protozoários patogénicos) possuem uma intensa paixão pela vida. Se vocês não sentirem essa paixão e eles sentirem, adivinhem quem sai a ganhar. É disso que trata o cancro, não? Raiva em relação à qual se sentem desanimados. As bactérias do cancro possuem paixão pelo viver. É por isso que tende a ocorrer terrivelmente rápido nas pessoas que tendem a não ter esperança. O desânimo constitui um assassino.

Com certeza que vocês vão fundo para sair desse estado, mas quando dão por vós nele – pânico! “Sai rápido; faz tudo quanto puderes para sair desse estado!” Abjecto desamparo, resignação – é isso que a raiva é.

“Não é o desamparo que sinto hoje, mas em relação à semana, ao mês inteiro, de que não consigo sair...”

A abjecta falta de esperança que constitui resignação. A raiva constitui extrema perda da alma, e a insensibilidade do espírito; excessiva perda da alma e entorpecimento do espírito. Por último, a raiva constitui extrema perda de si mesmo; perda da identidade, perda da imagem, sensação de estar morto. Vejam, é disso que trata a raiva – de uma extrema e excessiva perda, de poder, de valor, de alma e de espírito, de si mesmo. Abjecta negação da vergonha, da dor. Abjecto desânimo e intenso pesar. Não é só fúria estridente; não é somente mágoa ou medo ruidoso; não se trata somente de um golpe sobre a estima, quebrar coisas e dar cabo de veículos a fim de expressar a excessiva e excessiva perda, para expressarem a abjecção como uma perda desesperada entrincheirada no manter-se vivo no desamparo, ou para de algum modo irromperem da prisão da dor intensa que sentem, que a raiva utiliza como um dos seus veículos. Mas essa intensidade é algo mais.

Como saberão se padecem dela? Mas, e que dizer das verdades? Há verdades distintas que indicam com uma maior clareza se estão a lidar (ou não) com a raiva. Uma dessas pistas é:

“Ando sempre exausto.”

Sofrem de fadiga, mesmo que durmam e repousem o suficiente:

“Ando sempre exausto; sempre cansado.”

No vosso mundo actual têm esta doença chamada Epstein Barr, (Síndroma da Fatiga Crônica) que certamente constitui uma pandemia. Corre muita raiva pelo vosso mundo fora, que é forçada e empurrada para baixo, e que lhes vem ao encontro no modo como as coisas funcionam: a desumanidade que constatam, o que tiram uns aos outros, tudo empurrado para baixo, essa noção de fadiga, essa noção de contínua exaustão crónica constitui o vosso sinal de que a raiva se acha presente e de que não a estão a enfrentar.

Outro; o cinismo. Certa gente é cínica com respeito a isto ou cínica com respeito àquilo, mas vocês dão por vós a ser aparentemente cínicos com respeito a tudo, senão agora, sabem que o irão sentir, quase com medo de querer qualquer coisa com receio de que o cinismo o engolfe e polua e destrua; medo de se aproximarem de alguém por o cinismo o sufoque ou liquide. Receio de tocar no que quer que seja, medo de chegar perto sequer. Se derem por vós com um cinismo que pareça não parar de crescer e que abrange tudo como uma trepadeira, isso é um indicador de que padecem de raiva. Se acharem que vão fracassar antes mesmo de começarem, ou que vão estragar tudo antes mesmo de tentarem:

"Eu sei que vou fracassar; eu sei que vou perder; porque dar-me sequer ao trabalho? Porque deverei dar-me ao trabalho de o tentar? Porque deverei programar o contrário? Porque deverei meditar? Porquê ir ao encontro das pessoas e interagir? Porque candidatar-me a um emprego? Eu vou fracassar; vou ser despedido; não vai resultar. Só vou desiludir-me uma vez mais. Eu sei que vou perder. Para que dar-me ao trabalho de começar de novo?"

Isso é sinal de uma imensa raiva, não declarada, negada.

Um quarto sinal passa por sentirem-se impotentes, incapazes. É diferente do desânimo:

"Não há nada que eu possa fazer; nada que alguém possa fazer."

Desamparo. É um sinal que muitas de vocês, mulheres, conhecem. É refugiar-se num silêncio venenoso, em que simplesmente se silenciam.

"Não abras a boca, que não vai ajudar em nada."

Resignam-se num silêncio venenoso. Um sinal de raiva.

"De que serve isso? Porquê incomodar-me?"

Amiúde é uma abjecta impotência. O silêncio com que se aguenta a batalha da vida, não é? A mulher de sucesso do consensual que se cala, desempenha o jogo da raiva. Também acontece aos homens que se retiram para aquelas formas de silêncio - o silêncio tóxico, não estamos aqui a falar da solidão.

Uma outra pista passa efectivamente pelos surtos emotivos que se revelam demasiado intensos para a situação - mesmo que estejam com razão, mesmo que estejam com razão - mas em demasia, desconformes, mas na maioria das vezes não estão na mira.
Vejam bem, eu sinto raiva, mas de repente:

“Não suporto os condutores que me cortam a passagem. Em Los Angeles abatem-nos. Ou saem dos clubes de golfe e partem-lhes os vidros.” (Riso)

Isso é raiva.

“Ele cortou-me a passagem; e como não gostei do aspecto daquilo, deu-lhe um tiro.”

Pois, isso é raiva. Quando actuam de forma emocional com demasiada intensidade para a situação, ainda que estejam sob a mira de alguém; o marido, a esposa que de repente explode na cara de outra pessoa, mesmo que tenha toda a razão quanto à origem da raiva que sente, onde o seu poder, onde o seu valor, onde a sua alma, onde a sua identidade se tenha perdido ao extremo, ela poderá estar coberta de razão, mas a vergonha ou dor para que por fim desperta, ou o desespero que finalmente irrompe... Ela poderá tocar justamente no alvo da dor que sente, mas demasiado intenso, demasiado excessiva, para acabar por recuar...

“Fui demasiado longe; acabei por desencadear sabotagem do meu caminho.”

Essas emoções... Mas demasiadas vezes não atingem o alvo. E de repente explodem numa raiva incontida por qualquer coisa e em qualquer lugar menos - dentro de vós. Isso é um sinal de raiva.

Por fim mencionaremos a perda mais frequente – a da negação do amor.

“Ninguém me ama. Mesmo quando o demonstram, não chegam verdadeiramente a senti-lo. Talvez façam tudo quanto tenha o aspecto do amor, e da perspectiva dos outros, vós podereis pensar que me amem mas não amam. Eu sei que não me amam de verdade. Eles não se importam de verdade; não têm uma verdadeira intimidade. Terão algum motivo ulterior ou então estão a representar para que pareça, mas eles pensam que amam só que não me amam.”

Mesmo que ele esteja presente, entendem, negá-lo-ão. É a negação que sentem e não a deles. Negar o amor, a intimidade e o carinho por não terem existência na vossa realidade, independentemente do quanto possa ter, não obstante o quanto os outros se esforcem por os convencer... Eu jamais acreditarei nisso, não. De facto recuso-me a isso. Mesmo que soe assim ou que apresente o aspecto disso, ou que o digam ou que se portem como tal, não é amor, não é intimidade, não é carinho.

Negarão a paixão que sentem pela vida. E por que o farão? Por causa da raiva que sentem. Não necessariamente por aqueles que dizem que não os amam, porque provavelmente nada terá tido nada que ver com eles. É a vossa raiva. É o que se está a passar no íntimo, que não estão a enfrentar. E que será? Que pistas indiciará?

Mas conforme dissemos antes, a raiva apresenta um paradoxo. O enigma da raiva, conforme lhe chamamos. E desse paradoxo damos-lhes apenas exemplos do que queremos dizer.
Um paradoxo da raiva assenta, por um lado, no facto de ser fonte da vossa destruição, não obstante também poder representar uma grande fonte de liberdade. Tanto pode ser o vosso guarda prisional e executor como pode ser o vosso libertador. Pode ser o vosso inimigo assim como pode ser o vosso aliado. Pode bloquear-lhes a criatividade assim com pode desobstruir até descobrirem a verdadeira fonte da vossa criatividade. Pode ser fonte de destruição assim como pode ser fonte de instrução. Tanto pode enfraquecer, como em virtude da liberdade total que pode proporcionar podem tornar-se completamente emancipados.

São vários os paradoxos, são diversos os enigmas e nem todos se lhes aplicam, mas profundamente enraizado na raiva – se se dispuserem a aprofundar-se nela – e derem atenção ao enigma e ao paradoxo a fim de resolverem o enigma da raiva, então a raiva, sim, a vossa raiva, poderá tornar-se vosso aliado e poderá revelar a vossa fonte de criatividade e tornar-se num dos vossos maiores instrutores e revelar a fonte da vossa emancipação. E com uma aliança assim, poderão ser capazes de cortar a corda do ciúme e da inveja e recuperar de volta o vosso poder, recuperar a magia que têm, e ser livres. E acima de tudo, a vossa ressonância pode instantaneamente alterar-se, e se isso suceder, todo um novo panorama, toda uma nova vista, toda uma nova gama de futuros se tornam disponíveis. Futuros que antes só poderiam esperar, agora podem não só tornar-se possíveis como passar a exercer impacto. Eles alteram o presente muito antes de chegarem a manifestar-se, livres do inqualificável.

                                   



(continua)

Transcrito e traduzido por Amadeu António

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