sexta-feira, 12 de agosto de 2016

ALEGRIA II




Falemos da alegria. Fazemo-lo com a intenção de os ajudarmos a descobrir, a desbloquear, a reivindicar os tesouros perdidos da alegria que podem operar uma magia incrível na vossa realidade.
Para compreenderem o que a alegria é, para entenderem as suas especificidades e a sua precisão e mesmo a fluidez que tem, talvez a forma mais elegante ou mais conveniente de explorarmos o sentido da alegria seja olhando-a pelos olhos da felicidade. Por muitas vezes andarem combinadas, alegria e felicidade, felicidade e alegria, como se fossem a mesma coisa – embora no consenso frequentemente sejam encaradas como sinónimos e usadas para evitar a redundância. Mas de facto são bastante diferentes. Estão ligadas, sim, mas são bastante diferentes uma do outra.

Assim, exploremos o significado, examinemos a felicidade, e com base na distinção daquilo que a felicidade constitui, vamos descobrir o que é a alegria. Sugerimos que a felicidade consta da satisfação das vossas necessidades e que a alegria consta da satisfação das vossas preferências. Felicidade é a satisfação das necessidades básicas de sobrevivência e de segurança, de pertença e do apreço, do criar e do produzir e do saber, e as necessidades da estética na vossa vida; de simetria e de assimetria, de ressonância e de dissonância; de beleza e de espiritualidade. E a alegria é a satisfação das vossas preferências, que vão além das vossas necessidades.

Assim, talvez seja por aí que comecemos. Mas na verdade, a felicidade, aquilo que os faz felizes, aquilo que a felicidade constitui, é satisfazer essas necessidades básicas. Maslow sugeriu-as por forma hierárquica dando a entender que as mais baixas precisavam ser satisfeitas antes das mais elevadas, mas de facto representa um holograma onde cada pedaço contém o todo; mas seja como for, ao satisfazerem as vossas necessidades – não necessariamente esperar até as satisfazerem a todas – quando satisfazem o sentido da sobrevivência, quando satisfazem o sentido de segurança etc., sentem-se felizes. Quando satisfazem as necessidades, a sensação, o sentimento que têm, a isso chama-se felicidade. Satisfação das necessidades; mas é mais do que isso. É responder ao anseio que sentem. Quando satisfazem as vossas necessidades e respondem ao vosso anseio; quando completam os padrões e a forma do passado – isso constitui o primeiro aspecto do que a felicidade circunscreve. Satisfazer as vossas necessidades, responder ao anseio que sentem e completar padrões e formas do passado. Esse é o primeiro aspecto do que a felicidade subentende. Satisfazer as vossas necessidades, responder ao vosso anseio e completar padrões e formas do passado.

Vocês entendem a satisfação das vossas necessidades, entendem o que seja responder ao anseio que sentem. Mas completar os padrões do passado é suposto ser esquecer o passado, mas é o que fazem ao completarem. É importante examinar os sonhos que têm de criança e de adolescente, alguns dos quais precisam ser ressuscitados enquanto outros precisam ser esquecidos; precisam abrir mão deles. Precisam esquecer a ideia de virem a tornar-se no que quer que a criança em vós tenha fantasiado. Alguns desses sonhos precisam ser ressuscitados; certas fantasias precisam ser exploradas de novo em função da imaginação que contenham; já outras fantasias precisam ser descartadas e absolvidas. Esses desejos e sonhos de criança e de adolescente precisam ser trabalhados, completados, talvez para reunirem os tesouros, talvez para reunirem os dons, talvez para recuperarem o poder que ainda reste dessa vergonha ou mágoa ou fracasso ou tensão ou tragédia que parecem não ser capazes de agitar.

E quando fazem isso – e todos já terão passado por essa experiência – quando por fim chegam a completar um padrão, quer deixando-o perecer ou resgatando-o ao passado numa nova forma de adulto, vocês sentem-se felizes. Quando tiverem completado…

“Eu sempre quis visitar as Cataratas do Niagara.” 

Quando se apanharem lá dirão: 

“Agora sinto-me completo e já posso avançar em frente.” 

O cumprimento disso equivale à felicidade. Quando completam esse padrão, quando o concluem:

“Quando não mais projectar mãe e pai em tudo quanto se mover.” (Riso) 

Daí resulta um serto sentido de felicidade.
Quando satisfazem as necessidades, respondem ao anseio que têm e completam os padrões ou formas do passado – isso é felicidade.

A alegria é diferente. Alegria é o sentimento, alegria é a sensação que têm quando cumprem com as preferências que têm, quando vão além do vosso desejo em busca de novos padrões e de novas formas. Padrões e formas por completar, não do passado, mas padrões e formas do futuro ainda por explorar e experimentar, entendidas e conhecidas. A alegria é o cumprimento – não apenas a satisfação das necessidades – mas o cumprimento das vossas preferências que vai além do vosso anseio – não lhes respondem simplesmente – vão além e encontram-se permanentemente em busca, sempre a atingir e a estender-se em direcção a novas formas e padrões, a padrões e formas futuras daquilo em que se estão a tornar em vez do que têm sido.

A sensação que têm quando a vossa preferência é cumprida, quando efectivamente vão além do anseio e ainda querem, ainda desejam, ainda esperam sem a melancolia da saudade. Buscam novas formas e novos padrões – isso é alegria.

Um segundo componente da felicidade: A felicidade é uma sensação de relaxamento que traduz contentamento e satisfação relativamente à conquista (consecução) e à realização. Por vezes alcançam coisas, entendem, mas isso nâo produz relaxamento, produz? Por vezes realizam isto ou aquilo e não têm sensação alguma de contentamento ou de satisfação; não descontraem por nem toda a conquista ou realização produzir felicidade – esse é o erro que muitos cometem, o de presumirem que tudo quanto alcancem, tudo quanto realizem, venha a produzir um estado de felicidade, e quando não produz interrogam-se acerca do que terão de errado. 

“O que terei de defeituoso?”

Mas existe um estado de descontração e todos o conheceram quando alcançaram ou realizaram alguma coisa e isso os levou a sentir plenamente satisfeitos, contentes, relaxados, recostados e repousados – embora não por muito tempo. Mas é recostar-se e repousar sob os louros da consumação e da conquista.

A alegria, por outro lado, é entusiasmo. A alegria não representa um estado de relaxamento em absoluto, mas um estado animado, um entusiasmo que sobrevém com o desafio, com a inspiração do desafio de alcançar, e se estender e alcançar mais do vosso poder, mais do vosso talento, mais das vossas forças. É ser desafiado, ser conduzido propriamente à beira dessa experiência culminante, do melhor de vós, para depois se estenderem além até um maior uso, a um uso mais versado do vosso talento, do vosso poder e das vossas forças, para poderem alcançar um novo sucesso, uma nova realização, “novo” no sentido de diferente e não de mais do mesmo. 

Aí reside a diferença, entendem? Quando estão felizes sentem-se contentes e satisfeitos com as realizações e conquistas. Com a alegria não sentem essa sensação de contentamento e de satisfação. Vocês alçam-se além e sentem o entusiasmo e a inspiração do desafio - não só para conseguir mais da mesma conquista nem mais da mesma realização, mas para encontrarem uma nova conquista e uma nova realização.

Vocês podem conseguir dez dolares: 

"Uau! Que maravilha; consegui dez dólares e sinto-me contente e satisfeito, e assim poderei (...)”

E podem conseguir uma centena e depois um milhar, e isso representa mais da mesma conquista, mais da mesma realização, e pode produzir felicidade e talvez mesmo uma maior felicidade a ponto de gerar uma diminuição de custo com o aumento da produção, quando deixa justamente de proporcionar o relaxamento. Mas vocês entendem, a alegria não está em conseguirem transformar dez mil numa centena de milhar. A alegria está em conseguirem uma nova conquista, uma nova realização. É aquele desafio que se acha muitas vezes associado aos desportos, onde não dá prazer jogar como amadores, jogar como alguém que tenha começado a aprender a jogar. Não dá prazer jogar na Super Liga quando não se corresponde, situação em que se torna claro a equipe que venha a ganhar (a menos que seja a vossa) - não dá gozo. O prazer está no desafio, o gozo está em procurar alcançar esse nível, esse pico e em transpô-lo. Não está apenas no alcance nem na consecução disso, mas em fazê-lo com o uso e o retesar do vosso próprio talento, do vosso próprio poder, da vossa própria força, para além daquilo que sabem, para além das capacidades que experimentam. Quando utilizam as capacidades que conhecem isso é felicidade; quando exercem o vosso poder, energia e talento, vocês produzem felicidade. Quando se alongam além do que sabem, isso é alegria.

Uma tem que ver com o relaxamento e a outra com o entusiasmo. Uma prende-se com o contentamento e a satisfação pela conquista e realização, e a outra prende-se com a inspiração e a elevação e o desafio de alcançar novas conquistas e realizações, não só além das que tiver tido mas de um tipo diferente, de uma natureza diferente. Isso é alegria. Distinto daquilo que é a felicidade.
Um outro componente: a felicidade é uma sensação, um sentimento que sobrevém quando se encontram nos estados exteriores, ou campo externo, e esse sentimento se infliltra suave e facilmente nos estados interiores.

"Eu quero mesmo aquele emprego." 

Esse é um estado exterior; é uma armadilha resultante da ilusão em que se encontram – a não desconsiderar, mas tão pouco a tornar demasiado real. E quando esse estado exterior é sentido: 

"Eu consegui o emprego; eu encontrei o amor, conheci um homem, uma mulher, consegui uma relação; consegui o carro, a casa, as férias. Consegui melhorar da doença que me acometeu," 

de fora para dentro, a sensação de prazer que decorre do preenchimento dos estados exteriores. Mas vocês jamais chegam a ser felizes até que esses estados exteriores comecem a inflitrar o estado interior. Posto em termos simples: 

"Agora que consegui o emprego, a relação, o restabelecimento, o sucesso em qualquer área que seja, que dirá isso acerca de mim; que dirá isso com respeito àquele que sou?" 

É aí que a felicidade sobrevém e não só na obtenção do emprego ou da relação, pelo facto de me transmitir alguma coisa - a mim e não ao ego. Isso é sentir-se feliz.

A alegria, é não um preenchimento mas uma exuberância e tem início dentro, quando os estados interiores transbordam e borrifam e vertem para os espaços externos. Isso é alegria. Quando algo brota no meu íntimo, qual poço arteziano a jorrar, quando algo me corre por dentro, quando algo sucede dentro de mim e me inunda e se derrama e projecta no meu mundo - isso é alegria; estados interiores a derramar-se nos estados exteriores, e destes para os interiores, etc., até se tornar numa função onda perpétua. Isso é alegria. Quando os estados exteriores enchem e se infiltram suavemente nos estados interiores, isso representa felicidade. Quando o estado interior transborda de exuberância e se derrama nos estados exteriores, isso representa alegria, êxtase, é orgásmico, incontrolável. E esse é um terceiro aspecto - compreender as diferenças, e assim começar a entender o significado da felicidade e da alegria.

Um quarto componente, a felicidade traduz-se pela noção de protecção e de segurança que gera o espaço/tempo em que o amor pode espigar, brotar, enraizar e crescer. Não se trata de uma protecção e de uma segurança qualquer, entendem, não estamos a falar para aqueles de vós que têm a pulsão da personalidade, da protecção e da segurança. Todos vós, independentemente dos pulsões da personalidade que os caracterizem, buscam protecção e segurança; de facto é a própria pulsão que usam em função da própria busca dessa segurança e protecção. Por isso, não se limita a um tipo de eneagrama; todos vocês querem protecção e segurança, o que é compreensível. E quando obtêm o tipo de protecção e de segurança que permite o amor, que concede o espaço/tempo em que o amor espigue, rebente enraíze e cresça - isso é felicidade.

Com que frequência não terão dito: 

"Agora que alcancei isto; agora que realizei aquilo, agora que superei isto e ultrapassei aquilo, agora que curei isto ou aquilo; agora tenho tempo para o amor. Agora que consegui afastar aquilo do caminho, agora que consegui ter tempo, agora que me sinto protegido e seguro, agora tenho tempo e espaço - já se uso esse tempo e espaço é uma outra questão, mas agora tenho tempo para amar." 

Quantos não andam constantemente em busca desse tipo de protecção e segurança? De alguma forma cientes de que ter um tecto sobre a cabeça e comida na mesa e um emprego para ir pela manhã não responde a tal anseio? Entendem? Há uma distinção importante a fazer: nem tudo é protecção e segurança. 

“Sim, eu sei, tenho um carro para me deslocar, tenho um tecto sobre a cabeça, tenho comida na mesa, tenho um emprego que me garante rendimento para satisfazer os compromissos. Mas, então porque não me sinto feliz?”

Por uma miríade de razões, mas por uma, porventura, que é de essas coisas não lhes proporcionarem a protecção e a segurança que provêem o espaço/tempo para o amor; ou mesmo que proporcionem, vocês não estão a usar esse espaço/tempo para espigar, rebentar, enraizar e crescer. Amor – é aí que a felicidade se encontra. 

“Sinto-me protegido e seguro; devia sentir-me feliz.” 

Apenas se isso oferecer o espaço/tempo, e vocês utilizarem esse espaço/tempo para fazerem com que o amor espigue, deite rebentos, ganhe raízes e cresça. A felicidade proporciona protecção e segurança. Com a alegria é diferente. A alegria constitui a liberdade para alcançar além da protecção e da segurança. A alegria é a liberdade para buscar além da protecção e da sagurança e para buscar o amor que desabrocha e floresce por completo. Buscar, alcançar além da protecção e da segurança, chegar ao seu limite conforme vocês tanta vez fazem em meditação, chegar ao limite da protecção e da segurança, permenecer nessa linha por um momento, e a seguir dar um passo além. 

É a liberdade de pisar além da protecção e da segurança e de buscar o florescer do amor, buscar a liberdade, buscar o desconhecido, buscar o possível, buscar o potencial – o que é possível nessa relação amorosa, o potencial dessa relação amorosa, aquilo que não se compreende em relação ao amor que se sente, o que não se conhece em relação ao amor que se sente pelo outro – é aí que a alegria emerge. Quando somos capazes de pisar além daquilo que sentimos - essa liberdade. Isso é sentir-se protegido e seguro (…) e depois transpor isso e penetrar no desconhecido, penetrar no possível, penetrar no potencial, penetrar no “risco” – e colocamos o termo entre aspas por (…) a realidade e criarem as consequências. Não existe coisa alguma no sentido de risco, mas existe a alegria que sobrevem com a liberdade de ir além da protecção, de ir além da segurança e de criar um espaço/tempo diferente, ou de transpor o próprio espaço/tempo em função do desabrochar do amor – no desconhecido, no potencial, no possível. E isso é que é a alegria. E muitos de voces tê-la-ão sentido porventura de forma fugaz na relação que têm com o eu superior ou com o mundo invisível, enquanto outros na relação que têm com o mundo conhecido. Não apenas sentir-se contente, não apenas sentir-se seguro - coisa que lhes proporciona a felicidade. A felicidade é incrível e estupenda, mas tem que ver com o ir além em busca da liberdade do desconhecido, a liberdade do potencial, a liberdade do possível. Chegar até aí, além dos limites, e descobrir o azul por entre o florir do amor, e de tudo quanto pode vir a ser e tornar-se. É disso que trata a alegria. 

O quinto componente: A felicidade é chave para, e resultado do sucesso. A felicidade e o sucesso, seja em que área for, acham-se sempre muito interligados, sem dúvida. A chave para o vosso sucesso está na felicidade. Quer se trate dos êxitos definidos sob forma tangível ou metafórica, hieroglífica (os adornos) ou se trate por fim da essência. A chave para alcançar ou realizar tais êxitos tem que ver com a felicidade. De modo similar, quando encontram um sucesso desses ou passam por um sucesso desses, o retorno que obtêm dele, seja dos adornos ou da própria essência do sucesso, o retorno que obtêm passa por se sentirem felizes. Por isso a felicidade é a chave e o retorno do sucesso.
A alegria também representa uma chave e um retorno da exploração do caos e da exploração do desconhecido. É chave para a abertura dessas portas que dão para a beleza e o silêncio do desconhecido. Para aí descobrirem, não êxito, mas para descobrirem sentido, para descobrirem aquelas verdades que possam ser reveladas nas profundezas perdidas, ou nas belas e silenciosas profundezas do desconhecido.

Onde a felicidade é chave e retorno do sucesso, a alegria é chave e retorno da vossa penetração no desconhecido em busca de sentido, em busca de novos tipos de sucesso, com novos tipos de adornos e novos tipos de essência que possam revelar um maior sentido do eu, um eu mais verdadeiro, um eu transcendente. Mais daquele que realmente são, para além da ilusão, para além do ser físico de forma a revelar mais do ser espiritual que se encontra de posse de um corpo físico, ao invés de um corpo físico que contém uma parte espiritual. A felicidade prende-se com o sucesso; a alegria prende-se com o significado de si mesmo, por meio do sucesso; o desconhecido belo, o desconhecido silencioso, e do que pode ser revelado aí.

Um sexto componente da felicidade está em que a felicidade constitui sentimento que emerge da dedução do caos e do silêncio da discórdia. Na vossa realidade frequentemente deparam-se com o caos enquanto frenezi, agitação febril, desordem, pânico, medo; isso é uma forma do caos da desarmonia. Quando esse caos é reduzido, aquilo que emerge é - felicidade. Vocês conhecem a discórdia, mas quando essa discórdia é silenciada, sentem-se felizes. A felicidade é a sensação, é o sentimento que emerge da redução do caos e do silêncio da discórdia. A alegria prospera em meio ao caos; a alegria aumenta o volume do caos; a alegria constitui a perseguição animada dos acordes do inconsciente - das dissonâncias presentes na procura da harmonia. Não somente caos pelo caos - isso não é alegria, mas insanidade (a seguir ao estilo). Mas trata-se da perseguição do caos na busca da harmonia; a perseguição dos acordes do inconsciente, a perseguição da dissonância em função da harmonia - a alegria que sentem quando têm vontade de correr atrás do caos, correr atrás da discórdia em busca da harmonia. Há gênio na alegria; atenção pelo detalhe, a paciência da atenção pelo processo que esteja a decorrer, paciência para ver com uma maior clareza, para escutar com uma maior intenção, a disposição para estarem errados na busca do que é certo. A alegria contém génio em si, do mesmo modo que o gênio contém alegria em si. É a perseguição do caos na procura da harmonia, é a perseguição da discórdia na busca da harmonia, a perseguição da dissonância na criação da ressonância; para que desse caos criem uma nova forma, para que dessa dissonância descubram uma nova ordem, uma nova ressonância.

Há génio nela. Perseguição do que parece errado para descobrirem o que é certo. Isso é alegria; e todo grande inventor, todo grande génio do vosso mundo, na sua história e na consideração que faz da tradição, carrega dentro de si uma alegria; não só alegria (não é a única coisa) mas uma alegria que é expressada no seu génio e que vai muito além da redução do caos, muito além do silêncio da discórdia, mas procura esse caos e procura essa discórdia na perseguição da harmonia – isso é alegria.

Por fim e em último lugar sugerimos que a felicidade é a sensação e o sentimento que emerge quando resolvem um problema. Resolução de problemas produz felicidade. É por isso que muitos, na perseguição que fazem da felicidade, estão continuamente a criar problemas para resolverem, porque quando vocês resolvem um problema vocês sentem-se felizes. A felicidade é a sensação que emerge quando um problema é resolvido. A alegria é a sensação, é o sentimento que emerge quando um paradoxo é resolvido. Com a determinação do paradoxo sucede a alegria; da solução de problemas sobrevém a felicidade.

Há lugar no vosso mundo para ambas; não podem andar constantemente felizes, nem tão pouco podem sentir-se constantemente alegres. Mas demasiadas vezes, por não conhecerem alegria, mesmo que o que estejam a experimentar seja alegria, vocês não conhecem a alegria. O que muita vez sucede é que a o fluxo e o refluxo (altos e baixos) tem lugar entre o feliz e o infeliz, ao passo que o aumento se poderia verificar entre o feliz e o alegre, o alegre e o feliz; entre o alegre e o feliz e entre feliz o e o alegre. Mas por causa do vazio provocado pela ausência de alegria, da perda do seu sentido e por conseguinte dos tesouros que encerra, demasiadas pessoas flutuam entre o feliz e o infeliz, entre o feliz e o extremamente infeliz; entre o infeliz e o feliz, entre o extremamente infeliz e o feliz - sem chegarem a conhecer a alegria. E se ocasionalmente atingirem um pico, retrocedem.

Não podem ser alegres por completo cem por cento do tempo; a constância não é objectivo. Contínuo mas não constante. Assim sucede com a felicidade. Mas muitos perdem a alegria, pelo que o senso comum diz que para chegarem a conhecer a felicidade precisam conhecer a infelicidade. Que será que o senso comum está a tentar dizer? Está a basear-se num conceito conhecido muito válido da cognição. Para poderem conhecer alguma coisa, para poderem aprender, precisam separar o um em dois. É por isso que dispõem de uma dualidade na vossa ilusão. A dualidade, o Yin e o Yang, devido a que para poderem aprender, precisem distinguir.

Se apenas fossem felizes, nunca chegariam a conhecer a felicidade. Precisam distinguir, dividir um em dois de modo a conseguirem reflectir, a poderem ter uma referência pessoal. Muito princípio sólido, igualmente muito verdadeiro, mas entendem que na vossa realidade consensual, onde dispõem de olhos e de ouvidos e de três outros sentidos, e onde dispõem de lobos temporais de tal modo calibrados, onde dispõem de estruturas neuronais de tal modo alinhadas que um em dois significa feliz e infeliz; isso é o que lhes é dito, que não  poderão conhecer a felicidade se não conhecerem a infelicidade; que não podem ter sucesso até experimentarem o fracasso.  O que nós sugerimos é que vocês precisam de dualidade para aprender, mas não necessariamente desse tipo de dicotomia.
Que tal feliz e alegre? Isso também representa um em dois. Talvez, se forem felizes a toda a hora não possam chegar a saber em que consiste ser feliz, mas se precisarem saber o que é indisposição para chegarem a conhecer a alegria... (Riso) Aí não chegarão a conhecer a felicidade.

"Eu sei o que é felicidade, por ter chegado a conhecer a alegria." (Riso)

A alegria é, absolutamente. Vocês concebem a dualidade entre a luz e a escuridão, entre o expandir e o contrair, em vez de a conceberem entre a luz e uma maior luz. Não conceguem conceber, não conseguem ouvir, tocar e cheirar, não conseguem calibrar. Ainda não dispõem, de transmissores nem receptores nem de condutos reuronais que sejam capazes de operar – ainda - outra palavra composta por três letras muito importante - para funioncarem com luz e com uma maior luz. Isso representa uma mesma função e uma forma diferente. Mas exactamente a mesma função e exige exactamente a mesma energia, e exige exactamente a mesma essência. E vocês podem decidir-se dividar a vossa felicidade com a infelicidade e dividir o vosso mundo desse modo, assim como possivelmente poderão considerar começar a procurar pequenos sinais e indícios de a dividirem dessa forma. É uma divisão de um em dois que é essencial aprender. E dois em três, e três em quatro e quatro em cinco e seis e sete e oito e nove. 

Os vossos números de um a nove representam a vossa senda espiritual até o lar, mas seja como for, para os levar a entender, ao se falar do que seja felicidade; para se encontrar alegria, é uma separação dos dois para se chegar a conseguir um reflexo de cada e uma referência para cada um. Agora que conseguem operar ambas podem chegar a compreender, podem chegar a conhecer a alegria. Não pelo conhecimento do oposto; esse já o conhecem, mas não é essencial para o conhecimento disto.

Porque resistem? Com esta maravilhosa alegria, com toda a satisfação que encerra, com todo o desafio, inspiração e entusiasmo que comporta; com toda a liberdade, com todas as chaves para sucessos desconhecidos, sentido e destino; com toda a harmonia que resulta de toda a dissonância e caos; com toda a resolução do paradoxo. Haveriam muitas razões a apontar, mas poderemos apontar quatro grupos de razões, o primeiro dos quais, à semelhança dos navios de Magalhães, não resta muita forma para a alegria. Não há muita forma para a alegria; as pessoas esqueceram o que significa e muita gente pensa que seja o mesmo que a felicidade, que sejam sinónimos... para evitar a redundância ou termos que repetir tudo de novo. Não é, mas as pessoas pensam que seja. A alegria perdeu o significado e assim não possui forma. Já falamos de como, para que a forma se possa reproduzir e manter e depois reproduzir-se, precisa de energia externa. Bem, a alegria constitui uma forma, mas não obtém energia externa nem compete muito bem com todas as outras formas do vosso mundo. Razão porque a alegria é anémica.

"Que é a alegria? É felicidade. Não, é algo mais. Bom, é... é alegria! É esta enorme felicidade. Existe feliz e depois existe realmente muito feliz; é isso que é."

A forma torna-se anémica, enfraquecida, e em certos casos como que morta. Mas obtém pouca atenção, muito pouca atenção, essa pequena palavra que empregam indiscriminadamente. Parte da razão disso deve-se a que obtenha muito pouca atenção. Porquê? Por a sua forma ser tão anímica. Sim, mas há muito poucos símbolos, muito poucas palavras, muito pouca linguagem, muito poucas definições, e em grande parte as palavras são frágeis, áridas. E devido à falta de símbolos, a alegria é anémica, a alegria perdeu a competição que tinha pela atenção.

Outra razão deve-se a que, devido a que as palavras e os símbolos que se acham disponíveis sejam demasiado inefáveis, demasiado sagrados, reunem demasiado sentido religioso em alinhamento com o si mesmo - não religião, a institucionalisação das formas de o conseguirem - mas o verdadeiro realinhar por si mesmo. Para algumas pessoas, quando elas sentem alegria:

"Não quero falar nisso, é demasiado sagrado. É demasiado precioso, demasiado querido, demasiado raro para o expor aos elementos, à poluição, onde pode ser corroída e apodrecer."

Ou a isso, ou aos símbolos que existem, demasiado quebradiços, ou se não forem, demasiado sagrados, demasiado religiosos. Para algumas pessoas a alegria parecerá demasiado passiva, no entanto descrevêmo-la com dificilmente passiva, por não compreenderem o que quer dizer e em breve serem levadas a concluir que seja demasiado passiva, que seja demasiado vulnerável. E irónicamente dizem que seja demasiado feminina. Dizemos muitas vezes que o chauvinismo furta a mulher terrivelmente; não entraremos em detalhes quanto ao como nem porquê. Mas também dissemos que furta os homens e que lhes nega a masculinidade. A alegria constitui uma energia bem masculina, entendem? Mas os homens não têm permissão para a ter. Homens alegres? Isso soa a coisa um pouco gay demais. (Riso) Homens alegres? Esse é exactamente o tipo de que falamos. Não é aquilo que os verdadeiros homens são. O verdadeiro homem não sente alegria, e isso representa a emasculação da vossa verdadeira masculinidade, a castração da vossa virilidade. Por a alegria ser uma energia bem masculina. Mas também é uma energia bem feminina. Só que foi tirada, removida, furtada ao que significa ser homem, e assim os homens e as mulheres pensam de igual mdo que seja demasiado feminino, demasiado vulnerável, demasiado passivo - quando dificilmente é alguma dessas coisas.

Perdeu a forma que tinha ou parecerá ter desaparecido ou perdido a competição pela atenção, por a alegria ser demasiado reveladora e revelar demais da vossa alma, revelar demais do vosso espírito, por revelar demais da vossa espiritualidade, da vossa verdadeira natureza. E por isso as pessoas desculpam-se pela alegria que sentem:

"Desculpe-me, por favor aceite as minhas desculpas; deixei-me levar. Senti alegria. Estou tão envergonhada!"

Por isso resistem à alegria e negam-na. Uma outra razão, ou grupo de razões, deve-se a que no vosso mundo não haja lugar para a alegria - em grande parte. Onde se enquadrará a alegria em meio aos pradões aceitáveis? Onde terá lugar em meio às energias masculinas dominantes? Poderão achar a alegria em meio à estrutura? Em meio à ordem? E em meio à lógica e à razão? De que modo se enquadrará aí a alegria? Em meio ao raciocínio lógico, inditivo e dedutivo? Onde encontrarão o degrau para a alegria? De que modo se enquadrará a alegria no dever e na obrigação? De facto é preciso ser-se muito pruriente, muito lascivo para encontrar alegria em meio às obrigações.

"É repugnante. (Riso) É doentido sentir alegria em meio às obrigações. Que coisa serão vocês, algum tipo demente? (Riso) Não se pode encontrar alegria no dever nem na obrigação, seus tolos! Que coisa!" 

Não há lugar para a alegria em meio aos deveres nem às obrigações. Ela enquadra-se de tal forma na gama da paixão e do desejo que... Como se enquadrará ela na aparência, que aspecto terá? Como representarão a alegria? Façam-no! Represemtem lá a alegria. Nem sequer tem lugar em meio à competição, à comparação. Onde está a alegria? No desafio, tem lugar. Na competição ou na comparação, não. E na luta? Ah, bom, bem sabemos que muitas vezes se alegram com a luta que travam, mas isso não proporciona alegria. (Riso) Não há espaço nos padrões aceitáveis, não há lugar no vosso mundo das finanças e do rentável. Como conseguirão fazer dinheiro a partir da alegria?

"Com uma vida sexual jubilosa; ai se não... E depois escrevemos um livro entitulado: Tenham alegria, vivam com alegria que ela não é passível de ser depositada nem é rentável."

Não há lugar; não se enquadra no paradigma do controlo. Todo o martírio é coisa perversa; não podem ser mártires e ter alegria ao mesmo tempo. Uma coisa sobrepõe-se à outra. No paradigma do controlo ficarão sem controlo, derrotam por completo o propósito caso tenham sentido alegria por chorar alto. Não se enquadra no controlo, não se enquandra no martírio. Decerto que a alegria e a pena não ligam lá muito bem. Mas, e a alegria e a manipulação? (Riso) Não se enquadra nesses paradigmas e enquanto esses paradigmas prevalecerem não haverá lugar para a alegria. Tão pouco tem cabimento na luta; para além da luta, sim; no mundo da luta, não. Embora as pessoas digam:

“Estou verdadeiramente a gostar da luta que empreendo,”

Não estão a dizer a verdade ou então estarão a embelezar essa luta. (Riso) Por a luta não comportar qualquer desempenho preferencial, por não haver qualquer suplantar nem liberdade; por não ter qualquer significado, nenhum sentido superior de si. Além dela, sim; nela não. Portanto, não há lugar nos padrões aceitáveis, nem no vosso mundo rentável, por a alegria não ser rentável ou passível de ser depositada. Os paradigmas, os modelos, a luta. Um terceiro grupo de razões por que as pessoas resistem:

Para alguns a alegria parece demasiado perigosa. Para algumas pessoas, a última referência que tiveram da alegria terá sido na infância. Ocasionalmente terão sentido alegria, dependendo mais ou menos da intensidade com que a tenham tido na infância, mas todos terão sentido, pelo menos um instante de alegria aqui ou ali, para poderem ver as vossas preferências satisfeitas, para além da ânsia e da procura de uma nova forma. Todos vós terão sentido o entusiasmo do desafio, todos terão sentido essa explosão interior, e terão assistido a ela nos catraios pequenos, de tempos a tempos. Todos terão tido essa liberdade para além da protecção e da segurança, todos terão buscado o desconhecido e a beleza no silêncio, e do mesmo modo o caos e a discórdia – as crianças adoram o caos e a discórdia, não?

Mas muito embora não soubessem que encerrava um paradoxo, quando a criança resolvia um soltava um grunhido de alegria. Todos gemem com pequenos fragmentos de alegria, e para alguns de vocês esse será a vossa última referência; outros terão tido, nos termos da adolescência, determinadas experiências de alegria, por vezes sob o fluxo da energia sexual, por altura da puberdade; a alegria que descobriram por altura do orgasmo; isso também representa um momento de alegria. E alguns têm essa referência na dolescência e como tal agora em adultos sentem que alegria seria demasiado perigosa, por não poderem portar-se como crianças nem como adolescentes de modo seguro na idade adulta. Em particular agora que a prática terminou torna-se mais perigoso que nunca ser criança ou adolescente; não tanto para as crianças ou os adolescentes que estão a passar por isso, mas para vós, adultos, por voltar a passar por isso tudo de novo poder ser perigoso. Por isso, a vossa última referência, a última vez em que terão sentido alegria deve ter sido quando se intoxicaram a ponto de desmaiarem:

“Oh, vamos lá descobrir a alegria...”

Não, isso não irá acontecer desta vez! Se a última vez em que tiverem tido alegria tiver sido quando tiverem fumado algo ou quando tiverem perdido a decência, etc., a criança ou o adolescente poderá arranjar a conseguir fumar por trás do celeiro, mas quando isso é traduzido para o comportamento do adulto, que coisa representaria o fumar atrás do celeiro nos dias que correm? Seria uma forma perigosa de alegria, por alguns só disporem dessa referência. Sentir alegria é periogoso.

Em segundo lugar, a alegria lança-se em face do desconhecido; a alegria arremessa-se para o futuro. Lança-se em face do possível, em face do caos, mas devido a que isso deixe alguns de vós aterrados de forma tão intensa (todos vós, em determinado grau), poderá parecer perigoso. A alegria é coisa perigosa por os forçar ao desconhecido, ao caos, à inconsciência, ao futuro, ao possível; por conseguinte soa a perigo.

Mas também soa perigosa por a alegria chegar perto das chamas do desespero. Quando da última vez que falamos do assombro, dissemos que uma das coisas por que resistem ao assombro, e que se deve ao facto de exigir a solidão que se aproxima do fogo do isolamento, e requerer uma certa noção de dignidade que se aproxima demais do sentido da tragédia. Por requerer um sentido de existência e de ser que se aproxima demais das ameaças da ansiedade e do pavor. 

Pois para alguns, não para todos, a alegria aproxima-se demasiado dessas chamas da aflição, mas a alegria provê pela opção aquilo que a aflição só pode forçar. A aflição constitui estado em que se sentem desanimados e sem esperança, sem saída, e em que sempre tentam encontrar uma saída. Mas é diferente do desespero por a aflição ser passiva, ser uma cedência. A aflição passa por ver que não há saída e continuar a bater com a cabeça contra a parede. A aflição é saber que a porta se fechou, e continuar a tentar de qualquer jeito. O desespero é consciência de estar fechada, mas porque incomodar-se? Aflição é encontrar-se no fundo do poço escorregadio, sem jeito de sair. A aflição sucede quando enfrentam o vosso destino, e não têm mais meios de o satisfazer. Quando se enfrentam e não encontram pontes para chegar ao que veem; quando vislumbram o verdadeiro sentido daquele que são e daquilo que são, e se sentem completamente alienados em relaçãop a isso que veem. Esse é o estado de aflição. 

A aflição constitui um estado energético, em que exaurem as vossas forças ao tentar realizar o que nunca conseguirão. Ou assim não pareça. Num estado de aflição encontram-se cara a cara com o destino; num estado de alegria chegam a ficar cara a cara com o destino. A aflição é um pronúncio da liberdade, liberdade por que anseiam mas que nunca chegam a pensar que obtenham, e não veem qualquer forma de a conseguir. A alegria consiste nessa liberdade. Tanto a aflição como a alegria colcoam-nos cara a cara, por serem ambos pronúncios de uma liberdade. Tanto a aflição como a alegria levam-nos a enfrentar cara a cara os sonhos por que morreriam, as fantasias que não existem mais, as esperanças e sonhos do que nunca terão tido lugar. Tanto com a alegria como com a aflição podem chegar a ficar cara a cara com a mentira. Um pela força – a aflição; a outra pela opção – a alegria. Ambas têm a capacidade de romperem com esses sonhos e essas fantasias, esses delírios, essas mentiras – um pela força e o outro pela opção.

O temor envolve-se mas a aflição, da forma similar, é aprisionada na confusão. O temor passa em frente. Algumas pessoas enfrentam a aflição, e do outro lado disso está a alegria. No outro lado disso. Mesmo que venham a enfrentar o destino cara a cara pela força, mesmo que cheguem a dar cara a cara com a liberdade pela força, e com a mentira e com as ilusões à força, mesmo que rompam com os padrões, pela força - do outro lado encontra-se a alegria. A alegria pode conseguir a mesma coisa, só que pela opção. Se forem apanhados pela aflição isso será trágico, mas se conseguirem passar a aflição isso será causa de alegria. Mas para alguns a alegria acha-se demasiado próxima das labaredas da aflição, e à semelhança das traças, temem chegar perto do fogo; e assim se mantêm afastados da alegria; desse modo parece demasiado perigoso.

E por fim o último grupo de razões por que as pessoas resistem. Por as vias que têm estado ao vosso dispor terem sido demasiado estreitas, demasiado dolorosas, demasiado dispendiosas. Conforme dissemos, a aflição constitui uma dessas vias. Se quiserem encontrar alegria, vão até às profundezas da vossa aflição, vão até às profundezas do vosso pavor, mergulhem na vossa aflição e a seguir atravessem-na, desde a aflição até ao pavor. Não se deixem apanhar pela vossa aflição ou ela mostrar-se-á tragicamente destrutiva. Não saiam da situação de aperto do pavor ou nunca conseguirão atravessar esse aperto. Mas se forem até às profundezas do pavor, se forem até às profundezas da aflição poderão sair pelo outro lado, da alegria. Essa é uma das vias.

Outra dessas vias, é por meio da vossa emoção base. Alguns de vós achar-se-ão familiarizados com o termo “emoção base” mas na base da vossa energia restrita uma emoção – não somente um sentimento, mas uma emoção - uma delas é potencial ira; vocês conhecem gente que é se acha imbuída de ira; sempre irritada, sempre zangada. Parecem exsudar ira, independentemente de se sentirem feridas ou assustadas, alguns com razão, outros sem razão, por algum ganho ou por alguma perda, mas acabam sempre por andar irritados; são uma completa irritação. 

(continua) 
Transcrito e traduzido por Amadeu António



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