quinta-feira, 28 de julho de 2016

SOBRE A ALEGRIA





É muito mais difícil falhar do que ser bem-sucedido. Porque para fracassarem no viver a vida têm que se esforçar para valer, e para serem bem-sucedidos basicamente só precisam deixar que aconteça, por o universo ser basica e completamente – para além de vós próprios –um lugar completamente bem-sucedido. Cada reino que tem representação no vosso planeta é bem-sucedido, salvo o reino humano, e é aí que a dificuldade surge. De que forma é que o reino mineral fracassa, não é? Os minerais fazem o seu trabalho com êxito, e sentem-se felizes com isso, definitivamente; o reino mineral é um reino bastante harmonioso. A interferência que o homem causa no seu reino é que gera a desgraça.
Mas se o deixarem a sós ele sentir-se-á bastante contente. Do mesmo modo em relação ao reino vegetal, saberão o que seja uma planta infeliz? Talvez seja uma que não tenham regado, mas seja como for, sugerimos que basicamente também existe felicidade e êxito nessa arena. E no reino animal? Somente no reino humano é que existe coisa tal como fracasso e infelicidade. E para além do reino humano, uma vez mais, tudo se torna bem-sucedido e positivo. Tudo é um completo sucesso. Vocês formam o único grupo que se esforça diligentemente por remar contra a corrente. E alguns de vocês fazem-no incrivelmente bem,e desenvolvem músculos bem fortes ao tentá-lo, e mostram-se bastante determinados em vencer essa corrida de subir a corrente tão rápido quanto consigam.
É de tal forma que se examinarem a vossa vida verão claramente que é muito mais fácil obter êxito do que fracassar. Porque para fracassarem, precisarão recordar todas as mentiras, precisarão continuar a recordar a si mesmos – alguns de vós nos vossos trintas, quarentas e cinquentas têm que voltar-se para trás a pensar algures como entre os vinte e cinco e os trinta e cinco para recordarem a dor, a mágoa, a injustiça, as transgressões. Alguns de vocês estarão na casa dos cinquenta anos e tentam recordar para se agarrarem à razão de ser disso. Mas vão fracassar, por precisarem recordar a mentira, precisarem recordar a mentira do que lhes fizeram, de que lhes criaram a vossa realidade; precisarão recordar a mentira de estarem descontrolados e de que não terem capacidade de alterar a vossa realidade ou de implementar alguma diferença nela. E aqueles de vós que tratam diligentemente de ser um fracasso precisam lembrar-se disso diariamente. A cada dia vem-lhes à mente como de alguma forma terão sido enganados ou como de algum modo se terão aproveitado de vós pelo que justificam e motivam o vosso fracasso, coisa que precisam instigar a cada dia.
Ao passo que se, por outro lado esquecerem, esquecer o quão horrível tenha sido – seja o que for que tenha sido – desde pais até ex maridos e filhos e patrões, etc., quando esquecem isso, deslizam acidentalmente para o sucesso, e precisam entender o que lhes sucedeu, por não acreditarem no que lhes tenha sucedido.
Pois a mesma coisa sucede com respeito à alegria e à felicidade. Precisam trabalhar para se sentirem infelizes, precisam esforçar-se para se sentirem infelizes – pensem lá nisso. Pensem em quando se sentem tristes, infelizes, quando sentem que a vida não presta – que se passa na vossa cabeça? Vocês percorrem o inventário de tudo quanto é terrível de atropelo, e fazem-no repetidas vezes dizendo que não o conseguem evitar, que não conseguem deixar de pensar no que lhes tenham feito, etc. Para se sentirem infelizes precisam continuamente bombardear-se com infelicidade. Ao passo que por outro lado, quando têm aqueles raros momentos de felicidade não precisam pensar nisso em absoluto; isso simplesmente acontece-lhes como se estivesse lá. É muito mais fácil ser feliz e alegre; necessita-se de uma enorme quantidade de trabalho para se ser infeliz e sentir mísero. Mas vocês são muito diligentes.
Mas o facto é que o universo, aquele universo em que têm existência, o cosmos em que o vosso planeta e universo existe, é igualmente completamente feliz e bem-sucedido, e está a latejar contra vós, a tentar entrar, a tentar dobrar as paredes para dentro e a tentar engolir as barreiras que edificaram, mas vocês encontram-se dentro dele diligentemente a colocar cintas e lastros para impedir que a inundação da felicidade galgue terreno e para se manterem ao deus dará por entre a vossa infelicidade e não permitir que esssa alegria venha até vós. E vocês criam lastros e erguem cintas e barreiras e reforçam essas barreiras. Todos os dias constatam um outro exemplo:
“Viste, eu sabia; não se pode confiar nas pessoas. Nunca funciona quando se quer. Eis um outro exemplo.”
E acrescentam esse como mais um lastro a juntar a essa barreira para manter a alegria de fora. Vocês assemelham-se bastante ao menino Holandês que meteu o dedo a tapar a fuga do dique. E é mesmo isso que sucede, o dique tem uma rachadela (lenda Holandesa); a barreira está a desmoronar mas vocês permanecem com o dedo a tapar a fuga, a manter a alegria à distância, a esforçar-se diligentemente.
Por vezes cansam-se e acidentalmente sentem-se felizes, mas jamais temem chegar a fazer campanha, não é? (Riso) Vinte e quatro horas será tudo quanto precisam para estar de volta à linha da frente do combate com a felicidade e o êxito, a afastá-los. Mas é uma batalha perdida. Vocês vão perder essa guerra, por a felicidade e a alegria eventualmente vencerem. Embora possam conseguir tornar esta vida numa vida combativa, eventualmente perderão, eventualmente escorregarão e a felicidade virá surpreende-los por detrás e atacar de surpreza e agarrá-los por detrás ou algo assim. (Riso) E ver-se-ão condenados para sempre.
Porque terão feito isso? Porque se terão tornado numa ilha num mar de alegria e de felicidade? Primordialmente fizeram-no de propósito por quererem aprender a passar um bom bocado. Quiseram, não aprender acidentalmente, mas aprender a consegui-lo. Vejam bem, na vossa realidade, onde dispõem da capacidade que têm de pensar e de definir escolhas, a capacidade de analisar as coisas e de tomar decisões com base nessa análise, topar com a felicidade como que por acaso seria uma chatice. Por disporem da faculdade de pensar, precisam exercitar essa faculdade. Por serem dotados da capacidade de definir escolhas precisam exercitar tal capacidade. Por não poderem pensar racionalmente usando o passado como base de análise e o futuro como base de análise para o presente. Precisam usar essas capacidades. E assim, realmente, uma situação em que toda a vossa felicidade e alegria e  todos os sonhos lhes sucedessem como se tivessem sido colocados numa bandeja de prata, deveria parecer uma situação bem enfadonha.
Assim, vocês usam essa coisa espantosa chamada livre-arbítrio de forma propositada para nadarem contra a corrente, para correrem na direcção oposta, para sairem da harmonia natural das coisas, para deixarem a corrente. Tanto assim que podem aprender a voltar a entrar, quase como a corda de pular, em que se preparam e saltam para dentro para saltarem uma vez mais para fora de novo, para voltarem uma vez mais para dentro e de novo saltarem para fora. Mas definiram isso de forma bastante propositada de modo a obterem a experiência da aprendizagem. Mas tão prontamente o definiram como o esqueceram, e passaram a presumir que, lá pelo facto de serem infelizes, toda a gente o deva igualmente ser. E há muitos de vós que tentam provar esse mesmo aspecto, ao criarem ao seu redor uma realidade repleta de infelicidade. Criaram isso individualmente, alguns de forma mais audaciosa que outros. E de facto o pessimismo é bem ilustração disso, da infelicidade que vocês criaram.
Todas as coisas que leem nos jornais, tudo isso é criado por vós – não directamente, não chegam a esse ponto da culpabilidade - mas criaram-no ao permitirem essas coisas na vossa realidade, ao permitirem que essas coisas sucedessem. Mas perderão a noção disso quando começarem a criar alegria, não que deixem de ler os jornais ou de ver os noticiários, isso seria uma presunção, não; ainda lerão os jornais e verão os noticiários mas obterão notícias diferentes.
“Ah, não, isso não é possível.”
Bom, então não se deem ao trabalho de o tentar. (Riso) Mas é assim, absolutamente, por isso acontecer.
Vocês estão a criar toda a realidade ao vosso redor de modo a conformá-la às vossas crenças, e de modo a que isso os ajude a manter de fora a felicidade, a alegria e o êxito; que caso contrário os inundariam e alagariam. Mas fazem-no de modo a poderem aprender como fazê-lo, de tal modo que, pela vontade consciente, pelo uso desse mesmo livre-arbítrio possam voltar a entrar nessa corrente com consciência de o terem conseguido, de não ter sido feito para vós; de vocês o terem conseguido por vós próprios.
E foi por isso que o fizeram; assemelha-se quase à analogia do quebra-cabeças que lhes apresentamos de vez em quando. Se entrarem num aposento e virem o vosso puzzle montado, achá-lo-ão muito bonito, mas irão querer ter parte nisso, a ver se o conseguirão fazer de novo. E é isso exactamente que vocês fazem; pegam neste quebra-cabeças que é a vossa realidade, que é completamente harmonioso e que encaixa na perfeição e admiram-no e decidem que agora querem ter parte nele, a ver se o conseguirão montar de novo. E conseguem juntar algumas das peças, sabiam? Certas peças do azul do céu, que não conseguem distinguir umas das outras e conseguem montar duas ou três, pelo que se afeiçoa um tanto fácil quando chegam aí. Mas depois esquecem, não é?
"Quem foi que fez isto? Quem foi que provocou todo este estrago? Quem armou toda esta confusão?"
Esquecendo-se que foram vocês e esquecendo a razão porque o terão feito. Mas aí alguém lhes diz que foram vocês quem fez isso.
"Ah! Sou terrível, sou uma desgraça; nesse caso mereço ter tudo desmontado por ter sido infantil e um tolo."
Mas quando perceberem que o fizeram de propósito de forma a obterem a experiência e a satisfação, a alegria mesmo de o voltar a montar todo… Mas ninguém disse que não poderiam receber uma ajudinha; ninguém disse que precisavam fazer tudo sozinhos. Vocês têm todo o tipo de auxílio e encontram todo tipo de satisfação a fazê-lo. E poderão fazê-lo tão rápido ou tão devagar quanto preferirem, por não haver requisitos. Portanto, com respeito a isso, vocês definiram isso assim mesmo de propósito, pelo que precisarão perceber isso e esbaldar-se e livrar-se dos sacos de lastro que aí colocaram, derrubar as barreiras que aí ergueram. Quando deitarem abaixo as defesas que mantêm a alegria do lado de fora, ela começará a entrar aos borbutões sem que precisem esforçar-se por isso, em absoluto.
É muito importante perceber que é muitíssimo mais difícil fracassar, de modo que quando examinarem a vossa vida e virem todas as coisas em que estão a falhar percebam o quanto estão arduamente a esforçar-se por isso, em vez de se lamentarem dizendo:
"Pobre de mim, olha para a confusão em que a minha vida se tornou."
Vocês estão activamente a batalhar, activamente a suar com o fracasso, enquanto mantêm essa pretenção viva.
Do mesmo modo, aqueles de vós que se sentem seguros de estar infelizes, secretamente e sem o revelarem a ninguém, enquanto intimamente se sentem infelizes, vocês estão a trabalhar nisso. Precisam devotar-lhe uma energia formidável para recodarem a mentira e para manterem o êxito e a alegria de fora. Mas quando examinam a vossa vida dessa perspectiva, as coisas assumem uma compreensão completamente diferente, uma percepção totalmente diversa.
E assim é que hoje examinamos estas coisas para vermos como produzir essa alegria, como sacar a satisfação do dique, como deixar que ocorra. Será importante porventura entender como é que o pensamento evolui numa realidade. Já tivemos ocasião de referir como o pensamento sai de vós e descreve uma curva e, da vossa realidade física se propaga à realidade astral e àquilo a que chamamos de plano causal (que no entanto vocês poderão chamar como quiserem). É aí que essa pequena semente de pensamento se conecta com um efeito particular e fica por ali a flutuar à espera de se manifestar. E ambos juntam-se e dão a volta de regresso através do plano astral de volta ao físico e surgem na vossa realidade por detrás. Talvez surjam pela frente, mas seja como for, percorre uma curva elíptica. Como é que isso efectivamente sucede a esse repeito é impossível dizer, por não chegar a ir a parte nenhuma, por não haver parte alguma onde possa ir; acontece tudo aqui. Mas seja como for, sugerimos que poderá ser descrito da seguinte maneira:
Quando têm um pensamento - coisa que têm biliões e biliões de vezes ao dia, por não terem apenas um ou outro pensamento por dia, e eles são emitidos quais pequenas bolhas a partir do quarto ventrículo ou da localização mais próxima, que é igualmente por onde a vossa consciência sai pela noite quando dormem, etc., ou por onde a consciência abandona o corpo quando morrem, etc., sai tudo pelo quarto ventrículo – aproximadamente, não literal a partir do quarto ventrículo, mas no sentido etérico, próximo desse local. A garganta é o que é considerado o quinto chakra, e na verdade se removerem a tiróide não será o chakra que terá sido removido e se operarem nessa zona e não o encontrarem:
"Olha para isto, (...) chakra!" (Riso)
É um ponto de energia localizado na diafanidade próximo desse local do corpo. Pois do mesmo modo, o pensamento e a consciência saem e entram no corpo através do quarto ventrículo, do local situado próximo dessa diafanidade, e essas bolhas de pensamento saem às centenas de cada vez, como acontece quando mergulham com máscara debaixo de água, e sai aquele jorro borbulhante de ar que escapa.
Assim, ele sobe, na verdade faz um percurso elíptico mas figurativamente faz isso por si mesmo, desloca-se para cima e fá-lo até aos planos exteriores da realidade, até ao plano causal. Ora bem, o semelhante atrai o semelhante; por isso, quando têm um pensamento positivo, ele obtém apoio, obtém encorajamento, ajuda, pelo que rapidamente se encaminha para cima para a curva, para o plano causal. E no plano causal conecta-se muito rapidamente e germina, e com efeito é fertalizado um ovo de efeitos e dá-se o começo da gestação, o crescimento. Depois conquista o seu caminho de volta e vem até baixo e cruza-se ao entrar na realidade, para subsequentemente se apresentar pelas costas ou pela vossa frente enquanto realidade manifesta. Mas fá-lo muito rapidamente por ao longo do caminho ter obtido apoio e ter sido aplaudido e encorajado e orientado. O resto do cosmos fica tão entusiasmado com mais um pensamento positivo que o ajuda.
Ora bem, um pensamento negativo passa um bocado bem mais difícil. Vocês têm um pensamento negativo e de imediato ele fica sob ataque, por causa de todos os anticorpos positivos, por todas as partiículas positivas atacarem esse pensamento negativo no sentido de o destruir, e a maioria deles, muitos deles, são destruídos pela energia positiva e não conseguem sobreviver, etc. Mas se tiverem um pensamento negativo ele irá percorrer o seu caminho e lutar ao longo do percurso todo até cima até ao plano causal; e se o conseguir, então passará a germinar junto com o seu efeito particular etc. Também se formará um enfraquecimento e uma hesitação, naquele que de outro modo, é um plano bem positivo de consciência. E ambos juntos conectam-se e vão à sua vida e travam a sua terrível batalha de volta à vossa realidade física, muito à semelhança do processo reprodutivo etc., como pequenos espermatusóides que seguem o seu caminho a nado aos biliões, em que um esperma vai procurar fertilizar um óvulo enquanto outros caem mortos à medida que avançam.
O mesmo se passa com os vossos padrões de pensamento negativos; vocês emitem biliões deles e talvez um ou dois cheguem a aterrar, enquanto o resto é simplesmente devorado, destruído pela energia positiva. Assim, se examinarem a vossa realidade e constatarem todas as coisas negativas que apresenta, imaginem os pensamentos negativos que têm emitido, por para cada coisa negativa emitirem centenas senão mesmo milhares de pensamentos - centenas de pensamentos negativos para consolidarem essa coisa e conseguirem essa coisa de volta à vossa realidade. Uma verdadeira labuta, um verdadeiro problema. Precisam encaixotar esse pensamento negativo que querem manifestar em todo o tipo de desvios, em todo o tipo de subterfúgios e de sabotagem, etc. E precisam rodear e proteger esse pensamento negativo, à medida que sai para o seu campo de batalha e procura posicionar-se atrás da linha do enimigo etc., para conseguir suprimentos e regressar a casa. E trata-se de uma batalha incrível, e muitos, precisamos dize-lo, tornam-se peritos nisso.
Mas o que muita vez sucede é que ficam desapontados, vocês decepcionam-se e não protegem esse pensamento negativo o suficiente, não o rodeiam com suficiente afastamento nem suficiente ego, não o rodeiam com suficiente sabotagem nem subterfúgios etc., mas destemidos quanto possam ser, vocês tentam. E depois o que sucede é:
“Eu já sabia! Levou mais tempo do que pensava, mas eu sabia que ia acontecer.”
Já não se terão ouvido pronunciar isso?
“Bom, durou, só que não pensei que durasse tanto. Senti-me na maior, durante dois ou três dias, mas eu sabia que iria esbarrar com a decepção; só não pensei que levasse tanto tempo.”
Vocês emitem todos esses pensamentos negativos, e poucos deles chegam a encontrar o caminho do regresso. Muito poucos, mesmo. Mas entretanto o que fazem é batalhar com os positivos. Vocês são os que gozam de livre-arbítrio; podem batalhar tanto com a energia positiva quanto desejarem, embora isso os deixe exaustos.
Mas importa igualmente compreender como é que a realidade se encaixa e compreender a evolução do pensamento, que se assemelha bastante ao processo reprodutivo, já que um representa mais ou menos um microcosmo do outro. Porque é que alguma vez decidem reproduzir-se da forma que fazem, etc. Pois bem, é a maneira como pensam e a maneira como criam a realidade, por isso, porque não copiar o (…) e fazê-lo um tanto da mesma maneira? Por vezes o pensar, para alguns de vocês, pode ser praticamente orgásmico. E há alturas em que pensam e em que interligam pensamentos, e manifestam a realidade em resultado desses pensamentos e isso resulta num gozo que se aproxima bastante de um gozo orgásmico que experimentam.
A coisa está em que como muitos de vocês têm dificuldades com a impotência sexual e com a capacidade sexual para chegarem a atingir essa experiência orgásmica, o que é que os leva a pensar que deva ser diferente nos outros aspectos da vossa vida, e conseguir esse gozo orgásmico? Portanto, se não se permitirem ter essas experiências orgásmicas sexuais, o provável será que não venham sequer a ter as outras experiências orgásmicas e vice-versa. É uma batalha que travam. Uma batalha contra a felicidade. Uma batalha contra a alegria. Mas uma batalha que perderão – vocês irão perder a guerra, sem sombra de dúvida. Por isso o que sugerimos é que se rendam. (Riso) Desistam! Rendam-se de bandeira branca em punho – incondicionalmente!
“Está bem, está bem, eu rendo-me com relação a tudo e não vou impor nenhuma cláusula como a de ter que me sentir infeliz com relação a isto, ou ter que me agarrar à infelicidade que sinto com respeito a isto, ou ao facto de me sentir infeliz ali se não me permitirem que seja feliz aqui…”
Nada disso, nenhuma condição! E isso é assim por o outro lado não precisar negociar – ele vai vencer. Eventualmente irá derrotá-os, e irão ver-se inundados de felicidade e de sucesso a despeito de vós próprios. Por isso, o outro lado não precisa negociar convosco, nem o fará! Por isso, se se renderem, rendam-se de forma incondicional.
Aqueles de vós que gostam de capitular ficam de ouvido apurado, mas não nos referimos a esse tipo de capitulação em que passem a adular a alegria e a fazer-lhe vénias e a beijar-lhe os pés e coisas do género. Não, referimo-nos a uma rendição que passe pelo derrume das barreiras edificadas e deixar que os invada. Colocar os lastros que empilharam de lado; derrubar vós próprios os muros para permitir que a alegria acorra. Passado algum tempo nem precisarão derrubá-los, bastará que afrouxem alguma da pressão que eles irão cair, e irão ver-se inundados por ela. Alguns de vocês estarão a ouvir e pensarão:
“Exactamente, já expeimentei isso.”
Outros estarão a dizer:
“Ora, vamos lá, isso soa óptimo, mas não acontece.”
O que sugerimos é que se estiverem a batalhar com essa intensidade, será verdade, irá soar como se fosse impossível que se diga que já tenham experimentado isso antes.
“Só que não resultou, tal como já sabia que não iria resultar.”
Muitas vezes alimentam a ideia:
“Assim que tiver a minha vida encarreirada então voltar-me-ei para essa coisa chamada alegria. Assim que conseguir o dinheiro e a casa e a esposa e os amigos e o carro e a posição e os traços de ego e o poder que pretendo deter, assim que conseguir essas coisas então conseguirei ser feliz.”
Mas claro que geralmente isso acontece ao contrário. Se tratassem de ser felizes obteriam cada vez mais coisas dessas e de modo mais pronto, e não precisariam recorrer a toda a manipulação e calculismo a que recorrem agora a fim de tentarem alcançar essas coisas “facilmente.”
A alegria constitui um efeito. Vocês sabem disso. Mas a alegria consiste igualmente numa causa. A alegria produz os sucessos, a alegria gera a felicidade e gera a realidade tranquila que todos vocês dizem querer. Entendemos que nem todos queiram uma realidade assim, mas isso é a linha de relações públicas a falar por vós. Vocês juntam-se e:
“Hurra, hurra, vamos facilitar a coisa e suavizá-la.”
Mas na verdade estão tão ansiosos pela confusão que mal conseguem esperar. E o:
“Vou lutar por o tornar mais fácil,”
é de facto algo em que alguns de vocês são apanhados, mas seja como for sugerimos que é tanto uma causa quanto um efeito.
Agora poderão começar a conceptualizar a alegria como algo que pode levar a vossa vida a funcionar e não como algo que venham a obter em consequência, assim que tiverem feito e conseguido tudo o mais na perfeição. Por isso nunca chegar a acontecer. Porque, assim como existe enquanto força que os irá inunda um dia, não acontece automaticamente. E o que queremos dizer com isso é seguinte: Vocês podem combater a alegria e mantê-la fora da vossa vida de forma eficaz e ainda criar os sintomas do sucesso: ter dinheiro, ter roupas, ter a casa e o automóvel que vocês pensam que representam o sucesso – os sintomas. E ainda assim não sentir alegria. E muitos de vós fizeram isso; trabalharam e esforçaram-se e conseguiram-no. Apenas para descobrir que isso não encerrava alegria!
“Consegui tudo – e não sinto alegria!”
Por a alegria não ocorrer automaticamente. Precisam deixá-la entrar – não fazer com que tenha lugar nem forçar-se a consegui-la, mas deixá-la entrar. Deixar que entre e deixar que os inunde e deixar que os enleve, deixar que os arraste consigo.
Aqueles de vocês que gostarem de se sentir ancorados e de saber exactamente o que lhes vai suceder a cada instante, provavelmente não se irão deixar arrastar por ela. Mas a alegria não sucede automaticamente pela criação dos sintomas do sucesso. Assim, precisam conscientemente deixar que tenha lugar em vós. Por terem escolhido não a deixar entrar – conscientemente, quando decidiram ter um corpo físico! Por isso precisam repetir o processo pelo inverso, conscientemente, e deixar que agora passe a ter lugar.
E é a alegria que habitualmente constitui o ingrediente em falta na vossa felicidade, no vosso sucesso e no vosso crescimento, por poderem usar das técnicas até ficarem carecas, e elas virem a resultar ou não, dependendo de vós, e vocês poderão deixar que resultem, mas algo parecerá vazio, algo parecerá estar em falta. E a parte de vós que estará em falta, o eu renegado, o eu desligado é o eu jubiloso. E ter esse particular ingrediente – assemelha-se sem dúvida, quase a uma receita, em que se deixarem de fora o fermento o pão dificilmente (…) Uma pequena coisa – mas a alegria assemelha-se bastante ao fermento, por levar as coisas a crescer e a ampliar-se e a resultar bem.
Assim, que é que se intromete no caminho? A primeira coisa que se intromete no caminho de se permitirem ter essa alegria é a incompreensão. Muitos de vosês sentem que a vida deva ser uma luta e coisas do género, e que não seja suposto ser suave e que precisem lutar para serem felizes, que precisem descobrir a semente da felicidade algures no meio do deserto ou assim. E vocês fazem isso; andam pelo mundo todo à procura dela, como se fosse algum cacho de uvas que se encontrasse em qualquer parte; talvez esteja no novo emprego, talvez esteja na nova relação, talvez esteja no novo carro ou nas roupas novas. E buscam-na como se fosse algum pequena semente que existisse aí algures que valha a pena descobrir. E vocês saem à procura dela de nariz pregado no chão, como que a farejar o caminho, quando se encontra sobre vós e é imenso, incrivelmente imenso, grão de milho, que é o que usaremos como analogia, e caso se levantem baterão com a cabeça contra ela, como um Cocker Spaniel, não é? (Riso)
Mas esse é o mal entendido que alimentam com respeito à alegria, ao pensarem que seja esse pequeno cisco de uma matéria qualquer por que precisam esforçar-se por obter, e que precisam fazer. Mas a maioria das pessoas não o descobrirão e se vocês tiverem sorte encontrá-la-ão, se a enfiarem no bolso e nunca deixarem que se esvaia.
Além disso têm a ideia de que a alegria... muitos de vocês dizem:
"Okay, vamos andar alegres,"
mas aquilo em que entram é numa onda de infantilidade barulhenta. Vão a festas e incitam a alegria pelo encorajamento à bebida, à piada e ao movimento, e portam-se como adolescentes. Há a ideia de que a alegria na infância de algum modo seja a mesma coisa que ser adolescentes e sarcásticos e barulhentos. Mas precisarão ser verdadeiramente estranhos para serem assim alegres. Mas muitos de vocês tentaram tal coisa, sabem, resolveram passar um dia bem alegre e depois descobriram que agiram como adolescentes. Chegam a mudar o tom da voz para parecerem mais adolescentes:
"Olha como me sinto alegre! Sai lá daí e põe-te aos saltos."
Isso não é alegria, isso é adolescência. Mas vocês fazem isso e isso não resulta, e depois queixam-se da alegria por que se tenham deixado animar. Alimentam o equívoco de que a alegria de algum modo equivalha a sentir uma animação festiva o tempo todo, com ânsia de muitas coisas; para ser felizes muitos de vocês pagam enormes somas de dinheiro. Isso é de facto muito encorajado, não só de forma tangível, mas por outros modos também, durante o tempo todo em que acreditarem em tal alegria e felicidade.
O mal entendido relativo ao sucesso. Falamos disso quando afirmamos que o sucesso não é os sintomas tangíveis que apuram, mas ser poderoso, ter capacidade de agir, ser criativo, ser consciente, ser alerta, ser feliz. A partir desse estado de sucesso terão muitos sintomas, como o dinheiro ou a saúde ou a felicidade ou o relacionamento, etc. Esses também representam sintomas de sucesso, mas não são o sucesso. O sucesso será a combinação desses elementos ou ingredientes exteriores. Mas por se deixarem confundir nessa área, e irem em busca dos sintomas julgando que venham a representar o sucesso, nunca chegam a ter um sucesso firme. Pois o mesmo é válido com respeito à alegria. Existem determinados sintomas que expressam a alegria, mas a esse respeito se forem atrás dos sintomas e descurarem a alegria em si mesma, muita vez perdem-na. Por isso, essas questões envolvem mal entendidos, sem dúvida.
Além disso, também é o medo do tédio, e esse é significativo, por o tédio ser um assassino; vocês ficam entediados por muito tempo, e talvez seja tarde demais. E durante quanto tempo será demasiado? Isso varia com cada pessoa. Mas atrevemo-nos a dizer que se passarem três ou quatro meses completamente entediados, sinceramente entediados e não apenas dizendo que se sentem entediados por estarem realmente a ser vítimas e não o confessarem, e chamarem a isso tédio, mas se sinceramente se entediarem por três ou quatro meses, poderá ser demasiado tarde, e por essa altura estarão severamente necessitados de ajuda profissional para os tirarem dele, por o tédio ser um assassino. Ele mata muita gente que se encontra reformada; reformam-se aos sessenta e cinco e passados dois anos estão mortos. São completamente saudáveis de subitamente surge isto e mais aquilo, e caem mortos. Sentiam-se entediados de morte! Entediaram-se por não terem mais nada que fazer além de ficarem sentados durante dois anos, completamente entediados, e acabaram por morrer disso. E geralmente isso acontece, sabem, como que vindo do nada – bang - caem mortos! Outros apanham o tédio ao adoecerem, sabem, e despendem muitos anos com uma ou outra enfermidade e chegam a conhecer as entranhas melhor que muitos médicos, com as doenças que contraem. Mas o tédio é algo a temer, por os matar literalmente.
“Ah, eu cá não tenho medo do tédio…”
Seria melhor que tivessem! (Riso)
Mas o medo da alegria, o medo da felicidade, tem lugar nisso:
“Não quero ser feliz por temer aborrecer-me…”
E depois isso é o que acaba por acontecer. Por pensarem que a vida tenha que ser uma luta, um desafio, algo por que tenham que acordar pela manhã para se esforçarem por abrir caminho. É por isso que muitos de vocês se levantam da cama e se deixam deslizar mais ou  menos para o chão (riso) e se encaminham para o banheiro para vomitar e… (riso) conseguem cambalear até o medo que sentem… por precisarem sair logo para lutar e afastar a alegria de novo, não é? Por precisarem manter a infelicidade em dia (riso). Mas vocês pensam que tenha que ser assim; que precisem levantar-se e tentar derrotá-la, e se chegarem a casa às cinco horas depois de terem tido a batalha do ano, então sentam-se a repousar diante do televisor e vão para a cama para o voltar fazer no dia seguinte. Mas nutrem tal conceito.
Por conseguinte, ser feliz, ser alegre, soa entediante. Que quererá isso dizer? Quererá isso dizer que saltem pela manhã da cama e ta-tá, ta-tá? Não, não quer dizer tal coisa. Quer dizer sair mesmo da cama para fora. (Riso) Não, não saltar da cama a correr a cem à hora para o banheiro para escovarem os dentes e sairem apressados para o trabalho – isso é ridículo. As pessoas alegres serão hipercinéticas? Não! (Riso) Mas vocês entendem, têm esse conceito da coisa.
“Eu não quero isso; quero ser sério, etc.”
Mas o medo do tédio tem influência nisso. É assim que a coisa funciona, porque o tédio e a felicidade andam muito perto uma coisa da outra, acham-se muito próximos. E quanto mais arriscarem ser felizes, mais correrão o risco do tédio, sem dúvida, por não serem contrários mas se acharem muito chegados neste círculo de sentimentos e de realidade. Tudo roda em círculo, sempre numa elíptica.
Bom, é assim que funciona: Que é a felicidade? A felicidade, sugerimos nós, é a criação de necessidades gratificantes. Sempre as definições aborrecidas, não? Mas seja como for, sugerimos que seja isso. É a satisfação consciente das necessidades. Vocês têm determinadas necessidades; têm necessidades de protecção e necessidades sensoriais, para o prazer, e assim; têm necessidades emocionais. Essas são basicamente as necessidades que têm e em resumo englobam a cópula, a alimentação, alojamento e coisas do género. Isso são necessidades, e é a satisfação consciente, a gratificação consciente resultante da satisfação dessas necessidades – isso é o que a felicidade circunscreve. E aqueles de vós que tiverem satisfeito tais necessidades conscientemente sentir-se-ão felizes.
Ora bem; há uma outra área que se enquadra justamente no meio, que é a intelectual. Essa área intelectual é uma necessidade e uma preferência, e enquadra-se justamente no meio, por assim dizer, por vezes nos termos da consciência intelectual… Vocês têm que pensar; independentemente do quão burros fingirem ser, precisam pensar. Se nada mais, pensar no quão estúpidos são. (Riso) Mas seja como for, têm que pensar. Isso é uma necessidade que têm; precisam pensar, precisam estimular a mente, e se não o fizerem, ela estimulá-los-á. É como um cão esfomeado; se não lhe derem de comer ele começará a mastigar alguma coisa, e vocês fazem isso, se não tiverem algo com que façam trabalhar essa mente e esse cérebro, ele criará alguma coisa, começará a irritá-los, ele começará a comê-los vivos, etc. Um pouco de culpa, um pouco de dúvida, falta de confiança, e arranjará algo que mastigar durante um tempo. (Riso) O único problema está em que é a vós que ele comerá. Mas é uma necessidade, o pensar. Por conseguinte, pensar, deixa-os felizes; quando são conscientes de
“Eu estou a pensar…”
É coisa estranha de fazer, mas é divertido. (Riso) Mas também constitui uma preferência. E do outro lado está o pensar preferencial.
“Eu estou a pensar só por pensar, por ser divertido, por eu querer saber ao que isso leva.”
É aí que entra a beleza e a alegria do pensar. Porque pensas nisso?
“Por querer. Por querer descobrir onde isto conduz.”
As pessoas que frequentam aulas de génio divertem-se a pensar. Na sua maioria desfrutam do pensar, e adoram o gozo extático que o pensar proporciona, nem que seja em coisas que não sejam da sua área. É quase música para eles.
Para além disso há outras actividades, as preferências sociais conforme nós sugerimos, e as preferências ideológicas e filosóficas, bem como as preferências espirituais. Uma gama de sete, três das quais constituem necessidades absolutas, três das quais constituem preferências, uma das quais espetada bem lá no meio que é a número quatro, onde toda a gente fica encalhada. Mas o que sugerimos é que ser feliz significa satisfazer conscientemente as vossas necessidades: segurança, sensualidade, emoção, algum pensar… Ser alegre significa satisfazer conscientemente as preferências que tenham. A alegria não é a mesma coisa que felicidade, embora os dois termos sejam empregues de forma entrelaçada com o mesmo sentido, e possam sê-lo, com o propósito da comunicação. Mas na verdade são distintas, por haver diferença entre ser feliz e ser alegre.
Sentem aquela sensação de alegria quando pensam de forma aberta e se envolvem na vossa realidade social (não é ir a festas), quando perspectivam o âmbito mais alargado da vossa realidade, a criação social da vossa realidade, já que consiste numa parte mais ampla de vós. Preferências ideológicas e filosóficas. Ter uma filosofia de vida; certas ideias ideológicas sobre a maneira como a vida funciona e se conjunta; ter certos princípios, certos valores, certos ideais que persigam. E por fim a espiritualidade – é uma preferência, gente; não precisam ser espirituais, não senhor. Podiam passar toda esta vida a ser orientados pelo primeiro chakra, apenas a acumular segurança sem fazerem mais nada. Podem passar pela vida desse modo – é habitualmente entediante, mas seja como for, conseguem fazê-lo. Mas a espiritualidade constitui uma preferência. E se derem cabo dela, terão dão cabo dela; dispõem de outras vidas; ninguém irá puni-los nem nada disso. Infelizmente, quando começam a gostar demais dessa preferência, começa a ser difícil desistir dela, mas o que sugerimos é que seja como for, constitui uma preferência, pelo que a felicidade satisfaz as suas necessidades. A alegria passa pela gratificação das preferências. Mas a chave assenta na gratificação consciente, em criarem essa satisfação vós próprios. Muitos de vocês procuram quem o faça por vós:
“Eu quero ter uma casa grande na colina…”
Mas não querem ter que fazer nada por isso; querem que alguém lha dê. Mas se o fizerem, isso jamais irá produzir felicidade. Se funcionasse desse jeito; se as vossas necessidades de segurança, sensualidade e emoção e pensar fossem satisfeitas por vós, por mais alguém, vocês haveriam de ficar entediados, por ser isso que é o tédio. A saciedade das necessidades – isso é tédio. Pensem nisso. Quando se sentem entediados isso deve-se à saciedade das vossas necessidades – não das preferências que têm, porque essas não podem saciar. Essas acham-se em aberto, não há fim para elas. Mas vocês podem saciar as vossas necessidades. Mas quando isso é feito por vós, quando as vossas necessidades são saciadas, quer por o terem feito por vós próprios ou por alguém mais o ter feito por vós, vocês sentem-se entediados, e o tédio instala-se.
Por isso, torna-se compreensível que alimentem receios relacionados com a alegria, por poderem acabar entediados, o que é verdade; se procurarem quem lhes possa prover a tais necessidades e se escusarem obstinadamente a fazê-lo até que o consigam ficarão entediados – já se encontram entediados com a vida que levam conforme ela se lhes apresenta.
“Estou entediada por ter todos estes problemas…”
Então descarta-os.
“Não, quero mantê-los, de forma que alguém apareça que mos possa resolver.”
Bom, nesse caso mantém-te entediada.
Portanto, se conseguirem entender as diferenças e ver onde se enquadram, assim poderá ser de uma maior valia na eliminação desse tédio. Mas quando dizemos tédio não queremos dizer que se sintam aborrecidos com alguém ou com alguma coisa. Podem sentir-se aborrecidos com a conversa de alguém por esse alguém não estar a ser autêntico, não estar a ser sincero mas estar a encobrir ou a defender-se, ou a dissimular, etc., tudo quanto se torna extremamente aborrecido. Não estamos a falar de:
"Oh, as minhas necessidades estão a ser satisfeitas nisto," ou: "assumi a responsabilidade de passar para as necessidades mais elevadas que tenho," etc.
Não, por vezes as pessoas são chatas, sem sombra de dúvida, terrivelmente enfadonhas. O receio do tédio.
O receio da solidão é a seguinte. Se de facto fossem completamente felizes seriam diferentes da maioria das pessoas da vossa vida, e por isso, quem quererá ser assim excluído? Além disso, o medo da solidão que resultaria nisso... se fossem assim felizes as pessoas teriam ciúmes de vós, e atacá-los-iam e tentariam destruí-los e rejeitá-los, em resultado do que vocês pensarão:
"Creio que vou fazer parte da massa dos infelizes."
O Vitor Hugo escreveu acerca desse tipo de coisa, mas seja como for, é o que muitos de vocês estão a fazer. Têm medo de ser felizes, têm medo de deixar que isso aconteça porque então seriam diferentes e destacar-se-iam e as pessoas notá-los-iam e poderiam rejeitá-los. E sabem que mais? Eles fá-lo-iam, sem sombra de dúvida. Poderiam ser levados a crer que não, que elas os adorassem, mas isso é uma mentira. Elas rejeitá-los-iam, por agora terem passado a fazer parte do "inimigo," parte daquilo contra o que lutam.
Mas a certa altura vocês já terão estado do lado deles a encher os "sacos de areia" das linhas defensivas tão rápido quanto podiam para manterem todo esse sucesso e alegria do lado de fora. Mas de repente viram-se incapazes de continuar e revelaram-se uma ameaça para eles. Receiam que pudessem derrubar alguns dos sacos de areia que eles erguem e levá-los igualmente a sentirem-se acidentalmente felizes. E elas sentir-se-iam invejosas, sem dúvida, e rejeitá-los-iam.
Ora aí está! Se não quiserem ser rejeitados, se não quiserem porventura ter que refazer algumas das vossas amizades, se não quiserem ter que reavaliar a vossa vida e reestruturar parte dela, então mantenham-se desse lado do campo de batalha e continuem a empilhar esses sacos de areia tão rápido quanto puderem, porque um belo dia poderão cansar-se e parar por tempo suficiente para limpar a testa e - zás! - ser derrubados com a alegria e o sucesso que tenham aberto caminho. Mas é verdade, encontrarão gente assim, embora nem toda a gente. Não é tipo:
"Ah Deus, vou ter que começar de novo!"
Não. Mas terão quem na vossa realidade em breve venha a poder convosco, e em breve venha a saltar esse muro e venha a afogar-se na alegria e na felicidade. Esses manter-se-ão convosco. Poderão mesmo - Deus não o permita! - sentir-se inspirados por vós a saltar esse muro por si mesmos. Mas o que sugerimos é que isso venha a suceder, e que venham a perder alguns "amigos," que venham a perder alguns daqueles a quem tenham chamado amigos, se chegarem a ser completamente felizes e alegres.
Mas subsiste aquele medo da solidão, decorrente do facto de não precisarem de ninguém. Muitos de vocês são tão inseguros que não chegam a pensar que ninguém lhes preste atenção só por serem vós mesmos, e que a única razão porque agora recebem toda essa atenção se deva a que padeçam de todos esses problemas na vida. Mas o que sugerimos é que essa atitude também os mantém infelizes, e assim o medo da solidão torna-se-lhes bem real. Mas quando examinam isso mais de perto, quando pensam nisso:
"Espera lá, isso é maneira frívola de viver. É maneira bastante frívola de obter essa intenção. Não admira que quando obtenho essa atenção, acabe por me sentir sempre de algum modo vazio. Nunca chega a ser suficiente bom, por ter andado a fazer este jogo com esse tipo de coisa."
Por conseguinte, se conseguirem desbloquear parte disso, então poderá passar a resultar bem:

"Pois, vou abrir mão de alguns destes conhecimentos que tenho. E poderei ter que reestruturar a minha vida, o que poderá requerer muita mudança na minha vida, por eu ter andado diligentemente a trabalhar durante trinta, quarenta, cinquenta, sessenta anos a erguer toda esta cadeia a fim de manter a alegria de fora. Agora que a vou deixar entrar, vou precisar proceder a alguns reparos."
E isso torna-se assustador, fazer tudo isso sozinhos. Mas vale a pena. Para além disso, irá acontecer-lhes de qualquer modo. Talvez não nesta vida, talvez daí a dez ou vinte anos, mas irá suceder de qualquer modo, pelo que melhor será que deixem que ocorra agora.
Uma outra coisa que acontece é a validação externa enquanto fonte de autoestima, que se enquadra neste caso. Uma das razões por que não se permitirão ser felizes é por andarem em busca de validação externa, em função da autoestima caso isso esteja a suceder convosco. Por isso impossibilita a alegria. Porquê?
Bom, antes de mais, as pessoas que são felizes e alegres são muita vez consideradas frívolas, simplórias. Por isso, se buscarem a aprovação dos outros, não quererão parecer tão simplórios; quererão parecer ter profundidade, estar carregadas de valor, o que quererá dizer:
"Caramba, olha o quão impecável aquele é, olha quão estimulante e pensador parece. Como parece estar em contacto com as profundezas da terra. Ser alegres, descuidados e felizes? Algo deve estar errado. Isso não condiz com toda a aparência." (Riso)
Mas o que sugerimos é que têm essa ideia, a ideia de que de qualquer modo venham a parecer assim uns simplórios, uns cabeça nas nuvens. Mas havia muita gente tipo cabeça nas núvens, nos anos sessenta, que ainda não assentou pés no chão, que não é feliz mas que é admirada por isso:
"Vou ser exactamente com eles."
Andam com um sorriso idiota nos lábios e andam sempre a dizer "amo-te," naquele tom de  voz meio suspiro. Pois não é isso que têm que dar a entender, por terem esse receio da aprovação dos outros, que se torna muito importante juntamente com tudo isso. Têm igualmente o receio de parecerem estúpidos e das pessoas se aproveitarem de vós, e que precisem ser duros e fortes, e estar preparados para atacar e combater, etc. Sem dúvida. Ver-se-ão expostos ao ataque e aos atropelos das pessoas:
"Ah, fulano de tal, éle é tão bom que simpático que não se miporta que usemos as suas coisas ou nos aproveitemos dele. Que mal tem? Ele é meio leigo, e é tão feliz e divertido que não se importará."
E têm a sensação de que se forem felizes e alegres nunca se possam chegar a irritar-se, o que é ridículo! A ira é um sentimento estupendo, quando o sentem com sinceridade; maravilhoso. Mas o que sugerimos é que toda essa ideia do não poderem chegar a mostrar iritação ou mágoa, ou de não poderem chegar a dizer alguma coisa desagradável a alguém, ou chegar a erguer a voz e só poderem mostrar sorrisos e mostrar-se felizes e agradáveis, etc… Mas o que nós sugerimos é que não obstante disporem de toda a gama da humanidade ao vosso dispor, a busca da validação externa, a busca da aprovação externa, do que os outros pensem ser correcto para vós, impossibilita a alegria.
Além disso, o que sucede com a busca de validação externa acha-se justamente ligado a todo o conceito, acha-se ligado aos conceitos. Existem basicamente dois tipos de valores, os valores operativos e os valores conceptuais; vocês poderão dividi-los ainda mais nos meandros que encerram, mas basicamente existem esses dois tipos de valores. Sugerimos que os valores operativos são os valores que utilizam para passarem de um dia para o seguinte, ou de uma hora para a seguinte. Valores concebidos ou conceptuais são aqueles valores que preservam mas com os quais não agem de acordo. Têm valores relativamente ao assassinato de pessoas, a ideia de que não é lá muito boa ideia ou de que não seja uma ideia moral ou correcta, etc., mas não a testam todos os dias necessariamente. Já os valores operativos vocês utilizam-nos com regularidade. A questão está em que, em crianças todos vocês possuiam valores de orientação bem definidos.
Mas depois, ao aprenderem a articular-se mais, esses valores foram substituídos pelos valores conceptuais da sociedade, pela educação, pela religião, pelos pais. Mas se observarem as crianças, verão que elas possuem valores distintos e que não buscam a validação exterior em função da sua própria autoestima. Buscam a aprovação da mãe, mas unicamente por uma questão de sobrevivência, para terem a certeza de obterem a refeição seguinte e não para demonstrarem que são esmeradas. Elas não buscam a validação externa e tão pouco inquirem com respeito aos valores que têm - apenas os vivem; daquilo que lhes agradar elas gostam, daquilo que não lhes agradar não gostam. Quererão aquelas coisas que lhes agradam e não desejarão as de que não gostam. Elas querem ser felizes, e caso não o sejam entram em colisão e a seguir voltam a ser felizes de novo. Mas assim que começarem a enunciar ou expor esses valores, começam a perdê-los. Será isso uma indicação para que deixem de os enunciar? Não! A indicação está em não buscarem a validação externa enquanto fonte da vossa autoestima, por ser isso que sucede em tal situação.
O bebé quer o amor da mãe para sobreviver, mas assim que conseguir fazer a própria sandes de manteiga de amendoim, aí já carecerá da aprovação da mãe por querer ser melhor; e aí a validação externa tem início. Se vocês buscarem a validação externa não poderão estabelecer os vossos próprios valores. Que coisas prezam? De que modo desenvolvem os valores? Não sabem, por o não fazerem desde os dois anos. Mas para serem felizes precisam ter uma relação activa com os valores, com o carácter, com os princípios e com os ideais. Por isso, o solidão e a busca de validação exterior andam de mão dada, porque aqueles de vós que sabem que andam em busca da validação exterior em função da sua autoestima, também sabem que muitas vezes se sentem sós, muito embora andem em busca dessa aprovação, e que raramente se sentirão alegres. Mas não se devem surpreender porquanto para buscarem a validação externa precisam abrir mão da alegria, inequivocamente; por não ter lugar para ela. Também devem aliar-se da solidão, que é competitiva e que combate a alegria, que de outra forma não sentirão. Assim, onde é que os valores e esse tipo de coisa se enquadram?
Antes de mais, falamos de ideais. Os ideais são coisas que vocês não irão atingir, coisas irrealizáveis, declarações de amplo escopo relativas às coisas a que querem dedicar a vossa vida.
"Quero dedicar a minha vida a ter um relacionamento..."
Não. Isso não é um ideal! Nem a ideia da relação ideal. Se almejarem a relação ideal nunca a obterão, entendem, por os ideias não serem passíveis de ser alcançados, e isso ser coisa que lhes tenha sido dita. Por conseguinte, se realmente quiserem um relacionamento ideal, o vosso subconsciente interpretará isso como algo que não pode ser atingido mas que pode ser buscado, e assim todos vós ireis em busca da relação ideal e na realidade andarão em busca dele, mas nunca o atingirão. Porque assim que o conseguirem – revelará que podia ser melhor! Por isso, vocês possuem ideiais, e isso é importante. Não é que, uma vez que não os conseguem alcançar, não precisam deles, não. Tenham ideiais, mas conheçam-lhes o teor. O ideal da busca do amor e da alegria - cada vez mais, o ideal da busca não do amor ideal mas do amor, enquanto ideal de busca (o que encerra toda uma diferença). O subconsciente interpretará isso de forma bastante diversificada. A busca da verdade, a busca da felicidade, a busca da alegria, no sentido pleno da coisa. Esses podem ser ideiais que vocês sabem que nunca conseguirão alcançar em pleno, embora possam conseguir uma enorme ajuda ao sorverem (...)
Mas depois o que sucede é que definem um ideal; mas como é que o vão abordar? Estabelecem certos limites, certos princípios, dentro de cujo âmbito operam. Princípios são os limites positivos, do mesmo modo que os bloqueios constituem os limites negativos. Vocês precisam ter limites; enquanto se acharem encarnados precisam de limites. Mas mesmo quando passam além do plano físico e não mais dispõem de corpo físico, e por conseguinte não possuem legitimamente de limites, vocês estabelecem limites. Precisam ter um sentido de si mesmos, precisam ter um sentido de limites, mas se não os estabelecerem com base nos princípios fá-lo-ão com base nos bloqueios. Terão limites, sem dúvida alguma. Portanto, neste momento o mesmo se aplica. Se não gozarem de princípios padecerão de bloqueios. Mas se em vez disso começassem a estabelecer princípos poderiam começar a abrir mão dos bloqueios. Não mais precisariam deles para criar os vossos limites.
Princípios - as ideias pelas quais vocês se regem. Conceitos - os limites dentro dos quais operam.
"Eu vou fazer isto mas não ultrpassarei esta linha. Vou até ali, mas não passarei daí. Alguns de vocês possuem princípios vacilantes, enquanto outros não têm princípios em absoluto. O que sugerimos é que nesse caso padecerão de muitos bloqueios. Por precisarem ter limites. Ao passo que o carácter, o carácter constitui a qualidade da acção com que implementam os princípios.
“Eu adopto o princípio de sempre dizer a verdade – excepto quando não me apetece.”
Isso constitui um princípio vacilante, e uma falta de carácter.
“Eu tenho este princípio de sempre dizer a verdade, pelo que poderei não te telefonar durante uns dias, por não te querer dizer a verdade, mas quando quiser eu telefono-te. Esse é o princípio que defendo; não passarei dessa linha.”
Isso é princípio consolidado; isso é carácter. Forte carácter significa forte aderência a princípios. Carácter fraco denota existência de princípios mas falta de aderência aos mesmos. Os princípios serão estáticos? Não, de todo. Os bloqueios serão? Não, em definitivo. Os bloqueios são fluídos, e assim são também os princípios. Quererá isso dizer que os tenham em certos dias enquanto noutras ocasiões não? Não sei. Significa que se acham sempre em mudança como um giroscópio. Os princípios acham-se em giroscópica mudança, sempre em busca de equilíbrio, sempre em busca da equidade, a integridade. Por isso:
"Nunca direi uma mentira. O que quer dizer que sempre irei além desse giroscópio e dizer a verdade."
Esse é um princípio, o de nunca dizer uma mentira. mas o que sugerimos é que os vossos princípios estão em constante flutuação e mudança, por os vosso sideiais estarem sempre a expandir-se e a contrair-se, e se acharem em constante movimento.
"Pois bem, mas este é o princípio que adopto e não vou mudar; preciso aderir aos princípios."
Somente até àquela altura em que ese princípio se revelar errado, porque então irão querer mudá-lo. Certamente! Sejam flexíveis com os princípios a que aderem. E o carácter para os mater consolida-se. Os valores são o que os motivam a usar o carácter para implementar os príncipios que os conduzam rumo ao ideal. Por isso, criar valores é o que os tira da cama pela manhã, o que os leva a escolher esta via ao contrário daquela, e o que os leva a avançar em vez de se apoiarem continuamente nos princípios de nunca dizer uma mentira, etc., mas os mantém em vez disso no rumo dos vossos ideiais - os valores que defendem. Aquilo que tem valor para vós, que não em termos monetários, como a casa, o carro, etc. Não; o que tem valor emocional para vós.
Muito bem, a solidão significa estar separado disto; falta de ideiais, de princípios, de carácter, ou de valores. É quando se sentem verdadeiramente solitários e não somente sós:
"Passei a noite de Sábado sozinho; devo ter falta de carácter?"
Não! Quando se sentem separados dessas partes, quando não têm uma ideia clara dos ideiais que defendem, talvez por não terem pensado nisso e não os tenhamclassificado desse modo, mas o que gostaríamos de sugerir é que a solidão passa por se sentirem desligados disso. Além disso, a busca da validação externa separa-os desses ideiais, princípios, carácter ou valores, por os não estarem a desenvolvê-los ou estarem a deixar que outros vos imponham os seus valores e estarem a procurar viver os seus valores e os seus princípios e consequentemente acabarem com o carácter deles, em vez do vosso. É então que se separam e se sentem sós, mesmo em meio a um compartimento apinhado de gente.
Também se lhes torna impossível sentir-se alegres. Por isso, se realmente quiserem vencer a batalha contra a alegria, então assegurem-se de não terem ideiais nem principios nem carácter nem valores, e certifiquem-se de buscar continuamente a aprovação dos outros, e ficarão com um belo de um saco de areia que os manterá ancorados por muito, muito tempo; porém, precisam fazer isso todos os dias e a toda a hora, e de o tornar cansativo, que então estarão em apuros. (Riso)
Que mais? Os compromissos da culpa e da preocupação - isso também se interpõe no caminho da alegria e constitui um obstáculo. As obrigações decorrentes da culpa:
"Eu tenho que me sentir culpado, uma culpa compulsiva, ou irei ser atacado, etc."
A preocupação constitui uma culpa futura. (Riso) É tudo o que comporta, certo? Aqui se encontram no presente; qualquer coisa daqui para trás leva-os a sentir-se culpados; qualquer coisa que parta daqui para a frente levá-losá a sentir preocupação. A culpa é a fúria que sentem por sentirem não ter o direito de expressar. A preocupação é raiva antecipada que não têm o direito de expressar. Não será? Senão, pensem nisso. Do que é que se sentem preocupados?
"Preocupo-me com o dinheiro."
Que é que estão verdadeiramene a fazer?
"Sinto-me chateado com alguma coisa que sei que vai suceder. Estou a antecipar que me vou sentir chateado com isto, e não tenho o direito de sentir. Sinto-me preocupado com a relação, sinto-me preocupado por ser tratado assim..."
Seja o que for, que se xaminarem verão que a preocupaçao é a antecipação da raiva que não têm o direito de sentir. E a culpa é a própria raiva, já está a ocorrerm, que não sentem ter o direito de ter. De que modo libertam a culpa? Convertendo essa raiva numa raiva efectiva e expressando-a e libertando-a. Como converterão a preocupação? Do mesmo modo. Convertem a antecipação da raiva numa raiva efectiva. Experimentam-na, expressam-na e libertam-na. E não se preocupam! Como a cantiga: "Não te preocupes, sê feliz!" Bom sugerimos que não é assim tão simples, sabem, porém, se compreenderem aquilo que a preocupação é então serão capazes de desmontar a preocupação quase como desmontam a culpa.



(continua)
Transcrito e traduzido por Amadeu António

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