quinta-feira, 28 de abril de 2016

O DESAFIO DA LUZ (Sequela de Testemunho de luz)



    Helen Greaves                                                              





                                                                                  Frances Banks




"O DESAFIO DA LUZ"

A frase: “Nada consegue deter uma ideia quando o seu tempo amadurece,” carrega a marca da verdade. Por a vida ter um jeito de adiar o significado de uma ideia criativa até à altura do seu cumprimento.

Assim, quando Frances Banks e eu nos conhecemos e nos tornamos amigas, jamais a ideia de que viríamos a trabalhar juntas na redacção de livros me passou pela cabeça; e quanto à probabilidade (ou mesmo a possibilidade) de uma parceria que abrangesse dois mundos, isso estava para além da imaginação.
Contudo, aconteceu!

Frances Banks era uma obreira! Ela possuía uma mente intelectual e era inteligente. Durante vinte e oito anos, ela foi monja confessa numa Ordem Anglicana na África do Sul. Sempre foi ansiosa por aprender mais e mais, e por transmitir muito do que tinha experimentado a outros. Quando percebeu que reunia condições para a posição honrosa de Madre Superior do convento ela pediu para ser liberta dos votos que tinha feito. Frances sentiu que tinha muito a aprender com o mundo, com outras doutrinas acerca do sentido do Cristianismo; também tinha em mente a forte convicção de que tinha muito a dar da sua própria experiência de vida religiosa. Uma vez a partida da vida do Convento aceite, embora com pesar por parte de muitos, ela voltou para Inglaterra.

Por essa altura ela tinha-se tornado interessada na possibilidade de comunicação com almas livres num mundo mais vasto pela morte do corpo. Ela ingressou a recém-formada Associação das Igrejas para os Estudos Psíquicos e Espirituais, e em breve foi eleita para o seu conselho.


Foi nesse período da sua vida que nos encontramos numa conferência religiosa. Eu fiquei imediatamente impressionada, como muitas outras pessoas, pela figura elevada e recta, a face de forte cunho espiritual e os grandes olhos de um cinzento brilhante que pareciam mirar a nossa própria alma. Ela começou a fazer-me visitas; e mais tarde veio morar no apartamento por cima do meu em Addington Park.

Olhando de volta para os meus primeiros anos com a Frances em Addington, consigo ver o justo momento em que a “ideia” pela primeira vez se enraizou na mente da minha amiga. Ela tinha dado início a um grupo de sete amigos destinado à meditação, ao debate e ao ensino. Era composto por dois homens e por cinco mulheres inclusive eu própria. O grupo reunia-se na minha sala de estar, e os outros vinham de Londres.

Eu dei graças pela ajuda, pela alegria e pelos ensinamentos desse grupo. Ele continuou em força durante dezoito anos, jamais falhando um encontro, e cresceu até atingir um número mais vasto de membros.

A Frances e eu eramos as líderes, e ela sentia-se entusiasmada e animada à medida que ele progredia. Um dia, após nos termos encontrado há alguns meses, ela desceu até ao meu apartamento com um maço de papéis dactilografados.
“Devíamos escrever sobre este grupo,” explicou ela.” É tão interessante. Já redigi os três primeiros capítulos. Podia escrever os três seguintes!”
Eu contemplei-a subitamente alarmada. “Partilhar a escrita de um livro?” Explodi. “Consigo?”
“E porque não,” retorquiu ela.
“Por a Frances ser intelectual! E eu não sou!”
“Mas você tem o dom,” explicou ela, “o dom da intuição. O dom da percepção, do saber!”
Eu hesitei.

“Você é a sensitiva, a vidente, Helen. Eu sou a intelectual – certo. Não faremos a parceria perfeita?”
Eu assenti com a cabeça. “Ainda não creio que possa trabalhar consigo, Frances. Nós somos tão diferentes…”

Ela sorriu: “Seremos?” E de seguida voltou-se para ir, “Bom, deixo os capítulos consigo.”
Bastará dizer que a redacção foi guardada na minha secretária, e que eu jamais lhe acrescentei uma letra sequer. Tão pouco ela voltou a abordar o assunto de novo. Mas eu ainda recebo essas tentativas iniciais da parte dela para satisfazer o que se tornara no nosso destino. Três anos mais tarde, Frances passou deste mundo, e ainda tinha consciência da parte que viria a representar na minha vida, embora decerto eu não. Terá a Ideia sido concebida pela Mente Superior naquele mesmo instante em que eu rejeitara os capítulos? E precisaria esperar pelo seu tempo, atingir a maturação, até alcançar um propósito que viesse a conceber e a inspirar o livro Testemunho de luz que viria a encontrar uma ampla aprovação por parte dos milhares de leitores? E teria então a Ideia atingido a sua maturação? Creio firme e sinceramente que tal fosse a verdade

Daí este livro, inspirado e escrito por nós as duas, uma neste mundo da matéria inerte, e a outra na gloriosa liberdade dedicada à expansão da beleza da alma numa outra Vida. A Ideia deu um passo adiante rumo à concretização. Conforme agora a vejo, esta Ideia do Desafio da Luz nas vidas que levamos aqui na Terra e a realidade da vida no Espírito após a morte do corpo, trarão uma revolução a toda a ética da religião Cristã. O medo da morte, implícito em tantas vidas, não mais ampliará o poder e a ameaça da arma, da espada, da faca ou da finalidade das armas de destruição nuclear.

Impossibilitada de finalizar o seu trabalho devido a uma morte prematura motivada pelo cancro, ao se encontrar em posição de ver, no outro mundo, com horror a infelicidade do nosso, a minha amiga Frances, regressou a fim de me inspirar, mesmo na minha aposentação, a escrita deste livro com ela.
Possam os nossos esforços tocar toda a gente no mundo, seja qual for a fé ou crenças que tenha, e conduzir-nos sem guerra e com segurança ao próximo século.

Quando pela primeira vez conheci Frances Banks, fomos apresentadas, e cumprimentamo-nos com um aperto de mão.
“Ah, eu conheço-a,” observou Frances.
Eu acenei com a cabeça. “Não creio que conheça!” Disse.
“Ah, sim. Eu sempre reconhecerei esses olhos.” A seguir sorriu. “Já trabalhamos juntas antes – e voltaremos a trabalhar de novo!”
Eu não respondi, por já ter ouvido essa declaração antes, da parte de outros. Contudo, viria a ser assim, por nos termos tornado boas amigas. Mais tarde, após a sua boa Madre Florence lhe ter falado de forma convincente por intermédio de mim, a Frances nunca mais me largou. Chamava-me o seu telefone celestial.

Mais tarde, quando o andar que ela partilhava com a irmã mesmo à saída de Londres foi vendido, ela veio viver para Addington Park. Era interessante ver o quanto ela era amada e admirada por toda a gente, por ela possuir muito pouco dinheiro e não ter qualquer mobília para poder montar um lar. Mas logo vieram donativos e enviaram uma cama e um colchão, cobertores e lençóis, e uns amigos doaram mobília e dinheiro suficiente foi recolhido para acrescentar uma poltrona, uma mesa e outros artigos de necessidade.

Francês nunca chegou a ter muito dinheiro até cerca de três anos mais tarde, por altura da morte de um irmão que lhe deixou um pequeno legado, no entanto sempre parecia ter o suficiente para viver de forma bem simples. Fez palestras para a Associação das Igrejas para Estudos Psíquicos e Espirituais, mas quando lhe perguntei qual eram os honorários que cobrava, ela sorriu. “Ah, eu nunca cobro comissão – isto faz parte do meu serviço terreno,” retorquiu ela. “Apenas peço a minha passagem.” Foi algo que passei a conhecer e que jamais esqueci, porque quando mais tarde também eu tive que enfrentar palcos para falar do meu trabalho e dos meus livros, senti-me na obrigação a seguir o código de conduta da Frances.

Ela foi uma mulher, acho que possa agora dizer, que mergulhava directo em todo estratagema, todo trabalho que sentisse poder empreender. Nunca hesitava. Criava oportunidades e satisfazia-as. Ela foi uma líder e uma mulher cuja vida foi inteiramente dedicada ao trabalho e ao serviço. Isso é enfatizado pelos seus vinte e oito anos de obediência aos votos que ela fez e pelo trabalho extraordinário que empreendeu na África do Sul. Ela escreveu livros de cariz espiritual para os catraios, lecionou currículos na Faculdade para Professores contígua ao Convento enquanto ao mesmo tempo estudava para obter um mestrado, que chegou a conseguir, e chegou mesmo a partir em missões por entre as raças nativas das regiões mais selvagens dessa nação. Isso, sem esquecer os exercícios e orações estritas da comunidade! Mais tarde tornou-se directora principal da Faculdade para Professores, e chegou mesmo a preparar os concertos dos alunos, e as fardas dos desfiles.

Quando Frances visse algum serviço que pudesse ser desempenhado, ela fazia-o. Assim, que não me tenha surpreendido com o seu “regresso” do outro mundo, e a ênfase com que me instou a escrever com o seu auxílio, o Testemunho de Luz, que percorreu o mundo todo, e ainda constitui um best-seller no seu campo dezassete anos após a publicação. Deveria eu alimentar alguma dúvida de que no seu amplo conhecimento desejaria colaborar numa sequela desse mesmo livro?

Das palavras iniciais que me lançou, que proferiu no nosso primeiro encontro, posso agora ver em retrospectiva a dedicação e o desejo de esclarecer os outros quanto às necessidades espirituais que ela nutria, e posso constatar a compreensão implícita que tinha das necessidades espirituais da humanidade.
Recebi centenas de cartas de muitos países, da parte de leitores que me agradeciam pelo auxílio recebido com o Testemunho de Luz quando se encontraram em apuros, em agonia, u experimentavam uma enorme tristeza em face da perda de entres queridos.
Será de surpreender que eu agora compreenda e aceite as palavras iniciais que ela me lançou? “Nós trabalhamos juntas antes mas iremos trabalhar juntas de novo.”

A história de Frances recorda-me um incidente que se deu logo após a ter conhecido em 1955. Conforme declarado no livro que ela publicou, Ensinem-nos a Viver, ela passara alguns anos como Tutora Organizativa na Prisão de Maidstone, onde foi bem-sucedida junto mesmo dos mais difíceis dos prisioneiros, ao ajudá-los a descobrir talentos latentes. Ela mostrou-me esboços notáveis e aguarelas pintadas pelos prisioneiros, assim como diversos artigos concebidos e executados por eles.

Porém, havia um prisioneiro, um padre destituído, que se mostrara completamente intransigente e se recusava a dar ouvidos. Um dia ele discutiu com ela – contra tudo quanto pudesse ser concebido como bom e bonito, progressivo ou espiritual. Foi a última vez que ela o viu. Ele desapareceu das aulas dela; mais tarde viria a saber que ele cometera suicídio.

Alguns anos mais tarde, quando se demitiu do serviço da prisão, estávamos ambas a tomar chá no meu apartamento. Progressivamente, á medida que conversávamos, tomei consciência da presença de um homem do outro plano de existência. Ele forneceu-me o nome, e logo me chegaram à mente as palavras: “Diga-lhe que aquilo que ela me disse no nosso último encontro é absolutamente verdade!”
Eu contei o sucedido a Frances, e ela soube de imediato de quem se tratava, e recordou-se do que lhe tinha dito, e das palavras que empregara.

“Durante a conversa que tivemos,” disse ela, “esse prisioneiro provocou-me, insistindo que nada existia para além do túmulo excepto a matéria inerte. Eu respondi-lhe dizendo que cinco minutos após a morte ele seria exactamente o mesmo.”

À medida que ela falava eu ainda conseguia escutar a voz na minha mente, que dizia: “Mas isso é absolutamente verdade. Eu não mudei.”
A Frances sorriu e disse: “Esses foram os últimos comentários que ambos fizemos. Evidentemente ele terá progredido no outro mundo, e compreenderá. Abençoado seja!”
Quão raro não deverá ser passar pela repetição de uma experiência profunda como uma cópia exacta anos mais tarde! No entanto isso deu-se comigo no segundo regresso da minha amiga Frances Banks.

Após a publicação de Testemunho de Luz, a comunicação com Frances terminou por completo até aproximadamente quinze anos mais tarde. Então, com a rapidez do imediatismo ela encontrava-se a meu lado de novo, e eu tive noção disso!


Por essa altura, 1981, tinha-me retirado do meu chalé, devido à ameaça de cegueira, e tinha ido para um pequeno lar para idosos, dirigido por duas senhoras dedicadas. A ideia de não fazer nada representava para mim um anátema pelo que comecei de uma forma meio desconexa a escrever a história da mudança de estilo de vida por que passara.
Uma manhã, ao me sentar à escrivaninha junto à janela do meu quarto por não ter impresso disciplina às minhas ideias olhava de uma forma lacónica para os carros que passavam na estrada. De súbito e inexplicavelmente senti-me viva, e a vibrar fisicamente com uma energia espiritual vinda de dentro. Por um instante permaneci imóvel; logo, porém, bradei: “Frances! Tu voltaste!” E ergui-me.

Frances encontrava-se a meu lado. Eu sabia! Ela estava a meu lado de uma forma tão real quanto a que teria se ainda se encontrasse no corpo. “Oh, Frances!” Quase chorei de excitação. De seguida alguém tocou à porta e uma amiga minha que vive no Lar entrou. “A Frances voltou!” Bradava eu, porém, não muito ciente disso. “A Frances voltou!”

O prazer que ela sentiu foi imediato, por também ela a ter conhecido. Conversamos por um momento e depois peguei na minha caneta. “Preciso apontá-lo,” disse eu. “Apontar o quê?” Interroguei-me eu um instante mais tarde. Subitamente, soube com perfeita clareza. A Frances jamais desperdiçava o seu tempo ou esforços em conversas prolongadas. Na verdade ela tornou a razão que tinha para comunicar comigo inteiramente clara. Ela tinha regressado com um propósito. Havia trabalho a fazer. Ela necessitava de mim, conforme eu dela! Havia um livro a escrever. E competia a mim escrevê-lo! Ela mais os companheiros do seu grupo inspirar-me-iam. Eu sentei-me electrificado. Com que então ela não tinha mudado! O seu espírito estava tão forte quanto sempre.

Desalento, entusiasmo, alegria e dúvida, tudo isso parecia apossar-se de minha mente. Como poderia eu escrever um livro? Dificilmente conseguia agora ler um. Porém, quando me acalmei o suficiente para argumentar com ela, ela tinha partido; Tinha noção de que um livro assim viria a ser escrito, conforme ela me dissera. E assim foi. Ela daria início a um capítulo na minha mente antes mesmo de ter despertado pela manhã. Inicialmente anotei as ideias e os fragmentos, que soavam fascinantes. E senti-me intrigada. Algumas semanas mais tarde após ter sido dada como cega por um especialista oftalmológico, comecei a anotar os vários capítulos no livro. Por essa altura já não conseguia ver de todo, e a minha escrita era quase indecifrável. Uma amiga emprestou-me um gravador. Tentei falar para ele, mas quando reproduzia as palavras elas pareciam-me monótonas e desinteressantes. Era inútil.

Certa manhã sentei-me na cama a tentar colocar as palavras que tinham vindo a passar-me pela ideia no papel desde que acordara. Imagine-se a surpresa e a alegria que me invadiu quando descobri que conseguia rabiscar as palavras no papel de almaço. E lá comecei a escrever. Fiquei emersa no acto e passaram-se duas horas antes que pousasse a minha caneta. Tinha preenchida quatro folhas de papel de almaço com as garatujas desalinhadas mas inspirados ao longo das linhas pautadas, embora não conseguisse ler uma só palavra do que escrevera! O livro encontra-se agora acabado, sem que eu alguma vez tenha lido uma palavra do que comporta! Milagres acontecem quando o Espírito do Criador se acha envolvido.

A MENSAGEM DE FRANCES BANKS

“Uma vez a minha vida no plano terrestre terminada vitimada pela doença terminal e pela morte, busquei e encontrei outros e elevado progresso e de grandiosa experiência que me ajudaram. A recomendação que me deram foi tão realista e sofisticada que a segui.

“Trabalha por intermédio da mente superior da tua amiga, Helen Greaves,” insistiram eles. “Isso pode ser conseguido!” O resultado foi o livro Testemunho de Luz, cujas palavras acordaram o Espírito dormente de milhares de vidas.

Então, após me ter juntado ao meu próprio Grupo, e aprendido mais dos trabalhos do Grande Espírito de Luz, foi aventada a sugestão da tentativa de um segundo volume. Os Grandiosos aqui tinham consciência do estado precário para que a humanidade tinha resvalado, devido ao mal engendrado pela ignorância, pelo medo, pela inveja e pela desconfiança.

A minha coautora tinha-se por essa altura aposentado da vida literária activa. Foi-me assegurado que tal era a confiança e a crença que ela tinha no Espírito de Cristo no homem, e o reconhecimento da facilidade co que tínhamos comunicado, que ela responderia de todo o coração ao nosso apelo, embora viéssemos a fazer face a muitas dificuldades.
E assim foi! E assim é!

É humildemente que ofereço este tratado sobre o Espírito da Luz, presente tanto no homem encarnado no mundo da matéria, como desperto na alma além da experiência física.
A mensagem é dividida em duas partes, mas é simples e directa. Primeiro, para ilustrar o trabalho do Espírito de Deus o Criador na Sua Criação, e na Sua evolução; e segundo, as almas dos humanos e as almas daqueles que passaram da Terra e que são um no Espírito de Deus.

A comunicação por um meio adequado e com o propósito de elevar é possível no verdadeiro entendimento da vida no Espírito. Todos os homens possuem almas. Devido a que o desenvolvimento de tais almas seja desigual, cabe àqueles que se encontram nesta consciência acudir e guiar os seus irmãos no complexo plano da existência humana.

As pessoas ao viverem no plano terrestre sempre formularam diversas ideias acerca da possibilidade de vida após a morte do corpo. Tais crenças e esperanças estenderam-se desde a velha convicção do céu e do inferno através de graus de existência, até mesmo ao grau ateísta da completa e absoluta escuridão do túmulo. Esta última especulação podia, evidentemente, não passar de uma falsificação da questão, devido ao medo interno presente nas mentes de tais crentes. Mas também representa uma afirmação que faz de toda a criatividade, de toda a lei e ordem existente na vida, bem como da evolução das espécies, conforme a vimos e conhecemos ao longo das eras, um disparate.
Em primeiro lugar nega um Criador ou de um Plano criativo. As próprias estações o negam. Poderá o descrente ignorar o milagre da Primavera, quando a vida regressa à relva aparentemente morta da terra?

Um mundo adicional após o término do intervalo da existência material é aceite pela maioria dos praticantes Cristãos como uma espécie de paraíso onde tudo é perfeito, onde Jesus vai ao encontro de toda a alma recém-chegada no caso dos cristãos, e claro está, diferentes Salvadores mundiais no caso de seguidores de outras confissões religiosas, após o que se instalam numa felicidade monótona e interminável.
Será isso o Paraíso? Certamente que não concorda com as narrativas de almas empreendedoras que se empenham no rompimento do silêncio do temor das suas crenças de infância.
Isto é Vida e não a pálida teia da intriga, egoísta domínio e medo característico do mundo da humanidade. A esse respeito não existem serviços policiais, nenhuma defesa contra outros poderes, qualquer dinheiro que governa a principal influência sobre as almas terrenas.
Esta é uma nova consciência, uma compreensão alterada e percepção dos valores. É uma terra em que a paz e a alegria constituem a norma, ao contrário da guerra e do sacrifício.

Somos almas, e agimos e pensamos de acordo com um nível diferente de entendimento. À medida que nos desenvolvemos e crescemos aqui habilitámo-nos a entender a vida que vivemos, bem como o progresso que tivermos ou não conseguido no plano da Terra. À medida que evoluímos encontramos maior compreensão, e dá-se uma mudança na nossa maneira de pensar.

Há, evidentemente, aquelas almas tímidas que levaram vidas sem inspiração, que se encolheram diante das ideias novas, e que se arrastaram vagarosamente ao longo das suas experiências terrenas sem compreensão ou qualquer vestígio de iluminação. Essas almas poderão preferir viver aqui, reunidas com os seus entes queridos e amigos que não buscam mais do que ficar em paz e descanso na beleza deste mundo.

Não há leis que os mudem, ou que interfiram com o seu gozo estático. Ele prossegue até que o seu espírito cresça dentro delas, e as almas despertem para um novo começo. E isso sucede sempre – até mesmo, porventura, após o que designariam por centenas dos vossos anos terrestres. O progresso pode ser lento e estável, assim como imediato e cativante. Todos os tons de evolução são satisfeitos neste mundo do Espírito.

Mas há um importante desenvolvimento que preciso aqui realçar. Manifestar-se-á o desejo de auxiliar amigos e entes queridos deixados para trás na Terra? Esse é um problema difícil, por as pessoas na Terra não compreenderem a unidade subjacente à doutrina de Jesus que trouxe a Luz do Espírito à Terra.
As palavras que ele proferiu: “Ainda hoje estarás comigo no Paraíso,” e “Eu estarei convosco, até ao fim do mundo,” e “O Reino dos Céus acha-se em vós,” possuem uma conotação diferente daquela que a humanidade lhes deu.
A Luz acha-se aqui neste mundo de consciência refinada, porém, a Luz acha-se presente na alma de todo o homem, mulher, ou criança, no plano terreno.

O Espírito é a Luz e a Luz constitui um desafio, pois quando a invocam, nela acreditam, a reverenciam, e se torna na própria vida, e marcos e o bem-estar, curam e espiritualizam todas as coisas. Esta percepção de um Espírito Criativo, o Deus da vida num mundo em evolução podia alterar o medo numa paz e acelerar a evolução animal e humana rumo ao espírito. Ao se realizar e tornar vivo esse princípio para as almas que se encontram aqui, assegura uma maior compreensão e compaixão não só para com as semividas da experiência terrena como assegura o desejo Cristão de auxiliar. Todos somos espíritos na essência, e certamente seria natural que o fôssemos.

CRUZAR A MARGEM
Estrela do crepúsculo e da noite,
E um claro chamamento por mim!

Que da margem não me chegue pranto
Quando eu partir para o mar,


Que a maré movimentada pareça adormecida
Cheia de mais para sons e espuma
Quando quem saiu das profundezas sem fim
De novo a casa regressar.

Alfred Lord Tennyson

Frances parecia sorrir-me!

"Tanta gente," disse, "parece sentir-se aterrada com esse estado a que chamam de morte. Torturam-se com pressentimentos de longos e escuros túneis, de uma ponte a atravessar, ou de uma derradeira jornada pavorosa a percorrer, sós e aterrorizados. Outros, ligeiramente céticos, arqueiam o sobrolho, adoptam ares de indiferença e de sabedoria, dizendo que não é nada de mais, que seja somente passar para um outro aposento.
Depois o ateu, o homem da desgraça ou morte, para quem ninguém sabe nada acerca disso; apenas se é enfiado num buraco no chão e isso é o nosso fim. Ressurreição? UM conto de velhas viúvas!

"Existem efectivamente amostras da ignorância da parte dos recém-chegados que se podem registar - ou talvez do retorno dos que viajam para essa popular designação de vida após a morte. O que, para início de conversa, constitui um equívoco. Na nossa maneira de pensar, a palavra "morte" possui uma conotação errónea. A morte implica inércia, o que é errado, por não existir momento algum em que a própria vida conforme ela verdadeiramente é, não tenha tido início.
Por a própria Vida, no instante da partida, apenas descarta uma casca inútil. A Vida ainda se acha presente na mente, na alma, e geralmente na compreensão. O corpo humano que é formado por partículas refinadas da substância terrena, retorna simplesmente ao seu estado original.

"Em muitos casos da experiência que a humanidade designa por morte, a mente, mesmo separada do cérebro físico, pode achar-se activa. Por exemplo, os que viajam por esta mudança de consciência do material para o etéreo, em vez do espiritual, possui conhecimento, ainda que turvo, da mudança, e não tem qualquer recordação de qualquer dor. Caso passem por uma experiência de terror, será por o esperarem. As imagens lúgubres impressas sobre a mente da alma por parte de ensinamentos equivocados de infernos e agonias torturantes tornam-se reais. Isso dever-se-á ao facto da mente da alma, motivada pela perda do cérebro e dos centros nervosos, ainda reter imagens profundamente impressas. O novo aspecto da alma, e o poder que tem de pensar, ainda não se terá desenvolvido. Tão prontamente a alma desperte, conforme vocês dizem, ou tome consciência de si, conforme achamos mais apropriado dizer, todo o medo retrocederá.

"A alma terá regressado a casa e é saudada por múltiplas formas diferentes. Poderá instaurar-se um sono profundo, que na realidade constitui uma ligeira recaída da alma em si mesma a fim de gerar a sua nova actividade que se aproxima na paz do espírito. Quando desperta, ter-se-á tornado numa alma consciente.
Será isso demasiado difícil? Confio em que o leitor não o ache. Sabemos que o corpo de um bebé recém-nascido no plano terreno precisa passar por um período de desenvolvimento e de crescimento antes de poder passar a existir no mundo material. Entretanto a alma paira sobre ele a aguardar o momento da sua reunião.
Na verdade, o nascimento e a morte, no plano material consistem no ajustamento da consciência da alma do seu verdadeiro nível em relação ao seu papel diferente e menos activo.
A morte do corpo humano não deveria apresentar terror algum e sempre que fosse permitido ensinar esta ideia por parte das diversas religiões praticantes do mundo, um grande papão teria sido removido do pensamento ulterior das raças.

A própria experiência por que passei para esta vida pareceu ter-me sido simplificada. Conforme afirmei no Testemunho de Luz, nada senti até acordar e vi a minha querida madre Florence tal como a tinha conhecido na Terra, sentada ao lado da minha cama. Esse reconhecimento inicial tinha sofrido uma mudança, claro está, por ela já se ter tornado na alma elevada que é, enquanto a compreensão e apreço que tinha se tinham, creio bem, aprofundado com as diversas experiências por que passei.
Mas este capítulo é sobre a transição, como nós lhe chamamos, de modo que vou prosseguir.

"Conforme mencionei, a minha própria transição foi misericordiosamente auxiliada, talvez por causa da grave e dolorosa doença que me torturou o corpo terreno, de modo que eu acolhia as perspectivas defronte com alívio e verdadeira esperança. Talvez também por a minha alma e corpo se encontrarem completamente exaustos, pelo que terá parecido que tenha recaído num vazio até acordar revigorada. Não me recordo de nenhum túnel ou ponte ou outeiro. Era como se eu não fosse nada, e o alívio posterior às agonias deverá ter parecido um céu para a minha alma transmissora.

"Mas outros aqui relataram experiências, e preciso concordar que a maior proporção deles deva ter cumprido a síndrome do túnel. Contudo, a maioria das almas que se aproximavam experimentaram o alívio de encontrar alguém a seu lado, ou de encontrarem uma Luz à sua frente. Outras almas, porventura mais aventurosas, recordam a ponte. A muitos terá parecido que o passo dado no sentido de entrarem nela terá representado um acto da vontade, a seguir ao que tudo correu bem - e a alma encontrava-se no seu caminho.

"Um tipo diferente de alma que regressa elege a experiência, e digo elege intencionalmente, através de um vasto mar. O nosso poeta citado no verso acima referido mantinha essa imagem gravada na alma - de modo que o provável é que eventualmente viesse a ser realizada. Vindo de um grande poeta, um mestre na sua arte e uma grandiosa alma que conhecia o Espírito, Iisso traz-me à ideia a probabilidade de que almas avançadas destituídas de medo ou de ignorância possam muitas vezes optar uma partida consciente das suas almas assim rumo a uma consciência mais elevada. Eu não sei, apenas conjeturo que essa seja a ideia da passagem de uma alma elevada.

"Precisamos agora voltar-nos para aqueles que tolamente planeiam o próprio tempo e método de abandono da vida material. Eles não percebem que não há como escapar à sua própria alma - mesmo que rejeitem o seu corpo por meio do suicídio, estão a fazer de Deus e a usurpar o direito que o Criador tem sobre a Sua Criação. Por existir um tempo para todas as coisas - um tempo certo. E isso sucederá na devida altura para o potencial suicida, e não quando a sua mente terrena o quiser. Existem dificuldades quando uma alma dessas chega despreparada para esta transição. A experiência que tive com alguns deles realça os perigos desses trânsitos precipitados. Por tudo ser ordem e uma alma que chega se achar obviamente em desordem.

"A morte do corpo material pode ser e deveria ser uma bela experiência da alma a regressar a Casa.

Helen Greaves

Uma história interessante e reveladora poderia ser relatada a título de elogio das palavras finais empregues pela Frances neste capítulo.
Uma amiga minha que já tinha passado os noventa sentia-se muito cansada da sua prolongada vida. Certa noite, telefonou-me para me pedir se eu poderia orar para que morresse. Não pude concordar em fazê-lo de modo que lhe disse que o tempo chegaria para o término da sua vida.

A minha amiga tinha sido uma mulher animada e divertida, só que de um carácter difícil. Perto do fim da sua vida os lares de acolhimento que a tinham aceite como paciente queixavam-se das exigências que fazia às enfermeiras. A pobre velhinha, que certamente sofria muito, tinha sempre reclamações a apresentar e parecia nunca aceitar qualquer serviço ou mudança implementada.

Eventualmente, no seu nonagésimo segundo ano de vida ela teve a habitual queda que tão frequentemente constitui o prelúdio do fim. Quebrou alguns ossos e ficou inconsciente, Jamais recobrou a consciência e morreu cerca de uma semana após a queda. Ao seu funeral compareceram muitos que tinham apreciado os seus anos de juventude, e as flores foram magníficas. Achei que a minha amiga deveria sentir-se agradada. Pois não sentiu! Cerca de uma semana mais tarde, encontrava-me sentada à janela do meu chalé a tratar de completar as palavras cruzadas do Daily Telegraph quando subitamente senti como que um berro no cérebro e escutei um nome repetido duas vezes. Era a minha falecida amiga. A conversa dela começou veloz, exactamente conforme ela costumava falar, distinta e objectiva.

Não sabia que me encontrava morta, Helen.
Nem tempo me deu para pensar e prosseguiu
Acordei numa cama estranha e perguntei à enfermeira por que me tinham mudado! Ela respondeu que eu tinha ido para ali. Porquê, perguntei eu, ao que ela respondeu que eu tinha morrido.
Eu estava certa de não ter passado por tal coisa, e disse-lho!
Então ela trouxe uma outra enfermeira e ambas insistiram em que eu tinha morrido.
Cheguei mesmo a brigar com elas, Helen. Acredite.
As palavras dela vieram com tal brusquidão que não consegui fazer qualquer comentário.
Sentia-me tão irritada, continuou ela, que não consegui acreditar que tinha falecido!
De repente ficou em silêncio.
Mas não até ver Frances Banks tranquilamente sentada aos pés da minha cama!
Seguramente que este terá sido um caso de uma jornada de morte despercebida. Passado um instante veio o pedido.
Escreva à Senhora Fulana de tal a dizer que eu parti e que voltei para conversar consigo. Sempre lhe prometi que procuraria fazer com que soubesse.
Só a minha velha amiga! Eu levantei-me, escrevia a carta descrevendo a entrevista que tivera e enviei-a. A resposta veio de imediato e cheia de gratidão, dando-me a saber que ela sempre lhe tinha prometido, Uma amiga querida - mas só ela para resmungar e se queixar daquilo por que ansiava que acontecesse! Deus a abençoe!

Conforme a Frances tinha escrito, e velha senhora não tinha percebido a passagem; e não seria ela exactamente cinco minutos após a morte a mesma que cinco minutos antes? Era de facto!

O MUNDO DO PENSAMENTO

A vida faz sentido, insiste a Frances. É um excepcional exemplo de lógica, um padrão de tentativa e erro, enganos, fracassos e êxitos: A Vida é eterna, e o Plano é perfeito.
Esta é uma das profundas experiências que aparecem nesta dimensão espiritual durante os estágios iniciais da sua nova vida após a alma se ter finalmente separado do corpo material.

Para aquelas almas que aqui chegam com alguma ideia desta Lei da Vida é uma grandiosa e gloriosa revelação. Para os pobres de espírito (no sentido de ingenuidade), os não pensadores, os descrentes com relação a qualquer esquema da Evolução o despertar neste Mundo do Espírito pode ir além de toda ideia pré-concebida; a experiência imediata pode ser avassaladora, e criar uma necessidade de um tratamento especial.

Isso foi o que procurei explicar a um homem de negócios que jamais pensara que tinha uma alma, ou sequer que era responsável pelos actos materiais da sua vida entre os homens. Ele foi recebido por um homem a quem ele arruinara tão completamente que ele atentara contra a própria vida - Charlie Brookes. Esse fora um choque necessário para lhe apresentar a primeira lição que ele precisava aprender, a realidade da própria vida e a realidade de que a morte do corpo físico apenas enfatiza a realidade da vida.

À medida que a raça humana progride a alma humana reterá algum do seu conhecimento, para o efeito da mente transformar a ignorância e o descrédito num grau qualquer de revelação e de compreensão.

Para aqueles que tenham dado atenção ao ser interno e tenham tentado viver de acordo ou que tenham prestado atenção a tais ensinamentos dos seus líderes espirituais - muitas vezes de forma inadequada, contudo desajeitadamente útil - a percepção da vida seguinte constitui um maravilhoso despertar. Para eles a morte não passara de um processo de abandono de um compartimento para passar para outro, de uma vida para uma experiência mais grandiosa.

A vida faz sentido, o seu despertar e percepção, tal como fez a minha quanto contemplei a minha querida Madre Florence.
Como esse fora o despertar da minha amiga Frances, e fora registado no Testemunho de Luz, não vou adiantar muito mais. Bastará dizer que me convencera da realidade do Pós Vida.

Esta manhã a Frances acordou-me para dar continuidade à sua história.

"Tem vindo a querer saber sobre o homem comum e convencional que aqui chega," prosseguiu ela. A maioria da humanidade não pensa. Não faz a si próprio qualquer pergunta, tal como Quem sou eu? Que coisa serei? Porque me encontro aqui? Que terei vindo fazer? Perambulam de um dia para o seguinte aceitando a sorte que lhes cabe, e crendo das diversas doutrinas que lhes são impingidas em criança.
A massa da humanidade jamais questiona. Entorpecem o seu intelecto com histórias românticas frívolas, ou com as aventuras por que outros passam nos altos mares ou nas montanhas, ou então excitam e aterrorizam a sua mente com histórias de fantasmas ou ocorrências mágicas ou tornam-se viciados nos mistérios de assassinato.

"Quer saber o que lhes acontece aqui. Bom, muitos deles não mudam. Após o choque inicial do despertar acolhem as suas famílias e parentes amados, e assentam alegremente na sua nova vida, sem mais questionamento, e muitas vezes sem o desejo de progredir. Muitos decidem que estão a sonhar, até que algum incidente, alguma conversa com uma alma elevada lhes desperte a compreensão e anseiem por aprender mais.

"Não se compadeça deles nem os condene. Nós não mudamos num piscar de olhos. Nós ganhamos cada passo de progresso que damos mas depois não existe qualquer convênio, quer de carácter persuasivo quer de ameaça que seja usado para forçar o nosso progresso.

"Aqui, conforme Jesus disse, vamos ocupar o lugar preparado para nós; e tal lugar precisa ser merecido pelas acções que cometemos na vida terrena. Muitas almas não se encontram nem mesmo preparadas para passar em revista as suas experiências passadas no corpo, e nenhuma outra alma as forçará a fazê-lo.

"Tudo é Espírito, e o Espírito opera com perfeição. Não carece de tempo que representa uma conveniência terrena, e as almas simples aprendem a ajustar-se e a encontrar paz e muitas vezes uma felicidade que nunca tenham antes experimentado.

"Será, porventura, pois, que muitos anos volvidos após a sua retirada que a alma sobrevivente começa a despertar e a buscar o progresso. E existem muitos auxiliares para os ajudar.

"O mundo do pensamento é tão completamente diferente do plano material de que procedem as almas recém-chegadas aqui que um verdadeiro significado e compreensão se tornam muitas vezes prolongados para elas. Não há conversa em voz alta, como na Terra, por os órgãos da fala não mais fazerem parte de nós. Contudo, conseguimos comunicar livremente uns com os outros.

Porque neste mundo, como no vosso, o recém-chegado precisa aprender novos modos. O corpo material, a mente humana limitada, a personalidade temporária falecem. O habitante deste estado de consciência não mais tem necessidade deles.

“No Mundo do Pensamento, a Mente constitui o elo de comunicação. A Mente também representa a energia e o propósito da vida contínua do Espírito. Por o Grandioso Espírito Criador Divino a que chamamos de Deus constituir o Poder vivo, motivador e criativo aqui, conforme o era no plano terreno. Apenas na Terra as almas descobrem que tal Poder poderia ser usado para o bem ou para o mal. Aqui, tais desvios do verdadeiro e do bem podem ser prontamente observados, enquanto no mundo da matéria podiam ser ocultados e desse modo sofrer agravo.

“Cheguei à conclusão desde que estou neste Plano do viver, que se encobre os pensamentos reais com a palavra proferida. Aqui, o pensamento fala ao pensamento. Por outras palavras, torna-se impossível ocultar o que quer que seja. O Sentido é comunicado directamente entre as almas. Este é um pressuposto muito difícil, poderei tentar explica-lo da seguinte maneira: A Mente é a pessoa O Pensamento forma o padrão da alma, tal como o faz no mundo da matéria. Unicamente aqui são reconhecidas por esses padrões de pensamento e não pela palavra proferida, ou pelas acções transformadoras da pessoa. Nisso reside a diferença. Não precisamos esperar pela acção ou sequer pela palavra para contestar ou confirmar ou qualquer outra coisa qualquer o pensamento. Somos revelados tal como somos, e até mesmo pelo nosso ambiente.

"Há uma aura a circundar as pessoas no mundo da Terra e isso, devido a que habitualmente não possa ser vista pela visão humana, é rejeitado pela maioria das pessoas. Ela pode ser claramente revelada àqueles que possuem o dom da visão interna, mas aqui no nosso Mundo do Pensamento, tal Cor e Luz tornam-se numa forma definitiva. Creia-me quando lhe digo que tais vestes de Luz e de Cor, que me tem ocasionalmente sido permitido ver estão para além das palavras para podermos descrever a sua beleza e o esplendor da sua Luz, mas tais vestes aparecem ao redor dos Grandiosos, das almas avançadas, dos Seres Angélicos. Tal beleza deve na verdade, creio eu, envolver o próprio coração da Força Criativa do Espírito Divino, e do Poder de Cristo dentro dele.

"O Espírito é Criativo, e o homem formado a partir do Espírito do Criador evolui e desenvolve-se nessa Luz tanto aqui como no vosso plano terreno. Somente aqui a evolução é mais clara definida, por não nos podermos esconder por detrás de uma forma terrena nem de uma personalidade dividida. À medida que a raça humana aprende a viver mais na sua Mente Superior e menos nos apetites e desejos do seu ser inferior, também o mundo da matéria se alterará, e a conduta do homem para com o seu irmão progredirá rumo à harmonia. A destruição trazida à Terra e aos seus habitantes é provocada pelo pensar consciente das pessoas. A escassez é provocada pela ganância do homem presente na consciência que tem das florestas produtoras de chuva pelo preço da madeira. Uma política de vistas-curtas para com as secas trazem a profanação e os resíduos das regiões desérticas. O excesso de produção da terra fértil e a extração do solo de químicos e de minerais, deixam as searas desprovidas do alimento essencial e a terra torna-se inútil. A pesca excessiva nos mares e nos rios diminui os cardumes.

"A natureza constitui uma amante difícil. Trabalhem contra ela e o Espírito da Natureza retribuirá da mesma forma. Não se poderá, pois, perceber que recessões, surtos de fome e inundações  são da responsabilidade do homem e que demonstram a falta de verdadeira consciência de que padece? No mundo da matéria o homem cria e o homem destrói. Somente o verdadeiro Espírito cria aqui no Mundo do Pensamento. Daí que o ambiente de que gozemos esteja para além da beleza passível de descrição e a natureza abençoe todos com esplendor. O Pensamento constitui a semente e o solo fértil. No entanto este Mundo não passa de uma das Mansões da casa de Deus. Existe evolução dentro de uma evolução superior, num esplendor maior. Por o Espírito do Criador acha-se em constante criação e evolução, e a própria Vida é eterna no seu mistério e esplendor.

"A probabilidade do homem se tornar anjo após abandonar o plano terreno, doutrina que foi acordada no mundo medieval, não parece apresentar qualquer verdadeira base factual. mas que aqui existam seres de evolução Espiritual gloriosa, não me resta a menor dúvida. Existem Mundos Espirituais para além da nossa estreita concepção.

"Na Bíblia ficamos a saber que Lazaro percebera que existia um enorme abismo se fixara entre "o vosso mundo e o meu." Da mesma forma, devem existir enormes abismos que se fixaram entre os Mundos do Pensamento e os Domínios Espirituais. Todavia sabemos, à medida que prosseguimos em frente, que tudo é possível à alma que regressa à sua Origem. Essa é a convicção mais convincente e possível que se forma à medida que avançamos pelo Mundo do Pensamento, ou regressamos ao Mundo da Matéria para mais um grau de experiência.

"Aqui no Mundo do Pensamento, a alma assim que se revigora e encontra repouso dos seus anos terrenos, das preocupações e dores, aprende a ajustar-se às suas novas condições, o que muitas vezes pode representar um lento e prolongado processo, dependendo das experiências da alma, e aqui, conforme no Mundo da Matéria, há graus de avanço. O pensador, o artista, o poeta, o escritor, o servente da humanidade, a pessoa dedicada ao serviço em prole dos seus companheiros, todos eles se formarão rumo ao devido lugar que merecem.

"Aqueles cujas vidas tenham sido egoístas e arrogantes, sintonizadas com a consecução dos seus próprios desejos, serão atraídos  para uma outra sociedade agradável mas possivelmente menos construtiva. "Na Casa de meu Pai existem muitas Moradas" - habitações, moradias, como na Terra, mas podem variar consideravelmente. No entanto o termo "Mansões" parece transmitir uma certeza de que a beleza, a harmonia e a paz também aí residam.

"Na curta experiência que tenho aqui, descobri que isso é assim. As almas ajustam-se às suas novas vidas. Aprendem a controlar formas de pensamento em que edificam e reconhecem os erros que na Terra terão provocado tanta infelicidade. Aprendem a perdoar e a esquecer querelas, feudos, ciúmes, e fracassos decorrentes da sua vida terrena; descontraem e crescem na nova compreensão da unidade existente por entre o esplendor e assombro desta nova vida. Lentamente trabalham em prole da compreensão, muito embora de uma natureza imatura, do papel que a humanidade tem no esquema divino da Vida.

"Nessa diversidade de níveis de abordagem do pensar alguns encontram paz, outros o desejo de servir, alguns o anseio pela grandiosa Sabedoria das Esferas, enquanto outros formarão interesses e desenvolvem nova técnicas que desejam trazer de volta à Terra a fim promoverem uma melhor compreensão do viver humano.

"Nós ainda somos "nós mesmos" aqui, com o Si Mesmo a revelar-se com uma maior facilidade à medida que as velhas inibições são descartadas. Esta é a delicada Vida do Espírito em que a alma no seu progresso se move e pensa e encontra o seu ser. mas existem outras moradas em que o pequeno eu ainda persiste com todas as suas irregularidades e onde os desejos do mundo material ainda têm primazia. Chamei-lhes Regiões Inferiores, o que não representa termo privilegiado. Aí se encontram os desajustados. Almas empobrecidas e esfomeadas incapazes de se estimar para além da vida física. Os habitantes são mais tristes do que perversos e deixam-se perder pelos contínuos apetites que têm pelo passado - pelas avaras, pelas mesquinhas, pelas fracas súplicas por bebida e por drogas; pobres almas perdidas que não podem ou não poderão reorientar as suas vidas e pensar. Falarei desses lugares num outro capítulo. Suficiente será dizer que existem muitos auxiliares oriundos das Elevadas Esferas que trabalham incessantemente no sentido de elevar a estagnação dos desejos terrenos. Lentamente, as almas são libertadas dos seus próprios cativeiros e ajudadas pelos Irmãos de Luz a subir para o verdadeiro Mundo do Pensamento onde eventualmente encontrarão a paz.

"Dizer que exista "alegria no céu" com tais retornos ao Espírito de tais filhos e filhas pródigas é de facto verdadeiro...

Helen Greaves

Uma manhã, ao me sentar num banco junto ao rio, notei um emaranhado de ervas daninhas e de ramos caídos que passava por mim na corrente do rio; sobre eles iam três pequenos patos sentados empoleirados de forma confortável no próprio ninho de ervas, eles deixavam que a corrente os transportasse. "Estão a tirar um dia de folga," pensei, "enquanto se deixam carregar pela balsa, e deixam que a água corrente faça o trabalho!" Dei por mim a rir à media que passavam por mim.

"Estão a deixar que a corrente os transporte!" Repeti para mim própria. De súbito soube. "É o que eu devia estar a fazer!" Censurei-me mim própria. "No entanto, aqui estou, a lutar contra a corrente - e a perder!" Foi o momento de verdade. Eu orava por que me fosse possibilitado continuar a escrever, e já tinha desistido. Estava a dizer que era demasiado velha - e a Frances tinha partido. Seria esse o modo por que ela deveria ter agido? Mexi-me a ergui-me. Não, ela teria continuado e feito por escrever. Virei os meus passos de volta a casa, fui directamente até à minha escrivaninha e desatarraxei a tampa da minha caneta tirei papel de ofício e comecei a escrever.

"Há quatro histórias que gostaria de lhe contar," dei pelas palavras a escorrer da minha caneta. São narrativas curtas de quatro diferentes chegadas ao meu mundo, e do que lhes aconteceu."

Parei de escrever: com que então Frances encontrava-se aqui de novo. Talvez ela tivesse estado o tempo todo a meu lado - e eu não me tenha detido suficientemente para a ouvir! A inspiração chegou qual explosão de luz do sol após uma manhã tempestuosa. Escrevi rapidamente.


SERVIÇO E RAZÃO

Frances Banks

Todo o serviço tem o mesmo valor para Deus, escreveu Robert Browning.
Essa Verdade é uma que o recém-chegado a este plano da consciência descobre mais cedo ou mais tarde; e que ele estabelece na sua própria compreensão. Apenas com base no seu próprio esforço e busca do valor da recente vida passada na Terra poderá esta Verdade tornar-se clara à sua avaliação com respeito aos sucessos ou fracassos que tenha tido.

Muitos são os que… na verdade, uma vasta proporção dessas almas libertas não consegue enfrentar a avaliação nua das suas vidas materiais. Mas não recebem qualquer persuasão da parte de outros para o fazer quer se trate de amados, ou inimigos odiados ou desprezados do passado. E as almas grandiosas, a quem reverenciamos enquanto Mestres de Sabedoria jamais interferem, muito embora, com uma compreensão silenciosa, procurem acender a chama do Espírito em tais almas entorpecidas, aterradas, ou complacentes que se recusam a enfrentar o inevitável.

O Espírito de Deus o Criador na homem abrange todos os ramos do Espírito, tal como o Espírito da Beleza, que abrange a Arte, a Música, e Poesia e o progresso, a realização e até mesmo o sacrifício quando ele se aplica em prole do bem, da verdade, da sabedoria e de atributos que tais que por vezes surpreendem o mundo com a grandeza que carregam, contudo parecem ter… “nascido para morrer despercebida, e desperdiçar a sua doçura no ar do deserto.” (Thomas Gray 1716-1771)

Aqui, nesta consciência, não existe linha de diferenciação entre o serviço terreno de um Presidente ou Primeiro-ministro, ou o serviço menos triunfante de um humilde servo, um trabalhador por entre os pobres, um humilde sacerdote, uma enfermeira, uma amada esposa e uma sábia e gentil mãe que devote a sua vida ao encorajamento dos talentos que brotam nos filhos, e os verdadeiros valores da vida que lhes transmite.

Quando a alma por fim se afasta do corpo material e renuncia a todos os desejos e conquistas por que ansiara pelo pensar limitativo materialista da mente humana, descobre-se purgada de toda a experiência, como se não tivesse passado de um sonho. O desejo evapora-se com ele, e a conquista, a honra e o poder passam a ser vistos num contexto completamente diferentes. Essa é a reacção inicial do corpo após a morte. A alma vê-se, por assim dizer, despida nos seus novos arredores, exactamente com a criança humana chega despida à consciência terrena.

A morte a o nascimento acham-se ambas estreita e inevitavelmente relacionadas. O nascimento é o começo da morte eventual: e a morte é o advento, assim como o retorno, à consciência do Espírito. Depende do quão profunda e completamente o Espírito tenha baixado à consciência terrena restrita para que a Realidade do Espírito se torne reconhecida. Nos estágios iniciais da vida aqui, a alma recém-chegada sente-se muitas vezes aturdida, e carece de muito cuidado. Geralmente – naturalmente existem excepções – após acolher os seus entes queridos e de se deleitar no momento com a própria recuperação da dor e se livrar das restrições terrenas, a alma sente necessidade de descanso. Depois retira-se para dentro de si mesma a fim de repousar e de recuperar. Durante essa experiência em ambientes de grande beleza e paz, é tratada por almas treinadas para tal serviço. Por quanto tempo, nos termos da Terra, poderão estender a sua estada depende de muitos factores – da utilidade ou desperdício das suas vidas, das suas conquistas ou dos seus fracassos, e da força e do propósito da alma. Por vezes tal repouso é prolongado, por vezes um curto período materializa-se em realização, compreensão, e no desejo de aprender mais e de compreender, ainda que de forma fraccionada, o sentido, a responsabilidade, e o alcance e a consecução até então, da alma.


Tal como as crianças da Terra aprendem a caminhar, a escrever e a falar e a viver nesta nova e irrestrita consciência, também aqui as almas aprendem a “ser,” a conhecer, e acrescer para a vasta percepção da Realidade da Vida que não tem fim. Lentamente e com infinito portento, os nossos verdadeiros eus percebem e maravilham-se com o Experimento Divino da essência da alma a descer à matéria grosseira, para poder evoluir através da experiência de volta para o Eterno de que partiu.

Esse grandioso Experimento já sofreu um avanço, e já foi retardado pela falha para avançar de novo por milhões dos nossos anos luz. O homem não consegue visualizar-lhe fim. Somente o próprio Criador, a Origem, o Próprio Espírito pode observar e monitorizar, já que Ele avalia o progresso com falhas.

Esta realidade é aqui percebida por todos os credos e raças da mesma forma. Por todas as religiões assentarem na crença de um Poder, numa Força do Espírito que abrange tudo e é eterno. Nos Salões da Aprendizagem das Artes, da Medicina, da Música, indivíduos de todas as raças descartam as diferenças que os separam e trabalham juntos em equipas. Este é o Mundo do Espírito, e não o plano da multiplicidade de nações.

Para as almas jovens que ainda precisam experimentar muita existência material, viver aqui quer com as suas famílias, os seus amados e amigos, ou em perfeita harmonia, a alma experimenta a “essência” do Espírito. Quando estiverem preparadas, propor-se-ão ao serviço nos muitos campos abertos a elas, ou optam por aprender e experimentar no espírito do progresso nos grandes salões. Muitas almas têm aqui permanecido por muitas centenas dos vossos anos. Mas o tempo não tem importância. Assim que estiverem preparadas avançarão. Por este ser o Mundo do Espírito e não a experiência limitada da existência material. Não existe pressa prematura alguma, e a nenhuma alma é permitido prosseguir além da estatura que já tenha alcançado. Mesmo em períodos de intenso avanço e conquista nas Universidades do Espírito, uma alma contribui igualmente para a ajuda “caridosa” junto daqueles seus irmãos que não tenham avançado tanto no caminho.

Aprendizagem, avanço e serviço aqui contam para a vida do Espírito. Aqui aprendemos que o Espírito constitui a própria força sem a qual a vida não possui sentido, quer no mundo material ou aqui no Mundo do Pensamento. É, ou devia ser, o pilar da nossa própria existência. Este Espírito de Deus (Bem) é uma parte constante de nós, é sempre a energia interior secreta, quer estejamos conscientes disso ou não. Não nos abandona quando o corpo morre. Na verdade, com a liberdade das restrições da vida material, o Espírito é libertado para uma maior compreensão.

Contudo essa não é uma mudança fácil para os recém-chegados a este mundo. Na verdade esta mesma ideia foi transmitida à escritora deste livro da parte de um querido amigo que tinha “falecido” recentemente. “Desejara conhecer mais sobre este novo mundo,” foi-lhe dito pela amiga dela. “Torna-se muito difícil compreender.” Foi igualmente proferido pelos lábios de uma jovem moça de cerca de catorze anos de idade. “A minha tia veio a mim e disse-me quem era” – a jovem nunca tinha visto a relação que tinha. “Ela disse que tem estado ali há vinte e cinco anos. Ela disse que tem sido difícil mas que agora está feliz.”

Por as crenças que temos no céu e no inferno terem estado baseadas em concepções materiais, aquelas almas que tenham aqui chegado ou estejam a chegar, têm dificuldade em compreender ou em avaliar as novas condições sem terem previamente “reconhecido” o Espírito Interior dentro delas. Daí a surpresa e a provável consternação por todo o serviço valer a mesma coisa para Deus, que lhes dificulta o avanço. Na Terra, homens e mulheres são elevados à honra pela sua devoção para com o dever e o serviço. A riqueza e a facilidade de vida, a responsabilidade e a fama são ganhas por um bom serviço. No Mundo futuro, ou assim não tenha aprendido, tais honras como as que aqui são alcançadas, as fortunas são acumuladas para serem descartadas pelas faculdades humanas. Elas valem tanto quanto o êxito de uma boa mãe, um servo diligente e leal, ou um humilde cura que sirva o seu Deus na obscuridade e na rotina monótona. Mas a compreensão do Propósito por detrás de tal Lei é, sem dúvida, difícil e lenta na observação. Mas assim, também, a percepção do facto de estarmos aí para aprender, para descobrirmos quem e o que somos, e assim avaliar as nossas vidas e as nossas experiências como na vida do Espírito.

Sinto que para fechar esta parte do capítulo deva citar o extracto completo do glorioso poema de Robert Browning, “Pippa Passes,” por um entendimento como o de nos preparar a alma para a vida após a morte nele se tornar claro.

Todo o serviço vale o mesmo Para Deus
Com Deus – cujos bonecos melhores e piores
Somos nós; não existe último nem primeiro.

A alma do homem é o juiz e o júri As nossas vidas terrenas não são unicamente instantes da experiência, mas padrões inevitáveis na Eternidade. A vida terrena revela o progresso da alma em anos de serviço bem-sucedido ou no fracasso para cumprir o próprio padrão espiritual. Quando a morte ocorre e a vida termina, a alma passa para uma experiência adicional. A obscuridade da consciência da Terra que não tiver sido penetrada pela luz do espírito adere à alma recém-liberta do corpo humano. Jesus no seu ministério falou com clareza acerca da vida seguinte. "Na casa de meu Pai," disse ele, lugares são preparados para toda a gente e cada um de nós vai para o lugar preparado para nós. O termo "lugar" neste contexto torna-se difícil de entender. Por o mundo seguinte não constituir um lugar, mas antes um estado de espírito.

(NT: Aqui cumpre referir, para uma maior elucidação do leitor, que o "local" não é preparado por ninguém mais excepto nós, que durante a nossa vida terrena cunhamos o "molde" porque nos passamos a reger, "molde" esse que uma vez no estado seguinte passa a valer como "a verdade" que prevalece, uma vez que bens e posses não mais se fazem necessários para aferir a verdade da alma)

Assim, quanto mais elevada e expandida for a alma, quanto mais compassiva, e despretensiosa e espiritualmente avançada, mais belo será o lugar, ou a consciência para que será atraída. Decerto que, se pensarmos bem neste facto, alcançaremos a sua verdade e o "Céu" será o nosso destino.

Neste  mundo o nosso nível foi bloqueado e enegrecido por aquilo que designamos como "pecado" que reconhecemos como crueldade, cobiça, ciúme, licenciosidade e perversão da verdade. Almas em todos os estágios passam por este mundo do Pensamento. Quer optem por ficar pelas zonas sombrias dos mundos inferiores ou nas terras altas da paz e do repouso e das oportunidades de crescimento, é uma questão que fica ao seu critério.
Como sabe, eu, Frances Banks, ansiei por penetrar nos Salões de Aprendizagem e, na minha própria ignorância, dei por mim a retrair-me de volta seguramente para o meu próprio nível. Não existem regras ou regulamentos, nem compulsões. Os espíritos em crescimento são levados pelos processos de pensar para os seus verdadeiros locais, de acordo com o registo que tenham trazido consigo. Em termos simples, "trazem consigo os seus molhos."* ilustra o processo da direcção para o lugar "preparados para eles."

*(NT: Salmo 126:6, que na sua totalidade refere: "Os que com lágrimas semeiam, com júbilo ceifarão; os que carregarem a preciosa semente e prosseguirem semeando, voltarão com alegria e trarão consigo os seus molhos")

As almas que estendem os seus serviços no mundo inferior diserta para mostrar a esses prisioneiros a luz adiante. No entanto a sua tarefa é difícil. A alma assim reduzida, e escravizada pelo pecado, não consegue suportar a luz. Nas suas pobres mentes acreditam que as trevas a ocultam.

Helen Greaves

Uma bela manhã encontrava-me tranquilamente sentada no meu quarto a tomar o meu pequeno almoço quando subitamente e sem aviso prévio, a voz de Frances Banks se tornou inteiramente audível. Ela falava-me tão directamente como se também ela estivesse a tomar o seu chá e torradas a meu lado. Só que a sua voz entoava no meu cérebro e não me chegava aos ouvidos. Escutei por uns instantes, enquanto prosseguia com a minha refeição. Esta era a velha Frances que eu tinha conhecido - prática, positiva, e tão confiante quanto sempre tinha sido, só que agora o conteúdo, a intenção das palavras que empregava era apreensiva. Senti-me como uma aluna da mais alta filosofia. Eu estava certa e intencionalmente a ser ensinada, e em breve percebi que a Frances pretendia que as suas palavras fossem publicadas neste livro. Na verdade quase estava a fazer um ditado.

Frances Banks

"Tanto o psíquico quanto o espiritual," começou, "são passos na escada do progresso de Jacó. A experiência terrena é possivelmente um dos mais baixos passos da ascensão. A maioria dos seres encarnados encontra-se nesse nível, de modo que as suas mentes se tornam sobrecarregadas pela dificuldade de perceber o que seja verdade e o que seja inexplicável para elas no nível de compreensão em que se encontram.

"A minha importante questão inicial é que ambos são uma continuação da natureza progressiva do homem. A humanidade, que se encontra em diferentes estágios de evolução na jornada que empreende rumo às estrelas, ou rumo a um nível mais elevado de realização consiste em entidades dotadas de uma natureza tripla. Por exemplo, o homem é animal, humano e espiritual.

"Em vagas sucessivas de progresso, é revelado que as grandes almas, os mestres, os santos, os grandiosos intérpretes do Espírito terão evoluído desde os instintos animais até ao nível humano no seu melhor, enquanto na verdade as massas permanecem completamente ignorantes de muito para além da inteligência superior animal, da natureza animal e da completa aceitação da vida de criatura. Contido deve ser aceite que, mesmo por entre esses grupos haja indivíduos dotados de uma sensibilidade que os habilita a ter percepção de seres e de Seres, para lá da compreensão limitada das massas. Por entre esses encontram-se os psíquicos, os curadores naturais, assim como aqueles que estudam os escritos dos sensitivos (como a Santa Tereza da Ávila) ao longo das eras.

"A pessoa dotada de percepção psíquica, frequentemente chamada médium, é frequentemente inculta, pobre e retraída. Essa gente consegue e de facto contacta os recém-falecidos, e por vezes os espíritos das conexões familiares que tenham habitado durante anos (no nosso tempo) o mundo contíguo de consciência. Contudo muita vez parecem ter avançado pouco e a sua mensagem parece insignificante e trivial.

"Mas, deveremos condená-la ou encontrar satisfação na superioridade das suas palavras? Creio que não! Eu testemunhei o lento crescimento feito por muitas almas. Não é para qualquer um ser superior a esses espíritos que anseiam por uma oportunidade de contactar amados que ainda se encontrem na terra. Nem tão pouco temos o direito ou o desejo sequer de proibir tais momentos de correspondência. Todavia, quando o dinheiro entra em questão em tal comunicação, perspectivamos o perigo. Mas quem poderá julgar o conforto e ajuda que podem ser dados a uma alma pesarosa no plano terreno. Relembro a própria alegria que senti quando a minha querida madre pela primeira vez comunicou comigo.

"Não há condenação quanto ao auxílio transmitido, conquanto o receptor não permita que essa forma de conversa se torne numa droga no seu próprio caminho de vida, ou aborde o mundo psíquico imbuído de um espírito da adivinhação. Desde a minha chegada a esta consciência, tomei consciência das ciladas decorrentes do emprego casual da comunicação com o espírito. Na opinião de muitos aqui, os perigos poderiam ser muito mais remediados pelas Igrejas Cristãs. Achamos que deveria haver um lugar em que os sensitivos que sejam cristãos pudessem operar. Quanta vez um clérigo, completamente inconsciente ou oposto ao dom do espírito, não se terá visto totalmente incapaz de dar ajuda ou de levar verdadeiro conforto após a morte de um parente? Eu própria precisei medir bem as palavras que empregava, até descobrir as possibilidades de comunicação. Tais médiuns a trabalhar com a Igreja, respeitados e protegidos pela Igreja prestariam, estou certa, um enorme serviço ao exporem questão tão controversa. Certamente que a Bíblia fala abertamente dos "dons do Espírito," do seu uso e das suas salvaguardas, não?

"mas comunicação e confiança através da conversa com espíritos tem muito pouco que ver com a adoração, ou obediência ao Espírito de toda a vida, a que Jesus chamou de Seu Pai e que na verdade é o criador de todos nós. Decerto que a nossa escada de Jacó reside na aproximação, passo a passo, da percepção da unidade que nos caracteriza com a Realidade do espírito Criativo de Deus, não? Jesus ensinou que somos feitos à imagem desse Espírito. Os poetas falam em "trilhando nuvens de glória viemos, do Céu que é o nosso lar," e igualaram o Espírito ao "Caçador do Céu," (NT: Título de um verso de Francis Thompson) que vela por nós, cuida de nós e que espera por que a alma dentro de nós O reconheça.

"Aqui neste mundo somos espírito no Espírito, contudo ainda não no Coração do Espírito. A nossa consciência ainda precisa desfazer muitos erros já feitos e de avançar em frente rumo ao Centro. Aqueles que se encontram no Espírito podem e muitas vezes enviam mensagens de esperança de volta ao mundo que tiverem deixado. Mas isso não é o mesmo que a unidade com o Espírito de Deus, o Eterno. Mesmo aqui nós continuamos a ascensão dessa Escada de Jacó. Até mesmo aqui existem passaportes para os níveis Elevados - mas cada um de nós precisa merecê-los para podermos -- conforme o mundo o descreverá --  nos juntar aos Imortais. Por Imortais existirem e sempre virem a existir. E se precisos forem milhões de anos de provação e de erro, de acção e inação, da nossa parte e da de outros, da parte de Deus ou de Mamon, (riqueza material ou cobiça) isso não significará tão só o lento progresso do animal até ao humano e ao Espírito?

"O tempo não possui substância. O homem espiritual evoluirá como e quando a Lei do Progresso estiver pronta. Há uma máxima que ainda recordo da minha experiência terrena, e que aplico agora à Lei Espiritual: "Nada consegue deter uma ideia cujo tempo amadureceu." Por outras palavras, quando o passo seguinte estiver pronto para ser dado, nada o poderá deter. Aqui percebemos e aprendemos a aplicar a Lei a toda a acção e ideia. Mas ao fazê-lo o espírito cresce o suficientemente para estar pronto para o passo seguinte. Não temos pressa de ir para o Paraíso. Ele encontra-se aí diante de nós - quer imediato quer prolongado no nosso caminho adiante - mas nós passamos para a frente para as muitas mansões existentes na casa do nosso Pai, conforme descrito por Jesus.

"Mas o Espírito nivela-nos de acordo com o nosso merecimento, e as Almas Grandiosas e os Mestres podem descer ao nosso nível para comunicarem e ensinarem. No vosso plano terreno o termo "espiritual" possui um sentido diferente. Uma pessoa espiritual é muita vez descrita como alguém que se identifica com a religião que professa, ao passo que nesta consciência, uma pessoa espiritual é alguém que tenha descoberto e que viva na parte Espiritual do seu ser. As religiões no plano terreno, que muita vez se recusam a reconhecer umas às outras, evoluíram todas da necessidade do humano em crescimento de conhecer e de trabalhar com o Espírito de Deus dentro dele. Deixe que cite o grandioso trabalho de Robert Browning, que conheceu.

Existe um centro interior em todos nós,
Onde a verdade habita em pleno;
...Mas conhecer ao invés consiste no encetar de uma Caminho
Por onde o esplendor aprisionado possa escapar.

"Quando, no plano terreno, esta Verdade for conhecida e seguida, então o homem espiritual evoluirá, e o psíquico alcançará o espiritual, até ao âmago da própria vida.


PERGUNTAS RESPONDIDAS

Frances Banks

Pergunta se somos felizes? Essa dificilmente é palavras que se aplique ao nosso estado de vida. A felicidade, que parece ser tão importante para tanta gente não esclarecida, não possui um sentido real para nós.
Achamo-nos em paz.
Quantas almas que pensam ser felizes terão encontrado verdadeira paz, ou compreenderiam se fossem interrogadas se se encontram em paz? A felicidade é transitória. A paz da alma, que a entidade sobrevivente lentamente alcança, é de tal valor e permanência que alcança proeminência sobre tudo o mais.

Para nós, a paz é felicidade, embora duvide que muitos de vocês pensem assim. Paz em todas as coisas, em todos os modos, em todas as mentes, em todas as esperanças futuras constitui um atributo que precisa ser conquistada. A sua conquista e aceitação para nós representa a própria vida. Por ser ganha, não pelo sacrifício, excepto das nossas paixões e fúrias, mas pela Unidade com o Espírito da Paz.

Da observação feita pelos habitantes do seu mundo que aqui chegam, há poucas almas que sejam capazes de enfrentar a mudança com equanimidade, e decerto não com paz. Não resta dúvida de que, por a morte se achar erradamente associada ao temor e mesmo ao terror, a passagem da alma de uma consciência para outra acha-se carregada de ansiedade desnecessária. É por essa razão que os nossos recém-chegados, após serem saudados e acolhidos por aqueles que amaram, encontram alívio no repouso das suas mentes agitadas. Mais tarde, ao comunicarem com outras almas percebem ter sofrido traumas desnecessários. Muitas vezes as almas recordam o sofrimento antes de passarem de um mundo para o outro, mas na doce paz do seu repouso no Espírito a recordação gradualmente se desvanece.

A paz precisa ser cultivada e praticada. Trata-se de uma actividade da mente e da alma. Assim, quando o corpo é golpeado ocorre necessariamente uma enorme mudança. A Mente do Pensamento começa a trabalhar, e a mente do corpo esvai-se no nada. Cabe à alma que esteve recentemente em repouso descobrir se deseja permanecer só ou juntar-se aos seus entes queridos, ou encontrar um mestre que a instrua com respeito ao progresso que pode agora empreender, ou mesmo se existirá um local onde possa servir outros. Mas durante todo esse tempo absorverá paz, aprenderá a controlar as suas reacções ou ressentimentos para com a separação da vida material, ou a acalmar os pesares motivados pelos fracassos que agora percebe. Não sofre compulsão alguma. Ela é um espírito livre. O seu pensar encontra-se agora desprovido do terror e da preocupação; gradualmente, ela absorve a paz que as outras almas absorveram.

Permanecer em paz torna-se normal. A alegria da liberdade com respeito a todas as restrições, a gloriosa música das esferas, a beleza do crescimento natural é toda sua. Tudo isso reside além da ideia normal de felicidade. A própria alma está a aprender a responder à paz e à paz interior.

Foram suscitadas perguntas em face de declarações feitas anteriormente em Testemunho de Luz respeitante a Grupos aqui e nos Mundos mais Elevados. Por que razão deveria isso provocar dúvidas nas mentes dos homens? "Assim em cima como em baixo," sempre tem sido um marco na explicação de padrões de comportamento. É a lei da natureza, e a natureza não passa de uma parte do trabalho do Espírito. Os animais, os pássaros, agrupam-se em bandos e revoadas; os peixes em cardumes, as abelhas em enxames, de modo que é natural que os humanos se agrupem em famílias, parceiros, raças e nações, não? O semelhante atrai o semelhante. No outro mundo deveria ser encarado estranho que as mesas parcerias destinadas à aprendizagem e o serviço, faça parte da experiência da alma? Realmente é tão natural quanto no mundo da matéria, excepto que neste plano esses Grupos acham-se imbuídos de um propósito mais profundo. Por ora a alma está a descobrir a sua verdadeira identidade, e a tratar de abrir caminho para cima através dos Salões e Aprendizagem, as Escolas de Filosofia, os grandiosos Centros de Música, arte, literatura, e a compreensão da consciência cósmica conhecida dos Mestres.

Fomos criados à imagem de Deus; saímos do grande Centro de Luz do Espírito Criativo, para ganharmos forças através da experiência, antes de retornarmos a esse Ponto de Luz para nos tornarmos Um com Ele de novo; um progresso de Peregrino dotado de Vida infinita, contudo, não um caminho solitário, de almas que travam lutas individuais mas um crescimento de espíritos agrupados que ligam o seu caminho à eventual Eternidade.

"Terá descoberto o Espírito no novo despertar após de deixado o plano terreno?" Perguntei.

Fez-se silêncio. "Creio," respondeu a Frances, "que tenha maior consciência daquilo que o Espírito opera, e quase ainda incapaz de decidir o que Seja!"

"Mas, a Frances vive no Espírito," Protestei.

"Verdade. Não possuo um corpo terreno sólido e vivo na mente, que gradualmente se desenvolve na Mente eterna. Conforme Jesus nos disse, "Na casa de meu Pai há muitas mansões." E assim é. Mas descobrir as entradas e mesmo obter permissão para entrar torna-se numa questão da Mente dentro de nós obter um ascendente sobre a mente com que viemos para esta vida após a morte do corpo.

Eu tentava formular uma pergunta mais, mas a mente de Frances já se achava em contacto uma vez mais.

Jamais me arrependerei da decisão que tomei de trabalhar no mundo, nem tão pouco renunciei sequer aos votos que cultivei na Ordem. Mas agora, ao tentar descrevera minha própria chegada e experiências, sei que a vida religiosa serviu de excelente escola para a compreensão da vida do Mundo do Pensamento. Não nos tornamos de imediato anjos nem mesmo em Seres de Luz, o que constituiu crença popular durante muitos séculos até mesmo por entre as Igrejas. Faz-se essencial muito preparo para as almas recém-chegadas. Ajustamentos precisam ser empreendidos e compreendidos.

Para alguns isso chega como um enorme alívio e uma maravilhosa libertação do Espírito. Para outros que terão existido quase que completamente num nível material e sensual, muitos ajustamentos acham-se envolvidos antes que possam, por assim dizer, avançar.
Eu própria fiz isso, embora por ventura não de forma tão lenta, já que passara a minha vida a obedecer às regras da meditação e da oração do Convento.

O livro encontrava-se terminado, pensei eu, embora ainda não dactilografado, quando recebi uma carta a colocar uma pergunta que parecia suficientemente importante para ser atendida. Creio que essa pergunta terá preocupado mais leitores do que eu percebera.
Uma leitora, que eu jamais conhecera, escrevera-me acerca da vida de infelicidade e da perda de um filho vitimado pela leucemia. E ela escreveu sobre aquelas almas que terão progredido para regiões mais elevadas de sabedoria e de iluminação. Contudo, sentia-se na incerteza quanto à possibilidade delas poderem descer da sua exaltada sabedoria para ir ao encontro dos amados do plano terreno quando eles chegassem ao outro Mundo.

Pensei nisso durante alguns dias, e pedi ajuda na obtenção de uma resposta. Esta manhã a ajuda veio antes mesmo de me encontrar adequadamente desperta e eu apressei-me para a minha escrivaninha para escrever. Sei somente que provém do Espírito da Sabedoria; não preciso indagar acerca da Fonte ou do Canal.

A alma não pode perecer! A vida no corpo termina, mas a alma mais as suas recordações é instantaneamente desperta no novo ambiente em que se descobre. Contudo, poderá acontecer que essa alma seja uma estranha numa terra estranha caso, como muita vez sucede, se tiver sido atolada de exigências, desejos, e apegos para com as necessidades do corpo. Com efeito, o elemento humano durante a vida terrena terá cegado e entorpecido tanto os instintos da alma que, quando por fim alcança o lar após a morte, a alma encontram-se tão fraca e franzina quanto um recém-nascido, e carece muita vez de muita ajuda da parte daqueles que aguardam oportunidade de a saudar.

Deverá aqui ser dito que muito do foi ensinado e aceite com respeito ao pós vida foi baseado em concepções medievais, que requerem uma actualização com respeito ao mundo diferente e mais sofisticado de hoje. O outro mundo não muda, mas a concepção mais alargada que temos dele que nos conduz a um exame das provas da mudança. O outro mundo não é uma região nem um local. É uma consciência diferente.

Assim, quanto à pergunta e à resposta.

Conforme dissemos já, assim como é em cima, assim é em baixo. Aqui, no nosso mundo concreto podemos subir e podemos posteriormente descer. Mas não podemos descer sem que tenhamos subido. Da mesma maneira, aquelas almas que tiverem progredido nesta experiência terrena, ou que tiverem progredido em frente na sua experiência pós morte pode sempre descer a esferas mais baixas em paz e segurança a fim de ajudar outros espíritos na escalada, ou para saudar e auxiliar amigos e amados do mundo da matéria. Elas poderão então retornar às suas esferas avançadas quando e se desejarem. Ou, conforme muitas fazem,  permanecer para transmitirem o seu próprio conhecimento.

A alma, como devemos compreender, evoluiu do Espírito Criativo a que chamamos Deus, e pela própria Lei de Deus em algum tempo não predeterminado retornará a esse Espírito, num experimento da própria Vida, desse modo obedecendo á Lei: Vai em frente e regressa. Sem tal risco na Lei não poderá haver avanço. Conforme já foi mostrado, nós copiamos no plano terreno aquilo que as nossas almas recordam do Espírito. Tão perfeita é a Lei, que o caminho para tais Esferas se acha aberto a todos, muito embora possamos precisar de incontáveis anos terrenos pata o alcançarmos. Poderão igualmente haver outros mundos onde possamos obter experiência. Nós não temos qualquer conhecimento definido presentemente. Porém, isso também poderá representar mais uma etapa no nosso progresso.

A Lei de Deus a que poderemos chamar de Desafio da Luz é perfeita: encontramo-nos sempre no local adequado e no tempo certo para podermos experimentar aquilo que tivermos edificado nas nossas vidas - muito embora possa ser a morte. As guerras e os ódios resultam do facto de nos encontrarmos todos em diferentes estágios de crescimento. É uma Torre de Babel, em que todos falam diferentes línguas da Alma. O mundo é composto de almas jovens ansiosas de aventura, almas em desenvolvimento, almas amadurecidas, almas avançadas, e almas velhas e sábias; por vezes até mesmo uma alma iluminada visitará o plano terreno para um trabalho especial. Entre essas devemos colocar Jesus Cristo, Buda e outros Mestres do Oriente, assim como muitos dos santos ocidentais, que vieram à Terra com uma mensagem para a sua era. Escutemos, pois, a sua mensagem, para que o nosso avanço espiritual possa ser apressado.

O DESAFIO DA LUZ

Frances Banks

 O termo Desafio da Luz deve ser encarado como uma designação incorrecta. A Luz constitui uma bênção em todas as épocas. Ela eleva, e ilumina o caminho. Mas também representa um desafio porque se a luz for demasiado vívida ou demasiado forte poderá cegar, e conduzir mesmo ao desastre. Que será, pois, que reconheço constituir um desafio à Luz do Espírito? Os seres humanos vivem num mundo dividido de temporário materialismo e de uma espiritualidade inata. Até vir para este mundo, não tinha verdadeiramente reconhecido as dificuldades, desvantagens e fracassos provocadas por essa dualidade no homem. Permita que explique a partir da minha própria experiência terrena.

Durante os vinte e oito anos que passei na Ordem, cada momento do meu dia era predeterminado, Para além de manter a Regra Sagrada, dos momentos de oração, dos silêncios, das horas de meditação prescrita, os meus dias eram passados a ensinar. Eu dedicara a minha vida ao serviço de Deus. Ao ter aceite e elegido essa vida, encontrava-me muitas vezes cansada com aos deveres que me cabiam e as responsabilidades. Mas agoira vejo como fui salvaguardada nesta vida do Espírito. Encontrava-me abstraída do mudo material. Não lidara com dinheiro. O meu salário era directamente pago à Ordem. Quaisquer direitos recebidos pela publicação dos meus livros também passaram a fazer parte do rendimento da Ordem. Mas eu encontrava-me satisfeita e em paz. Não foi senão quando o meu Ser Interior me ter incitado para sair pelo mundo para aprender mais acerca dos Mistérios do Espírito e da Matéria que a noção de desafio fez violentamente luz em mim.

O poder do dinheiro começou a afectar-me a vida, o mundo, descobri, era um lugar hostil, a Luz do Espírito foi-se ofuscando, na luta diária pela existência. O desafio achava-se diante de mim, e talvez a minha vida dividida tenha feito com que a minha vida estremecesse, e eu hesitei. Agora encontro-me em posição de julgar tudo de modo impassível. Então achava-me despreparada para as dificuldades e provações da existência humana usual. Certa vez decidi mesmo regressar ao Convento; encontrava-me só e desesperada, e resolvi telefonar à Madre Superiora e pedir permissão para regressar.

Foi num dia de muita chuva, e eu encontrava-me a alguma distância do Convento, e quase não tinha dinheiro suficiente para regressar. Pareceu-me que descera inúmeras ruas, à procura de um quiosque para telefonar. Encontrava-me ensopada até aos ossos e profundamente infeliz. Finalmente encontrei aquilo que buscava. Ansiosamente entrei e peguei no auscultador. A linha estava avariada. Não podia voltar. Encetei caminho de volta à minha hospedagem enfadonha. Mas nessa noite soube aquilo que precisava fazer. A porta do meu anterior retiro tinha-se-me fechado. Havia um outro caminho a seguir, e um trabalho diferente a ser feito.

Decidi regressar à minha própria nação, onde, com a ajuda de algumas amigas generosas, me foi providenciado dinheiro e roupas. A segunda parte da minha vida tinha começado. Provou-se ser o passo certo a dar, pois obtive a posição criada de raiz de Tutora Organizadora da Prisão de Maidstone, e eu gostei do trabalho e da nova vida. Foi aí que me tornei amiga de Helen Greaves. Eu chamava-a de meu Telefone Celestial, e ela provou ser digna desse cognome. Mais tarde, para minha grande alegria, a minha Madre Superior falou com frequência comigo através do "Telefone" da Helen. Então fiquei a saber da recém formada Associação das Igrejas para os Estudos Psíquicos e Espirituais, e  Helen e eu juntámo-nos a ela.

O Caminho tinha-se aberto diante de mim. Eu não estava errada nem perdida. O Espírito tinha-me conduzido. A solidão do Convento deu lugar ao desafio do espírito de Luz na plataforma aberta. Mais tarde ocupei o pequeno apartamento  por cima do da Helen na região da Addington, e formamos o primeiro de muitos grupos dedicados à meditação. Ele prosseguiu por mais de dezoito anos. A minha doença veio como um choque e a minha passagem para a vida seguinte... como uma tristeza, já que tinha que deixar o trabalho por acabar. Tentei mostrar neste livro como o Espírito nos desafiou a ambas, á inspiração e à escritora. Caberá ao leitor decidir se o Desafio foi satisfeito. Só o tempo revelará se a Luz brilhará por meio da ajuda a quantos duvidam ou se temem a força dessa Luz.

Na minha presente consciência, posso olhar para trás e compreender que o meu tempo na Terra se destinou a esse trabalho, e como o meu Convento sossegado me preparou para ele. Eu morri para poder aprender um conhecimento e uma compreensão maior que podia enviar num livro para ser recebido pelo mundo material. Uma das lições, que espero seja revelada na história da minha vida, é a de que o Espírito conduz. O caminho certo está sempre aí para o tomarmos, mesmo que seja difícil. A Luz lidera sempre! A luz que brilha através dos outros que pode acabar com dificuldades e obstáculos insuperáveis, mesmo através da morte do corpo físico. Jamais se desvanece por completo. Unicamente a nossa visão se debilita e nos leva a desistir.

Aqui a Luz resplandece com brilho e o assombro e a majestade do Espírito é mais facilmente compreendida por essas grandes Almas que progridem para cima em direcção do Coração de Deus. O Centro da Luz é inspiração e força e propósito para aqueles como eu, que aprendem a confiar no Espírito. Possa este livro inspirar os viajantes na Terra a perceber, conforme Jesus ensinou, que o Reino dos Céus se encontra dentro deles, a confiar na sua Luz e a aceitar o seu Desafio.


Contudo a Luz pode ser usada para desafiar. Ela pode revelar o que a escuridão oculta. Um homem ou uma alma (se quisermos) pode, movido por razões particulares esconder-se de outros, perder-se, por exemplo, na escuridão de uma floresta, ou no deserto das favelas urbanas. Da mesma forma que se usa uma lanterna acesa para procurar uma pessoa perdida, também a Luz do Espírito ilumina o caminho para os Filhos Pródigos do vosso mundo e de todos os mundos. Quando a Luz os busca, eles são revelados conforme realmente são. Então o mau e o bom são expostos, as promessas não cumpridas, os dons por desenvolver, e os anos desperdiçados. A luz revela-se, desafia, e graças a Deus, frequentemente despertam. Pelo que o Desafio da Luz se pode tornar na Luz que Desperta.

Contudo há milhões de homens e mulheres que passam a vida inteira sem alguma vez questionarem a razão de viver. Entorpecidos, adormecidos, eles parecem dormir ao longo de toda a promessa das suas vidas. Jamais se interrogam: “Quem sou eu? Que sou eu? Porque estarei aqui?” A religião está confinada à Igreja. A Luz do Espírito indu-los a despertar. Mas como hão-de despertar, pergunta você. Voltem-se para dentro, descubram o vosso ser interior. Meditem sobre vós e na relação que têm com o Espírito de Deus dentro da vossa própria alma, e lembrem-se as palavras registadas de Jesus: “O Reino de Deus acha-se dentro de vós.” “Eu (o Espírito) se eu me erguer atrairei todos os homens a mim.” “Peçam e ser-lhes-á dado; procurem e encontrarão; batam e abrir-se-vos-á.” “Olhai, Eu estou convosco até ao fim do mundo.”

Helen Greaves

Tais meditações poderão ser postas em prática enquanto arrancam as ervas daninhas do jardim – ou durante uma caminhada pela região em grupos de meditação. Todos temos diferentes jeitos de perceber a Unidade que temos com Deus. O Espírito Santo representa o mediador e o desafiador. Trabalhar e viver na Luz do Espírito constitui a manifestação de Deus em nós. A luz do Espírito é o Desafio da Luz. Nós somos tanto espíritos agora quanto o seremos sempre. Somos irmãos e irmãs em todas as terras, em todos os mundos, em todos os estados da consciência, quer despertos na Luz ou entorpecidos pela traição, pela ganância, pelo medo, pelas falsas doutrinas ou pela estupidez.

Os homens e as mulheres tornaram o Espírito Criativo num Homem-Deus, e não conseguiram perceber que somos parte desse Espírito Criativo.
Nós aqui somos Espíritos tal como vocês são espíritos nos vossos corpos terrestres. A nossa consciência foi libertada da dualidade do pensar terreno, contudo, somos o mesmo no Espírito. Ainda amamos aqueles que amamos na terra, ansiamos por os ajudar quando sucumbem ao mal, ao temor, ao ódio, tudo quanto enegrece a Luz do espírito neles, e os conduz ao desastre. Podíamos, (e por vezes fazemo-lo) ajudar a conduzir essas vítimas a uma nova compreensão e paz. Ansiamos por fazer mais. Mas – há um fosso criado – não pelo Espírito, nem por nós, mas pelo homem. O homem teme e desconfia da comunicação com aqueles amigos, mestres e inspiradores que considera mortos. Mas nós não nos encontramos mortos. Nós vivemos.

Contudo, desde os primeiros tempos da história homens sábios, profetas e santos possuíram o dom de serem capazes de comunicar comos espíritos. Só que esses poderes foram comummente abusados e charlatães tiraram muita vez proveito fingindo predizer o futuro. Por causa de tal negligência o homem tornou-se cético o que levou que a clarividência e a clariaudiência viessem a ser varridas da sua vida espiritual. Nós nesta consciência sentimo-nos entristecidos pela humanidade. Mas ainda há homens e mulheres que possuem o olho capaz de ver, ou o ouvido capaz de ouvir, assim co aqueles que possuem o dom da curam e notamos que o dom da verdadeira cura, tirado do Espírito, estão lentamente a ser aceites pelas Igrejas e por muita gente.


É somente quando o dinheiro predomina que tais dons são contaminados e deteriorados. A Bíblia explica que esses são dons do Espírito que não foram criados para o progresso material. Ninguém pode esperar ser recompensado com pagamento de dinheiro por tais serviços. Esses dons são do Espírito e serão recompensados pelo Espírito. Esse tem sido o erro do homem. Os dons do Espírito são livres e deviam ser livremente distribuídos. Tais dons, caso sejam aceites e reverenciados pelas Igrejas, poderão confortar os enlutados, e guiar aqueles que se encontrem em apuros com dificuldades terrenas. O clero das paróquias prega e realiza o trabalho da caridade, mas da minha própria experiência e da de outros parece que não esteja dotado de um olho interior nem de um ouvido que escute que possa trazer um verdadeiro conforto espiritual ao enlutado.

O dinheiro é uma forma de câmbio instituída para o pagamento de coisas materiais, e jamais deveria achar-se incluído no dom livre do Espírito. Mas a doação de dinheiro a instituições de caridade não contamina o Espírito, nem tenta aqueles dotados dos Dons a ir vendê-los no mercado. Para as Igrejas, e as pessoas, a aceitação dessas pessoas dotadas não as manteria afastadas do ganho financeiro mas também nos ajudaria a ajudá-los a vós!

Ao vermos o vosso mundo a deslizar para o caos por causa da dependência de que padecem da riqueza e do poder terreno, ansiamos por os guiar e ajudar. Mas entre nós há este fosso. O vosso mundo precisa criar uma ponte sobre este vasto mar de ignorância, medo e cobiça que por tanto tempo provou ser uma barreira intransitável.

Mas, que dizer das comunicações interiores e privadas que ocorrem no santuário do nosso próprio coração? Pensamentos de amor e bênçãos remetidos para os amados que partiram, como pequenas nascentes no deserto. Eles tranquilizam os viajantes neste mundo quanto ao facto dos seus amados continuarem a recordá-los. Nós aqui recordamos aqueles que ainda se encontram na jornada da vida. Não se esqueçam de nós.

O homem teme aquilo que desconhece. Os seus instintos têm tendido a ridicularizar aquilo que não compreende. Isso foi ilustrado através da vida da inventores que se atreveram a irromper pela ignorância comum da consciência terrestre. A possibilidade de que o homem pudesse criar uma máquina que conseguisse superar a atracção da gravidade e erguê-lo no céu para poder voar em aviões com asas foi ridicularizada. A consciência terrestre mantinha que tais eventos eram impossíveis, improváveis e mesmo ridículos. Porém, a consciência Cósmica reconheceu não só a probabilidade como também a possibilidade. E assim chegamos a voar. Chegamos a caminhar na lua. Atingimos os outros planetas. Superamos o problema do espaço. Dentro da mente do homem se acha o saber – mas com o tempo e através do trabalho ele consegue pôr esse saber em acção.

Ao longo das eras, o homem conversou e maravilhou-se com a mente que Jesus Cristo possuía. Mas Jesus insistiu que essa Mente se encontrava em todos os seus ouvintes, caso eles se libertassem unicamente da crença terrena, e reconhecessem a nova consciência em si mesmos – e na consciência e na crença na Mente dentro de nós, esse Espírito Interior, esse Esplendor Aprisionado que se é preterido pelo medo e pela ignorância. Muito devagar, o homem está a descobrir que não precisa ser limitado pelo conhecimento terreno.

O caminho para as estrelas está a ser aberto pelos grandiosos milagres da moderna tecnologia, as maravilhas da moderna cirurgia, e pelos novos empreendimentos da mente. O homem pensante está a perceber que a verdadeira consciência constitui o reconhecimento e a aceitação do espírito de Deus em cada alma. Jesus soube disso e ensinou-o; ele demonstrou os seus prodígios e foi temido e morto por isso. Mas a semente foi lançada. Há uma consciência profunda em todos nós, e quando a fé no Espírito é mantida, não há limite no seu desenvolvimento. Ainda assim, com todas as maravilhosas possibilidades a abrir-se diante da humanidade, a humanidade está a destruir-se. Hoje o ódio, o medo e a inveja são os nossos deuses e a nossa Terra encontra-se em perigo de ser destruída por eles. Irá a humanidade provar que não digna do Espírito do seu Criador?

Os Grandes que viveram na Terra, no seu conhecimento e compreensão, sempre pregaram a paz, a unidade, o amor, a compaixão. Sem essa consciência espiritual, as maravilhas e revelações do Espírito no homem não poderão florescer. O homem foi criado por meio do Espírito da Eternidade. Mas ao longo da história a evolução do homem tem sido interrompida por holocaustos e destruição. Todas as nossas orações serão inconsequentes até que aprenda o significado da própria vida. Para poder realizar um Esplendor Interior a natureza da alma deve governar os desejos do corpo. Por o corpo ser passível de perecer, mas a alma ser imortal. Quando conseguir conceber uma Nova Era o desenvolvimento do homem terá alcançado um pináculo.

O Espírito do Progresso enriquece as almas do homem. Que não seja empregue na destruição da humanidade. Tal Luz é esmaecida e enegrecida pelo poder ilusório da existência terrestre. O progresso emerge da dor, da luta e do uso da Vontade. Mas que vontade será essa que pode enfraquecer até perder todo o seu poder? Ela pode ser usada para o bem, para o trabalho positivo, e progresso em benefício do utilizador, assim como do dos seus vizinhos, o do seu país, e mesmo o do Mundo. Mas esse mesmo poder de vontade pode ser tão desorientador que opere somente em prole da satisfação própria e do egoísmo. Isso consta da liberdade de acção do homem que lhe foi dada pelo Criador – um dom que carece de cuidado e de controlo.



Talentos a Usar

Talentos a usar, talentos a usar:
Agora com o Teu Espírito, todo o homem infunde;
O desvio do seu coração do abuso
Talentos inatos, quando recusar
A pausa e a meditação: - Como deve usar
Os talentos atribuídos – talentos a usar.

                                                                                   Giles Lang

Ao longo de eternidades de progresso o mundo da humanidade ainda se debate com os efeitos do seu livre-arbítrio. Mas esse livre-arbítrio não deve ser completamente divorciado do seu Criador. Desviar-se da luz é causa de destruição do progresso no mundo moderno.

Parece pela história que esta não será a primeira vez em que o homem tenha confiado por completo o seu próprio poder, ambição e ganância. Só que a presente desconfiança entre as nações abriu uma força negativa de temor. No presente, os habitantes deste - e possivelmente de outros mundos - vivem no nevoeiro escuro do temor. Algumas das melhores mentes estão a ser usadas unicamente na invenção de novas e mais terríveis armas de guerra, num terrível volume de tempo e de dinheiro e os melhores materiais são empregues na sua construção. Onde nos terá esse livre-arbítrio conduzido? E a que desastre nos conduzirá? Esta chamada civilização tornou-se distanciou-se com relação ao Espírito da sua criação. Não mais crê que um viver com base num progresso positivo possa ser estabelecido nas pessoas e nas nações.

O medo pode ser superado pela fé, e a crença pode modificar as vidas individuais de comunidades e de países.


O EXPERIMENTO

Um certo fim-de-semana, lá pelo final dos anos sessenta, logo após o Testemunho de Luz ter sido publicado, eu encontrava-me presente numa Conferência sobre a Vida Espiritual, e dei uma palestra sobre o assunto. Na manhã de Domingo, um homem que eu conhecia mal, e que tinha estado na audiência veio até mim e falou-me. Era um velho médico reformado.

“Para minha surpresa,” disse, “gostaria de falar consigo, Helen,” pelo que lá fomos juntos até um esquina de um grande salão, e sentámo-nos. Ele começou quase de imediato: “Sinto que devo contar-lhe algo.”

A história, conforme narrada em termos simples pelo doutor, ocorrera por volta de finais de 1963. Esse tinha sido um ano de seca na Grã-Bretanha e a terra ressecava. Recordo-me que enquanto conduzia meu pequeno carro pela região nas datas das minhas preleções, me senti chocada com a desolação do nosso belo campo. Nos leitos dos rios dificilmente se via lama enegrecida ou um pingo de água, onde uma forte corrente tinha anteriormente corrido. Os campos encontravam-se secos, as colheitas tinham fraco aspecto e longas extensões de solo fértil assavam no tempo há muito tempo seco.

Essa fora uma seca realmente má, e era óbvio que se seguiria uma pobre colheita, e que iria haver escassez de colheita no ano seguinte. A nação achava-se preocupada. Lembro-me disso muito bem.

Enquanto observava a face tranquila do médico, deixei-me cativar pela simplicidade da história que me narrava. Contou-me, pois, que seis homens e mulheres de fé, cultura e educação, se tinham reunido para debater a tragédia que ameaçava toda a nação. Não mencionou os seus nomes embora acreditasse ter reconhecido a descrição de um deles.

Nessa reunião surgiu a discussão do que poderia ser feito para evitar o possível desastre na Grã-Bretanha. Eles iriam depositar a fé que tinham no Espírito de Deus, e decidiram-se por um plano de acção. Os seis iriam até um sítio tranquilo na Suíça, onde viveriam completamente isolados, num chalé alugado, durante seis dias. Cada dia seria passado em profunda meditação, cada um deles a experimentar a Unidade do espírito de Deus no homem. Não pediriam ajuda, nem orariam pelo alívio da fome que ameaçava. Eles saberiam e a fé e o conhecimento que tinham (conforme Jesus tinha dito) moveria montanhas. Durante esses seis dias em silêncio mal falaram uns para os outros até mesmo durante as suas simples refeições. Estavam a empreender um grande experimento.

Viveriam no Espírito, com consciência de se enquadrarem nas Leis de Deus enquanto Seus filhos e sabiam que o Espírito responderia. No final do período de seis dias retornaram às suas casas, refrescados e certos de que tudo correria bem. Na véspera de Natal desse mesmo ano, começou a nevar. Consigo recordá-lo por me lembrar dos primeiros flocos ao conduzir de regresso a casa com uma amiga quando vínhamos de uma pequena festa de xerez anterior ao Natal. E a neve, o gelo e as temperaturas baixas continuaram até vésperas de Abril. Lembro-me por ter trancado o meu carro na garagem no dia a seguir ao Natal, e a relva ao redor das portas da garagem fortalecia com a neve e o gelo, e as ter trancado até Abril.

De súbito, conforme muitos se lembrarão, a neve parou, o descongelamento veio e a terra tinha água a correr. Esse verão de 63 trouxe uma colheita frutífera. A relva estava verde de novo, o gado pastava nos campos repletos de flores da Primavera. O Inverno tinha passado e o perigo de um aterra árida tinha desaparecido.

O médico terminou o seu recital com estas palavras: “O Espírito opera, sabemo-lo.” Muitos poderão zombar dessa estória, mas foi um episódio sagrado para aqueles poucos crentes desconhecidos. Decerto mostra que existe uma verdade nas doutrinas que referem que a Luz pode Iluminar as trevas e dúvidas das mentes do homem. Se a fé, tão pequena quanto um pequeno grão de semente de mostarda é capaz de mover montanhas, decerto que uma fé inteiramente abrangente no Desafio da Luz pode remover montanhas de temor, os ultrajes do mal, a suspeição e a ganância, e os arsenais de armas mortais em que hoje colocamos a nossa fé. Não o poderíamos tentar? Não em cerimónias nem rituais, não em orações de súplica mas no silêncio e conhecimento e fé sem dolo profundamente enraizada nas nossas próprias almas. Precisamos depositar a nossa fé nessa Luz que é agora desafiada no seu período mais crítico da nossa história.

“Sinto que precisava contar-lhe, “ terminou o médico, “não sabia porquê. Mas agora creio que sei porquê.”


Frances Banks

Dado que não fiz menção ao efeito da morte súbita motivada quer por falha cardíaca ou em resultado de um acidente gostaria de incluir as experiências reconfortantes daqueles que sofreram tais tipos de morte inesperada. Após o ter discutido com eles, dei por mim a pensar na minha própria experiência. Conforme já tinha explicado, o abandono do corpo transitório não foi nada em comparação com a dor lancinante que ele suportou durante aquelas semanas anteriores à morte. Para mim, foram mais difíceis de apagar da minha consciência do que o completo abandono do próprio corpo.

Aqueles aqui cujos últimos momento de vida terrestre consciente foram ameaçados por um holocausto iminente qualquer, asseguram-me de não ter recordação alguma do abandono do corpo ou do que tenha ocorrido imediatamente a seguir. As lembranças que têm parecem estar envoltas no abençoado estado de inconsciência.

A morte súbita não é prolongada na angústia conforme os humanos acreditam. Sem que o perceba a alma foi preparada, e tudo é conhecido. Conforme fomos instruídos, nem um só pardal cai ao chão sem que o Espírito tenha conhecimento disso. Tal como foi preparado no meu próprio caso a mente humana da vítima parece ser anestesiada. O Espírito encarrega-se do processo. Quando a alma desperta nesta consciência encontra-se em paz, muito embora de início provavelmente não perceba que tenha abandonado o lar humano.

Aqui sinto que isto suscite perguntas na mente do leitor. Onde fica o céu? Para onde terão ido os nossos entes amados? A resposta está em que o céu encontra-se por toda a parte. E não existe uma partida assim. Os nossos amigos que partiram ainda se encontram ao redor daqueles que amaram na Terra. Eles não se foram embora. Por a morte não representar uma partida, mas mera mudança de consciência. A consciência que temos nesta experiência nova é bastante diferente da consciência humana. Temos consciência de um “viver” mais amplo, de uma introdução a uma maior compreensão… mas entre a vida espiritual e material, um enorme fosso se apresenta.

Contudo, encontrámo-nos ao vosso redor, conscientes dos nossos amigos, cientes do estado do mundo, e ansiosos por os ajudar e confortar e por lhes trazer à Terra o Desafio da Luz…

Tal como filósofos, artistas, inventores e exploradores definem o padrão do tempo que despendem na terra, também os Grandes, as Almas Avançadas aqui conduzem as massas adiante a um maior entendimento. No mundo da Terra, barreiras de nascimento, herança, educação e sexo limitam-nos no nosso progresso e tristemente as massas permanecem desinformadas.

Aqui todos têm igual oportunidade. Uma alma progride à medida que aprende a absorver e a unir-se à Luz Desafiadora do Espírito Eterno. O caminho acha-se aberto a todos. A própria alma elege o seu próprio caminho rumo à salvação. Aqueles que, ainda na Terra, tiverem acreditado que fazem parte da Luz Iluminadora do Espírito seguramente avançarão mais rapidamente rumo às Elevadas Esferas onde conhecerão aqueles Seres que no seu tempo foram grandiosos homens e mulheres, e ser-lhes-á permitido aprender mais dos mistérios da vida e da evolução.

Nos Salões da Aprendizagem tais mistérios são explicados para poderem enriquecer a vida da alma. Por uma eternidade o homem tem regressado por iniciativa própria para descobrir o Centro dentro dele próprio. É nesse centro mais profundo que é a evolução de Deus, o Espírito Criativo n’Ele criado.

À medida que as almas progridem rumo a uma compreensão do grande desafio do Espírito Eterno, também sobre elas sobrevém a ansia por tentar de novo, de retomar o que tiverem alcançado num avida material, no renascimento e nova experiência dos planos inferiores.

“O céu encontra-se ao nosso redor na nossa infância,” escreveu Wordsworth. Ai, que este plano inferior de pensamento procura destruir a Verdade. Em vez disso, são-nos inculcadas meias-verdades que passamos a aceitar, e assim moldamos o nosso futuro nos degraus escorregadios de riquezas e poder. Jesus trouxe-nos a mensagem da Verdade, porém, a Sua mensagem foi demasiado simples para a humanidade. Levou dois mil anos de meias-verdades a arrastar-nos para baixo a uma sociedade alicerçada no medo onde o mal e a luxúria dominam. Sem dúvida que a própria Terra estremecerá com a sua carga oculta de armas nucleares, e os mares enfurecem-se com os vasos de guerra submersos e os seus torpedos de morte.

A lição mais urgente que a humanidade precisa aprender e praticar é a da sobrevivência da própria raça, e a de que o homem não pode matar o seu vizinho. Só poderá destruir o corpo, que eventualmente retornará à Terra de novo.

O Espírito do Homem vive e vai para o lugar que tiver reservado, quer seja chamado céu ou qualquer outro nome. Aí, por entre a sanidade e a beleza aprende a reconhecer as faltas que cometeu, os seus fracassos e a verdadeira compreensão da verdade. Por o Espírito do homem ser indestrutível.
Existem, claro está, muitas mansões e outros mundos, embora pareça que a maioria das almas que retornam voltem à Terra para as suas vidas futuras para poderem saldar o seu Carma. O Espírito do Criador opera em nós e por meio de nós, e ao longo de toda a nossa vida e pensamento. Foi bem dito que “aquilo que pensamos, somos.”

Desse modo, se pensarmos com o espírito e através do Espírito, que é a Lei de Deus, fortaleceremos os laços que temos com o Espírito, e descobriremos que o Espírito trabalha para nós. Se concentrarem pensamento na paz e no amor essa qualidades serão vossas. Ao contrário, pensamentos de ódio, medo, ciúmes etc., são negativos, e produzem o próprio desastre que tiver sido receado.


In “Challenging Light,” de Helen greaves
Traduzido por Amadeu António


"ÁGUA DA VIDA" (Excerto)

Frances Banks

"Eu sempre fui uma buscadora da verdade. Toda a minha vida material foi passada a servir o Espírito Santo, e (conforme se me apresentou à visão limitada que possuía) e sempre cuidei dos assuntos do meu Pai. Entrei na vida da comunidade para me dedicar a esse Serviço, e por vinte e cinco anos creio que, dentro do poder que me foi dado, cumpri com os verdadeiros votos religiosos, amei os meus companheiros, e ensinei a fé àqueles que vieram colhê-la.

Abandonei a comunidade por acreditar sinceramente que toda a verdade não tinha sido assimilada na sua religião. No meu entendimento pareceu-me que existia uma certa ignorância quanto à consciência de outros estados de consciência, que a mente superior do homem podia alcançar. "Graça" era tudo de quanto necessitava, fui informada, para o meu trabalho e para a minha vida comunal; e até essa altura isso era verdade. Mas, passado um tempo, a ideia chegou-me a ser representada como um olhar por cima do muro para um jardim glorioso de flores, arbustos e árvores, de modo que ansiava por me passear por entre tal beleza e por arrancar as flores. A Graça veio, é verdade, como que pela inalação do perfume dessa visão espiritual, destilado da presença do Espírito Santo.

Só que a minha alma ansiava por uma maior participação na sementeira, trato e colheita da beleza de tal elevada extensão  de consciência que, conforme senti, a mente superior do homem conseguia atingir. Assim teve início o meu interesse pelo "sobrenatural" conforme era na altura chamado. Estava firme na percepção de que a vida persistia numa outra forma após a morte do invólucro físico da alma, o corpo. Também condescendi com a doutrina defendida desde tempos antigos, respeitante à progressão que a alma sofre através das diversas experiências e lições enfrentadas durante repetidas encarnações ou incursões na matéria. Esses princípios da crença não chocavam com a ortodoxia que eu professava; e tão pouco eram estranhos ou novos para a minha mente quando comecei a ler e a estudar aprofundadamente o assunto. Regressaram como factos conhecidos destinados a suscitar uma maior iluminação. Descobri um maior vigor através da meditação e do silêncio, uma maior fé racional do que alguma vez me tinha sido concedida à alma com a enunciação de tais orações embora lindamente formuladas.

Estava a fazer a minha própria "jornada rumo ao interior," tal como Santa Tereza de Ávila tinha advogado séculos antes. Sentia-me ansiosa por comunicação com amigas que tinham passado para a vida maior, embora as minhas próprias faculdades não se achassem tão desenvolvidas quanto as da Santa. Quando a minha querida Madre Florence comunicou comigo exactamente como o ser querido que eu tinha conhecido e reverenciado na Comunidade, senti-me radiante e agradecida. A luz raiou para mim.

A partir daí, dei palestras e escrevi com respeito ao psiquismo, ao misticismo e à espiritualidade, discernindo nessas faculdades mais elevadas do homem a realidade da doutrina do corpo, mente e espírito da Igreja. Numa quase ofegante alegria sem fôlego diante dessa expansão de consciência, ansiei e planeei mesmo formar uma Comunidade onde tais faculdades pudessem ser examinadas e experimentadas, onde a ordem de Cristo de "curar os enfermos" pudesse ser realizada, e onde um experimento moderno do verdadeiro viver no Espírito pudesse ser conduzido.

Com o temperamento ardente que possuía cheguei mesmo a aspirar a uma Universidade do Espírito onde esses níveis avançados de consciência pudessem ser experimentados, praticados -- e mesmo alcançados -- por meio do pensamento correcto, da aspiração correcta e de uma viver verdadeiramente espiritual. Para minha tristeza, essa terra prometida nunca me chegou a ser revelada, por a doença e a morte importunamente me terem interrompido a vida na Terra.

Será de admirar que, quando despertei neste mundo de luz (um refúgio espiritual livre da doença do corpo, liberta dos padrões mentais parcialmente restritos) que o primeiro desejo que tenha tido tivesse sido o de remeter de volta prova de tudo quanto me tinha estimulado na busca que empreendera da verdade? Porquanto agora eu sabia!

Ansiei por a proclamar dos telhados, nas ruas, e dos púlpitos das igrejas ortodoxas. Ansiei por ajudar o ignorante, o transviado, o medroso, guiar as almas, destravar as portas barradas do preconceito. Daí a comunicação que estabeleci através da minha amiga, a autora deste tratado; e daí o livro resultante conhecido por Testemunho de Luz.

Mas eu fui sempre demasiado impaciente e procurava demasiado longe. Chegara mesmo a prever flores antes que as sementes largassem a sua casca. Agora, dotada de uma maior compreensão e de uma profunda humildade, e talvez da verdadeira percepção da limitação da mente material, e com conhecimento das eras de ignorância presentes no planeta Terra, e do fracasso da humanidade em compreender o sentido daquilo que o Mestre dos mestres ensinara, faço uma pausa na eternidade, e cultivo a lição da paciência.

A mente humana não mudará da noite para o dia. A crença dogmática não renderá o seu fanatismo nem mesmo diante da verdade. O homem que viveu essa verdade e que expôs a fé foi crucificado; aqueles que o seguiam foram torturados e eliminados. Na era moderna os fiéis, os aspirantes, os que buscam são condenados pelo fraco elogio , ou punidos como tolos ou embustes; a velha ordem da fé cega persiste, e o ignorante e crédulo seguem autoproclamados salvadores e sensacionalistas...

Contudo, a semente foi lançada. Na plenitude do tempo terrestre germinará, e esse jardim resplandecente do Espírito, que certa vez eu busquei, tornar-se-á no Éden de uma humanidade em progresso."

Helen Greaves:



A esta altura, incluirei uma passagem proveniente da minha amiga, Frances Banks. Destilou-se-me na mente certa noite na primavera do ano passado, quando já me sentia desconcertada com relação à difícil tarefa de escrever este livro, e realizando o tema das Águas Vivas." Redigi-a à medida que as palavras brotavam na minha mente; descrições tocantes de um conhecimento mais vasto e da Luz maior que Frances tinha atingido. Espero que o leitor veja, conforme eu vi, a suave transformação voltada para dentro, de uma mente erudita, rumo à Mente Espiritual. Revela o mesmo respeito inteligente com que  Frances  estudou os assuntos na Terra, contudo, dotada de uma compaixão e concordância que soam como Verdade:

Frances Banks:

"A pluralidade de vida, repetição da experiência, avanço do conhecimento na alma humana por meio da provação e do erro, é revelada neste plano, onde a verdade não mais é dissimulada ou distorcida, para quantos se achem suficientemente avançados para aceitarem como facto da evolução uma base íntegra do desenvolvimento da mente em união com a Mente, como uma escola mesmo para a personalidade temporária. O plano do Espírito Criativo opera de acordo com a Lei eterna sementeira, desabrochar e frutificação. A alma jovem já contém a semente da imortalidade incorporada nela. Por meio de sucessivas existências nos planos da matéria, ela prende lenta e dolorosamente a trepar de volta, por assim dizer, até à sua verdade prístina original, só que agora dotada de um conhecimento, experiência, e uma compreensão adicional, robustecida pelas adversidades, amadurecidas pela compaixão e livre das ilusões do fascínio da vida-própria, e por fim chega ao estágio do brotar e do desabrochar.

Um dos maiores enganos e ilusões da vida terrena, tem sido, e ainda é para a maioria do género humano, uma firme crença de que o seu planeta particular constitua o único lar para a existência humana. Foi realçada, no mundo da Terra, a crença numa única experiência da alma que, segundo erroneamente declarada, era suficiente quer para atingirmos a Eternidade paradisíaca, ou o inferno para os chamados pecadores, ou até mesmo uma jornada expiatória para os não tão caídos malfeitores.

Muitas das almas que chegam a estes planos astrais após a morte física, ainda se agarram a este princípio e continuam a crer nele, até que pelo Amor, pelo exemplo, pelo crescimento da alma, comecem a perceber algo da esplêndida Lei da Vida. Contudo, não há qualquer urgência, nenhuma pressão é exercida quanto às teologias que envolve. Estas mudam lentamente, de forma imperceptível, e por vezes resultam num maior desejo de experiência, numa outra oportunidade. Assim, com uma pequena medida de uma verdade mais vasta, muitas almas dessas apressam-se de volta para a encarnação, insuficientemente preparadas, possivelmente para tratarem de algo relativo ao seu padrão anterior uma vez mais. Contudo, quando atravessam as "Águas de Lethe" (esquecimento imposto pela nascença), a sua nova consciência quase é deixada quase em branco, e nas suas vidas terrenas seguintes escassamente recordará alguma coisa das provações anteriores. Mas de quando em vez a alma, mais as suas recordações encobertas, incita-as a tomar decisões correctas na sua jornada eterna rumo à verdade.

Para outros, dotados de um maior avanço quanto à realidade do espírito e da matéria, é o progresso para Esferas mais Elevadas. Aí juntam-se a almas afins; aí aprendem (conforme eu creio estar a aprender) acerca das Leis imutáveis do grandioso experimento da evolução humana. Aí, eruditos, santos e sábios discursam acerca da realidade, e da interminável jornada rumo à perfeição, acerca da transcendente e contínuo propósito de toda a vida, de toda a consciência, quer seja na pedra, na planta, no animal ou no homem. Conforme enfatizei anteriormente, o tempo aqui é factor desconhecido, e Inteligências grandiosas conseguem olhar para trás para os registos de civilizações passadas; antigos fracassos e sucessos e apontar os passos ascendentes que elas deram - e da sua derradeira transferência para uma bem-sucedida mortalidade. Porquanto nada termina -- nada que tenha sido criado chega verdadeiramente a morrer. Tudo experimenta as mudanças drásticas dos actores Shakespearianos.

Conforme aqui somos ensinados a entender, (e conforme Jesus enfatizou) existem muitas moradas na Casa do Pai (Espírito Criativo). Alojamento há para todos, e somente a aspiração e a vontade determinam a permanência ou o afastamento para uma maior experiência material. Há grandiosas almas aqui que foram habitantes experientes do plano terreno muito antes do alvorecer da história! Elas não têm necessidade de experiência humana por terem passado nos testes exigidos, porém estendem o conhecimento que têm, a sua gnose, a quantos anseiam por uma grande erudição espiritual; e eles mantêm contacto com aqueles da nova ordem caso elegessem entrar de novo na vida humana. A sabedoria pode ser retransmitida por esses Grandiosos em benefício daquelas almas jovens que ainda se debatem com os véus da fascinação da Terra.

Todavia, mesmo eles no seu avanço ainda não representam o Homem Perfeito do Plano Divino! Não mais se lhes apresentará a necessidade de encarnarem na matéria, no entanto progredirão para um Plano ou Mansão mais avançada, de que nós evidentemente não podemos ter impressões possíveis. Rumo a Deus, rumo a esse Centro eterno e imutável nos estamos todos a mover no nosso próprio ritmo; ainda assim isso permanece de tal modo incognoscível para as almas deste Plano, quanto o nosso Plano do Pensamento aqui permanece para quantos se encontram na Terra antes da sua morte e transferência.

A morte, conforme eu anteriormente afirmei, é uma questão de processamento de um nível de consciência para outro. Portanto, a Segunda Morte que precisa ser experimentada por essas grandes Inteligências, grandiosas Almas transferi-las-á para a fase seguinte do plano magnífico e grandioso. O que essa experiência subentende e como é realizada, eu e os meus companheiros de jornada não poderemos saber. Mas aquilo que aprendi é que “conforme em cima, também em baixo,” renascimento em estados mais etéreos, mais místicos, mais elevados aqui na Lei, conforme na terra. Por tudo ser progresso. Tudo é avanço rumo ao apogeu da Mente; rumo àquele estado que os poetas vagamente percebem; e por que as gentes da terra se esforçam por visualizar ao “lançarem as suas coroas de ouro diante do Trono de Deus.” Isto, creiam-me, não constitui uma falácia total – a glória desse Centro de Vida constitui uma realidade, para a qual todos prosseguem, todos caminham, e para que todas as almas estão a ser refinadas, purificadas, erguidas e preparadas."

In "Living Waters," de Helen Greaves
Traduzido por Amadeu António

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