quinta-feira, 19 de maio de 2016

O DESPERTAR DA MATURIDADE ESPIRITUAL




O desenvolvimento do potencial humano ganhou estofo nos anos sessenta com a procura do desenvolvimento pessoal, baseado em pretensões muito fundamentais e legítimas

O desenvolvimento do movimento metafísico assenta não só na constatação de que a imagem pessoal e a atitude e de como as atitudes criam a realidade como na percepção de que nós também criamos a realidade. A percepção de haver mais do que a forma como olham a realidade, “a outra face que se dá,” mas fundamentalmente a percepção de que efectivamente criamos o que vem a nós. Esse é o âmago do potencial metafísico.

Aprendemos técnicas e aprendemos métodos e aprendemos acerca do amor-próprio e desenvolvimento pessoal e do estabelecimento de um domínio e vamos além do desejo de uma carro novo ou uma nova relação, em busca de alguma coisa que dê sentido a tudo isso.

Percebendo que haja mais do que a criação da nossa própria realidade, estendemo-nos além disso, em busca de uma relação viva, com alento, uma relação abrangente e carinhosa, algo que consigamos agarrar e que nos agarre a nós, uma relação dinâmica com o Amor. A busca de uma espiritualidade que se traduza por tudo quanto fazemos, e não só na realidade que criamos.

Se não insistirmos no caminho do medo, a jornada da espiritualidade não precisa ser solitário. Mas se nos abrirmos a um caminho que poderia estar replete de amor, de alegria, de riso e de expressão de nós próprios e da felicidade, e de celebração por tudo quanto somos, essa jornada pode ser uma jornada replete de amor (Deus) sob as mais variadas formas.

Há quarto modos básicos por onde dar início à jornada espiritual. Não só não é um caminho solitário como replete de alternativas.

Envolver-nos, emergir no amor. Ter amor por si mesmo e pelos outros. Dar amor, mas também receber amor. Mas mais que recebê-lo – ser amado. Deixar que a nossa vida seja diferente, deixar que sejamos alterados pelo amor que sentimos

Uma forma de dar início à nossa jornada espiritual é despertando o Amor.

Outra forma é desenvolvendo a valorização pessoal. Perceber sinceramente que exercemos impacto neste mundo, não obstante quantos preferem negar o próprio impacto, por se sentirem aterrados com a possibilidade de ser responsabilizados pelas suas acções, em razão do que procuram convencê-los disso.

Pela abertura para com a consciência pessoal e para com a dignidade própria, e para com a estima e a confiança e o amor que nos conduz a essa noção de respeito próprio e de honra ou homenagem para com a nossa natureza emocional, altura essa em que nos tornamos válidos, estimados, apreciados, e abrimo-nos ao desabrochar da realização pessoal ou autoconhecimento. O que evidentemente conduz ao amor incondicional.

Pelo estabelecimento da excelência pessoal. O caminho integral para o êxito, parte integrante da nossa essência, a necessidade de sonhar, o despertar do desejo que planta em nós, funcionamento válido, íntimo e elegante com a sabedoria e a compreensão, com o propósito de fazer melhor que antes.

Pelo desenvolvimento de relação com o vosso Eu Superior abrindo-nos para com o facto de efectivamente possuirmos uma consciência superior, para o facto de ser real.

Assim, o domínio espiritual na verdade resume-se, a:

Tornar-nos um com o Todo, despertar o amor em nós.

Abrir-nos para com o amor incondicional.

Desenvolver a excelência pessoal.

Implantar comunhão – união e comunicação com o nosso Eu Superior, o que representa uma maneira de morrermos para o passado, e de nos regenerarmos para o futuro.

Depois há a emancipação que sobrevém desse relacionamento, e a vitória que o amor incondicional e a excelência pessoal pode proporcionar.
E o novo limiar mais profundo de um amor que desperta por dentro.

Despertando para o amor...  


Todas as filosofias percebem o quão importante, senão essencial, o amor é. O amor-próprio. O amor-próprio é essencial para o êxito, para a felicidade, para nos valorizarmos e sermos e nos enriquecermos.

Mas, porque os problemas são bem definidos e as soluções muitas vezes não, precisamos saber em que consiste esse amor.

É importante por constituir a derradeira técnica.

O amor e o amor-próprio constituem o antídoto permanente para o ego negativo.

 

Possuímos um ego que era suposto funcionar positivamente e auxiliar-nos e funcionar como uma ligação entre a ilusão externa que criamos e o nosso ser interno, esta centelha, esta consciência que somos nós. O que esse ego devia fazer era comunicar-nos, deixar-nos saber o que sucede no exterior de forma a podermos proceder às decisões e dizer a esse ego o que fazer a respeito e conduzir essas decisões. Era assim que inicialmente era suposto que o ego funcionasse. Não era suposto funcionar nas profundezas da nossa meditação nem nas profundezas do alcance do nosso Eu Superior, os aspectos mais elevados de nós próprios. Tampouco era suposto que funcionasse na ilusão exterior. Era suposto funcionar nesse espaço intermédio, onde ele recolheria a informação e lha entregaria limpa, para que, após darmos uma resposta ele a conduzisse de uma forma limpa.


Mas o que neste nosso desenvolvimento sucedeu foi que quando essa informação chegou a nós ficamos sem saber o que fazer com ela. Dissemos para fazer o que quisesse e para não nos incomodar com ela e para fazer com isso o que achasse fosse melhor. O ego está completamente despreparado para fazer isso, de modo que faz o quê? Uma vez satisfeito, continua. Ele habituou-se ao poder que lhe foi outorgado, o poder não só de lhes dar a conhecer o conteúdo como de o interpretar por nós.

"Alguém esbarrou o teu carro, e fê-lo de propósito, por ter ciúmes de ti. Inveja de todo o dinheiro que tens para conduzir um carro tão dispendioso. Fê-lo de propósito para te atacar, sabes?"


Em vez de nos transmitir a informação de que alguém foi contra a nossa viatura para podermos responder da forma que acharmos conveniente, ele chegou a gostar dessa posição de poder, dessa posição de força, dessa posição em que nos mente e nos observa a dançar. E assim foi que o ego negativo nasceu; o ego negativo que se desdobra no exterior a tentar dirigir a nossa vida e dentro de nós, a tentar interpretar a informação e a dizer-lhes o que fazer: "Tu já controlaste o teu ego faz tempo, não te preocupes. Tu és a pessoa mais evoluída do planeta. Tu nunca chegarás a evoluir. Esquece lá isso..." Todo o tipo de mensagens, positivas e negativas: "Isso tão só não é verdade. Isso tão só não é verdade." 


Em última análise esse ego negativo tem o objectivo de nos destruir, ser o mais destrutivo que puder. E de facto olhamos ao nosso redor, não para nós evidentemente, mas para os outros, e vemos como o ego negativo é capaz de destruir em minutos o que terão levado anos a construir. O orgulho, a arrogância, o egocentrismo, os "melhor que," que em minutos podem ceifar o que terá levado anos a erguer.


A única maneira por que conseguiremos lidar com esse ego, lidar de modo a pormos um termo à sua acção, é por meio do amor; do amor-próprio. Porque, quanto mais amor tivermos por nós, quanto mais amarmos, mais iremos fazer com que esse ego regresse ao seu respectivo lugar - não liquidá-lo, não pisá-lo, nem estrangulá-lo, mas fazê-lo voltar ao seu lugar, ganhar domínio sobre esse ego. Por termos amor por nós próprios. Por uma pessoa amorosa não ficar por menos.


Outra razão porque é importante ter amor-próprio, é que é o amor que tivermos por nós que nos tornará mais do que numa pessoa crescida. É o amor que nos pode levar a que nos tornemos num adulto. Por a maturidade não se medir pela quantidade de anos nem pelo desenvolvimento corporal, nem pela perícia nem pelo rendimento. A maturidade do adulto pede-se pela atitude. A maturidade é uma sinergia e não só o que acontece após atingirmos os vinte e um, mas a combinação de uma criança livre, do adolescente atento e curioso e do progenitor carinhoso* e que ensina, numa combinação que resulta numa alquimia que é a maioridade. Não podemos atingi-la a partir de um desses pontos. É um todo que é maior que qualquer uma dessas partes. Com a maturidade mais capazes somos de criar de forma efectiva e de dominar a criação da nossa realidade. Mas é esse amor, esse pequeno ingrediente que provoca essa cisão e fusão da maturidade.


*(NT: Conforme é dito na terapia psicanalítica, onde se distingue do progenitor controlador, crítico, que tenta fazer com que a criança faça como lhe dizem, com base na transferência dos seus valores e crenças)


Depois por termos o desejo de conhecer o Deus que encontra dentro de nós, e o amor constituir o único segmento de comunicação entre nós e Deus. Da perspectiva de Deus existem outros, mas da nossa não há mais que um, que é o amor.

Na realidade física temos todo o tipo de emoções e de ilusões e aquilo esta coisa que criamos chamada tempo e esta coisa que fingimos existir, que é o espaço, mas sabemos que quando passamos para o astral e para os níveis superiores, essas coisas gradualmente desaparecem. No plano astral existe o conceito de tempo e o conceito de tempo, mas não existe tempo nem espaço. E as ilusões tornam-se mais imaginativas porventura e tornam-se mais animadas e encontram-se mais sob o nosso domínio.


Nos planos mais elevados que esse, até mesmo o conceito de tempo e o conceito de espaço ficam pelo caminho e eventualmente toda a dor, e raiva e as mágoas caem por terra, eventualmente tudo é descartado excepto o amor. E a única coisa de que dispomos que nos leve do lugar em que nos encontramos lá, ao nosso Eu Superior, à nossa alma, A Deus, é o amor. Por isso é importante que tenhamos amor por nós.


Então, por que não o conseguimos, se é assim importante e constitui a derradeira técnica; se nos torna num adulto, se nos leva ao domínio do ego e nos abre o caminho para "casa"? Porque não o conseguiremos?


Por nunca nos ter sido verdadeiramente ensinado, na expectativa de o captarmos por osmose ou por observação, ou quando muito que tivéssemos tido uma conversa hesitante e interrompida acerca dos factos da vida, reflectido num debate acerca do amor. Foi-nos ensinado a ler e a escrever e a fazer aritmética, mas sobre o amor, que é de importância crítica  e é o mais importante, não; os pais não nos ensinaram. Não que tenham culpa disso, por eles próprios também não terem tido conhecimento. Também eles aprenderam por observação.

Mas aquilo que observamos? Observamos que o amor é sofrimento. Custa tanto amar, e chegamos a sentir culpa. "Que queres dizer com isso de eu não te amar? Olha a culpa que sinto. Olha o sacrifício que fiz. Olha aquilo de que desisti por ti. Como te atreves a dizer que não te amo?" São associações dessas que formam a definição que temos do amor. O amor é dor, o amor é culpa, o amor é martírio, o amor é abnegação, o amor é sofrimento, o amor é fazer o outro sofrer e sentir-se culpado, o amor é ser usado, é ser aproveitado, o amor é rebaixar-se e fazer de patete para os outros nos calcarem, amor é negar toda a nossa existência. 


Estes são os tipos de observação que fazemos, por parte dos pais e dos amigos dos pais ou da televisão. Prestamos atenção às canções que são gravadas, as letras das canções de amor que frisam o quanto amar é doloroso e uma agonia. Se prestarmos atenção às letras e tais canções, será aí que descobriremos o que é suposto que seja. E pelo andar da carruagem, daqui a vinte ou trinta anos tais definições serão assustadoramente diferentes.


Agora aprendemos a programar e a criar a nossa realidade e a afirmar que amamos e que somos amados, mas se o empregarmos com base na definição do amor que nos diz que é ser usado e dor, o que programarmos só significará justamente essa ânsia de ser usado e de que tirem proveito de nós, e depois queixámo-nos da programação do amor não funcionar positivamente! "Programei para o amor e só encontrei quem quisesse aproveitar-se de mim!" Mas isso deve-se a que subconscientemente o tenhamos definido nesses termos.


As definições dos livros dizem-nos que ter amor por nós signifique ir comprar algo bom para nós próprios, mimar-nos, ir arranjar o cabelo, reordenarmos a sala de estar, mas isso não resulta. E acabamos com essas definições de que nem sequer tínhamos conhecimento, e  voltamo-nos contra nós próprios.


Depois, não nos é ensinado a amar, mas é-nos ensinado a não o fazer. Os nossos pais ensinaram-nos que isso era egoísmo, e que não devíamos pensar em nós, mas nos outros; ensinaram-nos que não devíamos sentir amor por nós mas pelos outros. pelos pais e pelos professores e pelos sistemas educativos também. Grande parte da filosofia, na verdade - embora não o acolhêssemos como uma filosofia - grande parte da filosofia que é filtrada e que passa a constituir o âmago da nossa existência prega que ter amor por nós próprios é egoísta e errado, que os seres humanos são muito inferiores, demasiado baixos para amar. E a religião ensina-os a não ter amor por nós próprios - Deus ama-nos, isso basta. Amemos simplesmente Deus, que Ele toma conta de nós. Não precisamos preocupar-nos em nos amar; deixemos que Deus o faça. E a sociedade, receosa que através desse amor por nós próprios nos tornemos demasiado independentes ou autoconfiantes, diz-nos para simplesmente não o fazermos. E encoraja-nos a amar os outros; afinal, há muita gente por outras partes do mundo que passa fome; amemos essa gente e não nos preocupemos connosco, nós já temos o suficiente. 

Podemos dar atenção e considerar a nossa situação como não tão má quanto a dos que se encontram pior que nós, que isso não quer dizer que não tenhamos que a melhorar.


É-nos ensinado não só o que não é amar como nos é ensinado a não o fazer.


Outra razão para não o fazermos é que nos leve a sentir como se fôssemos escolhidos por último. 

"Alguém deveria amar-me, mas se mais ninguém o fizer, então eu amar-me-ei." É como se estivéssemos a apelar para não sermos escolhidos por último, e por fim, "Bom, ficamos contigo." Para alguns sentir amor por si próprio quer de algum modo dizer que admita a derrota, por não sermos suficientemente bons para conseguir que mais alguém o fizesse, de modo que nos contentamos com isso.

Além disso, não nos amamos por não acharmos que mereçamos. De qualquer modo sentimos relutância em fazê-lo, por causa da falta de merecimento de que padecemos. Não achamos ser merecedores.


Mas há maneiras de alterarmos isso, e de o compreendermos, e assim quando entendermos que ter amor por nós próprios representa um primeiro passo que precisamos dar antes sequer de podermos começar a amar os outros, num sentido real e aprofundado, bem que poderemos começar a alterar esse obstáculo. Quando percebermos que é importante e que é nossa responsabilidade e a contribuição que damos ao mundo (que tão propensos estamos a ajudar) fazê-lo de um modo carinhoso. O que significa: "Preciso amar-me a mim em primeiro lugar, antes de poder ofertar a dádiva do que tenho a oferecer ao mundo. 


Que amor será, pois, esse? Muitos são os que nos dizem para o fazermos, com base em explicações frívolas, "Sê bom, deixa de fazer o que estás a fazer; sai do caminho; sai dessa relação e arranja outra; vai procurar alguém; arranja um relacionamento, é disso que precisas." Jamais nos é respondido, e tudo quanto acabamos a sentir é fracasso, por termos perguntado e recebido uma resposta que funciona no sentido de nos levar a pensar que sejamos maus e que estejamos errados. Jamais alguém se dá ao trabalho de nos dizer em que consista o amor ou como o implementar.

Mas o amor tem diversos componentes e constitui antes de mais numa combinação, passa por fazermos certas coisas de modo a produzirmos e proporcionarmos um estado de espírito. Fazer algo para proporcionar um estado de espírito. Não é só fazer, nem é só ser; é fazer para prover e produzir um estado de espírito. Mas, e que é que fazemos?


A primeira dessas coisas que fazemos é dar. Obviamente, dar é o primeiro passo, a primeira coisa que tem importância no amor. Dar o quê? Dar de nós mesmos, dar-nos a nós próprios. Mas assim como há passos a dar no campo da acção, também há coisas a produzir ou a prover. Dar a fim de produzirmos segurança; dar para produzirmos prazer; dar, de modo a produzirmos sinceridade e vulnerabilidade; dar a fim de produzirmos confiança; dar, de modo a produzirmos intimidade e afecto; dar, de modo a produzirmos um medo reduzido da perda; dar, de forma a produzirmos conhecimento. Não dar com o intuito de se receber alguma coisa. Não dar para se sentir superior... Dar a fim de produzirmos ou proporcionarmos estas sete coisas, ou uma qualquer delas: Segurança, prazer, sinceridade e vulnerabilidade, confiança, intimidade e afecto, um medo reduzido da perda, e conhecimento.


O amor também representa o acto de sermos responsáveis, ou "capacidade de responder" (Esta definição de Pritz Pearls tem mérito, apesar de parecer simplista) de sermos capazes de responder à nossa realidade. Se vivermos no passado ou no futuro não poderemos responder ao momento. E é sendo capazes de responder ao aqui e agora, capazes de responder como adultos metafísico e espiritual, que se é responsável. Mas tal capacidade de resposta não passa somente pela capacidade, mas pela disposição. Sermos responsáveis de modo a produzirmos segurança, prazer, sinceridade e vulnerabilidade, confiança, intimidade e afecto, reduzido sentido de perda e um sentido de conhecimento.


Também passa pelo respeitar; respeitar de modo a provermos e produzirmos esses sete resultados.

Amar também significa conhecimento. Chegamos a conhecer a nós próprios ou uma outra pessoa qualquer, quer produzindo dor, ou produzindo amor. O desejo de chegar a conhecer é tão forte que geralmente se não fizermos uma faremos a outra. Conhecer-nos a nós próprios de forma a produzirmos esse sentido de conhecer. Saber que conhecemos.


Para além disso, amar também significa ter a humildade de ser íntimo. Ora, isso não significa rastejar, nem abaixar-se sobre os joelhos para demonstrarmos o quão humildes somos. Humildade é uma disposição para encararmos cada instante de uma maneira completamente nova, uma disposição para não presumirmos que só que porque algo tenha sido, possa vir a ser. "Ah, eu sei que isso não vai suceder, por nunca ter sucedido!" Isso é falta de humildade. Aquele que é humilde diz: "Embora nunca tenha acontecido, há sempre uma primeira vez. Embora tenha corrido sempre assim, daqui para a frente pode acontecer assado." Isso é humildade. Disposição para não se ter apenas uma só resposta, ou uma deixa, para todo problema. Disposição para encararmos cada pessoa enquanto o indivíduo que é e para encararmos cada situação pelas feições do momento que apresenta.


Mas a humildade acha-se estreitamente relacionada com a intimidade, porque para termos intimidade - connosco ou com mais alguém - precisamos permanecer apaixonada e espontaneamente no momento. É isso que a intimidade significa - uma expressão apaixonada e espontânea no momento. Para tanto precisamos ser humildes. Humildade e intimidade com o propósito de provermos  a esses ou a um desses sete resultados.


Ser corajoso. Coragem, ter coragem de modo a nos empenharmos. Os compromissos são coisas assustadoras por envolverem um elevado sentido de responsabilidade associado a eles, e requererem coragem. Se me comprometer convosco, então terei a responsabilidade e a disposição para satisfazer esse compromisso. Ter a coragem para prover ou produzir essa coragem de modo a produzirmos esses, ou um desses sete resultados: segurança, prazer e por aí fora até à redução do temor da perda e ao conhecimento.


Por fim, o sétimo componente das acções que empreendemos para amarmos, a atenção  (cuidado). Importar-nos, connosco ou com mais alguém, de modo a proporcionarmos ou produzirmos um desses sete estados. É nisto que o amor consiste. Reconhecidamente, não é o mesmo que dizer que seja um cachorro quente, mas é o que o amor representa. Mas, e quanto é que se deve dar? Cem por cento. O mais que poderemos dar é cem por cento. Só que não dar pelo simples facto de darmos, mas com o propósito de proporcionarmos um desses sete resultados. Torna-se importante estabelecer essa distinção. Dar uma quantia de dinheiro não representa necessariamente um acto de amor, a menos que possa prover a um desses sete resultados. Dar informação a alguém, não representa uma acto de amor. Quantas vezes não teremos ouvido alguém dizer: "Bom, vou-te contar isto, mas faço-o por te amar," e prossegue com o acto de informar de modo a produzir todo o tipo de dúvida e todo o tipo de receio. "Eu fi-lo para teu próprio bem. Pensei que devesses saber." Talvez precisassem de o saber, e talvez fosse acertado contar-lhes, mas não se associe isso a um acto de amor. Talvez seja um acto de verdade, um acto de respeito, caso o seja mesmo, um acto de sinceridade, caso estejamos mesmo a ser sinceros e o propósito verdadeira que tivermos não for em vez disso o que magoarmos e o de criarmos dor e insegurança, seja por que razão for.


Dar para produzir um desses sete resultados e por nenhuma outra razão. Ser responsável por uma dessas sete coisas. Nós temos esta responsabilidade; porquê ser responsáveis nesta realidade? Porque haveremos de assumir responsabilidade se podemos culpar mais alguém, não é? Porque ao sermos capazes de responder e ao termos a disposição para o fazer, também podermos prover esses mesmos resultados a nós próprios, e amarmo-nos. Há muito poucas razões para que o façamos, e para além das categorias referidas e dificilmente encontramos alguma que não se enquadre numa dessas categorias.


Do mesmo modo, é respeitando. O respeito é negligenciado. O que será respeitar? respeitar é honrar a nossa natureza emocional. É isso o que o respeito é. Muita vez procuramos alcançar respeito fazendo isto ou fazendo aquilo; através de um bom desempenho ou de um bom trabalho mas  de facto não acabamos sentindo mais respeito por nós próprios do que pensar que tenhamos fracassado ou feito algo mal. Um trabalho bem feito poderá prover estima, por a estima ser algo que merecemos - com base no que somos e na pessoa que somos - é um amor merecido. Mas respeito, é apreço pela nossa natureza emocional. Por isso, quando fazemos um trabalho invejável, não ganhamos necessariamente mais respeito, mas podemos obter estima. "Ah, tanto faz, isso não passa de uma questão de semântica." As palavras são o que na maior parte do tempo escolhemos para comunicar, pelo que se torna importante compreender. Por que se pensar que autoestime e respeito próprio sejam a mesma coisa e que tenham que fazer o que fazemos que precisam honrar o nosso ser emocional., então estamos a negligenciar aquela parte de nós. Respeitar-nos ou respeitar outros de forma a provermos esses resultados. Não porque respeitando consigamos alguma coisa conveniente ou conseguir isto ou aquilo.


E depois aquele estado de saber, queremos conhecer; isso constitui um tal desejo em nós, que queremos conhecer; conhecer de forma a provermos a uma dessas qualidades resultantes do amor.

Do mesmo modo, com relação à intimidade e ao empenho e a atenção.


Como haveremos de saber se estamos a fazer alguma coisa com amor? Verificando o que produzimos com aquilo que fazemos. Amor-próprio é fazer essas sete coisas de modo a produzir esses estados de espírito. "Estarei a fazer a mim próprio de modo a prover alguma coisa dessas?" É por isso que os mimos poderão resultar, durante um curto período de tempo. "Sou responsável por mim próprio para comigo próprio, pelo que revelo a mim próprio a verdade, de modo a proporcionar essas coisas. Respeito a minha natureza emocional, com a finalidade de produzir essas coisas. Conheço-me a mim própria, sou humilde e tenho intimidade comigo própria..." Muitas gente pensa que intimidade seja levar alguém para a cama, ou andar aos abraços e aos beijos. Mas por suposto isso pode estar incluído, mas a intimidade connosco e com os demais podem acontecer por muitas outras formas. No momento, de forma apaixonada e espontânea - connosco próprios, que constitui a forma mais estupenda de intimidade, efectivamente. Comprometer-nos connosco - connosco - decerto que nos podemos comprometer com outros ou com uma causa ou com uma energia. Mas primeiro com relação a nós próprios, de forma que tenhamos algo que valha a pena apresentar a isso em que nos vamos empenhar. E ter atenção, cuidar de nós. Olhar-nos ao espelho numa altura qualquer diante daquela pessoa que ali está à nossa frente. Olhar aquele rosto e estudá-lo de perto todos os movimentos da sobrancelha, cada linha da testa, todas as rugas. Como se num instante fossemos ver um compartimento em que estivessem mil sósias nossos, e pegássemos num para o estudar de perto. Olhemos essa pessoa. E a seguir começar a interessar-nos por aquele rosto que está na nossa frente. É um exercício formidável se começarmos durante dez minutos e depois começarmos a ter apreço e interesse com a finalidade de provermos essas qualidades, aí saberemos que coisa será ter amor-próprio. E apuraremos se o estamos a fazer.


Muitas vezes em situações em que dizermos que queremos amar-nos mais, os homens perguntam o que querem que façam, e as mulheres perguntas o que querem que sejam. por ser a natureza dessa qualidade feminina e dessa qualidade masculina que predomina (não controla) que predomina dessa forma. Na verdade é uma combinação, o amor em si mesmo é mais do que a soma das diferentes partes, o amor em si mesmo é essa maravilhosa alquimia que sucede quando combinamos o "fazer" inerente a essas sete funções com o "ser" inerente a esses sete estados.


Mas, e que é que acontece se começarmos a ter amor-próprio, de modo sincero, para variar? Sinceramente, e não só pela repetição das palavras nem pela afirmação. Fazer o que precisa ser feito para produzir esses estados de espírito que buscamos? O que sucede quando começamos a ter amor-próprio é que descobrimos que temos vontade de amar outros - é que queremos amar outros.

Há quem na área da metafísica afirme que isso é impossível; afirmam que não podemos amar outros, e baseiam o seu argumento em fragmentos isolados de verdades:


Como a de que nós criamos a nossa realidade, o que é verdade; a de que criamos todos os demais, como parte da nossa verdade, o que também é verdade; a de que os criamos de modo a nos experimentarmos a nós próprios, de forma que possam experimentar aquele que somos, o que também é verdade; por conseguinte, se amarmos alguém mais não estaremos realmente a amar mais ninguém; apenas estaremos a amar um espelho de nós próprios...


É verdadeiramente triste que alguém pense de forma tão limitada, mas torna-se particularmente triste quando uma pessoa se deixa prender nos silogismos do raciocínio dedutivo. No papel isso é verdade; podem exibi-lo em termos lógicos, por criarem tudo, por conseguinte, são tudo ilusões, são apenas vocês, pelo que não existe mais ninguém a amar e podem apenas amar-se a si mesmos. Faz sentido, e soa muito lógico, mas o problema está em que a lógica depende do tempo, e por conseguinte, também representa uma ilusão.


E há quem nos advirta a pensar mos termos mais amplos, e um mesmo fôlego nos dizem que não podemos amar mais ninguém, e para não sermos tão tolos a ponto de pensar que podemos. É triste que uma pessoa se limite a ponto de se deixar prender nos silogismos, mas é irresponsável quando essa mesma pessoa depois vai e procura validar e justificar a sua posição limitada, ensinando-nos isso.


A realidade é irrestrita e nós criamos a nossa realidade, e assim podemos criar a realidade de amarmos os outros. Talvez criemos toda a gente – coisa que criamos – e talvez o façamos com a finalidade de nos experimentarmos a nós – isso fazemo-lo – mas talvez aquilo que tentamos experimentar seja a maneira de amar alguém mais. Na verdade, talvez toda a gente seja um espelho, e talvez estejamos a ver a capacidade que temos de amar mais, alguém. Talvez estejamos em busca da habilidade que temos de amar mais alguém. Mas ao mesmo tempo, aqueles que dizem que não podemos amar os outros, dizem-nos para amarmos a Deus. Se, na infância nuca formos ensinados a alimentar-nos e toda a nossa vida alguém mais nos alimentar até atingirmos os dezoito e nos disserem: “Agora alimenta-te.” Se durante toda a nossa vida as roupas tiverem sido tratadas e de repente nos disserem para tratarmos nós do nosso guarda-roupa. Se durante toda a nossa vida todas as decisões tiverem sido tomadas por nós, e então precisarmos começar a tomá-las por nós, fracassaremos. Se durante toda a nossa existência acreditarmos que só podemos ter amor por nós próprios, e depois avançarmos além deste nosso mundo limitado de ilusão, e nos disserem para amarmos Deus, não avançaremos nem um milímetro da posição que tivermos adoptado.


Amar-nos - sim, é crítico, essencial – amar os outros, é opcional; fica ao nosso dispor, para que possamos evoluir. Nós criamos tudo; tudo na nossa realidade é uma ilusão, mas quando colhermos suficiente aprendizado com base nessa ilusão para termos amor por nós-próprios, então poderemos amar os outros, e aí poderemos proceder à dádiva máxima que o amor pode fornecer, a dádiva de tornar essa ilusão real – a dádiva de tornar essa ilusão real. Temos dentro de nós essa capacidade, a capacidade de nos amarmos, está aí, independentemente do que nos tenha sido incutido ou dito. Nós negámo-la por diversas razões e não acreditamos que esteja presente por não sabermos como. Nem sequer sabemos o que seja. Ao ficarmos a saber o que seja, e como opera, ao aceitarmos que talvez sejamos capazes de ter amor por nós – de uma forma que demonstre e de uma forma que produza impacto, resultados, ao percebermos que somos capazes de amar outros, algo que conheçamos no nosso íntimo e nas nossas entranhas e na nossa expressão… 


Quem foi que lançou a hipótese, Platão, de que o número de dentes na boca de uma mulher difere do número de dentes da boca de um homem, e apresentou um argumento bastante lógico e completo a favor, se nos dermos ao trabalho de abrir a boca da mulher e contarmos os dentes, teremos encontrado a resposta para a nossa questão. Há quem venha com hipóteses e professem aquilo de que somos ou não capazes, porém, somos nós quem o vai experimentar e quem vai abrir a mente e o coração e descobrir aquilo que podemos fazer – despertando o amor, despertando esse amor no nosso íntimo. Despertando esse amor e permitindo-nos ser tudo quanto podemos ser, e de fazer o que quer que desejarmos. 


Não foi há muito tempo que na área metafísica começamos a ouvir falar de amor, e do quão importante é, e aprendemos que o amor representa a resposta para a maioria dos problemas que temos, e aprendemo-lo por vezes de uma forma suave e carinhosa e noutras vezes através de uma advertência, mas seja como for, eventualmente aprendemos acerca do quão importante o amor é, e é verdade; em última análise o amor constitui a única resposta, a única coisa que tem existência.

Ouvimos dizer que Deus é amor e que Deus é luz, e isso é tudo muito poético e bonito e suficientemente vago para que ninguém chegue a saber o que está a dizer. Mas em última análise é verdade que a energia que é Deus constitui verdadeiramente uma energia e amor. E também é verdade que o amor represente a resposta para a maioria dos problemas que temos, senão para todos os problemas com que estamos a lidar. Não há como exagerar a omnisciência do amor.

Mas depois aprendemos o quê? O expoente do amor – o amor incondicional. Se ao menos pudéssemos encontra-lo, se fosse possível dominarmos isso, de algum modo conseguiríamos uma resposta incondicional para todos os nossos problemas. E assim, com isso na ideia, aceitamos a tarefa e imaginamos que se descobrirmos o amor, e depois o tornarmos maior e melhor, maior e melhor, eventualmente ele tornar-se-á incondicional, e assim tê-lo-emos dominado e realizado.

E assim tentamos, e exaurimo-nos, até que eventualmente fracassamos. E desanimados, arranjamo-nos e escovámo-nos, reformamos as nossas energias e tentamos de novo – somente para ficar aquém, uma vez mais. E passado um bocado, passados algumas contusões e alguns arranhões, decidimos ser mais fácil filosofar acerca do amor incondicional, e decerto é muito mais seguro. Fracassamos na descoberta de uma amor incondicional, ao buscarmos um amor maior e melhor, por duas razões. A primeira, por o amor incondicional não constituir uma função do amor, em absoluto. É, ao invés, uma função da compreensão.

Perdoar-nos; estabelecer intimidade; sermos capazes de manifestar aquilo que queremos; estabelecer contacto com o nosso poder e domínio - tudo isso são aspectos do amor. Mas o amor incondicional não é nada que consigamos no extremo do arco-íris do amor. Não faz parte do objectivo do amor. Não continuamos a amar mais, e melhor, ou de modo diferente para de algum modo toparmos com ele. Assim, em qualquer conversa sobre o amor tornar-se-á inadequado falar do amor incondicional de forma assim directa. Mas nós tendemos a buscar a resposta simples, pelo que somos levados a crer que se encontrarmos amor e amarmos mais, então teremos descoberto o amor incondicional. Por qualquer meio que se afigure conveniente e simples, logicamente concatenado.

Depois, buscamos sempre um atalho para a metafísica, e achamos que amor incondicional seja um, dois, três e já está; instantâneo, em vez de darmos os passos necessários e de procedermos à programação e processamento necessários, e nos voltarmos para essa realidade. Além disso, muitos pretendem ver o amor incondicional no final do amor, para ousarem como o ponto crucial dos seus “melhores do que.”

“Tu amas, mas eu amo de forma incondicional. Por conseguinte, eu sou muito melhor que tu!” Ou então: “Tu podes amar, mas eu amo de forma incondicional, e assim te dou uma tacada, por não seres suficientemente bom.” Não, o amor incondicional não é um produto, não é um elo directo, não é um seguimento do amor; jamais o encontraremos no final desse arco-íris. Ao invés, é através do processo de compreensão, e quando nos tornamos numa pessoa realizada, quando realizamos o nosso potencial, é então que o amor incondicional representa o passo lógico seguinte, e nada há a fazer, mas tão só a ser.

Mas esta é a segunda razão porque fracassamos, por efectivamente não existirem passos para que nos tornemos numa pessoa que ama de forma incondicional. Reconhecidamente, existem passos para o amor, as coisas que fazemos, dade a dádiva até à atenção e ao afecto, a fim de produzirmos um estado de espírito que pode ir do estado de segurança ao do conhecimento. E existem passos para atingirmos a realização, que vão desde a compreensão até à sinergia da realização. Mas não existem passos no tornar-se numa pessoa que ama de forma incondicional. 

O que aqui tem importância é que antes de mais nos abrimos para com a natureza amorosa, sem dúvida. Despertamos para o amor que tem existência. Assim que tivermos despertado para o amor, e para o amor que existe dentro de nós, então tratamos do processo de nos tornarmos realizados. Damos os passos necessários e desenvolvemos os componentes necessários que compreendem, que se reúnem para produzir esse estado chamado realização pessoal.

E aí, ao assumirmos o despertar do amor em nós e ao pegarmos na nossa realização e ao juntarmos esses dois ingredientes, algo mágico e místico, algo alquímico sucede. Daí vem um amor incondicional. Não há nada a fazer – mas tudo a ser.

Quando juntamos os componentes que perfazem o ser valorizado que conduzem a um estado de realização pessoal, encontramo-nos à beira de um Todo (Amor incondicional) que é maior do que a mera soma dos componentes que tivermos reunido. Assim, de certo modo a frase “Não podem lá chegar a partir daqui,” aplica-se, porque a partir da “posição” em que nos encontramos agora não podemos simplesmente seguir passos para o alcançar. Ali está o amor incondicional, mas para lá chegarmos temos que percorrer a via da realização pessoal, e quando tivermos realizado plenamente o nosso potencial, aí encontraremos a alquimia do amor incondicional.

Importa igualmente compreender que o amor incondicional não é algo que se aprenda a fazer, e uma vez se aprenda a fazê-lo se traga, de armas e bagagens para esta realidade de opressão. Há tanto quem no ramo da metafísica sugere que seja o que sucede, ao alegarem que se nos afastarmos da monotonia e da agonia, se nos afastarmos da negatividade do nosso mundo o suficiente para chegarmos aqui a este pequeno lugar que apartamos e em que aprendemos a amar incondicionalmente, assim que o alcançarmos e obtivermos uma graduação nisso, então voltamos a trote de volta para esse mundo de fealdade e amamos de forma incondicional a sangramos das palmas das mãos ou algo assim.

Não. O amor incondicional não é algo que se faça mas a proveniência. É um estado de espírito. Não é como se fôssemos de uma parte e colhê-lo para o levarmos a um mundo de fealdade, não. O amor incondicional muda o mundo. Muitos acharão que lhes podem cuspir e trata-los de forma rude e desumana que continuarão a amar de forma incondicional, por isso representar justamente esse amor incondicional. Mas isso não é amor incondicional, isso é martírio. O amor incondicional (compaixão, compreensão) é uma realidade em que nunca chegam a tratar-nos mal nem nos cospem. O amor incondicional descreve uma realidade e não uma função inerente. Descreve um mundo amistoso, replete de amor – incondicional. Não descreve um comportamento inexplorado em que participemos sozinhos. Quando me amo de forma incondicional, (não julgamento) o meu mundo reflecte-me de volta esse amor, mil vezes mais.

Só quando nos fazemos de mártires é que alegamos que o amor que sentimos seja incondicional e que sejamos mal tratados. Mas isso deve-se ao facto de muitos pensarem que o amor incondicional seja um comportamento que possamos conduzir para o mundo, em vez de o estado do mundo em que existimos.

Assim, examinemos a incondicionalidade do que seja o amor. 


Comecemos pelo autoconhecimento. Há muito quem pense que o autoconhecimento, a nossa conscientização, seja o término de tudo, e que um belo dia nos tornemos numa pessoa consciente. Mas na verdade o primeiro passo na valorização de nós próprios, o primeiro passo na identificação de nós próprios, é o de tomarmos consciência.

Auto conhecimento ou consciência de si é um termo que soa de forma muito misteriosa para muitos, mas de facto pode ser reduzido a um conceito muito simples – à percepção de que “Eu exerço impacto.” Esta noção envolve uma série de pontos de controvérsia, por existir até mesmo na área da metafísica quem considere que seja ingénuo acreditar em tal impacto e muitos pretenderem que não exercem impacto, por o impacto constituir uma impossibilidade e coisa fora de moda. Mas nós criamos a nossa realidade desde uma ponta à outra, sem excepções. E nesse ínterim formulamos o desejo de nos tornarmos num humanoide e formulamos o desejo de criar esta ilusão chamada plano físico e de fazermos parte dela de tal forma “real” que nos esqueceríamos que se trata de uma ilusão, que teríamos que recuperar “memória” disso de novo. E também equacionamos a vontade de criarmos outras ilusões chamados “os outros,” para interagirmos e nos envolvermos com a sociedade e evoluirmos e aprendermos por intermédio dessa interacção e actividade.

Mas também formulamos que embora os outros não passassem de ilusões sobre as quais não poderia exercer impacto, nem eles podem exercer impacto sobre nós, por não passarem de fábulas da nossa imaginação, queríamos gozar da oportunidade de os tornar reais. Dissemos que íamos incluir nas regras – os outros podem tornar-se reais. E também incluímos nas regras que podíamos exercer impacto e eles e eles em nós. Fizemo-lo pela razão de querermos ser capazes de amar. Porque, se não passarmos de uma fantasia da imaginação que temos uns dos outros, então tudo quanto o amor subentenda não passará de uma impostura. Mas a verdade está em que somos reais e de que temos a oportunidade de que os outros sejam reais; o que representa uma dádiva que concedemos a nós próprios. E aquilo que também concedemos a nós próprios foi que exercemos impacto e os outros podem exercer impacto – podemos magoar as pessoas, assim como podemos amá-las.

Ser consciente consiste em aceitar os rudimentos da nossa existência: “Eu exerço impacto.” Aquilo que dizem ser: “Penso, logo existo.” Isso constituiu a abertura do Iluminismo, inspirados pela Renascença. Mas que de uma forma mais clara exprime “Eu existo, por isso penso. Eu existo, eu exerço impacto.” A verdade é que desde que nascemos que exercemos impacto; a nossa simples presença na casa muda a família. Desde o momento da concepção e do nascimento subsequente que passamos a exercer um volume tremendo de impacto, embora passemos a maior parte do tempo a dormir, até deixarmos essa casa. Grande parte do impacto que exercemos em catraios, pelo que conseguimos recordar, é um impacto negativo. Poucas vezes nos diriam que bebemos o leite todo e que deixamos o prato limpo, por no mais das vezes nos ter sido dito que não estávamos a portar-nos bem. Cedo é que nos damos conta de que a maior parte do impacto é negativo, pelo que fingimos que não exercemos qualquer impacto. Mas justamente por fingirmos que não exercemos nenhum, grande parte desse impacto finalmente torna-se negativo, primordialmente por isso. Mas a verdade é que justamente por exercermos impacto também temos a capacidade de amar. E quando estivermos prontos para despertar e nos tornarmos no ser humano que somos, quando estivermos prontos para realmente começarmos a crescer de uma forma que não seja meramente sinuoso e que não assente somente no palavreado mas constitua um crescimento sólido real, então estaremos preparados para nos abrirmos para com o facto de que exercemos impacto na minha realidade e os demais exercem impacto sobre mim e na minha realidade. E quando alcançamos essa noção, somos conscientes, e isso representa o primeiro estágio da consciência de si.

Uma vez conscientes, podemos agora avançar para a autoestima. Que é autoestima? É a dignidade que temos, o valor que temos em nós próprios - dizem-nos, porventura de forma adequada os manuais, mas não mais do que isso. Autoestima é o apreço que temos pela nossa natureza espiritual. Quando tomamos consciência de exercer impacto, também descobrimos que somos um fragmento de Deus, e que temos uma relação com essa centelha divina, que se acha em nós. Pode ser uma relação boa ou má, activa ou passiva, pode assentar na aceitação assim como poderá assentar na negação mas existe enquanto relação. E quando chegamos a ter apreço por isso: “Sim, eu tenho uma relação com Deus, e ainda bem que tenho. Tenho apreço pelo facto de ter uma relação com Deus, e com base nisso desvendo a dignidade que tenho.”

O maior erro que cometemos está em tentar ganhar dignidade. A dignidade é dada; nós nascemos com ela, nascemos com um fragmento de Deus dentro de nós e nascemos com a capacidade de sentir apreço por isso. A dignidade é um facto e por isso pode ser desenterrada, por a termos enterrado, mas não pode ser criada, não a podemos obter, não podemos fazer com que passe a existir. E é por isso que muitos de nós caímos no erro: por passarmos a vida a ser motivados pelo desejo de nos tornarmos dignos, merecedores. “Qualquer dia chegarei a ser merecedor de êxito; qualquer dia chegarei a merecer o amor, qualquer dia serei merecedor de felicidade.” Já o somos, por a dignidade não ser algo que possamos ganhar, mas que é dado. “Eu fiz isto e isto e mais aquilo para me tornar mais digno, mas não consegui sentir-me mais digno do que quando o comecei.” Não podemos fazer nada para nos tornarmos mais dignos. mas tão pouco poderemos fazer alguma coisa que nos torne menos dignos. O maior dos vagabundos e o indivíduo de maior posição que puderem imaginar têm exactamente a mesma medida de dignidade; cem por cento de potencial e apreço pela sua natureza espiritual. Um poderá ter desvendado maior quantidade, mas isso não altera a medida. Se conseguíssemos realizar isso de forma que não intelectual, procederíamos a um movimento monumental e pararíamos com as tentativas de provar ou de ganhar e aceitaríamos a nossa natureza espiritual e apreciaríamos o potencial que temos e teríamos todo a nossa dignidade, para além de sermos bem-sucedidos na descoberta do que já somos.

Assim, tratamos de perceber o impacto que exercemos e depois percebemos que temos uma natureza espiritual e apreciámo-la. Desse modo preparámo-nos para passar para o nível seguinte do valor. O nível seguinte do valor assenta na autoestima. A autoestima é a compaixão que alcançamos por nós próprios; o amor que obtemos por nós próprios. Tanta vez tentamos desesperadamente obter dignidade... Excluamos a dignidade e vamos em busca da autoestima. Que coisa é a autoestima? É a maneira como temos apreço por nós, como nos amamos, temos compaixão por aquele que somos, que alcançamos. 

A autoestima está mais ligada aos pais. É claro que em catraios temos a tendência para percebermos que a nossa mãe nos ama. Afinal de contas tem que amar, por ser a nossa mãe. O pai é que constitui mais um estranho e um tanto mais afastado em quem não confiamos tanto. Ele é quem precisamos vencer e conquistar a sua compaixão. Não é dado adquirido que ele nos ame por ser nosso pai. Precisamos ter boas notas e fazer isto e aquilo, etc., tudo para conquistar o seu amor. Assim, a autoestima está mais associada à figura do pai na medida em que temos dificuldade nessa área, na medida em que temos dificuldade em considerar sequer que temos autoestima. Contudo toda a gente a busca; e só temos duas hipóteses, ou a procuramos fora de nós ou a procuramos dentro de nós. Contudo não há na vida quem deixe consecutivamente de procurar o amor - tanto fora quanto dentro.

Podemos voltar-nos para fora, para um esposa ou esposa, para um amigo que nos dê valor, que nos diga o quão maravilhosos somos, que nos diga o quão válido seremos para ele, podemos buscá-lo no trabalho, podemos voltar-nos para a sujeição e para o carro que conduzimos e para os títulos e as medalhas que envergamos, podemos buscá-lo através daquele ou daquela que namoramos ou com quem casamos, e obter um sentido de estima: "Eu conquistei isto!" Mas o problema está em que, se essa pessoa se encontrar de mal-humor ou se afastar, ou a economia mudar, ou o nosso carro avariar, nós não só teremos perdido o transporte como também teremos perdido a autoestima.

Muita gente deposita a estima que sente no dinheiro que possui: "Se tu és tão esperto, porque não és rico? Eu sou!" E fazem uso disso. "Eu sou melhor, por ser rico! Eu tenho estima. Eu amo-me. Eu ganhei este dinheiro/autoestima." O único problema está em que tenham dificuldade em gastá-lo, porque toda a vez que desperdiçam um pouco desse dinheiro também desperdiçam a sua autoestima, e isso torna-se numa provação num calvário oneroso. Pensamos que a inflação se possa tornar grave, mas esse tipo de inflação é horrível.

O problema inerente à busca da validação no exterior, o problema inerente à ânsia por que os outros nos concedam, esse sentido de amor, antes de mais está em se tornar insaciável, por nunca obtermos o suficiente. Jamais conseguimos obter suficiente louvor, dinheiro, cargo no emprego, suficiente reconhecimento, suficiente visibilidade quando a usamos como autoestima. Depois, torna-se altamente competitivo. "Não basta que eu consiga o louvor, preciso ser o único a obter esse louvor; não é suficiente que consiga o reconhecimento; preciso ser o único a obtê-lo. Não posso ser o único a ser bem-sucedido, tenho que ser o único bem-sucedido." Em razão do que nos tornamos altamente competitivos em função da aprovação deles. Em terceiro lugar, tornamo-nos impotentes, e tornámo-nos impotentes por confiarmos e dependermos em que "ele" nos dê esse valor. Que sucede se confiarmos no louvor da parte do patrão, e o patrão for transferido? Lá se vai a autoestima.
Que sucede se o carro tem uma avaria? Subitamente perdemos a autoestima, por estarmos a conduzir um carro alugado. "Costumava passar por isso. Que é que os meus amigos irão dizer?" E finalmente sentimo-nos continuamente irritados, por nos sermos impotentes, e sentimo-nos impotentes por toda a nossa vida estar cativa da busca da sua aprovação. Furiosos com a impotência, com a competição e com a insaciabilidade. Além disso, essa autoestima pode-nos ser tirada a todo o instante.

Ao passo que se nos voltarmos para dentro em busca dessa autoestima, essa será uma questão completamente diferente. Os tipos de autoestima que encontramos ao nos voltarmos para o íntimo - que coisa serão? Como haveremos de obter a autoestima sem a aprovação, a gratidão, o reconhecimento dos outros? Pois bem, antes de mais, sendo sinceros, contanto a verdade a nós mesmos. Buscando sempre a mais elevada das verdades, sendo sinceros. Depois, usando da impecabilidade de sermos responsáveis na nossa realidade. E em terceiro lugar, tendo integridade. Integridade constitui a interacção espontânea da responsabilidade para com a nossa realidade. O sentido instantâneo de integridade. Ser uma pessoa íntegra é quando algo acontece na nossa realidade, dar de imediato um passo em frente para assumir responsabilidade. Não é dizer: "Ah, bom, suponho que tenho que me responsabilizar por isto. Mas já que insistem, tudo bem, eu sou responsável." integridade é no imediato, porque quanto mais responsabilidade assumirmos, que não é maior culpa, mais liberdade teremos, maior liberdade; por o termos criado, também poderemos alterá-lo.

E o quarto componente da autoestima é a confiança. A confiança constitui um dos instrumentos mais potentes que temos. Que aconteceria se numa contagem até três confiássemos completamente em nós, se confiássemos a cem por cento, sem precisarmos mais de dúvidas?  Que problemas seriam descartados que receios se desintegrariam, que manipulações não mais precisariam ser activadas? Quantas mentiras não poderiam ser postas de lado e quantas verdades subitamente reveladas? Se o tentássemos de verdade, se confiássemos em nós por completo a nossa vida seria magnífica. A confiança constitui uma poderosa ferramenta; quanto mais confiarmos, mais bem-sucedidos e mais bem poderosos e mais evoluídos seremos.

Se  olharmos  para a nossa vida, independentemente do dia que tiver corrido mal e independentemente do que tenha ocorrido, independentemente do quão desapontados tivermos ficado. Se conseguirmos encarar a nossa vida e dizer o quão tenha sido um dia miserável mas pelo menos tivermos sido sinceros connosco e nos responsabilizarmos por isso sem culparmos mais ninguém, mas de forma espontânea e íntegra, de boa-vontade. Mas, mesmo apesar do facto de ter sido um dia miserável conseguirmos confiar em nós, então teremos estima: "Eu alcancei amor, eu alcancei a compaixão e ninguém no-la conseguirá tirar; ninguém nem mau-humor algum, nem dificuldade. Nada o poderá tirar-nos.

E depois, se dermos ouvidos aos sussurros que a nossa realidade nos apresentar, se dermos atenção às mensagens que estivermos a apresentar a nós próprios e proceder com base nisso. De modo similar, se operarmos com base nas emoções, se dependermos das nossas emoções como fonte de motivação na minha vida. Por último, se analisarmos a nossa vida e percebermos que não magoamos as pessoas conscientemente. E se ao final do dia pudermos olhar para nós próprios, mesmo que não tenhamos conseguido realizar tudo quanto tínhamos para fazer, se pudermos assumir responsabilidade pelo que tiver sucedido, e pudermos apurar integridade na acção, se ainda confiarmos em que sejamos capazes de fazer o que for preciso... Se pudermos constatar que damos ouvidos às vozes interiores, aos murmúrios que veem ao nosso encontro, e que agimos a partir das emoções que temos, não causamos mágoa a ninguém nem nada conscientemente que causasse prejuízo, por isso tenho estima, autoestima, aprendi esse amor.

Assim que tivermos completado o sentido de amor conquistado, estaremos prontos para o quarto componente. Esse quarto componente é um com que nos achamos bem familiarizados, é o amor-próprio. O amor-próprio é a compaixão dado - DADO - não precisamos conquistar o amor-próprio; o que temos, à semelhança da dignidade, é que a desvendar. Nós nascemos com amor, e depois aprendemos a negá-lo, aprendemos a encobri-lo e a fingir que não existe. Isso presta-se ao nosso lado manipulador, ao nosso ego negativo, fingir que não sabemos amar ou que nunca o tenhamos feito ou não o façamos. Mas o facto está em que o amor-próprio é o amor que é dado. Só nos cabe a tarefa de lhe desimpedir o caminho, de o desvendarmos.

Ter amor por nós próprios constitui um aspecto válido da valorização pessoal. Mas para desenvolvermos uma valorização pessoal, a plena fonte daquele que somos, precisamos ir além do amor-próprio, e atingir um estado que é chamado autoconfiança. A autoconfiança é a habilidade que temos de fazer face. É tudo quanto é; a capacidade que temos de enfrentar e de lidar com a nossa realidade. Não de forma espectacular nem sequer elegante. E é uma capacidade que se conquista. Não é nada de vago, por haver muitos meios de obtermos autoconfiança. E não é que o optimismo e o pensamento positivo e as afirmações e uma pose correcta não resultem, por poderem funcionar muito bem e positivamente. Mas se examinarmos a maneira como formulamos a autoconfiança e percebermos qual o quociente que a nossa autoconfiança tenha, e depois tratarmos sistematicamente de a edificar, obteremos resultados muito mais satisfatórios e um sentido real de termos - à semelhança da conquista que tivermos conseguido da autoestima no nosso íntimo - teremos conquistado a noção de autoconfiança, por sabermos exactamente o que seja, por lhe conhecermos os componentes. 

A confiança constitui um estado que satisfaz quatro condições. Para que ecloda uma condição de confiança antes de mais precisa apresentar uma possibilidade positiva e uma possibilidade negativa de que algo aconteça. Uma situação boa ou má que possa ocorrer. A segunda condição indispensável a uma situação de confiança está em que o resultado, bom ou mau, ainda não seja conhecido. Depois, para que uma situação qualquer forme uma situação de confiança, precisa reunir a possibilidade do benefício do positivo seja menor que o prejuízo resultado negativo. mas a condição final da confiança está em que precisemos sinceramente esperar o resultado positivo, as predileções que temos, como: "Eu nunca ganhei coisa nenhuma, mas vou tentar, " o que envolve a expectativa de ganharmos ou perdermos, que também constitui factor que se acha presente.


Se quisermos aferir a confiança que temos, não o examinemos nas situações de jogo mas onde importa; onde essas quatro condições sejam satisfeitas. E a seguir agir. Confiar na forma - no que o corpo os estiver a dizer; na mente – o que é que o intelecto diz, qual a lógica que aponta, o que é que a ideia inteligente aponta; o nosso coração – que é que o nosso ser emocional diz, como é que nos sentimos independentemente do intelecto e independentemente da forma física. E por último a intuição. A combinação dessas quatro situações numa situação que apele à confiança – é desse modo que confiaremos.

Mas a humildade não significa rastejar sobre as mãos ou os joelhos; humildade não significa vergar-se e dizer que se é modesto. A humildade é abrir-se ao facto de que o dia de hoje pode ser completamente diferente. Mesmo que sempre tenha sido assim, hoje pode ser diferente. Muito embora a pessoa sempre tenha sido assim, hoje pode ser diferente. Muito embora nunca tenhamos tido sucesso, vamos aceitar o facto de que talvez agora possamos. Embora tenhamos tentado descobrir o amor incondicional e tenhamos falhado, permanecemos abertos para o facto de que talvez agora o possamos encontrar. Isso é humildade.

E a esperança? Esperança não é fé cega, mas ser capaz de olhar a nossa realidade e por entre os fragmentos dessa realidade vislumbrar um potencial para futuro. Ver as possibilidades do que pode vir, ver os tesouros que aí se encontrem ocultos, no presente momento. Esta capacidade, esta qualidade, aquela outra, não resultam a meu favor agora, mas consigo ver eu podiam; isso é ter esperança.
E a coragem? Não é ousadia cega nem se prende com a fisicalidade; é a vontade de serem leais a si mesmos, vontade de confessarem, vontade de contar convosco próprios; de ir em frente rumo ao desconhecido.

Podemos ganhá-la se fizermos por isso, através do desenvolvimento desses componentes e a posterior apropriação deles. Onde sentirmos que estamos em falta, acrescentamos e onde virmos que atinge a raia da arrogância conduzamos isso a uma escala normal.

O sexto componente da valorização pessoal - respeito próprio. Que é o respeito próprio? Respeito próprio é o apreço pela nossa natureza emocional. Da mesma maneira que a dignidade própria é o respeito pela nossa natureza espiritual, o respeito próprio consta do apreço pela nossa natureza emocional. É honrar as nossas emoções.

Muita vez questionámo-nos do que poderemos fazer para conseguir respeito. Podemos limpar a louça e mudar o óleo do carro, mas nada sucede. Deixamos de protelar o serviço, enrolamos as mangas, tudo na esperança de conseguirmos respeito próprio - mas não conseguimos! Mas em vez de dizermos que talvez a realização traga respeito-próprio, pensamos que de algum modo teremos fracassado: "Pobre de mim, que faço tudo certinho mas ainda assim não sinto respeito-próprio. Respeitar-nos consiste em honrarmos as emoções que sentimos. "Por uma questão de respeito próprio preciso expressar esta mágoa, esta raiva; por uma questão de respeito preciso expressar esta alegria, este amor. Por uma questão de respeito preciso dizer obrigado por me amares, por seres tão bom amigo.

Por respeito para com as minhas emoções - o que não quer dizer que deva descarregar, mas expressar as emoções que me invadem." É assim que obtemos respeito-próprio, quando honramos o que sentimos. "Bom, eu não disse nada devido a que..." Isso é desrespeitar bastante as emoções que sinto, e por isso não temos muito respeito-próprio. "Eu disse alguma coisa, talvez não directamente à pessoa por não ser apropriado, mas honrei as emoções que senti. Eu senti isto... Estou a sentir isto, e não o posso dizer neste momento, mas chegando a casa expressei-o no papel, para honrar o meu ser emocional." Então temos respeito-próprio.

Estes são os componentes da valorização pessoal. Para nos tornarmos numa pessoa válida para nós precisamos desenvolver cada um deles. O que significa que reservemos um tempo a permitir que signifique que exercemos impacto. Deixar que isso entre, observar a nossa realidade, apurar o impacto que exercemos, confessá-lo. Por nem tudo ser negativo, mas bastante positivo. Se estivermos a esforçar-nos por obter dignidade, paremos e confrontemos o facto de que o vagabundo tem tanto mérito quanto vós, e de que nós temos tanta dignidade quanta a daqueles que admiramos. Está aí para que o descubramos, para que o desenterremos. Confrontamos isso, briguemos com isso se preciso for, até que lhes penetre as entranhas e se torne real. Depois procuremos ganhar autoestima - não dos outros, por isso ser demasiado inseguro. Obtenhamo-la de nós próprios, através da integridade, da sinceridade, da nossa responsabilidade e da nossa confiança, etc. 

E depois trabalhemos com o amor, amor esse que obterá muito mais sentido ao atingirmos esse quarto paço do amor-próprio do que alguma vez antes. Tropeçar na confiança pessoal e honrar as emoções revelar-se-á então facílimo. Mas aí sucede algo de fantástico. Desse turbilhão vem a realização pessoal - tornámo-nos numa pessoa realizada. A realização pessoal não é coisa que esteja unicamente reservada aos mestres; não é algo que encontrem no topo de um monte no Tibete, mas algo que encontramos bem no nosso coração. Ao compilarmos as seis combinações aritméticas que vão da consciência de si até ao respeito-próprio desabrochamos qual botão de rosa e tornámo-nos numa pessoa realizada.

Realização pessoal posta em termos simples significa aceitação do facto de que exercemos impacto, e subsequentemente perceber que podemos criar e produzir a partir desse impacto. Ou seja, perceber que o impacto que exercemos pode ser produtivo e criativo. Significa que podemos dirigir, que podemos conscientemente focalizar o impacto que exercemos. Isso é realização pessoal. Pensemos nisso; pensemos em todas as ideias que alguma vez entretivemos com respeito à pessoa realizada. O conceito de auto actualização de Maslow o termo de individuação de Jung, os conceitos metafísicos de realização pessoal, tudo se resume a este conceito único: "Eu exerço impacto e consigo dirigir conscientemente esse impacto, de modo a ser criativo e produtivo na minha realidade." Adopta muitas formas e vias, mas no final veremos que se resume exactamente a isso. Desde a consciência de si até à realização pessoal, quando nos encontraremos prontos para pisar o estado do amor incondicional.
Que sucede se não o conseguirmos; que sucede se não tivermos valor?

Quando as pessoas se recusam a ser conscientes e se recusam a aceitar que exercem impacto, bem que poderão acordar pela manhã e sair da cama e atravessar paredes e falar com as pessoas que não sentirão qualquer impacto; o melhor será que voltem para a cama, por que estão mortas. Já não estão mais aqui. Se insistirmos em negar esse facto, que podemos fazer por termos o direito de o fazer, por o conceito de criarmos a nossa própria realidade ser suficientemente vasto para que o usemos como prova de que não existimos, mas aí a dignidade pessoal torna-se egocentrismo e a autoestima torna-se presunção, vaidade, o amor-próprio torna-se interesse egoísta, a autoconfiança torna-se auto engano, e o respeito-próprio torna-se auto ilusão e a realização pessoal torna-se auto destruição.

Por isso, compete a nós agarrar estes recursos internos; a capacidade que temos de nos valorizarmos por a maior parte da crítica do movimento do potencial humano advir daqueles que fora que percebem as qualidades da metafísica como o egocentrismo, a presunção, o interesse próprio, a ilusão pessoal, o auto engano e a destruição pessoal do que chegou a ser chamado espiritualidade e metafísico por parte daqueles que não reconhecem o impacto. Por isso, se reconhecermos tal impacto poderemos revelar-nos pelo menos e talvez mesmo servir de inspiração para o mundo, como algo de valor que não é destrutivo mas construtivo para o mundo em que vivemos.

Assim, a que se resumirá isso de ser uma pessoa realizada? Por ser por isso que nos esforçamos, é por isso que queremos ser conscientes - não só ser por ser. Porque quereremos dignidade e merecimento e estima e amor? Para deixar que isso nos conduza à condição de pessoa plenamente realizada. E como se comporta uma pessoa dessas? Abraham Maslow chamava a isso de pessoa auto actualizada e dizia que isso correspondia a dois por cento da população. Jung referia-se a isso como a pessoa individuada, distinta da massa, separada da consciência colectiva. A metafísica refere-se a isso em termos abstractos como essa realização pessoal.

Antes de mais, uma pessoa realizada possui todas as seis qualidades da valorização, desde a consciência até ao respeito-próprio, e possui isso nela própria só que não de forma egotista como "melhor que" mas como uma avaliação honesta: "Eu possuo estas qualidades." A segunda qualidade assenta no facto de ser jovialmente responsável pela realidade, e qualquer coisa que suceda ela assume responsabilidade por ela -positivo ou incómodo. Por ter noção, enquanto pessoa realizada que é, que se o criou também o pode mudar. E assume jovialmente responsabilidade por aquilo por que se acha responsável - não mais, porque isso significa martírio, uma espécie de Atlas com o mundo aos ombros. Arrogância. Ego. 

Pessoas singulares podem ser responsabilizadas pelo renascimento e elevação de algo positivo, mas nunca por algo negativo. As coisas negativas são demasiado inconsistentes, demasiado fracas para que uma só pessoa possa assumir esse tanto destrutivo, que não destrói, mas esse tanto criativo cria. Este é um ponto importante a perceber. A negatividade é algo muito frívolo, muito fraco, muito estúpido, e tudo quanto é capaz de fazer é a mesma coisa uma e outra vez, ao passo que o positivismo é muito brilhante, muito positivo, estupendo. Não se vê isso nos filmes, por Hollywood ter determinado que a bilheteira gosta de ver o negativismo vencer, ou chegar perto, pelo menos. Uma pessoa completamente negativa não conseguiria destruir tudo, não pode derrubar tudo. Para derrubarmos qualquer coisa precisamos de muita gente. Mas em contrapartida, uma só pessoa positiva chega para edificar, por a positividade ser muito mais poderosa.

A questão aqui assenta no facto de a pessoa realizada assumir responsabilidade por aquilo por que sente sinceramente ser responsável e não mais, por isso equivaler a martírio; mas também não menos, por isso ser autocomiseração. A pessoa realizada tem acesso a recursos internos; a pessoa realizada tem conselheiros ou guias ou anjos da guarda, tem acesso à provação do adolescente e ao ego interior; tem acesso ao animus e ao anima e a outros auxiliares ou amigos invisíveis e por isso é por definição a pessoa verdadeiramente rica - por a riqueza constituir viabilidade de recursos. Algumas pessoas são ricas em função dos recursos que o dinheiro lhes proporcionam enquanto outras são ricas sem dinheiro, por terem acesso a recursos, que é o que a riqueza é.

A pessoa realizada é aventureira (exploração) e não guerreira contra um mundo que necessite ser conquistado mas aventureira que saltita por entre uma realidade positiva e afortunada e cheia de regozijo. Na nossa demanda espiritual não precisamos ser guerreiros, por podermos ser aventureiros na investigação espiritual que empreendermos. E depois, a pessoa realizada trata o mundo como um lugar amistoso, por que é. A pessoa realizada é aventureira.

A pessoa realizada encontra motivação em sempre ser mais daquilo que é. Jamais encontra motivação no medo, na solidão, ou na reacção contra a rejeição ou a humilhação, mas sempre encontra motivação em tornar-se mais daquele que é, para chegar mais perto do eu superior, para chegar mais perto de Deus que se encontra dentro de si. Tudo quanto empreende é motivado desse modo, e é capaz de responder: "Que acção é esta e como poderá levar-te mais próximo de ti? Como te levará ela mais perto de Deus?"

Depois, a pessoa realizada permite o auxílio; mas cuidado, por que ela não clama por pena. Permite a ajuda, pede ajuda. Conhecem amigos assim; suplicam por auxílio assim: "Ai, tens que me ajudar, tens que me fazer isto por mim, eu sou um falhanço, não consigo fazer isso. Tens que me ajudar ou eu morro." Manipulam e manipulam com base na fraqueza, na imploração, na fraqueza. Mas ninguém nos poderá verdadeiramente ajudar num estágio desses por não estarmos a pedir auxílio, estamos a pedir comiseração. E se no-la for dada seja por quem for, o eu superior ou outra pessoa qualquer, então a nossa manipulação será encorajada, e isso não será crescimento. Mas o verdadeiro poder não está em bater com o pé, mas em andar com leveza e amor.

A pessoa realizada está a um palmo do amor incondicional, do amar sem condições. Não porque ame mais e melhor mas por ser realizada. Amar de forma incondicional significa que o mundo é um local amistoso; não é empunhar o amor incondicional como um tipo qualquer de escudo o couraça contra um mundo em guerra. Quando amamos de forma incondicional, o nosso mundo reflecte um lugar adorável. Não há quem nos pontapeie nem cuspa em nós nem magoe nem nos trate como lixo. Quando se ama de forma incondicional isso suscita o melhor das pessoas e não o pior; extrai-se essa condição nos outros, nas matas, nos arbustos, nas árvores, nos animais, no género humano. O semelhante atrai o semelhante. Quando se ama de forma incondicional não é algo que se introduza para nos proteger de um mundo desagradável, mas mudar o nosso mundo de forma que não comporte nada de desagradável. Amar de forma incondicional é gerir a nossa realidade física e inspirar os outros por intermédio da nossa alegria e felicidade, ou com o assombro da nossa vida.


Amor incondicional é também aceitar as pessoas da maneira que são, e esperar que sejam mais – não melhores, por isso não implicar qualquer julgamento, mas mais. Vemos quem a pessoa é, mas também se vê quem ela pode ser, e esperamos que surja mais daquela que ela é. Aceitámo-la mas também esperamos mais, e perspectivamos esse mais que se acha presente. Esta é a parte que ninguém mencionará. Aqueles que falam de amor incondicional e o tipo superficial que circunscreve dir-nos-ão que sim, que aceitemos toda a gente da forma que é; que aceitemos tudo da forma que se apresenta. Mas perdem de vista a parte do ver mais e do esperar mais.

A situação de um amor incondicional também é uma em que se aceita as coisas da forma que se apresentam e as tornamos mais – não melhores, mas mais. O “melhor” implica o julgamento, por não ser suficientemente bom. Mas é suficientemente bom mas há mais: “Sois suficientemente bons da forma que sois, mas eis aqui mais do que sois.” Não melhores, nem perfeitos, mas mais do que aquilo que são.
Depois, a pessoa que ama incondicionalmente é desprendida. O desapego na nossa sociedade chegou a significar indiferença: “Quando me sentir emocionalmente desprendido nada me pode irritar.” Podem ver bater nas crianças, a fome no mundo, a fealdade que nada disso nos incomoda a espiritualidade nem o desapego… Isso não é verdadeiro desapego. O desprendimento consiste um processo muito activo e complicado.

Vejamos, se formos desprendidos da raiva, o que isso quer dizer é que se algo ocorrer que me suscite raiva por uma questão de respeito próprio eu honro a emoção e expressá-la-ei e libertá-la-ei e finalizarei a coisa. Isso é desprendimento. Se algo vier ao meu encontro pego-o e enfrento-o, decomponho-o em qualquer coisa positiva, acabo com ele e sigo em frente. Isso é desprendimento. Se me fazem alguma coisa que me deixe furioso expresso a raiva que sinto agora, termino com a raiva agora, e esqueço-a. Outros poderão negar que se sintam irados, e deprimidos, todos aqueles desprendidos que contraem diabetes, todos aqueles que morrem de cancro e que por fim admitem que se sentiam coléricos, mas que por ser suposto serem desprendidos, rechearam-se com ela.

A espiritualidade não tem que ver com calar a boca nem com cegar-se para com as evidências, mas com a sinceridade. Quando nos sentimos irados sentimo-nos irados, e quando acabamos com isso avançamos - isso é desprendimento. Se sentirmos mágoa, expressamos a mágoa, libertámo-la e avançamos em frente. Não a carregamos connosco como um tipo qualquer de espiritualidade do martírio; um fardo que carregamos às costas, uma cruz que devamos carregar. Mas do mesmo modo, quando nos sentimos alegres, sentimo-nos alegres sentimos a alegria e avançamos em frente; não a ancoramos nem a saboreamos. Não a esprememos até morrer, anos e anos a fio, um momento feliz que tivemos em 85. 

Aceitámo-la e vivemo-la em pleno e seguimos em frente Isso é desprendimento emocional. Por conseguinte, desprendimento não é afastar-se nem retirar-se mas situar-se bem no centro de todas as coisas e funcionar a partir dessa posição, e lidar com isso, tratar das coisas e seguir em frente.

Há muito quem seja desprendido por omissão, quando não se tem um emprego decente que proporcione uma renda substancial para comprar um automóvel decente e de repente são desprendidos das coisas materiais... Isso é desprendimento por omissão. Em vez disso, ser desprendido pode significar: "Sim, podia comprá-lo, mas não necessito dele," pelo que tanto podemos possui-lo como não, mas não terá significado, para além do da ilusão. O carro caro, a casa caprichosa, podíamos passar sem eles amanhã ou desistir delas hoje mesmo, caso precisássemos, mas se não precisarmos mais vale que as preservamos. 

Frequentemente a pessoa que padece de apego apega-se a essas coisas desesperadamente, por envolver a sua vida, o seu sustento, ou então rejeita-as de forma tão profunda que se recusa mesmo sentar num Mercedes nem que lhe dessem um. Para a pessoa desprendida, tenha ou não tenha, não possui importância.


Tanto consegue viver com isso como sem isso, por isso não a influenciar seja de que modo for; Não se deixa impressionar em demasia com a beleza, nem se entristece com a sua ausência, admira-se unicamente com a ilusão. Isso é desprendimento, justamente em meio à coisa, e não fora.
Ser desprendido intelectualmente é ser capaz de pensar, por haver muito quem se diga intelectualmente e se recusa a ler… A pessoa desprendida pensa, e lê, e compreende e avalia e acede, e tem opiniões – não julgamentos. Julgamento é determinar o valor de alguém enquanto consciência espiritual. Opinião é determinação de valor no que tem relação connosco, o que marca uma diferença. 

Formar opiniões factuais é de enorme valor. Pensar, e o lugar que o pensar tem é nessa formulação de opinião de modo que não fiquemos presos nessas opiniões nem na ausência de pensamento assim como na arrogância do nosso intelecto. No meio, uma vez mais, em que pensamos, mas não nos deixamos impressionar pelo facto de o fazermos. Utilizamos aquilo que pensamos, mas não divinizamos aquilo que pensamos. Isso é desprendimento.

E o desprendimento intuitivo? Do mesmo modo, significa permanecermos abertos para com a intuição mas sem se deixar prender pelas qualidades místicas. Há muito quem olhe para a metafísica e diga: “Fulano de tal deve ser verdadeiramente espiritual por ter um psíquico aqui ou ter dito uma verdade psíquica ali, ou me ter feito sentir estranho.” Há muitos que conseguem fenómenos formidáveis, e ficam presos nos fenómenos, e tão presos que perdem de vista a sua espiritualidade. No entanto não devíamos esquivar-nos por completo aos fenómenos, em termos de recusarmos permiti-los ou de nos recusarmos a aceitá-los, mas situar-nos no meio deles, onde possamos confiar nos fenómenos da nossa própria intuição, mas não ficarmos encantados com eles.

A pessoa amorosa, que é incondicional no amor que nutre é activamente desprendida, bem no meio da sua realidade, emocional, física, intelectual e psiquicamente. Depois, a pessoa que ama incondicionalmente é sempre afectuosa, sempre dada, responsiva, respeitadora, etc., para produzir um estado de segurança, de prazer, etc. A pessoa afectuosa que ama de forma incondicional sempre faz isso de forma generosa. Reconhece o valor que tem, tem consciência de ser consciente, e sabe que é digna, e terá desenvolvido a sua própria autoestima. E ama não só no exterior como tem amor por si própria, com confiança e respeito e realização. 

Por fim, a pessoa que ama de forma incondicional sempre busca a verdade mais elevada, e não receia revelá-la. Sempre busca a verdade mais elevada, e não teme revelá-la, por a verdade mais elevada constituir o seu Deus, e está em constante desdobramento. O amor incondicional não é nenhuma espécie de exsudação de xarope nem um sorriso rasgado; amor incondicional tão pouco significa ficar entorpecidos com relação ao mundo, fingindo estar acima de tudo, ou à parte. Nem o idealismo que tanto fez parte da metafísica no passado, e que deu à metafísica tão mau nome. De modo similar, o amor incondicional não é viver de possibilidade, numa fantasia do passado, ou nas coisas do desejo de que as coisas fossem conforme foram certa vez, nem de um futuro um belo dia, nem mesmo na fantasia do presente. Amor incondicional é viver num mundo que nos ama tanto quanto o amamos; onde servimos de inspiração, pela forma como lidamos com a nossa realidade física, por aceitarmos as pessoas e esperarmos mais delas, e por aceitarmos as coisas e fazermos mais delas. E por sermos desprendidos. Sempre afectuosos, generosamente afectuosos. Detentores de valor e sempre em busca da verdade e a sinceridade, até à mais elevada verdade que é Deus, de que somos parte. Tal como vier num mundo que nos ama tanto quanto o amamos.


E quanto à excelência? Bom, a excelência tem sido definida nos termos da competitividade, com conquista, maior mérito, maior realização, melhor conduta, termos esses a que, num âmbito limitado, têm estado ligados até que a excelência quase tenha atingido a detioração na sua competitividade, ao se reduzir à vitória, à derrota e ao poder que se exerce sobre os demais. Daí que se torne quase numa provação, num combate. E mesmo que se apresente civilizado, ainda constitui uma provação, um combate que é empregue na aferição da nossa excelência. Consequentemente, devido à natureza competitiva que foi associada a este termo da excelência, devido à energia da comparação e da sensação de superioridade em relação aos outros presente na busca que empreendemos dessa excelência, isso tem sido infelizmente aceite nos negócios, embora claramente não seja aceite nos domínios da espiritualidade.

No domínio da metafísica, esse termo foi descartado; mas em vez de descartarem as conotações e manterem a qualidade que envolve, todo o conceito foi na verdade descartado, deixando um vazio, vazio esse que precisou ser preenchido, na maioria dos casos infelizmente, com a mediocridade. Daí que se tenha tornado num conceito estranho, em que aqueles que não alegam não se situar na metafísica de todo se esforçam pela excelência de uma forma competitiva ao tentarem derrotar e vencer e exercer poder uns sobre os outros, para depois, a fim de colherem os traços do ego negativo aferirem esse sucesso unicamente pelo acúmulo de material.

Por outro lado, há quem defenda trilhar a senda da metafísica e perseguir não a excelência mas sim a mediocridade, e tete colher não os mesmos traços do ego, só que pelo acúmulo do não-material na sua realidade particular. O problema deve-se claramente ao facto de ter sido erroneamente definido nos negócios e quase erradicado da espiritualidade, quando na verdade, o verdadeiro sentido da excelência, a real definição do que a excelência compreende, pode valer como uma palavra-chave na comunidade dos negócios e uma palavra mágica na comunidade metafísica e que pode produzir o que representa um sucesso real.

Mas, que será a excelência e como a alcançaremos?

Poder-se-á definir o termo como um funcionamento valoroso e íntimo, elegante, e dotado de sensatez e compreensão, com o propósito de conseguir melhor do que antes. Essa é a definição clara da excelência. Agora, cumpre que decomponhamos, por frequentemente assim nos habilitarmos a uma maior clareza e percepção da capacidade que temos de estabelecer e alcançar aquilo que compreende a excelência.

Comecemos por essa frase tão assustadora quanto o "fazer melhor," que tanta vez soa a ego, algo que não nos devíamos esforçar por conseguir. Mas, sucede que possuímos a capacidade de conseguir fazer as coisas melhor do que o tenhamos conseguido antes, ou melhor que os outros - o que não nos torna melhores que eles, note-se! Funcionar de forma mais criativa, articulada, criativa não nos coloca automaticamente na posição de "melhor que." Fazer algo melhor não nos confere licença para pensar que sejamos melhores. Existe uma distinção entre fazer algo melhor e ser melhor, embora no nosso mundo actualmente conseguir fazer as coisas melhor se esteja a tornar mais difícil. Daí que as pessoas se sintam tentadas a amontoar o fazer e o ser e a erradicar tudo apelando que fazer ou ser seja de algum modo egoísmo e que não se deve fazê-lo, pelo que o melhor será que se descarte isso de ser melhor, e pelo amor de deus, não tentemos fazer melhor.

Está a tornar-se difícil fazer melhor devido à explosão que a tecnologia está a sofrer no nosso mundo actual, por não ser tão fácil aprender tudo quanto há a aprender. Do mesmo modo, devido à explosão de informação que se deu nos últimos cem anos; o volume de informação disponível é de tal ordem que não se consegue aprender tudo. Houve um tempo, aí há uns quatrocentos ou trezentos anos atrás, em que, caso uma pessoa se aplicasse de forma diligente, poderia aprender tudo quanto havia a aprender - só que não agora; não nos últimos cem anos e muito particularmente não nos últimos dez anos. Por isso, precisamos depender da ajuda de outros, em cujo processo conseguir fazer melhor se tornou mais difícil. Além disso, devido a um fenómeno que constituía uma oportunidade, que posteriormente se tornou numa obrigação, da chamada Mobilidade Ascendente. Num mundo em que descobriram que podiam crescer e expandir os seus conhecimentos e a sua educação, os nossos pais passaram-nos a ideia de que devíamos conseguir melhor do que eles, e esforçaram-se duramente para nos enviar para a faculdade para conseguirmos melhor posição que eles e possamos subir no sistema de mobilidade da nossa sociedade. 

Claro que tal conceito não pegou apenas junto das crianças como junto de todos quantos fizessem parte da força de trabalho, como uma grandiosa e gloriosa oportunidade - e na verdade a mobilidade ascendente constitui uma oportunidade dessas, só que acabou por se tornar numa obrigação. Agora não basta dizer "Eu consigo," mas "Eu devo." Devemos ter mais do que as gerações anteriores, ter mais formação académica, mais empregos, melhor posição, mais posses... "Preciso ter mais." Não é aceite que se alegue que sim, é uma oportunidade que declinamos, mas precisamos aceitar essa mobilidade ascendente e por isso está a tornar-se mais difícil fazer melhor que antes. Por causa da dificuldade que envolve e da mobilidade ascendente e da explosão da informação e da tecnologia as pessoas tendem a voltar as costas à acção, tratando-a de algum modo como arrogância e egoísmo e a contentar-se com a mediocridade como se de alguma forma fosse mais espiritual. Devido a que achem difícil fazer melhor, embora secretamente ainda queiram ser melhores, domina-as a tendência de uma vez mais combinarem os dois e de dizerem que fazer e ser sejam a mesma coisa pelo que o que se faz - já que se pretende rebaixar o ego - é deixar de ser melhor que quem quer que seja, não fazer nada e cair na mediocridade, descartar qualquer coisa que possa ser interpretado como melhor e dizer que estamos a rebaixar o ego, e sentir-nos tanto mais orgulhosos de nós próprios, sentir que somos melhores, por descartarmos toda essa acção tão directa e facilmente.

Assim, ao pegarmos em ambos os termos, que são separados, e ao reuni-los num só, e descartarmos a metade que é mais difícil enquanto nos agarramos á parte por que o nosso ego negativo secretamente anseia, de cero modo pensamos que crescemos, quando a única coisa que terá porventura mudado é que não mais buscamos a excelência, não mais pensamos em termos de alcançar ou conseguir fazer algo de uma maneira excelente. Acabamos na satisfação da mediocridade, rotulando essa satisfação de espiritualidade. Isso de algum modo tende a atrair essa gente que é impetuosa e os perdedores que percebem nada poder fazer com a excelência, pelo que podem aconchegar-se na mediocridade da espiritualidade.

O facto está, todavia, em que para funcionarmos com excelência, isso queira dizer que façamos coisas melhor que os outros; que façamos melhor, embora não sejamos melhores que os outros. É de compreender que com a ascensão que a mediocridade tem na espiritualidade também tenha lugar a elevação do clamor por simplicidade. Afeiçoa-se demasiado complexo discernir o que seja fazer e ser melhor pelo que melhor será que se deite tudo fora. Mas embora se constate tal avanço rumo à simplicidade e à mediocridade, se nos permitirmos erguer acima dos denominadores comuns baixos e ambicionar um pouco mais de complexidade de modo a separarmos o fazer e o ser, e aceitarmos o que o nosso coração e a nossa cabeça sabem ser verdade, que é possível fazer melhor, poderemos abrir-nos e despertar de novo os outros componentes da excelência.

Um outro componente da excelência assenta no funcionar valiosamente. Que quererá isso dizer? Significa funcionar como se fôssemos valiosos, como se tivéssemos valor na nossa vida. A pessoa de valor é aquela que funciona nesta realidade como se exercesse impacto. "Eu tenho consciência de que exerço impacto na minha realidade." É a pessoa que similarmente reconhece e que começa a desvendar e a descobrir mais do mérito que possui e uma essência que é espiritual, e que sente apreço pela dignidade que tem. É a pessoa que funciona com base naquela posição de estima, que se estima. Valor decorrente da estima que sente por ser quem é - pela sinceridade e integridade, responsabilidade e confiança que consegue engendrar, não da parte das opiniões dos outros mas dentro de si mesma. Aquela pessoa que sabe que consegue fazer face, e que por conseguinte consegue ter a autoconfiança para lidar nesta realidade que cria. E a pessoa que similarmente, se respeita, e honra a sua natureza emocional. De uma combinação dessas emerge, qual flor que desabrocha a percepção de que não só se exerce impacto como podemos dirigir conscientemente esse impacto. "Eu valorizo aquele que sou. Eu sou importante na minha realidade. Tenho pessoas que dependem de mim. Eu tenho valor." Reconhecer o valor que temos, e mais do que reconhecê-lo, aceitar o valor que temos, é o modo como operamos enquanto pessoa de valor.

Mais, é funcionar com intimidade; funcionar com proximidade e sensibilidade, vulnerabilidade e confiança. Raramente se pensa em intimidade como intimidade connosco próprios, no âmbito da abrangência da nossa realidade de perto. Se pararmos e nos recordarmos de funcionar assim em relação às coisas e às pessoas com quem interagimos, às ideias e aos sentimentos, às atitudes, às crenças com que funcionamos, será assim que funcionaremos com intimidade na nossa realidade. Por isso, é com a atitude de sentir ter valor e a decisão de nos chegarmos ao outro com intimidade que funcionamos de forma excelente.

Depois, é operar com elegância. Funcionar de modo elegante, com sagacidade e compreensão. Mas comecemos pelo desejo. Todas as matérias-primas da nossa realidade: o desejo a expectativa e a imaginação. Tudo começa pelo desejo. Mas desejar tão só não basta; precisamos fazer alguma coisa com relação ao desejo. Aquilo que precisamos fazer é elevar esse desejo clarificando esse desejo, clarificando a intenção que temos. Assim, elevámo-lo a uma forma rarefeita na clareza da intenção que temos, pela expectativa e pela imaginação. Porquanto o que desejarmos, se o clarificarmos pela expectativa e pela imaginação torna-se numa intenção clara. A energia que aflui do desejo e do desejo clarificado cria algo novo, que é a impecabilidade. A impecabilidade é prestar atenção, reparar no detalhe do que pensamos, no detalhe do que sentimos, no detalhe da observação que fazemos. O pensador impecável não tem ideias mesquinhas mas ideias focalizadas. Ser impecável é focar a nossa atenção, que resulta do desejo e do desejo clarificado.

Mas algo mais resulta dessa clareza de desejo, por as energias do desejo e do desejo clarificado concorrerem para a formação de uma visão, um sonho. As qualidades de sermos visionários, sonhadores, de nos dispormos a estender além dos limites e dos marcos que a sociedade nos deu, além dos marcos que a educação nos impôs, estender-nos além dos limites do inconsciente colectivo até à esperança que reside além - não até à fé cega, não, mas até à esperança do que este mundo se pode tornar - a visão, tornarmo-nos visionários. Essa energia liga-se à energia da impecabilidade e ambas funcionam numa unidade, numa bela unidade que combinada com a clareza produz elegância.
Elegância na terminologia tecnológica significa o menor dispêndio de energia em função do máximo resultado. Elegância é o que sucede quando a visão combina impecavelmente com a clareza de intenção. A elegância - não a letargia - opõe-se à luta, a elegância impede o sofrimento, a elegância obsta à privação e dificuldade a que tantos tão obstinadamente se agarram. Mas não se fica por aí.

Dessa elegância surgem diversas energias incríveis que se combinam para completar a árvore magnífica da excelência. As energias da elegância e da impecabilidade combinadas produzem coragem, não a coragem do combatente mas a coragem de discernir e de pensar, a coragem de ter opiniões e de agir com base nessas opiniões.

Muito da perseguição que se empreende actualmente da mediocridade assumiu a verdade de que não se deve julgar, e com base na mediocridade simplista expandiu o sentido disso até querer dizer ausência total de discernimento, ausência total de opinião, ausência de sentimentos e de preferências, como se, de algum modo, ao se abrigar preferências ou opiniões ou discernirmos o que seja mais válido para nós estejamos a julgar. Neste labor em prole da mediocridade e da simplicidade - em vez da complexidade - da simplicidade que a substituiu o julgamento varra connosco, e não mais nos seja permitido pensar ter opiniões, estabelecer valor, discernir.

A elegância e a impecabilidade dão-nos a coragem de ter opiniões. É triste que de facto, neste tempo de modernidade, de grandiosa e magnífica evolução, seja preciso ter coragem, mas de facto carece, para ase ter opiniões. E não só ter opiniões como proceder a avaliações. E não só fazer estimativas como discernir sem julgar. Essa combinação produz a coragem de discernir, e por último, sagacidade, compreensão. E da sagacidade e da compreensão resulta a energia da elegância para produzir excelência - a árvore da excelência, enraizada no desejo, e que brota da clareza da intenção que temos, para se dividir na visão e na impecabilidade, que se eleva uma vez mais até à elegância da nossa função e à elegância da nossa vitalidade, para por sua vez se estender à alegria, à sagacidade e à compreensão, para por fim, com essa elegância atingir a excelência. O que representa funcionar com elegância, intimidade e com valor.

Ao considerarmos tal definição, poderemos perguntar-nos porque é que as pessoas não a deitam pela boca fora com à-vontade. Mas o facto de não o deitarmos comummente pela boca fora não deve querer dizer que o devamos ignorar. O facto de não o definirmos com facilidade não quer dizer que devamos voltar-lhe as costas. Porque na verdade, se funcionarmos na nossa realidade com excelência seremos bem-sucedidos. Sem excepções. Se funcionarmos com excelência seremos bem-sucedidos. Ponto final.

Óptimo. E agora, como é que se faz isso? Agora que já o definimos, e percebemos que não temos que andar a derrotar uns aos outros, nem calcar ninguém para subir na escala, como é que conseguimos tal excelência? Talvez seja muito mais fácil do que imaginamos. Se quisermos funcionar nessa base de excelência o que fazemos é, antes de mais, descobrir o desejo. Comecemos a desejar alguma coisa na nossa vida. Uma vez mais, preferimos tornar-nos dormentes em relação aos nossos próprios sentimentos, tão receosos do desapontamento, tão receosos que as expectativas que temos saiam frustradas, tão apavorados com o inconsciente colectivo... Precisamos voltar a sonhar, por serem os sonhos que detêm as soluções, e se nos recusarmos sonhar não descobriremos qualquer solução. 

Voltemos a sonhar; despertemos o desejo, por o desejo constituir o início do sonho, mas também constituir a raiz da excelência. Desejar o quê? Seja o que for. Só que significa começar a pensar nisso, começar a senti-lo, começar a deixar-nos envolver nesse desejo, experimentar esse desejo. Precisamos envolver-nos nesse desejo, precisamos deixar-nos enrolar nele, e despejá-lo ao nosso redor para nos envolvermos de verdade e o sentirmos e nos nutrirmos. Saltemos para quantidades maciças de desejo, ainda que não o revelemos a ninguém por um tempo. Comecemos pela raiz, comecemos a desejar uma cisa qualquer. Se o clarificarmos, se o dirigirmos, se lhe imprimirmos intencionalidade, esse desejo será elevado à expectativa e à imaginação. Situá-lo em moldes que enquadre a forma como queremos que esse desejo se manifeste.

Se o suscitarmos com intencionalidade, com expectativa e imaginação numa intenção clara, então ele irá automaticamente produzir impecabilidade, visão. E da expectativa e imaginação emerge uma visão do que pode ser, e um enfoque nessa visão, um querer alcançá-lo e tocar-lhe, agarrá-lo. Como é que conseguimos isso? Que é que fazemos?

Aí é que cometemos o maior erro. Não fazemos nada. A visão, e a impecabilidade dessa visão, associada à clareza da nossa intenção posicionar-nos-á no lugar com uma atitude e uma perspectiva de busca da forma mais fácil e simples de se conseguir - da forma mais elegante e com o menor dispêndio de energia e o máximo de resultados - programar a manifestação da nossa realidade antes de irmos para o exterior e a manifestarmos; em que nos amamos antes de tratarmos de amar os outros e de esperar que me amem; em que nos perdoamos antes de esperarmos receber a abundância da realidade; em que acedemos ao nosso poder e nos expandimos pelo nosso domínio, antes de esperarmos colher os benefícios de sermos uma pessoa poderosa. Isso é funcionar com elegância, e onde funcionarmos com base na atitude da elegância, os dois componentes seguintes que brotam dessa impecabilidade e elegância - ter a coragem de abrigar opiniões e de as emitir pelo menos para nós próprios, e agir com base nelas.


Uma coisa é ter uma opinião, outra é julgar. Mas por representar uma complexidade e as pessoas não quererem perder tempo com a complexidade, descartam-na. Mas se permitirmos que a impecabilidade e a elegância do nosso pensar estejam presentes, então essa complexidade tornar-se-á aquilo que desejamos. Podemos decidir gostar ou não gostar de uma coisa sem a tornarmos uma coisa errada ou má ou inferior. E podemos ter a coragem de discernir. E similarmente podemos conseguir a alegria do desenvolvimento e da expansão, a alegria de descobrirmos quem somos, a alegria de vivermos a nossa vida. Tantas vezes as pessoas aterrorizam-se com a sua vida e têm tanto medo de funcionar, tanto medo de pisar a sua realidade… Mas se nos conseguirmos abrir a ponto de percebermos que com a visão e com essa elegância, com essa disposição para funcionar assim, disso brotará essa alegria, uma exuberância e entusiasmo por que mal poderemos esperar para prosseguir e alcançar esse viver. Essa alegria e essa coragem, mais essa elegância produzirá sabedoria. Mais do que saber, mais do que intelecto, mais do que informação factual, um sentido de um conhecimento maior, um sentido de conhecimento por entre o tempo e o espaço, e além do tempo e além do espaço, um sentido de sabedoria. E a acompanhar essa sabedoria, a elegância e a coragem produzem compreensão.

Das nossas opiniões, das nossas avaliações - que até aqui temos tido tanto medo de assumir - brota a compreensão. E se lidarmos com a nossa vida com base na sensatez e na compreensão, e por conseguinte procurarmos funcionar com a menor quantidade de energia para produzirmos a quantidade máxima de resultados, obtemos excelência. Tudo quanto fizermos falo-e-mos com excelência. Mas funcionar de modo excelente e funcionar com excelência são duas coisas diferentes. Quem está de fora poderá avaliar um comportamento excelente, mas só o participante num torneio, por exemplo, poderá discernir a excelência, quer ganhe ou perca. Quer tenha um desejo, que clarifique com a intenção, e a partir dessa intenção clara obtenha uma visão e impecabilidade que conduza à elegância, e que dessa elegância.

conduza em última análise à alegria e à coragem, e por fim à sabedoria e à compreensão, que conduza a uma realidade assim.

Por isso, na nossa realidade, não compete ao nosso vizinho ou ao nosso amigo dizer-nos se funcionamos com excelência, mas a nós. E de um funcionamento desses fundado na excelência seguir-se-á o êxito; talvez não a toda a hora nem mesmo instantaneamente, mas com o tempo, com a prática, com a experiência, a excelência produz êxito. Uma escalada dessas aplica-se a tudo: aplica-se aos negócios, à carreira, aplica-se à intimidade seja em que grau for, aplica-se aos relacionamentos que tenhamos, e aplica-se à espiritualidade, à nossa expressão e expansão espiritual. A excelência não é algo que esteja reservado ao mundo do trabalho e dos negócios, mas algo com que podemos funcionar ao longo de toda a nossa vida, em toda a nossa experiência.

Há diversas razões por que resistimos à implementação da excelência na nossa vida, a menor das quais não é a definição errónea, por pensarmos que excelência seja sinónimo de competição, de bater, ganhar, exercer poder, ou combater as provações. Depois, por a excelência significar fazer melhor que, e por recearmos fazer melhor que, por receio de fracassar, ou por pensarmos que seja egocentrismo, recuamos. Receamos que alguém possa interpretar isso mal como “ser melhor,” arrogância. Mais, por recearmos o êxito. O quê?!

Bom; a elegância, que conduz à excelência, produz sucesso; não produz fracasso. Por isso, não recuamos, não nos refugiamos da elegância nem da excelência se de facto receamos o fracasso. Não. De facto o fracasso é algo com que infelizmente nos achamos bastante familiarizados. É o êxito que nos assusta, por para muitos de nós ser coisa que ainda não conseguimos. Muita vez receamos o sucesso por não restarem mais desculpas, nem dedos a apontar nem quem culpar. Receamos o sucesso por causa do que as pessoas esperarão da nossa parte e a expectativa nos assustar tanto que mesmo as outras pessoas nos assustam. Também receamos o sucesso  por esperarmos ter que lhe dar continuidade, e tanto recearmos o desapontamento. Receamos o sucesso por de algum modo se ter tornado um termo de que nos desculpamos no movimento metafísico e espiritual, por o sucesso constituir o preço  que pagamos ao contrário da recompensa que obtemos: "Preciso abrir mão do êxito que tenho para provar e demonstrar a minha espiritualidade," em vez da aquisição de sucesso enquanto demonstração da relação viva e abrangente que tenho com Deus e o Todo, que é a nossa espiritualidade. Muitos receiam o sucesso por se sentirem encorajados senão obrigados a ascender, quando terão decidido não ser mais bem-sucedidos que os pais, mas a manter-se no seu nível de mediocridade. O medo do sucesso produz relutância em relação a um funcionamento dotado de excelência.

Para além disso, alguns querem que alguém mais o consiga por eles, ao sentirem a determinado grau que, se o tiverem que fazer sozinhos não será tão bom, razão porque temem a excelência. Outros tantos têm dificuldade em acolher o amor, por não acharem que mereçam ser excelentes: "Isso é para os outros, para os que nasceram em berço de ouro, ou para aqueles que se esforçaram o suficiente." Por sentirem dificuldade em acolherem o amor, por não conseguirem manter uma imagem pessoal querida, por terem dificuldade em se perdoarem, e admitir que sempre terão merecido e que efectivamente merecem. Isso os retém e os coíbe de desenvolverem a excelência. Por último, para além do merecimento, receamos não o conseguir direito, receamos não ser suficientemente bons, receamos não amar o suficiente. O medo de não possuirmos o que é preciso.

Se apurarmos quais destas razões falam mais alto no nosso caso, poderemos cancelá-las; porque se conseguirmos entender a razão por entre as diversas que foram apontadas, se conseguirmos examinar e descobrir e contar a verdade a nós próprios, também conseguiremos perdoar-nos, e desse modo libertar-nos. poderemos mudar, definir novas escolhas e desse modo ser livres.  Saberemos como manifestar aquilo que queremos e começaremos a querer a excelência. Se tratarmos disso e nos livrarmos dessa limitação ou limitações, também começaremos a funcionar, também começaremos a trabalhar directamente e com beleza e potência, com consciência dos nossos desejos se acharem repletos do desejo, da clarificação desse desejo, elegância e excelência.

Para alguns, esta árvore assemelhar-se-á a outras árvores que terão visto, como a Árvore da Vida do sistema cabalístico. Cada uma das esferas, cada uma das influências que se combinam entre si numa treliça, providencia em última análise as vinte e duas sendas que conduzem à excelência, as mesmas vinte e duas sendas que outrora eram ministradas nas Escolas dos Mistérios, como sabedorias secretas e conhecimento da Cabala. Mas agora podem ser citadas e mencionadas com abertura nos termos da excelência. Um segredo!

A Árvore não começa em baixo, mas tem efectivamente início no topo. Por ser Deus que representa a derradeira Excelência, a derradeira função que é valiosa, íntima e elegante, por meio do uso da sabedoria e da compreensão, para fazer melhor que antes. E dessa excelência que é Deus, vem a sabedoria e compreensão; dessa excelência e sabedoria vem a elegância; e dessa compreensão e excelência resulta a elegância mais a sabedoria e a alegria. E da compreensão sobrevém a coragem. E da alegria e da coragem, sobrevém a elegância. Da alegria e da elegância resulta a visão. Da coragem e da elegância vem a impecabilidade. E dessa visão e impecabilidade, a clareza daquilo que queremos. Por último, disso brota o desejo.

Deus plantou o desejo no nosso coração e mente, na expressão da semente do desejo. É connosco, enquanto seres humanos esforçarmo-nos por nos torarmos seres espirituais; é connosco descobrir esse desejo para nos tornarmos Um com Deus, e assim que o encontrarmos, esclarecê-lo, aumentá-lo, e para além desse aumentar ter a visão e a impecabilidade, focar a nossa atenção num esforço por o alcançarmos e em última análise nos tornarmos um com essa Totalidade, por meio da elegância e da coragem e da sabedoria e da compreensão. A energia desceu de Deus e foi plantada na semente do desejo. Agora nós, em cocriação elevados esse desejo de volta para Deus, por meio do processo chamado “Excelência.” É uma parte integrante da nossa espiritualidade e fisicalidade, da nossa vida e conquista.


Depois vem a questão da emancipação que podemos obter com o relacionamento com o nosso Eu Superior. 

Há quem insista num caminho de solidão e de medo, mas tal caminho não envolve orientação; tudo nele será dispensado como pura coincidência, sorte que não conta; nenhum sentido de futuro, em particular qualquer futuro em que vocês participem. Aqueles que optam por um caminho de solidão e da motivação do medo e por uma espiritualidade composta de sofrimento e luta; aqueles que optam por o ver como algo que precisam suportar não possuem um futuro que eles criem mas um em que murmuram e resmunguem sozinhos até que tudo se altere como que por um cataclismo, e em que poderão morrer ou sobreviver, mas que de certeza não têm qualquer papel participativo; nenhum acto de capacidade de criar o próprio futuro. 

E no caminho do medo, no caminho da espiritualidade da solidão, não existe eu superior. Qualquer sentido de alguma coisa para além de nós, ou mais do que nós é descartado como pura ilusão, enquanto voltamos as costas àquilo que nos poderia encher de amor, na persistência que exibimos de ficar sós, na determinação que instauramos de ficar ao abrigo do medo. É uma escolha de um caminho que não só nos atrasa como de um caminho que eventualmente se torna impossível, por falta de uma consciência superior. Não é somente que estejam a optar por um caminho árduo que nos motiva a empatia e a compreensão, mas um caminho que eventualmente deixa de existir. Não estamos somente a abrandar o caminho do crescimento, mas activamente a triturá-lo.

É triste, mas é igualmente injusto que muitos de quantos se acham numa situação dessas procurem amenizar as próprias inseguranças e falta de confiança pelo convencimento dos demais a juntar-se a eles. Mas temos uma alternativa, uma escolha, a escolha de um caminho espiritual que nem é de luta nem de sofrimento, e que tão pouco é isolado mas repleto de Deus, repleto de concelheiros e de guias -- se ao menos aprendermos a pedir, não piedade mas auxílio. Um caminho em que poderemos cocriar com o nosso futuro e com a nossa alma. É-nos, com isto proposto um caminho de crescimento que possui um eu superior.

Inicialmente poderá parecer que esse eu superior seja o fim, o culminar, a conclusão, e quando pela primeira vez o descobrimos soa assim, por deixar antever uma certa noção de chegada a casa. Mas para além da descoberta, quando começamos a permiti-nos entrar num relacionamento com o eu superior, que nos permita atingir e tocar e ser tocados por esse eu superior, então poderemos perceber que isso não constitua fim nenhum mas um glorioso começo.

Para tal precisamos fazer duas coisas; considerar a evolução da consciência, e depois considerar esquemática e emocionalmente aquilo em que consiste o nosso eu superior. Comecemos, pois, pela evolução da consciência.

O "processar" é termo que ouvimos em qualquer coisa que esteja envolvido no crescimento metafísico ou físico, quer no sentido físico ou mais abstracto e espiritual. Tal "processar" constitui uma actividade de começo que vai até uma série de passos e se conclui a si próprio. O "processar" apresenta certas características, o primeiro dos quais consta de liberdade sem responsabilidade; um estado em que se é completamente livre sem compromisso ou obrigação ou responsabilidade alguma. Ao se condensar mais ou se tornar mais direccionado tal estado de liberdade isenta de responsabilidade passa do primeiro passo para um segundo passo que constitui o primeiro passo da prisão ou limitação. E a seguir para um terceiro passo do processo que representa uma prisão maior. E então o "processar" sempre atinge o seu quarto passo - ou seja, vai da liberdade isenta de responsabilidade ao isolamento e a mais isolamento até à total constrição, ao determinismo absoluto. Desse quarto passo de determinismo absoluto, o "processar" prossegue por não se deter aí. Mas daquilo que se manifestou e se condensou na forma é a liberdade que se desenvolve - liberdade que desta vez carrega responsabilidade, que por sua vez conduz a uma liberdade maior e em última análise conduz a uma liberdade plena de novo. Só que esse passo final comporta responsabilidade.

A forma mais simples de se descrever o processo poderá ser descrito no exemplo de quando nos sentamos a redigir uma carta, O primeiro passo passa pelo acto de nos sentarmos e pegarmos em papel e caneta - até esse ponto somos completamente livres, não temos qualquer responsabilidade, não teremos endereçado a carta a ninguém em particular nem nos teremos comprometido em terminá-la e podemos em vez disso fazer um desenho. Liberdade plena - criamos o espaço, composto pelo papel e pela caneta, dotado de intenção, só que ainda não de acção. Essa liberdade plena não acarreta responsabilidade mas assim que juntarmos papel e caneta e a começarmos a redigir, subitamente já nos teremos restringido -- não por completo, por a carta poder ir parar a qualquer sítio e representar uma carta amigável ou uma carta desagradável. Ao prosseguirmos a sua redacção, iremos ficando mais restringidos, por a carta ganhar forma e já representar uma carta definida e dotada de carácter; é progressivamente restringida até a concluirmos. por essa altura teremos atingido o quarto passo do processo - aqui temos definitivamente uma carta; não é um brinquedo nem um entretenimento, mas uma carta. está determinada e não poderemos fazer com relação a isso e essa altura.

É aconselhável que a esta altura vejamos o conteúdo do que redigimos e nos libertemos (o primeiro passo da liberdade) e depois de termos lido a carta e conhecer mais acerca de nós próprios, podemos pegar no que tivermos escrito e expandi-lo mais ainda, e com isso passar a conhecer mais ainda acerca do nosso carácter, acerca da nossa natureza, acerca daquele que somos. Com o conhecimento alcançado podemos descobrir uma liberdade, não como a que tínhamos quando iniciamos sentados à escrivaninha com papel vazio e a caneta em posição, mas uma liberdade repleta de responsabilidade. Será algo tão simples quanto a redacção de uma carta? Sim, constitui um "processo." Chegaremos a conhecer muita coisa? Provavelmente não; mas se pegarmos no que tivermos compreendido e o extrapolarmos então isso será basicamente representará o processo. Mas tudo quanto se ache em movimento passa por todos esse sete passos, por vezes tão rápido que teremos dificuldade em determinar que passo circunscreva por entre os sete. Mas tudo quanto se evidencie pela ilusão do movimento, tudo quanto na nossa realidade parecer achar-se em movimento passa por um processo que vai da liberdade total à determinação absoluta, até à liberdade plena de novo, só que desta vez dotado de responsabilidade.

Conforme no processo da valorização pessoal, que desde o seu início que consta da autoconsciência (a noção de exercermos impacto) até ao valor ou dignidade, até à estima e até ao amor. Correspondendo à estima está a confiança. Correspondendo à dignidade está o respeito. E correspondendo à liberdade do impacto, está o impacto que dirigimos, ou realização pessoal.
Portanto, o primeiro passo do "processo" passa pelo "Sou livre; exerço impacto, mas não tenha qualquer responsabilidade poer esse impacto," que vai até ao estado de determinação, ou amor pleno, e depois até ao estado de liberdade dotado de responsabilidade, em que não só exercemos impacto como podemos dirigi-lo. podemos fazer o que fazer com ele. 

O mesmo se passa com o desenvolvimento, por ser algo que se acha em movimento, e por, à semelhança de qualquer outra coisa, precisa passar por um processo. É assim que a consciência se desenvolve, e com efeito tem início no poder que se acha localizado na nossa consciência superior. Inicialmente a sede do poder acha-se localizada na nossa mente superior só que é desprovido de qualquer noção de responsabilidade pessoal, de qualquer noção de determinação, de escolha, de acção. Apenas liberdade plena isenta de responsabilidade. Tudo é feito pelo "ser supremo," o que quer que esse ser supremo seja. Não somos solicitados, nem somos consultados, nem sequer sabemos que algo esteja a suceder. Ausência de escolha, ausência de acção, tudo é determinado pelo ser supremo. Na existência humana isso corresponde aos primórdios da infância, quando não dispomos de acção nem de escolha e simplesmente nos encontramos ao cuidado da mãe, desde o estado da concepção no ventre até aos estágios iniciais da infância. Isso corresponde àquela situação em que, há imenso tempo atrás, muito antes desta vida e muito antes das múltiplas vidas, em que a sede do poder se achava situada de forma isenta de responsabilidade na consciência superior.

Posteriormente deslocou-se dessa consciência superior até uma segunda fase, até à mente inconsciente. Na psicologia há muito burburinho com relação aos termos "mente inconsciente," "mente subconsciente," "mente superior," "consciência interior," consciência exterior, " etc., e será completamente contra produtivo deixar-se inflamar pela argumentação semântica quanto à existência ou não existência de uma mente inconsciente e subconsciente, pelo que aquilo que a este nível é referido por "mente inconsciente" é a mente que age instintivamente. Por conseguinte, comporta acção, isenta de reacção - acção somente. Comporta um instinto para a acção, mas nenhuma escolha ainda - acção instintiva. É estado que corresponde ao animal humano, que porventura na nossa realidade corresponde àquele período de tempo dos "terríveis dois" (anos, subentenda-se) em que mexemos e chegamos às coisas e não sabemos porque o fazemos; em que queremos conhecer e provamos e tocamos e desejamos mas não temos qualquer noção de escolha nem de decisão - simplesmente acontece-nos, e é algo que instintivamente faz parte de nós.

Na nossa própria evolução, corresponde a um tempo em que o desenvolvimento era virtualmente não existente e constituía um mecanismo de sobrevivência, em que existíamos por um dia simplesmente para conseguir viver outro e mais outro. Sem qualquer sentido de significado ou de propósito ou de orientação, e em que existia acção, só que uma acção instintiva.

Subsequentemente a sede desse poder deslocou-se automaticamente para amente subconsciente. Freud falou disso e de facto ele tinha razão: que a sede do poder, ou movimento da energia, residia na nossa mente subconsciente. Ele estava certo, só que veio tarde. Já nós tínhamos alcançado essa área quando ele fez essa descoberta. Mais vale tarde do que nunca! Freud sugeriu que a sede do poder residia na nossa mente subconsciente - nas influências da infância, ou influências Freudianas conforme subsequentemente chegaram a ser designadas - o Id, a Líbido, os Complexos de Édipo e as invejas de vaiados tipos. Depois surgiu Jung, que depois de ter sido um estudante de Freud, rompeu com ele, e que sugeriu que existia uma mente inconsciente pessoal e um inconsciente colectivo que corresponde a esse subconsciente. Jung sugeriu que onde o inconsciente colectivo e o inconsciente pessoal se sobrepõem, essa área em que as duas esferas se interligam é onde se encontra a sede do poder, a mente subconsciente. Ambos estavam certos nas respectivas abordagens que conseguiram.

 Aquilo com que nenhum contou foi que essa sede do poder se deslocaria uma vez mais, e por isso não nos começos do século vinte, reconhecidamente, mas há muito mais tempo. A sede do poder começou a mover-se e somente nos últimos tempos ter-se-á claramente deslocado a ponto de agora a sede do poder se situar na nossa mente subconsciente. O ponto do poder, a motivação, torna-se plenamente consciente, pelo que a frase avançada: "O diabo levou-me a cometê-lo; deve ter sucedido inconscientemente," se acha desatualizada. Poderá ser uma coisa conveniente de deitar da boca para fora, só que não é verdade. Agora tudo é consciente; toda a motivação é consciente. É reconhecido que nem sempre o entendamos e que nem sempre o vejamos, por aquilo que é caracterizado por consciência nem sempre é visível, nem sempre se encontra em foco, subentenda-se, só que é consciente. A base do poder situa-se na nossa mente consciente - nós criamos a nossa própria realidade, de modo total e completo, sem asteriscos nem subtexto entre parêntesis, sem referências do tipo "excepto," quando se faz importante notar. 

NÓS CRIAMOS A NOSSA REALIDADE DE MODO PLENAMENTE CONSCIENTE. 

Sempre criamos aquilo que queremos; nem sempre criamos aquilo que pedimos, mas sempre criamos aquilo que queremos - conscientemente. Ao contrário do que Freud apregoou, e ao contrário daquilo que Jung defendeu, a base do poder encontra-se actualmente consolidada na parte consciente do ser. Isso são boas novas, ou pelo menos deviam ser, por termos passado do estado da plena infância em que nada sabíamos acerca da escolha, até um ponto em que agora dispomos de plena escolha - não a acção do inconsciente nem a reacção do subconsciente - mas a plena escolha quanto à acção e à reacção. Não mais nos encontramos presos na posição de ausência de escolha, ou da escolha com base no medo, por podermos agora proceder a uma escolha de desenvolvimento ou a uma escolha de temor, mas dispomos de plena opção quanto à escolha.

Não somos mais um animal humano nem um ser humano, somos um espírito humano que busca a sua divindade, que busca descobrir-se a si mesmo. O sistema, o processo conduziu-nos a este ponto; automaticamente, sem qualquer esforço da nossa parte, passamos desse estado umbilical até ao pleno adulto que somos. O corpo faz isso por nos, não é? Não fomos nós quem dissemos conscientemente "Acho que vou nascer," por os músculos se terem contraído e nos terem forçado a nascer. Chegamos aqui num acto de espernear e berrar. E uma vez fora do ventre, o nosso crescimento inicial não se assemelha a nada que possamos dizer "Minha nossa, deixa cá ver…" acontece automaticamente.

(continua) 
Transcrito e traduzido por Amadeu António


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